




Resenha
                  número 115, 2° semestre de 2014

                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          

ministério das relações exteriores

                    resenHa de PolÍtiCa exterior do Brasil
                   Número 115, 2° semestre de 2014 - Ano 40, ISSN 01012428
                  
                  
© 2014 Todos os direitos reservados. A reprodução ou tradução de qualquer parte desta publicação será permitida
com a prévia permissão do Editor.

A resenha de Política exterior do Brasil é uma publicação semestral do Ministério das Relações Exteriores, organizada e editada
pela Coordenação-Geral de Documentação Diplomática (CDO) do Departamento de Comunicações e Documentação (DCD).

- Ministro de Estado das Relações Exteriores
 Embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado

- Secretário-Geral das Relações Exteriores
 Embaixador Eduardo dos Santos
 
- Subsecretário-Geral do Serviço Exterior
 Embaixador José Borges dos Santos Júnior
 
- Diretor do Departamento de Comunicações e Documentação
 Ministro João Pedro Corrêa Costa
 
- Coordenação-Geral de Documentação Diplomática
 Conselheiro Pedro Frederico de Figueiredo Garcia

 
 
 
 

   Resenha de Política Exterior do Brasil / Ministério das Relações Exteriores, Departamento de Comunicações
e Documentação : Coordenação-Geral de Documentação Diplomática.  Ano 1, n. 1 (jun. 1974)-.  Brasília :
Ministério das Relações Exteriores, 1974 -	.

        285p.
       
         ISSN 01012428
         Semestral.
        
        1.Brasil  Relações Exteriores  Periódico. I.Brasil. Ministério das Relações Exteriores.
        
                                                                 CDU 327(81)(05)
                                                                     
                                                                     
               departamento de Comunicações e documentação



                      sumário
                                                                 
                                                                 
disCursos	13

PRONUNCIAMENTOS DO VICE-PRESIDENTE DA REPúBLICA NA
TERCEIRA SESSãO PLENáRIA DA COMISSãO SINO-BRASILEIRA

DE ALTO NíVEL DE CONCERTAçãO E COOPERAçãO (COSBAN) 
CANTãO, 6 DE NOVEMBRO DE 2013
02/07/2014

DISCURSO DA PRESIDENTA DA REPúBLICA, DILMA ROUSSEFF,
DURANTE ALMOçO EM hOMENAGEM AO PRESIDENTE DA RúSSIA,
VLADIMIR PUTIN - BRASíLIA, 14 DE JULhO DE 2014
14/07/2014

DECLARAçãO à IMPRENSA DA PRESIDENTA DA REPúBLICA, DILMA
ROUSSEFF, APóS REUNIãO BILATERAL COM O PRESIDENTE DA
RúSSIA, VLADIMIR PUTIN - BRASíLIA, 14 DE JULhO DE 2014
14/07/2014


DISCURSO DA PRESIDENTA DA REPúBLICA, DILMA ROUSSEFF,
DURANTE ABERTURA DA SESSãO PLENáRIA DA VI CúPULA DO
BRICS - FORTALEzA, 15 DE JULhO DE 2014
15/07/2014


DISCURSO DA PRESIDENTA DA REPúBLICA, DILMA ROUSSEFF, NA
ABERTURA DA SEGUNDA SESSãO DE TRABALhO DA CúPULA DO BRICS E
DE PAíSES DA AMéRICA DO SUL - BRASíLIA, 16 DE JULhO DE 2014
16/07/2014

13






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DECLARAçãO à IMPRENSA DA PRESIDENTA DA REPúBLICA, DILMA
ROUSSEFF, APóS ENCONTRO BILATERAL COM O PRESIDENTE DA
REPúBLICA DE ANGOLA, JOSé EDUARDO DOS SANTOS - BRASíLIA,
16 DE JUNhO DE 2014
16/07/2014

PALAVRAS DA PRESIDENTA DA REPúBLICA, DILMA ROUSSEFF,
DURANTE ALMOçO EM hOMENAGEM AO PRESIDENTE DA
REPúBLICA POPULAR DA ChINA, XI JINPING - BRASíLIA, 17 DE
JULhO DE 2014
17/07/2014

DECLARAçãO à IMPRENSA DA PRESIDENTA DA REPúBLICA, DILMA
ROUSSEFF, APóS ENCONTRO COM O PRESIDENTE DA REPúBLICA
POPULAR DA ChINA, XI JINPING - BRASíLIA, 17 DE JULhO DE 2014
17/07/2014

DISCURSO DA PRESIDENTA DA REPúBLICA, DILMA ROUSSEFF,
DURANTE SESSãO PLENáRIA DA 46ª CúPULA DO MERCOSUL 
CARACAS, VENEzUELA, 29 DE JULhO DE 2014
29/07/2014

PALAVRAS DA PRESIDENTA DA REPúBLICA, DILMA ROUSSEFF,
DURANTE ALMOçO EM hOMENAGEM AO PRIMEIRO-MINISTRO DO
JAPãO, ShINzO ABE  BRASíLIA, 1º DE AGOSTO DE 2014
01/08/2014

DECLARAçãO à IMPRENSA DA PRESIDENTA DA REPúBLICA, DILMA
ROUSSEFF, APóS CERIMôNIA DE ATOS COM O PRIMEIRO-MINISTRO
DO JAPãO, ShINzO ABE - BRASíLIA, 1º DE AGOSTO DE 2014
01/08/2014



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DISCURSO PROFERIDO PELA PRESIDENTA DA REPúBLICA, DILMA
ROUSSEFF, DURANTE CúPULA DO CLIMA DAS NAçõES UNIDAS -
NOVA YORk, ESTADOS UNIDOS, 23 DE SETEMBRO DE 2014
23/09/2014

DISCURSO PROFERIDO PELA PRESIDENTA DA REPúBLICA, DILMA
ROUSSEFF, NA ABERTURA DO DEBATE DE ALTO NíVEL DA 69ª
ASSEMBLEIA GERAL DAS NAçõES UNIDAS (ONU) - NOVA YORk,
ESTADOS UNIDOS, 24 DE SETEMBRO DE 2014
08/10/2014

STATEMENT DELIVERED BY ThE SECRETARY GENERAL OF FOREIGN
AFFAIRS, EDUARDO SANTOS, ON ThE OCCASION OF ThE GAzA
RECONSTRUCTION CONFERENCE - CAIRO, EGYPT, OCTOBER 12, 2014
13/10/2014

PALESTRA MAGNA DO SR. MINISTRO DE ESTADO DAS RELAçõES
EXTERIORES POR OCASIãO DA III CONFERêNCIA SOBRE RELAçõES
INTERNACIONAIS, UNB - BRASíLIA, 27DE NOVEMBRO DE 2014
27/11/2014

DISCURSO PROFERIDO PELO MINISTRO DE ESTADO DAS RELAçõES
EXTERIORES, LUIz ALBERTO FIGUEIREDO MAChADO, NA
CERIMôNIA DE ABERTURA DO 30º ANIVERSáRIO DA DECLARAçãO
DE CARTAGENA SOBRE REFUGIADOS  CARTAGENA+30 - BRASíLIA,
2 DE DEzEMBRO DE 2014
03/12/2014

INTERVENçãO DO SENhOR SECRETáRIO-GERAL DAS RELAçõES
EXTERIORES, EMBAIXADOR EDUARDO DOS SANTOS, NA
CERIMôNIA DA SEPPIR: BALANçO DE GESTãO 2011-2014 - BRASíLIA,
3 DE DEzEMBRO DE 2014
03/12/2014



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DISCURSO DA PRESIDENTA DA REPúBLICA, DILMA ROUSSEFF,
NA CúPULA EXTRAORDINáRIA DA UNIãO DAS NAçõES SUL-
AMERICANAS (UNASUL) - QUITO, EQUADOR, 05 DE DEzEMBRO DE 2014
05/12/2014

DISCURSO DA PRESIDENTA DA REPúBLICA, DILMA ROUSSEFF,
DURANTE CERIMôNIA DE ABERTURA DA XLVII CúPULA DO
MERCOSUL E ESTADOS ASSOCIADOS - PARANá, PROVíNCIA DE



71






75

ENTRE RIOS-ARGENTINA, 17 DE DEzEMBRO DE 2014
17/12/2014

atos internaCionais assinados no PerÍodo	79

ComuniCados, notas,


SITUAçãO EM ISRAEL E NA PALESTINA
01/07/2014	81



LANçAMENTO DO BRASIL EXPORT  GUIA DE COMéRCIO EXTERIOR
E INVESTIMENTO  BRASíLIA, 2 DE JULhO DE 2014
02/07/2014

XXVIII REUNIãO DE CONSULTA DE MINISTROS DE RELAçõES
EXTERIORES DA ORGANIzAçãO DOS ESTADOS AMERICANOS -


81




81

WAShINGTON, 3 DE JULhO DE 2014
02/07/2014

SEQUESTRO E ASSASSINATO DE PALESTINO EM JERUSALéM ORIENTAL



VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS DA

REPúBLICA DO CAzAQUISTãO, ERLAN IDRISSOV - BRASíLIA E SãO
PAULO, 2 E 3 DE OUTUBRO DE 2013
04/07/2014

82



VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS E
EMIGRANTES DO LíBANO, GEBRAN BASSIL  9 A 14 DE JULhO DE 2014
09/07/2014

ATOS ASSINADOS POR OCASIãO DA VISITA DO MINISTRO DOS
NEGóCIOS ESTRANGEIROS E EMIGRANTES DO LíBANO, GEBRAN
BASSIL  BRASíLIA, 10 DE JULhO DE 2014
10/07/2014

ATOS ASSINADOS POR OCASIãO DA VISITA AO BRASIL DO
PRESIDENTE DA FEDERAçãO DA RúSSIA, VLADIMIR PUTIN 
BRASíLIA, 14 DE JULhO DE 2014

82





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15/07/2014

VI CúPULA BRICS  DECLARAçãO DE FORTALEzA  15 DE JULhO DE 2014





ATOS ASSINADOS POR OCASIãO DA VI CúPULA DO BRICS 
FORTALEzA, 15 DE JULhO DE 2014
15/07/2014

ATOS ASSINADOS POR OCASIãO DA VISITA AO BRASIL DO PRIMEIRO
MINISTRO DA REPúBLICA DA íNDIA, ShRI NARENDRA MODI 


110




135

BRASíLIA, 16 DE JULhO DE 2014
16/07/2014

CONFLITO ENTRE ISRAEL E PALESTINA





DECLARAçãO CONJUNTA DA CúPULA DE BRASíLIA DE LíDERES DA
ChINA E DE PAíSES DA AMéRICA LATINA E CARIBE - BRASíLIA, 17 DE
JULhO DE 2014

ATOS ASSINADOS POR OCASIãO DA VISITA AO BRASIL DO
PRESIDENTE DA REPúBLICA POPULAR DA ChINA, XI JINPING
17/07/2014

153




156




VISITA AO BRASIL DO PRESIDENTE DA COMISSãO EUROPEIA 



CONFLITO ENTRE ISRAEL E PALESTINA
23/07/2014	201

CúPULA DE ChEFES DE ESTADO DO MERCOSUL E ESTADOS

ASSOCIADOS E XLVI REUNIãO DO CONSELhO DO MERCADO
COMUM - CARACAS, 28 E 29 DE JULhO DE 2014
07/08/2014

DOCUMENTOS APROVADOS NA XLVI CúPULA DE ChEFES DE
ESTADO DO MERCOSUL E ESTADOS ASSOCIADOS - CARACAS, 29 DE
JULhO DE 2014
07/08/2014

ACORDO ENTRE O GOVERNO DA REPúBLICA FEDERATIVA
DO BRASIL E O GOVERNO DA REPúBLICA FRANCESA PARA O
ESTABELECIMENTO DE REGIME ESPECIAL TRANSFRONTEIRIçO DE


201




202






224

BENS DE SUBSISTêNCIA ENTRE AS LOCALIDADES DE OIAPOQUE
(BRASIL) E ST. GEORGES DE LOYAPOCk (FRANçA)
07/08/2014

SITUAçãO NA LíBIA
07/08/2014	227

VISITA AO BRASIL DO PRIMEIRO-MINISTRO DO JAPãO, ShINzO ABE



ATOS ASSINADOS POR OCASIãO DA VISITA AO BRASIL DO

PRIMEIRO-MINISTRO DO JAPãO, ShINzO ABE - BRASíLIA, 1º DE
AGOSTO DE 2014
07/08/2014

VISITA AO BRASIL DO PRIMEIRO-MINISTRO DO JAPãO, ShINzO ABE -
COMUNICADO CONJUNTO DA VISITA OFICIAL DE TRABALhO
07/08/2014

227




230

ATO ASSINADO POR OCASIãO DA VISITA DO VICE-MINISTRO DE
COOPERAçãO INTERNACIONAL DA REPúBLICA DO IêMEN, OMER
ABDUL-AzIz ABDUL-GhANI
08/08/2014

VISITA DO SEN hOR VICE -PRESIDENTE DA REP úBLICA à COL
ôMBIA -BOGOT á, 7 DE AGOSTO DE 2014
08/08/2014

VISITA DO MINISTRO DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS DA REPúBLICA
DA ESTôNIA, URMAS PAET - BRASíLIA, 19 DE AGOSTO DE 2014
20/08/2014

VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS DA
GUATEMALA, LUIS FERNANDO CARRERA CASTRO BRASíLIA, 25 DE
AGOSTO DE 2014
25/08/2014

PARTICIPAçãO DO MINISTRO LUIz ALBERTO FIGUEIREDO
MAChADO NA POSSE DO PRESIDENTE DA TURQUIA, RECEP TAYYIP
ERDOGAN ANCARA, 28 DE AGOSTO DE 2014


242




245




245





245





245

26/08/2014

CESSAR-FOGO NO ORIENTE MéDIO
28/08/2014	245



COMUNICADO CONJUNTO à IMPRENSA DO ENCONTRO MINISTERIAL
DOS PAíSES DO G-4 (BRASIL, ALEMANhA, íNDIA E JAPãO), à
MARGEM DA 69ª SESSãO DA ASSEMBLEIA GERAL DA ONU, EM NOVA
YORk, NO DIA 25 DE SETEMBRO DE 2014.

ENCERRAMENTO DO CONTENCIOSO ENTRE BRASIL E ESTADOS
UNIDOS SOBRE O ALGODãO NA OMC (DS267)
01/10/2014


246





247

VISITA DO MINISTRO DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS DA REPúBLICA
DA ISLâNDIA, GUNNAR BRAGI SVEINSSON - BRASíLIA, 14 DE
OUTUBRO DE 2014

NOTA DE ESCLARECIMENTO Nº 2 -
CASA CIVIL E MINISTéRIO DAS RELAçõES EXTERIORES
16/10/2014

ELEIçãO DE NOVOS MEMBROS NãO PERMANENTES DO CONSELhO
DE SEGURANçA DAS NAçõES UNIDAS
17/10/2014

REUNIãO INFORMATIVA DE MINISTROS DAS RELAçõES
EXTERIORES DOS ESTADOS PARTES DO MERCOSUL E DOS PAíSES
MEMBROS DA ALIANçA DO PACíFICO - CARTAGENA DAS íNDIAS, 1º


247




248




248





248

DE NOVEMBRO DE 2014
31/10/2014

CONDENAçãO A ATENTADO EM JERUSALéM
19/11/2014	248



NOTA à IMPRENSA CONJUNTA DOS MINISTéRIOS DAS RELAçõES
EXTERIORES E DA SAúDE  CONTRIBUIçãO BRASILEIRA AO
COMBATE INTERNACIONAL AO VíRUS DO EBOLA
03/12/2014

REUNIãO EXTRAORDINáRIA DO CONSELhO DE ChEFAS E ChEFES DE
ESTADO E DE GOVERNO DA UNASUL - QUITO, 5 DE DEzEMBRO DE 2014


249





249

04/12/2014

ADMISSãO DO BRASIL NO COMITê CONSULTIVO DA UNRWA



ATENTADO NO PAQUISTãO

CúPULA DE ChEFES DE ESTADO DO MERCOSUL E ESTADOS
ASSOCIADOS E XLVII REUNIãO DO CONSELhO DO MERCADO
COMUM - PARANá, ARGENTINA, 16 E 17 DE DEzEMBRO DE 2014


250

16/12/2014

ATENTADOS EM TRIPOLI, LíBANO



ATENTADO CONTRA MISSãO DAS NAçõES UNIDAS NO SUDãO DO SUL
18/12/2014	251



NORMALIzAçãO DAS RELAçõES ENTRE CUBA E OS ESTADOS UNIDOS
18/12/2014

DOCUMENTOS APROVADOS NA XLVII CúPULA DE ChEFES DE
ESTADO DO MERCOSUL E ESTADOS ASSOCIADOS - PARANá,
ARGENTINA, 17 DE DEzEMBRO DE 2014

251




252

18/12/2014

artigos	275

A CONSTITUIçãO DO POVO (ISTOé, 27/09/2014)



O USO DA FORçA NAS RELAçOES INTERNACIONAIS (FOLhA DE SãO

PAULO, 08/10/2014)

277

08/10/2014

PRIVACIDADE DIGITAL (O GLOBO, 19/12/2013)



ÍndiCe remissiVo	281










                               disCursos
                                                                    
PronunCiamentos do ViCe-Presidente da rePúBliCa na terCeira
  sessão Plenária da Comissão sino-Brasileira de alto nÍVel de
 ConCertação e CooPeração (CosBan)  Cantão, 6 de noVemBro de 2013
                                                                02/07/2014

                                                                            
                                                                            
                                                                            

  Terceira Sessão Plenária da Comissão
Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação
e Cooperação (COSBAN)  Pronunciamentos
do Senhor Vice-Presidente da República 
Cantão, 6 de novembro de 2013
    I) Pronunciamento do Senhor Vice-
Presidente da República por Ocasião da
Sessão de Abertura
  II) Pronunciamento do Senhor Vice-
Presidente da República por Ocasião da
Sessão de Encerramento
  Pronunciamento do Senhor Vice-Presidente
da República por Ocasião da Sessão de
Abertura
  Excelentíssimo	Senhor	Vice-Primeiro
Ministro Wang Yang,
  Senhoras e Senhores integrantes das
delegações chinesa e brasileira,
  Esta III sessão da COSBAN é a primeira
desde a posse dos atuais quadros dirigentes
chineses e, desde já, agradeço-lhe, Senhor
Vice-Primeiro Ministro Wang Yang, pelos
esforços para reunir nesta oportunidade
vários integrantes do alto escalão do Governo
chinês, engajados diretamente nas relações
sino-brasileiras.
  De minha parte, faço-me acompanhar por
Ministros e representantes de alto nível dos

mais expressivos setores de nossa Parceria
Estratégica.
  Orientei a delegação brasileira a
conduzir os trabalhos das 11 Subcomissões
da COSBAN para esta III Reunião, com
vistas à implementação do Plano Decenal
de Cooperação e estou seguro de que hoje
faremos novos avanços em nossa parceria.
  Desde 2009, a China mantém a
posição de primeiro parceiro comercial
brasileiro e fortalece sua posição entre os
principais investidores externos no Brasil.
Particularmente auspicioso foi o fato de
os investimentos chineses no Brasil terem
mostrado tendência de diversificação, na
direção a setores de maior valor agregado,
tais como o automobilístico, construção,
telecomunicações e tecnologia da informação,
transmissão de eletricidade, entre tantos
outros setores.
  A bem-vinda participação de empresas
chinesas no consórcio para a exploração do
Campo de Libra do pré-sal abre importantes
novas perspectivas para nossa atuação
conjunta no setor de petróleo e gás. Por
outro lado, como saberá Vossa Excelência,
o Brasil realiza neste momento um dos mais
ambiciosos programas de investimentos em




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	13




infraestrutura no mundo, por meio de número
expressivo	de	licitações	internacionais.
Estimulo	a	participação	chinesa	nesses
empreendimentos, que haverão de fortalecer
ainda mais nosso conhecimento e confiança
mútuos, com ganhos compartilhados.
  Temos grande expectativa de contar com
a participação chinesa em outras importantes
licitações, nos setores de energia, ferroviário,
portuário, aeroportuário e de construção de
rodovias, dentre muitos outros. Ainda no
mês de novembro corrente, nos dias 28 e 29,
ocorrerá licitação para reservas de gás, na qual
estimulamos muito a participação chinesa.
  Constatamos, com satisfação, que nosso
comércio tem crescido de forma consistente,
a despeito das circunstâncias adversas da
economia internacional. Nossas trocas devem
atingir a cifra recorde de 80 bilhões de dólares
em 2013.
  O Brasil passou de 10º principal parceiro
comercial da China em 2011, para 8º em
2012. Mas temos capacidade de ampliar e
diversificar nossas exportações para a China,
e identificamos no setor do agronegócio vasto
potencial. No momento de minha visita, duas
expressivas delegações empresariais  da
Confederação Nacional da Agricultura e a
seção brasileira do Conselho Empresarial
Brasil-China  realizam intensa programação
na China, o que evidencia o firme interesse
brasileiro	de	aumentar	e	diversificar
suas exportações para o mercado chinês,
principalmente em setores de alto valor
agregado.
  Também	desejamos	expandir	nossos
investimentos na China, dos quais a joint-
venture EMBRAER-AVIC para a produção
de jatos executivos na China, é exemplo
que queremos replicar. Outras empresas
brasileiras, como a MARCOPOLO, desejam
aumentar sua presença na China.
  Acolhemos muito positivamente o aumento

da cooperação financeira, por meio de uma
maior presença de instituições financeiras
chinesas no Brasil, e brasileiras na China.
Por sua vez, a recente conclusão de acordo de
swap de moedas introduz outro instrumento
inovador, que poderá se revelar de grande
utilidade para nossos operadores comerciais.
  A cooperação no campo da ciência,
tecnologia e inovação evolui de forma
muito positiva, com iniciativas em áreas
importantes como a espacial, biotecnologia,
nanotecnologia, energias renováveis e
mudança do clima.
  Aguardamos, com grande expectativa, a
visita do Presidente Xi Jinping ao Brasil em
2014, quando deverá também participar da VI
Cúpula do BRICS que sediaremos.
  Estou certo de que a COSBAN é um
canal privilegiado para encaminhar de forma
positiva nossas elevadas expectativas quanto
ao futuro da Parceria Brasil-China.
  Muito obrigado.
  Pronunciamento do Senhor Vice-Presidente
da República por Ocasião da Sessão de
Encerramento
  Excelentíssimo Senhor Vice-Primeiro
Ministro Wang Yang,
  A exitosa jornada de trabalho que hoje
cumprimos renova minha confiança no futuro
de nossas relações.
  Os relatos que acabamos de receber das
onze Subcomissões que integram a COSBAN
refletem o dinamismo e a diversidade de
nossos interesses.
  As Subcomissões encarregadas dessa
agenda têm diante de si a incumbência
de buscar o encaminhamento de questões
pontuais, de forma a possibilitar a ampliação
de nossas exportações para a China. A
instituição de cronograma de visitas de
autoridades sanitárias chinesas ao Brasil,
bem como o equacionamento da questão da
escalada tarifária chinesa serão determinantes




14

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




para ampliarmos a participação de produtos
do agronegócio brasileiro na pauta de nossas
vendas para a China.
  O Protocolo para a Exportação de Milho
que assinamos hoje amplia o leque de produtos
de alta qualidade e de preço competitivo que o
Brasil pode propiciar à China.
  Estamos certos de que as Subcomissões
acatarão nossa recomendação de encaminhar
positivamente as questões que ora dificultam
a ampliação dos investimentos brasileiros
na	China.	Também	estamos	abertos	a
investimentos chineses no Brasil, em especial
nas áreas ferroviária, de portos, aeroportos
e rodovias. Muitos desses projetos estão
inseridos no contexto maior da integração
física na América do Sul, o que os torna ainda
mais atraentes para investimentos externos.
  Vivemos tempos em que se multiplicam
iniciativas	de	alianças	comerciais
internacionais.	Devemos	estar	atentos
quanto a seus efeitos sobre nossas economias
e sobre o comércio entre nossos países.
Devemos analisar esses temas no âmbito
das Subcomissões da COSBAN e devemos
intensificar nosso diálogo sobre tendências da
economia global.
  Tenho particular satisfação de registrar
os progressos de nossa parceria em ciência,
tecnologia e inovação, bem como na área
espacial. Esses são setores que traduzem a
visão de longo prazo do que podemos construir
com a associação de nossas capacidades.
  O	desenvolvimento	conjunto	de
tecnologias agrícolas, da nanotecnologia e da
biotecnologia para a produção de fármacos
e medicamentos trará benefícios para nossos
povos que poderão também se estender a
outros países em desenvolvimento, ampliando
nossas atividades de cooperação sul-sul.
  é, assim, extremamente animadora a
presença de laboratório da EMBRAPA na
China, e de laboratório da Academia de

Ciências da China no Brasil. O Grupo de
Trabalho sobre Biotecnologia e Biossegurança
Agrícola que hoje constituímos reflete a
determinação de nossos países de desenvolver
nossa parceria de forma consistente.
  Da mesma forma, o lançamento do
Satélite CBERS-3, que se realizará em
dezembro próximo, atesta a visão de futuro da
capacidade de associação em alta tecnologia.
Também nessa área, estendemos nossa
cooperação a outros países, em particular da
áfrica e da América do Sul. O Plano Decenal
de Cooperação Espacial que hoje firmamos
nos permitirá aprofundar essa exemplar
cooperação.
  Mesmo diante das vastas reservas de
petróleo e gás de que dispomos, o Brasil segue
empenhado em levar adiante a produção e o uso
de energias limpas e renováveis. E, para tanto,
queremos a parceria chinesa nos setores de
energia elétrica, nuclear, eólica e fotovoltaica.
Estou certo de que juntos podemos também
desenvolver biocombustíveis de segunda
geração, em sintonia com nosso interesse
comum de contribuir de forma significativa
para a redução das emissões dos gases de
efeito estufa e seus efeitos sobre as mudanças
climáticas.
  Constato, com especial satisfação, a
intensificação de nossa cooperação na esfera
educacional. No contexto da implementação
do Programa Ciência sem Fronteiras, já
estudam na China cerca de duzentos alunos
brasileiros, número que queremos ver em breve
ampliado. Esperamos também associar as
atividades acadêmicas dos alunos a programa
de estágios em empresas chinesas, de forma a
complementar sua formação. Quero também
registrar o interesse em enviar estudantes para
instituições chineses dedicadas à formação de
quadros no setor da aviação civil.
  Destaco a importância da promoção do
ensino do idioma mandarim no Brasil e da




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	15




língua portuguesa na China. O Instituto
Confúcio já está presente em três capitais
brasileiras, e dispomos de leitorados da língua
portuguesa em três universidades chinesas.
Devemos continuar a disseminação desses
relevantes mecanismos de aproximação entre
nossos povos.
  Temos ainda amplas possibilidades de
cooperação na área esportiva, onde poderemos
estimular	nossas	complementaridades,
inclusive já com vistas à realização no Brasil
dos Jogos Olímpicos de 2016.
  Senhor Vice-Primeiro-Ministro,
  A ampla gama de áreas de interesse que
conforma nossa parceria está lastreada na
convergência de percepções e afinidades
entre nossos líderes e entre nossas sociedades.
Devemos	nos	congratular	com	nossas
realizações	nesses	quase	quarenta	anos
de	estabelecimento	de	nossas	relações
diplomáticas e, ao mesmo tempo, traçar o
caminho que queremos percorrer no Século
XXI. Sinto-me profundamente honrado de
participar, juntamente com Vossa Excelência,
desse nobre exercício em benefício de nossos
países e de nossos povos.
  Aguardo recebê-lo no Brasil par a IV
Reunião da COSBAN, quando buscarei
reciprocar a amabilidade que fui recebido por
Vossa Excelência.
  Muito obrigado.

   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   

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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014










    disCurso da Presidenta da rePúBliCa, dilma rousseff,
durante almoço em Homenagem ao Presidente da rússia,
             Vladimir Putin - BrasÍlia, 14 de julHo de 2014
                                                            14/07/2014

                                                                      
                                                                      
                                                                      
                                                                      
                                                                      
                                                                      

  Queria cumprimentar o nosso querido vice-
presidente da República, Michel Temer,
  Cumprimentar o presidente da Câmara dos
Deputados, que nos honra com sua presença,
henrique Eduardo Alves,
  Cumprimentar o embaixador Luís Alberto
Figueiredo e o Senhor Serguey Lavrov,
ministros de Relações Exteriores do Brasil e
da Federação Russa. Por intermédio deles,
  cumprimento todos os ministros aqui
presentes e todos os integrantes das delegações
do Brasil e da Rússia, bem como os senhores
empresários que participam desta cerimônia.
  Cumprimento	os	chefes	de	missão
diplomática acreditados junto ao meu governo,
  Cumprimento o senhor Agnelo Queiroz,
governador do Distrito Federal.
  Cumprimento o ministro José Antônio Dias
Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal
e presidente do Tribunal Superior Eleitoral,
  Cumprimento	o	Procurador-Geral	da
República, Rodrigo Janot,
  Cumprimento os senhores senadores Jorge
Viana, primeiro vice-presidente do Senado
Federal; Ciro Nogueira; Cidinho Santos;
Eduardo Suplicy; senadora kátia Abreu;
senadora Vanessa Graziotin.
  Cumprimento os deputados federais, André

zacharow, Arlindo Chinaglia, átila Lins,
Eduardo Cunha.
  Cumprimento os senhores acadêmicos e
dirigentes de instituições de ensino e pesquisa
da Rússia e do Brasil.
  Senhoras jornalistas, fotógrafos e
cinegrafistas.
  Presidente Putin,
  Seja muito bem-vindo ao Brasil. Agradeço
essa retribuição da visita que fiz a Moscou em
dezembro de 2012, agradeço a forma calorosa
com que fui recebida. é um imenso prazer
recebê-lo em momento tão especial.
  Passados os dez anos da sua primeira
visita, observamos com muita satisfação
que nós, de fato, aprofundamos a nossa
parceria estratégica em todas as áreas: na
infraestrutura, na energia, na área de defesa,
nas relações econômicas e comerciais, na área
da agricultura.
  Tenho certeza que nós podemos fazer
ainda muito mais, não só pelo dinamismo
das nossas economias, mas também pelo
tamanho das oportunidades que temos para
desenvolver estas relações, aliás, a relação
entre a Rússia e o Brasil, ela ganhou um
novo ímpeto nos últimos anos, seja no campo
bilateral, onde nos tivemos vários organismos




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	17




que nos aproximaram, seja em fóruns muito
importantes, como é o caso dos Brics, do G20
e da ONU.
  Essa	aproximação	não	é	um	fato
circunstancial, mas é um imperativo no mundo
multipolar. Nós somos países de extensos
territórios e grandes populações, somos
detentores de expressivos recursos energéticos
e minerais, somos reconhecidos por nossa
atuação autônoma no plano internacional em
favor de um mundo mais justo, mais próximo
e pacífico.
  Desde 2004, nosso comércio mais que
dobrou. hoje assinamos um acordo para
diversificá-lo ainda mais e possibilitar um
aumento recíproco de investimento em áreas
que consideramos relevantes como, por
exemplo, energia e infraestrutura.
  O potencial de uma cooperação que parte
de uma visão de longo prazo é demonstrado
também pelos objetivos que temos em áreas
como as de uso pacífico da energia nuclear, na
área da defesa e na área da ciência e tecnologia.
Todos esses domínios refletem a empatia entre
nossos povos, a admiração cultural mútua que
cultivamos.
  Esse sentimento foi reforçado pelos mais
de 10 mil turistas russos que vieram para a
Copa, visita que será certamente retribuída
por milhares de brasileiros, em 2018.
  Nos próximos dias teremos uma reunião
importante, a reunião dos Brics, e a Rússia,
assim como no caso dos Jogos Olímpicos,
nos sucederá na realização desses eventos. No
caso dos Brics, tenho certeza que nós estamos
naquele momento especial onde duas grandes
iniciativas, por exemplo, ganharão musculatura
e ganharão sua formatação, que são o novo
Banco dos Brics e o acordo contingencial de
reservas. Nós temos cooperado e participado
ativamente das reuniões do G20, afirmando
o multilateralismo como a melhor ação neste
mundo que hoje esse mundo complexo

em que hoje vivemos. Na ONU também,
participamos, em vários momentos, de ações
comuns.
  Senhor Presidente,
  Eu aproveito essa ocasião para felicitar a
Rússia pela exitosa organização dos Jogos
Olímpicos de inverno, em Sóchi, e para
agradecer a sua presença, presidente Putin, na
final da Copa do Mundo de Futebol e reiterar
que tanto na Cúpula Brics como na Copa do
Mundo, esse é um momento especial no qual
dois países Brics se sucedem na organização
desses eventos. Conte, presidente, com todo
o êxito da nossa torcida e conte também com
o nosso apoio. Assim como eu espero contar
com o seu apoio, presidente Putin, e a sua
presença, nos Jogos Olímpicos de 2016, aqui
no Rio de Janeiro.
  Nesse espírito eu convido todos os
presentes aqui a erguer um brinde à saúde
e à felicidade do povo russo; à saúde e à
felicidade do presidente da Federação Russa;
e ao contínuo fortalecimento da amizade entre
nossos povos.




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014










   deClaração à imPrensa da Presidenta da rePúBliCa, dilma
rousseff, aPós reunião Bilateral Com o Presidente da rússia,
                Vladimir Putin - BrasÍlia, 14 de julHo de 2014
                                                                 14/07/2014

                                                                            
                                                                            
                                                                            
                                                                            
                                                                            
                                                                            

  Excelentíssimo	senhor	presidente	da
Rússia, Vladimir Putin.
  Senhor Michel Temer, vice-presidente da
República.
  Senhoras e senhores ministros de Estado
e integrantes das delegações da Rússia e do
Brasil.
  Senhoras e senhores empresários, dirigentes
de instituições de ensino e de pesquisa.
  Senhoras e senhores jornalistas, fotógrafos,
cinegrafistas.
  Com	enorme	satisfação	recebo	em
Brasília, dez anos após sua primeira visita a
nosso país, o presidente Vladimir Putin, que
se fez presente na Final da Copa do Mundo e
participará da 6ª Cúpula dos Brics.
  Nossa estratégia e a nossa parceria vêm
ganhando cada vez mais dinamismo, como
atesta a realização recente de múltiplos
contatos de alto nível e o desenvolvimento de
diversos projetos de cooperação.
  Cumprimentei o presidente Putin pela
exitosa organização dos Jogos Olímpicos
de Sochi. Brasil e Rússia sempre poderão
cooperar na organização dos megaeventos
esportivos, como a Copa do Mundo de 2018,
na Rússia, e os Jogos Olímpicos de 2016, no
Rio de Janeiro.
   
Desde a primeira visita do presidente
Putin ao Brasil, em 2004, nosso comércio
bilateral mais que dobrou. Concordamos que
há necessidade de aumentá-lo e diversificá-lo
a fim de atingirmos a meta de 10 bilhões de
dólares.
  Nesse contexto, saudamos a assinatura
hoje do plano de ação da cooperação
econômica e comercial. O plano servirá para
desenvolvermos iniciativas que possibilitem o
aumento recíproco de investimentos diretos.
  Transmiti ao presidente Putin as inúmeras
oportunidades que se abrem em energia e
infraestrutura, áreas nas quais as empresas
russas poderão aumentar sua presença no
Brasil, especialmente em concessões de
petróleo, portos e ferrovias.
  Concordamos também em discutir os nossos
sócios regionais, perspectivas de cooperação
econômica entre o Mercosul e a União
Econômica Euroasiática. Nossa parceria não
se resume a trocas comerciais. Ressaltamos
a importância da cooperação em defesa e em
usos pacíficos de energia nuclear. Por esta
razão, instruímos nossos negociadores a dar
continuidade às negociações para aquisição,
pelo Brasil, de unidades do sistema russo
de defesa antiaérea. Isso por que buscamos,




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	19




com a Rússia, uma relação de longo prazo e
de benefícios mútuos, seja pela formação de
recursos humanos, seja pelo estabelecimento
de parcerias industriais e de associação na
área de tecnologia.
  Nossos países estão entre os maiores
do mundo e não podem se contentar, em
pleno século XXI, com dependências de
qualquer espécie. Os acontecimentos recentes
demonstram ser essencial que busquemos,
nós mesmos, nossa autonomia científica
e tecnológica. Por essa razão, manifestei
satisfação pela adesão da Rússia ao programa
Ciência sem Fronteiras, bem como pela
exitosa cooperação para instalação de estações
do sistema russo de navegação por satélite, o
Glonass, em território brasileiro.
  No que se refere às questões econômicas,
reiteramos ser essencial a atuação coordenada
de nossos países na agenda do G-20: crescer
e dar prosperidade a nossos povos. O mesmo
ocorre no que tange à ação ativa de Brasil e
Rússia em todas as instituições internacionais,
em especial nas econômicas, única maneira
de tornar, por exemplo, o FMI um mecanismo
realmente multilateral e democrático.
  Discutimos a perspectiva de conclusão,
na 6ª Cúpula dos Brics, dos acordos para a
criação do novo banco de desenvolvimento e
do arranjo contingente de reservas. A Rússia
expressou seu interesse em participar, cada
vez mais, desse estreitamento das relações
dentro dos Brics.
  Além disso, senhoras e senhores, nós
consideramos que a escalada de conflitos em
várias partes do planeta ameaça a estabilidade
mundial e obriga as organizações multilaterais
a serem cada vez mais eficientes. Nessa
ordem multipolar é necessário adotar, como
prioridade, a resolução consensual e pacífica
de conflitos. Cumprimentamos as posições
russas a respeito da questão da Síria, em
especial do Oriente Médio.
   
Finalmente, saudamos aliás, o Brasil
saúda, no âmbito regional, o diálogo da
Celac com a Rússia, que permitirá reforçar
o intercâmbio da região com outros polos do
sistema internacional. O Brasil saúda também
o apoio e a cooperação da Rússia na resolução
da Assembleia-Geral da ONU sobre direito à
privacidade na era digital.
  Nesse país aliás, nessa conjuntura e nesse
mundo muito complexo, nós, brasileiros,
vemos o seu país, presidente Putin, como
geopoliticamente integrando também o sul do
mundo. Nessa presença da Rússia nos Brics,
nós vemos que este sul, que reivindica sua
identidade, que se encontrará amanhã e depois
nos Brics, aqui no Brasil, aspira um mundo de
paz, de desenvolvimento e de justiça social.
  Agradeço, presidente Putin, mais uma
vez, sua visita. Desejo sucesso à Rússia na
organização da Copa de 2008 [2018]. Desejo
que nossos países estreitem, cada vez mais,
suas relações estratégias nas áreas de energia,
nas áreas de defesa, nas áreas de ciência e
tecnologia e na infraestrutura.
  Tenho a honra, presidente Putin, de lhe
passar a palavra. Muito obrigada.




20

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014










       disCurso da Presidenta da rePúBliCa, dilma rousseff,
durante aBertura da sessão Plenária da Vi CúPula do BriCs -
                        fortaleza, 15 de julHo de 2014
                                                               15/07/2014

                                                                           
                                                                           
                                                                           
                                                                           
                                                                           
                                                                           

  é com grande satisfação que recebemos a
VI Cúpula Brics (falha no áudio) presidente
da Federação Russa, Vladimir Putin, a quem
transmiti a solidariedade do governo e do
povo brasileiro, em razão do grave acidente
no metrô de Moscou.
  Dou, mais uma vez, as boas-vindas ao
primeiro-ministro da índia, Narendra Modi,
que participa, pela primeira vez, de uma
Cúpula dos Brics.
  Reitero minha saudação ao presidente da
República Popular da China, Xi Jinping, que
recordou, em sua intervenção, as relações de
sua província natal com o estado do Ceará.
  Por fim, tive o agrado de ter entre nós o
presidente da áfrica do Sul, Jacob zuma, a
quem felicito por sua reeleição.
  Dirijo uma saudação muito particular ao
governador Cid Gomes e ao povo do Ceará, que
acolhem, aqui em Fortaleza, esta reunião dos
Brics. Quero destacar a importância de realizá-
la na capital cearense. Esta escolha evidencia a
importância do Nordeste para o Brasil. é uma
população ativa e trabalhadora que aqui vive.
São estados com grandes reservas minerais,
infraestrutura	em	expansão,	refinarias,
portos, siderúrgicas, polo automobilístico,
mercado consumidor em forte crescimento e,

certamente, segurança hídrica cada vez maior.
Reitero minha homenagem ao Nordeste e ao
seu povo.
  Senhores Chefes de Estado e de Governo,
  Senhores integrantes das delegações,
   Senhores empresários,
  Como disse na abertura de nossos trabalhos,
o governo brasileiro se sente honrado em
poder sediar esta VI Cúpula dos Brics e
receber esses grandes líderes mundiais aqui
em Fortaleza. A dimensão histórica de nossa
reunião poderá ser comprovada desde já pela
importância dos acordos que assinamos. O
Brics ganha densidade política e afirma seu
papel no cenário internacional.
  hoje, criamos o Banco dos Brics e
estabelecemos o Acordo Contingente
de Reservas, importantes passos para o
aperfeiçoamento da arquitetura financeira
global. Aprovamos também a Declaração de
Fortaleza, na qual expressamos nossa visão
comum sobre temas internacionais relevantes.
Adotamos o Plano de Ação de Fortaleza,
que guiará a cooperação entre nossos países
até 2015. Realizamos, finalmente, o Foro
Empresarial do Brics, que reuniu empresários
interessados em aumentar ainda mais os
negócios entre nossas economias.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	21




   Essas iniciativas mostram que nossos
países, apesar de sua diversidade geográfica,
étnica, cultural e linguística, estão decididos
a construir uma parceria sólida e produtiva,
com consequências altamente positivas para o
sistema internacional.
  Senhoras e senhores,
  Enfrentamos hoje enormes desafios no
plano global. A situação econômico-financeira
internacional mostra ainda uma modesta
recuperação, mas as condições sociais revelam
que parte da humanidade está mergulhada em
uma recessão que, na sua esteira, provoca o
desemprego e agrava as dificuldades e as
desigualdades sociais.
  Vivemos também tempos de grandes
oportunidades, com o acelerado avanço de
novas tecnologias e as possibilidades abertas
pela reorganização do sistema internacional
em termos mais democráticos e equitativos.
Em uma tal conjuntura, nossos países têm a
obrigação de se manifestar, de se fazer escutar,
de atuar. Em suas intervenções nesta manhã,
os líderes aqui presentes ressaltaram a grande
oportunidade que reside na parceria Brics.
  Para avançar na direção de uma economia
do conhecimento foi dito que será necessário
fortalecer a cooperação, em matéria de
Educação, de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Na mesma linha, foi enfatizada a necessidade
de realizar uma articulação horizontal nos
países Brics. Ela deve se dar centralmente nas
políticas públicas, especialmente na Saúde,
na Agricultura, Indústria, Cultura e Turismo.
Chamou-se a atenção, igualmente, para a
importância da conectividade aérea e marítima
entre nossos países. Finalmente, destacou-se a
necessidade de um enfrentamento conjunto do
crime organizado internacional, especialmente
o narcotráfico e o terrorismo.
  Por suas dimensões, por sua população, pelo
peso de suas economias e pela influência que
exercem em suas regiões, e crescentemente no

mundo, Brasil, Rússia, índia, China e áfrica
do Sul não podem ficar alheios às grandes
questões internacionais. Estamos não apenas
entre as maiores economias do mundo, mas
também entre as que mais cresceram nos
últimos anos. Os Brics são essenciais para a
prosperidade do planeta. Somos responsáveis
pela mitigação dos efeitos da crise financeira
global e pelo sustentado crescimento da
economia mundial desde então.
  Em suas respectivas regiões, nossos
países têm incentivado e atuado ativamente
em mecanismos de integração econômica e
governança regionais, como, aqui na América
Latina, a Unasul, o Mercosul, a Celac, a
Comunidade para o Desenvolvimento da
áfrica Austral, a Comunidade de Estados
Independentes e aAssociação de Nações do Sul
Asiático (Asean), que muito têm contribuído,
entre outras entidades, para a formulação de
estratégias comuns de coordenação política e
desenvolvimento econômico.
  O crescimento recente dos países Brics
supera folgadamente o crescimento da
economia mundial. Nossa atuação não é
apenas uma manifestação do que somos hoje.
Ela representa, sobretudo, o que queremos ser
no futuro próximo e no longo prazo.
  Nosso ativismo não deve ser confundido, no
entanto, com o exercício de poder hegemônico
ou o desejo de dominação. Tampouco deve ser
visto como uma opção estratégica contrária
ao interesse de outros países. A força do
nosso projeto é o seu potencial positivo de
transformação do sistema internacional, que
queremos sempre mais justo e igualitário.
  Prezados líderes,
  Durante a reunião de hoje, demos corpo
e substância a essas aspirações. Tivemos a
ocasião de analisar importantes temas da
agenda política, econômica e financeira
internacional.
  No plano político, discutimos a

   
   

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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




multiplicação	de	conflitos	regionais,
especialmente no Oriente Médio. Tratamos
os	enfrentamentos	na	Síria,	no	Iraque
e nas relações entre Israel e Palestina.
Discutimos igualmente a situação na Ucrânia.
Lamentamos a falta de avanços concretos na
maioria dessas situações e coincidimos em
que, em todas elas, soluções de longo prazo
passam necessariamente pela via do diálogo,
que depende do engajamento e do empenho
de todas as partes envolvidas. Concordamos
em que é essencial, nesses e em outros
casos, o envolvimento construtivo e coeso da
comunidade internacional, evitando-se ações
unilaterais, que atendem a conveniências
de países específicos, mas comprometem
soluções negociadas e de interesse da grande
maioria.
  Examinamos	o	processo	de	lenta
recuperação dos países mais ricos, registramos
a modesta recuperação e esperamos que esse
crescimento ainda modesto se traduza em
mitigação do desemprego e da perda de direitos
sociais. Coincidimos em que, apesar de uma
diminuição no ritmo de seu crescimento, os
países emergentes, especialmente os Brics,
continuam a ser a força motriz da expansão
global e devem continuar a sê-lo em um futuro
previsível.
  Consideramos,	nesse	cenário,	as
contribuições que os países do Brics podem
oferecer ao mundo em matéria econômica
e financeira, como são o Novo Banco de
Desenvolvimento e o Arranjo Contingente de
Reservas. O Banco representa uma alternativa
para as necessidades de financiamento de
infraestrutura nos países em desenvolvimento,
compreendendo e compensando a insuficiência
de	crédito	das	principais	instituições
financeiras internacionais.
  Aproveito para informar que o Banco, o
novo Banco de Desenvolvimento dos Brics
deve ter um capital inicial autorizado de 100

bilhões, um capital subscrito inicial de 50
bilhões, igualmente distribuído entre os seus
membros fundadores, os cinco países Brics.
A primeira direção do board de governadores,
será da Rússia; a primeira direção do board de
diretores será do Brasil; o primeiro presidente
do Banco será da índia; o primeiro escritório
regional será na áfrica do Sul; e a sede do
Banco será localizada em Xangai.
  Já o Arranjo Contingente de Reservas atesta
a maturidade da cooperação entre nossos
países, ao estabelecer um fundo de US$ 100
bilhões que apoiará as economias do Brics em
caso de pressões nos balanços de pagamentos.
Com esse acordo, contribuiremos também para
o fortalecimento da estabilidade financeira
global, ao complementar os mecanismos
financeiros existentes.
  Na reunião de hoje, reiteramos
o compromisso dos Brics com um
multilateralismo transparente, democrático e
eficaz, que aponta para um mundo multipolar.
Constatamos, no entanto, que as principais
instituições de governança econômica e política
mundiais têm perdido representatividade e
eficácia, ao não se adequarem às realidades
políticas e econômicas do mundo de hoje.
  O Conselho de Segurança da ONU encontra
crescentes dificuldades para oferecer respostas
eficazes aos desafios que se apresentam, sendo
vítima de alguma erosão de sua legitimidade
e relevância. Todos os líderes coincidiram,
chamando a atenção para a necessidade de
uma urgente a reforma nessa respeitável e
indispensável instituição. (falha no áudio)
...rever sua distribuição de poder de voto, de
maneira a refletir o peso inquestionável dos
países emergentes na economia mundial.
  Finalmente, nosso encontro deu-nos a
oportunidade de constatar o compromisso do
setor empresarial em responder ao mandato
que lhe foi atribuído, por intermédio do
Conselho Empresarial dos Brics, e que se




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	23




materializou em um conjunto de importantes
recomendações e propostas, contidas no
relatório que nos foi entregue hoje.
  Entre essas propostas, quero destacar um
Portal de Negócios do Brics; a negociação de
acordos para a facilitação de vistos; um projeto
de harmonização de certificações técnicas e
de redução de barreiras ao comércio. Ganha
importância também a articulação entre os
Bancos de Desenvolvimento de cada país e
das agências de crédito dos nossos países.
  Senhores Chefes de Estado e de Governo,
  A escolha do tema Crescimento no mundo
sustentável apresenta para nós um desafio
que emerge também da Conferência Rio+20.
Nós consideramos que é necessário incluir,
é necessário crescer, é necessário conservar
e proteger. Por isso, no plano internacional,
a discussão sobre crescimento inclusivo e
sustentável passa pelas negociações da agenda
de desenvolvimento pós-2015.
  O Brasil, como eu disse, trabalhou
arduamente na Conferência Rio+20. Contou
com o apoio dos Brics para a criação dos
OBSs  Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável. Os OBSs representam grande
oportunidade para integrar, em uma agenda
global de grande visibilidade, os esforços
para a erradicação da pobreza e promoção do
desenvolvimento sustentável no mundo. A
experiência nacional dos Brics nos capacita
a participar com autoridade e conhecimento
dessa discussão.
  Outro aspecto importante é a mensuração
dos resultados das nossas políticas públicas.
Das nossas políticas que contemplam a
prosperidade de nossas economias e de nossos
povos. Precisamos de melhores instrumentos
para avaliar o impacto dessas políticas,
assim como para avaliar o nosso crescimento
econômico. Nesta Cúpula, propusemos a
criação de uma plataforma conjunta do Brics
para o desenvolvimento de metodologias

para indicadores sociais, que levem em conta
características dos países em desenvolvimento
não captadas por outros indicadores.
  Minhas amigas e meus amigos,
  Não há dúvida de que, com os avanços
que observamos em matéria de prosperidade,
equidade e sustentabilidade, estamos
crescendo de modo verdadeiramente inclusivo.
Doravante, caberá ao Brasil, como presidente
de turno do Brics, conduzir a implementação
do Plano de Ação de Fortaleza, com
atividades a serem executadas em várias áreas
de cooperação, entre nossos cinco países,
mas também em coordenação com outras
nações, especialmente nas nossas regiões. Por
essa razão, teremos amanhã nossa primeira
reunião entre os Brics e os países da América
do Sul. Será a ocasião para iniciarmos um
diálogo produtivo com nações com as quais
compartilhamos interesses e aspirações.
  Temos, é verdade, diante de nós um desafio
à altura das expectativas de nossas sociedades.
Afinal, é nossa obrigação e responsabilidade
buscar resultados que tenham impacto real
na vida de nossos povos. Nosso trabalho está
apenas começando.
  Agradeço a presença de todos os líderes
dos Brics e passo a palavra ao presidente
Vladimir Putin.




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014










    disCurso da Presidenta da rePúBliCa, dilma rousseff, na
aBertura da segunda sessão de traBalHo da CúPula do BriCs
   e de PaÍses da amériCa do sul - BrasÍlia, 16 de julHo de 2014
                                                                16/07/2014

                                                                           
                                                                           
                                                                           
                                                                           
                                                                           
                                                                           

  Boa tarde a todos.
  Eu queria iniciar cumprimentando os
excelentíssimos senhores Chefes de Estado e
de Governo do Brics: presidente da Federação
Russa, Vladimir Putin; primeiro-ministro
da República da índia, Narendra Modi;
presidente da República Popular da China, Xi
Jinping; presidente da República da áfrica do
Sul, Jacob zuma.
  Excelentíssimas senhoras e excelentíssimos
senhores Chefes de Estado e de Governo dos
países da América do Sul: presidente da Nação
Argentina, Cristina Fernández de kirchner;
presidente do Estado Plurinacional da Bolívia,
Evo	Morales;	presidente	da	República
do Chile, Michelle Bachelet; presidente
da República da Colômbia, Juan Manuel
Santos; presidente da República do Equador,
Rafael Correa; presidente da República
Cooperativa da Guiana, Donald Ramotar;
presidente da República do Paraguai, horacio
Cartes; presidente da República do Peru,
Ollanta humala; presidente da República do
Suriname, Desiré Delano Bouterse; presidente
da República Oriental do Uruguai, José
Mujica; presidente da República Bolivariana
da Venezuela, Nicolás Maduro.
  Senhor	vice-presidente	da	República

Federativa do Brasil, senhor Michel Temer.
  Ministros de Estado e integrantes das
delegações dos países dos Brics e da América
do Sul.
  Senhoras e senhores.
  é com satisfação e com muito prazer que eu
saúdo todos os Chefes de Estado e as Chefas
de Estado e de Governo dos países da América
do Sul que se juntam aqui hoje aos líderes dos
países Brics para esta sessão de trabalho na
qual nós empreenderemos uma discussão em
torno do tema relativo à VI Cúpula do Brics -
Crescimento inclusivo, soluções sustentáveis.
  A proposta é que a Sessão se organize da
seguinte maneira: após a minha intervenção
inicial, darei a palavra aos líderes sul-
americanos para uma intervenção que, eu
espero, que não se alongue muito para que
todos possam falar, por ordem alfabética. Após
as intervenções dos Chefes de Estado e de
Governo sul-americanos, os líderes dos Brics
serão convidados a se manifestar na chamada
ordem Brics: B, R, I, C, S. Então, senhoras e
senhores, eu inicio a minha intervenção.
  Primeiro, eu agradeço a todos vocês que
estão aqui hoje nessa memorável reunião.
Uma reunião entre a VI Cúpula dos Brics e
os países dessa região, da América Latina.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	25




Estou muito feliz porque todos os presidentes
e Chefes de Estado ou de Governo dos países
da América do Sul comparecem aqui hoje,
mostrando, inequivocamente, a importância
desse relacionamento entre nós.
  Nosso encontro coincide com a primeira
visita do presidente Xi Jinping e do primeiro-
ministro Narendra Modi à nossa região. é
também a primeira visita do presidente Jacob
zuma após sua reeleição e uma ocasião de
reencontrar o presidente Vladimir Putin.
Do lado sul-americano, saúdo mais uma
vez os líderes presentes, particularmente, o
presidente Juan Manuel Santos e a presidente
Michelle Bachelet, por suas recentes eleições.
Foi uma honra ter assistido no início e no fim
a Copa do Mundo na companhia de vários dos
meus colegas Chefes de Estado.
  A aproximação entre a América do Sul e
o Brics reafirma a importância da cooperação
entre os países em desenvolvimento. A
integração sul-americana e as iniciativas
comuns do Brics são parte de um mesmo
processo que busca um desenvolvimento justo
e equilibrado e uma projeção global autônoma
e soberana.
  Somos	governantes	de	países	que
têm	como	desafio	fundamental	o
desenvolvimento econômico e a superação
das desigualdades e da pobreza. Estamos
profundamente comprometidos com a noção
de	desenvolvimento	econômico-social
ambientalmente sustentáveis e temos, cada
um em seu contexto particular, experiências
valiosas para compartilhar.
  Convivemos com a diversidade de visões
do mundo, sempre respeitando a autonomia
e a soberania de cada um. Mantemos o foco
naquilo que nos une por meio de um verdadeiro
diálogo que nos permite criar iniciativas e até
mesmo instituições que atendam aspirações
comuns.
  Amigas e amigos presidentes e presidentas

da América do Sul,
  Os resultados da VI Cúpula dos Brics,
explicitados na declaração e no plano de ação
de Fortaleza, reafirmam o apoio, a integração
sul-americana e reconhecem sua importância
na promoção da paz, da democracia, do
desenvolvimento sustentável e da superação
da pobreza. Enfatizam que o diálogo entre os
Brics e a América do Sul terá papel relevante
no fortalecimento do multilateralismo e da
cooperação internacional.
  Tomamos, na reunião da VI Cúpula,
decisões históricas, como a assinatura
dos acordos constitutivos do arranjo
contingente de reservas e do novo banco de
desenvolvimento dos Brics. Com US$ 100
bilhões em compromissos iniciais, o arranjo
cria instrumentos preventivos de liquidez para
enfrentar pressões de balanço de pagamentos
de curto prazo, prover apoio mútuo e aumentar
a estabilidade financeira de nossos países.
  O novo banco de desenvolvimento
mobilizará recursos em geral não disponíveis
para financiar projetos de infraestrutura e o
desenvolvimento dos países do bloco.
  Outras economias emergentes e nações
em desenvolvimento também poderão ter
acesso a esses recursos. O capital inicial
subscrito é de US$ 50 bilhões de dólares e
o capital autorizado, de US$ 100 bilhões.
Para além dessa nossa cooperação na área
financeira, nas discussões e deliberações de
ontem, enfatizamos, também, as dimensões
da inclusão social e do desenvolvimento
sustentável. O objetivo maior foi ilustrar os
resultados de políticas sólidas aplicadas por
nossos países. A característica mais marcante
de nosso crescimento recente é a notável
redução da pobreza e da desigualdade. é essa
maior igualdade que tem garantido e gerado
mercados mais dinâmicos, estabelecendo um
ciclo virtuoso de crescimento inclusivo.
  é fato que houve, em período recente,

   
   

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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




uma desaceleração das economias dos países
emergentes. Isso se deve, sejam os impactos
da crise internacional gerada nos países
desenvolvidos sobre nossas economias, sejam
as necessárias mudanças em curso nos nossos
países para promover a retomada sustentável
do crescimento econômico. é sabido também
que o que ocorre no resto do mundo, em
especial nas economias desenvolvidas é uma
muito modesta recuperação.
  Senhoras e senhores,
  Um dos pontos centrais do nosso encontro
foi fortalecer a coordenação em prol de uma
ordem internacional que favoreça nossos
processos de desenvolvimento.
  Notamos que em meio aos sinais tímidos
de recuperação das economias avançadas,
há diversos riscos de volatilidade, como
a chamada normalização, entre aspas, das
políticas monetárias expansionistas. Aliás, os
elevados níveis de desemprego e crescente
desigualdade	no	mundo	desenvolvido,
representam riscos de monta para a estabilidade
política e econômica internacional.
  Prezados líderes do Brics,
  Reitero absoluta prioridade que o Brasil
atribui à integração da América do Sul. A
integração regional, para nós, é uma política
de Estado, uma política permanente do
Brasil, inscrita na nossa Constituição. O
processo de redemocratização em nossa
região coincide, em grande medida, com
nosso esforço de aproximação e integração
com os países vizinhos. Superaram-se, assim,
as desconfianças artificiais gestadas em
ambientes não democráticos; ditatoriais.
  A integração da nossa região representa
um reencontro para o Brasil com a sua região,
mas também consigo mesmo. A América do
Sul é uma região de extraordinária pluralidade
e extraordinária riqueza. Nós, de fato,
optamos por modelos políticos e econômicos
diversificados, o que sempre faz com que

tenhamos de exigir diálogo respeitoso e
consensos cuidadosamente construídos.
  Estamos unidos, como já disse, no combate
à pobreza, mas estamos unidos também na
busca do desenvolvimento econômico, na
criação e geração de emprego e, sobretudo, na
estabilidade que permitirá aos nossos países
se desenvolverem de forma mais estável, mas
também na luta pela paz contra a discriminação
e sobretudo na busca de prosperidade na nossa
região.
  Por essa razão, fiz questão de contar
com nossos vizinhos e irmãos para tratar
do tema Crescimento inclusivo, soluções
sustentáveis. Ele reflete os desafios cotidianos
de nossos governos, mas também as nossas
conquistas. Além do incremento do comércio
e do PIB, é expressiva na região a geração de
empregos e a redução das desigualdades.
  Esse ciclo de prosperidade com inclusão,
sem precedentes em nossa história, tem sido
a base de sustentação dos nossos processos de
integração, bem como a nossa capacidade para
o diálogo político com a Unasul, o Mercosul
e todas as outras formas de organização que
aqui vicejam na região.
  Tomado como um só país, eu gostaria de
dizer que o Mercosul tem o segundo maior
território, a quarta maior população e a quinta
maior economia do mundo. Possui as maiores
reservas de água doce, possui um dos maiores
potenciais petrolíferos e minerais do mundo.
  Desde 91, 1991, o comércio intrabloco
cresceu mais de 12 vezes, mais que o dobro
do comércio global. O Mercosul é também
um projeto de integração profunda nas
dimensões política, jurídica e social. A
Unasul é um mecanismo de coordenação
política organizado em torno de áreas como
infraestrutura, energia, integração produtiva,
desenvolvimento social. Também se articula
na área de defesa com iniciativas de construção
de confiança e de integração industrial.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	27




   A integração da infraestrutura é uma
prioridade permanente. Estamos empenhados
em unir aquilo que no passado as formas
diferentes	de	dominação	do	continente
desuniram, tanto na construção de rodovias, de
ferrovias, de gasodutos, linhas de transmissão
que ligarão nossos países organizados em
uma carteira construída a partir da análise
estratégica do Conselho Sul-Americano de
Infraestrutura e Planejamento. São projetos
fundamentais para nossa inserção competitiva
na economia mundial e contêm inúmeras
oportunidades de investimento como, por
exemplo, a ligação Atlântico-Pacífico.
  Em cinco anos de existência, a Unasul
firmou-se como um foro de articulação e
diálogo que permitiu a resolução pacífica e
efetiva de conflitos na América do Sul. Ao
encaminhar questões de natureza política na
região de maneira equilibrada, democrática e
cooperativa, a Unasul tem logrado importantes
êxitos. é ela que se encontra aqui hoje, nesta
reunião com os líderes do Brics. Muito
obrigada.
  Senhoras e senhores líderes, convido-
os agora a passarmos à discussão em torno
do tema Crescimento inclusivo, soluções
sustentáveis.
  A Sessão, como eu já disse, será organizada
de maneira que passaremos pela ordem
alfabética a palavra aos integrantes Chefes de
Estado e de Governo da Unasul, os presidentes
aqui da América do Sul.
  Passo, portanto, com muita honra, a palavra
à Presidenta e amiga da Argentina, nossa
querida Cristina kirchner.












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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014










 deClaração à imPrensa da Presidenta da rePúBliCa, dilma
   rousseff, aPós enContro Bilateral Com o Presidente da
rePúBliCa de angola, josé eduardo dos santos - BrasÍlia, 16
                                       de junHo de 2014
                                                              16/07/2014

                                                                         
                                                                         
                                                                         
                                                                         

  Excelentíssimo	senhor	Presidente	da
República de Angola, José Eduardo dos
Santos.
  Senhores integrantes das delegações de
Angola e do Brasil.
  Senhoras e senhores jornalistas, fotógrafos
e cinegrafistas.
  Senhoras e senhores,
  Com grande honra e satisfação, recebo a
visita do presidente de Angola, José Eduardo
dos Santos. Brasil e Angola são países irmãos,
ligados entre si por laços linguísticos, culturais
e, sobretudo, étnicos e históricos. Nossas
relações têm sistematicamente avançado ao
longo dos tempos e agora se expandem e
ganham grande densidade.
  Cooperamos ativamente como parceiros
estratégicos e em áreas muito relevantes,
de	grande	importância	seja	para	o
desenvolvimento	angolano,	seja	para	o
desenvolvimento brasileiro. O presidente
Santos e eu discutimos hoje como potencializar
o comércio e os investimentos entre nossos
países. O Brasil quer continuar apoiando e
participando do desenvolvimento industrial
angolano.
  Coincidimos	que	a	aproximação
empresarial em curso já rendeu muitos frutos.

Aqui no Brasil, a angolana Sonangol Starfish
é a sexta produtora de petróleo. A empresa
aérea Taag opera voos diários entre São Paulo,
Rio e Luanda. Diversas empresas brasileiras
atuam na expansão das infraestruturas, seja
infraestrutura viária e energética de Angola.
Dentre elas a Odebrecht, maior empregadora
privada do país, a Biocon, a Petrobrás, a
Camargo Corrêa, a Queiroz Galvão e a
Andrade Gutierrez.
  Ressaltamos o papel da concessão, pelo
BNDES, de créditos às exportações de bens
e serviços brasileiros para Angola, novamente
renovados neste mês. Manifestei ao presidente
José Eduardo dos Santos minha satisfação pela
assinatura hoje do protocolo sobre facilitação
de vistos, que estenderá para 24 meses o prazo
de validade de vistos de negócio. Instruímos
ainda nossos governos a concluírem acordos
bilaterais de facilitação de investimentos
recíprocos.
  Queremos destacar os avanços de nossa
cooperação em matéria de defesa. A Força
Aérea Nacional de Angola adquiriu, em
2009, seis aeronaves Super Tucanos, hoje já
entregues. O Ministério da Defesa colaborou
para o levantamento da plataforma continental
angolana. Manifestei o interesse brasileiro em




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	29




explorar novas parcerias na indústria naval,
com a produção local e a transferência de
tecnologia. Saudamos a continuidade de nossa
cooperação educacional, que consideramos de
imensa relevância para o Brasil e para Angola.
  Na última década, centenas de angolanos
têm sido admitidos em cursos no Brasil por
meio de programas de Estudantes-Convênios
de Graduação e Pós-Graduação.
  Temos orgulho em contribuir para a
formação dos quadros que estão assumindo
responsabilidades na condução da nação
angolana. Além disso, felicitamos a primeira
turma formada no recém-criado Centro de
Cooperação	Brasil-áfrica	em	educação
profissional, localizado no Instituto Federal da
Bahia. Foram formados professores e gestores
angolanos, de um total de 63 africanos dos
países de língua portuguesa.
  O Brasil realiza ainda programa de
pesquisas	conjuntas	entre	universidades
brasileiras e africanas, e presta apoio à
reforma curricular e à estruturação do sistema
de avaliação em Angola. Recordamos ainda
o papel a Universidade Federal da Integração
Afro-Brasileira, a Unilab, que se localiza em
Redenção, no Ceará. Nesse momento temos
45 angolanos estudando nessa importante
instituição sediada, como eu disse, no Ceará.
  No plano internacional, coincidimos no
desejo de seguir aprofundando relações com
os países de língua portuguesa. Identificamos,
em especial, a necessidade de acompanhar e
apoiar Guiné-Bissau no período pós-eleitoral,
etapa importante da construção da estabilidade
democrática naquele país.
  Expressei	ao	presidente	Santos,	o
reconhecimento brasileiro pelo importante
papel de Angola em prol do desenvolvimento
econômico e social da Guiné-Bissau, do qual
foi exemplo o trabalho desenvolvido pela
missão angolana em 2011.
  Finalmente, concordamos que Brasil e

Angola são atores importantes no processo de
democratização das relações internacionais.
A áfrica e a América Latina precisam
estar melhor representadas nos processos
decisórios globais, que necessitam de mais
legitimidade. Por isso, é com especial
satisfação que anunciei ao presidente Santos
o apoio brasileiro à candidatura de Angola
ao Conselho de Segurança da ONU para o
próximo biênio. Estou certa de que Angola
poderá oferecer um olhar atento e alternativas
equilibradas aos atuais desafios à paz e à
segurança internacionais.
  Presidente Santos, agradeço imensamente
sua visita ao Brasil. Em um mundo em que
as relações internacionais são marcadas pela
incerteza, estou segura que nossa cooperação
será fundamental para a construção da paz e
da justiça social. Nossa parceria estratégica
será, presidente Santos, cada vez mais intensa.
Temos uma história comum dos dois lados do
Atlântico que nos ajuda a traçar um futuro
também comum de paz e desenvolvimento
para os povos do Brasil e de Angola.
  Presidente, muito obrigada.

   
   

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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014










       PalaVras da Presidenta da rePúBliCa, dilma rousseff,
durante almoço em Homenagem ao Presidente da rePúBliCa
    PoPular da CHina, xi jinPing - BrasÍlia, 17 de julHo de 2014
                                                                17/07/2014

                                                                           
                                                                           
                                                                           
                                                                           
                                                                           
                                                                           

  ...Cumprimentar as senhoras e os senhores
ministros de estado e integrantes da delegação
da China e do Brasil.
  Cumprimentar a senadora kátia Abreu.
  Cumprimentar os senhores empresários da
China e do Brasil.
  Cumprimentar os senhores jornalistas,
fotógrafos e cinegrafistas.
  Presidente Xi, eu e todo o meu governo, e o
povo brasileiro estamos sumamente satisfeitos
com sua visita de estado, assim como a de
sua delegação ao Brasil. Meu país viveu no
último mês um período muito importante
de intenso contato com o mundo. Depois de
termos recebido no Brasil tantos torcedores
do futebol, inclusive chineses, que vibraram
conosco ao longo de uma emocionante Copa
do Mundo, tivemos a honra de sediar a VI
Cúpula dos Brics.
  Sua visita, em particular, presidente Xi,
é de especial relevância para o Brasil. Nós
celebramos os 40 anos do estabelecimento
de nossas relações diplomáticas da melhor
forma possível, fazendo avançar uma parceria
estratégica, sólida e promissora. Anunciamos
juntos novos investimentos e a ampliação
de nossa cooperação em todas as áreas.
Mantivemos diálogo fluído e amistoso sobre o

atual momento das relações internacionais nas
quais Brasil e China ocupam papel crescente.
Somos parceiros na construção de uma
ordem internacional pacífica, democrática e
inclusiva.
  Presidente Xi, acompanho com interesses
seus esforços em prol da realização do sonho
chinês. Se me permite falar de um sonho
brasileiro, eu diria que ele também está se
concretizando. Nos últimos anos reduzimos
a pobreza e a desigualdade, investimos
fortemente em educação, infraestrutura e
inovação.
  O Brasil e a China estão caminhando
juntos para transformar cada um dos países
em países prósperos onde o povo tenha
todas as oportunidades. Embora cada país
apresente sua especificidade, suas próprias
características e seja difícil fazer comparações
entre realidades distintas, noto com alegria
que brasileiros e chineses compartilham o
sonho de viver numa sociedade com qualidade
de vida, em uma sociedade justa, pacifica e
inclusiva, onde todos os brasileiros e todos os
chineses tenham mais oportunidades, acesso
a maior riqueza do que seus pais e seus avós.
  Meu caro amigo presidente Xi Jinping,
estou certa de que sua visita contribuirá para




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	31




construirmos juntos esse sonho comum em
benefício de nossos povos e de todo o mundo.
Confúcio, um dos grandes sábios da história
da humanidade, sempre atentou para o valor
da amizade. Ele nos fala da felicidade muito
singular, muito especial, de reencontrar
amigos longínquos que nos vem visitar e
rever. Diz ele: Quando revemos um amigo
que vem de tão longe, não há como não sentir
uma imensa alegria.
  Presidente, revê-lo no Brasil é receber
um amigo que cruzou longas distâncias para
chegar até aqui. Esteja certo de que hoje não
celebramos apenas 40 anos de amizade, mas
também os próximos 40, 80, 100 anos de
uma parceria sólida, cuja fundação é nossa
responsabilidade seguir construindo. Desejo
que vossa excelência leve para a China as
melhores lembranças do meu país, e faça
chegar aos chineses a seguinte mensagem:
conheçam o Brasil, vocês irão encantar-se,
como os brasileiros se encantam cada vez
mais com a China.
  Peço que todos ergam suas taças em um
brinde à saúde e ao sucesso do presidente Xi
Jinping e de todo o povo chinês.
























32

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014










deClaração à imPrensa da Presidenta da rePúBliCa, dilma
  rousseff, aPós enContro Com o Presidente da rePúBliCa
  PoPular da CHina, xi jinPing - BrasÍlia, 17 de julHo de 2014
                                                             17/07/2014

                                                                        
                                                                        
                                                                        
                                                                        
                                                                        
                                                                        

  Excelentíssimo senhor Xi Jinping, da
China.
  Senhores membros do Bureau Político
do Comitê Central do Partido Comunista da
China.
  Senhoras e senhores ministros de estado
e integrantes das delegações da China e do
Brasil.
  Governadores Tarso Genro, do Rio Grande
do Sul; Sandoval Cardoso, do Tocantins.
  Senhoras	e	senhores	empresários	e
dirigentes de instituições de ensino e pesquisa
da China e do Brasil.
  Senhoras e senhores jornalistas, fotógrafos
e cinegrafistas.
  Senhoras e senhores,
  Com grande satisfação eu recebo hoje o
Presidente da República Popular da China,
Xi Jinping. Sua visita ao Brasil marca o 40o
aniversário do estabelecimento das relações
diplomáticas entre os nossos países. O balanço
não poderia ser mais positivo e o futuro não
poderia ser mais promissor. Nossas relações,
que configuram uma parceria verdadeiramente
estratégica, desenvolvem-se com velocidade
inédita, em diversas áreas de cooperação.
  China e Brasil são as maiores economias
em	desenvolvimento	nos	respectivos

hemisférios  e cada vez mais integradas.
Partimos de uma corrente de comércio de US$
3 bilhões para a cifra recorde de quase US$
90 bilhões, em 2013. A China é, desde 2009,
nosso principal parceiro comercial. O Brasil é
o principal destino dos investimentos chineses
na América Latina. Esses investimentos
apresentam forte tendência ao crescimento
e à diversificação em áreas como energia,
tecnologias da informação e da comunicação,
automóveis, alta tecnologia, bancos, petróleo,
entre outros setores consolidam a China
como grande parceira do desenvolvimento
brasileiro.
  Em matéria de energia, petróleo, externei
ao Presidente Xi minha satisfação com a
participação de duas empresas chinesas, a
CNOOC e a CNPC, no consórcio liderado
pela Petrobras, para a exploração do Campo
de Libra. Também é bem-vinda a crescente
presença chinesa no setor elétrico brasileiro
por meio da State Grid.
  Essa parceria ganha hoje renovado impulso
com a assinatura de 2 novos acordos. O
primeiro, entre a Petrobras [Eletrobrás] e
a State Grid para a construção de linhas de
transmissão para ultra-alta tensão na usina de
Belo Monte. O segundo, entre a Eletrobrás/




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	33




Furnas e o Grupo Três Gargantas para a
construção da hidrelétrica do Rio Tapajós.
  O presidente Xi e eu reiteramos a
importância de nossas relações financeiras,
decorrência natural da crescente interação
econômica. O Banco do Brasil inicia, em
Xangai, as operações da primeira agência de
um banco brasileiro na China e já operam no
Brasil três bancos chineses.
  Os acordos assinados hoje entre o BNDES
e o Eximbank, e o BNDES e o Banco de
Desenvolvimento da China e o Fundo
Soberano CIC ampliarão a diversificação e
diversificarão os canais de financiamento ao
desenvolvimento.
  Nos próximos anos, com o Programa de
Investimentos em Logística, da ordem de 240
bilhões de reais, que o Brasil leva a cabo, o
projeto de desenvolvimento entrará numa
nova fase, portanto, a nossa parceria também.
  Apresentei	ao	presidente	Xi	as
oportunidades que se abrem em licitações
nos setores ferroviário, portuário, aeroviário
e rodoviário. Aqui, as empresas chinesas
encontrarão segurança jurídica e marco
regulatório estável, e também serão muito
bem vindas.
  Nesse sentido, ressaltamos o Memorando
de	Entendimento	sobre	Cooperação
Ferroviária entre o Ministério dos Transportes
e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e
Reforma.
  Reiterei	ao	presidente	Xi	Jinping
minha expectativa sobre a participação de
empresas chinesas nos projetos brasileiros
de infraestrutura e logística. Damos especial
atenção à licitação do trecho 4 da Ferrovia
Transcontinental, que ligará Lucas do Rio
Verde a Campinorte. Essa obra integra
a Ferrovia Transoceânica Brasil  Peru,
fundamental para a integração sul-americana
e o escoamento das exportações brasileiras
para a ásia.
   
No setor industrial, a relação bilateral sai
fortalecida com os anúncios de investimentos
significativos para a fábrica de maquinário
para construção civil, pela Sany, no valor de
US$ 300 milhões, e a instalação da montadora
Chery, ambas em Jacareí. Cada uma gerará
mil postos de trabalho.
  Identificamos, ainda, amplas oportunidades
de cooperação no setor do agronegócio.
Nossa determinação é a de superar quaisquer
dificuldades técnicas e sanitárias que limitem a
ampliação do comércio bilateral. Congratulei-
me com o Presidente Xi pelo levantamento
do embargo e disposição de compra de
carne bovina para a China, que abre grandes
oportunidades para o agronegócio brasileiro.
  Insisti na necessidade permanente de
diversificar e agregar valor às exportações e
investimentos brasileiros. Exemplo importante
de iniciativa nesse sentido foi a venda de 60
aeronaves da Embraer às empresas chinesas
Tianjin Airlines e ICBC Leasing.
  Concordamos em impulsionar nossa
cooperação em ciência, tecnologia e inovação,
em especial em tecnologias agrícolas - área
em que a Embrapa e a Academia de Ciências
da China já trabalham -, nanotecnologia e
biologia, também. Manifestamos expectativas
com o diálogo regular entre nossos parques
tecnológicos.
  Reafirmamos o compromisso de lançar,
ainda em 2014, o quinto satélite da família
Cbers. Nosso Plano Decenal Espacial prevê
a extensão desse Programa, sua atualização
tecnológica e, no futuro, lançamentos também
a partir do Brasil.
  Na área de defesa, destaco o Protocolo
para cooperação em tecnologia de informação
e sensoriamento remoto, que permitirá o
monitoramento mais preciso do desmatamento
da Amazônia, de atividades ilícitas, além do
desenvolvimento do interesse militar ao longo
da fronteira brasileira.




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




  Na área de tecnologias da informação e
comunicação, que já contam com diversos
investimentos de importantes... com diversos
investimentos de importantes companhias
chinesas, saudamos o anúncio do lançamento,
no Brasil, do serviço de buscas, Baidu, na
Internet. Ainda nesse setor, estreitamos nossa
cooperação com o Protocolo entre o Ministério
de Ciência e Tecnologia e a huawei, que prevê
investimentos em processamento de dados e
computação em nuvem.
  Acordamos a ampliação da presença de
estudantes brasileiros na China, no âmbito
do Programa Ciência sem Fronteiras, e
também o estabelecimento de estágio para
esses bolsistas. Para atingir a meta de cinco
mil estudantes na China, promoveremos o
aprendizado do mandarim no Brasil, com
a abertura de novas unidades do Instituto
Confúcio em universidades brasileiras.
  Saudamos o êxito do Mês da China no Brasil
e do Mês do Brasil na China, realizados em
2013. Fizemos votos de que outras iniciativas
desse tipo, nas áreas de educação, cultura,
turismo e esporte, contribuam para estreitar os
laços de amizade e o conhecimento mútuo dos
povos. O Brasil apoia o pleito chinês de sediar
os Jogos Olímpicos de 2024... ai, desculpa,
2022.
  Saudamos também, senhoras e senhores, a
oportunidade de discutir o papel ampliado que
cabe à China e ao Brasil nos principais temas
da agenda internacional.
  Observamos que, mesmo em um quadro
internacional adverso, de persistência da crise
econômica, os dois países têm-se mostrado
capazes de manter e ampliar suas políticas
de crescimento econômico com inclusão
social, combate à pobreza e redução das
desigualdades.
  Queremos estreitar nossa coordenação
em mecanismos como o Brics, o G-20, o
Basic e nas Nações Unidas. Nesse sentido,

compartilhamos a profunda preocupação com
os dramáticos eventos no Oriente Médio e, em
particular, os acontecimentos recentes na Faixa
de Gaza. Nossos países têm importante papel
a cumprir no processo, necessário e urgente,
de reforma das instituições de governança
econômica e política mundial.
  Assinalamos a crescente relevância do tema
da segurança cibernética na agenda global.
Manifestei ao presidente Xi o desejo brasileiro
de avançar os princípios de governança da
Internet consagrados na declaração final da
NETmundial.
  Finalmente, saudamos a aproximação entre
a China, a América Latina e o Caribe. Ainda
hoje, daremos passos firmes nessa direção,
com a realização da Reunião de Líderes da
China, Brasil e Celac.
  Avalio, portanto, os trabalhos desta
manhã como muito produtivos e amistosos,
condizentes com o espírito de amizade que
une os nossos países. Tivemos também uma
imensa oportunidade na reunião dos Brics ao
lançarmos o novo Banco de Desenvolvimento
dos Brics e o Acordo Contingente de Reservas.
  Meu caro Presidente Xi,
  Um grande líder chinês do século XX disse
que a ação não deve ser uma reação, mas
uma criação. Que esse ensinamento inspire
a parceria sino-brasileira na construção
do desenvolvimento sustentável de nossos
países e de uma ordem internacional pacífica,
democrática e inclusiva.

  Muito obrigada.

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	35


























































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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014










disCurso da Presidenta da rePúBliCa, dilma rousseff,
durante sessão Plenária da 46ª CúPula do merCosul 
              CaraCas, Venezuela, 29 de julHo de 2014
                                                       29/07/2014

                                                                 
                                                                 
                                                                 
                                                                 
                                                                 
                                                                 

  Querido	José	Mujica,	presidente	da
República Oriental do Uruguai,
  Querido Evo Morales, presidente da
Bolívia,
  Senhor Salvador Sánchez Cerén, presidente
de El Salvador,
  Gaston	Browne,	primeiro-ministro	de
Antígua e Barbuda,
  Ralph Gonsalves, primeiro-ministro de
São vicente e Granadines,
  Moisés Omar halleslevens, vice-presidente
da Nicarágua,
  heraldo Muñoz, ministro das Relações
Exteriores do Chile,
  Senhor Lamuré Latour, ministro da Defesa,
ministro da Defesa do...
  Senhor chefe da delegação do Equador,
Colômbia e Peru,
  Senhores e senhoras integrantes, demais
integrantes das delegações do Mercosul,
Estados associados e convidados,
  Senhoras e senhores representantes de
organismos internacionais,
  Senhoras e senhores jornalistas, senhores
fotógrafos e cinegrafistas,
  Senhoras e senhores,
  As minhas primeiras palavras são de
reconhecimento ao povo e ao governo

venezuelano, pela acolhida que estamos
recebendo em Caracas. Agradeço o empenho
do presidente Maduro, o empenho do seu
governo, que levaram a bom termo o desafio
de exercer a presidência pro tempore do
Mercosul pela primeira vez.
  Quero agradecer, ainda, muito
especialmente, ao presidente horácio Cartes
por seu empenho pessoal em garantir que
o Paraguai se mantivesse no caminho da
integração, do diálogo e da amizade entre os
nossos povos. Saúdo também o Congresso e
povo paraguaios, que fizeram prevalecer o
sentido maior da integração regional.
  A reunião de hoje marca uma nova etapa na
história de nosso bloco: a Argentina, o Brasil,
o Paraguai, o Uruguai e a Venezuela, juntos,
sob a bandeira de nosso projeto comum de
integração. Estamos aqui, hoje, pela primeira
vez todos juntos. Com sua fundação há 23
anos, o Mercosul alterou a lógica que existia
até então nas relações regionais e contribuiu
para consolidar um espaço econômico, um
espaço político sul-americano.
  Desde a assinatura do Tratado de Assunção,
o comércio no interior do Mercosul cresceu
mais de 11 vezes, mais que o dobro do
comércio global. O comércio do Brasil com




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	37




os sócios do bloco regional também cresceu
muito mais do que com os nossos outros
parceiros comerciais tradicionais. O Mercosul
é, sem dúvida nenhuma, um espaço político,
um espaço amplo, democrático e plural.
Nele, dentro do Mercosul, convivem ideias,
concepções, modelos e visões do mundo
diferentes. Compartilhamos em comum a
defesa de uma lógica de integração. Uma
lógica que é economicamente consistente,
que nós queremos que seja socialmente
justa, uma ordem responsável, do ponto de
vista do meio ambiente, politicamente plural
e também acreditamos ser imprescindível,
democraticamente transparente.
  Mais do que um projeto de ordem
exclusivamente econômica, o Mercosul é
também uma iniciativa estratégica no mundo
que cria e constitui órgãos de cooperação
e integração regional. O Mercosul é um
compromisso dos países deste continente com
o desenvolvimento, um desenvolvimento que
nós queremos que seja socialmente inclusivo,
um desenvolvimento que leve os nossos povos
e os nossos países para a prosperidade.
  Esse compromisso reflete-se nas políticas
que buscamos sempre adotar. Mesmo que
consideremos que não fizemos tudo o que
se podia, o fato é que essas políticas em
benefício da integração produtiva leva a
uma maior aproximação entre nossas das
indústrias, com resultados positivos em várias
áreas, e essas áreas são áreas relevantes.
Reflete-se, também, em políticas ativas de
redução da assimetria. E aqui eu queria me
referir aos sete anos de atividade do Fundo
de Convergência Estrutural do Mercosul, o
Focem, que hoje soma 45 projetos aprovados,
totalizando US$ 1,4 bilhão em áreas como
habitação, transporte, energia, incentivos
à	microempresa,	integração	produtiva,
biosegurança,	capacitação	tecnológica,
saneamento e educação. O Focem  e aqui

eu queria permitir um exemplo  assegurou
a construção do sistema de transmissão entre
Itaipu e Assunção, que tive o imenso prazer
de inaugurar junto com o presidente horácio
Cartes.
  Destaco igualmente uma iniciativa que
foi o Estatuto da Cidadania, que garante
aos associados, aos cidadãos associados do
Mercosul direitos e vantagens, como trâmites
simplificados para obter vistos, contabilização
de tempo de serviço no outro país para obter
aposentadoria ou revalidação de diplomas.
Várias iniciativas lideradas agora pela
Venezuela, quando assumiu a presidência pro
tempore do Bloco, consolidam essa dimensão
social e humana do Mercosul. A criação de
uma reunião de autoridades sobre povos
indígenas é o reconhecimento da diversidade
étnica e cultural de nossos países, que é, aliás,
um dos nossos maiores patrimônios. A entrada
em funcionamento da unidade de apoio à
participação social permitirá, junto com as
cúpulas sociais, incrementar a participação
de várias organizações em nossas atividades.
A retomada dos trabalhos do Parlamento do
Mercosul também vai contribuir para reforçar
os canais de diálogo e cidadania.
  Acolhemos com satisfação a proposta
de criação da Reunião de Autoridades sobre
a governança, privacidade e segurança da
informação e infraestrutura tecnológica
do Mercosul, feita pela Venezuela, que vai
conferir institucionalidade para o tratamento
regional dessa questão tão relevante para os
próximos anos ou décadas.
  Queridos Chefes de Estado e de Governo,
membros da delegações que aqui os
acompanham,
  Os desafios que o Mercosul tem pela frente
decorrem do processo de integração, como
é o nosso, num quadro internacional com
algumas instabilidades visíveis. Daí porque
é importante fortalecer os nossos mercados




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




internos, e mercados internos que foram
ampliados de uma forma significativa pelas
políticas de inclusão social, distribuição de
renda, que foram uma das marcas e um dos
grandes motores do nosso desenvolvimento
recente.
  Sem dúvida nenhuma, as nossas populações
vão ganhar quando nós nos empenharmos
regionalmente para modernizar cada vez
mais a nossa infraestrutura. Vão se beneficiar
por investimentos que fizermos em conjunto
na área de educação, ciência e tecnologia
e inovação. Sabemos que esses fatores são
essenciais para a melhoria da competitividade
de nossos sistemas produtivos. E, sem dúvida
nenhuma, integram e fazem parte de tudo
que consideramos essencial numa política de
cooperação.
  Não podemos também negligenciar uma
inserção de nossas economias no mundo
global, porque o Mercosul não é um espaço
econômico insignificante. Pelo contrário, tem
o segundo maior território, a quarta maior
população e a quinta maior economia do
mundo. Possui as maiores reservas de água
doce, um dos maiores potenciais energéticos
e minerais, além de uma agricultura moderna
e de alta produtividade. Também temos
uma indústria que, se não é inteiramente
completa,	é	extremamente	significativa.
Temos	credenciais	para	projetar-nos
internacionalmente, dialogando, interagindo
em conjunto com outros parceiros.Aampliação
do Mercosul, com a adesão da Bolívia, é
um passo importantíssimo nessa direção. O
Brasil aposta, e todos os demais parceiros
do Mercosul apostamos, na ampliação das
trocas econômicas e comerciais. E aí, é muito
importante a economia boliviana e as demais
economias dos países da América do Sul.
  Devemos buscar a implementação da
desgravação tarifária, o que vai permitir que
nós criemos uma zona de livre comércio

sul-americana. Valorizamos igualmente a
ampliação das relações do Mercosul com
os nossos irmãos do Caribe e da Centro-
América. Graças ao trabalho da presidência
venezuelana, celebramos hoje a criação de
um espaço de diálogo e cooperação com esses
países. Os encontros, por outro lado, ocorridos
em julho entre países da América do Sul e do
Brics e com a República Popular da China
mostram que novas oportunidades estão a
nosso alcance, na relação com outros grandes
países emergentes. No caso da negociação do
acordo de associação entre o Mercosul e a
União Européia, nosso Bloco já concluiu oferta
compatível com os compromissos assumidos
nas negociações de 2010. Esperamos agora
que o lado europeu consolide a sua oferta.
Essa negociação só poderá prosperar com
um intercâmbio simultâneo de ofertas e um
equilíbrio entre os que demandam, entre o que
demandamos, o que demandam eles, o que
oferecemos e o que oferecem eles.
  Amigos Presidentes e Chefes de Governo,
  O retorno pleno do Paraguai ao Mercosul
que celebramos hoje demonstra muito
claramente que um dos principais requisitos
para que possamos avançar no campo da
integração é poder contar com a estabilidade
no campo das nossas relações em todas as
esferas, as pessoais e as políticas. Quero
saudar o presidente horácio Cartes como
um amigo, um amigo dos nossos países, um
amigo do meu país, um amigo do Brasil.

  Como já tive ocasião de reiterar em
diferentes ocasiões, também somos
integralmente solidários com a Argentina,
que enfrenta hoje um desafio considerável
no processo de reestruturação de sua dívida
soberana. Essa solidariedade do Brasil, ela
não é retórica, o Brasil apresentou-se como
amicus curiae quando do exame, pela
Suprema Corte dos Estados Unidos, dessa




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	39




questão. Tratamos igualmente do tema na
recente reunião em Brasília, entre os líderes
do Brics e da América do Sul e me propus,
juntamente com a presidenta Cristina, a levá-
lo a próxima reunião do G20 na Austrália.
  O problema que atinge hoje a Argentina é
uma ameaça não só a um país irmão, atinge
a todo o sistema financeiro internacional.
Não podemos aceitar que a ação de alguns
poucos especuladores coloquem em risco a
estabilidade e o bem-estar de países inteiros.
Precisamos de regras claras e de um sistema
que	permita	foros	imparciais,	permita
previsibilidade e, portanto, justiça no processo
de reestruturação de dívidas soberanas.
  Nosso compromisso com a estabilidade
e a paz se estende a todos os quadrantes do
mundo. Não podemos aceitar impassíveis a
escalada de violência entre Israel e Palestina.
Desde o princípio, o Brasil condenou o
lançamento de foguetes e morteiros contra
Israel e reconheceu o direito israelense de se
defender. No entanto, é necessário ressaltar
nossa mais veemente condenação ao uso
desproporcional da força por Israel na Faixa
de Gaza, do qual resultou elevado número de
vítimas civis, incluindo mulheres e crianças.
  O governo brasileiro reitera seu chamado
a um cessar-fogo imediato, abrangente e
permanente entre as partes. O Brasil, em
todos os fóruns, em todas as aberturas da
Assembleia-Geral da ONU, que nós temos
o privilégio de dar início, manifestou que a
construção da paz naquela região do mundo
passa pela construção de dois Estados,
passa pela construção de um Estado de
Israel já operante, já construído e já sólido,
e por um Estado Palestino, por quê? Porque
consideramos que para a estabilidade da região
e até para a segurança de Israel, a existência
dos dois Estados é precondição. Acreditamos
que o conflito israelo-palestino é um conflito
que tem um potencial de desestabilizar toda

aquela região. Por isso, reiteramos essa
questão do cessar-fogo imediato, abrangente
e permanente.
  Queridos Presidentes,
  Podemos nos orgulhar de olhar o mapa
da América do Sul, aliás ali, naquele painel,
e reconhecer em sua espinha dorsal do
mar do Caribe à Terra do Fogo, o ânimo de
integração e a marca do Mercosul. Algumas
vezes, achamos que poderíamos fazer mais.
Estamos certos, poderíamos fazer mais, mas,
sem dúvida, fizemos muito ao fazer aquela
imensa integração territorial, aquela imensa
integração de solidariedade, aquela imensa
integração. Eu venho participando como
Chefe de Estado desde 2011, das reuniões do
Mercosul e quero dizer que, em todas elas,
vivi e percebi o imenso interesse dos Estados
Parte, no sentido de estabilizar, garantir a paz,
garantir o entendimento nessa região.
  Essa constatação, caro amigo Nicolas
Maduro, me leva também a evocar a figura
do presidente Chávez. Um dia depois do 60º
aniversário de seu nascimento, registro minha
homenagem à sua memória, a quem recordo
como um amigo do Brasil e um incansável
defensor da integração sul-americana.
  Quero desejar todo êxito à Argentina na
presidência pro tempore do Mercosul no
próximo semestre. Nós contamos, querida
Cristina, com a sua sensibilidade política, a
sua capacidade de liderança para que sigamos
no caminho do fortalecimento do Mercosul.
Para isso, continue contando com o apoio e a
parceria constantes do Brasil.
  Que seja um semestre produtivo na
afirmação do projeto comum, de integração
com democracia, desenvolvimento e justiça
social.
  Muito obrigada.

   
   

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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014










    PalaVras da Presidenta da rePúBliCa, dilma rousseff,
durante almoço em Homenagem ao Primeiro-ministro do
          jaPão, sHinzo aBe  BrasÍlia, 1º de agosto de 2014
                                                            01/08/2014

                                                                       
                                                                       
                                                                       
                                                                       
                                                                       
                                                                       

  Senhoras e senhores ministros de estado
e integrantes das delegações do Japão e do
Brasil.
  Senhor Jaques Wagner, governador do
estado da Bahia.
  Deputados federais: keiko Ota, presidente
da Seção Brasileira do Grupo Parlamentar
Brasil-Japão, Junji Abe, Luiz Nishimori.
  Senhoras e senhores integrantes do Grupo
de notáveis Brasil-Japão.
  Empresários presentes.
  Senhoras	e	senhores	acadêmicos	e
dirigentes de instituições de ensino e pesquisa
do Japão e do Brasil.
  O povo e o governo do Brasil recebem
hoje vossa excelência, senhor Abe, primeiro-
ministro do Japão, e sua delegação, com
carinho que dispensamos a visitantes tão
ilustres e tão amigos. A esse sentimento soma-
se o apreço especial que nós, os brasileiros,
temos pelos japoneses, a quem estamos unidos
por laços humanos profundos.
  Queremos que vossa excelência e os que
o acompanham se sintam como em suas
casas. Os imigrantes japoneses, por meio
do seu trabalho, dos seus valores e de sua
cultura, fizeram do Brasil um país um pouco
japonês, ao mesmo tempo que se tornaram

totalmente brasileiros. Nossa relação não é só
de amizade, é também de parentesco. Os nipo-
brasileiros ajudaram a construir o Brasil que
temos hoje, e continuam ajudando a construir
o Brasil do futuro como empresários, como
militares, como professores, como artistas,
como funcionários públicos, como médicos,
como cientistas, como agricultores e como
trabalhadores. Da mesma forma temos de
assegurar que a importante comunidade
brasileira que vive no Japão possa, com a
sua criatividade, sua determinação e sua
juventude, contribuir para construir o Japão
de amanhã.
  Sua visita, primeiro-ministro Abe, marca
o lançamento de uma nova fase nas nossas
relações bilaterais. O estabelecimento
da nossa parceria estratégica global é o
reconhecimento de que, apesar de décadas de
sucesso, nossa relação ainda dispõe de espaço
para revitalizar-se. Digo isso porque o Japão
e o Brasil mudaram e continuarão mudando
para melhor, como pudemos constatar nas
conversações que hoje mantivemos. O
primeiro-ministro está vendo em sua viagem
um Brasil economicamente sólido, com
mais igualdade social, comprometido com a
sustentabilidade e com uma presença soberana




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	41




no mundo.
  Em 2015 celebraremos os 120 anos
das	relações	diplomáticas,	comerciais,
econômicas e culturais estabelecidas entre o
Estado japonês e o Estado brasileiro. Proponho
que marquemos esta data com a intensificação
de nosso diálogo político, com o aumento
dos investimentos japoneses no Brasil e da
presença econômica brasileira no Japão. Com
a ampliação do comércio bilateral e com uma
maior aproximação cultural e científica. Mas
do que qualquer cerimônia por esses 120
anos, essas iniciativas vão servir para reforçar
a vitalidade e a importância das relações entre
o Brasil e o Japão.
  Com	ânimo	sempre	renovado	de
impulsionar a amizade e a parceria nipo-
brasileira proponho um brinde. Um brinde ao
primeiro-ministro Abe, à senhora Akie Abe,
ao povo japonês e à duradoura amizade entre
nossos países e nossos povos.






























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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014










   deClaração à imPrensa da Presidenta da rePúBliCa, dilma
rousseff, aPós Cerimônia de atos Com o Primeiro-ministro do
              jaPão, sHinzo aBe - BrasÍlia, 1º de agosto de 2014
                                                                 01/08/2014

                                                                            
                                                                            
                                                                            
                                                                            
                                                                            
                                                                            

  Excelentíssimo	senhor	Shinzo	Abe,
primeiro-ministro do Japão.
  Senhoras e senhores ministros de estado,
integrantes das delegações do Japão e do Brasil.
  Senhoras	e	senhores	empresários	e
dirigentes de instituições de ensino e pesquisa
do Japão e do Brasil.
  Senhores jornalistas, senhores fotógrafos e
senhores cinegrafistas.
  Quem nos visita hoje é um ilustre amigo
do Brasil. Sua presença entre nós, primeiro-
ministro Abe, acompanhado de expressiva
delegação governamental e empresarial, reflete
a amizade e o entendimento que animam as
relações entre nossos países. Expressa ainda a
vontade recíproca de fortalecer a cooperação
bilateral nos mais diversos campos.
  Recordo a visita que fiz ao Japão em 2008
como representante do governo brasileiro
às celebrações do Centenário de Imigração
Japonesa no Brasil, quando tive a satisfação de
ser recebida por suas majestades o imperador
Akihito e a imperatriz Michiko.
  Animados pela celebração, em 2015, dos
120 anos do aniversário do estabelecimento
das	relações	diplomáticas,	o	primeiro-
ministro e eu acordamos elevá-las a um nível
de parceria estratégica global. Essa iniciativa

contribuirá para intensificar os contatos de alto
nível políticos e econômicos entre o Brasil e
o Japão.
  Nós examinamos a trajetória do comércio
bilateral que ultrapassou, em 2013, a
casa dos US$ 15 bilhões e reafirmamos
nossa firme determinação de apoiar sua
ampliação e diversificação, sobretudo do
lado das exportações brasileiras ainda muito
concentradas em produtos básicos.
  Agradeci a abertura do mercado japonês
para as nossas exportações de carne suína
de Santa Catarina, em 2013, e manifestei
a expectativa de que o Japão suspenda o
embargo à carne bovina termoprocessada do
Brasil. Coincidimos sobre a importância da
tradicional presença de empresas japonesas no
Brasil na área de agricultura, de mineração, de
siderurgia, papel e celulose, eletroeletrônicos,
e mais recentemente, no setor automobilístico
e na indústria naval.
  O estoque de investimento japonês em
nosso país é de US$ 32 bilhões. Durante o meu
mandato, foram US$ 13,7 bilhões, dos quais 2
bilhões só nos primeiros seis meses de 2014.
Com o Inovar-Auto, verificamos o crescente
interesse da indústria automotiva japonesa em
nosso país. No último ano foram anunciados




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	43




investimentos da Toyota, da Nissan, honda,
Yoruzo e Bridgestone. Essa presença se
expande agora para novas áreas.
  A declaração	conjunta	do	setor	de
construção naval aprovada hoje dará novo
impulso à cooperação bilateral nesse setor
e consolida a presença japonesa na exitosa
experiência brasileira de reconstrução de
nossa indústria naval.
  Vemos com muita satisfação a associação de
empresas brasileiras com empresas japonesas
nos estaleiros Atlântico Sul, em Pernambuco;
Enseada de Paraguaçu, na Bahia; e Ecovix-
Engevix, no Rio Grande do Sul. Vamos
complementar esse esforço com intercâmbio
de instrutores e a qualificação profissional dos
trabalhadores brasileiros. O acordo entre a
Petrobras, a Agência Japonesa de Seguro de
Crédito, Nexi, e o Banco Mizuho, vai permitir
a construção de novas plataformas para a
produção de petróleo em alto mar.
  São promissores os entendimentos entre
a Petrobras e a Companhia Nacional do
Japão de Petróleo, Gás e Metais, Jogmeg,
para a cooperação no estudo da exploração
de hidratos de metano, uma fonte não
convencional de gás natural.
  Também é muito bem-vindo o interesse
manifesto	por	empresas	japonesas	em
participar de licitações ligadas a projetos de
infraestrutura e logística, com a ampliação
dos portos de Itaqui e São Francisco do Sul e
nas ferrovias Norte-Sul e Carajás.
  Ciência, tecnologia e inovação ganham
mais espaço em nossa agenda bilateral.
Além de dar continuidade à cooperação em
biotecnologia, pesquisa agrícola, biomedicina
e oceanografia, nossa parceira estende-se a
novos domínios como o espacial, o nuclear e
a prevenção de desastres naturais.
  Decidimos pela ampliação da presença de
estudantes brasileiros no Japão no âmbito do
programa Ciência sem Fronteiras e da oferta

de estágios para esses bolsistas. Na esteira
de uma colaboração estreita que já dura mais
de 50 anos, o BNDES e o Banco do Japão,
JBic, confirmam um novo instrumento
para a aproximação de pequenas e médias
empresas brasileiras e japonesas. Esse acordo
contribuirá para o aumento da produtividade
em setores de alta tecnologia, tais como:
automação industrial, integração de sistemas
de produção e tecnologia da informação.
  Senhoras e senhores, o primeiro-ministro e
eu tratamos ainda de temas centrais da agência
internacional. Renovamos nossa expectativa
de que a próxima Cúpula do G20, na Austrália,
fortaleça o papel desse grupo na coordenação
das principais economias para promover a
retomada do desenvolvimento econômico.
  Reconhecemos o papel cada vez maior
da segurança cibernética na agenda global.
Reafirmamos nossa avaliação de que a
comemoração dos 70 anos das Nações Unidas
precisam ser um momento que se ajuste a
ONU à nova realidade mundial do século
XXI.
  E dentro da perspectiva do G4, reiteramos
a importância de uma ampla reforma da ONU
que inclua aí a expansão e a ampliação de
seu Conselho de Segurança no que se refere
aos membros permanentes. Os déficits de
governança nessa área alimentam antigos
conflitos de grandes dimensões humanitárias
sem perspectiva de solução.
  Ao mesmo tempo, destacamos a
importância da ONU na resolução de conflitos
regionais, como é o caso daqueles existentes
tanto no Oriente Médio, quanto no Leste da
ásia, e a solidariedade do Brasil a toda e
qualquer iniciativa que promova a paz em
todas as regiões do mundo.
  Senhor primeiro-ministro, a dimensão
humana é o grande traço diferenciador das
relações nipo-brasileiras. Vive aqui no Brasil
a maior comunidade de origem nipônica no




44

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014



exterior, fora do Japão. Cerca de 1,5 milhão
de pessoas. E está no Japão a terceira maior
comunidade brasileira fora do Brasil, cerca
de quase 200 mil pessoas. As medidas para
facilitar o visto entre nossos países vai
fomentar crescente fluxo de visitantes de lado
a lado.
  Quero transmitir-lhe, senhor primeiro-
ministro Abe, minha satisfação pessoal e a de
todos os brasileiros pela presença de grande
número de japoneses na Copa do Mundo no
Brasil, e a expectativa de receber um número
igualmente expansivo de japoneses durante
as Olimpíadas de 2016. Nessa linha, faço
votos de pleno êxito e de presença também
de brasileiros durante a realização dos Jogos
Olímpicos de Tóquio, em 2020.
  Termino	reiterando	alegria,	primeiro-
ministro Abe, de podermos contar com sua
presença aqui no Brasil. Muito obrigada.





























                                                Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	45

























































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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014










   disCurso Proferido Pela Presidenta da rePúBliCa, dilma
rousseff, durante CúPula do Clima das nações unidas - noVa
                York, estados unidos, 23 de setemBro de 2014
                                                               23/09/2014

                                                                           
                                                                           
                                                                           
                                                                           
                                                                           
                                                                           

  Congratulo-me com o Secretário Geral das
Nações Unidas pela convocação da Cúpula do
Clima.
  No último domingo, centenas de milhares
de pessoas pediram nas ruas avanços concretos
nas negociações em curso no âmbito da
Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima.
  O Brasil está sintonizado com este
anseio. Temos participado ativamente destas
negociações. Defendemos a adoção coletiva
de medidas justas, ambiciosas, equilibradas e
eficazes para enfrentar este desafio.
  Reafirmo que o novo acordo climático
precisa ser universal, ambicioso e legalmente
vinculante,	respeitando	os	princípios	e
os	dispositivos	da	Convenção-Quadro,
em particular os princípios de equidade
e das responsabilidades comuns, porém
diferenciadas.
  Este	acordo	deverá	ser	robusto	em
termos de mitigação, adaptação e meios
de implementação. O Brasil almeja um
acordo climático global, que promova o
desenvolvimento sustentável. O crescimento
das nossas economias é compatível com a
redução das emissões.
  No Brasil, estamos fazendo isso. Ao
mesmo tempo em que diminuímos a pobreza

e a desigualdade social, protegemos o meio
ambiente. Nos últimos 12 anos, temos tido
resultados extraordinários.
  Em 2009, na Conferência de Copenhague,
anunciamos o compromisso voluntário de
reduzir entre 36 e 39%, as nossas emissões
projetadas até 2020.
  Desde então, pusemos em marcha ações
decisivas. Nosso esforço tem dado grandes
resultados.
  Ao longo dos últimos 10 anos, o
desmatamento no Brasil foi reduzido em 79%.
  Entre 2010 e 2013, deixamos de lançar
na atmosfera a cada ano, em média, 650
milhões de toneladas de dióxido de carbono.
Alcançamos em todos esses anos as quatro
menores taxas de desmatamento de nossa
história.
  As reduções voluntárias do Brasil
contribuem de maneira significativa para a
diminuição das emissões globais no horizonte
de 2020.
  Senhor Presidente, prezados colegas
Chefes de Estado e de Governo.
  O Brasil, portanto, não anuncia promessas.
Mostra resultados.
  Nossa determinação em enfrentar a
mudança do clima não se limita à Amazônia




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	47




brasileira.
  Estamos cooperando com os países da Bacia
Amazônica em ações de monitoramento e de
combate ao desmatamento. Devemos também
contribuir para a redução do desmatamento
com os países da Bacia do Congo.
  Internamente, adotamos planos setoriais
para a redução do desmatamento no chamado
Cerrado brasileiro; para o aumento da presença
das energias renováveis e a promoção da
Agricultura de Baixo Carbono.
  O Brasil é um grande produtor de alimentos.
Temos consciência que as técnicas agrícolas
de baixo carbono, ao mesmo tempo em que
reduzem emissões, elevam a produtividade do
setor agrícola.
  Por sua vez, na pequena agricultura
familiar, nela as práticas agroecológicas,
ajudam a reduzir a pobreza no campo. Ambos
programas são decisivos para a segurança
alimentar	e	nutricional	de	milhões	de
brasileiros.
  A produção agrícola de grãos se dá
sobretudo pelo aumento da produtividade com
uma expansão menor da área agrícola plantada.
Tamanho crescimento da produtividade só
é possível com muita pesquisa e inovação,
muito investimento e intenso apoio do governo
federal.
  Tudo isso desfaz a pretensa contradição
entre produção agrícola e proteção ao meio
ambiente. Prova que é possível crescer, incluir,
conservar e proteger o meio ambiente, que é o
lema da reunião do clima Rio+20.
  Senhor Presidente,
  Desastres naturais relacionados à mudança
do clima têm ceifado vidas e afetado as
atividades econômicas em todo o mundo.
Num quadro de injustiça ambiental, as
populações pobres são as mais vulneráveis,
principalmente nos grandes centros urbanos.
  No Brasil, implementamos a Política
Nacional de Prevenção e Monitoramento de

Desastres Naturais, com o objetivo de impedir
que esses desastres causem danos às pessoas,
com perdas de vidas, ao patrimônio e ao meio
ambiente.
  Até o final deste ano, no marco desta política
nacional de prevenção e monitoramento de
desastres naturais, submeteremos à sociedade
brasileira o plano nacional de adaptação.
  Os custos para enfrentar a mudança do
clima são elevados, mas os benefícios mais
que compensam.
  Precisamos reverter a lógica de que o
combate à mudança do clima é danoso à
economia. A redução das emissões e ações de
adaptação devem ser reconhecidas como fonte
de riqueza, de modo a atrair investimentos
e lastrear novas ações de desenvolvimento
sustentável.
  historicamente, os países desenvolvidos
alcançaram o nível de bem estar de
suas sociedades graças a um modelo de
desenvolvimento, baseado em altas taxas de
emissões de gases danosos ao clima, ceifando
florestas e utilizando práticas nocivas ao meio
ambiente.
  Nós não queremos repetir esse modelo.
  Mas não renunciaremos ao imperativo de
reduzir as desigualdades e elevar o padrão de
vida da nossa gente.
  Nós, países em desenvolvimento, temos
igual direito ao bem-estar. E estamos
provando que um modelo socialmente justo
e ambientalmente sustentável é possível. O
Brasil é um exemplo disso.
  Muito obrigada.

   
   

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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014










disCurso Proferido Pela Presidenta da rePúBliCa, dilma
    rousseff, na aBertura do deBate de alto nÍVel da 69ª
  assemBleia geral das nações unidas (onu) - noVa York,
                estados unidos, 24 de setemBro de 2014
                                                           08/10/2014

                                                                     
                                                                     
                                                                     
                                                                     

  Embaixador Sam kutesa, Presidente da 69ª
Assembleia Geral das Nações Unidas,
  Senhor Ban ki-moon, Secretário-Geral das
Nações Unidas,
  Excelentíssimos	Senhores	e	Senhoras
Chefes de Estado e de Governo,
  Senhoras e Senhores,
  Para o Brasil  que tem a honra e o privilégio
de abrir este debate  é grande a satisfação de
ver na Presidência desta Sessão da Assembleia
Geral um filho da áfrica. Os brasileiros,
somos ligados por laços históricos, culturais
e de amizade ao continente africano, cuja
contribuição foi e é decisiva para a construção
da identidade nacional de meu país.
  Senhor Presidente,
  Abro este Debate Geral às vésperas
de eleições, que vão escolher, no Brasil,
o Presidente da República, os Governos
estaduais e grande parte de nosso Poder
Legislativo. Essas eleições são a celebração de
uma democracia que conquistamos há quase
trinta anos, depois de duas décadas de governos
ditatoriais.	Com	ela,	muito	avançamos
também na estabilização econômica do país.
  Nos últimos doze anos, em particular,
acrescentamos a essas conquistas a construção
de uma sociedade inclusiva baseada na

igualdade de oportunidades.
  A grande transformação em que estamos
empenhados produziu uma economia moderna
e uma sociedade mais igualitária. Exigiu, ao
mesmo tempo, forte participação popular,
respeito aos Direitos humanos e uma visão
sustentável de nosso desenvolvimento.
  Exigiu, finalmente, uma ação na cena
global marcada pelo multilateralismo, pelo
respeito ao Direito Internacional, pela busca
da paz e pela prática da solidariedade.
  Senhor Presidente,
  há poucos dias, a FAO informou que o
Brasil saiu do mapa da fome.
  Essa mudança foi resultado de uma política
econômica que criou 21 milhões de empregos,
valorizou o salário básico, aumentando em
71% seu poder de compra nos últimos 12
anos. Com isso, reduzimos a desigualdade.
  Trinta e seis milhões de brasileiros
deixaram a miséria desde 2003; 22 milhões
somente no meu governo. Para esse resultado
contribuíram também políticas sociais e de
transferência de renda reunidas no Plano
Brasil Sem Miséria.
  Na área da saúde, logramos atingir a meta
de redução da mortalidade infantil, antes do
prazo estabelecido pelas Metas do Milênio.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	49




   Universalizamos	o	acesso	ao	ensino
fundamental. Perseguimos o mesmo objetivo
no ensino médio. Estamos empenhados em
aumentar sua qualidade, melhorando os
currículos e valorizando o professor.
  O ensino técnico avançou com a criação
de centenas de novas escolas e a formação e
qualificação técnico-profissional de 8 milhões
de jovens, nos últimos 4 anos.
  houve uma expansão sem precedentes
da educação superior: novas Universidades
Públicas e mais de 3 milhões de alunos
contemplados com bolsas e financiamentos
que garantem o acesso a universidades
privadas.
  Ações afirmativas permitiram o ingresso
massivo de estudantes pobres, negros e
indígenas na nossa Universidade.
  Finalmente, os desafios de construção de
uma sociedade do conhecimento ensejaram
a criação de um programa, o Ciência sem
Fronteiras, pelo qual mais de 100 mil
estudantes de pós-graduação e de graduação
são enviados às melhores universidades do
mundo.
  Por iniciativa presidencial, o Congresso
Nacional aprovou lei que destina 75% dos
royalties e 50% do fundo de recursos do
petróleo e do pré-sal para a educação e 25%
para a saúde.
  Vamos transformar recursos finitos, não
renováveis  como o petróleo e o gás - em algo
perene: a educação, conhecimento científico
, tecnológico e inovação. Esse será o nosso
passaporte para o futuro.
  Senhor Presidente,
  Não descuramos da solidez fiscal e da
estabilidade monetária e protegemos o Brasil
frente à volatilidade externa.
  Assim, soubemos dar respostas à grande
crise econômica mundial, deflagrada em 2008.
Crise do sistema financeiro internacional,
iniciada após a quebra do Lehman Brothers

e, em seguida, transformada em muitos países
em crise de dívidas soberanas.
  Resistimos às suas piores consequências: o
desemprego, a redução de salários, a perda de
direitos sociais e a paralisia do investimento.
  Continuamos a distribuir renda,
estimulando o crescimento e o emprego,
mantendo investimentos em infraestrutura.
  O Brasil saltou da 13ª posição para a 7ª
maior economia do mundo e a renda per capita
mais que triplicou. A desigualdade caiu.
  Se em 2002, mais da metade dos brasileiros
era pobre ou muito pobre, hoje 3 em cada
4 brasileiros integram a classe média e os
extratos superiores.
  No período da crise, enquanto o mundo
desempregava centena de milhões de
trabalhadores, o Brasil gerou 12 milhões de
empregos formais.
  Além disso, nos consolidamos como um
dos principais destinos de investimentos
externos.
  Retomamos o investimento em
infraestrutura numa forte parceria com o setor
privado.
  Todos esses ganhos estão ocorrendo em
ambiente de solidez fiscal. Reduzimos a
dívida líquida de aproximadamente 60% para
35% do Produto Interno Bruto.
  A dívida externa bruta em relação ao PIB
caiu de 42% para 14%.
  As reservas internacionais foram
multiplicadas por 10 e assim, nos tornamos
credores internacionais.
  A taxa de inflação anual também tem se
situado nos limites da banda de variação
mínima e máxima fixada pelo sistema de
metas em vigor no Brasil.
  Senhor Presidente,
  Ainda que tenhamos conseguido resistir às
consequências mais danosas da crise global,
ela também nos atingiu, de forma mais aguda,
nos últimos anos.




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




  Tal fato decorre da persistência, em todas
as regiões do mundo, de consideráveis
dificuldades	econômicas,	que	impactam
negativamente nosso crescimento.
  Reitero o que disse, no ano passado na
abertura do Debate Geral. é indispensável
e	urgente	retomar	o	dinamismo	da
economia global. Ela deve funcionar como
instrumento de indução do crescimento, do
comércio internacional e da diminuição das
desigualdades entre países, e não como fator de
redução do ritmo de crescimento econômico e
de distribuição da renda social.
  No que se refere ao comércio internacional,
impõe-se um compromisso de todos com um
programa de trabalho para a conclusão da
Rodada de Doha.
  é imperioso também, Senhor Presidente,
pôr fim ao descompasso entre a crescente
importância dos países em desenvolvimento
na economia mundial e sua insuficiente
participação nos processos decisórios das
instituições financeiras internacionais, como
o Fundo Monetário e o Banco Mundial. é
inaceitável a demora na ampliação do poder
de voto dos países em desenvolvimento nessas
instituições. O risco que estas instituições
correm é perder sua legitimidade e sua
eficiência.
  Senhor Presidente,
  Com grande satisfação o Brasil abrigou a
VI Cúpula dos países Brics. Recebemos os
líderes da China, da India, da Rússia e da áfrica
do Sul num encontro fraterno, proveitoso que
aponta para importantes perspectivas para o
futuro.
  Assinamos acordos de constituição do
Novo Banco de Desenvolvimento e do Arranjo
Contingente de Reservas.
  O Banco atenderá às necessidades de
financiamento de infraestrutura dos países
Brics e dos países em desenvolvimento.
  O Arranjo	Contingente	de	Reservas

protegerá os países dos Brics de volatilidades
financeiras.
  Cada instrumento terá um aporte de US$
100 bilhões.
  Senhor Presidente,
  A atual geração de líderes mundiais  a
nossa geração  tem sido chamada a enfrentar
também importantes desafios vinculados aos
temas da paz, da segurança coletiva e do meio
ambiente e não temos sido capazes de resolver
velhos contenciosos nem de impedir novas
ameaças.
  O uso da força é incapaz de eliminar as
causas profundas dos conflitos. Isso está
claro na persistência da Questão Palestina; no
massacre sistemático do povo sírio; na trágica
desestruturação nacional do Iraque; na grave
insegurança na Líbia; nos conflitos no Sahel
e nos embates na Ucrânia. A cada intervenção
militar não caminhamos para a Paz mas, sim,
assistimos ao acirramento desses conflitos.
  Verifica-se uma trágica multiplicação
do número de vítimas civis e de dramas
humanitários. Não podemos aceitar que essas
manifestações de barbárie recrudesçam,
ferindo nossos valores éticos, morais e
civilizatórios.
  Tampouco podemos ficar indiferentes
ao alastramento do vírus ebola no oeste da
áfrica. Nesse sentido, apoiamos a proposta
do Secretário-Geral de estabelecer a Missão
das Nações Unidas de Resposta Emergencial
ao ebola. O Brasil será inteiramente solidário
a isso.
  Senhor Presidente,
   O Conselho de Segurança tem encontrado
dificuldade em promover a solução pacífica
desses conflitos. Para vencer esses impasses
será necessária uma verdadeira reforma do
Conselho de Segurança, processo que se
arrasta há muito tempo.
  Os 70 anos das Nações Unidas, em 2015,
devem ser a ocasião propícia para o avanço




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	51




que a situação requer. Estou certa de que todos
entendemos os graves riscos da paralisia e da
inação do Conselho de Segurança das Nações
Unidas.
  Um Conselho mais representativo e mais
legítimo poderá ser também mais eficaz.
Gostaria de reiterar que não podemos
permanecer indiferentes à crise israelo-
palestina, sobretudo depois dos dramáticos
acontecimentos	na	Faixa	de	Gaza.
Condenamos o uso desproporcional da força,
vitimando fortemente a população civil,
mulheres e crianças.
  Esse conflito deve ser solucionado e não
precariamente administrado, como vem sendo.
Negociações efetivas entre as partes têm de
conduzir à solução de dois Estados  Palestina
e Israel  vivendo lado a lado e em segurança,
dentro	de	fronteiras	internacionalmente
reconhecidas.
  Em meio a tantas situações de conflito, a
América Latina e o Caribe buscam enfrentar
o principal problema que nos marcou, por
séculos  a desigualdade social. Fortalecem-
se as raízes democráticas e firma-se a busca
de um crescimento econômico mais justo,
inclusivo e sustentável. Avançam os esforços
de integração, por meio do Mercosul, da
UNASUL e da CELAC.
  Senhor Presidente,
  A mudança do clima é um dos grandes
desafios da atualidade. Necessitamos, para
vencê-la,	sentido	de	urgência,	coragem
política e o entendimento de que cada um
deverá contribuir segundo os princípios da
equidade e das responsabilidades comuns,
porém diferenciadas.
  A Cúpula do Clima, convocada em boa
hora pelo Secretário-Geral, fortalece as
negociações no âmbito da Convenção-Quadro.
  O Governo brasileiro se empenhará para
que o resultado das negociações leve a um
novo acordo equilibrado, justo e eficaz. O

Brasil tem feito a sua parte para enfrentar a
mudança do clima.
  Comprometemo-nos, na Conferência de
Copenhague, em 2009, com uma redução
voluntária das nossas emissões em 36% a
39%, na projeção até 2020. Entre 2010 e
2013, deixamos de lançar na atmosfera, a
cada ano, em média, 650 milhões de toneladas
de dióxido de carbono por ano. Alcançamos
em todos esses anos as quatro menores taxas
de desmatamento da nossa história. Nos
últimos 10 anos, reduzimos o desmatamento
em 79%, sem renunciar ao desenvolvimento
econômico, nem à inclusão social.
  Mostramos que é possível crescer, incluir,
conservar e proteger. Uma conquista como
essa resulta do empenho - firme e contínuo
 do governo, da sociedade e de agentes
públicos e agentes privados. Esperamos que
os países desenvolvidos - que têm a obrigação
não só legal, mas também política e moral de
liderar pelo exemplo, demonstrem de modo
inequívoco e concreto seu compromisso de
combater esse mal que aflige a todos nós.
  Na Rio+20, tivemos a grande satisfação
de definir uma nova agenda, baseada em
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável,
aplicáveis tanto a países desenvolvidos quanto
aos em desenvolvimento.
  Será crucial definirmos meios de
implementação que correspondam à magnitude
das dificuldades que nós nos comprometemos
a superar. Precisamos ser ambiciosos em
matéria de financiamento, cooperação,
construção de capacidades nacionais e
transferência de tecnologias, sobretudo em
favor dos países menos desenvolvidos.
  Destaco, nesse contexto, a necessidade
de estabelecer um mecanismo para o
desenvolvimento,transferênciaedisseminação
de tecnologias limpas, ambientalmente
sustentáveis.
  Senhor Presidente,

   
   

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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




  Ao lado do desenvolvimento sustentável e
da paz, a ordem internacional que buscamos
construir funda-se em valores. Entre eles,
destacam-se o combate a todo o tipo de
discriminação e exclusão.
  Temos um compromisso claro com a
valorização da mulher no mundo do trabalho,
nas profissões liberais, no empreendedorismo,
na atividade política, no acesso à educação
entre tantos outros. O meu governo combate
incansavelmente a violência contra a mulher
em todas suas formas. Consideramos o século
21, o século das mulheres.
  Da mesma maneira, a promoção da
igualdade racial é o resgate no Brasil dos
séculos de escravidão a que foram submetidos
os afro-brasileiros, hoje mais da metade de
nossa população.
  Devemos a eles um inestimável legado
permanente de riquezas e valores culturais,
religiosos e humanos. Para nós, a miscigenação
é um fator de orgulho.
  O racismo, mais que um crime inafiançável
é uma mancha que não hesitamos em combater,
punir e erradicar. O mesmo empenho que temos
em combater a violência contra as mulheres e
os negros, os afrobrasileiros, temos também
contra a homofobia. A Suprema Corte do meu
país reconheceu a união estável entre pessoas
do mesmo sexo, assegurando-lhes todos os
direitos civis, daí decorrentes.
  Acreditamos firmemente na dignidade
de todo ser humano e na universalidade de
seus direitos fundamentais. Estes devem ser
protegidos de toda seletividade e de toda
politização tanto no plano interno como no
plano internacional.
  Outro valor fundamental é o respeito à coisa
pública e o combate sem tréguas à corrupção.
  A história mostra que só existe uma maneira
correta e eficiente de combater a corrupção:
o fim da impunidade com o fortalecimento
das instituições que fiscalizam, investigam e

punem atos de corrupção, lavagem de dinheiro
e outros crimes financeiros.
  Essa é uma responsabilidade de cada
governo. Responsabilidade que assumimos,
ao fortalecer nossas instituições.
  Construímos o Portal Governamental
da Transparência que assegura, ao cidadão,
acessar os gastos governamentais em 24 horas.
  Aprovamos a Lei de Acesso à Informação
que permite ao cidadão, o acesso a qualquer
informação do governo, exceto aquelas
relativas à soberania do país.
  Fortalecemos e demos autonomia aos
órgãos que investigam e também ao que faz o
controle interno do governo.
  Criamos leis que punem tanto o corrupto,
como o corruptor. O fortalecimento de tais
instituições é essencial para o aprimoramento
de uma governança aberta e democrática.
  A recente reeleição do Brasil para o Comitê
Executivo da Parceria para o Governo
Aberto vai nos permitir contribuir também
para governos mais transparentes no plano
  mundial.
  Senhor Presidente,
  é indispensável tomar medidas que
protejam eficazmente os direitos humanos
tanto no mundo real como no mundo virtual,
como preconiza a resolução desta Assembleia
sobre a privacidade na era digital.
  O Brasil e a Alemanha provocaram essa
importante discussão em 2013 e queremos
aprofundá-la nesta Sessão. Servirá de base
para a avaliação do tema o relatório elaborado
pela Alta Comissária de Direitos humanos.
Em setembro de 2013, propus aqui, no debate
geral, a criação de um marco civil para a
governança e o uso da Internet com base
nos princípios da liberdade de expressão,
da privacidade, da neutralidade da rede e da
diversidade cultural.
  Noto, com satisfação, que a comunidade
internacional tem se mobilizado, desde




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	53




então, para aprimorar a atual arquitetura de
governança da internet. Passo importante
nesse processo foi a realização, por iniciativa
do Brasil, da Reunião Multissetorial Global
sobre o Futuro da Governança da Internet - a
NETmundial - em São Paulo, em abril deste
ano.
  O evento reuniu representantes de várias
regiões do mundo e de diversos setores.
Foram discutidos os princípios a seguir e
as ações a empreender para garantir que
a internet continue a evoluir de forma
aberta, democrática, livre, multissetorial e
multilateral.
  Senhor Presidente,
  Os Estados-membros e as Nações Unidas
têm, hoje, diante de si, desafios de grande
magnitude. Estas devem ser as prioridades
desta Sessão da Assembleia Geral. O ano de
2015 desponta como um verdadeiro ponto de
inflexão.
  Estou certa de que não nos furtaremos a
cumprir, com coragem, com lucidez, nossas
altas responsabilidades na construção de uma
ordem internacional alicerçada na promoção
da Paz, no desenvolvimento sustentável, na
redução da pobreza e da desigualdade.
  O	Brasil	está	pronto	e	plenamente
determinado a dar sua contribuição.
  Muito obrigada.

   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   

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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014










statement deliVered BY tHe seCretarY general of foreign
    affairs, eduardo santos, on tHe oCCasion of tHe gaza
reConstruCtion ConferenCe - Cairo, egYPt, oCtoBer 12, 2014
                                                              13/10/2014

                                                                         
                                                                         
                                                                         
                                                                         
                                                                         
                                                                         

  (versão em português será disponibilizada
oportunamente)

  Your	Excellency	President	Mahmoud
Abbas of the State of Palestine,
  Your Excellency Mr Sameh Shourky,
Minister of Foreign Affairs of Egypt,
  Your	Excellency	Mr	Borge	Brende,
Minister of Foreign Affairs of Norway, our
co-chairs,
  Your	Excellencies	Ministers	and
Ambassadors,
  Your	Excellency	Mr	Ban	ki-moon,
Secretary-General of the United Nations,
  Your Excellency Mr Nabil el-Araby,
Secretary-General of the Arab League,
  Distinguished Delegates,
  Ladies and Gentlemen,
  At the outset, allow me to congratulate
Egypt and Norway for organizing this timely
and much needed Conference. I have no
doubt that the international community and
the people of Gaza are truly grateful for your
initiative.
  Over the decades, Brazil has been an
unwavering supporter of the right of the
Palestinian people to self-determination. We
firmly believe that only a two-State solution,

with Palestine and Israel living side by side, in
peace and security and within mutually agreed
and internationally recognized borders can
bring long-lasting stability and peace to the
region. As President Dilma Rousseff stated
a few weeks ago in the opening the General
Debate of the General Assembly, the Israeli-
Palestinian conflict must be solved, not
precariously managed.
  In the past few months, we have witnessed
once again the consequences of an unresolved
conflict and of a protracted occupation. We
have witnessed once more the suffering of
the Palestinian people and the destruction of
Gaza. And we convene yet again to help in the
humanitarian and reconstruction efforts of the
Palestinian people and maybe bring a glimpse
of hope. As President Rousseff reaffirmed in
New York we cannot remain indifferent.
  The Brazilian Government has stepped
up its efforts to contribute, within its
possibilities, to the objective of a viable,
peaceful and sustainable State of Palestine.
We have donated close to US$ 30 million in
the last seven years, including US$ 10 million
in assistance to the Palestinian Government in
2007 and US$ 7,5 million to UNRWA in 2011,
following the Sharm el-Sheikh Conference




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	55




for the reconstruction of Gaza in 2009. More
recently, in 2014, Brazil donated 11,500 tons
of rice to UNRWA, estimated in US$ 9 million,
which amounts to the annual consumption of
rice by Palestine refugees under the Agencys
care. The first part of this donation-in-kind
arrived just before the latest conflict and was
crucial in mitigating the humanitarian distress
caused by the offensive.
  Brazil	has	also	joined	efforts	with
international parties to help the State of
Palestine in meeting the humanitarian needs
of its population. The IBSA Fund has funded
projects in the West Bank and Gaza totaling
US$ 3 million. A few weeks ago, in view
of the destruction caused in Gaza, the Fund
decided to support the reconstruction of the
Atta habib medical center and of the Al Quds
hospital, severely damaged during the latest
Israeli offensive.
  Today we pledge an additional contribution
of 6.000 tons of rice and 4.000 tons of beans
to UNRWA, to be distributed in Gaza, in the
value of approximately US$ 5 million.
  Brazil believes that Palestinian national
reconciliation is key to a sustainable peace
agreement between Israel and Palestine.
We commend the recent steps taken to
achieve intra-Palestinian unity, including the
formation of a national unity government
and the understanding between the two major
Palestinian political parties to enable the unity
Government to exercise its responsibilities
in Gaza and in the whole of Palestine. We
reiterate our call on the parties to fully commit
to the obligations assumed.
  Our effort to rebuild Gaza will be in vain
if hostilities resume between Israelis and
Palestinians. Brazil calls upon the parties
to hold the ceasefire of August 26th and
welcomes the recent negotiations in Cairo
aimed at a permanent ceasefire.
  Easing restrictions to allow reconstruction

material into Gaza is a fundamental first step.
The Israeli blockage has suffocated the local
economy, imposing an additional strain on
the plight of the Palestinian people. Easing
the blockade is not enough  it must be lifted
forthwith.
  As we all know, holding the ceasefire
and ending of the blockade are not an end
in themselves. What the people of Gaza, the
people of Palestine, the people of Israel and
the peoples in the Middle East really need
and deserve is to live in peace and security.
In order to achieve this goal, we must work
strenuously to reach a peace agreement that
ends the occupation and fulfills the two-state
solution.
  Thank you.

   
   

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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014










   Palestra magna do sr. ministro de estado das relações
exteriores Por oCasião da iii ConferênCia soBre relações
      internaCionais, unB - BrasÍlia, 27de noVemBro de 2014
                                                              27/11/2014

                                                                         
                                                                         
                                                                         
                                                                         
                                                                         
                                                                         

  PROFESSOR	IVAN	MARQUES	DE
TOLEDO CAMARGO,
  MAGNíFICO	REITOR	DA
UNIVERSIDADE DE BRASíLIA
  SENhOR	EMBAIXADOR	SéRGIO
MOREIRA LIMA,
  PRESIDENTE	DA	FUNDAçãO
ALEXANDRE DE GUSMãO
  PROFESSOR	MARCO	AURéLIO
GARCIA,	ASSESSOR	ESPECIAL	DA
PRESIDêNCIA DA REPúBLICA
  EMBAIXADORES RONALDO MOTA
SARDENBERG E SAMUEL PINhEIRO
GUIMARãES
  PROFESSOR PAULO ESTEVES,
  PRESIDENTE	DA	ASSOCIAçãO
BRASILEIRA	DE	RELAçõES
INTERNACIONAIS
  PROFESSOR JOSé FLáVIO SOMBRA
SARAIVA,
  DIRETOR	DO	INSTITUTO	DE
RELAçõES INTERNACIONAIS DA UNB
  SENhORAS	E	SENhORES
PROFESSORES E PESQUISADORES
  CARAS E CAROS ALUNOS
  SENhORAS E SENhORES
  é com grande satisfação que venho à
Universidade de Brasília para participar da

abertura da III Conferência sobre Relações
Internacionais, organizada em parceria
entre a Fundação Alexandre de Gusmão e a
Universidade de Brasília.
  A realização da III CORE, aqui nesta
Universidade, é uma justa homenagem aos 40
anos da criação do primeiro curso de Relações
Internacionais do Brasil. O desenvolvimento
impressionante e o aumento da qualidade da
área de Relações Internacionais no País muito
se devem a este pioneirismo da Universidade
de Brasília, que desde os anos 1970 forma
gerações de especialistas.
  O Itamaraty sempre teve uma relação
muito próxima com a UnB e beneficia-se
dos talentos aqui formados, muitos dos quais
passaram a integrar nossos quadros. Por isso,
proferir esta palestra expressa, ao mesmo
tempo, uma satisfação e um agradecimento.
  O tema desta III CORE  O Brasil e as
Tendências do Cenário Internacional  não
poderia ser mais apropriado. A definição do
lugar do Brasil no mundo de hoje se dá em
um ambiente internacional em profunda
transformação. Não é só o Brasil que tem
se transformado. Também o mundo não é
mais o mesmo. E o alcance dessas mudanças
internacionais parece de muito mais difícil




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	57




apreensão do que as transformações ocorridas
em cada país em particular, como no caso
do Brasil, onde há um claro sentido de
fortalecimento da cidadania e da inclusão
social.
  Não é à toa que, passado um quarto de
século desde a queda do muro de Berlim,
continuemos a recorrer a expressões vagas,
como o sistema internacional pós-Guerra
Fria, para caracterizar o mundo em que
vivemos.
  A indefinição, porém, não nos exime da
obrigação de agir. Muito pelo contrário. A
diplomacia exige uma capacidade permanente
de reflexão e ação, especialmente nos
momentos em que a ordem internacional se
redefine, como agora. Este é um importante
desafio para a atual diplomacia brasileira. Mais
do que se preparar para uma nova realidade do
século XXI, a política externa precisa engajar-
se de modo ativo e construtivo para ajudar a
moldá-la de acordo com os interesses do País.
  Daí a importância renovada de pensar e
agir estrategicamente, e não como mera reação
aos eventos internacionais. Daí a importância
também de discutir com a academia, em
eventos como este, e com todos os setores da
sociedade, sobre o mundo que teremos pela
frente e como podemos ajudar a construí-lo
com base em nossos valores e interesses.
  há pouco mais de um ano, assumi a
chefia do Itamaraty com uma clara diretriz
da Presidenta Dilma Rousseff: imprimir
sentido estratégico e também instrumental à
política externa, para concebê-la e executá-la
como componente essencial do nosso projeto
nacional de desenvolvimento.
  A política externa deve estar a serviço do
conjunto do Governo e da sociedade brasileira,
em seus esforços de realizar as potencialidades
do Brasil.
  é preciso reforçar o papel da diplomacia
como	instrumento	do	projeto	de

desenvolvimento nacional em suas múltiplas
vertentes. Sem prejuízo da contribuição que
damos e continuaremos a dar à comunidade
internacional, a ação do Itamaraty teve e tem
compromisso fundamental com o atendimento
das múltiplas necessidades do País. Assim,
seu sentido e utilidade fundamentais
consistem em contribuir para que o conjunto
do Governo e a sociedade identifiquem, num
mundo em transformação e, portanto pleno de
oportunidades, novas possibilidades externas
que possam trazer benefício interno.
  Nesse sentido, a promoção e a defesa
dos nossos interesses nacionais de
desenvolvimento requer uma estratégia de
política externa que defina nossos objetivos a
partir de uma visão do sistema internacional
e da realidade nacional; que se prepare
materialmente para buscar tais objetivos; e que
seja capaz de construir consensos domésticos
para que possamos melhor implementar e
defender aquela estratégia.
  O Sistema Internacional em Transformação
  Nos últimos vinte e cinco anos, o mundo
vem transitando da clara supremacia de uma
superpotência a uma paulatina redistribuição
de poder que nos permite hoje, cada vez mais,
caracterizar o sistema internacional como
multipolar.
  No imediato pós-Guerra Fria, certo
clima de triunfo propiciava o surgimento de
teses como a do fim da história. Anunciava-
se a vitória final do liberalismo político e
econômico como valores definidores da
ordem internacional. A Organização das
Nações Unidas (ONU), fortalecida com o fim
do conflito Leste-Oeste, deveria resguardar
consensos legítimos e universais da sociedade
internacional. O processo de globalização
econômica levaria ao desenvolvimento
inevitável pela integração de todos os países
à economia mundial. A unipolaridade e a
promoção de projetos políticos e econômicos




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




algo uniformes marcaram esse momento.
  No	Brasil,	nos	primeiros	anos	do
imediato	pós-Guerra	Fria,	buscavam-se
superar fragilidades econômicas e políticas,
tanto internas quanto externas. O País
se recuperava de anos de instabilidade
econômica e dava os primeiros passos
para consolidar a redemocratização. Num
quadro de considerável vulnerabilidade, a
política externa brasileira buscava o caminho
possível, que à época ganhou tantos nomes, da
diversificação da dependência à autonomia
pela participação. A uma autoimagem de
fragilidade	doméstica	correspondia	uma
autoimagem de vulnerabilidade externa.
  O triunfalismo do imediato pós-Guerra
Fria não durou mais que uma década. A
expectativa de formação dos consensos e de
universalização de valores logo frustrou-se,
com o acirramento dos conflitos e o recurso a
intervenções militares.
  A unipolaridade traduziu-se, por vezes,
em unilateralismos. A força militar se
reapresentava como meio e método de
transformação e reforma em regiões do globo,
como o Oriente Médio. é incalculável o preço
que cada geração parece fadada a pagar pelo
aprendizado, sempre provisório, sobre os
limites da força nas relações internacionais.
Nos vácuos de poder, que a força é incapaz de
preencher, surgiram novas ameaças à paz e à
segurança internacional.
  Assim, a década de 2000 nas relações
internacionais	caracterizou-se	por	uma
dinâmica perversa, em que os excessos de
confiança em soluções unilaterais e consensos
ideológicos herdados da década anterior
redundaram em crises de alcance global. O
uso da força militar no Iraque em 2003 deixou
consequências, ainda hoje sentidas, para a
estabilidade regional e global.
  Já os excessos financeiros e econômicos da
globalização encontraram seu limite na crise

de 2008. A governança da paz e da economia,
tal como comandadas pelas potências
estabelecidas, passou a enfrentar uma crise de
credibilidade e de eficácia.
  Ao mesmo tempo, a década de 2000
testemunhou a ascensão de novos polos
de poder. Países como a China, a índia e o
Brasil, por exemplo, ampliaram sua voz e
seu peso internacionais. Ganhou impulso um
processo de redistribuição do poder mundial.
A participação dos países do G-7 no produto
mundial caiu de 46% em 1992 para 33% em
2011. Em contrapartida, a participação dos
BRICS subiu, no mesmo período, de 17%
para 28%. Tendência semelhante ocorreu
nas exportações mundiais de bens, em que
a participação dos BRICS e do mundo em
desenvolvimento em geral saltou de 34% para
47%.
  Cresceu também o potencial diplomático
dos países emergentes, justamente pela maior
capacidade de articulação de seus interesses
e visões por meio da criação de grupos e
coalizões. Essa redistribuição do poder
mundial tem sido paulatina e nem todos os
polos emergem ou se consolidam com o mesmo
vigor, mas o conjunto dessas mudanças aponta
para um cenário mais propenso a soluções
coletivas do que ao exercício de hegemonias.
  Essas mudanças têm um impacto direto
sobre a governança do sistema internacional.
O arcabouço político, institucional e jurídico
internacional montado a partir de 1945 reflete,
especialmente em alguns de seus arranjos
principais, níveis de concentração de poder em
descompasso com a realidade atual. Isso cria
barreiras à plena participação de novos atores.
Os donos do poder resistem à eliminação ou
mesmo à redução de tais barreiras.
  Os casos mais evidentes, mas não únicos,
são o da composição do Conselho de
Segurança da ONU e a distribuição de quotas
e cargos de direção nas instituições financeiras




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	59




internacionais.
  A atual crise de representatividade das
estruturas de governança leva a uma crise
também de eficácia das instituições globais. E
justamente delas mais se necessita para gerir
a maior integração de sociedades e economias
nacionais.
  Assim, por princípio e por legítimo
interesse nacional e sistêmico, desejamos
favorecer a desconcentração do poder e uma
reforma da governança de modo a torná-la
mais inclusiva e participativa, mas também
mais funcional e legítima.
  Isso exige o reforço do multilateralismo. A
desconcentração de poder em curso só poderá
produzir graus mais elevados de legitimidade
e funcionalidade por meio do diálogo
multilateral, ao qual não há alternativa.
  Ao	mesmo	tempo,	é	indispensável
assegurar que as organizações internacionais,
em especial a ONU e seu sistema, sirvam 
eficazmente - às necessidades de todos os
Estados e de suas sociedades. Devem ser
capazes de mostrar quotidianamente e na
prática sua relevância para o conjunto da
comunidade internacional.
  A ordem internacional em formação tem
também um forte elemento valorativo. A
opinião pública internacional e nacional
exigem crescentemente que os Estados e
as organizações internacionais pautem sua
ação pela proteção e promoção dos direitos
humanos, inclusive os direitos políticos,
sociais e culturais; pelo combate a toda
forma de discriminação; pelo imperativo
da solidariedade humanitária. Para além da
discussão sobre se tais valores são ou não
universais, é fato que, no plano internacional,
há hoje e deverá haver no futuro, cada vez
menos espaço para o puro exercício do poder,
ou para a observância pura e simples de
conveniências ou necessidades políticas ao
arrepio de valores tidos como fundamentais.
   
é indispensável, no entanto, assegurar
que os valores e as ações internacionais
neles fundadas sejam genuínos, livres de
politização indevida ou de uma seletividade
interessada em objetivos alheios à sua defesa.
Os valores não são propriedade de nenhuma
potência, nem seu respeito o apanágio de um
grupo determinado de nações, ricas ou pobres,
grandes ou pequenas.
  Toda ordem internacional depende de
certo equilíbrio de poder, mas sobretudo de
valores compartilhados que criam um senso
de finalidade e propósito. Como sociedade
que é e se deseja crescentemente democrática
e plural, o Brasil estimula e apoia uma
ordem internacional que reflita os valores
que fundam nossa sociedade. Isso significa
uma ordem mais aberta e participativa,
que reforce a capacidade do País e da
comunidade internacional de promover a paz
e o desenvolvimento. Significa também uma
ordem comprometida com a prosperidade
compartilhada, com o desenvolvimento
associado à inclusão social e ao respeito aos
direitos humanos.
  é de se prever também que, em um cenário
de crescente multipolaridade, o regionalismo
será mais  e não menos  importante nas
relações internacionais. O Brasil é favorável
a uma ordem em que as regiões sejam cada
vez mais estáveis, harmônicas e integradas.
é um desenvolvimento que guarda sintonia
com os esforços que estamos empreendendo,
junto com nossos vizinhos, para a integração
da América do Sul.
  A Política Externa Brasileira  Um Duplo
Diálogo: Internacional e Nacional
  Em um mundo interdependente, marcado
por fluxos crescentes de pessoas, bens,
serviços, conhecimento e informações, a ação
externa é parte fundamental da agenda do
desenvolvimento nacional, mais ainda para
um país com as dimensões, as características




60

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




e os interesses do Brasil.
  Como diz a Presidenta Dilma Rousseff, as
dimensões interna e externa da política de um
país são inseparáveis.
  A complexidade dos desafios inerentes ao
processo de desenvolvimento de um país como
o Brasil requer uma estratégia de inserção
externa diversificada e em sintonia com os
anseios nacionais. Essa estratégia dever ser
capaz de garantir uma presença no mundo
ao mesmo tempo competitiva e sensível aos
desafios da redução das desigualdades sociais.
  Isso é talvez mais evidente quando
pensamos na agenda de nossa política externa
econômica, que inclui:
  - a participação ativa nas discussões sobre
governança econômica e financeira mundial,
em particular no G-20;
  - a conclusão de negociações comerciais
externas que garantam acesso a mercados
ampliados, na região e no mundo;
  -	o	apoio	constante	ao	empresário
brasileiro que exporta e cada vez mais se
internacionaliza;
  -aatraçãoeapromoçãodeinvestimentosque
auxiliem nosso esforço de desenvolvimento;
  - a consolidação de parcerias em setores
estratégicos;
  - a cooperação em ciência, tecnologia
e inovação, fundamentais para alçar a
indústria brasileira a um novo patamar de
competitividade;
  - ou ainda a formação de recursos humanos
de qualidade e a participação ativa das cadeias
internacionais de conhecimento.
  Mas a preocupação com o desenvolvimento
perpassa outras agendas da nossa política
externa.
  - A consolidação de um entorno regional
estável e próspero;
  - a ampliação e a diversificação das nossas
parcerias, sem descuidar dos nossos parceiros
tradicionais;
   
- a atualização das instâncias de governança
internacional, em particular as Nações Unidas;
  - a geração de novos espaços de concertação,
como o BRICS e o IBAS;
  - as negociações de parâmetros e metas
para um desenvolvimento sustentável, tanto
do ponto de vista econômico, ambiental e
social;
  - ou ainda nossa constante atuação em prol
da superação dos conflitos e da promoção
de um ambiente de paz e cooperação
internacional.
  Todas essas iniciativas e vertentes são parte
da construção do pano de fundo necessário
para a plena consecução do desenvolvimento
nacional.
  Nossa política externa tem aproveitado
condições propícias à projeção dos interesses
do Brasil. No plano interno, avanços
econômicos e sociais têm proporcionado bases
sólidas para nossa inserção internacional. No
plano externo, o sistema internacional em
transformação tem criado mais espaços de
atuação para as potências emergentes.
  Temos adotado um padrão amplo e
diversificado de atuação, em termos tanto
geográficos como temáticos. Ao mesmo tempo
em que atuamos para fortalecer relações novas
e tradicionais com parceiros em todos os
continentes  naturalmente com foco imediato
na América do Sul , mantemos participação
ativa nos debates e negociações sobre amplo
espectro de temas da agenda internacional.
  A política externa brasileira procurou
aprofundar o perfil diversificado da inserção
internacional do Brasil. Conciliamos a
universalidade das relações diplomáticas
com um compromisso renovado com o
multilateralismo e com o engajamento em
instâncias de formato mais reduzido, como
BRICS e IBAS. Com os esforços dos últimos
anos de aprofundar as relações com países de
todos os continentes, o Brasil passou a exercer




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	61




uma política externa de alcance efetivamente
global. Essa é uma resposta estratégica ao atual
contexto de transformações internacionais.
  A diversificação cada vez maior da atuação
do Brasil é condizente com um cenário em
que as potências tradicionais coexistem com
potências emergentes. Condizente também
com um mundo cada vez mais interdependente
no plano econômico. Trata-se, portanto,
de um contexto que desaconselha opções
excludentes: nem alinhamentos automáticos,
nem a alienação de parcerias.
  Ao contrário, sem descuidar das relações
tradicionais que continuam a merecer um
lugar privilegiado em nossa política externa,
passamos a buscar também novos parceiros
e novas coalizões, que complementam ou
suprem lacunas das estruturas tradicionais de
poder.
  A última década foi um período de grande
atividade e criatividade da política externa
brasileira. Formamos o G-20 nas negociações
agrícolas da OMC, que mudou a dinâmica
das negociações comerciais da Rodada Doha.
Criamos o IBAS e, mais tarde, o BRICS,
coalizões comprometidas com a reforma da
ordem internacional. Articulamos o BASIC
nas negociações de clima. A dimensão Sul-
Sul de nossa diplomacia não foi uma opção
ideológica ou uma tentativa de restaurar um
terceiro-mundismo do passado, como alguns
críticos insistem em caracterizar. Partiu, ao
contrário, de um claro diagnóstico de que
o Sul era parte ativa na geopolítica e na
geoeconomia global.
  A rigor, já não faz sentido falar em
busca de autonomia em nossa política
externa. Já logramos alcançá-la, graças às
conquistas internas de nossa sociedade e
ao trabalho de nossa diplomacia. Tornamo-
nos a sétima economia mundial em um
contexto de estabilidade macroeconômica;
de devedores passamos a credores líquidos

internacionais; realizamos progressos
expressivos em matéria de inclusão social, de
fortalecimento da consciência ambiental e de
promoção e proteção dos direitos humanos.
Desenvolvemos uma política externa que
buscou, com determinação, ocupar e criar
espaços. O Brasil transformou-se em um país
com influência na formação da nova ordem
internacional, do desenvolvimento sustentável
ao comércio, da paz e segurança aos caminhos
da integração regional.
  Em uma política externa marcada pela
universalidade, interessa ao Brasil um entorno
regional estável e próspero. A América do Sul
permanece como área prioritária da política
externa. A fim de consolidar a região como
espaço de paz, estabilidade e cooperação, o
Brasil continua empenhado em uma estratégia
de convergência e integração regional. Este é
o cimento da paz e da estabilidade em nossa
região.
  Além da manutenção da paz e da
estabilidade, a integração regional é importante
em nossa estratégia de desenvolvimento
econômico e social. O nosso entorno é um
espaço para a expansão econômico-comercial
do Brasil. é na América do Sul que muitas
empresas brasileiras iniciam seu processo de
internacionalização e encontram mercados
atraentes para seus produtos e serviços. O
superávit comercial do Brasil com a região em
2013 foi de US$ 9,1 bilhões, montante muito
mais elevado do que o saldo com o resto do
mundo, que foi de US$ 2,4 bilhões.
  Aintegraçãoregionalestánapautadapolítica
externa há três décadas, independentemente
das ênfases de cada Governo, tendo-se firmado
como uma política de Estado e consagrado
no texto constitucional. Interessa ao Brasil
trabalhar ativamente pela consolidação de um
espaço sul-americano próspero, democrático
e crescentemente integrado. Essa não é uma
opção ideológica, como muitas vezes




62

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




se tem dito. Só há uma ideologia da nossa
política externa, na região como no mundo: a
promoção do interesse nacional.
  A evolução que tivemos no MERCOSUL
estimulou o impulso integracionista no Brasil
e na região. A UNASUL consolidou-se como
principal organismo de concertação sul-
americana e tem conseguido dar soluções
próprias para os problemas e desafios da
região, inclusive para o fortalecimento da
democracia e da estabilidade política. Uma
prova recente disso é o diálogo trilateral de
chanceleres com a Venezuela, de que tenho
participado.
  Dentro da série de iniciativas e coalizões
diplomáticas que surgiram nos últimos anos,
o BRICS ganhou uma grande importância
nos seus poucos anos de existência e se
tornou uma força incontornável nas relações
internacionais. Os resultados da VI Cúpula
dos líderes, realizada em Fortaleza, foram
históricos. O grupo afirmou sua vocação global
e sua força política em prol do aprimoramento
das instituições de governança internacional.
Entre as vertentes de cooperação mais
promissoras, destaca-se a área econômico-
financeira. Os acordos sobre o Novo Banco
de Desenvolvimento do BRICS e o Arranjo
Contingente de Reservas (CRA) demonstram
a disposição do grupo de aprofundar a parceria
na área econômico-financeira e representam
um estímulo às necessárias reformas das
estruturas financeiras internacionais.
  Também as relações do Brasil com os
países africanos têm sido aprofundadas.
Isso ocorre em um momento de crescente
conscientização da sociedade brasileira sobre
suas raízes africanas.Além dos laços históricos,
econômicos e culturais, a áfrica tem para
nós uma importância de natureza estratégica.
Compartilhamos com o continente africano
uma longa fronteira marítima, o Atlântico
Sul, crucial para nosso desenvolvimento e

nossa defesa.
  Nossa política externa tem dado atenção
especial à diplomacia econômica como
instrumento para o desenvolvimento e, em
particular, para o aumento da produtividade
e competitividade da economia. Nesse
contexto, procuramos fazer avançar a Rodada
Doha da OMC e as tratativas para o Acordo de
Associação MERCOSUL-UE.
  Também nos empenhamos para criar e
fortalecer parcerias em educação e ciência,
tecnologia e inovação, tendo-nos mobilizado
para prestar apoio ao Programa Ciência sem
Fronteiras.
  A diplomacia econômica e da inovação
assume, portanto, uma importância
fundamental no atual ciclo de desenvolvimento
brasileiro. Precisamos intensificar ainda mais
os esforços no sentido de contribuir para o
aumento do volume e valor das exportações,
estimular e amparar a internacionalização
de empresas, atrair investimentos para
o País e assegurar um espaço normativo
para a promoção das políticas nacionais de
desenvolvimento.
  Nos temas de paz e segurança internacional,
é permanente a defesa pelo Brasil da via
diplomática, da não-intervenção e da solução
pacífica de controvérsias como princípios
centrais do relacionamento entre as Nações.
  Permanece vital o respeito à Carta da ONU,
em particular a proibição do uso da força sem
a autorização do Conselho de Segurança ou
em contexto que não seja o de autodefesa.
O Brasil considera que a interdição às
intervenções militares em situações que não
as previstas na Carta é o fundamento de
uma ordem internacional estável, e deve ser
observada por todos os países, em todas as
regiões do mundo.
  A observância seletiva da Carta e sua
interpretação enviesada minam parte dos
fundamentos daquela ordem, sem substituí-




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	63




la por outra mais afim com as aspirações por
paz fundada na justiça e por prosperidade
compartilhada. Ao contrário, ameaça debilitar
aspecto civilizacional e político do mundo
pós-Guerra que cabe sustentar continuamente
e, onde couber, reforçar.
  há hoje um quadro preocupante no campo
da paz e segurança internacional. Como
assinalou a Presidenta Dilma Rousseff na
Assembleia-Geral da ONU, não se resolvem
muitos dos conflitos antigos, e surgem novos,
cuja solução tampouco se alcança. Muitos
deles são acompanhados de graves crises
humanitárias e violações de direitos humanos.
  Entre as diversas razões para explicar essa
situação, está a inclinação de responder a
conflitos ou crises com o uso da força. Usa-
se a força antes mesmo de se buscar exaurir
os meios de solução política. O foco na
solução pacífica, na negociação e no diálogo
diplomático não é expressão de idealismo de
um país que vive em paz com seus vizinhos há
mais de 140 anos.
  é fruto de valores enraizados na sociedade
brasileira,	mas	também	da	constatação
empírica do fracasso do uso da força como
solução padrão de problemas cuja efetiva
resolução exige não só a diplomacia, mas a
transformação de práticas e estruturas de
poder político e econômico à qual muitos
resistem. Líbia, Iraque, Síria e Palestina são
apenas alguns exemplos dos limites da força
como instrumento para a superação de crises
ou conflitos.
  Além desta agenda, a qual chamo de
agenda clássica, há conjunto amplo de novos
temas tem demandado maior atenção do
Brasil, relacionados à crescente importância
da agenda do desenvolvimento social, aos
compromissos internacionais em matéria
de direitos humanos, à definição de novos
paradigmas de desenvolvimento sustentável e
às questões relativas à privacidade no espaço

cibernético e à governança da internet.
  Temos de ter consciência de que, na esteira
do reconhecimento internacional do Brasil
como exemplo de país que deu um salto de
crescimento com distribuição de renda em
contexto democrático, o Itamaraty passa a
atuar cada vez mais na vertente da diplomacia
social. A cooperação Sul-Sul prestada pelo
Brasil tem-se firmado progressivamente,
em apoio a programas de inclusão social e
erradicação da pobreza em outros países em
desenvolvimento. Vem contribuindo para
projetar uma imagem positiva do Brasil, com
efeitos benéficos para todas as dimensões do
relacionamento com os países receptores.
Nesse ponto, tivemos um notável acréscimo
de capital diplomático.
  No plano do desenvolvimento sustentável,
o País sediou em 2012, no Rio de Janeiro, a
maior conferência da história das Nações
Unidas. Com a liderança brasileira, a Rio+20
teve o papel de consolidar o conceito de
desenvolvimento sustentável e consagrar o
consenso de que a erradicação da pobreza
extrema representa o maior desafio global da
atualidade e constitui requisito indispensável
para a sustentabilidade. Nas negociações
internacionais sobre mudança do clima, o
Brasil também teve posição de destaque,
lastreado por suas credenciais internas de
sustentabilidade.
  Na questão da privacidade no espaço
cibernético e da governança da internet, o
Brasil assumiu uma posição de liderança. Esses
temas ganharam maior relevo na sequência das
denúncias sobre as atividades de espionagem
de serviços de inteligência estrangeiros. O
Brasil, junto com a Alemanha, conseguiu
aprovar, por consenso, na Assembleia Geral
da ONU, duas resoluções sobre o direito à
privacidade na era digital.
  O Governo brasileiro também realizou
este ano, em São Paulo, a Reunião




64

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014



Multissetorial Global sobre o Futuro da
Governança da Internet. A NETmundial
foi um desdobramento da proposta de debate
sobre um Marco Civil Internacional para a
Internet, apresentada pela Presidenta Dilma
Rousseff na abertura da 68ª Assembleia Geral
das Nações Unidas, em 2013.
  Como disse no início da minha exposição,
o diálogo diplomático tem hoje importante
dimensão	interna.	Como	reflexo	do
amadurecimento de nossa democracia e do
crescente interesse em assuntos internacionais
no Brasil, o Itamaraty tem buscado aprofundar
seus canais de interação com os demais órgãos
públicos e a sociedade. De fevereiro a abril
deste ano realizamos, no Itamaraty, um amplo
debate com a sociedade, os Diálogos sobre
Política Externa.
  O Itamaraty também está elaborando um
Livro Branco da Política Externa brasileira,
que deverá ser ultimado até o final do ano. O
propósito é oferecer um retrato das atividades
do Ministério e das linhas de atuação externa
do Brasil. Queremos, com isso, aprofundar
o debate público sobre a política externa
brasileira.
  Quero concluir observando que a política
externa brasileira reflete, a um só tempo,
uma avaliação das tendências em curso e
uma aposta no futuro a que aspiramos. há
um componente analítico e um componente
que poderíamos chamar de idealista. Essa
combinação é essencial para toda política que
se quer transformadora. é o desafio da fusão
entre o conhecimento e a ação. Por isso que
eventos como este são tão importantes para o
Itamaraty e para o debate de política externa.
  Muito obrigado.
   
   
   
   
   
   
   
   
                                                Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	65

























































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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014










      disCurso Proferido Pelo ministro de estado das relações
 exteriores, luiz alBerto figueiredo maCHado, na Cerimônia de
aBertura do 30º aniVersário da deClaração de Cartagena soBre
     refugiados  Cartagena+30 - BrasÍlia, 2 de dezemBro de 2014
                                                                03/12/2014

                                                                           
                                                                           
                                                                           
                                                                           

  há 30 anos, um pequeno grupo de países
adotou um documento que viria a revolucionar
o tratamento dispensado aos refugiados em
nossa região. Os altos padrões de proteção
consagrados na Declaração de Cartagena, ao
encarar a extensão do conceito de refúgio
para além das situações previstas na Convenção
de 1951 e do Protocolo de 1967, vieram a
influenciar, de forma decisiva, as legislações
nacionais promulgadas por vários países.
  Firmava-se, assim, um conceito moderno de
refugiado, que buscava levar em consideração
as profundas mudanças ocorridas no mundo
desde o final da Segunda Guerra.
  O valor prático e simbólico da Declaração
também inspirou a realização de novas
reuniões a respeito do tema, em 1994 e 2004,
cujos resultados vieram a acrescer ao legado
humanista do que se convencionou chamar o
espírito de Cartagena.
  A Declaração de Cartagena sobre os
Refugiados foi adotada em um contexto
específico. Em 1984, nossa região vivia a
fase final de um período politicamente difícil.
Muitos de nossos nacionais haviam sido
obrigados a deixar seus lares e a buscar uma
nova vida em outros países.
  Nesses 30 anos, as circunstâncias mudaram.

A América Latina e o Caribe afirmam-se
como região de paz e cooperação e dispõem
de instrumentos políticos e coletivos para
promover e preservar a ordem democrática.
Felizmente, nossas populações não padecem
dos horrores da guerra.
  No planeta como um todo, contudo, o
cenário é bem diverso, e a situação dos
refugiados, dos deslocados internos e dos
apátridas constitui um dos mais importantes
indicadores da gravidade dos desafios a
enfrentar hoje e nos próximos anos. Basta
recordar que seu número se encontra no nível
mais alto desde 1945: são mais de 56 milhões
de pessoas nessas condições.
  Ademais, a temática do refúgio converteu-
se na expressão mais trágica da incapacidade
das estruturas de governança global de dar
soluções apropriadas para as mais graves crises
de nosso tempo  em especial, na área de paz e
segurança. Uma resposta integral e estrutural a
esses desafios ultrapassa a esfera humanitária.
Na realidade, exige compromissos e esforços
políticos, para além das respostas solidária e
humanista, que nos permitam avançar rumo a
uma ordem internacional mais justa e pacífica,
na qual a prevenção e a solução pacífica de
conflitos ocupem o papel central que lhes




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	67




atribui a Carta das Nações Unidas.
  De todo modo, nossa região tem dado
mostras inequívocas de que não permanecerá
alheia ao drama humano de refugiados,
deslocados internos e apátridas ao redor
do mundo. Temos avançado de maneira
significativa, ao longo das últimas décadas,
no oferecimento de abrigo e proteção aos que
necessitam. Essa tradição constitui motivo
de orgulho e que, ouso dizer, devemos nos
esforçar para preservar e promover.
  A Declaração de Cartagena sobre os
Refugiados é, antes de nada, um símbolo
desse	compromisso.	Ao	celebrar	seu
trigésimo aniversário, comemoramos também
os avanços logrados por nossos países e
manifestamos nosso desejo soberano de
continuar a aprimorar normas, instituições
e práticas para bem acolher aqueles que
encontram em nossos territórios um pouso
seguro e a oportunidade de recomeçar suas
vidas.
  há muito a comemorar desde a adoção da
Declaração e do Plano de Ação do México,
há dez anos. O Programa de Reassentamento
Solidário, por exemplo, apesar de desafios
e dificuldades, tornou-se uma realidade.
Diferentes	países	adotaram	legislação
específica sobre refúgio, ao passo que outros
estabeleceram mecanismos de elegibilidade
de refugiados ou de estímulo à sua integração
local. Enquanto em outras paragens as
fronteiras restringem o acesso estendido aos
necessitados, em nossa vizinhança parece
intocada a disposição de seguir avançando
nessa agenda tão sensível.
  é também motivo de grande satisfação
que o pequeno grupo de países reunidos em
Cartagena, há 30 anos, venha se expandindo
ao longo do tempo. Este ano, realizou-se pela
primeira vez, no marco de Cartagena, uma
reunião de consultas voltada especificamente
aos países do Caribe. é com grande satisfação

que saúdo nossos parceiros caribenhos
aqui presentes, cuja integração ao processo
Cartagena+30 é mais do que bem-vinda.
  Que possamos, no encontro que ora se
inicia, contribuir para aprofundar ainda mais
a tradição de proteção e acolhida representada
pelo espírito de Cartagena.
  Muito obrigado.

   
   

68

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014










   interVenção do senHor seCretário-geral das relações
exteriores, emBaixador eduardo dos santos, na Cerimônia
       da sePPir: Balanço de gestão 2011-2014 - BrasÍlia, 3 de
                                       dezemBro de 2014
                                                              03/12/2014

                                                                         
                                                                         
                                                                         
                                                                         

  Excelentíssima Senhora Ministra-Chefe
da Secretaria de Políticas de Promoção da
Igualdade Racial da Presidência da República,
Luiza Bairros,
  Excelentíssimo	Senhor	Ministro	da
Educação, henrique Paim,
  Excelentíssima Senhora Secretária-Executiva
da Secretaria de Políticas para as Mulheres da
Presidência da República, Lourdes Bandeira,
  Excelentíssimo	Senhor	Presidente	do
Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária, Carlos Guedes,
  Excelentíssimo Senhor Deputado Federal
Luís Alberto, Presidente da Frente Parlamentar
pela Igualdade Racial,
  Excelentíssimo	Senhor	Secretário-
Executivo da Secretaria de Políticas de
Promoção da Igualdade Racial da Presidência
da República, Giovanni harvey,
  Autoridades presentes,
  Senhoras e Senhores,
  Inicio minha intervenção saudando a todos
os Conselheiros e Conselheiras empossados do
Conselho Nacional de Promoção da Igualdade
Racial (CNPIR). Estendo-lhes meus sinceros
votos de êxito no exercício de seus mandatos
ao longo do próximo biênio. Felicito muito
fortemente a Secretaria de Promoção da

Igualdade Racial, na pessoa da Ministra Luiza
Bairros, pela realização deste importante
evento de prestação de contas à sociedade e
pela valiosa contribuição da SEPPIR para
a superação do racismo e de toda forma de
discriminação racial no Brasil.
  A própria existência da SEPPIR tornou-se
um exemplo para a comunidade internacional,
mencionada positivamente por órgãos
multilaterais de monitoramento de direitos
humanos que a consideram uma resposta eficaz
do Estado brasileiro ao desafio de implementação
da Declaração e Plano de Ação de Durban.
  No exercício de seu mandato, a SEPPIR
conta e sempre contou com o Ministério das
Relações Exteriores como um importante
parceiro. O combate à discriminação em todas
as suas formas constitui prioridade da política
externa brasileira na área de direitos humanos.
  O Brasil apoiou a proclamação, pelas
Nações Unidas, do Ano Internacional dos
Afrodescendentes em 2011. Na esfera regional,
o Brasil propôs a elaboração de uma Convenção
Interamericana sobre Racismo e Toda Forma
de Discriminação e Intolerância. Ao final das
negociações, em 2013, foram concluídos dois
documentos vinculantes da mais alta relevância:
a Convenção Interamericana Contra o Racismo




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	69




e Formas Correlatas de Intolerância e a
Convenção Interamericana Contra Toda Forma
de Discriminação e Intolerância, ambas assinadas
pelo Brasil e em tramitação para ratificação.
Recordo, ademais, que o Brasil propôs a criação,
no âmbito da Comissão Interamericana de
Direitos humanos, da Relatoria sobre Direitos
dos Afrodescendentes e ofereceu contribuição
voluntária para a instalação da sua nova estrutura.
  Na esfera sub-regional, o País propôs a
criação do Grupo de Trabalho sobre Promoção
da Igualdade Racial no marco da Reunião
de Altas Autoridades de Direitos humanos
do Mercosul, iniciativa implementada em
2006. Atualmente, o Brasil está empenhado
em	assegurar	a	criação	do	Mercosul
Afrodescendente, uma iniciativa importante
que, uma vez aprovada, ampliará o espaço
para a coordenação entre as Altas Autoridades
encarregadas da promoção da igualdade racial
na América do Sul.
  Em 2013, logramos mais duas importantes
conquistas: a aprovação, pela CELAC, da Década
dos	Afrodescendentes	Latinoamericanos	e
Caribenhos, de 2014 a 2023, e a aprovação, pelas
Nações Unidas, da Década Internacional dos
Afrodescendentes, no período de 2015 a 2024.
O Brasil foi um dos principais articuladores de
ambas as iniciativas. Esta semana, sediaremos, em
Brasília, a I Reunião do Grupo de Trabalho sobre
Afrodescendentes, encarregado de desenvolver o
Plano de Ação regional da Década.
  ADécada Internacional dosAfrodescendentes
constitui oportunidade ímpar para assegurar
visibilidade à situação dos afrodescendentes no
mundo e para mobilizar esforços em favor da
promoção da igualdade e da adoção de políticas
públicas capazes de superar as injustiças
históricas sofridas por essa população.
  Senhoras e senhores,
  Não poderia deixar de destacar, com
grande satisfação, os esforços realizados pelo
Itamaraty a fim de promover a igualdade de

oportunidades em suas próprias fileiras de
funcionários e funcionárias.
  Mantemos, desde 2002, o programa Bolsa
Prêmio Vocação para a Diplomacia, que
concede,atéhoje,bolsasnovalordeR$25.000,00
por ano, para que jovens negros selecionados
se preparem para o Concurso de Admissão à
Carreira de Diplomata do Instituto Rio Branco.
Este foi o primeiro programa de ação afirmativa
para afrodescendentes da Administração Pública
Federal. Em 2013, um ano antes da aprovação da
Lei 12.990 sobre reserva de vagas para negros
em concursos públicos, o Edital do Concurso de
Diplomatas garantiu aos afrodescendentes 10%
das vagas da primeira fase do certame, iniciativa
até então pioneira em todo o Governo Federal.
  Finalmente, tenho a satisfação de relembrar
a criação, em setembro deste ano, do Comitê
Gestor de Gênero e Raça do Ministério das
Relações Exteriores. O novo órgão, de caráter
permanente e consultivo, tem o objetivo de
coordenar o processo de adesão do Itamaraty
ao Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça
da Secretaria de Políticas para as Mulheres. A
equipe do Comitê Gestor proporá medidas para
superar eventuais práticas que levem a situações
de discriminação por gênero ou raça na gestão
de pessoal do Serviço Exterior Brasileiro.
  Senhoras e senhores,
  Ao concluir, gostaria de reiterar o
compromisso do Ministério das Relações
Exteriores com o êxito dos esforços para a
promoção da igualdade e agradecer a importante
parceria que estabelecemos com a SEPPIR. Os
esforços que temos empreendido conjuntamente
elevaram a luta pela igualdade racial e pela
superação de toda forma de discriminação à
condição de um dos traços distintivos da política
externa brasileira. Queremos seguir com essa
frutífera parceria, pois nos orgulhamos muito
de estarmos construindo juntos uma verdadeira
democracia racial no Brasil.
  Muito obrigado.

   
   

70

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014










    disCurso da Presidenta da rePúBliCa, dilma rousseff, na
CúPula extraordinária da união das nações sul-ameriCanas
            (unasul) - Quito, eQuador, 05 de dezemBro de 2014
                                                                05/12/2014

                                                                           
                                                                           
                                                                           
                                                                           
                                                                           
                                                                           

  Queria cumprimentar o presidente Rafael
Correa, do Equador.
  Asexcelentíssimassenhoraseexcelentíssimos
senhores Chefes de Estado e de Governo dos
países da Unasul.
  Queria cumprimentar o presidente da
Bolívia, Evo Morales.
  Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia.
  Samuel hinds, primeiro-ministro da Guiana.
  horácio Cartes, presidente do Paraguai.
  Desiré Bouterse, presidente do Suriname.
  Nicolás Maduro, presidente da Venezuela.
  Queria felicitar o senhor ex-presidente
Ernesto Samper pela assunção ao cargo de
secretário-geral da Unasul, e dizer da nossa
alegria pelo fato de uma pessoa de tão alta
qualidade ocupar esse cargo.
  Queria cumprimentar as senhoras e os
senhores ministros de estado e integrantes das
delegações aqui presentes.
  Cumprimentar as senhoras e senhores que
acompanham os presidentes, os ministros e
dizer que, para mim, é uma alegria estar aqui
hoje no Equador.
  Eu agradeço ao Presidente Rafael Correa
e ao povo equatoriano por nos receberem
de maneira tão acolhedora. Cumprimento o
presidente Rafael Correa pela magnífica sede

construída aqui em Quito, em torno da metade
do mundo, o edifício Nestor kirchner.
  Essa sede honra a Unasul e é um símbolo
da importância da nossa integração e da nossa
cooperação. hoje, inauguramos essa nova
sede da Secretaria-Geral da Unasul, obra que
devemos ao empenho do senhor presidente
Rafael Correa e a uma demonstração do
nosso compromisso em aprofundar a união
do continente. Nós queremos uma Unasul
renovada, fortalecida e atuante, e sabemos
que ela contribuirá para a integração e o
convívio harmônico entre nossos povos,
consolidando a América do Sul como exemplo
de paz, de união, em um mundo cada vez mais
conturbado pelas incertezas de ordem política
e econômica.
  Caros presidentes, caros primeiros-
ministros, queridos amigos,
  O último ano foi especialmente importante
para a Unasul. Mais uma vez nós fomos
chamados a preservar a estabilidade e a
democracia na região.
  Nossa atuação na Venezuela, a pedido do
presidente Maduro, comprovou a eficácia da
entidade para auxiliar os Estados-membros na
busca de soluções democráticas, pacíficas e
negociadas em cenários de crise.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	71




   As eleições na Colômbia, Chile, Uruguai
e Brasil demonstraram o vigor da democracia
em nossa região, em escrutínios marcados
pela expressiva participação popular e pela
mais ampla liberdade de expressão.
  Nessas eleições, saiu vitoriosa a agenda
da inclusão social, do desenvolvimento com
distribuição de renda e, portanto, do combate
à desigualdade e da garantia de oportunidades,
que caracteriza a nossa região nos últimos anos.
  Na	Colômbia,	o	Presidente	Santos
representa clara opção em prol da paz
negociada, que tanto  tenho certeza  será
bem-sucedida em colocar fim ao mais longevo
conflito de nossa região.
  No Chile, a nossa querida Bachelet venceu
com um projeto que apresenta como eixo
de ação externa também a integração com a
América do Sul.
  Na Bolívia, Evo Morales consolidou, com
sua vitória, os avanços de uma integração
plurinacional sem precedentes em todo o
mundo.
  No Brasil, logramos, pela quarta vez
consecutiva, renovar o apoio da sociedade
a um projeto que combina inclusão social,
combate à pobreza e busca da competitividade
da nossa economia.
  No Uruguai, os companheiros Pepe Mujica
e Tabaré Vázquez encarnam o sucesso de
uma agenda que combina temas de vanguarda
social e tecnológica, com forte ênfase na
redução da desigualdade.
  Em 2014, nós realizamos um importante
debate sobre os modelos de exploração de
nossos recursos naturais. Não basta considerar
esses recursos apenas como grande vantagem
comparativa regional. é preciso transformar
esses recursos em ferramentas efetivas de
diversificação produtiva e desenvolvimento
social, sob pena de ficarmos presos ao círculo
vicioso da mera exportação de matérias-primas.
  Na atual conjuntura de crise internacional,

com queda no preço das commodities e,
principalmente, no caso do petróleo, o desafio
do desenvolvimento é ainda maior. Temos
diante de nós compromissos históricos a
cumprir, tarefas cuja realização será crucial
para o nosso futuro.
  O Brasil se dispõe a, nesse período, avançar
no combate à desigualdade, assegurando o
crescimento com inclusão social. Nós, nessa
eleição, mostramos que defendemos diante da
crise que nos afetou profundamente, defendemos
sobretudo o emprego e, por isso, mantemos
uma das menores taxas de desemprego de
toda a nossa história. Também nos dispomos a
garantir esse emprego de qualidade e melhorar
a nossa produtividade, ampliar o investimento
em infraestrutura logística, energética, social
e urbana. Impulsionar o desenvolvimento
tecnológico e a inovação. Dar prioridade à
educaçãodequalidade,garantindooportunidades
para todos.
  Tudo isso tem um canal que deságua
na cooperação e na integração regional em
todas as áreas. Nós temos a maior clareza
da importância da integração no nosso
continente. E, portanto, consideramos que
é fundamental buscarmos formas tanto de
integração econômica e de infraestrutura, tanto
infraestrutura logística quanto energética.
  Nós, países da Unasul, já provamos que
somos capazes de enfrentar muitos dos
desafios. Nos últimos anos, nossos países
aumentaram a renda per capita, diminuíram o
desemprego e reduziram os níveis de pobreza
de suas populações. E nós precisamos continuar
trilhando esse caminho. Todos nós sabemos
que a recuperação da crise que começou lá
atrás, em 2008, ainda é tênue. Nós temos um
quadro difícil na Europa, uma recessão no
Japão. Temos uma recuperação nos Estados
Unidos, mas ainda uma recuperação que
não mostra ainda toda a sua força. Por isso,
é importante que os países da nossa região




72

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




tenham capacidade de se integrar cada vez
mais e, sobretudo, de cooperar cada vez mais.
  Queridos amigos,
  Essa Cúpula também é especial porque
nela vamos definir o novo Secretário-Geral da
UNASUL, Ernesto Samper, que vai suceder
ao nosso querido amigo Alí Rodríguez.
  Quero deixar registrado meu reconhecimento
e o do Brasil, a Alí Rodriguez pelo empenho,
pelo esforço e sacrifício pessoal ao longo de seu
período como Secretário-Geral.
  Quero também estender, mais uma vez, as
mais calorosas boas-vindas a Ernesto Samper,
nosso novo Secretário-Geral da UNASUL.
  Em nossa conversa em Brasília, no mês
passado, pude comprovar que o presidente
Samper reúne as qualidades essenciais para a
função: experiência, perspicácia, sensibilidade
social e entendimento do sentido estratégico
da UNASUL.
  Senhor Secretário-Geral,
  A Cúpula entre os países BRICS e a
UNASUL, que realizamos em Brasília, em
julho último, mostra o crescente peso de nossa
região como interlocutor global, por meio do
diálogo e da cooperação. Por isso, tenho certeza
que ao longo dos próximos anos vamos também
diversificar e buscar novas interlocuções.
  Esse processo de consolidação de nossa
agenda	externa	será	fortalecido	com	o
aprofundamento de nossa agenda intrarregional.
Precisamos concentrar-nos na ampliação da
infraestrutura regional. Vamos dar total apoio às
suas propostas de acelerar a execução da agenda
de projetos prioritários do COSIPLAN, bem
como de buscar convergências dos processos de
integração. Concordo com a proposta de escolher
projetos prioritários e sobretudo de realizá-los
para que isso mostre nossa capacidade, nosso
compromisso. E também sirva de referência das
nossas melhores práticas.
  O presidente... O Secretário-Geral Samper,
contará com todo o nosso apoio para fazer

avançar os trabalhos da Secretaria-Geral,
em estreita parceria com a Presidência Pro
Tempore, assumida agora pelo Uruguai.
  Senhoras e Senhores,
  A Unasul entra agora em sua fase mais
desafiadora, aquela que, como disse o
Secretário-Geral, precisa ser sentida pelos
cidadãos em seu dia-a-dia.
  Somos doze países com doze visões de
mundo que representam as experiências e
aspirações de cada uma de nossas sociedades.
Poucos imaginavam que chegaríamos aqui, na
Mitad del Mundo.
  Acredito que não podemos esquecer o
caminho que nos trouxe até aqui. Mas também
temos a partir daqui, da Mitad del Mundo,
construir sistematicamente o caminho do
consenso que dá vida ao nosso lema, ao nosso
lema de convívio democrático fundamental:
unidade na diversidade e no respeito às
características de cada país.
  Queria lembrar que entre as várias
consequências da recente Copa do Mundo de
Futebol no Brasil está o congraçamento entre
nossos povos daAmérica Latina e a importância
deles como um fator de potencialização da
Copa do Mundo. Os milhares e milhares de
torcedores sul-americanos que meu país teve
a honra de receber proporcionaram ao mundo
um espetáculo de amizade e simpatia.
  Recordo aqui as palavras do Secretário-
Geral em nosso encontro em Brasília que
me disse que, quando vai ao Brasil, sente-se,
como dizemos no futebol: jugando de local.
Nós dizemos jogando em casa.
  Nós somos, de fato, uma região única no mundo.
Nós, sul-americanos, falamos uma mesma língua,
ainda que não pareça. Para nós, brasileiros, falamos
uma mesma língua porque nós entendemos muito
bem o castelhano. Por isso que dissemos que,
ainda que não pareça, falamos uma mesma língua.
E quando viajamos pelo continente, como é o caso
de hoje, sempre jugamos de local.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	73


























































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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014










       disCurso da Presidenta da rePúBliCa, dilma rousseff,
durante Cerimônia de aBertura da xlVii CúPula do merCosul
     e estados assoCiados - Paraná, ProVÍnCia de entre rios-
                        argentina, 17 de dezemBro de 2014
                                                                 17/12/2014

                                                                            
                                                                            
                                                                            
                                                                            

  Queria cumprimentar o senhor horacio
Cartes, presidente da República do Paraguai.
  O senhor José Mujica, o nosso querido Pepe
Mujica, presidente da República Oriental do
Uruguai.
  O senhor Nicolás Maduro, presidente da
República Bolivariana da Venezuela.
  Cumprimentar o nosso querido senhor Evo
Morales, presidente do Estado Plurinacional
da Bolívia.
  Queria cumprimentar todas as senhoras e
os senhores ministros de estados e integrantes
das delegações dessa Cúpula do Mercosul e
do Estados Associados.
  Cumprimentar os senhores e as senhoras
jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.
  Eu queria dar uma palavra inicial de
agradecimento à presidente Cristina kirchner
e ao governador Sérgio Urribarri pela acolhida
aqui em Paraná, província de Entre Ríos, onde
a integração é vivida de forma cotidiana.
  Saúdo o empenho da presidência argentina
na condução do Mercosul neste semestre. O
transcurso do tempo só reforça a importância
histórica do bloco na consolidação da ideia
de desenvolvimento compartilhado entre
nossos países e no fortalecimento de nossas
democracias.
   
Neste ano, nós assistimos e vivemos
processos eleitorais vibrantes, disputados com
ampla participação do povo dos nossos países,
uma realidade que há pouco tempo atrás, há
décadas atrás, não era vivida neste continente.
Uruguai, Brasil, Bolívia, Colômbia, todos
esses países passaram por processos eleitorais.
  Essa celebração que nós vivemos da
democracia, nessa região, é algo que
engrandece o Mercosul. Nossas relações
assumiram, nesse novo contexto democrático,
uma dinâmica de cooperação e de propósitos
comuns e de amizade.
  Fizemos do Mercosul a mais abrangente
iniciativa de integração já empreendida na
nossa América Latina, transformamos o
Mercosul em um projeto ambicioso para
alcançar o desenvolvimento econômico com
justiça social e a nossa integração.
  Desde a criação do bloco, o comércio entre
nossos países cresceu mais de doze vezes.
Saltamos de US$ 4,5 bilhões, no nosso início,
para aproximadamente US$ 60 bilhões no
ano passado. Esse crescimento é superior
à evolução do comércio mundial como um
todo. Isso nos coloca em uma situação não
de conforto, mas de desafio. Nós vamos
ter de, nos próximos anos, tomar todas as




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	75




providências no sentido de ampliar essa nossa
relação.
  De outra parte, o Mercosul continua sendo o
principal receptor de Investimento Estrangeiro
Direto na América do Sul como um todo, tendo
sido destino de 62% dos investimentos externos
diretos do continente em 2013.
  No ano passado, nós recebemos, se a
gente considerar o conjunto da América
Latina, quase a metade de todo Investimento
Externo Direto. A força da atratividade
econômica do bloco foi demonstrada durante
a crise internacional: nós passamos de 2% do
investimento externo direto em 2007, portanto
na véspera da crise, para 6%, em 2013, quando
a crise visivelmente se manteve em todo o
mundo, exceto com uma recuperação dos
Estados Unidos.
  Crescemos muito com a adesão da
Venezuela e em breve isso se traduzirá no
aumento da nossa importância por meio da
Bolívia.
  Nosso comércio é de qualidade. Entre
nós não é um comércio em que nós só
enviamos commodities e recebemos produtos
industriais. Entre nós, nós temos um comércio
com expressiva participação de bens e serviços
de alto valor agregado. E o nosso destino
futuro vai ter de ser baseado no reforço e
no aprofundamento dessa tendência. Isso
implicará também na relação entre as nossas
economias, uma relação de compartilhamento
e de continuidade entre diferentes economias
no espaço regional plurinacional. Nós temos,
portanto,	de	trabalhar	ativamente	para
recuperar a fluidez do comércio intrabloco,
buscando soluções conjuntas que permitam
que nós retomemos a trajetória ascendente de
nossas trocas, em um ambiente com regras
claras, assentadas nas disciplinas comerciais do
bloco e no seu aprofundamento. é importante
lembrar que o Mercosul também está cada vez
mais próximo da vida das pessoas.
   
A livre circulação já é uma realidade. Os
cidadãos do Mercosul, eles podem viajar sem
necessidade de vistos ou passaportes e têm
facilidades para residir em qualquer país do
bloco. A decisão de adotar placa única para
identificação de veículos é mais um passo
nessa direção.
  Por outro lado, também, podemos nos
orgulhar: os direitos humanos são tema
permanente de nossa agenda. Ao trabalho
das Altas Autoridades de Direitos humanos,
fórum por nós criado em 2004, somam-
se agora novas iniciativas. Neste mês, foi
instalada a Reunião de Autoridades sobre
Povos Indígenas, criada durante a Presidência
Pro Tempore venezuelana.
  No próximo semestre, sob a
presidência brasileira, estabeleceremos a
Reunião Especializada dos Direitos dos
Afrodescendentes.
  Aproveito a oportunidade para saudar,
também, o brasileiro Paulo Abrão, que
assume, a partir de 1º de janeiro, a Secretaria-
Executiva do Instituto de Políticas Públicas de
Direitos humanos.
  Meus queridos presidentes e companheiros
ministros e de jornada,
  O nosso modelo de desenvolvimento,
como disse a presidente Cristina, foi voltado,
no nosso período, para a inclusão social. Cada
um dos nossos países procurou, na última
década, fortalecer essa parte que é a parte da
justiça social, da distribuição de renda. E isso,
de fato, nós podemos ter certeza que atenuou
os efeitos da crise financeira em 2008, com
políticas que nós voltamos para a defesa
do emprego e da renda e para o combate à
pobreza.
  Porém, nós temos de reconhecer que as
circunstâncias estão hoje mais difíceis. O
próprio crescimento do comércio mundial, é
bom lembrar disso, caiu de 12,8%, em 2010,
para 3%, no ano passado, índice que, segundo




76

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




a OMC, a Organização Mundial do Comércio,
deve se repetir em 2014.
  Nós sabemos que a recuperação da
economia norte-americana não se refletiu
na retomada de seu nível de consumo pré-
crise. A baixa expansão da demanda global,
especialmente nos países europeus, no Japão,
e mesmo a taxa de crescimento na China no
patamar de 7,5% tem provocado, junto com
outros fatores de várias ordens, uma queda no
preço de várias commodities, o que também
afeta a área. Em especial no caso do petróleo,
que atingirá todas as economias da região - de
uma forma diferenciada, é claro - mas atingirá
toda a economia. hoje nós estamos em um
patamar do petróleo, hoje, concretamente no
dia de hoje, em torno de 55 a 58% - é, pode ser
que isso ocorra, mas estou falando hoje entre
US$ 54 e US$ 58 o barril.
  Frente a este cenário mundial, nós temos que
dobrar a nossa aposta na integração regional.
Nós temos de dobrar essa aposta e reforçar
nossas capacidades e nossas alternativas.
  A determinação, eu acredito, de todos
os países, presidentas e presidentes aqui
presentes, eu acho que é clara: fazer do
Mercosul uma região e uma união aduaneira
cada vez mais forte. Fazer do Mercosul um
espaço em que nós possamos compartilhar
infraestrutura, como nós sempre falamos, mas
também reforçar as nossas relações comerciais
e de investimento.
  Na Cúpula da Unasul, há duas semanas
atrás, o Brasil defendeu como ações prioritárias
o aprofundamento da integração. E nós,
parece que todos nós concordamos com isso,
porque também todos os outros presidentes
e presidentas reforçaram isso, integração em
infraestrutura e no avanço das discussões para
diversificar a nossa produção e agregar valor.
Eu creio que esse é o caminho do Mercosul,
sobretudo do Mercosul. E a Presidência Pro
Tempore argentina deu passos concretos

nessa direção. Encontros com empresários
de diversos setores ? setor metalmecânico,
químico, plástico, têxtil, calçadista,
alimentício e de cosméticos, eletrônicos e
de tecnologia da informação ? permitiram a
identificação de oportunidades concretas para
a integração das cadeias produtivas.
  Eu registro aqui um progresso concreto
alcançado no setor de brinquedos, com a
aprovação do Programa de Integração a ser
implementado nos próximos anos, articulando
todos os setores de brinquedos dos nossos
países.
  Aproveito para cumprimentar também o
representante do Mercosul, o alto representante
Ivan Ramalho. No próximo semestre, nós
iremos continuar trabalhando nessa direção.
  Queremos também acelerar os acordos
de complementação econômica com Chile,
a Colômbia, o Equador, o Peru e o México,
intensificando o proveitoso diálogo a ser
desenvolvido cada vez mais com a Aliança do
Pacífico, com a qual tivemos uma corrente de
comércio de US$ 47 bilhões em 2013.
  Não podemos deixar de considerar que
esta é uma corrente expressiva, tanto para
eles quanto para nós. Aumentar o nosso
intercâmbio comercial foi o objetivo também
do esforço que fizemos, e não podemos deixar
de sublinhar, para concluir a oferta comum
do Mercosul e avançar nas negociações
com a União Europeia. Muitos diziam que o
Mercosul seria incapaz de construir este acordo
comum. Pois fomos capazes. Cabe agora a
Bruxelas concluir suas consultas internas para
que possamos definir a data para a troca das
respectivas propostas, uma vez que não se
entrega propostas de forma unilateral, mas
entregamos propostas esperando, no mesmo
momento, recebê-las da parte europeia.
  Um ponto fundamental, eu acredito que vai
estar na presidência Pro Tempore brasileira,
e também na presidência Pro Tempore que




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	77




vai nos seguir, que é a renovação do Fundo
para a Convergência Estrutural do Mercosul,
o Focem, que tem sido uma das grandes
realizações do nosso bloco.
  Nós temos 45 projetos do Focem que
atingem US$ 1,45 bilhão, o Fundo financia,
desde 2005, iniciativas em várias áreas, de
vários países aqui presentes, como energia,
infraestrutura, saneamento, habitação, com
resultados diretos na melhoria de vida das
populações dos países do Mercosul.
  Eu, o Brasil espera e tem certeza que
até o final de 2015 nós possamos renovar
e fortalecer o Focem, essa ferramenta que
tem sido essencial para a nossa integração e
para a redução das assimetrias entre nossas
economias e entre nossos países. Lembremos
que o Focem, ele concluí-se em 2015, final de
2015. Portanto, ao longo do ano de 2015, nós
temos obrigação de discutir a sua renovação
pelo próximo período.
  Presidenta Cristina, minha querida amiga,
  Não poderia deixar de fazer menção à
luta da Argentina por um desfecho justo do
processo de reestruturação de sua dívida
soberana.
  Não podia deixar de manifestar o empenho
que nós temos tido nessa questão relativa aos
chamados fundos abutres. Desde a Cúpula de
Caracas, o Brasil vem reiterando seu apoio
à Argentina em importantes fóruns, como
a ONU - a Assembleia-Geral da ONU -, a
Cúpula dos Brics e a do G-20.
  Nós não podemos aceitar, e acredito que
nenhum destes fóruns, também, que eu me
referi, pode aceitar, que a ação de um grupo de
especuladores prejudique o bem-estar de países
e de povos inteiros, sobretudo, colocando sob
risco um dos elementos fundamentais que são
os acordos soberanos feitos por países para
tratar de questões relativas às dívidas, e isso é
muito importante para todos nós.
  Senhoras	e	senhores	presidentes	e

presidentas do Mercosul e estados convidados,
países convidados.
  é uma satisfação para mim e uma honra
assumir novamente a Presidência Pro Tempore
do Mercosul. No próximo semestre, nós
aprofundaremos as discussões sobre todas as
questões que eu aqui me referi, em especial,
o futuro da união aduaneira, a definição de
estratégia conjunta de inserção internacional,
aperfeiçoamento dos nossos mecanismos
institucionais, em especial o Focem, e nesse
sentido o Brasil vai se empenhar de todas
as formas para que o Mercosul continue
avançando. Eu conto, para tudo isso, com a
ajuda de todos vocês.
  Antes de encerrar, eu quero dirigir-
me, muito especialmente, ao companheiro
Pepe Mujica para manifestar minha alegria
pelo privilégio de tê-lo conhecido e pelo
seu convívio. Minha emoção - e estou me
emocionando, viu, Pepe? - por contar com sua
amizade e meu imenso agradecimento por ter
contado com a sua colaboração.
  Vai se emocionar, sim, Dom Pepe. Seu
legado ultrapassa as fronteiras do Uruguai
e da América Latina, e será sempre fonte
de inspiração para todos nós. Tenho certeza
que o presidente Tabaré continuará trilhando
o mesmo caminho, em prol da unidade e da
prosperidade dos povos do Mercosul.
  Muito obrigada.

   
   

78

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014










atos internaCionais assinados no PerÍodo






  Acordo	sobre	o	Novo	Banco	de
Desenvolvimento (NBD)

  Tratado para o Estabelecimento do Arranjo
Contingente de Reservas dos BRICS (ACR)

  ALADI  Septuagésimo Quinto Protocolo
Adicional ACE-2

  ALADI  Nonagésimo Sétimo Protocolo
Adicional ao ACE-18

  ALADI  Nonagésimo Oitavo Protocolo
Adicional ao ACE-18

  ALADI  Nonagésimo Nono Protocolo
Adicional ao ACE-18

  ALADI		Quinquagésimo	Sétimo
Protocolo Adicional ao ACE-35

  Acordo de Cooperação Técnica entre o
Governo da República Federativa do Brasil e
o Governo da Comunidade da Dominica

  Acordo, por Troca de Notas, sobre Vistos
de Múltiplas Entradas para fins de Turismo
ou Negócios entre a República Federativa do
Brasil e o República do Líbano

  Acordo entre o Governo da República
Federativa do Brasil e o Governo da
República Libanesa sobre Isenção de Vistos

para Portadores de Passaportes Diplomáticos,
Oficiais/Especiais ou de Serviço.

  Memorando de Entendimento para o
Estabelecimento de Consultas Bilaterais entre a
República Federativa do Brasil e a República Libanesa

  Memorando de Entendimento sobre
Consultas Políticas entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo
da República de Fiji

  Declaração do Ministro de Estado da
Defesa da República Federativa do Brasil e
do Diretor do Serviço Federal da Cooperação
Técnico-Militar da Federação da Rússia

  Plano de Ação para a Cooperação Econômica
e Comercial Brasil - Rússia (2014 - 2015)

  Memorando de Entendimento entre o
Governo da República Federativa do Brasil
e o Governo da República da índia sobre
Cooperação na área de Meio Ambiente

  Memorando de Entendimento entre o
Ministério das Relações Exteriores da República
Federativa do Brasil e o Ministério de Negócios
Estrangeiros da República da índia sobre o
Estabelecimento de Mecanismo de Consulta
sobre Assuntos Consulares e de Mobilidade

  Ajuste Complementar entre o Governo da

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	79




República Federativa do Brasil e o Governo
da	República	da	índia	Estabelecendo
Cooperação na Ampliação de uma Estação
Terrestre Brasileira para o Recebimento e
Processamento de Dados de Satélites de
Sensoriamento Remoto Indianos (SRI)

  Acordo entre o Governo da República
Federativa do Brasil e o Governo da República
Popular da China sobre a Facilitação da
Concessão de Vistos para homens de Negócios

  Protocolo Complementar ao Acordo de
Cooperação em Matéria de Defesa entre
o Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo da República Popular da
China, na área de Sensoriamento Remoto,
Telecomunicações e Tecnologia da Informação

  Acordo entre o Governo da República
Federativa do Brasil e o Governo da
República Francesa para o Estabelecimento de
Regime Especial Transfronteiriço de Bens de
Subsistência entre as Localidades de Oiapoque
(Brasil) e St. Georges de L`Oyapock (França)

  Acordo de Cooperação Técnica entre
Governo da República Federativa do Brasil e
o Governo da República do Iêmen

  Memorando de Entendimento entre o
Instituto Rio Branco do Ministério das
Relações Exteriores da República Federativa
do Brasil e o Instituto do Serviço Exterior da
República das Filipinas sobre Cooperação
Mútua para o Treinamento de Diplomatas

  Ajuste	Complementar	ao Acordo	de
Cooperação Técnica, Científica e Tecnológica
entre o Governo da República Federativa
do Brasil e o Governo da República de El
Salvador para a Implementação do Projeto ``
Apoio Técnico para a Consolidação da Rede

de Bancos de Leite humano ``

  Tratado de Extradição entre a República
Federativa do Brasil e a República da áustria

  Acordo sobre Serviços Aéreos entre a
República Federativa do Brasil e o Reino dos
Países Baixos, com Relação a Aruba

  Acordo entre o Governo da República
Federativa do Brasil e o Governo dos
Estados Unidos da América para Melhoria
da Observância Tributária Internacional e
Implementação do FATCA

  Ajuste Complementar ao Acordo Sobre
Cooperação em Matéria de Defesa, Relacionado
à Cooperação no Campo Aeroespacial

  Entendimento Recíproco, por Troca de Notas,
entre o Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo de São Vicente e Granadinas,
para o estabelecimento de Isenção de Vistos para
Nacionais de ambos os Países

  Entendimento Recíproco, por Troca
de Notas, entre o Governo da República
Federativa do Brasil e o Governo da República
da Albânia, para o estabelecimento de Isenção
de Vistos para Nacionais de ambos os Países

  Tratado entre a República Federativa do
Brasil e a Austrália sobre Auxílio Jurídico
Mútuo em Matéria Penal

  Ajuste Complementar ao Acordo de
Cooperação Técnica entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo
da República Argentina, de 9 de abril de
1996, para a Implementação do Projeto ``
Assistência Técnica para a Implementação da
Casa dos Direitos em Jacintinho ``




80

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014










     ComuniCados, notas,
mensagens e informações









 SITUAçãO EM ISRAEL E NA PALESTINA
                            01/07/2014
                               
  O	Governo	brasileiro	condena
veementemente o sequestro e o hediondo
homicídio	de	três	jovens	israelenses
desaparecidos.
  O Brasil solidariza-se com as famílias das
vítimas e conclama todas as partes a respeitarem
suas	obrigações	nos	termos	do	Direito
Internacional e absterem-se de quaisquer atos
que levem à escalada das tensões.
  O	Governo	brasileiro	reitera	que	a
realização da solução de dois Estados, Israel
e Palestina, convivendo em paz e segurança,
requer a pronta retomada do processo de paz
na região, que ponha fim ao ciclo de violência.

    LANçAMENTO DO BRASIL EXPORT
     GUIA DE COMéRCIO EXTERIOR E
     INVESTIMENTO  BRASíLIA, 2 DE
                       JULhO DE 2014
                            02/07/2014
  Os	Ministérios	das	Relações
Exteriores	(MRE),	da	Agricultura,
Pecuária e Abastecimento (MAPA) e do


Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior (MDIC) e a Agência Brasileira de
Promoção de Exportações e Investimentos
(Apex-Brasil) lançam hoje, 2 de julho de 2014,
o Brasil Export  Guia de Comércio Exterior
e Investimento, em cerimônia no Palácio
Itamaraty, em Brasília, com a participação dos
ministros das três pastas.
  O Brasil Export (www.brasilexport.gov.br)
é um site informativo que visa a consolidar os
dados relacionados à busca de novos parceiros
comerciais e de diversificação da pauta de
exportação, bem como a captar investimentos
estrangeiros para o país.
  O Brasil Export favorecerá, igualmente, a
integração entre as equipes, a racionalidade
administrativa e gerencial, além da melhor
difusão de conhecimento em toda a rede
envolvida nesses temas no âmbito do Governo
Federal. O site apresenta versões em três
idiomas (português, inglês e espanhol), com
conteúdos específicos para o público nacional
e externo.


       XXVIII REUNIãO DE CONSULTA
         DE MINISTROS DE RELAçõES

          
          

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	81




       EXTERIORES DA ORGANIzAçãO
        DOS ESTADOS AMERICANOS -
    WAShINGTON, 3 DE JULhO DE 2014
                            02/07/2014
                               
  O Ministro das Relações Exteriores,
Embaixador	Luiz	Alberto	Figueiredo
Machado, participará, em 3 de julho,
em	Washington,	da	XXVIII	Reunião
de Consulta de Ministros de Relações
Exteriores da Organização dos Estados
Americanos (OEA).
  Os Chanceleres dos países membros da
OEA ouvirão apresentação do Ministro da
Economia da Argentina, Axel kicillof, e do
Ministro de Relações Exteriores e Culto da
Argentina, héctor Timerman, sobre o tema:
Reestruturação da dívida soberana: o caso da
Argentina e suas consequências sistêmicas.

      SEQUESTRO E ASSASSINATO DE
PALESTINO EM JERUSALéM ORIENTAL
                            03/07/2014
                               
  O Governo brasileiro manifesta forte
repúdio ao sequestro e assassinato de jovem
palestino vitimado em Jerusalém Oriental
ocupada e expressa sua solidariedade à família
da vítima.
  Ao	externar	profunda	preocupação
com a possibilidade de o assassinato do
jovem palestino ter caráter retaliatório aos
assassinatos dos três jovens israelenses, o
Governo brasileiro sublinha a necessidade
de que os responsáveis sejam trazidos
prontamente à justiça.
  O Governo brasileiro reitera que a solução
de dois Estados, Israel e Palestina, convivendo
em paz e segurança, requer a pronta retomada
do processo de paz na região, que ponha fim
ao ciclo de violência.
       
VISITA AO BRASIL DO MINISTRO
       DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS
    DA REPúBLICA DO CAzAQUISTãO,
   ERLAN IDRISSOV - BRASíLIA E SãO
    PAULO, 2 E 3 DE OUTUBRO DE 2013
                            04/07/2014
                               
  O Ministro dos Negócios Estrangeiros da
República do Cazaquistão, Erlan Idrissov,
realizará visita a Brasília, em 2 de outubro
de 2013, ocasião em que será recebido pelo
Ministro Luiz Alberto Figueiredo Machado.
  Os dois Chanceleres examinarão o
fortalecimento da cooperação bilateral em
áreas como agricultura, energia e mineração,
esportes, turismo, cultura e intercâmbio entre
academias diplomáticas, além de formas de
intensificar e diversificar os fluxos bilaterais
de comércio e de investimentos. Avaliarão,
ainda, seus respectivos cenários regionais e
discutirão temas da agenda internacional de
mútuo interesse.
  O Chanceler cazaque presidirá,
acompanhado pelo Chanceler brasileiro,
a cerimônia oficial de inauguração da
Embaixada do Cazaquistão em Brasília, a
primeira do país na América Latina. No dia 3 de
outubro, o Ministro Erlan Idrissov participará,
acompanhado de delegação empresarial, de
seminário em São Paulo, na sede da FIESP.
  O comércio bilateral cresceu
expressivamente nos últimos dez anos,
evoluindo de US$ 18 milhões, em 2004, para
US$ 200 milhões em 2012.

      VISITA AO BRASIL DO MINISTRO
     DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS E
   EMIGRANTES DO LíBANO, GEBRAN
     BASSIL  9 A 14 DE JULhO DE 2014
                            09/07/2014

                               
                               

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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




  O Ministro das Relações Exteriores,
Embaixador	Luiz	Alberto	Figueiredo
Machado, receberá, em 10 de julho, o Ministro
dos Negócios Estrangeiros e Emigrantes do
Líbano, Gebran Bassil, em visita oficial ao
Brasil.
   No encontro, serão revistos os principais
temas da agenda bilateral, em especial aqueles
relativos ao fortalecimento do intercâmbio
comercial, cooperação na área humanitária,
a atuação brasileira na Força Interina das
Nações Unidas no Líbano (UNIFIL), além de
temas regionais de mútuo interesse, como a
crise na Síria e seus desdobramentos sobre o
Líbano.
  O Chanceler Bassil também manterá
encontros com outros Ministros de Estado e
com o Senhor Vice-Presidente da República,
além de manter agenda com autoridades e
representantes da sociedade civil em São
Paulo e Rio de Janeiro.
  Brasil	e	Líbano	mantêm	relações
diplomáticas desde 1944, tendo a corrente de
comércio, em 2013, atingido mais de US$ 360
milhões. O Brasil conta, em sua sociedade,
com numerosa diáspora libanesa, a qual se faz
representar em diversos setores do País.

   ATOS ASSINADOS POR OCASIãO DA
  VISITA DO MINISTRO DOS NEGóCIOS
   ESTRANGEIROS E EMIGRANTES DO
 LíBANO, GEBRAN BASSIL  BRASíLIA,
                 10 DE JULhO DE 2014
                            10/07/2014
                               
  Durante a visita a Brasília do Ministro de
Relações Exteriores do Líbano, os dois países
assinaram acordos para isenção de vistos
para turismo ou negócios e para passaportes
diplomáticos, oficiais ou de serviço. Também
foi assinado acordo para o estabelecimento de

consultas bilaterais entre os dois países. Leia
abaixo a íntegra dos acordos:
  Memorando de Entendimento para o
Estabelecimento de Consultas Bilaterais entre
a República Federativa do Brasil e a República
Libanesa
  Acordo por Troca de Notas sobre Vistos de
Múltiplas Entradas para fins de turismo ou de
negócios
  Acordo entre o Governo da República
Federativa do Brasil e o Governo da
República Libabesa sobre a Isenção de Vistos
para portadores de Passaportes Diplomáticos,
Oficiais/Especiais ou de Serviço
  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
PARA O ESTABELECIMENTO DE
CONSULTAS BILATERAIS ENTRE A
REPúBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E
A REPúBLICA LIBANESA
  A República Federativa do Brasil, neste
ato representada pelo Ministro de Estado das
Relações Exteriores,
  e
  A República Libanesa, representada neste
ato pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros
e Emigrantes
  (doravante denominados Partes)
  Desejando fortalecer as tradicionais
relações bilaterais e de cooperação
  por meio do estabelecimento de um
mecanismo de consultas políticas;
  Reconhecendo a importância de promover o
diálogo sobre temas regionais e internacionais
de interesse comum dos dois países; e
  Reafirmando os princípios e propósitos
da Carta das Nações Unidas, e os princípios
de igualdade, respeito à soberania, não
interferência em assuntos internos e
reciprocidade,
  Chegaram ao seguinte entendimento:
  Artigo 1
  As Partes regularmente manterão consultas
sobre temas bilaterais e trocarão opiniões




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	83




sobre temas regionais e internacionais de
interesse comum.
  Artigo 2
  As consultas serão realizadas no Brasil e
no Líbano, alternadamente.
  Artigo 3
  As consultas serão realizadas em nível a
ser acordado entre as Partes.
  Artigo 4
  As Partes deverão determinar previamente,
por via diplomática, agenda, data e local das
consultas.
  Artigo 5
  Este Memorando de Entendimento não
cria obrigações legalmente vinculantes para
as Partes.
  Artigo 6
  1. O presente Memorando de Entendimento
entrará em vigor quando do recebimento da
última notificação pela qual uma Parte informa
a outra, quando pertinente, do cumprimento
dos procedimentos legais necessários para sua
entrada em vigor.
  2. Este Memorando de Entendimento
permanecerá vigente pelo período de um ano
e será automaticamente renovado por iguais
períodos adicionais, até que uma das Partes
denuncie-o, por escrito, por via diplomática.
A denúncia surtirá efeito três (3) meses após
a confirmação de recebimento da notificação
escrita.
  3. As Partes poderão, a qualquer tempo,
emendar	o	presente	Memorando	de
Entendimento por consentimento mútuo a ser
expresso por via diplomática.
  4.	Qualquer	controvérsia	relativa	à
interpretação ou à implementação deste
Memorando de Entendimento será resolvida
por negociação direta entre as Partes.
  Assinado em Brasília, em 10 de julho de
2014 em duplicata, em português, árabe e
inglês, sendo todos os textos igualmente
autênticos. Em caso de divergência de

interpretação, o texto em inglês prevalecerá.
  ACORDO POR TROCA DE NOTAS
SOBRE VISTOS DE MúLTIPLAS
ENTRADAS PARA FINS DE TURISMO OU
DE NEGóCIOS
  A Sua Excelência o Senhor
  Gebran Bassil, Ministro dos Negócios
Estrangeiros da República do Líbano
  Excelência,
  Tenho a honra de referir-me aos vistos de
turista e de negócios de múltiplas entradas
concedidos em nossos países e, a propósito,
informar Vossa Excelência de que, sob
requerimento apropriado, as Repartições
Consulares brasileiras expedirão, para
nacionais libaneses que pretendam viajar ao
Brasil para fins de turismo ou de negócios,
vistos de múltiplas entradas válidos por até
3 (três) anos, para um período autorizado
de estada que não exceda 90 (noventa) dias,
renováveis se necessário, desde que a duração
total da estada não exceda 180 (cento e oitenta)
dias por ano, a contar da data da primeira
entrada e em conformidade com as regras e os
regulamentos de cada Estado.
  2. Com vistas a facilitar as viagens
de nacionais de ambos os países, muito
agradeceria fossem as Repartições Consulares
da República do Líbano igualmente
autorizadas a expedir vistos de longa duração
a nacionais brasileiros em viagem de turismo
ou de negócios ao território do Líbano.
  3. Se esses arranjos forem aceitáveis para
Vossa Excelência, tenho a honra de propor
que a presente Nota e a Nota de resposta de
Vossa Excelência constituam um Acordo entre
o Governo da República Federativa do Brasil
e o Governo da República do Líbano, a entrar
em vigor no 31º (trigésimo primeiro) dia após
a data de recebimento da Nota de resposta de
Vossa Excelência.
  Aproveito a oportunidade para renovar a
Vossa Excelência os protestos de minha mais




84

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




alta consideração.
  Luiz Alberto Figueiredo Machado
  Ministro de Estado das Relações Exteriores
da República Federativa do Brasil
  ACORDO ENTRE O GOVERNO DA
REPúBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E
O GOVERNO DA REPúBLICA LIBANESA
SOBRE A ISENçãO DE VISTOS PARA
PORTADORES	DE	PASSAPORTES
DIPLOMáTICOS, OFICIAIS/ ESPECIAIS
OU DE SERVIçO
  O Governo da República Federativa do
Brasil
  e
  O Governo da República Libanesa
  (doravante denominados Partes),
  Animados pela vontade de estreitar as
relações de amizade e cooperação entre os dois
países no respeito dos princípios de soberania,
de reciprocidade e de não ingerência nos
negócios internos e no interesse comum das
Partes e conforme as leis e regras em vigor
nos dois países,
  Reconhecendo a necessidade de facilitar
o acesso de seus cidadãos portadores de
passaportes diplomáticos, oficiais/ especiais
ou de serviço no território da outra Parte,
  Acordaram que:
  ARTIGO 1
  Os cidadãos de cada Parte, portadores de
passaportes diplomáticos, oficiais/ especiais
ou de serviço válidos não acreditados no
território da outra parte, podem entrar,
transitar e permanecer no território da outra
parte e sair sem visto durante no máximo
noventa (90) dias a contar da data de entrada
nesse território.
  ARTIGO 2
  O prolongamento do prazo de estada
tratado no artigo 1 desse acordo poderá ser
concedido pelas autoridades competentes do
Estado acreditado mediante solicitação escrita
da missão Diplomática ou Representação

consular do Estado acreditante.
  ARTIGO 3
  Os cidadãos das Partes, portadores de
passaportes diplomáticos, oficiais/ especiais
ou de serviço válidos, membros de missões
diplomáticas, ou representações consulares
acreditados no território da outra Parte,
assim como os membros de suas famílias que
residem com eles, portadores de passaportes
diplomáticos, oficiais/ especiais ou de serviço,
podem entrar, transitar, permanecer e sair do
território da outra Parte sem visto durante todo
o período de sua missão, desde que tenham
cumprido as exigências de acreditamento da
outra Parte.
  ARTIGO 4
  Os cidadãos de uma Parte mencionados
nesse acordo podem entrar, transitar e sair do
território da outra Parte por todos os pontos
de fronteiras abertos ao tráfego internacional.
  ARTIGO 5
  Os cidadãos de cada Parte devem, durante
sua estada no território da outra Parte, respeitar
a legislação em vigor.
  ARTIGO 6
  O presente Acordo não interfere no direito
de cada Parte de recusar a entrada ou de
encurtar a estada de um cidadão da outra
Parte quando a sua presença no território for
julgada indesejável, ou por razões relativas à
segurança pública, à ordem pública ou à saúde
pública.
  ARTIGO 7
  1. As partes intercambiarão, por via
diplomática, espécimes de seus passaportes
diplomáticos, oficiais/ especiais ou de serviço
em vigor em não mais do que trinta (30) dias
da assinatura deste Acordo.
  2. Caso haja introdução de novos
passaportes ou modificação dos passaportes
existentes, as Partes deverão enviar, por via
diplomática, os espécimes de seus novos
passaportes, acompanhados de uma descrição




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	85




detalhada sobre seu uso e finalidade, em não
mais do que trinta (30) dias antes de sua
aplicação.
  ARTIGO 8
  Em caso de perda de um passaporte
supramencionado no território da outra Parte,
o cidadão envolvido deverá sair do território
da outra Parte munido de um novo documento
de viagem emitido pela missão diplomática ou
pela representação consular de seu país.
  ARTIGO 9
  Cada uma das partes pode suspender,
totalmente ou parcialmente, a aplicação deste
Acordo por razões de segurança, de saúde ou
de ordem pública. A introdução ou anulação
destas medidas será notificada a outra parte,
de imediato, pela via diplomática.
  ARTIGO 10
  1. Este Acordo será válido por tempo
indeterminado e entrará em vigor 30 (trinta)
dias após o recebimento da segunda nota
diplomática em que uma Parte informa
a outra do cumprimento dos respectivos
requerimentos legais para sua entrada em
vigor.
  2. Qualquer modificação neste Acordo
deverá ser introduzida depois da negociação
e de comum acordo das partes, pela via
diplomática. As modificações entrarão em
vigor conforme os termos do parágrafo 1
deste artigo.
  3. Ambas as Partes podem notificar a outra
Parte, pela via diplomática, da sua intenção de
denunciar este Acordo. A denúncia do Acordo
terá efeito (90) dias da data de notificação.
  Feito em Brasília, 10 de julho de 2014,
em dois exemplares originais, nos idiomas
Português e Francês, sendo ambos os textos
igualmente autênticos.

    ATOS ASSINADOS POR OCASIãO DA
  VISITA AO BRASIL DO PRESIDENTE DA
    
FEDERAçãO DA RúSSIA, VLADIMIR
PUTIN  BRASíLIA, 14 DE JULhO DE 2014
                            15/07/2014
                               
  PLANO DE AçãO  PARA A
COOPERAçãO   ECONôMICA   E
COMERCIAL BRASIL-RúSSIA (2014-
2015)
  DECLARAçãO DO MINISTRO DE
ESTADO DA DEFESA DA REPúBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E DO
DIRETOR DO SERVIçO FEDERAL DE
COOPERAçãO TéCNICO-MILITAR DA
FEDERAçãO DA RúSSIA
  MEMORANDO ENTRE O SERVIçO
ADUANEIRO FEDERAL (FEDERAçãO
RUSSA) E A SECRETARIA DA RECEITA
FEDERAL DO MINISTéRIO  DA
FAzENDA (REPúBLICA FEDERATIVA
DO BRASIL) EM INTERCâMBIO DE
DADOS ESTATíSTICOS DO COMéRCIO
BILATERAL
  BILATERAL          AVIATION
CONSULTATIONS BETWEEN ThE
CIVIL AVIATION AUThORITIES OF ThE
FEDERATIVE REPUBLIC OF BRAzIL
AND OF ThE RUSSIAN FEDERATION
(somente em inglês)
  Além desses atos  cuja íntegra dos textos
segue abaixo , foram também assinados os
seguintes acordos:
  a) MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
PARA O ESTABELECIMENTO DE
ESTAçãO DO SISTEMA GLONASS
NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE
SANTA MARIA E MEMORANDO
DE ENTENDIMENTO PARA O
ESTABELECIMENTO DE ESTAçãO DO
SISTEMA GLONASS NO INSTITUTO
TECNOLóGICO DE PERNAMBUCO
  Esses acordos estipulam a instalação, nas
áreas da Universidade de Santa Maria e do
Instituto Tecnológico de Pernambuco, de




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




estações de calibração do sistema de navegação
por satélite de tecnologia russa GLONASS,
que permitirá melhor definição de imagem
do sistema russo no hemisfério ocidental.
Os acordos preveem troca de informações
técnicas e científicas obtidas durante o uso das
estações. A primeira estação de calibragem do
sistema GLONASS (equivalente ao sistema
GPS) em território sul-americano foi instalado
em 2013, na Universidade de Brasília.
  b)	PROTOCOLO	DE	INTENçõES
ENTRE A PETROBRAS, A hRT E A
ROSNEFT PARA O ESTUDO DE OPçõES
DE MONETIzAçãO DE GáS NO âMBITO
DO PROJETO SOLIMõES
  O	Protocolo	estipula	que	as	Partes
continuarão	o	estudo	conjunto	para	a
monetização do gás (marketing, logística,
infraestrutura eficiente) através da consulta
a potenciais consumidores, distribuidoras de
gás natural, prestadores de serviços, entidades
governamentais e terceiros interessados. O
Estudo deve incluir duas alternativas para a
monetização do gás no âmbito do PROJETO
SOLIMõES: (a) Gás Natural Liquefeito como
a primeira opção, com prioridade sobre a outra;
e (b) Geração de energia, com a possibilidade
de serem utilizadas em conjunto.
  c) MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE A EMPRESA FEDERAL ESTATAL
UNITáRIA	(EFEU);	UNIVERSIDADE
DE PESQUISA CIENTíFICA DE SãO
PETERSBURGO DE VACINAS E SOROS
JUNTO	à	AGêNCIA	FEDERAL	DE
MEDICINA E BIOLOGIA DA RúSSIA; E O
INSTITUTO BUTANTAN
  O acordo prevê a cooperação entre as
referidas instituições russas e o Instituto
Butantan na implementação de projetos
científicos e industriais no desenvolvimento
de medicamentos imunobiológicos para a
prevenção de infecções virais e outras drogas,
bem como estabelece princípios, termos e

condições para a referida cooperação.
  PLANO DE AçãO  PARA A
COOPERAçãO   ECONôMICA   E
COMERCIAL BRASIL-RúSSIA (2014-
2015)
  1 - Tendo em vista as diretrizes do
Comunicado Conjunto da Presidenta da
República Federativa do Brasil, Dilma
Rousseff, e do Presidente da Federação da
Rússia, Vladimir Vladimirovich Putin, e do
Plano de Ação da Parceria Estratégica entre a
República Federativa do Brasil e a Federação
da Rússia: Próximos Passos, firmados em 14
de dezembro de 2012, por ocasião da Visita
Oficial à Rússia da Excelentíssima Senhora
Dilma Rousseff, Presidenta da República
Federativa do Brasil;
  E considerando o Comunicado Conjunto
da VI Reunião da Comissão Brasileiro-Russa
de Alto Nível, firmado pelo Excelentíssimo
Senhor Michel Temer, Vice-Presidente
da República Federativa do Brasil, e pelo
Excelentíssimo Senhor Presidente de Governo
da Federação da Rússia, Dmitry Medvedev,
em Brasília, a 20 de fevereiro de 2013;
  As Partes, no âmbito da Comissão
Intergovernamental Rússia-Brasil de
Cooperação Econômica, Comercial Científica
e Tecnológica, com o propósito de impulsionar
o intercâmbio comercial bilateral à cifra de
US$ 10 bilhões, acordaram o que se segue:
  1. No âmbito do diálogo governamental
e institucional, as Partes determinaram o
seguinte:
  1.1 Atribuir importância fundamental à
Comissão Intergovernamental Brasil-Rússia
de Cooperação Econômica, Comercial,
Científica e Tecnológica (CIC) como
mecanismo privilegiado para a negociação,
consolidação e implementação de projetos
que tenham como objetivo impulsionar o
intercâmbio comercial e de investimentos
bilateral;




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	87




   1.2 Discutir a possível criação de um
Fórum Econômico Brasil-Rússia, a realizar-se
alternadamente em um e outro país, em data
coincidente à reunião da CIC;
  1.3 Realizar reuniões regulares de grupos
de trabalho da CIC, pelo menos uma vez ao
ano;
  1.4 Realizar a IX Reunião da CIC, em data
a ser acordada, em Sochi ou em outra cidade
da Rússia;
  1.5 Realizar o monitoramento e a análise
de resultados do presente plano nas reuniões
da CIC;
  1.6 Fomentar a participação de associações
empresariais do Brasil e da Rússia nas
atividades da CIC;
  1.7	Reconhecer	a	importância	dos
Conselhos	Empresariais	Rússia-Brasil	e
Brasil-Rússia como plataforma para promover
e intensificar contatos entre as comunidades
empresariais dos dois países.
  2. Com vistas a ampliar o quadro jurídico
bilateral, as Partes fomentarão as negociações
dos seguintes acordos e ações na esfera da
cooperação econômica e comercial:
  2.1 Memorando entre o Serviço Federal
Alfandegário da Federação Russa e a Receita
Federal da República federativa do Brasil
sobre a Troca de Dados Estatísticos a Respeito
do Comércio Bilateral entre a Rússia e o
Brasil;
  2.2 Protocolo entre o Serviço Federal
Alfandegário da Federação Russa e a Receita
Federal da República Federativa do Brasil
sobre Intercâmbio de Informações Prévias
a Respeito dos Valores Alfandegários das
Mercadorias Transladas entre a Rússia e o
Brasil no âmbito do projeto Corredor Verde.
  2.3 Acordo de Serviços Aéreos entre os
Governos da República Federativa do Brasil
e a Federação da Rússia (ASA).
  3.	Com	o	objetivo	de	incrementar
mecanismos financeiros que garantam o

apoio necessário para o desenvolvimento e
dinamização do comércio e dos investimentos
entre Brasil e Rússia, as Partes decidiram:
  3.1 Dar continuidade às reuniões da
Subcomissão de Cooperação Interbancária
e Financeira, com o objetivo de ampliar as
relações de cooperação e o conhecimento
das especificidades dos sistemas financeiros
do Brasil e da Rússia, bem como estimular
o contato direto entre bancos comerciais
dos dois países visando ao financiamento de
operações de comércio bilateral;
  3.2 Ampliar o diálogo e o intercâmbio de
informações entre os Bancos Centrais dos dois
países, fomentando consultas e seminários
sobre conjuntura e temas de interesse comum
tratados em fóruns internacionais;
  3.3 Continuar a fortalecer a cooperação
entre o Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social do Brasil (BNDES) e
o Banco de Desenvolvimento e Comércio
Exterior da Rússia (Vneshekonombank).
  4. Com o objetivo de promover contatos
diretos entre empresários da Rússia e do
Brasil, inclusive em nível regional, de prestar
informações sobre o ambiente de negócios em
ambos os países e de promover projetos de
cooperação bilateral, as Partes determinaram
a realização das seguintes atividades:
  4.1 Videoconferência sobre cooperação
na produção de energia elétrica e de energias
renováveis;
  4.2 Videoconferências sobre o ambiente
de negócios em ambos os países com a
participação da Confederação Nacional das
Indústrias do Brasil e da Câmara de Comércio
e Indústria da Federação Russa;
  4.3 Videoconferência sobre cooperação
entre os clusters e plataformas de tecnologia
russos e brasileiros;
  4.4 Consultas sobre cooperação na área de
uso pacífico de energia nuclear;
  4.5 Missão empresarial russa do setor de

   
   

88

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




Tecnologias da Informação (TI) no período
da realização da feira FUTURECOM, em São
Paulo;
  4.6 Missão de empresas russas ao Brasil
interessadas em participar do Plano Nacional
de Logística e Transporte (PNLT) e também
do Programa de Investimentos em Logística
(PIL);
  Parágrafo único: As Partes comprometem-
se a trocar regularmente informações sobre
a realização de feiras, seminários, eventos e
missões empresariais de interesse mútuo.
  5. As Partes reconheceram a importância da
cooperação no setor agropecuário e da pesca
na pauta comercial bilateral, manifestaram
satisfação pelo bom diálogo existente na área
agrícola e reconheceram a necessidade de
intensificar a cooperação já existente. Ainda
sobre o setor agropecuário e da pesca, as
Partes acordaram o seguinte:
  5.1 Tomar as medidas necessárias para
aumentar o volume e diversificar a pauta
bilateral, sem prejuízo dos fluxos tradicionais
de produtos do setor. As Partes incentivarão
investimentos mútuos na área e a superação
de obstáculos ao comércio bilateral;
  5.2Aprimorar o intercâmbio de informações
técnicas, visando à equivalência entre os
serviços sanitários do Brasil e da Rússia;
  5.3 Reiterar o seu compromisso de cumprir
as regras multilaterais de comércio e de
observar as recomendações das organizações
internacionais de referência;
  5.4 Reforçar a cooperação no setor da
pesca e aquicultura, inclusive fomentando o
intercâmbio comercial e investimentos nessa
área.
  6. As Partes identificaram as seguintes
ações como promissoras para o incremento da
cooperação econômico-comercial no setor de
energia:
  6.1. Aumento da presença de empresas
russas no setor brasileiro de petróleo e gás,

bem como apoio à presença de empresas
brasileiras no mercado russo de petróleo e gás;
  6.2 Desenvolvimento de projetos
promissores nas áreas de prospecção e
exploração de reservas de gás natural e de
produção de GNL com a participação de
empresas russas e brasileiras;
  6.3 Participação conjunta de empresas
russas e brasileiras em projetos de construção
de novos complexos energéticos, assim como
na modernização dos complexos já existentes
no Brasil;
  6.4 Maior participação no mercado russo de
empresas brasileiras fornecedoras de motores
elétricos de alta eficiência energética;
  6.5 Cooperação no âmbito do Memorando
de Entendimento entre a Companhia Estatal
ROSATOM e a Comissão Nacional de
Energia Nuclear do Brasil de 21 de julho de
2009.
  7. As Partes identificaram as seguintes
oportunidades de projetos conjuntos no setor
de inovação e de alta tecnologia:
  7.1 Desenvolvimento e uso no Brasil do
complexo de serviços e tecnologias do sistema
de navegação por satélite GLONASS;
  7.2 Cooperação entre empresas brasileiras
e russas na área de desenvolvimento de
softwares;
  7.3 Atração de empresas brasileiras de alta
tecnologia na qualidade de residentes das
zonas econômicas especiais da Federação da
Rússia, bem como a instalação de empresas
russas de alta tecnologia em zonas de
Processamento de Exportação e em parques
tecnológicos brasileiros;
  7.4 Cooperação entre a Fundação
«Skolkovo» e o Ministério da Ciência,
Tecnologia e Inovação do Brasil e/ou parques
tecnológicos brasileiros;
  7.5 Promoção, no mercado brasileiro, de
equipamentos russos para o monitoramento
dos limites de superfície do mar e do nível




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	89




das águas, para rastreamento de aeronaves
de pequeno porte, para controle de fronteiras,
para segurança da navegação marítima e
aérea, para combate ao tráfico de drogas e à
pesca ilegal.
  8. As Partes identificaram as seguintes
oportunidades para o desenvolvimento da
cooperação no setor de aeronáutica civil:
  8.1 Análise de possibilidade da utilização
de blocos, equipamentos e componentes
produzidos por empresas de ambos os países
em projetos na área de aviação civil.
  8.2 Troca de experiências com o Serviço
Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas	(SEBRAE)	sobre	apoio	a
fornecedores da indústria da aviação.
  8.3 Fornecimento de aeronaves brasileiras
ao mercado russo.
  8.4 Promoção de helicópteros e respectivos
equipamentos russos no Brasil.
  8.5 Abertura de empresa no Brasil para
a produção de equipamentos destinados
aos centros de manutenção de helicópteros
fabricados com tecnologia russa.
  9. As Partes identificaram as seguintes
oportunidades	no	setor	de	indústria
farmacêutica:
  9.1	Desenvolvimento	e	produção	de
substâncias farmacêuticas com base em
anticorpos monoclonais e a criação de um
centro conjunto de biotecnologia no Estado do
Paraná, a partir de cooperação com empresas
russas;
  9.2	Cooperação	científica	para	o
desenvolvimento	de	novos	fármacos
com ingredientes naturais e de animais
peçonhentos;
  9.3 Cooperação entre empresas russas
e brasileiras para o desenvolvimento de
cosméticos com ingredientes naturais e
nanotecnológicos.
  10. As Partes reconhecem o vasto potencial
da cooperação no setor de turismo, sobretudo,

levando em consideração a entrada em vigor
do Acordo entre o Governo da Federação da
Rússia e o Governo da República Federativa
do Brasil para a Isenção de Vistos de Curta
Duração para Nacionais da Federação da
Rússia e da República Federativa do Brasil,
e fomentarão o incremento do fluxo turístico
bilateral por meio das seguintes ações:
  10.1 Promoção da participação de empresas
brasileiras e russas em feiras comerciais e
eventos de promoção de investimentos nos
dois países;
  10.2 Aproximação das comunidades
empresariais russo-brasileiras do ramo
turístico por meio de apoio a eventos temáticos,
seminários, fóruns, conferências e visitas de
operadores turísticos especializados;
  10.2.1 Videoconferência sobre as
perspectivas de incremento do fluxo turístico
bilateral entre os dois países;
  10.3 Apoio ao reestabelecimento de ligação
aérea direta entre o Brasil e a Rússia.
  O presente Plano de Ação não é um tratado
internacional e não cria direitos e obrigações
no âmbito do Direito Internacional.
  Assinado em Brasília, em 14 de julho de
2014, em dois originais, nos idiomas português
e russo, sendo ambos os textos igualmente
autênticos.
  DECLARAçãO DO MINISTRO DE
ESTADO DA DEFESA DA REPúBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E DO
DIRETOR DO SERVIçO FEDERAL DE
COOPERAçãO TéCNICO-MILITAR DA
FEDERAçãO DA RúSSIA
  No contexto da visita do Presidente da
Federação Russa, Vladimir Putin ao Brasil,
o Ministro de Estado da Defesa da Defesa
da República Federativa do Brasil, Celso
Amorim, e o Diretor do Serviço Federal
de Cooperação Técnico-Militar da Rússia,
Alexander Vasilievich Fomin, examinaram
o estágio das tratativas bilaterais relativas




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




ao desenvolvimento da cooperação técnico-
militar russo-brasileira na área da defesa
antiaérea.
  As Partes tomaram nota dos resultados
alcançados até o momento no tocante ao
projeto de aquisição pelo Brasil do sistema
Pantsir-S1.
  Em particular, saudaram o convite para a
participação dos representantes das Forças
Armadas do Brasil, como observadores, nos
exercícios das Forças Armadas da Rússia com
uso real do sistema Pantsir-S1, no período de
28 de agosto a 2 de setembro, no campo de
provas do Ministério da Defesa da Rússia, na
Federação Russa.
  As Partes orientaram suas respectivas
equipes a darem continuidade às tratativas
técnicas e aos estudos detalhados, com o
objetivo de avançar na possível assinatura dos
contratos em breve prazo.
  Coincidiram que a cooperação técnico-
militar no projeto do sistema Pantsir -S1 tem
o potencial de construir a base de aliança
tecnológica entre os dois países na produção
de modernos sistemas de defesa.
  As Partes reafirmaram que os princípios que
orientam esta cooperação são a transferência
irrestrita de tecnologia e o estabelecimento de
parcerias industriais efetivas.
  Esta Declaração foi assinada na cidade
de Brasília, em 14 de julho de 2014, em dois
exemplares, em Russo e em Português.
  MEMORANDO ENTRE O SERVIçO
ADUANEIRO FEDERAL (FEDERAçãO
RUSSA) E A SECRETARIA DA RECEITA
FEDERAL	DO	MINISTéRIO	DA
FAzENDA (REPúBLICA FEDERATIVA
DO BRASIL) EM INTERCâMBIO DE
DADOS ESTATíSTICOS DO COMéRCIO
BILATERAL
  1 - O Serviço Aduaneiro Federal (Federação
Russa) e a Secretaria da Receita Federal do
Ministério da Fazenda (República Federativa

do Brasil) (doravante referidos como as
Partes);
  Reconhecendo que a cooperação na esfera
das estatísticas do comércio bilateral deve
ter por objetivo o desenvolvimento de um
sistema estatístico eficaz, a comparabilidade
de informações dos dados estatísticos, a
disponibilização no devido tempo de dados
estatísticos confiáveis a fim de fornecer
assistência e administrar o monitoramento
da cooperação econômica entre a Federação
Russa e a República Federativa do Brasil, e
prestar assistência no desenvolvimento das
relações comerciais e econômicas,
  Levando em consideração a necessidade de
organizar um intercâmbio apropriado de troca
mútua de informações estatísticas através da
criação e/ou uso de banco de dados,
  Chegaram ao seguinte entendimento:
  I. âmbito
  Tendo em vista a implementação deste
Memorando, as Partes cooperarão na esfera
do intercâmbio de informações sobre suas
metodologias de estatísticas do comércio
exterior, mudanças significativas em tais
metodologias, bem como o intercâmbio de
dados estatísticos do comércio bilateral,
exceto dados relacionados a informações
classificadas ou informações contendo
segredo de estado ou segredo comercial.
  II. Propósitos
  Os propósitos do intercâmbio de
informações sobre metodologias de estatísticas
do comércio exterior utilizadas, assim como
o intercâmbio de dados estatísticos sob
este Memorando, renderão informações
necessárias sobre o comércio bilateral entre as
Partes.
  III. Dados estatísticos
  1. Dados estatísticos fornecidos sob este
Memorando serão a lista detalhada de dados
do comércio bilateral em conformidade com
o formato dado no Anexo 1, que é uma parte




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	91




inseparável deste Memorando.
  2. A forma da disposição das informações
fornecidas será um arquivo DBF ou MDB,
e será utilizada a tabela de símbolos ASCII
(Código padrão americano para intercâmbio
de informações).
  3. Correio eletrônico, arquivo MBD ou
CDs serão os meios para o intercâmbio de
dados.
  IV. Procedimento
  1. As Partes intercambiarão dados em uma
base gratuita. A Parte Russa irá fornecer à Parte
Brasileira de acordo com a lista de indicadores
do comércio exterior fornecidos no Anexo
1 deste Memorando. A Parte Brasileira irá
fornecer à Parte Russa de acordo com a lista de
indicadores de comércio exterior fornecidos
no anexo 2 deste Memorando.
  2.	Dados	serão	intercambiados	todo
quadrimestre	mediante	ferramentas
informáticas adequadas conforme o seguinte:
  - As Partes fornecerão uma à outra,
mutualmente,	os	dados	do	trimestre
correspondente, o mais tardar no 70º dia após
o final do período correspondente.
  - Separadamente, as Partes fornecerão,
uma à outra, os números anuais finais, o mais
tardar no 120º dia após o término do ano de
referência.
  Adicionalmente, a cada ano ou de acordo
com a renovação, as Partes fornecerão as
seguintes informações à outra:
  - nomenclatura de mercadorias em 6
dígitos,
  - códigos das unidades de medida principais
e suplementares,
  - livro de referência de correspondência
com os códigos das nomenclaturas de
mercadorias e os códigos das unidades de
medida principais e suplementares.
  3. As Partes intercambiarão informações
sobre suas metodologias de estatísticas do
comércio exterior. No caso de mudanças em

metodologias utilizadas nas estatísticas do
comércio exterior, as Partes devem informar
uma à outra sobre estas mudanças.
  4. Dados recebidos pelas Partes serão
utilizados, principalmente, para os propósitos
deste Memorando. Qualquer outra inclusão por
uma das Partes dos dados acima mencionados,
em suas publicações destinadas à circulação
subsequente, exigirá prévio consentimento
por escrito da outra Parte e uma referência
adequada no texto da publicação.
  5. A correspondência entre as Partes, no
âmbito da realização deste Memorando, será
realizada em inglês.
  V. Resolução de problema
  1. Contatos de trabalho entre as Partes
serão apoiados através de seus representantes
especialmente designados e mencionados
no Anexo 3 deste Memorando, que é parte
essencial deste Memorando.
  As Partes, sem demora, informarão uma
à outra quaisquer mudanças das informações
mencionadas no Anexo 3.
  2. Quaisquer questões discutíveis relativas
a aplicação e interpretação deste Memorando
serão resolvidas através de consultas entre as
Partes.
  VI. Alterações e Adicionais
  Alterações e adicionais devem ser feitos a
este Memorando por meio de acordo mútuo
entre as Partes com base em protocolos
separados.
  VII. Disposições finais
  Este Memorando não é um acordo
internacional; ele não estabelece direitos
e deveres sob o fundamento do direito
internacional.
  Este Memorando entrará em vigor na data
de sua assinatura por 5 anos. Este Memorando
será automaticamente prorrogado por períodos
subsequentes de cinco anos se nenhuma das
Partes, o mais tardar 6 meses antes do final do
período, notificar em escrito sua intenção de




92

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




revogar o Memorando.
  Assinado em Brasília, em 14 de julho de
2014, em duplicata, cada uma em Russo,
Português e Inglês. Em caso de divergência de
interpretação, o texto em inglês prevalecerá.
  BILATERAL	AVIATION
CONSULTATIONS	BETWEEN	ThE
CIVIL AVIATION AUThORITIES OF ThE
FEDERATIVE REPUBLIC OF BRAzIL
AND OF ThE RUSSIAN FEDERATION
(original em Inglês)
  1. Representatives of the civil Aviation
authorities of the Federative Republic of
Brazil and of the Russian Federation discussed
the update of the draft of the Air Service
Agreement (ASA) between the two countries
initialed in Rio de Janeiro on February 9th,
2011. The meeting was held in a friendly and
cordial atmosphere.
  2. The aviation authorities agreed on an
updated text of the draft of the ASA, which
constitutes the Attachment to these Agreed
Records, pending the conclusions on the
Annex to the Agreement (Route Schedules),
which will be further discussed between the
civil Aviation authorities of both countries. The
new ASA, once finalized, will enter into force
upon exchange of Diplomatic notes indicating
that all necessary internal procedures were
concluded by both sides.
  3. The Aviation authorities also agreed to
engage in further conversations in order to
have a Memorandum of Understanding on
Civil Aviation Cooperation.
  Done in Brasilia on the 14th day of July, 2014.
   
 VI CúPULA BRICS  DECLARAçãO DE
    FORTALEzA  15 DE JULhO DE 2014
                            15/07/2014
                               
  1. Nós, os líderes da República Federativa
do Brasil, da Federação Russa, da República

da índia, da República Popular da China e da
República da áfrica do Sul, reunimo-nos em
Fortaleza, Brasil, em 15 de julho de 2014 na VI
Cúpula do BRICS. Para inaugurar o segundo
ciclo de Cúpulas do BRICS, o tema escolhido
para as nossas discussões foi Crescimento
Inclusivo: Soluções Sustentáveis, condizente
com as políticas macroeconômicas e sociais
inclusivas implementadas pelos nossos
governos e com o imperativo de enfrentar
desafios à humanidade postos pela necessidade
de se alcançar simultaneamente crescimento,
inclusão, proteção e preservação.
  2. Na sequência do primeiro ciclo de
cinco Cúpulas, sediadas por cada membro
do BRICS, nossa coordenação encontra-se
assentada em diversas iniciativas multilaterais
e plurilaterais e a cooperação intra-BRICS
se expande para contemplar novas áreas.
Nossas visões compartilhadas e nosso
compromisso com o direito internacional
e com o multilateralismo, com as Nações
Unidas como seu centro e fundamento, são
amplamente reconhecidas e constituem
importante contribuição para a paz mundial,
a estabilidade econômica, a inclusão social, a
igualdade, o desenvolvimento sustentável e a
cooperação mutuamente benéfica com todos
os países.
  3. Renovamos nossa disposição para o
crescente engajamento com outros países,
em particular países em desenvolvimento e
economias emergentes de mercado, assim
como com organizações internacionais e
regionais, com vistas a fomentar a cooperação
e a solidariedade em nossas relações com todas
as nações e povos. Para tanto, realizaremos
uma sessão conjunta com os líderes das nações
sul-americanas, sob o tema da VI Cúpula
do BRICS, com o intuito de aprofundar a
cooperação entre os BRICS e a América do Sul.
Reafirmamos nosso apoio aos processos de
integração da América do Sul e reconhecemos,




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	93




sobretudo, a importância da União de Nações
Sul-Americanas (UNASUL) na promoção
da paz e da democracia na região, e na
consecução do desenvolvimento sustentável e
da erradicação da pobreza. Acreditamos que o
diálogo fortalecido entre os BRICS e os países
da América do Sul pode desempenhar papel
ativo no fortalecimento do multilateralismo e
da cooperação internacional, para a promoção
da paz, segurança, progresso econômico e
social e desenvolvimento sustentável em um
mundo globalizado crescentemente complexo
e interdependente.
  4. Desde a sua criação, o BRICS se guia
pelos objetivos abrangentes de paz, segurança,
desenvolvimento	e	cooperação.	Nesse
novo ciclo, conquanto nos mantenhamos
comprometidos	com	esses	objetivos,
comprometemo-nos	a	aprofundar	nossa
parceria com visão renovada, com base na
abertura, inclusão e cooperação mutuamente
benéfica. Nesse sentido, estamos prontos
para explorar novas áreas em direção a uma
cooperação abrangente e a uma parceria
econômica mais próxima, com vistas a
facilitar interconexões de mercado, integração
financeira, conectividade em infraestrutura,
bem como contatos entre pessoas.
  5. A VI Cúpula ocorre em momento crucial,
à medida que a comunidade internacional
avalia como enfrentar os desafios em matéria
de recuperação econômica sólida após as crises
financeiras globais e de desenvolvimento
sustentável, incluindo mudanças do clima,
enquanto também elabora a Agenda de
Desenvolvimento	pós-2015.	Ao	mesmo
tempo, somos confrontados com instabilidade
política incessante e conflitos em diversas
zonas conflagradas em todo o globo e ameaças
emergentes não convencionais. Por outro
lado, estruturas de governança internacional
concebidas em uma configuração de poder
distinta demonstram sinais crescentemente

evidentes de perda de legitimidade e eficácia,
ao passo que arranjos transitórios e ad hoc se
tornam cada vez mais frequentes, muitas vezes
à custa do multilateralismo. Acreditamos que o
BRICS é uma importante força para mudanças
e reformas incrementais das atuais instituições
em direção à governança mais representativa e
equitativa, capaz de gerar crescimento global
mais inclusivo e de proporcionar um mundo
estável, pacífico e próspero.
  6. Durante o primeiro ciclo de Cúpulas
do BRICS, nossas economias consolidaram
coletivamente suas posições como os
principais motores para a manutenção do ritmo
da economia internacional que se recupera
da recente crise econômica e financeira
mundial. O BRICS continua a contribuir
significativamente para o crescimento global
e para a redução da pobreza em seus próprios
países e em outros. Nosso crescimento
econômico e nossas políticas de inclusão
social ajudaram a estabilizar a economia
global, fomentar a criação de empregos,
reduzir a pobreza, e combater a desigualdade,
contribuindo, assim, para a consecução dos
Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
Nesse novo ciclo, além de sua contribuição
para o estímulo de crescimento forte,
sustentável e equilibrado, o BRICS continuará
exercendo papel significativo na promoção do
desenvolvimento social e contribuirá para a
definição da agenda internacional nessa área,
baseando-se em sua experiência na busca de
soluções para os desafios da pobreza e da
desigualdade.
  7. Para melhor refletir o avanço das
políticas sociais dos BRICS e os impactos
positivos de seu crescimento econômico,
instruímos nossos Institutos Nacionais de
Estatísticas e Ministérios da Saúde e da
Educação a trabalhar no desenvolvimento
de metodologias conjuntas para indicadores
sociais a serem incorporadas na Publicação




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




Estatística Conjunta do BRICS. Encorajamos
igualmente o Conselho de Think Tanks do
BRICS (BTTC) a prestar apoio técnico nessa
tarefa. Solicitamos, ademais, aos Institutos
Nacionais de Estatísticas dos BRICS que
discutam a viabilidade e a factibilidade de
uma plataforma para o desenvolvimento de
tais metodologias e apresentem relatório sobre
o tema.
  8. A economia mundial se fortaleceu, com
sinais de melhora em algumas economias
avançadas. Permanecem, no entanto, riscos
significativos	de	desaceleração	dessa
recuperação. Os níveis de desemprego e
de endividamento estão preocupantemente
altos e o crescimento segue fraco em muitas
economias avançadas. Economias de mercado
emergentes e países em desenvolvimento
continuam a contribuir de forma significativa
para o crescimento global e irão fazê-lo nos
próximos anos. Mesmo que a economia global
se fortaleça, decisões de política monetária em
algumas economias avançadas podem causar
estresse e volatilidade renovados para os
mercados financeiros, e mudanças em política
monetária	precisam	ser	cuidadosamente
calibradas e claramente comunicadas, a fim
de minimizar repercussões negativas.
  9. Estruturas macroeconômicas fortes,
mercados	financeiros	bem	regulados	e
níveis robustos de reservas têm permitido
que economias de mercado emergentes e
países em desenvolvimento em geral, e os
BRICS em particular, lidem melhor com
os riscos e alastramentos decorrentes das
condições	econômicas	desafiadoras	dos
últimos anos. No entanto, a continuidade
da	coordenação	macroeconômica	entre
todas as principais economias, em particular
no G20, permanece fator crítico para o
fortalecimento de perspectivas para uma
recuperação mundial vigorosa e sustentável.
Nesse contexto, reafirmamos nosso firme

compromisso de continuar a trabalhar
entre nós e com a comunidade global para
fomentar a estabilidade financeira e apoiar o
crescimento sustentável, mais forte e inclusivo
e gerar empregos de qualidade. O BRICS está
preparado para contribuir com o objetivo do
G20 de elevar nosso PIB coletivo em mais
de 2% acima das trajetórias sugeridas pelas
políticas atuais nos próximos cinco anos.
  10. Louvamos a Rússia pelo trabalho
exitoso durante a Presidência do G20 em
2013. A instituição das Cúpulas do BRICS
coincidiu amplamente com o início da crise
mundial, com as primeiras Cúpulas do
G20 e com a consolidação daquele Grupo
como o foro primário para coordenação
econômica entre seus membros. Com o
início de nova rodada de Cúpulas do BRICS,
mantemo-nos comprometidos em oferecer
respostas construtivas para os desafios
econômicos e financeiros mundiais e em
servir como uma voz firme para a promoção
de desenvolvimento sustentável, crescimento
inclusivo, estabilidade financeira e governança
econômica internacional mais representativa.
Continuaremos a dar continuidade à nossa
frutífera coordenação e a promover nossos
objetivos de desenvolvimento dentro do
sistema econômico e da arquitetura financeira
internacionais.
  11. Os BRICS, bem como outras
economias de mercado emergentes e países
em desenvolvimento, continuam a enfrentar
restrições de financiamento significativos
para lidar com lacunas de infraestrutura e
necessidades de desenvolvimento sustentável.
Tendo isso presente, temos satisfação em
anunciar a assinatura do Acordo constitutivo
do Novo Banco de Desenvolvimento, com o
propósito de mobilizar recursos para projetos de
infraestrutura e desenvolvimento sustentável
nos BRICS e em outras economias emergentes
e em desenvolvimento. Manifestamos




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	95




apreço pelo trabalho realizado por nossos
Ministros das Finanças. Com fundamento
em princípios bancários sólidos, o Banco
fortalecerá a cooperação entre nossos países
e complementará os esforços de instituições
financeiras multilaterais e regionais para
o	desenvolvimento	global,	contribuindo,
assim, para nossos compromissos coletivos
na consecução da meta de crescimento forte,
sustentável e equilibrado.
  12. O Banco terá capital inicial autorizado
de US$ 100 bilhões. O capital inicial subscrito
será de US$ 50 bilhões, dividido igualmente
entre os membros fundadores. O primeiro
presidente do Conselho de Governadores
será da Rússia. O primeiro presidente do
Conselho de Administração será do Brasil.
O primeiro Presidente do Banco será da
índia. A sede do Banco será localizada em
Xangai. O Centro Regional Africano do Novo
Banco de Desenvolvimento será estabelecido
na áfrica do Sul concomitantemente com
sua sede. Instruímos nossos Ministros das
Finanças a definir as modalidades para sua
operacionalização.
  13. Temos satisfação em anunciar a
assinatura do Tratado para o estabelecimento
do Arranjo Contingente de Reservas do
BRICS com a dimensão inicial de US$ 100
bilhões. Esse arranjo terá efeito positivo
em termos de precaução, ajudará países a
contrapor-se a pressões por liquidez de curto
prazo, promoverá maior cooperação entre
os BRICS, fortalecerá a rede de segurança
financeira mundial e complementará arranjos
internacionais	existentes.	Manifestamos
apreço pelo trabalho realizado por nossos
Ministros das Finanças e Presidentes de
Banco Central. O Acordo é um marco para
a prestação de liquidez por meio de swaps
de divisas em resposta a pressões de curto
prazo reais ou potenciais sobre o balanço de
pagamentos.
   
14. Saudamos também a assinatura
do Memorando de Entendimento para
Cooperação Técnica entre Agências de
Crédito e Garantias às Exportações dos
BRICS, que aperfeiçoará o ambiente de apoio
para o aumento das oportunidades comerciais
entre nossas nações.
  15. Manifestamos apreço pelo progresso
que nossos Bancos de Desenvolvimento têm
feito em ampliar e fortalecer os vínculos
financeiros entre os países do BRICS. Dada
a importância da adoção de iniciativas
inovadoras, saudamos a conclusão do Acordo
de Cooperação em Inovação no âmbito do
Mecanismo de Cooperação Interbancária do
BRICS.
  16. Reconhecemos o potencial existente no
mercado de seguros e resseguros de congregar
capacitações. Instruímos nossas autoridades
competentes a explorar vias de cooperação
nesse sentido.
  17. Acreditamos que o desenvolvimento
sustentável e o crescimento econômico serão
facilitados pela tributação dos rendimentos
gerados nas jurisdições onde a atividade
econômica transcorre. Manifestamos nossa
preocupação com o impacto negativo da
evasão tributária, fraude transnacional e
planejamento tributário agressivo na economia
global. Estamos cientes dos desafios criados
pelo planejamento tributário agressivo e
práticas de não cumprimento de normas.
Afirmamos, portanto, nosso compromisso em
dar continuidade a um enfoque cooperativo
nas questões relacionadas à administração
tributária e aprimorar a cooperação nos foros
internacionais devotados à questão da erosão
da base tributária e intercâmbio de informação
para efeitos tributários. Instruímos também
nossas autoridades competentes a explorar
formas de reforçar a cooperação na área
aduaneira.
  18. Continuamos desapontados e

   
   

96

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




seriamente preocupados com a presente
não implementação das reformas do Fundo
Monetário Internacional (FMI) de 2010, o
que impacta negativamente na legitimidade,
na credibilidade e na eficácia do Fundo. O
processo de reforma do FMI é baseado em
compromissos de alto nível, que já reforçaram
os recursos do Fundo e devem também levar à
modernização de sua estrutura de governança,
de modo a refletir melhor o peso crescente das
economias emergentes de mercado e países
em desenvolvimento na economia mundial.
O Fundo deve continuar a ser uma instituição
baseada em quotas. Conclamamos os membros
do FMI a encontrar maneiras de implementar
a 14ª Revisão Geral de Quotas, sem maiores
atrasos. Reiteramos nosso apelo ao FMI para
formular opções para avançar seu processo
de reforma, com vistas a garantir maior voz
e representação das economias de mercado
emergentes e países em desenvolvimento,
caso as reformas de 2010 não entrem em vigor
até o final do ano. Conclamamos igualmente
os membros do FMI a alcançar um acordo
final sobre uma nova fórmula de quotas em
conjunto com a 15ª Revisão Geral de Quotas,
de modo a não comprometer ainda mais a já
adiada data-limite de janeiro de 2015.
  19. Saudamos os objetivos estabelecidos
pelo Grupo Banco Mundial de auxiliar países
a acabar com a pobreza extrema e de promover
a prosperidade compartilhada. Reconhecemos
o potencial dessa nova estratégia em apoio à
concretização desses ambiciosos objetivos
pela comunidade internacional. Entretanto,
esse potencial somente será realizado se
a instituição e seus membros caminharem
efetivamente em direção a estruturas de
governança mais democráticas, fortalecerem
a	capacidade	financeira	do	Banco	e
explorarem maneiras inovadoras de ampliar
o financiamento para o desenvolvimento
e o compartilhamento de conhecimento,

enquanto buscam firme orientação voltada
aos clientes que reconheça as necessidades
de desenvolvimento de cada país. Esperamos
que o início dos trabalhos de revisão acionária
do Banco Mundial ocorra assim que possível,
de modo a cumprir o prazo acordado de
outubro de 2015. Nesse sentido, advogamos
uma arquitetura financeira internacional que
conduza à superação de desafios em matéria
de desenvolvimento. Temos sido muito ativos
na melhoria da arquitetura financeira mundial
por meio de nossa coordenação multilateral e
de nossas iniciativas de cooperação financeira,
que, de maneira complementar, aumentarão a
diversidade e a disponibilidade de recursos
para promover o desenvolvimento e para
garantir a estabilidade da economia global.
  20.Estamoscomprometidosemelevarnossa
cooperação econômica a um novo patamar
qualitativo. Com esse objetivo, enfatizamos a
importância de se estabelecer um roteiro para
a cooperação econômica intra-BRICS. A esse
respeito, saudamos as propostas de Estratégia
de Cooperação Econômica do BRICS e de
Marco do BRICS de Parceira Econômica
Mais Próxima, que formulam medidas para
promover a cooperação econômica, comercial
e de investimentos intra-BRICS. Com base
nos documentos apresentados e em insumos
do Conselho de Think Tanks do BRICS,
instruímos nossos Sherpas a avançar nas
discussões com vistas a submeter sua proposta
para endosso até a próxima Cúpula do BRICS.
  21. Acreditamos que todos os países devem
desfrutar de seus devidos direitos, igualdade
de oportunidades e participação justa nos
assuntos econômicos, financeiros e comerciais
globais, reconhecendo que os países possuem
diferentes capacidades e se encontram em
níveis diferenciados de desenvolvimento.
Empenhamo-nos por uma economia mundial
aberta com alocação eficiente de recursos,
fluxo livre de mercadorias e concorrência




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	97




leal e ordenada para o benefício de todos.
Ao reafirmar nosso apoio a um sistema
comercial multilateral aberto, inclusivo, não
discriminatório, transparente e baseado em
regras, daremos seguimento a nossos esforços
para a conclusão bem-sucedida da Rodada
Doha da Organização Mundial do Comércio
(OMC), na sequência dos resultados positivos
da	IX	Conferência	Ministerial	(MC9),
realizada em Bali, Indonésia, em dezembro
de 2013. Nesse contexto, reafirmamos nosso
compromisso de estabelecer, até o final deste
ano, um programa de trabalho pós-Bali para
a conclusão da Rodada Doha, com base no
progresso já alcançado e conforme o mandato
estabelecido na Agenda de Desenvolvimento
de Doha. Afirmamos que esse programa de
trabalho deverá priorizar questões em que
resultados juridicamente vinculantes não
puderam ser alcançados na MC9, incluindo
Estoques Públicos para Fins de Segurança
Alimentar. Manifestamos expectativa quanto
à implementação do Acordo sobre Facilitação
do Comércio. Conclamamos os parceiros
internacionais a apoiar os membros mais pobres
e vulneráveis da OMC, de modo a permitir-lhes
implementar o referido Acordo, que deverá
apoiar seus objetivos de desenvolvimento.
Apoiamos firmemente o sistema de solução
de controvérsias da OMC como pedra angular
da segurança e previsibilidade do sistema
multilateral de comércio e ampliaremos nosso
atual diálogo sobre questões substantivas
e práticas a ele relacionadas, incluindo as
negociações em curso sobre a reforma do
Entendimento sobre Solução de Controvérsias
da OMC. Reconhecemos a importância dos
Acordos Comerciais Regionais, que devem
complementar o sistema multilateral de
comércio, e que devem ser mantidos abertos,
inclusivos e transparentes, bem como abster-
se de introduzir cláusulas e padrões exclusivos
e discriminatórios.
   
22. Reafirmamos o mandato da Conferência
das Nações Unidas sobre Comércio e
Desenvolvimento (UNCTAD) como ponto
focal no sistema das Nações Unidas dedicado
a tratar de questões interrelacionadas de
comércio, investimento, finanças e tecnologia
a partir da perspectiva do desenvolvimento.
O mandato e o trabalho da UNCTAD são
únicos e necessários para lidar com os
desafios de desenvolvimento e crescimento
em uma economia global cada vez mais
interdependente. Ao saudar a UNCTAD pelo
50º aniversário de sua fundação, em 2014, que
é igualmente o aniversário do estabelecimento
do Grupo dos 77, reafirmamos, ainda, a
importância de fortalecer a capacidade da
UNCTAD de concretizar seus programas
de construção de consensos, diálogo sobre
políticas, pesquisa, cooperação técnica e
formação de capacidades, de modo a estar
mais bem equipada para realizar seu mandato
de desenvolvimento.
  23. Reconhecemos o importante papel
que Empresas Estatais desempenham na
economia e encorajamos nossas Estatais a
continuar a explorar vias de cooperação,
intercâmbio de informações e melhores
práticas. Reconhecemos igualmente o
papel fundamental desempenhado por
pequenas e médias empresas na economia de
nossos países como importantes geradoras
de emprego e riqueza. Ampliaremos a
cooperação e reconhecemos a necessidade
de se fortalecer o diálogo intra-BRICS
para promover intercâmbio e cooperação
internacionais e para fomentar inovação,
pesquisa e desenvolvimento.
  24. Ressaltamos que 2015 marca o 70º
aniversário da fundação das Nações Unidas
e do fim da Segunda Guerra Mundial. A esse
respeito, apoiamos as Nações Unidas a iniciar e
organizar eventos comemorativos para marcar
e homenagear esses dois momentos históricos




98

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




na história da humanidade, e reafirmamos
nosso compromisso de salvaguardar uma
ordem internacional justa e equitativa com
base na Carta das Nações Unidas, preservando
a paz e a segurança mundiais, bem como
promovendo o progresso e o desenvolvimento
humanos.
  25. Reiteramos nosso firme compromisso
com as Nações Unidas como a organização
multilateral	fundamental,	incumbida
de ajudar a comunidade internacional a
preservar a paz e a segurança internacionais,
a proteger e promover os direitos humanos
e a fomentar o desenvolvimento sustentável.
As Nações Unidas desfrutam de composição
universal e estão no centro da governança e
do multilateralismo globais. Recordamos o
Documento Final da Cúpula Mundial de 2005.
Reafirmamos a necessidade de uma reforma
abrangente das Nações Unidas, incluindo seu
Conselho de Segurança, com vistas a torná-
lo mais representativo, eficaz e eficiente, de
modo que possa responder adequadamente a
desafios globais. China e Rússia reiteram a
importância que atribuem ao status e papel
de Brasil, índia e áfrica do Sul em assuntos
internacionais e apoiam sua aspiração de
desempenhar um papel maior nas Nações
Unidas.
  26. Recordamos que desenvolvimento
e segurança são estreitamente interligados,
se reforçam mutuamente e são centrais para
o alcance da paz sustentável. Reiteramos
nossa visão de que o estabelecimento da
paz sustentável requer enfoque abrangente,
concertado	e	determinado,	baseado	em
confiança	recíproca,	benefício	mútuo,
equidade e cooperação, que enfrente as
causas profundas dos conflitos, incluindo
suas dimensões política, econômica e social.
Nesse contexto, salientamos igualmente a
estreita inter-relação entre manutenção da paz
e consolidação da paz. Destacamos também a

importância de integrar perspectivas de gênero
na prevenção e resolução de conflitos, na
manutenção da paz, na consolidação da paz e
em esforços de reabilitação e de reconstrução.
  27. Daremos seguimento aos nossos
esforços conjuntos em coordenar posições
e em atuar sobre interesses compartilhados
pela paz mundial e em questões de segurança,
tendo em vista o bem-estar comum da
humanidade. Enfatizamos nosso compromisso
com a solução sustentável e pacífica de
conflitos, conforme os princípios e objetivos
da Carta da ONU. Condenamos intervenções
militares unilaterais e sanções econômicas
em violação ao direito internacional e
normas universalmente reconhecidas das
relações internacionais. Tendo isso presente,
enfatizamos a singular importância da natureza
indivisível da segurança e que nenhum Estado
deve fortalecer sua segurança em detrimento
da segurança dos demais.
  28. Acordamos em continuar a tratar todos
os direitos humanos, inclusive o direito ao
desenvolvimento, de maneira justa e equitativa,
em pé de igualdade e com a mesma ênfase.
Fomentaremos o diálogo e a cooperação com
base na igualdade e no respeito mútuo no
campo dos direitos humanos, tanto no BRICS
quanto em foros multilaterais  incluindo o
Conselho de Direitos humanos das Nações
Unidas, do qual todos os BRICS participam
como membros em 2014 , levando em conta
a necessidade de promover, proteger e realizar
os direitos humanos de maneira não seletiva,
não politizada e construtiva, e sem critérios
duplos.
  29. Louvamos os esforços feitos pelas
Nações Unidas, União Africana (UA),
Comunidade Econômica dos Estados da
áfrica Ocidental (CEDEAO) e Comunidade
dos Países de Língua Portuguesa (CPLP),
entre outros, em apoiar a realização de
eleições legislativas e presidencial na Guiné-




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	99




Bissau, pavimentando o caminho para o
retorno à democracia constitucional no país.
Reconhecemos a importância de se promover
a estabilidade política de longo prazo na
Guiné-Bissau, o que abrange necessariamente
medidas para reduzir a insegurança alimentar
e para avançar a reforma abrangente do
setor de segurança, conforme proposto pela
Configuração Guiné-Bissau da Comissão de
Consolidação da Paz das Nações Unidas. Da
mesma forma, saudamos também os esforços
das Nações Unidas, da UA e da Comunidade
para o Desenvolvimento da áfrica Austral
(SADC) em apoiar as eleições legislativas e
presidencial em Madagascar, auxiliando no
retorno da democracia constitucional no país.
  30. Louvamos os esforços da comunidade
internacionalnoenfrentamentodainstabilidade
na áfrica por meio do engajamento com e da
coordenação da UA e de seu Conselho de Paz
e Segurança. Expressamos nossa profunda
preocupação com a deterioração da segurança
e da situação humanitária na áfrica Ocidental.
Conclamamos todas as partes envolvidas
nesses conflitos a cessar hostilidades, exercer
moderação e se engajar em diálogo para
garantir o retorno da paz e da estabilidade.
Entretanto, notamos, igualmente, o progresso
que tem sido feito em áreas da região para
enfrentar desafios políticos e de segurança.
  31.	Expressamos	igualmente	nossa
preocupação com a situação das mulheres e
crianças de Chibok sequestradas e clamamos
pelo fim dos contínuos atos de terrorismo
perpetrados pelo Boko haram.
  32. Apoiamos os esforços da Missão
Multidimensional	Integrada	das	Nações
Unidas	para	a	Estabilização	no	Mali
(MINUSMA) em sua tarefa de auxiliar o
Governo do Mali a estabilizar completamente
o país, facilitar o diálogo político nacional,
proteger civis, monitorar a situação dos
direitos humanos, criar condições para a

prestação de assistência humanitária e para o
regresso de deslocados internos e refugiados,
e estender a autoridade estatal em todo o país.
Enfatizamos a importância de um processo
político inclusivo; da imediata implementação
de processo de desarmamento, desmobilização
e reintegração (DDR); e do desenvolvimento
político, econômico e social, de maneira que
o Mali alcance paz e estabilidade sustentáveis.
  33. Expressamos nossa preocupação com
as continuadas crises política e humanitária
no Sudão do Sul. Condenamos a continuação
da violência contra civis e conclamamos a
todas as partes a garantir ambiente seguro
para a entrega da assistência humanitária.
Condenamos igualmente a continuação
dos confrontos, apesar dos compromissos
sucessivos para a cessação das hostilidades
e expressamos nossa convicção de que uma
solução sustentável para a crise somente
será possível por meio de diálogo político
inclusivo voltado para a reconciliação
nacional. Apoiamos, nesse sentido, os esforços
regionais para encontrar solução pacífica para
a crise, especialmente o processo de mediação
liderado pela Autoridade Intergovernamental
para o Desenvolvimento (IGAD). Saudamos
o Acordo para a Resolução da Crise no
Sudão do Sul, assinado em 9 de maio, e
esperamos que os líderes políticos do Sudão
do Sul permaneçam comprometidos com
o processo negociador e com a conclusão
do diálogo sobre a formação de governo
transitório de unidade nacional dentro de
60 dias, conforme anunciado pela IGAD
em 10 de junho. Louvamos os esforços da
Missão das Nações Unidas no Sudão do
Sul em cumprir seu mandato e expressamos
nossa profunda preocupação com os ataques
armados direcionados contra as bases das
Nações Unidas no país.
  34. Reiteramos nossa profunda preocupação
com a situação na República Centro-Africana




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




(RCA). Condenamos fortemente os abusos
e atos de violência contra a população civil,
incluindo a violência sectária, e exortamos
todos os grupos armados a cessar hostilidades
imediatamente. Reconhecemos os esforços
da Comunidade Econômica dos Estados
da áfrica Central e da UA em restaurar a
paz e a estabilidade no país. Louvamos o
estabelecimento da Missão Multidimensional
Integrada	das	Nações	Unidas	para	a
Estabilização	na	RCA	(MINUSCA).
Expressamos nosso apoio para uma transição
exitosa da Missão Internacional de Apoio à
RCA (MISCA), de liderança africana, para
a MINUSCA até 15 de setembro de 2014.
Exortamos as autoridades de transição na RCA
a aderir estritamente ao Roteiro de NDjamena.
Conclamamos todas as partes a permitir o
acesso humanitário seguro e desimpedido
àqueles em necessidade. Reafirmamos nossa
prontidão para trabalhar com a comunidade
internacional no auxílio à RCA em acelerar a
implementação do processo político no país.
  35. Apoiamos os esforços das Nações
Unidas, em particular a Missão das Nações
Unidas na República Democrática do Congo
(MONUSCO), desdobrada sob a resolução
2098 do Conselho de Segurança, e as
organizações regionais e sub-regionais para
trazer a paz e a estabilidade à República
Democrática do Congo (RDC), e conclamamos
todos os envolvidos a honrar suas obrigações,
de maneira a alcançar paz e estabilidade
duradouras na RDC.
  36. Saudamos a decisão da Cúpula da UA
em Malabo de estabelecer uma Capacidade
Africana de Resposta Imediata a Crises
(ACIRC) interina, em outubro de 2014,
para responder rapidamente a situações de
crise à medida que surjam. Ressaltamos a
importância de apoio adequado para garantir
a operacionalização oportuna da ACIRC,
aguardando a criação definitiva das Forças de

Reserva Africanas.
  37. Expressamos profunda preocupação
com a violência em curso e com a deterioração
da situação humanitária na Síria e condenamos
o aumento das violações dos direitos humanos
por todas as partes. Reiteramos nossa visão
de que não há solução militar para o conflito
e destacamos a necessidade de evitar a sua
maior militarização. Conclamamos todas as
partes a se comprometer imediatamente com
um completo cessar-fogo, deter a violência e
permitir e facilitar acesso imediato, seguro,
pleno e irrestrito para as organizações e
agências humanitárias, em conformidade com
a resolução 2139 do Conselho de Segurança
da ONU. Reconhecemos as medidas práticas
tomadas pelas partes sírias na implementação
de suas exigências, incluindo a prática de
acordos locais de cessar-fogo alcançados entre
as autoridades sírias e as forças da oposição.
  Reiteramos nossa condenação ao
terrorismo em todas as suas formas e
manifestações, onde quer que ocorra. Estamos
seriamente preocupados com a contínua
ameaça do terrorismo e extremismo na Síria.
Conclamamos todas as partes sírias a se
empenharem em pôr fim aos atos terroristas
perpetrados pela Al-Qaeda, suas afiliadas e
outras organizações terroristas.
  Condenamos fortemente o uso de armas
químicas em quaisquer circunstâncias.
Saudamos a decisão da República árabe da
Síria de aderir à Convenção sobre Armas
Químicas. De acordo com decisões pertinentes
do Conselho Executivo da Organização para
a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) e a
resolução 2118 do Conselho de Segurança da
ONU, reiteramos a importância da completa
remoção e eliminação das armas químicas da
Síria. Louvamos o progresso nesse âmbito
e saudamos o anúncio de que a remoção de
produtos químicos declarados da República
árabe da Síria foi concluída. Conclamamos




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	101




todas as partes sírias e atores externos
interessados com capacidades relevantes a
trabalhar em conjunto e com a OPAQ e as
Nações Unidas para organizar a segurança da
missão de monitoramento e destruição em sua
fase final.
  Apoiamos	o	papel	de	mediação
desempenhado	pelas	Nações	Unidas.
Agradecemos a contribuição feita pelo ex-
Representante Especial Conjunto das Nações
Unidas e da Liga dos Estados árabes, Lakhdar
Brahimi, e saudamos a nomeação de Staffan
De Mistura como Enviado Especial das
Nações Unidas para a Síria, e expressamos
nossa	esperança	de	que	seus	esforços
ativos promovam uma rápida retomada de
negociações abrangentes. Recordamos que o
diálogo nacional e a reconciliação são centrais
para a solução política para a crise síria.
Tomamos nota da recente eleição presidencial
síria. Ressaltamos que apenas um processo
político inclusivo, liderado pelos sírios,
conforme	recomendado	no	Comunicado
Final de 2012 do Grupo de Ação sobre a
Síria, conduzirá à paz, à proteção efetiva de
civis, à realização das legítimas aspirações da
sociedade síria por liberdade e prosperidade
e ao respeito pela independência, integridade
territorial e soberania sírias. Ressaltamos
que um processo de reconciliação nacional
deve ser lançado o mais cedo possível, no
interesse da unidade nacional da Síria. Para
esse fim, instamos a todas as partes na Síria
a demonstrar vontade política, reforçar a
compreensão mútua, demonstrar moderação
e se comprometer a buscar denominador
comum para acomodar suas diferenças.
  38. Reafirmamos o nosso compromisso
de contribuir para uma solução abrangente,
justa e duradoura do conflito árabe-israelense,
com base no marco jurídico internacional
universalmente	reconhecido,	incluindo
resoluções relevantes das Nações Unidas,

os Princípios de Madrid e a Iniciativa de
Paz árabe. Acreditamos que a resolução do
conflito israelo-palestino é um componente
fundamental para a construção de paz
duradoura no Oriente Médio. Conclamamos
Israel e Palestina a retomar as negociações
conducentes a uma solução de dois Estados,
com um Estado palestino contíguo e
economicamente viável, existindo lado a
lado e em paz com Israel, dentro de fronteiras
mutuamente acordadas e reconhecidas
internacionalmente com base nas linhas de
4 de junho de 1967, com Jerusalém Oriental
como sua capital. Opomo-nos à continuada
construção e à expansão dos assentamentos nos
Territórios Palestinos Ocupados pelo Governo
israelense, que violam o direito internacional,
solapam gravemente os esforços de paz e
ameaçam a viabilidade da solução de dois
Estados. Saudamos os recentes esforços pela
unidade intra-palestina, inclusive a formação
de um governo de unidade nacional e os
passos em direção à realização de eleições
gerais, elemento-chave para consolidar um
Estado palestino democrático e sustentável, e
conclamamos as partes a se comprometerem
totalmente com as obrigações assumidas
pela Palestina. Conclamamos o Conselho
de Segurança da ONU a exercer plenamente
suas funções nos termos da Carta das Nações
Unidas no que diz respeito ao conflito israelo-
palestino. Recordamos com satisfação a
decisão da Assembleia Geral das Nações
Unidas (AGNU) de proclamar 2014 Ano
Internacional de Solidariedade com o Povo
Palestino, saudamos os esforços da UNRWA
em prestar assistência e proteção a refugiados
palestinos e encorajamos a comunidade
internacional a continuar a apoiar as atividades
da agência.
  39. Expressamos nosso apoio para a
convocação, o mais rapidamente possível,
da Conferência sobre o estabelecimento de




102

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




uma zona no Oriente Médio livre de livre de
armas nucleares e de todas as outras armas de
destruição em massa. Conclamamos todos os
Estados da região a comparecer à Conferência
e a se engajar construtivamente e de maneira
pragmática, com vistas a avançar esse objetivo.
  40. Tomando nota das consultas abertas
sobre um projeto de Código Internacional
de Conduta para as Atividades no Espaço
Exterior, e o engajamento ativo e construtivo
de nossos países nessas consultas, clamamos
por uma negociação multilateral inclusiva
e baseada no consenso, a ser conduzida
no âmbito das Nações Unidas sem prazos
específicos, a fim de alcançar um resultado
equilibrado	que	atenda	às	necessidades
e reflita as preocupações de todos os
participantes. Reafirmando nossa vontade de
que a exploração e o uso do espaço exterior
devem ser para fins pacíficos, ressaltamos que
as negociações para a conclusão de um acordo
ou de acordos internacionais para evitar uma
corrida armamentista no espaço exterior
continuam a ser uma tarefa prioritária da
Conferência do Desarmamento, e saudamos
a apresentação pela China e pela Rússia
de projeto atualizado de Tratado sobre a
Prevenção de Colocação de Armas no Espaço
Exterior, a Ameaça ou o Uso da Força contra
Objetos no Espaço Exterior.
  41. Ao reiterar nossa visão de que não há
alternativa para uma solução negociada para
a questão nuclear iraniana, reafirmamos nosso
apoio a sua resolução por meios políticos e
diplomáticas e pelo diálogo. Nesse contexto,
saudamos	o	momento	positivo	gerado
pelas negociações entre o Irã e o E3+3 e
incentivamos a implementação exaustiva
do Plano de Ação Conjunto de Genebra
de 24 de novembro de 2013, com vistas a
alcançar uma solução completa e duradoura
para essa questão. Incentivamos igualmente
o Irã e a Agência Internacional de Energia

Atômica (AIEA) a continuar fortalecendo
sua cooperação e seu diálogo com base no
Comunicado Conjunto assinado em 11 de
novembro de 2013. Reconhecemos o direito
inalienável do Irã ao uso pacífico de energia
nuclear de forma condizente com suas
obrigações internacionais.
  42. Reconhecendo que paz, segurança
e desenvolvimento são estreitamente
interligados, reafirmamos que o Afeganistão
precisa de tempo, assistência e cooperação
para o desenvolvimento, acesso preferencial
a mercados mundiais e investimentos
estrangeiros para alcançar paz e estabilidade
duradouras. Apoiamos o compromisso da
comunidade internacional em permanecer
engajada no Afeganistão durante a década
de transformação (2015-2024), conforme
enunciado na Conferência Internacional de
Bonn em dezembro de 2011. Salientamos
que as Nações Unidas devem desempenhar
papel cada vez mais relevante na assistência
à reconciliação nacional, recuperação e
reconstrução econômica do Afeganistão.
Também reafirmamos nosso compromisso em
apoiar a emergência do Afeganistão como um
Estado pacífico, estável e democrático, livre
de terrorismo e extremismo, e enfatizamos
a necessidade de cooperação regional e
internacional mais efetiva para a estabilização
do Afeganistão, incluindo por meio do
combate ao terrorismo. Estendemos apoio
a esforços dirigidos ao combate ao tráfico
ilícito de opiáceos originados no Afeganistão
dentro do marco do Pacto de Paris. Esperamos
um processo de paz amplo e inclusivo no
Afeganistão que seja liderado e apropriado
pelos afegãos. Saudamos o segundo turno
da eleição presidencial no Afeganistão, que
contribui para a transferência democrática de
poder nesse país. Saudamos o oferecimento da
China de sediar a IV Conferência Ministerial
do Coração da ásia em agosto de 2014.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	103




   43. Estamos profundamente preocupados
comasituaçãonoIraque.Apoiamosfirmemente
o governo do Iraque em seus esforços
para superar a crise, preservar a soberania
nacional e a integridade territorial. Estamos
preocupados com os efeitos do alastramento
da instabilidade no Iraque resultantes das
crescentes atividades terroristas na região, e
instamos todas as partes a enfrentar a ameaça
terrorista de maneira consistente. Exortamos
todos os atores regionais e globais a se absterem
de interferências que agravarão a crise e a
apoiarem o Governo e o povo iraquianos
em seus esforços para superar a crise e
construir um Iraque estável, inclusivo e unido.
Enfatizamos a importância da reconciliação e
da unidade nacionais do Iraque, levando em
consideração as guerras e os conflitos a que
o povo iraquiano esteve submetido e, nesse
contexto, saudamos a realização pacífica e
ordenada da última eleição parlamentar.
  44.	Expressamos	nossa	profunda
preocupação com a situação na Ucrânia.
Clamamos	por	um	diálogo	abrangente,
pelo declínio das tensões no conflito e pela
moderação de todos os atores envolvidos, com
vistas a encontrar solução política pacífica, em
plena conformidade com a Carta das Nações
Unidas e com direitos humanos e liberdades
fundamentais universalmente reconhecidos.
  45. Reafirmamos nosso compromisso em
continuar a enfrentar o crime organizado
internacional,	com	pleno	respeito	aos
direitos humanos, a fim de reduzir o impacto
negativo sobre indivíduos e sociedades.
Estimulamos esforços conjuntos voltados
à prevenção e ao combate a atividades
criminais transnacionais, em acordo com
legislações nacionais e instrumentos jurídicos
internacionais, especialmente a Convenção
das Nações Unidas contra o Crime Organizado
Transnacional. Nesse sentido, saudamos a
cooperação do BRICS em foros multilaterais,

salientando nosso compromisso na Comissão
do ECOSOC de Prevenção do Crime e Justiça
Criminal.
  46. Pirataria e assaltos armados no mar
são fenômenos complexos que devem
ser combatidos efetivamente de maneira
abrangente e integrada. Saudamos os
esforços feitos pela comunidade internacional
em combater a pirataria marítima e
conclamamos todas as partes envolvidas
 civis e militares, públicas e privadas  a
se manterem comprometidas na luta contra
esse fenômeno. Realçamos, igualmente a
necessidade de uma revisão transparente e
objetiva das áreas de Alto Risco, com vistas
a prevenir efeitos negativos desnecessários
na economia e na segurança de Estados
costeiros. Comprometemo-nos a fortalecer
nossa cooperação nessa séria questão.
  47. Estamos profundamente preocupados
com o problema mundial das drogas, que
continua a ameaçar a saúde pública, a segurança
e o bem-estar e a minar a estabilidade social,
econômica e política e o desenvolvimento
sustentável. Comprometemo-nos a enfrentar
o problema mundial das drogas, que
permanece uma responsabilidade comum
e compartilhada, por meio de enfoque
integrado, multidisciplinar e mutuamente
reforçado e equilibrado para fornecer e exigir
estratégias de redução, em linha com as três
convenções das Nações Unidas sobre drogas
e outras normas e princípios relevantes do
direito internacional. Saudamos o trabalho
substancial feito pela Rússia em preparar e
sediar o Encontro Internacional de Ministros
em 15 de maio de 2014 para discutir o
problema mundial das drogas. Tomamos
nota da proposta de criação de um Grupo
de Trabalho Antidrogas apresentada no II
Encontro Chefes das Agências Antidrogas dos
BRICS.
  48. Reiteramos nossa forte condenação

   
   

104

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




ao terrorismo em todas as suas formas e
manifestações e salientamos que não há
justificativa, qualquer que seja, para ato de
terrorismo de todo tipo, seja ideológica,
religiosa, política, racial, étnica, ou qualquer
outra justificativa. Conclamamos todas as
entidades a se abster de financiar, incentivar,
oferecer treinamento ou apoiar de qualquer
forma atividades terroristas. Acreditamos que
a ONU exerce papel central em coordenar
a ação internacional contra o terrorismo,
que deve ser conduzida de acordo com o
direito internacional, incluindo a Carta das
Nações Unidas, e com respeito aos direito
humanos e liberdades fundamentais. Nesse
contexto, reafirmamos nosso compromisso
com	a	implementação	da	Estratégia
Antiterrorista Global das Nações Unidas.
Expressamos nossa preocupação quanto ao
crescente uso, na sociedade globalizada, por
terroristas e seus adeptos, de tecnologias da
informação e comunicação, em particular
a Internet e outros meios, e reiteramos que
tais	tecnologias	podem	ser	ferramentas
poderosas no combate à propagação do
terrorismo, inclusive ao promover a tolerância
e o diálogo entre os povos. Continuaremos
a trabalhar conjuntamente para concluir, o
mais brevemente possível, as negociações e
adotar, na AGNU, a Convenção Abrangente
sobre Terrorismo Internacional. Salientamos,
igualmente, a necessidade de se promover a
cooperação entre nossos países na prevenção
de terrorismo, especialmente no contexto de
grandes eventos.
  49. Acreditamos que as Tecnologias da
Informação e Comunicação (TICs) devem
fornecer	instrumentos	para	fomentar	o
progresso econômico sustentável e a inclusão
social, trabalhando em conjunto com a
indústria de TICs, sociedade civil e academia,
a fim de efetivar as oportunidades e alcançar os
benefícios potenciais relacionados às TICs para

todos. Concordamos que deve ser conferida
especial atenção aos jovens e às pequenas e
médias empresas, com vistas a promover o
intercâmbio e a cooperação internacionais,
bem como promover a inovação, a investigação
e o desenvolvimento das TICs. Concordamos
que o uso e o desenvolvimento das TICs,
por meio de cooperação internacional e de
normas e princípios do direito internacional
universalmente aceitos, é de suma importância,
a fim de garantir um espaço digital e de Internet
pacífico, seguro e aberto. Condenamos
fortemente os atos de vigilância eletrônica
em massa e a coleta de dados de indivíduos
em todo o mundo, bem como a violação da
soberania dos Estados e dos direitos humanos,
em especial o direito à privacidade. Tomamos
nota da Reunião Multissetorial Global sobre o
Futuro da Governança da Internet, realizada
em São Paulo, em 23-24 de abril de 2014.
Agradecemos o Brasil por tê-la organizado.
  50. Exploraremos a cooperação no
combate a crimes cibernéticos e também
nos comprometemos, mais uma vez, com
a negociação de um instrumento universal
juridicamente vinculante nesse campo.
Consideramos que as Nações Unidas possuem
papel central nessa questão. Concordamos
que é necessário preservar as TICs, em
particular a Internet, como um instrumento
de paz e desenvolvimento e prevenir seu uso
como arma. Além disso, comprometemo-nos
a trabalhar em conjunto a fim de identificar
possibilidades de desenvolvimento de
atividades conjuntas para enfrentar problemas
de segurança comuns na utilização das TICs.
Reiteramos o enfoque comum estabelecido na
Declaração de eThekwini sobre a importância
da segurança na utilização das TICs.
Saudamos a decisão dos Altos Representantes
Responsáveis por Segurança Nacional de
estabelecer um grupo de especialistas dos
Estados membros dos BRICS que elaborará




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	105




propostas práticas relacionadas às principais
áreas de cooperação e coordenar nossas
posições em foros internacionais. Tendo
presente a importância desses temas, tomamos
nota da proposta da Rússia de acordo do
BRICS sobre a cooperação nesse campo, a ser
elaborado conjuntamente.
  51.	Reiteramos	nosso	compromisso
com a implementação da Convenção sobre
Diversidade Biológica e os seus Protocolos,
com especial atenção a o Plano Estratégico
para a Biodiversidade 2011-2020 e as Metas
de Aichi. Reconhecemos o desafio posto
pelas metas acordadas para a conservação da
biodiversidade e reafirmamos a necessidade de
implementar as decisões sobre a mobilização
de recursos acordadas por todas as partes em
hyderabad em 2012, e estabelecer metas de
mobilização de recursos, a fim de permitir a
sua realização.
  52. Reconhecendo que a mudança climática
é um dos maiores desafios que a humanidade
enfrenta, conclamamos todos os países a
apoiar-se nas decisões adotadas na Convenção-
Quadro das Nações Unidas sobre Mudança
do Clima (UNFCCC), com vistas a alcançar
uma conclusão bem-sucedida até 2015 das
negociações sobre o desenvolvimento de um
protocolo, um outro instrumento jurídico ou
um resultado acordado com força jurídica
nos termos da Convenção aplicável a todas
as Partes, de acordo com os princípios e
disposições da UNFCCC, em particular o
princípio de responsabilidades comuns porém
diferenciadas e respectivas capacidades. Neste
sentido, reiteramos nosso apoio à Presidência
da 20ª sessão da Conferência das Partes e
da 10ª sessão da Conferência das Partes
atuando na qualidade de reunião das Partes
do Protocolo de Quioto, a ser realizada em
Lima, Peru, em dezembro de 2014. Notamos
igualmente a convocação da Cúpula do Clima
das Nações Unidas de 2014 a ser realizada em

setembro.
  53. Tendo presente que os combustíveis
fósseis continuam a ser uma das principais
fontes de energia, reiteramos nossa
convicção de que energia renovável e
limpa, pesquisa e desenvolvimento de novas
tecnologias e eficiência energética podem
constituir importante motor para promover
o desenvolvimento sustentável, criar novo
crescimento econômico, reduzir custos
energéticos e aumentar a eficiência no uso
dos recursos naturais. Considerando a ligação
dinâmica entre energia renovável e limpa e
o desenvolvimento sustentável, reafirmamos
a importância de se dar seguimento aos
esforços internacionais destinados a promover
o desenvolvimento de tecnologias de energia
renovável e limpa e de tecnologias de
eficiência energética, tendo em conta políticas,
prioridades e recursos nacionais. Defendemos
o fortalecimento da cooperação internacional
para a promoção de energia renovável e limpa
e para universalizar o acesso à energia, o que
é de grande importância para a melhoria da
qualidade de vida de nossos povos.
  54. Estamos empenhados em trabalhar em
direção a um processo intergovernamental
inclusivo, transparente e participativo para a
construção de uma agenda de desenvolvimento
universal e integrada com a erradicação da
pobreza como objetivo central e abrangente. A
agenda deve integrar as dimensões econômica,
social e ambiental do desenvolvimento
sustentável de forma equilibrada e abrangente,
com objetivos concisos, implementáveis
e mensuráveis, tendo em conta diferentes
realidades e níveis de desenvolvimento
nacionais e respeitando políticas e prioridades
nacionais. AAgenda de Desenvolvimento Pós-
2015 deve, igualmente, respeitar plenamente
e basear em todos os princípios do Rio sobre
desenvolvimento sustentável, inclusive o
princípio de responsabilidades comuns, porém




106

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




diferenciadas. Saudamos o documento final do
Evento Especial da AGNU sobre os Objetivos
de Desenvolvimento do Milênio, que decidiu
lançar um processo intergovernamental no
início da 69ª Sessão da AGNU, que levará à
adoção da Agenda de Desenvolvimento Pós-
2015.
  55. Reiteramos nosso compromisso com
o Grupo de Trabalho Aberto da AGNU sobre
os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
(ODS) e com o trabalho em conjunto para
alcançar uma proposta consensual e ambiciosa
emODS.Ressaltamosaimportânciadotrabalho
da Comissão Intergovernamental de Peritos
sobre Financiamento para o Desenvolvimento
Sustentável e destacamos a necessidade de uma
estratégia de financiamento do desenvolvimento
sustentável eficaz para facilitar a mobilização
de recursos para a realização dos objetivos de
desenvolvimento sustentável e para apoiar
os países em desenvolvimento nos esforços
de implementação, com a Ajuda Oficial ao
Desenvolvimento	como	uma	importante
fonte	de	financiamento.	Apoiamos	a
criação de mecanismo de facilitação para o
desenvolvimento, a transferência e a difusão
de tecnologias limpas e ambientalmente
saudáveis e clamamos pelo estabelecimento
de um grupo de trabalho no âmbito das
Nações Unidas sobre essa proposta, tendo
presente o documento final da Rio+20 e
os relatórios do Secretário-Geral sobre o
assunto. Nesse sentido, reafirmamos que o
resultado de cada um desses processos pode
contribuir para a formulação dos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável.
  56.Reconhecemosaimportânciaestratégica
da	educação	para	o	desenvolvimento
sustentável	e	o	crescimento	econômico
inclusivo. Reafirmamos nosso compromisso
em acelerar o progresso na consecução dos
objetivos Educação para Todos e dos Objetivos
de Desenvolvimento do Milênio relacionados

à educação até 2015 e salientamos que a
agenda de desenvolvimento após 2015 deve
basear-se nesses objetivos, de modo a garantir
educação equitativa, inclusiva e de qualidade
e aprendizado ao longo da vida para todos.
Estamos dispostos a reforçar a cooperação
intra-BRICS na área e saudamos a reunião de
Ministros da Educação realizada em Paris, em
novembro de 2013. Tencionamos continuar a
cooperar com as organizações internacionais
relevantes. Encorajamos a iniciativa de
estabelecer a Rede Universitária do BRICS.
  57. Em março de 2014, concordamos em
colaborar por meio de diálogo, cooperação,
compartilhamento de experiências e
capacitação em assuntos relacionados a
população que são de interesse mútuo
dos Estados-membros. Reconhecemos a
importância vital do dividendo demográfico
que muitos de nós possuímos para avançar
nosso desenvolvimento sustentável, bem
como a necessidade de integrar fatores
populacionais nos planos de desenvolvimento
nacionais, e promover população e
desenvolvimento equilibrados de longo prazo.
Os desafios da transição e pós-transição
demográfica, incluindo o envelhecimento da
população e a redução da mortalidade, estão
entre os mais importantes desafios que o
mundo enfrenta atualmente. Confirmamos o
nosso firme compromisso com a solução dos
problemas sociais em geral e, em particular,
a desigualdade de gênero, os direitos das
mulheres e os problemas enfrentados por
jovens e reafirmamos nossa determinação
em garantir a saúde sexual e reprodutiva e os
direitos reprodutivos para todos.
  58. Reconhecemos que a corrupção afeta
negativamente o crescimento econômico
sustentável, a redução da pobreza e a estabilidade
financeira. Estamos comprometidos a combater
o suborno doméstico e estrangeiro e a fortalecer
a cooperação internacional, incluindo a




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	107




cooperação relacionada ao cumprimento da
lei, em consonância com princípios e normas
estabelecidas multilateralmente, especialmente
a Convenção das Nações Unidas Contra a
Corrupção.
  59. Considerando a relação entre cultura
e desenvolvimento sustentável, assim como
o papel da diplomacia cultural como fator de
entendimento entre os povos, encorajaremos a
cooperação entre os países do BRICS no campo
cultural, inclusive em instâncias multilaterais.
Reconhecendo a contribuição e os benefícios
do intercâmbio cultural e da cooperação no
incremento da nossa amizade e entendimento
mútuo,	promoveremos	ativamente	maior
conscientização, entendimento e apreço da
arte e cultura dos nossos países. Nesse sentido,
solicitamos nossas autoridades responsáveis por
cultura a explorarem iniciativas de cooperação,
inclusive para acelerar as negociações do acordo
sobre cooperação cultural.
  60. Estamos satisfeitos com os avanços na
implementaçãodoPlanodeAçãodeeThekwini,
que enriqueceu ainda mais nossa cooperação
e estimulou amplo potencial para nosso
desenvolvimento. Nesse sentido, saudamos
a áfrica do Sul pela plena implementação do
Plano de Ação de eThekwini.
  61.	Estamos	comprometidos	com	a
promoção da cooperação agrícola e com
o	intercâmbio	de	informação	atinente
a estratégias para assegurar o acesso à
alimentação	para	as	populações	mais
vulneráveis, reduzir o impacto negativo
da mudança climática sobre a segurança
alimentar e adaptar a agricultura à mudança
do clima. Recordamos com satisfação a
decisão da AGNU de declarar 2014 o Ano
Internacional da Agricultura Familiar.
  62. Tomamos nota dos seguintes encontros
mantidos em preparação para esta Cúpula:
   III Reunião do Conselho de Think Tanks
do BRICS;
   
 III Conselho Empresarial do BRICS;
   VI Foro Acadêmico;
   V Foro Empresarial;
   IV Foro Financeiro.
  63. Saudamos os resultados do encontro
dos Ministros das Finanças e Presidentes
de Banco Central do BRICS e endossamos
o Comunicado Conjunto do encontro de
Ministros do Comércio do BRICS, realizados
em preparação para a Cúpula.
  64. A V edição do Foro Empresarial
do BRICS ofereceu oportunidade para o
estabelecimento de contatos e para a discussão
aprofundada de temas altamente relevantes
da agenda de comércio e investimento.
Saudamos o encontro do Conselho
Empresarial do BRICS e o elogiamos por seu
Relatório Anual 2013/2014. Encorajamos as
respectivas comunidades empresariais a dar
prosseguimento às iniciativas propostas e a
aprofundar o diálogo e a cooperação nas cinco
áreas abordadas pelos Grupos de Trabalho de
Indústria/Setor com vistas a intensificar os
fluxos de comércio e investimentos entre os
países do BRICS, assim como entre os BRICS
e outros parceiros ao redor do mundo.
  65. Reiteramos nosso compromisso,
firmado por ocasião do retiro entre líderes do
BRICS e da áfrica na V Cúpula, de apoiar e
desenvolver a cooperação BRICS-áfrica em
prol do desenvolvimento socioeconômico
da áfrica, particularmente no tocante ao
desenvolvimento da infraestrutura e à
industrialização. Saudamos a inclusão dessas
questões em discussões durante o encontro do
Conselho Empresarial do BRICS, realizado
em Joanesburgo, em agosto de 2013.
  66. Saudamos o estudo do BTTC
Towards a Long-Term Strategy for BRICS:
Recommendations by the BTTC. Tomamos
nota da decisão do BTTC, adotada em seu
encontro no Rio de Janeiro em março de 2014,
de concentrar seu trabalho nos cinco pilares




108

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




sobre os quais se sustentará a estratégia de
cooperação de longo prazo do BRICS. O
BTTC é encorajado a desenvolver caminhos
estratégicos e planos de ação que resultem na
consecução dessa estratégia de longo prazo.
  67. Saudamos a realização do primeiro
Encontro de Ministros de Ciência, Tecnologia
e Inovação do BRICS e a Declaração
da Cidade do Cabo que é voltada para
(i) fortalecer a cooperação em ciência,
tecnologia e inovação; (ii) lidar com desafios
socioeconômicos globais e regionais comuns,
utilizando experiências compartilhadas e
complementaridades; (iii) gerar, em conjunto,
novo conhecimento, produtos inovadores,
serviços	e	procedimentos,	utilizando
financiamento apropriado e instrumentos
de investimento; e (iv) promover, quando
cabíveis, parcerias conjuntas do BRICS com
outros atores internacionais do mundo em
desenvolvimento. Instruímos os Ministros
de Ciência e Tecnologia do BRICS a assinar,
em seu próximo encontro, o Memorando de
Entendimento	sobre	Ciência, Tecnologia
e Inovação, que oferece um arcabouço
estratégico para a cooperação nessa área.
  68.	Saudamos	o	estabelecimento	da
Plataforma de Troca de Informações e
Intercâmbio do BRICS, que busca facilitar a
cooperação em comércio e investimento.
  69.	Continuaremos	a	aperfeiçoar	as
políticas de competitividade e implementação,
empreender ações para lidar com desafios
enfrentados pelas Autoridades de Defesa da
Concorrência do BRICS e propiciar melhor
ambiente de competição, a fim de ampliar as
contribuições para o crescimento de nossas
economias. Notamos a oferta da áfrica do Sul
em sediar o IV Encontro de Autoridades de
Defesa da Concorrência do BRICS em 2015.
  70.	Reiteramos	nosso	compromisso
de	promover	nossa	parceria	para	o
desenvolvimento comum. Com esse intuito,

adotamos o Plano de Ação de Fortaleza.
  71. Rússia, índia, China e áfrica do Sul
estendem sua calorosa satisfação ao Governo
e ao povo do Brasil por sediar a VI Cúpula do
BRICS em Fortaleza.
  72. Brasil, índia, China e áfrica do Sul
comunicam seu apreço à Rússia por sua oferta
de sediar a VII Cúpula do BRICS em 2015
na cidade de Ufa e oferecem seu pleno apoio
para a consecução desse fim.
  Plano de Ação de Fortaleza
  1. Reunião dos Ministros de Negócios
Estrangeiros / Relações Internacionais do
BRICS à margem da AGNU.
  2. Reunião de Altos Representantes
Responsáveis por Segurança Nacional do
BRICS
  3. Reunião intermediária de Sherpas e Sub-
Sherpas do BRICS.
  4. Reuniões de Ministros das Finanças
e Presidentes de Banco Central do BRICS
à margem de reuniões do G20, reuniões do
Banco Mundial/FMI, bem como reuniões
específicas, quando solicitadas.
  5. Reuniões de Ministros do Comércio do
BRICS à margem de eventos multilaterais, ou
reuniões específicas, quando solicitadas.
  6. Reunião de Ministros da Agricultura
e do Desenvolvimento Agrário do BRICS,
precedida de reunião Grupo de Trabalho de
Cooperação Agrícola do BRICS.
  7. Reunião de Ministros da Saúde do
BRICS.
  8. Reunião de Ministros de Ciência,
Tecnologia e Inovação do BRICS.
  9. Reunião de Ministros da Educação do
BRICS.
  10. Reunião de Ministros ou Altos
Funcionários responsáveis por seguridade
social, à margem de reunião multilateral.
  11. Seminário de Funcionários e Peritos
em Questões Populacionais do BRICS.
  12. Encontro de Cooperativas do BRICS

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	109




(realizada em Curitiba, em 14-16 de maio de
2014).
  13. Reuniões de autoridades financeiras
e fiscais à margem de reuniões do Banco
Mundial/FMI, bem como reuniões específicas,
quando solicitadas.
  14. Reuniões do Grupo de Contato sobre
Temas Econômicos e Comerciais (GCTEC).
  15. Reunião do Fórum de Cooperação de
Cidades Irmãs e Governos Locais dos BRICS.
  16. Reunião do Fórum de Urbanização do
BRICS.
  17. Reunião de Autoridades de Defesa da
Concorrência do BRICS em 2015 na áfrica
do Sul.
  18. Reunião de Chefes de Instituições
Nacionais de Estatística dos BRICS.
  19. Reunião de Peritos em Antidrogas.
  20. Reunião de Peritos dos BRICS sobre
Cooperação em Anticorrupção, à margem de
reunião multilateral.
  21. Consultas entre Missões Permanentes
e/ou Embaixadas dos BRICS, conforme o
caso, em Nova York, Viena, Roma, Paris,
Washington,	Nairóbi	e	Genebra,	onde
apropriado.
  22.	Reunião	consultiva	de	Altos
Funcionários dos BRICS à margem de foros
internacionais	relevantes	relacionados	a
desenvolvimento sustentável, meio ambiente
e clima, onde apropriado.
  23. Esportes e Megaeventos esportivos.
  Novas áreas de cooperação a serem
exploradas
   Reconhecimento mútuo de Graduações e
Diplomas de Ensino Superior;
   Trabalho e Emprego, Seguridade Social,
Políticas Públicas de Inclusão Social;
   Diálogo de Planejamento de Política
Externa;
   Seguro e resseguro;
   Seminário de Peritos em E-commerce.

ATOS ASSINADOS POR OCASIãO DA VI
   CúPULA DO BRICS  FORTALEzA, 15
                   DE JULhO DE 2014
                            15/07/2014
                               
  1  AGREEMENT ON ThE NEW
DEVELOPMENT BANk
  (versão em português será divulgada
oportunamente)
  2 - TREATYFOR ThE ESTABLIShMENT
OF A BRICS CONTINGENT RESERVE
ARRANGEMENT
  (versão em português será divulgada
oportunamente)
  AGREEMENT ON ThE  NEW
DEVELOPMENT BANk
  The Governments of the Federative
Republic of Brazil, the Russian Federation,
the Republic of India, the Peoples Republic
of China and the Republic of South Africa,
collectively the BRICS countries,
  RECALLING the decision taken in the
fourth BRICS Summit in New Delhi in 2012
and subsequently announced in the fifth
BRICS Summit in Durban in 2013 to establish
a development bank;
  RECOGNIzING the work undertaken by
the respective finance ministries;
  CONVINCED that the establishment of
such a Bank would reflect the close relations
among the BRICS countries, while providing
a powerful instrument for increasing their
economic cooperation;
  MINDFUL of a context where emerging
market economies and developing countries
continue to face significant financing
constraints to address infrastructure gaps and
sustainable development needs;
  have agreed on the establishment of the
New Development Bank (NDB), hereinafter
referred to as the Bank, which shall operate in
accordance with the provisions of the annexed




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




Articles of Agreement, that constitute an
integral part of this Agreement.
  Article 1
  Purpose and Functions
  The Bank shall mobilize resources for
infrastructure and sustainable development
projects in BRICS and other emerging
economies	and	developing	countries,
complementing	the	existing	efforts	of
multilateral and regional financial institutions
for global growth and development.
  To fulfill its purpose, the Bank shall
support public or private projects through
loans, guarantees, equity participation and
other financial instruments. It shall also
cooperate with international organizations and
other financial entities, and provide technical
assistance for projects to be supported by the
Bank.
  Article 2
  Membership, Voting, Capital and Shares
  The founding members of the Bank are the
Federative Republic of Brazil, the Russian
Federation, the Republic of India, the Peoples
Republic of China and the Republic of South
Africa.
  The membership shall be open to members
of the United Nations, in accordance with the
provisions of the Articles of Agreement of the
New Development Bank. It shall be open to
borrowing and non-borrowing members.
  The New Development Bank shall have
an initial subscribed capital of US$ 50 billion
and an initial authorized capital of US$ 100
billion. The initial subscribed capital shall
be equally distributed amongst the founding
members. The voting power of each member
shall equal its subscribed shares in the capital
stock of the Bank.
  Article 3
  headquarters,	Organization	and
Management
  The Bank will have its headquarters in

Shanghai.
  The Bank shall have a Board of Governors,
a Board of Directors, a President and Vice-
Presidents. The President of the Bank shall be
elected from one of the founding members on
a rotational basis, and there shall be at least
one Vice President from each of the other
founding members.
  The operations of the Bank shall be
conducted in accordance with sound banking
principles.
  Article 4
  Entry into force
  This Agreement with its Annex shall enter
into force when the instruments of acceptance,
ratification or approval have been deposited
by all BRICS countries, in accordance with
the provisions set forth in the Articles of
Agreement of the New Development Bank.
  Done in the city of Fortaleza, on the 15th of
July of 2014, in a single original in the English
language.
  ANNEX
  ARTICLES OF AGREEMENT OF ThE
NEW DEVELOPMENT BANk
  The Governments of the Federative
Republic of Brazil, the Russian Federation,
the Republic of India, the Peoples Republic
of China, and the Republic of South Africa
(collectively the BRICS countries):
  CONSIDERING the importance of closer
economic cooperation among the BRICS
countries;
  RECOGNIzING the importance of
providing resources for projects for the
promotion of infrastructure and sustainable
development in the BRICS countries and
other emerging economies and developing
countries;
  CONVINCED of the necessity of creating
a new international financial institution in
order to intermediate resources for the above
mentioned purposes;




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	111




   DESIROUS to contribute to an international
financial system conducive to economic and
social development respectful of the global
environment;
  hAVE AGREED as follows:
  Chapter I
  Establishment, Purposes, Functions and
headquarters
  Article 1
  Establishment
  The New Development Bank (hereinafter
the Bank), established by this Agreement,
shall operate in accordance with the following
provisions.
  Article 2
  Purposes
  The purpose of the Bank shall be to mobilize
resources for infrastructure and sustainable
development projects in BRICS and other
emerging market economies and developing
countries to complement the existing efforts of
multilateral and regional financial institutions
for global growth and development.
  Article 3
  Functions
  To fulfill its purpose, the Bank is authorized
to exercise the following functions:
  (i) to utilize resources at its disposal
to support infrastructure and sustainable
development projects, public or private,
in the BRICS and other emerging market
economies and developing countries, through
the provision of loans, guarantees, equity
participation and other financial instruments;
  (ii) to cooperate as the Bank may deem
appropriate,	within	its	mandate,	with
international organizations, as well as national
entities whether public or private, in particular
with international financial institutions and
national development banks;
  (iii) to provide technical assistance for
the	preparation	and	implementation	of
infrastructure and sustainable development

projects to be supported by the Bank;
  (iv) to support infrastructure and sustainable
development projects involving more than
one country;
  (v) to establish, or be entrusted with the
administration, of Special Funds which are
designed to serve its purpose.
   Article 4
  headquarters
  a) The Bank has its headquarters in
Shanghai.
  b) The Bank may establish offices necessary
for the performance of its functions. The first
regional office shall be in Johannesburg.
  Chapter II
  Membership, Voting, Capital and Shares
  Article 5
  Membership
  a) The founding members of the Bank are
the Federative Republic of Brazil, the Russian
Federation, the Republic of India, the Peoples
Republic of China, and the Republic of South
Africa.
  b) Membership shall be open to members
of the United Nations at such times and in
accordance with such terms and conditions as
the Bank shall determine by a special majority
at the Board of Governors.
  c) Membership of the Bank shall be open
to borrowing and non-borrowing members.
  d) The Bank may accept, as decided by the
Board of Governors, International Financial
Institutions as observers at the meetings of
the Board of Governors. Countries interested
in becoming members may also be invited as
observers to these meetings.
  Article 6
  Voting
  a) The voting power of each member
shall be equal to the number of its subscribed
shares in the capital stock of the Bank. In the
event of any member failing to pay any part
of the amount due in respect of its obligations




112

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




in relation to paid-in shares under Article
7 of this Agreement, such member shall be
unable, for so long as such failure continues,
to exercise that percentage of its voting power
which corresponds to the percentage which
the amount due but unpaid bears to the total
amount of paid-in shares subscribed to by that
member in the capital stock of the Bank.
  b)	Except	as	otherwise	specifically
provided for in this Agreement, all matters
before the Bank shall be decided by a simple
majority of the votes cast. Where provided for
in this Agreement, a qualified majority shall be
understood as an affirmative vote of two thirds
of the total voting power of the members.
Where provided for in this Agreement, a
special majority shall be understood as an
affirmative vote of four of the founding
members concurrent with an affirmative vote
of two thirds of the total voting power of the
members.
  c) In voting in the Board of Governors, each
governor shall be entitled to cast the votes of
the member country which he represents.
  d) In voting in the Board of Directors each
director shall be entitled to cast the number of
votes that counted toward his election, which
votes need not be cast as a unit.
  Article 7
  Authorized and Subscribed Capital
  a) The initial authorized capital of the
Bank shall be one hundred billion dollars
(US$100,000,000,000). The dollar wherever
referred to in this Agreement shall be
understood as being the official currency of
payment of the United States of America.
  b) The initial authorized capital of the
Bank shall be divided into 1,000,000 (one
million) shares, having a par value of one
hundred thousand dollars (US$ 100,000)
each, which shall be available for subscription
only by members in accordance with the
provisions of this Agreement. The value of 1

(one) share, will also be the minimum amount
to be subscribed for participation by a single
country.
  c) The initial subscribed capital of
the Bank shall be fifty billion dollars
(US$50,000,000,000). The subscribed
capital stock shall be divided into paid-in
shares and callable shares. Shares having
an aggregate par value of ten billion dollars
(US$10,000,000,000) shall be paid-in shares,
and shares having an aggregate par value of
forty billion dollars (US$40,000,000,000)
shall be callable shares.
  d) An increase of the authorized and
subscribed capital stock of the Bank, as well
as the proportion between the paid in shares
and the callable shares may be decided by the
Board of Governors at such time and under
such terms and conditions as it may deem
advisable, by a special majority of the Board
of Governors. In such case, each member shall
have a reasonable opportunity to subscribe,
under the conditions established in Article 8
and under such other conditions as the Board
of Governors shall decide. No member,
however, shall be obligated to subscribe to
any part of such increased capital.
  e) The Board of Governors shall at intervals
of not more than 5 (five) years review the
capital stock of the Bank.
  Article 8
  Subscription of Shares
  a) Each member shall subscribe to shares
of the capital stock of the Bank. The number
of shares to be initially subscribed by the
founding members shall be those set forth
in Attachment 1 of this Agreement, which
specifies the obligation of each member as to
both paid-in and callable capital. The number
of shares to be initially subscribed by other
members shall be determined by the Board of
Governors by special majority on the occasion
of the acceptance of their accession.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	113




   b) Shares of stock initially subscribed by
founding members shall be issued at par. Other
shares shall be issued at par unless the Board
of Governors decides in special circumstances
to issue them on other terms.
  c) No increase in the subscription of any
member to the capital stock shall become
effective, and any right to subscribe thereto is
hereby waived, which would have the effect
of:
  (i) reducing the voting power of the
founding members below 55 (fifty-five) per
cent of the total voting power;
  (ii) increasing the voting power of the
non-borrowing member countries above 20
(twenty) per cent of the total voting power;
  (iii) increasing the voting power of a non-
founding member country above 7 (seven) per
cent of total voting power.
  d) The liability of the members on shares
shall be limited to the unpaid portion of their
issue price.
  e) No member shall be liable, by reason of
its membership, for obligations of the Bank.
  f) Shares shall not be pledged nor
encumbered in any manner. They shall be
transferable only to the Bank.
  Article 9
  Payment of Subscriptions
  a) On entry into force of this Agreement,
payment of the amount initially subscribed by
each founding member to the paid-in capital
stock of the Bank shall be made in dollars
in 7 (seven) installments as provided for in
Attachment 2. The first installment shall be
paid by each member within 6 (six) months
after entry into force of this Agreement.
The second installment shall become due
18 (eighteen) months from the entry into
force of this Agreement. The remaining 5
(five) installments shall each become due
successively 1 (one) year from the date on
which the preceding installment becomes due.
   
b) The Board of Governors shall determine
the dates for the payment of amounts
subscribed by the members of the Bank to the
paid-in capital stock to which the provisions
of paragraph (a) of this article do not apply.
  c) Payment of the amounts subscribed to
the callable capital stock of the Bank shall be
subject to call only as and when required by
the Bank to meet its obligations incurred on
borrowing of funds for inclusion in its ordinary
capital resources or guarantees chargeable
to such resources. In the event of such calls,
payment may be made at the option of the
member concerned in convertible currency
or in the currency required to discharge the
obligation of the Bank for the purpose of
which the call is made.
  d) Calls on unpaid subscriptions shall be
uniform in percentage on all callable shares.
  Chapter III
  Organization and Management
  Article 10
  Structure
  The Bank shall have a Board of Governors,
a Board of Directors, a President, Vice-
Presidents as decided by the Board of
Governors, and such other officers and staff
as may be considered necessary.
  Article 11
  Board of Governors: composition and
powers
  a) All the powers of the Bank shall be
vested in the Board of Governors consisting
of one governor and one alternate appointed
by each member in such manner as it may
determine. Governors shall be at ministerial
level, and may be replaced subject to the
pleasure of the member appointing him. No
alternate may vote except in the absence of his
principal. The Board shall on an annual basis
select one of the governors as chairperson.
  b) The Board of Governors may delegate to
the Directors authority to exercise any powers




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




of the Board, except the power to:
  (i) admit new members and determine the
conditions of their admission;
  (ii) increase or decrease the capital stock;
  (iii) suspend a member;
  (iv) amend this Agreement;
  (v) decide appeals from interpretations of
this agreement given by the Directors;
  (vi) authorize the conclusion of general
agreements	for	cooperation	with	other
international organizations;
  (vii) determine the distribution of the net
income of the Bank;
  (viii) decide to terminate the operations of
the Bank and to distribute its assets;
  (ix) decide on the number of additional
Vice-Presidents;
  (x) elect the President of the Bank;
  (xi) approve a proposal by the Board of
Directors to call capital;
  (xii) approve the General Strategy of the
Bank every 5 (five) years.
  c) The Board of Governors shall hold an
annual meeting and such other meetings as
may be provided for by the Board or called
by the Directors. Meetings of the Board shall
be called by the Directors whenever requested
by members, the number of which shall be
determined by the Board of Governors from
time to time.
  d) A quorum for any meeting of the Board
of Governors shall be a majority of the
Governors, exercising not less than two thirds
of the total voting power.
  e) The Board of Governors may by
regulation establish a procedure whereby the
Directors, when they deem such action to be
in the best interests of the Bank, may obtain a
vote of the Governors on a specific question
without calling a meeting of the Board.
  f) The Board of Governors, and the
Directors to the extent authorized, may adopt
such rules and regulations as may be necessary

or appropriate to conduct the business of the
Bank.
  g) Governors and alternates shall serve as
such without compensation from the Bank.
  h) The Board of Governors shall determine
the salary and terms of the contract of service
of the President.
  i) The Board of Governors shall retain full
power to exercise authority over any matter
delegated to the Board of Directors under
paragraph (a) of Article 12.
  Article 12
  Board of Directors
  (a) The Board of Directors shall be
responsible for the conduct of the general
operations of the Bank, and for this purpose,
shall exercise all the powers delegated to them
by the Board of Governors, and in particular:
  (i) in conformity with the general
directions of the Board of Governors, take
decisions concerning business strategies,
country strategies, loans, guarantees, equity
investments, borrowing by the Bank, setting
basic operational procedures and charges,
furnishing of technical assistance and other
operations of the Bank;
  (ii) submit the accounts for each financial
year for approval of the Board of Governors
at each annual meeting; and
  (iii) approve the budget of the Bank.
  (b) Each of the founding members shall
appoint 1 (one) Director and 1 (one) alternate.
The Board of Governors shall establish by
special majority the methodology by which
additional Directors and alternates shall be
elected, so that the total number of Directors
shall be no more than 10 (ten).
  (c) Directors shall serve a term of 2 (two)
years and may be re-elected. A Director shall
continue in office until his successor has been
chosen and qualified. Alternates shall have
full power to act for the respective Director
when he is not present.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	115




   (d) The Board of Directors shall appoint
a non-executive chairperson from among the
Directors for a mandate of 4 (four) years. If
the Director does not serve a full mandate
or if he is not re-elected for a second term,
the Director that replaces him will serve as
chairperson for the remainder of the term.
  (e) The Board of Directors shall approve
the basic organization of the Bank upon
proposal by the President, including the
number and general responsibilities of the
chief administrative and professional positions
of the staff.
  (f) The Board of Directors shall appoint a
Credit and Investment Committee and may
appoint such other committees as it deems
advisable. Membership of such committees
need not be limited to Governors, Directors,
or alternates.
  (g) The Board of Directors shall function
as a non-resident body, which will meet
quarterly, unless the Board of Governors
decides otherwise by a qualified majority.
If the Board of Governors decides to make
the Board of Directors a resident body, the
President of the Bank will become henceforth
the chairperson of the Board of Directors.
  (h) A quorum for any meeting of the
Directors shall be a majority of the Directors,
exercising not less than two-thirds of the total
voting power.
  (i) A member of the Bank may send a
representative to attend any meeting of the
Board of Directors when a matter especially
affecting that member is under consideration.
Such right of representation shall be regulated
by the Board of Governors.
  Article 13
  President and Staff
  a) The Board of Governors shall elect a
President from one of the founding members
on a rotational basis, who shall not be a
Governor or a Director or an alternate for

either. The President shall be a member of
the Board of Directors, but shall have no vote
except a deciding vote in case of an equal
division. The President may participate in
meetings of the Board of Governors, but shall
not vote at such meetings. Without prejudice
to the mandate established in item (d) below,
the President shall cease to hold office should
the Board of Governors so decide by a special
majority.
  b) The President shall be chief of the
operating staff of the Bank and shall conduct,
under the direction of the Directors, the
ordinary business of the Bank, and in
particular:
  (i) being, on this, accountable to the
Directors, the President shall be responsible for
the organization, appointment and dismissal
of the officers and staff, and recommendation
of admission and dismissal of Vice Presidents
to the Board of Governors;
  (ii) the President shall head the credit and
investment committee, composed also by
the Vice-Presidents, that will be responsible
for decisions on loans, guarantees, equity
investments and technical assistance of no
more than a limit amount to be established
by the Board of Directors, provided that no
objection is raised by any member of Board
of Directors within 30 (thirty) days since such
project is submitted to the Board.
  c) There shall be at least 1 (one) Vice-
President from each founding member except
the country represented by the President. Vice-
Presidents shall be appointed by the Board
of Governors on the recommendation of the
President. Vice-Presidents shall exercise
such authority and perform such functions
in the administration of the Bank, as may be
determined by the Board of Directors.
  d) The President and each Vice-President
shall serve for a 5 (five) year term, non
renewable, except for the first term of the first




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




Vice-Presidents, whose mandate shall be for 6
(six) years.
  e) The Bank, its officers and employees
shall not interfere in the political affairs of
any member, nor shall they be influenced in
their decisions by the political character of
the member or members concerned. Only
economic considerations shall be relevant to
their decisions, and these considerations shall
be weighed impartially in order to achieve the
purpose and functions stated in Articles 2 and 3.
  f) The President, Vice-Presidents, officers
and staff of the Bank, in the discharge of their
offices, owe their duty entirely to the Bank
and to no other authority. Each member of the
Bank shall respect the international character
of this duty and shall refrain from all attempts
to influence any of them in the discharge of
their duties.
  Article 14
  Publication of Reports and Provision of
Information
  a) The Bank shall publish an annual
report containing an audited statement of the
accounts. It shall also transmit quarterly to the
members a summary statement of the financial
position and a profit-and-loss statement
showing the results of its ordinary operations.
  b) The Bank may also publish such other
reports as it deems desirable to carry out its
purpose and functions.
  Article 15
  Transparency and Accountability
  The Bank shall ensure that its proceedings
are transparent and shall elaborate in its
own Rules of Procedure specific provisions
regarding access to its documents.
  Chapter IV
  Operations
  Article 16
  Use of Resources
  The resources and facilities of the Bank
shall be used exclusively to implement the

purpose and functions set forth respectively in
Articles 2 and 3 of this Agreement.
  Article 17
  Depositories
  Each member shall designate its central bank
as a depository in which the Bank may keep its
holdings of such members currency and other
assets of the Bank. If a member has no central
bank, it shall, in agreement with the Bank,
designate another institution for such purpose.
   Article 18
  Categories of Operations
  a) The operations of the Bank shall
consist of ordinary operations and special
operations. Ordinary operations shall be those
financed from the ordinary capital resources
of the Bank. Special operations shall be those
financed from the Special Funds resources.
  b) The ordinary capital of the Bank shall
include the following:
  (i) subscribed capital stock of the Bank,
including both paid-in and callable shares,
except such part thereof as may be set aside
into one or more Special Funds;
  (ii) funds raised by borrowings of the Bank
by virtue of powers conferred by Chapter 5
of this Agreement, to which the commitment
to calls provided for in item (c) of Article 9 is
applicable;
  (iii) funds received in repayment of loans
or guarantees and proceeds from the disposal
of equity investments made with the resources
indicated in (i) and (ii) of this paragraph;
  (iv) income derived from loans and equity
investments made from the aforementioned
funds or from guarantees to which the
commitment to calls set forth in item (c) of
Article 9 of this Agreement is applicable; and
  (v) any other funds or income received by
the Bank which do not form part of its Special
Funds resources.
  c) The ordinary capital resources and the
Special Funds resources of the Bank shall




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	117




at all times and in all respects be held, used,
committed, invested or otherwise disposed
of entirely separate from each other. The
financial statements of the Bank shall show
the ordinary operations and special operations
separately.
  d) The ordinary capital resources of the
Bank shall, under no circumstances, be
charged with, or used to discharge, losses or
liabilities arising out of special operations
or other activities for which Special Fund
resources were originally used or committed.
  e) Expenses appertaining directly to ordinary
operations shall be charged to the ordinary capital
resources of the Bank. Expenses appertaining
directly to the special operations shall be charged
to Special Funds resources.
  Article 19
  Methods of Operation
  a) The Bank may guarantee, participate
in, make loans or support through any other
financial instrument, public or private projects,
including	public-private	partnerships,	in
any borrowing member country, as well as
invest in the equity, underwrite the equity
issue of securities, or facilitate the access of
international capital markets of any business,
industrial, agricultural or services enterprise
with projects in the territories of borrowing
member countries.
  b) The Bank may co-finance, guarantee
or co-guarantee, together with international
financial institutions, commercial banks or
other suitable entities, projects within its
mandate.
  c) The Bank may provide technical assistance
for the preparation and implementation of
projects to be supported by the Bank.
  d) The Board of Governors, by special
majority, may approve a general policy under
which the Bank is authorized to develop the
operations described in the previous items
of this article in relation to public or private

projects in a non-member emerging economy
or developing country, subject to the condition
that it involves a material interest of a member,
as defined by such policy.
  e) The Board of Directors, by special
majority, may exceptionally approve a
specific public or private project in a non-
member emerging economy or developing
country involving the operations described in
the previous items of this article. Sovereign
guaranteed operations in non-members will
be priced in full consideration of the sovereign
risks involved, given the risk mitigators
offered, and any other conditions established
as the Board of Directors may decide.
  Article 20
  Limitations on Operations
  a) The total amount outstanding in respect
of the ordinary operations of the Bank shall
not at any time exceed the total amount of
its unimpaired subscribed capital, reserves
and surplus included in its ordinary capital
resources.
  b) The total amount outstanding in respect
of the special operations of the Bank relating to
any Special Fund shall not at any time exceed
the total amount prescribed in the regulations
of that Special Fund.
  c) The Bank shall seek to maintain
reasonable diversification in its investments in
equity capital. It shall not assume responsibility
for managing any entity or enterprise in which
it has an investment, except where necessary
to safeguard its investments.
   Article 21
  Operational Principles
  The operations of the Bank shall be
conducted in accordance with the following
principles:
  (i) the Bank shall apply sound banking
principles to all its operations, ensure adequate
remuneration and have in due regard the risks
involved;




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




  (ii) the Bank shall not finance any
undertaking in the territory of a member if
that member objects to such financing;
  (iii) in preparing any country program or
strategy, financing any project or by making
designation or reference to a particular
territory, or geographic area in its documents,
the Bank will not deem to have intended to
make any judgment as to the legal or other
status of any territory or area;
  (iv)	the	Bank	shall	not	allow	a
disproportionate amount of its resources
to be used for the benefit of any member.
The Bank shall seek to maintain reasonable
diversification in all of its investments;
  (v) the Bank shall place no restriction upon
the procurement of goods and services from
any country member from the proceeds of any
loan, investment or other financing undertaken
in the ordinary or special operations of the
Banks, and shall, in all appropriate cases, make
its loans and other operations conditional on
invitations to all member countries to tender
being arranged;
  (vi) the proceeds of any loan, investment
or other financing undertaken in the ordinary
operations of the Bank or with Special Funds
established by the Bank shall be used only for
procurement in member countries of goods
and services produced in member countries,
except in any case in which the Board of
Directors determines to permit procurement in
a non-member country of goods and services
produced in a non-member country in special
circumstances making such procurement
appropriate;
  (vii) the Bank shall take the necessary
measures to ensure that the proceeds of any
loan made, guaranteed or participated in by
the Bank, or any equity investment, are used
only for the purposes for which the loan or the
equity investment was granted and with due
attention to considerations of economy and

efficiency.
  Article 22
  Terms and Conditions
  a) In the case of loans made, participated
in, or guaranteed by the Bank and equity
investments, the contract shall establish the
terms and conditions for the loan, guarantee
or equity investment concerned in accordance
with the policies established by the Board of
Directors, including, as the case may be, those
relating to payment of principal, interest and
other fees, charges, commissions, maturities,
currency and dates of payment in respect of
the loan, guarantee or equity investment, in
accordance with the policies of the Bank. In
setting such policies, the Board of Directors
shall take fully into account the need to
safeguard its income.
  b) In underwriting the sale of securities,
the Bank shall charge fees under the terms
and conditions established in the policies of
the Bank.
  Article 23
  Special Funds
  a) The establishment and administration of
Special Funds by the Bank shall be approved
by the Board of Governors by a qualified
majority and shall follow the purposes set
forth in Article 2 of this Agreement.
  b) Except when the Board of Governors
specifies otherwise, the Special Funds shall be
accountable and its operations subjected to the
Board of Directors.
  c) The Bank may adopt such special rules
and regulations as may be required for the
establishment, administration and use of each
Special Fund.
  Article 24
  Provision of Currencies
  The Bank in its operations may provide
financing in the local currency of the country
in which the operation takes place, provided
that adequate policies are put in place to avoid




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	119




significant currency mismatch.
  Article 25
  Methods of Meeting the Losses of the Bank
  a) In cases of default on loans made,
participated in or guaranteed by the Bank
in its ordinary operations, the Bank shall
take, firstly, all necessary actions as it deems
appropriate in order to recover the loans made
and, secondly, it may modify the terms of the
loans, other than the currency of repayment.
  b) Losses arising in the Banks ordinary
operation shall be charged:
  (i) first, to the provisions of the Bank;
  (ii) second, to net income;
  (iii) third, against the special reserve;
  (iv) fourth, against the general reserve and
surpluses;
  (v) fifth, against the unimpaired paid-in
capital, and
  (vi) last, against an appropriate amount
of the uncalled subscribed callable capital
which shall be called in accordance with the
provisions of paragraphs (c) and (d) of Article
9 of these Articles of Agreement.
  c) In deploying its efforts for credit
recovery in case of default, the Bank shall
seek the assistance of the authorities of the
country where the operation takes place.
  Chapter V
  Borrowing and other Additional Powers
  Article 26
  General Powers
  In addition to the powers specified
elsewhere in this Agreement, the Bank shall
have the power to:
  (a) borrow funds in member countries or
elsewhere, and in this connection to furnish
such collateral or other security therefore as
the Bank shall determine, provided always
that:
  (i) before making a sale of its obligations
in the territory of a member country, the Bank
shall have obtained its approval;
   
(ii) where the obligations of the Bank are to
be denominated in the currency of a member,
the bank shall have obtained its approval;
  (iii) the Bank shall obtain the approval of
the countries referred to in sub-paragraphs (i)
and (ii) of this paragraph that the proceeds
may be exchanged without restriction for
other currencies; and
  (iv) before determining to sell its
obligations in a particular country, the
Bank shall consider the amount of previous
borrowing, if any, in that country, the amount
of previous borrowing in other countries, and
the possible availability of funds in such other
countries; and shall give due regard to the
general principle that its borrowings should to
the greatest extent possible be diversified as to
country of borrowing.
  (b) buy and sell securities the Bank has
issued or guaranteed or in which it has invested,
provided always that it shall have obtained the
approval of any country in whose territory the
securities are to be bought or sold;
  (c) guarantee securities in which it has
invested in order to facilitate their sale;
  (d) underwrite, or participate in the
underwriting of, securities issued by any entity
or enterprise for purposes consistent with the
purpose of the Bank;
  (e) invest funds, not needed in its
operations, in such obligations as it may
determine, and invest funds held by the Bank
for pensions or similar purposes in marketable
securities. In doing so, the Bank shall give
due consideration to invest such funds in
the territories of members in obligations of
members or nationals thereof;
  (f) exercise such other powers and establish
such rules and regulations as may be necessary
or appropriate in furtherance of its purpose
and functions, consistent with the provisions
of this Agreement.
  Article 27

   
   

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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




  Notice to be placed on Securities
  Every security issued or guaranteed by
the Bank shall bear on its face a conspicuous
statement to the effect that it is not an
obligation of any Government, unless it is in
fact the obligation of a particular Government,
in which case it shall so state.
  Chapter VI
  Status, Immunities and Privileges
  Article 28
  Purpose of the Chapter
  To enable the Bank effectively to fulfill its
purpose and carry out the functions entrusted
to it, the status, immunities, exemptions and
privileges set forth in this Chapter shall be
accorded to the Bank in the territory of each
member.
  Article 29
  Status
  a) The Bank shall possess full international
personality.
  b) In the territory of each member the Bank
shall possess full juridical personality and, in
particular, full capacity to:
  (i) contract;
  (ii) acquire and dispose of immovable and
movable property; and
  (iii) institute legal proceedings
  Article 30
  Position of the Bank with Regard to
Judicial Process
  a) The Bank shall enjoy immunity from
every form of legal process, except in cases
arising out of or in connection with the
exercise of its powers to borrow money, to
guarantee obligations, or to buy and sell or
underwrite the sale of securities, in which
cases actions may be brought against the Bank
in a court of competent jurisdiction in the
territory of a country in which the Bank has
its headquarters or offices, or has appointed an
agent for the purpose of accepting service or
notice of process, or has issued or guaranteed

securities.
  b) Notwithstanding the provisions of
paragraph (a) of this Article, no action shall
be brought against the Bank by any member,
or by any agency or instrumentality of a
member, or by any entity or person directly
or indirectly acting for or deriving claims
from a member or from any agency or
instrumentality of a member. Members shall
have recourse to such special procedures for
the settlement of controversies between the
Bank and its members as may be prescribed in
this Agreement, in the by-laws and regulations
of the Bank, or in contracts entered into with
the Bank.
  c) Property and assets of the Bank shall,
wheresoever located and by whomsoever
held, be immune from all forms of seizure,
attachment or execution before the delivery of
final judgment against the Bank.
  Article 31
  Freedom and Immunity of Assets and
Archives
  a) Property and assets of the Bank,
wherever located and by whomsoever held,
shall be immune from search, requisition,
confiscation, expropriation or any other
form of taking or foreclosure by executive or
legislative action.
  b) The archives of the Bank and, in general,
all documents belonging to it or held by it,
shall be inviolable, wherever located.
  c) To the extent necessary to carry out the
purpose and functions of the Bank and subject
to the provisions of this Agreement, all
property and other assets of the Bank shall be
exempt from restrictions, regulations, controls
and moratoria of any nature.
  Article 32
  Privilege for Communications
  The official communications of the Bank
shall be accorded by each member the
same treatment that it accords to the official




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	121




communications of other members.
  Article 33
  Personal Immunities and Privileges
  All	Governors,	Directors,	alternates,
officers, and employees of the Bank shall
have the following privileges and immunities:
  (i) immunity from legal process with
respect to acts performed by them in their
official capacity, except when the Bank waives
this immunity;
  (ii) when not local nationals, the same
immunities from immigration restrictions,
alien registration requirements and national
service obligations and the same facilities as
regards exchange provisions as are accorded
by members to the representatives, officials,
and employees of comparable rank of other
members;
  (iii) the same privileges in respect of
traveling facilities as are accorded by members
to representatives, officials, and employees of
comparable rank of other members.
  Article 34
  Exemption from Taxation
  a) The Bank, its property, other assets,
income, transfers and the operations and
transactions it carries out pursuant to this
Agreement, shall be immune from all taxation,
from all restrictions and from all customs
duties. The Bank shall also be immune
from any obligation relating to the payment,
withholding or collection of any tax, or duty.
  b) No tax shall be levied on or in respect
of salaries and emoluments paid by the Bank
to Directors, alternates, officers or employees
of the Bank, including experts performing
missions for the Bank, except where a member,
notwithstanding Article 48(d), deposits with
its instrument of ratification, acceptance,
approval or accession a declaration that such
member retains for itself and its political
subdivisions the right to tax salaries and
emoluments paid by the Bank to citizens or

nationals of such member.
  c) No tax of any kind shall be levied on
any obligation or security issued by the Bank,
including any dividend or interest thereon, by
whomsoever held:
  (i) which discriminates against such
obligation or security solely because it is
issued by the Bank; or
  (ii) if the sole jurisdictional basis for such
taxation is the place or currency in which it is
issued, made payable or paid, or the location
of any office or place of business maintained
by the Bank.
  d) No tax of any kind shall be levied on any
obligation or security guaranteed by the Bank,
including any dividend or interest thereon, by
whomsoever held:
  i) which discriminates against such
obligation or security solely because it is
guaranteed by the Bank; or
  ii) if the sole jurisdictional basis for such
taxation is the location of any office or place
of business maintained by the Bank.
  Article 35
  Implementation
  Each member, in accordance with its
juridical system, shall promptly take such
action as is necessary to make effective in
its own territory the provisions set forth in
the Chapter and shall inform the Bank of the
action which it has taken on the matter.
  Article 36
  Waiver of Immunities, Privileges and
Exemptions
  The immunities, privileges and exemptions
conferred under this Chapter are granted
in the interest of the Bank. The Board of
Directors may waive to such extent and upon
such conditions as it may determine any of
the immunities, privileges and exemptions
conferred under this Chapter in cases
where such action would, in its opinion, be
appropriate in the best interests of the Bank.




122

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




The President shall have the right and the
duty to waive any immunity, privilege or
exemption in respect of any officer, employee
or expert of the Bank, other than the President
and each Vice-President, where, in his or her
opinion, the immunity, privilege or exemption
would impede the course of justice and can
be waived without prejudice to the interests of
the Bank. In similar circumstances and under
the same conditions, the Board of Directors
shall have the right and the duty to waive any
immunity, privilege or exemption in respect
of the President and each Vice-President.
  Chapter VII
  Withdrawal and Suspension of Members,
Temporary Suspension and Termination of
Operations of the Bank
  Article 37
  Withdrawal
  a) Any member may withdraw from
the Bank by delivering to the Bank at its
headquarters written notice of its intention to
do so. Such withdrawal shall become finally
effective, and the membership shall cease,
on the date specified in the notice but in no
event less than 6 (six) months after the notice
is delivered to the Bank. however, at any
time before the withdrawal becomes finally
effective, the member may notify the Bank
in writing of the cancellation of its notice of
intention to withdraw.
  b) After withdrawing, a member shall
remain liable for all direct and contingent
obligations to the Bank to which it was subject
at the date of delivery of the withdrawal
notice, including those specified in Article
39. however, if the withdrawal becomes
finally effective, the member shall not incur
any liability for obligations resulting from
operations of the Bank effected after the date
on which the withdrawal notice was received
by the Bank.
  c) Upon receipt of a notice of withdrawal,

the Board of Governors shall adopt
procedures for settlement of accounts with the
withdrawing Member country, no later than
the date upon which the withdrawal becomes
effective.
  Article 38
  Suspension of Membership
  a) If a member fails to fulfill any of its
obligations to the Bank, the Bank may suspend
its membership by decision of the Board of
Governors by special majority.
  b) The member so suspended shall
automatically cease to be a member of
the Bank 1 (one) year from the date of its
suspension unless the Board of Governors
decides by the same majority to terminate the
suspension.
  c) While under suspension, a member shall
not be entitled to exercise any rights under this
Agreement, except the right of withdrawal,
but shall remain subject to all its obligations.
  d) The Board of Governors shall adopt
regulations as may be necessary for the
implementation of this article.
  Article 39
  Settlement of Accounts
  a) After a country ceases to be a member,
it no longer shall share in the profits or losses
of the Bank, nor shall it incur any liability
with respect to loans and guarantees entered
into by the Bank thereafter. however, it shall
remain liable for all amounts it owes the Bank
and for its contingent liabilities to the Bank
so long as any part of the loans or guarantees
contracted by the Bank before the date on
which the country ceased to be a member
remains outstanding.
  b) When a country ceases to be a member,
the Bank shall arrange for the repurchase
of such countrys capital stock as a part of
the settlement of accounts pursuant to the
provisions of this Article; but the country shall
have no other rights under this Agreement




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	123




except as provided in this Article and in
Article 46.
  c) The Bank and the country ceasing to
be a member may agree on the repurchase of
the capital stock on such terms as are deemed
appropriate in the circumstances, without
regard to the provisions of the following
paragraph. Such agreement may provide,
among other things, for a final settlement of
all obligations of the country to the Bank.
  d) If the agreement referred to in
the	preceding	paragraph	has	not	been
consummated within 6 (six) months after the
country ceases to be a member or such other
time as the Bank and such country may agree
upon, the repurchase price of such countrys
capital stock shall be its book value, according
to the books of the Bank, on the date when
the country ceased to be a member. Such
repurchase shall be subject to the following
conditions:
  (i) the payment may be made in such
installments, at such times and in such
available currencies as the Bank determines,
taking into account the financial position of
the Bank;
  (ii) any amount which the Bank owes
the country for the repurchase of its capital
stock shall be withheld to the extent that the
country or any of its subdivisions or agencies
remains liable to the Bank as a result of loan
or guarantee operations. The amount withheld
may, at the option of the Bank, be applied on
any such liability as it matures. however, no
amount shall be withheld on account of the
countrys contingent liability for future calls
on its subscription pursuant to Article 9(c);
  (iii) if the Bank sustains net losses on
any loans or participations, or as a result
of any guarantees, outstanding on the date
the country ceased to be a member, and the
amount of such losses exceeds the amount
of the reserves provided therefore on such

date, such country shall repay on demand the
amount by which the repurchase price of its
shares would have been reduced, if the losses
had been taken into account when the book
value of the shares, according to the books
of the Bank, was determined. In addition, the
former member shall remain liable on any call
pursuant to Article 9(c), to the extent that it
would have been required to respond if the
impairment of capital had occurred and the
call had been made at the time the repurchase
price of its shares had been determined.
  e) In no event shall any amount due to a
country for its shares under this section be
paid until 12 (twelve) months after the date
upon which the country ceases to be a member.
If within that period the Bank terminates
operations, all rights of such country shall be
determined by the provisions of Articles 41
to 43, and such country shall be considered
still a member of the Bank for the purposes
of such articles except that it shall have no
voting rights.
  Article 40
  Temporary Suspension of Operations
  In an emergency, the Board of Directors may
suspend temporarily operations in respect of
new loans, guarantees, underwriting, technical
assistance and equity investments pending
an opportunity for further consideration and
action by the Board of Governors.
  Article 41
  Termination of Operations
  The Bank may terminate its operations
as decided by the Board of Governors by
special majority. Upon such termination of
operations the Bank shall forthwith cease all
activities, except those incidents to the orderly
realization, conservation and preservation of
its assets and settlement of its obligations.
  Article 42
  Liability of Members and Payment of
Claims




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




  a) The liability of all members arising
from the subscriptions to the capital stock of
the Bank and in respect to the depreciation of
their currencies shall continue until all direct
and contingent obligations shall have been
discharged.
  b) All creditors holding direct claims shall
be paid out of the assets of the Bank and then out
of payments to the Bank on unpaid or callable
subscriptions. Before making any payments
to creditors holding direct claims, the Board
of Directors shall make such arrangements as
are necessary, in its judgment, to ensure a pro
rata distribution among holders of direct and
contingent claims.
  Article 43
  Distribution of Assets
  a) No distribution of assets shall be made to
members on account of their subscriptions to
the capital stock of the Bank until all liabilities
to creditors chargeable to such capital stock
shall have been discharged or provided for.
Moreover, such distribution must be approved
by a decision of the Board of Governors by
special majority.
  b) Any distribution of the assets of the
Bank to the members shall be in proportion
to capital stock held by each member and
shall be effected at such times and under such
conditions, as the Bank shall deem fair and
equitable. The shares of assets distributed
need not be uniform as to type of assets. No
member shall be entitled to receive its share in
such a distribution of assets until it has settled
all of its obligations to the Bank.
  c) Any member receiving assets distributed
pursuant to this article shall enjoy the same
rights with respect to such assets as the Bank
enjoyed prior to their distribution.
  Chapter VIII
  Amendments, Interpretation and Arbitration
  Article 44
  Amendments
   
a) This Agreement may be amended only
by decision of the Board of Governors by
special majority.
  b) Any proposal to introduce modifications
in this Agreement, whether emanating from a
member, a Governor or the Board of Directors,
shall be communicated to the chairperson of
the Board of Governors who shall bring the
proposal before the Board. If the proposed
amendment is approved by the Board, the
Bank shall ask all members whether they
accept the proposed amendment. When the
amendment is accepted, ratified or approved
by 2/3 (two thirds) of the members, the Bank
shall certify the fact by formal communication
addressed to all members.
  c) The amendments shall enter into force
for all members 3 (three) months after the date
of the formal communication provided for in
paragraph (b) of this article, unless the Board
of Governors specify a different period.
  Article 45
  Interpretation
  a) Any question of interpretation of the
provisions of this Agreement arising between
any member and the Bank or between any
members of the Bank shall be submitted to the
Board of Directors for decision.
  b) Members especially affected by the
question under consideration shall be entitled
to direct representation before the Board of
Directors as provided in Article 12(i).
  c) In any case where the Board of Directors
has given a decision under (a) above, any
member may require that the question be
submitted to the Board of Governors, whose
decision shall be final. Pending the decision of
the Board of Governors, the Bank may, so far
as it deems it necessary, act on the basis of the
decision of the Board of Directors.
  Article 46
  Arbitration
  a) If a disagreement should arise between

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	125




the Bank and a country which has ceased
to be a member, or between the Bank and
any member after adoption of a decision to
terminate the operation of the Bank, such
disagreement shall be submitted to arbitration
by a tribunal of 3 (three) arbitrators. One of
the arbitrators shall be appointed by the Bank,
another by the country concerned, and the
third, unless the parties otherwise agree, by
an authority as may approved by the Board of
Governors. If all efforts to reach a unanimous
agreement fail, decisions shall be made by a
majority vote of the 3 (three) arbitrators.
  b) The third arbitrator shall be empowered
to settle all questions of procedure in any case
where the parties are in disagreement with
respect thereto.
  c) Any disagreement concerning a contract
between the Bank and a borrowing country
shall be settled according to the respective
contract.
  Article 47
  Approval deemed given
  Whenever the approval of any member
is required before any act may be done by
the Bank, approval shall be deemed to have
been given unless the member presents an
objection within such reasonable period as the
Bank may fix in notifying the member of the
proposed act.
  Chapter IX
  Final Provisions
  Article 48
  Acceptance
  a) Each signatory country shall deposit with
the government of the Federative Republic of
Brazil an instrument setting forth that it has
accepted, ratified or approved this Agreement
in accordance with its own laws.
  b) The Government of the Federative
Republic of Brazil shall send certified copies
of this Agreement to the signatories and duly
notify them of each deposit of the instrument

of acceptance, ratification or approval made
pursuant to the foregoing paragraph, as well
as the date thereof.
  c) After the date on which the Bank
commences operations, the Government of
the Federative Republic of Brazil may receive
the instrument of accession to this Agreement
from any country whose membership has been
approved in accordance with Article 5(b).
  d) The acceptance, ratification or approval
of the Agreement, or the accession thereto,
shall not contain any objection or reservation.
  Article 49
  Entry into Force
  a) This Agreement shall enter into force
when instruments of acceptance, ratification or
approval have been deposited, in accordance
with Article 48 by all BRICS countries.
  b) BRICS countries whose instruments
of acceptance, ratification or approval were
deposited prior to the date on which the
Agreement entered into force shall become
members on the date it enters into force. Other
countries shall become members on the dates
on which their instruments of accession are
deposited.
  Article 50
  Commencement of Operations
  The chair of the BRICS countries shall call
the first meeting of the Board of Governors as
soon as this Agreement enters into force under
Article 49 of this Chapter, in order to take the
necessary decisions for the initial operation of
the Bank.
  ATTAChMENT 1
  Shares of Initial Subscribed Capital Stock
of Founding Members
  Each founding member shall initially
subscribe 100,000 (one hundred thousand)
shares, in a total of ten billion dollars
(US$10,000,000,000), of which 20,000
(twenty thousand) shares correspond to paid
in capital, in a total of two billion dollars




126

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




(US$2,000,000,000)	and	80,000	(eighty
thousand) shares correspond to callable
capital, in a total of eight billion dollars
(US$8,000,000,000).
  ATTAChMENT 2
  Payment of Initial Subscriptions to the Paid
in Capital by the Founding Members
  Installment Paid in capital per country in
million dollars
  1 150
  2 250
  3 300
  4 300
  5 300
  6 350
  7 350
  TREATY FOR ThE ESTABLIShMENT
OF A BRICS CONTINGENT RESERVE
ARRANGEMENT
  This	BRICS	Contingent	Reserve
Arrangement	(CRA)	is	between	the
Federative Republic of Brazil (Brazil), the
Russian Federation (Russia), the Republic
of India (India), the Peoples Republic of
China (China) and the Republic of South
Africa (South Africa) (henceforth referred
to, individually, as Party, and collectively,
as the Parties).
  WhEREAS, the Parties agree to establish a
self-managed contingent reserve arrangement
to forestall short-term balance of payments
pressures, provide mutual support and further
strengthen financial stability.
  WhEREAS, the Parties agree that this
contingentreservearrangementshallcontribute
to strengthening the global financial safety
net and complement existing international
monetary and financial arrangements.
  ThEREFORE, this Treaty sets out the
terms and conditions of such contingent
reserve arrangement, as follows:
  Article 1
  Objective
   
The CRA is a framework for the provision
of support through liquidity and precautionary
instruments in response to actual or potential
short-term balance of payments pressures.
  Article 2
  Size and Individual Commitments
  a. The initial total committed resources of
the CRA shall be one hundred billion dollars
of the United States of America (USD 100
billion), with individual commitments as
follows:
  i. China  USD 41 billion
  ii. Brazil  USD 18 billion
  iii. Russia  USD 18 billion
  iv. India  USD 18 billion
  v. South Africa  USD 5 billion
  b. The Parties shall be entitled to make a
request to access committed resources at any
time. Until such time as one of the Parties (the
Requesting Party) makes such a request
and that request is acceded to by the other
Parties (the Providing Parties) and effected
through a currency swap, each Party shall
retain full ownership rights in and possession
of the resources that it commits to the CRA.
While commitments shall not involve outright
transfers of funds, committed resources shall
be made available for any eligible request.
  Article 3
  Governance and Decision-Making
  a. Governance of the CRA shall be
constituted by a Council of CRA Governors
(the Governing Council) and a Standing
Committee.
  b. The Governing Council shall comprise
one Governor and one Alternate Governor
appointed by each Party. Governors must be
a Finance Minister, Central Bank Governor,
or hold an equivalent post. The Governing
Council shall take decisions by consensus
and shall be responsible for high level and
strategic decisions of the CRA. It is hereby
authorized to:




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	127




   i. Review and modify the size of the
committed resources of the CRA as well as
approve changes in the size of individual
commitments;
  ii. Approve the entry of new countries as
Parties to the CRA;
  iii.	Review	and	modify	the	CRAs
instruments;
  iv. Review and modify the framework for
maturities, number of renewals, interest rates,
spreads, and fees;
  v. Review and modify the preconditions for
drawings and renewals;
  vi. Review and modify the provisions
concerning default and sanctions;
  vii. Review and modify the provisions
concerning access limits and multipliers;
  viii. Review and modify the percentage of
access de-linked from IMF arrangements;
  ix. Decide upon the creation of a permanent
secretariat or the establishment of a dedicated
surveillance unit;
  x. Approve its own procedural rules;
  xi. Review and modify the rules pertaining
to the appointment and functions of the
coordinator for the Governing Council and the
Standing Committee;
  xii. Review and modify voting power and
decision rules of the Standing Committee;
  xiii. Review and modify the authority and
functions of the Standing Committee;
  xiv.	Approve	the	procedural	rules
concerning the functioning of the Standing
Committee;
  xv. Decide upon any other issues not
specifically	attributed	to	the	Standing
Committee.
  c. The Standing Committee shall be
responsible for the executive level and
operational decisions of the CRA and shall
comprise one Director and one Alternate
Director appointed by each Party; these shall
be appointed from central bank officials unless

decided otherwise by the respective Party. It is
hereby authorized to:
  i. Prepare and submit to the Governing
Council its own procedural rules;
  ii. Approve requests for support through
the liquidity or precautionary instruments;
  iii. Approve requests for renewals of
support through the liquidity or precautionary
instruments;
  iv. Approve operational procedures for the
liquidity and precautionary instruments;
  v. In exceptional circumstances, determine
the waiver of conditions of approval,
safeguards and required documents under this
Treaty;
  vi. Approve a Partys encashment request;
  vii. Decide whether to impose sanctions in
case of a breach of this Treaty;
  viii. Carry out other functions attributed to
it by the Governing Council.
  d. As a matter of principle, the Standing
Committee shall strive for consensus on
all matters. The decisions of the Standing
Committee pertaining to items C.ii and C.iii
shall be taken by simple majority of weighted
voting of Providing Parties. The decisions
pertaining to items C.v, C.vi and C.vii shall be
taken by consensus of the Providing Parties.
All other decisions of the Standing Committee
shall be taken by consensus.
  e. Whenever a decision is taken by
weighted voting, the weight attributed to each
Partys vote shall be determined as follows:
(i) 5 percent of total voting power shall be
equally distributed among the Parties; and
(ii) the remainder shall be distributed among
the Parties according to the relative size of
individual commitments.
  Article 4
  Instruments
  The CRA shall include the following
instruments:
  i. A liquidity instrument to provide support

   
   

128

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




in response to short-term balance of payments
pressures.
  ii. A precautionary instrument committing
to provide support in light of potential short-
term balance of payments pressures.
  Article 5
  Access Limits and Multipliers
  a. The Parties shall be able to access
resources subject to maximum access limits
equal to a multiple of each Partys individual
commitment set forth as follows:
  i. China shall have a multiplier of 0.5
  ii. Brazil shall have a multiplier of 1
  iii. Russia shall have a multiplier of 1
  iv. India shall have a multiplier of 1
  v. South Africa shall have a multiplier of 2
  b. The total amount available under both
the precautionary and the liquidity instruments
shall not exceed the maximum access for each
Party.
  c. A portion (the De-linked portion),
equal to 30 percent of the maximum access for
each Party, shall be available subject only to
the agreement of the Providing Parties, which
shall be granted whenever the Requesting
Party meets the conditions stipulated in Article
14 of this Treaty.
  d. A portion (the IMF-linked portion),
consisting of the remaining 70 percent of the
maximum access, shall be available to the
Requesting Party, subject to both:
  i.	The	agreement	of	the	Providing
Parties, which shall be granted whenever
the Requesting Party meets the conditions
stipulated in Article 14, and;
  ii. Evidence of the existence of an on-
track arrangement between the IMF and the
Requesting Party that involves a commitment
of the IMF to provide financing to the
Requesting Party based on conditionality, and
the compliance of the Requesting Party with
the terms and conditions of the arrangement.
  e. Both instruments defined in Article 4

shall have IMF-linked and De-linked portions.
  f. If a Requesting Party has an on-track
arrangement with the IMF, it shall be able
to access up to 100 percent of its maximum
access limit, subject to the provisions under
paragraph (d) above.
  Article 6
  Inter-central Bank Agreement
  In order to carry out the transactions under
the liquidity and precautionary instruments
mentioned in Article 1, the Central Bank
of Brazil, the Central Bank of the Russian
Federation, the Reserve Bank of India, the
Peoples Bank of China and the South African
Reserve Bank shall enter into an inter-central
bank agreement setting out the required
operational procedures and guidelines.
  Article 7
  Currency Swaps
  A Party may request support through
one of the instruments specified in Article 4
according to the procedures established by
the Standing Committee in accordance with
Article 13 of this Treaty. Provision of USD
to the Requesting Party shall be effected
through currency swaps carried out between
the Parties central banks on the basis of
common operational procedures to be defined
by the Standing Committee in accordance
with Article 3.C.iv and the inter-central bank
agreement, entered into pursuant to Article 6.
   Article 8
  Definitions
  The following terms shall have the
respective meanings specified in this Article:
  Requesting Party Currency shall mean
the currency of the Party that requests to draw
funds through a currency swap;
  Swap Transaction shall mean a
transaction between the Requesting Partys
central bank and a Providing Partys central
bank by which the Requesting Partys central
bank purchases US dollars (USD) from the




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	129




Providing Partys central bank in exchange
for the Requesting Party Currency, and
repurchases on a later date the Requesting
Party Currency in exchange for USD;
  Drawing shall mean the purchase, at the
Value Date (defined below), of USD by the
Requesting Partys central bank;
  De-linked	Drawing	shall	mean	a
Drawing by the central bank of a Party that is
not engaged in an IMF arrangement;
  IMF-linked Drawing shall mean a
Drawing by the central bank of a Party that is
engaged in an IMF arrangement;
  Business Day shall mean any day on
which markets are open for business in
all financial centers needed for the swap
transactions to take place;
  Trade Date of a Drawing or renewal of
Drawing shall mean the date in which the
spot market exchange rate for the Drawing or
renewal of Drawing is established;
  Value Date of a Drawing or renewal of
Drawing shall mean the date the Requesting
and Providing Parties central banks credit
each others accounts. The Value Date shall be
the second Business Day after the Trade Date;
  Maturity Date of a Drawing or renewal
of Drawing shall mean the date on which
the Requesting Partys central bank shall
repurchase the Requesting Party Currency in
exchange for USD. If any such Maturity Date
should fall on a day which is not a Business
Day, the Maturity Date shall be the next
Business Day.
  Article 9
  Coordination
  a. The Party that chairs the BRICS shall act
as coordinator for the Governing Council and
for the Standing Committee.
  b. The coordinator shall: (i) convene and
chair meetings of the Governing Council
and the Standing Committee; (ii) coordinate
voting as needed; (iii) provide secretariat

services during its term; and (iv) inform the
Parties of the activation or renewal of liquidity
or precautionary instruments.
  c. Any Party requesting or receiving
support through a liquidity or precautionary
instrument  Article 4  or opting out from
participating as a Providing Party or asking
for encashment of outstanding claims  Article
15(e)  shall not serve as coordinator. In this
case, the next chair of the BRICS shall assume
the role of coordinator.
  Article 10
  Purchase and Repurchase under a Swap
Transaction
  a. The exchange rate that shall apply to
each purchase and repurchase under a Swap
Transaction shall be based on the prevailing
exchange rate (hereinafter referred to as
the Swap Exchange Rate) between the
Requesting Party Currency and the USD in
the Requesting Partys spot market on the
Trade Date.
  b. The Requesting Partys central bank
shall sell the Requesting Party Currency
to the Providing Parties central banks and
purchase USD from them by means of a spot
transaction, with a simultaneous agreement
by the Requesting Partys central bank to
sell USD and to repurchase the Requesting
Party Currency from the Providing Parties
central banks on the maturity date. The
same exchange rate (i.e., the rate of the spot
leg) shall be applied to both the spot and the
forward legs of the Swap Transaction.
  c. On the Maturity Date, the Requesting
Partys central bank shall transfer the USD
plus interest back to the Providing Parties
central banks in exchange for the Requesting
Party Currency. No interest shall be accrued
on the Requesting Party Currency.
   Article 11
  Interest Rate Determination
  a. The interest rate to be paid by the

   
   

130

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




Requesting Party on the USD purchased
from the Providing Parties shall be an
internationally accepted benchmark interest
rate for the corresponding maturity of the
swap transaction plus a spread. The spread
shall increase periodically by a certain margin,
up to a predetermined limit.
  b. In the case of the precautionary
instrument, the amount committed but not
drawn shall be subject to a commitment
fee, to be specified in the inter-central bank
agreement.
  Article 12
  Maturities
  a. A De-linked Drawing under the liquidity
instrument shall have a Maturity Date six
months after the Value Date and may be
renewed, in whole or in part, three times at
most.
  b. An IMF-linked Drawing under the
liquidity instrument shall have a Maturity
Date one year after the Value Date and may
be renewed, in whole or in part, two times at
most.
  c. If the Requesting Party is not engaged
in an IMF arrangement, access to the
precautionary instrument shall have a tenure
of six months and may be renewed, in whole
or in part, three times at most.
  d. If the Requesting Party is engaged in an
IMF arrangement, access to the precautionary
instrument shall have a tenure of one year
and may be renewed, in whole or in part, two
times at most.
  e. The maturity of a De-linked Drawing
under the precautionary instrument shall be of
six months and that of an IMF-linked Drawing
shall be of one year. The precautionary
instrument, once drawn upon, shall not be
renewed.
  f. The Requesting Party may repurchase
the Requesting Party Currency in exchange
for USD at the Swap Exchange Rate before

the Maturity Date. In this case, the accrued
interest rate shall be calculated on the basis
of the actual number of days elapsed from
(and including) the Value Date to (but not
including) the early repurchase date.
  Article 13
  Procedures for Requesting or Renewing
Support through the Liquidity or Precautionary
Instruments
  a. A Party that wishes to request support
through the liquidity or precautionary
instruments, or renewal of such support,
shall notify the members of the Standing
Committee of the type of instrument, the
amount requested, and the envisaged starting
date.
  b. The Requesting Party shall provide
evidence that it complies with the safeguards
specified in Article 14 below.
  c. Upon receiving the notification, the
CRA coordinator shall convene a Standing
Committee meeting to discuss and vote the
Requesting Partys request. The Standing
Committee shall decide upon the request up
to seven days after its submission.
  d. Once a request for support through
the liquidity instrument is approved, the
Requesting Partys central bank and the
Providing Parties central banks shall activate
Swap Transactions promptly, in a timeframe
to be specified in the inter-central bank
agreement.
  e. Once a request for a Drawing under an
approved precautionary instrument is made,
the Requesting Partys central bank and the
Providing Parties central banks shall activate
Swap Transactions promptly, in a timeframe
to be specified in the inter-central bank
agreement.
  f. If the Requesting Party wishes to renew
support through the liquidity instrument, it shall
notify the members of the Standing Committee
at least fourteen days before the Maturity Date.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	131




   g. If the Requesting Party wishes to renew
support through the precautionary instrument,
it shall notify the members of the Standing
Committee at least seven days before the
expiration of access under such instrument.
  Article 14
  Conditions of Approval, Safeguards and
Required Documents
  a. When submitting a request for support
through	the	liquidity	or	precautionary
instrument, or renewal of such support, the
Requesting Party shall sign and deliver a letter
of acknowledgement committing to comply
with all obligations and safeguards under this
Treaty.
  b. The Requesting Party shall also comply
with the following conditions and safeguards:
  (i) Submit all required documents and
economic and financial data, as specified
by the Standing Committee, and provide
clarification to comments;
  (ii) Ensure that its obligations under
this Treaty at all times constitute direct,
unsubordinated and unsecured obligations
ranking at least pari passu in right of
payment with all other present or future
direct, unsubordinated and unsecured foreign
currency-denominated external indebtedness
of the Requesting Party;
  (iii) have no arrears with the other Parties
or their public financial institutions;
  (iv) have no arrears with multilateral and
regional financial institutions, including the
New Development Bank (NDB);
  (v) Be in compliance with surveillance and
provision of information obligations to the
IMF as defined, respectively, in Articles IV,
Sections 1 and 3, and VIII, Section 5, of the
Articles of Agreement of said institution.
  Article 15
  Burden Sharing, Opt-out and Encashment
Provisions
  a. Providing Parties shall share the

disbursement of drawings in proportion to their
respective commitments to the CRA, subject
to paragraphs (b) and (c) of this Article. In no
event shall any Party be required to provide
more resources than the amount that it has
committed to provide in Article 2(a).
  b. The approval of a request for support
through the liquidity or precautionary
instruments under this Treaty suspends, for as
long as such support is in place, the Requesting
Partys commitment to participate as a
Providing Party in any subsequent request for
support through the liquidity or precautionary
instruments.
  c. When a request for support through
the liquidity or precautionary instruments,
or for renewal of such support is presented,
a Party may opt-out from participating as a
Providing Party, provided this is justified by
its balance of payments and reserve position
or by an event of force majeure, such as a war
or natural disaster. The Party opting-out shall
provide the necessary information to justify
its decision. In this case, the other Providing
Parties shall provide resources to allow opt-
out in proportion to their commitments to the
CRA, subject to paragraph (a) of this Article.
  d. A Providing Party may request
encashment of outstanding claims provided
this is justified by its balance of payments
and reserve position or by an event of force
majeure, such as a war or natural disaster.
The Providing Party applying for encashment
shall provide the necessary information to
justify its request. If the request is approved,
the other Providing Parties shall provide
resources to allow encashment in proportion
to their commitments to the CRA, subject to
paragraph (a) of this Article.
  e. A Party that has opted-out or encashed
from an outstanding currency swap or has
opted out from an outstanding precautionary
instrument shall not serve as a coordinator,




132

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




as defined in Article 9, for the length of the
transaction from which the party has opted-
out or encashed.
  Article 16
  Breaches of Obligations and Sanctions
  a. Failure by a Requesting Party to fulfill
payment obligations on the Maturity Date of
a Drawing or a renewal of Drawing, unless
corrected within 7 days, shall result in the
following:
  (i) all outstanding obligations of the
Requesting Party to repay the Providing
Parties under this Treaty shall be immediately
due and payable;
  (ii) the Requesting Partys eligibility to
further Drawings or renewals of Drawings
under this Treaty shall be suspended;
  (iii) any undrawn portion of a precautionary
instrument of the Requesting Party shall be
cancelled; and
  (iv) any payments by the Requesting Party
of its overdue obligations to the Providing
Parties must be made on the same date and in
proportion to the amounts due to each Party.
  b. In case of an event of force majeure,
the application of the measures above may be
suspended.
  c. In case of a persistent and/or unjustified
delay in settling overdue payment obligations,
a Requesting Partys right to participate in any
decisions under this Treaty may be suspended.
After	30	days	of	unfulfilled	payment
obligations, the Providing Parties should
consider whether this action is appropriate.
  d. If, after the expiration of a reasonable
period following the decision under paragraph
(c), the Requesting Party persists in its failure
to settle overdue payment obligations, the
Governing Council may require the Requesting
Party to withdraw from this Treaty.
  e. The Requesting Party in breach of a
payment obligation should agree to take
measures that preserve the net present value

of its obligations if the Providing Parties
collectively decide to exercise this option.
  f. In case the Providing Parties decide by
consensus at the Governing Council level,
the Requesting Party in breach of a payment
obligation should agree to a novation of its
obligations under this Treaty, including by
issuing marketable debt securities that would
not be subject to the Requesting Partys
jurisdiction. The Requesting Party should not
unreasonably withhold consent to terms and
conditions of such debt securities as shall be
required by the Providing Parties.
  g. The Requesting Party would be liable
to a late fee in addition to the interest rate
applied to the swap transaction to which
payment is overdue. This late fee should
increase periodically by a certain margin, up
to a predetermined limit.
  h. In case of a breach of any obligation under
this Treaty, other than failure by a Requesting
Party to fulfill payment obligations, the
following sanctions may apply:
  (i) all outstanding payment obligations
under this Treaty shall be immediately due
and payable;
  (ii) eligibility to further Drawings or
renewals of Drawings under this Treaty shall
be suspended;
  (iii) any undrawn portion of a precautionary
instrument shall be cancelled;
  (iv) the right to participate in any decisions
under this Treaty may be suspended;
  (v) after the expiration of a reasonable
period following the decision under item (iv),
the Governing Council may require the Party
to withdraw from this Treaty.
  i. The sanctions applied should be
commensurate with the severity of the breach.
  Article 17
  Language and Communications
  a. The official language of the CRA shall
be English. The English language versions of




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	133




this Treaty and of any documentation under it
shall be the official versions. All written and
oral communication between the Parties shall
be in English, unless the Parties otherwise
agree in writing.
  b. Any notice, request, document or other
communication submitted under this Treaty
shall be in writing, shall refer to this Treaty,
and shall be deemed fully given or sent when
delivered in accordance with the contact
details that shall be provided separately by
each Party.
  Article 18
  Representation and Warranties
  Each of the Parties hereby warrants and
represents that:
  a. It has the full power and authority to
enter into and perform its obligations under
this Treaty and shall provide evidence of such
authority if requested by any other Party;
  b. This Treaty and the performance by
it of its obligations under this Treaty do not
contravene any law or other restriction binding
upon it or any of its property, and there is no
legal or regulatory hindrance which could
affect the legality, validity or enforceability
of this Treaty or of obligations hereunder or
have a material adverse effect upon its ability
to perform such obligations;
  c. All transactions under this Treaty shall
be exempt from any administrative or legal
obstacles to their completion;
  d. All payments by it under this Treaty shall
be made without withholding or deduction for,
or on account of, any present or future taxes,
duties, assessments or governmental charges
of whatever nature imposed or levied by or on
behalf of its country or any authority therein or
thereof having power to tax. In the event that
the withholding or deduction of such taxes,
duties, assessments or governmental charges
is required by law, it shall pay such additional
amounts as may be necessary in order that

the net amounts received by the other Parties
after such withholding or deduction shall
equal the amounts which would have been
received under this Treaty in the absence of
such withholding or deduction; and
  e. It shall not assign, transfer, delegate,
charge or otherwise deal in its obligations
under this Treaty without prior written consent
of the other Parties.
  Article 19
  Legal Status of the CRA
  The CRA does not possess independent
international legal personality and cannot
enter into agreements, sue or be sued.
  Article 20
  Dispute Settlement
  a. Any disputes relating to the interpretation
of this Treaty shall be solved by consultations
in the Governing Council.
  b. If any dispute, controversy or claim
relating to the performance, interpretation,
construction, breach, termination or invalidity
of any provision in this Treaty shall arise and
not be resolved amicably by the Governing
Council within a reasonable period, it shall
be settled by arbitration in accordance with
the Arbitration Rules of the United Nations
Commission on International Trade Law
(excluding Article 26 thereof) in effect on
the date of this Treaty (the UNCITRAL
Arbitration Rules). In case of resorting to
arbitration, the language to be used in the
proceedings shall be English and the number
of arbitrators shall be three.
  c. The Parties agree that in any such
arbitration and in any legal proceedings for
the recognition of an award rendered in an
arbitration conducted pursuant to this Article,
including any proceeding required for the
purposes of converting an arbitral award into
a judgment, they shall not raise any defense
which they could not raise but for the fact that
they are sovereign state entities.




134

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




  Article 21
  Withdrawal from and Termination of the
Treaty
  a. A Party may withdraw from this Treaty
by giving notice of such intention to the other
Parties six months prior to the date of the
envisaged withdrawal. however, withdrawal
from the Treaty by any Party is not allowed
for a period of five years from its entry into
force.
  b. During this six-month period, the Party
that has given notice of such intention shall
provide the other Parties with an opportunity
to express views on its intention but does not
have the right to request or the obligation to
provide resources.
  c. In the event that any obligation under
this Treaty, including any obligation for the
payment of money, remains outstanding at
the time of termination of or withdrawal from
this Treaty, all the terms and conditions of this
Treaty (except for those entitling the Parties to
any Drawing or renewal of a Drawing) shall
continue to apply until such obligation has
been fulfilled.
  Article 22
  Acceptance, Depositary and Amendments
  a. This Treaty shall be subject to acceptance,
ratification or approval, according to the
respective domestic procedures of the Parties.
  b.	The	instruments	of	acceptance,
ratification or approval shall be deposited with
the Federative Republic of Brazil, which shall
be the depositary of this Treaty.
  c. The depositary shall promptly inform
all Parties of: (i) the date of deposit of each
instrument of acceptance, ratification or
approval (ii) the date of the entry into force
of this Treaty and of any amendments and
changes thereto, and (iii) the date of receipt of
a withdrawal notice.
  d. If the Party that acts as depositary decides
to withdraw from this Treaty, all the terms and

conditions of Article 21 shall apply, with the
exception that: (i) the depositary shall give
notice of its intention to the other Parties; and
(ii) as of the date of receipt of the depositarys
withdrawal notice, the role of depositary shall
be assumed by one of the other Parties, as
agreed upon by them.
  e. This Treaty shall not be subject to
unilateral reservations.
  f. Any proposal to amend this Treaty
shall be communicated to the Party that acts
as coordinator for the Governing Council,
which shall then bring the proposal before
the Governing Council. If the proposed
amendment is approved, the coordinator
shall ask all Parties whether they accept the
proposed amendment. If a Party, according to
its domestic procedures, accepts the proposed
amendment, it shall notify the depositary
accordingly. The amendment shall become
effective on the date of receipt of the last
notification. Any decision of the Governing
Council related to modifying Article 2 shall
be considered an amendment.
  Article 23
  Entry into Force
  This Treaty shall enter into force 30 (thirty)
days after the deposit of the fifth instrument
of acceptance, according to each Partys legal
requirements.
  Done in Fortaleza on the 15th of July of 2014,
in five originals in English, one for each Party.

   ATOS ASSINADOS POR OCASIãO DA
      VISITA AO BRASIL DO PRIMEIRO
  MINISTRO DA REPúBLICA DA íNDIA,
 ShRI NARENDRA MODI  BRASíLIA, 16
                   DE JULhO DE 2014
                            16/07/2014
                               
  1MEMORANDODEENTENDIMENTO

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	135




ENTRE O BRASIL E A íNDIA SOBRE
COOPERAçãO NA áREA DE MEIO
AMBIENTE
  2		MEMORANDO	DE
ENTENDIMENTO ENTRE O MINISTéRIO
DAS	RELAçõES	EXTERIORES	DA
REPúBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
E	O	MINISTéRIO	DE	NEGóCIOS
ESTRANGEIROS DA REPúBLICA DA
íNDIA SOBRE O ESTABELECIMENTO
DE	MECANISMO	DE	CONSULTA
SOBRE ASSUNTOS CONSULARES E DE
MOBILIDADE
  3  AJUSTE COMPLEMENTAR ENTRE
BRASIL	E	íNDIA	ESTABELECENDO
COOPERAçãO	NA	AMPLIAçãO
DE	UMA	ESTAçãO	TERRESTRE
BRASILEIRA PARA O RECEBIMENTO
E PROCESSAMENTO DE DADOS DE
SATéLITES	DE	SENSORIAMENTO
REMOTO INDIANOS (SRI)
  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE O GOVERNO DA REPúBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO
DA	REPúBLICA	DA	íNDIA	SOBRE
COOPERAçãO NA áREA DE MEIO
AMBIENTE
  O Governo da República Federativa do
Brasil
  e
  O	Governo	da	República	da	índia
(doravante denominados as Partes);
  Levando em consideração a profunda
preocupação de ambos os países pelo meio
ambiente global e seu interesse mútuo na
sua conservação pelo bem-estar de gerações
presentes e futuras;
  Considerando	que	o	desenvolvimento
sustentável no Brasil e na índia exige medidas
efetivas para a proteção e melhoria do meio
ambiente;
  Recordando a importância da cooperação
entre países em desenvolvimento com vistas

ao aprofundamento do desenvolvimento
sustentável;
  Considerando os princípios e os
documentos adotados durante a Conferência
das Nações Unidas sobre Meio Ambiente
e Desenvolvimento, realizada no Rio de
Janeiro em junho de 1992, a Cúpula Mundial
das Nações Unidas sobre Desenvolvimento
Sustentável, realizada em Joanesburgo, em
2002, e a Conferência das Nações Unidas
sobre Desenvolvimento Sustentável, a
Rio+20, realizada em junho de 2012; e
  Desejosos em promover o estabelecimento
e o desenvolvimento de cooperação próxima e
de longo prazo entre os dois países na área de
proteção e melhoria do meio ambiente;
  Chegaram ao seguinte entendimento:
  ARTIGO I
  As Partes deverão cooperar na área de
proteção ambiental com base na igualdade,
reciprocidade e benefício mútuo.
  ARTIGO II
  1. As Partes deverão cooperar mutuamente,
inter alia, nas seguintes áreas prioritárias:
  a) Mudança do Clima;
  b) Diversidade Biológica, com atenção ao
Protocolo de Nagoia sobre o acesso a recursos
genéticos e a repartição justa e equitativa
derivadas de sua utilização;
  c) Reflorestação em áreas áridas;
  d) Conservação de água e proteção de áreas
úmidas;
  e) Gestão de resíduos incluindo resíduos
agropecuários e eletrônicos;
  f) Gestão de resíduos aquáticos e
reutilização de efluentes tratados;
  g) Uso de biocombustíveis;
  h) Uso de produtos de plantas medicinais;
  i) Gestão da qualidade da água e do ar;
  j) Sistemas de informação ambiental.
  2. As Partes deverão executar as atividades
cooperativas mencionadas acima de acordo
com sua legislação nacional e com suas




136

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




obrigações perante tratados internacionais na
área de proteção ambiental e conservação de
recursos naturais.
  ARTIGO III
  A cooperação entre as Partes sob o presente
Memorando de Entendimento poderá ser
conduzida na forma de:
  a)	Intercâmbio	de	informação	e
documentação;
  b) Intercâmbio de visitas de peritos,
estudiosos e delegações;
  c) Seminários, oficinas de trabalho e
reuniões organizados conjuntamente, que
envolvam	peritos,	cientistas,	empresas
privadas e outras agências relevantes;
  d) Projetos colaborativos;
  e) Outras formas de cooperação que sejam
acordadas mutuamente.
  ARTIGO IV
  1. Sujeito à legislação doméstica e a acordos
internacionais em vigor em ambos os países,
as Partes deverão adotar medidas apropriadas
para proteger o direito da propriedade
intelectual referente à implementação deste
Memorando de Entendimento.
  2.	As	condições	para	a	aquisição,
manutenção e exploração comercial do direito
de propriedade intelectual sobre possíveis
produtos e/ou processos que possam ser obtidos
no âmbito deste Memorando de Entendimento
serão definidas em programas, contratos ou
planos de trabalho específicos, que deverão
igualmente estabelecer as condições referentes
ao sigilo da informação cuja publicação e/
ou divulgação possa ameaçar a aquisição,
manutenção e exploração comercial do direito
da propriedade intelectual obtido sob este
Memorando de Entendimento.
  ARTIGO V
  1. As Partes, com base nos objetivos deste
Memorando, deverão promover e facilitar
o estabelecimento e o desenvolvimento de
contato direto e cooperação entre elas e entre

instituições e organizações públicas e privadas
nos dois países.
  2. As partes deverão incentivar contatos
entre agências governamentais, instituições
acadêmicas e iniciativas econômicas privadas
interessadas em cooperação, nos dois países,
incluindo por meio da assinatura de contratos
e acordos de trabalho.
  ARTIGO VI
  A informação científica e técnica, que não
seja protegida por direitos de propriedade
intelectual, que possa ser acumulada como
resultado da cooperação sob o presente
Memorando de Entendimento, com exceção
de informação que não possa ser divulgada por
motivos de segurança nacional, ou por motivos
comerciais ou industriais, pode ser oferecida à
comunidade científica internacional ou a seus
institutos, a não ser que as Partes acordem de
maneira diferente, pelos meios tradicionais
e de acordo com procedimentos normais das
instituições e organizações participantes.
No seu intercâmbio e na sua disseminação a
terceiros, ambas as Partes deverão considerar
questões legais vigentes, os direitos de
terceiros e obrigações internacionais.
  ARTIGO VII
  1. Para efeitos de coordenação e
implementação deste Memorando de
Entendimento, um Grupo de Trabalho
Conjunto Brasil-índia sobre Meio Ambiente
deverá ser estabelecido (doravante
denominado o Grupo de Trabalho).
  2. O Grupo de Trabalho se reunirá com
a frequência acordada entre as Partes,
alternadamente no Brasil e na índia.
Examinará atividades e programas de
cooperação concretos; coordenará com
organizações participantes, responsáveis pela
implementação desses programas; e deverá
fazer recomendações às Partes, por meio de
um procedimento aceito. A sua composição,
o local das reuniões e o procedimento a ser




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	137




seguido pelo Grupo de Trabalho deverão ser
mutuamente determinados pelas Partes, sendo
que o lado que envia representantes arcará
com os custos de tais visitas.
  3. O Ministério do Meio Ambiente da
República Federativa do Brasil e o Ministério
de Meio Ambiente e Florestas da República
da índia deverão ser as agências nodais
responsáveis pela coordenação e organização
da cooperação sob o presente Memorando de
Entendimento.
  4. As atividades sob o Memorando de
Entendimento serão conduzidas com base em
um plano de ação, formulado para períodos de
cinco anos, de acordo com os programas de
cooperação.
  ARTIGO VIII
  Este Memorando de Entendimento não
deve ser interpretado de maneira a prejulgar os
direitos e obrigações das Partes que resultem
de outros acordos em vigor concluídos
por cada uma das duas Partes sob o Direito
Internacional.
  ARTIGO IX
  Disputas relativas à interpretação ou a
aplicação deste Memorando de Entendimento
que venham a surgir e que não sejam
resolvidas entre as agências responsáveis pela
coordenação e organização da cooperação
deverão ser resolvidas de maneira amigável
por negociação e consultas entre as Partes.
  ARTIGO X
  1. O presente Memorando de Entendimento
deverá se manter em vigor de a partir da data
de sua assinatura, a menos que uma das Partes
o denuncie por meio de notificação por escrito
à outra Parte, por via diplomática, indicando
sua intenção de denunciá-lo. Neste caso, o
Memorando de Entendimento será expirará
seis (6) meses após a data de tal notificação.
  2. A denúncia deste Memorando de
Entendimento não afetará a conclusão de
atividades sob acordos e contratos concluídos

com base no presente Memorando, que
não tenham sido concluídas na data de sua
denúncia.
  Assinado em Brasília, em 16 de julho de
2014, em dois originais, em português, inglês
e hindi, sendo todos os textos igualmente
autênticos. Em caso de divergência de
interpretação, o texto em inglês prevalecerá.
  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE O MINISTéRIO DAS RELAçõES
EXTERIORES DA REPúBLICA
FEDERATIVADOBRASILEOMINISTéRIO
DE NEGóCIOS ESTRANGEIROS DA
REPúBLICA DA íNDIA SOBRE O
ESTABELECIMENTO DE MECANISMO
DE CONSULTA SOBRE ASSUNTOS
CONSULARES E DE MOBILIDADE
  O Ministério das Relações Exteriores da
República Federativa do Brasil
  e
  O Ministério de Negócios Estrangeiros da
República da índia
  (doravante denominados as Partes)
  Considerando os laços históricos de
amizade e cooperação que unem ambos os
países;
  Em conformidade com os direitos e
garantias previstos em suas respectivas
legislações nacionais e nos tratados e
convenções internacionais dos quais são
Partes;
  Convencidos de que o movimento de
pessoas entre dois países contribui para a
aproximação entre seus nacionais e pode
constituir um fator de desenvolvimento
econômico, social e cultural para seus países
e populações;
  Considerando o conhecimento acumulado
por ambos os países e a experiência adquirida
sobre o tema da assistência consular, apoio
a nacionais residentes no exterior e relações
entre seus Governos e suas respectivas
diásporas;




138

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




  Conscientes da necessidade de estabelecer
um mecanismo bilateral para intercâmbio
de informação e coordenação nas áreas de
aplicação deste Memorando, bem como de
abordar questões e exigências específicas
relativas ao movimento de pessoas entre os
dois países;
  Assinalando a necessidade de desenvolver
instrumentos legais para a cooperação jurídica
bilateral;
  Tendo em mente o desejo de aprofundar
o diálogo bilateral com relação à cooperação
jurídica internacional em matéria civil e penal;
  Chegaram ao seguinte entendimento:
  Artigo I
  Estabelecimento	de	Mecanismo	de
Consulta Bilateral
  As	Partes	decidem	estabelecer	um
mecanismo	de	consulta	bilateral	sobre
assuntos consulares, de mobilidade e de
cooperação	jurídica,	incluindo	assuntos
relacionados ao movimento de pessoas entre
os dois países. O mecanismo de consulta será
operacionalizado por um Grupo de Trabalho
que assegurará que o diálogo e o intercâmbio
regular de informações serão realizados entre
as Partes.
  Artigo II
  Objetivos
  Os objetivos do mecanismo são:
  a) intercambiar informações sobre o uso
das novas tecnologias nas áreas de serviço e
assistência consular e emissão de documentos
de viagem;
  b) intercambiar informações sobre a
experiência de ambos os países com seus
nacionais no exterior, bem como sobre
iniciativas	para	apoiar	suas	respectivas
comunidades expatriadas;
  c) intercambiar informações sobre formas
de relacionamento entre Governo e diáspora,
representação	de	nacionais	no	exterior,
diálogo e mecanismo de representação para

comunidades expatriadas e uso das novas
tecnologias e procedimentos para apoiá-los;
  d) considerar possibilidade de ações
conjuntas ou de cooperação bilateral em
projetos de interesse dos nacionais de cada país
na outra Parte ou em situação de emergência
consular em terceiros países, para o benefício
das comunidades nacionais de cada país;
  e) discutir temas que possam ser objeto de
acordos para o benefício de seus respectivos
nacionais em terceiros países;
  f) examinar iniciativas que visem a
facilitação do movimento de pessoas entre
os dois países, incluindo intercâmbio de
informações sobre a política de vistos de cada
Parte;
  g) examinar quaisquer questões
relacionadas ao movimento de pessoas, que
poderão ser apresentadas por uma das Partes,
e encaminhar tais questões às autoridades
nacionais competentes;
  h) intercambiar e disseminar informações,
bem como coordenar ações com vistas a
promover a migração regular e informar sobre
os riscos do tráfico humano e do movimento
irregular de pessoas;
  i) apoiar a cooperação policial bilateral,
notadamente por meio do compartilhamento
de boas práticas, incluindo visitas ocasionais
de oficiais de ambos os países;
  j) identificar maneiras de melhorar a
relação bilateral no campo da cooperação
jurídica internacional.
  Artigo III
  Composição de Grupo de Trabalho e
frequência das reuniões
  1. O Grupo de Trabalho mencionado no
Artigo I deverá se encontrar uma vez ao ano,
alternadamente, no território de cada país e,
adicionalmente, a pedido de uma das Partes.
  2. O Grupo de Trabalho será presidido
conjuntamente por um representante de cada
Parte.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	139




   3. O Grupo de Trabalho poderá incluir, além
dos representantes das Partes, representantes
de outros Ministérios e órgãos públicos com
interesse sobre os assuntos de sua agenda.
  Artigo IV
  Disposições Finais
  1. Este Memorando de Entendimento
entrará em vigor a partir da data de sua
assinatura e permanecerá em vigor por tempo
indeterminado.
  2. Este Memorando de Entendimento
poderá ser emendado, a qualquer momento,
por comum acordo das Partes, por escrito.
  3. Qualquer das Partes poderá, a qualquer
momento, notificar a outra Parte de sua
intenção de denunciar este Memorando de
Entendimento. A denúncia surtirá efeito três
(3) meses após a data de notificação.
  4.	Qualquer	divergência	sobre	a
interpretação ou aplicação deste Memorando
de Entendimento deverá ser resolvida por
acordo entre as Partes, no âmbito do Grupo
mencionado no Artigo I ou, caso necessário,
por via diplomática.
  Feito em Brasília, em 16 de julho de
2014, em dois textos originais, nos idiomas
português, hindu e inglês, sendo todos os
textos igualmente autênticos. Em caso de
divergência na sua interpretação, deverá ser
utilizada a versão em inglês.
  AJUSTE	COMPLEMENTAR	ENTRE
BRASIL	E	íNDIA	ESTABELECENDO
COOPERAçãO	NA	AMPLIAçãO
DE	UMA	ESTAçãO	TERRESTRE
BRASILEIRA PARA O RECEBIMENTO
E PROCESSAMENTO DE DADOS DE
SATéLITES	DE	SENSORIAMENTO
REMOTO INDIANOS (SRI)
  Governo da República Federativa do Brasil
  e
  O Governo da República da índia
  (doravante denominados como as Partes)
  RECORDANDO o Acordo Quadro entre

o Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo da República da índia
sobre Cooperação nos Usos Pacíficos do
Espaço Exterior, assinado em 25 de janeiro
de 2004; e o Ajuste Complementar referente
à Ampliação da Estação Brasileira Terrestre
de Recepção e Processamento de Dados de
Satélites de Sensoriamento Remoto da índia
(SRI), assinado em 04 de junho de 2007 e
vencido em 04 de junho de 2010, de acordo
com seu parágrafo 6.2;
  LEVANDO EM CONSIDERAçãO que
a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a
Organização Indiana de Pesquisas Espaciais
(ISRO) foram nomeadas, sob o referidoAcordo
Quadro, como Agências Implementadoras
responsáveis pelo desenvolvimento,
coordenação e controle da cooperação objeto
do mencionado Acordo Quadro;
  LEVANDO, AINDA, EM
CONSIDERAçãO que o Acordo Quadro,
em seu artigo 2 item 2, afirma que as Partes
ou as Agências Implementadoras poderão
designar outras instituições para desenvolver
programas de cooperação nas áreas acordadas
sob o artigo 3 do Acordo Quadro, dentro dos
limites de suas competências;
  LEVANDO, IGUALMENTE, EM
CONSIDERAçãO que a ISRO desenvolveu
e operacionalizou uma série de Satélites de
Sensoriamento Remoto da índia (IRS) para
o gerenciamento de recursos naturais e do
meio-ambiente, e que os dados destes satélites
são operacionalmente recebidos por várias
estações terrestres em todo o mundo;
  CONSIDERANDO, ADEMAIS, que,
de acordo com a política brasileira de
dados de sensoriamento remoto, os dados
de sensoriamento remoto por satélite são
disponibilizados à comunidade de usuários no
Brasil e em países vizinhos, para diferentes
aplicações ambientais;
  RECONhECENDO o interesse do Brasil

   
   

140

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




em receber os dados de AWiFS e LISS-
III do satélite indiano Resourcesat-2 na
Estação Terrestre de Cuiabá, Brasil, para
o gerenciamento de recursos naturais, em
base semelhante à que foi acordada para
o Resourcesat-1 por meio do Programa de
Cooperação assinado em dezembro de 2008
entre a ISRO, a AEB e o Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (INPE);
  DESEJOSOS	de	continuar	a	efetiva
cooperação bilateral na área das atividades
espaciais,	com	vistas	à	promoção	do
desenvolvimento social, econômico e cultural
em benefício dos povos de ambos os países; e
  COM O PROPóSITO DE DAR maior
estímulo à cooperação comercial e industrial
entre os setores privados de ambos os países
na área espacial,
  AJUSTAM o seguinte:
  Seção 1
  FINALIDADE
  O objeto do presente Ajuste Complementar
é definir os termos e condições para a
ampliação de uma estação terrestre brasileira
para receber e processar dados de Satélites de
Sensoriamento Remoto da índia (SRI).
  Seção 2
  ABRANGêNCIA
  Este Ajuste Complementar provê para o
recebimento de dados das cargas úteis AWiFS
e LISS-III de satélites de sensoriamento
remoto da índia (SRI), incluindo, mas não
se limitando ao, Resourcesat-2, na Estação
Terrestre de Cuiabá, no Brasil, em bases de
cooperação de Governo a Governo.
  Seção 3
  DESIGNAçõES
  A AEB designa o Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais (INPE), agência
executiva brasileira para as questões de
recepção, processamento, arquivamento e
distribuição de dados de observação da terra,
para assumir a responsabilidade e trabalhar em

conjunto com a ISRO e sua agência executiva
(National Remote Sensing Centre) a fim de
executar as ações deste Ajuste Complementar,
quando citada nominalmente.
  Seção 4
  RESPONSABILIDADES DAS PARTES
  4.1 Responsabilidades da ISRO
  4.1.1 A ISRO disponibilizará ao INPE
dados de sensoriamento remoto de áreas
dentro do raio de aquisição da estação
terrestre do INPE em Cuiabá, adquiridos
pelas cargas úteis AWiFS e LISS-III dos
satélites de sensoriamento remoto indianos,
conforme acordado pelas Partes, inclusive do
Resourcesat-2;
  4.1.2 A ISRO fornecerá ao INPE o
hardware específico necessário para a
ampliação da estação terrestre de Cuiabá de
forma a permitir a recepção dos dados dos
satélites SRI, inclusive das AWiFS e LISS-
III do Resourcesat-2, fazendo uso, na medida
do possível, da infraestrutura já existente de
hardware utilizada para a recepção de dados
de satélites SRI anteriores;
  4.1.3 A ISRO fornecerá o front-end
hardware e as atualizações de software
necessárias, conforme apropriado, para
processar e gerar produtos dos dados recebidos
dos satélites SRI, inclusive das AWiFS e
LISS-III do Resourcesat-2;
  4.1.4 A ISRO dará assistência aos
engenheiros do INPE na instalação do
hardware e do software mencionados nos
itens 4.1.2 e 4.1.3 acima;
  4.1.5 A ISRO fornecerá ao INPE os
parâmetros orbitais do satélite SRI, conforme
necessário, para permitir que o INPE
direcione a antena da Estação Terrestre de
Cuiabá para receber, com precisão, os dados
de sensoriamento remoto;
  4.1.6 A ISRO fornecerá ao INPE as
informações necessárias sobre os satélites
SRI, inclusive sobre os sistemas de câmera




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	141




AWiFS e LISS-III, para que o INPE possa
processar e utilizar os dados em diferentes
aplicações;
  4.1.7 A ISRO fornecerá o treinamento
necessário ao pessoal técnico do INPE sobre
o recebimento e processamento de dados dos
satélites SRI, inclusive para o Resourcesat-2.
  4.2 Responsabilidades do INPE
  4.2.1 O INPE deverá instalar os sistemas
de hardware e software fornecidos pela
ISRO para o Resourcesat-1 e ampliar a
Estação Terrestre de Cuiabá para habilitá-la a
receber os dados AWiFS e LISS-III do satélite
Resourcesat-2 e outros satélites SRI da ISRO,
conforme acordado entre as Partes;
  4.2.2 O INPE conduzirá os testes da
Estação Terrestre e comunicará a prontidão
da Estação Terrestre para receber e processar
dados, conforme especificado no item 4.2.1;
  4.2.3 O INPE comunicará a ISRO sobre a
necessidade de dados a serem recebidos pela
Estação Terrestre de Cuiabá, nominalmente
com duas semanas de antecedência, de forma
a possibilitar que a ISRO programe o satélite
para a aquisição e transmissão dos dados;
  4.2.4 O INPE será responsável pela
distribuição dos produtos de dados de
sensoriamento remoto aos usuários apenas das
áreas dentro do raio de aquisição da Estação
Terrestre do INPE em Cuiabá;
  4.2.5 O INPE arquivará e disponibilizará
publicamente os dados dos satélites SRI,
conforme acordado entre as Partes, das áreas
dentro do raio de aquisição da Estação Terrestre
do INPE em Cuiabá, em conformidade com a
política de distribuição e disponibilização de
dados de cada uma das Partes; e
  4.2.6	O	INPE	disponibilizará,
semestralmente, à ISRO, cópias dos dados
recebidos das áreas dentro do raio de aquisição
da Estação Terrestre do INPE em Cuiabá.
  Seção 5
  DISPOSIçõES FINANCEIRAS
   
5.1 O INPE, com seus próprios recursos
orçamentários regulares, arcará com os custos
de ampliação da infraestrutura de hardware
do Resourcesat-1 existente na estação terrestre
de Cuiabá para fins de receber os dados do
Resourcesat-2 e outros dados de satélites de
SRI, conforme acordado entre as Partes;
  5.2 A ISRO fornecerá ao INPE, sem custos,
o front-end hardware e as atualizações de
software necessárias para a ampliação da
Estação Terrestre de Cuiabá;
  5.3 A AEB arcará com os custos pelos
direitos não exclusivos de receber, processar
e usar os dados das AWiFS e LISS-III do
satélite Resourcesat-2 e de outros dados
de satélites SRI, conforme acordado entre
as Partes, em bases não comerciais e mais
favoráveis, fazendo uso de seus próprios
recursos orçamentários aprovados; e
  5.4 Além do estabelecido nos itens
anteriores, a ISRO e a AEB deverão arcar
com seus próprios custos para implementar
suas responsabilidades sob o presente Ajuste
Complementar. A AEB arcará com seus custos
respectivos, fazendo uso de seus próprios
recursos orçamentários aprovados.
  Seção 6
  PROPRIEDADE INTELECTUAL,
INTERCâMBIO DE INFORMAçõES,
  RESPONSABILIDADE, REGULAMENTO
ADUANEIRO,CONTROLEDEEXPORTAçãO,
ASSISTêNCIA àS ATIVIDADES DE PESSOAL
E SOLUçãO DE CONTROVéRSIAS
  Em relação ao uso e aplicação das
leis relativas à propriedade intelectual,
ao intercâmbio de informações, às
responsabilidades, ao regulamento aduaneiro,
aos controles de exportação, à assistência
às atividades de pessoal e à solução de
controvérsias, no âmbito deste Ajuste
Complementar, os artigos relevantes do
Acordo Quadro entre o Governo da República
da índia e o Governo da República Federativa




142

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




do Brasil sobre Cooperação nos usos pacíficos
do espaço exterior, assinado em 25 de janeiro
de 2004, aplicar-se-ão para as atividades
executadas no âmbito do presente Ajuste.
  Seção 7
  CLáUSULAS FINAIS
  7.1 O presente Ajuste Complementar
entrará em vigor na data da última notificação
entre as Partes sobre o cumprimento dos
procedimentos legais internos necessários à
sua aprovação;
  7.2 Este Acordo permanecerá em vigor
enquanto as Partes concordarem em continuar
sua cooperação relativa ao recebimento
de dados de satélites SRI, o que deve ser
comunicado a cada 3 anos por meio de troca
de notas;
  7.3 Para o recebimento de dados de outros
satélites SRI, conforme acordado entre as
Partes, os termos e condições específicos sob
os quais a ISRO fornecerá e o INPE receberá,
processará, arquivará e distribuirá dados serão
estabelecidos em Programas de Cooperação
específicos;
  7.4 Este Ajuste Complementar deixará
de vigorar a partir da data em que deixar de
vigorar o Acordo Quadro entre o Governo da
República da índia e o Governo da República
Federativa do Brasil sobre Cooperação nos
Usos Pacíficos do Espaço Exterior, assinado
em 25 de janeiro de 2004; e
  7.5 Este Ajuste Complementar poderá
ser emendado por consentimento mútuo por
meio de troca de Notas entre as Partes. As
alterações entrarão em vigor de acordo com o
procedimento estabelecido na Seção 7.1.
  Feito em Brasília, em 16 de julho de 2014
em dois exemplares originais, nas línguas
portuguesa, hindi, e inglesa, sendo todos os
textos igualmente autênticos. Em caso de
qualquer divergência de interpretação das
disposições deste Ajuste Complementar, a
versão em inglês prevalecerá.

DECLARAçãO CONJUNTA ENTRE BRASIL
    E ChINA POR OCASIãO DA VISITA DE
   ESTADO DO PRESIDENTE XI JINPING 
         BRASíLIA, 17 DE JULhO DE 2014
          
  Declaração Conjunta entre a República
Federativa do Brasil e a República Popular da
China sobre a Visita de Estado do Presidente
Xi Jinping ao Brasil e o Aprofundamento da
Parceria Estratégica Global Brasil-China -
Brasília, 17 de julho de 2014
  1. A convite da Presidenta da República
Federativa do Brasil, Dilma Rousseff, o
Presidente da República Popular da China, Xi
Jinping, realizou Visita de Estado ao Brasil, no
dia 17 julho de 2014, depois de participar da
VI Cúpula do BRICS, realizada em Fortaleza,
de 15 a 16 de julho de 2014.
  2. Durante a visita, a Presidenta Dilma
Rousseff e o Presidente Xi Jinping avaliaram
a evolução das relações bilaterais e
alcançaram consensos importantes sobre o
aprofundamento da Parceria Estratégia Global
Brasil-China. Os dois Chefes de Estado
participaram do encerramento da Reunião
Bilateral Anual do Conselho Empresarial
Brasil-China e assistiram à apresentação
artística alusiva à comemoração do 40º
aniversário das relações diplomáticas entre os
dois países. O Presidente Xi Jinping manteve
audiência com o Presidente do Senado
Federal, Renan Calheiros, e com o Presidente
da Câmara dos Deputados, henrique Eduardo
Alves, e proferiu discurso no Congresso
Nacional.
  3. Os dois Chefes de Estado saudaram
o 40º aniversário do estabelecimento das
relações diplomáticas entre Brasil e China
e, ao resumirem as experiências dos últimos
40 anos, coincidiram que os princípios de
respeito mútuo, benefício recíproco e ganhos
compartilhados constituem a base da evolução




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	143




constante das relações bilaterais.
  4. Os dois Mandatários observaram que a
elevação das relações bilaterais ao nível de
Parceria Estratégica Global e o estabelecimento
do Diálogo Estratégico Global refletem
a crescente importância da agenda sino-
brasileira no plano bilateral e em sua crescente
dimensão plurimultilateral. Comprometeram-
se a manter contatos frequentes, com vistas
a nortear o relacionamento sino-brasileiro,
e reiteraram o compromisso com o contínuo
fortalecimento da Parceria Estratégica Global,
num momento em que ambos os países
constroem sociedades mais justas e prósperas e
são crescentemente chamados a desempenhar
papel ampliado na esfera internacional.
  5. Os dois Líderes ressaltaram, também,
a importância de estreitar contatos entre
os governos, órgãos legislativos, partidos
políticos, entidades da sociedade civil e
unidades subnacionais dos dois países.
  6. Os dois Dignitários sublinharam o
papel relevante da Comissão Sino-Brasileira
de Alto-Nível de Concertação e Cooperação
(COSBAN) como mecanismo que orienta as
relações bilaterais e estabelece novas metas
para	seu	desenvolvimento.	Assinalaram
os resultados positivos da III Sessão da
COSBAN, co-presidida pelo Vice-Presidente
Michel Temer e pelo Vice-Primeiro-Ministro
Wang Yang, em Cantão, em 6 de novembro
de 2013, e reiteraram a importância de dar
continuidade à implementação do Plano
Decenal	de	Cooperação	(2012-2021).
Sublinharam a relevância do Plano de Ação
Conjunta (2010-2014) no estabelecimento de
metas estratégicas e atribuíram aos presidentes
das Partes brasileira e chinesa da COSBAN a
tarefa de coordenar sua atualização e estender
sua vigência até 2021.
  7. Os dois Chefes de Estado registraram
os resultados positivos da primeira sessão do
Diálogo Estratégico Global, em Brasília, em

25 de abril de 2014, conduzida pelos dois
Chanceleres. Nessa linha, coincidiram quanto
à importância de manter encontros regulares
dos mecanismos de consultas do Diálogo
Estratégico Global, e comprometeram-se a
intensificar a cooperação nos mecanismos
plurimultilaterais, com vistas a promover
a multipolarização e a democratização das
relações internacionais.
  COMéRCIO E INVESTIMENTOS
  8. Os dois Presidentes saudaram a
expressiva trajetória dos fluxos bilaterais
de comércio e investimentos entre Brasil
e China. Recordaram que o intercâmbio
comercial alcançou nível recorde em 2013
e sublinharam o expressivo aumento dos
fluxos de investimento. Comprometeram-se a
continuar a estimular o crescimento estável e a
diversificação dos fluxos bilaterais de comércio
e de investimentos, em particular nos setores
de indústria; petróleo e gás; eletricidade;
ferrovias; portos; armazéns; transporte
hidroviário; mineração; agropecuária;
alimentos processados; e serviços, entre
outros, com atenção especial aos segmentos
de alta tecnologia e de alto valor agregado.
Estimularam, também, a atuação conjunta de
empresas brasileiras e chinesas em projetos de
infraestrutura em terceiro países, na América
do Sul e na áfrica.
  9. Os dois Líderes reafirmaram a
relevância que atribuem à cooperação no
setor de aviação. Durante a vista, mediante
aprovação governamental, empresas chinesas
e EMBRAER assinaram acordos de venda de
60 jatos da família EMB 190.
  10. Os dois Mandatários ressaltaram a
importância de resolver questões comerciais
por meio de consultas e diálogos conduzidos
de forma amistosa pelos canais institucionais
estabelecidosecondenaramorecursoamedidas
de protecionismo comercial. Acordaram
manter o diálogo sobre a implementação do




144

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




reconhecimento da China como economia
de mercado, e a Parte brasileira reiterou o
compromisso de tratar deste assunto de forma
expedita.
  11.	Os	dois	Presidentes	registraram
o progresso nos trâmites necessários ao
estabelecimento da unidade de produção da
Marcopolo na zona de Processamento de
Exportações de Changzhou e manifestaram a
expectativa de que a fábrica inicie brevemente
sua	produção.	Anunciaram,	também,	a
instalação do escritório do Conselho Chinês
para Promoção do Comércio Internacional
(CCPIT) no Brasil.
  12. Os dois Chefes de Estado enfatizaram
a importância da cooperação na construção
de uma rede de infraestrutura sustentável e
integrada na América do Sul. Nesse contexto,
concordaram em estimular investimentos em
logísticadetransportenasáreasdoagronegócio;
cadeias de suprimento agrícola; mineração;
energia;	indústria;	tecnologia	de	ponta;
ciência e inovação; atividades de pesquisa
e desenvolvimento (P&D) em segmentos
e setores intensivos em conhecimento e
inovação; e tecnologias da informação e
das comunicações (TIC). Com este fim,
incentivaram	agências	governamentais	e
investidores do setor privado dos dois países a
participar das licitações em projetos no Brasil,
como por exemplo o trecho ferroviário entre
os municípios de Lucas do Rio Verde (MT) e
Campinorte (GO).
  13. Ao salientar que o ano de 2015 marca
o 20° aniversário da Organização Mundial
do Comércio (OMC), os dois Dignitários
reiteraram o valor, a centralidade e a primazia do
sistema multilateral de comércio, representado
pela OMC, baseado nos princípios de
transparência, não-discriminação, abertura e
inclusividade. Comprometeram-se a reforçar
a coordenação no âmbito da OMC, com vistas
à conclusão, o mais brevemente possível,

das negociações da Rodada de Doha, com
resultado abrangente, equilibrado e promotor
do desenvolvimento, com base no patrimônio
negociador já existente.
  AGRICULTURA
  14. Os dois Chefes de Estado ressaltaram
que a cooperação no setor do agronegócio é um
dos pilares da relação bilateral, com benefícios
para ambos os países. Congratularam-se
pela criação do Grupo de Trabalho sobre
Biotecnologia Agrícola e Biossegurança e pela
assinatura do Protocolo sobre os Requisitos
Fitossanitários para a Exportação de Milho do
Brasil para a China, durante a III Sessão da
COSBAN.
  15. Os dois Presidentes enalteceram a
cooperação entre as autoridades responsáveis
pelo serviço sanitário dos dois países. A Parte
chinesa anunciou o levantamento do embargo
à exportação de carne bovina para a China,
o que possibilitará a retomada do comércio
deste produto entre as Partes, e comprometeu-
se a agilizar a normalização da importação
pela China de pet food produzida no Brasil.
As duas Partes comprometeram-se a atribuir
especial atenção ao processo de habilitação de
novos estabelecimentos de pescados e tripas
da China, e de carnes bovina, suína e de aves
do Brasil. O Lado brasileiro comprometeu-
se a revisar seus requisitos para importação
de envoltórios naturais de caprinos e ovinos,
para garantir a normalidade das exportações
chinesas deste produto ao Brasil.
  16. As duas Partes expressaram apoio
à cooperação entre a Academia Chinesa
de Ciências Agrárias (CAAS) e a Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(EMBRAPA), e reiteraram a importância da
instalação dos laboratórios virtuais, da pesquisa
conjunta na troca de recursos de germoplasma,
e da cooperação biotecnológica desenvolvida
por estas plataformas. Concordaram sobre a
relevância da cooperação bilateral em pesquisa




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	145




e desenvolvimento agrícola. Reafirmaram
seu compromisso em fortalecer os regimes
internacionais relativos à conservação e ao uso
sustentável da biodiversidade, e ao acesso a
recursos genéticos e à repartição de benefícios
derivados de sua utilização. Nesse sentido,
destacaram o excelente grau de articulação
no âmbito do Grupo de Países Megadiversos
Afins.
  ENERGIA E MINERAçãO
  17. Os dois Chefes de Estado destacaram
o grande potencial de cooperação nas
áreas de energia e mineração. Reafirmaram
a importância atribuída à presença das
empresas chinesas China National Offshore
Oil Corporation (CNOOC) e China National
Petroleum Corporation (CNPC) no consórcio
responsável	pelo	desenvolvimento	do
campo petrolífero de Libra, e acolheram
positivamente os investimentos da State Grid
Corporation na construção e operação de
linhas de transmissão de energia no Brasil.
  18. Ambos os lados concordaram em
intensificar a cooperação em mineração;
estabelecer	laços	mais	estreitos	entre
autoridades, instituições governamentais e
agências geológicas e minerais; e promover
a cooperação em áreas como pesquisas
geológicas, prospecção, exploração, utilização
integrada e exploração sustentável de recursos
minerais, especialmente minério de ferro,
manganês, bauxita, nióbio e terras-raras.
  19. Sublinharam, também, a importância
das fontes de energia limpas, eficientes
e	renováveis	para	a	promoção	do
desenvolvimento	sustentável.	Enfatizaram
a necessidade de aumentar o conhecimento
mútuo sobre a situação das fontes renováveis
de energia nos dois países, a fim de identificar
sinergias e complementaridades, assim como
encorajar	a	cooperação	governamental,
acadêmica e empresarial nessa área. Nesse
contexto, saudaram a realização de reunião

entre Brasil e China sobre energias renováveis
e eficiência energética. Estimularam inciativas
conjuntas nas áreas de biocombustíveis e
energia solar e eólica. Elogiaram, igualmente,
a continuação do diálogo e da cooperação no
setor de petróleo e gás.
  CIêNCIA, TECNOLOGIA E INOVAçãO
  20. Os dois Presidentes enfatizaram a
importância da economia do conhecimento
como chave para promover o desenvolvimento
sustentável e a inserção competitiva de ambos
os países na economia global. Realçaram os
progressos alcançados na cooperação em
ciência, tecnologia e inovação e saudaram o
início das atividades e resultados positivos do
Centro Brasil-China de Mudanças Climáticas
e Tecnologias Inovadoras para Energia; do
Centro Brasil-China de Pesquisa e Inovação
em Nanotecnologia; e os preparativos
para o estabelecimento do Centro Brasil-
China para Aplicação de Dados de Satélites
Meteorológicos e do Centro Brasil-China
de Biotecnologia. Concordaram em dar
continuidade ao Diálogo de Alto Nível em
Ciência, Tecnologia e Inovação e promover
o intercâmbio regular entre universidades,
centros de pesquisa e parques tecnológicos.
Acordaram, também, implementar o Plano
de Trabalho Quinquenal Brasil-China (2013-
2017) para a cooperação em bambu.
  COOPERAçãO ESPACIAL
  21. Ao recordar que o Programa
Sino-Brasileiro de Satélites de Recursos
Terrestres (CBERS), criado em 1988, foi
instrumento pioneiro entre os países em
desenvolvimento no campo de ciência e alta
tecnologia, os dois Mandatários priorizaram a
cooperação espacial bilateral e confirmaram o
compromisso de lançar o satélite CBERS-4 até
o final de 2014. Também se comprometeram a
reforçar a cooperação sobre dados de satélite
de observação terrestre e suas aplicações
e dar continuidade ao compartilhamento e




146

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




distribuição gratuitos de imagens dos satélites
CBERS com países em desenvolvimento, em
particular com países africanos, no âmbito
do programa CBERS for Africa. Ressaltaram
a importância de avançar e consolidar seu
programa de cooperação espacial bilateral.
Nesse	sentido,	saudaram	as	atividades
desenvolvidas ao abrigo do Plano Decenal de
Cooperação Espacial (2013-2022), assinado
em novembro de 2013, que estabelece uma
plataforma de cooperação inédita entre países
em desenvolvimento, nas áreas de tecnologia
espacial,	aplicações	espaciais,	ciências
espaciais,	componentes	e	equipamentos
espaciais, formação e treinamento de pessoal,
apoio de TR&C (telemetria, rastreamento e
comando), e serviços de lançamento, entre
outras.
  COOPERAçãO	EM	EDUCAçãO,
CULTURA E ESPORTES
  22. As duas Partes continuarão a conduzir
ativamente o intercâmbio e a cooperação
nos âmbitos cultural, educacional, esportivo
e	turístico.	Estreitarão	o	intercâmbio
humanístico, com vistas a aprofundar a
tradicional amizade sino-brasileira.
  23.	Reconheceram	a	importância	da
cooperação cultural para a promoção do
conhecimento mútuo entre os dois povos e
ressaltaram a organização do Mês Cultural
do Brasil na China, em setembro de 2013
, e do Mês Cultural da China no Brasil, em
novembro de 2013. Com vistas a aprofundar,
cada vez mais, o intercâmbio e a cooperação
na área cultural, as Partes acordaram discutir
a celebração de um Programa Executivo
Cultural para o período 2015-2017.
  24. As duas Partes avaliaram positivamente
os progressos realizados na cooperação
em matéria de esportes e estimularam a
continuidade	das	atividades	no	âmbito
do Grupo de Trabalho sobre Esportes da
COSBAN, cuja terceira reunião terá lugar em

Pequim, no segundo semestre de 2014. Na
ocasião, Brasil e China farão consultas sobre
cooperação na área de futebol. A Parte chinesa
parabenizou o Brasil pela organização exitosa
da Copa do Mundo de Futebol, no Brasil, em
2014.
  25. Os dois Líderes comprometeram-
se a aprofundar a cooperação em educação
e reafirmaram seu apoio à implementação
do programa Ciência sem Fronteiras em
universidades chinesas. Nesse contexto,
acordaram encorajar mais estudantes
brasileiros a estudar na China e a participar de
estágios. Destacaram, também, a importância
de manter o intercâmbio de bolsas de estudo
por meio de canais já existentes e estimularam
as atividades dos Institutos Confúcio para o
ensino do mandarim no Brasil e dos leitorados
brasileiros para o ensino do português na China.
Reiteraram o compromisso de aprofundar
a cooperação em recursos humanos na área
de aviação civil. Sublinharam, ademais, a
importância da aproximação entre centros de
pesquisa e think tanks de ambos os países.
  COOPERAçãO FINANCEIRA
  26. Os dois Presidentes reafirmaram
a prioridade atribuída à estabilidade
macroeconômica, à inclusão social e ao
aprimoramento da competitividade dos dois
países na economia mundial. Estimularam
consultas regulares sobre suas políticas
macroeconômicas e sobre questões regionais
e internacionais de interesse comum no
âmbito financeiro, e recordaram a assinatura
de acordo de troca de moedas - swap de
moeda local - em 2013. Deram as boas-
vindas ao estabelecimento de bancos chineses
no Brasil e de bancos brasileiros na China,
o que fornece uma plataforma importante
para a promoção das relações econômicas e
comerciais bilaterais.
  COOPERAçãO EM DEFESA
  27. Os dois Mandatários reafirmaram o

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	147




interesse em fortalecer a parceria na área de
defesa, baseada no Acordo de Cooperação
em Matéria de Defesa, assinado em 2011,
especialmente no que se refere ao intercâmbio
de	visitas	de	alto	nível,	intercâmbio
profissional, formação de pessoal e produtos
de defesa. Reiteraram o compromisso de
aprofundar o diálogo técnico e de defesa no
âmbito do Comitê Conjunto de Intercâmbio e
Cooperação entre os Ministérios de Defesa.
  COOPERAçãO	CONSULAR	E
JURíDICA
  28. Os dois Chefes de Estado saudaram
a troca de instrumentos de ratificação do
Acordo sobre Auxílio Judicial em Matéria
Civil e Comercial, assinado em 19 de maio
de 2009, com o objetivo de fortalecer a
segurança jurídica nas relações entre pessoas
e empresas de ambos os países. Acordaram
dar continuidade aos esforços para ampliar
a rede de acordos e medidas de cooperação
jurídica bilateral, nas áreas migratória e de
documentos de viagem.
  29. A Parte brasileira saudou a abertura
do Consulado-Geral da China em Recife.
A Parte chinesa agradeceu a Parte brasileira
pela simplificação dos procedimentos para
concessão de vistos de trabalho para serviços
de assistência técnica, por prazo de até 90 dias.
  30. As Partes comprometeram-se a seguir
trabalhando para facilitar, com base no critério
de reciprocidade, a concessão de vistos a
nacionais de ambos os países, e saudaram
a conclusão da renegociação do acordo de
facilitação de vistos de negócios.
  31. Na área de proteção e assistência
consular, as duas Partes comprometeram-
se a fornecer a assistência necessária aos
agentes e funcionários consulares, de acordo
com a Convenção de Viena sobre Relações
Consulares. houve ainda consenso quanto
à conveniência de intensificar as campanhas
de esclarecimento, com vistas a reduzir casos

de trabalho irregular por nacionais de um
país no território do outro. As duas Partes
comprometeram-se, ademais, a intensificar
a cooperação bilateral para prevenir e coibir
o tráfico de pessoas, em quaisquer de suas
modalidades.
  COOPERAçãO PARLAMENTAR
  32. As duas Partes avaliaram que as
relações também poderão beneficiar-se, de
modo abrangente, do crescente intercâmbio
e cooperação parlamentar, por meio, por
exemplo, de visitas de alto nível, Mecanismo
Regular de Intercâmbio entre a Câmara dos
Deputados do Brasil e a Assembleia Popular
da China, comissões específicas e Grupos
Parlamentares de Amizade da Assembleia
Popular da China com o Senado Federal e
com a Câmara dos Deputados do Brasil, que
servem como importantes ferramentas para o
aperfeiçoamento das relações bilaterais.
  RELAçõES MULTILATERAIS
  33. O Presidente Xi Jinping congratulou o
Brasil pelo êxito na organização da VI Cúpula
do BRICS, que deu início ao segundo ciclo de
encontros dos Chefes de Estado/Governo dos
cinco países membros. Os dois Presidentes
avaliaram positivamente os encontros dos
Ministros do Comércio, dos Ministros de
Finanças e Presidentes de Bancos Centrais,
do Foro Financeiro, do Foro Empresarial
e do Conselho Empresarial, realizados no
âmbito da Cúpula. Saudaram a assinatura
de instrumentos em áreas promissoras de
cooperação intra-BRICS. Manifestaram
satisfação com os avanços alcançados no
âmbito financeiro, em particular a conclusão
das tratativas para a criação do Novo Banco
de Desenvolvimento e do Arranjo Contingente
de Reservas. Saudaram a realização de uma
sessão de trabalho específica dos Chefes de
Estado/Governo do BRICS com a presença
de seus homólogos da América do Sul.
Enfatizaram que o encontro demonstra o




148

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




peso crescente de novos polos de poder nas
relações internacionais, com relevância cada
vez maior das economias emergentes.
  34. A Parte chinesa agradeceu a Parte
brasileira pela realização do encontro de
Líderes da China e de Países da América
Latina e Caribe, durante o qual foram
trocadas	experiências	de	governança	e
discutidas as relações da China com a
América Latina e Caribe, bem como temas
regionais	e	internacionais	de	interesse
comum, no contexto da estruturação de uma
nova arquitetura econômica birregional. As
duas Partes coincidiram sobre a importância
que atribuem ao fortalecimento das relações
entre a China, a América Latina e o Caribe,
e expressaram sua confiança de que o Foro
CELAC-China	reforçará	a	Cooperação
Sul-Sul, baseada em igualdade, benefício
recíproco, vantagens mútuas, cooperação
win-win, desenvolvimento comum e valores
compartilhados. Manifestaram sua disposição
em continuar a trabalhar conjuntamente para
o êxito da I Reunião Ministerial do Foro
CELAC-China, que terá lugar em Pequim.
  35. Os dois Dignitários manifestaram
sua preocupação com o uso de tecnologias
da informação e da comunicação em atos
contrários à manutenção da paz e segurança
internacional e prejudiciais aos direitos de
privacidade. Coincidiram na necessidade
de cooperação para lidar com as ameaças à
segurança cibernética, com base no respeito
mútuo, igualdade e benefício recíproco.
Conclamaram a comunidade internacional
a elaborar normas universalmente aceitas
e a continuar a aderir aos princípios do
multilateralismo, democracia e transparência,
com o pleno envolvimento de todos os setores
interessados, com o objetivo de aprimorar
o sistema de governança multissetorial da
Internet e tornar realidade a gestão conjunta
e a distribuição justa dos recursos da Internet.

Afirmaram o interesse de promover a
globalização da Corporação de Atribuição de
Nomes e Números na Internet (ICANN) e sua
subordinação à supervisão pela comunidade
internacional multissetorial, além de reforçar
o papel do Foro de Governança da Internet
das Nações Unidas no sistema de governança
da Internet.
  36. Os dois Presidentes trocaram impressões
sobre os resultados da Reunião Multissetorial
Global sobre o Futuro da Governança da
Internet  NETmundial (São Paulo, 23 e 24 de
abril de 2014) e concordaram em aprofundar
o diálogo bilateral sobre temas relativos à
governança da Internet. A Parte brasileira
manifestou a expectativa de que os princípios
consagrados na Declaração Multissetorial
da NETmundial, bem como o roteiro para
evolução do arcabouço institucional no setor,
acordado na ocasião, possam orientar as
discussões futuras sobre o assunto.
  37. Os dois Mandatários reafirmaram seu
compromisso em alcançar uma Agenda Pós-
2015 ambiciosa e universal, que mantenha
a erradicação da pobreza como prioridade
na implementação do desenvolvimento
sustentável. Reiteraram a necessidade de
que a Agenda Pós-2015 conte com meios
de implementação efetivos, bem como com
recursos adicionais para o financiamento do
desenvolvimento sustentável.
  38. Os dois Chefes de Estado reiteraram
a importância de que sejam concluídas as
negociações de um novo protocolo, outro
instrumento legal ou resultado legalmente
vinculante sob a Convenção-Quadro das
Nações Unidas sobre Mudança do Clima
(UNFCCC), a ser adotado em 2015, para
vigorar e ser implementado a partir de 2020,
nos termos do mandato da Plataforma de
Durban sobre Ação Fortalecida (ADP, na sigla
em inglês). Coincidiram quanto à necessidade
de que o novo resultado acordado sob a




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	149




Convenção seja abrangente, equilibrado, justo,
efetivo e respeite os princípios, as regras e a
estrutura de Convenção-Quadro, em particular
os princípios de equidade, responsabilidades
comuns, porém diferenciadas, e respectivas
capacidades. Nesse sentido, os dois Presidentes
destacaram o excelente grau de articulação
e diálogo no âmbito do BASIC, cujas ações
coordenadas a partir dos interesses dos países
em desenvolvimento favorecem a busca de
soluções para combater a mudança do clima,
mitigar suas causas e promover a adaptação
aos seus efeitos nocivos. Declararam total
apoio à liderança do governo do Peru para um
resultado exitoso e equilibrado da Conferência
das Partes da UNFCCC, que se realizará em
Lima, em dezembro de 2014, e saudaram a
iniciativa do Secretário-Geral das Nações
Unidas de promover a Cúpula do Clima em
Nova York, em 23 de dezembro de 2014, como
forma de prestar apoio político às negociações
em curso no âmbito da UNFCCC.
  39. Os dois Líderes reiteraram seu apoio
à reforma e ao aperfeiçoamento do sistema
financeiro	internacional	para	ampliar	o
direito à voz e representação das economias
emergentes e países em desenvolvimento.
Fizeram chamamento à aceleração da reforma
de quota e poder de voto do Fundo Monetário
Internacional, à discussão sobre a composição
da cesta de moedas dos Direitos Especiais
de Saque, ao debate sobre a modalidade de
escolha dos dirigentes máximos do Banco
Mundial e do FMI, e ao aumento dos recursos
das instituições financeiras internacionais
destinados	às	questões	relativas	ao
desenvolvimento.
  REFORMA DAS NAçõES UNIDAS
  40. Os dois Presidentes reafirmaram
seu compromisso em fortalecer o sistema
multilateral,	que	tem	como	núcleo	a
Organização das Nações Unidas, e trabalhar
pela reforma das estruturas de governança

global, para torná-las mais representativas
das realidades do século XXI. Nesse sentido,
concordaram que a celebração do 70º
aniversário da ONU em 2015 constituirá
momento oportuno para fortalecer seu papel
central no trato dos desafios e ameaças
globais. Reiteraram que Brasil e China
apoiam uma reforma abrangente das Nações
Unidas, e afirmaram o entendimento de que
a reforma do Conselho de Segurança deve
priorizar o incremento da representação dos
países em desenvolvimento. A China atribui
grande importância à influência e ao papel
que o Brasil exerce em assuntos regionais e
internacionais e apoia a aspiração do Brasil
de vir a desempenhar papel mais proeminente
nas Nações Unidas.
  ATOS
  41. Durante a visita, foi anunciada a
conclusão de 56 atos, dos quais 32 foram
firmados na presença dos dois Presidentes da
República:
  Atos assinados na presença dos dois
Presidentes:
  1. Memorando de Entendimento sobre
Cooperação Estratégica entre o Ministério da
Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a
Baidu Inc.;
  2. Memorando de Entendimento sobre
Cooperação Ferroviária entre o Ministério
dos Transportes e a Comissão Nacional de
Desenvolvimento e Reforma da China;
  3. Contrato de venda de aeronaves entre a
Embraer e a Tianjin Airlines;
  4. Contrato de venda de aeronaves entre a
Embraer e o ICBC Leasing;
  5. Protocolo Complementar ao Acordo de
Cooperação em Matéria de Defesa entre Brasil
e China, na área de tecnologia da informação,
telecomunicação e sensoriamento remoto;
  6. Memorando de Entendimento para
Cooperação em Dados de Observação da
Terra entre a Agência Espacial Brasileira e




150

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




China National Space Administration;
  7. Acordo sobre Aviação Civil entre a
Secretaria de Aviação Civil da Presidência
da República e Administração Nacional de
Aviação Civil da China;
  8. Memorando de investimentos entre
a Agência	Brasileira	de	Promoção	de
Exportações e Investimentos e a BYD
Company Ltd., para fabricação de baterias
recarregáveis e sistemas de armazenamento
de energia no Brasil;
  9. Protocolo de intenção sobre a cooperação
de computação em nuvem entre o MCTI e a
huawei Technologies Co. Ltd.;
  10. Acordo de Cooperação entre Eletrobras
e State Grid Corporation of China (SGCC);
  11. Acordo de Cooperação Estratégica
entre Eletrobras, Furnas, China Three Gorges
Corporation e CWEI (Brasil) Participações
Ltda;
  12. Memorando de Entendimento sobre
investimento e construção de fábrica de
maquinário para a construção civil, entre a
Investe São Paulo e Sany;
  13. Acordo	de	cooperação	sobre	a
construção de armazém de logística entre
Correios do Brasil e Alibaba;
  14. Contrato de aquisição de controle
acionário do BicBanco pelo Banco de
Construção da China;
  15.	Memorando	de	Entendimento
sobre	promoção	de	investimento	e
cooperação industrial entre o Ministério do
Desenvolvimento,	Indústria	e	Comércio
Exterior (MDIC) e o Ministério do Comércio
da China (MOFCOM);
  16. Memorando de Entendimento para
cooperação no setor de infraestrutura entre
o Banco Nacional do Desenvolvimento
(BNDES) e o Banco de Desenvolvimento da
China (CDB);
  17. Acordo-Quadro sobre cooperação em
projetos de mútuo interesse eventualmente

identificados pelas partes entre o BNDES e o
Eximbank chinês;
  18. Memorando de Entendimento sobre
projetos de mútuo interesse eventualmente
identificados pelas partes entre o BNDES e a
Corporação de Investimento da China;
  19. Plano de Trabalho de Estatísticas de
Mercadorias entre o MDIC e o MOFCOM;
  20. Memorando de Entendimento para
cooperação em arranjos de financiamento
globais, entre a Vale e o Banco da China;
  21. Acordo-quadro de cooperação entre a
Vale e o Eximbank chinês;
  22. Acordo de cooperação sobre o
estabelecimento do Instituto Confúcio na
Universidade Federal do Ceará (UFC), entre a
UFC e a Sede do Instituto Confúcio (hanban);
  23. Acordo de cooperação sobre o
estabelecimento do Instituto Confúcio
na Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp), entre a Unicamp e a Sede do
Instituto Confúcio (hanban);
  24. Acordo de cooperação sobre o
estabelecimento do Instituto Confúcio na
Universidade do Estado do Pará (UEPA),
entre a UEPA e a Sede do Instituto Confúcio
(hanban);
  25. Memorando de Entendimento com
vistas à ampliação do estabelecimento de
Institutos Confúcio em universidades federais
brasileiras, entre o Ministério da Educação e a
Sede do Instituto Confúcio (hanban);
  26. Memorando de Entendimento relativo
à aprendizagem do mandarim no Brasil, entre
o Ministério da Educação e a Sede do Instituto
Confúcio (hanban);
  27. Acordo para Construção de cidade
inteligente/digital em Tocantins com
financiamento do Banco de Desenvolvimento
da China (CDB), entre o Governo do Estado
do Tocantins e o CDB;
  28. Acordo sobre resseguros entre o Banco
do Brasil e a Sinosure;




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	151




   29. Memorando de Entendimento de
cooperação entre a Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo (FIESP) e a China
Overseas Development Association (CODA);
  30. Acordo de Facilitação de Vistos de
Negócios entre Brasil e China;
  31. Acordo-quadro de cooperação entre
a União dos Legisladores e Legislativos
Estaduais (UNALE) e a Associação de
Cidades Gêmeas da China;
  32.	Acordo	de	Cooperação	Técnica
e Estratégica entre a huawei, o Badesul
Desenvolvimento e Procergs.
  Atos concluídos no contexto da visita:
  1. Memorando de entendimento entre a
Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo (FIESP) e o Industrial and Commercial
Bank of China (ICBC);
  2. Memorando de Entendimento com
vistas à oferta de estágios a estudantes do
Programa Ciências sem Fronteiras na China,
entre a Coordenadoria de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior (CAPES) e o China
Scholarship Council (CSC);
  3. Acordo entre o BNDES e o Banco da
China para cooperação em projetos de mútuo
interesse eventualmente identificados pelas
partes;
  4. Memorando de entendimento sobre
promoção comercial entre a Agência Brasileira
de Promoção de Exportações e Investimentos
(Apex) e o Trade Development Bureau da
China;
  5. Acordo para estabelecer Relação de
Porto Irmão Verde, entre o Porto de Tubarão e
o Porto de Lian Yun Gang;
  6. Acordo de cooperação entre a Fundação
de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
(FAPESP) e a Universidade de Pequim;
  7. Acordo de cooperação na área geológica
entre o Serviço Geológico do Brasil/ Companhia
de Pesquisas de Recursos Minerais e o Ministério
de Terra e Recursos da China;
   
8. Acordo entre o Grupo Schahin e o ICBC
Leasing para financiamento para construção
de plataformas de petróleo;
  9.Acordo de parceria entre a TIM Participações
S.A., a zTE Corporation e a zTE do Brasil;
  10. Acordo de cooperação entre a Nutriplus
Alimentación y Tecnología e o China BBCA
Group;
  11. Memorando de Entendimento
entre Comexport e Bank of China para
estabelecimento de plataforma integrada sino-
brasileira de investimento e comércio;
  12. Acordo-Quadro de Cooperação
Tripartite entre a Engevix Sistemas de Defesa
Ltda., o ICBC e a China Electronics Import
and Export Corporation (CEIEC), na área de
defesa e segurança pública; e
  13. Anúncio de doze acordos de compras
de produtos brasileiros por empresas chinesas,
na área de grãos.
  42. Os dois Presidentes enalteceram
os excelentes resultados da visita e seu
grande significado para a promoção do
desenvolvimento da Parceria Estratégica
Global Brasil-China. O Presidente Xi Jinping
agradeceu à Presidenta Dilma Rousseff e ao
Governo brasileiro a calorosa acolhida e a
hospitalidade recebidas durante a visita.

           CONFLITO ENTRE ISRAEL E
                          PALESTINA
                            17/07/2014
                               
  O Governo brasileiro tem acompanhado
com profunda preocupação a escalada de
violência entre Israel e Palestina e expressa
sua solidariedade com os feridos e com as
famílias das vítimas na Palestina e em Israel.
  O Governo brasileiro condena
veementemente os bombardeios israelenses
a Gaza, com uso desproporcional da força,
que resultaram em mais de 230 palestinos




152

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




mortos, muitos deles civis desarmados e
crianças. Condena, igualmente, o lançamento
de foguetes e morteiros de Gaza contra Israel.
  O Governo brasileiro rechaça a atual
incursão	terrestre	israelense	em	Gaza,
iniciada na noite de 17/7, que representa grave
retrocesso nos esforços de paz. Tal ofensiva
poderá ter sérias repercussões para o aumento
da instabilidade no Oriente Médio e exacerbar
a já dramática situação humanitária naquele
Território Palestino Ocupado. Instamos as
forças israelenses a respeitarem estritamente
suas obrigações ante o Direito Internacional
humanitário.	Ademais,	consideramos
necessário que Israel ponha fim prontamente
ao bloqueio a Gaza.
  O Governo brasileiro conclama ambas
as partes a estabelecerem um cessar-fogo
duradouro e aderirem imediatamente aos
esforços empreendidos pelo Governo do
Egito e pelas Nações Unidas nesse sentido.
Reitera que a solução de dois Estados, Israel e
Palestina, requer que as partes respeitem suas
obrigações nos termos do direito internacional
e retomem sem demora as negociações de paz
para encerrar o conflito.
  Em vista da escalada de tensões verificada
nas últimas semanas entre as partes israelense
e palestina, o Governo brasileiro acionou seus
postos na região para viabilizar, de forma
expedita, a retirada de cidadãos brasileiros
residentes na Faixa de Gaza e seus familiares
próximos. Em virtude dessas ações preventivas,
12 portadores de passaporte brasileiro foram
evacuados até a manhã de hoje.

DECLARAçãO CONJUNTA DA CúPULA
  DE BRASíLIA DE LíDERES DA ChINA
   E DE PAíSES DA AMéRICA LATINA E
  CARIBE - BRASíLIA, 17 DE JULhO DE
                                 2014
   
Nós, os Chefes de Estado e de Governo e
Representantes Especiais do Brasil, China,
assim como Costa Rica, Cuba, Equador,
Antígua e Barbuda, também membros do
Quarteto CELAC  e Argentina, Bolívia,
Chile, Colômbia, Guiana, México, Paraguai,
Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela,
realizamos uma reunião em Brasília, em 17
de julho de 2014, sob o tema Igualdade e
Benefício Mútuo, Cooperação Recíproca e
Desenvolvimento Comum, e emitimos a
seguinte declaração:
  Reconhecendo que o mundo está passando
por um processo de globalização econômica
e mudança política e que os nossos países
têm um papel fundamental a desempenhar
contribuindo para a paz, a estabilidade, o
crescimento inclusivo e o desenvolvimento
sustentável, a prosperidade e para a formação
de um mundo multipolar,
  Reafirmando o nosso respeito irrestrito aos
objetivos e princípios da Carta das Nações
Unidas, ao Direito Internacional, à solução
pacífica de controvérsias, à cooperação
internacional para o desenvolvimento, à
proibição do uso e da ameaça do uso da força,
à autodeterminação, à soberania, à integridade
territorial, à não ingerência nos assuntos
internos de cada país, ao Estado de Direito
e à proteção e promoção de todos os direitos
humanos,
  Reiterando firme apoio mútuo para a
exploração de caminhos de desenvolvimento
adequados às condições nacionais, ressaltando
a nossa convicção de que esta reunião é um
passo importante no sentido de reforçar o
diálogo e a cooperação entre as nações latino-
americanas e caribenhas e a China e aumentar
a voz dos países em desenvolvimento
nos organismos decisórios de instituições
multilaterais,
  Reconhecendo que os países reunidos no
âmbito da CELAC e a China compartilham




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	153




uma longa história de amizade, que foi
enriquecida	recentemente	por	frequentes
visitas mútuas de alto nível e pelo crescente
nível do diálogo e da cooperação Sul-Sul,
  1. Concordamos que nosso relacionamento
é uma oportunidade importante para o
desenvolvimento mútuo, uma vez que a
América Latina e o Caribe e a China, como
países	em	desenvolvimento,	enfrentam
tarefas de desenvolvimento e desafios globais
comuns. Anunciamos o estabelecimento de
uma parceria ampla de igualdade, benefício
mútuo e desenvolvimento comum entre a
China e a América Latina e Caribe, com vistas
a aumentar o nível de cooperação em diversos
temas.
  2. Anunciamos a inauguração oficial do
Foro China-CELAC e a convocação de sua
primeira reunião ministerial em uma data
próxima, em Pequim, conforme acordado
na II Cúpula da CELAC, realizada em
havana, Cuba, em janeiro de 2014. A reunião
ministerial será precedida por uma reunião
preparatória de Coordenadores Nacionais da
China e da CELAC.
  3. Reiteramos nossa determinação de
formular o Plano de Cooperação China-
América Latina e Caribe (2015-2019), com
a finalidade de aumentar os vínculos e a
cooperação entre a China e a América Latina
e Caribe, em áreas como diálogo político,
comércio,	investimento,	agricultura,	alta
tecnologia e novas tecnologias, energia limpa e
renovável, manufaturados, pequenas e médias
empresas, infraestrutura, cultura, educação,
turismo, desenvolvimento social e sustentável
e prevenção e mitigação de desastres naturais,
entre outras questões, levando em conta as
necessidades particulares dos pequenos países
insulares do Caribe, por meio de mecanismos
específicos a serem analisados e aprovados
pela Primeira Reunião Ministerial CELAC-
China. Tomamos nota de que a China convidou

os países da América Latina e do Caribe a
desempenhar um papel ativo na construção do
Fundo de Cooperação China-América Latina
e Caribe, e a fazer bom uso dos empréstimos
concessionais concedidos pela China, de
acordo com as necessidades e prioridades dos
países recipiendários.
  4. Damos grande importância ao papel da
infraestrutura para garantir a fluidez dos fluxos
logísticos, facilitar o comércio e impulsionar
o crescimento econômico. Ressaltamos
a importância de construir e modernizar
infraestruturas, como ferrovias, estradas,
portos, aeroportos e telecomunicações, e os
esforços para fazer bom uso dos Empréstimos
Especiais para a Infraestrutura Sino-Latino-
Americana e Caribenha. Assim, seremos
capazes de melhorar a conectividade dos
países da América Latina e do Caribe entre si
e com a China.
  5. Reafirmamos nossa disposição de
trabalhar em conjunto para garantir o
crescimento do comércio e promover
a diversificação comercial por meio da
exportação de produtos de alto valor agregado
e intensivos em tecnologia da região para a
China. Ambos os lados continuarão a organizar
a Cúpula Empresarial China-América Latina
e Caribe e a assegurar o seu êxito.
  6. Saudamos o resultado do I Foro
de Ministros da Agricultura da China-
América Latina e Caribe, que teve lugar em
Pequim, em junho de 2013, e manifestamos
que continuaremos a realizar o Foro e a
apoiar os esforços para melhorar o diálogo
e a colaboração no comércio agrícola,
investimento e ciência e tecnologia.
  7. Reconhecemos a importância de
promover o diálogo e a colaboração em
temas financeiros para prevenir e afastar
riscos financeiros, manter a segurança e a
estabilidade financeira e facilitar o comércio e
o investimento. Expressamos nosso apoio para




154

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




que os Bancos Centrais da China e dos países
da América Latina e do Caribe fortaleçam a
cooperação.
  8. Saudamos todos os esforços em instar
as instituições financeiras internacionais a
melhorar suas políticas de graduação e a
conceder, aos Países Pequenos e Altamente
Endividados, de Renda Baixa e Média da
CELAC, acesso a mais recursos.
  9. Reafirmamos o papel da inovação
científica e tecnológica na promoção do
crescimento	econômico	e	reforçaremos
ainda mais a cooperação nesse campo.
Trabalharemos para criar mais programas
de intercâmbio e projetos de cooperação
em pesquisa científica em áreas de interesse
compartilhado, especialmente por meio da
formação de recursos humanos e talentos.
Apoiamos os esforços para realizar de forma
exitosa o Foro China-América Latina e Caribe
de Inovação Científica e Tecnológica.
  10.	Destacamos	a	importância	de
fortalecer os vínculos pessoais entre nossas
sociedades.	Nesse	sentido,	expressamos
nossa determinação em promover o turismo
e aprofundar laços na área de educação,
principalmente por meio do incremento de
programas de intercâmbio universitário, bolsas
de estudo e diálogos acadêmicos. Saudamos a
decisão da China de criar Institutos Confúcio
e Salas de Aula Confúcio, bem como sua
intenção de inaugurar novas unidades dessas
instituições na região.
  11. Enaltecemos o importante papel que
organizações regionais e sub-regionais da
América Latina e Caribe têm desempenhado
na promoção da integração regional e
na defesa da paz e do desenvolvimento
regionais. A China deu ciência de sua vontade
de reforçar o diálogo com a CELAC e com
outros mecanismos e organizações regionais
e sub-regionais relevantes da América Latina
e Caribe. Expressamos nossa satisfação com

a proclamação da América Latina e Caribe
como zona de Paz, na II Cúpula da CELAC,
em havana, Cuba.
  12. Destacamos nosso compromisso em
estimular o diálogo político e a colaboração
nas organizações e mecanismos internacionais
multilaterais,emapoiaraautoridadedasNações
Unidas e seu papel de liderança nos assuntos
internacionais, em aprofundar o diálogo e a
colaboração em questões internacionais de
interesse mútuo e em fortalecer a voz dos
países em desenvolvimento nos organismos
decisórios de instituições multilaterais, a
fim de contribuir para a multipolaridade e a
democracia nas relações internacionais.
  13. Expressamos nossa crença de que
a comunidade internacional necessita
intensificar esforços na implementação dos
Objetivos de Desenvolvimento do Milênio,
além de definir a Agenda de Desenvolvimento
pós-2015, com base no respeito irrestrito
aos princípios consagrados no documento
final da Rio+20, O Futuro que Queremos ,
incluindo o princípio das responsabilidades
comuns, porém diferenciadas, e com foco
na erradicação da pobreza e na promoção do
desenvolvimento sustentável, de acordo com
as circunstâncias e prioridades nacionais de
cada país.
  14. Salientamos que é essencial para
a estabilidade e para a previsibilidade da
arquitetura financeira internacional garantir
que sejam respeitados os acordos alcançados
entre devedores e credores, no âmbito de
processos de reestruturação de dívidas
soberanas.
  15. Tomamos nota da reunião, realizada
hoje, pelo presidente da China com o
Presidente da Costa Rica, na sua qualidade
de Presidente Pro Tempore da CELAC, e
os Chefes de Estado e de Governo de Cuba,
Equador e Antígua e Barbuda  membros do
Quarteto da CELAC.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	155




   16.	Nessa	ocasião,	os	participantes
reiteraram a amizade que os une e o interesse
mútuo em reforçar sua cooperação e em
avançar rumo ao estabelecimento de uma
parceria	CELAC-China	de	igualdade,
benefício	mútuo,	cooperação	recíproca
e	desenvolvimento	comum.	Também
reconheceram as relações privilegiadas entre
a China e os países da CELAC e o valor do
lançamento do foro birregional como um
espaço essencial para aprofundar as relações
CELAC-China e como processo histórico que
contribuirá para o reforço do entendimento
mútuo entre a CELAC e a China.
  17. Expressamos apreço pelos esforços
e pelo papel de coordenação da Presidência
Pro Tempore e do Quarteto da CELAC no
aprofundamento da cooperação entre a China
e a CELAC.
  18. Expressamos profunda gratidão ao
Brasil, país anfitrião, pelo trabalho e pelos
esforços envidados para garantir o êxito desta
reunião.

   ATOS ASSINADOS POR OCASIãO DA
VISITA AO BRASIL DO PRESIDENTE DA
   REPúBLICA POPULAR DA ChINA, XI
                             JINPING
                            17/07/2014
  Por ocasião da visita de Estado ao Brasil
do Presidente da China, Xi Jinping, em 17 de
julho de 2014, foram assinados diversos atos
internacionais, que aprofundam as parcerias e
a cooperação entre os dois países.
  ACORDO ENTRE O GOVERNO DA
REPúBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E
O GOVERNO DA REPúBLICA POPULAR
DA ChINA SOBRE A FACILITAçãO DA
CONCESSãO DE VISTOS PARA hOMENS
DE NEGóCIOS
  PROTOCOLO COMPLEMENTAR AO

ACORDO DE COOPERAçãO EM MATéRIA
DE DEFESA ENTRE O GOVERNO DA
REPúBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E O
GOVERNO DA REPúBLICA POPULAR DA
ChINA, NA áREA DE SENSORIAMENTO
REMOTO, TELECOMUNICAçõES  E
TECNOLOGIA DA INFORMAçãO
  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE O MINISTéRIO   DOS
TRANSPORTES DA REPúBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E A COMISSãO
NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO E
REFORMA DA REPúBLICA POPULAR
DA ChINA SOBRE COOPERAçãO
FERROVIáRIA
  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE O MINISTéRIO   DO
DESENVOLVIMENTO, INDúSTRIA E
COMéRCIO EXTERIOR DA REPúBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E A COMISSãO
NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO E
REFORMA DA REPúBLICA POPULAR
DA ChINA SOBRE PROMOçãO DE
INVESTIMENTO E COOPERAçãO
INDUSTRIAIS
  COMISSãO     SINO-BRASILEIRA
DE ALTO NíVEL DE CONCERTAçãO
E COOPERAçãO  SUBCOMISSãO
ECONôMICO-COMERCIAL GRUPO DE
hARMONIzAçãO ESTATíSTICA PLANO
DE TRABALhO DE ESTATíSTICAS DE
MERCADORIAS
  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE A SECRETARIA DE AVIAçãO
CIVIL DA PRESIDêNCIA DA REPúBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E A
ADMINISTRAçãO DA AVIAçãO CIVIL
DA ChINA PARA O FORTALECIMENTO
DA COOPERAçãO INTEGRAL DE
AVIAçãO CIVIL
  ACORDO DE COOPERAçãO
TéCNICA E CIENTíFICA QUE ENTRE SI
CELEBRAM A UNIãO, POR MEIO DO




156

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




MINISTéRIO DA CIêNCIA TECNOLOGIA
E INOVAçãO E A hUAWEI DO BRASIL
TELECOMUNICAçõES	LTDA.,
COM	OBJETIVO	DE	CAPACITAR
PROFISSIONAIS EM TI NAS SEGUINTES
áREAS: PROCESSAMENTO DE GRANDE
MASSA DE DADOS, COMPUTAçãO EM
NUVEM E SEGURANçA
  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE	A	AGêNCIA	ESPACIAL
BRASILEIRA E A ADMINISTRAçãO
NACIONAL	ESPACIAL	DA	ChINA
SOBRE COOPERAçãO EM DADOS E
APLICAçõES	DE	SENSORIAMENTO
REMOTO POR SATéLITE
  ACORDO DE COOPERAçãO TéCNICA
QUE ENTRE SI CELEBRAM A UNIãO,
POR INTERMéDIO DO MINISTéRIO DA
CIêNCIA, TECNOLOGIA E INOVAçãO
E	O	BAIDU	hOLDINGS	LIMITED
COM O OBJETIVO DE PROMOVER O
DESENVOLVIMENTO DOS SERVIçOS
E DA TECNOLOGIA DE INTERNET NO
BRASIL
  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE O MINISTéRIO DA EDUCAçãO
DAREPúBLICAFEDERATIVADO BRASIL
E A SEDE DO INSTITUTO CONFúCIO DA
ChINA, RELATIVO à APRENDIzAGEM
DO MANDARIM NO BRASIL
  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE O MINISTéRIO DA EDUCAçãO
DAREPúBLICAFEDERATIVADO BRASIL
E A SEDE DO INSTITUTO CONFúCIO DA
ChINA, COM VISTAS à AMPLIAçãO DO
ESTABELECIMENTO DE INSTITUTOS
CONFúCIO	EM	UNIVERSIDADES
FEDERAIS BRASILEIRAS
  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE	A	COORDENAçãO	DE
APERFEIçOAMENTO	DE	PESSOAL
DE	NíVEL	SUPERIOR	(CAPES)	DA
REPúBLICA FEDERATIVA DO BRASIL

E O ChINA SChOOLARShIP COUNCIL
(CSC) DA REPúBLICA POPULAR DA
ChINA,  SOBRE OPORTUNIDADES
DE ESTáGIO A ESTUDANTES DO
PROGRAMA CIêNCIA SEM FRONTEIRAS
  ACORDO ENTRE A SEDE
DO INSTITUTO CONFúCIO  E A
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE
CAMPINAS (UNICAMP) DO BRASILPARA
O ESTABELECIMENTO DO INSTITUTO
CONFúCIO   DA UNIVERSIDADE
ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP)
  ACORDO ENTRE O GOVERNO DA
REPúBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E
O GOVERNO DA REPúBLICA POPULAR
DA ChINA SOBRE A FACILITAçãO DA
CONCESSãO DE VISTOS PARA hOMENS
DE NEGóCIOS
  O Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo da República Popular
da China (doravante denominados Partes
Contratantes);
  Desejando consolidar e fortalecer as
relações de amizade entre os dois países e
facilitar as viagens de homens de negócios
entre os dois países;
  Tendo conduzido negociações sobre a
facilitação de vistos para homens de negócios
baseadas nos princípios da igualdade e
reciprocidade;
  Acordam o seguinte:
  ARTIGO 1
  1. As Embaixadas e as Repartições
Consulares da China concederão, aos homens
de negócios brasileiros, vistos com prazo de
validade de até 3 (três) anos, com múltiplas
entradas, para um período autorizado de
estada de até 90 (noventa) dias, renováveis
se necessário, desde que o prazo máximo de
estada não exceda 180 (cento e oitenta) dias a
cada período de 12 (doze) meses, contados a
partir da data da primeira entrada no território
chinês.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	157




   2. As Embaixadas e as Repartições
Consulares do Brasil concederão, aos homens
de negócios chineses, vistos com prazo de
validade de até 3 (três) anos, com múltiplas
entradas, para um período autorizado de
estada de até 90 (noventa) dias, renováveis
se necessário, desde que o prazo máximo de
estada não exceda 180 (cento e oitenta) dias a
cada período de 12 (doze) meses, contados a
partir da data da primeira entrada no território
brasileiro.
  3. Os parágrafos 1 e 2 deste Artigo referem-
se aos nacionais das Partes Contratantes que
viajam a negócios, o que inclui as seguintes
atividades:
  a) Prospecção de oportunidades comerciais,
participação	em	reuniões	de	negócios,
assinatura de contratos e realização de atividades
financeiras, de gestão e administrativas;
  b) Participação em reuniões, conferências
e seminários de negócios, desde que não
remunerados por fontes da parte receptora por
essas atividades (com exceção do reembolso
de gastos diretamente relacionados com a
viagem ou do pagamento de diárias).
  ARTIGO 2
  Este Acordo não se aplica aos nacionais
das Partes Contratantes que desejam exercer
atividades	remuneradas	ou	assalariadas,
realizar matérias jornalísticas, participar em
atividades de pesquisa, treinamento, estudos e
trabalhos de caráter social, bem como realizar
atividades de assistência técnica, de carácter
missionário, religioso ou artístico. As Partes
Contratantes	definirão	os	procedimentos
necessários para a obtenção de vistos para as
pessoas mencionadas acima, de acordo com
suas respectivas legislações nacionais.
  ARTIGO 3
  Os	homens	de	negócios	das	Partes
Contratantes,	portadores	dos	vistos
mencionados no Artigo 1, poderão entrar no
território da outra Parte Contratante a qualquer

momento, dentro do prazo de validade do
visto, desde que não seja excedido o prazo
máximo de estada mencionado no Artigo 1.
  ARTIGO 4
  1. Para solicitar os vistos mencionados
no Artigo 1, os homens de negócios
chineses deverão apresentar formulário de
solicitação de visto, fotos, passaporte, carta
de seu empregador, carta-convite de empresa
registrada no Brasil, bem como demais
documentos que comprovem o objetivo de sua
viagem.
  2. Para solicitar os vistos mencionados
no Artigo 1, os homens de negócios
brasileiros deverão apresentar formulário de
solicitação de visto, fotos, passaporte, carta
de seu empregador, carta-convite de empresa
registrada na China, bem como demais
documentos que comprovem o objetivo de sua
viagem.
  3. Os documentos supracitados poderão,
por decisão das autoridades consulares das
Partes Contratantes, ser dispensados da
exigência de notarização e autenticação, para
fins de concessão de visto.
  ARTIGO 5
  Exceto em casos extraordinários, as
Embaixadas e Consulados das Partes
Contratantes envidarão esforços para
conceder os vistos mencionados neste
Acordo em 10 (dez) dias úteis, a contar da
data de recebimento da solicitação de visto,
considerando as exigências previstas em suas
respectivas legislações.
  ARTIGO 6
  1. Este Acordo aplica-se sem prejuízo do
disposto na legislação das Partes Contratantes
relativa a condições de entrada e permanência
de estrangeiros em seus respectivos territórios.
As Partes Contratantes poderão negar a
entrada ou permanência em seu território de
nacionais da outra Parte Contratante se uma
dessas condições não for observada.




158

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




  2. Os nacionais das Partes Contratantes
beneficiários deste Acordo deverão cumprir as
leis e regulamentos vigentes no território da
outra Parte Contratante durante a sua estada.
  ARTIGO 7
  As autoridades competentes de ambas as
Partes Contratantes poderão intercambiar
informações sobre a emissão de vistos e
realizar, quando necessário, reuniões de
consultas no Brasil e na China, alternadamente,
para avaliar a implementação e outros assuntos
relacionados a este Acordo.
  ARTIGO 8
  1. Este Acordo entrará em vigor trinta
a partir do trigésimo dia após a data de sua
assinatura.
  2. Este Acordo será válido por tempo
indeterminado.	Caso	uma	das	Partes
Contratantes deseje denunciar o presente
Acordo, deverá ser enviada notificação por
escrito à outra Parte, por via diplomática. A
denúncia surtirá efeito 90 (noventa) dias após
a data de recepção da notificação.
  3. Este Acordo poderá ser modificado
ou emendado por comum acordo das Partes
Contratantes.
  4. A partir da data de entrada em vigor
deste Acordo, fica revogado o Acordo, por
troca de notas, sobre facilitação de vistos para
homens de negócios, assinado pelas Partes
Contratantes em 24 de junho de 2004.
  Feito em Brasília, no dia 16 do mês de
julho do ano dois mil e catorze, em dois textos
originais, nos idiomas português, chinês e
inglês, sendo todos os textos igualmente
autênticos. Em caso de divergência na sua
interpretação, deverá ser utilizada a versão em
inglês.
  PROTOCOLO	COMPLEMENTAR
AO	ACORDO	DE	COOPERAçãO
EM MATéRIA DE DEFESA ENTRE O
GOVERNO DA REPúBLICA FEDERATIVA
DO	BRASIL	E	O	GOVERNO	DA

REPúBLICA POPULAR DA ChINA, NA
áREA DE SENSORIAMENTO REMOTO,
TELECOMUNICAçõES E TECNOLOGIA
DA INFORMAçãO
  A República Federativa do Brasil, e a
República Popular da China, (doravante
denominados Partes),
  Reconhecendo que as capacidades
tecnológicas chinesas e brasileiras podem
contribuir, juntas, para proteção do meio
ambiente e para o apoio ao combate contra
ilícitos, por meio do aprimoramento do
monitoramento do uso e ocupação do
território, bem como da proteção preventiva
frente a eventos extremos da natureza;
  Reconhecendo a importância do Sistema
de Proteção da Amazônia para a defesa
soberana da região amazônica pelo Brasil
e sua relevância mais ampla da ótica do
desenvolvimento sustentável; e
  Desejando desenvolver e fortalecer
a cooperação nas áreas de tecnologia
da informação, telecomunicações e
sensoriamento remoto.
  Desejando incrementar a relação bilateral
entre as Partes, em especial em de tecnologia
de defesa de uso dual aplicada a segurança,
meio ambiente e desenvolvimento sustentável.
  Complementando o Acordo de Cooperação
em matéria de defesa entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo
da República Popular da China, de 12 de abril
de 2011, em particular seu Artigo 1.
  Decidem:
  Artigo 1
  Objetivo
  As Partes expressam o interesse de
cooperar - orientadas pelos princípios de
igualdade, reciprocidade e interesse comum,
com o objetivo de:
  a) cooperar e compartilhar dados de
satélites ambientais, meteorológicos e de
observação da Terra (ótico e de radar de




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	159




abertura sintética);
  b)	compartilhar	conhecimentos	e
experiências	nas	áreas	de	tecnologia
de	informação,	telecomunicações	e
sensoriamento remoto;
  c) compartilhar dados e conhecimentos
nos	temas	meteorologia,	climatologia,
hidrometeorologia e mudanças climáticas;
  d) cooperar na implantação de sistemas
automáticos de alerta e de detecção de
feições da dinâmica de uso e ocupação do
território;
  e) cooperar nas aplicações envolvendo o
uso de telecomunicações ponto a ponto e via
satélites;
  f) promover a capacitação de recursos
humanos, nas áreas tecnológicas relacionadas;
e
  g) cooperar no mapeamento cartográfico e
temático;
  Artigo 2
  Formas de Cooperação
  A cooperação entre as Partes, ao amparo
deste Protocolo, incluirá, mas não estará
limitada às seguintes áreas:
  a) intercâmbio de imagens de satélites
ambientais, meteorológicos, de observação
da Terra, e em particular de radar de abertura
sintética, entre outros;
  b) participação conjunta em pesquisa e
desenvolvimento de programas de aplicação
de geotecnologias;
  c)	visitas	mútuas	de	delegações	de
instituições equivalentes de defesa, civis e
militares;
  d) intercâmbio de instrutores, técnicos e
analistas que atuam na área de geoinformação
territorial e ambiental, telecomunicações e
tecnologia da informação;
  e) participação em cursos teóricos e
práticos, seminários, conferências e simpósios
de interesse por comum acordo entre as Partes;
e
   
f) outras formas de cooperação que possam
ser de interesse comum para as Partes.
  Artigo 3
  Implementação
  1. Entendimentos Técnicos poderão ser
celebrados por escrito pelas Partes, para
regular Mecanismos de Implementação de
programas e atividades específicas ao amparo
dos temas previstos no presente Protocolo e
em conformidade com as leis respectivas das
Partes.
  2. Para a implementação deste Protocolo, o
Agente Executivo para a República Federativa
do Brasil é Centro Gestor e Operacional do
Sistema de Proteção da Amazônia  Censipam,
e o Agente Executivo para a República
Popular da China é a Administração Estatal
de Ciência, Tecnologia e Indústria Nacional
de Defesa da China  SASTIND.
  3. O Censipam e a SASTIND formalizarão
a constituição de um Grupo de Trabalho
de Gestão de Alto Nível responsável
pela implementação deste instrumento e
pela elaboração do Plano Estratégico de
Cooperação (GTG -PEC); e Grupos de
Trabalhos Temáticos responsáveis pela
elaboração de Planos de Trabalho Específicos
(GTT-PTE).
  4. A constituição de Grupos de Trabalho
(GT) envolverá representantes dos Ministérios
da Defesa e das Forças Armadas, e poderá,
segundo o caso, contar com a participação
de órgãos nacionais de Ciência, Tecnologia e
Inovação das Partes.
  Artigo 4
  Responsabilidades Financeiras
  1. Salvo acordo mútuo em outro sentido,
cada Parte será responsável por todas as
despesas contraídas por seu pessoal no
cumprimento das atividades oficiais no âmbito
do presente Protocolo.
  2. Todas as atividades desenvolvidas no
âmbito deste instrumento estarão sujeitas à




160

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




disponibilidade de recursos financeiros das
Partes.
  3. Este Protocolo não implica compromisso
gravoso ao patrimônio nacional das Partes.
  Artigo 5
  Proteção de Informação Sigilosa
  Os procedimentos para intercâmbio, bem
como as condições e as medidas para proteger
informação	sigilosa	das	Partes	durante
a execução do presente Protocolo, serão
tratados e salvaguardados de acordo com as
legislações e regulações nacionais das Partes.
  Artigo 6
  Solução de Controvérsias
  Qualquer controvérsia relacionada a uma
atividade específica de cooperação no âmbito
do presente Protocolo será resolvido, por
meio de consultas e negociações diretas entre
os próprios participantes da atividade em
questão.
  Artigo 7
  Vigência e Denúncia
  1. Este instrumento entrará em vigor na
data de sua assinatura.
  2. A cessação da vigência deste Protocolo
occorrerá 180 dias após o recebimento, por
escrito, de notificação pela qual uma Parte
informa à outra de sua intenção de proceder
nesse sentido.
  3. Qualquer Parte poderá denunciar o
presente Protocolo Adicional mediante aviso
prévio de seis meses, notificando-o à outra
Parte por escrito, por via diplomática.
  Assinado em Brasília, em 17 de julho
de 2014, em dois originais, nos idiomas
português, chinês e inglês, sendo todos os
textos igualmente autênticos. Em casos de
divergência de interpretação deste Acordo, o
texto em inglês prevalecerá.
  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE	O	MINISTéRIO	DOS
TRANSPORTES	DA	REPúBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E A COMISSãO

NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO E
REFORMA DA REPúBLICA POPULAR
DA ChINA SOBRE COOPERAçãO
FERROVIáRIA
  O Ministério dos Transportes da República
Federativa do Brasil e a Comissão Nacional
de Desenvolvimento e Reforma da República
Popular da China (doravante denominados
as Partes);
  Amparados pela Parceria Estratégica
Global entre o Brasil e a China;
  Levando em conta as diretrizes para a
cooperação mútua, estabelecidas no Plano
de Ação 2010-2014 e no Plano Decenal de
Cooperação 2012-2021;
  Desejosos de intensificar as relações
econômico-comerciais entre as Partes;
  Considerando o interesse mútuo em
estabelecer cooperação no setor ferroviário,
tendo em vista a sua importância para
a integração do espaço territorial e o
desenvolvimento socioeconômico dos países;
  Reconhecendo os significativos progressos
da China nesse setor; e
  Considerando os trabalhos empreendidos
pelo Brasil para o estabelecimento de
um sistema ferroviário moderno, seguro,
integrado e competitivo,
  Ajustam o seguinte:
  ARTIGO I
  As Partes promoverão cooperação
mutuamente benéfica no campo ferroviário e
envidarão esforços para alcançar os seguintes
objetivos:
  1) Intercâmbio de experiências e boas
práticas para a solução de problemas
relacionados a aspectos econômicos,
científicos, tecnológicos, ambientais e
logísticos no âmbito do transporte ferroviário;
  2) Desenvolvimento de medidas e ações
destinadas ao aumento da competitividade
dos sistemas ferroviários nacionais;
  3) Colaboração em aspectos técnicos

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	161




relacionados ao transporte de carga, sinais
de comunicação, integração de sistemas e
construção de ferrovias nos territórios das
Partes.
  4) Outros temas afetos ao transporte
ferroviário que sejam acordados pelas Partes.
  ARTIGO II
  1. A cooperação de que trata o presente
Memorando de Entendimento deverá ser
implementada da seguinte maneira:
  a) Ambas as Partes encorajarão órgãos
governamentais	e	investidores	do	setor
privado a participarem de licitações para
projetos ferroviários e a se empenharem
em cooperar em projetos de construção
ferroviária no Brasil, de acordo com regras
internacionalmente aceitas e as respectivas
leis de ambos os países.
  b) Elaboração de estudos e projetos para a
modernização, e expansão da infraestrutura
ferroviária, construção de novas ferrovias,
operação, manutenção e renovação nos
territórios das Partes, mediante a prestação de
assistência técnica especializada;
  c) Intercâmbio de técnicos, especialistas e
pessoal acadêmico, com vistas à elaboração de
estudos e projetos de infraestrutura ferroviária
identificados em conjunto;
  d) Troca de informações e documentos,
como relatórios de pesquisa e publicações;
  e) Organização conjunta de seminários,
e reuniões de trabalho com especialistas,
cientistas, e representantes do setor privado,
órgãos	governamentais	e	instituições
financeiras;
  f)	Disseminação	e	incorporação	de
tecnologias utilizadas e desenvolvidas no
âmbito da logística e dos transportes;
  g) Outras formas de cooperação ferroviária
que sejam acordadas pelas Partes.
  2. Os projetos de infraestrutura ferroviária
objetos	das	atividades	previstas	neste
Memorando de Entendimento serão definidos

de comum acordo entre as Partes.
  ARTIGO III
  1. O Ministério dos Transportes assumirá
a liderança do lado brasileiro e a Comissão
Nacional de Desenvolvimento e Reforma
assumirá a liderança do lado chinês como
entes responsáveis pela implementação
deste Memorando de Entendimento. Como
o objetivo de garantir a efetividade das
atividades desenvolvidas sob este Memorando
de Entendimento, as Partes estabelecerão
mecanismos de trabalho e identificarão
empresas participantes quando necessário.
  2. As entidades líderes estabelecerão as
ações e os procedimentos para a execução
de atividades específicas de cooperação no
âmbito deste Memorando de Entendimento.
  ARTIGO IV
  1. As atividades derivadas deste
Memorando de Entendimento poderão ser
executadas em conjunto com organismos,
grupos e instituições públicas ou privadas
das Partes. Nesses casos, os procedimentos
e detalhes da ação conjunta serão acordados
entre as entidades líderes e os agentes
envolvidos.
  2.As propostas e os processos de contratação
para ações conjuntas, com instituições ou
empresas responsáveis pela implementação
das atividades a serem desenvolvidas serão
avaliados pelas Entidades Líderes de acordo
com as respectivas legislações nacionais.
  ARTIGO V
  Os aspectos relacionados ao financiamento
das atividades resultantes deste Memorando
de Entendimento estarão sujeitos à
disponibilidade orçamentária das Partes.
  ARTIGO VI
  As Partes apresentarão relatório do
progresso alcançado na implementação deste
Memorando de Entendimento à Comissão
Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação
e Cooperação (COSBAN). A frequência




162

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




de apresentação do relatório dependerá do
progresso alcançado.
  ARTIGO VII
  1. Salvo acordo diverso, os direitos de
propriedade intelectual obtidos conjuntamente
ou utilizados em decorrência do presente
Memorando de Entendimento serão protegidos
pelos acordos em vigor referentes à matéria,
aplicáveis às Partes.
  2. As informações, documentos ou dados
sigilosos	resultantes	da	implementação
do presente Memorando de Entendimento
receberão tratamento conforme as respectivas
legislações nacionais das Partes.
  ARTIGO VIII
  Qualquer	controvérsia	relativa	à
interpretação ou implementação do presente
Memorando de Entendimento será resolvida
por negociação direta entre as Partes, por via
diplomática.
  ARTIGO IX
  1. Este Memorando de Entendimento
entrará em vigor na data de sua assinatura
e permanecerá vigente por um período
de 5 (cinco) anos, podendo ser renovado
automaticamente por igual período.
  2. Este Memorando de Entendimento
poderá ser emendado por consentimento
mútuo das Partes.
  3. Qualquer das Partes poderá, a qualquer
momento, notificar a outra Parte de sua
decisão de denunciar este Memorando de
Entendimento, que perderá sua vigência 6
(seis) meses após a data de recebimento da
notificação.
  4. Salvo acordo em contrário, o término do
presente Memorando de Entendimento não
invalidará os projetos em curso realizados por
meio deste documento.
  Feito em Brasília, em 17 de julho de 2014,
em três exemplares nos idiomas português,
chinês e inglês, todos igualmente autênticos.
Em caso de divergência de interpretação, será

levado em conta o texto em inglês.
  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE O MINISTéRIO   DO
DESENVOLVIMENTO, INDúSTRIA E
COMéRCIO EXTERIOR DA REPúBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E A OMISSãO
NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO E
REFORMA DA REPúBLICA POPULAR
DA ChINA SOBRE PROMOçãO DE
INVESTIMENTO E COOPERAçãO
INDUSTRIAIS
  O Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior da República
Federativa do Brasil e a Comissão Nacional
de Desenvolvimento e Reforma da República
Popular da China (doravante denominados
as Partes);
  TENDO EM VISTA o profundo
desenvolvimento da Parceria Estratégica
Global estabelecida entre a República
Federativa do Brasil e a República Popular da
China (doravante denominados os Países);
  CONSIDERANDO as diretrizes para
cooperação mútua estabelecidas no Plano de
Ação Conjunta 2010-2014 e no Plano Decenal
de Cooperação entre os Países 2012-2021;
  RECONhECENDO o grande potencial
para cooperação econômica entre os Países e a
atitude positiva das empresas dos Países para
promover a cooperação;
  E TENDO EM CONTA a importância de
promover esforços de cooperação no âmbito
da Subcomissão Econômico-Comercial da
Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de
Concertação e Cooperação (COSBAN),
bem como de aumentar o investimento e a
cooperação industriais para o bem comum dos
Países;
  CONSIDERANDO os princípios de
respeito mútuo, igualdade e benefício
igualitário, com diálogo amigável,
  Acordam o seguinte:
  Artigo I

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	163




   As Partes deverão promover o investimento
e a cooperação de empresas e instituições
financeiras	da	República	Federativa	do
Brasil e da República Popular da China, em
áreas industriais, em conformidade com suas
respectivas leis e políticas nacionais.
  Artigo II
  As Partes deverão promover investimento
e cooperação industriais nas seguintes áreas:
  1.	Energia,	incluindo	exploração	e
utilização de hidrocarbonetos, eletricidade,
energias renováveis etc.;
  2.	Mineração,	incluindo	exploração,
explotação, distribuição e processamento
de minerais, bem como outras atividades
destinadas a aumentar o valor agregado no
processamento de minerais;
  3. Infraestrutura, incluindo construção e
operação de estradas, ferrovias, aeroportos,
portos secos, instalações de armazenagem,
gasodutos, pontes etc.;
  4.	Indústria	manufatureira,	incluindo
fabricação	de	automóveis	e	aviões,
construção naval, máquinas, produção de
eletrodomésticos, materiais de construção
etc.;
  5. Alta tecnologia, incluindo pesquisa e
desenvolvimento, bem como produção nas
áreas de medicina, tecnologias de informação,
eficiência energética, proteção ambiental,
biotecnologia, comunicações etc.;
  6.	Agricultura,	incluindo	plantio	de
culturas, armazenamento e processamento
de soja e milho, bem como outras atividades
destinadas a aumentar o valor agregado no
processamento de commodities agrícolas;
  7. Quaisquer outras áreas acordadas pelas
Partes.
  Artigo III
  As Partes incentivam suas empresas
a	realizar	investimento	e	projetos	de
cooperação industriais, por meio de vários
tipos de instrumentos, como investimentos

em novas instalações, Fusões e Aquisições
(F&A), Construção-Execução-Transferência,
Parceria Público-Privada (PPP), contratação
de projeto, exportação de equipamento,
em conformidade com suas respectivas
legislações e procedimentos estabelecidos.
  Artigo IV
  As Partes incentivam suas instituições
financeiras a prestar serviços de financiamento,
co-financiamento, garantia e seguro de longo
prazo para o investimento e a cooperação
industriais bilaterais.
  Artigo V
  As funções específicas das Partes incluem,
mas não se limitam ao seguinte:
  1. Intercâmbio de informações sobre leis,
regulamentos, políticas, planos e condições de
projetos de investimento estrangeiro;
  2. Monitoramento do progresso do
estabelecimento e da implementação de
projetos de investimentos bilaterais, em todos
os níveis de governo, entre os Países;
  3. Fornecimento de informações detalhadas
a respeito de todos os passos e requisitos
necessários, em todos os níveis de governo,
para o estabelecimento de um projeto de
investimento específico;
  4. Fornecimento de informações detalhadas
sobre a situação de pedido de estabelecimento
de projeto de investimento, em todos os níveis
de governo;
  5. Organização conjunta de fóruns,
seminários e projetos de promoção, bem como
colaboração em estudos específicos;
  6. Formulação de planos de investimento e
cooperação industriais;
  7. Estímulo a atividades de investimento
e financiamento das empresas e instituições
financeiras dos Países;
  8. Orientação e coordenação de projetos
bilaterais de investimento e cooperação
industriais.
  Artigo VI

   
   

164

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




  A Secretaria do Desenvolvimento da
Produção (SDP) do MDIC e o Departamento
de Capitais Estrangeiros e Investimento no
Exterior (Department of Foreign Capital and
Overseas Investment  FCOID) da NDRC
serão	responsáveis	pela	implementação
do presente Memorando de Entendimento
quotidianamente. As Partes convidarão outros
órgãos governamentais, quando necessário.
  Artigo VII
  A fim de contribuir para a implementação
do presente Memorando de Entendimento, as
Partes acordam o seguinte:
  1. Trocar informações de forma regular e se
reunir anualmente, alternadamente no Brasil e
na China;
  2. Sempre que possível, coordenar as
atividades deste Memorando com o Grupo
de Trabalho sobre Investimentos, no âmbito
da Subcomissão Econômico-Comercial da
COSBAN.
  Artigo VIII
  Cada Parte deverá arcar com os custos
de suas atividades de comunicação e de
cooperação durante a implementação deste
Memorando de Entendimento, salvo acordo
em contrário.
  Artigo IX
  Quaisquer dúvidas ou litígios decorrentes
da interpretação ou implementação deste
Memorando de Entendimento deverá ser
resolvida por consulta direta entre as Partes.
  Artigo X
  Este	Memorando	de	Entendimento
não deverá prejudicar a interpretação e
implementação de qualquer outro acordo
entre a República Federativa do Brasil e a
República Popular da China.
  Artigo XI
  Este	Memorando	de	Entendimento
entrará em vigor na data de sua assinatura
e permanecerá válido por um período de
cinco (5) anos. A validade deste Memorando

de Entendimento deverá ser estendida
automaticamente, a menos que uma das Partes
decida denunciá-lo e notifique a outra Parte,
por escrito, com no mínimo três (3) meses de
antecedência.
  Este Memorando de Entendimento poderá
ser emendado com o consentimento mútuo das
Partes. As alterações serão feitas por escrito,
especificando a data de sua entrada em vigor.
  A denúncia do presente Memorando
de Entendimento não afetará projetos de
investimento que estão atualmente em
andamento.
  Assinado em Brasília, na República
Federativa do Brasil, em __ de Julho de 2014,
em dois exemplares originais, nos idiomas
Chinês, Inglês e Português, sendo todos os
textos igualmente válidos. A versão em Inglês
prevalecerá se houver qualquer inconsistência.
  COMISSãO     SINO-BRASILEIRA
DE ALTO NíVEL DE CONCERTAçãO
E COOPERAçãO  SUBCOMISSãO
ECONôMICO-COMERCIAL GRUPO DE
hARMONIzAçãO ESTATíSTICA PLANO
DE TRABALhO DE ESTATíSTICAS DE
MERCADORIAS
  PANO DE FUNDO
  Desde sua fundação em 2006, o Grupo
de harmonização Estatística (ShG) se
concentrou na divergência em estatísticas
bilaterais no comércio de mercadorias, para
melhorar a compreensão mútua e promover as
relações bilaterais econômicas e comerciais.
  O ShG concluiu o Relatório de
divergência estatística em comércio bilateral
de mercadorias em junho de 2012, que
interpretava os dados bilaterais de comércio
da perspectiva de divergência estatística. Em
vista dos frutos alcançados pelo ShG e da
importância de tal tema para o relacionamento
econômico e comercial entre Brasil e China,
foi tomada a decisão, na segunda reunião da
Subcomissão Econômico-Comercial de que




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	165




o grupo trabalharia sob a comissão em base
permanente.
  AMBAS AS PARTES CONCORDAM que
o próximo estágio do trabalho do ShG ocorreria
segundo o presente Plano de Trabalho,
buscando aprofundar a cooperação técnica em
estatísticas comerciais e encontrando pontos
em comum na abordagem da divergência
estatística nos dados comerciais produzidos
pelos dois países.
  PROPóSITO E TóPICOS
  As descobertas do ShG devem ser usadas
como referência sempre que encontrada
uma divergência em estatísticas comerciais
produzidas pelos dois países, mas não
necessariamente implica em erros nos sistemas
estatísticos ou revisão das publicações oficiais
dos países.
  O principal conteúdo de trabalho deve
incluir:
  - Intercâmbio de dados mensais de
comércio de mercadorias a cada semestre, em
observância das regulações no Anexo.
  - Adotando metodologia similar à pesquisa
no último estágio, checar comparativamente
os dados trocados nos níveis de Sh2,
Sh4 e Sh6, para explorar as razões das
divergências	nas	estatísticas	bilaterais
de	comércio	de	mercadorias,	incluindo
as diferenças metodológicas referentes à
cobertura, momento de registro, sistema de
comércio, classificação das commodities,
valoração, unidade estatística de quantidade,
reconhecimento do país parceiro, bem como o
efeito do comércio indireto.
  - Cooperar no intercâmbio de informações
e treinamento em estatísticas comerciais e sua
análise. Quando houver uma reunião técnica
do ShG na China ou no Brasil, os técnicos
de ambos os lados terão a oportunidade de
encontrar um ao outro; e especialistas do país
anfitrião apresentarão os métodos estatísticos
e práticas, a abordagem analítica, hipóteses e

conclusões em estatísticas de comércio e áreas
relativas.
  CRONOGRAMA DE REUNIõES
TéCNICAS
  Ambas as partes concordam em realizar
uma reunião técnica por ano, em base
rotacional em cada pais, para garantir o
cumprimento dos objetivos do Plano de
Trabalho. Reuniões adicionais podem ocorrer
quando consideradas necessárias por ambos
os países. Após cada reunião, o país anfitrião
tomará a responsabilidade de escrever relatório
para explicar as divergências nas estatísticas
bilaterais de comércio de mercadorias do ano
anterior. O primeiro relatório começará com a
análise nos dados de 2013
  ORGANIzAçãO E EQUIPE
  Os departamentos e a pessoa responsável
pela organização e coordenação do ShG e
a execução do Plano de Trabalho serão as
seguintes:
  BRASIL:
  Secretaria de Comércio Exterior, Ministério
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior
  Nome: herlon Alves Brandão
  Cargo: Coordenador-Geral de Estatísticas
  Auxiliar: Pedro Ivo Rocha de Macedo
  Cargo: Analista de Comércio Exterior
  E-mail: pedro.macedo@mdic.gov.br
  ChINA:
  Departamento de Assuntos Econômicos
Gerais, Ministério do Comércio
  Nome: Liu haiquan
  Cargo: Diretor Geral
  Assistente: Wang hao
  Cargo: Oficial
  E-mail: wanghao_zh@mofcom.gov.cn
  O presente plano de trabalho foi assinado
em 2014, em Brasília, com versões em língua
portuguesa, língua chinesa e língua inglesa,
igualmente autênticas. Caso haja qualquer
desacordo, a versão em língua inglesa deve




166

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




prevalecer.
  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE A SECRETARIA DE AVIAçãO
CIVIL DA PRESIDêNCIA DA REPúBLICA
FEDERATIVA	DO	BRASIL	E	A
ADMINISTRAçãO DA AVIAçãO CIVIL
DA ChINA PARA O FORTALECIMENTO
DA	COOPERAçãO	INTEGRAL	DE
AVIAçãO CIVIL
  A	Secretaria	de	Aviação	Civil	da
Presidência da República Federativa do Brasil
e a Administração da Aviação Civil da China
em responsabilidade pela Aviação Civil em
ambos os países, doravante referidos como
os Signatários,
  Reconhecendo	a	importância	e	a
contribuição significativa da aviação civil
para o desenvolvimento socioeconômico dos
seus Estados, e
  Reconhecendo	o	desejo	mútuo	de
aprofundar e expandir a cooperação entre os
dois países na área de aviação civil, chegaram
ao seguinte entendimento:
  Parágrafo 1
  Objetivos de Cooperação
  1. Os Signatários consentem em expandir e
aprofundar a cooperação entre os dois países
na área de aviação civil com base na igualdade
e no benefício mútuo.
  Parágrafo 2
  áreas de Cooperação
  2. As seguintes áreas são objeto de interesse
mútuo:
  a) Infraestrutura
  b) Transporte Aéreo, compreendidas as
seguintes áreas:
  i. Segurança Operacional
  ii. Segurança da Aviação Civil contra Atos
de Interferência Ilícita
  iii. Aeronavegabildiade
  iv. Regulação Econômica
  c) Navegação Aérea
  d) Meio Ambiente e Biocombustíveis

Sustentáveis
  e) Indústria Aeronáutica
  3. Tendo em mente as áreas
supramencionadas, os temas de cooperação
poderão incluir:
  a) Planejamento e Desenvolvimento de
Aeroportos
  b) Gerenciamento de Segurança
Operacional e Segurança da Aviação Civil
contra Atos de Interferência Ilícita
  c) Inovação e Sustentabilidade
  d) Navegação Aérea
  e) Logística e Transporte Aéreo de Cargas
  f) Regulação e Políticas Públicas
  g) Treinamento e Educação
  h) Pesquisa e Desenvolvimento
  i) Facilitação Aeroportuária
  j) Quaisquer outros temas estabelecidos em
comum acordo.
  Parágrafo 3
  Implementação
  4. Os órgãos executivos para a
implementação deste Memorando de
Entendimento são:
  A Secretaria de Aviação Civil (SAC), a
Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC)
e a Empresa Brasileira de Infraestrutura
Aeroportuária (INFRAERO), por um lado,
  e
  A Administração da Aviação Civil da
China, por outro lado.
  5. Iniciativas de cooperação específicas,
como, por exemplo, assistência técnica,
capacitação e organização de eventos
bilaterais poderão ser apresentadas em
anexos e apêndices a esse Memorando
de Entendimento. Quando assinados
pelos Signatários, tais anexos e apêndices
passarão a fazer parte deste Memorando de
Entendimentos.
  Parágrafo 4
  Formas de Cooperação
  6. Os Signatários facilitarão a cooperação

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	167




direta entre as agências governamentais da
China e do Brasil, com objetivo de aumentar o
conhecimento sobre áreas de mútuo interesse
e identificar instrumentos de cooperação
para a melhor promoção do diálogo bilateral,
baseado no entendimento, respeito e benefício
mútuos.
  7. Os Signatários também apoiarão a
interação entre o setor privado e as companhias
estatais da China e do Brasil, com objetivo
de estimular o investimento mútuo e outras
formas de cooperação econômica, sujeitas à
legislação nacional dos países Signatários.
  8. A supracitada cooperação poderá
assumir, entre outras, a forma de um
intercâmbio de perspectivas e melhores
práticas,	expertise	e	conhecimento;	o
fornecimento	de	assistência	técnica	e
administrativa; elaboração de diagnósticos;
capacitação;	projetos	conjuntos	e
facilitação de cooperação entre empresas
e/ou organizações em ambos os países. Tal
cooperação estará sujeita às respectivas leis
nacionais e a outras normas, regulamentos e
diretrizes específicos do setor.
  Parágrafo 5
  Consultas e Coordenação
  9. Os representantes dos dois países
Signatários pretendem se encontrar a cada
dois anos, ou quando ambos os Signatários
acharem necessário, para revisar o progresso
das atividades conjuntamente realizadas em
virtude deste Memorando de Entendimento.
Tais encontros serão realizados alternadamente
no Brasil e na China ou em qualquer outro
local a ser definido conjuntamente.
  Parágrafo 6
  Pontos de Contato
  10. Os Signatários irão designar pontos de
contato para efeitos do presente Memorando.
Os pontos de contato dos Signatários devem
seguir os procedimentos previstos no presente
Memorando de Entendimento.
   
11. Os Pontos de Contato para esse
Memorando de Entendimento serão:
  a. Secretaria deAviação Civil da Presidência
da República do Brasil:
  Assessoria Internacional;
  b. Administração da Aviação Civil da
China:
  Departamento Internacional
  Parágrafo 7
  Financiamento
  12. Cada Signatário financiará sua própria
participação nas atividades mencionadas neste
Memorando de Entendimento.
  Parágrafo 8
  Proteção das Informações
  13. As informações trocadas entre
os Signatários sobre os assuntos deste
Memorando de Entendimento estarão
protegidas e não constituirão uma renúncia de
privilégio e confidencialidade.
  14. Nenhum dos Signatários divulgará a
terceiros quaisquer informações, documentos
ou dados confidenciais resultantes das
atividades de cooperação realizadas em
virtude deste Memorando de Entendimento
sem a prévia autorização por escrito do outro
Signatário.
  Parágrafo 9
  Emendas
  15. A qualquer momento poderão ser feitas
emendas a este Memorando de Entendimento,
com o mútuo consentimento dos Signatários,
por meio de uma Troca de Notas.
  Parágrafo 10
  Solução de Controvérsia
  16. Quaisquer controvérsias entre os
Signatários decorrentes de interpretações
e/ou da implementação deste Memorando
de Entendimento serão solucionadas
amigavelmente através de negociações ou
consultas entre os Signatários.
  Parágrafo 11
  Início, Duração, Cancelamento e

   
   

168

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




Sobrevivência dos Termos
  17. Este Memorando de Entendimento
entrará em vigor na data de sua assinatura e
permanecerá vigente por um prazo de três
anos. Esta vigência poderá ser renovada por
consentimento mútuo através de uma Troca
de Notas entre a Administração da Aviação
Civil da China e a Secretaria de Aviação Civil
da Presidência da República Federativa do
Brasil.
  18. Este Memorando de Entendimento
poderá ser encerrado a qualquer momento
por meio de notificação prévia, por escrito,
enviada três (3) meses antes da data do seu
término. O cancelamento deste Memorando
de Entendimento não afetará a implementação
de atividades ou projetos em andamento, que
tenham sido definidos anteriormente à data de
término, a menos que os Signatários decidam
diferentemente.
  19. Este Memorando de Entendimento
não cria quaisquer direitos ou obrigações no
âmbito das leis internacionais e domésticas.
  20. Quaisquer arquivos ou informações
derivadas	do	presente	Memorando	de
Entendimento permanecerão não públicos e
sujeitos às garantias contidas neste documento,
mesmo em caso de cancelamento.
  21. EM TESTEMUNhO DE QUE, os
abaixo	assinados	assinaram	o	presente
Memorando de Entendimento.
  22. Assinado em duas vias em Brasília, em
17 de junho de 2014, nos idiomas português,
chinês e inglês, tendo os textos igual validade.
havendo	divergências	de	interpretação
textual, prevalecerá a versão em inglês.
  ACORDO	DE	COOPERAçãO
TéCNICA E CIENTíFICA QUE ENTRE SI
CELEBRAM A UNIãO, POR MEIO DO
MINISTéRIO DA CIêNCIA TECNOLOGIA
E INOVAçãO E A hUAWEI DO BRASIL
TELECOMUNICAçõES	LTDA.,
COM	OBJETIVO	DE	CAPACITAR

PROFISSIONAIS EM TI NAS SEGUINTES
áREAS: PROCESSAMENTO DE GRANDE
MASSA DE DADOS, COMPUTAçãO EM
NUVEM E SEGURANçA.
  A UNIãO, por meio do MINISTéRIO DA
CIêNCIA, TECNOLOGIA E INOVAçãO
- MCTI, criado pela Lei nº 8.490, de 19 de
novembro de 1992, inscrito no CNPJ/MF
sob o nº 03.132.745/0001-00, com sede na
Esplanada dos Ministérios, Bloco E, em
Brasília  DF, doravante denominado MCTI,
neste ato representado por seu Ministro de
Estado, Dr. CLéLIO CAMPOLINA DINIz,
nomeado pelo Decreto S/N, de 14 de Março
de 2014, portador da cédula de identidade
nº 05224845, expedida pela SSP/MG e CPF
nº 006.416.186-20, residente e domiciliado
na cidade de Brasília-DF e a hUAWEI
DO BRASIL TELECOMUNICAçõES
LTDA., inscrita no CNPJ/MF sob o nº
02.975.504/0001-52, com sede na Rua Verbo
Divino, 1.400, subsolo do 3º e 6º ao 8º andares,
Edifício Birmann 10, Chácara Santo Antônio,
na Cidade de São Paulo, Estado de São
Paulo, CEP 04719-002, representada por seu
Presidente, kE LI, passaporte nº G57385996
e cédula de identidade de estrangeiro RNE
V667795-I, expedida pela CGPI/DIREX/
DPF, doravante denominada hUAWEI.
  CONSIDERANDO que o MCTI:
  1º) coordena o Programa TI Maior,
programa estratégico de software e serviços
de Tecnologia da Informação;
  2º) tem interesse de promover o
desenvolvimento de software e serviços no
Brasil para determinados setores da economia
(os ecossistemas digitais), como, por exemplo,
telecomunicações e TI;
  3º) está comprometido com a instalação
no Brasil de centros de P&D de empresas de
classe mundial;
  4º) tem compromisso com o
desenvolvimento científico e tecnológico




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	169




brasileiro, sendo o principal órgão nacional de
gestão de programas de P&D, através de seus
órgãos internos e também de suas agências de
promoção à Inovação;
  5º) é parte relevante da coordenação e
gestão de diversos instrumentos de fomento
à inovação, pesquisa e desenvolvimento no
País; e
  CONSIDERANDO,	ainda,	que	a
hUAWEI:
  1º) vê no Brasil um grande potencial para
desenvolvimento de seu portfólio de soluções
(produtos e serviços), incluindo-o em sua
estratégia global de desenvolvimento;
  2º) é uma instituição de P&D que produzirá
soluções inovadoras para o portfólio da
hUAWEI;
  3º) tem o compromisso de capacitar
profissionais de TI nos principais pilares
tecnológicos da hUAWEI  Processamento
de Grande Massa de Dados, Computação em
Nuvem e Segurança;
  4º)	está	comprometida	com	o
desenvolvimento da indústria brasileira de
software, formando parcerias com empresas
brasileiras do setor de TI;
  5º) tem como foco inicial os problemas
do setor de Tecnologia da Informação
e	Comunicações,	tal	como	pesquisas,
desenvolvimento e testes em softwares e
aplicativos para a computação em nuvem; e
  6º) está, portanto, totalmente alinhada
com o Programa TI Maior, coordenado pelo
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação,
  RESOLVEM celebrar o presente Acordo de
Cooperação Técnica e Científica (doravante
denominado Acordo), com o objetivo de
promover a inovação em TI, conforme os
termos e condições seguintes:
  CLáUSULA PRIMEIRA - DO OBJETO
  Constitui objeto do presente Acordo:
  1º) realizar pesquisa, desenvolvimento
e inovação de software e serviços de TI no

Brasil;
  2º) aumentar a competitividade e melhorar
o posicionamento internacional do Brasil no
setor de TI;
  3º) promover a inovação e o
empreendedorismo no mercado brasileiro de TI;
  4º) viabilizar o setor de TI como um
dos principais pilares do desenvolvimento
econômico e social do país.
  CLáUSULA  SEGUNDA  DA
EXECUçãO
  As ações objeto deste Acordo serão
executadas conforme plano e cronograma a
ser elaborados pelos Partícipes no prazo de
até 60 (sessenta) dias, a contar da data de
assinatura deste instrumento de cooperação.
  CLáUSULA  TERCEIRA  DA
CONDUçãO DOS TRABALhOS
  Os trabalhos referentes ao Projeto objeto
deste Acordo deverão ser conduzidos por
uma comissão composta por 04 (quatro)
representantes a serem designados igualmente
pelo MCTI e a hUAWEI.
  Parágrafo Primeiro. A constituição da
comissão e a designação dos seus membros
deverão ocorrer no prazo de 60 (sessenta)
dias, contados da assinatura deste Acordo.
  Parágrafo Segundo. Os Partícipes, visando
uma adequada execução do Projeto aqui
definido, se comprometem a:
  MCTI:
  I  indicar, por escrito, um representante
que será responsável pela coordenação das
atividades relativas ao Projeto no âmbito de
responsabilidade do Partícipe correlato;
  II - atuar em parceria no planejamento,
implantação, acompanhamento e avaliação do
Projeto objeto deste Acordo;
  III - intercambiar informações, documentos
e prestar apoio técnico-institucional necessário
à implantação do Projeto, assim como tomar
providências que permitam o uso de logomarca
do Governo Federal, observado o estabelecido




170

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




na Cláusula Sexta e na legislação de regência
em vigor na ordem jurídica brasileira; e
  IV  apoiar a captação de novos parceiros
para o projeto.
  hUAWEI:
  I  suportar financeiramente a realização do
projeto nos termos acordados entre as Partes
conforme o Plano de Ação que será definido
no prazo de até 60 (sessenta) dias contados da
data de assinatura deste Acordo;
  II  atrair parceiros para a continuidade e
expansão do Projeto; e
  III  contratar consultor para a criação de
conteúdo didático e acompanhamento dos
alunos, conforme recomendação da comissão
criada na forma estabelecida por esta Cláusula.
  CLáUSULA QUARTA  DO PRAzO DE
VIGêNCIA
  Este Acordo terá vigência de 12 (doze)
meses, contados a partir da data de sua
assinatura, podendo ser prorrogado por mútuo
acordo, mediante assinatura de termo aditivo,
sendo certo que  para tanto  qualquer
eventual interesse de prorrogação deve ser
informado com 30 (trinta) dias de antecedência
da data do término da vigência.
  CLáUSULA QUINTA  DOS CUSTOS E
DESPESAS
  Os Partícipes arcarão com seus respectivos
custos na realização do objeto deste Acordo.
  CLáUSULASEXTAPROPRIEDADEDE
RESULTADOS E CONFIDENCIALIDADE
  Os resultados obtidos na execução do objeto
deste Acordo serão tratados em instrumento
específico que os Partícipes se comprometem
a formalizar em até 60 (sessenta) dias a contar
da data da assinatura deste Acordo, onde serão
definidos os direitos e obrigações de cada um
dos Partícipes. Tais resultados não se confundem
com as informações necessárias à sua realização,
que continuam sob a propriedade de quem as
detinha anteriormente aos trabalhos realizados
em razão deste Acordo.
   
Parágrafo único. Cada um dos Partícipes
tomará as precauções necessárias para
salvaguardar a confidencialidade das
informações relativas ao outro Partícipe a que
tiver acesso com relação ao presente Acordo.
  CLáUSULA   SéTIMA    DA
PUBLICAçãO
  O MCTI providenciará, às suas expensas, a
publicação resumida deste Acordo, no Diário
Oficial da União, no prazo e na forma do art.
61, parágrafo único, da Lei nº 8.666 de 21 de
junho de 1993.
  CLáUSULA OITAVA  DO FORO
  Fica eleito o Foro da Justiça Federal, Seção
Judiciária do Distrito Federal, para dirimir
quaisquer dúvidas ou questões decorrentes da
execução deste Acordo.
  Firmam este Acordo em duas vias, de igual
teor e forma, na presença das testemunhas que
também o subscrevem.
  Brasília  DF, de de 2014.
  CLéLIO CAMPOLINA DINIz
  Ministro de Estado da Ciência, Tecnologia
e Inovação
  kE LI
  Presidente da  huawei  do Brasil
Telecomunicações Ltda.
  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE A AGêNCIA  ESPACIAL
BRASILEIRA E A ADMINISTRAçãO
NACIONAL ESPACIAL DA ChINA SOBRE
COOPERAçãO E DADOS E APLICAçõES
DE SENSORIAMENTO REMOTO POR
SATéLITE
  A Agência Espacial Brasileira (AEB),
da República Federativa do Brasil, e a
Administração Nacional Espacial da China
(CNSA), da República Popular da China,
doravante denominadas de Partes,
  Recordando a Política de Parceria
Estratégica Global adotada pelos dois Países,
conforme a Declaração Conjunta assinada
pela Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, e




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	171




pelo Primeiro Ministro da China, Wen Jibao,
no Rio de Janeiro, em 21 de junho de 2012,
  Recordando o Acordo entre os Governos da
República Federativa do Brasil e da República
Popular da China sobre Cooperação em
Aplicações Pacíficas de Ciência e Tecnologia
do Espaço Exterior, assinado em Pequim, em
8 de novembro de 1994,
  Recordando o Protocolo de Cooperação
em Tecnologia Espacial entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo
da República Popular da China, assinado em
Brasília, em 21 de setembro de 2000,
  Levando em consideração o Plano de
Cooperação Espacial 2013-2022 entre AEB
e CNSA, assinado em Guangzhou, em 6 de
novembro de 2013,
  Destacando	a	importância	da
sustentabilidade e das aplicações do Programa
CBERS		Programa	Sino-Brasileiro	de
Satélites de Recursos Terrestres,
  Considerando-se	o	programa	CBERS
como símbolo da cooperação conjunta entre o
Brasil e a China, bem como seu impacto sobre
a comunidade espacial internacional, e
  Desejando compartilhar dados de satélites
de sensoriamento remoto, bem como promover
o desenvolvimento das aplicações de dados
e sua comercialização, sob os princípios dos
benefícios mútuos e do emprego pacífico da
tecnologia espacial,
  Acordam o seguinte:
  Artigo 1 º
  Objetivos
  Este Memorando de Entendimento (MdE)
respeita os princípios internacionais e as
leis e regulamentos nacionais, e tem como
objetivo promover a cooperação na área de
dados de satélite de sensoriamento remoto
e suas aplicações, bem como apoiar o
desenvolvimento econômico e social de ambos
os países, melhorando, ao mesmo tempo,
as aplicações de dados de satélites, tanto no

âmbito regional quanto no internacional.
  Artigo 2 º
  áreas de Cooperação
  As partes concordam em cooperar nas
seguintes áreas:
  1) Observação da Terra e intercâmbio de
dados;
  2) Capacitação de especialistas em
atividades de sensoriamento remoto;
  3) Aplicação de dados de satélite, pesquisa
e desenvolvimento de produtos e avaliação de
dados;
  4) Recepção, tratamento e distribuição de
dados de satélite;
  5) Serviços comerciais internacionais de
dados de satélite específicos;
  6) Cooperação internacional com terceiros
em atividades de sensoriamento remoto;
  7) Calibração cruzada de satélites de
sensoriamento remoto e instrumentos;
  8) Qualquer outra área acordada entre as
Partes.
  Artigo 3 º
  Princípios da Cooperação
  As Partes se comprometem a fornecer
reciprocamente dados de satélites de
sensoriamento remoto, com base na segurança
e capacidade de seus satélites, bem como nos
requisitos mútuos de dados.
  As imagens de satélite do território de uma
Parte requeridas pela Parte e armazenadas
na memória on-board do satélite podem
ser baixadas pela outra Parte e fornecidas
à Parte. A Parte também pode receber os
dados diretamente por meio de suas próprias
instalações de solo, às suas expensas.
  Artigo 4 º
  Formas de Cooperação
  As Partes concordam em:
  1) Fornecer produtos de dados de satélites
de sensoriamento remoto de forma gratuita em
tempo hábil em caso de um grande desastre
natural;




172

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




  2) Fornecer produtos de dados de satélites
de sensoriamento remoto, com a definição
equivalente às do CBERS-4, para aplicações
sem fins lucrativos, de forma gratuita, em
conformidade com o acordo mútuo e com a
capacidade do satélite;
  3) Receber e distribuir produtos de dados de
satélites de sensoriamento remoto, incluindo
dados de alta resolução, com base em acordo
especial entre as Partes;
  4) Fornecer a terceiros produtos de dados de
satélites de sensoriamento remoto e serviços
relevantes, incluindo, mas não se limitando
ao estabelecimento de centros conjuntos de
pesquisa técnica e joint ventures baseadas em
consenso mútuo;
  5) Executar a calibração cruzada de
satélites de sensoriamento remoto, com seus
campos de calibração;
  6) Informar mutuamente, bem como
documentar e aperfeiçoar de forma conjunta a
qualidade das imagens CBERS, e desenvolver
produtos CBERS padronizados;
  7) Apoiar o desenvolvimento de softwares
de dados e aplicações de sensoriamento
remoto para a mitigação de desastres naturais,
bem como para levantamento fundiário;
  8)	Apoiar	o	desenvolvimento	de
instrumentos de sensoriamento remoto e
sistemas associados.
  Artigo 5 º
  órgãos Executores
  As partes concordam em designar o Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o
Centro de Recursos de Dados e Aplicação de
Satélite da China (CRESDA) como os órgãos
executores dos projetos de cooperação no
âmbito deste MdE. Esses órgãos executores
estabelecerão um grupo conjunto de peritos
para realizar o trabalho pertinente.
  Cada atividade e projeto no âmbito deste
MdE pode ser objeto de um acordo de
implementação específica proposto pelos

órgãos executores, a ser aprovado pelas Partes,
de acordo com seus procedimentos de gestão.
  Artigo 6 º
  Direitos de Propriedade Intelectual
  As Partes deverão proteger os direitos de
propriedade intelectual envolvidos nos dados
fornecidos no âmbito deste MdE. Nenhum
dado será divulgado a terceiros sem o
consentimento de ambas as partes por escrito.
  As partes devem definir claramente as
classificações e fontes de dados em seus
produtos de aplicação, ou outros produtos
derivados de dados.
  Artigo 7 º
  Confidencialidade
  Cada Parte compromete-se a proteger e
manter em sigilo quaisquer informações sobre
este MdE ou fornecidos pela outra Parte para
a realização das atividades de cooperação
no âmbito deste MdE, e não divulgará tais
informações a terceiros sem o consentimento
prévio por escrito da outra Parte.
  Artigo 8 º
  Duração e Denúncia
  Este MdE entrará em vigor após a sua
assinatura, mantendo-se em vigor durante três
anos.
  A denúncia deste MdE não afetará a
conclusão de quaisquer projetos existentes
assumidos pelas Partes.
  Feito em_____________, em _____
de ________________________, em dois
exemplares originais, nos idiomas português,
chinês, e inglês, sendo os três textos
igualmente autênticos. Em caso de qualquer
divergência de interpretação, prevalecerá o
texto em inglês.
  Em nome da
  Agência Espacial Brasileira,
  da República Federativa do Brasil
  Em nome da
  Administração Nacional Espacial da China,
  da República Popular da China,

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	173




   ACORDO DE COOPERAçãO TéCNICA
QUE ENTRE SI CELEBRAM A UNIãO,
POR INTERMéDIO DO MINISTéRIO DA
CIêNCIA, TECNOLOGIA E INOVAçãO
E	O	BAIDU	hOLDINGS	LIMITED
COM O OBJETIVO DE PROMOVER O
DESENVOLVIMENTO DOS SERVIçOS
E DA TECNOLOGIA DE INTERNET NO
BRASIL.
  AUNIãO, por intermédio do MINISTéRIO
DE CIêNCIA, TECNOLOGIAE INOVAçãO
 MCTI, criado pela Lei nº. 8.490, de 19 de
novembro de 1992, inscrito no CNPJ/M.F.
sob o nº 03.132.745/0001-00, com sede na
Esplanada dos Ministérios, Bloco E, em
Brasília - DF, doravante denominado MCTI,
neste ato representado por seu Ministro de
Estado, Dr. CLéLIO CAMPOLINA DINIz,
nomeado pelo Decreto S/N, de 14 de março
de 2014, portador da cédula de identidade
nº 05224845, expedida pela SSP/MG e CPF
nº 006.416.186-20, residente e domiciliado
em Brasília  DF e BAIDU hOLDINGS
LIMITED, sediado no Campus Baidu na
cidade de Pequim, China, na Shangdi 10th
Street, n° 10, distrito de haidian, neste ato
representado por seu representante legal,
doravante denominado BAIDU, os quais
poderão ser referidos individualmente como
PARTE ou coletivamente como PARTES neste
Acordo de Cooperação Técnica, doravante
denominado ACORDO,
  CONSIDERANDO que o MCTI:
  1. Coordena o Programa TI Maior,
programa estratégico de software e serviços
de tecnologia da informação (TI);
  2.	Coordena	o	Programa	Startup
Brasil, programa estratégico de suporte ao
desenvolvimento de empresas startup;
  3. Coordena, juntamente com o Ministério
da Educação, o Programa Ciência Sem
Fronteiras, programa educacional que objetiva
oferecer experiência científica acadêmica

e profissional no exterior para estudantes
brasileiros;
  4. Tem interesse de promover o
desenvolvimento de tecnologias e serviços
de internet no Brasil para todos os setores
da economia (os ecossistemas digitais),
detalhados no Programa TI Maior;
  5. Está comprometido com a instalação
no Brasil de centros de Pesquisa e
Desenvolvimento (P&D) de empresas de
classe mundial;
  6. Tem compromisso com o
desenvolvimento científico e tecnológico
brasileiro, sendo o principal órgão nacional de
gestão de programas de P&D, através de seus
órgãos internos e também de suas agências de
promoção à Inovação;
  7. é parte relevante da coordenação e
gestão de diversos instrumentos de fomento
à inovação, pesquisa e desenvolvimento no
País.
  CONSIDERANDO, ainda, que o BAIDU:
  1. Enxerga grande potencial no Brasil
para o desenvolvimento de seu portfólio de
tecnologias de internet (produtos e serviços),
como parte de sua estratégia global;
  2. Tem grandes iniciativas em P&D que
buscam produzir soluções inovadoras para o
seu portfólio global de tecnologias de internet;
  3. Pretende capacitar profissionais na área
de tecnologias de internet, de acordo com os
pilares tecnológicos do Programa TI Maior;
  4. Está comprometido com o
desenvolvimento da indústria de internet no
Brasil e com o estabelecimento de parcerias
com empresas brasileiras;
  5. Considera muito importante o
desenvolvimento de empresas startup no País
e estuda como apoiar iniciativas através de seu
portfólio de produtos e serviços de internet;
  6. Deseja apoiar a educação e capacitação
profissional de jovens engenheiros brasileiros
na área de internet.




174

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




  firmam o presente Acordo de Cooperação
Técnica, com fundamento na legislação
vigente, que se regerá pelas cláusulas e
condições seguintes, expressamente acordadas
pelas Partes:
  CLáUSULA PRIMEIRA  DO OBJETO
  Constitui objeto do presente Acordo a
cooperação entre as Partes com vistas a
promover a inovação em tecnologias de
internet no Brasil.
  CLáUSULA	SEGUNDA		DAS
FINALIDADES
  O presente ACORDO tem por finalidade:
  I. Conduzir pesquisa, desenvolvimento de
serviços e tecnologias de internet no Brasil;
  II. Aumentar a competitividade e melhorar
o posicionamento internacional do Brasil no
setor de internet;
  III.	Promover	a	inovação,
empreendedorismo e capacitação profissional
no mercado de internet no Brasil.
  CLáUSULA	TERCEIRA		DA
EXECUçãO
  As ações descritas neste ACORDO serão
executadas de acordo com plano e cronograma
de trabalho a ser elaborado pelos Partícipes,
o qual se baseará nos termos expostos no
ANEXO deste instrumento, que dele faz e
vincula as PARTES.
  Subcláusula	Primeira.	O	Plano	e
Cronograma de Trabalho serão planejados e
acordados conjuntamente pelas PARTES.
  CLáUSULAQUARTADACONDUçãO
DOS TRABALhOS
  Os trabalhos referentes ao Plano de
Trabalho objeto deste ACORDO deverão ser
conduzidos por uma comissão composta por
4 (quatro) representantes a serem designados
igualmente pelas PARTES.
  Subcláusula Primeira. A designação da
comissão deve ocorrer em até 60 (sessenta)
dias após a assinatura do presente ACORDO.
  CLáUSULA	QUINTA		DAS

OBRIGAçõES DAS PARTES
  Constituem-se, comumente, obrigações
das PARTES:
  I. A cumprirem integralmente os termos
deste ACORDO;
  II. A discutirem, analisarem e
implementarem medidas, visando o
cumprimento do objetivo pactuado;
  III. A compartilharem dados e informações
necessárias ao atendimento do objeto,
utilizando-os exclusivamente para a
consecução do presente ACORDO;
  IV. A constituírem grupo de trabalho
responsável pela elaboração dos estudos
técnicos e demais documentos necessários;
  V. Indicar, por escrito, um representante
que será responsável pela coordenação das
atividades relativas ao Plano de Trabalho;
  VI. Trabalhar conjuntamente no
planejamento, implementação, revisão e
avaliação do Plano de Trabalho objeto do
ACORDO;
  VII. Apoiar a prospecção de novos
parceiros para o projeto;
  VIII. Apoiar a realização dos objetivos
de cooperação de acordo com o Plano de
Trabalho após a assinatura do ACORDO;
  IX. Atrair parceiros para a continuidade e
expansão do Plano de Trabalho, se necessário.
  CLáUSULA SEXTA  DA NãO
ONEROSIDADE
  O presente Instrumento não envolve a
transferência de recursos financeiros pelas
PARTES, cabendo a cada signatário aplicar
seus próprios recursos nas atividades de sua
competência.
  Subcláusula Primeira. Caso haja a
necessidade de alocação de recursos
orçamentários e financeiros para a execução
das atividades decorrentes deste ACORDO,
suas respectivas dotações, vinculações
e repasses serão processados mediante a
celebração de instrumento específico, nos




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	175




termos das normas vigentes aplicáveis à
matéria.
  Subcláusula Segunda. Cada PARTE deve
se	responsabilizar	financeiramente	pelos
próprios custos, despesas e taxas relacionadas
com a negociação, preparação, execução
e desempenho do ACORDO e de cada
documento referido nele.
  CLáUSULA SéTIMA  DO PRAzO DE
VIGêNCIA
  O presente ACORDO terá vigência de 36
(trinta e seis) meses, a contar da data de sua
assinatura, podendo o mesmo ser prorrogado,
mediante assentimento das Partes, sempre por
meio de termo aditivo.
  CLáUSULA	OITAVA		DAS
ALTERAçõES
  Durante o período de sua vigência, o
presente ACORDO	poderá	ser	alterado
mediante celebração de Termo Aditivo, cuja
solicitação será de no mínimo 30 (trinta)
dias, mediante justificativa circunstanciada
e proposta a ser aceita mutuamente pelos
Partícipes, observadas as normas legais
vigentes sobre a matéria.
  CLáUSULANONADAPROPRIEDADE
DE RESULTADOS
  A propriedade sobre os resultados obtidos
pela execução do objeto deste ACORDO
serão definidas pelas PARTES no Plano
de Trabalho, não se confundindo com as
informações necessárias à sua realização,
que continuam sob a propriedade de quem as
detinha anteriormente aos trabalhos realizados
em razão deste ACORDO.
  Subcláusula Primeira. Serão preservados os
direitos de propriedade intelectual existentes
das PARTES e que não sejam resultantes
dos esforços envidados conjuntamente neste
ACORDO.
  CLáUSULA	DéCIMA	-	DA
CONFIDENCIALIDADE
  As PARTES devem manter a discrição

e confidencialidade e não devem divulgar
para terceiros, nem utilizar para qualquer
outro propósito além do cumprimento dos
termos e condições deste ACORDO, qualquer
informação não-pública, tais como:
  I. Plano de negócio, relatório financeiro,
dados financeiros, dados trabalhistas, listas,
previsões, estratégias e outras informações de
negócios;
  II. Códigos de software e firmware, design
de produtos e especificações, algoritmos,
programas de computador, mask works,
invenções, aplicações de patentes não
publicadas, know-how técnico ou científico
de manufatura, especificações, desenhos
técnicos, diagramas, esquemas, tecnologia,
processos;
  III. Qualquer outro segredo de comércio,
descoberta, ideia, conceito, know-how,
técnica, material, fórmula, composição,
informação, dado, resultado, plano, pesquisa
e/ou relatórios de natureza técnica ou
referentes à Pesquisa e Desenvolvimento e/
ou atividades de engenharia da outra PARTE
sem o seu prévio consentimento por escrito
(INFORMAçãO CONFIDENCIAL).
  Subcláusula Primeira. Toda
INFORMAçãO CONFIDENCIAL deve se
manter propriedade da PARTE a qual pertence
e sua abertura à outra PARTE não confere a
esta última nenhum tipo de propriedade além
daquela prevista neste ACORDO.
  Subcláusula Segunda. Cada uma das
PARTES tomará as precauções necessárias
para salvaguardar a confidencialidade das
informações relativas à outra PARTE a
que tiver acesso com relação ao presente
ACORDO.
  CLáUSULA DéCIMA PRIMEIRA  DA
DENúNCIA E DA RESCISãO
  O presente ACORDO poderá ser
denunciado por iniciativa de qualquer das
PARTES, por meio de notificação por escrito,




176

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




com antecedência mínima de 30 (trinta) dias.
  Subcláusula Primeira. Na hipótese de
extinção constante desta Cláusula, não será
imputada qualquer penalidade às PARTES.
  CLáUSULA DéCIMA SEGUNDA  DOS
CASOS OMISSOS E DO FORO
  Os casos omissos, as dúvidas ou quaisquer
divergências decorrentes da execução do
presente	Acordo	serão	dirimidos	pelos
signatários	em	comum	acordo	e	em
conformidade com a legislação específica.
  Subcláusula	Primeira.	Caso	eventual
conflito	não	consiga	ser	solucionado
diretamente pelas PARTES, poderá ser eleito
juízo arbitral com vistas a solução do referido
conflito.
  Subcláusula	Segunda.	Não	havendo
ACORDO entre as PARTES para a eleição
de um foro arbitral, fica eleito o foro do
Supremo Tribunal Federal para a solução da
controvérsia, nos termos do artigo 102, inciso
I, alínea f, da Constituição Federal.
  Subcláusula Terceira. Esse ACORDO será
regulado nas Línguas Portuguesa, Chinesa e
Inglesa, sendo que nenhuma tradução deste
ACORDO em qualquer outro idioma terá
qualquer força ou efeito na interpretação do
ACORDO e na determinação de empenho das
PARTES.
  CLáUSULA DéCIMA TERCEIRA 
DAS DISPOSIçõES GERAIS
  Além	das	disposições	anteriormente
explicitadas, as PARTES declaram ciência e
se vinculam ao cumprimento das obrigações
abaixo:
  I. A execução do ACORDO pelas PARTES
não cria obrigação financeira sobre nenhuma
delas;
  II. Nenhuma PARTE pode terceirizar ou
transferir seus direitos e obrigações dentro
deste ACORDO sem o consentimento prévio
da outra;
  III.	O	ACORDO	será	vinculante,

beneficiário e executório pelas PARTES e
subsequentes sucessores ou representantes;
  IV. Nenhuma pessoa que não é parte deste
ACORDO deve adquirir ou possuir direito
para executar suas ações previstas;
  V. O ACORDO constitui a cooperação
integral entre as PARTES e substitui todos
os acordos e entendimentos anteriores e
contemporâneos, sejam orais ou escritos,
entre as PARTES em relação ao tema objeto
do ACORDO;
  VI. Exceto em casos de fraude, nenhuma
PARTE deve ser responsabilizada por suas
representações, garantias, pactos e acordos,
exceto aquelas obrigações aqui previstas.
  CLáUSULA DéCIMA QUARTA  DA
ASSINATURA E DA PUBLICAçãO
  O ACORDO será assinado em 02 (duas)
vias, de igual teor e forma, na presença de
duas testemunhas.
  Subcláusula Primeira. A UNIãO/MCTI
providenciará, às suas expensas, a publicação
resumida deste ACORDO, no Diário Oficial
da União, no prazo e na forma do art. 61,
parágrafo único, da Lei nº 8.666 de 21 de
junho de 1993.
  E por estarem de pleno acordo, os
signatários firmam o presente ACORDO em
duas vias de igual teor e forma, na presença
de duas testemunhas, para todos os fins de
direito.
  Brasília, 17 de julho de 2014.
  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE O MINISTéRIO DA EDUCAçãO
DAREPúBLICAFEDERATIVADO BRASIL
E A SEDE DO INSTITUTO CONFúCIO DA
ChINA, RELATIVO à APRENDIzAGEM
DO MANDARIM NO BRASIL
  O Ministério da Educação da República
Federativa do Brasil, neste ato representado
pelo Ministro de Estado da Educação, José
henrique Paim Fernandes, e a Sede do
Instituto Confúcio da República Popular da




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	177




China, neste ato representado pela Chefe
Executiva da Sede do Instituto Confúcio
da República Popular da China, Xu Lin,
doravante denominados Partes,
  CONSIDERANDO	o Acordo	Quadro
sobre Cooperação Cultural e Educacional
entre o Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo da República Popular da
China, assinado em 1° de novembro de 1985
e promulgado pelo Decreto nº. 95.944, de 21
de abril de 1988;
  TENDO EM CONTA o Plano de Ação
Conjunta entre o Governo da República
Federativa do Brasil e o Governo da República
Popular da China (2010-2014), celebrado em
15 de abril de 2010;
  ENCORAJADOS	pelos	compromissos
assumidos durante a Segunda Reunião da
Subcomissão Educacional da Comissão Sino-
Brasileira de Alto Nível de Concertação e
Cooperação (COSBAN), realizada em 19 de
agosto de 2011;
  CONSIDERANDO o Decreto nº 7.642,
de 13 de dezembro de 2011, que instituiu o
Programa Ciência sem Fronteiras;
  FUNDAMENTADOS pelo Memorando de
Entendimento sobre o Programa Ciência sem
Fronteiras entre o Ministério da Educação e o
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
da República Federativa do Brasil e o
Ministério da Educação da República Popular
da China, assinado em 21 de junho de 2012;
  EMBASADOS no Plano Decenal de
Cooperação entre o Governo da República
Federativa do Brasil e o Governo da República
Popular da China, celebrado em 21 de junho
de 2012;
  CONVENCIDOS de que a aprendizagem
de línguas estrangeiras é uma ferramenta
indispensável	ao	bom	desenvolvimento
dos	programas	de	mobilidade	e	à
internacionalização dos sistemas de ensino
superior, declaram sua intenção de cooperar

para promover a aprendizagem do idioma
mandarim, nos termos que se seguem:
  Artigo 1º
  1. As Partes desejam disponibilizar aos
estudantes das universidades públicas, e
também a futuros bolsistas do Programa
Ciência sem Fronteiras e de outros
programas de intercâmbio, diferentes
modalidades de aprendizagem do mandarim.
A oferta de aprendizagem compreenderá três
ações:
  a) Aplicação de testes gratuitos de
avaliação linguística, a fim de determinar o
nível de conhecimento do idioma mandarim
dos estudantes brasileiros homologados pelo
Programa Ciência sem Fronteiras e outros
programas de intercâmbio com destino à
China;
  b) Oferta, pela Parte chinesa, de senhas
de acesso ao curso online de mandarim
a estudantes brasileiros de universidades
públicas aprovados em edital de seleção
para acesso ao curso e também a alunos
homologados pelo Programa Ciência
sem Fronteiras com destino à China, para
aquisição e aperfeiçoamento de competências
no idioma;
  c)Promoçãoeincentivoaodesenvolvimento
da aprendizagem do mandarim nos núcleos de
idiomas das universidades federais brasileiras
que não possuam representação do Instituto
Confúcio, para os quais a Parte chinesa
envidará esforços para o envio de assistentes
do idioma mandarim, respeitada a autonomia
universitária.
  Artigo 2º
  1. A Parte chinesa se encarregará de enviar
os testes de avaliação linguística (sejam físicos
ou on line), corrigi-los e, caso seja necessário,
custear profissionais para avaliação específica
(oral e escrita).
  Artigo 3º
  1. A Parte brasileira se responsabilizará

   
   

178

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




pelas seguintes ações, atinentes aos testes de
avaliação linguística:
  a. Logística de inscrição, distribuição e
alocação dos candidatos em todo o território
nacional, em especial nas universidades
credenciadas no Programa Idiomas sem
Fronteiras;
  b.	Equipamentos	necessários	para
aplicação;
  c. Pagamento de pessoal necessário à
aplicação dos testes.
  2. Os testes de avaliação linguística
serão realizados em universidades federais
brasileiras acreditadas no programa Idiomas
sem Fronteiras.
  Artigo 4º
  1. A Parte brasileira disponibilizará todas
as ferramentas do portal Idiomas sem
Fronteiras e de seu Sistema de Gestão e se
empenhará para implementar as condições
necessárias à criação de cursos de mandarim
nas universidades brasileiras onde eles ainda
não existem.
  Artigo 5º
  1. As Partes criarão um comitê técnico
voltado à execução das disposições adotadas
no presente Memorando de Entendimento.
  Artigo 6º
  1. As obrigações das Partes acerca das
modalidades de aprendizagem do mandarim
e dos testes de avaliação linguística serão
detalhadas em Plano de Trabalho.
  Assinado em Brasília, em 17 de julho de
2014, em dois exemplares originais, nos
idiomas português, mandarim e inglês, sendo
os dois igualmente autênticos. Em caso de
divergência de interpretação, a versão em
inglês prevalecerá.
  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE O MINISTéRIO DA EDUCAçãO
DAREPúBLICAFEDERATIVADO BRASIL
E A SEDE DO INSTITUTO CONFúCIO DA
ChINA, COM VISTAS à AMPLIAçãO DO

ESTABELECIMENTO DE INSTITUTOS
CONFúCIO  EM UNIVERSIDADES
FEDERAIS BRASILEIRAS
  O Ministério da Educação da República
Federativa do Brasil, neste ato representado
pelo Ministro de Estado da Educação, José
henrique Paim Fernandes, e a Sede do
Instituto Confúcio da República Popular
da China, neste ato representada pela Chefe
Executiva da Sede do Instituto Confúcio
da República Popular da China, Xu Lin,
doravante denominados Partes,
  CONSIDERANDO o Art. 3º, § 1º, Alínea
b do Acordo Quadro sobre Cooperação
Cultural e Educacional entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo
da República Popular da China, assinado em
1° de novembro de 1985 e promulgado pelo
Decreto nº. 95.944, de 21 de abril de 1988;
  TENDO EM CONTA o Plano de Ação
Conjunta entre o Governo da República
Federativa do Brasil e o Governo da República
Popular da China (2010-2014), celebrado em
15 de abril de 2010, que estabelece, em seu
Art. 14, § 5º alínea iii, as bases para o apoio ao
estabelecimento de novos Institutos Confúcio
no Brasil;
  ENCORAJADOS pelos compromissos
assumidos no § 4º da ata da Segunda Reunião
da Subcomissão Educacional da Comissão
Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação
e Cooperação (COSBAN), realizada em 19 de
agosto de 2011;
  CONSIDERANDO o Decreto nº 7.642,
de 13 de dezembro de 2011, que instituiu o
Programa Ciência sem Fronteiras;
  FUNDAMENTADOS pelo Memorando de
Entendimento sobre o Programa Ciência sem
Fronteiras entre o Ministério da Educação e o
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
da República Federativa do Brasil e o
Ministério da Educação da República Popular
da China, assinado em 21 de junho de 2012;




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	179




   EMBASADOS no Plano Decenal de
Cooperação entre o Governo da República
Federativa do Brasil e o Governo da República
Popular da China, celebrado em 21 junho de
2012;
  CONVENCIDOS de que a aprendizagem
de línguas estrangeiras é uma ferramenta
indispensável	ao	bom	desenvolvimento
dos	programas	de	mobilidade	e	à
internacionalização dos sistemas de ensino
superior, declaram sua intenção de cooperar
para promover a cultura e a língua, nos termos
que se seguem:
  Artigo 1º
  1. As Partes se comprometem a encorajar
o ensino da língua chinesa, a divulgação da
cultura e da história da China e o intercâmbio
cultural e acadêmico entre o Brasil e a China.
  Artigo 2º
  1. As Partes têm a intenção de trabalhar
conjuntamente para ampliar a instalação
de Institutos Confúcio em universidades
federais brasileiras, respeitada a autonomia
universitária.
  Artigo 3º
  1. A Parte chinesa envidará esforços para
apoiar a instalação e a manutenção de do
Instituto em universidades federais brasileiras.
  Artigo 4º
  1. A Parte brasileira designa a Secretaria de
Educação Superior do Ministério da Educação
e a Associação Nacional dos Dirigentes das
Instituições Federais de Ensino Superior do
Brasil (ANDIFES) para intermediarem as
negociações com as universidades federais
interessadas em receber o Instituto, as quais
deverão celebrar acordos interinstitucionais
específicos para tanto.
  Assinado em Brasília, em 17 de julho de
2014, em dois exemplares originais, nos
idiomas português, mandarim e inglês, sendo
os dois igualmente autênticos. Em caso de
divergência de interpretação, a versão em

inglês prevalecerá.
   MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE A COORDENAçãO  DE
APERFEIçOAMENTO  DE PESSOAL
DE NíVEL SUPERIOR (CAPES) DA
REPúBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E
O ChINA SChOLARShIP COUNCIL (CSC)
DA REPúBLICA POPULAR DA ChINA,
SOBRE OPORTUNIDADES DE ESTáGIO
A ESTUDANTES DO PROGRAMA
CIêNCIA SEM FRONTEIRAS
  CONSIDERANDO o Acordo Quadro
sobre Cooperação Cultural e Educacional
entre o Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo da República Popular da
China, assinado em 1° de novembro de 1985
e promulgado pelo Decreto nº. 95.944, de 21
de abril de 1988;
  TENDO EM CONTA o Decreto nº 7.642,
de 13 de dezembro de 2011, que instituiu o
Programa Ciência sem Fronteiras;
  FUNDAMENTADOS pelo Memorando de
Entendimento sobre o Programa Ciência sem
Fronteiras, assinado em 21 de junho de 2012,
entre o Ministério da Educação e o Ministério
da Ciência, Tecnologia e Inovação da
República Federativa do Brasil e o Ministério
da Educação da República Popular da China;
  RESPALDADOS pelo Acordo de Serviços
Administrativos, assinado em 21 de junho de
2012, entre a Coordenação deAperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior (CAPES/MEC)
e o China Scholarship Council (CSC), com
vistas à implementação do Programa Ciência
sem Fronteiras na China;
  EMBASADOS no Plano Decenal de
Cooperação, assinado em 21 de junho de 2012,
entre o Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo da República Popular da
China;
  CONSIDERANDO que o Governo
Brasileiro espera dos países de acolhida de
seus estudantes bolsistas que lhes forneçam




180

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




estágios no âmbito de sua formação acadêmica;
  A	Coordenação	de	Aperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior (CAPES) da
República Federativa do Brasil e o China
Scholarship Council da República Popular
da China, doravante denominados Partes,
  Declaram a intenção de ampliar sua
cooperação no âmbito do Programa Ciência
sem Fronteiras, nos termos que seguem:
  1. As Partes concordam que poderão ser
oferecidas, a partir de 2015, vagas de estágio
nas instituições chinesas habilitadas (empresas
e laboratórios), para os bolsistas brasileiros do
Programa Ciência sem Fronteiras, no decorrer
do ano de mobilidade deles nas universidades
chinesas.
  2. A Parte chinesa esforçar-se-á para
priorizar a inscrição dos bolsistas do Programa
Ciência sem Fronteiras em cursos que incluam
estágio obrigatório.
  3. Para os estudantes do Programa inscritos
em cursos sem estágio obrigatório, a Parte
chinesa se esforçará para ofertar estágio no
âmbito de algum convênio de estágio existente,
de acordo com a temática de interesse comum.
  4.AParte chinesa concorda em implementar
plataforma informatizada que relacione as
ofertas de estágio das empresas chinesas e
as demandas dos estudantes bolsistas. Esta
plataforma será mantida e atualizada em
colaboração com a CAPES, as instituições
chinesas anfitriãs, a Embaixada do Brasil em
Pequim e as empresas chinesas envolvidas.
  5. Em circunstâncias normais, a duração do
estágio não poderá ultrapassar a validade do
visto dos estudantes.
  6. A Parte brasileira poderá, caso necessário
e respeitada a legislação chinesa em vigor,
requerer à Parte chinesa prorrogação de
permanência do bolsista na China para o
cumprimento do período de estágio, nas
áreas prioritárias estabelecidas pelo Governo
Brasileiro para o Programa Ciência sem

Fronteiras.
  7. Um acordo de cooperação adicional
com Plano de Trabalho, a ser negociado
posteriormente, detalhará as obrigações
de cada Parte relacionadas ao estágio dos
estudantes na China.
  Assinado em Brasília, em 17 de julho
de 2014, em dois exemplares originais nos
idiomas português, chinês e inglês, com
ambos os textos igualmente autênticos. Em
caso de discrepâncias ou inconsistência entre
as versões, a versão em inglês prevalecerá.
      ACORDO ENTRE A SEDE
DO INSTITUTO CONFúCIO  E A
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE
CAMPINAS (UNICAMP) DO BRASILPARA
O ESTABELECIMENTO DO INSTITUTO
CONFúCIO   DA UNIVERSIDADE
ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP)
  A fim de reforçar a cooperação educacional
entre China e Brasil, apoiar e promover o
desenvolvimento do ensino da língua chinesa,
e aumentar e promover o entendimento
mútuo entre os dois povos, de acordo com
os Estatutos do Instituto Confúcio, a Sede do
Instituto Confúcio (Sede) e a Universidade
Estadual de Campinas (UNICAMP), para a
criação de Instituto Confúcio da UNICAMP
(Instituto), acordam as seguintes cláusulas:
  Artigo 1º - Objetivo
  O objetivo deste acordo é estabelecer os
direitos e responsabilidades da Sede e da
UNICAMP na criação e gestão do Instituto.
  Artigo 2º - Natureza das atividades do
Instituto
  O Instituto se dedicará a atividades de
educação e cultura sem fins lucrativos.
  Artigo 3º - Cooperação Executiva e Início
das Operações
  A Universidade Estadual de Campinas
(UNICAMP) contará com a cooperação
executiva da Beijing Jiaotong University
(BJTU). A Sede irá autorizar e nomear a




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	181




BJTU para, em conjunto com a UNICAMP,
implementar	o	Instituto	Confúcio	da
UNICAMP.	A	UNICAMP	e	a	BJTU
assinarão acordo complementar a fim de
detalhar a execução da cooperação. O acordo
complementar deve ser auditado pela Sede
antes de ser assinado.
  O Instituto deve iniciar suas operações
dentro de um ano após a assinatura do presente
Acordo.
  Artigo 4º - Abrangência das Atividades do
Instituto
  Observados os Estatutos do Instituto
Confúcio da China e da UNICAMP, o Instituto
poderá oferecer as seguintes atividades:
  1. Ensino da língua chinesa e fornecimento
de recursos didáticos de ensino da língua
chinesa;
  2. Formação de instrutores da língua
chinesa;
  3. Exame hSk (Teste de Proficiência da
língua chinesa) e testes para a certificação dos
instrutores da língua chinesa;
  4. Fornecimento de informações e serviços
de consultoria em relação à educação, à cultura
e outros elementos da sociedade chinesa;
  5. Intercâmbio linguístico e cultural;
  6. Outras atividades desde que solicitadas
ou autorizadas pela Sede.
  Artigo 5º - Organização, Funcionamento e
Gestão do Instituto
  1. O Instituto Confúcio da UNICAMP
adotará um sistema de direção conjunta
UNICAMP-BJTU subordinado a um Conselho
de Administração que será estabelecido pelas
duas partes.
  2. O Conselho de Administração será
formado por membros nomeados pelas duas
partes, e suas atribuições serão: formular e
alterar os Estatutos do Instituto; formular
os planos de desenvolvimento do Instituto;
deliberar	sobre	questões	estratégicas
relacionadas às atividades de ensino, pesquisa e

gestão no âmbito do Instituto; responsabilizar-
se pela captação de recursos operacionais;
escolher e destituir os diretores do Instituto;
examinar e aprovar a proposta de orçamento
e contas financeiras finais do Instituto; emitir
relatórios para as duas partes sobre o estado
de gestão e sobre questões significativas.
  3. As duas partes colaboradoras nomeiam
um diretor cada.
  4. O Instituto estará sujeito a avaliações da
Sede quanto à qualidade do ensino.
  5. As atividades do Instituto devem estar em
conformidade com os Estatutos do Instituto
Confúcio da China e respeitar a Constituição,
as leis, os costumes e a cultura de ambos os
países.
  6. O Instituto deve elaborar propostas
orçamentárias anuais e prestar contas
financeiras finais de forma independente. A
UNICAMP será responsável pela gestão e
operação diária do Instituto. A UNICAMP
assumirá a exclusiva responsabilidade por
ganhos ou perdas financeiras decorrentes de
eventuais cobranças de taxas sobre os cursos
e programas oferecidos pelo Instituto.
  Artigo 6º - Obrigações da Sede e da
UNICAMP
  As obrigações da Sede:
  1. Autorizar o uso do nome e logotipo do
Instituto Confúcio.
  2. Fornecer materiais de ensino, softwares
e livros educativos em função da necessidade.
Autorizar o uso do curso on-line. Fornecer
o primeiro lote de 3.000 volumes de livros
chineses e de materiais didático e material
audiovisual.
  3. Fornecer Us$150.000 dólares americanos
de fundo para estabelecimento do Instituto e
anualmente fornecer uma quantidade definida
de fundos de acordo com as necessidades.
  4. Enviar instrutores chineses com base
nos requisitos de ensino aprovados pela Sede,
custeando suas passagens, moradia, salários,




182

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




seguros saúde e outros gastos necessários à
permanência deles no Brasil.
  As obrigações da UNICAMP:
  1. Prover o espaço físico específico para
sediar o escritório do Instituto; bem como
prover as salas, instalações e equipamentos
necessários e adequados às atividades do
Instituto, zelando por sua conservação e
manutenção.
  2.	Fornecer	pessoal	administrativo
necessário,	responsabilizando-se	por	sua
remuneração	e	assegurando	condições
adequadas de trabalho.
  3. Orientar as pessoas chinesas a serviço
deste Acordo na obtenção de vistos e
procedimentos formais para moradia.
  4. Abrir uma conta autorizada pela Sede
no Banco do Brasil, já autorizada pela Sede,
específica para receber recursos ordenados
pela Sede.
  5. Fornecer uma quantidade de fundos
anuais, nunca inferior ao montante provido
pela Sede.
  Artigo 7º - Propriedade Intelectual
  A Sede detém exclusividade sobre o marca
Instituto Confúcio e sobre seu logotipo. A
UNICAMP não pode continuar a fazer uso
ou transferir o direito de uso da marca ou do
logo, seja direta ou indiretamente, depois de
terminado este acordo.
  A Sede possui a propriedade intelectual
de programas específicos ou o direito de
distribuição dos programas educacionais que
disponibilizar ao Instituto. Outros programas
desenvolvidos	diretamente	pelo	Instituto
deverão ser autorizados pela Sede e eventuais
questões de propriedade intelectual serão
amigavelmente discutidas. Na eventualidade
de disputas, as partes devem consultar-se
de forma amigável ou se submeterem ao
órgão jurisdicional de acordo com as leis e
regulamentos relacionados.
  Artigo 8º - Revisão deste Acordo
   
Com consentimento de ambas as partes,
este Acordo poderá ser revisto durante sua
execução e todas as revisões serão feitas por
escrito, em português, inglês e em chinês, e
entrará em vigor, quando assinado por seus
legítimos representantes.
  Artigo 9º - Tempo de Vigência
  Este Acordo terá vigência por cinco anos
a partir da data da assinatura mais recente
entre as abaixo especificadas. Qualquer uma
das partes poderá extinguir este Acordo,
devendo notificar a outra, por escrito, com no
mínimo 90 dias de antecedência do término
da vigência. A extensão deste acordo não
vai acontecer automaticamente. havendo
interesse das partes na prorrogação, esta se
dará mediante celebração de novo acordo.
  Artigo 10º - Força Maior
  As partes serão liberadas das obrigações
previstas no artigo sexto do presente Acordo,
no caso de uma emergência nacional, guerra,
regulamentação governamental proibitiva
ou qualquer outra causa fora do controle das
partes que venha a tornar a execução deste
acordo impossível. A parte que por força
maior estiver impossibilitada de cumprir o
presente Acordo deve informar a outra por
escrito sobre a necessidade de adiamento ou
encerramento, esforçando-se por tomar as
providências suficientes para atenuar a perda
da outra parte.
  Artigo 11º - Rescisão
  Este Acordo será encerrado em um dos
seguintes casos:
  1. Por vontade de uma das partes, bastando
para tanto notificar por escrito a outra parte
com seis meses de antecedência.
  2. Por expressa vontade das partes.
  3. Se o Acordo não puder seguir ou não
conseguir alcançar o objetivo esperado por
decadência de condição.
  4. Se o ato de uma das partes prejudicar
gravemente a imagem ou a reputação do




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	183




Instituto Confúcio.
  5. Por motivo de força maior.
  A rescisão deste não pode afetar outro
acordo, contrato ou programa entre as partes.
  Antes do término do Acordo, a UNICAMP
deve tomar as providências necessárias sobre
os alunos matriculados e outras atividades por
ventura em andamento.
  Artigo 12º - Resolução de Controvérsias
  Para dirimir quaisquer dúvidas que possam
ser suscitadas na execução e interpretação
do presente Acordo, a Sede e a Unicamp
envidarão esforços na busca de uma solução
consensual. Não sendo possível, a Sede e
a Unicamp indicarão, de comum acordo,
um terceiro, pessoa física, para atuar como
mediador.
  Artigo 13 º - Outros Termos
  As partes signatárias deste Acordo irão
tratar este como confidencial e não irão, sem
consentimento prévio por escrito, publicar,
liberar ou divulgar o conteúdo nele contido,
ou permitir o fornecimento e a obtenção
deste, ou o que chegar ao conhecimento de
cada uma das partes como resultado deste,
exceto na medida em que tal publicação ou
divulgação for necessária ao cumprimento de
suas obrigações.
  Outros assuntos não previstos neste Acordo
serão tratados por meio de negociações
amigáveis, no espírito de cooperação entre as
partes.
  Este Acordo está redigido em português,
chinês e inglês, devendo cada parte manter
uma via assinada em cada idioma. As vias
expressas e assinadas nas três línguas terão a
mesma eficácia.
  AGREEMENT	BETWEEN	ThE
GOVERNMENT OF ThE PEOPLE`S
  REPUBLIC	OF	ChINA AND	ThE
GOVERNMENT OF ThE
  FEDERATIVE REPUBLIC OF BRAzIL
ON VISA
   
FACILITATION FOR BUSINESS
  TRAVELERS
  The Government of the People`s Republic
of China
  and
  The Government of the Federative
Republic of Brazil
  (hereinafter referred to as the Contracting
Parties),
  With a view to further promoting friendly
relations between their countries and
facilitating contacts of their business travelers;
  having conducted friendly consultations
on visa facilitation for business travelers on
the basis of equality and reciprocity;
  have reached the following Agreement:
  ARTICLE I
  1. Embassies and Consulates of China
shall issue multiple-entry visas valid for up to
3 (three) years, for an authorized stay of up
to 90 (ninety) days, renewable if necessary,
provided that the total duration of stay does
not exceed 180 (one hundred and eighty) days
per 12 (twelve) month period, from the date
of first entry, to Brazilian business travelers to
China.
  2. Embassies and Consulates of Brazil
shall issue multiple-entry visas valid for up to
3 (three) years, for an authorized stay of up
to 90 (ninety) days, renewable if necessary,
provided that the total duration of stay does
not exceed 180 (one hundred and eighty) days
per 12 (twelve) month period, from the date
of first entry, to Chinese business travelers to
Brazil.
  3. Paragraphs 1 and 2 of this Article
shall apply to persons traveling for business
purposes only, which includes the following
activities:
  a) Prospection of commercial opportunities,
attending meetings, signing contracts and
financial, management and administrative
activities;




184

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




  b)	Attending	meetings,	conferences,
seminars provided that no remuneration is
received from sources of the receiving Party
for those activities (other than the cost of stay
directly or via a daily income).
  ARTICLE II
  This Agreement does not apply to persons
traveling for the purpose of carrying out a
gainful activity or being employed, engaging
in news reports, research, traineeships, studies
and social work, as well as undertaking
technical assistance, missionary, religious
or artistic activities. For these categories
of persons, the Contracting Parties may
respectively decide on the visa requirement
for each other`s nationals in accordance with
their respective national legislation.
  ARTICLE III
  Business travelers of one Contracting
Party holding valid visas mentioned in Article
I may enter the other`s territory at any time
within the validity of the visa, provided that
they not exceed the maximum period of stay
mentioned in Article I.
  ARTICLE IV
  1. When Chinese business travelers apply
for the visas mentioned in Article I, they need
to submit the visa application forms, photos,
passports, a letter from their employer, an
invitation letter from a company registered in
Brazil, and necessary documents to prove
  their business status.
  2. When Brazilian business travelers apply
for the visas mentioned in Article I, they need
to submit the visa application forms, photos,
passports, a letter from their employer, an
invitation letter from a company registered
in China, and necessary documents to prove
their business status.
  3. At the discretion of the consular
authorities	of	the	Contracting	Parties,
the above-mentioned documents for visa
application may be exempted from notarization

and authentication requirements.
  ARTICLE V
  Except in extraordinary cases, Embassies
and Consulates of the Contracting Parties
shall endeavor to issue visas to the above-
mentioned personnel within 10 (ten) working
days, after the receipt of the application, taking
into account the applicable requirements of
their respective legislation.
  ARTICLE VI
  1. This Agreement shall apply without
prejudice to the legislation of the Contracting
Parties relating to the conditions of entry and
stay. The Contracting Parties reserve the right
to refuse entry into and stay in their respective
territories if one or more of these conditions
are not met.
  2. The nationals of one Contracting Party
benefiting from this Agreement shall comply
with the laws and regulations in force in the
territory of the other Contracting Party during
their stay.
  ARTICLE VII
  The competent authorities of both
Contracting Parties may exchange information
on visa issuance and hold, when necessary,
consultations in China and Brazil alternately to
review the implementation of this Agreement
and other relevant matters.
  ARTICLE VIII
  1. This Agreement shall enter into force on
the thirtieth day after the date of signing.
  2. This Agreement shall remain in force
indefinitely. If either Contracting Party wishes
to terminate this Agreement, it shall notify the
other Contracting Party in writing through
diplomatic channels, and this Agreement
shall cease to be effective on the ninetieth day
following the date of notification.
  3. This Agreement may be amended by
mutual consent of the Contracting Parties.
  4. From the date of entering into force
of this Agreement, the Agreement on visa




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	185




facilitation for business travelers reached
through exchanging notes on 24 June, 2004
by the Contracting Parties shall cease to be
effective immediately.
  Done in duplicate in Brasilia, on July 17th
2014, in the Portuguese, Chinese and English
languages, all texts being equally authentic. In
case of any divergence of interpretation, the
English text shall prevail.
  ADDITIONAL PROTOCOL TO ThE
AGREEMENT	ON	COOPERATION
IN	DEFENCE	RELATED	MATTERS
BETWEEN ThE GOVERNMENT
  OF ThE FEDERATIVE REPUBLIC OF
BRAzIL AND ThE
  GOVERNMENT OF ThE PEOPLES
REPUBLIC OF
  ChINA	IN	ThE	AREAS	OF
INFORMATION
  TEChNOLOGY, TELECOMMUNICATIONS
  AND REMOTE SENSING.
  The Federative Republic of Brazil
  and
  The Peoples Republic of China
  (hereinafter referred to as Parties),
  Recognizing that the Chinese and Brazilian
technology capacities can contribute together
to protect the environment and supporting the
fight against illegal shares, by improving the
monitoring of the use and occupation of the
territory, as well as the preventive protection
faces extreme events of nature;
  Recognizing the importance of the Amazon
Protection System for sovereign defence of
the Amazon region by Brazil and its wider
relevance of the perspective of sustainable
development; and
  Desiring	more	widely,	develop	and
strengthen cooperation in the areas of
information technology, telecommunications
and remote sensing.
  Desiring to enhance bilateral relations
between the Parties, in particular in defence

technology applied to dual-use security,
environment and sustainable development.
  Complementing the Agreement on
Cooperation in defence related matters
between the Government of the Federative
Republic of Brazil and the Government of
the Peoples Republic of China, signed in the
April 12th 2011, in particular its Article 1.
  Decide:
  Article 1
  Objective
  The Parties express their intent to cooperate
guided by the principles of equality, reciprocity
and common interest, with the aim of:
  a) a) cooperate and share data and
knowledge from environmental, weather
and Earth observation satellites (optical and
synthetic aperture radar);
  b) sharing knowledge and experience
in the areas of information technology,
telecommunications and remote sensing;
  c) sharing data and knowledge on
meteorology, climatology, hydro-meteorology
and climate change;
  d) cooperate in the implementation of
automated systems for warning and detection
features of the dynamics of the use and
occupation of the territory;
  e) cooperate on applications involving the
use of point-to-point telecommunication and
satellites;
  f) promote the staff training in areas
reported above; and
  g) cooperate in cartographic and thematic
mapping.
  Article 2
  Types of Cooperation
  The cooperation between the Parties, under
the terms of this instrument, include, although
not limited to, the following areas:
  a) Exchangeofenvironmental,meteorological
satellite images, and Earths observation images,
especially from synthetic aperture radar;




186

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




  b) Joint participation in research and
development of programmes of geotechnology
application;
  c) Mutual visits of delegations of defence,
civil and military peer equivalent institutions;
  d) Exchange of instructors, technicians and
analystswhoactonterritorialandenvironmental
geo-information,	telecommunication,	and
information technology;
  e) Participation in theoretical and practical
courses, seminars, conferences and symposia
of mutual interest agreed between the Parties;
and
  f) Other types of cooperation, under this
instrument, which may be of common interest
to the Parties.
  Article 3
  Implementation
  1.	1.	Sectoral	agreements	may	be
concluded in writing by the Parties, to regulate
Implementation	Mechanisms	of	specific
programs and the protection of the topics
under this Protocol and in accordance with the
laws of the Parties respective activities.
  2.	The	Executive	Agent	for	the
implementation of this Protocol on behalf
of the Federative Republic of Brazil, is the
Operational and Management Centre of the
Amazon Protection System, and the Executive
Agent, on behalf of the Federative Republic of
China, is the State Administration for Science,
Technology and Industry for National Defence
 SASTIND.
  3. Censipam and SASTIND will formalise
the constitution of a high Level Management
Working	Group	responsible	for	the
implementation of this instrument and for the
elaboration of the Strategic Cooperation Plan
(MWG-SCP), as well as the Thematic Working
Groups responsible for the elaboration of
Specific Working Plans (TWG-SWP).
  4. The constitution of the mentioned
Working	Groups	(WG)	either	involve

representatives of the Ministry of Defence,
Armed Forces and may, as appropriate,
include the participation of national organs
of Science, Technology and Innovation of the
Parties.
  Article 4
  Financial Responsibilities
  1. 1. Unless otherwise agreed in another
context, each Party shall be responsible for
all expenses due by their staff when carrying
out official activities within the scope of this
Protocol.
  2. All activities implemented within
the scope of this instrument are subject to
availability of financial resources from the
Parties.
  3. This Protocol does not imply
burdensome to the national heritage of the
Parties commitment.
  Article 5
  Protection of Confidential Information
  Procedures for exchange, as well as
conditions and measures adopted for
protecting confidential information of the
Parties during implementation of this Protocol
will be dealt with and secured in accordance
with the national laws and regulations of the
Parties.
  Article 6
  Conflict Resolution
  Any conflict related to a specific cooperation
activity within the scope of this Protocol will
be resolved by way of direct consultation and
negotiations between the participants of the
activity in question.
  Article 7
  Duration and Termination
  1. 1. The present ADDITIONAL
PROTOCOL will enter into force from the
date of its signature.
  2. Termination shall be effective one
hundred eighty (180) days after the date of the
receipt of the writing notification, by which




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	187




one Party informs the other its intention to
proceed in this way.
  3. Each Party has the right to terminate this
Additional Protocol by informing the other
Party six months earlier by a written notice,
through diplomatic channels.
  Signed in Brasilia, Brazil, in 17th of
July 2014, in two originals, in Portuguese,
Chinese and English languages, all texts being
equally authentic. In case of divergence of
interpretation of this Agreement, the English
text shall prevail.
  MEMORANDUM	OF
UNDERSTANDING	BETWEEN	ThE
MINISTRY OF TRANSPORT OF ThE
FEDERATIVE REPUBLIC OF BRAzIL
AND ThE NATIONAL DEVELOPMENT
AND REFORM COMMISSION OF ThE
PEOPLE`S REPUBLIC OF ChINA ON
RAILWAY COOPERATION
  The Ministry of Transport of the Federative
Republic	of	Brazil	and	the	National
Development and Reform Commission of
the People`s Republic of China (hereinafter
referred to as the Parties),
  Supported by the Comprehensive Strategic
Partnership between Brazil and China;
  Considering the guidelines for mutual
cooperation established in the 2010-2014 Plan
of Action and the 10-Year 2012-2021 Plan of
Cooperation;
  Desiring	to	enhance	the	economic,
commercial relations between the Parties;
  Considering	the	mutual	interest	in
establishing cooperation in the railway sector
due to its importance for the integration of
the territorial space and socio-economic
development of both countries;
  Recognizing the significant progress of
China in such a sector; and
  Considering the work carried out by Brazil
for establishing a modern, safe, integrated,
and competitive railway system;
   
Agree the following:
  ARTICLE I
  The Parties will promote mutually
beneficial cooperation in the railway field, and
endeavor to achieve the following purposes:
  1. Interchanging experiences and good
practices for solving problems relating
to economic, scientific, technological,
environmental and logistic issues in the scope
of railway transportation;
  2. Developing measures and taking actions
to improve the competitiveness of national
railway systems;
  3. Collaborating in technical questions
concerning cargo transportation,
communication signals, systems integration
and construction of railways in the territories
of the Parties;
  4. Other issues concerning railway
transportation, which have been agreed by the
Parties.
  ARTICLE II
  1. The cooperation under this Memorandum
of Understanding should be implemented as
follows:
  a) Both sides encourage governmental
agencies and investors from private sector
to participate in relevant railway project
bidding, and endeavor to cooperate in railway
construction projects in Brazil, according to
internationally accepted rules and respective
laws of both countries;
  b) Elaboration of studies and projects for
the railway infrastructure modernization,
expansion, construction of new railways,
operation, maintenance and renewal in
the territories of the Parties by providing
specialized technical assistance;
  c) Interchange of experts, specialists
and academic personnel for the objective of
elaborating studies and projects of railway
infrastructure jointly identified;
  d) Interchange of information and

   
   

188

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




documents, such as research reports and
publications;
  e) Joint organization of seminars and
working meetings with specialists, scientists
and representatives of the private sector,
governmental	agencies	and	financial
institutions;
  f) Dissemination and inclusion of the
technologies utilized and developed in the
scope of logistics and transportation;
  g) Other forms of railway cooperation that
have been agreed by the Parties.
  2. The projects of railway infrastructure
that will be object of the activities undertaken
under this Memorandum of Understanding
will be jointly agreed by both Parties.
  ARTICLE III
  1. The Ministry of Transport will take the
lead on the Brazilian side and the National
Development	and	Reform	Commission
will take the lead on the Chinese side to be
responsible for the implementation of this
Memorandum of Understanding. In order to
guarantee the effectiveness of the activities
carried out under this Memorandum of
Understanding, the Parties will set up a
working mechanism and identify participating
enterprises when necessary.
  2. The Lead agencies shall determine the
actions and procedures for the accomplishment
of specific cooperation activities in the scope
of this Memorandum of Understanding.
  ARTICLE IV
  1. The activities resulting from this
Memorandum of Understanding may be
developed jointly with public or private
organizations, groups and institutions of both
Parties. In these cases, the procedures and
details of the joint action shall be agreed upon
by the lead agencies and the agents involved.
  2. The proposals and contracting processes
for joint actions with institutions or companies
responsible for the implementation of the

activities to be developed shall be evaluated by
the lead agencies according to their respective
national laws.
  ARTICLE V
  The issues concerning the financing of the
activities resulting from this Memorandum of
Understanding shall be subject to budgetary
availability of both Parties.
  ARTICLE VI
  The Parties will report on the progress
achieved in the implementation of this
Memorandum of Understanding to the
Chinese-Brazilian high Level Concertation
and Cooperation Commission (COSBAN).
The frequency of the reporting will depend on
the progress achieved.
  ARTICLE VII
  1. Except otherwise agreed upon, the
intellectual property rights jointly obtained
or used as a result of this Memorandum of
Understanding shall be protected by the
agreements in force concerning this subject,
applicable to both Parties.
  2. Secret information, documents or data
resulting from the implementation of this
Memorandum of Understanding shall be
treated in accordance with the respective
national laws of the Parties.
  ARTICLE VIII
  Any dispute relating to the interpretation or
implementation of the present Memorandum
of Understanding shall be settled through
direct negotiation between the Parties, by
diplomatic channel.
  ARTICLE IX
  1. This Memorandum of Understanding
shall enter into force on the date of its
signature and shall be effective for a 5 (five)
year-period, automatically renewable for an
equal period.
  2. This Memorandum of Understanding
can be emended by mutual consent of the
Parties.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	189




   3. Any Party can notify the other Party,
at any time, of its decision to terminate this
Memorandum of Understanding, which shall
become ineffective 6 (six) months after the
date of receipt of the notification.
  4.	Except	otherwise	agreed	upon,
the termination of this Memorandum of
Understanding shall not invalidate the projects
under execution by means of this document.
  Done in Brasilia, on 17thJuly 2014, in three
authentic copies in the Portuguese, English
and Chinese languages. In case of divergence
of interpretation, it shall be settled considering
the English text.
  Memorandum of Understanding between
the	National	Development	and	Reform
Commission of the Peoples Republic of
China and the Ministry of Development,
Industry and Foreign Trade of the Federative
Republic of Brazil on
  Promotion of Industrial Investment and
Cooperation
  The Ministry of Development, Industry
and Foreign Trade of the Federative Republic
of Brazil and the National Development and
Reform Commission of the Peoples Republic
of China (hereinafter referred to as the
Parties);
  IN VIEW OF the in-depth development of
the Global Strategic Partnership established
between the Federative Republic of Brazil and
the Peoples Republic of China (hereinafter
referred to as the Countries);
  BEARING IN MIND the guidelines for
mutual cooperation, established at the Joint
Plan of Action 2010-2014, and at the Ten-year
Plan for Cooperation 2012-2021 between the
Countries;
  RECOGNIzING the great potential for
economic cooperation between the Countries
and the positive notion of companies from the
Countries to promote cooperation;
  AND ACkNOWLEDGING the significance

of promoting the cooperative efforts under the
Economic and Trade Sub-commission of the
Brazil-China high Level Coordination and
Cooperation Committee (COSBAN), and
enhancing industrial investment and cooperation
to the common wealth of the Countries;
  BEARING IN MIND the principles of
mutual respect, equality and equal benefit,
with friendly discussion,
  have agreed the following:
  Article I
  The Parties shall promote the investment
and cooperation of companies and financial
institutions from the Federative Republic of
Brazil and the Peoples Republic of China in
relation to industrial areas, in compliance with
their respective national laws and policies.
  Article II
  The Parties shall promote industrial
investment and cooperation in the following
areas:
  1. Energy, including the exploration and
utilization of hydrocarbons, electricity and
renewable energies, etc.;
  2. Mining, including exploration,
exploitation, distribution and processing of
minerals, as well as other activities aimed to
increase value-added processing of minerals;
  3. Infrastructure, including the construction
and operation of roads, railways, airports, dry
ports, storage facilities, natural gas pipelines,
bridges, etc.;
  4. Manufacturing industry, including
manufacturing of automobiles and airplanes,
shipbuilding, machinery, production of home
appliances and construction materials, etc.;
  5. high technology, including Research
and Development, as well as production in the
areas of medicine, information technologies,
energy efficiency, environmental protection,
biotechnology, communications, etc.;
  6. Agriculture, including crop planting,
storage and processing of soy bean and corn,




190

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




as well as other activities aimed to increase
value-added	processing	of	agricultural
commodities;
  7. Any other areas agreed by the Parties.
  Article III
  The Parties encourage their companies to
carry out industrial investment and cooperation
projects through various types of instruments,
such as Greenfield investment, Merger and
Acquisition (M&A), Build-Operate-Transfer
(BOT), Public Private Partnership (PPP),
project contracting, equipment export, in
compliance with their respective laws and
established procedures.
  Article IV
  The Parties encourage their financial
institutions to provide services such as
financing,	co-financing,	guarantee	and
long-term insurance for bi-lateral industrial
investment and cooperation.
  Article V
  The specific functions of the Parties include
but not limit to the following:
  1. Exchange of information in regard
to laws, regulations, policies, plans and
circumstances regarding foreign investment
projects;
  2.	Monitoring	the	progress	in	the
establishment and implementation of bilateral
investments projects, in all levels of the
government, between the Countries;
  3. Providing detailed information on all the
necessary steps and requirements, in all levels
of the government, for the establishment of a
specific investment project;
  4. Providing detailed information on
the status of a request for establishment of
an investment project, in all levels of the
government;
  5. Joint organization of forums, seminars,
and project promotion as well as collaboration
on specific subject study;
  6. Formulation of plans for industrial

investment and cooperation;
  7. Encouraging investment and financing
activities for companies and financial
institutions for the Countries;
  8. Guidance and coordination of bilateral
industrial investment and cooperation projects.
  Article VI
  The Department of Foreign Capital and
Overseas Investment (FCOID) of NDRC and
the Secretariat of Production Development
(SDP) of MDIC shall be responsible for the
implementation of this Memorandum of
Understanding on a daily basis. The Parties
will invite other governmental bodies when
necessary.
  Article VII
  In order to contribute to the implementation
of this Memorandum of Understanding, the
Parties agree to the following:
  1. Exchange information on a regular basis
and meet annually, alternately in Brazil and in
China;
  2. Wherever possible, coordinate the
activities under this Memorandum with the
Working Group on Investments, within the
Economic and Trade Sub-commission of
COSBAN.
  Article VIII
  Each Party shall bear the costs of their
communicative and cooperative activities
while implementing this Memorandum of
Understanding, unless otherwise agreed.
  Article IX
  Any questions or disputes arising from
interpretation or implementation of this
Memorandum of Understanding shall be
resolved by direct consultation of the Parties.
  Article X
  This Memorandum of Understanding shall
not affect interpretation and implementation
of any other agreement between the Federative
Republic of Brazil and the Peoples Republic
of China.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	191




   Article XI
  This	Memorandum	of	Understanding
will enter into force on the date it is signed
and remain valid for a period of five (5)
years. The validation of this Memorandum
of Understanding shall extend automatically
unless one party decides to terminate it and
notice the other party in writing at least three
(3) months in advance.
  This Memorandum of Understanding may
be amended under mutual consent of the
Parties. The amendments shall be in writing,
specifying the date of its entry into force.
  The termination of this Memorandum of
Understanding will not affect investment
projects that are currently in progress.
  Signed in Brasilia, the Federative Republic
of Brazil, on the __ day of July 2014, in two
original copies in the Chinese, English and
Portuguese languages, all texts being equally
valid. The English version will prevail if there
is any inconsistency.
  hIGh	LEVEL	ChINA-BRAzIL
COMMISSION	FOR	COORDINATION
AND COOPERATION
  ECONOMIC	AND	TRADE
SUBCOMMITTEE
  STATISTICS	hARMONIzATION
GROUP
  WORkPLAN	ON	MERChANDISE
TRADE STATISTICS
  Since its foundation in 2006, the Statistics
harmonization Group (ShG) has focused
on the divergence in bilateral statistics
on merchandise trade, to improve mutual
understanding and promote bilateral economic
and trade relationship.
  The ShG concluded the Report on the
StatisticalDivergenceofBilateralMerchandise
Trade in June 2012, which interpreted bilateral
trade data from the perspective of statistical
divergence. In view of the fruits achieved by
the ShG and the importance of such theme to

China-Brazil economic and trade relationship,
the decision was made in the second meeting
of Economic and Trade Subcommittee that
the ShG would work under the Subcommittee
on a permanent basis.
  BOTh PARTIES AGREE that the ShGs
work of the next stage should be undertaken
according to the present Working Plan, aiming
at deepen the technical cooperation in trade
statistics and finding common grounds to
account for the statistical divergence on trade
data produced by both countries.
  PURPOSE AND TOPICS
  The findings of the ShG should be used
as reference whenever accounting for the
divergence on trade statistics produced by
both sides, but do not necessarily imply any
mistake in existing statistical systems or
any revision to official publications of both
countries.
  Main working content should include:
  --Exchange monthly bilateral merchandise
trade data on a quarterly basis in compliance
with the regulations in Annex.
  --Adhering to similar methodology of the
research of last stage, comparatively check
exchanged data on the level of hS2, hS4 and
hS6, to explore the reasons of divergences
on bilateral merchandise trade statistics,
including methodological differences
regarding coverage, time of recording, trading
system, commodity classification, valuation,
statistical unit of quantity, partner country
recognition, as well as the effect of indirect
trade.
  --Cooperate in information exchange and
training on trade statistics and analysis. When
there is a technical meeting of ShG held in
China or Brazil, the technicians from both
sides will take the opportunity to meet each
other and experts from the host country will
present the statistical methods and practices,
analytical approach, case and conclusions in




192

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




trade statistics and relative areas.
  SChEDULE	OF	TEChNICAL
MEETINGS
  Both Parties agree to hold at least one
technical meeting per year, on a rotating basis
in each country, to ensure the fulfillment
of the objectives of this Working Plan.
Additional meetings may take place when
deemed necessary by both sides. After each
meeting, the host country will be responsible
for drafting a report to explain the divergences
of bilateral merchandise trade statistics for the
previous year. The first report will start by the
analysis of 2013 data.
  ORGANIzATION AND STAFF
  The departments and person in charge of
the organization and coordination of ShG and
the execution of this Working Plan will be the
following:
  BRAzIL:
  Secretary of Foreign Trade, Ministry of
Development, Industry and Foreign Trade
  Name: herlon Alves Brandão
  Job Title: General-Coordinator of Statistics
Production
  Deputy: Pedro Ivo Rocha de Macedo
  Job Title: Foreign Trade Analyst
  E-mail: pedro.macedo@mdic.gov.br
  ChINA:
  Department for General Economic Affairs,
Ministry of Commerce
  Name: Liu haiquan
  Job Title: Director General
  Deputy: Wang hao
  Job Title: Official
  E-mail: wanghao_zh@mofcom.gov.cn
  The present work plan was signed on
2014 in Brasilia in Portuguese, Chinese and
English, all equally authentic. Should there be
any disagreement, the English version shall
prevail.
  TEChNICAL	AND	SCIENTIFIC
COOPERATION	AGREEMENT	BY

AND BETWEEN ThE  FEDERAL
GOVERNMENT, ThROUGh   ThE
MINISTRY OF SCIENCE, TEChNOLOGY
AND INNOVATION, AND hUAWEI DO
BRASIL TELECOMUNICAçõES LTDA.,
TO TRAIN IT PROFESSIONALS IN ThE
FOLLOWING AREAS: BULk DATA
PROCESSING, CLOUD COMPUTING
AND SECURITY.
  ThE  FEDERAL GOVERNMENT,
through the MINISTRY OF SCIENCE,
TEChNOLOGY  AND INNOVATION
(MCTI), created by Law no. 8.490 of 19
November 1992, taxpayer identification
(C.N.P.J./M.F.) number 03.132.745/0001-
00, with its registered office at Esplanada
dos Ministérios, Bloco E, in Brasília - DF,
hereinafter MCTI, represented herein by its
State Minister, Dr. Clélio Campolina Diniz,
appointed by an unnumbered Decree dated 14
March 2014, bearer of personal identification
card number 05224845, issued by SSP / MG
and taxpayer identification (CPF) number
006416186-20, residing and domiciled in
the city of Brasília-DF, and huawei do
Brasil Telecomunicações Ltda., taxpayer
identification (C.N.P.J./M.F.) number
02.975.504/0001-52, with its registered office
in the city of São Paulo - SP, at Rua Verbo
Divino, 1.400, subsolo ao 3º e 6º ao 8º floor,
Edifício Birmann 10, Chácara Santo Antônio,
in the city of São Paulo, State of São Paulo,
CEP 04719-002, represented by its President
of the Southern Region of South America,
Mr. ke Li, passport number G57385996 and
identity card for foreign RNE V667795-I,
issued by CGPI / DIREX / DPF, hereinafter
hUAWEI.
  WhEREAS the Ministry of Science,
Technology and Innovation:
  1º) coordinates the TI Maior program, a
strategic information technology services and
software program;




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	193




   2º) is interested in promoting service and
software development in Brazil for certain
economic sectors (digital ecosystems), such
as telecommunications and IT;
  3º) is committed to establishing R&D
centers of world-class companies in Brazil;
  4º) is committed to developing Brazilian
technology and science, as the main national
body managing R&D programs, through its
internal structures as well as its agencies to
promote innovation;
  5º) plays an important role in coordinating
and managing various mechanisms to foster
innovation, research and development in the
country.
  FURThERMORE, WhEREAS hUAWEI:
  1º) is part of the global strategy of
hUAWEI, who sees great potential in Brazil
to develop its portfolio of solutions (products
and services);
  2º) is an R&D institution which will
produce innovative solutions for the hUAWEI
portfolio;
  3º) is committed to training IT professionals
in the main technological cornerstones of
hUAWEI:	bulk	data	processing,	cloud
computing and security;
  4º) is committed to developing the Brazilian
software industry by establishing partnerships
with Brazilian IT companies;
  5º) has, as its initial focus, problems of the
Information and Communication Technology
sector such as research, development and
testing of software and applications for cloud
computing;
  6º) is, for this reason, fully aligned with
the TI Maior program coordinated by
the Ministry of Science, Technology and
Innovation.
  SOLVED to enter into this Agreement
on Technical and Scientific Cooperation
(hereinafter), with the goal of promoting
innovation in IT, as the following terms and

conditions:
  CLAUSE ONE - PURPOSE
  1º) to carry out research, development and
innovation for IT services and software in
Brazil;
  2º) to boost competitiveness and improve
Brazils international position in the IT sector;
  3º) to promote innovation and
entrepreneurship in the Brazilian IT market;
  4º) to facilitate the IT sector in becoming
a cornerstone of socio-economic development
for the country.
  CLAUSE TWO - EXECUTION
  The initiatives under this Agreement shall
be carried out in accordance with a plan and
schedule to be drawn up by the Participants,
within 60 (sixty) days of the signing of this
Agreement.
  CLAUSE ThREE - MANAGEMENT OF
WORk
  The work related to the Project under this
Agreement shall be conducted by a committee
comprised of 4 (four) representatives to be
designated on an equal basis by MCTI AND
hUAWEI.
  Paragraph One. The establishment of the
committee and appointment of its members
shall be done within 60 (sixty) days of the
signing of this Agreement.
  Paragraph Two. The Participants, with a
view to properly executing the Project laid out
herein, undertake to:
  MCTI:
  I  indicate, in writing, a representative in
charge of coordinating activities for the Project
under the responsibility of the corresponding
Participant;
  II - work in partnership to plan, implement,
monitor and assess the Project under this
Agreement;
  III - exchange information and documents,
and provide technical/institutional support, as
needed to implement the Project, taking the




194

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




necessary measures to allow use of the logo of
the Federal Government, in compliance with
Clause Six of this Agreement;
  IV  assist in attracting new partners for
the project.
  hUAWEI:
  I  Financially support the project under
the terms agreed to between the Parties, in
accordance with the Action Plan to be defined
between the Parties within 60 (sixty) days of
the signing of this Agreement, which shall
comprise an integral part hereto as Annex I;
  II  Attract partners for the Projects
continuity and expansion;
  III  hire a consultant to create teaching
content and monitor students, as recommended
by the committee created under Clause Three
above;
  CLAUSE FOUR - DURATION
  This Agreement shall have the duration of
12 (twelve) months from its signing, subject
to extension by mutual agreement through the
signing of an addendum; any intent to extend
this Agreement shall be notified at least 30
(thirty) days in advance of its expiration.
  CLAUSE	FIVE	-	COSTS	AND
EXPENSES
  The Participants shall be responsible for
their respective costs in carrying out the
purpose of this Agreement.
  CLAUSE	SIX	-	OWNERShIP	OF
RESULTS AND CONFIDENTIALITY
  The results obtained from carrying out
the purpose of this Agreement shall be
subject to a specific legal instrument, which
shall define each Participants rights and
obligations, to be signed by the Parties
within 60 (sixty) days of the signing of
this Agreement. Such results shall be
different from the information needed for
its performance, which shall remain the
property of its original owner prior to the
performance of work under this Agreement.
   
Single Paragraph. Each of the Participants
shall take the necessary precautions
to safeguard the confidentiality of the
information of the other Participant disclosed
to it in relation to this Agreement.
  CLAUSE SEVEN - PUBLICATION
  MCTI shall publish a summary of this
Agreement, at its own expense, in the Official
Federal Gazette (Diário Oficial da União),
pursuant to article 61, single paragraph, of
Law no. 8.666 of 21 June 1993.
  CLAUSE EIGhT - FORUM
  The Parties hereby elect the Federal Court,
Judiciary Section of the Federal District, to
settle any questions or issues arising from the
performance of this Agreement.
  In witness whereof, the Parties have signed
this Agreement in two counterparts in the
presence of the undersigned witnesses.
  Brasília, July 17th 2014.
  CLéLIO CAMPOLINA DINIz kE LI
  Ministry of Science, Technology and
Innovation President of huawei the Southern
Region of South America.
  Memorandum of Understanding
  between the Brazilian Space Agency and
the China National Space Administration
  on Cooperation in Remote Sensing Satellite
Data and Application
  Brazilian Space Agency (AEB) of the
Federative Republic of Brazil, and China
National Space Administration (CNSA) of
the Peoples Republic of China, hereinafter
referred to as the Parties,
  Recalling the Global Strategic Partnership
Policy adopted by the two countries,
according to the Joint Declaration, signed by
the Brazilian President Dilma Rousseff, and
the Prime Minister of China Wen Jiabao, in
Rio de Janeiro, in 21 June 2012.
  Recalling the Agreement between the
Government of the Federative Republic of
Brazil and the Government of the Peoples




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	195




Republic of China on Cooperation in Peaceful
Applications of Outer Space Science and
Technology, signed in Beijing on November
8th, 1994,
  Recalling the Protocol on Cooperation in
Space Technology between the Government
of the Federative Republic of Brazil and the
Government of the Peoples Republic of
China, signed in Brasilia, on September 21st,
2000,
  Taking into account the 2013-2022 Space
Cooperation Plan between AEB and CNSA
, signed in Guangzhou, on November 6th,
2013,
  Underlining	the	importance	of	the
sustainability and applications of the Program
CBERS  China-Brazil Earth Resources
Satellite,
  Considering the CBERS program as a
symbol of joint cooperation between China
and Brazil, as well as its impact on the
international space community, and
  Wishing to share remote sensing satellite
data, as well as to promote the development of
data applications and their marketing, under
the principles of mutual benefits, and peaceful
application of space technology,
  agree as follows:
  Article 1
  Objectives
  Respecting international principles and
national laws and regulations, this MoU aims
to promote cooperation in the field of remote
sensing satellite data and their applications,
as well as to support economic and social
development	of	both	countries,	while
improving satellite data applications, both
regionally and internationally.
  Article 2
  Areas of Cooperation
  The Parties agree to cooperate under the
following areas:
  1) Earth observation and data exchange;
   
2) Capacity building in remote sensing
activities;
  3) Satellite data application, research and
development of products, and data evaluation;
  4) Satellite data reception, handling and
distribution;
  5) International commercial services of
specific satellite data;
  6) International cooperation on remote
sensing activities with third Parties;
  7) Cross calibration of remote sensing
satellites and instruments;
  8) Any other area agreed by the Parties.
  Article 3
  Principles of Cooperation
  The Parties are committed to reciprocally
providing remote sensing satellite data based
on the safety and capability of their satellites,
as well as mutual data requirements.
  Satellite images of one Partys territory
requested by the Party, which is deposited
in the satellite on-board memory can be
downloaded by the other Party and provided to
the Party. The Party can also directly receive
the data through its own ground facilities at its
own expense.
  Article 4
  Forms of Cooperation
  The Parties agree to:
  1) Provide data products of remote sensing
satellites free of charge in a timely fashion
upon reciprocal request in case of a major
natural disaster;
  2) Provide data products of remote sensing
satellites with the definition equivalent to the
CBERS-4s ones for non-profit applications
free of charge according to mutual agreement
and satellite capability;
  3) Receive and distribute remote sensing
satellites data products, including high
resolution data, under a special agreement of
the Parties;
  4) Provide remote sensing satellites data

   
   

196

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




products and relevant services to third Parties,
by way of entities established by both Parties,
including, but not limited to, joint technical
research centers and joint ventures based on
mutual consensus;
  5) Perform cross calibration of remote
sensing satellites with their calibration fields;
  6) Mutually inform and jointly document
and improve the quality of CBERS images
and develop CBERS standard products;
  7) Support the development of remote
sensing satellites data software and data
application for disaster mitigation, as well as
in land survey;
  8) Support the development of remote
sensing instruments and associated systems.
  Article 5
  Implementation Bodies
  The	Parties	agree	to	designate	the
Brazilian National Institute of Space Research
(INPE) and the China Center of Resources
Satellite Data and Application (CRESDA)
as	the	Implementation	Bodies	for	the
cooperation projects under this MoU. These
implementation bodies will establish a joint
expert group to carry out the relevant work.
  Each activity and project under this MoU
can be subject to a specific implementation
agreement proposed by the Implementation
Bodies to be approved by the Parties,
according to their management procedures.
  Article 6
  Intellectual Property Rights
  The Parties shall protect the intellectual
property rights involved in the data provided
under this MoU. No data will be disclosed to
third Parties without the written consent of
both Parties.
  The Parties shall clearly identify the
classifications and data sources on their
application products, or other derived data
products.
  Article 7
   
Confidentiality
  Each Party undertakes to protect and keep
confidential any information regarding this
MoU or furnished by the other Party to carry
out the cooperative activities under this MoU,
and shall not disclose any such information
to any third Party without the prior written
consent of the other Party.
  Article 8
  Duration and Termination
  This MoU shall enter into force upon
signature, remaining in force for three years.
  The termination of this agreement shall not
affect the completion of any existing projects
undertaken by the Parties.
  Done in Brasilia on July 17th 2014, in
duplicate, in the Portuguese, Chinese and
English, all three texts being equally authentic.
In case of any difference of interpretation, the
English text shall prevail.
  TEChNICAL         SCIENTIFIC
COOPERATION AGREEMENT BY
AND BETWEEN ThE  FEDERAL
GOVERNMENT, ThROUGh   ThE
MINISTRY OF SCIENCE, TEChNOLOGY
AND INNOVATION AND BAIDU
hOLDINGS LIMITED TO PROMOTE
ThE DEVELOPMENT OF INTERNET
SERVICES AND TEChNOLOGIES IN
BRAzIL.
  ThE  FEDERAL GOVERNMENT,
through the MINISTRY OF SCIENCE,
TEChNOLOGY  AND INNOVATION
(MCTI), created by Law No. 8.490 of
November 19, 1992, taxpayer identification
(C.N.P.J./M.F.) number 03.132.745/0001-
00, with its registered office at Esplanada
dos Ministérios, Bloco E, in Brasília - DF,
hereinafter MCTI, represented herein by its
State Minister, Dr. CLéLIO CAMPOLINA
DINIz, appointed by an unnumbered Decree
dated March 14, 2014, bearer of personal
identification card number 05224845, issued




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	197




by SSP / MG and taxpayer identification
(CPF) number 006416186-20, residing and
domiciled in the city of Brasília-DF, and
BAIDU hOLDINGS LIMITED, located at
Baidu Campus in the city of Beijing, China,
at Shangdi 10th Street, No. 10, district of
haidian, represented by its legal representative,
hereinafter BAIDU, who can be referred
individually as PARTY or collectively as
PARTIES in this Technical Cooperation
Agreement, hereinafter AGREEMENT,
  WhEREAS the MCTI:
  1) coordinates the TI Maior Program, a
strategic program of software and information
technology services;
  2)	coordinates	the	Startup	Brazil
Program, a strategic support program to the
development of startups;
  3) coordinates, with the Ministry of
Education, the Science Without Borders
Program, an educational program which aims
to provide academic scientific and professional
experiences abroad for Brazilian students;
  4)isinterestedinpromotingthedevelopment
of internet services and technologies in Brazil
for all economic sectors (digital ecosystems),
detailed at TI Maior Program;
  5) is committed to the establishment of
research and development (R&D) centers of
world-class companies in Brazil;
  6) is committed to the Brazilian scientific
and technologic development, as the main
national body managing R&D programs,
through its internal structures as well as its
agencies of innovation promotion;
  7) plays an important role in coordinating
and managing various mechanisms to foster
innovation, research and development in the
country.
  Furthermore, WhEREAS BAIDU:
  1) sees great potential in Brazil for the
development	of	its	internet	technology
portfolio (products and services), as part of its

global strategy;
  2) has important initiatives in R&D, which
aims to produce innovative solutions for its
global portfolio of internet technologies;
  3) intends to train professionals in the
field of internet technology, according to the
technological pillars of TI Maior Program;
  4) is committed to the development of
the internet industry in Brazil and to the
establishment of partnership with Brazilian
companies;
  5) considers extremely important the
development of startup companies in Brazil
and studies how to support initiatives through
its portfolio of internet products and services;
  6) intends to support the professional
education and training of Brazilian young
engineers in the internet era;
  sign this AGREEMENT on Technical and
Scientific Cooperation, based in the legislation
in force, which will be ruled by the following
clauses and conditions, expressly agreed by
the PARTIES:
  CLAUSE ONE  OBJECT
  Constitutes the object of thisAGREEMENT
the cooperation between the Parties in
order to promote the innovation in internet
technologies in Brazil.
  CLAUSE TWO  PURPOSE
  This AGREEMENT is intended to:
  I. To conduct research and development of
internet services and technologies in Brazil;
  II. To raise the competitiveness and
improve the international position of Brazil in
the internet sector;
  III. To promote the innovation,
entrepreneurship and professional training in
the internet market in Brazil.
  CLAUSE ThREE  EXECUTION
  The actions described in thisAGREEMENT
will be executed accordingly the plan and work
schedule to be elaborated by the participants,
which will be based on the terms exposed in




198

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




the ANNEX of this instrument, which makes
and bonds the PARTIES
  First sub clause. The plan and work
schedule will be planed and agreed jointly by
the PARTIES
  CLAUSE FOUR  MANAGEMENT OF
WORk
  The activities related to this AGREEMENT
Work Plan will be conducted by a commission
comprised of 4 (four) representatives to be
equally designated by the PARTIES.
  First Subclause. The designation of the
commission must occur 60 (sixty) days after
the signing of this AGREEMENT.
  CLAUSE	FIVE		PARTIES
OBLIGATIONS
  The parties obligations commonly consist
of:
  I. To fulfill the terms of this AGREEMENT;
  II. To discuss, analyze and implement
measures, aiming the fulfillment of the agreed
objective;
  III. To share data and information needed
to comply the object, using them exclusively
to the achievement of this AGREEMENT;
  IV.	To	constitute	a	working	group
responsible for the elaboration of technical
studies and other necessary documents;
  V. To indicate, in writing, a representative
who will be responsible for coordinating
activities related to the Work Plan;
  VI.	To	work	together	in	planning,
implementation, review and evaluation of the
Work Plan object of the AGREEMENT;
  VII. To support the prospection for new
partners for the project;
  VIII. To support the achievement of the
objectives of the cooperation in accordance
with the Work Plan after the signing of the
AGREEMENT;
  IX. To attract partners to the continuity and
expansion of the Work Plan, if necessary.
  CLAUSE SIX  FUNDING
   
This instrument does not involve the
transfer of financial resources by the
PARTIES, therefore each signatory will apply
its own resources in its respective activities.
  First subclause. If budgetary and
financial resource allocation is needed for
the implementation of activities of this
AGREEMENT, funds will be allocated and
transferred though the celebration of a specific
instrument, in accordance with the rules
applicable to the matter.
  Second Subclause. Each PARTY must
be financially responsible for its own costs,
expenses and fees related to the negotiation,
preparation, execution and performance of
the AGREEMENT and of every document
referred to in it.
  CLAUSE SEVEN  DURATION
  This AGREEMENT will have a duration
of 36 (thirty six) months from the date of its
signature, and may be extended, according to
the Parties consent, by means of an additive
term.
  CLAUSE EIGhT  AMENDMENTS
  During the period of its validity, the
present AGREEMENT may be amended
through the conclusion of an additive term,
requested at least 30 (thirty) days in advance,
subject to detailed justification and proposal
to be mutually accepted by the Participants, in
compliance with the legal provisions in force
on the matter.
  CLAUSE NINE  OWNERShIP OF
RESULTS
  The property of the results obtained by
the implementation of the object of this
AGREEMENT shall be defined by the Parties
in the Work Plan, a part from the information
necessary for its achievement, which remain
under the ownership of those who previously
carried out the work in the frame of this
AGREEMENT.
  First Sub clause. Existing intellectual

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	199




property rights of the PARTIES and those that
are not a result of the efforts made jointly in
this AGREEMENT will be preserved.
  CLAUSE TEN - CONFIDENTIALITY
  The Parties must maintain discretion and
confidentiality and must not disclosure to
third parties or use for any other purpose
other than compliance with the terms and
conditions of this AGREEMENT, any non-
public information, such as:
  I. Business plan, financial report, financial
data, labor data, lists, forecasts, strategies and
other business information;
  II. Software codes and firmware, product
design	and	specifications,	algorithms,
computer programs, mask works, inventions,
unpublished patent applications, technical
or	scientific	manufacturing	know	how,
specifications, technical drawings, diagrams,
schemes, technology, processes;
  III. Any other trade secret, discovery,
ideas,	concepts,	know-how,	technique,
material, formula, composition, information,
data, results, plan, research, and / or reports
of a technical nature or relating to Research
and Development and / or activities of the
other PARTY without its prior written consent
(CONFIDENTIAL INFORMATION)
  First Subclause. Every CONFIDENTIAL
INFORMATION shall remain property of the
PARTY to whom it belongs and its openness
to the other PARTY does not give the latter
any property beyond that provided in this
AGREEMENT.
  Second Subclause. Each PARTY shall
take the necessary precautions to safeguard
the confidentiality of information relating to
the other PARTY, which has been accessed in
connection with this AGREEMENT.
  CLAUSE ELEVEN - COMPLAINT AND
TERMINATION
  This AGREEMENT may be terminated by
any of the Parties, by notice in writing, at least

thirty (30) days in advance.
  First Subclause. On the assumption of
termination mentioned in this Clause, no
penalty will be imposed to the Parties.
  CLAUSE TWELVE - JURISDICTION
AND OMISSIONS
  Omissions, doubts or any differences arising
from the execution of this AGREEMENT shall
be settled by the Parties by mutual agreement
and in accordance with specific legislation.
  First Subclause. If any dispute cannot be
resolved directly by the PARTIES, arbitration
may be chosen intending to solve the conflict.
  Second Subclause. If there is no agreement
between the PARTIES for the election of an
arbitral forum, the Brazilian Federal Supreme
Court will be elected for settlement of the
dispute, in accordance with Article 102,
subsection I, subparagraph f of the Brazilian
Federal Constitution.
  Third Subclause. This AGREEMENT shall
be ruled in Portuguese, Chinese and English
languages, and no translation hereof in any
other language shall have any force or effect
in the interpretation of the AGREEMENT and
in determining commitment of the PARTIES.
  CLAUSE ThIRTEEN - GENERAL
PROVISIONS
  In addition to the provisions previously
presented, the PARTIES declare awareness
and are bound by the obligations below:
  I. Implementation of the AGREEMENT
between the Parties does not create any
financial obligation to them;
  II. No PARTY may outsource or
transfer its rights and obligations under this
AGREEMENT without the prior consent of
the other;
  III. The AGREEMENT will be binding,
beneficial and executable by the PARTIES
and subsequent successors or representatives;
  IV. Any person who is not a PARTY to this
AGREEMENT shall not acquire or possess




200

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




the right to run the planned activities;
  V. The AGREEMENT comprises the
full cooperation between the Parties and
substitutes all prior and current agreements
and understandings, whether oral or written,
between the PARTIES related to the subject of
this AGREEMENT;
  VI. Except in cases of fraud, no PARTY
shall	be	liable	for	its	representations,
warranties, covenants and agreements, except
those obligations hereunder.
  CLAUSE FOURTEEN - SIGNATURE
AND PUBLICATION
  The AGREEMENT shall be signed in 02
(two) copies of equal content and form in the
presence of two witnesses.
  First Subclause. The Federal Government /
MCTI will publish, at its expense, a summary
of this AGREEMENT, in the Official Gazette,
on time and in the form of Article 61, sole
paragraph of the Law No. 8666 of June 21,
1993.
  And being in full agreement, the signatories
have signed this AGREEMENT in two copies
of equal content and form in the presence of
two witnesses, for all legal purposes.
  Brasilia, 17th of July of 2014.
   
  VISITA AO BRASIL DO PRESIDENTE DA
 COMISSãO EUROPEIA  BRASíLIA E RIO
  DE JANEIRO, 17 A 21 DE JULhO DE 2014
  
  O Presidente da Comissão Europeia, José
Manuel Durão Barroso, visitará o Brasil
de 17 a 21 de julho de 2014. Na ocasião,
será recebido pela Senhora Presidenta da
República e cumprirá agenda em Brasília e no
Rio de Janeiro.
  A União Europeia, em seu conjunto, é a
principal parceira comercial do Brasil. Em
2013, o volume do intercâmbio comercial
somou US$ 98,5 bilhões, o equivalente a

mais de 20% do comércio exterior brasileiro.
Os investimentos diretos europeus no Brasil
montaram, no ano passado, a US$ 24,5
bilhões, equivalente a 50% do total investido
no País.

 CONFLITO ENTRE ISRAEL E PALESTINA
                            23/07/2014
                               
  O Governo brasileiro considera inaceitável
a escalada da violência entre Israel e
Palestina. Condenamos energicamente o uso
desproporcional da força por Israel na Faixa
de Gaza, do qual resultou elevado número de
vítimas civis, incluindo mulheres e crianças.
  O Governo brasileiro reitera seu chamado
a um imediato cessar-fogo entre as partes.
  Diante da gravidade da situação, o Governo
brasileiro votou favoravelmente a resolução
do Conselho de Direitos humanos das Nações
Unidas sobre o tema, adotada no dia de hoje.
  Além disso, o Embaixador do Brasil em Tel
Aviv foi chamado a Brasília para consultas.

   CúPULA DE ChEFES DE ESTADO DO
  MERCOSUL E ESTADOS ASSOCIADOS
   E XLVI REUNIãO DO CONSELhO DO
MERCADO COMUM - CARACAS, 28 E 29
                   DE JULhO DE 2014
                            07/08/2014
                               
  A Presidenta Dilma Rousseff participará,
em Caracas, no dia 29 de julho, da Cúpula dos
Chefes de Estado do MERCOSUL e Estados
Associados. O encontro dos Chefes de Estado
será precedido pela XLVI Reunião do Conselho
do Mercado Comum do MERCOSUL (CMC),
a ser realizada no dia 28 de julho.
  Os países do bloco representam cerca de
72% do território e 70% da população de




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	201




todo o continente sul-americano, acumulando
80% do PIB da região, 58% dos ingressos
de investimento estrangeiro direto e 65% do
comércio exterior.

  DOCUMENTOS APROVADOS NA XLVI
   CúPULA DE ChEFES DE ESTADO DO
 MERCOSUL E ESTADOS ASSOCIADOS -
       CARACAS, 29 DE JULhO DE 2014
                            07/08/2014
  COMUNICADO	CONJUNTO	DAS
PRESIDENTAS E DOS PRESIDENTES
DOS ESTADOS PARTES DO MERCOSUL
  COMUNICADO	CONJUNTO	DAS
PRESIDENTAS E DOS PRESIDENTES
DOS ESTADOS PARTES DO MERCOSUL
E ESTADOS ASSOCIADOS
  DECLARAçãO	ESPECIAL	DOS
ESTADOS PARTES DO MERCOSUL EM
RESPALDO à REPúBLICA ARGENTINA
EM DEFESA DA REESTRUTURAçãO DE
SUA DíVIDA SOBERANA
  COMUNICADO	DOS	ESTADOS
PARTES SOBRE O BANCO DO SUL
  DECLARAçãO	CONJUNTA	DOS
ESTADOS	PARTES	DO	MERCADO
COMUM DO SUL (MERCOSUL) PARA
PROMOVER	O	ESTABELECIMENTO
DE	UMA	zONA	ECONôMICA
COMPLEMENTAR ENTRE OS ESTADOS
PARTES DO MERCADO COMUM DO SUL
(MERCOSUL), OS PAíSES MEMBROS
DA ALIANçA BOLIVARIANA PARA OS
POVOS DE NOSSA AMéRICA (ALBA-
TCP),	OS	PAíSES	MEMBROS	DA
PETROCARIBE E OS MEMBROS DA
COMUNIDADE DO CARIBE (CARICOM)
  COMUNICADO	ESPECIAL	SOBRE
OS	DIREITOS	DAS	CRIANçAS	E
ADOLESCENTES	MIGRANTES	NãO
ACOMPANhADOS
   
DECLARAçãO  COMO CIDADãO
ILUSTRE DO MERCOSUL DO SR.
PRESIDENTE E COMANDANTE DA
REVOLUçãO BOLIVARIANA, hUGO
CháVEz FRíAS
  DECLARAçãO  COMO CIDADãO
ILUSTRE DO MERCOSUL DO EX-
PRESIDENTE DA REPúBLICA
ARGENTINA SENhOR NéSTOR CARLOS
kIRChNER
  COMUNICADO CONJUNTO DAS
PRESIDENTAS E DOS PRESIDENTES
DOS ESTADOS PARTES DO MERCOSUL
  A Presidenta da República Argentina,
Cristina Fernández de kirchner; a Presidenta
da República Federativa do Brasil, Dilma
Rousseff; o Presidente do Estado Plurinacional
da Bolívia, Evo Morales; o Presidente da
República do Paraguai, horacio Cartes; o
Presidente da República Oriental do Uruguai,
José Mujica Cordano; e o Presidente da
República Bolivariana da Venezuela, Nicolás
Maduro Moros, reunidos em Caracas, no dia
29 de julho de 2014, por ocasião da XLVI
Reunião Ordinária do Conselho do Mercado
Comum:
  1. Manifestaram sua satisfação pela
participação, como convidados especiais,
do Presidente da República de El Salvador,
Salvador Sánchez Cerén; do Primeiro
Ministro de Antígua e Barbuda, Gaston
Browne; do Primeiro Ministro de São Vicente
e Granadinas, Ralph Gonsalves; e do Vice-
Presidente da Nicarágua, Omar halleslevens.
  2. Saudaram a participação do Secretário-
Geral da União das Nações Sul-Americanas
(UNASUL), Alí Rodríguez Araque; do
Secretário Executivo da Aliança Bolivariana
para os Povos de Nossa América  Tratado
de Comércio dos Povos (ALBA-TCP),
Bernardo álvarez; do Secretário Executivo
da PETROCARIBE, Asdrúbal Chávez; do
Presidente Executivo da Corporação Andina




202

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




de Fomento (CAF), Luis Enrique García
Rodríguez; do Oficial a Cargo da Secretaria
da Comissão Econômica para América Latina
e o Caribe (CEPAL), Luis F. Yáñez; do
Coordenador Residente das Nações Unidas
na Venezuela em representação do PNUD,
Niky Fabiancicy, e demais representantes de
Organismos Internacionais.
  3. Reiteraram seu compromisso com a
democracia, a ordem constitucional e o Estado
de Direito, o respeito irrestrito dos Direitos
humanos, e a consolidação da América do Sul
como uma zona de paz.
  4. Destacaram a importância da integração
regional como prioridade estratégica para a
América do Sul e reafirmaram o compromisso
com o desenvolvimento dos alicerces político
e cidadão, enfatizando na dimensão social do
MERCOSUL.
  Reafirmaram, ainda, seu compromisso de
continuar o impulso decidido ao processo
de integração regional e reafirmaram o
MERCOSUL como um espaço político,
econômico, social e cultural, promotor da
multipolaridade e a construção de um mundo
mais justo e solidário.
  5. Ratificaram sua condenação a todo tipo
de violência e intolerância que busque atentar
contra a democracia e suas instituições, tais
como os lamentáveis sucessos que ameaçaram,
no começo do ano, a ordem democrática
legalmente constituída pelo voto popular
na República Bolivariana da Venezuela.
Nesse sentido, valoraram o importante apoio
desenvolvido pela UNASUL, em particular,
por	sua	Comissão	de	Chanceleres, no
processo de diálogo na República Bolivariana
da Venezuela.
  6. Ratificaram a necessidade de aprofundar,
desde uma perspectiva multidimensional, na
adoção e implementação de políticas públicas
destinadas a satisfazer as necessidades dos
povos, erradicar a fome e a pobreza, e garantir

a justiça e a inclusão social, política, produtiva
e econômica dos nossos povos.
  7. Reafirmaram sua vontade de impulsionar
políticas econômicas que favoreçam
a produtividade e o desenvolvimento
sustentável, ao mesmo tempo que
estimulem a cooperação, a solidariedade e a
complementaridade econômica.
  Por isso coincidiram em que o
fortalecimento do crescimento interno, de
seus setores produtivos e de seus níveis de
emprego formal, constituem as melhores
contribuições para impulsionar o comércio e
sustentar a recuperação econômica mundial.
  Em tal sentido, destacaram a importância
das políticas ativas que incentivam a
industrialização e a inclusão social como
instrumentos efetivos para alcançar o emprego
de qualidade, o investimento produtivo e uma
melhor distribuição da renda.
  8. Congratularam-se pelo desempenho
da República Bolivariana da Venezuela no
exercício da Presidência Pro Tempore do
MERCOSUL, o que constitui um passo no
caminho para a união sul-americana, ao
mesmo tempo que consolida a Venezuela
como Estado Parte.
  9. Ratificaram o apoio à República Oriental
do Uruguai em face de qualquer interferência
da indústria multinacional de fumo na
implementação de políticas de controle de
tabaco, que atente contra o direito soberano
dos Estados a definirem suas políticas de
saúde, conforme o apontado no Artigo V da
Convenção-Quadro da Organização Mundial
da Saúde para o Controle do Tabaco.
  Deram as boas-vindas à recente abertura
do Centro de Cooperação Internacional
para o Controle do Tabaco do Ministério da
Saúde Pública do Uruguai (CCICT), o qual,
em coordenação com a Secretaria da referida
Convenção, terá por funções desenvolver,
analisar, sintetizar e disseminar o conhecimento




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	203




e a informação relativa aos assuntos de sua
experiência, tais como ambientes livres de
fumaça, advertências sanitárias e tratamentos
de cessação do tabagismo.
  10. Destacaram o iminente lançamento do
Arsat 1, primeiro satélite geoestacionário de
telecomunicações, desenhado, construído e
testado inteiramente na República Argentina,
o que sem dúvida constitui um marco no
desenvolvimento tecnológico regional. O
Arsat 1 oferecerá uma ampla variedade de
serviços em telecomunicações, tais como
televisão, telefonia e Internet, possibilitando
uma cobertura completa da Argentina, Chile,
Uruguai e Paraguai, esperando estendê-la
proximamente a todo o continente com os
satélites Arsat 2 e 3.
  11. Congratularam-se pela recente entrada
em órbita do satélite AntelSat, primeiro
satélite desenvolvido e construído em sua
totalidade pela República Oriental do Uruguai,
sendo	um	empreendimento	científico	e
acadêmico que permite o desenvolvimento de
novas capacidades tecnológicas próprias no
mencionado país.
  12. Reiteraram a necessidade de promover
o crescimento e o desenvolvimento dos
Estados Partes do MERCOSUL a fim de
reduzir as assimetrias existentes e, nesse
contexto,	manifestam	a	importância	do
funcionamento	de	mecanismos	efetivos
para superar as dificuldades que enfrenta o
Paraguai como país em desenvolvimento
sem litoral, e comprometeram-se para a plena
implementação da Decisão CMC N° 33/07
sobre o Plano Estratégico para a Superação
das Assimetrias no MERCOSUL e da Decisão
CMC N°19/11 sobre Liberdade de Trânsito.
  13.	Reconheceram	com	agrado	a
participação e as contribuições da República
da Guiana e a República do Suriname no
processo de aproximação ao MERCOSUL
durante as Reuniões Ministeriais convocadas

pela Presidência Pro Tempore da Venezuela.
  14. Congratularam-se pelos avanços em
matéria de desenvolvimento e fortalecimento
político e institucional da União de Nações
Sul-Americanas, UNASUL, e reconheceram
sua condição de espaço natural de articulação
com o MERCOSUL no processo de fortalecer
o papel da região como um ator estratégico no
cenário mundial.
  Em tal sentido, manifestaram seus desejos
de sucesso à República Oriental do Uruguai
no exercício da Presidência Pro Tempore da
UNASUL, que assumirá no próximo 22 de
agosto de 2014, por ocasião da VIII Reunião
Ordinária do Conselho de Chefas e Chefes
de Estado e de Governo da União, e que dará
início à nova etapa no processo de integração
sul-americano, a partir da identificação das
prioridades estratégicas regionais.
  15. Receberam com beneplácito a aprovação
da Decisão CMC N° 17/14, mediante a qual
é criada a Reunião de Autoridades sobre
Privacidade e Segurança da Informação e
Infraestrutura Tecnológica do MERCOSUL.
  Destacaram a realização da Reunião Global
de Múltiplas Partes Interessadas sobre o Futuro
da Governança da Internet (Net Mundial, São
Paulo, 23 e 24 de abril de 2014) e a aprovação
de sua Declaração Multissetorial.
  16. Celebraram a criação do MERCOSUL
Indígena como um espaço que, juntamente
com as organizações e movimentos sociais
da Região, propiciará a união dos povos
da América índia originária, valorando sua
cosmovisão e resgatando os saberes ancestrais
para o resguardo e proteção da Mãe Terra.
  Ainda, receberam com beneplácito a
criação da Reunião de Autoridades sobre
Povos Indígenas do MERCOSUL (RAPIM)
e a aprovação do Plano de Ação da Ciudad
Bolivar, como um mecanismo para visibilizar
os povos indígenas da região.
  17. Tomaram nota, com satisfação, do

   
   

204

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




relatório de atividades semestrais do Alto
Representante-Geral do MERCOSUL ao
ConselhodoMercadoComum.Reconheceram,
em particular, o papel do Alto Representante
nas iniciativas na área de integração produtiva,
bem como sua atuação nos contatos com a
Bolívia, Guiana e Suriname.
  18.	Receberam	com	beneplácito	a
proposta venezuelana de promover uma
zona	Econômica	Complementar	entre
MERCOSUL, ALBATCP, PETROCARIBE
e CARICOM que busca a integração e a
complementaridade econômica entre as Partes
para avançar no processo de integração da
América Latina e Caribe como instrumento
para impulsionar o desenvolvimento integral,
enfrentar a pobreza e a exclusão social,
baseado na complementação, a solidariedade,
a cooperação e o reconhecimento das distintas
categorias de desenvolvimento econômico
existentes entre as partes.
  19. Celebraram a realização do Primeiro
Encontro MERCOSUL Operário, realizado
em Caracas nos dias 14 e 15 de fevereiro de
2014, e tomaram nota da aprovação por parte
do GMC dos três primeiros eixos contidos na
ajuda-memória do mencionado encontro.
  20. Manifestaram seu reconhecimento aos
avanços alcançados durante a Presidência
Pro Tempore da Venezuela no processo de
Adesão do Estado Plurinacional da Bolívia ao
MERCOSUL. Nesse sentido, agradeceram os
trabalhos levados a cabo pela Delegação da
Bolívia, que permitiram um desempenho bem
sucedido nas instâncias de discussão.
  21.	Tomaram	nota	dos	avanços	no
andamento do Banco do Sul, entidade que
fortalecerá a integração da nossa região
mediante o desenvolvimento de novas fontes
de financiamento e que terá como objetivo
impulsionar projetos prioritários para nossos
povos, com ênfase no combate à pobreza, a
redução das assimetrias, o desenvolvimento

do comércio, e a promoção de setores chaves
da economia.
  22. Sublinharam a importância estratégica
do Fundo para a Convergência Estrutural do
MERCOSUL (FOCEM) como ferramenta
para combater as assimetrias, fomentar
a convergência estrutural, e a integração
produtiva dos países do bloco, desenvolver
a competitividade, promover a coesão social
e o bem-estar dos povos, em particular das
economias menores e das regiões menos
desenvolvidas, e apoiar o funcionamento
da estrutura institucional e o fortalecimento
do processo de integração. Em tal sentido,
lembraram que, desde 2007, foram aprovados
45 Projetos que perfazem um valor total de
USD 1.450 milhões dos quais USD 987,3
milhões correspondem a recursos provenientes
do FOCEM. Nesse contexto, salientaram a
recente inauguração do sistema de transmissão
elétrica Itaipu-Villa hayes, o projeto de maior
porte financiado com recursos do FOCEM.
  Expressaram sua satisfação pela aprovação
dos seguintes projetos durante a PPTV: -
Projeto Reabilitação da Rota 8 Treinta y Tres
 Melo / Trecho I: km 310 a km 338; - Projeto
Reabilitação da Rota 8 Treinta y Tres  Melo
/ Trecho II: km 366 a km 393,1.
  Ainda, salientaram o trabalho da CRPM
na coordenação das atividades do Comitê
MERCOSUL Livre de Febre Aftosa (CMA)
e tomaram nota de que o Projeto FOCEM
Programa de Ação MERCOSUL Livre de
Febre Aftosa (PAMA) se encontra na etapa
final de execução e que as ações regionais
coordenadas desenvolvidas no âmbito do
referido Projeto têm sido muito positivas para
o combate à febre aftosa na região. Ressaltaram
a colaboração técnica e financeira regional
prestada pela Bolívia através deste Projeto,
que resultou fundamental para que alcançar a
certificação zona Livre de Febre Aftosa com
vacina.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	205




   Igualmente, sublinharam a importância de
se avançar na elaboração e apresentação de
um Projeto PAMA II.
  Ratificaram a necessidade de avançar
decididamente, na brevidade possível, nas
adequações	normativas	que	permitirão
ampliar e fortalecer o FOCEM para adaptá-
lo à configuração atual do MERCOSUL e
garantir sua continuidade.
  23. Apoiaram o desenvolvimento de
software livre, que permitirá potenciar o
desenvolvimento regional de soluções em
matéria de Tecnologia da Informação e
Comunicação (TIC), a fim de alcançar uma
verdadeira apropriação, promoção do livre
conhecimento e transferência tecnológica,
reduzindo a dependência de soluções providas
por transnacionais do setor ou por empresas
não dispostas a respeitar as indústrias
nascentes da região.
  Reiteraram, ainda, o interesse de promover
o uso de software livre nos programas
nacionais destinados à inclusão digital.
  Ratificaram a necessidade de impulsionar e
fomentar a concretização de normas no âmbito
do MERCOSUL para o efetivo desenho de
políticas de fomento, uso, desenvolvimento,
implementação,	pesquisa	e	transferência
tecnológica baseados no modelo de software
livre.
  24.	Reconheceram	a	importância	do
desenvolvimento das TIC para o progresso
socioeconômico e cultural de suas nações,
para o qual salientaram o papel que possui a
massificação da banda larga e o desdobramento
da infraestrutura. Em particular, instaram a
realizar esforços para alcançar acordos em
matéria de roaming de voz e dados, com o
propósito de melhorar a qualidade do serviço
e diminuir os preços finais para os usuários
dos Estados Partes.
  25. Reafirmaram seu repúdio a toda
pretensão de apropriação, sem o devido

consentimento dos países da região, de
qualquer domínio da Internet de primeiro
nível referido a nomes geográficos, históricos,
culturais ou naturais, os quais devem ser
preservados como parte de seu patrimônio e
identidade cultural destes países.
  26. Recordaram que a mineração, os
minerais e os metais contribuem para
o desenvolvimento econômico, social
e tecnológico dos países da região, em
conformidade com os resultados da Cúpula
Mundial de Desenvolvimento Sustentável de
2002 e a Cúpula Mundial Rio+20, de junho
de 2012, permitindo atrair investimentos com
geração de empregos e maiores oportunidades
dos fornecedores locais de serviços.
  27. Expressaram seu beneplácito pelo
trabalho que realizam as máximas autoridades
ambientais do MERCOSUL em consolidar
o valor estratégico dos recursos naturais do
bloco através da coordenação de políticas que
promovam o valor agregado desses recursos,
mediante práticas de produção sustentável.
  Em tal sentido, ratificaram a disposição
firmada pela XVIII Reunião de Ministros do
Meio Ambiente do MERCOSUL (RMMA)
de coordenar a Agenda Ambiental do
MERCOSUL com base no desenvolvimento
de cinco linhas estratégicas acordadas que
permitirá aprofundar os compromissos dos
países para a conservação do ambiente e o
desenvolvimento de programas destinados
a promover a inclusão social e a cooperação
sob todas suas formas, incluída a Cooperação
Sul  Sul.
  Celebraram a inauguração, no dia 8 de
agosto, na cidade de Buenos Aires, República
Argentina, do evento MERCOSUL Produz
Sustentavelmente que se realizará no
âmbito do Projeto de Cooperação entre o
MERCOSUL e a União Europeia, denominado
ECONORMAS, de apoio ao aprofundamento
do processo de integração econômica e o




206

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




desenvolvimento sustentável da região.
  Salientaram a liderança dos Estados Partes
no processo de consulta que teve lugar no
Grupo de Trabalho de Composição Aberta
sobre os Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável, através do qual os Estados
identificaram os objetivos que irão nortear a
agenda do desenvolvimento sustentável nos
próximos anos, incluindo a dimensão social,
econômica e ambiental do desenvolvimento
de nossa região.
  Saudaram a próxima entrada em vigor, em
outubro de 2014, do Protocolo de Nagoya sobre
Acesso a Recursos Genéticos e a Repartição
Justa e Equitativa dos Benefícios Advindos de
sua Utilização e sublinharam sua relevância
para o reconhecimento da soberania dos
Estados Partes sobre seus recursos genéticos.
  Manifestaram	a	importância	para	o
MERCOSUL da decisão anunciada pelo
PNUMA na passada Assembleia Ambiental da
ONU sobre a pronta abertura de um escritório
sub-regional sul-americano do mencionado
Programa na cidade de Montevidéu, Uruguai,
que poderá apoiar os esforços da Reunião de
Ministros do Meio Ambiente do MERCOSUL
(RMMA) na área da proteção ambiental.
  Saudaram a assinatura por parte dos Estados
Partes do MERCOSUL da Convenção de
Minamata sobre Mercúrio, a qual representa
um	importante	avanço	da	comunidade
internacional na implementação de medidas
voltadas a proteger a saúde e o ambiente das
emissões e liberações de mercúrio, ao mesmo
tempo que sublinharam a importância de sua
pronta ratificação e entrada em vigor precoce
em nível global.
  Auguraram o maior sucesso para a 12ª.
Conferência das Partes da Convenção sobre
zonas úmidas (Convenção de Ramsar), a
qual acontecerá em Punta del Este, Uruguai,
de 1° a 9 de junho de 2015, sob o lema zona
úmidas para Nosso Futuro, salientando

a importância da biodiversidade das zonas
úmidas e seu potencial para os Estados Partes.
  28. Destacaram os avanços do trabalho
conjunto das Aduanas na implementação do
Programa de Gestão do Risco Aduaneiro
do MERCOSUL e do Programa intra-
MERCOSUL de Segurança Aduaneira na
Cadeia de Suprimento de Bens tendentes à
harmonização dos procedimentos e controles
aduaneiros.
  29. Reconheceram o significativo avanço
registrado durante a Presidência Pro Tempore
da Venezuela rumo à adoção e implementação
da Patente (Placa ou Chapa) MERCOSUL, na
brevidade possível.
  30. Destacaram a grande importância de se
colocar o emprego como centro das políticas
econômicas e sociais do MERCOSUL
ao serviço dos povos e, em tal sentido,
sublinharam o papel dos órgãos Sociolaborais
para a consecução do objetivo do respeito e
cumprimento dos direitos do trabalho.
  31.Manifestaramanecessidadedecontinuar
aprofundando as tarefas realizadas no âmbito
do Plano de Circulação de Trabalhadores do
MERCOSUL, com o objeto de contribuir
para a livre circulação de trabalhadores na
sub-região, a partir de políticas de emprego, o
reconhecimento da formação e certificação de
competências, com especial ênfase nas zonas
de fronteira.
  32. Expressaram o compromisso de
continuar impulsionando as ações contidas
no Plano Regional para a Prevenção e
a Erradicação do Trabalho Infantil no
MERCOSUL e no Plano Regional de Inspeção
do Trabalho do MERCOSUL, valorando,
ainda, a iniciativa do SGT N° 10 de elaborar
um plano regional sobre Saúde e Segurança
no Trabalho do MERCOSUL e a incorporação
do comércio de pessoas em sua agenda de
trabalho.
  33. Salientaram o consenso atingido

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	207




pelo setor governamental, empresarial e
sindical no âmbito da Comissão Sociolaboral
do MERCOSUL em matéria de direitos
trabalhistas individuais e coletivos, o qual
constitui um avanço substantivo no processo
de revisão da Declaração Sociolaboral do
MERCOSUL e instaram a realizar os máximos
esforços para culminar a mencionada tarefa.
  34. Reconheceram os avanços realizados
conjuntamente para o desenvolvimento de um
sistema de vigilância da saúde para América
do Sul  VIGISAS e saudaram a aprovação da
Estrutura da Farmacopeia do MERCOSUL.
  35. Saudaram e apoiaram os avanços
realizados pela X Reunião Especializada de
Redução de Riscos de Desastres Socionaturais,
a Defesa Civil, a Proteção Civil, e a Assistência
humanitária do MERCOSUL (REhU), que
contribuirá para melhorar os mecanismos
de coordenação e cooperação sub-regionais
na matéria, e para a construção de posições
compartilhadas nos distintos foros sub-
regionais, regionais e globais que abordam a
gestão do risco de desastres e a coordenação
da	assistência	humanitária	internacional.
Saudaram, também, que a Secretaria Técnica
da REhU será assumida pela Venezuela.
  36. Tomaram nota dos trabalhos realizados
no âmbito da Reunião Especializada de
Defensores Públicos Oficiais (REDPO) em
matéria de respeito aos Direitos humanos,
direitos dos trabalhadores migrantes, na
luta contra o tráfico de pessoas, bem como
os avanços em programas de cooperação
e intercâmbio entre Defensores Públicos
Oficiais e a incorporação de tecnologias da
informação. De igual maneira, tomaram
conhecimento dos avanços das Defesas
Públicas em prol de consolidar sua autonomia
funcional e administrativa que contribua com
a conquista de maior eficiência na gestão
e prestação de serviços jurídicos a toda a
população.
   
37. Expressaram satisfação pela
realização da XVI Reunião Especializada
de Ministérios Públicos do MERCOSUL,
tomando conhecimento dos resultados da
reunião relativos à importância da proteção
da legalidade e a perseguição penal naqueles
fatos que prejudiquem nossos povos. Tomaram
nota, ainda, da importância outorgada à
promoção e manutenção da condição de titular
da perseguição penal dos Ministérios Públicos
e a necessidade de que existam processos
acusatórios, orais e públicos.
  Destacaram o trabalho realizado em
matéria de comércio de pessoas, na luta
contra o crime organizado transnacional, os
delitos informáticos, a defesa da mulher, os
delitos contra a humanidade, bem como em
termos de intercâmbio e formação conjunta
em investigação, criminalística e ciências
forenses. Celebraram, ainda, a entrada em
funcionamento, nesse âmbito, do Subgrupo
de Trabalho de Delitos Contra a humanidade,
com o objetivo de cooperar, trocar experiências
e coordenar estratégias de investigação em
processos penais vinculados com tais delitos.
  38. Tomaram conhecimento dos trabalhos
desenvolvidos durante a XXIII Reunião
Especializada de Comunicação Social do
MERCOSUL (RECS), e recalcaram os
avanços voltados à consecução de uma
política comunicacional do MERCOSUL e a
importância da incorporação de outros meios
de comunicação social como fator estratégico
para dar visibilidade aos êxitos deste projeto
de integração.
  39. Receberam com beneplácito o
trabalho realizado pelo Foro Consultivo de
Municípios, Estados Federados, Províncias
e Departamentos do MERCOSUL (FCCR)
durante este semestre e os avanços alcançados
em matéria de Cooperação, Integração
produtiva e Transfronteiriça, reconhecendo a
importância da visibilização das cidades e as




208

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




regiões para a Integração Regional. Também,
saudaram a articulação com outras instituições
para a análise de projetos na região, a criação
da Secretaria do FCCR e a publicação do site
web do Foro.
  40. Saudaram a Recomendação do CMC
N° 01/14 sobre o Ano internacional da
Agricultura Familiar 2014 que fortalece
o reconhecimento da Agricultura Familiar
no MERCOSUL como uma plataforma
de integração de esforços nacionais em
atividades regionais, no âmbito dos trabalhos
e iniciativas da Reunião Especializada da
Agricultura Familiar (REAF), promovendo
o papel dos agricultores e agricultoras como
protagonistas essenciais na luta por garantir o
direito humano à alimentação, a erradicação
da fome e da pobreza rural, entre outros,
em harmonia e respeito com a mãe terra.
Da mesma forma, parabenizaram a REAF
pela comemoração de seus dez anos de
funcionamento e o importante conjunto de
iniciativas desenvolvidas nesse âmbito.
  Nesse sentido, saudaram a iniciativa do governo
paraguaio de ter implementado o programa
Semeando Oportunidades, que autoriza a
compra direta de produtos aos agricultores por
parte das instituições públicas, para beneficiar
especialmente a Agricultura Familiar.
  41. Receberam com beneplácito a criação
do Grupo Ad hoc para a Regulamentação do
Mecanismo de Fortalecimento Produtivo do
MERCOSUL, o qual se embasa na proposta da
Venezuela apresentada no âmbito do SGT N°
14, destinado a promover o desenvolvimento
de ações integradas para o fortalecimento de
capacidades produtivas conjuntas em setores
a serem identificados de comum acordo, com
o objetivo de contribuir para que a dinâmica
do	intercâmbio	comercial	responda	às
necessidades e aspirações de todos os Estados
Partes.
  42. Manifestaram satisfação pela realização

da Oficina Para um melhor aproveitamento
das hidrovias do MERCOSUL, realizada
na Cidade de Puerto Ordaz, Estado Bolívar
e que faz parte do trabalho conjunto que
está se realizando nesta matéria, em virtude
da importância que vêm adquirindo as
hidrovias em nossa região como fator de
integração multidimensional e de apoio ao
desenvolvimento econômico e social.
  43. Ratificaram o interesse na iniciativa
da República Oriental do Uruguai do
desenvolvimento de um porto de águas
profundas em sua costa oceânica e considerarão
possíveis formas de participação dos países do
MERCOSUL no mencionado projeto.
  44. Parabenizaram os trabalhos realizados
pelo Grupo de Cooperação Internacional
(GCI) durante a PPTV, voltados a reforçar
e atualizar a parte normativa da cooperação
técnica internacional do MERCOSUL.
  Ainda, tomaram nota com interesse da troca
de informações e opiniões sobre as perspectivas
de cooperação em suas diversas modalidades,
destacando especialmente o interesse em
desenvolver a Cooperação Sul-Sul.
  Congratularam-se também pelas gestões
realizadas pelo GCI que conduziram a garantir
a continuidade do desenvolvimento de diversos
projetos de interesse para os Estados Partes, em
especial para os seguintes temas: Programa de
apoio ao Setor Educacional do MERCOSUL
(PASEM); Apoio ao desenvolvimento da
Biotecnologia no MERCOSUL Biotech II;
aprofundamento do processo de integração
econômica e sustentável do MERCOSUL
(ECONORMAS); MERCOSUL Audiovisual;
MERCOSUL Digital; Projeto de Coordenado
de Políticas de Direitos humanos do
MERCOSUL do Instituto de Políticas Públicas
de Direitos humanos do MERCOSUL
(IPPDDh).
  45. Reiteraram a importância das
negociações do Acordo de Associação do




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	209




MERCOSUL  União Europeia à luz de
seu potencial para dar impulso ao diálogo, a
cooperação, o comércio e os investimentos
entre os dois blocos. Manifestaram satisfação
pelo acordo alcançado na preparação de
uma oferta comum de acesso ao mercado do
MERCOSUL, e a expectativa de que, uma vez
que a União Europeia concluir as consultas
necessárias para a apresentação de sua oferta
de acesso a mercados, seja marcada uma data
para a troca das respectivas propostas, passo
necessário para continuar avançando no
processo negociador.
  46.	Saudaram	a	realização	da	XVI
Cúpula Social do MERCOSUL que contou
com a participação ativa de representantes
governamentais, movimentos e organizações
sociais em vinte e seis (26) mesas de trabalho,
para a concretização de políticas, programas e
projetos, em prol de firmar o desenvolvimento
e a articulação de ações específicas em
favor dos povos. Expressaram, ainda, a
importância de fortalecer a troca de saberes e
experiências de nossas comunidades através
da construção de propostas para contribuir ao
desenvolvimento da integração regional.
  47. Saudaram a realização do III Foro
Empresarial do MERCOSUL celebrada em
Caracas nos dias 26 e 27 de julho de 2014.
Nesse sentido, reconheceram a importância
dos três temas de debate selecionados para o
Foro, a saber: Agenda aberta latino-americana
de responsabilidade social; Rumo a uma
estratégia regional de formação e capacitação
e A nova arquitetura financeira regional.
  Salientaram a participação de empresários
da	região ALBA-PETROCARIBE	como
um sinal positivo que confirma a vontade
de avançar na integração produtiva entre o
MERCOSUL e a região caribenha.
  Receberam,	ainda,	o	relatório	dos
resultados do debate realizado no Foro e
valoraram o aporte direto da comunidade

empresarial, os quais irão contribuir com os
esforços de fortalecimento e consolidação
do MERCOSUL e saudaram o respaldo dos
representantes empresariais participantes
deste III Foro Empresarial, os esforços dos
governos dos países do MERCOSUL para
a consolidação e a expansão deste bloco de
integração regional.
  Expressaram seu reconhecimento e
agradecimento ao povo venezuelano pela sua
hospitalidade, bem como ao Governo e ao
Senhor Presidente da República Bolivariana
da Venezuela, Nicolás Maduro Moros, pela
realização da XLVI Cúpula do MERCOSUL
e Estados Associados.
  COMUNICADO CONJUNTO DAS
PRESIDENTAS E DOS PRESIDENTES
DOS ESTADOS PARTES DO MERCOSUL
E ESTADOS ASSOCIADOS
  As Presidentas e os Presidentes dos Estados
Partes do MERCOSUL e Estados Associados,
reunidos na cidade de Caracas, Venezuela, no
dia 29 de julho de 2014, por ocasião da XLVI
Reunião Ordinária do Conselho do Mercado
Comum (CMC),
  Firmemente decididos a construir
sociedades cada vez mais inclusivas; superar
as desigualdades e conquistar uma distribuição
mais equitativa e justa da riqueza; aprofundar as
relações comerciais e de complementaridade;
melhorar a infraestrutura e conectividade
e as redes necessárias que unam cada vez
mais nosso povos; melhorar a produtividade;
trabalhar pelo desenvolvimento sustentável
em harmonia com a natureza, fortalecer a
participação social na integração regional.
  Convencidos da importância da
incorporação dos jovens nos processos de
transformação econômica, política e social, e
de seu papel como atores fundamentais para
o desenvolvimento da região, sublinhando
a necessidade de aprofundar na adoção e
implementação de políticas públicas e na




210

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




criação	de	uma	nova	institucionalidade
destinada ao desenho e execução de planos e
projetos de atendimento integral à juventude,
no qual gerar espaços de participação política,
sócio produtiva, cultural, de lazer, esportiva e
acadêmica.
  Reiteraram	seu	compromisso	com
o	aprofundamento	dos	mecanismos	de
integração, união e concertação regional por
meio de um diálogo político permanente,
que permita garantir a soberania da região
e preservar a América do Sul como uma
zona de paz e reafirmaram sua vontade
irrevocável de fortalecer a democracia, a
ordem constitucional, o Estado de Direito e a
promoção e proteção dos direitos humanos e
liberdades fundamentais.
  Ratificaram a importância de preservar
o crescimento das economias dos países
do MERCOSUL e Estados Associados e
maximizar seu potencial de desenvolvimento.
Nesse	contexto,	manifestaram	seu
compromisso de continuar aplicando políticas
públicas que estendam os benefícios desse
crescimento a toda a população da região,
assegurando	um	desenvolvimento	com
geração de emprego e inclusão social.
  Renovaram	seu	compromisso	com
o	desenvolvimento	regional	integrado,
inclusivo e com equidade, levando em conta
a importância de assegurar um tratamento
favorável às economias pequenas e mais
vulneráveis. Comprometeram-se, ainda, a
outorgar todo o apoio necessário aos países
em desenvolvimento sem litoral marítimo,
levando em conta que as características
especiais	destes	merecem	um	enfoque
adequado para atender a suas necessidades,
vulnerabilidades e problemas específicos,
garantindo-lhes o livre trânsito, pelo território
dos países de trânsito e por qualquer meio
de transporte, em conformidade com as
regras aplicáveis do direito internacional, as

convenções internacionais e os convênios
bilaterais vigentes.
  Congratularam-se pelos esforços e
realizações dos Estados Partes e Associados
do MERCOSUL, no cumprimento dos
Objetivos de Desenvolvimento do Milênio,
e reiteraram seu compromisso para manter
uma coordenação no processo de construção
da Agenda do Desenvolvimento Pós 2015 e a
elaboração dos Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável.
  Congratularam-se pelo desempenho da
República Bolivariana da Venezuela no
exercício da Presidência Pro Tempore do
MERCOSUL, o que constitui um passo no
caminho para a União Sul-Americana.
  Manifestaram sua satisfação pela
posse de horacio Cartes como Presidente
Constitucional da República do Paraguai,
democraticamente eleito em 21 de abril de
2013, e auguraram-lhe uma excelente gestão.
  Parabenizaram o povo chileno pelo
processo eleitoral mediante o qual resultou
eleita Michelle Bachelet, para um segundo
mandato, como Presidenta da República do
Chile, e expressaram seus melhores desejos
de êxito na gestão das altas funções que lhe
foram encomendadas.
  Congratularam o povo colombiano pelo
desenvolvimento da jornada democrática
e cívica mediante a qual foi reeleito Juan
Manuel Santos como Presidente da República
da Colômbia e, ao mesmo tempo que lhe
desejaram um frutífero desempenho no
decorrer de sua gestão, reconheceram os
esforços de seu governo para alcançar a paz
por meio do diálogo.
  Sublinharam a Declaração como
Cidadãos Ilustres do MERCOSUL dos
ex Presidentes hugo Chávez e Néstor
kirchner, reconhecendo sua liderança como
construtores da integração latino-americano
caribenha, baseada na reivindicação dos laços




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	211




históricos de irmandade regional, soberania,
independência, liberdade e alta valoração pela
paz.
  Passaram em revista os avanços alcançados
neste período nos distintos Fóruns da dimensão
Política, Social e Cidadã do MERCOSUL, do
processo de Integração Latino-Americano e
Caribenho e do âmbito Multilateral:
  I. NO âMBITO DO MERCOSUL
  1. Saudaram a realização da XXIV Reunião
de Altas Autoridades em Direitos humanos e
Chancelarias do MERCOSUL (RAADDhh)
e instaram a aprofundar a tarefa de todas as
Comissões Permanentes e Grupos de Trabalho
dessa instância, em particular da Comissão
Permanente de Memória, Verdade e Justiça e a
continuar fortalecendo a promoção e proteção
dos Direitos humanos.
  Parabenizaram a apresentação do Guia de
arquivos sobre graves violações aos Direitos
humanos	cometidas	pelas	coordenações
repressivas do Cone Sul, a cargo do
Secretário Executivo do Instituto de Políticas
Públicas de Direitos humanos (IPPDDhh),
que contou com a participação das delegações
da Argentina, Brasil, Uruguai e Venezuela.
  Tomaram nota do relatório apresentado
pela Venezuela no âmbito da Comissão
Permanente da Memória, Verdade e Justiça
sobre a tarefa da Comissão Nacional pela
Justiça e a Verdade da Venezuela que corrobora
que as políticas repressivas implementadas no
Cone Sul foram também aplicadas nesse país.
  Destacaram, nesse contexto, a celebração
do Seminário Direitos dos Povos Originários
no âmbito da União e Integração Latino-
Americana e Caribenha, no qual se reiterou
a importância de reivindicar os direitos dos
povos originários e impulsionar iniciativas
em matéria de educação intercultural bilíngue,
resgate dos idiomas indígenas e intercâmbio
em matéria econômica e social com os povos
originários no MERCOSUL.
   
2. Parabenizaram a República Federativa
do Brasil pela bem-sucedida organização do
Fórum Mundial de Direitos humanos realizado
em Brasília em dezembro de 2013 a fim de
promover o diálogo sobre direitos humanos
no âmbito internacional, e agradeceram a
colaboração prestada no Pré-Fórum Mundial
de Direitos humanos que aconteceu nesse
mesmo mês em Buenos Aires, organizado pela
Secretaria de Direitos humanos da Argentina,
o Centro Internacional para a Promoção dos
Direitos humanos, o Instituto Nacional contra
a Discriminação, a Xenofobia e o Racismo
(INADI) e o Instituto de Políticas Públicas em
Direitos humanos do Mercosul (IPPDDhh).
  3. Reafirmaram a importância de
concretizar a iniciativa de cooperação
em direitos humanos entre o Instituto de
Políticas Públicas em Direitos humanos do
MERCOSUL e a República do haiti, que teve
início em 2012.
  4. Celebraram a criação do MERCOSUL
Indígena como um espaço que, juntamente
com os movimentos sociais da Região,
propicie a união dos povos da América índia,
entendendo sua cosmovisão e resgatando
os saberes ancestrais para o resguardo e a
proteção da Pachamama. Ainda, receberam
com beneplácito a criação da Reunião
de Autoridades sobre Povos Indígenas do
MERCOSUL (RAPIM) como um espaço
para visibilizar os povos indígenas da Região.
  5. Manifestaram o compromisso dos países
do MERCOSUL com o êxito da Conferência
Mundial sobre os Povos Indígenas, que
deverá contribuir para o desenvolvimento dos
princípios da Declaração das Nações Unidas
sobre os Direitos dos Povos Indígenas.
  6. Ratificaram a necessidade de garantir o
respeito dos Direitos humanos dos migrantes,
com independência de sua condição migratória,
nacionalidade, origem étnica, gênero, idade
ou qualquer outra consideração, estimulando




212

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




para isso a implementação de mecanismos de
cooperação em matéria de política migratória.
  Reiteraram	seu	compromisso	com	a
construção do MERCOSUL como espaço
humanitário de proteção aos refugiados e
reafirmaram o apoio prestado ao Processo
Cartagena+30 com motivo do trigésimo
aniversário da Declaração de Cartagena sobre
Refugiados de 1984 que concluirá na reunião
ministerial a celebrar-se em Brasília em
dezembro de 2014.
  7. Reconheceram o papel da mulher como
ator fundamental para o desenvolvimento da
região e congratularam-se pela aprovação
por parte do CMC das Diretrizes da Política
de Igualdade de Gênero do MERCOSUL,
uma proposta da IV Reunião de Ministras e
Altas Autoridades da Mulher (RMAAM) que
permitirá transversalizar a perspectiva de
gênero em todos os órgãos e fóruns do bloco, ao
mesmo tempo que contribuirá com o objetivo
de conquistar a igualdade e a equidade entre
mulheres e homens no processo de integração.
  Expressaram também sua satisfação pela
implementação da campanha MERCOSUL
livre de comércio de mulheres, disseminada
em zonas de fronteira, aeroportos e rodoviárias
dos Estados Partes. Nesse sentido, instaram
a Reunião de Ministras e Altas Autoridades
da Mulher e as autoridades competentes
a continuarem aprofundando seu efetivo
desenvolvimento.
  8. Celebraram a realização da XXV
Reunião Ordinária de Ministros e Autoridades
de Desenvolvimento Social do MERCOSUL
e reafirmaram a alta prioridade do Plano
Estratégico de Ação Social (PEAS) do
MERCOSUL.
  Neste sentido, celebraram a iniciativa desta
instância de elaborar um Projeto Regional para
a execução de um Programa de Erradicação
da Fome no MERCOSUL durante o período
20142017.
   
9. Manifestaram sua satisfação com a
designação de Miguel ángel Contreras
como Diretor Executivo do Instituto Social
do MERCOSUL (ISM), e expressaram seus
melhores desejos de sucesso na gestão deste
importante organismo, a fim de contribuir
na redução das desigualdades sociais entre
os Estados Partes. Saudaram, ainda, o
compromisso do governo paraguaio quanto à
doação de uma sede permanente.
  10. Acolheram com beneplácito a
declaração pela Organização das Nações
Unidas do ano 2014 como Ano Internacional
da Agricultura Familiar  AIAF 2014, e
tomaram nota das atividades realizadas e a
realizar-se pelos Estados Partes e Associados,
em coordenação com a Reunião Especializada
sobre Agricultura Familiar (REAF), nos
âmbitos do AIAF 2014. Da mesma forma,
parabenizaram a REAF pela comemoração de
seus dez anos de funcionamento, período no
qual foi possível desenvolver um importante
conjunto de iniciativas que fortaleceram
as políticas públicas voltadas à agricultura
familiar e camponesa, bem como a aumentar a
consciência da sociedade sobre a importância
do setor para o desenvolvimento sustentável, a
superação da pobreza e a garantia da segurança
alimentar nos países sul-americanos.
  11. Receberam com beneplácito a aprovação
por parte do CMC da Decisão mediante a qual
é criada a Reunião de Autoridades sobre
Privacidade e Segurança da Informação e
Infraestrutura Tecnológica do MERCOSUL,
com a função de propor políticas e iniciativas
comuns nesta área, levando em conta que a
vulnerabilidade dos sistemas informáticos
e das redes de telecomunicações favorece o
cibercrime.
  Reiteraram seu repúdio ao estabelecimento
de sistemas de espionagem e a qualquer ação
que quebrante o direito à privacidade da
informação tanto estatal quanto individual,




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	213




bem como à interceptação ilegal ou arbitrária
das comunicações ou coleta ilegal ou arbitrária
de dados pessoais, pois tudo isso se constitui
em violações a normas essenciais do Direito
Internacional e aos princípios consagrados
na Carta das Nações Unidas. Sublinharam
que as Nações Unidas tem um papel central
que cumprir na promoção de uma discussão
amplia sobre o tema.
  12. Parabenizaram o Brasil pela Reunião
de Múltiplas Partes Interessadas sobre o
Futuro da Governança da Internet (NET
mundial), realizada em 23 e 24 de abril de
2014, e acolheram a Declaração da NET
mundial, reforçando seu compromisso com
a promoção de uma Internet livre, aberta,
segura, inclusiva e inovadora, baseada em
um modelo de governança multilateral,
multissetorial, transparente e democrática,
com pleno respeito aos Direitos humanos.
  13. Reconheceram a importância da tarefa
do Grupo de Trabalho sobre Armas de Fogo
e Munições do MERCOSUL y Estados
Associados (GTAM) para prevenir, combater
e erradicar a fabricação e o tráfico ilícito de
armas, sendo um âmbito fundamental para a
coordenação de posições e de políticas dos
Estados Partes e Associados na matéria e para
a harmonização das legislações nacionais.
  14. Celebraram a realização da XXXIV
Reunião de Ministros do Interior e Segurança
do MERCOSUL e Estados Associados,
e	salientaram	os	avanços	alcançados
no	funcionamento	da	plataforma	de
Interoperabilidade do Sistema de Intercâmbio
de Informação de Segurança do MERCOSUL
(SISME); e a incorporação do delito de
Contrabando de Extração como tema de
estudo	e	acompanhamento	nos	Grupos
Especializados com competência.
  Tomaram nota da assinatura do Acordo
para a Aprovação do Guia de Procedimento
para a Fiscalização de Materiais Radioativos

nos Pontos de Controle, que busca prevenir
o tráfico ilícito de material nuclear e/ou
radiativo, em prol de garantir os avanços em
nível regional em termos de comunicação de
alertas, protocolização das comunicações e
capacitações virtuais.
  15. Manifestaram seu beneplácito pela
Decisão do Conselho do Mercado Comum que
aprova a Adesão do Peru ao Acordo sobre
Dispensa de Tradução para os Documentos
Administrativos para Efeitos de Imigração
entre os Estados Partes do MERCOSUL,
a República da Bolívia e a República do
Chile, assinado em 15 de dezembro de
2000, na cidade de Florianópolis, República
Federativa do Brasil, que facilitará os trâmites
administrativos migratórios dos nacionais dos
países membros do Acordo.
  16. Expressaram satisfação pela realização
da XL Reunião de Ministros da Justiça do
MERCOSUL e valoraram a assinatura da
Declaração da Ilha de Margarita para o
Fortalecimento das Garantias dos Direitos das
Pessoas Portadoras de Deficiência no Marco
de Processos Judiciais e/ou Administrativos,
mediante a qual se reconhece a importância
de adotar medidas internas e promover a
cooperação internacional para garantir a
proteção eficaz dos direitos das pessoas
portadoras de deficiência.
  Saudaram, ainda, a adesão da República
Bolivariana da Venezuela à Declaração
sobre Regras Mínimas para o Tratamento
de Prisioneiros do MERCOSUL e Estados
Associados, bem como a Declaração sobre
Proibição da Tortura e outros Tratamentos ou
Penas Cruéis, Desumanas ou Degradantes do
MERCOSUL e Estados Associados.
  17. Congratularam-se com os avanços
alcançados na implementação do Memorando
de Entendimento para a Cooperação,
Capacitação e Transferência de Boas Práticas
entre os Ministérios da Justiça dos Estados




214

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




Partes e Associados do MERCOSUL e com
a aprovação para a realização do Seminário
sobre Mediação e outros Métodos Alternativos
de Resolução de Conflitos no âmbito do
MERCOSUL e Estados Associados a realizar-
se na Cidade de Buenos Aires.
  18.	Congratularam	os	Ministros	da
Educação	do	MERCOSUL	pela	tarefa
desenvolvida para a obtenção da aprovação
do Plano de Funcionamento do Sistema
Integrado de Mobilidade do MERCOSUL
(SIMERCOSUL),	que	aperfeiçoará,
ampliará	e	articulará	as	iniciativas	de
mobilidade acadêmica em educação, bem
como pela criação da Unidade Técnica de
Educação (UTE) no âmbito da Secretaria do
MERCOSUL como instância de apoio ao
Setor Educacional do MERCOSUL.
  19. Saudaram a realização da I Reunião de
Ministros e Altas Autoridades em Esportes
do MERCOSUL e valoraram a decisão de
criar uma estrutura organizativa que facilite a
integração regional em matéria de esportes e
permita a articulação necessária e continuada
entre nossos países, considerando o esporte,
a atividade física e o lazer como ferramentas
indispensáveis para o pleno desenvolvimento
do ser humano, a redução da discriminação e
a promoção da inclusão social.
  20. Saudaram os trabalhos realizados por
ocasião da XXXV Reunião de Ministros da
Saúde do MERCOSUL salientando, entre
outras importantes iniciativas, a aprovação
do Plano de Fortalecimento das Estratégias
Regionais para o controle da Tuberculose
no MERCOSUL e Estados Associados,
que restabelece as linhas prioritárias de ação
para a abordagem desta doença prevenível
e que constitui um dos principais desafios
sanitários para a região; a formulação da
Estratégia Regional de Defeitos Congênitos
e Deficiência, o consenso alcançado em
matéria de Autossuficiência em Componentes

e Derivados do Sangue, com base na Doação
Voluntária, não Remunerada e Repetida
(DVNR), o efetivo controle de Programas de
Sistemas de hemovigilância e dos Programas
de Garantia da Qualidade na Rede de Bancos
de Sangue.
  Comprometeram-se, ainda, para que os
Estados Associados do bloco, através de suas
instâncias nacionais, consigam harmonizar os
importantes avanços alcançados no Registro
MERCOSUL de Doação e Transplante de
órgãos (DOASUL).
  21. Acolheram os resultados da Declaração
dos Ministros do Meio Ambiente (RMMA),
durante sua XVIII Reunião MERCOSUL, na
qual reafirmam sua disposição de coordenar
a Agenda Ambiental do MERCOSUL com
base no desenvolvimento de cinco linhas
estratégicas acordadas, o que permitirá
aprofundar os compromissos dos países para a
conservação do ambiente e o desenvolvimento
de programas destinados a promover a
inclusão social e a cooperação sob todas suas
formas, incluída a Cooperação Sul  Sul.
  Deram as boas-vindas à pronta entrada em
vigor do Protocolo de Nagoya sobre Acesso
a Recursos Genéticos e a Repartição Justa e
Equitativa dos Benefícios Advindos de sua
Utilização em outubro próximo, destacando
sua relevância para o reconhecimento da
soberania dos Estados Partes sobre seus
recursos genéticos.
  22. Ratificaram o apoio à República
Oriental do Uruguai em face da interferência
da indústria multinacional do fumo na
implementação de políticas de controle de
tabaco, o que atenta contra o direito soberano
dos Estados a definirem suas políticas de
saúde.
  Deram as boas-vindas à recente abertura
do Centro de Cooperação Internacional para
o Controle do Tabaco do Ministério da Saúde
Pública do Uruguai (CCICT), o qual, em




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	215




coordenação com a Secretaria da Convenção da
OMS, terá por funções desenvolver, analisar,
sintetizar e disseminar o conhecimento e
a informação relativa aos assuntos de sua
experiência, tais como ambientes livres de
fumaça, advertências sanitárias e tratamentos
de cessação do tabagismo.
  23. Tomaram nota dos trabalhos realizados
no âmbito da Reunião Especializada de
Defensores Públicos Oficiais (REDPO) em
matéria de respeito aos direitos humanos,
direitos dos trabalhadores migrantes, e tudo
aquilo que for relativo ao tráfico de pessoas,
bem como o acompanhamento do projeto
Sistematização	e	acompanhamento	de
atos de tortura e outras formas de violência
institucional. Salientaram, ainda, os avanços
em programas de cooperação e intercâmbio
entre	Defensores	Públicos	Oficiais,	a
apresentação de propostas vinculadas às
tecnologias da informação e a comunicação, e
o trabalho constante das Defesas Públicas em
prol de consolidar uma autonomia funcional e
administrativa que contribua para a obtenção
de uma maior eficiência.
  24. Destacaram a realização da XVI Reunião
Especializada	de	Ministérios	Públicos
do MERCOSUL e Estados Associados,
sublinhando a importância da proteção da
legalidade e a perseguição penal naqueles fatos
que prejudiquem nossos povos. Enfatizaram
na relevância da promoção e manutenção da
condição de titular da ação penal pública por
parte dos Ministérios Públicos e a necessidade de
que existam processos acusatórios, orais e públicos.
  Salientaram o trabalho realizado tanto
em matéria de comércio de pessoas, luta
contra o crime organizado transnacional,
delitos informáticos, defesa da mulher e
delitos contra a humanidade, quanto em
termos de intercâmbio e formação conjunta
em investigação, criminalística e ciências
forenses. Sublinharam, ainda, a entrada em

funcionamento, nesse âmbito, do Subgrupo
de Trabalho de Crimes Contra a humanidade,
com o objetivo de cooperar, trocar experiências
e coordenar estratégias de investigação em
processos penais vinculados com tais delitos.
  25. Saudaram e apoiaram os avanços
realizados pela X Reunião Especializada
de Redução de Riscos de Desastres
Socionaturais, a Defesa Civil, a Proteção Civil
e a Assistência humanitária do MERCOSUL
(REhU) que contribuirá para melhorar os
mecanismos de coordenação e cooperação
sub-regionais na matéria, e para a construção
de posições compartilhadas para a construção
de sociedades resilientes nos países do
MERCOSUL e Associados.
  26. Tomaram nota dos trabalhos
desenvolvidos durante a XXIII Reunião
Especializada de Comunicação Social, e
ressaltaram os avanços voltados à consecução
de uma política comunicacional do
MERCOSUL e a importância da incorporação
de outros meios de comunicação social como
fator estratégico para dar visibilidade aos
êxitos deste projeto de integração.
  27. Reafirmaram os termos da Declaração
dos Presidentes dos Estados Partes do
MERCOSUL, a República da Bolívia e da
República do Chile, assinada em 25 de junho
de 1996 em Potrero de los Funes, República
Argentina, denominada Declaração sobre
as Malvinas, e reiteraram seu respaldo aos
legítimos direitos da República Argentina na
disputa de soberania relativa à Questão das
Ilhas Malvinas.
  Salientaram que a adoção de medidas
unilaterais não é compatível com o que fora
acordado nas Nações Unidas, e recordaram o
interesse regional em que a prolongada disputa
de soberania entre a República Argentina e o
Reino Unido da Grã Bretanha e Irlanda do
Norte sobre as Ilhas Malvinas, Geórgias do
Sul e Sandwich do Sul e os espaços marítimos




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




circundantes alcance, o quanto antes, uma
solução em conformidade com as resoluções
pertinentes das Nações Unidas e as declarações
da Organização dos Estados Americanos, do
MERCOSUL, do MERCOSUL, da UNASUL
e de outros foros regionais e multilaterais.
  Reiteraram seu repúdio ao desenvolvimento
de	atividades	unilaterais	britânicas	que
incluem, entre outras, a exploração de recursos
naturais renováveis e não renováveis da área
em controvérsia.Aesse respeito, reconheceram
à República Argentina o direito que lhe assiste
de empreender ações legais com pleno respeito
do Direito Internacional e das resoluções
pertinentes contra as atividades de exploração
e extração de hidrocarbonetos não autorizadas
em sua plataforma continental e nesse sentido
destacaram a Decisão Ministerial 496 da XLIII
Reunião de Ministros da Organização Latino-
Americana de Energia (OLADE) celebrada
em Punta Cana, República Dominicana, em
29 de novembro de 2013.
  Reiteraram os compromissos contidos na
Declaração Especial sobre a exploração de
recursos naturais não renováveis na plataforma
continental argentina de 3 agosto de 2010.
  II.	NO	âMBITO	REGIONAL,	DA
AMéRICA LATINA E CARIBE
  1.	Coincidiram	na	importância	de
consolidar a Comunidade de Estados Latino-
Americanos e Caribenhos (CELAC) como foro
de diálogo e concertação política, saudaram
os avanços obtidos no processo de integração
que se realiza nesse âmbito e ressaltaram a
necessidade de promover a coordenação e a
complementaridade com outros mecanismos
de integração regional e sub-regional.
  Expressaram sua satisfação pela bem-
sucedida realização da II Cúpula de Chefas e
Chefes de Estado e de Governo da CELAC,
realizada em havana, República de Cuba, nos
dias 28 e 29 de janeiro de 2014, bem como
a Proclamação da América Latina e Caribe

como zona de Paz, baseada no respeito dos
princípios e normas do Direito Internacional.
  2. Congratularam-se, ainda, pelos
resultados da Cúpula de Brasília de Líderes
da China e de Países da América Latina
e Caribe, realizada em 17 de julho de
2014, oportunidade na qual se anunciou a
inauguração oficial do Foro China-CELAC
e o lançamento de uma parceria estratégica
entre a China e América Latina e Caribe, com
o propósito de elevar o nível de cooperação
em setores tais como infraestrutura, comércio,
agricultura, desenvolvimento social, ciência e
tecnologia, educação e cultura.
  3. Congratularam-se pelos avanços
alcançados na recente Reunião de Chefes e
Chefas de Estado dos países sul-americanos
e os países do BRICS, realizada na cidade de
Brasília em 16 de julho de 2014, na qual se
aprofundaram os laços entre ambos os blocos,
com o impulso de iniciativas para a redução
da pobreza e o fortalecimento da cooperação
numa ordem multilateral que favoreça o
desenvolvimento integral. Parabenizaram,
ainda, a criação do Banco BRICS, projeto
com objetivos convergentes com o Banco
do Sul, que permitirá sustentar Programas
de Desenvolvimento e de infraestrutura, e
reiteraram a importância do aproveitamento
das potencialidades e oportunidades conjuntas
do BRICS e da América Latina e Caribe.
  4. Saudaram a bem-sucedida realização
do trigésimo quinto período de sessões da
Comissão Econômica para a América Latina
e o Caribe (CEPAL), celebrado na cidade de
Lima, de 5 a 9 de maio de 2014, oportunidade na
qual se instou a estabelecer como prioridades
da região o crescimento com inclusão social,
a diversificação da produção e a promoção de
investimentos que respeitem o meio ambiente;
todo isso a fim de gerar maior igualdade e
sustentabilidade para o desenvolvimento na
América Latina e o Caribe.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	217




   5. Saudaram a realização da Cúpula de
Chefes de Estado e de Governo do Grupo dos 77
+ China na cidade de Santa Cruz e a Declaração
que se emitiu com motivo do 50 aniversário
deste Grupo, que chama a prestar atenção para
a situação de nossa Mãe Terra e reconhece a
importância de fomentar um desenvolvimento
em harmonia com a natureza.
  6. Como parte dos resultados desta Cúpula,
salientaram a próxima realização da Reunião
Ministerial sobre a Governança dos Recursos
Naturais e sua Industrialização que se levará
adiante em Tarija no mês de agosto do ano
em curso e que dará início a um diálogo
aberto que permitirá a troca de experiências
e	conhecimentos	para	incrementar	as
capacidades produtivas e de desenvolvimento
industrial sustentável com soberania nos
países do Sul.
  7. Destacaram a celebração no Paraguai
do 44 Período Ordinário de Sessões da
Organização	dos	Estados	Americanos,
enfatizaram na adoção da Declaração de
Assunção Desenvolvimento com Inclusão
Social na que os Chanceleres reafirmaram
o compromisso de seus países para alcançar
a equidade e superar a exclusão social,
reiterando que é um imperativo que deve unir
ainda mais a ação dos Estados americanos para
melhorar as condições para o desenvolvimento
econômico e social de seus povos.
  8. Saudaram os esforços da Comunidade
Andina para a implementação da reengenharia
do Sistema Andino de Integração, visando
adequar este processo aos desafios do atual
contexto	internacional,	e	congratularam-
se pela vontade de avançar nas relações de
articulação e coordenação com o MERCOSUL
e a UNASUL com o objetivo de fortalecer o
processo de integração regional.
  9. Saudaram a realização da XII Cúpula
da ALBA-TCP e tomaram nota do interesse
e disposição da Aliança Bolivariana para os

Povos de Nossa América de estabelecer relações
de cooperação com o MERCOSUL, em um
âmbito de concertação política, promovendo
a complementaridade econômica e produtiva,
tendo em mira o desenvolvimento integral e a
redução das desigualdades na região.
  10. Manifestaram seus desejos de sucesso
à República Oriental do Uruguai no exercício
da Presidência Pro Tempore da UNASUL,
que assumirá no próximo 22 de agosto de
2014, por ocasião da VIII Reunião Ordinária
do Conselho de Chefas e Chefes de Estado
e de Governo da União, e que dará início à
nova etapa no processo de integração sul-
americano, a partir da identificação das
prioridades estratégicas regionais e o impulso
ao processo de definição de um modelo global
de gestão que favoreça a racionalização e a
coordenação das instâncias de seu trabalho e
a articulação com os demais mecanismos de
integração regional e sub-regional.
  11. Congratularam-se com o início da
Década dos Afrodescendentes Latino-
Americanos e Caribenhos no dia 1° de janeiro
de 2014 e reafirmaram seu compromisso com
a superação do racismo e todas as formas de
discriminação e intolerância na região.
  III. NO âMBITO MULTILATERAL
  1. Expressaram seu pleno apoio à
candidatura da República Bolivariana da
Venezuela como Membro não Permanente do
Conselho de Segurança para o período 2015-
2016, cujas eleições acontecerão no marco do
69 Período de Sessões da Assembleia Geral das
Nações Unidas, em outubro de 2014. Também,
manifestaram sua confiança em que a eleição
e presença da Venezuela nesse órgão principal
das Nações Unidas estará voltada a contribuir
decididamente para o fortalecimento da paz e
da segurança internacionais, em conformidade
com os propósitos e princípios consagrados
na Carta da ONU e do Direito Internacional.
  2. Instaram ao restabelecimento do diálogo

   
   

218

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




que acarrete a cessação permanente das
ações militares na Faixa de Gaza, com pleno
respeito do Direito Internacional humanitário
e a observância dos Direitos humanos como
única saída a este conflito que vem ocasionando
um número importante de vítimas civis, ao
mesmo tempo que respaldaram os esforços
realizados pelo Secretário-Geral das Nações
Unidas e por distintos governos para acordar
um cessar-fogo.
  Por último, instaram a um imediato
levantamento do bloqueio que afeta a
população de Gaza, que permita o livre
trânsito de pessoas, o ingresso de alimentos,
medicamentos e ajuda humanitária, tanto por
via terrestre quanto marítima.
  3. Manifestaram sua preocupação pela
continuidade	das	hostilidades	e	pelas
violações dos Direitos humanos na República
árabe da Síria. Exortaram todas as partes a
renunciar à violência, a se comprometer com
um cessar-fogo efetivo e a retomar o diálogo
e a negociação de forma urgente, para avançar
nos esforços de reconciliação nacional e para
garantir a plena aplicação das Convenções de
Genebra.
  Com fundamento no Comunicado de
Genebra, endossado pela Resolução 2118
(2013) do Conselho de Segurança, reiteraram
que somente um processo político inclusivo,
liderado pelos sírios, poderá conduzir à paz e
à realização das legítimas aspirações do povo
sírio, com base na aplicação dos princípios
de soberania, independência e integridade
territorial da Síria e não ingerência em seus
assuntos internos.
  Expressaram,	também,	seu	apoio	à
Resolução 2165 do Conselho de Segurança,
mediante a qual se autoriza os organismos
humanitários a utilizarem rotas de acesso
através das linhas do conflito e as rotas mais
diretas à República árabe Síria, bem como
os respectivos passos fronteiriços e, dessa

maneira, prover uma pronta ajuda humanitária
à população mais necessitada dessa Nação
notificando às autoridades sírias.
  4. Reafirmaram que a mudança climática
representa um desafio crescente para a
humanidade, sua segurança alimentar e o
desenvolvimento sustentável, entre outras
ameaças. Nesse sentido, expressaram seu
respaldo ao Governo do Peru para alcançar os
objetivos que se perseguem para a COP20 e a
CMP10, que acontecerão em Lima, de 1° a 12
de dezembro de 2014. Também, destacaram
a participação da sociedade civil e outras
organizações na Pré-COP sobre mudança
climática que acolherá a República Bolivariana
da Venezuela entre 4 e 7 de novembro próximo.
Expressaram seu compromisso de contribuir
para se alcançar, na COP20, um esboço para
um novo acordo climático global, no âmbito
e sob os princípios da Convenção-Quadro das
Nações Unidas sobre Mudança Climática.
  5. Reconheceram, ainda, que se faz
imperativa a formulação e o desenvolvimento
de novos enfoques que abordem de uma
maneira apropriada, integral, eficiente e
fundamentada o problema mundial das drogas,
que incorpore o princípio de responsabilidade
comum e compartilhada, a transversalidade
dos direitos humanos, as estratégias que
se implementem e tenham o bem-estar do
indivíduo e da sociedade como norte das
políticas públicas nesta área.
  6. Destacaram seu compromisso
permanente com a vigência da moratória
à caça aos cetáceos, seu uso econômico
não letal e não extrativo, e seu total apoio
à aprovação e posterior implementação da
proposta de criação do Santuário de Baleias do
Atlântico Sul no âmbito da Comissão Baleeira
Internacional.
  7. Apoiaram a execução de ações que
permitam a devida implementação das
resoluções A/hRC/26/L.22/Rev.1 e A/




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	219




hRC/26/L.1,	do	Conselho	de	Direitos
humanos das Nações Unidas, referidas
à tarefa dos grupos de trabalho sobre a
Questão dos Direitos humanos e as Empresas
Transnacionais e Outras Empresas.
  8. Congratularam-se pela decisão anunciada
pelo	PNUMA	na	passada	Assembleia
Ambiental das Nações Unidas sobre a pronta
abertura de um escritório sub-regional sul-
americano do mencionado Programa na
cidade de Montevidéu, e manifestaram a
importância de que a mesma possa apoiar os
esforços envidados no MERCOSUL na área
da proteção ambiental, conforme os distintos
enfoques e planos nacionais dos países.
  Auguraram o maior sucesso para a XII
Conferência das Partes da Convenção sobre
zonas úmidas (Convenção de Ramsar) que
acontecerá em Punta del Este, Uruguai, de 1° a
9 de junho de 2015, sob o lema zona úmidas
para Nosso Futuro, com o fim de salientar
a rica biodiversidade das zonas úmidas e a
importância de seus serviços ecossistêmicos
para atingir um desenvolvimento sustentável
e melhorar o bem-estar humano.
  9. Saudaram a assinatura da Convenção
de Minamata sobre mercúrio, que representa
um	importante	avanço	da	comunidade
internacional na implementação de medidas
voltadas a proteger a saúde e o ambiente das
emissões e liberações de mercúrio, ao mesmo
tempo que sublinharam a importância de sua
pronta ratificação e precoce entrada em vigor
em nível global.
  10.	Congratularam-se	da	eleição	da
República do Peru para sediar a XIV
Conferência	das	Nações	Unidas	sobre
Comércio	e	Desenvolvimento	(XIV
UNCTAD) que acontecerá no ano 2016 e
auguraram seu êxito.
  11. Congratularam-se pela adoção das
Diretrizes	Internacionais	relativas	às
Respostas em Matéria de Prevenção do

Delito e Justiça Penal a respeito do Tráfico
de Bens Culturais e Outros Delitos Conexos,
no âmbito do 23° Período de Sessões da
Comissão de Prevenção do Delito e Justiça
Penal das Nações Unidas celebrado na cidade
de Viena, áustria, entre 12 e 16 de maio de
2014, que reconhece o caráter criminal do
tráfico ilícito de bens culturais e seus efeitos
devastadores para a identidade e a herança
cultural dos povos.
  11. Manifestaram sua satisfação pela
decisão do Comitê do Patrimônio Mundial da
UNESCO de inscrever na lista do Patrimônio
Mundial al Qhapaq Ñan  Sistema Viário
Andino, fruto de dez anos de trabalho conjunto
e solidário de seis países sul-americanos que
integram o MERCOSUL (Argentina, Bolívia,
Chile, Colômbia, Equador e Peru). Esta decisão
foi salientada pelos membros do Comitê como
uma contribuição para a evolução da proteção
da cultura universal, com ações concretas que
os países membros reconhecerão.
  Expressaram seu reconhecimento e
agradecimento ao Senhor Presidente da
República Bolivariana da Venezuela, Nicolás
Maduro Moros, a Governo e ao povo
venezuelano pela sua hospitalidade e pela
realização da XLVI Reunião do Conselho do
Mercado Comum e a Cúpula de Presidentas
e Presidentes do MERCOSUL e Estados
Associados.
  DECLARAçãO  ESPECIAL DOS
ESTADOS PARTES DO MERCOSUL EM
RESPALDO à REPúBLICA ARGENTINA
EM DEFESA DA REESTRUTURAçãO DE
SUA DíVIDA SOBERANA
  Os Presidentes e as Presidentas dos Estados
Partes do MERCOSUL:
  Expressaram que de maneira nenhuma
pode-se considerar processo de default
quando um país solvente e líquido realiza
pontualmente os pagamentos e é bloqueada a
cobrança aos detentores de bônus.




220

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




  Reafirmaram sua solidariedade e apoio
irrestrito à posição da República Argentina
diante das decisões legais favoráveis a um
grupo minúsculo de detentores de títulos de
dívida soberana da Argentina que rejeitaram
as condições aceitas pela ampla maioria de
credores (92,4%).
  Manifestaram seu mais enérgico rechaço
às ações destes fundos hold-outs cujo modelo
de negócios obstrui a consecução de acordos
definitivos	entre	devedores	e	credores,
colocando em risco futuras reestruturações
de dívida soberana e a estabilidade financeira
internacional.
  Valoraram o compromisso da República
Argentina de continuar pagando suas dívidas e
manifestam a necessidade de que seja permitida
a cobrança por parte dos detentores de bônus
dos pagamentos realizados pontualmente pelo
país, atualmente bloqueados por decisões
judiciais por solicitação dos hold-outs.
  Advertiram que o processo de negociação
deve ser realizado em condições equilibradas
e de boa-fé como única forma de alcançar uma
solução justa, equitativa, legal e sustentável
para os 100% dos credores.
  Exortaram a comunidade internacional
a se pronunciar em face desta situação,
reconhecendo a gravidade e perigo que as
ações destes fundos especulativos represente
não apenas para o povo argentino e a região,
mas também para todos os processo futuros
de reestruturação de dívida soberana, tanto
para os países em desenvolvimento quanto
para o sistema financeiro internacional em seu
conjunto.
  Caracas, 29 de julho de 2014
  COMUNICADO	DOS	ESTADOS
PARTES SOBRE O BANCO DO SUL
  Os Presidentes e as Presidentas dos Estados
Partes do Mercado Comum do Sul celebraram
os avanços no andamento do Banco do
Sul, em particular a recente designação de

Diretores Executivos e o próximo início de
suas operações.
  Comprometeram-se a continuar avançando nos
passos necessários para seu pleno funcionamento
como instrumento de execução de políticas
significativas para o futuro econômico da região,
visando ao fortalecimento da complementação
econômica e produtiva, que de forma articulada
impulsione o desenvolvimento integral de nossos
países, reduzindo a dependência dos grandes
centros de poder financeiro que afetam a condução
soberana de nossas economias.
  Manifestaram que a visão estratégica
do Banco do Sul irá fortalecer a integração
regional, através da criação de fundos
de financiamento para o investimento
produtivo e a ampliação dos programas de
desenvolvimento e infraestrutura que os
Estados Partes lideram na região.
  Assinalaram, ainda, a importância de
articular vias de cooperação com o Banco
de Desenvolvimento dos BRICS para
o aproveitamento das potencialidades e
oportunidades conjuntas dos BRICS e da
América Latina e o Caribe.
  Caracas, 29 de julho de 2014
  DECLARAçãO  CONJUNTA DOS
ESTADOS PARTES DO MERCADO
COMUM DO SUL (MERCOSUL) PARA
PROMOVER O ESTABELECIMENTO
DE UMA  zONA  ECONôMICA
COMPLEMENTAR ENTRE OS ESTADOS
PARTES DO MERCADO COMUM DO SUL
(MERCOSUL), OS PAíSES MEMBROS
DA ALIANçA BOLIVARIANA PARA OS
POVOS DE NOSSA AMéRICA (ALBA-
TCP), OS PAíSES MEMBROS DA
PETROCARIBE E OS MEMBROS DA
COMUNIDADE DO CARIBE (CARICOM)
  As Chefes e os Chefes de Estado dos
Estados Partes do MERCOSUL, reunidos em
Caracas, República Bolivariana da Venezuela,
em 29 de julho de 2014.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	221




   CONSCIENTES	da	necessidade	de
avançar na consolidação de espaços de
articulação regional que permitam promover
o desenvolvimento integral, enfrentar a
pobreza e a exclusão social, baseados na
complementação, na solidariedade e na
cooperação;
  RECONhECENDO que os distintos níveis
de desenvolvimento econômico existentes
na região devem ser superados por meio da
geração de uma maior complementaridade
econômica que propenda aos benefícios dos
povos;
  CONSIDERANDO	a	Declaração
dos Chefes de Estado e de Governo dos
países	membros	da	ALBA-TCP	e	da
PETROCARIBE, assinada em Caracas, em 17
de dezembro de 2013, na qual eles acordaram
o estabelecimento de uma zona Econômica
Complementar com o MERCOSUL;
  LEVANDO EM CONTA que a diversidade
e as distintas naturezas dos processos regionais
intervenientes	promoverão	uma	melhor
compreensão das particularidades da região,
favorecendo uma cooperação mais profunda
e multidimensional, baseada em modelos
econômicos e comerciais includentes;
  SUBLINhANDO	que	avançar	na
conformação	de	uma	zona	Econômica
Complementar entre MERCOSUL e ALBA-
TCP,	CARICOM	e	PETROCARIBE
contribuirá para fortalecer as relações entre os
mencionados processos regionais e constituirá
um espaço para fomentar a integração
produtiva de maneira solidária e justa, baseada
no aproveitamento das complementaridades
e nos mecanismos regionais de integração já
existentes.
  ACORDAM:
  1.- ESTABELECER um Mecanismo de
Diálogo Político e de Cooperação Econômica
e Comercial do MERCOSUL para promover
a constituição de uma zona Econômica

Complementar (zEC) com ALBA-TCP,
CARICOM e PETROCARIBE, com o
objetivo de dinamizar suas relações políticas e
econômicas, potenciando o desenvolvimento
de um comércio complementar, justo e
equilibrado que responda aos mais altos
interesses de desenvolvimento dos povos;
  2.- INSTRUIR a Presidência Pro Tempore
do MERCOSUL para que em um prazo não
maior a sessenta (60) dias convide os Estados
Membros da ALBA-TCP, CARICOM e
PETROCARIBE a se reunirem com o objetivo
de promover as negociações sobre um
instrumento jurídico de constituição da zona
Econômica Complementar que contemple os
seguintes aspectos:
  a) O incremento do comércio de bens
originários.
  b) A avaliação de acordos e legislações
comerciais assinados com a finalidade de
identificar coincidências no regime normativo
das disciplinas comerciais, nas potencialidades
comerciais e nas complementaridades
econômicas entre elas.
  c) A definição de programas de cooperação
conjunta com o objetivo de identificar e
desenvolver projetos de complementaridade
econômica;
  d) O desenho de mecanismos que
assegurem um maior equilíbrio no intercâmbio
comercial, levando em conta a necessidade de
reduzir as assimetrias econômicas existentes
entre as Partes.
  e) A articulação entre empresas dos setores
público e privado dos Estados Membros dos
processos regionais intervenientes, por meio
de projetos de integração produtiva, para
impulsionar a melhoria da produtividade e da
complementaridade econômica.
  f) A promoção de projetos conjuntos,
alianças e associações estratégicas para o
desenvolvimento da ciência e da tecnologia
aplicadas à inovação nos processos produtivos.




222

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




  g) A promoção do desenvolvimento das
micro, pequenas e médias empresas (MPME),
de cooperativas, de empreendimentos dos
Estados Membros dos processos regionais
intervenientes.
  h) A intensificação do intercâmbio regional,
em particular dos produtos de maior valor
agregado.
  i) A organização de feiras, missões
e	exposições,	além	de	atividades
complementares que ampliem as relações
de comércio entre os respectivos setores
produtivos	dos	Estados	Membros	dos
processos regionais intervenientes.
  j) O desenvolvimento de ações voltadas à
criação de capacidades para gerar e assimilar
novos conhecimentos nos setores de maior
dinamismo tecnológico da região.
  k) A difusão de programas de cooperação
e	assistência	técnica	executados	pelos
Estados Membros dos processos regionais
intervenientes que promovem a criação de
emprego e a melhoria das condições de vida
da população.
  3.- RATIFICAR que, para os Estados
Partes do MERCOSUL, as regiões da América
Central e do Caribe constituem um espaço
vital para a integração econômica e para a
união política de nossa América.
  Caracas, 29 de julho de 2014.
  COMUNICADO	ESPECIAL	SOBRE
OS	DIREITOS	DAS	CRIANçAS	E
ADOLESCENTES	MIGRANTES	NãO
ACOMPANhADOS
  Os Presidentes e as Presidentas dos
Estados Partes do Mercado Comum do Sul
expressam sua profunda preocupação pela
detenção de crianças e adolescentes migrantes
não acompanhados, procedentes em especial
de países da América Central, na fronteira sul
dos Estados Unidos.
  Exigem o respeito irrestrito dos direitos
fundamentais	destas	crianças	e	destes

adolescentes que, quando detidos, são
alojados em refúgios improvisados, inclusive
em bases militares, em condições insalubres e
de superlotação que vulneram sua integridade
física e psicológica.
  Destacam que esta problemática transcende
as fronteiras de um país, afetando a totalidade
do continente americano, e estão convencidos
de que a abordagem desta situação de caráter
humanitário necessariamente deve contar
com o apoio e a cooperação de todos os
países da região. Em tal sentido, lembram a
obrigação de todos os Estados de origem,
trânsito e destino de respeitar e garantir os
Direitos humanos das crianças e adolescentes
migrantes.
  Ratificam a posição defendida pelos
países do MERCOSUL em diversos fóruns
internacionais com relação aos direitos
humanos das crianças e dos adolescentes
migrantes, particularmente a não-
criminalização da condição migratória, a
proibição de detenção por motivos migratórios
e o repúdio das políticas de deportação
automática, sem avaliar, em cada caso, as
consequências de tais medidas sobre as
condições de vida e outros efeitos deletérios
sobre estas crianças e estes adolescentes.
Consideram que as políticas migratórias não
devem estar voltadas apenas a objetivos de
segurança e controle de fronteiras, mas à busca
de soluções para os problemas estruturais que
provoca a migração.
  Enfim, eles oferecem sua cooperação
aos governos dos países da América Central
para apoiá-los nos esforços de proteção dos
direitos humanos de seus povos e reiteram a
importância de se tratar esta problemática em
espaços multilaterais e em fóruns regionais
que promovam a concertação política de
ações e estratégias de cooperação para o
desenvolvimento.
  Caracas, 29 de julho de 2014.

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	223




   DECLARAçãO	COMO	CIDADãO
ILUSTRE	DO	MERCOSUL	DO	SR.
PRESIDENTE	E	COMANDANTE	DA
REVOLUçãO	BOLIVARIANA,	hUGO
CháVEz FRíAS
  Considerando seu forte compromisso com
a integração dos povos da América Latina
e o Caribe, sua profunda compreensão da
realidade da região, sua inquebrantável
vontade pela defesa e preservação dos
princípios de Soberania e Autodeterminação
dos Povos, sua incansável luta na defesa dos
direitos das populações mais vulneráveis
e seu esforço sustentado para incorporar
a República Bolivariana da Venezuela ao
MERCOSUL, entendendo que constituiria a
via mais expedita para a construção da União
Sul-Americana;
  Reconhecendo	igualmente	a	coragem
com que enfrentou todo tipo de ameaças
formuladas pelos grandes poderes econômicos
nacionais e transnacionais, a dignidade com
que representou seu país junto aos foros
internacionais, e a inavaliável contribuição que
nos legou em função de outorgar visibilidade
a nossa região no mundo.
  O	MERCOSUL	E	OS	ESTADOS
ASSOCIADOS
  DECLARAM
  Cidadão Ilustre do MERCOSUL Post-
Mortem o Comandante hugo Rafael Chávez
Frías, Presidente da República Bolivariana da
Venezuela.
  Caracas, 29 de julho de 2014.
  DECLARAçãO	COMO	CIDADãO
ILUSTRE	DO	MERCOSUL	DO	EX-
PRESIDENTE	DA	REPúBLICA
ARGENTINA SENhOR NéSTOR CARLOS
kIRChNER
  Considerando sua longa trajetória de
compromisso com a política, ao recolocá-la
como o instrumento válido para melhorar a
qualidade de vida dos cidadãos, a partir de

profundos ideais e convicções, que são também
as de milhões de cidadãos argentinos e latino-
americanos; ressaltando que seu trabalho
incansável em função do bem-estar coletivo
o conduziu a exercer numerosos cargos de
eleição popular, incluindo a Presidência da
República.
  Destacando seu irrefutável aporte à
recuperação econômica da Argentina e ao
crescimento econômico com geração de
emprego e independência de interesses
corporativos, seu esforço pela inclusão da
mulher nos poderes públicos, sua luta frontal
para revogar as leis que protegiam civis e
militares envolvidos em crimes contra a
humanidade durante a última ditadura militar
que sofreu a Argentina, e a firme defesa dos
Direitos humanos como primeira prioridade
de seu governo.
  Sublinhando sua disposição para fortalecer
os mecanismos de integração na América
do Sul, sua especial vontade para reforçar
o MERCOSUL, e reconhecendo em sua
destreza política credenciais indiscutíveis
para sua designação como Secretário-Geral
da União de Nações Sul-Americanas.
  O MERCOSUL E OS ESTADOS
ASSOCIADOS
  DECLARAM
  Cidadão Ilustre do MERCOSUL Post
Mortem o ex-presidente da República
Argentina, Senhor Néstor Carlos kirchner.
  Caracas, 29 de julho de 2014.
   
         ACORDO ENTRE O GOVERNO
          DA REPúBLICA FEDERATIVA
         DO BRASIL E O GOVERNO DA
       REPúBLICA FRANCESA PARA O
      ESTABELECIMENTO DE REGIME
    ESPECIAL TRANSFRONTEIRIçO DE
       BENS DE SUBSISTêNCIA ENTRE

        
        

224

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




      AS LOCALIDADES DE OIAPOQUE
          (BRASIL) E ST. GEORGES DE
                LOYAPOCk (FRANçA)
                            07/08/2014
                               
  O Governo da República Federativa
do Brasil e o Governo da República
Francesa, (doravante denominados Partes
Contratantes),
  Considerando	os	vínculos	culturais,
familiares e sociais que historicamente unem
os habitantes das localidades de Oiapoque e
St. Georges de lOyapock;
  Considerando	a	situação	geográfica
específica do território dessas localidades
separadas por um rio;
  Considerando o compromisso comum com
o desenvolvimento da região fronteiriça, a
fim de melhorar as condições de vida de seus
habitantes;
  Considerando que a Ponte internacional
sobre	o	rio	Oiapoque	representa	uma
oportunidade	para	o	desenvolvimento
econômico da região e para o intercâmbio
transfronteiriço de bens de subsistência entre
os residentes das comunidades de Oiapoque
(Brasil) e St. Georges de lOyapock (França),
  Acordaram o seguinte:
  ARTIGO 1
  1. As	Partes	Contratantes	instauram
um	Regime	Especial	Transfronteiriço
exclusivamente	entre	as	localidades
fronteiriças de Oiapoque (Brasil) e St. Georges
de lOyapock (França), para o intercâmbio de
bens de subsistência.
  2. As localidades fronteiriças mencionadas
no parágrafo 1 correspondem às delimitações
geográficas respectivas, tal como definido no
Regime de Circulação Transfronteiriça entre o
Estado do Amapá e a Região Guiana.
  3. Para os fins da aplicação do presente
Acordo,	serão	utilizados	como	pontos

de passagem entre as duas localidades
aqueles previstos no Regime de Circulação
Transfronteiriça entre o Estado do Amapá e a
Região Guiana.
  ARTIGO 2
  São isentos de imposto de importação e
exportação para o Brasil, e de direitos e taxas
pertinentes aplicadas na Região Guiana, os
bens de subsistência que sejam objetos de
fluxos físicos realizados pelos residentes entre
as localidades fronteiriças.
  ARTIGO 3
  1. O Regime Especial Transfronteiriço
estabelecido no presente Acordo aplica-se
aos beneficiários do Regime de Circulação
Transfronteiriça entre o Estado do Amapá e a
Região Guiana.
  2. A fruição dos benefícios estabelecidos
no presente Acordo poderá ser sujeita à
verificação da regularidade da situação
aduaneira, fiscal e penal do beneficiário.
  ARTIGO 4
  1. Entende-se por bens de subsistência os
produtos alimentícios, de limpeza e de higiene
corporal, vestuários, calçados, revistas e
jornais, destinados a utilização e consumo
corrente e quotidiano, pessoal ou familiar,
desde que seu tipo, volume, quantidade
ou frequência de intercâmbio não revelem
finalidade comercial ou sua utilização fora do
território das duas localidades em apreço.
  2. Aplicam-se as disposições da legislação
interna de cada Parte Contratante a todos os
produtos não definidos no parágrafo 1, em
particular álcoois, bebidas alcoólicas e tabacos
manufaturados.
  ARTIGO 5
  A fim de se beneficiar das disposições do
Regime Especial Transfronteiriço instaurado
no presente Acordo, os bens de subsistência
devem ser transportados pessoalmente pelo
residente beneficiário.
  ARTIGO 6

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	225




   A exportação e a importação de bens
de subsistência nas condições fixadas pelo
Regime Especial Transfronteiriço instaurado
no presente Acordo:
  a) estão dispensadas de registro, licença
ou declaração de importação ou exportação,
ou de todo outro tipo de visto, autorização ou
certificado, salvo se implicarem a aplicação
da	legislação	sanitária,	fitossanitária,
zoossanitária e ambiental em vigor em cada
uma das Partes Contratantes.
  b) devem estar acompanhadas de uma
fatura comercial ou nota fiscal, emitida por
repartição comercial regular estabelecida
em uma das localidades às quais se refere o
presente Acordo.
  ARTIGO 7
  1. A exportação e a importação de bens de
subsistência entre as localidades fronteiriças
não	estão	dispensadas	dos	controles
aduaneiros que cada Parte Contratante pode
aplicar, particularmente com vistas a verificar
o cumprimento dos dispositivos do presente
Acordo.
  2. Quando as condições assim o exijam,
a exportação e a importação de bens de
subsistência não estarão eximidas de inspeção
por parte das autoridades de controle sanitário,
fitossanitário,	zoossanitário	e	ambiental.
A aprovação dessas autoridades pode ser
aposta à fatura comercial ou à nota fiscal ou,
alternativamente, verificada com o suporte
de documentos de outra natureza segundo
as exigências das respectivas legislações
nacionais.
  ARTIGO 8
  O Regime Especial Transfronteiriço não
se aplica aos produtos ou espécies de fauna
e flora cuja exportação ou importação seja
proibida, conforme a legislação interna de
cada Parte Contratante.
  ARTIGO 9
  Em caso de infração das disposições do

presente Acordo, aplicar-se-ão as sanções
previstas para as operações ilegais de comércio
exterior, conforme a legislação interna de cada
Parte Contratante.
  ARTIGO 10
  1. As Partes Contratantes designam
como órgãos nacionais responsáveis pela
implementação deste Acordo:
  a) pela República Federativa do Brasil,
a Secretaria da Receita Federal do Brasil,
vinculada ao Ministério da Fazenda;
  b) pela República Francesa, o Ministério
ou os Ministérios encarregados da Economia
e das Finanças, bem como o Préfet da Guiana
Francesa, nos limites de seus respectivos
campos de atuação.
  ARTIGO 11
  As Partes Contratantes, se assim
considerarem pertinente ou conveniente,
poderão constituir uma Comissão Mista,
composta por representantes dos órgãos
nacionais competentes. Essa Comissão será
particularmente competente para avaliar o
Regime Especial Transfronteiriço instaurado
no presente Acordo, concedendo especial
atenção à necessidade de adaptá-lo às
eventuais mudanças que se apresentem na
realidade das economias locais. Mediante
avaliação, a Comissão Mista poderá propor as
modificações que lhe pareçam necessárias.
  ARTIGO 12
  Cada uma das Partes Contratantes
notificará à outra sobre o cumprimento dos
procedimentos constitucionais próprios para a
aprovação do presente Acordo, que entrará em
vigor 30 (trinta) dias após a data de recepção
da segunda notificação.
  ARTIGO 13
  As controvérsias entre as Partes
Contratantes sobre a interpretação e a
execução deste Acordo serão solucionadas
por negociações diretas efetuadas por via
diplomática.




226

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




  ARTIGO 14
  O presente Acordo poderá ser modificado
por consentimento mútuo entre as Partes
Contratantes. As modificações, uma vez
notificadas por via diplomática, entrarão em
vigor conforme as disposições do Artigo 12.
  ARTIGO 15
  O presente Acordo poderá ser denunciado
a qualquer momento por qualquer das Partes
Contratantes por meio de notificação escrita
encaminhada por via diplomática. A denúncia
torna-se efetiva 6 (seis) meses após a data da
notificação.
  Feito em Brasília, em 30 de julho de 2014,
em dois exemplares originais, redigidos em
português e francês, sendo ambos os textos
igualmente autênticos.

                  SITUAçãO NA LíBIA
                            07/08/2014
                               
  Diante	da	contínua	deterioração	das
condições de segurança na Líbia, o Governo
brasileiro decidiu transferir temporariamente
os servidores de nacionalidade brasileira da
Embaixada do Brasil em Trípoli para Túnis,
na Tunísia.
  A medida não implica o fechamento da
representação diplomática brasileira, que
continuará a prestar assistência aos portadores
de passaporte brasileiro residentes na Líbia.
Para atender a demandas consulares poderá
ser feito contato com funcionário local da
Embaixada pelos telefones (218) 91-727-
8419 e (218) 91-840-7386.

     VISITA AO BRASIL DO PRIMEIRO-
    MINISTRO DO JAPãO, ShINzO ABE
                            07/08/2014
                               
  O Primeiro-Ministro do Japão, Shinzo Abe,

realizará visita oficial de trabalho a Brasília,
no próximo dia 1º de agosto, acompanhado
de delegação empresarial. Na ocasião, será
recebido pela Senhora Presidenta da República,
com quem tratará de temas relevantes da
agenda bilateral, tais como a expansão dos
investimentos japoneses no Brasil, com
destaque para os setores de construção naval e
infraestrutura; ciência, tecnologia e inovação;
e ampliação e diversificação das correntes de
comércio bilateral.
  A visita terá sequência no dia 2 de agosto,
em São Paulo, onde o Primeiro-Ministro Abe
manterá encontros com a comunidade nipo-
brasileira e participará de evento empresarial.
  O Japão é o mais tradicional parceiro do
Brasil na ásia e nosso 6º sócio comercial no
mundo (comércio bilateral de US$ 15 bilhões,
em 2013).
  Estabelecidas em 1895, as relações nipo-
brasileiras celebrarão 120 anos em 2015.

   ATOS ASSINADOS POR OCASIãO DA
     VISITA AO BRASIL DO PRIMEIRO-
   MINISTRO DO JAPãO, ShINzO ABE -
     BRASíLIA, 1º DE AGOSTO DE 2014
                            07/08/2014
  1- CARTA DE INTENçõES ENTRE
O MINISTéRIO   DA CIêNCIA,
TECNOLOGIA E INOVAçãO,  DA
REPúBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, O
MINISTéRIO DA EDUCAçãO, CULTURA,
ESPORTE, CIêNCIA E TECNOLOGIA DO
JAPãO E O MINISTéRIO DA TERRA,
INFRAESTRUTURA, TRANSPORTES E
TURISMO DO JAPãO
  2 - DECLARAçãO DE INTENçõES
ENTRE O MINISTéRIO DA CIêNCIA,
TECNOLOGIA E INOVAçãO, BRASIL E A
AGêNCIA JAPONESA PARA A CIêNCIA E
TECNOLOGIA MARINhA-TERRESTRE,




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	227




JAPãO	SOBRE	COOPERAçãO	NO
CAMPO	DA	CIêNCIA	MARINhA-
TERRESTRE
  3 - MEMORANDO DE COOPERAçãO
NA	áREA	DE	SAúDE	ENTRE	O
MINISTéRIO DA SAúDE DO BRASIL E O
MINISTéRIO DA SAúDE, TRABALhO E
BEM ESTAR DO JAPãO
  CARTA	DE	INTENçõES	ENTRE
O	MINISTéRIO	DA	CIêNCIA,
TECNOLOGIA	E	INOVAçãO,	DA
REPúBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, O
MINISTéRIO DA EDUCAçãO, CULTURA,
ESPORTE, CIêNCIA E TECNOLOGIA DO
JAPãO E O MINISTéRIO DA TERRA,
INFRAESTRUTURA, TRANSPORTES E
TURISMO DO JAPãO
  Esta Carta de Intenções confirma o
interesse comum entre os Ministérios acima
listados (doravante denominados Parceiros)
de buscar uma parceria impactante que
possibilite a colaboração entre os Ministérios
e seus Institutos Associados sobre questões
ambientais e de sustentabilidade relacionadas
a desastres naturais.
  Os Parceiros reconhecem que o Brasil e
o Japão são afetados por uma variedade de
desastres naturais que impactam a sociedade,
infraestruturas e o meio ambiente.
  Os parceiros igualmente reconhecem a
importância da cooperação existente entre
a Agência de Cooperação Internacional do
Japão (JICA) e os Ministérios da Ciência,
Tecnologia e Inovação, das Cidades, da
Integração Nacional e das Minas e Energia do
Brasil sobre o fortalecimento da capacidade
brasileira para os ciclos de gestão de desastres.
  A colaboração entre os Parceiros pode,
quando apropriado, incluir uma variedade
ampla em ciências ambientais de interesse
mútuo, como desastres naturais (especialmente
o monitoramento e a previsão de inundações
e deslizamentos de terra e sistemas de alerta),

clima e condições meteorológicas extremas e
ciência de mudanças climáticas.
  histórico
  Uma vez que os parceiros têm
responsabilidades sobre ciência e
conhecimento nos campos de ciências
ambientais e de mudanças climáticas existe
um interesse comum para apoio mútuo na
melhoria de habilidades e para o intercâmbio
de informações e de expertise referente à
pesquisa em desastres naturais.
  Objetivos
  Os Parceiros tem o interesse comum na
pesquisa inovadora em ciência ambiental e
pesquisa em desastres naturais e expressam
seus interesses no compartilhamento
de informações, compartilhamento de
conhecimento e melhoria de processos de
trabalho para produzir a previsão e o alerta de
desastres naturais e ferramentas para integrar o
gerenciamento de riscos de desastres naturais.
  Os Parceiros estão, portanto, interessados
em estabelecer uma parceria colaborativa para
permitir um desenvolvimento maior de seus
interesses e capacidades.
  O objetivo desta Carta de Intenções é
iniciar passos em direção à estruturação de
colaboração (Parceria) entre os Parceiros,
permitindo que suas organizações associadas
criem planos mais detalhados para uma
colaboração mais próxima em tópicos
específicos de seus campos de experiência.
  Possíveis campos de colaboração
  Poderão ser realizados Projetos de Pesquisa,
os quais focarão no desenvolvimento de
produtos de informação que permitam a
tomada de decisão para um gerenciamento
de riscos de desastres naturais integrado,
incluindo sistemas de alerta.
  Poderão ser realizados intercâmbios de
conhecimento em tecnologias e métodos
de monitoramento e previsão de desastres
naturais, como inundações, enchentes,




228

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




movimento de massas em encostas (ex.:
deslizamentos de terras), erosões costeiras,
impactos de secas severas.
  Os Projetos podem incluir o intercâmbio
de especialistas e cientistas.
  As eventuais fases subsequentes dos
Projetos de Pesquisa (ex.: por meio de
proposta conjunta de colaboração e solicitação
de fundos) serão desenvolvidas com base em
discussões futuras.
  DECLARAçãO	DE	INTENçõES
ENTRE O MINISTéRIO DA CIêNCIA,
TECNOLOGIA E INOVAçãO, BRASIL E A
AGêNCIA JAPONESA PARA A CIêNCIA E
TECNOLOGIA MARINhA-TERRESTRE,
JAPãO	SOBRE	COOPERAçãO	NO
CAMPO	DA	CIêNCIA	MARINhA-
TERRESTRE
  O Ministério da Ciência, Tecnologia e
Inovação do Brasil e a Agência Japonesa
para a Ciência e Tecnologia Marinha-terrestre
(JAMSTEC),	doravante	denominados
Signatários,
  RECONhECENDO que o Brasil e o Japão
liderarão a pesquisa e desenvolvimento no
campo da Ciência Marinha-terrestre;
  RECONhECENDO	a	relação	de
colaboração concernente à Pesquisa Conjunta
Brasil-Japão no Atlântico Sul, desde 2013,
entre a Universidade de São Paulo, o Serviço
Geológico do Brasil e a JAMSTEC.
  RECONhECENDO os benefícios mútuos
que poderiam advir da cooperação no campo
da Ciência Marinha-terrestre.
  Declaram sua intenção da seguinte forma:
  1. Os signatários pretendem concluir
um	Memorando	de	Entendimento	que
proporcionaria um quadro de cooperação, por
meio de intercâmbio de pessoal, discussões
de nível oficial, colaboração em projetos em
áreas de interesse mútuo no campo de ciências
marinha-terrestre.
  2. Os signatários pretendem formalizar

essa cooperação proposta com um conjunto
de objetivos claros, mutuamente benéficos e
um plano de ação detalhado.
  3. Esta Declaração de Intenções não
vinculante permanecerá em vigor até que o
Memorando de Entendimento seja celebrado
ou esta declaração de intenções seja cancelada
por qualquer Signatário.
  Assinado em Brasília, Brasil, neste
primeiro dia de agosto de 2014, em Português.
  MEMORANDO DE COOPERAçãO NA
áREA DE SAúDE ENTRE O MINISTéRIO
DA SAúDE DO BRASIL E O MINISTéRIO
DA SAúDE, TRABALhO E BEM ESTAR
DO JAPãO
  O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem
Estar Social do Japão e o Ministério da
Saúde da República Federativa do Brasil
(a seguir denominadas ambas as Partes),
compartilhando o desejo de fortalecer as
relações de amizade e promover a cooperação
no campo da saúde, tema de interesse comum,
atingiram o reconhecimento mútuo de explorar
as oportunidades para melhorar a cooperação
no campo da saúde, nas seguintes áreas:
  1. Regulação farmacêutica e de dispositivos
médicos, com vistas à maior aproximação
entre PMDA (Pharmaceuticals and Medical
Devices Agency) e a ANVISA (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária);
  2. Compartilhar conhecimentos e
experiências em sistemas públicos de saúde;
  3. Políticas e estratégias para a promoção
de estilos de vida saudável e medicina
preventiva, incluindo preparativos para uma
sociedade em processo de envelhecimento;
  4. Fortalecimento dos recursos humanos
em saúde;
  Outras áreas de interesse mútuo.
  O presente Memorando objetiva delinear
princípios gerais para o começo de uma
troca profícua entre as duas Partes, podendo
gerar, futuramente, uma cooperação mais




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	229




estruturada, baseada em projetos conjuntos.
  O	presente	Memorando	poderá	ser
denunciado, por qualquer uma das Partes,
por meio de notificação, por escrito, à outra
Parte, o mais tardar seis meses antes da data
desejada para o término.
  O	presente	Memorando,	respeitando
as respectivas legislações nacionais, não
implicará em nenhuma obrigação.
  Feito Brasília, Brasil, em 1º de agosto de
2014, em 6 (seis) exemplares nos idiomas
japonês, português e inglês, de igual teor.
Em caso de discrepância, o texto em inglês
prevalecerá.

     VISITA AO BRASIL DO PRIMEIRO-
   MINISTRO DO JAPãO, ShINzO ABE -
  COMUNICADO CONJUNTO DA VISITA
              OFICIAL DE TRABALhO
                            07/08/2014
  1  COMUNICADO CONJUNTO DA
VISITA OFICIAL DE TRABALhO DO
PRIMEIRO-MINISTRO ShINzO ABE AO
BRASIL E SOBRE O ESTABELECIMENTO
DA PARCERIA ESTRATéGICA E GLOBAL
ENTRE BRASIL E JAPãO
  2		ANEXO	AO	COMUNICADO
CONJUNTO
  3		DECLARAçãO	CONJUNTA
SOBRE	COOPERAçãO	NA	áREA
DE	CONSTRUçãO	NAVAL	PARA
FACILITAçãO DO DESENVOLVIMENTO
DE RECURSOS OFFShORE ENTRE A
REPúBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E
JAPãO
  COMUNICADO	CONJUNTO	DA
VISITA OFICIAL DE TRABALhO DO
PRIMEIRO-MINISTRO ShINzO ABE AO
BRASIL E SOBRE O ESTABELECIMENTO
DA PARCERIA ESTRATéGICA E GLOBAL
ENTRE BRASIL E JAPãO


  (Brasília e São Paulo, 31 de julho  2 de
agosto de 2014)
  A convite da Presidenta da República
Federativa do Brasil, Dilma Rousseff, o
Primeiro-Ministro do Japão, Shinzo Abe,
realizou visita oficial ao Brasil, de 31 de
julho a 2 de agosto de 2014, acompanhado
de destacados empresários, cientistas e
acadêmicos japoneses. A Presidenta Dilma
Rousseff apresentou calorosas boas-vindas
ao Primeiro-Ministro Shinzo Abe e sua
delegação. Os dois Líderes mantiveram
conversas aprofundadas sobre a agenda
nipo-brasileira, em sua dimensão bilateral
e em assuntos regionais e internacionais de
interesse comum, e traçaram planos para seu
contínuo aperfeiçoamento.
  A Presidenta Dilma Rousseff sublinhou
que o Japão é o parceiro mais tradicional do
Brasil na ásia e reconheceu o importante papel
que desempenha em assuntos econômicos
e políticos internacionais. Recordou que
representou o Governo Brasileiro durante
as comemorações, no Japão, em 2008, do
Centenário da Imigração Japonesa no Brasil,
ocasião em que teve a honra de manter
encontros com Suas Majestades o Imperador
e a Imperatriz e com Sua Alteza Imperial o
Príncipe herdeiro. Mencionou também a
calorosa e acolhedora recepção oferecida a
Sua Alteza Imperial o Príncipe herdeiro, por
ocasião de visita ao Brasil, em junho de 2008,
para as comemorações do Centenário.
  O Primeiro-Ministro Abe reconheceu que
o Brasil, com população de 202 milhões de
habitantes, grande potencial econômico e na
condição de sétima maior economia do mundo,
desempenha papel ativo em foros multilaterais,
além de distinguir-se como proeminente líder
e ator global. Notou a importância atribuída
pelo Japão ao fortalecimento das relações
com a América Latina e expressou seu desejo




230

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




de forjar laços estreitos com o Brasil nesse
processo.
  Os dois Líderes confirmaram os históricos
laços de amizade entre os dois países,
reforçados pelos fortes vínculos pessoais
entre brasileiros e japoneses. Sublinharam
que Brasil e Japão compartilham valores
fundamentais,	como	democracia,	estado
de direito, promoção de direitos humanos,
inclusão social e desenvolvimento sustentável
e saudaram a comemoração, em 2015, do 120º
aniversário do estabelecimento do Tratado de
Amizade, Comércio e Navegação entre os
dois países. Recordaram que vive no Brasil a
maior comunidade de origem nipônica fora do
Japão, e que o Japão abriga a terceira maior
comunidade brasileira no exterior, o que torna
a dimensão humana um fator diferenciador das
relações bilaterais. Assinalaram, ademais, que
o dinamismo do comércio e dos investimentos
bilaterais é parte essencial das relações
bilaterais e reafirmaram seu compromisso com
sua continuada ampliação e diversificação.
  Salientaram	também	as	auspiciosas
perspectivas de cooperação em áreas como
construção naval; projetos de infraestrutura;
agricultura; energia; ciência, tecnologia e
inovação; tecnologias da informação e de
comunicações (TICs); cooperação espacial;
saúde;	desenvolvimento	sustentável;
cooperação	educacional	e	acadêmica;
capacitação de recursos humanos; cultura; e
intercâmbio nas áreas de esportes e juventude,
entre outras. O Primeiro-Ministro Shinzo
Abe destacou a importância atribuída pelo
Japão à cooperação em sistemas de conexão
logística. A Presidenta Dilma Rousseff tomou
nota do interesse japonês. Os dois Líderes
saudaram os projetos conjuntos realizados
em terceiros países e coincidiram que Brasil
e Japão desempenham papéis de liderança
em questões globais de desenvolvimento e
contribuem significativamente para a paz

internacional.
  Cientes do grande potencial das relações
entre Brasil e Japão, os dois Líderes decidiram
elevar as relações bilaterais ao nível de
Parceria Estratégica e Global. Nesse sentido,
decidiram estabelecer o Diálogo Brasil-Japão
entre Chanceleres, com periodicidade anual.
  Cooperação Política e Diplomática
  1. Os dois Líderes comprometeram-se a
ampliar e fortalecer o diálogo político bilateral,
mantendo encontros mais frequentes entre
eles. Acolheram com satisfação a realização
periódica de consultas políticas entre as duas
Chancelarias, em nível de Subsecretário-
Geral/Vice-Ministro.
  Comércio e Investimentos
  2. Os dois Líderes assinalaram a
participação histórica e valiosa do Japão
em grandes projetos de desenvolvimento no
Brasil, em áreas como mineração, produção
de aço e alumínio, construção naval, indústria
automotiva, energia, papel e celulose,
eletrônica e agricultura. Recordaram que
a implementação exitosa do Programa de
Desenvolvimento do Cerrado (PRODECER)
celebra, em 2014, seu 40º aniversário.
  3. Os dois Mandatários saudaram a extensa
relação empresarial entre Brasil e Japão.
Reiteraram seu compromisso com o aumento
dos fluxos de comércio e investimentos
no futuro próximo, particularmente em
áreas novas e estratégicas. Nesse contexto,
destacaram o potencial de aprofundamento
da cooperação empresarial nos campos de
construção naval, logística e infraestrutura,
energia e inovação. Os dois Dignitários
concordaram em promover a cooperação
nessas áreas, por meio de contatos oficiais
entre as agências governamentais, associações
empresariais e empresas.
  4. Os dois Líderes expressam satisfação
com a Declaração Conjunta sobre Cooperação
na área de Construção Naval para Facilitação




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	231




do Desenvolvimento de Recursos Offshore
entre Brasil e Japão, por ocasião da visita
do Primeiro-Ministro, e concordaram em
promover	a	cooperação	em	indústrias
relacionadas	à	exploração	de	recursos
offshore. Nesse contexto, o Primeiro-Ministro
Shinzo Abe reiterou a importância atribuída
aos sistemas de conexão logística offshore.
  5. Ao reconhecer a importância estratégica
das redes de infraestrutura para o transporte
de grãos e outros produtos agrícolas no Brasil,
os dois Dignitários decidiram estabelecer
diálogo sobre o assunto entre os Ministérios,
agências e outras organizações competentes
dos dois países, inclusive no âmbito do setor
privado, quando necessário.
  6. Os dois Mandatários sublinharam a
importância do papel desempenhado pelo
Grupo de Notáveis, o Comitê Econômico
Conjunto Brasil-Japão (CNI-keidanren) e o
ComitêConjuntoparaaPromoçãodoComércio,
Investimentos	e	Cooperação	Industrial
(MDIC-METI) para o desenvolvimento dos
fluxos de comércio e investimentos bilaterais.
Saudaram a decisão do Grupo de Notáveis
de manter reuniões anuais. Nesse contexto,
acolheram positivamente a realização do
Seminário Empresarial organizado pelo Valor
Econômico, o Nihon keizai Shimbun e a
JETRO (Japan External Trade Organization),
no contexto da visita do Primeiro-Ministro
Shinzo Abe ao Brasil.
  7. Os dois Líderes tomaram nota com
apreço das iniciativas do keidanren, da CNI
e da FIESP, no sentido de explorar possíveis
novas iniciativas de integração econômica
que possam prestar contribuição adicional ao
aperfeiçoamento das relações empresariais
entre os dois países.
  8. Os dois Mandatários saudaram a primeira
reunião do Diálogo para o Fortalecimento das
Relações Econômicas entre o Mercosul e o
Japão, realizado em 1º de novembro de 2012.

Com vistas à ampliação e ao aprofundamento
desse exercício, que contribuirá para o
aprimoramento das relações comerciais,
destacaram a importância de convocar-se a
próxima reunião no futuro próximo.
  9. Os dois líderes enfatizaram o papel
desempenhado pelo Brasil como tradicional
exportador de alimentos para o Japão. Com
base na necessidade de garantir a segurança
alimentar, concordaram em que os dois países
continuem as discussões sobre produtos
alimentícios.
  10. Ao recordarem a abertura do mercado
japonês para as exportações do Estado de Santa
Catarina de carne suína, coincidiram em que
medidas sanitárias e fitossanitárias deverão
ser baseadas em evidências científicas e não
devem se constituir em restrições ao comércio
internacional. Nessa linha, ressaltaram que
medidas sanitárias e fitossanitárias devem ser
baseadas em padrões internacionais, diretrizes
e recomendações do Acordo da Organização
Mundial do Comércio sobre Aplicação de
Medidas Sanitárias e Fitosanitárias (WTO/SPS)
  11. Os dois Mandatários expressaram
satisfação com a assinatura do Mermorando
de Cooperação na área de Saúde entre o
Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do
Japão e o Ministério da Saúde da República
Federativa do Brasil, por ocasião da visita do
Primeiro-Ministro Shinzo Abe, e saudaram o
Seminário Brasil-Japão sobre equipamentos
médicos e regulação farmacêuticos,
organizado pela PMDA (Pharmaceuticals
and Medical Devices Agency), ANVISA
(Agência Nacional de Vigilância Sanitária),
JETRO e Beneficência Nipo-Brasileira de São
Paulo, no contexto da visita. Comprometeram-
se a estimular a cooperação e o intercâmbio
de conhecimento e experiências no campo da
saúde.
  12. Os dois líderes reiteraram a prioridade
atribuída à cooperação em saúde pública,




232

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




especialmente na área de oncologia. O
Primeiro Ministro Shinzo Abe anunciou
possíveis iniciativas de cooperação tais como a
promoção do diagnóstico de câncer colorretal.
  Cooperação em Defesa
  13. Os dois Mandatários recordaram os
intercâmbios em curso na área de defesa
entre Brasil e Japão, como as visitas a portos
na costa brasileira realizadas pelo Esquadrão
de Treinamento da Força Marítima de
Autodefesa do Japão. Saudaram a designação
do primeiro Adido de Defesa do Japão na
América Latina, na Embaixada do Japão em
Brasília. Concordaram também em iniciar,
futuramente, diálogo sobre política externa e
intercâmbio em defesa, incluindo cooperação
em equipamentos de defesa.
  Cooperação Técnica
  14. Reconhecendo o importante papel que a
capacitação de recursos humanos desempenha
no desenvolvimento econômico e social, os
dois Líderes concordaram em continuar a
fomentar iniciativas dessa natureza no Brasil.
A esse respeito, o Primeiro-Ministro Shinzo
Abe anunciou que o Japão iria receber cerca
de 900 brasileiros, ao longo dos próximos 3
anos, em programas de formação da JICA,
com vistas a aprimorar sua capacitação. Os
programas incluem áreas como construção
naval, fabricação de autopeças, gestão de
resíduos, redução do risco de desastres,
melhoria da infraestrutura, saúde médica, e
segurança do cidadão, contemplando projeto
de divulgação nacional de policiamento
comunitário, por meio do sistema koban.
  15. Os dois Líderes exaltaram os avanços
alcançados na cooperação trilateral em favor de
países da América Latina e Caribe e países de
expressão portuguesa na áfrica. Reafirmaram
que o programa de cooperação conjunta para
o desenvolvimento agrícola em Moçambique
(Pro-Savana) deve ser promovido com base
em estreito diálogo com a sociedade civil e as

comunidades rurais, com vistas à melhoria da
qualidade de vida dos habitantes do Corredor
de Nacala, por meio da agricultura inclusiva
e sustentável e do desenvolvimento regional.
  Ciência, Tecnologia e Inovação
  16. Os dois Líderes saudaram a cooperação
bilateral em curso nas áreas de radiodifusão
digital, redução de risco de desastres,
biotecnologia, pesquisa agrícola, biomedicina
e saúde, tecnologia de portos, oceanografia
e ciências do mar. Sublinharam a assinatura,
durante a visita do Primeiro-Ministro Shinzo
Abe, da Carta de Intenção entre o Ministério
da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil,
o Ministério da Educação, Cultura, Esporte,
Ciência e Tecnologia do Japão e o Ministério
da Terra, Infraestrutura, Transportes e
Turismo do Japão sobre temas ambientais e de
sustentabilidade relacionados à prevenção de
desastres naturais. Recordaram os resultados da
expedição de pesquisa Iatá-Piúna, conduzida
em conjunto pelo submarino de pesquisas
tripulado ShINkAI 6500 da Agência
Japonesa de Ciência e Tecnologia Marítima e
Terrestre (JAMSTEC) e por vários institutos
de pesquisa e agências governamentais
brasileiros, e expressaram interesse em renovar
iniciativas dessa natureza. Coincidiram que a
crescente colaboração entre a JAMSTEC e
o Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas
e hidroviárias (INPOh) irá aprofundar
parcerias em ciências e tecnologias do
mar entre Brasil e Japão. Os dois Líderes
tomaram nota, igualmente, da assinatura de
Memorando entre a Sociedade Japonesa para
Promoção da Ciência (JSPS) e a Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
(FAPESP), para promover a colaboração
em pesquisas de mútuo interesse em todas
as áreas das ciências naturais, das ciências
sociais e das humanidades. Compartilharam
a expectativa de que a cooperação científica
e tecnológica será estimulada por meio do




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	233




Memorando que será assinado em 2 de Agosto
de 2014 entre a Agência Japonesa de Ciência
e Tecnologia (JST) e a Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Reconheceram a cooperação exitosa para o
uso dos dados gerados pelo satélite japonês
ALOS, e manifestaram a expectativa da
continuidade da cooperação na utilização de
satélites de observação da Terra, em áreas
como	monitoramento	de	desmatamento,
degradação florestal e mudança de uso do solo.
Reconheceram, igualmente, o potencial para
cooperação bilateral em áreas como satélites
e espaço, energia nuclear e tecnologias da
informação e comunicação, entre outras.
Nesse sentido, confirmaram importância de
realizar a IV Reunião do Comitê Conjunto
sobre Cooperação em Ciência e Tecnologia
em data mutuamente conveniente.
  17. Tendo em vista a importância da
segurança nuclear e a cooperação nuclear
civil entre os dois países, os dois Líderes
expressaram interesse comum no avanço
das negociações de acordo bilateral para
cooperação nos usos pacíficos da energia
nuclear.
  18. Os dois Mandatários concordaram em
explorar a possibilidade de cooperação entre
setor produtivo, academia e governo, como
meio de fortalecer a cooperação em inovação
e em atividades e parcerias intensivas em
conhecimento.
  19. Os dois Líderes saudaram as iniciativas
exitosas do Brasil e do Japão para a disseminação
dopadrãoNipo-BrasileirodeTVdigital(ISDB-T,
Integrated Services Digital Broadcasting
 Terrestrial), o qual já foi adotado em quase
toda a América do Sul e em alguns países da
América Central (Costa Rica, Guatemala e
honduras) e da áfrica (Botswana). Ao notar,
com satisfação, a realização do primeiro Diálogo
sobre Tecnologia da Comunicação e Informação
entre Brasil e Japão, realizado em São Paulo, em

maio de 2014, em sequência a entendimentos
mantidos entre o Ministro de Assuntos Interiores
e Comunicações do Japão, Yoshitaka Shindo, e
o Ministro das Comunicações do Brasil, Paulo
Bernardo, durante seu último encontro em
Brasília, em julho de 2013, os dois Dignitários
reafirmaram sua intenção de intensificar
a cooperação bilateral em tecnologia da
comunicação e informação.
  20. Os dois Mandatários registraram, com
satisfação, o diálogo em curso sobre iniciativas
de cooperação espacial, entre suas autoridades
espaciais, em áreas como gestão de desastres
e capacitação. Acolheram positivamente o
envolvimento de representantes dos setores
público e privado dos dois países na área,
assim como a cooperação na utilização de
nanossatélites brasileiros a partir do Módulo
Experimental japonês kibo, na Estação
Espacial Internacional. Reafirmaram a
importância de garantir a segurança e a
sustentabilidade das atividades no espaço
exterior, por meio do desenvolvimento regras
e princípios relacionados ao espaço.
  21. A Presidenta Dilma Rousseff sublinhou
a elevada importância atribuída ao programa
brasileiro Ciência sem Fronteiras e ao papel
desempenhado pelo Japão nesse âmbito. O
Primeiro-Ministro Shinzo Abe expressou
satisfação com a presença de estudantes
brasileiros no Japão, no contexto do programa,
e externou seu desejo de que o Japão receba
mais estudantes brasileiros. Nesse sentido,
os dois Líderes envidarão esforços para
promover o ensino de língua japonesa para
estudantes brasileiros. Os dois Líderes
saudaram as oportunidades de programas de
estágio oferecidos por empresas japonesas
a estudantes brasileiros no Japão, no âmbito
do Ciência sem Fronteiras, e manifestaram
a expectativa de que o programa promova o
intercâmbio entre os dois povos, nas áreas
acadêmica e empresarial.




234

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




  Cooperação sobre imigração japonesa e
comunidade brasileira no Japão, e sobre temas
educacionais, judiciários e consulares
  22. Ao recordar a imigração japonesa no
Brasil, iniciada em 1908, os dois Dignitários
exaltaram a contribuição da comunidade
japonesa no Brasil e da comunidade brasileira
no Japão para o desenvolvimento dos dois
países e para o aprofundamento das relações
bilaterais. Sublinharam a importância da
cooperação nas áreas de educação, justiça,
assuntos consulares e previdência social, em
apoio à comunidade brasileira no Japão e à
comunidade japonesa no Brasil.
  23. Ao recordar o Programa Conjunto
sobre a Comunidade Brasileira no Japão,
lançado em 2005, por ocasião da visita do
então Presidente Lula ao Japão, os dois
Líderes reafirmaram a importância atribuída
à oferta de oportunidades de aprendizado
de japonês para os brasileiros residentes no
Japão, assim como de educação para seus
filhos, e manifestaram apreço pelas iniciativas
já empreendidas pelo Governo japonês e
autoridades relevantes na área. Reconheceram
as valiosas oportunidades para a comunidade
brasileira no Japão propiciadas por iniciativas
conjuntas dos dois Governos, ora em curso,
com vistas à redução da evasão escolar, ao
estímulo para que jovens adultos retornem à
escola, assim como à oferta de oportunidades
de educação para condenados pela justiça.
Compartilharam, ademais, a visão comum
de que os dois países devem continuar a
manter estreita cooperação, em uma base de
responsabilidade compartilhada em questões
dessa natureza.
  24. Os dois Líderes manifestaram seu
apoio à contínua promoção da cooperação
bilateral judiciária, tanto em matéria criminal,
quanto civil. O Primeiro-Ministro Shinzo
Abe informou sobre a aprovação pela
Dieta Nacional do Japão, em junho último,

do Tratado entre o Japão e a República
Federativa do Brasil sobre a Transferência
de Pessoas Condenadas. A Presidenta Dilma
Rousseff acolheu positivamente a notícia e
manifestou a intenção de acelerar os trâmites
domésticos, com vistas à breve conclusão dos
requisitos constitucionais necessários para a
entrada em vigor do Tratado.
  25. Os dois Mandatários registraram,
com satisfação, a cooperação na área de
previdência social, fortalecida pela entrada em
vigor de Acordo Bilateral sobre o assunto, em
2012. Registraram também, com satisfação,
o importante trabalho desempenhado pelo
Fórum Consular, que possibilita a manutenção
de diálogo transparente e a tomada de
inciativas conjuntas sobre diversas questões
da agenda bilateral nessa área. Concordaram
em organizar reunião do referido Fórum o
mais breve possível.
  26. A Presidenta Dilma Rousseff saudou a
decisão japonesa de introduzir vistos de entrada
múltipla para portadores de passaporte brasileiro
comum e o Primeiro-Ministro Shinzo Abe
manifestou apreço pela decisão brasileira de
diminuir os requisitos de visto para portadores
de passaporte japonês comum. Ambos os
Líderes acolheram positivamente a dispensa
recíproca, introduzida em 2013, de requisitos
para obtenção de visto para portadores de
passaportes diplomáticos e oficiais.
  Intercâmbio cultural, esportivo e
humanístico
  27. O Primeiro-Ministro Shinzo Abe
manifestou o apreço japonês pela contribuição
do Brasil à promoção da cultura futebolística
no Japão, ao longo dos anos, e congratulou o
Brasil pela organização exitosa da Copa do
Mundo FIFA 2014. Nesse contexto, exaltou a
iniciativa brasileira de chamar a atenção para
o combate ao racismo. A Presidenta Dilma
Rousseff parabenizou o Japão por sediar, em
2020, os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	235




Tóquio, e manifestou o desejo brasileiro de
cooperar na organização do evento.
  28. O Primeiro-Ministro Shinzo Abe
reiterou a importância atribuída à promoção
do Programa Esporte para o Amanhã, com
vistas ao pleno êxito dos Jogos Olímpicos e
Paraolímpicos de Tóquio de 2020. Manifestou,
nesse sentido, o interesse em cooperar com
o Brasil. Os dois Dignitários afirmaram que
trabalharão, conjuntamente, com parceiros
globais para manter o momento no combate
à fome e à desnutrição, em seguimento
ao processo de nutrição olímpica iniciado
durante os Jogos Olímpicos de Londres, de
2012, que terá sequência nas Olímpiadas do
Rio de Janeiro, de 2016, e de Tóquio, de 2020.
  Temas Globais e Regionais
  29. Os dois Mandatários confirmaram que
Brasil e Japão continuarão a contribuir, no
âmbito da Organização Mundial do Comércio,
para o fortalecimento do sistema multilateral
de comércio. Nesse contexto, reiteraram seu
apoio a um sistema multilateral de comércio
aberto,	inclusivo,	não-discriminatório,
transparente e baseado em regras estabelecidas,
e comprometeram-se a continuar a envidar
esforços com vistas à conclusão exitosa da
Rodada Doha de Desenvolvimento, na esteira
dos resultados positivos obtidos na Nona
Conferência Ministerial, que teve lugar em
Bali, em 2013.
  30. Os dois Líderes sublinharam o papel
crucial do G20 para dinamizar a economia
global e criar empregos.
  31.	Os	dois	Dignitários	enfatizaram
o firme compromisso de fortalecer sua
estreita cooperação nas áreas de reforma
do Conselho de Segurança das Nações
Unidas, desarmamento e não-proliferação,
desenvolvimento sustentável, meio ambiente,
mudança do clima, direitos humanos, paz e
segurança internacional, e economia mundial,
no âmbito das Nações Unidas e suas agências,

fundos e programas; da OMC; e de outros
foros multilaterais.
  32. Os dois Líderes reforçaram a decisão
de trabalhar para a realização, com a
brevidade necessária, da reforma das Nações
Unidas, incluindo a expansão do Conselho
de Segurança (CSNU), tanto na categoria
dos membros permanentes quanto dos não-
permanentes, particularmente por meio dos
esforços do G4 (que também inclui índia e
Alemanha), para melhor refletir a realidade
da comunidade internacional no século 21
e, portanto, reforçar a representatividade,
a legitimidade e a eficácia do CSNU.
Enfatizaram que, após quase setenta anos
da fundação das Nações Unidas e dez anos
da assinatura do documento final da Cúpula
Mundial de 2005, chegou o momento de
avanços concretos, nesse processo já muito
atrasado, tendo em vista o 70º aniversário
das Nações Unidas em 2015. Nesse contexto,
Brasil e Japão reiteraram o apoio mútuo para
se tornarem membros permanentes de um
Conselho de Segurança reformado. A Parte
brasileira reiterou o apoio à candidatura
japonesa para um assento não-permanente no
CSNU (mandato de 2016-2017).
  33. Os dois Líderes acolheram com
satisfação a recente reunião do mecanismo de
consultas Brasil-Japão sobre temas das Nações
Unidas em Tóquio (20 de julho, 2014).
  34. Os dois Dignitários reafirmaram o
compromisso com a igualdade de gênero
e com o empoderamento da mulher, tanto
em nível nacional, quanto internacional, e
expressaram seu apreço pelos esforços de cada
um dos dois países nesse sentido. A Presidenta
Dilma Rousseff saudou a iniciativa japonesa
para promover uma Sociedade onde as
Mulheres Brilham, lançada em setembro de
2013, e expressou o interesse em compartilhar
a experiência do Governo brasileiro em
políticas públicas para mulheres, como o




236

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência
contra a Mulher e o programa Casa da Mulher
Brasileira, que inclui o programa Mulher,
Viver sem Violência.
  35. Os dois Mandatários enfatizaram a
importância que os dois países atribuem à
prevenção de conflitos, bem como à solução
pacífica de controvérsias e destacaram que
quaisquer ações ou medidas tomadas pela
comunidade internacional para a solução
de conflitos devem estar em conformidade
com a Carta das Nações Unidas e o Direito
Internacional.
  36. Os dois Líderes confirmaram as
relevantes contribuições de seus respectivos
países às operações de paz da ONU, e
sublinharam seu papel na promoção da paz
e segurança internacionais. Sublinharam,
igualmente, a importância de um tratamento
integrado ao processo de construção da paz
após conflitos que promova, simultaneamente,
a segurança e o desenvolvimento.
  37. Expressando grande preocupação com
as catastróficas consequências humanitárias
do uso de armas nucleares, Brasil e Japão
destacaram seu compromisso conjunto com a
eliminação total desse gênero de armamento.
Renovaram os compromissos de seus Estados
com o Tratado de Não-Proliferação Nuclear
(TNP) e com a implementação do Plano de
Ação da Conferência de Revisão do TNP de
2010. Compartilharam a percepção de que
o atual ciclo de revisão do TNP, que será
concluído em 2015, deveria resultar em uma
aceleração da implementação de todas as
obrigações do TNP, em particular aquelas do
Artigo VI do Tratado.
  38. O Primeiro-Ministro Shinzo Abe
explicou a determinação do Japão em contribuir
mais ativamente para a paz, estabilidade e
prosperidade da comunidade internacional
sob a política da Contribuição Proativa para
a Paz, com base no princípio da cooperação

internacional e a Decisão de Gabinete de 1º de
Julho sobre o Desenvolvimento de Legislação
de Segurança. A Presidenta Dilma Rousseff
expressou sua expectativa de que o Japão
continuará a desempenhar papel importante
para a paz, estabilidade e prosperidade no
mundo.
  39. Os dois Mandatários trocaram impressões
sobre numerosas questões globais e regionais,
particularmente da ásia e América Latina.
Sublinharam a necessidade de garantir que
questões e disputas internacionais devem ser
solucionadas por meios pacíficos e com base no
direito internacional e não por meio da força.
  40. Os dois Dignitários expressaram apoio
ao processo decenal de revisão dos resultados
da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da
Informação e reafirmaram o compromisso de
superar os desafios relacionados à governança
da Internet e à exclusão digital, com o
objetivo de atingir plenamente Sociedades
da Informação inclusivas, democráticas,
transparentes e voltadas ao desenvolvimento.
  41. O Primeiro-Ministro Shinzo Abe
expressou seu apreço pelo fato de o Brasil ter
sido o anfitrião da NETmundial  Encontro
Multissetorial Global Sobre o Futuro da
Governança da Internet  , realizado em
São Paulo, em abril de 2014. Os dois Líderes
saudaram a Declaração Multissetorial do
NETMundial, bem como os princípios e o
roteiro para governança da Internet consignados
no documento, e reafirmaram a noção
compartilhada de uma Internet livre, aberta
e inovadora, baseada em uma governança
multissetorial, transparente e democrática, com
pleno respeito aos direitos humanos.
  42. Os dois Líderes expressaram
preocupação com a continuidade do programa
de desenvolvimento de armamentos nucleares
e mísseis balísticos da Coreia do Norte.
Exortaram a Coreia do Norte a abandonar
todos os programas nucleares e referentes




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	237




a mísseis balísticos de maneira completa,
verificável	e	irreversível,	e	a	cumprir
integralmente as obrigações estabelecidas
nas resoluções relacionadas do CSNU e os
compromissos	assumidos	na	Declaração
das Negociações hexapartites de 2005.
Conclamaram fortemente a Coreia do Norte a
adotar medidas concretas para a resolução da
questão dos sequestrados e a tratar de outros
temas de direitos humanos e humanitários,
inclusive por meio do engajamento construtivo
em mecanismos multilaterais de direitos
humanos.
  43. Os dois Dignitários expressaram
profunda preocupação com a deterioração
da situação humanitária na Síria e nos
países vizinhos e condenaram o aumento
das violações de direitos humanos por todas
as partes envolvidas. Conclamaram todas as
partes a comprometerem-se imediatamente
com um completo cessar-fogo, pôr fim à
violência e permitir e facilitar acesso imediato,
seguro e irrestrito a atores humanitários, de
acordo com as Resoluções 2139 e 2165 do
Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Sublinharam que não há solução militar para
o conflito e que apenas um processo politico
inclusivo, liderado pelos sírios, conforme
recomendado no Comunicado Final de 2012
do Grupo de Ação sobre a Síria, poderia
conduzir à paz e à proteção efetiva de civis.
  44. Os dois Mandatários manifestaram
profunda preocupação em relação à violência
e deterioração da situação em Gaza e à perda
de vidas civis, incluindo mulheres e crianças.
Condenaram o uso desproporcional da força
e a violência contra civis. Ambos os Líderes
clamaram por um cessar-fogo imediato e
instaram as partes a exercer o comedimento
e a impedir a escalada da violência e a
morte de civis. Ressaltaram, igualmente, o
compromisso em contribuir para uma solução
abrangente, justa e duradoura para o conflito

árabe-Israelense, componente fundamental
para a construção da paz no Oriente Médio.
Instaram a retomada das negociações a fim de
se alcançar uma solução de dois Estados, na
qual Israel e Palestina convivam lado a lado
em paz e segurança.
  45. Os dois Dignitários sublinharam
o papel desempenhado pelo FOCALAL
(Fórum de Cooperação América Latina-
ásia do Leste) e suas contribuições para a
aproximação das duas regiões e reafirmaram
seu ao seu continuado desenvolvimento. O
Primeiro-Ministro Shinzo Abe reconheceu
a relevância da CELAC (Comunidade de
Estados Latino-Americanos e Caribenhos) e o
importante papel desempenhado pelo Brasil na
organização. O lado brasileiro comprometeu-
se a informar aos demais membros da CELAC
sobre o interesse do Japão em estabelecer um
diálogo de alto nível com a organização.
  46. A Presidenta Dilma Rousseff expressou
satisfação pela admissão do Japão como
Observador Associado na CPLP (Comunidade
de Países de Língua Portuguesa) durante
a recente Cúpula da CPLP em Díli, Timor
Leste. Os dois Mandatários compartilharam a
percepção que o status adquirido pelo Japão
no contexto da CPLP poderá abrir novos
caminhos para a cooperação entre Brasil e
Japão.
  Desenvolvimento Sustentável, Agenda de
Desenvolvimento Pós-2015 e Mudança do
Clima
  47. Os dois Líderes reafirmaram a
disposição de trabalhar conjuntamente,
com vistas à formulação de uma agenda
de desenvolvimento pós-2015 baseada nos
resultados da Rio+20, que obtenha avanços
nos Objetivos de Desenvolvimento do
Milênio ainda não alcançados e que trate de
forma coerente os desafios interligados de
erradicação da pobreza e do desenvolvimento
sustentável. Enfatizaram, ademais, o papel




238

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




positivo das energias renováveis no contexto
do desenvolvimento sustentável.
  48. Os dois Mandatários concordaram em
cooperar com vistas à Terceira Conferência
da ONU sobre Redução de Risco de
Desastres, que terá lugar em março de 2015,
e ao estabelecimento de um sucessor para o
hyogo Framework of Action 2005-2015.
  49. Os dois Líderes concordaram que ações
urgentes e concretas são necessárias para
tratar da mudança do clima e reafirmaram
seu compromisso com a Convenção-Quadro
das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima
(UNFCCC), como o principal instrumento
internacional nessa área. Clamaram para que
um acordo justo, ambicioso e eficaz, aplicável a
todas as partes sob a Convenção, seja assinado
em 2015, na 21ª Conferência das Partes
(Paris, 2015), baseado nas decisões tomadas
na COP. Manifestaram grande satisfação em
contribuir para o diálogo multilateral por meio
da organização conjunta da Reunião Informal
sobre NovasAções contra a Mudança do Clima,
realizada anualmente desde 2002, com ampla
participação de países e que serve de ocasião
para avaliação e intercâmbio de ideias sobre
o processo negociador. O Brasil recebe com
satisfação o compromisso do Japão de prover
US$ 16 bilhões para medidas de mitigação
e adaptação em países em desenvolvimento
durante o período de 2013-2015. O Japão
congratulou o Brasil pelo sucesso no combate
ao desmatamento e sublinhou a efetividade
da estratégia brasileira de reduzir o que, até
recentemente, era a fonte principal de suas
emissões.
  50. O Japão acolheu com satisfação a
ratificação pelo Brasil do Acordo Internacional
de Madeiras Tropicais (2006), e os dois
Líderes expressaram a intenção de trabalhar
em conjunto para combater o desmatamento,
bem como para promoção do manejo florestal
sustentável. Nesse contexto, o Brasil destacou

a importância do Fundo Amazônia como
instrumento para a obtenção de doações
para projetos que previnem, monitoram
e combatem o desmatamento, bem como
promovem a preservação e o uso sustentável
de florestas no Bioma Amazônico.
  51. A Parte brasileira manifestou apreço
pela assistência técnica do Japão durante mais
de vinte anos para o manejo seguro do mercúrio
no Brasil. Os dois Líderes receberam com
satisfação a adoção e abertura para assinatura
da Convenção de Minamata sobre Mercúrio
na cidade de kumamoto, em outubro de 2013,
e coincidiram sobre a importância da entrada
em vigor, com a brevidade necessária, da
Convenção. Tendo em vista o novo método
japonês de assistência técnica projetado para
a prevenção da poluição por mercúrio, os dois
Líderes manifestaram a intenção de trabalhar
em conjunto nessa área.
  52. Os dois Mandatários confirmaram
seus esforços contínuos para a aceleração do
crescimento, com qualidade, na áfrica, bem
como para a consecução dos Objetivos de
Desenvolvimento do Milênio.
  Considerações finais
  53. Os dois Líderes registraram
com satisfação a recente assinatura dos
instrumentos bilaterais em anexo.
  54. Os dois Mandatários coincidiram
que a visita oficial do Primeiro-Ministro
Shinzo Abe teve resultados muito positivos.
O Primeiro-Ministro Shinzo Abe agradeceu
à Presidenta Dilma Rousseff pela calorosa
acolhida e generosa hospitalidade estendidas
a ele e sua delegação. O Primeiro-Ministro
Shinzo Abe manifestou sua expectativa de
que a Presidenta Dilma Rousseff realize visita
ao Japão, em data mutuamente conveniente.
  Brasília, 1º de agosto de 2014
  ANEXO AO COMUNICADO CONJUNTO
  ATOS ASSINADOS NO CONTEXTO DA
VISITA DO PRIMEIRO MINISTRO ShIzO




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	239




ABE AO BRASIL
  1) Memorando de Cooperação na área de
saúde entre Ministério da Saúde do Brasil e
o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar
Social do Japão
  2) Declaração de Intenção na área de
ciências da terra e do mar entre o Ministério
da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) do
Brasil e a Agência Japonesa de Tecnologias e
Ciências da Terra e do Mar (JAMSTEC)
  3) Carta de Intenção entre o Ministério da
Ciência, Tecnologia e Inovação, da República
Federativa do Brasil, o Ministério da Educação,
Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia do
Japão e o Ministério da Terra, Infraestrutura,
Transportes e Turismo do Japão
  4) Memorando de Entendimento entre
o Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) e o Japan
Bank for International Cooperation (JBIC)
para promover investimentos no Brasil de
empresas japonesas de pequeno e médio porte
  5) Acordo de Empréstimo e Acordo
Suplementar de Seguro para projeto de
construção de plataforma de petróleo entre a
Petrobrás, a Nippon Export and Investment
Insurance (NEXI) e o Banco Mizuho
  6) Acordo de Empréstimo e Acordo
Suplementar de Seguro para projeto agrícola
entre a Amaggi Exportação e Importação
Ltda, a Nippon Export and Investment
Insurance (NEXI) e a Sumitomo Mitsui
Banking Corporation
  7) Memorando de Entendimento para
fortalecer a cooperação na área de mineração
entre a Vale S/A e a Japan Oil, Gas and
Metals Corporation (JOGMEC)
  8) Memorando de Entendimento entre a
Vale S/A e o Japan Bank for International
Cooperation (JBIC) sobre colaboração em
empreendimentos
  9) Memorando de Entendimento entre
a Universidade Federal de Pernambuco, o

Estaleiro Atlântico Sul e a IhI Corporation
  DECLARAçãO       CONJUNTA
SOBRE COOPERAçãO  NA  áREA
DE CONSTRUçãO  NAVAL PARA
FACILITAçãO DO DESENVOLVIMENTO
DE RECURSOS OFFShORE ENTRE A
REPúBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E
JAPãO
  A seguinte declaração foi emitida pelos
Governos da República Federativa do Brasil
e do Japão, por ocasião da visita do Primeiro-
Ministro Shinzo Abe ao Brasil, em 1º de
Agosto de 2014.
  Brasil e Japão reconhecem a importância de
fortalecer a base da indústria naval brasileira,
a fim de construir, manter e gerir os navios e
estruturas offshore, que sustentam a exploração
e a produção offshore de petróleo no Brasil.
Além disso, os dois países reconhecem que
a indústria da construção naval precisa não
apenas de instalações e de força de trabalho,
mas também de tecnologias avançadas,
conhecimento e habilidades específicas
para a construção, e que as tecnologias, os
conhecimentos e as habilidades que indústria
de construção naval japonesa já possui, em
vista de muitos anos de experiência, irão
beneficiar a indústria naval brasileira.
  O fator mais importante na cooperação
naval entre os dois países é o investimento
feito pelas empresas japonesas de construção
naval e o envio de engenheiros e operários
capacitados, a fim de capacitar a indústria
naval brasileira.
  Em maio de 2012, a kawasaki heavy
Industries Ltd. assinou com a Odebrecht SA,
OAS e UTC Participações SA um contrato de
formação de joint venture, para investimento
conjunto na Enseada Indústria Naval SA.
  A cerimônia de lançamento foi realizada
com sucesso em julho de 2012, com a presença
da Presidenta do Brasil, Dilma Rousseff.
Atualmente, o estaleiro está sendo edificado e




240

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




navios de perfuração para a Sete Brasil estão
sendo construídos.
  Em junho de 2013, a IhI Corporation, a
Japan Gas Corporation e a Japan Marine
United Corporation adquiriram participação
no capital do Estaleiro Atlântico Sul (EAS),
compartilhando o avançado conhecimento
tecnológico	e	operacional	japonês.	As
empresas japonesas possuem, conjuntamente,
um terço da participação no EAS, enquanto
Grupo Camargo Corrêa e Grupo Queiroz
Galvão possuem, cada um, também um terço.
O estaleiro já construiu três navios aliviadores
e a Presidenta Brasileira Dilma Rousseff
assistiu a todas as cerimônias de entrega. As
próximas entregas do EAS incluem petroleiros
e navios de perfuração para a Petrobras.
  A Mitsubishi heavy Industries Ltd., a
Imabari Shipbuilding Corporation Ltd., a
Namura Shipbuilding Corporation Ltd.,
a Oshima Shipbuilding Corporation Ltd.
e a Mitsubishi Corporation assinaram um
contrato de investimento com a Ecovix -
Engevix Construções Oceânicas. Atualmente,
cascos FPSO (unidade flutuante de produção,
armazenamento e transferência) e navios de
perfuração estão sendo construídos.
  Brasil e Japão esperam que a participação
dessas	empresas	japonesas	desempenhe
um papel importante no aprimoramento
da indústria naval brasileira e permita a
exploração e produção offshore de petróleo
on-schedule no Brasil.
  A fim de reforçar a parceria entre Brasil e
Japãonaindústriadeconstruçãonaval,em2012,
foi assinado o Memorando de Entendimento
em Matéria de Tecnologia e Indústria Marítima
pelo Ministro do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior (MDIC) do Brasil e o
Ministro da Terra, Infraestrutura, Transporte
e Turismo (MLIT) do Japão. Em vista disso,
os setores público e privado de ambos os
países se reuniram e realizaram conferências,

anualmente, no Rio de Janeiro, para troca de
informações e discussão de soluções para os
problemas de exploração e de produção de
petróleo e de desenvolvimento da indústria de
construção naval.
  Atualmente, uma questão relevante para o
desenvolvimento da indústria naval brasileira é
o aprimoramento da qualificação dos recursos
humanos. Para aprimorar esse quadro, Brasil
e Japão pretendem iniciar um projeto de
cooperação técnica. Em linha com este projeto,
o Ministério do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior do Brasil (MDIC), o
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
(SENAI), o Ministério da Terra, Infraestrutura,
Transportes e Turismo do Japão (MLIT) e
a Agência Internacioanl de Cooperação do
Japão (JICA) irão promover o intercâmbio de
instrutores, para o aprimoramento das técnicas
dos trabalhadores brasileiros da construção
naval, incluindo formação no Japão.
  O projeto também pretende compartilhar
práticas japonesas de construção, organização
e método, cuja implementação ficará a cargo
do MDIC e do MLIT.
  Os dois países reconhecem que as
tecnologias e os produtos da indústria naval
brasileira devem manter padrões de alto
nível em termos de segurança, desempenho,
funcionalidade, eficiência e qualidade, a fim
de garantir a capacidade de exploração e
produção, com a descoberta de campos de
petróleo offshore em áreas de águas profundas,
afastadas do continente brasileiro.
  Um dos desafios típicos para satisfazer os
requisitos acima mencionados é a forma de
garantir a segurança e eficiência no transporte
de trabalhadores, do continente para as
plataformas offshore, localizadas a mais de
300 km de distância da costa, nas chamadas
área do Pré-sal.
  Como uma solução potencial para o desafio
mencionado, a indústria de construção naval




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	241




japonesa apresentou proposta de Sistema de
Conexão Logística (Logistic hub System),
compreendendo tecnologia para navios de alta
velocidade e para estrutura flutuante de larga escala.
  Os dois países reconhecem a importância
do desenvolvimento de tecnologias e de
produtos voltados para recursos offshore,
fortalecendo a cooperação Brasil-Japão, não
apenas no setor privado, mas também nos
níveis acadêmicos e administrativos.
  Os dois países também reconhecem que a
cooperação Brasil-Japão na área da construção
naval remonta à década de 1950, quando a atual
IhI Corporation estabeleceu a Ishikawajima
do Brasil Estaleiros S/A (Ishibras), no Rio de
Janeiro. Além disso, os países reconhecem
que a cooperação naval atual se deve à relação
de confiança entre os dois países nesse setor,
que foi iniciada pela Ishibras e por todas os
envolvidos nesse projeto.
  A partir desta experiência, Brasil e Japão
esperam que o futuro estreitamento das
relações de cooperação no setor da construção
naval, para o desenvolvimento de recursos
offshore do Brasil, irá contribuir não apenas
para aprofundar a cooperação no domínio
econômico, mas também para fortalecer os
laços de amizade, por meio do intercâmbio de
pessoas entre os dois países.

   ATOS ASSINADOS POR OCASIãO DA
     VISITA AO BRASIL DO PRIMEIRO-
   MINISTRO DO JAPãO, ShINzO ABE -
     BRASíLIA, 1º DE AGOSTO DE 2014
     ATO ASSINADO POR OCASIãO DA
        VISITA DO VICE-MINISTRO DE
   COOPERAçãO INTERNACIONAL DA
 REPúBLICA DO IêMEN, OMER ABDUL-
                  AzIz ABDUL-GhANI
                            08/08/2014
   
ACORDO DE COOPERAçãO TéCNICA
ENTRE GOVERNO DA REPúBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO
DA REPúBLICA DO IêMEN
  O Governo da República Federativa do
Brasil
  e
  O Governo da República do Iêmen
  (doravante denominadas Partes),
  Com vistas a fortalecer os laços de amizade
existentes entre seus povos;
  Considerando o interesse mútuo em
estimular o desenvolvimento social e
econômico de seus respectivos países;
  Convencidos da necessidade de promover
o desenvolvimento sustentável de cooperação
entre as Partes;
  Reconhecendo as vantagens recíprocas
da cooperação técnica em áreas de interesse
comum, e
  Desejosos de desenvolver cooperação que
estimule o progresso técnico,
  Acordaram o seguinte:
  Artigo I
  O presente Acordo de Cooperação Técnica,
doravante denominado Acordo, tem por
objeto a promoção da cooperação técnica nas
áreas consideradas prioritárias pelas Partes.
  Artigo II
  Com o intuito de realizar os objetivos do
presente Acordo, as Partes podem se beneficiar
de mecanismos de cooperação trilateral, por
meio de parcerias triangulares com outros
países, organismos internacionais ou agências
regionais.
  Artigo III
  1. Os projetos de cooperação técnica
serão implementados por meio de Programas
Executivos.
  2. Igualmente por meio de Programas
Executivos, serão definidos as instituições
executoras, os órgãos coordenadores e os
componentes necessários à implementação




242

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




dos mencionados projetos.
  3. Dos programas e projetos a serem
desenvolvidos ao amparo do presente Acordo,
poderão participar instituições dos setores
público e privado, assim como organizações
não governamentais, conforme acordado por
meio de Programas Executivos.
  4. De acordo com as respectivas leis
e	regulamentos,	as	Partes	contribuirão,
em conjunto ou separadamente, para a
implementação dos programas e projetos
aprovados,	bem	como	poderão	buscar
financiamento de organizações internacionais,
fundos, programas internacionais e regionais
e outros doadores.
  Artigo IV
  1. As Partes deverão convocar reuniões
periódicas, a fim de lidar com questões
relacionadas com os projetos de cooperação
técnica, tais como:
  a) avaliar e definir áreas prioritárias comuns
nas quais seria viável a implementação de
cooperação técnica;
  b) estabelecer mecanismos e procedimentos
a serem adotados pelas Partes;
  c) examinar e aprovar Planos de Trabalho;
  d) analisar, aprovar e acompanhar a
implementação dos programas, projetos e
atividades de cooperação técnica; e
  e) avaliar os resultados da execução
dos	programas,	projetos	e	atividades
implementados no âmbito deste Acordo.
  2. O local e a data das reuniões serão
acordados por via diplomática.
  Artigo V
  Os documentos, informações e outros
conhecimentos obtidos em decorrência da
implementação deste Acordo serão protegidos
de acordo com a legislação interna de cada
Parte aplicável à matéria.
  Artigo VI
  Nos	termos	das	respectivas	leis	e
regulamentos, cada Parte deverá fornecer

ao pessoal da outra Parte o necessário
apoio logístico, relacionado com a sua
acomodação, facilidades de transporte, acesso
às informações necessárias para a execução
de suas tarefas específicas, as quais serão
detalhadas pelos Programas Executivos.
  Artigo VII
  1. Cada Parte concederá ao pessoal
designado pela outra Parte, para exercer
suas funções no seu território, no âmbito
do presente Acordo, bem como aos seus
dependentes legais, quando for o caso, com
base na reciprocidade de tratamento, desde
que não se trate de cidadãos de qualquer
das Partes em seu próprio território ou de
estrangeiros com residência permanente:
  a) vistos, conforme as regras aplicáveis por
cada Parte, solicitados por via diplomática;
  b) isenção de taxas aduaneiras e de outros
impostos incidentes sobre a importação
de objetos pessoais, durante os primeiros
seis (6) meses de estada, com exceção de
taxas relativas a despesas de armazenagem,
transporte e outros serviços similares,
destinados à primeira instalação, sempre que
o prazo de permanência legal no país anfitrião
seja superior a um ano. Tais objetos deverão
ser reexportados ao final da missão, a menos
que os impostos de importação, dos quais
foram originalmente isentos, sejam pagos;
  c) isenção e restrição idênticas àquelas
previstas na alínea b deste Artigo, quando
da reexportação dos referidos bens;
  d) isenção de impostos sobre renda quanto
a salários a cargo de instituições da Parte
que os enviou. No caso de remunerações e
diárias pagas pela instituição que os recebe,
será aplicada a legislação do país anfitrião,
observados os acordos de bitributação
eventualmente firmados entre as Partes;
  e) imunidade jurisdicional no que concerne
aos atos de ofício praticados no âmbito deste
Acordo; e




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	243




   f) facilidades de repatriação em situações
de crise.
  2. Nos casos em que os objetos de uso
pessoal,	incluindo	veículos	automotores,
não sejam reexportados, os proprietários são
obrigados a pagar os impostos de importação
e demais taxas de que foram originalmente
isentos.
  3. A seleção do pessoal será feita pela Parte
que o envie e deverá ser aprovada pela Parte
que o recebe.
  Artigo VIII
  O pessoal enviado ao território da outra
Parte, no âmbito do presente Acordo, deverá
atuar em função do estabelecido em cada
projeto e estará sujeito às leis e regulamentos
vigentes no território do país anfitrião.
  Artigo IX
  1. Os bens, automóveis e equipamentos
eventualmente importados para a execução
de projetos desenvolvidos no âmbito deste
Acordo,	e	acordados	pelas	Partes	nos
Programas Executivos, serão isentos de taxas,
impostos e demais gravames de importação e
de exportação, com exceção daqueles relativos
a despesas de armazenagem, transporte e
outros serviços conexos estabelecidos pela
legislação das Partes.
  2.	Ao	término	dos	projetos,	todos
os bens, veículos e equipamentos que
tenham sido temporariamente importados
para a implementação dos projetos serão
reexportados, do contrário a Parte que os
forneceu deverá pagar as taxas, impostos e
demais gravames que foram aplicados durante
a importação.
  3. No caso da importação e exportação de
bens, veículos automotores e equipamentos
destinados à execução de programas e
projetos desenvolvidos no âmbito do Acordo,
a instituição pública encarregada da execução
será responsável pelas medidas necessárias
à liberação alfandegária dos referidos bens,

veículos automotores e equipamentos.
  Artigo X
  O presente Acordo poderá ser emendado
a qualquer momento por consentimento
mútuo das Partes, por escrito e por meio de
Notas Diplomáticas, após o cumprimento das
formalidades legais internas necessárias para
a entrada em vigor.
  Artigo XI
  Qualquer controvérsia surgida da
implementação ou da interpretação do presente
Acordo deverá ser dirimida amigavelmente
por consultas diretas entre as Partes, por via
diplomática.
  Artigo XII
  1. Cada Parte notificará a outra, por
via diplomática, do cumprimento das
formalidades legais internas necessárias à
entrada em vigor do presente Acordo, que terá
vigência a partir da data de recebimento da
última dessas notificações.
  2. O presente Acordo terá vigência de
cinco (5) anos, e será automaticamente
prorrogado por períodos iguais e sucessivos,
a menos que uma das Partes manifeste, por
via diplomática e por escrito, sua intenção
de denunciá-lo com pelo menos seis (6)
meses de antecedência da data de expiração
do período correspondente.
  3. O presente Acordo pode ser denunciado
por qualquer uma das Partes, a qualquer
momento, por via diplomática. Em caso
de denúncia do presente Acordo, as Partes
deverão decidir conjuntamente sobre a
continuidade ou não das atividades que
se encontrem em execução, incluindo as
cooperações triangulares com outros Estados.
  Feito em Brasília , em 6 de agosto de
2014, em dois (2) originais, nos idiomas
português, árabe e inglês, sendo todos os
textos igualmente autênticos. Em caso de
divergência de interpretação, prevalecerá o
texto em inglês.




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




 VISITA DO SENhOR VICE-PRESIDENTE
        DA REPúBLICA à COLôMBIA -
       BOGOTá, 7 DE AGOSTO DE 2014
                            08/08/2014
                               
  O Vice-Presidente da República, Michel
Temer, realizará visita oficial à República da
Colômbia em 7 de agosto para participar da
cerimônia de posse do segundo mandato do
Presidente Juan Manuel Santos.
  Em 2013, o intercâmbio comercial entre o
Brasil e a Colômbia atingiu US$ 4,2 bilhões. A
Colômbia é o segundo país mais populoso da
América do Sul e a extensão de seu território
aproxima-se ao da Região Sudeste do Brasil.

  VISITA DO MINISTRO DOS NEGóCIOS
    ESTRANGEIROS DA REPúBLICA DA
 ESTôNIA, URMAS PAET - BRASíLIA, 19
                  DE AGOSTO DE 2014
                            20/08/2014
  O Ministro dos Negócios Estrangeiros da
Estônia, Urmas Paet, visitará o Brasil no dia 19
de agosto, ocasião em que será recebido pelo
Ministro Luiz Alberto Figueiredo Machado.
  Os chanceleres tratarão de temas da agenda
bilateral, como comércio e investimentos,
cooperação em tecnologia da informação e
cooperação educacional. Serão avaliados,
igualmente, assuntos da agenda multilateral.

      VISITA AO BRASIL DO MINISTRO
       DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS
    DA GUATEMALA, LUIS FERNANDO
   CARRERA CASTRO BRASíLIA, 25 DE
                     AGOSTO DE 2014
                            25/08/2014
   
O Ministro das Relações Exteriores,
EmbaixadorLuizAlbertoFigueiredoMachado,
receberá, em 25 de agosto, o Ministro dos
Negócios Estrangeiros da Guatemala, Luis
Fernando Carrera Castro, em visita oficial
ao Brasil. No encontro, serão discutidos
os principais temas da agenda bilateral e
regional, como parte do fortalecimento das
relações políticas e econômicas entre o Brasil
e o conjunto da América Central.
  Entre 2003 e 2013, a corrente de comércio
bilateral cresceu 61%, passando de US$ 163
milhões para US$ 225 milhões. No comércio
entre o Brasil e a Guatemala destaca-se a
participação de produtos industrializados,
que corresponderam, em 2013, a 85% das
exportações brasileiras para o país centro-
americano.

    PARTICIPAçãO DO MINISTRO LUIz
 ALBERTO FIGUEIREDO MAChADO NA
 POSSE DO PRESIDENTE DA TURQUIA,
 RECEP TAYYIP ERDO?AN ANCARA, 28
                  DE AGOSTO DE 2014
                            26/08/2014
                               
  O Ministro Luiz Alberto Figueiredo
Machado participará da posse do Presidente
eleito da República da Turquia, Recep Tayyip
Erdo?an, em Ancara, no dia 28 de agosto, em
representação do Governo brasileiro.
  A cerimônia ocorrerá no Palácio
Presidencial de çankaya, onde o Presidente
Recep Tayyip Erdo?an fará juramento,
sucedido por recepção às delegações
estrangeiras.

   CESSAR-FOGO NO ORIENTE MéDIO
                            28/08/2014

                               
                               
                               
                               

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	245




   O Brasil acolhe com satisfação o anúncio
de um cessar-fogo entre Israel e Palestina com
base no esforço de mediação do Egito.
  O Governo brasileiro confia em que o
cessar-fogo contribua para a estabilização
da	região	e	permita	encontrar	um
encaminhamento definitivo para o conflito
entre Israel e Palestina, com base na solução
de dois Estados, vivendo lado a lado, em paz
e segurança.
  Concluídas as consultas para as quais foi
convocado, o Embaixador do Brasil em Israel,
henrique da Silveira Sardinha Pinto, retornará
a Tel Aviv.

 COMUNICADO CONJUNTO à IMPRENSA
      DO ENCONTRO MINISTERIAL DOS
   PAíSES DO G-4 (BRASIL, ALEMANhA,
     íNDIA E JAPãO), à MARGEM DA 69ª
    SESSãO DA ASSEMBLEIA GERAL DA
    ONU, EM NOVA YORk, NO DIA 25 DE
                  SETEMBRO DE 2014.
                     
  (Versão em português será divulgada
oportunamente)

  1 - The Minister of External Relations of
Brazil, the Federal Minister for Foreign Affairs
of Germany, the Minister of External Affairs
of India and the Minister for Foreign Affairs
of Japan met in New York on 25 September
2014, on the margins of the opening of the
69th Session of the United Nations General
Assembly, to exchange views on Security
Council reform.
  2 - The G4 Ministers underscored their
continuous	commitment	to	a	Security
Council reform reflective of the geopolitical
realities of the 21st century. They agreed
that the difficulties of the Security Council
to effectively address current international

challenges are a compelling reminder of the
urgent need for a Security Council reform
which makes it more broadly representative,
efficient and transparent and thereby further
enhances its effectiveness and the legitimacy
and implementation of its decisions.
  3 - The Ministers voiced their concern that,
70 years after the foundation of the United
Nations, 50 years after the first and only time
that the Security Council was reformed, nearly
15 years after the Millennium Summit and 10
years after the 2005 World Summit - when
our leaders unanimously called for an early
reform of the Security Council - discussions
are still at a stalemate. They underscored that
the process of bringing about reforms of the
Security Council should not be seen as an
endless exercise. The G4 Ministers therefore
invited all their counterparts to use the 70th
anniversary of the UN as an opportunity
to finally achieve a concrete outcome on a
process that has dragged on for over twenty
years and to engage in all possible efforts to
fulfill, by September 2015, the mandate given
by our heads of State and Government.
  4 - The G4 countries reiterated their
commitment as aspiring new permanent
members of the UN Security Council, as well
as their support for each others candidatures.
They also reaffirmed their view of the
importance of developing countries, including
from Africa, to be represented in both the
permanent and non-permanent categories of
an enlarged Council.
  5 - The Ministers emphasized their
readiness to further reach out to reform-
oriented member states in order to discuss
models of an enlarged Security Council in
the permanent and non-permanent categories.
In this context, they commended Japans
initiative to host an outreach meeting with
other UN member states, with attendance
from participants with a wide range of views




246

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




on the reform issue in July 2014. They
recognized the need for greater involvement
of civil society, the media and academia on the
discussions about the reform of the Security
Council and recalled the seminars hosted by
Brazil, India and Japan to broaden the debate
on the urgency of reforming the body.
  6 - The Ministers also discussed the outcome
of the tenth round of the intergovernmental
negotiations on Security Council reform. They
expressed their appreciation for the important
role played by the President of the 68th General
Assembly, h.E. Mr. John Ashe, in generating
positive momentum for the negotiations,
notably reflected in the establishment of an
Advisory Group, which produced a non-
paper providing a clear summary of the main
positions of Member States under each of the
five key issues contained in decision 62/557.
The Ministers also welcomed the assessment,
dated 9 July 2014, by the chairman of the
IGN, h.E. Ambassador Tanin, and noted with
interest his call for a high-level event to be
held at the General Debate of the 70th General
Assembly and the need to finally start text-
based negotiations.
  7	-	The	Ministers	expressed	their
expectations to work closely with the President
of the 69th General Assembly, h.E. Mr. Sam
kahamba kutesa, in order to bring about
the urgently needed reform of the Security
Council.
  Luiz Alberto Figueiredo Machado
  Minister of External Relations of Brazil
  Frank-Walter Steinmeier
  Federal Minister for Foreign Affairs of
Germany
  Sushma Swaraj
  Minister of External Affairs of India
  Fumio kishida
  Minister for Foreign Affairs of Japan
   
ENCERRAMENTO DO CONTENCIOSO
    ENTRE BRASIL E ESTADOS UNIDOS
  SOBRE O ALGODãO NA OMC (DS267)
                            01/10/2014
                               
  O Brasil e os Estados Unidos assinaram
hoje, em Washington, Memorando de
Entendimento relativo ao Contencioso do
Algodão (DS 267), dando por encerrada, de
forma exitosa, uma disputa que se estendia há
mais de uma década.
  Iniciada pelo Brasil em 2002, a disputa
envolveu subsídios domésticos concedidos
pelos EUA a seus produtores de algodão, bem
como os programas de garantias de crédito
à exportação, considerados incompatíveis
com o Acordo de Agricultura e o Acordo
de Subsídios e Medidas Compensatórias da
OMC.
  Nos termos do Memorando assinado
hoje, os Estados Unidos se comprometeram
a efetuar ajustes no programa de crédito e
garantia à exportação GSM-102, que passará
a operar dentro de parâmetros bilateralmente
negociados, propiciando, assim, melhores
condições de competitividade para os
produtos brasileiros no mercado internacional.
O entendimento bilateral inclui pagamento
adicional de US$ 300 milhões, com
flexibilização para a aplicação dos recursos, o
que contribui para atenuar prejuízos sofridos
pelos cotonicultores brasileiros.
  O acordo firmado se restringe apenas
ao setor cotonicultor e preserva intactos os
direitos brasileiros de questionar ante a OMC,
caso necessário, a legalidade da Lei Agrícola
norte-americana quanto às demais culturas.

  VISITA DO MINISTRO DOS NEGóCIOS
       ESTRANGEIROS DA REPúBLICA

                DA ISLâNDIA, GUNNAR BRAGI
                  
                  
Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	247




          SVEINSSON - BRASíLIA, 14 DE
                   OUTUBRO DE 2014
                      
  O Ministro dos Negócios Estrangeiros
da República da Islândia, Gunnar Bragi
Sveinsson, visita o Brasil entre os dias 13 e 18
de outubro e será recebido pelo Ministro Luiz
Alberto Figueiredo Machado no dia 14.
  Trata-se da primeira visita de trabalho ao
Brasil realizada por um Chanceler islandês.
Além de Brasília, a autoridade islandesa
visitará o Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba.
  Os chanceleres tratarão de temas da
agenda	bilateral,	em	especial	comércio
e investimentos, cooperação em pesca e
aquicultura. Serão discutidos, igualmente,
assuntos da agenda multilateral.

      NOTA DE ESCLARECIMENTO Nº 2 -
        CASA CIVIL E MINISTéRIO DAS
              RELAçõES EXTERIORES
                            16/10/2014
                               
  Não procede informação de existência
de projeto do Governo Federal de qualquer
alteração do Decreto 7.304, de 22 de setembro
de 2010, para permitir a nomeação em
cargos de Grupo-Direção e Assessoramento
Superiores (DAS) no Itamaraty de pessoas
não integrantes do quadro de servidores do
Ministério das Relações Exteriores.

  ELEIçãO DE NOVOS MEMBROS NãO
    PERMANENTES DO CONSELhO DE
   SEGURANçA DAS NAçõES UNIDAS
                            17/10/2014
                               
  O	Governo	brasileiro	congratula	os
Governos de Angola, Espanha, Malásia,
Nova zelândia e Venezuela pela eleição
para assentos no Conselho de Segurança no

biênio 2015-2016 e faz votos de êxito no
cumprimento de seus mandatos.

           REUNIãO INFORMATIVA DE
           MINISTROS DAS RELAçõES
   EXTERIORES DOS ESTADOS PARTES
         DO MERCOSUL E DOS PAíSES
 MEMBROS DA ALIANçA DO PACíFICO
      - CARTAGENA DAS íNDIAS, 1º DE
                  NOVEMBRO DE 2014
                            31/10/2014
                               
  O Ministro das Relações Exteriores, Luiz
Alberto Figueiredo Machado, participa, no dia
1º de novembro de 2014, em Cartagena das
índias, na Colômbia, de reunião de Chanceleres
dos Estados Partes do MERCOSUL e dos
Países Membros da Aliança do Pacífico.
  A reunião terá como objetivo propiciar
troca de informações entre os dois blocos
sobre os respectivos processos de integração.
  A corrente de comércio entre os países
do MERCOSUL e da Aliança do Pacífico
alcançou US$ 52 bilhões em 2012. O fluxo
de investimentos entre os países dos blocos é
expressivo. Em 2013, por exemplo, apenas o
Brasil investiu US$ 14,1 bilhões na Aliança do
Pacífico, ao passo que o conjunto dos países
da Aliança investiu US$ 3,5 bilhões no Brasil.

       CONDENAçãO A ATENTADO EM
                         JERUSALéM
                            19/11/2014
                                
  O Governo brasileiro condena com
veemência o atentado ocorrido ontem em
uma sinagoga em Jerusalém Ocidental, que
provocou a morte de cinco israelenses e feriu
oito pessoas.
  Neste momento de pesar e consternação, o

   
   

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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




povo e o Governo brasileiro manifestam a sua
solidariedade com as famílias enlutadas.
  O Brasil reitera a condenação categórica
de práticas terroristas, independentemente de
motivações de qualquer natureza. O Governo
brasileiro confia na capacidade das lideranças
israelenses e palestinas de reduzir a tensão na
região e dar seguimento às negociações de
paz.
  O Brasil reafirma seu apoio à solução de
dois Estados, Israel e Palestina, convivendo
em paz e segurança, dentro de fronteiras
mutuamente acordadas e internacionalmente
reconhecidas.

        NOTA à IMPRENSA CONJUNTA
    DOS MINISTéRIOS DAS RELAçõES
           EXTERIORES E DA SAúDE 
      CONTRIBUIçãO BRASILEIRA AO
 COMBATE INTERNACIONAL AO VíRUS
                           DO EBOLA
                            03/12/2014
                               
  O Governo brasileiro realizou doação de
R$ 25 milhões a agências das Nações Unidas
para combate ao vírus do Ebola e apoio à
população na Guiné-Conacri, na Libéria e em
Serra Leoa, países da áfrica Ocidental mais
afetados pela doença.
  Daquele montante, cerca de 50% foi doado
à Organização Mundial da Saúde (OMS), para
atenção às populações infectadas e medidas de
controles da infecção; aproximadamente 26%,
ao Alto Comissariado das Nações Unidas para
os Refugiados (ACNUR), para a prestação
de serviços básicos, inclusive de saúde, às
populações; cerca de 18%, ao Programa
Mundial de Alimentos (PMA), com vistas a
contribuir para o financiamento do transporte
e da distribuição de 6.300 toneladas de arroz
e 4.500 toneladas de feijão já oferecidas pelo

Brasil; e aproximadamente 6%, para Fundo
Fiduciário que ajuda a financiar a Missão das
Nações Unidas de Resposta Emergencial ao
Ebola (UNMEER), mecanismo coordenador
das esforços das diversas agências da ONU
envolvidas no combate àquela enfermidade.
 à medida anunciada soma-se doação de R$
1 milhão repassado à OMS e R$ 2 milhões à
Organização Panamericana da Saúde (OPAS),
recursos enviados em novembro deste ano,
também para o combate ao Ebola.
  Além dos recursos financeiros, o Brasil
enviou, em junho deste ano, 24 kits, num
total de seis toneladas, com medicamentos
e insumos aos três países afetados pela
epidemia. Cada um dos kits é suficiente para
atender cerca de 500 pessoas durante três
meses e contem 30 tipos de medicamentos,
incluindo antibióticos e anti-inflamatórios, e
18 insumos para primeiros-socorros, como
luvas e máscaras. Quatro kits foram destinados
para a Guiné, cinco para Serra Leoa e cinco
para a Libéria, além de outros 10 enviados à
OMS para distribuição.
  O Governo brasileiro renova sua
solidariedade com os Povos e os Governos da
Guiné-Conacri, da Libéria e de Serra Leoa e
reafirma sua intenção de continuar a contribuir
com os esforços internacionais para prestar
toda a assistência possível às populações
afetadas pelo vírus do Ebola.

      REUNIãO EXTRAORDINáRIA DO
  CONSELhO DE ChEFAS E ChEFES DE
 ESTADO E DE GOVERNO DA UNASUL -
      QUITO, 5 DE DEzEMBRO DE 2014
                            04/12/2014
  A Senhora Presidenta da República, Dilma
Rousseff, participará, no dia 5 de dezembro, em
Quito, de Reunião Extraordinária do Conselho
de Chefas e Chefes de Estado e de Governo




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	249




da UNASUL. Em conjunto com os demais
Chefas e Chefes de Estado e de Governo, a
Presidenta inaugurará, na localidade de Mitad
del Mundo, município de Quito, a nova sede
da Secretaria-Geral da UNASUL.
  O Conselho de Chefas e Chefes de Estado
e de Governo é a instância deliberativa
máxima da UNASUL. O organismo é também
composto por dezessete foros temáticos, em
áreas como defesa, infraestrutura e saúde. A
corrente de comércio do Brasil com os países
da UNASUL mais do que quadruplicou na
última década, passando de US$ 17,8 bilhões
para US$ 73,4 bilhões.

    ADMISSãO DO BRASIL NO COMITê
             CONSULTIVO DA UNRWA
                            12/12/2014
                               
  A Assembleia Geral das Nações Unidas
decidiu, pela Resolução 69/86, admitir o
Brasil como membro do Comitê Consultivo
da Agência das Nações Unidas de Assistência
aos Refugiados da Palestina (UNRWA). O
Brasil já vinha participando, na condição de
convidado, das reuniões recentes do Comitê
Consultivo.
  O	Comitê	Consultivo	é	o	órgão
intergovernamental de mais alto nível da
UNRWA que delibera sobre as principais
metas e estratégias da Agência.
  Ao manifestar sua satisfação com a
decisão da Assembleia Geral, o Brasil reitera
sua intenção de continuar a contribuir com
os esforços internacionais de assistência aos
refugiados palestinos, como parte de nossos
esforços para promover a paz no Oriente
Médio.
  O Comitê Consultivo da UNRWA é
composto por 27 membros: Alemanha, Arábia
Saudita, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá,
Dinamarca, Egito, Emirados árabes Unidos,

Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França,
Irlanda, Itália, Japão, Jordânia, kuwait,
Líbano, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos,
Reino Unido, Suécia, Suíça, Síria e Turquia.
Palestina, União Europeia e Liga árabe são
observadores.

           ATENTADO NO PAQUISTãO
                            16/12/2014
                               
  O Governo brasileiro condena com
veemência o atentado ocorrido hoje numa
escola da cidade de Peshawar, no norte do
Paquistão, que provocou a morte de pelo
menos 126 pessoas, dentre as quais 84 crianças
e adolescentes, e mais de uma centena de
feridos graves.
  Neste momento de pesar e consternação,
o povo e o Governo brasileiro manifestam a
sua solidariedade ao Governo do Paquistão
e às famílias enlutadas. O Brasil reitera,
igualmente, seu repúdio à violência e sua
condenação categórica de atos terroristas,
independentemente de suas motivações.
  December 16, 2014
   
   CúPULA DE ChEFES DE ESTADO DO
  MERCOSUL E ESTADOS ASSOCIADOS
       E XLVII REUNIãO DO CONSELhO DO
 MERCADO COMUM - PARANá,ARGENTINA,
         16 E 17 DE DEzEMBRO DE 2014
                            16/12/2014
                               
  A Senhora Presidenta da República, Dilma
Rousseff, participará, na cidade de Paraná, na
República Argentina, em 17 de dezembro, da
Cúpula dos Chefes de Estado do MERCOSUL
e Estados Associados. O encontro dos Chefes
de Estado será precedido pela XLVII Reunião
Ordinária do Conselho do Mercado Comum do




250

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




MERCOSUL (CMC), no dia 16 de dezembro.
  Desde a criação do bloco, em 1991,
o comércio entre os Estados Partes do
MERCOSUL cresceu mais de doze vezes,
evoluindo de US$ 4,5 bilhões para US$ 59,3
bilhões, em 2013.
  O MERCOSUL continua a ser o principal
receptor de investimentos no continente. Em
2013, o bloco recebeu 46% dos investimentos
estrangeiros na América Latina e Caribe e
64% da América do Sul.

     ATENTADOS EM TRIPOLI, LíBANO
                            18/12/2014
                               
   Os atentados contra mesquitas na cidade
de Tripoli, Líbano, ocorridos hoje, 23 de
agosto, que causaram a morte de pelo menos
42 pessoas e mais de 200 feridos, foram
recebidos com consternação e indignação
pelo Governo brasileiro.
  O Brasil se associa às palavras do
Secretário-Geral da ONU, Ban ki-Moon,
e à Declaração de Imprensa do Conselho
de Segurança, que condenaram os ataques
e sublinharam a necessidade de levar seus
perpetradores à justiça. O Governo brasileiro,
ao reiterar sua condenação a todos os atos de
terrorismo, transmite suas condolências e sua
solidariedade aos familiares das vítimas, bem
como ao povo e ao Governo do Líbano.

     ATENTADO CONTRA MISSãO DAS
  NAçõES UNIDAS NO SUDãO DO SUL
                            18/12/2014
                               
  O Governo brasileiro tomou conhecimento,
com consternação, do ataque ontem a comboio
de patrulha da Missão de Paz das Nações
Unidas no Sudão do Sul (UNMISS) na cidade
de Gumuruk, no estado de Jonglei, que causou a

morte de cinco militares indianos e de sete civis.
  O Governo brasileiro se associa às palavras
do Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban
ki-moon, bem como à declaração emitida
pelo Conselho de Segurança, na condenação
ao ataque e na manifestação de condolências
aos familiares das vítimas, ao Governo indiano
e aos integrantes das Forças de Paz da ONU.

     NORMALIzAçãO DAS RELAçõES
  ENTRE CUBA E OS ESTADOS UNIDOS
                            18/12/2014
                               
  O Governo brasileiro recebeu com grande
satisfação os anúncios, pelos governos de
Cuba e dos Estados Unidos, do início de
tratativas para a normalização das relações
bilaterais, eliminando-se, desse modo, um
resquício da Guerra Fria.
  O Governo brasileiro deseja-lhes todo o
êxito no processo que agora se inicia.
  Felicitamos os Presidentes Raúl Castro
e Barack Obama pela liderança, coragem
política e visão estratégica que demonstraram
com essa histórica decisão, que esperamos
seja acompanhada do pronto levantamento
do embargo. O Brasil saúda também Sua
Santidade o Papa Francisco pela importante
contribuição que prestou aos esforços
diplomáticos que levaram ao anúncio.
  A normalização das relações entre Cuba
e os Estados Unidos  medida que está em
perfeita sintonia com o chamamento unânime
que se vinha fazendo no continente de que
a próxima Cúpula das Américas contasse
com a participação cubana  contribuirá
para a consolidação da paz, da democracia
e da prosperidade em nossa região. Também
reforçará o compromisso das Américas com
o diálogo entre Estados soberanos que veem
na cooperação o fundamento de uma ordem
internacional mais justa em benefício de todos.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	251




  DOCUMENTOS APROVADOS NA XLVII
   CúPULA DE ChEFES DE ESTADO DO
  MERCOSUL E ESTADOS ASSOCIADOS
         - PARANá, ARGENTINA, 17 DE
                  DEzEMBRO DE 2014
                            18/12/2014
                               
  COMUNICADO CONJUNTO DE LAS
PRESIDENTAS Y DE LOS PRESIDENTES
DE	LOS	ESTADOS	PARTES	DEL
MERCOSUR Y ESTADOS ASOCIADOS
  COMUNICADO CONJUNTO DE LAS
PRESIDENTAS Y LOS PRESIDENTES DE
LOS ESTADOS PARTES DEL MERCOSUR
  COMUNICADO CONJUNTO DE LOS
CANCILLERES	DE	LOS	ESTADOS
PARTES	Y	ESTADOS	ASOCIADOS
DEL	MERCOSUR	EN	APOYO	A
LA	REELECCIóN	DEL	DR.	JORGE
GRAzIANO	PARA	EL	CARGO	DE
DIRECTOR GENERAL DE LA FAO
  COMUNICADO	ESPECIAL	APOYO
AL	ECUADOR	EN	SU	POLíTICA
ENERGéTICAYDEUSOGENERALIzADO
DE TECNOLOGíAS LIMPIAS
  COMUNICADO	ESPECIAL
EXPLORACIóN DE hIDROCARBUROS
Y	PESCA	EN	LA	PLATAFORMA
CONTINENTAL	ARGENTINA	EN
PROXIMIDAD DE LAS ISLAS MALVINAS
  DECLARACIóN ESPECIAL DE LOS
ESTADOS	PARTES	DEL	MERCOSUR
EN	RESPALDO	A	LA	REPúBLICA
ARGENTINA
  DECLARACIóN ESPECIAL DE LAS
PRESIDENTAS Y LOS PRESIDENTES DEL
MERCOSUR SOBRE LA APROBACIóN
DE SANCIONES CONTRALAREPúBLICA
BOLIVARIANA DE VENEzUELA
  *****
  COMUNICADO CONJUNTO DE LAS
PRESIDENTAS Y LOS PRESIDENTES DE

LOS ESTADOS PARTES DEL MERCOSUR
Y ESTADOS ASOCIADOS
  (Versão em português será disponibilizada
oportunamente)
  Las Presidentas y los Presidentes de los
Estados Partes del MERCOSUR y Estados
Asociados, reunidos en la ciudad de Paraná,
Argentina, el día 17 de diciembre de 2014, en
ocasión de la XLVIl Reunión Ordinaria del
Consejo del Mercado Común (CMC):
  Reafirmaron su compromiso con la
profundización del proceso de integración
regional para contribuir al desarrollo
económico con inclusión social, a la mejora de
la calidad de vida de nuestros ciudadanos, al
avance de la justicia social y a la erradicación
del hambre y la pobreza;
  Reiteraron la importancia de la promoción
de los valores de la democracia y de la
protección, promoción y respeto irrestricto de
los Derechos humanos, para consolidar a la
región como una zona de paz;
  Ratificaron la necesidad de continuar con
el proceso de integración económica, para
el desarrollo de nuestros pueblos, a través
de la integración productiva, el desarrollo
de infraestructura y de políticas públicas
inclusivas;
  Convencidos que el importante acervo
normativo y la experiencia del MERCOSUR
y de otros mecanismos regionales de América
Latina y el Caribe pueden contribuir a
profundizar la integración, a través de un
proceso gradual de complementación y
cooperación en la perspectiva de convergencias
en áreas de mutuo beneficio, en especial, el
interés estratégico colectivo de mejorar la
participación de la región en el contexto de las
negociaciones multilaterales;
  Secongratularonporlosprocesoselectorales
desarrollados en el Estado Plurinacional de
Bolivia, la República Federativa de Brasil y la
República Oriental del Uruguay, y saludaron




252

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




a los Presidentes Evo Morales Ayma, Dilma
Rousseff y Tabaré Vázquez Rosas, al tiempo
que expresaron sus mayores deseos de éxito
en sus futuras gestiones;
  Pasaron revista a los avances alcanzados
en este periodo en los distintos Foros de la
dimensión Política, Social y Ciudadana del
MERCOSUR, del proceso de Integración
Latinoamericano y Caribeño y del ámbito
Multilateral:
  I. EN EL áMBITO DEL MERCOSUR
  1. Reafirmaron su compromiso para que
las Directrices de la Política de Igualdad de
Género del MERCOSUR se constituyan
en una herramienta central de incidencia y
orientación que facilite la transversalización
de la perspectiva de género en las políticas
del bloque. Alentaron que en cumplimiento
de esta Política, los órganos del MERCOSUR
incorporen esta perspectiva tanto en sus
estructuras como en la planificación de sus
acciones y programas.
  2. Ratificaron la necesidad de continuar
con los esfuerzos para prevenir, detectar,
perseguir y sancionar la trata de personas en
la región y de profundizar la cooperación y
articulación de las acciones entre los países de
la región para la atención a víctimas de trata
internacional, especialmente de mujeres y
niños.
  3. Expresaron que las políticas y estrategias
sobre drogas deben abordarse con un enfoque
integral y equilibrado, en el marco del pleno
respeto de los Derechos humanos y libertades
fundamentales, colocando en el centro de las
políticas públicas a las personas, promoviendo
su bienestar, su inclusión social, el acceso
a la justicia, la salud pública, el trabajo y la
educación.
  Manifestaron la necesidad de fortalecer
las estrategias de reducción de la demanda y
control de la oferta desde un enfoque integral
y equilibrado, atendiendo la multiplicidad

de factores asociados al problema mundial
de las drogas y sus efectos en la región,
desde un enfoque que contemple el abordaje
comunitario centrado en la persona como
sujeto de derechos.
  Reafirmaron la importancia de evitar
la estigmatización, la marginalización y la
discriminación de los usuarios de drogas,
priorizando la prevención, el tratamiento, la
atención, la rehabilitación y la inclusión social
de las personas.
  En tal sentido, coincidieron en la
importancia de apoyar el fortalecimiento de
dichos objetivos y principios en el marco
de la UNASUR, la CELAC, la CICAD-
OEA, la Comisión de Estupefacientes de la
ONU, y demás ámbitos de tratamiento de la
problemática mundial de las drogas.
  En particular, reiteraron su apoyo para que
en la Sesión Especial de la Asamblea de las
Naciones Unidas sobre el problema mundial
de las drogas, convocada para el año 2016, y
en su proceso preparatorio se lleve a cabo un
debate amplio, incluyente y participativo.
  4. Saludaron los trabajos realizados por
el Foro Especializado Migratorio (FEM),
en el ámbito de la Reunión de Ministros de
Interior del MERCOSUR y resaltaron la
importancia del Memorándum de Cooperación
entre la Organización Internacional de
Migraciones (OIM) y el Mercado Común
del Sur (MERCOSUR), cuyo objetivo es la
cooperación y asistencia técnica y operativa
en materia migratoria.
  Igualmente, destacaron la modificación del
Acuerdo para la Concesión de un Plazo de
Noventa (90) Días a los Turistas Nacionales de
los Estados Partes del MERCOSUR y Estados
Asociados, que incluye la posibilidad de
extensión del plazo de estadía o permanencia
migratoria autorizada, en cada país que
haya suscripto dicho acuerdo, para aquellos
nacionales del MERCOSUR Ampliado que




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	253




viajen a otro país del bloque en calidad de
turistas.
  5. Resaltaron la importancia de la Opinión
Consultiva 21/14 sobre Niñez Migrante de la
Corte Interamericana de Derechos humanos
e instaron a las autoridades migratorias
y de protección de la niñez de los países
del bloque a observar sus estándares y a
continuar el trabajo articulado de elaboración
e implementación de una Guía Regional para
la identificación y atención de niños, niñas y
adolescentes migrantes.
  6. Convencidos de la gravedad de la
situación de los niños, niñas y adolescentes
migrantes, destacaron la adopción el 7 de
octubre pasado de la Declaración Especial
sobre la Situación de los Niños, Niñas y
Adolescentes Centroamericanos Migrantes
Retenidos en la Frontera Sur de los Estados
Unidos de América, en seguimiento al
Comunicado Especial adoptado en el marco
de la XXXVI Cumbre de Jefes de Estados y de
Gobierno, celebrada en Caracas, Venezuela, el
29 de julio de 2014.
  7. Se congratularon por los avances
sustanciales	realizados	en	materia	de
cooperación consular mediante la adopción
de	iniciativas	concretas	y	estratégicas
encaminadas a lograr la libre movilidad en el
MERCOSUR, en particular por la iniciativa
de ampliar y actualizar el Mecanismo
de Cooperación Consular previsto en la
Decisión 35/00. Asimismo, la necesidad de
una pronta implementación del Pasaporte
Provisorio MERCOSUR (Salvoconducto),
primer documento de viaje de la región, que
contribuirá a agilizar el servicio consular
brindado a los ciudadanos y a prevenir el
fraude documentario.
  8. Celebraron la realización de la I Reunión
de Autoridades sobre Pueblos Indígenas
del MERCOSUR (RAPIM) que tuvo lugar
el 5 de diciembre pasado como un espacio

que, junto a las comunidades indígenas
de la Región, propiciará la unión de los
pueblos de la América indígena, valorando y
compartiendo su cosmovisión y rescatando
los saberes ancestrales, mientras permitirá,
a las instancias de gobierno responsables,
construir consensos regionales ante Foros
globales sobre la temática indígena.
  En relación al mismo, elogiaron la
aprobación del Plan de Acción del
MERCOSUR Indígena para el período 2015-
2016, conteniendo una serie de ejes temáticos,
objetivos y acciones, tendientes a hacer
del MERCOSUR un espacio de inclusión
y participación de los Pueblos Indígenas,
reconociendo su rol activo en el proceso de
integración.
  En este contexto, acogieron con satisfacción
la invitación formulada por el Gobierno
de Chile al MERCOSUR para participar
en la primera competencia de futbol, Copa
Indoamericana, que tendrá lugar en 2015.
  9. Destacaron los avances realizados en la
Reunión de Ministros de Educación para la
puesta en marcha del Plan de Funcionamiento
del Sistema Integrado de Movilidad del
MERCOSUR y de la Unidad Técnica de
Educación (UTE), que será la encargada de
gestionar y administrar el SIMERCOSUR.
  Se congratularon por la firma de un nuevo
Convenio con la Corporación Andina de
Fomento (CAF), por el cual CAF tendrá a
su cargo la custodia y la gestión financiera
de los recursos del Fondo de Financiamiento
del Sector Educacional del MERCOSUR
(FEM), los que serán destinados a financiar
programas y proyectos del sector educativo en
los Estados Partes y en los Estados Asociados
del MERCOSUR que se encuentren adheridos
al FEM.
  Recibieron con beneplácito la adhesión
de Ecuador al Acuerdo sobre la Creación e
Implementación de un Sistema deAcreditación




254

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




de Carreras Universitarias (ARCU-SUR)
para el reconocimiento regional de la calidad
académica de las respectivas titulaciones en el
MERCOSUR y Estados Asociados.
  10. Expresaron su satisfacción por la
Declaración de Buenos Aires de la Reunión
de Ministros de Justicia, en la que se reafirma
la importancia de promover la adopción
de medidas legislativas y administrativas
tendientes a la desmilitarización de la
institución penitenciaria y la superación de su
carácter de fuerza de seguridad. Saludaron la
aprobación de la Diplomatura en Salud en
Contextos de Encierro y el Programa Anual
de Capacitación del Personal de los Servicios
Penitenciarios del MERCOSUR y Estados
Asociados, iniciativas que contribuirán a
la disminución de la violencia, a la vigencia
de los Derechos humanos y a la garantía del
derecho a la salud.
  Destacaron asimismo la creación de la
Red MERCOSUR en Materia de Medios
Alternativos de Resolución de Conflictos, que
fortalecerá la implementación de los métodos
de resolución pacífica de conflictos como
política pública de los Estados.
  11.	Destacaron	la	aprobación	del
modelo único de chapa patente o placa de
identificación única obligatoria para todos los
vehículos de los Estados Partes a partir del
1 de enero de 2016. Al respecto, resaltaron
la importancia de la patente única para la
consolidación progresiva del proceso de
integración, en el que esté garantizada la
libre circulación de vehículos, facilitando
las actividades productivas y al mismo
tiempo, combata los delitos transfronterizos.
Asimismo, reconocieron la relevancia de la
implementación de un Sistema de Consultas
sobre
  vehículos del MERCOSUR para avanzar
en la lucha contra los delitos de robo de
vehículos, la trata de personas y el narcotráfico,

entre otros
  delitos transfronterizos.
  12. Destacaron la existencia en el ámbito
del MERCOSUR del espacio para la
profundización de los derechos humanos y se
congratularon por los avances registrados en
la Reunión de Altas Autoridades en Derechos
humanos y Cancillerías del MERCOSUR
y Estados Asociados, en cuya XXV sesión
se celebró su décimo aniversario y se rindió
especial homenaje a la memoria del Dr.
Rodolfo A. Mattarollo, quien abogó por la
defensa de los derechos humanos en la región
y en el mundo.
  Saludaron la labor de todas las Comisiones
Permanentes y Grupos de Trabajo de esa
instancia, especialmente en asuntos vinculados
a la búsqueda de memoria, verdad y justicia,
derechos de los niños, niñas y adolescentes,
educación en derechos humanos, asuntos de
Género y Derechos humanos de las Mujeres,
LGBTI, el combate a la discriminación, el
racismo y la xenofobia así como promoción
y protección de los derechos humanos de
las Personas con Discapacidad y Adultos
Mayores. De igual forma, felicitaron la entrega
del edificio sede del IPPDh en el espacio para
la Memoria y los Derechos humanos (ex
ESMA).
  13. Confirmaron una vez más el
compromiso de los países del MERCOSUR
con la Institución del Refugio y la protección
de los refugiados y tomaron nota de la
Declaración y del Plan de Acción de Brasil,
en el contexto de la Reunión Ministerial
de Cartagena+30, así como de su proceso
preparatorio, y remarcaron que el éxito de la
Conferencia y el carácter innovador de los
documentos aprobados refuerzan el papel de
vanguardia ejercido por la región en el campo
de la protección internacional a los refugiados,
desplazados internos y apátridas. Asimismo,
felicitaron a Argentina, Brasil y Uruguay por




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	255




sus programas de asistencia a refugiados sirios.
Congratularon también otras iniciativas, tales
como, los programas de visas humanitarias
puestos en marcha en Argentina y en Brasil,
así como el programa de becas mediante
el cual jóvenes palestinos realizan estudios
universitarios de medicina en Venezuela.
Felicitaron igualmente a la República del
Ecuador por su política de movilidad humana
que ha permitido desarrollar en su territorio
un plan para la atención integral de los
refugiados.
  14. Reafirmaron su compromiso para
reforzar	los	sistemas	interamericano	e
internacional para la promoción y protección
de todos los derechos humanos y destacaron
la importancia de realizar esfuerzos para la
adopción de medidas tendientes a eliminar
toda forma de discriminación. En ese marco
valoraron la labor realizada en el Grupo de
Trabajo sobre LGTBI de la RAADDhh.
  15.	Celebraron	la	publicación	La
Diversidad de las expresiones culturales:
Buenas Prácticas en el MERCOSUR, que
constituye el primer logro editorial colectivo
de la Reunión de Ministros de Cultura y en
la que, gracias al aporte de los Ministerios
y equipos de trabajo de los Estados Partes y
Asociados, se registraron las experiencias de
prácticas culturales del bloque, asociadas a los
ejes de diversidad e inclusión.
  Subrayaron la importancia de promover
la profundización de la memoria cultural de
nuestros pueblos, a través, de procesos de
identificación y reivindicación de nuestras
culturas y de la historia, con el fin de construir
sociedades libres, capaces de reconocerse y
valorarse desde un sentido de pertenencia,
teniendo en cuenta el respeto a la diversidad
cultural de cada uno de los pueblos con miras
a alcanzar la soberanía plena y la unidad
suramericana.
  16. Destacaron la decisión de posicionar

transversalmente el concepto de diversidad
cultural e inclusión social como dos
componentes determinantes del espacio
cultural del MERCOSUR y recomendaron
la incorporación de la Cultura y la noción
de bienestar y del Vivir Bien / Buen Vivir
como concepto que coadyuva al desarrollo
sostenible con identidad en la Agenda de
Desarrollo Post 2015.
  17. Saludaron asimismo la creación del
Premio MERCOSUR de Artes Visuales, que
contribuirá a fortalecer la producción artística
del bloque.
  18. Saludaron la conclusión y publicación,
en el marco de la Reunión de Ministros
y Autoridades de Desarrollo Social,
denominada Revalorizando Nuestros
Alimentos Tradicionales: Seguridad
Alimentaria, Identidad y Diversidad Cultural
en el MERCOSUR, proyecto que rescata la
identidad regional a través de los alimentos
comunes, sus formas de producción local y el
impacto económico de su consumo.
  Alentaron a la RMADS a profundizar -
sobre esta base - el camino iniciado, haciendo
de este primer producto una herramienta de
difusión y puesta en valor y rescate de los
valores culturales, alimenticios y nutricionales
de estos productos que además de ser
Alimentos Sanos, Cercanos y Nuestros, nos
identifican como región.
  19. Destacaron el proceso de reflexión de
la RMADS a fin de redefinir temáticas de
trabajo.
  Instaron a la RMADS a profundizar el
debate acerca de los Objetivos de Desarrollo
Sostenible y de la Agenda Post-2015, para
avanzar la discusión hacia una posición común
del MERCOSUR que priorice el desarrollo
sostenible con inclusión y el ejercicio pleno
de derechos.
  20. Recordaron la proclamación del decenio
internacional de la ascendencia africana y




256

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




destacaron la importancia de intercambiar
ideas con miras a la identificación de acciones
y actividades concretas para su celebración en
el ámbito del MERCOSUR.
  21. Renovaron su compromiso de avanzar
en la profundización de la dimensión social
y ciudadana del MERCOSUR y subrayaron
la realización de la IV Sesión Ampliada de
la Comisión de Coordinación de Ministros
de	Asuntos	Sociales	del	MERCOSUR
(CCMASM), que contó con la presencia de
Ministros y Autoridades de Estados Partes
del	MERCOSUR	y	Estados Asociados
participantes en las Reuniones de Ministros
de Justicia; Derechos humanos; Educación;
Cultura; Trabajo; Salud; Desarrollo Social
y	Mujer,	así	como	en	las	Reuniones
Especializadas de Ciencia y Tecnología y
Agricultura Familiar.
  22. Saludaron la adopción, en ese ámbito,
de la Declaración de Buenos Aires La
Dimensión Social del MERCOSUR como
Eje Estratégico del Proceso de Integración:
Financiamiento para Acciones Regionales
Transversales en el marco del PEAS, por
medio de la cual reiteraron la importancia
de	disponer	de	mecanismos	regionales
adecuados de financiación para el desarrollo
e implementación de proyectos sociales
regionales.
  En este sentido, instruyeron a las instancias
pertinentes del MERCOSUR a redoblar
esfuerzos para asegurar que sea viabilizado
el financiamiento de dichos proyectos con
recursos del Fondo para la Convergencia
Estructural	del	MERCOSUR	(FOCEM),
teniendo en cuenta las particularidades de
esos proyectos en su evaluación, de manera
de cumplir con la Directriz 25 del Plan
Estratégico de Acción Social referida a
garantizar que los proyectos prioritarios
dispongan	de	mecanismos	regionales	y
nacionales de financiamiento adecuado.
   
Celebraron los avances en las propuestas de
revisión del Plan Estratégico de Acción Social
de MERCOSUR (PEAS), que la CCMASM
pretende abordar durante el próximo año.
  23. Expresaron su beneplácito ante
los resultados de la XXXV Reunión de
Ministros del Interior y Seguridad de los
Estados Partes del MERCOSUR y Estados
Asociados, respecto a la Instalación de la
Plataforma de Interoperabilidad del Sistema
de Intercambio de Información de Seguridad
del MERCOSUR (SISME) en la sede de la
Secretaría del MERCOSUR. La instalación
de la Plataforma agilizará el intercambio
de información entre los Estados Partes
del MERCOSUR y Estados Asociados,
constituyéndose en un nodo regional que
permitirá el intercambio con Organismos
como INTERPOL. Destacaron asimismo la
firma de la Declaración Conjunta sobre el
SISME, la cual manifiesta la voluntad de
comprometer los esfuerzos para consolidar el
funcionamiento del SISME, y la Declaración
para la Coordinación de Acciones contra el
Tráfico Ilícito de Bienes Culturales, con
el objeto de fortalecer la cooperación para
prevenir, investigar y combatir el tráfico ilícito
de bienes culturales, convencidos de que la
pérdida de bienes culturales afecta por igual
a todos los sectores de la población y despoja
a las comunidades de su herencia cultural
colectiva.
  Destacaron asimismo la aprobación del
Protocolo Complementario al Acuerdo
sobre Lineamientos en materia de Seguridad
en Eventos Futbolísticos Internacionales
entre los Ministerios competentes de los
Estados Partes del MERCOSUR y Estados
Asociados, que facilitará el intercambio de
información entre los Estados Parte, esencial
para prevenir la violencia en los torneos de
fútbol que se celebren en la región, en especial
la Copa América el Mundial Sub 17 que se




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	257




celebrarán en Chile en 2015, (asimismo que la
competición de fútbol en el marco de XXI los
Juegos Olímpicos de Río de Janeiro, en 2016).
  24. Saludaron los trabajos realizados
por el Foro Especializado en Terrorismo
(FET) del MERCOSUR y Estados Asociados,
destacando la elaboración del documento
Ciber-amenazas, Legislaciones Nacionales
en el MERCOSUR y la Apreciación
Regional Semestral  Noviembre 2014.
  25. Destacaron la importante contribución
del Grupo de Trabajo sobre Armas de Fuego y
Municiones (GTAFM) y el Subgrupo Técnico
(ST-GTAFM), para prevenir, combatir y
erradicar el problema de la fabricación
y el tráfico ilícito de armas, municiones,
explosivos y otros materiales relacionados,
constituyendo un importante ámbito de
coordinación y cooperación regional para
la implementación de políticas y programas
comunes en la materia.
  26. Se congratularon por los grandes
avances alcanzados durante la XVII Reunión
Especializada de Ministerios Públicos del
MERCOSUR, en materia de protección de
Derechos humanos y lucha contra el crimen
organizado.
  Destacaron la creación de herramientas
y elaboración de estrategias para prevenir,
juzgar y sancionar la trata y explotación de
personas, la violencia de género, los crímenes
de lesa humanidad, los delitos cometidos
contra las personas privadas de su libertad y
el cibercrimen.
  27.	Destacaron	el	hecho	que	la
Reunión	Especializada	de	Organismos
Gubernamentales	de	Control	Interno
(REOGCI) retomó sus trabajos después de
cinco años, los cuales permitirán fortalecer los
mecanismos de control interno de los Estados.
  En este sentido resaltaron la instrumentación
al finalizar las gestiones de los titulares
de organismos y entidades de un Libro

Blanco de Gestión y Rendición de Cuentas
y la creación de un Centro de Investigación,
Capacitación y Desarrollo de Control Interno
del MERCOSUR, en el ámbito del Instituto
Superior de Control de la Gestión Pública
dependiente de Sindicatura General de la
Nación de Argentina.
  28. Saludaron y apoyaron los avances
realizados por la XI Reunión Especializada
de Reducción de Riesgos de Desastres
Socionaturales, la defensa Civil, la
Protección Civil y la Asistencia humanitaria
del MERCOSUR (REhU), y alentaron a
continuar impulsando iniciativas tendientes
a mejorar los mecanismos de coordinación
y cooperación subregionales en la materia y
a la construcción de posiciones compartidas
en los distintos foros que abordan la gestión
del riesgo de desastres y la coordinación de
la asistencia humanitaria internacional, con
especial atención en los procesos preparatorios
con vistas a la III Conferencia Mundial de
Reducción de Riesgos de Desastres (Sendai
2015) y la Cumbre Mundial humanitaria
(Estambul 2016).
  29. Saludaron la Reunión Informativa
Ministerial del MERCOSUR y la Alianza del
Pacífico, realizada el pasado 1 de noviembre,
en Cartagena de Indias, Colombia, que dio
oportunidad a un intercambio de experiencias
sobre el desarrollo de la integración que llevan
adelante ambos bloques.
  Asimismo, tomaron nota del Seminario
Diálogo sobre Integración Regional: Alianza
del Pacífico y MERCOSUR, realizado el 24
de noviembre de 2014 en Santiago de Chile.
  30. Reafirmaron los términos de la
Declaración de los Presidentes de los Estados
Partes del MERCOSUR, la República de
Bolivia y la República de Chile, firmada el
25 de junio de 1996 en Potrero de los Funes,
RepúblicaArgentina, denominada Declaración
de Malvinas, y reiteraron su respaldo a los




258

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




legítimos derechos de la República Argentina
en la disputa de soberanía relativa a la Cuestión
de las Islas Malvinas.
  Destacaron que la adopción de medidas
unilaterales no es compatible con lo acordado
en las Naciones Unidas, y recordaron el
interés regional en que la prolongada disputa
de soberanía entre la República Argentina y
el Reino Unido de Gran Bretaña e Irlanda
del Norte sobre las Islas Malvinas, Georgias
del Sur y Sandwich del Sur y los espacios
marítimos	circundantes,	alcance,	cuanto
antes, una solución de conformidad con las
resoluciones pertinentes de las Naciones
Unidas y las declaraciones de la Organización
de los Estados Americanos, de la CELAC,
de la UNASUR, del MERCOSUR y de otros
foros regionales y multilaterales.
  Recordaron, en ese marco, que el 16
de diciembre de 2015 se cumplirá el 50°
aniversario de la adopción de la resolución
2065 (XX) de la Asamblea General, la primera
referida específicamente a la Cuestión de
las Islas Malvinas, renovada posteriormente
a través de sucesivas resoluciones de la
Asamblea General y el Comité Especial
de Descolonización hasta nuestros días, y
observaron con satisfacción la importante
contribución hecha por el Comité Especial
de Descolonización de las Naciones Unidas
en su consideración de la Cuestión durante
los cincuenta años desde la adopción de la
resolución 2065 (XX).
  Expresaron su grave preocupación por
el hecho de que han transcurrido cincuenta
años desde la adopción de la resolución 2065
(XX) sin que se hayan producido progresos
sustanciales en las negociaciones, y acordaron
que la próxima Presidencia Pro Témpore
realizará una nueva gestión ante el Secretario
General	de	las	Naciones	Unidas	para
solicitarle que renueve de sus esfuerzos en el
cumplimiento de la misión de buenos oficios

que le fuera encomendada por la Asamblea
General a través de sucesivas resoluciones,
a fin de que se reanuden las negociaciones
tendientes a encontrar a la mayor brevedad
una solución pacífica a la referida disputa y
les haga conocer los avances producidos en el
cumplimiento de su misión.
  II. EN EL áMBITO REGIONAL, DE
LATINOAMéRICA Y EL CARIBE
  31. Se congratularon por los importantes
resultados alcanzados en la Cumbre
Extraordinaria de Jefas y Jefes de Estado y
de Gobierno de la UNASUR, que tuvo lugar
en las ciudades de Guayaquil y Quito los días
4 y 5 de diciembre de 2014; en especial por
los acuerdos alcanzados con el objetivo de
avanzar en la progresiva construcción de la
unidad suramericana. Asimismo, felicitaron
a UNASUR y en especial al Gobierno de la
República del Ecuador por la inauguración de
la nueva sede, Edificio Néstor kirchner, en la
ciudad de Quito, sector Mitad del Mundo, el
cual contribuirá a fortalecer y profundizar la
integración sudamericana.
  Manifestaron sus deseos de éxito a la
República Oriental del Uruguay en el ejercicio
de la Presidencia Pro Tempore de UNASUR,
recientemente asumida y expresaron su apoyo
a los trabajos a desarrollar durante su gestión
en pos de fortalecer el proceso de integración
suramericana, en particular los esfuerzos
tendientes a la búsqueda de complementación
y articulación con otros mecanismos
regionales y subregionales de integración.
  32. Saludaron el X Aniversario de la
Alianza Bolivariana de los Pueblos de Nuestra
América - Tratado de Comercio de los Pueblos
(ALBA  TCP) y los logros alcanzados por
este esquema de integración para el desarrollo
y el bienestar de los pueblos con base en los
principios de solidaridad, complementariedad,
justicia y cooperación.
  33. Destacaron la consolidación de la

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	259




Comunidad de Estados Latinoamericanos y
Caribeños (CELAC) como foro de diálogo y
concertación política y resaltaron los avances
de este proceso de integración, en las distintas
instancias ministeriales y sectoriales que lo
componen, así como la necesidad de promover
la coordinación y la complementariedad con
otros mecanismos de integración regional y
subregional.
  Expresaron asimismo su satisfacción por la
próxima celebración de la III Cumbre de Jefas
y Jefes de Estado y de Gobierno de la CELAC,
en la ciudad de San José, Costa Rica, los días
28 y 29 de enero de 2015. Manifestaron sus
deseos de éxito a la República de Ecuador en
el ejercicio de la Presidencia Pro Tempore de
CELAC, que será asumida en la III Cumbre
de San José.
  34. Saludaron la realización de la I Reunión
Ministerial del Foro CELAC  China en la
ciudad de Beijing, República Popular China,
los próximos días 8 y 9 de enero de 2015, que
sentará las bases para una nueva asociación
estratégica entre China y América Latina y el
Caribe.
  35. Se congratularon, asimismo, por los
resultadosdelaXXIVCumbreIberoamericana,
realizada el 8 y 9 de diciembre en Veracruz,
México, en particular por los compromisos
adoptados en materia de Educación, Cultura
e Innovación, así como las decisiones para
avanzar en la renovación de la Conferencia y
la reestructuración de su Secretaría General.
  36.	Expresaron	su	satisfacción	por
la Declaración adoptada el 3 de julio de
2014, en el marco de la XXVIII Reunión
de Consulta de Ministros de Relaciones
Exteriores de la Organización de los Estados
Americanos (OEA), por la cual se respalda
a la República Argentina a fin de que pueda
seguir cumpliendo con sus obligaciones,
pagando su deuda, honrando sus compromisos
financieros y para que, a través del diálogo,

logre un acuerdo justo, equitativo y legal con
el 100% de sus acreedores y se considera
esencial para la estabilidad y previsibilidad
de la arquitectura financiera internacional
garantizar que los acuerdos alcanzados entre
deudores y acreedores, en el marco de los
procesos de reestructuración de las deudas
soberanas, sean respetados permitiendo que
los flujos de pago sean distribuidos a los
acreedores cooperativos según lo acordado
con los mismos en el proceso de readecuación
consensual de la deuda.
  37. Las Presidentas y los Presidentes de los
Estados Partes y Asociados del MERCOSUR,
acuerdan continuar trabajando con miras
a concluir las negociaciones del proyecto
de Convención Interamericana sobre los
Derechos humanos de las Personas Mayores,
antes de la próxima Asamblea General de la
Organización de los Estados Americanos (N°
45). Asimismo, acuerdan que se comience
a trabajar sobre el texto de un documento
vinculante a nivel internacional, en el Grupo
de Trabajo de Composición Abierta sobre
el Envejecimiento, en el marco de Naciones
Unidas.
  38. Resaltaron los resultados de la II
Conferencia sobre Países en Desarrollo sin
Litoral, realizada en Viena y la participación
destacada de Bolivia, de la República del
Paraguay y del Alto Representante General
del MERCOSUR en dicho evento.
  En ese sentido, reconocieron, que no
obstante la situación especial del Paraguay
como país sin litoral, este puede constituirse
en un importante nexo entre el Atlántico y el
Pacífico.
  Consideraron de interés regional los
proyectos de infraestructura que viene
emprendiendo el Estado Plurinacional de
Bolivia tendientes a interconectar el Océano
Pacífico con el Océano Atlántico.
  39. Felicitaron las acciones ejecutadas

   
   

260

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




en la región para prevenir y enfrentar la
epidemia de ébola, entre ellas, las donaciones
realizadas por el Estado Plurinacional de
Bolivia, la República Federativa de Brasil
y la República Bolivariana de Venezuela.
Asimismo, saludaron la iniciativa de la
Cumbre Extraordinaria del ALBA-TCP sobre
el ébola, celebrada en La habana el 20 de
octubre de 2014.
  40. Reconocieron la importancia de la
aplicación de las medidas dispuestas por
el CMCT de la OMS, sus Directrices, sus
Protocolos, y las Resoluciones y Decisiones
pertinentes	aprobadas	por	la Asamblea
General de la ONU y la Asamblea Mundial
de la Salud en relación con la prevención y el
control de las enfermedades no transmisibles,
como premisas fundamentales de protección
a la salud pública, las que buscan garantizar
el pleno goce de los derechos humanos,
individuales y colectivos, en especial de
poblaciones vulnerables, como los niños,
los jóvenes y los más pobres, así como el
desarrollo pleno de las Naciones.
  Ratificaron el apoyo a la República
Oriental del Uruguay ante la interferencia
de la industria multinacional tabacalera en
la implementación de políticas de control
del tabaco, lo que atenta contra el derecho
soberano de los Estados a definir sus políticas
de salud.
  III. EN EL áMBITO MULTILATERAL
  41. Expresaron su beneplácito por la
adopción de la Resolución de la Asamblea
General 68/304 hacia el establecimiento
de un marco jurídico multilateral para los
procesos de reestructuración de la deuda
soberana, la cual fuera adoptada el pasado
9 de septiembre. La Resolución demostró el
interés de la amplia mayoría de la comunidad
internacional de dar respuesta al uso y abuso
que hacen los especuladores de la laguna
normativa existente en el actual sistema

financiero internacional. Destacaron la
importante coordinación y activo rol que
desempeñó el Grupo de los 77 y China en la
consecución de esta iniciativa.
  Felicitaron al Estado Plurinacional de
Bolivia por la conducción de la Presidencia del
G77 y China, cuyos resultados contribuyeron
a realzar a los pueblos del sur, a la lucha por
la erradicación de la pobreza y el hambre, a
la promoción del vivir bien en armonía y en
equilibrio con la Madre Tierra, concepto que
coadyuva al desarrollo sostenible.
  42. Saludaron la incorporación del Estado
Plurinacional de Bolivia y de la República del
Paraguay al Consejo de Derechos humanos
de las Naciones Unidas, para el periodo 2015-
2017, órgano responsable de fortalecer la
promoción y la protección de los derechos
humanos en el mundo.
  43. Reconociendo a la Convención Marco
de las Naciones Unidas sobre Cambio
Climático, como la instancia multilateral para
la negociación en esta esfera y la imperiosa
necesidad del respeto a sus principios, en
particular, el principio de responsabilidades
comunes pero diferenciadas, y la equidad,
congratularon al Gobierno del Perú por la
exitosa realización de la Vigésima Conferencia
de las Partes de la Convención Marco de las
Naciones Unidas sobre Cambio Climático
(COP 20) y de la Décima Conferencia de las
Partes del Protocolo de kyoto (CMP 10), que
tuvieron lugar en Lima del 1 al 12 de diciembre
pasado y reafirmaron su compromiso de
continuar trabajando de modo constructivo
a partir de los acuerdos alcanzados en este
ámbito, reconociendo que el cambio climático
representa un desafío ineludible para el
desarrollo sostenible.
  44. Se congratularon por la elección de
Venezuela como Miembro No Permanente del
Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas
para el periodo 2015-2016, lo cual dará




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	261




continuidad a la representación que hiciera
la Argentina de los intereses de los países del
MERCOSUR en dicho órgano.
  45. Destacaron la importancia de la
biodiversidad y de los humedales para el
desarrollo sostenible. En ese marco dieron la
bienvenida a la realización de la 12 Conferencia
de las Partes de la Convención sobre los
humedales (Convención de Ramsar), la cual
se realizará en Punta del Este, Uruguay del 1
al 9 de junio de 2015, bajo el lema humedales
para nuestro futuro y auguraron los mayores
éxitos para la misma.
  46. Reiteraron la importancia de la
Convención de Minamata sobre Mercurio y la
necesidad de su pronta ratificación y entrada
en vigor temprana dado el significativo avance
que representa hacia la implementación de
medidas dirigidas a proteger la salud y el
ambiente de las emisiones y liberaciones de
mercurio.
  47. Reafirmaron la importancia y los
desafíos asociados a la definición de una Nueva
Agenda Urbana para la región conscientes
del acelerado proceso de urbanización de
América Latina y El Caribe con miras a la
próxima Conferencia de habitat III sobre
Vivienda y Desarrollo Urbano Sostenible,
que tendrá lugar en Quito, Ecuador en octubre
de 2016, y se comprometieron a seguir
ejecutando políticas de vivienda y desarrollo
urbano que garanticen la equidad territorial,
reviertan la segregación urbana, promuevan
la sustentabilidad de los territorios, impulsen
el acceso a los servicios básicos, incorporen
la gestión de riesgos, contemplen la relación
entre ciudades pequeñas, intermedias y
metrópolis y fortalezcan la institucionalidad
en nuestra región.
  48. Como parte del diálogo intrarregional,
respaldaron a la República del Ecuador que
organizará la VI Cumbre de Jefes de Estado y
de Gobierno del Mecanismo áfrica - América

del Sur (ASA) en el año 2016.
  EXPRESARON su reconocimiento y
agradecimiento a la Señora Presidenta de la
República Argentina, Dra. Cristina Fernández
de kirchner, al Gobierno Nacional, al
Gobierno de la Provincia de Entre Ríos y al
pueblo argentino por su hospitalidad así como
por la realización de la XLVII Cumbre del
MERCOSUR y Estados Asociados.

  COMUNICADO CONJUNTO DE LAS
PRESIDENTAS Y LOS PRESIDENTES DE
LOS ESTADOS PARTES DEL MERCOSUR
  La Presidenta de la República Argentina,
Cristina Fernández de kirchner, la Presidenta
de la República Federativa del Brasil,
Dilma Rousseff; el Presidente del Estado
Plurinacional de Bolivia, Evo Morales Ayma;
el Presidente de la República del Paraguay,
horacio Cartes Jara; el Presidente de la
República Oriental del Uruguay, José Mujica
Cordano; y el Presidente de la República
Bolivariana de Venezuela, Nicolás Maduro
Moros, reunidos en Paraná, el día 17 de
diciembre de 2014, en ocasión de la XLVII
Reunión Ordinaria del Consejo del Mercado
Común:
  1. Saludaron la participación de Líbano,
México y Túnez como invitados especiales,
representados por el Canciller de la República
del Líbano Gebran Bassil, y los Embajadores
de México, Fernando Jorge Castro Trenti y de
Túnez, hichem Bayoudh.
  2. Saludaron la participación de la
Secretaria General Iberoamericana, Rebeca
Grynspan; del Secretario Ejecutivo Adjunto de
la Comisión Económica para América Latina
(CEPAL), Antonio Prado; del Secretario
General de la Comunidad Andina de
Naciones (CAN), Pablo Guzmán Laugier; del
Representante de la Corporación Andina de
Fomento (CAF) en Argentina, Rubén Ramírez
Lescano; y del Gerente del Departamento de




262

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




Países del Cono Sur del Banco Interamericano
de Desarrollo (BID), José Luis Lupo.
  3. Se congratularon por los procesos
electorales llevados a cabo en el Estado
Plurinacional	de	Bolivia,	la	República
Federativa de Brasil y la República Oriental
del Uruguay, y saludaron a los Presidentes
electos Evo Morales Ayma, Dilma Rousseff
y Tabaré Vázquez Rosas, expresándoles sus
mayores deseos de éxitos en las gestiones.
  4. Reiteraron su firme compromiso con el
MERCOSUR, destacando que sus objetivos
deben orientarse a profundizar la integración
y el desarrollo de los pueblos, la consolidación
de la democracia y el respeto de los derechos
humanos.
  5.	Ratificaron	su	determinación	de
fortalecer la dimensión social y ciudadana de
la integración, resaltando la importancia de
los trabajos que se desarrollan en los distintos
foros para garantizar la generación de empleo
y el crecimiento económico con justicia e
inclusión social.
  6. Manifestaron la necesidad de continuar
impulsando	iniciativas	y	acciones	que
conduzcan a avanzar en la complementariedad
de las estructuras productivas de los Estados
Partes, lo cual permitirá fortalecer el modelo
regional de desarrollo económico inclusivo
y ayudará a mejorar las condiciones de
competitividad de los diferentes sectores.
  7. Tomaron nota, con satisfacción, del
informe de actividades semestrales del Alto
Representante General del MERCOSUR al
Consejo del Mercado Común. Reconocieron
su papel en la organización y realización de la
misión de acompañamiento electoral a Bolivia
y en su participación en la II Conferencia
sobre Países en Desarrollo sin Litoral.
Asimismo, destacaron sus contribuciones para
el fortalecimiento de los trabajos en materia
de integración productiva y la realización
de encuentros sectoriales en el Centro de

Asociatividad Empresarial de Montevideo.
  8. Manifestaron su reconocimiento a los
avances logrados en el proceso de Adhesión
del Estado Plurinacional de Bolivia al
MERCOSUR, durante la Presidencia Pro
Témpore Argentina e instaron a continuar los
esfuerzos para avanzar en este objetivo. En
ese sentido, agradecieron los trabajos llevados
a cabo por la Delegación de Bolivia que
han permitido un desempeño exitoso en las
instancias de trabajo.
  Acordaron volver a analizar la propuesta
presentada por la Republica de Paraguay
y pronunciarse hasta el mes de marzo de
2015, para culminar el proceso de adhesión
del Estado Plurinacional de Bolivia al
MERCOSUR.
  9. Celebraron la designación del Dr.
Paulo Abrão Pires Jr. como Secretario
Ejecutivo del Instituto de Políticas Públicas
de Derechos humanos del MERCOSUR
(IPPDDhh), expresando su confianza en que
su nombramiento reforzará el compromiso
de los Estados Partes en la consolidación de
dicho órgano.
  Agradecieron al Secretario Ejecutivo
saliente, Dr. Víctor Abramovich, por su
abnegada labor en pos de la jerarquización de
los Derechos humanos como uno de los ejes
fundamentales de la integración regional.
  10. Recibieron con beneplácito las
iniciativas de la PPTA para consolidar a la
integración productiva en el MERCOSUR y
se congratularon por la aprobación del primer
Programa de Integración Productiva Sectorial
del MERCOSUR para la industria del sector de
Juguetes y del Reglamento del Mecanismo de
Fortalecimiento Productivo del MERCOSUR.
  Coincidieron, asimismo, en la importancia
de que las iniciativas de Integración Productiva
estén acompañadas por medidas destinadas
a facilitar el comercio de intrazona como
prioridades estratégicas para el MERCOSUR.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	263




   Destacaron los trabajos desarrollados por
el Proyecto Integración Productiva Sectorial
y Territorial en el marco del Observatorio
Regional	Permanente	de	Integración
Productiva, agradeciendo el apoyo recibido
por parte de la Agencia Española de
Cooperación Internacional para el Desarrollo
(AECID). Asimismo, se congratularon por
la aprobación de un nuevo proyecto de
cooperación, a ser presentado a la AECID
durante el primer semestre del año próximo,
que permitirá dar continuidad a lo actuado y
profundizar su alcance.
  Celebraron la inauguración del Centro de
Asociatividad Empresarial de Montevideo y
la realización de dos encuentros sectoriales de
integración productiva dirigidos a identificar
e implementar proyectos, con la participación
de nueve sectores productivos de los Estados
Partes	y	el	acompañamiento	del Alto
Representante General del MERCOSUR, Dr.
Ivan Ramalho.
  11. Subrayaron la importancia estratégica
del Fondo para la Convergencia Estructural del
MERCOSUR (FOCEM) como herramienta
para combatir las asimetrías, fomentar la
convergencia estructural y la integración
productiva de los países del bloque, desarrollar
la competitividad, promover la cohesión social
y el bienestar de los pueblos, en particular
de las economías menores y regiones menos
desarrolladas, y apoyar el funcionamiento de
la estructura institucional y el fortalecimiento
del proceso de integración. Asimismo, se
congratularon por la aprobación de la nueva
versión del proyecto financiado con recursos
del Fondo de Convergencia Estructural del
MERCOSUR Construcción de la Avenida
Costanera Norte de Asunción 2° Etapa y
Conexión (Av. Primer Presidente) con la
Ruta Nacional N° 9, a ser ejecutado por la
República del Paraguay.
  12. Saludaron la aprobación del Segundo

Programa Marco de Ciencia, Tecnología e
Innovación del MERCOSUR 2015-2019
aprobado por la LI Reunión Especializada
de Ciencia y Tecnología del MERCOSUR
(RECYT) el 11 de noviembre en Buenos
Aires, documento estratégico que persigue
la construcción de un espacio MERCOSUR
de Ciencia, Tecnología e Innovación para
promover la integración de las capacidades
existentes en el bloque en función de problemas
y prioridades comunes y favorecer el
desarrollo científico y tecnológico sustentable
que permita la complementación productiva y
la disminución de las desigualdades sociales
de cada Estado Parte.
  13. Tomaron nota de la instrucción del
Consejo del Mercado Común a los efectos
de priorizar el tratamiento de las propuestas
de Regímenes Económicos Especiales
presentadas por Paraguay, y demás normas
comerciales objeto del punto 2.1. de la Agenda
del XLIV GMC Extraordinario, con vista a
encontrar una solución antes del final de la
Presidencia Pro Témpore de Brasil. En este
contexto, destacaron la prórroga de aquellos
Regímenes que así lo requerían.
  14. Destacaron la importancia del Plan
de Trabajo del Subgrupo N° 7 Industria
de impulsar acciones concretas con vistas al
desarrollo de proveedores a nivel regional, a
efectos de buscar alternativas competitivas a
las importaciones de extrazona en los sectores
de Bienes de Capital para la Industria de Gas
y Petróleo, Maquinaria Agrícola, Minería, y
Autopartes.
  15. Resaltaron los avances de los trabajos
de las Aduanas en el Programa Piloto Intra-
MERCOSUR de Seguridad Aduanera en
la Cadena de Suministro de Bienes, que
permitieron concretar dos acuerdos para su
implementación a nivel bilateral entre Brasil
y Uruguay y entre Argentina y Uruguay.
Este Programa propicia la generación de




264

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




confianza mutua entre las Aduanas para
lograr procedimientos de control aduanero
más eficaces, ágiles y simples con miras
a implementar, en un futuro, Acuerdos de
Reconocimiento Mutuo.
  Asimismo, recibieron con satisfacción,
también, las tareas conjuntas de las Aduanas
en la implementación, a nivel regional,
del	Sistema	SINTIA	(Informatización
del Tránsito Internacional Aduanero), del
precinto electrónico y el Programa para el
Fortalecimiento de la Gestión del Riesgo
Aduanero en el MERCOSUR.
  16. Saludaron el lanzamiento del Curso
MERCOSUR	online	de	Defensa	del
Consumidor, y la pronta realización de las
pruebas piloto del Sistema Interamericano de
Alertas Rápidas (SIAR) de la Organización
de Estados Americanos, implementando,
de ese modo, el procedimiento de alerta y
retiro de productos y servicios considerados
potencialmente nocivos o peligrosos (Recall).
  Tomaron	nota	del	Programa	Precios
Cuidados y del nuevo Sistema de Resolución
de Conflictos en las Relaciones de Consumo
aplicados por la República Argentina en
defensa del consumidor.
  17. Saludaron los trabajos del Grupo de
Cooperación Internacional (GCI) dirigidos
a la actualización del acervo normativo de
la Política de Cooperación Internacional
del	MERCOSUR,	cuya	base	son	los
principios que guían la Cooperación Sur-
Sur como la solidaridad, horizontalidad, no
condicionalidad, consenso, y beneficio mutuo,
en particular de sus estrategias intra y extra-
bloque.
  Resaltaron,	también,	la	firma	del
Memorando	de	Entendimiento	entre
MERCOSUR y la Organización Internacional
para las Migraciones (OIM) que permitirá
desarrollar	un	programa	conjunto	de
cooperación técnica en áreas de mutuo interés.
   
Recibieron con beneplácito la aprobación
del proyecto Apoyo a la Implementación
de la Política de Igualdad de Género en el
MERCOSUR de la Reunión de Ministras y
Altas Autoridades de la Mujer (RMAAM), a
ser presentado ante la Agencia Española de
Cooperación Internacional para el Desarrollo
(AECID).
  Asimismo, se congratularon por la
suscripción del Acuerdo por Notas Reversales
con la República Federal de Alemania
que permitirá el inicio de un proyecto de
cooperación en el marco del SGT N° 3
Reglamentos Técnicos y Evaluación de la
Conformidad.
  18. Saludaron la Reunión Informativa
Ministerial del MERCOSUR y la Alianza del
Pacífico, realizada el pasado 1 de noviembre,
en Cartagena de Indias, Colombia, que dio
oportunidad a un intercambio de experiencias
sobre el desarrollo de la integración que llevan
adelante ambos bloques.
  Asimismo, tomaron nota del Seminario
Diálogo sobre Integración Regional: Alianza
del Pacífico y MERCOSUR, realizado el 24
de noviembre en Santiago de Chile.
  19. Se congratularon por la realización de las
reuniones de las Comisiones Administradoras
de los Acuerdos de Complementación
Económica N° 35 (MERCOSUR  Chile), N°
36 (MERCOSUR  Bolivia) y N° 59 (cuyas
Partes Signatarias son Argentina, Brasil,
Colombia, Ecuador, Paraguay, Uruguay y
Venezuela), así como por los avances allí
alcanzados, que permitieron al MERCOSUR
su retorno, en el plano del relacionamiento
intra-regional, a su plenitud institucional.
Asimismo, recordaron la importancia de
la pronta realización de una reunión de
la Comisión Administradora del Acuerdo
de Complementación Económica Nº 58
(MERCOSUR - Perú).
  20. Destacaron la importancia de la

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	265




presentación ante la Secretaría General de
SICA el 17 de diciembre de una propuesta
para	suscribir	un	Acuerdo	Marco	de
Asociación entre el MERCOSUR y el
Sistema de Integración Centroamericano
(SICA) que contempla un Mecanismo de
Diálogo Político, Cooperación y Comercio e
Inversiones, y enfatizaron que dicho Acuerdo
contribuirá a fortalecer la integración regional
latinoamericana.
  21. Reiteraron su disposición de concretar
el establecimiento de la zona Económica
Complementaria entre los Estados Partes del
MERCOSUR, los Países Miembros de la
ALBA  TCP y CARICOM. En ese sentido,
esperan de esas instituciones una clara
indicación respecto de las áreas de interés
común para consideración.
  22.	Expresaron	su	satisfacción	por
la	suscripción	del	Memorándum	de
Entendimiento entre el MERCOSUR y la
República del Líbano con la presencia del
Sr. Canciller libanés Gebran Bassil, con
el objetivo de promover y fortalecer las
relaciones económicas y comerciales entre
ambas Partes, por medio del mecanismo
institucional	previsto	en	el	instrumento
suscripto.
  23. Saludaron la suscripción del Acuerdo
Marco entre el MERCOSUR y la República
Tunecina, con la presencia del Embajador
hichem Bayoudh, a fin de renovar e impulsar
el desarrollo de las relaciones económicas y
comerciales entre ambas Partes, a través del
mecanismo institucional previsto en dicho
Acuerdo.
  24. Resaltaron el provechoso trabajo
desarrollado por el MERCOSUR y la Comisión
Económica Euroasiática y se congratularon
ante los consensos alcanzados sobre el texto
del Memorándum de Cooperación en Materia
Económica y Comercial que será suscripto una
vez que entre en vigor la Unión Económica

Euroasiática, a partir del 1 de enero de 2015.
  25. Ratificaron su interés en lograr un
Acuerdo con la Unión Europea ambicioso,
equilibrado y mutuamente beneficioso. En
ese sentido, reiteraron su disposición en
establecer una fecha para el intercambio de
las respectivas ofertas de acceso a mercados
de bienes, servicios, inversiones y compras
gubernamentales una vez que la Unión
Europea concluya sus consultas internas
necesarias para la presentación de su oferta.
  26. Destacaron los avances registrados en
los trabajos para implementar la Certificación
de Origen Digital (COD) según los términos
establecidos en la Resolución 386 del Comité
de Representantes de la ALADI e instaron a
que se realicen los mayores esfuerzos para que,
a la brevedad posible, la COD sea aplicada en
el comercio regional.
  27. Se congratularon por los avances
alcanzados en diversas materias en el ámbito
de la Unión de Naciones Suramericanas
(UNASUR) y la Comunidad de Estados
Latinoamericanos y Caribeños (CELAC),
y ratificaron su compromiso de seguir
articulando acciones con dichos procesos de
integración con miras a continuar fortaleciendo
el rol de la región latinoamericana y caribeña
en el escenario internacional.
  Se congratularon, también, con la reciente
inauguración de la nueva sede oficial de la
UNASUR Néstor kirchner, en la ciudad de
Quito.
  Manifestaron sus deseos de éxito a la
República Oriental del Uruguay en el ejercicio
de la Presidencia Pro Témpore de UNASUR,
recientemente asumida, y expresaron su
apoyo a los trabajos a desarrollar durante
su gestión en pos de fortalecer el proceso
de integración sudamericana, en particular
los esfuerzos tendientes a la búsqueda de
complementación y articulación con otros
mecanismos regionales y subregionales de




266

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




integración.
  Saludaron la elección del ex Presidente
Ernesto Samper como Secretario General de
la UNASUR, expresando su confianza en que
la gestión consolidará el fortalecimiento de la
unidad suramericana.
  Asimismo, manifestaron sus deseos de
éxito a la República del Ecuador que asumirá
el próximo mes de enero de 2015 el ejercicio
de la Presidencia Pro Témpore de la CELAC,
en ocasión de la III Cumbre de Jefas y Jefes de
Estado y de Gobierno de la CELAC.
  28. Saludaron el X Aniversario de la
Alianza Bolivariana de los Pueblos de Nuestra
América - Tratado de Comercio de los Pueblos
(ALBA  TCP) y los logros alcanzados por
este esquema de integración para el desarrollo
y el bienestar de los pueblos con base en los
principios de solidaridad, complementariedad,
justicia y cooperación.
  29. Destacaron la conformación de los
órganos de gobierno del Banco del Sur, lo que
significa un impulso importante para la puesta
en marcha, a la brevedad, de dicha entidad.
  30. Ratificaron su apoyo a la Resolución
AG/68/304(2014)	de	la	ONU,	que
acordó establecer reglas para un marco
jurídico multilateral para los procesos de
reestructuración de deuda soberana, y se
congratularon por las modalidades aprobadas
el 5 de diciembre. Asimismo, manifestaron
su satisfacción por el apoyo recibido en otros
foros internacionales, como el G20, la OEA,
la Cumbre Iberoamericana y la ALADI, para
avanzar en esta cuestión que compromete
la estabilidad financiera y el crecimiento y
desarrollo de los países.
  Coincidieron en que el accionar de los
fondos especulativos pone en riesgo y puede
impedir los procesos de reestructuración de
deuda.
  31. Ratificaron la necesidad de avanzar
con las negociaciones de la Ronda de Doha

acordando instrumentos en materia de trato
especial y diferenciado, así como el respeto
al principio de reciprocidad menos que
plena, que aseguren el establecimiento de un
sistema multilateral de comercio más justo
y equilibrado, que potencie las posibilidades
de industrialización y generación de empleo
de los países en desarrollo. Reiteraron la
prioridad de continuar con el proceso de
reforma de las políticas agrícolas, eliminando
todas las formas de subvenciones a las
exportaciones agrícolas, y la necesidad de
establecer disciplinas para las subvenciones a
la pesca.
  32. Expresaron preocupación por la lenta y
despareja recuperación de la economía global,
lo que genera efectos de derrame negativos,
que afectan especialmente a los países en
desarrollo. Reconocieron que persisten riesgos
de acentuar las asimetrías y la exclusión
social, y de generar tensiones geopolíticas e
inestabilidades en los mercados financieros.
En ese sentido, coincidieron en la importancia
de asegurar que las políticas macroeconómicas
de los Estados Partes sean adecuadas para
apoyar el crecimiento, fortalecer la demanda
y promover el desarrollo sostenible en sus tres
dimensiones económica, social y ambiental en
el marco de las políticas de desarrollo de cada
país.
  33. Resaltaron la importancia de la II
Conferencia de las Naciones Unidas sobre los
Países en Desarrollo sin Litoral celebrada en
Viena, entre el 3 y 5 de noviembre, destacando
la participación de Bolivia y Paraguay, y
manifestaron la relevancia de la adopción
de mecanismos efectivos para superar las
dificultades que enfrenta el Paraguay como
país en desarrollo sin litoral.
  34. Felicitaron al Grupo Ad hoc para la
elaboración e implementación de la Patente
MERCOSUR por la aprobación del modelo
único de chapa patente o placa de identificación




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	267




única y obligatoria para todos los vehículos
de los Estados Partes que sean registrados por
primera vez a partir del 1 de enero de 2016.
Al respecto, resaltaron la importancia de la
patente única para la consolidación progresiva
del proceso de integración, facilitando las
actividades productivas y combatiendo, al
mismo tiempo, los delitos transfronterizos.
Asimismo, reconocieron la relevancia de la
implementación de un Sistema de Consultas
sobre vehículos del MERCOSUR para avanzar
en la lucha contra los delitos de robo de
vehículos, la trata de personas y el narcotráfico,
entre otros delitos transfronterizos.
  35. Ratificaron la necesidad de que los
Gobiernos participen activamente, junto a las
múltiples partes interesadas, en el proceso
de transición que se está llevando adelante
con relación a la gobernanza de Internet a
nivel mundial. En tal sentido, reafirmaron el
compromiso de promover una Internet libre,
abierta, interoperable, neutral y para todas
y todos los habitantes, con el propósito de
construir una Sociedad de la Información
centrada en la persona y orientada al
desarrollo. Manifestaron su interés en la
pronta convocatoria de la I Reunión de
Autoridades sobre Privacidad y Seguridad de
la Información e Infraestructura Tecnológica
del MERCOSUR (RAPRISIT).
  Asimismo, reiteraron la necesidad de
promover, en las instancias multilaterales
pertinentes, posiciones comunes relacionadas
con la adopción de normas relativas a la
gobernanza de Internet, con énfasis en
los aspectos de seguridad cibernética, en
particular para preservar la soberanía de los
Estados y la privacidad de los individuos.
  36. Resaltaron la importancia de continuar
fomentando el uso de los biocombustibles,
especialmente la utilización de la biomasa
sólida y el aprovechamiento de residuos
para la generación de energía y destacaron la

creciente relevancia que tiene la cuantificación
de la bioenergía.
  37. Reconocieron a la Convención Marco
de las Naciones Unidas sobre Cambio
Climático, como la instancia multilateral para
la negociación en esta esfera y la imperiosa
necesidad del respeto a sus principios, en
particular, el principio de responsabilidades
comunes pero diferenciadas, y la equidad,
congratularon la realización de la XX
Conferencia de las Partes de la Convención
Marco de las Naciones Unidas sobre
Cambio Climático (COP 20) y de la Décima
Conferencia de las Partes del Protocolo de
kyoto (CMP 10), que tuvieron lugar en Lima
del 1 al 12 de diciembre pasado y reafirmaron
su compromiso de continuar trabajando de
modo constructivo a partir de los acuerdos
alcanzados en este ámbito, reconociendo que
el cambio climático representa un desafío
ineludible para el desarrollo sostenible.
  38. Reiteraron la importancia de promover
la conservación y aprovechamiento sostenible
de los recursos y riquezas naturales que se
encuentran localizados en sus territorios
nacionales.
  39. En tal sentido, se comprometieron a
realizar, a la brevedad posible, durante la
Presidencia Pro Témpore del MERCOSUR
de la República Federativa de Brasil, una
reunión especial de alto nivel de Ministros
de Relaciones Exteriores y Autoridades
Responsables, a fin de conocer los detalles
del proceso y diseñar una estrategia conjunta
del MERCOSUR en la construcción de un
acuerdo en ocasión a la XXI Conferencia de
las Partes de la Convención Marco de las
Naciones Unidas sobre Cambio Climático a
celebrarse en París en el año 2015.
  40. Saludaron los avances realizados por
los órganos Socio-laborales del MERCOSUR
tendientes a la próxima suscripción de una
Declaración de los Ministros de Trabajo sobre




268

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




la Trata Laboral. Recordaron que este es un
fenómeno sumamente complejo que afecta
particularmente a la región, cuyo abordaje
requiere de una coordinación de políticas
interministeriales.
  41. Tomaron conocimiento de la Reunión
de Ministros de Salud del MERCOSUR el 14
de noviembre en Buenos Aires. Especialmente
resaltaron el interés de los Ministros en
fortalecer el desarrollo de los Programas de
Sangre de la Comisión Intergubernamental de
Sangre y hemoderivados del MERCOSUR
impulsando, a través de Acuerdos, estrategias
conjuntas para la producción de medicamentos
derivados	del	plasma	excedente	de
transfusiones en los Estados Partes y en la
región.
  Asimismo, destacaron la decisión de
los Ministros de Salud de crear la Red
MERCOSUR de Cooperación y Tutorías
para el desarrollo de Equipos de Trasplante
y Formación de Recursos humanos en
Donación y Trasplante en el ámbito de la
Comisión Intergubernamental de Donación y
Trasplantes.
  Recibieron	con	beneplácito,	que	los
Ministros de Salud hayan acordado aprobar el
Compromiso de Suscripción a las Metas 90-
90-90 del Control de la Epidemia del VIh/
Sida para el año 2020 en los Estados Partes y
Asociados del MERCOSUR.
  42. Saludaron a la Reunión Especializada
de Agricultura Familiar (REAF) con motivo
de cumplirse 10 años desde su creación,
destacando la importancia que tiene para
el MERCOSUR la constitución de ámbitos
de articulación entre los Estados Partes, los
movimientos sociales, los agricultores y las
estructuras propias del sistema de integración.
Al mismo tiempo, se congratularon por las
actividades desarrolladas durante todo el 2014,
declarado Año de la Agricultura Familiar.
  43. Tomaron conocimiento de los trabajos

desarrollados durante la XXV Reunión
Especializada de Comunicación Social del
MERCOSUR (RECS) y se congratularon de la
aprobación de los Lineamientos de la política
comunicacional del MERCOSUR cuya
aplicación otorgará una mayor visibilidad y
conocimiento del proceso de integración en la
opinión pública.
  Asimismo, manifestaron su interés
por avanzar con la creación de la Unidad
Técnica de Comunicación e Información del
MERCOSUR.
  44. Destacaron la tarea realizada por
la Reunión Especializada de Autoridades
Cinematográficas y Audiovisuales del
MERCOSUR (RECAM) en la edición de
la Selección de piezas Audiovisuales de
Patrimonio Audiovisual del MERCOSUR
- Integrando Miradas - con cuatro obras
restauradas y más de 600 minutos digitalizados.
  Asimismo, saludaron la entrega de la
primera edición del Premio a la Mejor
Película MERCOSUR durante el 29º Festival
Internacional de Cine de Mar del Plata,
que servirá para fomentar la circulación de
contenidos propios en la región.
  45. Destacaron la importancia de promover
y consolidar la constitución de cooperativas
del MERCOSUR, así como la de alentar y
facilitar el desarrollo de grupos cooperativos.
  46. Se congratularon por la presentación de
una nueva edición actualizada de la Cartilla
de la Ciudadanía del MERCOSUR, por la
Comisión de Representantes Permanentes del
MERCOSUR, que contará con un vínculo
de acceso en el sitio Web de la Secretaría
del MERCOSUR y un folleto tríptico para
facilitar su más amplia difusión.
  La Cartilla recopila el importante conjunto
de normas, que han sido aprobadas por el
MERCOSUR, vinculadas con la vida diaria
de las ciudadanas y los ciudadanos de los
Estados Partes y Asociados, permitiendo




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	269




conocer así los derechos y obligaciones
que los afectan directamente, tanto en sus
relaciones con organismos públicos como con
agentes privados.
  47. Se congratularon por la realización del
I Taller Regional para el Fortalecimiento de
la Participación Social en el MERCOSUR
organizado por la Unidad de Apoyo a la
Participación Social del MERCOSUR (UPS)
en la ciudad de Corrientes, Argentina, los
días 24 y 25 de noviembre, el cual permitió
consolidar, fortalecer y visibilizar los espacios
y mecanismos de participación social en el
MERCOSUR, así como difundir el acervo
de las conquistas del bloque en sus diversas
dimensiones.
  48. Confirmaron una vez más el compromiso
de los países del MERCOSUR con la Institución
del Refugio y la protección de los refugiados y
tomaron nota de la Declaración y del Plan de
Acción de Brasil, en el contexto de la Reunión
Ministerial de Cartagena+30, así como de su
proceso preparatorio, y remarcaron que el éxito
de la Conferencia y el carácter innovador de los
documentos aprobados refuerzan el papel de
vanguardia ejercido por la región en el campo
de la protección internacional a los refugiados,
desplazados internos y apátridas. Asimismo,
felicitaron a Argentina, Brasil y Uruguay por sus
programas de asistencia a refugiados sirios.
  Congratularon también otras iniciativas
tales como los programas de visas humanitarias
puestos en marcha en Argentina y en Brasil,
así como el programa de becas mediante
el cual jóvenes palestinos realizan estudios
universitarios de medicina en Venezuela.
  49. Reafirmaron su compromiso con la
defensa y protección de los derechos de
las personas migrantes y sus familiares, en
concordancia con el Acuerdo de Residencia
MERCOSUR. En dicho marco, felicitaron
los esfuerzos realizados por los países para
profundizar el acceso a los derechos de las

personas migrantes y sus familiares, tal
como la aprobación en Uruguay de la Ley Nº
19.254, la cual facilita la residencia definitiva
en el Uruguay de los nacionales de los Estados
Parte y Asociados del MERCOSUR, así como
de los familiares de uruguayos de origen
extranjero.
  50. Manifiestan su profundo rechazo a
la reciente aprobación, por el Congreso de
Estados Unidos de América, del Proyecto de
Ley que aplica sanciones al Pueblo y Gobierno
de la República Bolivariana de Venezuela.
Asimismo, reiteran que medidas unilaterales
de esa naturaleza vulneran el principio de no
intervención en los asuntos internos de otros
Estados y en nada contribuyen a la estabilidad
y a la tranquilidad social en la región.
  51. Recibieron con beneplácito el
trabajo realizado por el Foro Consultivo de
Municipios, Estados Federados, Provincias
y Departamentos del MERCOSUR (FCCR)
durante este semestre y los avances alcanzados
en materia de Integración Productiva con el
Plan de Vinculación de Clusters Productivos
y Ciudadanía Regional con la Unidad de
Apoyo a la Participación Social, reconociendo
la importancia del protagonismo de los
Municipios, Estados Federados, Provincias y
Departamentos en la Integración Regional.
  52. Celebraron la realización de la XVII
Cumbre Social del MERCOSUR que contó
con la participación activa de representantes
de movimientos y organizaciones sociales
del bloque, incrementando el protagonismo
popular en la unidad regional. Asimismo,
expresaron la importancia de fortalecer
el intercambio de saberes y experiencias
de nuestras comunidades a través de la
construcción de propuestas para contribuir al
desarrollo de la integración regional.
  53. Saludaron la convocatoria del Estado
Plurinacional de Bolivia al Encuentro Mundial
de Movimientos Sociales por la salvación de




270

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




la Madre Tierra, para enfrentar los efectos
adversos del cambio climático, que tendrá
lugar en dicho país en el 2015.
  54. Saludaron la realización del IV Foro
Empresarial del MERCOSUR celebrado el
pasado 12 de diciembre en Buenos Aires,
plataforma que tiene como principal objetivo
congregar a la comunidad empresarial y
reflexionar conjuntamente con los gobiernos
y las empresas públicas sobre el futuro del
proceso de integración en la región.
  Reconocieron la importancia de los tres ejes
temáticos estratégicos seleccionados para el
IV Foro: i) energía, ii) integración productiva
y iii) software, tecnología y comunicaciones.
Destacaron la participación activa de los
Estados en el proceso de desarrollo económico
con inclusión social por el que atraviesa la
región.
  Asimismo, recibieron el informe de los
resultados del debate realizado en el Foro y
valoraron el aporte directo de la comunidad
empresarial, los cuales contribuirán con los
esfuerzos de fortalecimiento y consolidación
del MERCOSUR y saludaron el respaldo de
los representantes empresariales participantes
en este IV Foro Empresarial, a los esfuerzos de
los gobiernos de los países del MERCOSUR
para la consolidación y la expansión de este
bloque de integración regional.
  Agradecieron al gobierno de la Provincia
de Entre Ríos por la hospitalidad y por el
cariño de su pueblo.
  Expresaron	su	reconocimiento	y
agradecimiento a la señora Presidenta de la
Nación Argentina, Dra. Cristina Fernández de
kirchner, y al Gobierno y al pueblo argentino
por su hospitalidad y por la realización de la
XLVII Cumbre del MERCOSUR.
  COMUNICADO CONJUNTO DE LOS
CANCILLERES	DE	LOS	ESTADOS
PARTES	Y	ESTADOS	ASOCIADOS
DEL	MERCOSUR	EN	APOYO	A

LA REELECCIóN DEL DR. JORGE
GRAzIANO PARA EL CARGO DE
DIRECTOR GENERAL DE LA FAO
  Los Ministros de Relaciones Exteriores
de Argentina, Brasil, Paraguay, Uruguay,
Venezuela, Bolivia, Chile, Colombia, Ecuador,
Guyana y Perú, reunidos en Paraná, República
Argentina, Estados Partes y Estados Asociados
del MERCOSUR, reciben con aprobación y
manifiestan su apoyo a la reelección del Dr.
José Graziano da Silva para el cargo de Director
General de la Organización de las Naciones
Unidas para la Agricultura y la Alimentación,
en la Conferencia de la Organización que se
llevará a cabo en julio de 2015.
  Paraná, Argentina  16/XII/2014
  COMUNICADO ESPECIAL
  APOYO AL ECUADOR EN SU
POLíTICA ENERGéTICA
  Y DE USO GENERALIzADO DE
TECNOLOGíAS LIMPIAS
  Las Presidentas y los Presidentes de los
Estados Partes del MERCOSUR y Estados
Asociados, reunidos en la ciudad de Paraná,
el día 17 de diciembre de 2014, con ocasión
de la XLVII Reunión Ordinaria del Consejo
del Mercado Común (CMC).
  Recordaron que en el Comunicado
Conjunto de las Presidentas y los Presidentes
de los Estados Partes del MERCOSUR y
Estados Asociados, del día 29 de julio de
2014, se ratificó la importancia de preservar
el crecimiento de las economías de los países
del MERCOSUR y Estados Asociados
y maximizar su potencial de desarrollo
sostenible.
  Reconocieron que el Ecuador, como parte
de sus esfuerzos nacionales para combatir
el cambio climático, ha asumido de manera
soberana, como uno de los ejes principales de
su planificación del desarrollo, el cambio de
matriz energética, con el objetivo de alcanzar
el Buen Vivir y la erradicación de la pobreza,




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	271




en armonía con la naturaleza.
  Se congratularon de los esfuerzos del
Gobierno	ecuatoriano	para	reducir	las
emisiones contaminantes a la atmósfera
mediante el fortalecimiento de los sectores
eólico, solar y en especial eléctrico, con la
construcción de centrales hidroeléctricas, y
la implementación de proyectos de eficiencia
energética como el de reemplazo del uso
del gas de petróleo licuado subsidiado, por
cocinas de inducción en el sector residencial.
  Felicitaron al Ecuador por la aplicación de
proyectos innovadores como el anteriormente
señalado, el cual es considerado como
emblemático y constituye un ejemplo para la
región en el combate del Cambio Climático.
  Paraná, 17 de diciembre de 2014
  COMUNICADO ESPECIAL
  EXPLORACIóN DE hIDROCARBUROS
Y	PESCA	EN	LA	PLATAFORMA
CONTINENTAL	ARGENTINA	EN
PROXIMIDAD DE LAS ISLAS MALVINAS
  Las Presidentas y los Presidentes de los
Estados Partes del MERCOSUR y Estados
Asociados, reunidos en la ciudad de Paraná,
Entre Ríos, el día 17 de diciembre de 2014,
en ocasión de la XLVII Reunión Ordinaria
del Consejo del Mercado Común (CMC),
reiterando su permanente respaldo a los
legítimos derechos de la República Argentina
en la disputa de soberanía relativa a la cuestión
de las Islas Malvinas.
  Recordaron	lo	establecido	por	la
Resolución 31/49 de la Asamblea General de
las Naciones Unidas que insta a la Argentina y
el Reino Unido a que se abstengan de adoptar
decisiones que entrañen la introducción de
modificaciones unilaterales en la situación
mientras las islas estén atravesando por
el proceso recomendado por la Asamblea
General.
  Reiteraron su rechazo al desarrollo de
actividades	unilaterales	británicas	que

incluyen, entre otras, la exploración y
explotación de recursos naturales renovables
y no renovables del área en controversia.
  Reconocieron el derecho que le asiste a la
República Argentina de emprender acciones
legales con pleno respeto del Derecho
Internacional y de las resoluciones pertinentes
contra las actividades de exploración y
explotación de hidrocarburos no autorizadas
en su plataforma continental, y destacaron los
recientes pronunciamientos de la Organización
Latinoamericana de Energía (OLADE), la
Asociación Latinoamericana de Integración
(ALADI) y el Grupo de los 77 y China en ese
sentido.
  Reafirmaron su compromiso de
intercambiar la información disponible, de
conformidad con el Derecho Internacional,
los acuerdos internacionales vigentes y las
respectivas legislaciones internas, sobre:
  a) buques o artefactos navales con
derroteros que incluyan a las Islas Malvinas,
Georgias del Sur y Sandwich del Sur con cargas
destinadas a actividades hidrocarburíferas y/o
mineras ilegales en la plataforma continental
argentina.
  b) la adopción de las medidas susceptibles
de ser reglamentadas para impedir el ingreso
a sus puertos de buques o artefactos navales
que enarbolen la bandera ilegal de las Islas
Malvinas.
  La información disponible en los ámbitos
nacionales competentes será circulada a través
de las respectivas cancillerías.
  Paraná, 17 de diciembre de 2014
   
  DECLARACIóN ESPECIAL DE LOS
ESTADOS PARTES DEL MERCOSUR
EN RESPALDO A LA REPúBLICA
ARGENTINA
  Las Presidentas y Presidentes de los
Estados Partes del MERCOSUR, frente a los
planteos de un grupo minoritario de tenedores




272

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




de títulos no reestructurados de la deuda
soberana de la República Argentina:
  Reafirman su más absoluto rechazo a
la actitud de dichos fondos especulativos
(hold outs), cuyo accionar obstaculiza el
logro de acuerdos definitivos entre deudores
y acreedores y pone en riesgo la estabilidad
financiera de los países.
  Exigen que se garantice que los acuerdos
alcanzados entre acreedores y deudores en el
marco de los procesos de reestructuración de
las deudas soberanas sean respetados.
  Reiteran su solidaridad y apoyo a la
República Argentina en la búsqueda de una
solución que no comprometa su desarrollo
y el bienestar de su pueblo, en consonancia
con sus políticas de desarrollo nacional y su
soberanía económica.
  Destacan la aprobación de la Resolución
68/304 hacia el establecimiento de un
marco legal multilateral para los procesos de
reestructuración de deuda soberana, por la
Asamblea General de Naciones Unidas y la
posición uniforme y cohesionada de todos
los Estados Partes en apoyo a la posición
Argentina en este marco.
  Las Presidentas y Presidentes de los
Estados Partes del MERCOSUR coinciden
en continuar articulando coordinadamente
las modalidades de trabajo que deben
implementarse	para	llevar	adelante	las
negociaciones intergubernamentales durante
2015 sobre las cuestiones relativas al futuro
marco jurídico relacionado con la Resolución
68/304. En este sentido, desean que el referido
marco se encuentre vigente en el menor plazo
posible.
  Paraná, 17 de diciembre de 2014
  DECLARACIóN ESPECIAL DE LAS
PRESIDENTAS Y LOS PRESIDENTES DEL
MERCOSUR SOBRE LA APROBACIóN
DE SANCIONES CONTRALAREPúBLICA
BOLIVARIANA DE VENEzUELA
   
Las Presidentas y los Presidentes del
MERCOSUR manifiestan su profundo rechazo
contra la Ley que aplica sanciones al Pueblo
y Gobierno de Venezuela, recientemente
sancionada por el Congreso de los Estados
Unidos de América.
  Reiteran que la aplicación de sanciones
unilaterales, como las previstas en esa Ley,
vulneran el principio de no intervención en
los asuntos internos de otros Estados y no
contribuyen para la estabilidad, la paz social
y la democracia en Venezuela.
  En ese sentido, las Presidentas y los
Presidentes del MERCOSUR exhortan al
Gobierno de los Estados Unidos de América
a abstenerse de aplicar sanciones contra la
República Bolivariana de Venezuela a la
vez que manifiestan su más firme respaldo
y solidaridad con el Gobierno y el Pueblo
venezolanos.
  Paraná, 17 de diciembre de 2014

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	273


























































274

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014






















  Milhões de pessoas ocuparam as ruas no
último mês de junho em dezenas de cidades
brasileiras. O Brasil ergueu-se de seu berço
esplêndido de forma absolutamente democrática
em sua ação reivindicatória. Observe-se que todas
as garantias legais foram asseguradas ao povo
para que ele protestasse, reclamasse, contestasse.
é um país muito diferente de décadas passadas.
A grande maioria dos brasileiros jamais passou
por um regime de exceção. Portanto, recontar
essa trajetória é imprescindível para quem não
viveu os tempos anteriores a essa liberdade
estabelecida no País a partir da Constituição
Federal de 5 de outubro de 1988.
  Vivemos hoje tempos de estabilidade,
democracia e solidez institucional. Nem
sempre foi assim. E foi dura a histórica batalha
que nos permitiu transformar essa conquista
em bem acessível a todos os brasileiros.
  Registro: o Brasil viveu de 1964 a 1985
em um sistema centralizador e autoritário,
que terminou graças a movimento popular de
ocupação das ruas, avenidas e praças.
  Ao fim desse período, houve a convocação
da	Assembleia	Nacional	Constituinte.
Essa convocação não foi ato fundado na
Constituição de 1967. Embora rotulada de
emenda, não era ato jurídico, mas político, já
                          
artigos
                          
     a Constituição do PoVo
            (istoé, 27/09/2014)
                          27/09/2014
                               
                               
                               
                               
                               
que rompia com a ordem jurídica estabelecida.
Ou seja, foi um ato político o deflagrador da
inauguração de um novo Estado brasileiro,
extremamente democrático e participativo.
  Recordo que, mesmo antes da instalação da
Assembleia Constituinte, houve convocação
de alguns juristas, ditos notáveis, para
elaborarem anteprojeto da Constituição.
  E o fizeram com os moldes do parlamentarismo.
  Quando o Congresso Nacional foi convertido
em Assembleia Constituinte, optou-se por
formalizar novo projeto de Constituição,
deixando de lado a fórmula estabelecida pela
comissão dos notáveis. Como isso se deu?
Instalada a constituinte, o então presidente da
Câmara dos Deputados, Ulysses Guimarães,
foi eleito presidente da Assembleia. Distribuiu
os temas entre várias comissões. Formaram-
se as comissões da Organização dos Poderes,
da Ordem Econômica e Social, dos Direitos
Individuais, etc. Em cada comissão havia
subcomissões, como a do Poder Judiciário, do
Executivo e do Legislativo. Essas subcomissões
realizaram os seus trabalhos, que foram reunidos
pelas Comissões Temáticas. Ao final, uma
Comissão de Sistematização juntou os vários
textos. Nesse período houve muitos conflitos
de natureza política, com intensa participação




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	275




da sociedade civil organizada, de sindicatos,
representantes de setores econômicos, grupos de
interesse, lobbies e ações reivindicatórias de
diversos matizes. O Congresso se tornou a casa
de encontro do povo brasileiro, às vezes com
choques e embates.
  Em certos momentos, contestou-se o próprio
texto constitucional. Relembro a figura do
centrão (grupo de constituintes que tentou
impedir os trabalhos, pois não se conformava
com os dizeres que vieram das comissões
temáticas). Mas a habilidade dos constituintes
resultou em acordo geral e dele saíram textos
condizentes com o pensamento da maioria 
representação clara e o mais precisa possível da
vontade popular. Feito o trabalho da Comissão
de Sistematização, passou-se à votação dos
temas no Plenário: artigo por artigo, parágrafo
por parágrafo. Foram dias e noites seguidas,
incluindo fins de semana, em votações. O voto
era nominal e computado à mão. Constituiu-se,
depois, a Comissão de Redação, que formatou
o texto final depois de passá-lo por filólogos,
que examinaram o português do projeto de
Constituição. Depois do trabalho da Comissão de
Redação, deu-se a votação final da Constituição
e a sua promulgação, numa data muito festejada
por todos os brasileiros no Congresso Nacional:
5 de outubro de 1988.
  Pronta, a Constituição foi muito criticada.
Muitos sustentavam a necessidade de Carta
sintética, principiológica, sob o argumento de
que, se assim fosse, daria margem maior de
escolha para o Legislativo e para o Judiciário.
Ao contrário, detalhada como foi, restringiu a
margem de atuação do legislador comum. Daí a
razão pela qual hoje tramitam pela Casa mais de
mil emendas e, a essa altura, já se promulgaram
67 emendas constitucionais, além das seis
emendas de revisão. Como tudo está previsto
no texto constitucional, quando se quer fazer
modificação, impõe-se a alteração do próprio
texto.
   
Ao longo do tempo, a Constituição foi
muito bem aplicada e passou a ser saudada
como instrumento de estabilidade das nossas
instituições. Um dos aspectos a chamar
atenção no texto é que nele se fez amálgama
da democracia dos princípios liberais com a
democracia dos princípios sociais. Trouxe,
de um lado, elenco extraordinário de direitos
individuais e de liberdades públicas. Basta ler o
seuArtigo 5º para verificar como é longo o elenco
de direitos. Portanto, as liberdades individuais
e públicas, como de imprensa, informação e
associação, foram abundantemente previstas e
praticadas a partir da Constituição.
  Com o passar do tempo, verificou-se que
não bastavam essas liberdades. Era preciso ir
além. Surgiu então a cobrança por princípios da
democracia social, que, aplicados, importaram
no acesso de mais de 35 milhões de pessoas para
a classe média. São exemplos: o direito à moradia
e o direito à alimentação. Aparentemente, são
normas que não têm imediato poder impositivo,
porque são regras programáticas, mas que
exigem conduta para o Legislativo, o Executivo
e o Judiciário, que não se podem desviar desses
propósitos. Não foi sem razão que, num dado
momento, criou-se o Bolsa Família e que se
lançou projeto como o Minha Casa Minha
Vida. Os preceitos sociais estão previstos na
Constituição, foram exigidos pelo povo e, desde
sua promulgação, realizados pelos governos
desde então.
  A aplicação do texto constitucional nos
afastou de qualquer crise institucional. hoje, as
instituições estão, em sua plenitude, exercendo
todas as suas atribuições e competências. Temos
absoluta tranquilidade política, econômica,
social e institucional. Por isso, podemos dizer
que, em outubro de 1988, houve um encontro do
povo com suas instituições. Devemos celebrar.

  Michel Temer é vice-Presidente da República
e Deputado Constituinte em 1988




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014












o uso da força nas relações internaCionais
             (folHa de são Paulo, 08/10/2014)
                                            08/10/2014

                                                    
                                                    
                                                    
                                                    
                                                    

  A posição brasileira sobre o uso da força
tem sido a mesma por décadas. A defesa da
paz e a solução pacífica dos conflitos são
princípios constitucionais
  Se todas as nações não abandonarem
a possibilidade do recurso à ameaça ou ao
uso da força, a esperança de progresso nas
relações internacionais é uma perda de energia
e de tempo (João Augusto de Araújo Castro,
discurso nas Nações Unidas, 1969)
  Com a criação das Nações Unidas, o mundo
estabeleceu um sistema de segurança internacional
coletiva, incorporado na Carta da ONU, para
salvar as próximas gerações do flagelo da guerra.
Por esse sistema, os países abriam mão do uso da
força nas relações internacionais, à exceção da
legítima defesa ou de autorização expressa do
Conselho de Segurança.
  Tal sistema de segurança coletiva se
manifesta por meio de resoluções do Conselho
de Segurança, com base no capítulo 6º ou no
7º da Carta. O 6º diz respeito à prevenção dos
conflitos e à solução pacífica de controvérsias.
O 7º lida com situações em que já exista uma
ameaça clara ou ruptura da paz internacional.
  é errôneo achar que o capítulo 7º significa
necessariamente o uso da força, já que sob ele
o Conselho de Segurança poderá utilizar-se dos

artigos 41 ou 42 da Carta. O artigo 41 versa sobre
medidas que não envolvem o uso da força. Caso
tais medidas sejam insuficientes, o Conselho de
Segurança poderá determinar ações sob o artigo
42, aí, sim, ligadas ao uso da força.
  A autorização do uso da força pelo
Conselho de Segurança --como o demonstra
o longo histórico de resoluções-- tem de ser
explícita. A parte operativa das resoluções
que preveem o uso da força emprega termos
específicos, como autorização do uso de
todos os meios necessários para resolver
um conflito. Em outros casos de recurso ao
capítulo 7º -- as ações baseadas no artigo 41--,
o Conselho descreve as medidas que deverão
ser adotadas pela comunidade internacional,
mas não autoriza o uso da força.
  Contrariamente ao que se veiculou na
imprensa, esse é o caso da resolução nº
2.178 sobre terrorismo internacional, adotada
unanimemente há cerca de uma semana pelo
Conselho de Segurança.
  A resolução versa sobre aspectos pontuais
da questão: o recrutamento externo, o trânsito
transfronteiriço de terroristas, o problema
dos fluxos de financiamento internacional e a
cooperação policial e administrativa. Não se
trata de resolução sobre o combate à presença




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	277




de terroristas num país específico nem contém
autorização para adoção de medidas militares.
  São medidas sob o capítulo 7º, portanto
obrigatórias, mas sem a autorização para o
uso da força.
  O terrorismo internacional tem sido um
problema grave para a paz e a segurança
internacionais. Sua solução passa por um
grande diálogo entre os Estados-membros da
ONU, voltado à solução das causas profundas
que o originam. Para isso as Nações Unidas
desenvolvem, há oito anos, uma Estratégia
Global de Contra-Terrorismo.
  Como mencionado em trechos da própria
resolução nº 2.178, o terrorismo não será
derrotado apenas pela força militar, ou medidas
coercitivas, ou operações de inteligência,
mas requer cuidar dos fatores subjacentes.
  A posição brasileira sobre o uso da força
nas relações internacionais tem sido a mesma
ao longo de muitas décadas, como se verifica
na citação acima do embaixador João Augusto
de Araújo Castro.
  Muitas	outras	manifestações	brasileiras
semelhantes poderiam ser aqui arroladas,
referentes aos sucessivos governos. A defesa
da paz e a solução pacífica dos conflitos são
princípios consagrados na Constituição Federal.
  No Itamaraty dizemos que nossa melhor
tradição é saber renovar. Neste caso, renovar,
ou pior, inovar não é desejável, nem atenderia
às nossas melhores tradições.

  LUIz ALBERTO Figueiredo, 59, é ministro
das Relações Exteriores














278

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014






















  As denúncias de interceptação ilegal
das comunicações eletrônicas e de coleta
de dados digitais de governos, empresas
e cidadãos reveladas nos últimos meses
tornaram urgente o estabelecimento de um
marco civil multilateral para a governança da
internet e para a proteção de dados. O tema
do direito à privacidade nas comunicações
eletrônicas passou a fazer parte das discussões
nos principais foros internacionais que tratam
dos direitos humanos e das telecomunicações.
Ontem (18/12), a Assembleia-Geral das
Nações	Unidas	adotou,	por	consenso,
resolução proposta pelo Brasil e pelaAlemanha
para promover o direito à privacidade na era
digital. Trata-se de importante vitória que
beneficia todos: cidadãos, empresas, meios de
comunicação e governos.
  A defesa dos direitos humanos deve ser
prioritária nas ações dos estados. O direito à
privacidade é fundamental para a preservação
da liberdade de expressão e opinião e para a
sobrevivência da democracia. A resolução
adotada ontem é histórica, pois consolida
o entendimento de que se deve, ao mesmo
tempo, promover a liberdade na internet e
primar pelo respeito aos direitos humanos nas
comunicações eletrônicas.
              
PriVaCidade digital
          (o gloBo, 19/12/2013)
                          16/10/2014
                               
                               
                               
                               
                               
                               
                               
  A proibição de ingerências ilegais ou
arbitrárias na vida dos cidadãos é consagrada
em acordos globais como o Pacto Internacional
sobre Direitos Civis e Políticos da ONU,
de 1966. Com base nesses fundamentos, a
resolução da ONU adotada ontem consagra
o princípio de que os direitos do cidadão no
mundo real (off-line) devem ser respeitados
com igual rigor no mundo virtual (online).
  Marco civil democrático e transparente
  A aprovação do documento por consenso na
ONU marca o reconhecimento desse princípio
por todos os governos. A resolução conclama os
estados a revisarem suas práticas e legislações de
vigilância e interceptação de dados pessoais, de
modo a respeitar o direito à privacidade. O êxito
da iniciativa do Brasil e da Alemanha na ONU
demonstra que a comunidade internacional quer
assegurar tratamento multilateral a tema de
interesse de todos.
  Essa resolução é apenas um primeiro
passo. A proteção da privacidade no mundo
digital irá se fortalecer com regras mais claras
e universalmente aceitas de governança da
internet. Ao construirmos uma governança
mais inclusiva, transparente e democrática,
melhores condições teremos de assegurar
os direitos de seus usuários. Com vistas




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	279




a contribuir para esse processo, o Brasil
organizará, em abril de 2014, em São Paulo,
a Reunião Multissetorial Global sobre a
Governança da Internet.
  Um marco civil multilateral democrático
e transparente é crucial para evitar que a
violação da privacidade leve à fragmentação
da internet e destrua seu potencial libertador.
O governo brasileiro continuará a trabalhar
para salvaguardar o papel benéfico da internet
e garantir que nela se respeitem os direitos de
cidadãos, empresas e governos.

  Luiz Alberto	Figueiredo	Machado	é
Ministro das Relações Exteriores





































280

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014










a

áfrica: 15, 21, 22, 23, 25, 30, 49, 51, 63, 93,
96, 99, 100, 101, 108, 109, 110, 111, 112, 127,
129, 144, 147. 233, 234, 239, 246, 249 e 262.

áfrica do sul: 21, 22, 23, 25, 51, 93, 96, 99, 108,
109 e 110.

alemanha: 53, 64, 236, 250 e 279.

algodão: 247.

américa do sul: 15, 24, 25, 26, 27, 28, 39,
40, 60, 61, 62, 70, 71, 76, 93, 94, 144, 145,
148, 203, 208, 211, 224, 234, 245 e 251.

angola: 29, 30 e 248.

argentina: 14, 33, 39, 49, 50, 85, 98, 99, 105,
121, 122, 123, 135 e 194.

armamento: 237.

ásia: 34, 44, 103, 227, 230, 237 e 238.

assunção: 37, 38 e 218.


B

Biodiversidade: 106, 146, 207 e 220.

Biocombustíveis: 15, 136, 146 e 167.

Bolívia: 25, 75, 76, 153, 202, 205, 214, 216, 220,
252, 258, 260, 261, 263, 265, 267, 270 e 271.

BriCs: 30, 66 e 189
         
ÍndiCe remissiVo
         
C

Caracas: 37, 38, 201, 202, 205, 210, 221,
222, 223, 224 e 254.

Copa do mundo: 18, 19, 26, 31, 45, 73, 147 e 235.

CelaC: 20, 22, 35, 52, 70, 149, 153, 154,
155, 156, 217, 238, 253, 259, 260 e 266.

Chile: 25, 37, 72, 77, 153, 204, 211, 214, 216,
220, 254, 258, 265 e 271.

China: 13, 14, 15, 16, 17, 21, 22, 25, 31, 32, 33,
34, 35, 39, 51, 59, 77, 80, 93, 99, 103, 109, 110,
111, 112, 127, 129, 143, 144, 145, 146, 147, 148,
149, 150, 151, 152, 153, 154, 155, 156, 157, 159,
160, 161, 163, 164, 165, 166, 167, 168, 171,
172, 173, 174, 177, 178, 179, 180, 181, 182,
184, 185, 186, 187, 188, 190, 191, 192, 193,
195, 196, 197, 198, 217, 218, 260, 261 e 272.

Colômbia: 25, 37, 71, 72, 75, 77, 153, 211,
220, 245, 248, 258, 265 e 271.

Conselho de segurança: 23, 30, 44, 51, 52, 59,
63, 99, 101, 102, 150, 218, 219, 236, 248, 251 e 277.

CPlP: 99 e 238.

Cuba: 153, 154, 155, 217 E 251.


d

democracia: 3 26, 40, 49, 63, 65, 70, 71, 72,
75, 94, 100, 149, 155, 203, 211, 231, 251, 252,




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	281




263, 273, 275, 276 e 279.

desarmamento: 100, 103 e 236.

desenvolvimento sustentável: 24, 26, 35,
47, 48, 52, 53, 54, 61, 62, 64, 93, 94, 95, 96,
99, 104, 106, 107, 108, 110, 136, 146, 149,
153, 155, 159, 203, 206, 207, 210, 211, 213,
219, 220, 231, 236, 238, 239 e 242.

direitos humanos: 49, 53, 60, 62, 64, 69, 70,
76, 99, 100, 101, 104, 153, 210, 203, 208, 209,
211, 212, 214, 216, 219, 220, 223, 224, 231,
236, 237, 238 e 279.


e

energia: 14, 15, 17, 18, 19, 20, 27, 33, 38, 48, 78,
82, 87, 88, 89, 103, 106, 145, 146, 151, 154, 164,
217, 218, 231, 234, 239, 268, 271, 272 e 277.

equador: 25, 37, 71, 77, 153, 155 e 220.

espanha: 248 e 250.

espionagem: 64 e 213.

esporte: 35, 82, 110, 147, 215, 227, 228, 231,
233, 236 e 240.

estados unidos: 39, 47, 49, 72, 76, 80, 223,
247, 250, 251, 254, 270 e 273.


f

fao: 49, 252 e 271.

frança: 80, 225 e 250.

fronteiras: 15, 20, 35, 44, 50, 52, 63, 68,78,

85, 90, 102, 147, 152, 157, 174, 178, 179, 180,
181, 223, 234 e 249.


g

genebra: 103, 110 e 219.

guiana: 25, 71, 153, 204, 205, 225 e 226.

guiné: 30, 99, 100 e 249.

guerra: 58, 59, 64, 67, 98, 104, 183, 251 e
277.


H

Haiti: 212


i

iBas: 61 e 62.

israel: 23, 40, 52, 55, 55, 56, 81, 82, 102, 152,
153, 201, 238, 246, 248 e 249.

irã: 23. 51, 59, 64, 76 e 104.


j

japão: 41, 42, 43, 44, 45, 72, 77, 227, 228,
229, 230, 231, 232, 233, 234, 235, 236, 237,
238, 239, 240, 241, 242 e 250.


l

líbano: 79, 82, 83, 84, 250, 251, 262 e 266.





282

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014




m

malvinas: 216, 252, 258, 259 e 272.

merCosul: 19, 22, 27, 37, 38, 39, 40, 52, 63,
70, 75, 76, 77, 78, 201, 202, 203, 204, 205, 206, 207,
208, 209, 210, 211, 212, 213, 214, 215, 216, 217, 218,
220, 221, 222, 223, 224, 248, 250, 251 e 252.

méxico: 68, 77, 153, 260 e 262.

moçambique: 253.

montevidéu: 207 e 220.


n

navegação: 20, 87, 89, 90, 167 e 231.

nuclear: 15, 18, 19, 44, 88, 89, 103, 214, 234 e 237.


o

omC: 62, 63, 77, 98, 145, 236 e 247.

oriente médio: 20, 23, 35, 44, 59, 102, 103,
214, 234 e 237.


P

Palestina: 23, 40, 51, 52, 64, 81, 82, 102, 152,
153, 201, 238, 246, 249 e 250.

Paraguai: 25, 37, 39, 71, 75, 153, 202, 204,
209, 211, 213 e 218.

Peru: 25, 34, 37, 77, 106, 150, 153, 214, 219,
220, 261, 265 e 271.

Propriedade intelectual: 137, 142, 163, 173,
176 e 183.


r

rússia: 17, 18, 19, 20, 22, 23, 51, 79, 86, 87,
88, 89, 90, 91, 93, 95, 96, 99, 103, 104, 106,
109, 110, 111, 112, 127, 127 e 129.


s

santiago: 258 e 265.

segurança alimentar: 48, 98, 100, 108, 213,
219 e 232.

síria: 20, 23, 64, 83, 101, 102, 219, 238 e 250.

suriname: 25, 71, 153, 204 e 205.


t

terrorismo: 133, 195, 196 e 200

timor leste: 98 e 99


u

unasul: 22, 27, 28, 52, 63, 71, 72, 73, 77,
94, 202, 203, 204, 217, 218, 249 e 250.

unesCo: 220.

união europeia: 39, 77, 201, 206, 210 e 250.

uruguai: 25, 37, 72, 73, 75, 78, 153, 202,
203, 204, 207, 209, 212, 215, 218 e 220.





Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2° semestre de 2014	283




V

Venezuela: 25, 37, 38, 39, 63, 71, 75, 76, 153,
202, 203, 204, 205, 207, 208, 209, 210, 211,
212, 214, 218, 219, 220, 221, 224, 248, 252,
254, 256, 261, 262, 265, 270, 271 e 273.
















































284

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 115, 2º semestre de 2014


















Capa e Projeto gráfico
       karina Barreira
      Vivian Fernandes
      
         diagramação
       karina Barreira
        
             formato
           20 x 26 cm
           
             mancha
        15,5 x 21,5 cm
        
            tipologia
    Times New Roman
    
   número de páginas
                 285
                 

                 
                 
                 
                 
                 
                 
                 
Endereço para correspondência

Coordenação-Geral de Documentação Diplomática
(CDO)
Ministério das Relações Exteriores, Anexo II,
1°subsolo, Sala 10
CEP 70170-900, Brasília, DF
Telefones: (61) 2030-9279 / 9037
Fax: (61) 2030-6591










departamento de Comunicações e documentação
