




Resenha
                  número 112, 1° semestre de 2013

                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          

MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES

                      RESENHA DE POLÍTICA EXTERIOR DO BRASIL
                      Número 112, 1° semestre de 2013 - Ano 40, ISSN 01012428
                     
                     
   © 2013 Todos os direitos reservados. A reprodução ou tradução de qualquer parte desta publicação será permitida
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   A Resenha de Política Exterior do Brasil é uma publicação semestral do Ministério das Relações Exteriores, organizada e editada
   pela Coordenação-Geral de Documentação Diplomática (CDO) do Departamento de Comunicações e Documentação (DCD).
   
   Ministro de Estado das Relações Exteriores
   Embaixador Antonio de Aguiar Patriota
   
   Secretário-Geral das Relações Exteriores
   Embaixador Ruy Nunes Pinto Nogueira (até 28 de fevereiro de 2013)
   Embaixador Eduardo dos Santos (a partir de 1º de março de 2013)
   
   Subsecretário-Geral do Serviço Exterior
   Embaixador Denis Fontes de Souza Pinto
   
   Diretor do Departamento de Comunicações e Documentação
   Ministro João Pedro Corrêa Costa
   
   Coordenação-Geral de Documentação Diplomática
   Conselheiro Pedro Frederico de Figueiredo Garcia
   Secretária Gilsandra da Luz Moscardo de Souza
   Secretário Frederico Oliveira de Araújo
   
   Resenha de Política Exterior do Brasil / Ministério das Relações Exteriores, Departamento de Comunicações
e Documentação : Coordenação-Geral de Documentação Diplomática.  Ano 1, n. 1 (jun. 1974)-.  Brasília :
Ministério das Relações Exteriores, 1974 -	.

        368p.
       
         ISSN 01012428
         Semestral.
        
        1.Brasil  Relações Exteriores  Periódico. I.Brasil. Ministério das Relações Exteriores.
        
                                                                 CDU 327(81)(05)
                                                                     
                                                                     
               Departamento de Comunicações e Documentação


                              SUMÁRIO
                                                                 
                                                                 
DISCURSOS	21

VII REUNIÃO MINISTERIAL DA ZONA DE PAZ E COOPERAÇÃO DO

ATLÂNTICO SUL (ZOPACAS) - TEXTO-BASE DO DISCURSO DO MINISTRO
ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA -
MONTEVIDÉU, 15 DE JANEIRO DE 2013

PALAVRAS DO MINISTRO ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA POR
OCASIÃO DO LANÇAMENTO DAS OBRAS DO BARÃO DO RIO BRANCO
BRASÍLIA (INSTITUTO RIO BRANCO), 7 DE FEVEREIRO DE 2013

DISCURSO DA PRESIDENTA DA REPÚBLICA, DILMA ROUSSEFF, NA
CERIMÔNIA DE ABERTURA DA III CÚPULA AMÉRICA DO SUL-ÁFRICA
MALABO, GUINÉ EQUATORIAL, 22 DE FEVEREIRO DE 2013

DISCURSO DA PRESIDENTA DA REPÚBLICA, DILMA ROUSSEFF,
APÓS CERIMÔNIA DE ASSINATURA DE ATOS
ABUJA, NIGÉRIA, 23 DE FEVEREIRO DE 2013

DISCURSO DA PRESIDENTA DA REPÚBLICA, DILMA ROUSSEFF,
DURANTE ALMOÇO EM SUA HOMENAGEM OFERECIDO PELO
PRESIDENTE DA REPÚBLICA FEDERAL DA NIGÉRIA,
GOODLUCK EBELE JONATHAN
ABUJA, NIGÉRIA, 23 DE FEVEREIRO DE 2013

DISCURSO DO MINISTRO DE ESTADO DAS RELAÇÕES EXTERIORES
POR OCASIÃO DA 22ª SESSÃO DO CONSELHO DE DIREITOS
HUMANOS DAS NAÇÕES UNIDAS (SEGMENTO DE ALTO NÍVEL)
GENEBRA, 25 DE FEVEREIRO DE 2013

21





27




31




37





39






41

REUNIÃO DE CHANCELERES DA III CÚPULA DE CHEFES DE ESTADO
E DE GOVERNO AMÉRICA DO SUL-ÁFRICA (ASA)  TEXTO-BASE DO
DISCURSO DO MINISTRO ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA
MALABO, GUINÉ EQUATORIAL, 21 DE FEVEREIRO DE 2013

DISCURSO PROFERIDO PELO EMBAIXADOR
EDUARDO DOS SANTOS POR OCASIÃO DA CERIMÔNIA DE POSSE
NA SECRETARIA-GERAL DAS RELAÇÕES EXTERIORES
BRASÍLIA, 1º DE MARÇO DE 2013

DISCURSO DO MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES, ANTONIO DE
AGUIAR PATRIOTA, NA CERIMÔNIA DE TRANSMISSÃO DO CARGO DE
SECRETÁRIO-GERAL DAS RELAÇÕES EXTERIORES DO EMBAIXADOR RUY
NUNES PINTO NOGUEIRA PARA O EMBAIXADOR EDUARDO DOS SANTOS
BRASÍLIA, 1º DE MARÇO DE 2013

DISCURSO DO MINISTRO ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA
DURANTE A XLIII ASSEMBLEIA-GERAL DA OEA
ANTIGUA, GUATEMALA, 6 DE JUNHO DE 2013

DISCURSO DA SECRETÁRIA LUANA ALVES DE MELO, ORADORA DA
TURMA OSCAR NIEMEYER (2011-2013) DO INSTITUTO RIO BRANCO
18/06/2013

DISCURSO DO MINISTRO ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA
NA CERIMÔNIA DE FORMATURA DA TURMA OSCAR NIEMEYER
(2011-2013) DO INSTITUTO RIO BRANCO
18/06/2013

DISCURSO DA PRESIDENTA DA REPÚBLICA, DILMA ROUSSEFF,
DURANTE CERIMÔNIA DE FORMATURA DA TURMA 2011/2013
DO INSTITUTO RIO BRANCO
18/06/2013



45





49






53





57




61





65





69

DISCURSO DO MINISTRO DA DEFESA, CELSO AMORIM, NA
FORMATURA DA TURMA OSCAR NIEMEYER DO INSTITUTO RIO
BRANCO - PARANINFO DA TURMA OSCAR NIEMEYER - CORAGEM,



75

IDEALISMO, SOLIDARIEDADE
BRASÍLIA, 17 DE JUNHO DE 2013

ATOS INTERNACIONAIS ASSINADOS NO PERÍODO	79



ATOS ASSINADOS POR OCASIÃO DA VI CÚPULA BRASILUNIÃO
EUROPEIA - BRASÍLIA, 24 DE JANEIRO DE 2013
24/01/2013

ATOS ASSINADOS POR OCASIÃO DA VISITA DA PRESIDENTA DILMA
ROUSSEFF AO CHILE - SANTIAGO, 26 DE JANEIRO DE 2013
26/01/2013

ATOS ASSINADOS POR OCASIÃO DA VISITA AO BRASIL DO
PRESIDENTE DO GOVERNO DA FEDERAÇÃO DA RÚSSIA, DMITRI
MEDVEDEV  BRASÍLIA, 19 A 21 DE FEVEREIRO DE 2013
20/02/2013

ATOS ASSINADOS POR OCASIÃO DA VISITA DO PRIMEIRO-MINISTRO
DA NOVA ZELÂNDIA, JOHN KEY, AO BRASIL  BRASÍLIA, 12 DE
MARÇO DE 2013
11/03/2013

ATOS ASSINADOS POR OCASIÃO DA VISITA DO MINISTRO DAS
RELAÇÕES EXTERIORES DA GUATEMALA, LUIS FERNANDO
CARRERA CASTRO - BRASÍLIA, 15 DE ABRIL DE 2013
15/04/2013

ATOS ASSINADOS POR OCASIÃO DA VISITA DO MINISTRO DAS
RELAÇÕES EXTERIORES E DA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL DO
BURUNDI, LAURENT KAVAKURE - BRASÍLIA, 16 DE ABRIL DE 2013
16/04/2013
 
79
 
 
 
 
 85
 
 
 
 
 
 95
 
 
 
 
 
102





115





122

ATOS ASSINADOS POR OCASIÃO DA VISITA DE ESTADO DO
PRESIDENTE DA REPÚBLICA ÁRABE DO EGITO, MOHAMED MORSI -
BRASÍLIA, 8 DE MAIO DE 2013
08/05/2013

ATOS ASSINADOS POR OCASIÃO DA VISITA DO PRIMEIRO-MINISTRO
DA REPÚBLICA DO HAITI, LAURENT LAMOTHE - BRASÍLIA, 21 DE
MAIO DE 2013
21/05/2013

ATOS ASSINADOS POR OCASIÃO DA VISITA DA PRESIDENTA DILMA
ROUSSEFF À REPÚBLICA FEDERAL DEMOCRÁTICA DA ETIÓPIA -
ADIS ABEBA, 24 DE MAIO DE 2013


125





137





139

24/05/2013

ATOS ASSINADOS POR OCASIÃO DA VISTA DA PRESIDENTA DA
REPÚBLICA A PORTUGAL  LISBOA, 10 DE JUNHO DE 2013




COMUNICADOS, NOTAS,


VISITA DO MINISTRO ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA À REPÚBLICA

DA TURQUIA  ISTAMBUL E IZMIR,
2 A 5 DE JANEIRO DE 2013
02/01/2013

TRILATERAL SOLIDARITY FOR BUILDING PEACE 
SOLIDARIEDADE TRILATERAL PARA A CONSTRUÇÃO DA PAZ


163




163

05/01/2013

PARTICIPAÇÃO DO MINISTRO ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA NA VII
REUNIÃO MINISTERIAL DA ZOPACAS

DECLARAÇÃO SOBRE A SITUAÇÃO NA GUINÉ-BISSAU APROVADA
NA VII REUNIÃO MINISTERIAL DA ZONA DE PAZ E COOPERAÇÃO DO
ATLÂNTICO SUL (ZOPACAS)
15/01/2013

DECLARAÇÃO SOBRE A SITUAÇÃO NA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA
DO CONGO APROVADA NA VII REUNIÃO MINISTERIAL DA ZONA DE
PAZ E COOPERAÇÃO DO ATLÂNTICO SUL (ZOPACAS)
15/01/2013

VII ENCONTRO MINISTERIAL DA ZONA DE PAZ E COOPERAÇÃO DO
ATLÂNTICO SUL - ZOPACAS - DECLARAÇÃO DE MONTEVIDÉU
16/01/2013

VII ENCONTRO MINISTERIAL DA ZONA DE PAZ E COOPERAÇÃO DO
ATLÂNTICO SUL - PLANO DE AÇÃO DE MONTEVIDÉU


164





165




166




179

16/01/2013

SITUAÇÃO NA SÍRIA
16/01/2013	182

CONCESSÃO DEAGRÉMENTAO EMBAIXADOR DO BRASIL NOAZERBAIJÃO



CONCESSÃO DE AGRÉMENT À EMBAIXADORA DO BRASIL NA COLÔMBIA



VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DE ASSUNTOS EXTERIORES E

COOPERAÇÃO DA REPÚBLICA DA GUINÉ EQUATORIAL, AGAPITO
MBA MOKUY - BRASÍLIA, 23 E 24 DE JANEIRO DE 2013

183

22/01/2013

CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO EMBAIXADOR DO BRASIL NA HUNGRIA

VI CÚPULA BRASILUNIÃO EUROPEIA - BRASÍLIA, 24 DE JANEIRO DE 2013



CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO EMBAIXADOR DO BRASIL NA TUNÍSIA
23/01/2013	184



DECLARAÇÃO CONJUNTA APROVADA POR OCASIÃO DA VI CÚPULA
BRASILUNIÃO EUROPEIA - BRASÍLIA, 24 DE JANEIRO DE 2013
24/01/2013

VISITA DA PRESIDENTA DA REPÚBLICA AO CHILE  SANTIAGO DO
CHILE, 26 DE JANEIRO DE 2013
25/01/2013

I CÚPULA CELAC-UNIÃO EUROPEIA  SANTIAGO DO CHILE, 26 E 27
DE JANEIRO DE 2013
25/01/2013

I CÚPULA DA COMUNIDADE DE ESTADOS LATINO-AMERICANOS E
CARIBENHOS (CELAC) - SANTIAGO, 27 E 28/01/2013
27/01/2013

I CÚPULA CELAC-UNIÃO EUROPEIA. DECLARAÇÃO DE SANTIAGO E
PLANO DE AÇÃO CELAC-UE 2013-2014
28/01/2013

REUNIÃO MINISTERIAL MERCOSUL-UNIÃO EUROPEIA. SANTIAGO
DO CHILE, 26 DE JANEIRO DE 2013. COMUNICADO CONJUNTO.
28/01/2013

I CÚPULA DE ESTADOS LATINO-AMERICANOS E CARIBENHOS
(CELAC) - DECLARAÇÃO DE SANTIAGO
28/01/2013


184




192



193




193




193




206




207



COMUNICADO ESPECIAL ADOTADO NA I CÚPULA CELAC SOBRE A
TRAGÉDIA OCORRIDA EM SANTA MARIA, RIO GRANDE DO SUL
28/01/2013

CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO EMBAIXADOR DO BRASIL EM SÃO
CRISTÓVÃO E NÉVIS

219




219

29/01/2013

CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO EMBAIXADOR DO BRASIL NA ARGÉLIA
30/01/2013	219



PARTICIPAÇÃO DO MINISTRO ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA NA 49ª
CONFERÊNCIA DE SEGURANÇA DE MUNIQUE
MUNIQUE, 1º A 3 DE FEVEREIRO DE 2013
30/01/2013

APRESENTAÇÃO DO CANDIDATO BRASILEIRO À DIREÇÃO-GERAL DA
OMC, EMBAIXADOR ROBERTO AZEVÊDO, AO CONSELHO-GERAL DA OMC


219





220

31/01/2013

VISITA DO MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES AO REINO UNIDO
- LONDRES, 4 E 5 DE FEVEREIRO DE 2013





REINO UNIDO SEDIA REUNIÃO DE DIÁLOGO ESTRATÉGICO COM O
BRASIL
04/02/2013

VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS DO
SRI LANKA, GAMINI LAKSHMAN PEIRIS
BRASÍLIA, 7 A 9 DE FEVEREIRO DE 2013
06/02/2013

VISITA DO MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES À VENEZUELA -
CARACAS, 9 DE FEVEREIRO DE 2013
07/02/2013

224





226




226

TESTE NUCLEAR CONDUZIDO PELA COREIA DO NORTE





CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO EMBAIXADOR DO BRASIL EM
ISRAEL
13/02/2013

VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES DO
SURINAME, WINSTON LACKIN - BRASÍLIA, 18 DE FEVEREIRO DE 2013
15/02/2013

VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES E
CULTO DA ARGENTINA, HÉCTOR TIMERMAN - RIO DE JANEIRO, 19
DE FEVEREIRO DE 2013
18/02/2013

III CÚPULA DE CHEFES DE ESTADO E DE GOVERNO AMÉRICA DO
SUL-ÁFRICA (ASA)


229




230




230





230

18/02/2013

ELEIÇÕES NO EQUADOR



VI REUNIÃO DA COMISSÃO BRASILEIRO-RUSSA DE ALTO NÍVEL

DE COOPERAÇÃO - DECLARAÇÃO CONJUNTA - BRASÍLIA, 20 DE
FEVEREIRO DE 2013
20/02/2013

CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO EMBAIXADOR DO BRASIL NO
CAZAQUISTÃO
20/02/2013

III CÚPULA DE CHEFES DE ESTADO E DE GOVERNO AMÉRICA DO
SUL-ÁFRICA (ASA) - DECLARAÇÃO DE MALABO
23/02/2013

231




237




237

MEMORANDO DE ENTENDIMENTO ENTRE O GOVERNO DA
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO DA REPÚBLICA
FEDERAL DA NIGÉRIA PARA O ESTABELECIMENTO DE MECANISMO
DE DIÁLOGO ESTRATÉGICO
23/02/2013

COMUNICADO CONJUNTO EMITIDO POR OCASIÃO DA VISITA
DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF A ABUJA NOS DIAS 22 E 23 DE
FEVEREIRO DE 2013
23/02/2013

FALECIMENTO DO PRESIDENTE DA VENEZUELA, HUGO CHÁVEZ - 5
DE MARÇO DE 2013
06/03/2013

DECLARAÇÃO CONJUNTA POR OCASIÃO DA VISITA AO BRASIL DO
PRIMEIRO-MINISTRO DA NOVA ZELÂNDIA, JOHN KEY - BRASÍLIA, 11
DE MARÇO DE 2013




249





251




253





254

11/03/2013

ELEIÇÕES GERAIS NO QUÊNIA



ISENÇÃO DE VISTOS DE TURISMO ENTRE BRASIL E MÉXICO
18/03/2013	257

SITUAÇÃO NA REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA



V CÚPULA DO BRICS - DURBAN, 27 DE MARÇO DE 2013 - BRICS E

ÁFRICA: PARCERIA PARA O DESENVOLVIMENTO, INTEGRAÇÃO E
INDUSTRIALIZAÇÃO - DECLARAÇÃO DE E-THEKWINI
27/03/2013

258



EXPLICAÇÃO DO VOTO BRASILEIRO NA RESOLUÇÃO QUE APROVOU
A ABERTURA PARA ASSINATURAS DO TRATADO SOBRE O COMÉRCIO
DE ARMAS
02/04/2013

CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO EMBAIXADOR DO BRASIL NAS
BAHAMAS


268




268

03/04/2013

TEMPESTADES NA ARGENTINA



TERREMOTO NO IRÃ
09/04/2013	269

ATENTADO CONTRA MISSÃO DAS NAÇÕES UNIDAS NO SUDÃO DO SUL



TERREMOTO NA ÁSIA



COMUNICADO CONJUNTO MERCOSUL-GUIANA
17/04/2013	269



COMUNICADO CONJUNTO MERCOSUL  SURINAME
17/04/2013

ATENTADO CONTRA OPERAÇÃO HÍBRIDA DA UNIÃO AFRICANA E
DAS NAÇÕES UNIDAS EM DARFUR

270



270

20/04/2013

TERREMOTO NA CHINA



BRASILEIROS DETIDOS EM ORURO, BOLÍVIA: ATUAÇÃO DO ITAMARATY
22/04/2013	270

ATENTADO À EMBAIXADA DA FRANÇA EM TRÍPOLI





RETOMADA DO ACORDO DE ISENÇÃO DE VISTOS DE CURTA
DURAÇÃO ENTRE O BRASIL E O MÉXICO


272

24/04/2013

DESMORONAMENTO EM BANGLADESH
24/04/2013	272

CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO EMBAIXADOR DE ANTÍGUA E BARBUDA





PROCESSO DE APURAÇÃO ÉTICA NO CONSULADO-GERAL DO
BRASIL EM SYDNEY
24/04/2013

ACORDO SOBRE SERVIÇOS AÉREOS ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO DA REPÚBLICA DO EQUADOR

273




273

03/05/2013

DIA INTERNACIONAL DA LIBERDADE DE IMPRENSA
03/05/2013	283



XII REUNIÃO DE MINISTROS DAS RELAÇÕES EXTERIORES DOS
PAÍSES MEMBROS DA OTCA - EL COCA, EQUADOR, 3 DE MAIO DE


283

2013 - DECLARAÇÃO DE EL COCA
03/05/2013

CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO EMBAIXADOR DO BRASIL NA IRLANDA



CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO EMBAIXADOR DO BRASIL NA GUIANA

COMUNICADO CONJUNTO EMITIDO POR OCASIÃO DA VISITA
DE ESTADO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA ÁRABE DO EGITO,
MOHAMED MORSI, AO BRASIL - BRASÍLIA, 8 DE MAIO DE 2013
08/05/2013

ELEIÇÃO DO CANDIDATO BRASILEIRO À DIREÇÃO-GERAL DA
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO


290




295

08/05/2013

SITUAÇÃO NA SÍRIA





CANDIDATURA BRASILEIRA À COMISSÃO INTERAMERICANA DE
DIREITOS HUMANOS
10/05/2013

CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO EMBAIXADOR DO BRASIL NA
VENEZUELA


296




296

10/05/2013

REUNIÃO DE EMBAIXADORES DO BRASIL NA AMÉRICA DO SUL -
BRASÍLIA, 10 DE MAIO DE 2013



ATENTADOS NA TURQUIA





RESOLUÇÃO DA ASSEMBLEIA GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE A
SITUAÇÃO NA SÍRIA - EXPLICAÇÃO DO VOTO BRASILEIRO
15/05/2013

SEGUNDA CONFERÊNCIA DE ESTADOS-PARTE DA CONVENÇÃO
AMERICANA SOBRE DIREITOS HUMANOS - DECLARAÇÃO DE
COCHABAMBA - 14 DE MAIO DE 2013
15/05/2013


297





299



REUNIÃO DE COORDENAÇÃO REGIONAL SOBRE A MIGRAÇÃO DE
CIDADÃOS HAITIANOS PARA A AMÉRICA DO SUL
15/05/2013

CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO EMBAIXADOR DO BRASIL EM
BARBADOS
22/05/2013

PARTICIPAÇÃO DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF NO JUBILEU DE
OURO DA UNIÃO AFRICANA - ADIS ABEBA, 25 DE MAIO DE 2013

300




302




302

23/05/2013

ATAQUES TERRORISTAS NO NÍGER
23/05/2013	303

ABERTURA DO MERCADO JAPONÊS PARA SUÍNOS CATARINENSES





III REUNIÃO DE CONSULTAS BRASIL-CHINA SOBRE TEMAS
MIGRATÓRIOS E CONSULARES - BRASÍLIA, 22 DE MAIO DE 2013
24/05/2013

MANUTENÇÃO DO STATUS SANITÁRIO BRASILEIRO RELATIVO À
ENCEFALOPATIA ESPONGIFORME BOVINA

303




304

28/05/2013

PROCESSO DE PAZ NA COLÔMBIA
29/05/2013	305



RESOLUÇÃO DO CONSELHO DE DIREITOS HUMANOS DAS NAÇÕES
UNIDAS SOBRE A SITUAÇÃO NA SÍRIA - INTERVENÇÃO DO BRASIL


305

29/05/2013

CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO EMBAIXADOR DO BRASIL NO
CANADÁ

CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO EMBAIXADOR DO BRASIL EM CHIPRE



REELEIÇÃO DO EMBAIXADOR JOSÉ AUGUSTO LINDGREN

ALVES COMO MEMBRO DO COMITÊ PARA A ELIMINAÇÃO DA
DISCRIMINAÇÃO RACIAL (CERD) DA ONU
03/06/2013

TRANSPORTE MARÍTIMO E MUDANÇA DO CLIMA: COOPERAÇÃO
TÉCNICA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA PARA INCREMENTO
DA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA DE NAVIOS
03/06/2013

XLIII ASSEMBLEIA-GERAL DA OEA - ANTIGUA, GUATEMALA, 4 A 6 DE
JUNHO DE 2013


307





307




308

03/06/2013

BRASIL ASSINA TRATADO SOBRE O COMÉRCIO DE ARMAS
03/06/2013	308

ATAQUES A FORÇA DAS NAÇÕES UNIDAS





LIBERTAÇÃO DE SETE DOS DOZE BRASILEIROS DETIDOS EM ORURO,
BOLÍVIA
06/06/2013

ELEIÇÃO DE PAULO VANNUCHI À COMISSÃO INTERAMERICANA DE
DIREITOS HUMANOS
06/06/2013

OEA APROVA A CONVENÇÃO INTERAMERICANA CONTRA O
RACISMO, A DISCRIMINAÇÃO RACIAL E FORMAS CORRELATAS DE
INTOLERÂNCIA E A CONVENÇÃO INTERAMERICANA CONTRA TODA
FORMA DE DISCRIMINAÇÃO E INTOLERÂNCIA
07/06/2013

310




311





311



CONCESSÃO DE AGRÉMENT À EMBAIXADORA DOS ESTADOS
UNIDOS DA AMÉRICA
07/06/2013

ESCOLHA DO BRASILEIRO JOSÉ SETTE PARA O POSTO DE DIRETOR
EXECUTIVO DO COMITÊ CONSULTIVO INTERNACIONAL DO ALGODÃO
07/06/2013

ASSISTÊNCIA A BRASILEIROS VÍTIMAS DE ACIDENTE NA
CAPADÓCIA, TURQUIA

312




312




313

08/06/2013

VAZAMENTO DE PETRÓLEO NO EQUADOR
09/06/2013	314

DECLARAÇÃO CONJUNTA POR OCASIÃO DA XI CIMEIRA BRASIL-
PORTUGAL  LISBOA, 10 DE JUNHO DE 2013



CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO EMBAIXADOR DO BRASIL NA RÚSSIA



CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO EMBAIXADOR DA FRANÇA



COMUNICADO DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA

PORTUGUESA (CPLP) SOBRE A FORMAÇÃO DE NOVO GOVERNO NA
GUINÉ-BISSAU
12/06/2013

ELEIÇÃO DO PRESIDENTE DA 68ª ASSEMBLEIA GERAL DAS NAÇÕES
UNIDAS
14/06/2013

DECLARAÇÃO DE ULUWATU - VI REUNIÃO DE CHANCELERES
DO FÓRUM DE COOPERAÇÃO AMÉRICA LATINA - ÁSIA DO LESTE
(FOCALAL) - BALI, 13 A 14 DE JUNHO DE 2013
14/06/2013


320




321




321

CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO EMBAIXADOR DO BRASIL NO KUAITE



ENCHENTES NA ÍNDIA
21/06/2013	329

DEPREDAÇÃO DO PALÁCIO ITAMARATY
21/06/2013	329

APRESENTAÇÃO DO MINISTRO ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA EM
AUDIÊNCIA NA COMISSÃO DE RELAÇÕES EXTERIORES E DEFESA

NACIONAL DO SENADO FEDERAL

330

BRASÍLIA, 20 DE JUNHO DE 2013
21/06/2013

REVISÃO DA POLÍTICA COMERCIAL DO BRASIL NA OMC





COMBATE À PIRATARIA E AOS ILÍCITOS MARÍTIMOS NO GOLFO DA
GUINÉ
27/06/2013

TRATADO DE MARRAQUECHE PARA FACILITAR O ACESSO A OBRAS
PUBLICADAS PARA PESSOAS CEGAS, COM DEFICIÊNCIA VISUAL OU
OUTRAS DEFICIÊNCIAS PARA O ACESSO AO TEXTO IMPRESSO

343





344

28/06/2013

CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO EMBAIXADOR DO BRASIL NA BOLÍVIA



CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO EMBAIXADOR DO BRASIL NA SUÉCIA
28/06/2013	345


ARTIGOS	347

DEVER DE CANDIDATURA



BRAZIL SHOULD TAKE A SHOT AT UNITED NATIONS REFORM



DIPLOMACIA E PROTEÇÃO DE CIVIS
(O ESTADO DE S. PAULO, 20/2/2013)	351

POR UM TRATADO SOBRE O COMÉRCIO DE ARMAS



HORA DE REFORMAR



GLOBALIZING THE SECURITY COUNCIL
(PROJECT SYNDICATE, EUA, 3 DE JUNHO DE 2013)	357

ENTREVISTAS	359

PARA MUITAS QUESTÕES NÃO HÁ SOLUÇÃO MILITAR,

ENTREVISTA DO MINISTRO ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA
A DEUTSCHE WELLE

359

(04/02/2013)

ÍNDICE REMISSIVO	363


























































20

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013









                                          DISCURSOS
                                                                    
       VII REUNIÃO MINISTERIAL DA ZONA DE PAZ E COOPERAÇÃO DO
ATLÂNTICO SUL (ZOPACAS) - TEXTO-BASE DO DISCURSO DO MINISTRO
ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA - MONTEVIDÉU, 15 DE JANEIRO DE 2013







  Que minhas primeiras palavras sejam
de agradecimento ao Governo e ao povo
uruguaio por sua calorosa hospitalidade e
pelo admirável trabalho de preparação desta
VII Reunião Ministerial da Zona de Paz e
Cooperação do Atlântico Sul.
  Gostaria	também	de	parabenizar	o
Governo de Angola por sua liderança e
contribuição significativa para a ZOPACAS.
O Plano de Ação de Luanda, adotado em
2007, foi importante marco para os esforços
de revitalização da Zona.
  O contexto global e a importância do
Atlântico Sul
  Este encontro comprova, uma vez mais,
o compromisso dos países africanos e sul-
americanos com a identidade sul-atlântica.
  Uma identidade que se consolida e
assume importância ainda maior à luz das
transformações a que assistimos no plano
internacional.
  Caminhamos, de forma cada vez mais
evidente, para um sistema internacional
caracterizado	por	uma	multiplicidade
de centros de poder. Está em curso um
processo de difusão do poder mundial, com
o reconhecimento crescente do papel que é
e pode ser desempenhado pelos países em

desenvolvimento.
  Na economia, as maiores fontes de
dinamismo para o crescimento econômico
encontram-se, hoje, nos países em
desenvolvimento  e a orla do Atlântico
Sul inclui algumas das economias que têm
demonstrado maior capacidade de crescimento
com superação da pobreza.
  Tudo isso confere relevância ainda mais
evidente à Zona de Paz e Cooperação no
Atlântico Sul, da qual o Brasil se orgulha de
ser um dos iniciadores.
  Passados quase 30 anos desde a criação
da iniciativa, é hoje mais necessária do que
nunca a consolidação do Atlântico Sul como
espaço de diálogo, cooperação, paz, livre de
armas de destruição em massa e marcado por
avanços permanentes na segurança alimentar
e nutricional e desenvolvimento sustentável.
  A nossa é uma iniciativa de natureza
solidária e de inconfundível sentido sul-sul.
  O Atlântico Sul constitui uma ponte entre
continentes irmãos  que estarão reunidos,
no mês que vem, em Malabo, para a Cúpula
da ASA, e que hoje se reúnem, aqui em
Montevidéu, com um foco mais específico: o
da dimensão sul-atlântica.
  A importância do Atlântico Sul tem-se

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	21




evidenciado no cenário global na mesma
proporção em que se projeta, e com impulso
cada vez maior, a presença sul-americana
e	africana,	seja	pelo	desenvolvimento
econômico e social, seja pelos passos dados
no caminho da sustentabilidade, seja pelas
descobertas de enormes reservas minerais
e petrolíferas, seja pelos seus abundantes
recursos de biodiversidade.
  No plano do comércio internacional,
outras áreas marítimas, como o Índico e o
Pacífico, atraem talvez maior atenção, por
concentrarem rotas de especial relevância para
as maiores economias. Mesmo nesse plano,
contudo, o Atlântico Sul é, para nós, decisivo.
Para o Brasil, por exemplo, é a principal rota
comercial: 95% das exportações e importações
brasileiras passam por esse oceano.
  Tudo	isso	comprova	a	oportunidade
deste encontro e a necessidade de nosso
compromisso em dar continuidade ao trabalho
de organização do espaço sul-atlântico.
  A inserção da ZOPACAS no âmbito das
Nações Unidas evidencia o alcance universal
dos princípios e valores que orientam a
cooperação e o diálogo sul-atlântico.
  Nossa iniciativa não é, de modo algum,
excludente. Temos a expectativa legítima
de contar com o apoio da comunidade
internacional e a cooperação de todos os países
para o fortalecimento da ZOPACAS em todos
os seus aspectos, desde os temas relativos à paz
e ao desarmamento até as questões ligadas à
cooperação e ao desenvolvimento econômico.
  No contexto da governança global, a
existência e o fortalecimento da ZOPACAS
contribuem	para	a	construção	de	uma
multipolaridade que não seja a da ruptura e do
conflito, mas sim a multipolaridade do diálogo,
da cooperação, da justiça social, da segurança
alimentar e nutricional e da paz sustentável.

  Agenda	de	trabalho	da	ZOPACAS:

1. desarmamento e não-proliferação; 2.
cooperação; 3. temas econômicos
  É imperativo preservar o Atlântico Sul da
introdução de armas nucleares e outras armas
de destruição em massa. Devemos trabalhar
juntos para avançar em direção ao objetivo
da caracterização da área como Zona livre de
armas nucleares e outras armas de destruição
em massa. Esse é um objetivo estratégico
comum aos países membros da ZOPACAS, a
ser promovido com renovado impulso.
  A ZOPACAS tem condições de tornar-
se instrumento relevante para o avanço de
iniciativas de fortalecimento e universalização
de tratados relevantes sobre desarmamento
e não-proliferação, dos quais fazem parte a
grande maioria de seus membros. Traz, assim,
uma contribuição de peso ao avanço em
direção ao um Hemisfério Sul livre de armas
nucleares, na linha das resoluções já adotadas
pela Assembleia Geral das Nações Unidas.
  Em sua porção sul-americana, a metade
meridional do Oceano Atlântico já se beneficia
da proibição de armas nucleares instituída
pelo Tratado de Tlatelolco.
  As águas territoriais de quatorze dos vinte
e um membros africanos da ZOPACAS, por
sua vez, são contempladas pelo Tratado de
Pelindaba, que estabelece a zona livre de
armas nucleares daquele continente.
  Da mesma forma, a nenhum de nós
interessa a militarização indevida do Atlântico
Sul. A vocação de nossa região é a de diálogo
e do entendimento, a da confiança recíproca. É
com esses instrumentos que nos manteremos
afastados do flagelo da guerra. Este é o sentido
mais próprio de sermos uma zona de paz.
  A estabilidade e o desenvolvimento
institucional de nossos países, no contexto da
democracia e do respeito aos direitos humanos,
constituem valores que nos são comuns e que
são parte do tecido de nossa solidariedade
  A ZOPACAS incorpora também

   
   

22

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




importantes	dimensões	econômico-
estratégicas,	em	especial	relativas	ao
aproveitamento de riquezas energéticas e ao
elevado potencial do Atlântico Sul para o
desenvolvimento socioeconômico dos países
costeiros, assim como à preocupação de
sustentabilidade e racionalidade na utilização
dos recursos marinhos. A Zona, por isso,
deve ser também foro privilegiado para a
cooperação sul-sul, com base em projetos
concretos de cooperação.
  Solidariedade significa cooperação, e creio
não me equivocar ao afirmar que nunca houve
tanta cooperação entre América do Sul e África
como se vê atualmente. O Brasil, com muito
entusiasmo, tem sido parte desse avanço na
cooperação, em uma agenda que vai desde a
saúde à segurança alimentar, da agricultura ao
desenvolvimento sustentável.
  Esperamos que os trabalhos da ZOPACAS
catalisem uma ampliação e diversificação
ainda maiores dessa agenda de cooperação,
respondendo	às	necessidades	reais	dos
países da Zona, inclusive em áreas que hoje
se revelam decisivas, como a de ciência e
tecnologia, ou a de educação.
  Não se pode esquecer da importância
dos laços culturais. A consolidação da
ZOPACAS e de uma identidade sul-atlântica
supõe o aprofundamento do conhecimento
recíproco de nossos países. O próprio Brasil
tem seu dever de casa a fazer nessa área.
Se comparado à importância e ao potencial
que tem, para nós, o Atlântico Sul, é ainda
insuficiente o nível de conhecimento sobre
nossos parceiros da ZOPACAS. A boa notícia
é que isso está mudando, e está mudando
muito rapidamente, com o aprofundamento
dos vínculos de comércio, de investimento e
com maior presença brasileira em iniciativas
de cooperação na África.
  No plano econômico, muito se fala, em
nossos dias, sobre o Pacífico e suas magníficas

perspectivas de crescimento, que de resto são
positivas para todo o mundo, na medida em que o
dinamismo daquela região oferece oportunidades
para as demais. Menos evidente, mas igualmente
importante, é o fato de que a orla do Atlântico Sul
está marcada pela presença de países com altas
taxas de crescimento econômico e tem potencial
para delinear-se como uma área de crescente
prosperidade econômica, na qual um intercâmbio
cada vez mais aberto e cada vez mais florescente
entre as duas margens do oceano será um fator de
desenvolvimento para todos.
  Por isso, é muito positivo que a Declaração
e o Plano de Ação que deveremos aprovar
destaquem o potencial de intercâmbio
econômico entre os países da ZOPACAS e
aponte a necessidade de ampliar os fluxos de
comércio e investimento recíprocos
  A Zona de Paz e Cooperação do Atlântico
Sul foi concebida para a promoção de objetivos
comuns em áreas relativas à paz e à segurança,
mas também com uma ampla perspectiva
de cooperação. Embora esses objetivos não
tenham conotação diretamente econômica
ou comercial, está em perfeita consonância
com eles a promoção dos fluxos de comércio
e de investimento entre as duas margens do
Atlântico Sul. Da mesma forma, estaria em
perfeita consonância pensar em desenvolver,
oportunamente, os mecanismos e o quadro
jurídico que permitam criar condições cada
vez mais favoráveis para o comércio e os
investimentos.
  A América do Sul tem avançado muito
em seus processos de integração. Da mesma
forma, no continente africano, há vários
processos sub-regionais de integração que se
vêm construindo e aprofundando ao longo
do tempo. Sem prejuízo desses processos,
a ZOPACAS terá muito a ganhar se nossa
imaginação criadora for capaz de conceber
os meios e modos para uma crescente
convergência econômica e comercial entre a




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	23




América do Sul e a África.
  Proponho que examinemos a possibilidade
de convocar, proximamente, uma reunião de
alto nível para a discussão das perspectivas
de intercâmbio comercial e de fluxo de
investimentos entre os países do Atlântico
Sul, com vistas à avaliação da situação atual
e à identificação de possíveis iniciativas no
sentido do aprofundamento e ampliação de
nossos vínculos nesse campo.
  Ações específicas e desafios a enfrentar
  Senhoras e senhores,
  Num esforço de contribuir para revitalizar
a ZOPACAS e dotá-la de caráter mais
operacional	e	efetivo,	o	Brasil	estará
desenvolvendo, com base nos eixos temáticos
de cooperação definidos no Plano de Ação de
Luanda de 2007 e na Mesa Redonda de Brasília
de 2010, programa de cursos de capacitação
técnica e profissional, voltado a nacionais dos
países da ZOPACAS. Esses cursos possuem o
mérito de permitir ampla troca de experiências
e boas práticas em áreas de interesse mútuo,
em espírito de solidariedade e parceria.
  Espero sinceramente que, nesses dois dias,
possamos traduzir nosso discurso político
em ações concretas capazes de abrir nova
e decisiva etapa para a ZOPACAS, para o
relacionamento de nossos países e para a
cooperação sul-atlântica.
  Temos grandes trunfos e estamos diante de
grandes desafios.
  A região conhece ainda algumas situações
que demandam nossos melhores esforços
na promoção da segurança e da estabilidade
institucional.
  É o caso da Guiné Bissau. A crise vivida
hoje por esse país sul-atlântico, e ademais
muito próximo do Brasil, pelos laços da
história e da cultura, é exemplo de uma
situação com implicações sérias sobre o
espaço do Atlântico Sul e à qual não podemos
ficar indiferentes. O tema vem sendo tratado

pelo Conselho de Segurança da ONU e, na
África Ocidental, a CEDEAO desempenha
o papel de liderança que lhe é natural, em
coordenação com a União Africana. Como
membro da Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa e Presidente da Configuração para
a Guiné-Bissau do Conselho de Construção da
Paz da ONU, o Brasil tem procurado trabalhar
para a superação da crise.
  Temos que reconhecer que, até o
momento, a coordenação entre os atores
internacionais não tem conseguido construir
caminho satisfatório e consensual para o
encaminhamento da questão, e que isso
prejudica a própria Guiné-Bissau. É essencial
que, nesse esforço de coordenação, todos os
atores internacionais tomem por parâmetro
as decisões do Conselho de Segurança. No
âmbito da CPLP, em especial, acreditamos
que os países africanos de língua portuguesa
podem dar contribuição à busca de uma
convergência sobre como chegar ao objetivo
que, afinal de contas, todos defendem: o de
que a Guiné-Bissau reencontre sua trajetória
de paz, democracia e estabilidade. Espero que,
num futuro não tão distante, a Guiné-Bissau
possa somar-se aos trabalhos de nossa Zona
de Paz e Cooperação.
  Temos desafios, igualmente, na área do
desenvolvimento econômico e social. Todos
os países costeiros do Atlântico Sul são
países em desenvolvimento, e alguns com
necessidades urgentes na área social e de
segurança alimentar.
  Da mesma forma, é um grande desafio
compartilhado a exploração racional das
riquezas do oceano, na perspectiva do
desenvolvimento sustentável.
  O mesmo oceano que nos separa nos
aproxima. Há um trabalho fundamental a fazer
no desenvolvimento dos vínculos de transporte
entre as duas margens do Atlântico Sul. Isso
depende do setor privado, mas os Governos têm




24

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




um papel importante a cumprir na sinalização
da importância estratégica desses vínculos e da
necessidade de ampliá-los.
  Mensagem	final:	necessidade	de
comprometimento	de	todos	para	a
consolidação da ZOPACAS
  São desafios importantes, que conferem
sentido de urgência a nosso trabalho na
ZOPACAS. Há, no Atlântico Sul, um enorme
potencial a ser realizado. E é o caso de
perguntar: se não o fizermos, quem o fará?
  É	fundamental	o	compromisso	e	o
engajamento de todos. Nossa cooperação não
se fará por si própria, sem nossa iniciativa e
sem nossa condução. Se não tomarmos, nós
mesmos, a dianteira desse processo, estaremos
abrindo espaço para que outros países ou
outras iniciativas terminem por definir nossa
agenda, provavelmente segundo perspectivas
que não serão as nossas. Não nos podemos
aceitar o risco de permitir que se passem,
novamente, tantos anos sem nos reunirmos.
  Sejamos	ambiciosos.	Temos	nossa
identidade própria como região, estamos
conscientes dela, e dela nos orgulhamos.
Mas isso não é suficiente. É preciso que essa
identidade, que é nossa, tenha visibilidade
para todo o mundo.
  Estou certo de que a Declaração e o Plano
de Ação que adotaremos aqui em Montevidéu
serão mapas valiosos para as realizações
futuras de que necessitamos para o processo
de fortalecimento da nossa Zona de Paz e
Cooperação.
  O texto da declaração elaborada é, de
fato, ambicioso e cobre toda nossa ampla
agenda, afirmando ou reafirmando conceitos
essenciais nas áreas do desarmamento, da paz
e da segurança, defesa, temas econômico-
comerciais,	desenvolvimento	sustentável,
recursos marinhos e combate a ilícitos
internacionais.
  O Plano de Ação ajudará a orientar nossas

iniciativas e incorporou propostas importantes
para novos passos no mapeamento e
exploração dos fundos marinhos, na
cooperação ambiental, no transporte marítimo
e aéreo  e na segurança no transporte , assim
como na área de defesa, prevendo inclusive
o intercâmbio de informação sobre políticas
de defesa, e, por fim, na área de combate ao
crime organizado transnacional. Prevê, ainda,
um trabalho de grande significação na área
de formação profissional e fortalecimento
institucional.
  O Brasil está pronto para contribuir para o
êxito desse esforço conjunto.
  No passado, o Atlântico Sul foi palco
de algumas das piores violações de direitos
humanos de que já se teve notícia: a ignomínia
do tráfico negreiro, com todo o horror e
degradação que o acompanhou, e que marcou
a história de vários de nossos países.
  Hoje, o que nos inspira é o interesse e a
beleza de um projeto compartilhado que
é a antítese daquele passado: o projeto de
assegurar que o Atlântico Sul, como assinala
o texto de um dos parágrafos de nossa
declaração, permaneça como uma região
comprometida com a promoção da paz, da
segurança, da cooperação, da democracia,
do respeito aos direitos humanos, do
desenvolvimento sustentável, da prosperidade
econômica, da inclusão econômico-social, da
integração cultural e da solidariedade.
  É uma longa lista de objetivos, como deve
ser, e que exige nosso autêntico compromisso
em uma perspectiva de longo prazo.
  O que estamos realizando neste encontro
não é um ponto de chegada, é um ponto de
partida.
  Portanto, mãos à obra.
  Muito obrigado.

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	25


























































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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013










          PALAVRAS DO MINISTRO ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA POR
            OCASIÃO DO LANÇAMENTO DAS OBRAS DO BARÃO DO RIO
BRANCOBRASÍLIA (INSTITUTO RIO BRANCO), 7 DE FEVEREIRO DE 2013









  É sempre com grande satisfação que venho
ao Instituto Rio Branco e me dirijo aos nossos
colegas mais jovens.
  E esta manhã tem um simbolismo especial.
  Lançaremos, no Instituto que leva seu
nome, a segunda edição das Obras do Barão
do Rio Branco  uma feliz iniciativa da
FUNAG. E o faremos em ato que encerrará as
homenagens que, ao longo dos últimos doze
meses, procuramos prestar a José Maria da
Silva Paranhos Jr., por ocasião do centenário
de sua morte.
  Agradeço aos prefaciadores das Obras
que nos honram com sua presença.
  Não deixo, uma vez mais, de cumprimentar
o Embaixador Manoel Gomes Pereira pela
dedicação e pela competência com que
coordenou a Comissão Organizadora da
Celebração do Primeiro Centenário da Morte
do Barão do Rio Branco.
  Registro meu apreço, sobretudo, pelo
alcance das atividades com que homenageamos
a memória de Rio Branco. Não apenas o
Barão Chanceler, mas o chefe de missão,
o historiador, o jornalista, o parlamentar, o
professor, o colecionador de iconografia,
o objeto de retratação iconográfica  todas
essas dimensões estiveram contempladas na

rica programação do centenário de morte do
Barão.
  E agora, para completar essa série de
homenagens, trazemos à cena o Rio Branco
autor, com o lançamento da segunda edição
de suas Obras.
  O Embaixador Manoel Gomes Pereira,
que também coordenou os esforços que
culminaram na bela publicação que hoje se
apresenta ao público, nos proporcionará,
dentro em breve, explicações editoriais a
respeito dessa coleção de doze volumes, que
agrega significativo valor à edição precursora
de 1945.
  Em seguida, teremos o privilégio de assistir
a conferência que o Professor Francisco
Doratioto  titular da disciplina História das
Relações Internacionais do Brasil  proferirá
sobre o Patrono da diplomacia brasileira.
Desde logo, Professor, muito obrigado por
compartilhar conosco este momento.
  Senhor Secretário-Geral, Senhor Diretor-
Geral do Instituto Rio Branco, caros alunos,
Senhoras e Senhores,
  Não é por acaso que encerro o ciclo de atos
alusivos ao centenário de morte de Paranhos
Jr. neste Instituto.
  Quis, com isso, singularizar uma vertente

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	27




de Rio Branco que é cara a todos os que
integramos o Serviço Exterior Brasileiro e, de
modo muito particular, aos que iniciam suas
carreiras no Itamaraty: a vertente do homem
de ação diplomática.
  Não me estenderei sobre a vida e os feitos
de Rio Branco. Primeiro, porque o Professor
Doratioto o fará. Segundo, porque muito já
pude dizer em diferentes oportunidades no
centenário que se conclui.
  Faço questão, porém, neste Instituto, de
ressaltar o diplomata preparado e politicamente
sensível.
  Agrande obra que Rio Branco nos legou, não
se discute, foi o traçado de nossas fronteiras,
definidas de forma pacífica, pela negociação
direta ou pelo arbitramento. Uma obra que,
como costumo comentar, de tão plenamente
incorporada a nosso patrimônio coletivo
podemos ter, por vezes, certa dificuldade em
avaliar devidamente  e que, no entanto, se
revelou essencial para que desenvolvêssemos,
desde as primeiras décadas do século XX,
uma inserção internacional segura e confiante,
na região e em outros quadrantes do mundo.
  Mas Rio Branco nos deixou, também, algo
a que em geral nos referimos como um estilo
de atuação. Modernizou nossa Chancelaria e
nossos modos de operar.
  Isso não quer dizer que se mostrasse em
tudo um modernizador. Sabemos que não é
assim. Nascido e educado no século XIX, era,
em muitos aspectos, reflexo de seu tempo.
O tempo do Segundo Reinado brasileiro,
dos princípios supostamente liberais que
conviviam com a escravidão. O tempo das
quase três décadas que viveu na Europa,
testemunhando o esfacelamento da ordem
gestada no Congresso de Viena.
  Justo é reconhecer, no Barão do Rio
Branco, um exemplo que nos inspira através
das gerações.
  Rio Branco afirma-se, em primeiro lugar,

como diplomata de formação sólida.
  Nos anos passados na Europa, até o início
do decênio de 1890, dedicou-se ao estudo do
Brasil e de suas principais questões de limites,
sem saber das importantes incumbências
que o futuro lhe reservava. Aprofundou-se
nos limites com a Argentina  com ênfase
na questão de Palmas , tema do qual, como
lembra Luís Viana Filho, seu pai havia sido o
primeiro negociador brasileiro.
  Nas temporadas em Paris  quando
Cônsul em Liverpool e, mais ainda, no
período em que assumiu, cumulativamente,
a Superintendência do Serviço de Imigração,
com sede na capital francesa , adquiriu livros,
mapas, documentos.
  Adquiriu-os em quantidade e entregou-
se a seu exame meticuloso. Por curiosidade
intelectual, sem dúvida, mas, acima de
tudo, pelo interesse até obsessivo de melhor
compreender os direitos do Brasil.
  Assim foi que, em 1893, quando morreu em
Washington Aguiar de Andrada  que chefiava
a missão para a defesa do Brasil na questão
de Palmas , e Rio Branco foi convidado a
substituí-lo, o Barão aceitou o chamado de
imediato. Sabia que dominava como ninguém
aquele dossiê.
  E, de fato, o lastro histórico e geográfico
da argumentação que Rio Branco articulou
foi determinante para convencer o árbitro
da questão, o então Presidente dos Estados
Unidos Grover Cleveland, do bom fundamento
das teses do Brasil.
  Um laudo arbitral integralmente favorável
ao País compensava, assim, o árduo trabalho
de preparação da missão brasileira, comandado
com singular zelo por Paranhos Jr..
  Mas não é apenas seu preparo que
sobressai. Rio Branco afirma-se, também,
como o diplomata sensível, sempre atento
para as realidades que o circundam.
  Tinha presente a complexidade do

   
   

28

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




fenômeno político. Sabia que política externa
se constrói a partir das condições internas
à sociedade que a sustenta e, também, dos
constrangimentos	e	das	possibilidades
vigentes no plano internacional.
  Não se iludia quanto às vicissitudes que
ainda fragilizavam o Brasil no início da
República. Mas, ao mesmo tempo, discernia
com clareza as transformações que se
operavam no sistema internacional naquela
primeira década do século XX, e via nelas
valiosas oportunidades de ação externa.
  O	Chanceler	Paranhos	tinha	ciência
das limitações internas  políticas, sociais,
financeiras.
  Como tinha ciência, contudo, de que o
mundo mudava, e de que a habilidade de
antecipar novas configurações de poder, e
de traduzir essa antecipação em políticas
conseqüentes,	constituiria	um	relevante
ativo diplomático  possivelmente capaz,
em alguma medida, de fazer contrapeso ao
passivo doméstico.
  Talvez por isso, e por orgulhar-se da
grandeza do Brasil, não se deixou intimidar
pelas dificuldades que ainda se impunham
internamente no País.
  Sem afastar-se do pragmatismo que marcou
sua trajetória, sem alhear-se à realidade
tangível das coisas, engajou-se em conquistar
espaços para o País. Foi o que fez ao promover
o Tratado ABC, que teria reunido Argentina,
Brasil e Chile. Ou ao levar o Governo
brasileiro, pelas mãos de Rui Barbosa, a uma
participação ativa na II Conferência de Paz da
Haia, em 1907. Ou, ainda, ao realizar, no Rio
de Janeiro, no ano anterior, a III Conferência
Internacional Americana.
  Naturalmente, não se tratava de perseguir
o prestígio pelo prestígio. Tratava-se de
acumular capital político para projetar o que
se consideravam ser os melhores interesses do
Brasil.
   
Uma política de cordial inteligência entre
os países que se associariam sob o Tratado
do ABC, por exemplo, se ligava ao propósito
de induzir comportamentos tendentes à
cooperação na América do Sul. Para citar
Álvaro Lins, buscava-se um condomínio de
nações contra quaisquer sonhos imperialistas
ou projetos de hegemonia.
  A II Conferência de Paz da Haia, por sua
vez, dava ensejo a que o Brasil propugnasse,
perante as grandes potências do momento, o
primado da igualdade soberana dos Estados.
  E a III Conferência Internacional
Americana inseria-se no panamericanismo
de uma política externa que privilegiava a
aproximação com Washington, com vistas a
um novo equilíbrio frente ao que vinham sendo
relações fortemente voltadas para a Europa.
Neste ponto, mais que em qualquer outro,
procurava-se, nitidamente, colocar o Brasil
na vanguarda dos movimentos internacionais
associados ao deslocamento do principal eixo
de poder do Velho para o Novo Mundo.
  Para além dos atributos da formação e da
sensibilidade política, Rio Branco afirma-
se, ainda, como o diplomata que, se podia
recolher-se por semanas e meses a fio na
solidão de um gabinete de trabalho, nem por
isso descurava das relações humanas.
    Cultivava seus interlocutores. Mesmo
antes de tornar-se, ainda em vida, com ou sem
exagero, quase um monumento do Brasil 
quando, aí, sua simples presença já valia por
um fato político e social , excedia-se na arte
de convencer e de seduzir, de compreender
para ser compreendido.
  E não lhe escapava que a diplomacia, por
vezes, pode ser uma dramaturgia.
  Volto à questão de Palmas. É novamente
Luís Viana Filho quem dá conta de uma
visita de cortesia que, como mandava a
praxe, Estanislao Zeballos, defensor da
causa argentina, fez a Rio Branco em Nova




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	29




York, onde ambos se encontravam em função
do processo arbitral em torno da questão.
Zeballos	mostrava-se	particularmente
autoconfiante. Rio Branco, já naquela altura,
gozava de plena convicção quanto aos direitos
brasileiros e quanto à eficácia das teses que
sustentaria. Mas não passou recibo. Fingiu-se
hesitante e preocupado. E, com isso, inflou
ainda mais o interlocutor, que, despistado
pelo Barão, telegrafaria a Buenos Aires: [...]
convenci-me de que o Ministro Paranhos teme
seriamente os fundamentos argentinos.
  Senhor Secretário-Geral, caros colegas,
  Não se trata de idealizar o Barão do Rio
Branco.
  Um dos desafios que nos impusemos, nas
homenagens a sua memória neste centenário
de morte, foi o de escapar à retórica fácil e
vazia. Foi o de evitar que, na tentativa de
transformá-lo em uma estátua de mármore,
acabássemos por deixar escapar o que mais
importa: sua humanidade e seu real significado
para o Brasil.
  Portanto, nada de mistificações. Fiquemos
com o que nos é dado saber sobre Rio Branco,
e aí já temos material suficiente para identificar
um homem que, com suas imperfeições e
preconceitos, foi um estadista a serviço do
Brasil. Um estadista e um diplomata que,
repito, nos inspira através das gerações. Sob
a égide de Rio Branco, continuaremos a
valorizar a formação continuada de nossos
quadros.
  Continuaremos a conceber e a executar
nossa política externa a partir das realidades
concretas da sociedade que representamos e do
mundo em que nos inserimos. No nosso caso,
hoje, uma sociedade que, apesar dos obstáculos
que ainda temos pela frente, se torna cada
vez mais próspera e mais justa, empenhada,
como afirma a Presidenta Dilma Rousseff, em
erradicar a pobreza ao mesmo tempo em que
se capacita a gerar alta tecnologia, a inovar. E

um mundo caracterizado pela desconcentração
do poder, no qual se abrem oportunidades de
ação diplomática, em algumas instâncias, sem
precedentes.
  Continuaremos a nos aprofundar na
dimensão humana da diplomacia, com o que
isso implica em termos de abertura a novos
idiomas, a novas culturas, ao outro.
  Continuaremos, enfim, a ter, como
importante referência, os padrões de atuação
diplomática que pautavam Rio Branco. Com
as raízes bem fincadas na América do Sul,
que é nosso ambiente imediato  ambiente de
paz e de desenvolvimento , e os olhos postos
na diversidade do conjunto da comunidade
internacional, que é o horizonte natural de um
país como o Brasil.
  Muito obrigado.

   
   

30

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013










   DISCURSO DA PRESIDENTA DA REPÚBLICA, DILMA ROUSSEFF, NA
CERIMÔNIA DE ABERTURA DA III CÚPULA AMÉRICA DO SUL-ÁFRICA
           MALABO, GUINÉ EQUATORIAL, 22 DE FEVEREIRO DE 2013

             
             
             
             
             
             
             

  Senhoras e senhores, nessa nossa reunião
entre duas grandes regiões do mundo: a África
e a América Latina.
  Queria cumprimentar o excelentíssimo
senhor Teodoro Obiang Nguema Mbasogo,
presidente da República da Guiné Equatorial
e a senhora Constancia Mangue de Obiang
Nguema Mbasogo.
  Senhoras e senhores Chefes de Estado e de
Governos presentes na III Cúpula América do
Sul-África.
  Excelentíssimo	senhor	Hailemariam
Desalegn, primeiro-ministro da Etiópia e
presidente da União Africana.
  Excelentíssimo senhor Nicolás Maduro,
vice-presidente da Venezuela.
  Senhora Maria Coloma Edjang, prefeita de
Malabo.
  Senhoras e senhores ministros integrantes
das delegações.
  Senhoras e senhores profissionais da
imprensa.
  Senhoras e senhores.
  Eu tenho grande satisfação em regressar ao
continente africano e visitar pela primeira vez
a Guiné Equatorial.
  Saúdo meus colegas africanos e sul-
americanos. Muitos dos quais tive o prazer

de receber no Rio de Janeiro durante a
Conferência Rio+20. Agradeço especialmente
ao presidente Teodoro Obiang e ao povo da
Guiné Equatorial que nos acolhem de modo
tão hospitaleiro, fraterno, generoso e cujo
empenho resultou na excelente organização
deste encontro.
  Senhoras e senhores,
  Esta III Cúpula ocorre em momento
especial para a América do Sul e a África.
Em contraste com o cenário internacional
de crise econômica-financeira, que neste
momento atinge de forma mais aguda a
Europa, a chamada Zona do Euro, nossos
continentes têm experimentado, nos últimos
anos, considerável dinamismo com taxas de
crescimento sustentadas, aumento da renda e
redução da pobreza.
  Foi-se o tempo em que nós éramos parte de
uma periferia distante, silenciosa ou calada e
problemática. O mundo em desenvolvimento
tornou-se vital para a economia global, e já
responde por mais da metade do crescimento
econômico, e por mais de 40% do investimento
em escala mundial.
  Desafiando os céticos de sempre, a África
e a América Latina são hoje uma região
em processo de transformação política e




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	31




econômica, que constrói suas nações, sua
democracia, sua economia com estabilidade e
olhando para sua população.
  A África é um continente a cada dia mais
rico em realizações e em possibilidades.
Aliás, dos dez países com maior crescimento
previsto até 2015, sete são africanos. O
comércio entre a África e a América do Sul
passou de US$ 7 bilhões em 2002, para US$
39 bilhões em 2011. Um crescimento de
447% em dez anos. No entanto, ele é pequeno
se nós considerarmos o nosso potencial. Ele é
pequeno se nós considerarmos o tamanho dos
nossos continentes, da nossa população, dos
nossos recursos naturais.
  Apesar da nossa corrente comercial ser
equilibrada, ainda temos um percentual
pequeno de intercâmbio  apenas 2,8% das
vendas sul-americanas são destinadas à
África, foram destinadas à África em 2011.
Enquanto só 3% das exportações africanas
orientaram-se para o mercado sul-americano.
Portanto, o nosso potencial de crescimento
do comércio intercontinental é excepcional.
As perspectivas do crescimento nos nossos
continentes também são muito boas. E isto
ocorre em ambas as margens do Atlântico
Sul. E, sem dúvida nenhuma, a parceria, a
cooperação na ASA é um elemento estratégico
e fundamental para que isto se materialize.
  Senhoras e senhores, meus amigos, minhas
amigas,
  O Brasil construiu na última década - a partir
da chegada ao poder do nosso ex-presidente
Lula - um modelo de desenvolvimento que
tem por eixo estruturante e por motor do
nosso crescimento, do nosso crescimento
econômico, a inclusão de milhões e milhões
de brasileiros e brasileiras, de trabalhadores a
partir de uma nova visão de política econômica
e social.
  No nosso país sempre afirmaram as vozes
do conservadorismo que primeiro o Brasil

tinha de crescer e depois a gente poderia
distribuir renda. O que nós descobrimos foi
que: países possuem riquezas naturais, mas a
maior riqueza de um país é a sua população. E
por isso, nós acreditamos e desenvolvemos um
modelo de crescimento em que a formação de
um grande mercado consumidor, trabalhador
e empreendedor é a base do crescimento
econômico e também do resgate social,
cultural e político.
  Nós somos um país que tem uma raiz
profunda na desigualdade. Como os senhores
sabem, e nós nos orgulhamos muito das
nossas raízes fincadas no continente africano,
mas nós temos uma história de escravidão,
de colonialismo, de desigualdade social que
temos de resgatar. E por isso, ao olhar a década,
essa última década no Brasil, nós olhamos
com orgulho e satisfação. Nós geramos mais
de 19 milhões de empregos, recuperamos o
poder de compra dos salários e, com o nosso
programa Bolsa Família, retiramos 36 milhões
de brasileiros da condição de miséria. Nós
aprendemos nesse caminho. E é por isso, que
nos últimos dois anos do meu governo nós
conseguimos retirar da miséria, da pobreza
extrema, 22 milhões de brasileiros.
  Talvez seja essa tecnologia social que
está baseada na determinação política, que
está baseada na eficiência de gestão, que está
baseada, também, num firme compromisso
e numa percepção da importância do povo
brasileiro no desenvolvimento, que nós
conseguimos formatar essa tecnologia social
que é a nossa maior honra. Ela está baseada
numa prioridade, a questão da miséria. Ela
está baseada numa prioridade, a questão do
povo brasileiro.
  Por isso, a grande contribuição entre as
grandes contribuições que o Brasil pode
prestar, está todos os nossos programas
sociais. Tanto baseados na renda como
baseado ao acesso dos serviços públicos -




32

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




como é o caso da eletricidade, da água; como
é o caso também do acesso a serviços públicos
de educação e saúde. Todos os nossos países
têm um passado de desigualdade e tem de ser
nosso compromisso superar.
  Agora, nós sabemos no Brasil, que o fim
da miséria é apenas o começo. É um glorioso
começo, porque a partir daí as pessoas
demandam melhoria na qualidade da educação,
melhoria na produção de tecnologias, acesso
à banda larga, acesso à internet, enfim,
demandam todas aquelas condições que é
dada por países mais desenvolvidos.
  Por isso, paralelamente à questão do
enfrentamento	da	miséria,	nós	também
tomamos um conjunto de medidas para
melhorar a produção e manter o cenário de
quase pleno emprego em que o Brasil se
encontra. E temos e compartilhamos muito
dos problemas - todos os presentes, os
dirigentes presentes nessa sessão enfrentam
- o problema da infra-estrutura, do aumento
da energia, enfim, nós aqui falamos a mesma
língua porque temos problemas e histórias
similares.
  Maseuestouaquihojeparaproporeconstruir
parcerias concretas. Quero propor como
mais uma parceria entre nós e para os países
africanos no âmbito da ASA, uma parceira na
área da formação de professores e gestores
para o ensino técnico profissionalizante para
a formação de estudantes especialmente do
setor agropecuário.
  O Brasil e a África não só nós temos uma
raiz cultural, social e histórica do ponto de
vista da nossa nação, acredito que sejamos
o país que tenha a maior quantidade de
africanos na sua formação, mas também
porque somos, fizemos parte de um mesmo
grande continente. Portanto, características
da agricultura brasileira estão presentes
aqui na África, na medida em que nosso
solo tem similaridade, os nossos climas têm

similaridades, e nós demos um grande passo
na questão da agricultura tropical e de toda
uma política também de garantia e de combate
à fome. Nós usaremos toda a rede que o Brasil
tem de institutos federais de ensinos técnicos,
profissionais. Usaremos a nossa Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a
parceria com entidades empresariais do setor
agrícola e do setor industrial para dar suporte
à formação tanto de estudantes quanto de
professores, de técnicos como de agrônomos,
na área do ensino médio como na área do
ensino universitário. Na última década, o
Brasil ofertou mais de 5 mil bolsas de estudo
de graduação e pós-graduação. Nós também
criamos a universidade, a chamada Unilab,
universidade voltada para a integração com
a África e América Latina, que hoje já tem
mais de mil estudantes. Mas nós queremos
caracterizar essa cooperação e focá-la mais
ainda em áreas que nós podemos fazer a
diferença com a nossa cooperação.
  Outra iniciativa importante que também
nós colocamos à disposição é a Universidade
Aberta do Brasil, de ensino à distância,
que hoje já opera um pólo presencial em
Moçambique. Estamos dispostos a ampliar
essa rede especialmente para os cursos, repito,
de agronomia e da área de saúde. Queremos
também ampliar as parcerias de pesquisa
científica e tecnológica em todos os campos.
Com o apoio das 37 embaixadas do Brasil na
África nós nos dispomos a oferecer cursos de
língua portuguesa para facilitar o acesso aos
programas mencionados.
  Queria lembrar aos senhores que no
passado nós construímos a Empresa Brasileira
de Pesquisa Agropecuária enviando para o
exterior na década de 70, 80, final da década
de 70 e início da década de 80, enviando mil
estudantes para os Estados Unidos e a Europa.
A partir desses mil estudantes nós criamos,
talvez, uma das tecnologias agrícolas mais




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	33




competitivas do mundo. O que nós estamos
oferecendo aos senhores é uma trajetória
diferente dessa. Nós estamos oferecendo não
só a formação lá no Brasil, mas também - com
o apoio dos senhores - aqui na África, o que
nós consideramos que nós temos de melhor.
Aliás as atividade do escritório da Embrapa,
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária,
em Gana; e de projetos como a fazenda
modelo para produção de algodão, nos países
do Cotton 4 e o Pró-Savana, em Moçambique,
são exemplos bem sucedidos de cooperação
para o desenvolvimento agrícola.
  Na área da saúde, nós também temos muito
interesse no estabelecimento do escritório
da Fundação Oswaldo Cruz, que é a nossa
fundação que produz remédios e vacinas.
E aqui na África, a fábrica de produção de
antirretrovirais, que amplia as fontes de
suprimento de medicamentos e, nós queremos
também nesta área, fazer transferência de
tecnologia de conhecimentos acumulados
pelo Brasil nesse campo.
  Ao mesmo tempo, nós consideramos
muito importante a diversificação das pautas
comerciais e dos investimentos. Achamos que
a parceria governo, ela tem de contemplar
também a parceria entre empresas, a parceria
também com a sociedade, a parceria cultural.
E, olhamos com muito interesse a formação
de mecanismos de incentivo para que mais
empresas, produtos e serviços, cruzem o
Atlântico nos dois sentidos.
  Saúdo, nesse sentido a aprovação do
programa	para	o	desenvolvimento	da
infraestrutura na África, com a execução pelo
Banco Africano de Desenvolvimento, que
inclui projetos de infraestrutura energética,
transporte,	tecnologia	da	informação	e
recursos hídricos.
  Nós achamos importante e fundamental,
e por isso estamos abertos e motivados a
construir o grupo de trabalho que irá definir

de forma muito clara as condições para um
fundo de financiamento de projetos em todas
as áreas nas nossas regiões. Esse fundo de
financiamento terá de ser colocado em pé e aí
se definirão os fundings, as participações e os
métodos de liberação de recursos.
  Na área da política internacional eu
ressalto os grandes avanços institucionais nos
dois continentes. Saúdo na América do Sul, a
formação da Unasul que une todos os países
do continente, e que tem afirmado um perfil
muito claro em favor do desenvolvimento, da
distribuição de renda, da ampliação da renda,
do emprego e da democracia em nossos países.
A União Africana, por sua vez, pavimenta
a construção da paz e a consolidação da
democracia nesse lado do Atlântico. Unasul e
União Africana são dois elementos cruciais da
ASA e da nossa cooperação.
  Em janeiro, em Montevidéu, fortalecemos
nossa Zona de Paz e Cooperação do
Atlântico Sul, a ZOPACAS. Os acordos da
Comunidade Econômica dos Estados da
África Central evitaram a escalada de conflito.
A Comunidade Econômica dos Estados da
África Ocidental e a CPLP  Comunidade
dos Países de Língua Portuguesa têm apoiado
a ordem constitucional. A situação no Sahel
suscita preocupações. Consideramos que o
encaminhamento para a situação no Mali
deve seguir moldura definida pelo Conselho
de Segurança da ONU e envolver - sobretudo
e essencialmente  a participação de países
africanos.
  Para o Brasil é urgente a reforma da ONU.
Nada justifica que África e América do Sul
permaneçam sem representação permanente
no Conselho de Segurança. É também
urgente a reforma na governança do Fundo
Monetário Internacional e do Banco Mundial
para que esses organismos multilaterais sejam
mais sintonizados com as demandas, com
os pleitos e com os anseios do mundo em




34

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013



desenvolvimento.
  Na Conferência Rio+20 nós incorporamos
crescimento com a inclusão social à agenda da
sustentabilidade. Os interesses comerciais e
as nossas parcerias econômicas recomendam
esforços articulados para expressão dos
nossos interesses na Organização Mundial do
Comércio. Temos a oportunidade de constituir
um amplo entendimento na eleição do novo
diretor-geral dessa importante instituição
multilateral. O Brasil oferece uma candidatura.
  Senhoras e senhores, estamos unidos em um
grande projeto comum. Um projeto de crescente
aproximação e de objetivos compartilhados.
Uma parceria entre iguais, diferentemente
do que fizeram conosco ao longo de várias
e várias décadas. Uma parceria entre iguais
que se constrói no respeito mútuo, voltada
para o desenvolvimento e para o bem-estar
de seus povos. Uma parceria que não admite
que se introduza em qualquer relacionamento
entre os nossos países ou nossas empresas
exigências extra-pauta, exigências estranhas
e muitas vezes que não atendem o interesse
das nossas nações. Sobretudo exigimos uma
parceria voltada para o desenvolvimento e o
bem-estar dos nossos povos em que ela só é
admissível se nós todos ganharmos.
  Acredito, do fundo do coração, que o século
21, as próximas décadas, serão de afirmação do
mundo em desenvolvimento e, especialmente,
da África e da América Latina. Nós temos a
oportunidade histórica de reduzir a distância,
tanto econômica quanto social, que ainda nos
separa dos países mais avançados. Seremos
 África e América do Sul  protagonistas
decisivos desse novo cenário histórico e de
uma cultura de paz, solidariedade, justiça
social e cooperação fraterna. Alegra e honra
pensar que nós podemos fazê-lo juntos. Viva
a Unasul e a América do Sul. Viva a África.
Viva a Ásia. Vamos juntos. Muito obrigada.



                                                Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	35

























































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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013










DISCURSO DA PRESIDENTA DA REPÚBLICA, DILMA ROUSSEFF,
                   APÓS CERIMÔNIA DE ASSINATURA DE ATOS
                   ABUJA, NIGÉRIA, 23 DE FEVEREIRO DE 2013

                       
                       
                       
                       
                       
                       
                       

  (...) Cumprimentar as delegações brasileira
e nigeriana.
  Cumprimentar	os	nossos	jornalistas,
fotógrafos e cinegrafistas.
  É, sem dúvida, um prazer estar aqui na
capital da Nigéria e dar continuidade ao
diálogo iniciado com o presidente Goodluck
Jonathan na Rio+20.
  Eu queria demonstrar meu profundo
agradecimento à hospitalidade do governo
e do povo nigeriano. O povo brasileiro vai
retribuí-la, em junho deste ano, com uma
calorosa acolhida à sua talentosa seleção de
futebol durante a Copa das Confederações -
dentro, portanto, de alguns meses.
  O povo brasileiro e o povo nigeriano
compartilham muitas coisas. Sem sombra de
dúvidas, entre as numerosas etnias africanas, e
com a diáspora, foram ao Brasil a etnia iorubá
ou yoruba e a etnia haussá integram, hoje -
através da sua contribuição cultural, artística
- integram a nacionalidade brasileira.
  Por isso, além de ser importante porque
os nossos dois países são países importantes
nas nossas respectivas regiões e nesse mundo
multipolar, há o estreitamento das relações
entre o Brasil e a Nigéria. Sem sombra de
dúvida, vai significar um aumento da nossa

posição internacional.
  Por isso, instituímos hoje o mecanismo do
diálogo estratégico Brasil-Nigéria, e se destina
a incrementar tanto o comércio bilateral quanto
estimular parcerias tecnológicas, cientificas,
e fortalecer nossos parques industriais e
produtivos. Mas eu insisto, sobretudo,
significa reafirmar a importância de duas
regiões do mundo, África e América Latina,
na construção de um mundo multipolar.
  O ex-presidente Nigeriano Obasanjo, e o
ex-presidente Lula estabeleceram as linhas
ao formatar na ASA, África e South America
Summit, ao formatar este relacionamento,
tiveram a visão estratégica, que cabe a mim e
ao presidente Jonathan realizar.
  Nosso intercâmbio tem crescido muito.
De 2009 à 2012, anos de crise, cresceu e já
chegamos no último ano a US$ 9 bilhões.
Nós concordamos que é preciso torná-lo mais
diversificado e mais equilibrado. Há 14 anos
a Petrobras está aqui na Nigéria produzindo
petróleo, pretende ampliar essa produção
e pretende estabelecer cada vez mais uma
presença marcante aqui na Nigéria.
  Nós queremos ir além, nós queremos
estabelecer uma parceria, também, na área de
energia elétrica dada a capacidade do Brasil




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	37




na área de geração hídrica e na construção de
um grande sistema de transmissão. Queremos,
portanto, ampliar a nossa parceria nessa área.
  Queremos	intensificar	o	apoio	aos
esforços do governo nigeriano em prol do
desenvolvimento agropecuário. Pretendemos
compartilhar nossa experiência em máquinas,
equipamentos agrícolas, no fato de que novos
métodos e técnicas produtivas adaptados
ao Cerrado são adequados aqui na Nigéria
dado - isso que o presidente Jonathan marcou
muito bem - que é o fato de sairmos de um
mesmo continente. Vamos aprofundar nossa
parceria por meio da Embrapa, que é a
Empresa Brasileira de Tecnologia [Pesquisa]
Agropecuária. Nós vamos, sobretudo, dedicar
uma atenção especial à formação profissional
de técnicos e agrônomos, seja em áreas de pós-
graduação, de graduação, quanto de formação
técnica.
  Estamos analisando novos instrumentos
de	financiamento,	de	investimentos	em
infra-estrutura. E vamos ampliar a presença
do Brasil em todas as áreas que o governo
nigeriano	julgar	importante	tais	como:
produção	de	vacinas	antirretrovirais,
medicamentos genéricos de alto custo, dando
apoio ao governo nigeriano nos seus esforços
no âmbito de saúde pública.
  Nós concordamos em trocar conhecimentos
e experiências de combate à pobreza, e
segurança alimentar, que os nossos dois países
têm de enfrentar.
  Estamos muito honrados com o fato, o fato
do Brasil ser o tema do Festival de Cultura
Negra em Lagos, em outubro de 2013. E deste
festival nós participaremos de forma muito
ativa.
  Vamos	cooperar	na	área	de	defesa
e	segurança.	E	na	área	internacional,
defendemos a necessidade da presença da
África e da América Latina no Conselho de
Segurança das Nações Unidas.
   
Conversamos também sobre a
importância de participarmos na estabilidade,
principalmente, no caso da Guiné Bissau. O
Brasil e a Nigéria são países com grandes
populações. Somos ricos em recursos naturais.
Culturalmente, etnicamente dizendo, temos
uma rica cultura.
  O Brasil e a Nigéria são países que têm
um papel neste século XXI, eu estou certa,
e nós temos um papel a cumprir enquanto
a crise econômica, que atinge os países
desenvolvidos, diminui o comércio naquela
direção. Nós devemos estreitar as nossas
relações, ampliar o nosso comércio, aumentar
os nossos investimentos. Sem dúvida, a
Nigéria é parte relevante da história do Brasil,
e será, cada vez mais, parte do nosso futuro.
  Muito obrigada.

   
   

38

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013










DISCURSO DA PRESIDENTA DA REPÚBLICA, DILMA ROUSSEFF,
 DURANTE ALMOÇO EM SUA HOMENAGEM OFERECIDO PELO
           PRESIDENTE DA REPÚBLICA FEDERAL DA NIGÉRIA,
                                GOODLUCK EBELE JONATHAN
                   ABUJA, NIGÉRIA, 23 DE FEVEREIRO DE 2013

                       
                       
                       
                       

  É com grande alegria que realizo a minha
primeira visita oficial à Nigéria, nação com
a qual o Brasil mantém sólidas relações de
amizade e cooperação.
  Agradeço o comparecimento do presidente
Goodluck à Rio+20, e venho dar continuidade
ao diálogo que iniciamos lá no Rio de Janeiro.
  O	acordo	que	nós	assinamos	hoje,
estabelecendo	mecanismo	de	diálogo
estratégico, que será presidido pelos nossos
vice-presidentes, o que evidencia a importância
que nós damos ao nosso relacionamento, vai
permitir a ampliação da nossa cooperação,
vai permitir o estreitamento dos nossos laços
culturais, vai permitir que Brasil e Nigéria
reforcem mutuamente a importância nacional,
regional, e, sobretudo, a presença nos
organismos multilaterais.
  Nós	vamos	trabalhar	séria	e
determinadamente para tornar cada vez
mais equilibradas e mais produtivas as
nossas relações de comércio. Vamos, somar
esforços	em	projetos	de	infraestrutura,
buscando maior participação de empresas
brasileiras na Nigéria e construindo formas
de financiamento mais adequadas. Daremos
atenção a iniciativas de geração elétrica,
construção viária, desenvolvimento agrícola,

ciência e tecnologia, formação de recursos
humanos, produção de medicamentos
genéricos e vacinas.
  Mas eu quero falar agora, sobretudo, da
amizade, da gratidão e da fraternidade que une
o Brasil e a Nigéria. Pela imensa contribuição
da Nigéria e da África na formação da
sociedade brasileira. Nossa história, nossos
povos, nossa cultura se entrelaçam e carregam
marcas de um passado colonial doloroso,
que temos obrigação de superar, estreitando
ossos vínculos, ampliando a nossa amizade,
construindo uma cooperação fraterna, e
permitindo que as nossas sociedades busquem
um desenvolvimento econômico socialmente
inclusivo.
  Brasil e Nigéria querem construir
sociedades mais justas, mais desenvolvidas,
democráticas e isentas de conflitos. A Nigéria
e o Brasil constituem eixo importante da
Cooperação Sul-Sul. A Cooperação Sul-Sul
não é uma fórmula vazia, ela expressa a nossa
crítica às formas chamadas cooperativas,
que países coloniais do passado e alguns
países desenvolvidos deste século, tentaram
estabelecercomasnaçõesemdesenvolvimento.
E essa crítica está baseada no reconhecimento
que a cooperação verdadeira está baseada




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	39




numa visão que respeita interesses mútuos,
características de cada país, e tem por objetivo
construir uma forma de relacionamento que
leve ao desenvolvimento de ambos os países.
Acredito	que	temos	nossa	contribuição
importante a dar à Cúpula América do Sul e
África, construída em Malabo.
  Queridos amigos e amigas presentes,
brasileiros e nigerianos,
  O Festival da Cultura Negra de Lagos,
em outubro deste ano, que será dedicado
ao	Brasil,	celebrará	nossas	múltiplas
afinidades. Iremos participar ativamente dele
e transformá-lo numa celebração das nossas
culturas. Convergimos na aspiração de tornar
a ordem internacional mais democrática e
justa. As instituições de governança global
não podem ignorar a crescente importância da
África e da América do Sul. E isso deve estar
expresso numa das principais instituições, que
é o Conselho de Segurança da ONU.
  Temos	buscado	também,	senhoras
e senhores, atuar em sintonia com as
organizações africanas. Apreciamos o papel da
Nigéria, da União Africana na manutenção da
paz e da estabilidade regional. Nossos países
devem trabalhar conjuntamente em benefício
da construção da paz e da estabilidade da
Guiné Bissau.
  Caro presidente e amigo Jonathan, quero
aproveitar esta oportunidade para congratulá-
lo e ao povo nigeriano pela recente conquista
da Seleção Nigeriana de Futebol este ano da
Copa Africana de Nações. Asseguro que sua
seleção será muito bem recebida no Brasil, em
junho, para a Copa das Confederações. Tenho
certeza que o presidente Goodluck Jonathan e
eu assistiremos juntos a final Brasil e Nigéria
no Maracanã.
  Senhor presidente,
  Vamos nos unir mais uma vez em
momento de grande alegria popular, que é
uma característica de brasileiros e nigerianos.

Como diria o grande escritor Chinua Achebe,
vamos iluminar a nossa Cooperação Sul-Sul
baseados na convicção que expressa num
trecho que ele escreveu: deixe que venham
ver homens, mulheres e crianças que sabem
como viver, cuja alegria de viver ainda não foi
afastada por aqueles que se crêem capazes de
ensinar as outras nações como viver.
  Agradecemos, senhor presidente, a generosa
hospitalidade que o povo nigeriano concedeu
a mim e à minha delegação, proponho um
brinde à saúde de vossa excelência, ao povo
nigeriano e à amizade do Brasil e a Nigéria.
  Muito obrigada.

   
   

40

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013










  DISCURSO DO MINISTRO DE ESTADO DAS RELAÇÕES EXTERIORES
POR OCASIÃO DA 22ª SESSÃO DO CONSELHO DE DIREITOS HUMANOS
                   DAS NAÇÕES UNIDAS (SEGMENTO DE ALTO NÍVEL)
                                  GENEBRA, 25 DE FEVEREIRO DE 2013

                                        
                                        
                                        
                                        
                                        
                                        

  (original em inglês)
   
  At the outset, allow me to congratulate
you, Ambassador Henczel, on your election as
President of this Council. I also wish to express
our appreciation for the work carried out by the
UN High Commissioner for Human Rights, Mrs.
Navi Pillay, who has been a strong voice in favor of
justice, freedom and peace.
  I wish to thank all Delegations for electing Brazil
for a new term of membership of this important
Council. Brazil sees its participation in this Council
in the next three years as an opportunity to:
  a) on one hand, to continue to advance and
promote human rights at the national level, in their
entire spectrum  civil, political, social, economic
and cultural rights  including through an active
interaction with the multilateral system; and
  b) on the other, to work in Geneva alongside
all Delegations, from developing and developed
countries, and all regions, to improve the lives
of human beings, through a balanced and non-
selective approach to human rights, without futile
accusations and paralyzing polarizations.
  Indeed, the protection of human rights is
enshrined in our Constitution as one of the guiding
principles of Brazils foreign policy. And it is
appropriate that it should be so. In our endeavors

to build a better world, a world of sustainable
development, social justice and peace, we must
strengthen our multilateral mechanisms for
cooperation. And, ethics and values must be an
inseparable part of our action.
  Here as elsewhere, acknowledging that
there are challenges at home is an important and
indispensable step in order to start to overcome
them. Acknowledging a past of human rights
violations is often also necessary in avoiding
counterproductive attitudes of arrogance.
Discussing problems honestly is part of sound
democratic practice, as is the readiness to engage
with representatives of civil society.
  It was in this spirit that Brazil participated, in
May 2012, in the discussion of our own situation
under the Universal Periodic Review. (Let me
say that, given the universal character of the
Universal Periodic Review, which we consider
one of the main achievements of this Council, we
are disturbed by recent episodes of unsatisfactory
cooperation.) It is in the same democratic spirit that
we maintain a permanent and standing invitation to
all special rapporteurs working under the authority
of the Human Rights Council.
  Overthelastfewyears,Brazilhastakenimportant
initiatives that have had a transformational impact
on human rights. I will highlight a few of them.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	41




   In November 2011, our Congress passed a
new law ensuring public access to information.
One of the key principles in that new piece of
legislation is that no restriction of access to
information will be allowed in matters related
to human rights violations by public agents.
In a broader sense, the new law has meant an
enormous step forward in ensuring respect for
the right of citizens to information.
  Brazil also established, in May 2012, a
National	Truth	Commission,	empowered
to examine and to clarify past human rights
violations in Brazil, with a view to safeguarding
the right to memory and historical truth.
  Asregardseconomicandsocialrights,wehave
made unprecedented progress under such social
programs as Bolsa Família. President Dilma
Rousseff has made the complete elimination of
extreme poverty a national priority. Just a few
days ago, she signed a further extension of the
Bolsa Família program that will respond to
the needs of the remaining 2.5 million Brazilians
who still face a situation of extreme poverty. All
in all, with these new measures, some 40 million
Brazilians will have been lifted out of extreme
poverty within less than a decade. And I do not
have to stress how essential the eradication of
poverty is for the full exercise of citizenship and
enjoyment of human rights.
  Combating racial discrimination has been
another priority. A number of programs have been
developed to promote equal opportunity and the
protection of vulnerable groups, such as women,
children, the elderly and persons with disabilities.
In October 2012, a new law was enacted to
ensure minimum quotas in Brazilian Universities
for students from public schools, in particular
Afro-Descendants and indigenous people. And
an important ruling by our Supreme Court has
confirmed that the quota system for access to
Universities is fully constitutional.
  Important steps are also being taken to prevent
discrimination on the basis of sexual orientation.
   
We are keenly aware that we still have work to
do on human rights at the domestic level. There
are still a number of significant challenges in many
areas, that were identified during our recent UPR.
  We will move forward by means of domestic
initiatives and also through our cooperation with
the UN and other international mechanisms for the
protection and promotion of human rights.
  I stress the word cooperation because I am
convinced that it conveys the essential framework,
the keystone for a result-oriented approach to
human rights in the multilateral system.
  We are convinced that, in a multilateral body
such as this Council  a body based on international
law and on the willingness of Member States to
work together to improve life in all countries  it
should be possible to protect and promote human
rights without selectivity, without politicization,
without North-South schisms, in a manner that
impacts the lives of individuals, and enhances
human dignity throughout the world.
  In this context, I believe that the panel
the Power of Empowered Women, that will
take place here tomorrow, and the proposed
resolution to combat racism through education
are important initiatives in which Brazil will be
taking a leading role.
  Mr. President,
  The Rio+20 Conference, held last year,
provided renewed guidelines for the promotion
of multilateral cooperation to foster sustainable
development. The final document adopted at the
Conference  entitled The Future We Want 
started by acknowledging that the eradication of
poverty is the greatest global challenge facing the
world today. The human right to development
and human right to food are integral parts of this
challenge.
  Human rights are inseparably linked to
sustainable development, just as they are
inseparably linked to peace. We find an
illustration of this notion in the efforts to
promote development in post-conflict situations.




42

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




Ensuring the right to food, for example by
means of rural development, can prove central
to stabilization, which, in its turn, creates
a favorable environment for human rights,
freedom and peace.
  This year we celebrate the 20th anniversary
of the Vienna Conference, which set up the
agreed principle that all human rights are
indivisible, and that democracy, human rights
and development are mutually reinforcing.
  Such indivisibility of human rights cannot
be understood to mean that some conditions
must be fulfilled before human rights can be
respected. Human rights must be respected here
and now, without pre-conditions.
  Mr. President,
  We are convinced that human rights cannot
be imposed from the outside, least of all
through resort to military force. In fact, armed
conflicts are a breeding ground for human rights
violations. Conversely, the prevention of armed
conflict should be also seen as an effective way
to safeguard respect for human rights.
  Much has been said about the fact that
situations where governments fail to protect
their own population are unacceptable. There is
indeed an international consensus on the need
for coordinated efforts to face these situations.
However, it is also necessary to recognize that
the international community has been lacking
the political will to effectively deal with
fundamental questions concerning the adequate
protection of civilian populations.
  These questions include areas such as the
promotion of sustainable development and
financing	for	development;	disarmament
and non-proliferation; the illegal and poorly
monitored flow of small arms; the present
stagnation of the system of global political
governance, in particular the lack of reform
of the UN Security Council; and the troubling
paralysis in the Israeli-Palestinian peace-process.
  The prevention of conflict and the peaceful

settlement of disputes reduce the suffering
of civilians. The responsibility to protect
must be accompanied by the Responsibility
while Protecting, in particular when military
intervention is authorized and considered
potentially beneficial by the UN Security
Council. It goes without saying  but it is worth
stressing  that initiatives aimed at protecting
civilians must respect human rights and
International Humanitarian Law, including in
the context of efforts to combat terrorism.
  Mr. President,
  Brazil follows with great distress the spiral of
violence in Syria, where the number of casualties
 mostly civilian casualties  is staggering.
This Council has established a Commission of
Inquiry to investigate human rights violations in
Syria. The reports are appalling.
  Brazil, which in the past has received a great
number of immigrants from Syria, feels deeply
concerned and saddened by the tragedy that is
unfolding in a country to which we are so closely
linked. The fact that we maintained our Embassy
open in Damascus has helped Syrians to come to
Brazil in safety. We urge all parties involved, and
most particularly the Government of Syria, to
end the violence and to make dialogue possible.
  We would like to call this Councils attention
to the findings of the Commission of Inquiry
that highlight the negative effects of unilateral
economic sanctions, imposed by some countries,
on the Syrian people.
  We support the efforts of the Joint Special
Representative, Mr. Lakhdar Brahimi, and we
believe that the document produced last year
by the Syria Action Group, here in Geneva, still
provides a rational basis on which to work to
prevent further militarization and to promote a
Syrian-led political transition.
  Mr. President,
  The lack of progress in dealing with the
situation between Israel and Palestine is simply
unacceptable. Year after year, the impasse




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	43




remains and we watch the crystallization of an
unjust status quo which is deeply detrimental to
one of the sides, deepens resentments, makes a
two-state solution more elusive and in the final
analysis benefits no one.
  Existing mechanisms, such as the Quartet,
have not delivered results. The Israel-Palestine
conflict is one of the most serious sources of
tension in current international relations, a
scenario of serious human rights challenges
and a pressing threat to international peace and
security.
  Let me say that not all is discouraging
when it comes to relations between Israelis
and Palestinians. In a recent trip to the region,
I was deeply moved by initiatives taken by civil
society such as Parents circle: Families Forum,
which brings together families who have lost
their loved ones in the conflict yet reach out to
each other through an agenda for solidarity and
peace.
  Mr. President,
  Throughout the world, there are many other
situations in which civilians are under threat
of violence. The attention of this Council can
help to minimize such threats. The protection
of civilians must be implemented in a universal
and non-selective manner.
  It is positive that the Special Rapporteur
on Human Rights and Counter-Terrorism has
decided to investigate the impact of the use of
drones on civilians.
  For quite some time, the United Nations has
been pursuing work on the problem of summary
or arbitrary executions. It is indeed a serious
problem, one that affects the fundamental notion
that everyone is equally entitled under the law to
his or her right to life, that everyone has the right
to be presumed innocent until proven guilty. As
we know, it is called due process of law and
it is a core concept for the protection of human
rights. The United Nations must proceed with
its work in defense of due process and to help

eradicate summary executions.
  Under this heading, this Council must also
pay attention to the unfortunate fact that religious
intolerance seems to be on the rise in some parts
of the world, including in highly developed
countries. Brazil has been expressing its concern
in particular over the increased manifestations of
islamophobia. We condemn such practices in the
strongest terms and we reiterate our conviction
that the international community must remain
vigilant when it comes to racism and xenophobia.
As we know, racial discrimination, under
whatever form, is incompatible with democracy
and human rights.
  Mr. President,
  Twenty years after the adoption of the Vienna
Program of Action, and fifty-five years after
the Universal Declaration of Human Rights,
the leadership of the United Nations remains
indispensable.
  The UN has the power to offer glimpses of
hope, even in places where none would seem
to be possible. And whoever has the power of
awakening hope has also the power to change
reality.
  But this power of the UN will only become
effective if we  that is, the states that are
represented here  are convinced that the task
is indeed important and urgent, if we are wise
enough to simultaneously understand differences
and build consensus on common values, and if
we have the courage to accept the difficult and
sometimes exhausting challenge of dialogue.
  Mr. President,
  Brazilwillparticipateintheintergovernmental
deliberations in this Council in close contact with
representatives of the civil society and inspired
by a strong commitment to multilateralism, on
one hand, and to a progressive humanism on the
other, always in a spirit of cooperation and open
to dialogue.
  Thank you very much.

   
   

44

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013










 REUNIÃO DE CHANCELERES DA III CÚPULA DE CHEFES DE ESTADO
  E DE GOVERNO AMÉRICA DO SUL-ÁFRICA (ASA)  TEXTO-BASE DO
DISCURSO DO MINISTRO ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA - MALABO,
                      GUINÉ EQUATORIAL, 21 DE FEVEREIRO DE 2013

                          
                          
                          
                          
                          
                          

  A Cúpula América do Sul-África (ASA)
representa o encontro de dois compromissos
centrais da política externa do Brasil. Por um
lado, o compromisso com a integração sul-
americana. Por outro, com o aprofundamento
das relações com o continente africano, que
vemos como nossa vizinhança e ao qual
somos ligados por profundos laços históricos,
culturais e de sangue.
  Do encontro desses dois movimentos e do
diálogo com nossos parceiros sul-americanos
e africanos nasceu o projeto inovador da
Cúpula ASA, que se inspirou no sucesso de
outro mecanismo semelhante, o da Cúpula
América do Sul-Países Árabes (ASPA), que
reuniu-se no ano passado em Lima, sobre a
hábil presidencia do Peru.
  A III Cúpula ASA é um momento de
reafirmação do compromisso político com a
busca de novas modalidades de aproximação
entre nossos dois continentes.
  Num	mundo	em	que	as	relações
de poder entre o mundo desenvolvido
e	em	desenvolvimento	vem	sofrendo
transformações importantes, América do Sul
e África despontam como regiões de renovado
dinamismo e perspectivas promissoras de
desenvolvimento.
   
A soma, entre os dois continentes, de um
território de 48 milhões de km2, com todo tipo
de recursos naturais e notável biodiversidade,
e de uma população jovem, inovadora e
sedenta por desenvolvimento de 1,4 bilhão
de pessoas é uma força que desempenhará
cada vez mais a nosso favor. As economias de
nossas regiões, que somam um PIB conjunto
de mais de US$ 6 trilhões, crescem a taxas
superiores à média mundial, com crescente e
consistente processo de inclusão social. Somos
zonas livres de armas de destruição de massa,
constituída por países comprometidos com o
direito internacional e o multilateralismo.
  Hoje, abre-se espaço para que a voz da
América do Sul e da África, como países
em desenvolvimento, seja cada vez mais
ouvida. É fundamental aproveitar o momento
promover a discussão da necessidade de
maior participação de nossos países nos foros
da governança global.

  Campo político - O Conselho de Segurança
da ONU reflete uma ordem internacional
que não existe mais. O CSNU não tem
membros africanos ou sul-americanos no seu
núcleo decisório de membros permanentes.
Sua ampliação, com novos assentos




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	45




permanentes e não permanentes para países
em desenvolvimento, é essencial para torná-
lo mais legítimo e representativo.Afinal
de contas, juntos América do Sul e África
representam 66 países membros das Nações
Unidas.
  Campo econômico - É fundamental avançar
a reforma do FMI acordada em 2010, de forma
que os países em desenvolvimento, incluindo
os de menor desenvolvimento relativo, tenham
maior participação na instituição. Na OMC,
devemos aproveitar a oportunidade para eleger
um novo Diretor-Geral proveniente de um
país em desenvolvimento, preferencialmente
da América do Sul ou da África. O candidato
brasileiro, o Embaixador Roberto Azevedo,
está presente nesta reunião.
  Na América do Sul e na África, persistem
desafios que são comuns. A erradicação
da	pobreza,	a	garantia	da	segurança
pública, a promoção da competitividade
econômica e a distribuição mais equitativa
da renda proveniente de nossos recursos
naturais são apenas alguns dos desafios que
compartilhamos.
  Em especial, nos preocupam muito situações
de crise no continente africano. Guiné-Bissau:
enfatizamos a necessidade de que os principais
atores internacionais cooperem para garantir
uma ação coordenada no encaminhamento da
crise que o país atravessa. Mali: esperamos
que o tratamento da crise se faça na moldura
e com monitoramento do CSNU, e com
protagismo do próprio continente africano
  Cada um de nossos países busca dar resposta
individual a desafios do desenvolvimento. Mas
também é possível buscar respostas coletivas,
ou ao menos encontrar na experiência do outro
inspiração para superar entraves ao próprio
desenvolvimento.
  O Brasil tem algo a oferecer e quer
contribuir com o desenvolvimento sustentável
da África. A cooperação técnica brasileira,

pautada pela solidariedade e pela ausência
de condicionalidades, direciona metade de
seu orçamento à África e beneficia hoje 40
países do continente em áreas como segurança
alimentar, agricultura, educação, políticas
sociais, patrimônio histórico e administração
pública.
  Como Governo, temos limitações
financeiras, razão pela qual nos interessa
explorar fontes de financiamento novas.
Desenvolvemos projetos de cooperação em
arranjos trilaterais, com o financiamento
de terceiros países (temos longa história
de parceria com o Japão por exemplo), e,
crescentemente, buscamos envolver o setor
privado em projetos com vertente econômico-
comercial que se mostram viáveis (Por
exemplo o projeto de cotonicultura no Sudão).
  É nesse marco que acreditamos e somos
um permanente proponente da cooperação
Sul-Sul. Não a vemos como um contrapeso
ideológico à cooperação tradicional, norte e
sul, mas sim, em sua versão moderna, como a
procura de modalidades de desenvolvimento
que articulem, em benefício mútuo, uma
rede de interesses e sinergias entre Estados,
empresas e sociedades que ainda não foi
inteiramente explorada.
  O projeto de aproximação birregional da
ASA requer liderança governamental, mas,
para que tenha efeitos estratégicos de longo
prazo, deve também envolver o empresariado
e a sociedade civil.
  Há ainda entre nossas regiões um sério
déficit de conhecimento mútuo, conectividade
e comunicação física. Podemos comemorar,
por outro lado, o fato de que de que o
intercâmbio comercial entre as duas regiões
multiplicou-se por cinco entre 2002 e 2011.
Se examinarmos o comércio entre Brasil
e África, ele passou de US$ 5 bilhões, em
2002, para US$ 26,5 bilhões, em 2012. Mas
é essencial continuar a construir pontes --por




46

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




meio de linhas marítimas e aéreas, cabos de
fibras óticas, turismo e encontros culturais--
para que haja uma genuína aproximação entre
nossas sociedades.
  Senhoras e Senhores, na qualidade de
Coordenador Nacional da América do Sul,
vejo que, desde a Reunião de Chanceleres
que ocorreu neste cidade, em novembro de
2011, e da qual eu tive a honra qde participar,
começamos a trilhar um caminho promissor
no sentido dessa nova cooperação Sul-Sul que
buscamos.
  Considero muito positivo, que, no último
ano e meio, a ASA tenha-se centrado, em
grande parte, nas atividades dos Grupos de
Trabalho.
  Estou convencido de que devemos investir
nosso tempo e esforços na elaboração de
bons projetos, que possam ser executados por
estruturas de cooperação já existentes. Para
bons projetos, não faltarão recursos. Parece-
me um caminho muito mais promissor do que
a da criação de novas e complexas estruturas.
  Como Coordenador, o Brasil:
  - sediou três Reuniões deAltos Funcionários
Sul-Americanos;
  - reativou o Comitê de Coordenação de
Embaixadores;
  - organizou reuniões dos dois GTs que co-
preside (Ciência, Tecnologia e Inovação; e
Infraestrutura, Energia e Transporte).
  Devemos celebrar o fato de que, após esta
sessão de abertura, se reunirão três mesas
redondas empresariais, sobre infraestrutura,
energia e transportes (organizada pelo Brasil),
oportunidades de comércio e investimentos
e agricultura e inovação.
  Em paralelo à Cúpula, estão acontecendo
também importantes eventos culturais, alguns
dos quais organizados pelo Brasil. Nós, sul-
americanos, procuramos trazer um pouco
da cultura de nosso continente para Malabo
e descobrimos que quando nos associamos

no plano cultural a verdade é que falamos a
mesma língua.
  Penso que, na linha dessa nova Cooperação
Sul-Sul, poderíamos explorar a idéia de
organizar um Fórum da Sociedade Civil à
margem de futuras reuniões.
  O engajamento do Brasil com a África é
uma política de longo prazo. Temos relações
diplomáticas com todos os países de continente
africano, mantemos 37 Embaixadas residentes,
na verdade somos o 5o país não africano com
maior número de embaixadas na região. Esse
movimento vem sendo reciprocado pelos
países africanos, que têm hoje 34 Embaixadas
em Brasília. E elas tem continuado a aumentar
ano a ano, em uma proporção continua.
  Nossas relações diplomáticas se
desenvolvem em diversos planos:
  - no bilateral;com cada membro da
União Africana, cada nação africana aqui
representada.
  - no das relações entre mecanismos
subregionais, como, por exemplo, no Acordo
de Comércio Preferencial entre o Mercosul e
a SACU;
  - no plano birregional da ASA; entre
América do Sul e África
  - no multilateral reduzido, como é o caso da
Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
(CPLP); que também incluem países de outros
continentes
  - e no multilateral ampliado das Nações
Unidas e da Organização Mundial do
Comércio, entre outras.
  Importantes empresas brasileiras, sobretudo
nos setores de infraestrutura e mineração,
estão presentes no continente e, ao poucos,
empresas médias começam a despertar para
as grandes oportunidades por aqui existentes.
  A sociedade brasileira, que se reconhece
cada vez mais como afro-descendente, está
começando a resconstruir, em termos novos, a
ligação ancestral com este verdadeiro Velho




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	47




Continente.
  Senhoras e Senhores, como disse o
antropólogo brasileiro Gilberto Freyre, um
dos mais importantes intelectuais brasileiros,
a África civilizou o Brasil.
  A verdade é que a África civilizou boa
parte da América do Sul, o que faz deste um
encontro entre irmãos.
  No passado, o Atlântico Sul foi marcado
por séculos de violações sistemáticas dos
direitos humanos em que milhões de africanos
migraram para o nosso continente como
escravos.
  Hoje, em contraste, com aquele passado
atentatório à dignidade humana, trabalhamos
juntos	para	a	construção,	em	nossas
regiões, de sociedades que conjuguem paz,
desenvolvimento sustentável e justiça social,
em benefício de uma ordem internacional
mais democrática.
  Desejo êxito aos nossos trabalhos.

   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   

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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013










                     DISCURSO PROFERIDO PELO EMBAIXADOR
EDUARDO DOS SANTOS POR OCASIÃO DA CERIMÔNIA DE POSSE
           NA SECRETARIA-GERAL DAS RELAÇÕES EXTERIORES
                                  BRASÍLIA, 1º DE MARÇO DE 2013

                                        
                                        
                                        
                                        
                                        
                                        

  [NOMINATA]
   
  Inicialmente, os agradecimentos, e o
primeiro deles é dirigido à Excelentíssima
Senhora Presidenta da República, Dilma
Rousseff, por haver acolhido a indicação
de meu nome, pelo Ministro de Estado,
para ocupar o cargo de Secretário-Geral das
Relações Exteriores.
  Todo meu reconhecimento ao Ministro
Antonio	Patriota	pela	confiança,	pela
generosidade das palavras que acabou de
proferir, e pela oportunidade de continuar,
como seu auxiliar direto, a servir ao Brasil, ao
governo da Presidenta Dilma e ao Itamaraty.
Será para mim uma honra acompanhar o
Ministro em um momento singular e desafiante
na vida da instituição à qual pertencemos.
Será muito motivador participar, ao seu lado,
de um momento de conquistas e perspectivas
promissoras na política externa, resultantes
das transformações inegáveis que fazem hoje
do Brasil um país mais forte e mais justo.
  Uma palavra de gratidão quero transmitir
ao Embaixador Ruy Nogueira, extensiva à
Guida. Ao Embaixador Ruy Nogueira sucedo
na Secretaria-Geral. Ruy é um amigo de longa
data, trabalhamos juntos, ou próximos, em

mais de uma ocasião, e ele sempre foi para mim
um exemplo de profissionalismo, de espírito
público e de abnegada dedicação à Casa. Sou-
lhe devedor por haver compartilhado comigo,
ao longo dos últimos meses, suas experiências
na Secretaria-Geral, suas visões dos problemas
da Casa e também seu modo perspicaz,
disciplinado e sempre bem humorado de
enfrentar o cotidiano da diplomacia. Irei, a
cada dia, refletir sobre seus ensinamentos e
beneficiar-me de seus conselhos.
  Um decreto de 1918, na gestão Nilo
Peçanha, instituiu, pela primeira vez na
estrutura do Itamaraty, a figura do Secretário-
Geral, definido então como o funcionário
destinado a manter a tradição do Ministério.
O cargo antes denominava-se Diretor-Geral
da Secretaria de Estado e, entre o Império
e o início da República, fora ocupado pelo
Visconde de Cabo Frio durante mais de trinta
anos, quase quarenta anos.
  O que significa tradição do Itamaraty?
Diplomatas de todas as gerações nos
acostumamos orgulhosamente com esse
conceito. Creio que ele exprime o patrimônio
de realizações que a diplomacia brasileira
tem legado ao país, desde a independência
e a formação das fronteiras. Patrimônio




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	49




que, ao longo do tempo, invariavelmente
se manifestou em contribuições efetivas à
projeção internacional do Brasil e ao seu
processo de desenvolvimento.
  Hoje, nada mais ilustrativo desse fato do
que o engajamento da Casa no cumprimento
das diretrizes da política externa da Presidenta
Dilma Rousseff, sob a execução do Ministro
Patriota.
  O Itamaraty, tempos atrás, podia ser
comparado a uma família. Hoje talvez mais
se assemelhe a uma grande organização,
tamanha a atual estrutura da Secretaria de
Estado, ampliada que foi sua rede de postos
no	exterior,	atualizada	sua	capacidade
orçamentária, consideradas as necessidades
constantes de reforço de seu quadro de
pessoal e, sobretudo, se levarmos em conta o
tanto que cresceu - em termos de variedade e
complexidade de temas - a agenda da política
externa.
  Contudo, mais que família ou organização,
somos fundamentalmente uma instituição do
Estado. Uma instituição, como tantas outras,
partícipe do estado democrático de direito;
comprometida com os valores republicanos da
transparência, da ética, da prestação de contas
e do serviço à sociedade; instituição que
exerce a genuína vocação de paz e progresso
do povo brasileiro, a busca da integração com
nossos vizinhos e a ativa participação nos
negócios mundiais.
  Algo que aprendemos nos anos recentes
de transformação política, econômica e
social por que tem passado o Brasil foi
justamente adquirir consciência de nossas
responsabilidades acrescidas.
  Um país que hoje emerge no plano
internacional com políticas de crescimento
econômico, de inclusão social, de combate
à pobreza e à miséria, de desenvolvimento
sustentável,	de	fortalecimento	das
infraestruturas,	de	avanço	científico	e

tecnológico, entre tantos outros objetivos, tem
a sua diplomacia ajustada a essas prioridades
e sempre atenta e diligente nas tarefas que lhe
competem.
  É o que tem feito esta Casa, sempre dedicada
a aprimorar a ação diplomática e consular
e, também a aperfeiçoar continuamente as
práticas administrativas.
  Ao Itamaraty cabe, nesse sentido, a
responsabilidade de coadjuvar, em sua esfera
de atribuições, a ação global do Governo, e
para tanto coordenar-se estreitamente com
os demais ministérios e órgãos públicos.
De minha parte, procurarei manter-me em
sintonia fina, entre outras autoridades, com os
Secretários-Executivos das diferentes pastas.
  Igualmente, tratamos de somar nossos
esforços aos do Congresso Nacional, que
presta contribuição valiosa à condução da
política exterior.
  Cabe-nos, ainda, dar atenção ao papel do
Poder Judiciário e ao dos estados e municípios,
neste caso fortalecendo a diplomacia
federativa.
  E, sobretudo, temos o dever de almejar
eficiência em nossas ações e programas de
trabalho.
  Estas e tantas outras responsabilidades
temos cumprido sem vacilações, inclusive
ao buscarmos articulação permanente
com a sociedade civil. Nossas portas têm
permanecido abertas aos empresários, aos
pesquisadores, aos representantes sindicais,
às organizações não governamentais, aos
intelectuais e artistas, aos formadores de
opinião, e, sobretudo, temos mantido as portas
abertas ao cidadão.
  Na Secretaria-Geral, prestarei minha
colaboração ao Ministro de Estado com a mais
absoluta lealdade e em atitude permanente de
vigilância, zelando para que as obrigações e
responsabilidades da Casa sejam cumpridas à
risca.




50

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  Nos termos da lei, é sabido, o Secretário-
Geral é o chefe do serviço exterior brasileiro.
Adianto que serei chefe, não propriamente
como quem manda, mas sobretudo como
quem serve. Mandar, ordenar e fazer cumprir
são, de fato, atributos da autoridade e da
liderança. Mas autoridade e liderança não se
exercem sem a forca do exemplo e do empenho
pessoal. Aprendi isso com um homem público
que foi chanceler no alvorecer da nossa
redemocratização, com quem o Embaixador
Ruy Nogueira e eu trabalhamos diretamente.
  Servirei ao país, ao Governo e à Casa
com a ajuda e a participação dos colegas
que respondem pelas subsecretarias-gerais,
pelos departamentos, pelas divisões e demais
unidades funcionais. A contribuição de cada
um é a semente que faz germinar o trabalho
solidário e eficaz da instituição como um todo.
  Tratarei de reunir-me com os Subsecretários
o	mais	freqüentemente	possível.	A
coordenação e a descentralização entre os
órgãos de direção superior são fundamentais
para o assessoramento preciso ao Ministro
de Estado e, consequentemente, para o bom
desempenho da instituição.
  Além disso, buscarei o maior entrosamento
com os chefes de postos no exterior. Venho
de uma experiência de dez anos à frente de
três missões diplomáticas. Bem posso avaliar
a importância do contato fluido e constante
com as chefias em Brasília e agora, do lado
de cá, quero beneficiar-me do diálogo com
os colegas que estão fora, o que tem evidente
significação institucional.
  Não posso deixar de me sentir emocionado,
Senhor Ministro, ao encontrar-me neste ato 37
anos depois de ter recebido, junto com meus
colegas de turma, o diploma de conclusão do
curso do Instituto Rio Branco. No contato com
as gerações de diplomatas que se seguiram
a nós, posso apreciar o quanto tem sido
aprimorada a tarefa de formação e capacitação

profissional no Itamaraty, com a emergência
de quadros cada vez mais qualificados.
  Mas a emoção é tanto maior ante o
ímpeto que sinto de evocar aqueles que,
desde o início da minha carreira, ajudaram
diretamente no meu aprendizado e no meu
gradativo amadurecimento como servidor da
diplomacia. Dos primeiros chefes que tive,
aos mais recentes, alguns presentes nesta
cerimônia, só recebi lições de sabedoria, de
lucidez e de defesa do interesse nacional.
Lamento, por falta de tempo, não poder citá-
los aqui nominalmente, o que faria não só em
sua homenagem, mas sobretudo como um
tributo à linha de continuidade e coerência
que é a marca do Itamaraty.
  Todos e cada um deles  inclusive os
Presidentes da República, os Vice-Presidentes
da República, Ministros de Estado e
Secretários-Gerais a quem estive subordinado,
antes e depois de Embaixador, além de tantos
outros colegas e colaboradores com os quais
tenho convivido ao longo da carreira, amigas
e amigos de todas as horas  todos e cada um
fazem parte da trajetória que me trouxe até
este momento de culminação profissional.
  Para enfrentar o desafio para o qual me
convocou o Ministro de Estado, espero contar
com o apoio dos servidores da Casa, tanto no
Brasil quanto no exterior.
  Sei que contarei com o suporte moral e
afetivo da minha família, em especial de
minha mulher e de minhas filhas. Delas
sempre recebi incentivo, e a elas tudo devo.
  Somos o somatório de nossas características
pessoais, de nossa formação e aprendizado e
de nossa vivência profissional. A conjugação
dessas fontes de saber é o que nos habilita a
continuar a encontrar soluções inovadoras,
criativas e eficazes para enfrentarmos as
questões do nosso tempo.
  O Itamaraty continuará unido e coeso,
sob o comando de Vossa Excelência, Senhor




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	51




Ministro, a construir aquilo que for arquitetado
como reflexo do interesse nacional. Juntos
continuaremos a ser os operadores de uma
política externa que tem como alicerces a
nossa Constituição, a nossa sociedade e a
nossa tradição.
  Assim faremos pelo bem do Brasil.
  Obrigado.

   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   

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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013










      DISCURSO DO MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES, ANTONIO DE
     AGUIAR PATRIOTA, NA CERIMÔNIA DE TRANSMISSÃO DO CARGO DE
SECRETÁRIO-GERAL DAS RELAÇÕES EXTERIORES DO EMBAIXADOR RUY
  NUNES PINTO NOGUEIRA PARA O EMBAIXADOR EDUARDO DOS SANTOS
                                         BRASÍLIA, 1º DE MARÇO DE 2013

                                                 
                                                 
                                                 
                                                 

  [Nominata]
   
  É sempre um privilégio dirigir-me aos
colegas.
  A velocidade e a intensidade das nossas
atividades	diplomáticas	tornam	menos
freqüentes do que seria desejável  certamente
menos freqüentes do que eu gostaria que
fossem  as ocasiões em que podemos nos
reunir em torno de acontecimentos que dizem
respeito ao nosso Ministério.
  Hoje essa ocasião se apresenta  e por
motivos muito especiais.
  Toma posse um novo Secretário-Geral, o
Embaixador Eduardo dos Santos, e despede-
se  não apenas do cargo de Secretário-Geral,
mas da carreira ativa  um grande diplomata
e querido colega, o Embaixador Ruy Nunes
Pinto Nogueira.
  O Embaixador Ruy Nogueira concluiu há
dois dias uma trajetória de mais de cinqüenta
anos a serviço do Brasil. Foi um profissional
exemplar, um trabalhador incansável, um
companheiro que conquistou o respeito dos
pares. Para mim, como para tantos dos aqui
presentes, um amigo sincero e generoso.
  Poucos terão a amplitude da experiência do
Embaixador Ruy. E sobre poucos se poderá

dizer que desempenharam suas funções
com tamanho profissionalismo e tamanha
dedicação.
  Na promoção comercial, no trabalho
com a imprensa, na Subsecretaria-Geral de
Cooperação e Comunidades Brasileiras, como
Embaixador na Venezuela  em um período
importante para o fortalecimento da parceria
estratégica com esse país , antes como
Cônsul em Londres: em todas as frentes em
que se engajou, agiu com destacado sentido
de missão. Com a determinação e, ao mesmo
tempo, com a serenidade de quem sempre
trabalhou pelos mesmos elevados propósitos,
em favor da nossa instituição, da nossa política
externa, do nosso País.
  Na Secretaria-Geral, não foi diferente.
Na qualidade de Chefe da Casa  como por
vezes nos referimos ao Secretário-Geral , o
Embaixador Ruy Nogueira mostrou, a cada
dia, o valor de um conjunto de qualidades que,
algumas inerentes a sua própria personalidade,
consolidou ao longo de meio século de serviço
público. E quando digo a cada dia, penso
também nos sábados, domingos e feriados em
que o Embaixador Ruy podia ser encontrado
no Itamaraty, lendo telegramas e despachando
com assessores.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	53




   Para além do que já pudemos conversar
nos últimos dias, meu caro Ruy, quero deixar
registrada, de público, minha gratidão pelos
mais de dois anos em que Você ocupou o
mais alto cargo reservado a um diplomata de
carreira. Sou profundamente reconhecido a
sua lealdade e a sua eficiência.
  Não a lealdade cega, de quem concorda
sempre, mas a genuína lealdade, que implica
não silenciar sobre o que possa soar incômodo.
  Não a eficiência burocrática, de quem quer
apenas cumprir as obrigações, mas a eficiência
que se traduz em contribuições efetivas.
  Por essa lealdade, por essa eficiência, serei
sempre agradecido.
  Com a habilidade e a prudência que são
sua marca registrada, e com a discrição que
a acompanha, Você foi um solucionador de
problemas.
  Mas,	mais	do	que	isso,	com	sua
sensibilidade e seu conhecimento dos assuntos
do Itamaraty, Você foi um conselheiro fiel e,
em tantos casos, decisivo.
  Não posso deixar de reiterar sempre os
meus agradecimentos.
  Caros colegas, Senhoras e Senhores,
  O Brasil vive um momento de mudanças
históricas.
  Avançamos no combate à pobreza com
decisão e eficácia, mas com a consciência 
como afirmou a Presidenta Dilma Rousseff, há
poucos dias, quando anunciou o fortalecimento
do programa Bolsa Família  de que esse é
apenas o começo.
  Agora, sem prejuízo da continuada atenção,
sempre prioritária, à agenda social, podemos
concentrar renovados esforços sobre um
novo horizonte de desenvolvimento nacional
 com educação de qualidade e para todos;
com ciência, tecnologia e inovação, postas a
serviço de um País apto a gerar oportunidades
e melhores condições de vida para um número
cada vez maior de brasileiros.
   
No Itamaraty, nosso empenho vem sendo o
de assegurar uma atuação externa que reflita
as demandas e os desafios próprios deste
momento de importantes transformações.
  A tarefa não é menor, como sabemos
todos. Exige visão de conjunto, e de médio
e longo prazos, para a concepção de linhas
de ação capazes de dar conta da realidade
em mutação. Exige capacidade operacional
para traduzir linhas de ação em resultados
concretos. Exige, enfim, um exercício de
constante modernização diplomática.
  Ainda são muitos os desafios que nos
confrontam no Brasil. Muitos deles estão
diretamente ligados ao novo horizonte de
desenvolvimento a que me refiro. Outros
têm relação com deficiências que persistem
em educação, saúde, transportes, segurança
pública, saneamento básico.
  Mas o fato é que o País melhorou muito
em relativamente pouco tempo. Ainda hoje lia
na imprensa que, segundo dados compilados
pelo IPEA, a desigualdade de renda no Brasil
atingiu em 2011 o menor patamar desde a
década de 1960.
  Demonstramos ser possível, em ambiente
de plena democracia e de estabilidade
macroeconômica, crescer de forma sustentada
 e ambientalmente sustentável  com redução
das desigualdades. Aprendemos, e revelamos
ao mundo, que boas políticas sociais se
mostram, também, boas políticas econômicas.
Descobrimos, em suma, e compartilhamos
com a vizinhança sul-americana e com
parceiros de diferentes quadrantes, que o
objetivo da equidade, além de um imperativo
ético e moral, leva a dinâmicas econômicas
mais consistentes.
  Vivemos hoje essa realidade.
  No Itamaraty, ao mesmo tempo em
que trabalhamos para aprimorá-la, nos
beneficiamos dela, com as possibilidades
que nos abre para uma renovada inserção




54

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




internacional.
  E desenvolvemos essa renovada inserção
em um mundo que, ele próprio, se transforma
em ritmo acelerado e nos oferece oportunidades
de ação externa em alguns casos inéditas.
  Ficou para trás a unipolaridade da última
década do século XX. Hoje, nenhum país
individualmente, ou grupo de países, será
capaz de moldar a ordem internacional
das próximas décadas. O poder mundial
desconcentra-se.
  A	crise	econômica	e	financeira
internacional, em seus dois momentos  em
2008, com epicentro nos EUA, e a partir de
2010, na Europa , acelerou esse processo de
difusão do poder.
  Há uma transição em curso. Os países em
desenvolvimento passam a responder por
um percentual mais significativo da riqueza
global, e já respondem por mais da metade
do crescimento da economia mundial. Em
algum momento dos próximos anos  as
estimativas variam conforme o analista ,
presenciaremos um evento raro na história das
relações internacionais: a substituição de um
país por outro na posição de maior economia
do mundo.
  Os	contornos	exatos	do	sistema
internacional em formação são incertos, mas
há algo de que ninguém duvida: o século
XXI será marcado por alguma forma de
multipolaridade.
  E nós somos a Chancelaria de um dos polos
ditos emergentes.
  Um polo que se sedimenta, interna e
externamente, sob o signo da inclusão.
E que, portanto, representa um vetor de
democratização. O que, no plano internacional,
se traduz no reforço do multilateralismo.
  Um polo que sobressai por seu caráter
pacífico; por seu compromisso com o diálogo
e a persuasão como instrumentos de atuação
internacional; por sua posição em um espaço

geográfico livre de armas de destruição em
massa, em que predominam a cooperação e a
democracia.
  Não abordarei hoje, mais detidamente,
as linhas mestras da nossa política externa,
conhecidas de todos aqui.
  Mas, em um esforço de síntese,
reafirmo o compromisso do Brasil com a
integração regional  sobretudo por meio do
MERCOSUL, da UNASUL e da CELAC ;
nosso engajamento nas relações com os pólos
estabelecidos e emergentes; a importância
atribuída ao mundo em desenvolvimento
 não apenas em nosso entorno, mas na
África, no Oriente Médio, na Ásia ; e
nossa participação permanente nos grandes
debates internacionais, do desenvolvimento
sustentável à paz e segurança, inclusive nos
aspectos relacionados com a articulação
de mecanismos de governança mais
representativos da pluralidade da comunidade
de nações, mais cooperativos e eficazes.
  Caros colegas, amigos todos,
  Da perspectiva do Ministério das Relações
Exteriores, esse quadro aponta para uma pauta
de trabalho crescentemente complexa. É um
quadro que requer, como faço sempre questão
de assinalar, a continuada qualificação
dos funcionários do Serviço Exterior. Que
demanda precisamente aquilo que tem sido
a grande força deste Ministério  os seus
recursos humanos , mas que precisamos
aprimorar sempre e cada vez mais.
  O Itamaraty não pode descansar sobre suas
conquistas, sua reputação de excelência. Temos
que identificar as insuficiências, atualizar
nossos métodos de trabalho, aprofundar
conhecimentos sobre nossa região e sobre um
universo ampliado de interlocutores.
  O Itamaraty cresceu em número de postos
no exterior, em número de funcionários, na
quantidade de temas tratados.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	55




   Para toda instituição de maior porte, o
profissionalismo não é um acessório opcional.
É uma necessidade que se impõe.
  Profissionalismo na administração interna e
na organização funcional. Profissionalismo no
planejamento diplomático e na elaboração das
informações. Profissionalismo na coordenação
de posições, nas consultas e contatos com
outros órgãos do Governo, com o Congresso
Nacional e com a sociedade, na participação
em reuniões, dentro e fora do País.
  Profissionalismo,	também,	na	atitude
individual. Esperamos todos, de cada um, o
comportamento respeitoso e solidário que
reconhecemos no Secretário-Geral que parte,
e no que assume suas funções. Nem há espaço
em nossa instituição para que seja de outro
modo.
  Não digo nada de novo ao afirmar que a
Secretaria-Geral é uma engrenagem essencial
na mobilização dessas várias vertentes do
profissionalismo que cultivamos. A Secretaria-
Geral garante a concertação entre as diversas
áreas do Itamaraty e a fluidez do cotidiano
das relações com o conjunto da Esplanada. É
central para que a nossa máquina, que tende
a crescer e sofisticar-se cada vez mais, se
apresente sempre bem calibrada.
  O Embaixador Ruy Nogueira esteve,
invariavelmente, à altura do cargo. Sucedê-
lo será um desafio. E não poderíamos nos dar
ao luxo de escolher alguém que precisasse ser
treinado na função.
  Por isso a escolha do Embaixador Eduardo
dos Santos, a quem tenho a honra, hoje, de
formalmente empossar como Secretário-Geral
das Relações Exteriores.
  Foi com convicção pessoal e institucional
que submeti seu nome à Senhora Presidenta
da República.
  O	Embaixador	Eduardo	dos	Santos
traz a bagagem de sua inteligência, de sua
cultura diplomática e de sua também ampla

experiência.
  Foi, e com grande êxito, Embaixador em
Montevidéu e em Assunção  seguindo os
passos, Eduardo, para os que se interessam
por História Diplomática, do Visconde do
Rio Branco no século XIX. Desempenhou
atividades de grande responsabilidade em
Brasília. Conhece como poucos o Itamaraty,
os caminhos da diplomacia e, mais além, a
Esplanada e o Parlamento.
  É um modelo de comportamento humano,
de cortesia, de sensibilidade, de equilíbrio,
de justiça e de firmeza na defesa de todos
esses atributos. Marca que procuro, desde o
primeiro dia como Ministro, imprimir a minha
gestão.
  Você goza, Eduardo, da admiração e da
afeição dos colegas.
  Tem meu apreço pessoal e minha total
confiança.
  Você sabe que contará com meu apoio
irrestrito na condução da Secretaria-Geral.
  Senhoras e Senhores,
  Esta solenidade é, de certo modo, uma
celebração do que têm de melhor os nossos
profissionais.
  Profissionais como o Embaixador Ruy
Nogueira, a quem homenageamos por uma
vida consagrada ao Itamaraty e ao Brasil, e
a quem desejamos, juntamente com Guida,
toda a felicidade na nova etapa que estão
começando.
  E profissionais como o Embaixador
Eduardo dos Santos, que tanto trabalho terá
pela frente, mas que terá sob sua chefia uma
equipe de Subsecretários-Gerais e demais
funcionários que constitui o mais valioso
patrimônio deste Ministério.
  Eduardo, Beth, sejam bem-vindos e contem
conosco.
  Muito obrigado a todos.

   
   

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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013










DISCURSO DO MINISTRO ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA
           DURANTE A XLIII ASSEMBLEIA-GERAL DA OEA
             ANTIGUA, GUATEMALA, 6 DE JUNHO DE 2013

                
                
                
                
                
                
                

  Gostaria, antes de mais nada, de agradecer
de maneira muito especial ao Governo
da	Guatemala	pela	organização	desta
Quadragésima Terceira Assembléia Geral
da OEA. Nossos esforços conjuntos serão
certamente facilitados pela calorosa acolhida
que temos recebido na bela cidade de Antigua.
  Queria	ainda	transmitir	também	o
reconhecimento do Brasil pela liderança e pelo
trabalho de José Miguel Insulza à frente da
OEA. Aproveito para enaltecer a sobriedade e
o alcance da Visão Estratégica pensada por
Insulza para o futuro da OEA.
  O continente americano vive um momento
de importantes conquistas e também de
grandes desafios.
  Nas últimas décadas, prosseguiu em
nossa região o processo de consolidação da
democracia e do Estado de Direito. Ao mesmo
tempo, as realizações no campo econômico
e social têm sido transformadoras. Estamos
reduzindo desigualdades e nos posicionamos,
de forma decidida, no caminho da erradicação
completa da pobreza absoluta. Conseguimos
promover cada vez mais o desenvolvimento
sustentável com inclusão social e o respeito
ao aos direitos humanos, em todos os seus
aspectos - políticos, sociais, econômicos,

culturais - e ao meio ambiente.
  Temos aumentado muito nosso diálogo.
Há, no continente, diversos mecanismos de
integração ou de concertação, que se reforçam
mutuamente e que desenham um panorama
de crescente articulação dos países em uma
atmosfera de respeito recíproco entre todos,
grandes ou pequenos, ricos ou pobres. Temos
avançado, sobretudo na América do Sul, em
nossos objetivos de integração econômica,
comercial, social, cultural e política.
  Senhor Presidente,
  O hemisfério americano também apresenta
desafios importantes, que requerem, em muitos
casos, ação concertada e multilateral, com uso
pleno dos mecanismos regionais e subregionais.
  Precisamos ainda retirar milhões de
pessoas da miséria extrema. Precisamos
erradicar a fome. Precisamos todos os países,
sem exceção, avançar em nossos esforços do
desenvolvimento sustentável.
  Nosso hemisfério vive também com
o problema do tráfico de pessoas. Neste
contexto, devo ressaltar que o Brasil se uniu
à campanha das Nações Unidas Coração
Azul, cujo lema é liberdade não se compra,
dignidade não se vende, denuncie o tráfico de
pessoas.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	57




   Precisamos unir e coordenar esforços para
combater a insegurança pública. Precisamos
de mais segurança e também de uma segurança
mais ampla. Não seria muito imaginar um dia
em que todo o hemisfério americano esteja
livre de armas nucleares e outras armas de
destruição em massa. Na América Latina e
Caribe, já vigora o Tratado de Tlatelolco.
  E certamente, não poderia deixar de
mencionar o tema principal de nosso encontro
 o problema das drogas, flagelo que afeta
nossas sociedades, nossas famílias. E nesse
sentido, gostaria de felicitar a liderança da
Guatemala, do Presidente Fernando Otto
Pérez Molina e do Chanceler Luis Fernando
Carrera, em particular.
  Há um amplo consenso em nosso âmbito
de que a visão do problema das drogas
caracterizada pela ênfase na repressão tem
revelado seus limites. Hoje, há maior abertura
para outras visões, que buscam ações voltadas
à prevenção, à redução da oferta e aos
esforços de contenção da demanda. Saúdo
a apresentação feita pelo Secretário-Geral
da OEA do Informe sobre o Problema das
Drogas nas Américas, que representa o início
de um debate sobre o tema, cujas conclusões
caberão aos Estados-membros da OEA.
  Vejo com satisfação que a Declaração
Política de Antígua é plenamente compatível
com os princípios, as normas e as políticas que
orientam o Governo brasileiro na questão das
drogas. Salienta, por exemplo, a necessidade
de um enfoque integral e de respeito e
observância dos direitos humanos, bem como
o princípio da responsabilidade comum e
compartilhada entre os países das Américas.
  O Brasil tem de fato praticado uma política
sobre drogas de enfoque integral, com foco no
indivíduo, com respeito aos direitos humanos
e em linha com as Convenções das Nações
Unidas sobre Entorpecentes de 1961, 1971
e 1988. Contamos desde 2006 com uma

legislação avançada que diferencia entre
usuários e traficantes de drogas. Usuários
e dependentes não estão sujeitos a penas de
privação de liberdade, mas somente a medidas
socioeducativas. A repressão ao tráfico está
presente, mas não se faz em detrimento de
aspectos igualmente importantes como a
conscientização da sociedade, a recuperação
de dependentes e a assistência aos familiares
das vítimas. Falar de um enfoque integral
significa incorporar, de forma efetiva, as
questões de saúde pública e os aspectos
socioeconômicos à estratégia de combate às
drogas.
  Os elevados custos sociais e econômicos
decorrentes do consumo e do tráfico de
drogas na América do Sul demandam a
implementação de políticas abrangentes,
descentralizadas e integrais em benefício de
nossos cidadãos, muitos dos quais sofrem
diversos danos diretos e indiretos provocados
pela dependência em drogas. Na UNASUL,
temos buscado intensificar a cooperação em
torno do tema das drogas por meio de dois
Conselhos: um sobre o Problema Mundial
das Drogas e outro sobre Segurança Cidadã,
Justiça e Coordenação de Ações contra a
Deliquência Organizada Transnacional.
  No âmbito do Conselho sobre o Problema
Mundial das Drogas, o Brasil tem insistido
na importância de abordar a questão da oferta
e da demanda de drogas de uma perspectiva
integral, que aborde prevenção, tratamento,
recuperação, reinserção social, redução da
oferta e redução de danos sociais e à saúde.
O Conselho de Segurança Cidadã, Justiça e
Coordenação de Ações contra a Deliquência
Organizada Transnacional, por sua vez,
parte do reconhecimento de que é necessário
promover maior cooperação regional na
repressão a ilícitos, como a lavagem de
dinheiro, com o intuito de contribuir para o
desmantelamento do crime organizado na




58

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




América do Sul, inclusive o relacionado com
drogas.
  O Brasil considera urgente e importante o
debate sobre o tema das drogas e queremos
ouvir, com atenção, as sugestões que outros
países têm a fazer na busca de estratégias
alternativas. Também a sociedade civil tem
uma contribuição importante a dar nesse
debate. No Brasil, há uma discussão aberta
sobre diferentes propostas, inclusive sobre
iniciativas legislativas novas, envolvendo, por
exemplo, a questão da internação compulsória.
A existência dessas discussões é mais uma
demonstração da complexidade do tema, que
exige nossa reflexão. O continente americano
é rico em experiências no enfrentamento do
problema das drogas. Por isso, é muito bem
vinda a iniciativa de intercambiar práticas e
pontos de vista entre os Estados-membros.
O que ocorre em cada um pode servir para o
aprendizado de todos.
  Senhor Presidente,
  Entre	os	temas	que	ocupam	nossa
atenção desde a Quadragésima Primeira
Assembléia Geral da OEA, em El Salvador,
destaca-se o processo de reforma do Sistema
Interamericano de Direitos Humanos.
  O Brasil considera o Sistema Interamericano
de Direitos Humanos uma conquista dos
povos da região e um instrumento inestimável
na defesa dos direitos humanos e liberdades
fundamentais em nosso continente.
  Como	mencionei,	nosso	hemisfério
mudou, são novos os desafios e as conquistas
alcançadas. Foi-se evidenciando que esse
sistema poderia e deveria ser aperfeiçoado, para
adaptar-se às condições de uma região na qual
o Estado de Direito passou a ser a regra, não a
exceção. Foi com esse espírito construtivo, de
preservar as conquistas alcançadas e de adaptar
o funcionamento do Sistema Interamericano a
uma nova realidade, que o Brasil se engajou no
processo de reforma.
   
Foi o que tornou possível, na Assembleia
Geral Extraordinária, em março passado, em
Washington, alcançar um marco importante,
sob o signo da reconciliação, no contínuo
processo de fortalecimento do Sistema.
  Senhoras e Senhores,
  Foi nesse espírito de fortalecimento do
Sistema que a Presidente Dilma Rousseff
decidiu lançar a candidatura do Senhor Paulo
de Tarso Vannuchi a uma das três vagas
da Comissão Interamericana de Direitos
Humanos. O Senhor Vannuchi foi Ministro
dos Direitos Humanos durante o Governo
do ex-Presidente Lula. Durante o período do
regime militar no Brasil, havia sido preso
político e vítima de violações. Ao longo de
sua trajetória, destacou-se como um militante
incansável da causa dos direitos humanos, nas
esferas política, social e acadêmica.
  Registro com satisfação o valioso apoio que
o candidato brasileiro reúne junto a entidades
da sociedade civil brasileira, muitas das quais
representadas hoje nesta Assembléia Geral.
  Senhor Presidente
  Não poderia deixar de citar a grande tarefa
que teremos nos próximos anos, de realizar
uma abrangente reforma da OEA. A proposta
de Visão Estratégica apresentada pelo
Secretário-Geral Insulza em 2013 constitui um
subsídio relevante para nossas deliberações.
  Para que possa cumprir seu papel de
organização de alcance hemisférico, a OEA
deve concentrar-se na promoção eficaz de seus
pilares fundamentais (desenvolvimento, direitos
humanos, democracia e segurança) numa região
do mundo onde a democracia cria raízes e o
crescimento econômico com justiça social
estabelece as bases para modelos sustentáveis de
desenvolvimento e sociedades inclusivas.
  A OEA deve fazer uma diferença real na
vida das pessoas comuns. E para tanto, deve
responder às demandas e aspirações de todos
os países da região, sem distinções. É preciso




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	59




assegurar um diálogo entre iguais na
OEA, com a atenção devida aos organismos
regionais e sub-regionais.
  A OEA poderá também ter papel importante
no processo de implementação dos resultados
da Rio+20, no esforço conjunto por uma
efetiva cooperação para o desenvolvimento
sustentável e para a Paz. Neste contexto, saúdo
a intervenção realizada ontem pelo Presidente
da Assembleia Geral da ONU Vuk Jeremic
em apoio ao processo de implementação
das decisões e mandatos originados da Rio
+ 20, contidos no documento O Futuro que
Queremos. Felicito também a decisão de se
organizar em Nova York, em 8 de julho, debate
da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre
a questão da redução das desigualdades sociais
e da erradicação da pobreza.
  Senhor Presidente,
  Senhoras e senhores,
  O Secretário-Geral José Miguel Insulza
está certo ao afirmar, em seu relatório sobre a
Visão Estratégica da OEA de 2013, que as
Américas são o continente mais pacífico desde
a Segunda Guerra Mundial e que buscamos
resolver nossos problemas juridicamente, por
meio da negociação, mediação, arbitragem ou
recursos à Corte Internacional de Justiça. Não
poderia todavia deixar de salientar que, para
além dos temas relativos à segurança pública,
convivemos ainda com desafios importantes à
Paz em nosso Hemisfério.
  Neste contexto, queria expressar minha
satisfação	pela	evolução	positiva	dos
entendimentos entre o Governo colombiano e as
FARC. O Brasil está, como sempre, à disposição
para ajudar ainda mais, no que for preciso.
  Queria saudar também a recente designação
de Sandra Honoré, de Trinidad e Tobago,
para o cargo de Representante Especial do
Secretário-Geral da ONU para o Haiti. O
hemisfério americano tem demonstrado sinais
inequívocos de apoio, solidariedade e não-

indiferença ao povo e ao Governo haitianos,
bem como à ação da MINUSTAH, a única
operação de manutenção da paz das Nações
Unidas em nossa região.
  Ressalto também a questão das Ilhas
Malvinas argentinas e nosso chamado para
negociações urgentes e construtivas entre
a República Argentina e o Reino Unido. Na
Cúpula da CELAC, realizada em janeiro
passado em Santiago, adotou-se Comunicado
Especial sobre as Ilhas Malvinas, que reitera
o apoio aos legítimos direitos da República
Argentina na disputa de soberania e destaca o
interesse dos países da região na retomada das
negociações entre as partes.
  Em nosso Continente, não há lugar mais
para embargos econômicos e financeiros
unilaterais. Reitero nosso chamado ao fim do
embargo norte-americano a Cuba, eleita por
consenso para presidir a CELAC. Devemos ter
presente sempre as consequências negativas ao
povo cubano de décadas de embargo, situação
esta prejudicada ainda mais com a recente e
injustificada inclusão de Cuba pelos Estados
Unidos em sua lista de países que patrocinam
o terrorismo internacional. Reafirmo que o
Brasil rechaça a elaboração unilateral de listas
acusando Estados de supostamente apoiar
e co-patrocinar o terrorismo ou outras listas
unilaterais, pois entende que tais listas não
encontram lastro no Direito Internacional, e
vão em sentido contrário ao que entendemos
ser nosso propósito comum que é o de
fortalecer o multilateralismo.
  Senhor Presidente,
  Estou certo de que inspirados pela
harmoniosa arquitetura de Antigua e pela
generosa hospitalidade guatemalteca, teremos
a oportunidade de avançar ainda mais em
direção aos objetivos que nos unem.
  Muito obrigado.

   
   

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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013










DISCURSO DA SECRETÁRIA LUANA ALVES DE MELO, ORADORA DA
 TURMA OSCAR NIEMEYER (2011-2013) DO INSTITUTO RIO BRANCO
                                                            18/06/2013

                                                                      
                                                                      
                                                                      
                                                                      
                                                                      
                                                                      
                                                                      

  Excelentíssima Senhora Dilma Rousseff,
Presidenta da República,
  Senhor Embaixador Antonio de Aguiar
Patriota, Ministro de Estado das Relações
Exteriores,
  Senhor Embaixador Celso Luiz Nunes
Amorim, Ministro de Estado da Defesa,
paraninfo da turma Oscar Niemeyer,
  Senhores Embaixadores estrangeiros,
  Senhor Embaixador Eduardo dos Santos,
Secretário-Geral das Relações Exteriores,
  Senhores Subsecretários-Gerais,
  Embaixador	Georges	Lamazière,	Ex-
Diretor-Geral do Instituto Rio Branco,
  Prezadas	e	Prezados	Professoras	e
Professores do Instituto Rio Branco,
  Senhoras e Senhores,
  Caras	e	Caros	Colegas,	Amigos	e
Familiares,
  Este discurso é uma obra coletiva.
  Não foi com pouco assombro que, ao pôr
os pés neste Ministério, já na condição de
diplomatas, contemplamos a elegância do
Palácio que nos abriga. Muitos de nós vieram
dos vários cantos do país. Outros, como eu,
somos filhos de Brasília, projeto forjado a
ferro e a sonho, que se transformou no palco
de nosso ofício e continuará a ser nosso lar,

apesar do ir e vir que nos aguarda.
  A cerimônia de hoje consagra o ritual de
acolhida dos novos diplomatas brasileiros,
após o período de formação no Instituto Rio
Branco. Neste Palácio, erguido com base na
linha de Niemeyer, temos o orgulho e a honra
de nos agregar ao corpo diplomático de um
Brasil que tem conquistado presença cada vez
mais vigorosa no cenário internacional e está,
nas palavras de nosso Chanceler, engajado
na formação de uma multipolaridade da
cooperação.
  Ao Embaixador Antonio de Aguiar Patriota
expresso o agradecimento da turma de 2011
pela acolhida. Nosso Chanceler representa não
somente paradigma de dedicação exemplar
ao trabalho, mas também de conhecimento e
de criatividade. O Ministro Patriota reforça a
estima por um Brasil ainda mais assertivo e
seguro de seus princípios.
  Senhora Presidenta,
  Estão em curso profundas transformações
da ordem internacional. O poder político
está mais difuso, e novos atores relevantes
emergem, conformando novos polos e
coalizões. A transição do eixo político-
econômico mundial não é evento trivial.
Poucos momentos históricos foram ou serão




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	61




tão instigantes e desafiadores para quem
passa a integrar o Serviço Exterior de nosso
País. Temos consciência dessa singularidade.
Temos consciência, também, de que o grande
privilégio de lidar com os imensos desafios
à nossa espera é uma responsabilidade ainda
maior.
  Em	tempos	de	mudança,	costumam
destacar-se aqueles que, atentos às vibrações
que os cercam, captam os novos contornos
do mundo que se anuncia. O Barão do Rio
Branco viveu igualmente tempos de profunda
transformação da ordem internacional. Um
de seus grandes talentos foi interpretar essas
transformações, antever a emergência de
um polo de poder e elaborar uma sofisticada
defesa	de	nossos	interesses.	Prático	e
reflexivo, o Barão conciliou os imperativos
do conhecimento técnico com o inescapável
manejo político dos interesses nacionais.
Essa ponderada conciliação permitiu ao
Barão consagrar-se como grande defensor do
interesse nacional.
  Senhora Presidenta,
  Assim como o bom arquiteto harmoniza
a idealização e a perfeição estéticas com a
precisão estrutural, o bom diplomata deve
dosar a coragem criativa e a moderação
pragmática. Estimulados por essa constatação
desafiadora, tocou-nos homenagear, como
Patrono de nossa turma, uma das figuras mais
célebres da história de nosso País, consagrado
mundialmente	como	exímio	articulador
da leveza curvilínea dos traços com as
possibilidades plásticas do concreto-armado.
  A vida pessoal e profissional de Oscar
Niemeyer	não	cabe	em	um	resumo.
Contentemo-nos em testemunhar sua prolífica
obra  parte da qual nos circunda nesta
majestosa capital e nos acolhe neste Palácio 
e reconhecer a constante preocupação social e
política que o motivou por toda a vida.
  De Brasília a Argel, de Belo Horizonte

a Paris, a obra de Niemeyer simboliza a
brasilidade e a busca incessante da poesia
concreta das formas arquitetônicas. Sua
genialidade, seu profundo envolvimento na
política brasileira e seu sonho de equidade
social sempre serão exemplo vigoroso para
nós.
  Senhora Presidenta,
  Enquanto ainda nos dedicávamos à
preparação para o concurso, tivemos a sorte
de contar com a força inspiradora de um
personagem contemporâneo, então à frente
deste Ministério. A atuação do Ministro Celso
Amorim como Chanceler e as transformações
que ela ensejou foram de grande importância
para nossa escolha profissional. Não somos
os únicos a constatar que o Ministro Amorim,
seguindo as diretrizes e as linhas de ação
indicadas pelo Presidente Lula, contribuiu
para adequar o Brasil às mudanças em curso
e soube estabelecer novas plataformas de
ação internacional. Motivado por amor a seu
trabalho e a seu país, Amorim foi o artífice
de intrincados equilíbrios e contribuiu para
fortalecer a imagem de nosso país como
articulador de consensos, razão pela qual o
convidamos para ser nosso paraninfo.
  Senhora Presidenta,
  Move-nos a utopia de que o interesse
nacional, viga mestra de nossa atuação como
diplomatas, seja representativo não apenas do
que temos em comum como brasileiros, mas
também da diversidade que é constitutiva do
ser brasileiro.Assim compreendido, o interesse
nacional que defenderemos precisará ser
ainda mais alicerçado no respeito aos direitos
humanos, de maneira efetiva, sem vieses. Para
alcançar esse objetivo, queremos retomar a
tradição antropofágica de nosso povo, que tem
o talento de abrir-se ao diferente, degluti-lo
e, assim, consolidar uma identidade própria,
autêntica.
  Como disse o Embaixador Georges

   
   

62

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




Lamazière, nosso Diretor-Geral no período
em que convivemos no Instituto Rio Branco,
nossa natureza multiétnica, miscigenada,
() e nossa integração de tantos e tão
diversos aportes em uma sociedade plural
permitem que, ao mesmo tempo, quase tudo
nos seja próximo e que quase todos se sintam
próximos de nós.
  Queremos usar o engenho que tenhamos
não para construir muros que obstruam a visão
do horizonte e do outro, mas para levantar
pontes, abrir caminhos e aplainar desníveis;
não para agravar o sofrimento de povos como
o sírio, que se tornou muito mais próximo
pela convivência com o Professor Nasser 
nosso professor homenageado, em cujo nome
agradecemos a todos nossos professores ,
mas para garantir sua dignidade humana
e soberana; não para perpetuar o jugo e a
opressão contra as mulheres, especialmente
agudo em alguns países e indesculpavelmente
disseminado em todo o mundo, mas para que
lhes seja atribuído o devido e alto valor; não
para tolerar o multiforme e insidioso racismo
e o etnocentrismo, mas para desentranhá-los
de nossas relações e instituições; não para
tolher a expressão plena e as relações afetivas
das pessoas em função de suas orientações
sexuais, mas para protegê-las do ódio e da
ignorância que geram violência e dor.
  Senhora Presidenta,
  Também passamos por uma época de
transformações	e	desafios	internos.	O
Itamaraty, nos últimos dez anos, expandiu
seus quadros, aumentou significativamente
sua rede de postos e seu escopo de atuação e
fortaleceu sua presença em todas as regiões
do planeta. Nossa política externa tornou-se,
efetivamente, universal.
  As vitórias no campo político certamente
não seriam possíveis sem o empenho, a
mobilização e a dedicação do corpo de
servidores deste Ministério, que, não raro,

enfrentam situações de risco em suas atividades
no exterior. O que se viu nesses últimos anos
foi a interação entre discurso político e esforço
técnico para a consecução dos interesses de
nossa política externa. Na pessoa da Assistente
de Chancelaria Elisangela Cristina dos Santos
Bastos, homenageamos todos os servidores
do Itamaraty, principalmente aqueles que
nos acompanharam durante o período de
formação.
  O Itamaraty renovou-se, para lidar com
novos desafios. A prioridade de lotação
de postos na África e na Ásia ilustra a
importância estratégica atribuída ao que
consideramos ser a fronteira de nossa política
externa. Da mesma maneira, o Ministério tem
buscado atualizar-se em termos de gestão
de seus recursos humanos, para fazer frente
às demandas crescentes de nossa atividade
diplomática e consular.
  Iniciativas palpáveis, como a criação
da disciplina Diplomacia e Diversidade
Cultural, proposta por nosso Chanceler,
a designação de mulheres diplomatas para
posições de alta chefia e o reconhecimento
das uniões homoafetivas dos funcionários
do Serviço Exterior Brasileiro, para fins de
concessão de benefícios, contam com nosso
entusiasmo. Seguiremos nosso trabalho
para que o Itamaraty continue a avançar em
prol da pluralidade, do respeito e da não
discriminação.
  Homenageamos nossos colegas
estrangeiros, com quem dividimos momentos
de aprendizado no Instituto Rio Branco,
e agradecemos aos Embaixadores que
compartilharam conosco suas experiências
nos encontros de orientação diplomática.
  Em termos de diversidade social, este
Ministério progrediu nos últimos anos. E aqui
ressalto não apenas a maior diversidade social
de nossos quadros, mas também o Programa
de Ação Afirmativa do Instituto Rio Branco,




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	63




do qual fui uma das beneficiadas e muito me
orgulho.
  Devo dizer que tenho enorme confiança,
Senhora Presidenta, no futuro que nos espera, ou
melhor, no futuro que iremos construir. Como
Vossa Excelência afirmou em seu discurso de
posse, o destino de um país é o resultado do
trabalho e da ação transformadora de seu povo.
Como cidadã brasileira, estou segura de que a
construção de uma ordem internacional mais
justa e conducente ao progresso econômico
e social é uma obra coletiva. É, também, um
imperativo inescapável.
  A realização dos objetivos de um País
é uma obra em permanente construção. E
nós, cidadãos brasileiros, construtores desse
projeto, fazemos parte de uma nação que
há algum tempo não se contenta apenas em
imaginar o porvir. Fazemos parte de uma
nação que participa ativamente da elaboração
desse futuro.
  Senhora Presidenta,
  Senhoras e Senhores,
  Se os exemplos de diversos diplomatas
e estadistas nos incentivaram a entrar nesta
carreira, foram os exemplos e o apoio de nossos
pais e familiares que nos encorajaram a dedicar
tempo e esforço para atingir esse objetivo.
Dedico minhas últimas palavras, Senhora
Presidenta, àqueles que, nos momentos
mais difíceis, sempre tiveram palavras de
carinho, apoio e incentivo e, ao lado dos
personagens que formaram o que é o Brasil
de hoje, nunca deixarão de ser os exemplos
que nortearão nossa trajetória em busca do
Brasil de amanhã. Em nome da turma Oscar
Niemeyer do Instituto Rio Branco, transmito
nossos mais sinceros agradecimentos a pais,
mães e familiares próximos, que, presentes
ou ausentes, tornaram este Dia do Diplomata,
por tanto tempo sonhado, uma concreta e feliz
realidade.
  Muito obrigada!

   
   

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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013










      DISCURSO DO MINISTRO ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA
NA CERIMÔNIA DE FORMATURA DA TURMA OSCAR NIEMEYER
                         (2011-2013) DO INSTITUTO RIO BRANCO
                                                        18/06/2013

                                                                  
                                                                  
                                                                  
                                                                  
                                                                  
                                                                  

  É uma honra novamente contar com a
presença da Senhora Presidenta da República
na celebração do Dia do Diplomata.
  Formalizamos hoje a incorporação ao
Serviço Exterior brasileiro de mais uma turma
egressa do Instituto Rio Branco  a turma
Oscar Niemeyer.
  Aos que se associam formalmente ao
Itamaraty, minhas mais calorosas boas-vindas.
  Parabéns pela trajetória para chegar até aqui.
  Parabéns às famílias que prestigiam esta
cerimônia e que têm justificadas razões para
compartilhar a alegria deste momento.
  Estimados formandos,
  No trabalho que realizarão  ou, na
verdade, já realizam  como diplomatas,
Vocês terão a responsabilidade e o privilégio
de representar um País que, neste início de
século, se afirma como uma democracia
voltada para o desenvolvimento sustentável,
com crescimento econômico, redução das
desigualdades	e	consciência	ambiental;
como um ator que vive a paz e privilegia o
diálogo; como uma sociedade multicultural
crescentemente engajada com o mundo.
  Um País cujo Governo conquista resultados
tangíveis no caminho da erradicação da pobreza
e contempla novos horizontes em termos de

bem-estar social, de padrões educacionais
sempre mais elevados, de avanços científicos
e tecnológicos, de respeito inegociável aos
direitos humanos. Que tem na construção da
plena cidadania seu objetivo maior.
  Vocês servirão a um País que reflete em
sua política externa os mesmos valores e as
mesmas prioridades que o mobilizam no plano
doméstico. Um País que, sob a condução de
Vossa Excelência, Senhora Presidenta, se
projeta no mundo de forma aberta e plural,
como aberta e plural é a sociedade brasileira.
   Senhora Presidenta,
  Em 2011, celebramos o centenário de
nascimento de San Tiago Dantas.
  No ano passado, recordamos o centenário
de morte do Barão do Rio Branco.
  Este ano quero lembrar que, há cinco
décadas, outro ilustre Chanceler do Brasil,
João Augusto de Araujo Castro, pronunciava,
perante a Assembleia-Geral das Nações
Unidas, um discurso memorável.
  Araujo Castro, um dos artífices da Política
Externa Independente, apontava um caminho
novo, que deveria ir além das polarizações
ideológicas da Guerra Fria. Um caminho
que se construiria com uma agenda formada
por três Ds que se tornariam famosos:




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	65




o desenvolvimento, o desarmamento e a
descolonização.
  Passadas três décadas, em 1993, outro
Chanceler brasileiro, dotado de sensibilidade
não menos aguçada para a dinâmica dos tempos
em mudança, propôs-se uma reinterpretação
da agenda dos três Ds.
  Também perante a Assembleia Geral da
ONU, o Embaixador Celso Amorim  que a
turma Oscar Niemeyer teve a sabedoria de
escolher como Paraninfo  revisitou o mote
de Araujo Castro, recordando que a luta pela
descolonização, que mantém sua relevância,
se traduz de forma mais completa, em nossos
dias, na valorização da democracia.
  Celso Amorim atualizou, então, os três Ds.
E passamos a falar, com ele, em desenvolvimento,
desarmamento e democracia.
  Ao fazer essa digressão, recordo, sempre
em perspectiva histórica, que há dez anos
estabelecíamos, sob a liderança do ex-
Presidente Lula e do então Chanceler Amorim
 já em sua segunda gestão à frente do
Itamaraty , um conjunto de objetivos e de
iniciativas que ainda hoje ajuda a estruturar
nosso trabalho como diplomatas.
  Trata-se de plataforma que inclui:
  - o aprofundamento de nosso compromisso
com a integração regional, a partir de uma
atenção diferenciada para com cada um
de nossos vizinhos, em especial no âmbito
do MERCOSUL, da UNASUL e, mais
recentemente, também da CELAC;
  - o olhar atento para as alterações
aceleradas, em escala mundial, na distribuição
do poder econômico e geopolítico, alterações
que nos aproximam dos demais integrantes de
foros como o IBAS e os BRICS;
  - a projeção universal de nossa diplomacia, com
ênfase na criação de novas e efetivas parcerias com
o mundo em desenvolvimento, particularmente na
América Latina, no Caribe e na África, e também
no Oriente Médio, na Ásia e no Pacífico;
   
- a modernização de uma agenda de diálogo
e de cooperação com os polos estabelecidos da
economia global, como são os Estados Unidos,
a Europa, o Japão, o Canadá, a Oceania;
  - o engajamento com o multilateralismo em
suas múltiplas vertentes  a comercial, a financeira,
a ambiental, a social, a da paz e da segurança.
  Essa plataforma se consolida e se atualiza,
sob a orientação da Presidenta Dilma Rousseff,
(i) na ocupação crescente de espaços na cena
internacional; (ii) na contribuição continuada
aos grandes debates políticos e conceituais
da atualidade; (iii) na defesa de interesses
específicos por intermédio da dinamização
de relações com um número cada vez
maior de parceiros em matéria de comércio,
de investimentos, de inovação; e (iv) no
aprofundamento da integração regional.
  Uma das manifestações concretas da
ocupação de espaços a que me refiro se traduz
na eleição ou indicação para importantes
cargos internacionais de personalidades
brasileiras que demonstram ter o País
liderança a desempenhar em uma ampla gama
de temas. Sem ser exaustivo, não quero deixar
de mencionar a escolha de José Graziano para
a Direção da Organização para Agricultura
e Alimentação  a FAO; de Bráulio de
Souza Dias para a Secretaria-Executiva da
Convenção sobre Diversidade Biológica; de
Roberto Caldas e de Paulo Vannuchi para
a Corte e a Comissão Interamericanas de
Direitos Humanos; e, de forma especialmente
paradigmática, de Roberto Azevêdo para
a Organização Mundial do Comércio. São
conquistas que revelam uma capacidade
propositiva em campos tão diversos quanto a
segurança alimentar, os direitos humanos, a
cooperação econômica e comercial.
  É possível afirmar que já não existe debate
internacional de sentido estratégico em que as
impressões digitais da política externa brasileira
não estejam presentes: da democratização




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




das estruturas de governança global e da
consolidação do conceito de desenvolvimento
sustentável, na Rio+20, ao impacto de oscilações
cambiais sobre o comércio e às questões políticas
e morais relacionadas com a proteção de civis
em situações de conflito, para mencionar apenas
alguns exemplos.
  Ao mesmo tempo, são nítidos os dividendos
obtidos em decorrência do aumento do
número de Embaixadas, no estabelecimento
de relações intergovernamentais com todos os
membros das Nações Unidas. Dividendos que
vão além da dimensão estritamente política,
já em si de relevância intrínseca: a ampliação
do alcance da ação diplomática representa,
também, maior capacidade de apoio ao
setor privado e a outros atores da sociedade
brasileira com interesses que ultrapassam
nossas fronteiras; condições aprimoradas de
identificação de oportunidades de comércio e
de investimentos; maior e melhor intercâmbio
de conhecimento, inclusive ao abrigo do
programa Ciência sem Fronteiras.
  No plano regional, prioridade por definição,
continuamos a sedimentar o espaço sul-
americano como uma zona de paz e de
cooperação, que tem na democracia um
compromisso político irrenunciável, um requisito
essencial dos processos de integração em curso.
Continuamos, também, a promover, em nosso
entorno imediato, uma zona de crescimento
econômico com justiça social, em que as relações
econômicas estão a serviço do desenvolvimento
inclusivo que é nosso propósito comum. Nessa
matéria, o MERCOSUL já representa um
patrimônio de realizações de grande significado
prático. O bloco ampliou-se e fortaleceu-se, com
o ingresso da Venezuela como membro pleno.
A Bolívia assinou Protocolo de Adesão para
também tornar-se membro pleno. O Presidente
do Equador oficializou publicamente a intenção
de trilhar o mesmo caminho. E a Guiana e o
Suriname se estão tornando Estados Associados.

Ao valorizarmos o acervo do MERCOSUL 
que traz ganhos decisivos para nossa indústria,
que gera empregos de qualidade , trabalhamos
olhando para a frente. Trabalhamos para fazer
mais e melhor. E, para além do MERCOSUL,
mas sempre a partir dele, levamos adiante,
desde há muito tempo, esforços de integração
econômico-comercial com toda a nossa região 
destino, não é demais lembrar, da maior parcela de
nossas exportações de produtos manufaturados.
Sob a égide da ALADI, negociamos uma rede
de acordos que cobre, ou cobrirá, no futuro
próximo, a quase totalidade das trocas em nossa
parte do mundo. Essa já é uma realidade, que
temos que administrar e sobre a qual seguiremos
construindo.
  As novas frentes abertas em nossa política
externa, na região e no mundo, adquirem
especial ressonância nos contatos que
mantemos com o conjunto da sociedade
brasileira. Com o Congresso, com o Judiciário
e com os mais diversos segmentos sociais
que, no País, buscam crescente participação
nas dinâmicas de alcance internacional.
  Especificamente quanto aos contatos com a
sociedade civil, que já são frequentes, estamos
agora trabalhando para institucionalizá-los.
  A abertura ao diálogo, o saber ouvir e
o fazer-se entender são parte integral do
Governo democrático liderado pela Senhora
Presidenta da República.
  A experiência da Comissão Nacional
Preparatória para a Rio+20, valiosa e
efetivamente valorizada por todos os que
dela participaram, nos anima a persistir nessa
direção. Essa experiência nos encoraja a atrair
a sociedade civil em suas múltiplas dimensões
 e, eu diria, a juventude em particular  para
os grandes debates relativos à política externa
brasileira.
  Antes do fim do ano, Senhora Presidenta, proporei
aVossaExcelênciaprojeto,jáemgestação,paraquese
crie um foro permanente de diálogo com a sociedade




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	67




civil sobre política externa.
  Está claro que a extensão de nossa
presença no mundo nos traz, ao Itamaraty,
responsabilidades acrescidas.
  Faço questão de ressaltar nosso dever de
assistência a brasileiros no exterior.Aintensificação
das relações do Brasil com outros países acentua
a importância da atividade consular. É com
satisfação que presto aqui uma homenagem de
reconhecimento ao trabalho, tantas vezes difícil
e tantas vezes silencioso, dos funcionários que se
desdobram para garantir a nossos concidadãos
que se encontram distantes do País, sempre que
necessário, o melhor apoio possível e a adequada
observância de seus direitos.
  Senhora Presidenta,
  Colegas de todas as gerações,
  Senhoras e Senhores,
  Algumas breves palavras sobre a escolha,
pela turma que se forma, de Oscar Niemeyer,
como seu Patrono, e de Celso Amorim, como
seu Paraninfo.
  É fácil, neste Palácio, fazer o elogio do
grande arquiteto.
  Com o passar dos anos, e o crescente
reconhecimento de seu talento, Niemeyer tornou-se
parte indissociável da imagem do Brasil no exterior,
onde teve atuação profissional e presença destacada.
  Entre tantas outras realizações, integrou o
seleto comitê dos onze arquitetos que elaboraram
o projeto do edifício-sede das Nações Unidas, um
dos marcos da paisagem urbana de Nova York.
  Fica, assim, de Niemeyer não somente o que
ajudou a construir aqui no Brasil. Fica também
a imagem brasileira que ele ajudou a projetar no
exterior, a imagem verdadeira de um país que
encarou de frente a modernidade, que teve a
ousadia de sonhar novas formas de convivência.
  Celso, colega e amigo de tantos anos 
como Chanceler, Você deixou um exemplo
que perdurará como referência para todos nós.
  Seu conhecimento aprofundado dos dossiês,
sua experiência, sua visão da grandeza do Brasil

e do lugar que lhe cabe no mundo, todas essas
são marcas indeléveis de seu legado como
Ministro das Relações Exteriores.
  Vocês não poderiam haver escolhido
melhor Paraninfo.
  Meus caros formandos,
  Não faltam desafios, obstáculos, situações
de tensão a exigir, de cada um, discernimento,
preparo, tenacidade, imaginação, sangue frio.
  Em conversa recente com um grupo de
alunos do Instituto Rio Branco, eu observava
que a diplomacia é uma carreira que envolve a
personalidade em seu conjunto: a capacidade
de iniciativa, de relacionamento humano, de
lidar com imprevistos e com adversidades.
  A formação intelectual, o rigor nas análises
e nos pronunciamentos, esses são, sem
dúvida, traços que permanecem essenciais
para o bom desempenho das variadas funções
que lhes serão atribuídas. Mas a disposição de
enfrentar desafios, a coragem e a persistência
na promoção dos valores e dos interesses do
Brasil também o são.
  E concluo com uma citação do escritor
moçambicano Mia Couto, que há poucos dias,
em Lisboa, recebeu, das mãos da Presidenta
Dilma Rousseff e do Presidente Cavaco Silva,
o Prêmio Camões de 2013.
  Em conferência dirigida a professores e a
alunos de uma instituição de ensino em seu
país natal, afirmou esse expoente da literatura
lusófona, e eu cito:
  Vocês são jovens. Ser jovens é uma
condição inerente, que se exerce sem esforço.
Mais do que jovens, sejam diferentes. Tragam
para nosso tempo o inesperado, o que é novo,
o que é historicamente produtivo. [...] [Não
sejam] jovens de alma envelhecida. [...] [O]
nosso futuro como nação não se constrói
senão com ousadia, com vitalidade e um
infinito respeito pelos outros.
  Muito obrigado.

   
   

68

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013










DISCURSO DA PRESIDENTA DA REPÚBLICA, DILMA ROUSSEFF,
  DURANTE CERIMÔNIA DE FORMATURA DA TURMA 2011/2013
                                   DO INSTITUTO RIO BRANCO
                                                       18/06/2013

                                                                 
                                                                 
                                                                 
                                                                 
                                                                 
                                                                 

   Boa tarde a todos.
  Queria	iniciar	cumprimentando	os
formandos do Instituto Rio Branco que
escolheram Oscar Niemeyer como patrono de
sua turma e Celso Amorim como paraninfo.
  Cumprimento	o	embaixador	Antonio
Patriota, ministro das Relações Exteriores.
  Cumprimento as senhoras e os senhores
chefes de missão diplomática acreditados
junto ao meu governo aqui presentes.
  Cumprimento	o	embaixador	Eduardo
dos Santos, secretário-geral das Relações
Exteriores.
  Cumprimento e dirijo uma celebração
especial ao embaixador Celso Amorim,
paraninfo da turma Oscar Niemeyer e a
senhora Ana Amorim.
  Cumprimento	o	embaixador	Georges
Lamazière,	as	senhoras	e	os	senhores
embaixadores aqui presentes.
  Queria dirigir uma saudação especial à
Luana e elogiar o discurso e a precisão com
que mostra que essa turma, ela reflete os
ensinamentos do Mia Couto. Luana Alves de
Melo, oradora desta turma, meus parabéns.
  Senhoras e senhores familiares, pais,
mães a parentes, amigos, namorados, noivas,
noivos.
   
Eu queria dizer que eu acho que esse é um
momento muito especial para os familiares, eu
imagino a alegria que eu teria se a minha filha
estivesse nesse momento aqui, nesse plenário,
recebendo essa introdução a uma carreira e
a um caminho  a carreira da diplomacia e o
caminho da política externa como profissão,
desafio e paixão.
  Queria cumprimentar também as senhoras
e os senhores jornalistas, fotógrafos e
cinegrafistas aqui presentes.
  Senhores e senhores.
   No dia de hoje, trinta novos diplomatas
ingressam nos quadros do Ministério das
Relações Exteriores. Outros diplomatas
de países amigos são formados aqui no
Brasil; Angola, Argentina, Cabo Verde,
Guiné Equatorial, Moçambique, República
Democrática do Congo, São Tomé e Príncipe,
Suriname e Timor Leste.
  Eu quero compartilhar com vocês, agora
diplomatas, com seus familiares e amigos, a
alegria desse momento. Desejar a cada um
êxito e felicidade em suas novas funções,
como servidores da República e de seus países.
  Espero e acredito que esse seja igualmente
um momento especial para cada um, um
momento de reflexão. A partir de agora




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	69




começa uma nova etapa na vida de cada um
de vocês, e também uma contribuição de cada
um de vocês ao Brasil.
  Acredito, por isso, que este seja o momento
de transmitir-lhes algumas reflexões sobre a
nossa política externa, sobre esse caminho
que vocês, como diplomatas de carreira,
profissionais que têm a tradição do Itamaraty,
a tradição de excelência do Itamaraty, irão
seguir.
  A nossa política externa, assim como
o país, assim como a política em geral no
Brasil, sofreu inflexões ao longo do curso da
nossa história republicana. Essas inflexões,
elas foram capazes de manter e aprofundar
princípios e valores permanentes que as
fizeram respeitada no mundo.
  Não por acaso o Itamaraty é conhecido
como a Casa do Rio Branco. O Barão, e aí
começa uma das características do Brasil,
que é uma designação um tanto contraditória
para alguém que tanto fez pela República,
pois o Barão lançou as bases da nossa
política externa, e por base de nossa política
externa, e por sua ação, ele delineou, de forma
definitiva, há mais de um século, as fronteiras
do Brasil, fronteiras essas que tiveram uma
grande contribuição do Império para manter,
ao contrário da América Espanhola, a unidade
política e territorial.
  Pois muito bem, esta Casa, a Casa do Barão
do Rio Branco, ou a Casa de Rio Branco, é a
Casa que preservou a unidade territorial do
nosso país, definiu suas fronteiras e o fez de
uma forma muito particular. Tocou-lhe, ao
Barão, um período de enorme complexidade
no mundo e no Brasil: a Era dos Impérios.
A Era dos Impérios, na qual ele viveu,
foi também caracterizada por importantes
rearranjos econômicos, políticos e militares
globais, cheios de desafios que prenunciavam
as grandes tragédias que marcaram a primeira
metade do século XX.
   
No plano interno, uma República recém
proclamada que enfrentava inúmeras
dificuldades. A exclusão efetiva das
populações negras, mesmo depois da abolição,
agravou a pobreza, as desigualdades sociais
e a discriminação. No campo e nas cidades
os movimentos sociais, alguns de caráter
insurgente, questionavam a legitimidade do
novo regime.
  Paranhos não esteve alheio a essas
realidades, da mesma forma que Joaquim
Nabuco também envolvido na política
externa, e Oliveira Lima. Ele centrou-se em
um arranjo definitivo do território nacional
como elemento essencial para a afirmação da
nossa jovem República que então emergia.
  Ao realizar essa tarefa assentou, ao mesmo
tempo, alguns princípios básicos que iriam
marcar nossa política externa: o respeito à
soberania nacional e ao direito internacional,
e a negociação e o diálogo como forma
de resolver contenciosos, em oposição às
tentações do uso da força.
  Assim, ao iniciar a nossa República,
compreendemos a inserção do Brasil no
mundo, naquele momento de transição
nacional e internacional, que colocou para
nós a necessidade de novas relações, de novos
padrões de relacionamento com os demais
países, principalmente com os nossos vizinhos
da América do Sul. Naquele momento também
foram estabelecidas relações pragmáticas com
os Estados Unidos, à época uma potência
global emergente.
  Esse estilo de fazer política, que combinada
absoluta firmeza na defesa do interesse
nacional com flexibilidade negociadora,
se transformou num paradigma da política
externa brasileira que muito nos orgulha. E o
país, para tanto, precisava ter um duplo olhar:
um olhar atento para a sua própria realidade,
própria realidade que define e domina a
necessidade de um outro olhar, um olhar para




70

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




o cenário mundial e, sobretudo, o cenário sul-
americano e para nós, hoje, africano também.
  Foi	esse	o	caminho	que	seguiram
outros grandes nomes desta Casa, como os
chamados construtores da política externa
independente: Afonso Arinos, Araújo de
Castro e Santiago Dantas. Já em 62, Santiago
Dantas, envolvido com igual intensidade
nos problemas mundiais e nos problemas
brasileiros, escrevia que nossa política externa
deveria ter, como consideração exclusiva,
cito: O interesse do Brasil como um país que
aspira ao desenvolvimento, à emancipação
econômica e à conciliação histórica entre o
regime democrático representativo e uma
reforma social capaz de suprimir a opressão
da classe trabalhadora. E nós vivemos esse
processo ao longo de toda a conformação da
República brasileira.
  Por isso, senhoras e senhores, diplomatas
que agora adentram à carreira, como todos
vêem, nós temos uma tradição, o que é muito
bom para um país novo como o nosso, ter
uma tradição. Daí a importância, o renome
e o padrão de excelência do Itamaraty. Essa
tradição foi retomada e desenvolvida por
Celso Amorim, em sua brilhante passagem
pelo Itamaraty, durante o governo Lula.
  No discurso feito por ocasião de sua
assunção como chanceler, em 2003, nosso
querido atual ministro da Defesa, e então
ministro das Relações Exteriores, Celso
Amorim, afirmava:  O Brasil  estou citando
Celso Amorim  O Brasil terá uma política
externa voltada para o desenvolvimento
e para a paz, que buscará reduzir o hiato
entre as nações ricas e as nações pobres,
promover o respeito da igualdade entre os
povos e a democratização efetiva do sistema
internacional. Uma política externa que seja
um elemento essencial do esforço de todos
para melhorar as condições de vida de nosso
povo.
   
Essa citação mostra, fundamentalmente,
como é importante a herança que nós temos a
reivindicar. Ela alimenta a política externa do
meu governo que tem no ministro Patriota seu
principal executor e elaborador. Não se trata
de ficar presos ao passado, mas de entendê-
lo e construir, com esse entendimento, o
presente, avaliando a realidade e definindo os
parâmetros para o futuro.
  O mundo em que vivemos e o mundo que
tocou a viver, nesses últimos dez anos, passou
por grandes e aceleradas transformações.
Nós soubemos acompanhar essas mudanças
e responder aos desafios que tivemos pela
frente. Ainda, no entanto, há muito o que fazer.
  Nós tivemos que enfrentar a crise mundial,
agravada a partir de 2008. Talvez a maior crise
desde 1929, quando se olha tanto as relações
econômicas internacionais mas, sobretudo, o
aspectofinanceirodessacrise.Tambémtivemos
de enfrentar medidas de política interna. E
essas medidas de política interna estabeleciam
um novo padrão de desenvolvimento, que não
considerava que a questão do crescimento
e a questão da distribuição de renda eram
questões opostas, que uma excluía a outra,
nem tampouco que para crescer era necessário
ter padrões autoritários de relacionamento
político-institucional, pelo contrário, afirmava
tanto a importância da distribuição de renda
para fazer crescer a economia, quanto a
importância da democracia para construir um
padrão de desenvolvimento completamente
diferenciado das históricas características que
marcaram, infelizmente, a história da América
Latina, durante longas décadas.
  Ao mesmo tempo, ao olhar a crise, não
propúnhamos, e não prepusemos, e não
propomos, o isolamento, o protecionismo,
mas, sim, a consolidação da nossa cooperação,
dos laços regionais ampliando e fortalecendo.
Definimos uma visível e necessária importância
para a América Latina e a África. Daí todas as




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	71




iniciativas, no sentido de fortalecer o Mercosul
e construir essa integração fundamental e de
afirmação regional e de projeção regional, que
é a Unasul.
  Nos últimos anos, a Unasul teve um papel
extremamente equilibrado, democrático e
estabilizador, na América Latina, aliás, na
América do Sul, no nosso hemisfério sul. A
Unasul se constituiu, junto com o Mercosul,
que ela contém, num elemento fundamental
para que se afirmasse a democracia neste
continente, em especial quando consideramos
o acontecido no Paraguai e na Venezuela.
  O mundo multipolar que está se desenhando
exige que a América do Sul dê uma resposta
conjunta aos desafios, ao mesmo tempo
aprofundando sua integração econômica,
social, política e cultural, em matéria de
economia, relações comerciais e investimento,
em matéria de defesa, em matéria do diálogo e
da articulação política, fazendo com que esta
região seja capaz, ela mesma, de solucionar os
seus problemas e não necessite de nenhuma
intervenção externa a ela.
  O Brasil quer enfrentar as vicissitudes da
globalização junto com seus parceiros sul-
americanos. A força dessa iniciativa foi tal
que se expandiu para todo o continente e,
agora, depois da formação da Celac, que é a
Comunidade dos Estados Latino-Americanos
e Caribenhos, tornou-se, essa instituição, a
Celac, um acontecimento inédito na história
da região.
  Da mesma forma, fizemos um forte
movimento em direção à África. Nessa
iniciativa pesou, e pesa, a relevância que
esse continente tem para a nossa formação
histórica, mais de 100 milhões de brasileiros
se dizem afrodescendente, o que muito nos
orgulha e, mais uma vez, coloca a necessidade
de reconhecermos que um dos maiores veios
que compõe a nossa nação é formado pela
nossa origem africana. Também para nós

a importância dessa região, que é uma das
regiões, senão a que mais cresce no mundo,
e que começa a enfrentar os desafios do
desenvolvimento econômico, da construção
democrática e da inclusão da sua população
aos ganhos do crescimento.
  Nós temos uma contribuição a dar nessa
matéria, uma vez que o nosso país foi capaz
de, ao longo desses dez anos, construir uma
tecnologia social de inclusão que levou
milhões de brasileiros à classe média e outros
milhões a saírem da pobreza extrema.
  Esse nosso olhar para o sul do mundo, essa
nossa política que enfatiza essa característica
Sul-Sul como sendo marcada por um repúdio a
todas as formas de domínio e de opressão entre
os países, explica também a ênfase que demos
às relações com os países que têm o mesmo
padrão do Brasil, países continentais que
também emergiram para o desenvolvimento,
como é o caso dos países Brics, com os quais,
Brasil, Índia, China, Rússia e África do Sul,
dentro dessa perspectiva, estabelecemos uma
relação de cooperação que nos levou tanto
ao acordo de contingenciamento de reservas
quanto à formação do Banco dos Brics,
Banco do Desenvolvimento dos Brics. Ao
mesmo tempo explica também a ênfase que
demos às relações com os países árabes e,
especificamente, com a Índia e a África do Sul,
que desembocaram na formação do IBAS.
  Todas essas iniciativas não nos afastaram
de nenhum dos países desenvolvidos e,
por isso, temos relações extremamente
qualificadas com a União Europeia e com
os Estados Unidos. O bom relacionamento
com esses países desenvolvidos não impede,
ao contrário do que aconteceu no passado,
que tenhamos personalidade própria na cena
mundial A política externa brasileira, ela
tem vocação universalista, por isso temos
uma relação de aprofundamento das nossas
relações comerciais com a União Europeia e




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




com os Estados Unidos.
  Por essa razão também nos preocupam
situações de conflito no mundo inteiro, e eu cito
aqui a Palestina ou a Síria, o conflito israelo-
palestino e a nossa preocupação sempre em
defender os mecanismos de diálogo e de paz
para a garantia não só dos direitos humanos
naqueles países como também do respeito à
sua independência.
  E isso nos leva a uma clara defesa do
multilateralismo, do multilateralismo como
condição de afirmação da personalidade
própria de todos os povos e, também, do Brasil.
Multilateralismo como único instrumento
capaz	de	resolver	graves	contenciosos
mundiais, em clima de respeito mútuo e sem
imposições unilaterais. Aliás, essa é uma
característica que faz o Brasil ser respeitado
por muitos povos, essa característica de
respeito mútuo, sem imposições unilaterais.
  Nós reafirmamos a interrelação entre
paz, segurança, desenvolvimento e justiça
social. Esta é uma questão que nós, sem
sombra de dúvida, somos responsáveis por
tê-la colocado no cenário internacional: a
questão dos benefícios para as populações dos
diferentes países, benefícios sociais, ganhos
sociais, inclusão social. E ilustra o interesse
de vários países quando vêm ao Brasil de
fazer discussões econômicas do comércio
bilateral, enfim, dos investimentos recíprocos,
e o grande anseio por ter acesso às nossas
políticas de inclusão social, as chamadas
tecnologias do Bolsa Família, do Minha Casa,
Minha Vida, enfim, do Luz para Todos, enfim,
de todas as políticas que o Brasil utilizou para
emergir como uma potência que olha para o
seu povo.
  Esses	princípios	nos	mostram,	ao
mesmo tempo, que a governança mundial
necessita urgente e profunda reforma, seja
dos organismos de Bretton Woods, como o
Fundo Monetário Internacional e o Banco

Mundial, reforma para que se reflita nesses
organismos a atual correlação de forças
econômicas que depois das várias décadas
que nos separam do final da Segunda Guerra
Mundial e que alteraram o perfil das relações
econômicas entre os países, exige que
tenhamos isso expressado nas instituições do
Fundo Monetário e do Banco Mundial. Seja
também nas próprias Nações Unidas, em
particular o seu Conselho de Segurança, hoje
carente de representatividade e, muitas vezes,
de legitimidade, para enfrentar e resolver as
constantes ameaças à paz mundial.
  Por defendermos esses princípios,
acreditamos que os problemas de nosso
comércio exterior, complexos, em um mundo
dominado pelo crescente protecionismo, só
podem resolver-se em um marco multilateral,
regional ou global. Acordos bilaterais,
sobretudo aqueles entre as economias
assimétricas oferecem, muitas vezes, a ilusão
de ganhos imediatos, mas terminam por
produzir um resultado oposto, enfraquecendo
a indústria nacional, a agricultura e o setor de
serviços.
  É nesse marco multilateral que temos
também de resolver as questões relacionadas à
mudança do clima. A Rio+20, a maior reunião
realizada pelas Nações Unidas, deu um passo
importante ao aprovar um novo conceito de
desenvolvimento sustentável, sintetizado
na expressão crescer e incluir, preservar
e proteger, que, como os senhores vêem,
articula as dimensões econômica, social e
ambiental.
  A definição de metas do desenvolvimento
sustentável, definidas na Rio+20, representa,
sem dúvida, um passo à frente, se efetivadas
na mudança do engajamento da comunidade
mundial em torno dessa questão estratégica,
que é a mudança do clima.
  Senhoras e senhores,
  O Brasil ganhou enorme projeção

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	73




internacional	em	pouco	mais	de	uma
década. Hoje, integramos o G-20, somos
convocados para os grandes debates e
decisões internacionais. Brasileiros como
José Graziano, Roberto Azevedo e Paulo
Vanuchi, para citar alguns, assumiram funções
de grande responsabilidade internacional, na
FAO, na OMC e na Comissão de Direitos
Humanos da OEA.
  O papel de nossos diplomatas em tudo isso
foi de extrema relevância, tem sido de extrema
relevância o papel de nossos diplomatas, tanto
na elaboração quanto na execução de nossa
política externa. E tem sido fundamental
esse papel do Itamaraty, quando se trata
de sustentar a política externa que reflete a
grande transformação global e nacional pela
qual o Brasil passou.
  A retomada	da	inclusão	social,	do
crescimento, da redução das desigualdades,
ela reduziu a nossa vulnerabilidade externa.
Somos um país que hoje tem um conjunto
de reservas bastante expressivo, mais de
US$ 370 bilhões. De país endividado nos
transformamos em credores internacionais
pois emprestamos, mais recentemente, para o
FMI, recursos bastante significativos. Aliás,
ironicamente, muito similares aos que, no
passado, o FMI nos emprestou. Mas o traço
mais significativo percebido pelo mundo,
nesses últimos anos, é a preservação, o
aprofundamento da democracia e da melhoria
de vida da população brasileira.
  Os jovens secretários que hoje ingressam
na carreira diplomática irão cumprir missões
pelo mundo afora, e podem ter certeza: muito
orgulhosos de serem brasileiros. Poderão dizer
que pertencem à turma que teve como patrono
esta figura extraordinária que foi Oscar
Niemeyer. Oscar Niemeyer, militante político
deste país, que amava o seu país, um poeta da
arquitetura, mas, também, um militante que se
dedicou a todas as causas de resistência aos

processos ditatoriais de construção da nossa
nacionalidade e, também, um defensor da
população pobre do nosso país.
  Esses jovens secretários que aqui estão e
que muito nos orgulham poderão mencionar,
também, que escolheram Celso Amorim
como seu paraninfo. Sem arrogância, mas
com segurança e firmeza, poderão dizer que
representam o país que se encontrou consigo
mesmo, que recuperou sua autoestima e que
está pronto a dar uma contribuição decisiva
para um mundo de paz, de desenvolvimento,
de justiça social, um mundo que tem de se
afastar das guerras e escolher o diálogo e a
cooperação como métodos de política externa.
  Eu queria dizer a todos vocês: o Brasil
conta, e conta muito, com cada um de vocês.
A partir de hoje vocês entram e trilharão um
caminho. Nesse caminho, vocês serão os
Celso Amorim e os Patriotas do futuro, vocês
serão responsáveis, nos próximos 20, 30, 40
anos, pela política externa brasileira. Vocês
começam hoje, dando o primeiro passo.
  Por isso, eu desejo para vocês meus
parabéns, boa sorte. E, sobretudo, que nunca
mais se repita no Brasil a impossibilidade de
fazer uma política externa independente, num
Brasil democrático, com justiça social.
  Muito obrigada.

   
   

74

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013










DISCURSO DO MINISTRO DA DEFESA, CELSO AMORIM, NA FORMATURA DA
TURMA OSCAR NIEMEYER DO INSTITUTO RIO BRANCO - PARANINFO DA
   TURMA OSCAR NIEMEYER - CORAGEM, IDEALISMO, SOLIDARIEDADE
                                          BRASÍLIA, 17 DE JUNHO DE 2013

                                                 
                                                 
                                                 
                                                 
                                                 
                                                 

  Queridos alunas e alunos da turma Oscar
Niemeyer,
  Hoje é um dia de muita alegria e felicidade
para todos os que estamos aqui: naturalmente,
para as moças e moços que se diplomaram em
um dos cursos mais exigentes do nosso país
e que ingressam agora em uma carreira com
enorme potencial de gratificação intelectual,
mas também cheia de desafios profissionais
e humanos; para os pais, mães, familiares e
amigos que viram seus sacrifícios  financeiros
ou emocionais  recompensados, suas preces
atendidas.
  Mas este é um momento de celebração
para todos os demais aqui presentes, já que
hoje festejamos a iniciação formal na carreira
diplomática de um grupo de cidadãos e cidadãs
jovens, brilhantes e dedicados, imbuídos
dos mais altos valores e das mais nobres
expectativas, que escolheram, por meio de
sua profissão, servir à Nação brasileira. Nem
mesmo o fato de essa cerimônia repetir-se
todos os anos a torna rotineira. Parabéns a
todos vocês!
  Com a permissão de vocês, vou, antes de
tudo, fazer um agradecimento. Para alguém que
já percorreu boa parte do que Oscar Niemeyer
chamou de curto caminho cheio de alegrias

que o destino, sem consulta, nos oferece, a
homenagem sincera e desinteressada vinda
dos mais jovens é o que pode haver de mais
gratificante. Vocês não imaginam a alegria que
me deram. Assim, junto aos meus parabéns o
meu emocionado muito obrigado.
  Essa formatura coincide no tempo com
um dos maiores feitos da política externa
brasileira, a eleição de um expoente da nossa
diplomacia; da diplomacia da qual vocês agora
fazem parte, o Embaixador Roberto Azevedo
para a OMC. Este é mais um motivo de júbilo.
Ao cumprimentar a Presidenta Dilma Roussef
e o Ministro Antonio Patriota, associo-me à
celebração desse triunfo. Como é alvissareiro
que vocês estejam dando os primeiros passos
na carreira sob a égide desse triunfo!
  Queridas alunas, queridos alunos,
  A escolha de Niemeyer como patrono
da turma - o nome pelo qual desejam ser
lembrados coletivamente - diz muito da
visão de mundo que têm e que vai inspirar
a maneira como exercerão a profissão que
abraçaram. Niemeyer foi, acima de tudo, um
grande ser humano; um homem em quem o
dom de cultivar e criar o belo jamais ofuscou
a aptidão de sentir, como se fossem suas, as
dores dos humilhados e ofendidos, que ainda




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	75




constituem uma grande parte da população do
planeta.
  Niemeyer encantou o mundo com suas
formas ousadas, suas curvas imprevistas
e improváveis de concreto-armado, com a
leveza de suas obras-primas na Pampulha,
em Brasília, na Argélia e nos grandes centros
urbanos europeus.
  Mas o olhar de Niemeyer sempre esteve
posto no Brasil e na sua gente. E era para
o Brasil que ansiava voltar, nos tempos de
auto-exílio ou a cada viagem que fazia. Os
diplomatas,	apesar	de	permanentemente
ligados ao país pelo cordão umbilical da
profissão, sentem-se um pouco exilados. De
certa forma, é até bom que seja assim, para não
sucumbirem às tentações do cosmopolitismo
destituído de conexão com a realidade.
  Uma das características mais marcantes do
ser humano Oscar Niemeyer era a profunda
solidariedade pelo seu semelhante, tanto por
seus amigos, quanto por pessoas que acabara
de conhecer, sobretudo as mais necessitadas.
Não tenho dúvida que, ao prestarem tributo a
esse grande brasileiro, vocês tiveram presente,
entre outras, essa marca de sua personalidade.
  A solidariedade com nações mais pobres
tem sido uma dimensão importante da política
externa dos governos Lula e Dilma, dentro
dos limites que a missão precípua de defesa do
interesse nacional impõe. É um dos elementos
 certamente não o único  da política de
cooperação Sul-Sul.
  Niemeyer não foi apenas um grande
artista.	Foi	um	criador	arrojado,	que
revolucionou conceitos e a própria forma
de fazer arquitetura. Nunca se submeteu aos
ditames do utilitarismo e às críticas daqueles,
que por detrás de uma pretensa simplicidade,
escondiam mera falta de talento. Por isso  é
ele próprio quem o diz  sua arquitetura é feita
com coragem e idealismo.
  Coragem e idealismo são ingredientes

indispensáveis de qualquer política (e não
apenas no plano externo) que busca modificar
a realidade e não simplesmente registrá-la. E,
também aí, vocês acertaram, ao exaltar essas
virtudes frequentemente esquecidas em velhas
receitas inspiradas por teorias supostamente
realistas.
  A instituição à qual vocês escolheram
pertencer para servir ao Estado e à Nação
brasileira  o Itamaraty  é objeto de
admiração no Brasil e no mundo. Ao longo de
quase meio século foram inúmeras as ocasiões
em que ouvi expressões dessa admiração.
  Diplomatas brasileiros são frequentemente
convidados a servir em organizações
internacionais e convocados a integrar ou
presidir painéis e comissões que lidam com
intricados assuntos, da saúde ao trabalho, da
segurança internacional à economia. A muitos,
inclusive, para usar a expressão de Corneille,
a glória não esperou o número dos anos,
jovens que eram, ainda no seu primeiro posto,
ao serem convocados para tais tarefas.
  Da mesma forma, os mais variados
órgãos do Estado brasileiro (e não apenas
do Executivo, mas também no Legislativo
e Judiciário) têm recorrido aos quadros do
Itamaraty, os quais sempre têm correspondido
a essa distinção com trabalho competente e
leal.
  Nossa diplomacia tem revelado notável
capacidade de conciliar a indispensável defesa
do interesse nacional com a formulação de
posições que atendam às aspirações de
paz e de progresso de uma grande parte da
humanidade.
  Que o temos feito de forma correta e
eficaz explica, em parte ao menos, que
brasileiros venham sendo eleitos para cargos
tão importantes  e tão diversos  como a
Direção-Geral da OMC e a da FAO.
  Defendemos os direitos humanos e o meio
ambiente, a partir de perspectivas que não




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




privilegiam aspectos formais em detrimento
das dimensões de justiça, de desenvolvimento e
de respeito às soberanias nacionais. Apoiamos
a competitividade agrícola sem esquecer a
segurança alimentar. Ao realismo político
soubemos juntar a confiança em soluções
pacíficas e mediadas. Ao tradicional  e
sempre válido  princípio da não intervenção,
associamos uma atitude de não indiferença.
Em face da responsabilidade de proteger, a
Presidenta Dilma e o Ministro Patriota têm
sustentado a responsabilidade ao proteger.
  Numa sociedade democrática, a autoridade
eleita pelo povo é a fonte última de
legitimidade. Essa é uma verdade axiomática,
que todos aqui reconhecem e que sequer
necessita explicação.
  Cabe à diplomacia traduzir em ações
práticas, no cotidiano do fazer internacional,
as orientações políticas emanadas do mais alto
nível do Governo. A capacidade de executar
bem essas orientações depende da qualidade
dos seus quadros. Depende, também, em larga
medida, de sua representatividade, em termos
regionais, sociais, raciais e de gênero.
  Diferentemente	de	certas	visões
caricaturais, a coragem e o idealismo,
assim como a solidariedade  trinômio
que eu associaria a Oscar Niemeyer , são
ingredientes indispensáveis da atividade que
vocês vão desenvolver. No Brasil democrático,
economicamente estável e socialmente mais
justo, o trabalho diplomático do dia-a-dia e os
valores humanistas tenderão cada vez mais a
confluir no leito de um mesmo rio.
  Nem sempre foi assim. Em momentos
difíceis, felizmente já superados, de nossa
vida política, muita coragem e idealismo
foram necessários por parte daqueles que
procuravam encontrar um caminho digno
em face das injunções da realidade. Muito
sangue correu  se não no sentido próprio,
pelo menos no figurado  entre o punho e a

renda. Otimista inveterado que sou sobre os
destinos do Brasil, tenho a convicção de que
nada de parecido ocorrerá com vocês.
  A turma Oscar Niemeyer ingressa no
Itamaraty em um momento especialmente
propício da história brasileira. Até há pouco,
os condutores de nossa política externa
pareciam haver traçado ao redor de si mesmos
verdadeiros círculos de giz, que não ousavam
ultrapassar.
  Nos últimos dez anos, construindo sobre as
mudanças ocorridas ao longo das duas décadas
anteriores, nossa política externa tornou-se
mais desassombrada. Pôs de lado teorias,
que já nada tinham a ver com a realidade,
nacional e internacional, sobre o excedente
de poder, de que careceríamos para agir com
independência e altivez nos planos regional e
global.
  Foi com combinação de coragem,
idealismo e solidariedade que fortalecemos
a integração sul-americana, desconstruímos
propostas hegemônicas de associação
econômico-comercial como a ALCA,
lançamos iniciativas que nos aproximaram
de outros países em desenvolvimento na
América Latina e na África e contribuímos
para que o mapa econômico e político do
mundo começasse a ser redesenhado em um
sentido mais multipolar e mais multilateral,
propondo ou apoiando associações como o
IBAS, os BRICS, a ASPA e o G-20 da OMC.
  Estou seguro que a política externa ativa,
altiva e soberana que o nosso país adotou
e vem seguindo, sempre com capacidade
inovadora, proporcionará alegrias no campo
profissional, que justificarão plenamente, a
seus próprios olhos, a escolha que fizeram.
  Tive, nos últimos anos  e, para minha
grande felicidade, continuo a ter  a
oportunidade de conviver com jovens
diplomatas, não só da turma cuja formatura
celebramos, mas também de outras, que a




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	77




antecederam, especialmente as chamadas
turmas de cem, que, contrariamente ao
que apregoavam os defensores de uma visão
elitista, não só mantiveram o padrão de
excelência dos quadros do Itamaraty, mas
contribuíram para torná-lo mais representativo
da nossa sociedade.
  Muito aprendi com esses jovens, mulheres
e homens extremamente bem preparados
e possuidores de alta motivação. Muitas
vezes me surpreendi com os conhecimentos
e informações que demonstravam ter. Suas
perguntas e inquietações me forçaram a
aprofundar raciocínios, confirmar convicções,
refinar argumentos. Conheço a paixão que
têm pelo Brasil e, em particular, pela política
externa. Atrevo-me a dizer que, graças às
mudanças da última década, apoiadas por
sua vez em conquistas que as embasaram  a
democracia, o respeito à pluralidade, a busca
da igualdade  a geração de vocês poderá
realizar o sonho stendhaliano de fazer da sua
paixão o seu ofício.
  Em seu célebre ensaio autobiográfico Minha
Formação, Joaquim Nabuco profetizou que a
escravidão permaneceria por muito tempo
como a característica nacional do Brasil. E,
de fato, esta marca/mancha/sombra ainda está
aí, resistindo a ser apagada, símbolo de outras
desigualdades, que só muito recentemente
começaram a ser enfrentadas com vigor e
determinação. Sem que elas sejam eliminadas,
todo o progresso moral é limitado e muito do
idealismo que professamos poderá parecer
uma fachada para defender interesses menos
nobres. Somente um país socialmente justo
poderá ter a força moral para defender seus
interesses com independência e altivez. Era
o que já pensava o Patriarca José Bonifácio
cujos duzentos e cinquenta anos de nascimento
estamos comemorando.
  Em contrapartida, uma nação dependente
e sujeita a hegemonias externas de qualquer

natureza não pode ser justa. Como advertiam
pensadores clássicos, de Platão e Aristóteles
a Maquiavel, não há cidadão livre quando a
cidade não é livre. Contribuir para reforçar essa
dialética positiva entre justiça e independência
é parte da missão de vocês.
  Parabéns às alunas e alunos, a seus pais e
familiares! Parabéns ao Brasil por ganhar mais
um grupo de jovens idealistas e dedicados,
aptos a servir à Nação.
  Muito obrigado!

   
   

78

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013










ATOS INTERNACIONAIS ASSINADOS NO PERÍODO






ATOS ASSINADOS POR OCASIÃO DA VI
  CÚPULA BRASILUNIÃO EUROPEIA -
     BRASÍLIA, 24 DE JANEIRO DE 2013
                            24/01/2013
                               
  (English version after the version in
Portuguese)
  1  Arranjo de cooperação entre o
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
(MCTI) da República Federativa do Brasil e o
Joint Research Centre (JRC) da Comissão
Europeia para cooperação científica e outras
atividades em áreas de interesse comum;
  2		Memorando	de	entendimento
administrativo sobre cooperação técnica na
área de bem-estar animal entre o Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento da
República Federativa do Brasil e a Direção-
Geral da Saúde e da Proteção do Consumidor
da Comissão Europeia.

  *****
   
  ARRANJO	DE	COOPERAÇÃO
ENTRE O MINISTÉRIO DA CIÊNCIA,
TECNOLOGIA E INOVAÇÃO (MCTI) DA
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
E	O	JOINT	RESEARCH	CENTRE
(JRC) DA COMISSÃO EUROPEIA PARA
COOPERAÇÃO CIENTÍFICA E OUTRAS
ATIVIDADES
  EM ÁREAS DE INTERESSE COMUM
   
Em conformidade com o Acordo de
Cooperação Científica e Tecnológica entre o
Governo da República Federativa do Brasil e
a Comunidade Europeia, assinado em Brasília
em 19 de janeiro de 2004, e renovado em 8 de
agosto de 2012, a seguir designado  Acordo
de Cooperação Científica e Tecnológica,
em especial o artigo V, parágrafo segundo
do mesmo, estabelece-se este Arranjo de
Cooperação para cobrir atividades científicas
e outras atividades de cooperação em áreas
de interesse comum, estabelecidas entre o
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
da República Federativa do Brasil (MCTI) e o
Joint Research Center (JRC), da Comissão
Europeia. O MCTI e o JRC já haviam
assinado Carta de Intenções nesse sentido
anteriormente, em 4 de outubro de 2011. O
objetivo do presente Arranjo de Cooperação
é incentivar, desenvolver e facilitar as
atividades de cooperação entre o MCTI e
o JRC, conduzidas com base no benefício
mútuo, obtido por meio de um equilíbrio
global de vantagens, oportunidades recíprocas
de participação em atividades de cooperação e
tratamento equitativo e justo. Este Arranjo de
Cooperação não se destina a criar obrigações
legais entre o MCTI e o JRC.
  1. As Atividades de Cooperação
  1.1 O MCTI e o JRC poderão realizar
e facilitar as atividades de cooperação em
todas as áreas da Ciência e da Tecnologia,
relacionadas com estudos científicos e outras




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	79




atividades de cooperação em áreas de interesse
comum, considerando as prioridades do JRC,
por um lado, e as prioridades do MCTI, por
outro lado.
  1.2 As atividades de cooperação científica
podem incluir, mas não estão limitadas, às
seguintes áreas:
  1.2.1 Prevenção de desastres e gestão
de crises, com base no Diálogo Setorial
JRC-MCTI sobre previsão de inundações e
monitoramento, que continuará a apoiar a
criação do Centro Nacional de Monitoramento
e Alerta Precoce de Desastres Naturais
(CEMADEN);
  1.2.2	Mudanças	climáticas	e	gestão
sustentável dos recursos naturais (incluindo
florestas, uso da terra, da água, dos solos,
desertificação e recursos biológicos) e de
serviços ecossistêmicos;
  1.2.3 Energia, incluindo bioenergia, redes
inteligentes, energias renováveis e segurança
nuclear;
  1.2.4 Segurança alimentar;
  1.2.5	Bioeconomia	(especialmente
biotecnologia);
  1.2.6 TICs, incluindo geoinformação e
aplicações espaciais;
  1.2.7 Nanotecnologias.
  1.3 Todas as áreas de cooperação e
atividades previstas no presente Arranjo
de Cooperação permanecerão no âmbito
do Acordo de Cooperação Científica e
Tecnológica.
  2. Natureza das Atividades de Cooperação
  2.1 As atividades de cooperação poderão
incluir, mas não estão limitadas a:
  2.1.1 Acesso equivalente às instalações
laboratoriais,	equipamentos	e	material,
para a realização de atividades científicas
e	tecnológicas,	incluindo	ciência,
desenvolvimento,	testes,	avaliações,
normalização	e	certificação,	sujeitas	à
aprovação administrativa conforme o caso;
   
2.1.2 Intercâmbio de informações
científicas e tecnológicas. A disseminação
de resultados de pesquisa, se considerada
vantajosa, poderá ser realizada por meio
de seminários conjuntos, workshops e
conferências, sujeita aos termos e condições
acordados entre o MCTI e o JRC;
  2.1.3 Intercâmbio de pessoal entre o MCTI
e o JRC, para realizar tarefas no âmbito do
presente Arranjo de Cooperação, sujeito à
aprovação administrativa de acordo com os
procedimentos e políticas internas do MCTI
e do JRC;
  2.1.4 Apoio à capacitação de cientistas,
engenheiros e especialistas técnicos;
  2.1.5 Participação em atividades de
treinamento e cooperação no âmbito do
programa brasileiro de mobilidade Ciência
sem Fronteiras;
  2.1.6 Apoio à pesquisa conjunta,
desenvolvimento de conteúdo e propostas
de acesso, complementação para bolsas
existentes, contratos e acordos, e financiamento
de atividades temáticas cooperativas para
benefício mútuo e de valor agregado;
  2.1.7 Uso compartilhado de infraestrutura
científica (observatórios, navios e satélites).
  3. Coordenação
  3.1 O MCTI e o JRC pretendem cooperar
estreitamente para coordenar atividades
conjuntas. O MCTI e o JRC terão um número
igual de representantes que serão designados
para coordenar as atividades (o Grupo de
Coordenação). O Grupo de Coordenação
nomeará dois co-presidentes para conduzir as
reuniões, um do MCTI e um do JRC. Quando
necessário, o MCTI e o JRC poderão designar
novos participantes para representá-los em
tais reuniões. O Grupo de Coordenação poderá
reunir-se sempre que necessário, através de
videoconferências ou encontros presenciais.
Sempre que possível, um encontro presencial
terá lugar durante as reuniões regulares do




80

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




Comitê Diretivo de Cooperação Científica e
Técnica Brasil - União Europeia. Os pontos
focais designados (a Unit of Scientific
Support to Innovation Union, Foresight and
International Relations, para o JRC, e a
Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa
e Desenvolvimento (SEPED), para o MCTI)
serão responsáveis pelo desenvolvimento
do programa de trabalho bienal inicial para
promover atividades de cooperação entre
o MCTI e o JRC, que será referendado na
primeira reunião do Grupo de Coordenação.
  3.2 Quando necessário, o MCTI e o JRC
poderão realizar reuniões de alto nível, em
que tanto o MCTI quanto o JRC designarão
um co-presidente.
  3.3OGrupodeCoordenaçãoiráacompanhar
e estimular atividades de cooperação no âmbito
deste Arranjo de Cooperação. Ele deverá
intercambiar	informações	sobre	práticas,
leis, regulamentos e programas relevantes
para a cooperação. Deverá, ainda, planejar e
identificar os objetivos e as oportunidades para
cada programa bienal de trabalho, bem como
revisar as atividades, os níveis de participação
e os esforços similares empreendidos pelo
MCTI e pelo JRC em seus programas no
âmbito deste Arranjo de Cooperação. Deverá,
ainda, emitir um relatório periódico sobre a
cooperação.
  4. Financiamento
  4.1 Atividades de cooperação no âmbito
deste Arranjo de Cooperação (incluindo
Seções 2 e 3) estarão sujeitas à disponibilidade
de fundos apropriados, às leis e regulamentos,
políticas e programas do MCTI e do JRC,
e aos termos do Acordo de Cooperação
Científica e Tecnológica e do presente Arranjo
de Cooperação. Este Arranjo de Cooperação
não cria obrigações financeiras.
  4.2 O MCTI e o JRC comprometem-se
a arcar com os custos de participação nas
reuniões do Grupo de Coordenação. No

entanto, os custos diretamente associados
com as reuniões do Grupo de Coordenação,
exceto aqueles de deslocamento e alojamento,
serão custeados pela instituição anfitriã, salvo
acordado em contrário.
  4.3 O MCTI e o JRC são responsáveis por
qualquer auditoria de suas ações em apoio
das atividades de cooperação, incluindo as
atividades de qualquer de seus participantes.
As auditorias do MCTI e do JRC deverão
estar de acordo com as suas próprias práticas.
  5. Propriedade intelectual
  5.1 O MCTI e o JRC concordam em atribuir
e proteger direitos de propriedade intelectual,
em conformidade com as disposições do
anexo ao Acordo de Cooperação Científica e
Tecnológica e em conformidade com qualquer
contrato relevante dos quais a União Europeia
e o Brasil sejam signatários.
  6. Duração
  6.1 Este Arranjo de Cooperação entrará
em vigor após a sua assinatura pelo MCTI
e pelo JRC, por um período de cinco anos,
ou até que o MCTI ou o JRC denuncie sua
participação no mesmo, no prazo de 90 dias
após notificação por escrito. Ele poderá ser
prolongado ou modificado, por escrito, e com
assinatura de um representante devidamente
autorizado do MCTI e do JRC.
  Assinado em 24 de janeiro de 2013, em dois
exemplares originais, nos idiomas português e
inglês.

  *****
   
  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ADMINISTRATIVO         SOBRE
COOPERAÇÃO TÉCNICA NA ÁREA
DE BEM-ESTAR ANIMAL ENTRE O
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA,
PECUÁRIA E ABASTECIMENTO DA
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
E A DIREÇÃO-GERAL DA SAÚDE E




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	81




DA PROTEÇÃO DO CONSUMIDOR DA
COMISSÃO EUROPEIA
  Com o intuito de estabelecer um grupo de
trabalho específico para o intercâmbio regular
de informações e cooperação técnica para o
bem-estar de animais de produção, o Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento da
República Federativa do Brasil e a Direção-
Geral da Saúde e da Proteção do Consumidor
da Comissão Europeia concordam em:
  1. Estabelecer um mecanismo de consulta
na área de bem-estar de animais de produção,
considerando,	sempre	que	possível,	as
recomendações da Organização Mundial de
Saúde Animal (OIE);
  2. Tratar de questões de bem-estar de
animais de produção, por meio do diálogo
e do intercâmbio de informações técnico-
científicas, de forma a assegurar benefícios
mútuos;
  3. Facilitar o bom entendimento e as futuras
negociações sobre questões de bem-estar de
animais de produção entre ambas as partes;
  4. Criar, quando considerado conveniente,
subgrupos de trabalho, a fim de discutir
questões específicas com impacto no comércio
mútuo, ou para fins de treinamentos na área de
bem-estar de animais de produção;
  5. Organizar reuniões ad hoc, a fim de
discutir e coordenar as atividades e projetos
relevantes para o presente Memorando de
Entendimento;
  6. Designar um coordenador de cada
parte que será o ponto focal para a troca de
informações sobre questões de bem-estar
animal;
  7. Arcar com as próprias despesas para
a participação nas atividades previstas no
presente	Memorando	de	Entendimento,
exceto quando acordado de outra forma;
  8. Estabelecer o presente Memorando de
Entendimento como de caráter consultivo
e sem o poder de interferir em outros

instrumentos legais relacionados;
  9. Este Memorando de Entendimento não
visa criar obrigações legais e não se constitui
em um acordo de direito internacional.
  Feito em Brasília, em 24 de janeiro de
2013, em dois exemplares originais, nos
idiomas português e inglês, sendo ambos os
textos igualmente autênticos.
  Em caso de divergência de interpretação, a
versão em inglês prevalecerá.

  *****
   
  1 - Cooperation arrangement between
the Ministry of Science, Technology and
Innovation (MCTI) of the Federative Republic
of Brazil and the Joint Research Centre (JRC)
of the European Communication for Scientific
and other cooperative in the fields of common
interest;
  2  Administrative Memorandum of
Understanding on Technical Cooperation
in the area of Animal Welfare between the
Ministry of Agriculture, Livestock and Food
Supply of the Federative Republic of Brazil
and the Directorate General of Health and
Consumers of the European Commission.

  COOPERATION ARRANGEMENT
BETWEEN THE MINISTRY OF SCIENCE,
TECHNOLOGY AND INNOVATION
(MCTI) OF THE FEDERATIVE REPUBLIC
OF BRAZIL AND THE JOINT RESEARCH
CENTRE (JRC) OF THE EUROPEAN
COMMISSION FOR SCIENTIFIC AND
OTHER COOPERATIVE ACTIVITIES IN
THE FIELDS OF COMMON INTEREST

  In accordance with the Agreement for
Scientific and Technological Cooperation
between the European Community and the
Federative Republic of Brazil, signed in
Brasilia on 19 January 2004, as renewed




82

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




on 8 August 2012, hereinafter referred to as
the S&T Agreement, in particular Art. V,
second paragraph thereof, a Cooperation
Arrangement to cover scientific and other
cooperative activities in the fields of common
interest is hereby established between the
Joint Research Centre (JRC) of the European
Commission, and the Ministry of Science,
Technology and Innovation of Brazil (MCTI).
JRC and MCTI have signed a Letter of Intent
in this sense earlier on 4 October 2011. The
purpose of this Cooperation Arrangement
is to encourage, develop and facilitate such
activities between JRC and MCTI, conducted
on the basis of mutual benefit gained from
an overall balance of advantages, reciprocal
opportunities	to	engage	in	cooperative
activities, and equitable and fair treatment.
This Cooperation Arrangement is not intended
to create obligations binding under law.
  1. Cooperative activities
  1.1 JRC and MCTI may undertake and
facilitate cooperative activities in all areas of
science and technology related to scientific
and other cooperative activities in the fields
of common interests among the priorities of
the JRC on the one hand, and the priorities of
MCTI on the other hand.
  1.2 Scientific and cooperative activities
may include, but are not limited to the
following areas:
  1.2.1	Disaster	prevention	and	crisis
management, building on JRC-MCTI sectorial
dialogue on flood forecasting and monitoring,
which will continue to provide support to the
setting-up of the Brazilian National Centre
for Monitoring and Early Warning of Natural
Disaster (CEMADEN);
  1.2.2 Climate change and Sustainable
management of natural resources (including
forests, land use, water, soils, desertification,
bio-resources) and ecosystem services;
  1.2.3 Energy, including bioenergy, smart

grids, renewables and nuclear safety and
security;
  1.2.4 Food security;
  1.2.5 Bioeconomy (especially
Biotechnology);
  1.2.6 ICT, including geo-information and
space applications;
  1.2.7 Nanotechnologies.
  1.3 All areas of cooperation and activities
foreseen in this Cooperation Arrangement
will remain within the framework of the S&T
Agreement.
  2. Nature of cooperative activities
  2.1 Cooperative activities may include but
are not limited to:
  2.1.1 Comparable access to laboratory
facilities and equipment and material, for
conducting scientific and technological
activities including science, development,
testing and evaluation, standardisation
and certification, subject to administrative
approval as appropriate;
  2.1.2 Exchange of scientific and
technological information. The exchange of
research results, if deemed advantageous,
may be performed through joint seminars,
workshops, and conference sessions subject
to terms and conditions agreed upon between
JRC and MCTI;
  2.1.3 Exchange of personnel from both JRC
and MCTI, to perform tasks in the framework
of this Cooperation Arrangement, subject to
administrative approval according to JRC and
MCTI internal procedures and policies;
  2.1.4 Support the training of scientists,
engineers and technical experts;
  2.1.5 Engagement of training and
cooperation activities under the Brazilian
Mobility Program Science without Borders;
  2.1.6 Support for joint research, content
development and access proposals,
supplements to existing grants, contracts
and agreements, and funding of cooperative




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	83




thematic activities for mutual benefit and
added value;
  2.1.7 Shared use of scientific infrastructure
(observatories, ships, satellites).
  3. Coordination
  3.1 JRC and MCTI intend to cooperate
closely to coordinate joint activities. Therefore,
both JRC and MCTI will have an equal
number of representatives that are assigned to
coordinate activities (the Steering Group).
The Steering Group will appoint two co-
chairs to lead the meetings, one from JRC and
one from MCTI. As necessary, both JRC and
MCTI may designate additional participants
to attend such meetings. The Steering Group
may meet whenever necessary, through
videoconferences or in presential meetings.
As far as possible, a presential meeting shall
take place during the regular meetings of the
European Union-Brazil Steering Committee
in Science and Technology. The designated
Focal Points (the Unit of Scientific Support to
Innovation Union, Foresight and International
relations, for the JRC, and the Secretariat
of Policies and Programs for Research and
Development (SEPED), for the MCTI) will be
responsible for developing the initial biennial
work programme for furthering cooperative
activities between JRC and MCTI to be agreed
at the first meeting of the Steering Group.
  3.2 As necessary, JRC and MCTI may hold
higher-level meetings, for which both JRC
and MCTI would designate a co-chair.
  3.3 The Steering Group is to oversee and
stimulate cooperative activities under this
Cooperation Arrangement. It should exchange
information on practices, laws, regulations,
and programmes relevant to cooperation.
It should plan and identify objectives and
opportunities for each upcoming biennial
work programme, and review activities,
participation levels, and similar efforts in
both JRC and MCTIs programmes under this

Cooperation Arrangement. It should issue a
periodic progress report on the cooperation.
  4. Funding
  4.1 Cooperative activities under this
Cooperation Arrangement (including Sections
2 and 3) are subject to the availability of
appropriated funds and to the applicable laws
and regulations, policies and programmes
of both JRC and MCTI, and to the terms of
the S&T Agreement and this Cooperation
Arrangement. This Cooperation Arrangement
creates no financial obligations.
  4.2 Both JRC and MCTI agree to bear
the costs of participation in meetings of the
Steering Group. However, costs which are
directly associated with meetings of the
Steering Group, other than those for travel and
accommodation, are borne by the institution
hosting the meeting unless otherwise agreed.
  4.3 Both JRC and MCTI are responsible
for any audit of their actions in support of
cooperative activities, including the activities
of any of their participants. Both JRC and
MCTIs audits should be in accordance with
their own applicable practices.
  5. Intellectual property
  5.1 JRC and MCTI agree to allocate
and protect intellectual property rights in
accordance with the provisions of the Annex
to the S&T Agreement and in compliance with
any relevant agreement to which the European
Union and Brazil are signatories.
  6. Duration
  6.1 This Cooperation Arrangement will
take effect upon signature for a period of five
years, or until JRC or MCTI discontinues its
participation in it, upon written notice within
ninety days. It can be prolonged or modified
only by written amendment and signed by the
duly authorised representative of both JRC
and MCTI.
  Signed at Brasilia, on January 24, 2013,
in two original copies in the Portuguese and




84

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




English language.

  *****
   
  ADMINISTRATIVE	MEMORANDUM
OF UNDERSTANDING ON TECHNICAL
COOPERATION IN THEAREAOFANIMAL
WELFARE BETWEEN THE MINISTRY
OF AGRICULTURE, LIVESTOCK AND
FOOD SUPPLY OF THE FEDERATIVE
REPUBLIC	OF	BRAZIL	AND	THE
DIRECTORATE GENERAL OF HEALTH
AND CONSUMERS OF THE EUROPEAN
COMMISSION

  With the intention to establish a working
group specifically for the regular exchange
of information and technical cooperation for
the welfare of farm animals, the Ministry of
Agriculture, Livestock and Food Supply of
the Federative Republic of Brazil and the
Directorate General of Health and Consumers
of the European Commission, accept to:
  1. Establish a consultation mechanism on
the welfare of farm animals, considering, if
possible, the recommendations of the World
Organisation for Animal Health (OIE);
  2. Deal with farm animal welfare issues,
through dialogue and exchange of technical-
scientific information, to ensure mutual
benefit;
  3. Facilitate the good understanding and
the future negotiations on farm animal welfare
matters between both sides;
  4.	Create,	when	necessary,	working
subgroups in order to discuss specific issues
with impact in the mutual trade, or for trainings
purposes in the field of farm animal welfare;
  5. Organize ad hoc meetings in order to
discuss and coordinate activities and projects
relevant to this administrative Memorandum
of Understanding;
  6. Designate a coordinator for each side

to be the focal point for the exchange of
information on animal welfare issues;
  7. Bear own expenses for participation in the
activities foreseen in the present administrative
Memorandum of Understanding, except when
agreed otherwise;
  8. Establish this administrative
Memorandum of Understanding as advisory
in character and without the power to interfere
in other legally related instruments;
  9. This administrative Memorandum of
Understanding is not intended to create legal
obligations and it does not constitute an
agreement under international law.
  Done at Brasília on January 24, 2013, in
two original copies in Portuguese and English
languages, both texts being equally authentic.
  In case of divergence of interpretation, the
English version shall prevail.

      ATOS ASSINADOS POR OCASIÃO
    DA VISITA DA PRESIDENTA DILMA
  ROUSSEFF AO CHILE - SANTIAGO, 26
                 DE JANEIRO DE 2013
                            26/01/2013
                               
  1- ACORDO DE COOPERAÇÃO
ANTÁRTICA ENTRE O GOVERNO DA
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E
O GOVERNO DA REPÚBLICA DO CHILE
  2- MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
SOBRE COOPERAÇÃO EDUCACIONAL
ENTRE O MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
DAREPÚBLICAFEDERATIVADO BRASIL
E O MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO DA
REPÚBLICA DO CHILE
  3- PROGRAMA EXECUTIVO DE
INTERCÂMBIO CULTURAL ENTRE O
GOVERNO DA REPÚBLICA FEDERATIVA
DO BRASILE O GOVERNO DAREPÚBLICA
DO CHILE PARA OS ANOS 20132015




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	85




   ACORDO	DE	COOPERAÇÃO
ANTÁRTICA
  ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E
  O GOVERNO DA REPÚBLICA DO
CHILE

  O Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo da República do Chile
(doravante denominados Partes),
  Reiterando seu desejo de fortalecer a
cooperação bilateral e os laços de amizade
entre ambos os países;
  Tendo presente os Artigos II e III do Tratado
da Antártida e o Artigo VI do Protocolo ao
Tratado da Antártida sobre Proteção ao Meio
Ambiente, bem como as Recomendações,
Medidas,	Decisões	e	Resoluções	das
Reuniões Consultivas do Tratado da Antártida
que ressaltam a importância da cooperação
internacional	nas	atividades	científicas
realizadas na área da Antártida;
  Conscientes	da	crescente	importância
da Antártida para a investigação científica,
particularmente no âmbito do meio ambiente
global, bem como da necessidade de reduzir ao
mínimo os impactos das atividades científicas
e humanas no meio ambiente antártico e nos
ecossistemas dependentes e associados;
  Considerando	o	marco	do	Acordo
Básico de Cooperação Científica, Técnica
e Tecnológica entre a República Federativa
do Brasil e a República do Chile, assinado
em Brasília, em 26 de julho de 1990, e a
vontade de ambos os países em fortalecer seus
vínculos bilaterais de amizade e cooperação
na Antártida, particularmente em assuntos
relativos à cooperação científica internacional,
à observação científica e à investigação de
processos de importância global e regional ao
sul do Círculo Polar Antártico,

  Acordam o seguinte:
   
ARTIGO I
   
  1. As Partes envidarão seus melhores
esforços para realizar atividades conjuntas
de forma a aproveitar as oportunidades
de cooperação previstas nos acordos que
compõem o Sistema do Tratado da Antártida,
e com fim de otimizar o emprego de recursos
humanos e materiais e, igualmente, de
evitar duplicidades em matérias destinadas a
aperfeiçoar o trabalho de pesquisa científica
interdisciplinar na região antártica.
  2. As Partes revisarão, ao menos uma
vez por ano, a execução do presente Acordo
no que diz respeito aos seus benefícios e
possibilidades de aperfeiçoamento.


   ARTIGO II
   
  As Partes se comprometerão, no âmbito do
Sistema do Tratado da Antártida, a cooperar
especificamente nas seguintes áreas:
  a) preparação conjunta de projetos
científicos e tecnológicos, consoantes com
os objetivos de suas atividades antárticas
nacionais;
  b) intercâmbio de informação em campos
de interesse comum, especialmente sobre
as possíveis repercussões das atividades
realizadas por ambos os países em suas
estações antárticas e os efeitos de outros
projetos realizados no âmbito do Tratado da
Antártida, relacionados com o meio ambiente
antártico e seus ecossistemas dependentes e
associados;
  c) intercâmbio de informação sobre
avaliação, aquisição e utilização de novas
tecnologias, equipamentos e infraestrutura
relacionadas à gestão do meio ambiente
(energias renováveis, equipamentos de
tratamento de resíduos, equipamentos,
armazenamento de combustível, material de




86

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




contingência em caso de vazamento, novos
materiais de construção, entre outros);
  d) intercâmbio de experiências em concepção,
implementação e operação de sistemas de
manejo ambiental para bases antárticas;
  e) promoção da educação e da formação
profissional de recursos humanos mediante
intercâmbio de especialistas, pessoal científico,
logístico e técnico, bem como realização de
cursos de capacitação e atividades acadêmicas
nas instituições competentes de ambas as Partes;
  f)facilitação,namedidadesuascapacidades,
do transporte, do alojamento, da expedição e
de outras atividades logísticas relacionadas a
atividades nacionais na Antártida, incluindo o
desenvolvimento de expedições conjuntas e a
utilização compartilhada de meios.

   ARTIGO III
   
  Os órgãos designados para coordenar as
atividades de cooperação conforme o presente
Acordo são:
  a) o Ministério das Relações Exteriores da
República Federativa do Brasil;
  b) o Ministério das Relações Exteriores
do Chile e, no que se refere à cooperação
científica, o Instituto Antártico Chileno
(INACH).

  ARTIGO IV
   
  Os órgãos designados envidarão seus
melhores esforços para:
  a) incentivar a elaboração de editais conjuntos
entre o Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq) e o Comitê
Nacional de Pesquisas Antárticas (CONAPA),
pelo Brasil, e a Comissão Nacional de
Investigação Científica e Tecnológica do Chile
(CONICYT) e o Instituto Antártico Chileno
(INACH), pelo Chile, para o desenvolvimento
conjunto de planos, programas ou projetos

técnico-científicos antárticos, em áreas que serão
acordadas oportunamente pelas Partes;
  b) fomentar o desenvolvimento científico e
tecnológico mediante a organização conjunta
de estudos, reuniões, eventos, conferências,
exposições, oficinas ou outros meios e
difusão relacionados aos temas antárticos de
interesse mútuo que tenham relação com as
respectivas missões ou objetivos de cada uma
das instituições envolvidas;
  c) outorgar facilidades para acesso
a materiais didáticos, de audiovisual e/
ou bibliográfico e, em geral, a todo meio
tecnológico que se encontre em posse das
Partes ou que essas venham a adquirir ou
desenvolver no futuro, que diga respeito aos
objetivos do Acordo e que sejam compatíveis,
quanto a sua difusão ou entrega, com os
regulamentos que se estabeleçam na normativa
interna de cada instituição;
  d) promover o desenvolvimento de
atividades científicas conjuntas na Antártida,
a fim de mitigar o impacto no meio ambiente
e reduzir as exigências logísticas vinculadas;
  e) coordenar a cooperação nos demais temas
indicadas no Artigo II do presente Acordo.

   ARTIGO V
   
  Salvo acordado em contrário, cada Parte
custeará os gastos que incorrer na execução
das atividades mencionadas acima. Os gastos
incorridos pelas instituições governamentais
de cada Parte que participem de atividades
decorrentes do presente Acordo serão
custeados de acordo com as leis e os
regulamentos das respectivas Partes.

   ARTIGO VI
   
  No espírito do Sistema do Tratado da
Antártida e considerando os programas de
cooperação antártica, apoiados pela República do




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	87




Chile e pela República Federativa do Brasil junto
a outros países, os órgãos designados avaliarão
conjuntamente a possibilidade de ampliar a
cooperação bilateral junto a terceiros países,
mediante programas plurilaterais. Com esse fim,
deverão, quando se julgue necessário, buscar fontes
de financiamento adicionais, sejam públicas
ou privadas, com o objetivo de assegurar os
recursos humanos e logísticos requeridos.

   ARTIGO VII
   
  Com a necessária antecedência ao início de
cada temporada antártica, os órgãos designados
examinarão as condições existentes de modo a
facilitar e otimizar as atividades destinadas a
cumprir as metas especificadas nos Artigos II
e IV do presente Acordo.

   ARTIGO VIII
   
  Toda controvérsia que possa surgir na
interpretação e/ou na execução do presente
Acordo será resolvida por meio de consultas
diretas entre as Partes.

   ARTIGO IX
   
  O presente Acordo entrará em vigor
sessenta	(60)	dias	depois	da	data	de
recebimento da última Nota pela qual uma das
Partes comunica à outra, por via diplomática,
a conclusão dos trâmites legais internos.

  ARTIGO X
   
  O	presente Acordo	permanecerá	em
vigor por tempo indeterminado. No entanto,
qualquer uma das Partes poderá denunciá-
lo mediante aviso por escrito, com seis (6)
meses de antecedência, por via diplomática.
A denúncia do presente Acordo não afetará
as atividades iniciadas durante seu período

de vigência, salvo se as Partes acordarem de
maneira diferente.
  Feito em Santiago, República do Chile, em
26 de janeiro de 2013, em dois originais, em
português e espanhol, sendo ambos os textos
igualmente autênticos.

  *****
   
  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
SOBRE COOPERAÇÃO EDUCACIONAL
ENTRE O MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
DAREPÚBLICAFEDERATIVADO BRASIL
E O MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO DA
REPÚBLICA DO CHILE

  O Ministério da Educação da República
Federativa do Brasil, representado pelo
seu Ministro Aloizio Mercadante Oliva, e
o Ministério da Educação da República do
Chile, representado pelo seu Ministro Harald
Beyer Burgos (doravante denominados
Partes)
  Imbuídos do desejo de aprofundar a
cooperação bilateral no campo da educação,
tendo em vista sua importância fundamental
para o estreitamento dos laços de amizade e
de cooperação entre ambos os países,
  Considerando o estabelecido no Convênio
de Cooperação Cultural e Científica entre o
Governo da República Federativa do Brasil
e o Governo da República do Chile, firmado
em Brasília, em 23 de dezembro de 1976, e
o Acordo Básico de Cooperação Científica,
Técnica e Tecnológica entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo
da República do Chile, firmado em Brasília,
em 26 de julho de 1990,
  Determinados a ampliar e sistematizar a
tradicional cooperação acadêmica, científica
e intelectual entre os respectivos centros de
excelência universitária e tecnológica,
  Acordam:

   
   

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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  ARTIGO I
   
  As Partes definem como áreas prioritárias
da cooperação educacional:
  a) Pós-Graduação: intercâmbio acadêmico
de	doutorandos	e	pós-doutorandos,	em
particular por meio do formato de doutorados-
sanduíche; desenvolvimento de projetos
conjuntos de pesquisa; e fortalecimento
da cooperação entre a Coordenação de
Aperfeiçoamento	de	Pessoal	de	Nível
Superior - CAPES e a Comisión Nacional
de Investigación Científica y Tecnológica -
CONICYT;
  b)	Educação	Superior:	intercâmbio
acadêmico	de	docentes,	estudantes	e
pesquisadores, em particular por meio do
Programa brasileiro de Estudantes-Convênio
de Graduação (PEC-G) do Brasil e mecanismo
similar no Chile; criação de centros de estudos
brasileiros no Chile e de centros de estudos
chilenos no Brasil;
  c) Educação Profissional e Tecnológica:
intercâmbio	e	cooperação	técnica	para
aperfeiçoamento de docentes e modernização
curricular;
  d)	Educação	Básica:	incentivo	ao
ensino recíproco dos idiomas espanhol e do
português, em particular por meio do apoio à
formação docente;
  e)	Indicadores e avaliação educacional:
troca de experiências e visitas recíprocas
de técnicos em matéria de estatísticas e
metodologias;
  f) Educação a distância e inclusão digital:
troca de experiências e visitas recíprocas de
técnicos com base nos respectivos programas
nacionais, como a Universidade Aberta e
o Programa Nacional de Informática na
Educação (ProInfo) no Brasil e o Projeto
ENLACES no Chile, com objetivo de
estabelecer uma estrutura moderna, formação
docente e elaboração de conteúdos adequados;

e
  g) Outras áreas: troca de experiências
e intercâmbio de informações sobre o
desenvolvimento de currículos escolares,
legislação educacional e educação ambiental.

  ARTIGO II
   
  As Partes buscarão estimular e facilitar o
estreitamento das relações entre as respectivas
instituições educacionais, assim como entre
escolas e universidades. A cooperação poderá
incluir as seguintes atividades:
  a) intercâmbio e aperfeiçoamento de
professores, pesquisadores, estudantes e
gestores educacionais;
  b) realização conjunta de seminários e eventos;
  c) estabelecimento de consórcio binacional
de universidades, institutos binacionais de
pesquisas e doutorados conjuntos;
  d) políticas comuns de credenciamento de
cursos com vistas à convalidação de títulos e
diplomas;
  e) elaboração conjunta de projetos de
cooperação técnica e investigação científica; e
  f) intercâmbio de bibliotecas e materiais
didáticos.

  ARTIGO III
   
  Os custos das atividades que decorrerem
deste Memorando de Entendimento que
impliquem em gastos serão cobertos,
nos termos mutuamente acordados pelas
instituições responsáveis pelos projetos
específicos. A implementação estará sujeita
à disponibilidade de recursos apropriados
nos respectivos países, para o que as Partes
envidarão os esforços necessários.

  ARTIGO IV
   
  1. O presente Memorando de Entendimento

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	89




entrará em vigor na data de sua assinatura
e terá duração de três (3) anos, renovável
automaticamente, a menos que uma Parte
notifique à outra, por escrito, por via
diplomática, sobre o desejo de encerrá-lo.
  2. Todas as controvérsias deverão ser
resolvidas amigavelmente entre as Partes.
  Feito em Santiago, República do Chile, em
26 de janeiro de 2013, em dois exemplares,
nos idiomas português e espanhol, sendo
ambos igualmente autênticos.

  *****
   
  PROGRAMA	EXECUTIVO	DE
INTERCÂMBIO CULTURAL ENTRE O
GOVERNO DA REPÚBLICA FEDERATIVA
DO	BRASIL	E	O	GOVERNO	DA
REPÚBLICA DO CHILE PARA OS ANOS
20132015

  O Governo da República Federativa do
Brasil
  e
  O Governo da República do Chile
  (doravante denominados Partes),
  Com o desejo de desenvolver ainda mais os
laços existentes entre seus povos e tendo em
conta o disposto no Convênio de Cooperação
Cultural e Científica de 23 de dezembro
de 1976, acordaram o seguinte Programa
Executivo de Intercâmbio Cultural para os
anos 20132015:

  Disposições gerais
   
  1. As Partes acordam em desenvolver
ações de cooperação, intercâmbio e difusão
mútua de suas experiências e manifestações
culturais;	promover	a	cooperação	e	o
intercâmbio sobre políticas públicas, planos
nacionais e programas culturais; cooperar no
fomento de ações dirigidas ao fortalecimento

de atividades culturais em ambos os países,
considerando suas diversidades culturais,
étnicas e linguísticas, assim como ações de
promoção e proteção de seus patrimônios
culturais materiais e imateriais de comum
acordo e dentro dos limites de suas legislações
nacionais, competências e possibilidades
orçamentárias.
  2. As Partes manifestam seu interesse em
cooperar na promoção da inclusão social
através da cultura e da Economia Criativa,
como atividades de grande incidência
econômica e social no desenvolvimento das
duas nações e, no âmbito do processo bilateral
de ampliação do conhecimento mútuo,
concordam em impulsionar o intercâmbio de
experiências, assistência técnica, e indicadores
de processos de produção, em todas as áreas
da cultura.

  Artes visuais
   
  3. As Partes acordam em estimular o
conhecimento e a cooperação entre as
instituições nacionais representantes dos
artistas visuais dos dois países, fomentando
a realização de trabalhos conjuntos, oficinas,
residências, entre outras atividades. As Partes
manifestam o interesse em incluir nessa
cooperação as instituições de abrangência
local e regional.
  4. Do mesmo modo, as Partes acordam
em estimular o intercâmbio de especialistas,
curadores, teóricos e acadêmicos em artes
visuais entre as universidades e instituições
públicas e privadas de seus respectivos países,
com o objetivo de que viajem ao outro país
para ministrar aulas e realizar oficinas.
  5. As Partes se comprometem a apoiar a
presença de criadores nacionais nas principais
Bienais, Trienais e Quadrienais de arte,
desenho e arquitetura que tenham sede no
território da outra Parte, durante a vigência do




90

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




presente Programa.
  6. As Partes estudarão a possibilidade de
um Acordo entre a Direção de Bibliotecas,
Arquivos e Museus (DIBAM) do Chile e o
Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) do
Brasil, com vistas a propiciar intercâmbios e
cooperação na área da museografia e das artes
visuais.
  7. A Parte chilena, através do Conselho
Nacional da Cultura e das Artes (CNCA),
oferece à Parte brasileira as instalações de seu
Centro de Extensão, sediada no seu edifício
institucional na Cidade de Valparaíso, para
estudar, de acordo com a disponibilidade
orçamentária e com a sua programação,
a exibição de exposições de artes visuais
ou	outras	manifestações	artísticas	que
proponham durante a vigência do presente
Programa. O CNCA manifesta, no âmbito de
suas competências, seu desejo de extender a
apresentação dessas exposições às regiões
do Chile, em particular aos centros culturais
cuja instalação está em desenvolvimento
nos municípios com mais de cinquenta mil
habitantes.
  8. As Partes fomentarão a assinatura de
acordos entre centros culturais do Chile
e instituições similares no Brasil, com a
finalidade de possibilitar, durante a vigência
do	presente	Programa,	intercâmbios	de
exposições, mostras de natureza diversa e
experiências em gestão e boas práticas.

  Artes musicais
   
  9. As Partes acordam em contribuir para
o desenvolvimento da música em ambos
os países, estimulando o intercâmbio entre
diferentes grupos e propiciando a participação
de seus grupos em festivais, eventos e
concursos internacionais de prestígio que
sejam realizados em diferentes localidades de
cada uma delas.
   
10. As Partes acordam que manifestarão
pela via diplomática o interesse em organizar a
apresentação de eventos musicais específicos
em seus respectivos territórios com a
participação de artistas da outra Parte, de
acordo com a disponibilidade e a possibilidade
orçamentária de cada Parte.

  Cultura e inclusão social
   
  11. As Partes fomentarão a apresentação
recíproca de artistas pertencentes a grupos
ou movimentos chilenos e brasileiros não
institucionalizados, que em forma individual
ou coletiva representem a expressão cultural
de suas comunidades urbanas ou camponesas
na sua realidade social.
  12. Da mesma maneira, e considerando a
diversidade cultural de ambos os países, as
Partes fomentarão, entre os integrantes de
seus respectivos grupos ou movimentos não
institucionalizados do campo e da cidade,
a criação de oficinas musicais e outras artes
e letras a realizar-se no Chile ou no Brasil,
com o objetivo de que contribuam em seus
respectivos países para a superação de jovens
e crianças em situação de risco social.
  13. As Partes manifestam interesse em
fomentar o conhecimento mútuo e a ação
conjunta no âmbito da música e outras
expressões artísticas entre comunidades afins
do Chile e do Brasil.

  Artes cênicas e da representação
   
  14. As Partes acordam em apoiar
iniciativas públicas e privadas que busquem
manter e ampliar a apresentação recíproca de
obras, grupos e companhias de artes cênicas,
procurando que essas atividades incluam
cidades do interior e de todas as regiões dos
dois países.
  15. As Partes estimularão a participação de

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	91




artistas e grupos artísticos, diretores, técnicos
e demais profissionais das artes cênicas e da
representação de seus países em espetáculos,
festivais, oficinas e outros eventos a se realizar
no Chile e no Brasil.

  Dança
   
  16. As Partes se comprometem a favorecer
o	intercâmbio	de	artistas,	professores,
coreógrafos e produções artísticas entre
instituições públicas e privadas de cada uma
delas no campo da dança, além de estimular
a organização conjunta de oficinas sobre
montagens coreográficas no Chile e no Brasil
durante a vigência do presente Programa.
  17. A Parte chilena informa à Parte
brasileira seu interesse em que conjuntos
como o Balé Nacional do Centro de Extensão
Artística e Cultural da Universidade do Chile,
e o Balé de Santiago, do Teatro Municipal,
possam organizar apresentações nas principais
cidades do Brasil pelo menos uma vez durante
a vigência do presente programa. Para tanto, a
Parte chilena solicita à Parte brasileira estudar
a possibilidade de oferecer cooperação e apoio
para a eventual materialização desse projeto.

  Artes audiovisuais
   
  18. Ambas as Partes manifestam seu
interesse em promover a cooperação e ações
conjuntas na área audiovisual, assim como
estudar a possibilidade de desenvolver um
programa de intercâmbio e cooperação entre as
suas respectivas autoridades cinematográficas
e audiovisuais, respeitando, em cada caso, o
principio da reciprocidade.
  19.	Da	mesma	maneira,	as	Partes
manifestam desejo de que durante a vigência
do presente Programa se continue fomentando
a apresentação de mostras de cinema chileno
no Brasil e de cinema brasileiro no Chile,

considerando as possibilidades financeiras
de cada Parte para o apoio institucional e
logístico.
  20. No campo da distribuição, e tendo
presente a importância de ampliar esse âmbito
para suas produções nacionais, as Partes
promoverão consultas específicas entre as suas
autoridades audiovisuais e cinematográficas,
para o fomento recíproco do cinema chileno
em território brasileiro e do cinema brasileiro
em território chileno.
  21. As Partes buscarão promover a
participação de seus criadores e artistas
nos festivais nacionais e internacionais de
cinema que se realizem no território da outra
Parte. As Partes manifestam o interesse em
propiciar visitas recíprocas de profissionais
na área audiovisual, como uma maneira de
fomentar a transferência de conhecimentos e
criar vínculos entre profissionais de ambos os
países. Da mesma maneira, propõe fomentar o
desenvolvimento de vínculos entre produtores
chilenos e brasileiros, com a finalidade de
que estudem a possibilidade de empreender
projetos audiovisuais conjuntos.

  Literatura e cooperação editorial
   
  22. As Partes envidarão esforços para
fomentar o intercâmbio de escritores das
últimas gerações com o objetivo de que
visitem o outro país para participar de oficinas,
encontros e atividades acadêmicas, fóruns ou
conferências, sejam essas organizadas por
instituições públicas ou privadas.
  23. Da mesma forma, as Partes acordam
em propiciar a cooperação e o intercâmbio
entre sociedades e organizações de escritores
dos dois países. Também manifestam o
desejo de desenvolver visitas recíprocas
entre escritores chilenos e brasileiros com o
objetivo de ampliar o conhecimento mútuo,
estudar a possibilidade de publicações




92

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




conjuntas, e a realização de encontros ou
seminários tanto no Chile como no Brasil. As
condições para essas visitas estarão sujeitas
às possibilidades financeiras das organizações
participantes, e serão convencionadas pela via
diplomática com pelo menos seis (6) meses de
antecedência.
  24. As Partes intercambiarão experiências
relativas ao fomento do livro e da leitura e sua
fruição, políticas de acesso à produção, assim
como às metodologias e estudos relativos
ao comportamento do leitor e, nesse âmbito,
promover a visita recíproca de especialistas
das diversas matérias.
  25.	As	Partes	acordam	facilitar	o
intercâmbio	entre	escritores	chilenos	e
brasileiros e a participação de escritores,
especialistas e editores nacionais nas Feiras
Internacionais do Livro que se realizem na
outra Parte, incentivando sua participação em
fóruns, oficinas e conferências.

  Patrimônio cultural, Museus, Bibliotecas e
Arquivos

  26. A Parte chilena solicita à Parte
brasileira estudar a possibilidade de prestar
sua cooperação orientada para a recuperação
do patrimônio cultural chileno danificado pelo
terremoto de 27 de fevereiro de 2010. Nesse
âmbito, a Parte chilena reconhece a grande
experiência e alta qualidade existente no
Brasil no campo da restauração patrimonial,
e expressa o desejo de contar com a sua ajuda
para recuperar o patrimônio arquitetônico
danificado.
  27. Da mesma forma, as Partes se
comprometem a impulsionar vínculos de
cooperação entre a Biblioteca Nacional do
Chile, a Direção de Bibliotecas, Arquivos e
Museus (DIBAM) e a Fundação Biblioteca
Nacional e o Ministério da Cultura do Brasil.
Para tal efeito, promoverão a realização

conjunta de atividades de interesse cultural e
educativo para suas respectivas comunidades,
assim como impulsionar o intercâmbio de
informações e de especialistas, e cooperar
para a digitalização de fundos patrimoniais de
interesse comum.
  28. A Parte chilena, através da DIBAM,
manifesta seu interesse em favorecer a
cooperação entre as administrações dos
Arquivos Nacionais de seus respectivos
países, mediante o intercâmbio de publicações
científicas, microfilmes, cópias de documentos
e disposições normativas, de acordo com as
respectivas legislações nacionais e com base
na reciprocidade. De igual maneira, a DIBAM,
manifesta seu interesse em estimular o
intercâmbio de arquivistas e especialistas para
que realizem visitas de estudo e desenvolvam
projetos de pesquisa no Chile e no Brasil.
  29.As Partes estimularão a cooperação entre
seus museus e o intercâmbio de informações e
experiênciasrelativasàconservaçãodeacervos,
gestão de riscos ao patrimônio museológico,
políticas para a gestão e organização do setor
museológico e capacitação e qualificação de
recursos humanos para museus, assim como
incentivarão a difusão e o intercâmbio de suas
manifestações culturais.
  30. As Partes se comprometem a
desenvolver ações conjuntas no âmbito do
Programa IBERMUSEUS, promovendo
a educação e a formação de profissionais
em técnicas de gestão e estabelecendo
mecanismos para a expansão da capacidade
educativa dos museus, assim como para a sua
difusão.
  31. As Partes promoverão o intercâmbio
de informações técnicas sobre políticas
de desenvolvimento e gestão, proteção e
valorização do patrimônio cultural material
e imaterial de ambos os países com especial
atenção à participação das comunidades.
  32. As Partes concordam em intercambiar

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	93




experiências nas áreas de gestão à comunidade
artística,	metodologia	bibliotecológica,
organização de coleções, e implementação
de bases de dados virtuais. Da mesma
maneira, oferecem intercambiar bases de
dados em rede, documentos e programações
como conferências, colóquios e exibições de
arquivos.
  33. As Partes propiciarão o intercâmbio
recíproco de mostras de arte pré-colombiana
ou colonial, durante a vigência do presente
Programa, segundo as possibilidades de cada
Parte.
  34. A Parte chilena solicita à Parte brasileira
seu apoio em favor da iniciativa de postulações
como Sítios do Patrimônio Mundial, no
âmbito da Convenção do Patrimônio Mundial
Cultural e Natural da UNESCO, do Qhapaq
Ñan, Sistema Viário Andino. Em relação a
este último, reconhecendo as projeções dessa
iniciativa orientada a valorizar o patrimônio do
mundo andino, assegurando sua conservação
em benefício das comunidades associadas,
dos países e da humanidade.
  35.	A	Parte	chilena	expressa	seu
reconhecimento pelo apoio da Parte brasileira
à aplicação universal da Convenção do
Patrimônio	Mundial	Cultural	e	Natural
da UNESCO. Em particular, o Conselho
de Monumentos Nacionais manifesta seu
interesse em aprender com a experiência
brasileira em conservação e manejo de Sítios
do Patrimônio Mundial. A Parte brasileira
indica o Instituto de Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional (IPHAN) como interlocutor
nesse tema.
  36. As Partes envidarão esforços para
estabelecer	a	cooperação	em	matéria
de	participação	das	comunidades,
particularmente das indígenas, no manejo,
conservação,	investigação	e	valorização
de seus sítios arqueológicos, patrimoniais,
arquitetônicos, e o aprendizado que produziu

toda essa experiência. Em função disso, a Parte
brasileira assinala o seu interesse em conhecer
a experiência chilena no desenvolvimento da
proposta do Qhapaq Ñan, Sistema Viário
Andino.
  37. Da mesma maneira, a Parte chilena
manifesta seu desejo de participar em
experiências de cooperação concreta, em
alguma obra de restauração que a Parte
brasileira esteja programando para seu
patrimônio arquitetônico.
  38. A Parte chilena propõe à Parte brasileira
iniciar gestões conducentes à assinatura de um
convênio bilateral em matéria de prevenção
do tráfico ilegal de bens do patrimônio
cultural oficialmente protegido em ambos os
países, e da restituição dos bens dessa espécie
que seja objeto de importação e exportação
ilícitas. Enquanto isso não se concretize, as
Partes se comprometem a impedir e reprimir
o tráfico ilegal de obras de arte, bens culturais,
mídia audiovisual, e outros bens tutelados
legalmente.
  39. A Parte chilena, através do CNCA,
manifesta à Parte brasileira seu interesse
em acordar um intercâmbio de experiência
em organização institucional e regulações
sobre patrimônio imaterial, particularmente,
no relativo às medidas em curso para
a implementação da Convenção para a
Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial.
  40. A Parte brasileira assinala seu
interesse em contar com documentação
técnica produzida pela Parte chilena para a
constituição de fundo bibliográfico específico
para a Biblioteca de Referência em Gestão do
Patrimônio Cultural, a ser instalada no Centro
Lucio Costa, no Rio de Janeiro.
  41. As Partes acordam a realização de
uma missão técnica para o estabelecimento e
desenvolvimento de um plano de ação para a
cooperação cultural em matéria de patrimônio
para sua implementação durante a vigência do




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




presente Programa.

  Relações Interinstitucionais
   
  42. As Partes manifestam interesse em
intercambiar	experiências	em	políticas
públicas culturais, em particular naquelas
linhas em que se destaca a cultura como fator
de coesão e inclusão social, manifestações
culturais populares, carnavais, arquitetura,
ocupações culturais e sua valorização de
espaços públicos, Pontos de Cultura e qualquer
outro caso de participação cultural cidadã que
esteja inserida neste âmbito.
  43. Ademais, o Conselho Nacional da
Cultura e das Artes agradece à Parte brasileira
o ativo intercâmbio em matéria de fomento
à economia da cultura. De maneira especial,
agradece a informação sobre a experiência
que desenvolve o Ministério da Cultura do
Brasil no Programa Vale Cultura, destinado
a fomentar a demanda cultural. O Ministério
da Cultura do Brasil manifesta o desejo de
seguir cooperando nesse tema e aprofundar
o intercâmbio de experiências na área da
economia da cultura.

  Financiamento
   
  44. Os requisitos econômicos e financeiros
para a execução deste Programa poderão provir
tanto de recursos públicos como privados, e
serão definidos em cada caso concreto.

  Disposições Finais
   
  45. As Partes apoiarão o desenvolvimento
das	atividades	culturais	e	artísticas
mencionadas no presente Programa, dentro
dos limites de suas respectivas legislações,
competências e possibilidades orçamentárias.
  46. As atividades enumeradas no presente
Programa	não	têm	caráter	excludente.

Todo projeto de cooperação nos campos
da cultura que as Partes decidam realizar
durante a vigência do presente Programa
será considerado como parte dele e será
reconhecido e apoiado pelas Partes nessa
qualidade, de acordo e dentro dos limites de
suas competências e possibilidades.
  47. As Partes acordam em favorecer a
difusão de todas as ações que se realizem no
período de vigência do presente Programa,
através de seus respectivos meios de
comunicação de massa.
  48. O presente Programa entrará em vigor
na data de sua assinatura vigorará dessa data
até 31 de dezembro de 2015.
  Assinado na cidade de Santiago, República
do Chile, em 26 de janeiro de 2013, em dois
exemplares originais, em espanhol e português,
sendo ambos igualmente autênticos.

    ATOS ASSINADOS POR OCASIÃO DA
  VISITA AO BRASIL DO PRESIDENTE DO
 GOVERNO DA FEDERAÇÃO DA RÚSSIA,
 DMITRI MEDVEDEV  BRASÍLIA, 19 A 21
                DE FEVEREIRO DE 2013
                            20/02/2013
                               
  1- Memorando de entendimento entre
o Ministério da Educação da República
Federativa do Brasil e o Ministério da
Ciência, Tecnologia e Inovação da República
Federativa do Brasil e o Ministério da
Educação e Ciência da Federação da Rússia
para cooperação na implementação do
programa Ciência sem Fronteiras.
  2- Declaração de intenções entre o
Ministério da Defesa da República Federativa
do Brasil e o Serviço Federal de Cooperação
Técnico-militar da Federação Russa relativa à
cooperação em defesa antiaérea
  3-Plano de ação com vistas à implementação

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	95




do memorando de entendimento entre o
Governo da República Federativa do Brasil
e o Governo da Federação da Rússia sobre
cooperação em matéria de governança e
legados relativos à organização dos jogos
olímpicos e paralímpicos e copas do mundo
FIFA
  4- Memorando de entendimento na área de
empresas de pequeno e médio porte entre o
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior da República Federativa
do Brasil o Ministério de Desenvolvimento
Econômico da Federação da Rússia
  5-Acordo	entre	o	Ministério	da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento da
República Federativa do Brasil e o Ministério
da Agricultura da Federação da Rússia em
relação aos requerimentos fitossanitários para
trigo, proveniente da Federação da Rússia
para a República Federativa do Brasil

  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE O MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
DA	REPÚBLICA	FEDERATIVA	DO
BRASIL E O MINISTÉRIO DA CIÊNCIA,
TECNOLOGIA	E	INOVAÇÃO	DA
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
E	O	MINISTÉRIO	DA	EDUCAÇÃO
E	CIÊNCIA	DA	FEDERAÇÃO	DA
RÚSSIA	PARA	COOPERAÇÃO	NA
IMPLEMENTAÇÃO	DO	PROGRAMA
CIÊNCIA SEM FRONTEIRAS

  O Ministério da Educação da República
Federativa do Brasil e o Ministério da Ciência,
Tecnologia e Inovação da República Federativa
do Brasil, de um lado, e o Ministério da
Educação e Ciência da Federação da Rússia,
do outro lado, doravante referidas as Partes,
  Considerando	o	disposto	no Acordo
entre o Governo da Federação da Rússia e o
Governo da República Federativa do Brasil
para Cooperação Cultural e Educacional e

no Acordo entre o Governo da Federação da
Rússia e o Governo da República Federativa
do Brasil de Cooperação Científica, Técnica
e Tecnológica, firmados em 21 de novembro
de 1997,
  assumindo que o Programa Ciência
sem Fronteiras do Governo da República
Federativa do Brasil alarga substancialmente
as possibilidades de formação e capacitação
de graduandos, pós-graduandos e jovens
pesquisadores brasileiros no exterior,
  chegaram ao seguinte entendimento:
   
  ARTIGO 1
   
  1. A Parte russa confirma sua disposição
para, visando à consolidação da cooperação
entre as instituições de ensino superior e de
pesquisa russas e brasileiras e promoção do
desenvolvimento da ciência e tecnologia
nos dois países, cooperar no âmbito do
Programa Ciência sem Fronteiras instituído
pelo Governo da República Federativa do
Brasil, que prevê o envio de graduandos, pós-
graduandos e jovens pesquisadores brasileiros
para as universidades russas, pela Parte
brasileira.

  ARTIGO 2
   
  2. A cooperação se dará nas áreas
consideradas prioritárias pelas comunidades
científicas dos dois países.

  ARTIGO 3
   
  3.1. O presente Memorando de
Entendimento visa alcançar os seguintes
objetivos:
  a) envio de graduandos e pós-graduandos
brasileiros incluídos no programa do Governo
brasileiro Ciência sem Fronteiras, em
quantidades a serem acordadas entre as Partes




96

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




informalmente, para as instituições de ensino
superior e de pesquisa russas, pelo prazo de 1
a 3 anos, no âmbito de intercâmbio acadêmico
e científico; o intercâmbio será efetuado nas
seguintes modalidades:
  - Graduação Sanduíche;
  - Doutorado Sanduíche;
  - Pós-Doutorado Pleno no Exterior;
  b)	intercâmbio	de	pesquisadores	e
professores russos e brasileiros;
  c) estabelecimento de laços de parceria
acadêmica;
  d) promoção de seminários, grupos de
trabalho e conferências.
  Outras	formas	de	cooperação	serão
acordadas com base em consultas mútuas.

  ARTIGO 4
   
  4.1 A Parte brasileira assumirá todas
as despesas relativas ao envio de bolsistas
brasileiros à Rússia e concederá bolsas aos
graduandos e pós-graduandos brasileiros
selecionados nas modalidades do Programa
Ciência sem Fronteiras.
  4.2 A Parte russa distribuirá os bolsistas
brasileiros entre suas instituições de ensino
superior e de pesquisa, criará condições
para sua acolhida e ensino e coordenará as
atividades dos representantes da Parte russa.

  ARTIGO 5
   
  5.1APartebrasileiradesignacomoentidades
responsáveis pela seleção e financiamento
dos bolsistas brasileiros a serem enviados às
instituições de ensino superior e de pesquisa
russas, a Coordenação de Aperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior e o Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico da República Federativa do
Brasil.
  5.2 A Parte russa designa como entidade

responsável pela acolhida dos bolsistas e pela
coordenação das atividades das instituições
de ensino superior e de pesquisa russas, o
Departamento Internacional do Ministério da
Educação e Ciência da Federação da Rússia.
  5.3 As condições concretas de seleção e
acolhida de bolsistas brasileiros na Rússia serão
definidas com base em entendimento entre o
Departamento Internacional do Ministério da
Educação e Ciência da Federação da Rússia e a
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nível Superior e o Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico da
República Federativa do Brasil.

  ARTIGO 6
   
  6.1 O presente Memorando entrará em
vigor na data de sua assinatura e terá vigência
de três anos. O Memorando será prorrogado
automaticamente por períodos de três anos, a
menos que uma das Partes notifique a outra
Parte, por escrito, de sua intenção de denunciar
o presente Memorando.
  6.2 O presente Memorando poderá ser
modificado ou emendado, por acordo mútuo
entre as partes.
  6.3 O presente Memorando não é um
acordo internacional e, portanto, não gera para
as Partes direitos e obrigações no âmbito do
direito internacional.
  Assinado em Brasília, em 20 de fevereiro
de 2013, em três vias, cada uma em idioma
português e russo, sendo ambos os textos
igualmente autênticos.

  *****
   
  DECLARAÇÃO DE INTENÇÕES
ENTRE O MINISTÉRIO DA DEFESA DA
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E
O SERVIÇO FEDERAL DE COOPERAÇÃO
TÉCNICO-MILITAR DA FEDERAÇÃO




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	97




RUSSA RELATIVA À COOPERAÇÃO EM
DEFESA ANTIAÉREA

  O Chefe do Estado-Maior Conjunto das
Forças Armadas
  e
  O Diretor do Serviço Federal de Cooperação
Técnico-Militar
  Reconhecendo a importância da cooperação
em defesa no âmbito da relação Brasil-Rússia,
em conformidade com o Plano de Ação da
Parceria Estratégica, firmado por ocasião da
visita da Presidenta Dilma Rousseff a Moscou,
em 13 e 14 de dezembro de 2012;
  Considerando as capacidades tecnológicas,
industriais e comerciais das duas Partes; e
  Considerando o consenso nos diálogos
da Reunião Bilateral entre os dois países,
mediante os quais Brasil e Rússia identificam
possibilidades de parceria estratégica em
Defesa Antiaérea, e buscam fortalecer a
cooperação na área de indústria de defesa,
intensificar o intercâmbio na área de ensino e
viabilizar parcerias e aquisições de materiais
de defesa.
  Declaram a intenção de:
  a) Aprofundar os laços de amizade
e	cooperação	bilateral,	inscrevendo	o
Segmento de Defesa Antiaérea como uma
área	de	prioridade	de	investimentos	e
desenvolvimentos conjuntos; e
  b) Incrementar, a partir de março de
2013, as negociações bilaterais com vistas à
possibilidade de preparação de contrato para
futuras obtenções, por parte do Governo
do Brasil, de Baterias Antiaéreas, com o
desenvolvimento conjunto de novos Produtos
de Defesa e a participação de Empresas
Estratégicas	de	Defesa	brasileiras	nos
processos produtivos e de sustentabilidade
logística integrada, com transferência efetiva
de tecnologia, sem restrições.
  Feito em Brasília, em 20 de fevereiro

de 2013, em dois originais, nos idiomas
português, russo e inglês, sendo todos os
textos igualmente autênticos.

  *****
   
  PLANO DE AÇÃO COM VISTAS À
IMPLEMENTAÇÃO DO MEMORANDO DE
ENTENDIMENTO ENTRE O GOVERNO
DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO
BRASIL EO GOVERNO DA FEDERAÇÃO
DA RÚSSIA SOBRE COOPERAÇÃO EM
MATÉRIADE GOVERNANÇAE LEGADOS
RELATIVOS À ORGANIZAÇÃO DOS
JOGOS OLÍMPICOS E PARALÍMPICOS E
COPAS DO MUNDO FIFA

  1. Com base no item 1 do Memorando de
Entendimento entre o Governo da República
Federativa do Brasil e o Governo da Federação
da Rússia sobre Cooperação em Matéria de
GovernançaeLegadosRelativosàOrganização
de Jogos Olímpicos e Paraolímpicos e Copas
do Mundo FIFA, assinado em 14 de dezembro
de 2012, o Ministério do Esporte da República
Federativa do Brasil e o Ministério do Esporte
da Federação da Rússia, doravante referidos
como as Partes, promoverão o intercâmbio
de visitas de representantes dos respectivos
órgãos da administração pública, com o
objetivo de promover trocas de informações,
de experiências e de boas práticas nas
áreas relativas à organização, preparação e
realização de grandes eventos esportivos,
incluindo a Universíade 2013, a ser realizada
em Kazan, a Copa das Confederações FIFA
2013, as Copas do Mundo FIFA de 2014
e de 2018, os Jogos Olímpicos de Inverno
de 2014, a serem realizados em Sochi, e os
Jogos Olímpicos de Verão de 2016, a serem
realizados no Rio de Janeiro.
  2. As Partes prestarão, quando solicitadas,
informações relativas à organização dos




98

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




respectivos sistemas esportivos, do nível
educacional ao de alto rendimento, na esfera
pública e na esfera privada.
  3. As Partes prestarão, quando solicitadas,
informações sobre seus respectivos sistemas
de controle de dopagem.
  4. As Partes encorajarão a realização de
visitas recíprocas de delegações na área de
capacitação de treinadores esportivos.
  5. As Partes promoverão a cooperação na
área de Ciência e Tecnologia Aplicadas ao
Esporte, envolvendo universidades e outras
instituições de interesse na área do Esporte.
  6. As Partes promoverão o intercâmbio
de profissionais, técnicos e especialistas em
preparação	física,	formação	profissional,
fisiologia, nutrição e psicologia, com ênfase
nas seguintes modalidades: basquete, judô,
atletismo e natação.
  7. As Partes encorajarão a organização de
jogos amistosos das seleções júnior de futebol
do Brasil e da Rússia.
  8. As Partes incentivarão a organização de
jogos amistosos entre as seleções e clubes de
futebol feminino de diversas idades do Brasil
e da Rússia.
  9. As Partes estimularão a troca de
experiências e a realização de jogos amistosos
entre equipes de diversas idades de futebol de
praia e de salão do Brasil e da Rússia.
  10. As Partes estimularão a realização de
estágios para treinadores e especialistas na
área de futebol nos times brasileiros e russos,
bem como nas associações nacionais do Brasil
e da Rússia.
  11. As Partes encorajarão o intercâmbio
de delegações na área de gerenciamento e
marketing de futebol.
  12. O Ministério do Esporte da República
Federativa do Brasil verificará a possibilidade
de aproveitamento das instalações esportivas
no Rio de Janeiro para a preparação dos atletas
russos e de sua participação nos testes de prova

a serem realizados no âmbito dos preparativos
para os Jogos Olímpicos de 2016.
  13. Fica instituído o Grupo de Trabalho
Brasil-Rússia sobre Temas Esportivos
(GT-Esporte Brasil-Rússia) no âmbito da
Comissão Intergovernamental Brasil-Rússia
para a Cooperação Econômica, Comercial,
Científica e Tecnológica com o objetivo
de coordenar e acompanhar a execução do
presente Plano de Ação. O Grupo de Trabalho
Brasil-Rússia sobre Temas Esportivos será
composto de forma paritária, com igual
número de representantes de cada Parte, que
poderá indicar até três membros. Entre seus
representantes no Grupo de Trabalho, cada
Parte indicará um coordenador nacional e
um coordenador nacional substituto. O GT-
Esporte Brasil-Rússia poderá realizar uma
reunião ordinária anual, preferencialmente
de forma alternada no Brasil e na Rússia,
e poderá realizar reuniões extraordinárias
quantas vezes julgar necessário.
  Feito em Brasília, em 20 de fevereiro de
2013, em duas vias, em português e russo.

  *****
   
  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
NA ÁREA DE EMPRESAS DE PEQUENO
E MÉDIO PORTE ENTRE O MINISTÉRIO
DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E
COMÉRCIO EXTERIOR DA REPÚBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E O
MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO
ECONÔMICO DA FEDERAÇÃO DA
RÚSSIA

  O Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior da República
Federativa do Brasil e o Ministério do
Desenvolvimento Econômico da Federação
da Rússia, doravante denominados Partes,
tendo em vista fortalecer a cooperação




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	99




econômica e institucional bilateral com base
na reciprocidade e complementaridade de
interesses, na área de empresas de pequeno
e	médio	porte,	chegaram	ao	seguinte
entendimento:
  1. As Partes buscarão estabelecer relações
mutualmente	vantajosas	com	vista	ao
desenvolvimento das empresas de pequeno e
médio porte.
  2. As Partes envidarão esforços para
compartilhar informações sobre boas práticas
no desenvolvimento e implementação de
políticas públicas focadas no desenvolvimento
das empresas de pequeno e médio porte.
  3. As Partes envidarão esforços para
facilitar o acesso público a estudos e
pesquisas de interesse das empresas de
pequeno e médio porte, exceto no que se
refere a informações de caráter sigiloso ou
tidas como segredo do estado segundo a
legislação de cada Parte.
  4.As Partes envidarão esforços para facilitar
o acesso recíproco a eventos governamentais,
científicos, comerciais e outros de interesse
das empresas de pequeno e médio porte.
  5. O presente memorando não é um tratado
internacional e não cria obrigações de direito
internacional.
  6. O presente Memorando é aplicável
a partir da data de assinatura por prazo
indefinido, até que uma das Partes notifique
a outra Parte, por escrito, de sua intenção de
cessar a aplicação do presente Memorando.
  7. O presente Memorando poderá ser
emendado mediante consentimento mútuo das
Partes.
  8.	Qualquer	controvérsia	relativa	à
interpretação	e/ou	implementação	deste
Memorando deve ser dirimida amigavelmente
por negociação ou consultas entre as Partes.
  Assinado na cidade de Brasília, em 20 de
fevereiro de 2013, em duas vias, cada uma em
idioma português e russo.
   
ACORDO ENTRE O MINISTÉRIO
DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E
ABASTECIMENTO DA REPÚBLICA
FEDERATIVADOBRASILEOMINISTÉRIO
DA AGRICULTURA DA FEDERAÇÃO
DA RÚSSIA EM RELAÇÃO AOS
REQUERIMENTOS FITOSSANITÁRIOS
PARA TRIGO, PROVENIENTE DA
FEDERAÇÃO DA RÚSSIA PARA A
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL

  O Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento da República Federativa
do Brasil e o Ministério da Agricultura da
Federação da Rússia doravante referidos
como partes:
  reafirmando o compromisso de incremento
e promoção da exportação agrícola,
  destacando a importância do cumprimento
dos requisitos fitossanitários do trigo entregue
pela Federação da Rússia à República
Federativa do Brasil,
  guiados pelas disposições da Convenção
Internacional para Proteção dos Vegetais de
6 de dezembro de 1951, na redação de 1977,
(doravante  Convenção),
  acordaram o seguinte:
   
  ARTIGO 1
   
  Os órgãos competentes para implementação
do presente Acordo são:
  da parte da Rússia: Serviço Federal de
Controle Veterinário e Fitossanitário;
  da parte do Brasil: Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento
(Secretaria de Defesa Agropecuária) da
República Federativa do Brasil.
  Em caso de mudança das autoridades
competentes, as Partes deverão informar-se
prontamente.

  ARTIGO 2

   
   

100

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  Os termos utilizados no contexto do presente
Acordo terão os seguintes significados:
  Trigo  grão de trigo fornecido pela
Federação da Rússia à República Federativa
do Brasil para abastecimento, ração, ou
processos tecnológicos.
  Certificado fitossanitário  documento de
padrão internacional, emitido pela autoridade
competente Russa para certificar que o lote de
trigo atende aos requisitos fitossanitários da
República Federativa do Brasil, segundo os
critérios formais da Convenção.

  ARTIGO 3
   
  A parte russa deverá assegura que cada
lote de trigo deverá vir acompanhado por
certificado fitossanitário e o lado brasileiro
deverá	reconhecê-lo	como	documento
que atesta o cumprimento dos requisitos
fitossanitários da legislação da República
Federativa do Brasil e padrões internacionais
relevantes.

  ARTIGO 4
   
  A Parte Brasileira deverá fornecer à parte
russa informações referentes aos requisitos
fitossanitários para o trigo estabelecidos pela
legislação da República Federativa do Brasil,
e também sobre qualquer alteração nessa área.

  ARTIGO 5
   
  Empresas sob a jurisdição das autoridades
competentes	russas	deverão	realizar
tratamento de desinfecção (desinfestação)
nos lotes de trigo, contra as pragas de
armazenamento	(Trogoderma	variabile,
Acarus siro e Penthalius major) qualificadas
como	quarentenárias	pela	República
Federativa do Brasil. A Parte Russa deverá
fornecer antecipadamente à Parte Brasileira,

lista dessas empresas.
  A informação sobre a desinfecção deverá
ser incluída no certificado fitossanitário
com indicação do nome do princípio ativo,
concentração, temperatura e duração da
aplicação.

  ARTIGO 6
   
  Os meios de transporte, equipamento
de transporte, material para embalagem,
containeres vazios, os porões dos navios, bem
como outros recipientes, deverão ser limpos
antes do carregamento do trigo.

  ARTIGO 7
   
  O lado brasileiro, com objetivo de controlar o
risco fitossanitário e para evitar a disseminação
de espécies de erva daninha, nematóides
(Anguina tritici, Ditilenchus destructor,
Heterodera avenae) e fungos (Tilletia laevis,
Urocystis agropyri, Ceratobasidium cereale)
qualificados como quarentenários para o
Brasil, permitirá a importação de trigo desde
que estes sejam processados em empresas
com instalações tecnológicas adequadas de
modo a extinguir a capacidade de reprodução,
tanto das ervas daninhas, quanto da própria
cultura, com a reciclagem ou eliminação de
escória sem valor econômico.

  ARTIGO 8
   
  Os lotes de carregamentos de trigo
serão inspecionados nos pontos de entrada
(portos marítimos) dos Estados da República
Federativa do Brasil. Se necessário, amostras
de trigo podem ser coletadas para subseqüente
análise fitossanitária a ser realizada em
laboratórios oficialmente credenciados.
  Os lotes de carregamentos de trigo
somente serão importados através de pontos




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	101




de entrada em zona portuária que possuam
instalações de processamento de grãos que
tenha condições de fazer tratamento térmico
de moagem. Os lotes de carregamento de trigo
serão totalmente processados nas referidas
instalações de processamento.
  O trânsito de grãos não processados em
território brasileiro será proibido.
  Fica proibida a descarga de trigo proveniente
da Rússia nos portos dos estados de Paraná,
Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

  ARTIGO 9
   
  A Parte Brasileira deverá notificar a parte
Russa de todos os casos de não conformidade
relativas a certificação fitossanitária.
  No caso de detecção por parte brasileira,
de casos de violação dos requerimentos
fitossanitários internacionais e brasileiros,
a parte Brasileira se reserva ao direito de
devolução do trigo à organização (empresa)
exportadora, ou submeter a tratamento de
desinfecção.

  ARTIGO 10
   
  As autoridades competentes das Partes
deverão realizar consultas, com o objetivo
de resolver problemas relacionados com a
operação do presente Acordo.
  Se necessário, elas realizarão oficinas
de trabalho conjuntas e encontros. Local,
momento	e	condições	relacionadas	à
organização e realização desses encontros,
serão	determinadas	pelas	autoridades
competentes das Partes.

  ARTIGO 11
   
  Este	Acordo	pode	ser	alterado	e
complementado por consenso mútuo das
Partes.
   
ARTIGO 12
   
  Todas as disputas entre as Partes
decorrentes da aplicação e interpretação
deste Acordo, serão resolvidas por meio de
negociações.

  ARTIGO 13
   
  O presente Acordo deve entrar em vigor
a partir da data de sua assinatura e vigorará
por um período de 5 anos. Deverá ser
automaticamente prorrogado por sucessivos
períodos de 5 anos, a não ser que uma das
Partes informe à outra notificação por escrito
da sua intenção de rescindir o Acordo pelo
menos seis meses antes da expiração do
período aplicável.
  Celebrado em 20 de fevereiro de 2013, em
duas vias, nas versões em idiomas português,
inglês e russo, sendo todos os textos de
equivalente peso. Em caso de litígio sobre
a interpretação das disposições do presente
Acordo, as Partes deverão referir-se ao texto
em Inglês.

    ATOS ASSINADOS POR OCASIÃO DA
    VISITA DO PRIMEIRO-MINISTRO DA
NOVA ZELÂNDIA, JOHN KEY, AO BRASIL
      BRASÍLIA, 12 DE MARÇO DE 2013
                            11/03/2013
                                
  1  Acordo de Cooperação Científica,
Tecnológica e de Inovação.
  2  Acordo sobre Serviços Aéreos entre o
Governo da República Federativa do Brasil e
o Governo da Nova Zelândia.

  ACORDO   DE COOPERAÇÃO
CIENTÍFICA, TECNOLÓGICA E DE
INOVAÇÃO




102

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  CLÁUSULA PRIMEIRA - DO OBJETO
  1.1 O presente Acordo de Cooperação tem
por objeto propiciar a atuação conjunta do
CNPq e da Universidades NZ, com a finalidade
de apoiar e complementar o Programa Ciência
sem Fronteiras, instituído pelo Decreto Federal
nº 7.642, de 13 de dezembro de 2011, que visa
propiciar a formação e capacitação de pessoas
com elevada qualificação em universidades,
instituições	de	educação	profissional	e
tecnológica, e centros de pesquisa estrangeiros
de excelência, além de atrair para o Brasil
jovens talentos e pesquisadores estrangeiros
de	elevada	qualificação,	em	áreas	de
conhecimento definidas como prioritárias.

  CLÁUSULA	SEGUNDA		DA
EXECUÇÃO
  2.1 As atividades a serem desenvolvidas e
as obrigações a serem respeitadas no âmbito
do presente Acordo de Cooperação serão
definidas por meio de plano de trabalho ou
outro instrumento que por ventura venha a ser
acordado entre as Partes.
  2.2 As atividades serão implementadas em
estrita observância dos dispositivos legais e,
no que se refere aos programas e instrumentos
de fomento, das normas estabelecidas pelo
CNPq, pelo Ministério de Ciência, Tecnologia
e Inovação e pela Universidades NZ quando
houver co-financiamento de bolsas e/ou
projetos.

  CLÁUSULA TERCEIRA - DO PESSOAL
  3.1 O pessoal envolvido na execução deste
Acordo de Cooperação guardará seu vínculo e
subordinação com a instituição a cujo quadro
pertencer, não tendo e nem vindo a assumir
vínculo de qualquer natureza com o CNPq
ou com a Universidades NZ e destes não
podendo demandar quaisquer pagamentos
ou remuneração, sendo estes de inteira
responsabilidade da instituição que os tiverem

contratado ou empregado na execução dos
trabalhos.

  CLÁUSULA QUARTA - DA
PROPRIEDADE INTELECTUAL E DA
CRIAÇÃO PROTEGIDA
  4.1 As Partes concordam que quaisquer
questões de propriedade intelectual envolvidas
no processo de aplicação do presente Acordo
de Cooperação será tratado pelas instituições
de pesquisa que executam este acordo, caso a
caso, levando-se em consideração as políticas
de cada instituição.

  CLÁUSULA QUINTA  DA AÇÃO
PROMOCIONAL OU PUBLICAÇÃO
INTELECTUAL
  5.1 Em qualquer ação promocional ou
publicação de trabalhos relacionados com o
objeto do presente Acordo de Cooperação,
deverá ser feita necessariamente, menção
expressa ao CNPq e à Universidades NZ.
  5.1.1 As ações publicitárias atinentes a
projetos e obras financiados com recursos
da União deverão observar rigorosamente
as disposições contidas no § 1º do art. 37
da Constituição Federal, bem assim aquelas
consignadas nas Instruções da Secretaria de
Comunicação de Governo e Gestão Estratégica
da Presidência da República - atualmente a
IN/SECOM-PR nº 02, de 16 de dezembro de
2009.

  CLÁUSULA SEXTA - DA RESCISÃO
  6.1 Este Acordo de Cooperação poderá, a
qualquer tempo, ser terminado pelos partícipes,
devendo o interessado externar formalmente a
sua intenção com a antecedência mínima de 90
(noventa) dias da data que pretenda encerrar
a intenção cooperativa definida neste Acordo
de Cooperação. O término não pode afetar
os projetos em execução, exceto se ambas as
Partes acordarem em conjunto pelo contrário.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	103




   CLÁUSULA SÉTIMA - DA VIGÊNCIA E
DAS ALTERAÇÕES
  7.1 Este Acordo de Cooperação vigorará
por prazo indeterminado, a partir da data de
sua publicação.
  7.2 As condições estabelecidas neste Acordo
de Cooperação poderão ser alteradas a qualquer
momento por mútuo acordo entre as Partes
e com justificativa apropriada, sendo que a
proposta de modificação deve ser apresentada,
pelo menos, 180 (cento e oitenta) dias antes da
implementação da modificação pretendida.

  CLÁUSULAOITAVA-DAPUBLICAÇÃO
  8.1 O CNPq providenciará a publicação
do extrato deste Acordo de Cooperação no
Diário Oficial da União e no rol de parceiros
estratégicos	disponibilizado	em	sítio
eletrônico próprio do CNPq.

  CLÁUSULA NONA  DISPOSIÇÕES
FINAIS
  9.1 As Partes devem resolver qualquer
disputa ou controvérsia que possa surgir na
interpretação ou execução do presente Acordo
de Cooperação por meio de conciliação e
negociação direta ou por correspondência.
  9.2 As Partes não serão responsáveis pelo
não-cumprimento de compromissos, em caso
de força maior.
  Como prova da livre pactuação, firmam os
partícipes o presente instrumento em 2 (duas)
vias de igual teor e forma, para que produzam
entre si os efeitos legais, na presença de
2 (duas) testemunhas que, igualmente, o
subscrevem.

  *****
   
  ACORDO SOBRE SERVIÇOS AÉREOS
ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO
DA NOVA ZELÂNDIA
   
O Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo
  da Nova Zelândia, doravante denominados
Partes;
  Sendo Partes da Convenção sobre Aviação
Civil Internacional, aberta para assinatura em
Chicago no dia 7 de dezembro de 1944;
  Desejando contribuir para o
desenvolvimento da aviação civil
internacional;
  Desejando concluir um acordo com o
propósito de estabelecer e explorar serviços
aéreos entre e além seus respectivos territórios;
  Acordam o que se segue:
   
  ARTIGO 1
   
  Definições
  Para aplicação do presente Acordo, salvo
disposições em contrário, o termo:
  a) autoridade aeronáutica significa,
no caso do Brasil, a autoridade de aviação
civil representada pela Agência Nacional de
Aviação Civil (ANAC) e, no caso da Nova
Zelândia, o Ministro responsável pelos
assuntos relativos àAviação Civil, ou em ambos
os casos, qualquer outra autoridade ou pessoa
autorizada a executar as funções exercidas
pelas autoridades acima mencionadas;
  b) Acordo significa este Acordo, qualquer
anexo a ele, e quaisquer emendas decorrentes;
  c) capacidade significa a quantidade
de serviços estabelecidos pelo Acordo,
medida normalmente pelo número de vôos
(frequências) ou de assentos, ou toneladas
de carga oferecidas em um mercado (par
de cidades ou país a país) ou em uma rota,
durante um determinado período, tal como
diariamente, semanalmente, por temporada
ou anualmente;
  d) Convenção significa a Convenção
sobre Aviação Civil Internacional, aberta para
assinatura em Chicago no dia 7 de dezembro




104

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




de 1944, e inclui qualquer Anexo adotado de
acordo com o Artigo 90 daquela Convenção e
qualquer emenda aos Anexos ou à Convenção,
de acordo com os Artigos 90 e 94, na medida
em que esses Anexos e emendas tenham
entrado em vigor para ambas as Partes;
  e) empresa aérea designada significa
uma empresa aérea que tenha sido designada
e autorizada em conformidade com o Artigo
3 (Designação e Autorização) deste Acordo;
  f) preço significa qualquer preço, tarifa
ou encargo para o transporte de passageiros,
bagagem e/ou carga, excluindo mala postal,
no transporte aéreo, incluindo qualquer outro
modal de transporte em conexão com aquele,
cobrados pelas empresas aéreas, incluindo
seus agentes, e as condições segundo as quais
se aplicam estes preços, tarifas e encargos;
  g) território, em relação a um Estado,
tem o significado a ele atribuído no Artigo 2
da Convenção no entendimento de que, no
caso da Nova Zelândia, o termo território
excluirá Toquelau;
  h) tarifa aeronáutica significa o valor
cobrado às empresas aéreas, pelas autoridades
competentes, ou por estas autorizado a ser
cobrado, pelo uso do aeroporto, ou de suas
instalações e serviços, ou de instalações
de navegação aérea, ou de instalações de
segurança da aviação, incluindo as instalações
e os serviços relacionados, por aeronaves,
suas tripulações, passageiros e carga; e
  i)	serviço	aéreo,	serviço	aéreo
internacional, empresa aérea e escala
para fins não comerciais, têm os significados
a eles atribuídos no Artigo 96 da Convenção.

  ARTIGO 2
   
  Concessão de Direitos
  1. Cada Parte concede à outra Parte os
direitos especificados neste Acordo, com
a finalidade de operar serviços aéreos

internacionais nas rotas especificadas no
Anexo deste Acordo.
  2. Sujeito às disposições deste Acordo, as
empresas aéreas designadas por cada uma das
Partes gozarão dos seguintes direitos:
  a) sobrevoar o território da outra Parte sem
pousar;
  b) fazer escalas no território da outra Parte,
para fins não comerciais;
  c) fazer escalas nos pontos das rotas
especificadas no Anexo deste Acordo, para
embarcar e desembarcar tráfego internacional
de passageiros, bagagem, carga ou mala postal
separadamente ou em combinação; e
  d) os demais direitos especificados no
presente Acordo.
  3. As empresas aéreas de cada Parte, outras
que não as designadas com base no Artigo 3
(Designação e Autorização) deste Acordo,
também gozarão dos direitos especificados nas
letras a e b do parágrafo 2 deste Artigo.
  4 Nenhum dispositivo deste Acordo será
considerado como concessão a uma empresa
aérea designada de uma Parte do direito
de embarcar, no território da outra Parte,
passageiros, bagagem, carga e mala postal
mediante remuneração e destinados a outro
ponto no território dessa outra Parte.

  ARTIGO 3
   
  Designação e Autorização
  1. Cada Parte terá o direito de designar por
escrito à outra Parte, uma ou mais empresas
aéreas para operar os serviços acordados e
de revogar ou alterar tal designação. Essas
notificações serão feitas por via diplomática.
  2. Ao receber tal designação e o pedido de
autorização de operação de uma empresa aérea
designada, na forma e no modo prescritos, cada
Parte concederá à empresa aérea a autorização
de operação apropriada com a mínima demora
de trâmites, desde que:




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	105




   a) a empresa aérea seja constituída e tenha
seu escritório principal no território da Parte
que a designa;
  b) o efetivo controle regulatório da empresa
aérea designada seja exercido e mantido pela
Parte que a designa;
  c) a Parte que designa a empresa aérea
cumpra as disposições estabelecidas no Artigo
7 (Segurança Operacional) e no Artigo 9
(Segurança da Aviação); e
  d) a empresa aérea designada esteja
qualificada para satisfazer outras condições
determinadas segundo as leis e regulamentos
normalmente aplicados à operação de serviços
aéreos internacionais pela Parte que recebe a
designação.
  3. Ao receber a autorização de operação
constante do parágrafo 2, uma empresa aérea
designada pode, a qualquer tempo, começar
a operar os serviços acordados para os quais
tenha sido designada, desde que ela cumpra as
disposições aplicáveis deste Acordo.

  ARTIGO 4
   
  Negação, Revogação e Limitação de
Autorização
  1. As autoridades aeronáuticas de cada
Parte terão o direito de negar as autorizações
mencionadas no Artigo 3 (Designação e
Autorização) deste Acordo à empresa aérea
designada pela outra Parte e de revogar,
suspender	ou	impor	condições	a	tais
autorizações, temporária ou permanentemente
nos casos em que:
  a) elas não estejam convencidas de que a
empresa aérea designada seja constituída e
tenha seu escritório principal no território da
Parte que a designa; ou
  b) o efetivo controle regulatório da empresa
aérea designada não seja exercido e mantido
pela Parte que a designa; ou
  c) a Parte que designa a empresa aérea

não cumpra as disposições estabelecidas no
Artigo 7 (Segurança Operacional) e no Artigo
8 (Segurança da Aviação); ou
  d) a empresa aérea designada não satisfaça
outras condições determinadas segundo as
leis e regulamentos normalmente aplicados
à operação de serviços aéreos internacionais
pela Parte que recebe a designação.
  2. A menos que a imediata revogação,
suspensão ou imposição das condições
previstas no parágrafo 1 do presente Artigo
seja essencial para impedir novas infrações a
leis e regulamentos, ou às disposições deste
Acordo, esse direito somente será exercido
após a realização de reunião de consulta com a
outra Parte. Tal consulta deverá ocorrer antes
de expirar o prazo de trinta (30) dias, contados
a partir da data da solicitação por uma Parte,
salvo entendimento diverso entre as Partes.

  ARTIGO 5
   
  Aplicação de Leis
  1. As leis e regulamentos de uma Parte
relativos à entrada e saída de seu território
de aeronaves engajadas em serviços aéreos
internacionais, ou à operação e navegação
de tais aeronaves enquanto em seu território,
serão aplicados às aeronaves das empresas
aéreas da outra Parte.
  2. As leis e regulamentos de uma Parte,
relativos à entrada, permanência e saída de seu
território, de passageiros, tripulantes e carga,
incluindo mala postal, tais como os relativos
à imigração, alfândega, moeda, saúde e
quarentena serão aplicados aos passageiros,
tripulantes, carga e mala postal transportados
por aeronaves das empresas aéreas da outra
Parte enquanto permanecerem no referido
território.
  3. Nenhuma Parte dará preferência às suas
próprias empresas aéreas ou a qualquer outra
empresa aérea em relação às empresas aéreas




106

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




da outra Parte engajadas em serviços aéreos
internacionais similares, na aplicação de
seus regulamentos de imigração, alfândega,
quarentena e regulamentos similares.
  4. Passageiros, bagagem, carga e mala
postal em trânsito direto serão sujeitos apenas
a um controle simplificado. Bagagem e carga
em trânsito direto deverão ser isentas de taxas
alfandegárias e outras taxas similares.

  ARTIGO 6
   
  Reconhecimento de Certificados e Licenças
  1. Certificados de aeronavegabilidade,
certificados de habilitação e licenças, emitidos
ou convalidados por uma Parte e ainda em
vigor, serão reconhecidos como válidos pela
outra Parte para o objetivo de operar os serviços
acordados, desde que os requisitos sob os quais
tais certificados e licenças foram emitidos ou
convalidados sejam iguais ou superiores aos
requisitos mínimos estabelecidos segundo a
Convenção.
  2. Se os privilégios ou as condições
das licenças ou certificados mencionados
no parágrafo 1 anterior, emitidos pelas
autoridades aeronáuticas de uma Parte para
qualquer pessoa ou empresa aérea designada,
ou relativos a uma aeronave utilizada na
operação dos serviços acordados, permitirem
uma	diferença	dos	requisitos	mínimos
estabelecidos pela Convenção, e que tal
diferença tenha sido notificada à Organização
de Aviação Civil Internacional (OACI), a outra
Parte pode pedir que se realizem consultas
entre as autoridades aeronáuticas a fim de
esclarecer a prática em questão.
  3. Cada Parte, todavia, reserva-se o direito
de recusar-se a reconhecer, para o objetivo de
sobrevoo ou pouso em seu próprio território,
certificados	de	habilitação	e	licenças
concedidas aos seus próprios nacionais pela
outra Parte.
   
ARTIGO 7
   
  Segurança Operacional
  1. Cada Parte poderá solicitar a qualquer
momento a realização de consultas sobre as
normas de segurança operacional aplicadas
pela outra Parte nos aspectos relacionados
com as instalações aeronáuticas, tripulações
de vôo, aeronaves e operações de aeronaves.
Tais consultas serão realizadas dentro dos 30
(trinta) dias subsequentes à apresentação da
referida solicitação.
  2. Se, depois de realizadas tais consultas,
uma Parte chega à conclusão de que a
outra não mantém e administra de maneira
efetiva os requisitos de segurança, nos
aspectos mencionados no parágrafo 1, que
satisfaçam as normas estabelecidas à época
em conformidade com a Convenção, a outra
Parte será informada de tais conclusões e das
medidas que se considerem necessárias para
cumprir as normas da OACI. A outra Parte
deverá, então, tomar as medidas corretivas
para o caso, dentro de um prazo acordado.
  3. De acordo com oArtigo 16 da Convenção,
fica também acordado que qualquer aeronave
operada por ou em nome de uma empresa
aérea de uma Parte, que preste serviço para
ou do território da outra Parte poderá, quando
se encontrar no território desta última, ser
objeto de uma inspeção pelos representantes
autorizados da outra Parte, desde que isto
não cause atrasos injustificados à operação
da aeronave. Não obstante as obrigações
mencionadas no Artigo 33 da Convenção, o
objetivo desta inspeção é verificar a validade
da documentação pertinente da aeronave, as
licenças de sua tripulação, e se o equipamento
da aeronave e as condições da mesma
conformam-se às normas estabelecidas à
época em conformidade com a Convenção.
  4. Quando uma ação urgente for essencial
para assegurar a segurança da operação de




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	107




uma empresa aérea, cada Parte reserva-se
o direito de imediatamente suspender ou
modificar a autorização de operação de uma
ou mais empresas aéreas da outra Parte.
  5. Qualquer medida tomada por uma
Parte de acordo com o parágrafo 4 acima
será suspensa tão logo deixem de existir os
motivos que levaram à adoção de tal medida.
  6. Com referência ao parágrafo 2, se
for constatado que uma Parte continua a
não cumprir as normas da OACI depois de
transcorrido o prazo acordado, o Secretário
Geral da OACI será disto notificado. O
mesmo também será notificado após a solução
satisfatória de tal situação.

  ARTIGO 8
   
  Cooperação em Segurança Operacional da
Aviação Civil
  As	Partes	promoverão	a	cooperação
entre suas autoridades reguladoras com o
propósito de estabelecer acordos técnicos ou
operacionais que facilitem:
  a) a troca de informações em matéria de
segurança operacional da aviação civil e de
meio ambiente;
  b) o reconhecimento mútuo de certificação
e/ou processos regulatórios de segurança
operacional, e
  c)	o	comércio	de	bens	e	serviços
relacionados à aviação civil.

  ARTIGO 9
   
  Segurança da Aviação
  1. Em conformidade com seus direitos e
obrigações segundo o Direito Internacional,
as Partes reafirmam que sua obrigação mútua
de proteger a segurança da aviação civil contra
atos de interferência ilícita constitui parte
integrante do presente Acordo. Sem limitar
a validade geral de seus direitos e obrigações

resultantes do Direito Internacional, as Partes
atuarão, em particular, segundo as disposições
da Convenção sobre Infrações e Certos Outros
Atos Praticados a Bordo de Aeronaves,
assinada em Tóquio em 14 de setembro de
1963, da Convenção para a Repressão ao
Apoderamento Ilícito de Aeronaves, assinada
na Haia em 16 de dezembro de 1970 e da
Convenção para a Repressão de Atos Ilícitos
contra a Segurança da Aviação Civil, assinada
em Montreal em 23 de setembro de 1971 e
seu Protocolo Suplementar para Repressão
de Atos Ilícitos de Violência em Aeroportos
Utilizados pela Aviação Civil Internacional,
assinado em Montreal em 24 de fevereiro
de 1988, da Convenção para a Marcação
de Explosivos Plásticos para o Propósito de
Detecção, assinada em Montreal em 1 de
março de 1991, bem como qualquer outra
convenção ou protocolo sobre segurança
da aviação civil, aos quais ambas as Partes
venham a aderir.
  2. As Partes fornecerão, mediante
solicitação, toda a assistência mútua necessária
para a prevenção contra atos de apoderamento
ilícito de aeronaves civis e outros atos
ilícitos contra a segurança dessas aeronaves,
seus passageiros e tripulações, aeroportos e
instalações de navegação aérea, e qualquer
outra ameaça à segurança da aviação civil.
  3. As Partes agirão, em suas relações
mútuas, segundo as disposições sobre
segurança da aviação estabelecidas pela OACI
e designadas como Anexos à Convenção;
exigirão que operadores de aeronaves por
elas registradas, ou operadores de aeronaves
estabelecidos em seu território e os operadores
de aeroportos situados em seu território ajam
em conformidade com as referidas disposições
sobre a segurança da aviação. Cada Parte
notificará a outra Parte de qualquer diferença
entre seus regulamentos e métodos nacionais
e as normas de segurança da aviação dos




108

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




Anexos. Qualquer das Partes poderá solicitar
a qualquer momento a imediata realização
de consultas com a outra Parte sobre tais
diferenças.
  4. Cada Parte concorda que a tais operadores
de aeronaves pode ser exigido que observem
as disposições sobre a segurança da aviação
mencionadas no parágrafo 3 deste Artigo e
exigidas pela outra Parte para a entrada, saída,
ou permanência no território da outra Parte.
Cada Parte assegurará que medidas adequadas
sejam efetivamente aplicadas em seu território
para proteger as aeronaves e para inspecionar
passageiros, tripulações, bagagens de mão,
bagagens, carga e provisões de bordo, antes
e durante o embarque ou carregamento. Cada
Parte também considerará de modo favorável
qualquer solicitação da outra Parte, com
vistas a adotar medidas especiais e razoáveis
de segurança para combater uma ameaça
específica.
  5. Quando ocorrer um incidente, ou ameaça
de incidente de apoderamento ilícito de
aeronave civil, ou outros atos ilícitos contra a
segurança de tal aeronave, de seus passageiros
e tripulações, de aeroportos ou instalações
de navegação aérea, as Partes assistir-se-ão
mutuamente, facilitando as comunicações e
outras medidas apropriadas, destinadas a pôr
termo, de forma rápida e segura, a tal incidente
ou ameaça.
  6. Cada Parte terá o direito, dentro dos
60 (sessenta) dias seguintes à notificação, de
que suas autoridades aeronáuticas efetuem
uma avaliação no território da outra Parte
das medidas de segurança sendo aplicadas
ou que planejem aplicar, pelos operadores de
aeronaves, com respeito aos vôos que chegam
procedentes do território da primeira Parte ou
que sigam para o mesmo. Os entendimentos
administrativos para a realização de tais
avaliações serão feitos entre as autoridades
aeronáuticas e implementados sem demora

a fim de se assegurar que as avaliações se
realizem de maneira expedita. Todas as
avaliações estarão cobertas por um acordo
específico sobre a proteção de informação
entre as autoridades competentes de ambas as
Partes.
  7. Quando uma Parte tiver motivos
razoáveis para acreditar que a outra Parte
não cumpre as disposições deste Artigo, a
primeira Parte poderá solicitar a realização
de consultas. Tais consultas começarão dentro
dos 15 (quinze) dias seguintes ao recebimento
de tal solicitação de qualquer das Partes. No
caso de não se chegar a um acordo satisfatório
dentro dos 15 (quinze) dias a partir do começo
das consultas, isto constituirá motivo para
negar, revogar, suspender ou impor condições
sobre as autorizações da empresa aérea ou
empresas aéreas designadas pela outra Parte.
Quando justificada por uma emergência ou
para prevenir o ulterior descumprimento das
disposições deste Artigo, a primeira Parte
poderá adotar medidas temporárias a qualquer
momento.

  ARTIGO 10
   
  Tarifas Aeronáuticas
  1. As tarifas aeronáuticas que possam
ser impostas pelas autoridades ou órgãos
competentes de cada Parte sobre as empresas
aéreas da outra Parte serão justas, razoáveis,
não injustamente discriminatórias, e repartidas
equitativamente entre categorias de usuários.
Em qualquer caso, tais tarifas aeronáuticas
impostas sobre as empresas aéreas da outra
Parte serão estabelecidas em condições não
menos favoráveis do que as condições mais
favoráveis disponíveis a qualquer outra
empresa aérea no momento em que as tarifas
sejam estabelecidas.
  2. Cada Parte estimulará a realização
de consultas entre as autoridades ou




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	109




órgãos competentes em seu território e as
empresas aéreas que utilizam as instalações
e os serviços, e estimulará as autoridades
ou órgãos competentes e as empresas aéreas
a trocarem informações que possam ser
necessárias para permitir uma análise precisa
sobre a razoabilidade das tarifas, de acordo
com os princípios dos parágrafos 1 e 2 deste
Artigo. Cada Parte estimulará o fornecimento
pelas autoridades ou órgãos competentes
aos usuários, com razoável antecedência, de
qualquer proposta de alteração nas tarifas
aeronáuticas, a fim de permitir que os usuários
expressem suas opiniões antes que qualquer
alteração seja feita.
  3. Em procedimentos de solução de
controvérsias, nos termos do Artigo 20 deste
Acordo, nenhuma das Partes será considerada
em violação de uma provisão deste Artigo, a
menos que:
  a) não proceda à revisão da tarifa ou prática
que seja objeto de reclamação pela outra Parte
dentro de um período de tempo razoável; ou
  b) após tal revisão, não tome todas as
medidas a seu alcance para corrigir qualquer
tarifa ou prática incompatível com este Artigo.

  ARTIGO 11
   
  Direitos Alfandegários
  1. Cada Parte, com base na reciprocidade,
isentará uma empresa aérea designada da
outra Parte, no maior grau possível em
conformidade com sua legislação nacional,
de restrições sobre importações, direitos
alfandegários, impostos indiretos, taxas de
inspeção e outras taxas e gravames nacionais
que não se baseiem no custo dos serviços
proporcionados na chegada, sobre aeronaves,
combustíveis, óleos lubrificantes, suprimentos
técnicos de consumo, peças sobressalentes
incluindo motores, equipamento de uso normal
dessas aeronaves, provisões de bordo e outros

itens, tais como bilhetes e conhecimentos
aéreos, destinados ou usados exclusivamente
na operação ou manutenção das aeronaves da
empresa aérea designada da outra Parte que
esteja operando os serviços acordados.
  2. As isenções previstas neste Artigo serão
aplicadas aos itens referidos no parágrafo 1:
  a) introduzidos no território de uma Parte
por ou sob a responsabilidade da empresa
aérea designada pela outra Parte;
  b) mantidos a bordo das aeronaves da
empresa aérea designada de uma Parte, na
chegada ou na saída do território da outra
Parte; ou
  c) embarcados nas aeronaves da empresa
aérea designada de uma Parte no território da
outra Parte e com o objetivo de serem usados
na operação dos serviços acordados,
  sejam ou não tais produtos utilizados ou
consumidos totalmente dentro do território da
Parte que outorga a isenção, sob a condição
de que sua propriedade não seja transferida no
território de tal Parte.
  3. O equipamento de bordo de uso regular,
bem como os materiais e suprimentos
normalmente mantidos a bordo das aeronaves
de uma empresa aérea designada de qualquer
das Partes, somente poderão ser descarregados
no território da outra Parte com a autorização
das autoridades alfandegárias de tal território.
Nesse caso, tais itens poderão ser colocados
sob a supervisão das mencionadas autoridades
até que sejam reexportados ou se lhes dê
outro destino, conforme os regulamentos
alfandegários.

  ARTIGO 12
   
  Capacidade
  1. Cada Parte permitirá que cada empresa
aérea designada determine a frequência e a
capacidade dos serviços aéreos internacionais
a ser ofertada, baseando-se em considerações




110

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




comerciais próprias do mercado.
  2. Nenhuma Parte limitará unilateralmente
o	volume	de	tráfego,	frequência	ou
regularidade dos serviços, ou o tipo ou
tipos de aeronaves operadas pelas empresas
aéreas designadas da outra Parte, exceto
por exigências de natureza alfandegária,
técnica, operacional ou razões ambientais
sob condições uniformes consistentes com
o Artigo 15 da Convenção.

  ARTIGO 13
   
  Preços
  1. Os preços cobrados pelos serviços
operados com base neste Acordo poderão
ser estabelecidos livremente pelas empresas
aéreas, sem estar sujeitos a aprovação.
  2. Cada Parte pode requerer notificação ou
registro junto às autoridades, pelas empresas
aéreas designadas, dos preços do transporte de
e para o seu território.

  ARTIGO 14
   
  Concorrência
  1. As Partes deverão, a pedido, informar-
se mutuamente sobre suas leis, políticas e
práticas sobre a concorrência ou modificações
das mesmas, bem como quaisquer objetivos
concretos a elas relacionados, que poderiam
afetar a operação de serviços aéreos cobertos
por este Acordo e deverão identificar as
autoridades responsáveis por sua aplicação.

  2.	As	Partes	deverão	notificar-se
mutuamente	sempre	que	considerarem
que pode haver incompatibilidade entre a
aplicação de suas leis, políticas e práticas sobre
a concorrência e as matérias relacionadas à
aplicação deste Acordo.

  ARTIGO 15
   
Conversão de Divisas e Remessa de
Receitas
  1. Cada Parte permitirá às empresas aéreas
designadas da outra Parte converter e remeter
para o exterior, a pedido, todas as receitas locais
provenientes da venda de serviços aéreos e de
atividades conexas diretamente vinculadas
ao transporte aéreo que excedam as somas
localmente desembolsadas, permitindo-se sua
rápida conversão e remessa à taxa de câmbio
do dia do pedido para a conversão e remessa.
  2. A conversão e a remessa de tais receitas
serão permitidas em conformidade com as
leis e regulamentos aplicáveis, e não estarão
sujeitas a quaisquer encargos administrativos
ou cambiais, exceto aqueles normalmente
cobrados pelos bancos para a execução de tais
conversão e remessa.
  3. O disposto neste Artigo não desobriga
as empresas aéreas de ambas as Partes do
pagamento dos impostos, taxas e contribuições
a que estejam sujeitas.
  4. Caso exista um acordo especial entre as
Partes para evitar a dupla tributação, ou caso
um acordo especial regule a transferência
de fundos entre as Partes, tais acordos
prevalecerão.

  ARTIGO 16
  Atividades Comerciais
  1. Cada Parte concederá às empresas
aéreas da outra Parte o direito de vender e
comercializar em seu território, serviços
aéreos internacionais, diretamente ou por
meio de agentes ou outros intermediários à
escolha da empresa aérea, incluindo o direito
de estabelecer seus próprios escritórios, tanto
como empresa operadora como não operadora.
  2. Cada empresa aérea terá o direito de
vender tais serviços aéreos na moeda desse
território ou, sujeito às leis e regulamentos
nacionais, em moedas livremente conversíveis
de outros países, e qualquer pessoa poderá




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	111




adquirir tais serviços aéreos em moedas
aceitas por essa empresa aérea.
  3. As empresas aéreas designadas de uma
Parte poderão, com base na reciprocidade,
trazer e manter no território da outra Parte
seus representantes e o pessoal comercial,
operacional e técnico necessário à operação
dos serviços acordados.
  4. Essas necessidades de pessoal podem,
a critério das empresas aéreas designadas de
uma Parte, ser satisfeitas com pessoal próprio
ou usando os serviços de qualquer outra
organização, companhia ou empresa aérea que
opere no território da outra Parte, autorizada
a prestar esses serviços para outras empresas
aéreas.
  5. Os representantes e os auxiliares estarão
sujeitos às leis e regulamentos em vigor
da outra Parte e de acordo com tais leis e
regulamentos:
  a) cada Parte concederá, com base na
reciprocidade e com o mínimo de demora,
as autorizações de emprego, os vistos de
visitantes ou outros documentos similares
necessários para os representantes e os
auxiliares mencionados no parágrafo 3 deste
Artigo; e
  b) ambas as Partes facilitarão e acelerarão
as autorizações de emprego necessárias ao
pessoal que desempenhe certos serviços
temporários que não excedam 90 (noventa)
dias.
  6. Ao operar ou oferecer os serviços aéreos
internacionais nos termos do presente Acordo,
qualquer empresa aérea designada de uma
Parte poderá, sujeita às leis e regulamentos de
cada Parte, celebrar acordos de cooperação,
incluindo, mas não limitados a, acordos
de	código	compartilhado,	arrendamento
e arrendamento com tripulação, seguro e
manutenção (wet-leasing), com qualquer
outra empresa aérea, incluindo empresas
aéreas de terceiros países que possuam as

necessárias autorizações de operação para o
acordo de cooperação em questão.
  7. Cada empresa aérea designada terá o
direito de executar seu próprio serviço de
apoio em solo (serviço próprio) no território
da outra Parte ou, a seu critério, o direito de
escolher dentre agentes concorrentes para
a realização de tais serviços, no todo ou em
parte. Os direitos estarão sujeitos apenas a
restrições físicas resultantes de considerações
da segurança aeroportuária. Nos casos em que
tais considerações excluam a possibilidade
de serviço próprio, os serviços de apoio
em solo estarão disponíveis de forma não
discriminatória a todas as empresas aéreas;
as tarifas basear-se-ão nos custos dos serviços
prestados, e tais serviços serão comparáveis
em tipo e qualidade aos serviços que estariam
disponíveis se o serviço próprio fosse possível.
  8. Não obstante qualquer outra disposição
deste Acordo, empresas aéreas e provedores
indiretos de transporte de carga das Partes serão
autorizados, sem restrições, a empregar em
conexão com o transporte aéreo internacional,
qualquer transporte de carga por superfície de
ou para quaisquer pontos nos territórios das
Partes ou em terceiros países, inclusive de
e para todos os aeroportos com instalações
alfandegárias, e incluindo, quando aplicável,
o direito de transportar carga alfandegada
sob leis e regulamentos aplicáveis. Será
providenciado o acesso de tal carga às
instalações e procedimentos alfandegários,
quer seja transportada por superfície ou por
meio aéreo. As empresas aéreas poderão
optar por executar seu próprio transporte de
superfície ou fazê-lo por meio de acordos
com outros transportadores de superfície,
incluindo o transporte de superfície operado
por outras empresas aéreas e provedores
indiretos de transporte aéreo de carga. Tais
serviços intermodais de carga poderão ser
oferecidos a um preço único para o transporte




112

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




aéreo e de superfície combinados, desde que
os expedidores de carga não sejam induzidos a
erro quanto aos fatos relativos a tal transporte.

  ARTIGO 17
   
  Estatísticas
  As autoridades aeronáuticas de cada
Parte proporcionarão ou farão com que suas
empresas aéreas designadas proporcionem
às autoridades aeronáuticas da outra Parte, a
pedido, as estatísticas periódicas ou eventuais
que possam ser razoavelmente requeridas.

  ARTIGO 18
   
  Aprovação de Horários
  1. As empresas aéreas designadas de cada
Parte submeterão sua previsão de horários de
vôos à aprovação das autoridades aeronáuticas
da outra Parte, pelo menos 30 (trinta) dias antes
do início de operação dos serviços acordados.
O mesmo procedimento será aplicado para
qualquer modificação dos horários.
  2. Para os vôos de reforço que a empresa
aérea designada de uma Parte deseje operar
nos serviços acordados fora do quadro
horário	aprovado,	essa	empresa	aérea
solicitará autorização prévia das autoridades
aeronáuticas da outra Parte. Tais solicitações
serão submetidas pelo menos 5 (cinco) dias
úteis antes da operação de tais vôos.

  ARTIGO 19
   
  Consultas
  1. Qualquer das Partes pode, a qualquer
tempo, solicitar a realização de consultas sobre
a interpretação, aplicação, implementação
ou emenda deste Acordo ou seu satisfatório
cumprimento.
  2. Tais consultas, que podem ser feitas mediante
reuniões ou por correspondência, serão iniciadas

dentro de um período de 60 (sessenta) dias a partir
da data do recebimento da solicitação por escrito
pela outra Parte, a menos que de outra forma
acordado por ambas as Partes.

  ARTIGO 20
   
  Solução de Controvérsias
  1. No caso de qualquer controvérsia que possa
surgir entre as Partes, relativa à interpretação
ou aplicação deste Acordo, com exceção das
que possam surgir decorrentes dos Artigos 7
(Segurança Operacional) e 9 (Segurança da
Aviação), as autoridades aeronáuticas das Partes
buscarão, em primeiro lugar, resolvê-las por
meio de consultas e negociações.
  2. Caso as Partes não cheguem a um acordo
por meio de negociação, a controvérsia será
solucionada por via diplomática.

  ARTIGO 21
   
  Emendas
  Qualquer emenda a este Acordo, acordada
entre as Partes, entrará em vigor em data a ser
determinada por troca de notas diplomáticas,
indicando que todos os procedimentos
internos necessários foram completados por
ambas as Partes.

  ARTIGO 22
   
  Acordos Multilaterais
  Se um acordo multilateral relativo a
transporte aéreo entrar em vigor em relação
a ambas as Partes, o presente Acordo será
emendado para conformar-se às disposições
de tal acordo multilateral.

  ARTIGO 23
   
  Denúncia
  Qualquer das Partes pode, a qualquer

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	113




tempo, notificar a outra Parte por escrito,
por via diplomática, de sua decisão de
denunciar este Acordo. Tal notificação será
feita simultaneamente à OACI. Este Acordo
expirará à meia noite, hora local da Parte
notificada, imediatamente antes do primeiro
aniversário da data de recebimento da
notificação pela outra Parte, a menos que se
retire tal notificação mediante acordo, antes
de concluído tal prazo. Se a outra Parte não
acusar recebimento, será considerado que a
notificação foi recebida 14 (quatorze) dias
depois de seu recebimento pela OACI.

  ARTIGO 24
   
  Registro na OACI
  Este Acordo, bem como qualquer emenda
ao mesmo, será registrado na OACI, depois
de assinado, pela Parte em cujo território haja
ocorrido a assinatura, ou conforme acordado
pelas Partes.

  ARTIGO 25
   
  Entrada em Vigor
  Este Acordo entrará em vigor sessenta
(60) dias após o recebimento da segunda
nota diplomática indicando que todos os
procedimentos internos necessários foram
completados por ambas as Partes.
  Após sua entrada em vigor, o presente
Acordo substituirá o Acordo sobre Serviços
Aéreos entre o Governo da República
Federativa do Brasil e o Governo da Nova
Zelândia, assinado em Brasília, em 18 de
junho de 1996.
  Em testemunho do que os abaixo assinados,
estando devidamente autorizados pelos seus
respectivos Governos, assinaram o presente
Acordo.
  Feito em Brasília, no dia do mês de , do
ano de , em duplicata, em português e inglês,

sendo ambos os textos igualmente autênticos.
   PELO GOVERNO DA
  REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
   
  PELO GOVERNO DA
  NOVA ZELÂNDIA
   
  ANEXO
  Serviços Aéreos Regulares
  Rotas
  As empresas aéreas de cada Parte,
designadas ao abrigo do presente Acordo
para operar no âmbito deste Anexo, em
conformidade com os termos de sua
designação, terão o direito de realizar serviços
aéreos internacionais regulares, como segue:
  A. Rotas para a(s) empresa(s) aérea(s)
designada(s) pelo Governo da República
Federativa do Brasil
  De pontos aquém Brasil, via Brasil e pontos
intermediários, para um ponto ou pontos na
Nova Zelândia e além.
  B. Rotas para a(s) empresa(s) aérea(s)
designada(s) pelo Governo da Nova Zelândia
  De pontos aquém Nova Zelândia, via Nova
Zelândia e pontos intermediários, para um
ponto ou pontos no Brasil e além.

  Notas
  As empresas aéreas designadas de cada
Parte poderão, em qualquer ou em todos os
vôos e à sua opção:
  1. efetuar vôos em uma ou ambas as
direções;
  2. combinar diferentes números de vôo na
operação de uma aeronave;
  3. servir, nas rotas, pontos aquém,
intermediários e além e pontos nos territórios
das Partes, em qualquer combinação e em
qualquer ordem;
  4. omitir escalas em qualquer ponto ou
pontos;
  5. transferir tráfego de quaisquer de suas

   
   

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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




aeronaves para quaisquer de suas outras
aeronaves em qualquer ponto das rotas;
  6. servir pontos anteriores a qualquer
ponto em seu território, com ou sem mudança
de aeronave ou número de vôo, e oferecer
e anunciar tais serviços ao público como
serviços diretos; e
  7. exercer direitos de tráfego de parada co-
terminais, incluindo o transporte de passageiros
com bilhetes emitidos internacionalmente,
  sem limitação de direção ou geográfica, e
sem perda de qualquer direito de transportar
tráfego de outra forma permitido sob este
Acordo, desde que o ponto de origem ou
de destino esteja no território da Parte que
designa a empresa aérea.

   ATOS ASSINADOS POR OCASIÃO DA
 VISITA DO MINISTRO DAS RELAÇÕES
   EXTERIORES DA GUATEMALA, LUIS
      FERNANDO CARRERA CASTRO -
       BRASÍLIA, 15 DE ABRIL DE 2013
                            15/04/2013
                               
  1- Ajuste Complementar ao acordo básico
de cooperação científica e técnica entre o
Governo da República Federativa do Brasil e
o Governo da República da Guatemala para
a implementação do projeto Elaboração de
Materiais Didáticos para Alfabetizadores
participantes e Formação de Técnicos em
Alfabetização de Jovens e Adultos
  2- Ajuste complementar ao acordo básico
de cooperação científica e técnica entre o
Governo da República Federativa do Brasil e
o Governo da República da Guatemala para
a implementação do projeto Apoio técnico
para expansão e consolidação da rede de
bancos de leite humano para a Guatemala
  3-	Ajuste	complementar	ao	acordo
básico de cooperação científica e técnica

entre o Governo da República Federativa
do Brasil e o Governo da República da
Guatemala para a implementação do projeto
Plano de eletrificação rural vinculado ao
desenvolvimento local  fase 2

  AJUSTE COMPLEMENTAR AO
ACORDO BÁSICO DE COOPERAÇÃO
CIENTÍFICA E TÉCNICA ENTRE O
GOVERNO DA REPÚBLICA FEDERATIVA
DO BRASIL E O GOVERNO DA
REPÚBLICA DA GUATEMALA PARA
A IMPLEMENTAÇÃO DO PROJETO
ELABORAÇÃO DE MATERIAIS
DIDÁTICOS PARA ALFABETIZADORES
E PARTICIPANTES E FORMAÇÃO DE
TÉCNICOS EM ALFABETIZAÇÃO DE
JOVENS E ADULTOS
  O Governo da República Federativa do
Brasil
  e
  O Governo da República da Guatemala
(doravante denominados Partes),
  Considerando que suas relações de
cooperação têm sido fortalecidas ao amparo
do Acordo Básico de Cooperação Científica
e Técnica entre o Governo da República
da Guatemala e o Governo da República
Federativa do Brasil, firmado em Brasília, em
16 de junho de 1976;
  Convencidos do desejo comum de promover
a cooperação para o desenvolvimento; e,
  Que a cooperação técnica na área de
educação, com base no benefício mútuo,
reveste-se de especial interesse para as Partes,
  Acordam o seguinte:
   
  ARTIGO I
   
  1. O presente Ajuste Complementar visa
à implementação do Projeto Elaboração
de materiais didáticos para alfabetizadores
e participantes e formação de técnicos em




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	115




alfabetização de jovens e adultos, doravante
denominado	Projeto,	cuja	finalidade
é	fortalecer	os	esforços	para	diminuir
significativamente as taxas de analfabetismo
na Guatemala.
  2. O Projeto contemplará os objetivos e as
atividades a serem realizadas e os resultados a
serem alcançados.
  3. O Projeto será aprovado e firmado pelas
instituições coordenadoras e executoras.

  ARTIGO II
   
  1. O Governo da República da Guatemala
designa:
  a)	a	Secretaria	de	Planejamento	e
Programação da Presidência (SEGEPLAN)
como	instituição	responsável	pela
coordenação, acompanhamento e avaliação
das atividades decorrentes do presente Ajuste
Complementar; e
  b) a Secretaria Executiva do Comitê
Nacional de Alfabetização como instituição
responsável pela execução das atividades
decorrentes deste Ajuste Complementar.
  2. O Governo da República Federativa do
Brasil designa:
  a) a Agência Brasileira de Cooperação do
Ministério das Relações Exteriores (ABC/
MRE) como instituição responsável pela
coordenação, pelo acompanhamento e pela
avaliação das ações decorrentes do presente
Ajuste Complementar; e
  b) o Ministério da Educação (MEC)
como instituição responsável pela execução
das	atividades	decorrentes	deste Ajuste
Complementar.

  ARTIGO III
   
  1.Ao Governo da República da Guatemala cabe:
  a) designar técnicos guatemaltecos para
receber treinamento;
   
b) disponibilizar instalações e infraestrutura
adequadas à execução das atividades de
cooperação técnica previstas no Projeto;
  c) prestar apoio aos técnicos enviados pelo
Governo brasileiro, mediante fornecimento de
todas as informações necessárias à execução
do Projeto;
  d) garantir a manutenção dos vencimentos
e demais vantagens do cargo ou função
dos técnicos guatemaltecos que estiverem
envolvidos no Projeto;
  e) tomar as providências para que as
ações desenvolvidas pelos técnicos enviados
pelo Governo brasileiro sejam continuadas
pelos técnicos da instituição executora
guatemalteca; e,
  f) acompanhar e avaliar o desenvolvimento
do Projeto.
  2. Ao Governo da República Federativa do
Brasil cabe:
  a) designar e enviar técnicos para
desenvolver, na Guatemala, as atividades de
cooperação técnica previstas no Projeto; e,
  b) acompanhar e avaliar o desenvolvimento
do Projeto.
  3. O presente Ajuste Complementar não
implicaqualquercompromissodetransferência
de recursos financeiros ou qualquer outra
atividade gravosa ao patrimônio nacional das
Partes.
  4. As Partes executarão o Projeto conforme
sua disponibilidade orçamentária.

  ARTIGO IV
   
  Na execução das atividades previstas
no Projeto, objeto do presente Ajuste
Complementar, as Partes poderão dispor de
recursos de instituições públicas e privadas,
de organizações não-governamentais, de
organismos internacionais, de agências de
cooperação técnica, de fundos e de programas
regionais e internacionais, que deverão estar




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




previstos em outros instrumentos legais que
não o presente Ajuste Complementar.

  ARTIGO V
   
  Todas as atividades mencionadas neste Ajuste
Complementar estarão sujeitas às leis e aos
regulamentos em vigor na República Federativa
do Brasil e na República da Guatemala.

  ARTIGO VI
   
  O presente Ajuste Complementar entrará
em vigor na data da última notificação pela
qual as Partes comunicam uma à outra, por
escrito e por via diplomática, que foram
cumpridos seus requisitos legais internos
e terá vigência de dois (2) anos, renováveis
automaticamente, por períodos de igual
duração, até o cumprimento de seu objetivo,
exceto se uma das Partes manifestar a outra
por escrito, sua intenção de denunciá-lo, com
antecedência mínima de 3 (três) meses.

  ARTIGO VII
   
  1. As instituições executoras mencionadas
no Artigo II elaborarão relatórios sobre os
resultados alcançados no Projeto desenvolvido
no âmbito deste Ajuste Complementar, os
quais serão apresentados às instituições
coordenadoras.
  2. Documentos resultantes das atividades
desenvolvidas no contexto do Projeto serão
de propriedade conjunta das Partes. As
versões oficiais dos documentos de trabalho
serão elaboradas no idioma do país de origem
do trabalho. Em caso de publicação dos
referidos documentos, as Partes deverão ser
prévia e formalmente consultadas, bem como
mencionadas no documento publicado.

  ARTIGO VIII
   
O presente Ajuste Complementar poderá
ser emendado mediante consentimento mútuo
entre as Partes, por via diplomática. Emendas
entrarão em vigor nos termos do Artigo VI.

  ARTIGO IX
   
  Qualquer uma das Partes poderá notificar
a outra, em qualquer momento, por via
diplomática, de sua decisão de denunciar
o presente Ajuste Complementar, cabendo
às Partes decidir sobre a continuidade das
atividades que estiverem em execução. A
denúncia terá efeito três (3) meses após a data
de recebimento da notificação.

  ARTIGO X
   
  Qualquer controvérsia relativa à
interpretaçãodopresenteAjusteComplementar
que surja durante sua execução será resolvida
pelas Partes por via diplomática.

  ARTIGO XI
   
  Nas questões não previstas neste Ajuste
Complementar, aplicar-se-ão as disposições
do Acordo Básico de Cooperação Científica
e Técnica entre o Governo da República
da Guatemala e o Governo da República
Federativa do Brasil, assinado em Brasília, em
16 de junho de 1976.
  Assinado em Brasília, em 15 de abril
de 2013, em dois exemplares originais, em
português e espanhol, sendo ambos os textos
igualmente autênticos.

  *****
   
  AJUSTE COMPLEMENTAR AO
ACORDO BÁSICO DE COOPERAÇÃO
CIENTÍFICA E TÉCNICA ENTRE O
GOVERNO DA REPÚBLICA FEDERATIVA




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	117




DO	BRASIL	E	O	GOVERNO	DA
REPÚBLICA DA GUATEMALA PARA
A	IMPLEMENTAÇÃO	DO	PROJETO
APOIO TÉCNICO PARA A EXPANSÃO E
CONSOLIDAÇÃO DA REDE DE BANCOS
DE LEITE HUMANO DA GUATEMALA

  O Governo da República Federativa do
Brasil
  e
  O Governo da República da Guatemala
  (doravante denominados Partes),
  Considerando que suas relações de cooperação
têm sido fortalecidas ao amparo do Acordo
Básico de Cooperação Científica e Técnica entre
o Governo da República da Guatemala e o
Governo da República Federativa do Brasil,
firmado em Brasília, em 16 de junho de 1976;
  Convencidos do desejo comum de promover
a cooperação para o desenvolvimento; e
  Que a cooperação técnica na área de saúde,
com base no benefício mútuo, reveste-se de
especial interesse para as Partes,
  Ajustam o seguinte:
   
  ARTIGO I
   
  1. O presente Ajuste Complementar visa
à implementação do Projeto Apoio Técnico
para a Expansão e Consolidação da Rede
de Bancos de Leite humano da Guatemala,
doravante	denominado	Projeto,	cuja
finalidade é atender à demanda guatemalteca
de leite humano processado, fortalecendo
as ações de promoção, proteção e apoio ao
aleitamento materno no país, tendo em vista
a diminuição da morbimortalidade de recém-
nascidos menores de um ano em ações dos
programas de atenção à saúde materna e
infantil.
  2. O Projeto contemplará os objetivos e as
atividades a serem realizadas e os resultados a
serem alcançados.
   
3. O Projeto será aprovado e firmado pelas
instituições coordenadoras e executoras.

  ARTIGO II
   
  1 O Governo da República da Guatemala
designa:
  a) a Secretaria de Planejamento e
Programação da Presidência (SEGEPLAN)
como instituição responsável pela coordenação,
acompanhamento e avaliação das atividades
decorrentes do presente Ajuste Complementar; e
  b) o Ministério de Saúde Pública e
Assistência Social como instituição
responsável pela execução das atividades
decorrentes deste Ajuste Complementar.
  2 O Governo da República Federativa do
Brasil designa:
  a) a Agência Brasileira de Cooperação do
Ministério das Relações Exteriores (ABC/
MRE) como instituição responsável pela
coordenação, pelo acompanhamento e pela
avaliação das ações decorrentes do presente
Ajuste Complementar; e
  b) o Ministério da Saúde (MS) - Centro
de Referência Nacional para Bancos de Leite
Humano/IFF/FIOCRUZ - como instituição
responsável pela execução das atividades
decorrentes deste Ajuste Complementar.

  ARTIGO III
   
  1 Ao Governo da República da Guatemala
cabe:
  a) designar técnicos guatemaltecos para
receber treinamento;
  b) disponibilizar instalações e infraestrutura
adequadas à execução das atividades de
cooperação técnica previstas no Projeto;
  c) prestar apoio aos técnicos enviados pelo
Governo brasileiro, mediante fornecimento de
todas as informações necessárias à execução
do Projeto;




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  d) garantir a manutenção dos vencimentos
e demais vantagens do cargo ou função
dos técnicos guatemaltecos que estiverem
envolvidos no Projeto;
  e) tomar as providências para que as
ações desenvolvidas pelos técnicos enviados
pelo Governo brasileiro sejam continuadas
pelos	técnicos	da	instituição	executora
guatemalteca; e
  f) acompanhar e avaliar o desenvolvimento
do Projeto.
  2 Ao Governo da República Federativa do
Brasil cabe:
  a)	designar	e	enviar	técnicos	para
desenvolver, na Guatemala, as atividades de
cooperação técnica previstas no Projeto; e
  b) acompanhar e avaliar o desenvolvimento
do Projeto.
  3. O presente Ajuste Complementar não
implicaqualquercompromissodetransferência
de recursos financeiros ou qualquer outra
atividade gravosa ao patrimônio nacional das
Partes.
  4. As Partes executarão o Projeto conforme
sua disponibilidade orçamentária.

  ARTIGO IV
   
  Na execução das atividades previstas
no	Projeto,	objeto	do	presente Ajuste
Complementar, as Partes poderão dispor de
recursos de instituições públicas e privadas,
de	organizações	não-governamentais,	de
organismos internacionais, de agências de
cooperação técnica, de fundos e de programas
regionais e internacionais, que deverão estar
previstos em outros instrumentos legais que
não o presente Ajuste Complementar.

  ARTIGO V
   
  Todas as atividades mencionadas neste
Ajuste Complementar estarão sujeitas às leis

e aos regulamentos em vigor na República
Federativa do Brasil e na República da
Guatemala.

  ARTIGO VI
   
  O presente Ajuste Complementar entrará
em vigor na data da última notificação pela
qual as Partes comunicam uma à outra, por
escrito e por via diplomática, que foram
cumpridos seus requisitos legais internos
e terá vigência de dois (2) anos, renováveis
automaticamente, por períodos de igual
duração, até o cumprimento de seu objetivo,
exceto se uma das Partes manifestar a outra
por escrito, sua intenção de denunciá-lo, com
antecedência mínima de três (3) meses.

  ARTIGO VII
   
  1 As instituições executoras mencionadas no
Artigo II elaborarão relatórios sobre os resultados
alcançados no Projeto desenvolvido no âmbito
deste Ajuste Complementar, os quais serão
apresentados às instituições coordenadoras.
  2 Documentos resultantes das atividades
desenvolvidas no contexto do Projeto serão
de propriedade conjunta das Partes. As
versões oficiais dos documentos de trabalho
serão elaboradas no idioma do país de origem
do trabalho. Em caso de publicação dos
referidos documentos, as Partes deverão ser
prévia e formalmente consultadas, bem como
mencionadas no documento publicado.

  ARTIGO VIII
   
  O presente Ajuste Complementar poderá
ser emendado mediante consentimento mútuo
entre as Partes, por via diplomática. Emendas
entrarão em vigor nos termos do Artigo VI.

  ARTIGO IX

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	119




   Qualquer uma das Partes poderá notificar
a outra, em qualquer momento, por via
diplomática, de sua decisão de denunciar o
presente Ajuste Complementar, cabendo a elas
decidir sobre a continuidade das atividades que
estiverem em execução. A denúncia terá efeito
três (3) meses após a data de recebimento da
notificação.

   ARTIGO X
   
  Qualquer	controvérsia	relativa	à
interpretaçãodopresenteAjusteComplementar
que surja durante sua execução será resolvida
pelas Partes por via diplomática.

   ARTIGO XI
   
  Nas questões não previstas neste Ajuste
Complementar, aplicar-se-ão as disposições
do Acordo Básico de Cooperação Científica
e Técnica entre o Governo da República
da Guatemala e o Governo da República
Federativa do Brasil, assinado em Brasília, em
16 de junho de 1976.
  Feito em Brasília, em 15 de abril de 2013,
em dois exemplares originais, em português e
espanhol, sendo ambos os textos igualmente
autênticos.

  *****
   
  AJUSTE	COMPLEMENTAR	AO
ACORDO BÁSICO DE COOPERAÇÃO
CIENTÍFICA	E	TÉCNICA	ENTRE	O
GOVERNO DA REPÚBLICA FEDERATIVA
DO	BRASIL	E	O	GOVERNO	DA
REPÚBLICA DA GUATEMALA PARA
A	IMPLEMENTAÇÃO	DO	PROJETO
PLANO DE ELETRIFICAÇÃO RURAL
VINCULADO AO DESENVOLVIMENTO
LOCAL - FASE II
  O Governo da República Federativa do

Brasil
  e
  O Governo da República da Guatemala
(doravante denominados Partes),
  Considerando que suas relações de
cooperação têm sido fortalecidas ao amparo
do Acordo Básico de Cooperação Científica
e Técnica entre o Governo da República
da Guatemala e o Governo da República
Federativa do Brasil, firmado em Brasília, em
16 de junho de 1976;
  Convencidos do desejo comum de promover
a cooperação para o desenvolvimento; e,
  Que a cooperação técnica na área de energia,
com base no benefício mútuo, reveste-se de
especial interesse para as Partes,
  Acordam o seguinte:
   
  ARTIGO I
   
  1. O presente Ajuste Complementar
visa à implementação do Projeto Plano
de eletrificação rural vinculado ao
desenvolvimento local  Fase II, doravante
denominado Projeto, cuja finalidade
é implementar processo operativo de
uso produtivo de eletricidade para o
desenvolvimento sustentável nas áreas rurais
da Guatemala.
  2. O Projeto contemplará os objetivos e as
atividades a serem realizadas e os resultados a
serem alcançados.
  3. O Projeto será aprovado e firmado pelas
instituições coordenadoras e executoras.

  ARTIGO II
   
  1 O Governo da República da Guatemala
designa:
  a) o Ministério de Energia e Minas como
instituição responsável pela coordenação,
acompanhamento e avaliação das atividades
decorrentes do presente Ajuste Complementar;




120

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




e
  b) o Instituto Nacional de Eletrificação
(INDE) como instituição responsável pela
execução das atividades decorrentes deste
Ajuste Complementar.
  2 O Governo da República Federativa do
Brasil designa:
  a) a Agência Brasileira de Cooperação do
Ministério das Relações Exteriores (ABC/
MRE) como instituição responsável pela
coordenação, pelo acompanhamento e pela
avaliação das ações decorrentes do presente
Ajuste Complementar; e
  b) o Ministério de Minas e Energia (MME)
como instituição responsável pela execução
das	atividades	decorrentes	deste Ajuste
Complementar.

  ARTIGO III
   
  1 Ao Governo da República da Guatemala
cabe:
  a) designar técnicos guatemaltecos para
receber treinamento;
  b) disponibilizar instalações e infraestrutura
adequadas à execução das atividades de
cooperação técnica previstas no Projeto;
  c) prestar apoio aos técnicos enviados pelo
Governo brasileiro, mediante fornecimento de
todas as informações necessárias à execução
do Projeto;
  d) garantir a manutenção dos vencimentos
e demais vantagens do cargo ou função
dos técnicos guatemaltecos que estiverem
envolvidos no Projeto;
  e) tomar as providências para que as
ações desenvolvidas pelos técnicos enviados
pelo Governo brasileiro sejam continuadas
pelos	técnicos	da	instituição	executora
guatemalteca; e,
  f) acompanhar e avaliar o desenvolvimento
do Projeto.
  2 Ao Governo da República Federativa do

Brasil cabe:
  a) designar e enviar técnicos para
desenvolver, na Guatemala, as atividades de
cooperação técnica previstas no projeto; e,
  b) acompanhar e avaliar o desenvolvimento
do Projeto.
  3. O presente Ajuste Complementar não
implicaqualquercompromissodetransferência
de recursos financeiros ou qualquer outra
atividade gravosa ao patrimônio nacional das
Partes.
  4. As Partes executarão o Projeto conforme
sua disponibilidade orçamentária.

  ARTIGO IV
   
  Na execução das atividades previstas
no Projeto, objeto do presente Ajuste
Complementar, as Partes poderão dispor de
recursos de instituições públicas e privadas,
de organizações não-governamentais, de
organismos internacionais, de agências de
cooperação técnica, de fundos e de programas
regionais e internacionais, que deverão estar
previstos em outros instrumentos legais que
não o presente Ajuste Complementar.

  ARTIGO V
   
  Todas as atividades mencionadas neste
Ajuste Complementar estarão sujeitas às leis
e aos regulamentos em vigor na República
Federativa do Brasil e na República da
Guatemala.

  ARTIGO VI
   
  O presente Ajuste Complementar entrará
em vigor na data da última notificação pela
qual as Partes comunicam uma à outra, por
escrito e por via diplomática, que foram
cumpridos seus requisitos legais internos
e terá vigência de dois (2) anos, renováveis




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	121




automaticamente, por períodos de igual
duração, até o cumprimento de seu objetivo,
exceto se uma das Partes manifestar a outra
por escrito, sua intenção de denunciá-lo, com
uma antecedência mínima de três (3) meses.

  ARTIGO VII
   
  1 As instituições executoras mencionadas
no ARTIGO II elaborarão relatórios sobre os
resultados alcançados no Projeto desenvolvido
no âmbito deste Ajuste Complementar, os
quais serão apresentados às instituições
coordenadoras.
  2 Documentos resultantes das atividades
desenvolvidas no contexto do Projeto serão
de propriedade conjunta das Partes. As
versões oficiais dos documentos de trabalho
serão elaboradas no idioma do país de origem
do trabalho. Em caso de publicação dos
referidos documentos, as Partes deverão ser
prévia e formalmente consultadas, bem como
mencionadas no documento publicado.

  ARTIGO VIII
   
  O presente Ajuste Complementar poderá
ser emendado mediante consentimento mútuo
entre as Partes, por via diplomática. Emendas
entrarão em vigor nos termos do ARTIGO VI.

  ARTIGO IX
   
  Qualquer uma das Partes poderá notificar
a outra, em qualquer momento, por via
diplomática, de sua decisão de denunciar
o presente Ajuste Complementar, cabendo
às Partes decidir sobre a continuidade das
atividades que estiverem em execução. A
denúncia terá efeito três (3) meses após a data
de recebimento da notificação.

  ARTIGO X
   
Qualquer controvérsia relativa à
interpretaçãodopresenteAjusteComplementar
que surja durante sua execução será resolvida
pelas Partes por via diplomática.

  ARTIGO XI
   
  Nas questões não previstas neste Ajuste
Complementar, aplicar-se-ão as disposições
do Acordo Básico de Cooperação Científica
e Técnica entre o Governo da República
Federativa do Brasil e o Governo da República
da Guatemala, assinado em Brasília, em 16 de
junho de 1976.
  Assinado em Brasília, em 15 de abril
de 2013, em dois exemplares originais, em
português e espanhol, sendo ambos os textos
igualmente autênticos.

   ATOS ASSINADOS POR OCASIÃO DA
 VISITA DO MINISTRO DAS RELAÇÕES
     EXTERIORES E DA COOPERAÇÃO
       INTERNACIONAL DO BURUNDI,
  LAURENT KAVAKURE - BRASÍLIA, 16
                    DE ABRIL DE 2013
                            16/04/2013
                               
  1 - MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO
DA REPÚBLICA DO BURUNDI
PARA COOPERAÇÃO NA ÁREA DA
ERRADICAÇÃO DA FOME E DA POBREZA
  2 - ACORDO ENTRE O GOVERNO DA
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
E O GOVERNO DA REPÚBLICA DO
BURUNDI SOBRE A ISENÇÃO DE VISTO
PARA PORTADORES DE PASSAPORTES
DIPLOMÁTICOS, OFICIAIS OU DE SERVIÇO

  *****

   
   

122

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO
DA	REPÚBLICA	DO	BURUNDI
PARA COOPERAÇÃO NA ÁREA DA
ERRADICAÇÃO	DA	FOME	E	DA
POBREZA

  O Governo da República Federativa do
Brasil
  e
  O Governo da República do Burundi
  (doravante denominados Partes),
  Desejosos de fortalecer e aprofundar os
tradicionais laços de amizade e de cooperação
mutuamente vantajosa existentes entre os dois
países;
  Determinados	a	desenvolver	o
relacionamento bilateral entre Brasil e Burundi
em áreas até recentemente pouco exploradas;
  Considerando a convergência de valores e
interesses das Partes no combate à fome e à
pobreza e na promoção do desenvolvimento
com justiça social; e
  Considerando que as políticas públicas
brasileiras para erradicação da fome e da
pobreza nas áreas de segurança alimentar
e nutricional, assistência social, geração de
renda e promoção da cidadania, bem como
as iniciativas burundinesas que estão sendo
desenvolvidas nas mesmas áreas são de
interesse mútuo, para o estudo e análise das
Partes, com vistas a identificar boas práticas
e experiências que possam ser adaptadas às
necessidades de cada país;
  Chegaram ao seguinte entendimento:
   
   ARTIGO 1
   
  O presente Memorando de Entendimento
objetiva promover e incentivar a cooperação
na área de erradicação da fome e da pobreza,
com base no benefício mútuo. O objetivo final

é contribuir para a redução da vulnerabilidade
social e nutricional dos pobres, pequenos
agricultores e estudantes.

   ARTIGO 2
   
  As atividades de cooperação a serem
desenvolvidas ao abrigo deste Memorando
de Entendimento serão executadas de forma
consensual e de acordo com o arcabouço
jurídico de cooperação existente entre as
Partes.

   ARTIGO 3
   
  Os programas, projetos, atividades e
ações resultantes do presente Memorando de
Entendimento estarão sujeitos às leis e aos
regulamentos em vigor em cada país.

   ARTIGO 4
   
  As Partes organizarão encontros a fim de
definir os termos da cooperação, bem como
para o detalhamento dos programas, projetos,
atividades e ações a serem desenvolvidos.

   ARTIGO 5
   
  As Partes designam as seguintes autoridades
competentes para a implementação deste
Memorando de Entendimento:
  a) pela República Federativa do Brasil:
o Ministério do Desenvolvimento Social e
Combate à Fome, em coordenação com a
Agência Brasileira de Cooperação, no que
tange à cooperação técnica, e a Coordenação-
Geral de Ações Internacionais de Combate à
Fome do Ministério das Relações Exteriores;
  b) pela República do Burundi: o Ministério
da Agricultura e Pecuária.

   ARTIGO 6

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	123




   O presente Memorando de Entendimento
poderá, a qualquer momento, ser emendado
por consentimento escrito mútuo entre as
Partes, por via diplomática. As emendas
surtirão efeito na data determinada pelas
Partes, considerando seus respectivos trâmites
internos, e formarão parte integral desse
Memorando de Entendimento.

   ARTIGO 7
   
  O presente Memorando de Entendimento
entrará em vigor na data de sua assinatura e
permanecerá em vigor, a menos que uma das
Partes notifique a outra, por via diplomática, de
sua intenção de denunciá-lo com antecedência
mínima de seis (6) meses. A denúncia surtirá
efeito 6 (seis) meses depois da data de
recebimento da notificação.
  Assinado em Brasília, em 16 de abril
de 2013, em dois exemplares originais, em
português e francês. Em caso de divergência
de interpretação, prevalecerá o texto em
francês.

  *****
   
  ACORDO ENTRE O GOVERNO DA
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
E O GOVERNO DA REPÚBLICA DO
BURUNDI SOBRE A ISENÇÃO DE VISTO
PARA PORTADORES DE PASSAPORTES
DIPLOMÁTICOS,	OFICIAIS	OU	DE
SERVIÇO

  O Governo da República Federativa do
Brasil
  e
  O Governo da República do Burundi
  (doravante denominados Partes),
   
  Animados pela vontade de fortalecer os
laços de amizade e de promover a cooperação

entre os dois países; e

  Desejosos de facilitar o acesso de
seus nacionais portadores de passaportes
diplomáticos, oficiais ou de serviço ao
território da outra Parte,
  Acordaram o seguinte:
   
  ARTIGO 1
   
  Os nacionais das Partes, portadores de
passaportes diplomáticos, oficiais ou de
serviço válidos, não acreditados no território
da outra Parte, poderão entrar, transitar,
permanecer e sair do território da outra Parte,
sem a necessidade de visto, por período
máximo de noventa (90) dias, contados a
partir da data da entrada.

  ARTIGO 2
   
  Os nacionais das Partes, portadores
de passaportes diplomáticos, oficiais ou
de serviço válidos, membros de Missão
diplomática, Representação consular,
acreditados no território da outra Parte,
bem como os seus dependentes que com
eles morem e que sejam portadores de
passaportes diplomáticos, oficiais ou
de serviço, poderão entrar, transitar,
permanecer e sair do território da outra
Parte, sem a necessidade de visto, durante
todo o período da sua missão, desde
que tenham cumprido as exigências de
acreditamento da outra Parte.

  ARTIGO 3
   
  Os nacionais mencionados no presente
Acordo poderão entrar, transitar e sair do
território da outra Parte em todos os pontos
de entrada abertos ao tráfego internacional de
passageiros.




124

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  ARTIGO 4
   
  Os nacionais das Partes deverão respeitar a
legislação vigente no território da outra Parte
durante a sua estada.

  ARTIGO 5
   
  Este Acordo não restringe o direito de
cada Parte de recusar a entrada ou abreviar
a permanência de cidadãos da outra Parte
considerados indesejáveis.

  ARTIGO 6
   
  1. As Partes intercambiarão, por via
diplomática,	exemplares	de	passaportes
diplomáticos, oficiais ou de serviço válidos,
acompanhados de informação pormenorizada
de suas características e uso, no prazo máximo
de trinta (30) dias após a data de assinatura
deste Acordo.
  2. Em caso de introdução de novos
passaportes diplomáticos, oficiais ou de serviço
ou modificação dos existentes, as Partes
intercambiarão, por via diplomática, exemplares
de seus novos passaportes, acompanhados
de informação pormenorizada sobre suas
características e uso, com a antecedência mínima
de trinta (30) dias de sua utilização.

  ARTIGO 7
   
  Cada Parte poderá suspender, total ou
parcialmente, a aplicação desteAcordo, por motivo
de segurança, de ordem pública ou de saúde
pública. A adoção de tais medidas, bem como sua
revogação, será notificada à outra Parte, no prazo
mais breve possível, por via diplomática.

  ARTIGO 8
   
  1. O presente Acordo terá vigência

indeterminada e entrará em vigor trinta (30)
dias após a data de sua assinatura.
  2. Este Acordo poderá ser modificado ou
emendado por consentimento mútuo das
Partes, por via diplomática. As modificações
e emendas entrarão em vigor nos termos do
parágrafo 1 do presente ARTIGO.
  3. Qualquer das Partes poderá notificar à
outra, por escrito e por via diplomática, sua
intenção de denunciar o presente Acordo. A
denúncia surtirá efeito noventa (90) dias após
a data da notificação.
  Feito em Brasília, em 16 de abril de 2013,
em dois exemplares originais, em português
e francês, sendo ambos os textos igualmente
autênticos.

   ATOS ASSINADOS POR OCASIÃO DA
   VISITA DE ESTADO DO PRESIDENTE
     DA REPÚBLICA ÁRABE DO EGITO,
   MOHAMED MORSI - BRASÍLIA, 8 DE
                        MAIO DE 2013
                            08/05/2013
                               
  1- Acordo de cooperação técnica entre o
governo da República Federativa do Brasil e
o governo da República Árabe do Egito
  2- Memorando de entendimento entre o
governo da República Federativa do Brasil e
o governo da República Árabe do Egito sobre
cooperação técnica na área de agricultura
  3- Protocolo de cooperação entre a
Fundação da Biblioteca Nacional (FBN) na
República Federativa do Brasil e a Biblioteca
de Alexandria (BA) na República Árabe do
Egito
  4- Memorando de entendimento entre o
governo da República Federativa do Brasil e o
governo da República Árabe do Egito na área
de desenvolvimento agrário
  5- Memorando de entendimento entre o

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	125




governo da República Federativa do Brasil e
o governo da República Árabe do Egito para
cooperação na área de desenvolvimento social
  6- Memorando de entendimento entre o
governo da República Federativa do Brasil e
o governo da República Árabe do Egito sobre
cooperação ambiental

  ACORDO DE COOPERAÇÃO TÉCNICA
ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO
DA REPÚBLICA ÁRABE DO EGITO

  O Governo da República Federativa do
Brasil
  e
  O Governo da República Árabe do Egito
  (doravante denominados Partes),
   
  Com vistas a fortalecer os laços de amizade
existentes entre seus povos;
  Considerando	o	interesse	mútuo	em
estimular	o	desenvolvimento	social	e
econômico de seus respectivos países;
  Convencidos da necessidade de promover
o desenvolvimento sustentável de cooperação
entre as Partes;
  Reconhecendo as vantagens recíprocas da
cooperação técnica em áreas de interesse comum,
  Desejosos de desenvolver cooperação que
estimule o progresso técnico, e
  Desejando,	no	ano	que	marca	o
quadragésimo aniversário de celebração do
Acordo de Cooperação Técnica e Científica,
renovar o instrumento, a fim de que possa
refletir a estrutura e as novas práticas
consolidadas pela cooperação sul-sul,
  Acordaram o seguinte:
   
   ARTIGO I
   
  O presente Acordo tem por objeto a
promoção da cooperação técnica nas áreas

consideradas prioritárias pelas Partes.

   ARTIGO II
   
  Com o intuito de realizar os objetivos do
presente Acordo, as Partes podem também
se beneficiar de mecanismos de cooperação
trilateral, por meio de parcerias triangulares
com outros países, organismos internacionais
ou agências regionais.

   ARTIGO III
   
  1. Projetos de cooperação técnica serão
implementados por meio de Programas
Executivos.
  2. As instituições executoras, os órgãos
coordenadores e os componentes necessários
à implementação dos mencionados projetos
serão definidos nos Programas Executivos.
  3. Instituições dos setores público e
privado, assim como organizações não
governamentais, poderão participar dos
projetos a serem desenvolvidos ao amparo
do presente Acordo, conforme acordado nos
Programas Executivos.
  4. De acordo com as respectivas leis
e regulamentos, as Partes contribuirão,
em conjunto ou separadamente, para a
implementação dos projetos aprovados,
bem como poderão buscar financiamento
de organizações internacionais, fundos,
programas internacionais e regionais e outros
doadores.

   ARTIGO IV
   
  1.As Partes convocarão reuniões periódicas,
a fim de lidar com questões relacionadas com
os projetos de cooperação técnica, tais como:
  a) avaliar e definir áreas prioritárias comuns
nas quais seria viável a implementação de
cooperação técnica;




126

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  b) estabelecer mecanismos e procedimentos
a serem adotados pelas Partes;
  c) examinar e aprovar Planos de Trabalho;
  d) analisar, aprovar e acompanhar a
implementação dos programas, projetos e
atividades de cooperação técnica; e
  e) avaliar os resultados da execução
dos	programas,	projetos	e	atividades
implementados no âmbito deste Acordo.
  2. O local e a data das reuniões serão
acordados entre as Partes por via diplomática.

   ARTIGO V
   
  Documentos,	informações	e	outros
conhecimentos obtidos em decorrência da
implementação deste Acordo serão protegidos
de acordo com a legislação interna de cada
Parte aplicável à matéria.

   ARTIGO VI
   
  Nos	termos	das	respectivas	leis	e
regulamentos, cada Parte fornecerá ao pessoal
da outra Parte o apoio logístico necessário
relacionado a acomodação e transporte, bem
como o acesso às informações necessárias ao
desempenho de suas funções, especificadas
nos Programas Executivos.

   ARTIGO VII
   
  1.	Com	base	na	reciprocidade	de
tratamento, cada Parte concederá ao pessoal
designado pela outra Parte para exercer
funções no seu território, bem como aos seus
eventuais dependentes legais, desde que não
se trate de cidadãos de qualquer das Partes em
seu próprio território ou de estrangeiros com
residência permanente:
  a) vistos, conforme as regras aplicáveis por
cada Parte, solicitados por via diplomática;
  b) isenção de taxas aduaneiras e de outros

impostos incidentes sobre a importação
de objetos pessoais, incluindo um veículo
automotor, concedida apenas uma vez,
durante os primeiros seis (6) meses de estada,
com exceção de taxas relativas a despesas de
armazenagem, transporte e outros serviços
similares, destinados à primeira instalação,
sempre que o prazo de permanência legal
no país anfitrião seja superior a um ano.
Tais objetos terão de ser reexportados ao
final da missão, a menos que os impostos de
importação, dos quais foram originalmente
isentos, sejam pagos;
  c) isenção e restrição idênticas àquelas
previstas na alínea b deste ARTIGO,
quando da reexportação dos referidos bens;
  d) isenção de impostos sobre renda quanto
a salários a cargo de instituições da Parte
que os enviou. No caso de remunerações e
diárias pagas pela instituição que os recebe,
será aplicada a legislação do país anfitrião,
observados os acordos de bitributação
eventualmente firmados entre as Partes;
  e) imunidade jurisdicional no que concerne
aos atos de ofício praticados no âmbito deste
Acordo; e
  f) facilidades de repatriação em situações
de crise.
  2. A seleção do pessoal será feita pela Parte
que o envie e será aprovada pela Parte que o
recebe.

   ARTIGO VIII
   
  O pessoal enviado ao território da outra
Parte, no âmbito do presente Acordo, atuará
em função do estabelecido em cada projeto
e estará sujeito às leis e aos regulamentos
vigentes no território do país anfitrião.

   ARTIGO IX
   
  1. Bens, automóveis e equipamentos

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	127




eventualmente importados para a execução de
projetos no âmbito deste Acordo, e acordados
pelas Partes nos Programas Executivos,
serão isentos de taxas, impostos e demais
gravames de importação e de exportação,
com exceção daqueles relativos a despesas
de armazenagem, transporte e outros serviços
conexos estabelecidos pela legislação das
Partes.
  2. No caso da importação e exportação de
bens, veículos automotores e equipamentos
destinados à execução de programas e projetos
desenvolvidos no âmbito deste Acordo, a
instituição pública encarregada da execução
será responsável pelas medidas necessárias
à liberação alfandegária dos referidos bens,
automóveis e equipamentos.

   ARTIGO X
   
  O presente Acordo poderá ser emendado a
qualquer momento por consentimento mútuo
escrito das Partes. Emendas entrarão em vigor
nos termos do ARTIGO XII.

   ARTIGO XI
   
  Qualquer	controvérsia	relacionada	a
implementação interpretação do presente
Acordo será resolvida por negociação direta
entre as Partes, por via diplomática.

   ARTIGO XII
   
  1. Cada Parte notificará a outra, por via
diplomática, do cumprimento das formalidades
legais internas necessárias à entrada em vigor
do presente Acordo. Este Acordo entrará em
vigor 30 dias após a data de recebimento da
última dessas notificações.
  2. O presente Acordo terá vigência de cinco
(5) anos, e será automaticamente prorrogado
por períodos iguais e sucessivos, a menos que

uma das Partes manifeste, por via diplomática
e por escrito, sua decisão de denunciá-lo com
pelo menos seis (6) meses de antecedência da
data de expiração do período correspondente.
  3. O presente Acordo pode ser denunciado
por qualquer uma das Partes, a qualquer
momento, por via diplomática. Em caso
de denúncia do presente Acordo, as Partes
decidirão conjuntamente sobre a continuidade
das atividades que se encontrem em execução,
incluindo as cooperações triangulares com
outros Estados.

   ARTIGO XIII
   
  Com a entrada em vigor deste Acordo,
nos termos do ARTIGO XII, o Acordo de
Cooperação Técnica e Científica celebrado
no Cairo, em 31 de janeiro de 1973, deixará
de vigorar quanto suas disposições relativas a
cooperação técnica.
  Feito em Brasília, em 8 de maio de
2013, em dois (2) originais, nos idiomas
português, árabe e inglês, sendo todos os
textos igualmente autênticos. Em caso de
divergência de interpretação, prevalecerá o
texto em inglês.

  *****
   
  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO
DA REPÚBLICA ÁRABE DO EGITO
SOBRE COOPERARAÇÃO TÉCNICA NA
ÁREA DE AGRICULTURA
  O Governo da República Federativa do
Brasil
  e
  O Governo da República Árabe do Egito
  (doravante denominados de as Partes)
  Encorajados pela vontade de fortalecer os
laços de amizade e fraternidade entre os dois




128

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




países.
  Dispostos a desenvolver e aprimorar a
cooperação.
  Considerando o Acordo de Cooperação
Técnica entre o Governo da República
Federativa do Brasil e o Governo da República
Árabe do Egito, assinado em Brasília em 31
de janeiro de 1973.
  Resolvem firmar o presente Memorando de
Entendimento:

   ARTIGO 1
   
  As Partes reconhecem a necessidade de
fornecer cooperação técnica mútua na área
de agricultura, principalmente nas seguintes
áreas:
  a) uso sustentável de recursos hídricos
incluindo	gerenciamento,	conservação	e
irrigação;
  b) intercâmbio de experiência e tecnologia
em aperfeiçoamento de sistemas de cultivo;
  c) treinamento de técnicos em biotecnologia,
incluindo técnicas de detecção e controle de
pragas;
  d) treinamento e transferência de tecnologia
para a adaptação local de culturas, usando
técnicas de engenharia genética;
  e) intercâmbio de conhecimento para o
aperfeiçoamento de sistemas de cultivo de
campos e de horticultura;
  f)intercâmbiodemateriaisdemelhoramento
e germoplasma vegetal com genes resistentes
a doenças, insetos e condições ambientais
adversas, tais como estresses relativos a seca
e salinidade;
  g) intercâmbio de visitas científicas de
especialistas de ambos os países nas áreas de
melhoramento de trigo e milho, transferência
de tecnologia, produção de semente e garantia
de qualidade;
  h) outras áreas de importância para as
Partes, a serem definidas por consenso mútuo.
   
ARTIGO 2
   
  A execução de ações nas áreas previstas
no artigo (1) será conduzida por comissões
mistas baseadas no Acordo de Cooperação
Científica e Técnica entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo
da República Árabe do Egito, assinado em
Brasília em 31 de janeiro de 1973.

   ARTIGO 3
   
  Para a execução de projetos de cooperação
técnica, as Partes poderão procurar cooperação
com instituições dos setores público e
privado, organizações internacionais e outras
entidades, bem como com organizações não
governamentais.

   ARTIGO 4
   
  As atividades de cooperação técnica
realizadas no âmbito desse Memorando de
Entendimento serão coordenadas, do lado
brasileiro, pelo Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento, por meio da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária  Embrapa.

   ARTIGO 5
   
  As atividades de cooperação técnica
realizadas no âmbito desse Memorando de
Entendimento serão coordenadas, do lado
egípcio, pelas instituições do Centro de
Pesquisa Agrícola.

   ARTIGO 6
   
  As Partes negociarão os termos de
cooperação a ser desenvolvida, bem como os
termos de acordos especiais e projetos.

   ARTIGO 7

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	129




   O presente Memorando de Entendimento
terá efeitos na data da sua assinatura e será
válido pelo período de dois (2) anos, renovável
por mais dois anos, por meio de notificação
diplomática entre as Partes.

   ARTIGO 8
   
  Cada Parte poderá denunciar o Memorando
de Entendimento dentro de pelo menos seis
(6) meses antes da data de expiração, por meio
de notificação diplomática para a outra Parte.
  Feito em Brasília, em 8 de maio de 2013, em
dois originais, nos idiomas português, árabe
e inglês, sendo todos os textos igualmente
autênticos. Em caso de divergência de
interpretação, prevalecerá o texto em inglês.

  *****
   
  PROTOCOLO	DE	COOPERAÇÃO
ENTRE	A	FUNDAÇÃO	BIBLIOTECA
NACIONAL	(FBN)	NA	REPÚBLICA
FEDERATIVA	DO	BRASIL	E	A
BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA (BA) NA
REPÚBLICA ÁRABE DO EGITO

  Considerando
  As	atribuições	comuns	às	duas
Instituições, designadamente no que respeita
à coleta, tratamento, conservação e difusão do
patrimônio documental dos respectivos países,
assim como no que se refere ao seu papel
normativo nas atividades profissionais em
documentação e informação, nomeadamente
no âmbito biblioteconômico;
  O potencial das facilidades e oportunidades
que as atuais tecnologias de informação
proporcionam para a realização de ações
conjuntas	de	difusão	dos	respectivos
patrimônios; e
  As	vantagens	recíprocas	de	uma
aproximação para troca de experiências e

realização de ações visando a melhoria de
conhecimentos e processos técnicos;
  É celebrado, de boa fé e sem reservas, o
presente Protocolo de Cooperação Institucional
que se rege pelas cláusulas seguintes:

   ARTIGO 1º
   
  Objetivos Gerais
  A BA e a FBN comprometem-se, de
acordo com as suas possibilidades técnicas
e financeiras, a colaborar na promoção de
ações que contribuam para um fluxo integrado
do patrimônio cultural comum, por meio de
iniciativas de reconhecido interesse para a
valorização dos seus recursos documentais,
para a diversificação e aumento dos
respectivos públicos e para o aperfeiçoamento
dos respectivos sistemas e processos técnicos.

   ARTIGO 2º
   
  Realizações Culturais
  Ambas as Instituições cooperarão para a
realização de atividades culturais de interesse
mútuo que se revelem oportunas, relacionadas
com a sua história e acervos ou com as
culturas egípcia e brasileira, compreendendo
tanto iniciativas locais, como exposições,
colóquios, etc. quanto realizações de difusão
eletrônica, como exposições virtuais ou outros
sítios eletrônicos.

   ARTIGO 3º
   
  Intercâmbio Bibliográfico
  1. Ambas as instituições se comprometem
doravante a proceder ao intercâmbio
sistemático de um exemplar das publicações
por si editadas, para serem integradas nos
respectivos acervos.
  2. Ambas, também, concordam em fornecer
um acervo bibliográfico sobre suas nações,




130

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




incluindo as áreas de ciências humanas e
sociais, filologia e literatura.
  3. No que diz respeito a publicações
técnicas, o número de exemplares será
definido caso a caso, conforme adequado.
  4. Acordam, ainda, as duas Instituições, na
cedência mútua, em condições preferenciais
a definir em cada caso, de cópia digital ou
em microfilme de documentação histórica
dos seus acervos que seja solicitada, para
realizações culturais ou complemento de
coleções, por cada uma das partes.

   ARTIGO 4º
   
  Colaboração Profissional
  Ambas	as	Instituições	promoverão
ações	de	colaboração	profissional	de
utilidade recíproca para a melhoria de
conhecimentos e processos técnicos nas áreas
da gestão biblioteconômica, da preservação e
conservação e da gestão de acervos digitais,
bem como para o planejamento arquitetônico
de formas consideradas viáveis e oportunas, o
que pode incluir consultas pontuais, projectos
técnicos, visitas de estudo ou estágios nas
respectivas instituições e a participação
conjunta de especialistas das duas instituições
em eventos profissionais e culturais, que se
realizem em qualquer dos países.

   ARTIGO 5º
   
  Responsabilidades financeiras
  As ações de cooperação previstas neste
acordo realizar-se-ão na medida e em função
dos meios financeiros em cada momento
disponíveis para o efeito em cada uma das
instituições, não obstante a mobilização de
cada uma das partes de assistência financeira
de terceiros, de patrocinadores individuais,
de instituições privadas ou de entidades de
cooperação.


   ARTIGO 6º
   
  Difusão das atividades de parceria
  Ambas as Instituições se comprometem
a divulgar a parceria institucional em
todas as ocasiões e meios que, de comum
acordo, considerem oportunos e adequados
à prossecução dos fins e objectivos deste
Protocolo de Cooperação.

   ARTIGO 7º
   
  Outros Entendimentos. Alterações
  Os entendimentos que poderão ser
estabelecidos, no futuro, pelas entidades
signatárias, no âmbito deste protocolo, ou
alterações a este protocolo, farão parte deste
protocolo, como termo aditivo.

   ARTIGO 8º
   
  Vigência
  1. O presente Protocolo de Cooperação
produzirá efeitos a partir da data da sua
assinatura, por um período inicial de dois
anos, automaticamente renovável por iguais e
sucessivos períodos de tempo.
  2. O presente Protocolo de Cooperação
deixará de produzir efeitos quando qualquer
dos Signatários manifestar a sua vontade
nesse sentido, notificando o outro por escrito
com pelo menos três meses de antecedência.

  *****
   
  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO
DA REPÚBLICA ÁRABE DO EGITO
SOBRE COOPERAÇÃO TÉCNICA
NA ÁREA DE DESENVOLVIMENTO
AGRÁRIO




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	131




   O Governo da República Federativa do
Brasil
  e
  O Governo da República Árabe do Egito
  (doravante denominados as Partes)
  Motivados pelo desejo de fortalecer os
laços de amizade e fraternidade existentes
entre os dois países;
  Determinados a desenvolver e aprofundar
as relações de cooperação;
  Amparados pelo Acordo de Cooperação
Técnica entre o Governo da República
Federativa do Brasil e o Governo da República
Árabe do Egito, firmado em Brasília, em 31
de janeiro de 1973;
  Imbuídos	do	espírito	de	completa
independência, de respeito à soberania, de não
intervenção em assuntos domésticos de cada
Estado e de reciprocidade de interesse;
  Decidem firmar o presente Memorando de
Entendimento.

   ARTIGO 1
   
  1. As Partes reafirmam seu compromisso
de fornecer a cooperação técnica mútua em
matéria de desenvolvimento agrário, a ser
realizada principalmente nas seguintes áreas:
  a) técnicas e métodos de irrigação adaptados
à agricultura de pequena escala;
  b) equipamentos de irrigação adaptados à
agricultura de pequena escala;
  c) assistência técnica e capacitação de
agricultores familiares e beneficiários da
reforma agrária nas referidas técnicas e
métodos de irrigação;
  d) técnicas de manejo e recuperação
de solos com alto teor de sal, para uso na
agricultura;
  e) técnicas de manejo e gestão de recursos
hídricos	para	utilização	comunitária	na
agricultura.
  2. As Partes compartilharão a propriedade

sobre quaisquer produtos ou documentos que
resultem das atividades realizadas no âmbito
deste Memorando de Entendimento.

   ARTIGO 2
   
  A implementação das ações previstas
no ARTIGO 1 será realizada por meio de
consultas mútuas, com base no Acordo de
Cooperação Técnica entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo da
República Árabe do Egito, firmado no Brasil,
em 31 de janeiro de 1973. As Partes poderão
realizar reuniões para negociar os termos da
cooperação a ser desenvolvida, bem como os
termos de acordos e projetos.

  ARTIGO 3
   
  Com vistas à implementação de projetos
de cooperação técnica no âmbito do presente
Memorando, as Partes poderão estabelecer, por
acordo mútuo, cooperação com instituições
do setor público e privado, organizações e
entidades internacionais, bem como com
organizações não governamentais.

  ARTIGO 4
   
  O presente Memorando de Entendimento
não implicará nenhum compromisso relativo
à transferência de recursos financeiros entre as
Parte ou qualquer outra atividade que resulte
em ônus ao Tesouro Nacional do Brasil ou ao
orçamento do Egito.

  ARTIGO 5
   
  Documentos, informações e quaisquer
conhecimentos gerados como resultado da
implementação do presente Memorando
de Entendimento estarão protegidos pelas
devidas leis internas de cada Parte.




132

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  ARTIGO 6
   
  As	Partes	designam	as	seguintes
autoridades competentes para implementar o
presente Memorando de Entendimento:
  a) pela República Federativa do Brasil,
o Ministério do Desenvolvimento Agrário,
conjuntamente com a Agência Brasileira de
Cooperação;
  b) pela República Árabe do Egito, o Centro
de Pesquisa Agrícola (Agricultural Research
Center).

  ARTIGO 7
   
  O presente Memorando de Entendimento
terá efeito na data de sua assinatura e
permanecerá válido, exceto se uma das Partes
notificar à outra, por via diplomática, seu
desejo de interrompê-lo, com antecedência
mínima de seis (6) meses. Nesse caso, a
interrupção terá efeito seis (6) meses após a
data em que uma das Partes for oficialmente
notificada.
  Feito em Brasília, em 8 de maio de 2013, em
dois originais, nos idiomas árabe, português
e inglês, sendo todos os textos igualmente
autênticos. Em caso de divergência de
interpretação, prevalecerá o texto em inglês.

  *****
   
  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO
DA REPÚBLICA ÁRABE DO EGITO
PARA COOPERAÇÃO NA ÁREA DE
DESENVOLVIMENTO SOCIAL

  O Governo da República Federativa do
Brasil
  e
  O Governo da República Árabe do Egito
   
(doravante denominados Partes),
  Desejosos de fortalecer e aprofundar os
tradicionais laços de amizade e de cooperação
mutuamente vantajosa existentes entre os dois
países;
  Determinados a desenvolver o
relacionamento bilateral entre Brasil e Egito
em áreas até recentemente pouco exploradas;
  Considerando a convergência de valores e
interesses das Partes no combate à fome e à
pobreza e na promoção do desenvolvimento
com justiça social; e
  Considerando que tanto as políticas
públicas brasileiras para erradicação da
fome e da pobreza em áreas como segurança
alimentar e nutricional, assistência social,
geração de renda e promoção da cidadania
quanto as iniciativas egípcias que estão sendo
desenvolvidas nas mesmas áreas são de
interesse mútuo, para o estudo e a análise das
Partes, com vistas a identificar boas práticas
e experiências que possam ser adaptadas às
necessidades de cada país;
  Chegaram ao seguinte entendimento:
   
  ARTIGO 1
   
  O presente Memorando de Entendimento
tem por objetivo promover e incentivar a
cooperação na área do desenvolvimento
social, com vistas à erradicação da fome e da
pobreza, com base no benefício mútuo.

  ARTIGO 2
   
  Sem prejuízo de outras áreas que venham
a ser conjuntamente identificadas, as
Partes estabeleceram as seguintes áreas de
cooperação com vistas a alcançar os objetivos
deste Memorando de Entendimento:
  a) segurança alimentar e nutricional;
  b) assistência social e fortalecimento de
serviços a grupos vulneráveis;




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	133




   c) geração de renda e garantia de renda
mínima;
  d) combate à desigualdade social e
promoção da cidadania;
  e) igualdade de gênero e empoderamento
feminino.

  ARTIGO 3
   
  As Partes encorajarão as seguintes formas
de cooperação:
  a) prestação de treinamento técnico e
profissional em temas acordados pelas Partes;
  b) troca de visitas de funcionários e
técnicos, com o propósito de compartilhar
informações, conhecimento e técnicas em
áreas específicas;
  c) troca de experiências entre instituições
congêneres	para	o	desenvolvimento	de
projetos;
  d) intercâmbio de informação para o
desenvolvimento de políticas e programas na
área de desenvolvimento social;
  e) promoção da interação entre organizações
da sociedade civil de ambos os Países em
esforço de promover o diálogo e programas
de capacitação; e
  f) participação em reuniões, conferências,
oficinas e seminários realizados em ambos os
Países.

  ARTIGO 4
   
  Os programas, projetos, atividades e ações
de cooperação a serem desenvolvidos ao
abrigo deste Memorando de Entendimento
serão executados de forma consensual e
de acordo com o arcabouço jurídico de
cooperação existente entre as Partes.

  ARTIGO 5
   
  As	Partes	envidarão	esforços	para

promover encontros a fim de definir os termos
da cooperação, bem como para o detalhamento
de programas, projetos, atividades e ações a
serem desenvolvidos.

  ARTIGO 6
   
  As Partes designam as seguintes autoridades
competentes para a implementação deste
Memorando de Entendimento:
  a) pela República Federativa do Brasil:
o Ministério do Desenvolvimento Social e
Combate à Fome e a Secretaria de Políticas
para as Mulheres, em coordenação com a
Agência Brasileira de Cooperação, no que
tange à cooperação técnica, e a Coordenação-
Geral de Ações Internacionais de Combate à
Fome do Ministério das Relações Exteriores;
  b) pela República Árabe do Egito: o
Ministério da Seguridade e dos Assuntos
Sociais.

  ARTIGO 7
   
  O presente Memorando de Entendimento
poderá, a qualquer momento, ser emendado
por consentimento escrito mútuo entre as
Partes, por via diplomática.

  ARTIGO 8
   
  O presente Memorando de Entendimento
entrará em vigor na data de sua assinatura e
permanecerá em vigor, a menos que uma das
Partes notifique a outra, por via diplomática, de
sua intenção de denunciá-lo com antecedência
mínima de seis (6) meses. A denúncia surtirá
efeito 6 (seis) meses depois da data de
recebimento da notificação.
  Feito em Brasília, em 8 de maio de 2013,
em dois exemplares originais, em português,
árabe e inglês, todos os textos igualmente
autênticos. Em caso de divergência de




134

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




interpretação, prevalecerá o texto em inglês.

  *****
   
  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE	O	MINISTÉRIO	DO	MEIO
AMBIENTE DAREPÚBLICAFEDERATIVA
DO BRASIL E O MINISTÉRIO DE ESTADO
PARA	ASSUNTOS	AMBIENTAIS	DA
REPÚBLICA ÁRABE DO EGITO SOBRE
COOPERAÇÃO AMBIENTAL
  O Ministério do Meio Ambiente da
República Federativa do Brasil e o Ministério
de Estado para Assuntos Ambientais da
República	Árabe	do	Egito	(doravante
denominadas as Partes)
  Reconhecendo	que	muitos	desafios
ambientais exigem cooperação internacional,
por meio de convenções tanto bilaterais
quanto multilaterais, e que a cooperação
entre autoridades ambientais nacionais pode
trazer benefícios mútuos nos níveis nacional,
regional e global;
  Reconhecendo	a	importância	do
desenvolvimento sustentável para a proteção
e o fortalecimento do meio ambiente, para
a inclusão social e para o desenvolvimento
econômico, bem como para a saúde e o bem-
estar das gerações presentes e futuras;
  Desejando	fortalecer	a	cooperação
no âmbito de convenções internacionais
específicas das quais Brasil e Egito são parte
e em conformidade com a Declaração do Rio
sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento
(Rio de Janeiro, 1992), com os princípios
estabelecidos na Agenda 21, com os
documentos finais da Cúpula Mundial sobre
Desenvolvimento Sustentável (Joanesburgo,
2002)  o Plano de Implementação de
Joanesburgo e a Declaração de Joanesburgo
sobre Desenvolvimento Sustentável  e com
o documento final da Conferência das Nações
Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável

(Rio+20, Rio de Janeiro, 2012);
  Tendo em mente a necessidade de
cooperação científica, técnica e tecnológica
mais próxima para a proteção do meio
ambiente e o manejo sustentável de recursos
naturais;
  Acordam o seguinte:
   
  ARTIGO 1
   
  As Partes pretendem desenvolver
e promover cooperação no campo do
desenvolvimento sustentável, com base na
igualdade, reciprocidade e benefício mútuo.

  ARTIGO 2
   
  As Partes pretendem cooperar nos seguintes
campos prioritários:
  1. Gestão e reciclagem de resíduos;
  2. Proteção do ambiente marinho e gestão
integrada de zonas costeiras;
  3. Gestão de resíduos eletrônicos;
  4. Gestão de risco ambiental;
  5. Economia verde no contexto do
desenvolvimento sustentável e da erradicação
da pobreza;
  6. Qualidade do ar e da água;
  7. Conservação de mangues e pântanos;
  8. Diversidade biológica e conservação da
natureza;
  9. Desenvolvimento de sistemas de
informação ambiental;
  10. Consumo e produção sustentáveis;
  11. Combate à desertificação;
  12. Outras áreas mutuamente acordadas
relacionadas à proteção ambiental.

  ARTIGO 3
   
  A cooperação sob este Memorando de
Entendimento incluirá:
  1. A organização de reuniões, seminários,

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	135




simpósios e exposições;
  2.	Treinamento	e	intercâmbio	de
especialistas e peritos;
  3.	Intercâmbio	de	informações	e
documentos científicos e técnicos, resultados
de pesquisa e informações sobre o estado do
meio ambiente;
  4. Orientação de pesquisas técnicas e
científicas	relevantes	e	implementação
conjunta de projetos comuns;
  5. Qualquer outra forma de cooperação
mutuamente acordada pelas Partes.

  ARTIGO 4
   
  1.As Partes acordam estabelecer um Comitê
Diretivo para a coordenação e implementação
dos compromissos deste Memorando de
Entendimento.
  2. Os Ministérios do Meio Ambiente na
República Federativa do Brasil e na República
Árabe do Egito designarão pontos focais para
integrar o Comitê Diretivo.
  3. Para o cumprimento de suas tarefas, o
Comitê Diretivo, quando se julgar necessário,
estabelecerá, de forma ad hoc, grupos de
peritos para executar iniciativas conjuntas
acordadas para a implementação dos termos
deste Memorando de Entendimento.
  4. O Comitê Diretivo determinará seu
programa de acordo com seus sistemas
operativos e regras.
  5. As Partes notificarão os nomes de seus
respectivos pontos focais no prazo de 30 dias
a partir da entrada em vigor deste Memorando
de Entendimento.
  6. Cada Parte poderá designar, em qualquer
momento, por meio de notificação por escrito
à outra Parte, um substituto do seu ponto focal.

  ARTIGO 5
   
  Os custos com deslocamento e diárias dos

peritos que participarem da implementação
do programa de trabalho e outras atividades
acordadas no âmbito deste Memorando de
Entendimento deverão ser cobertos pela Parte
que envia representantes, exceto se acordado
de outro modo.

  ARTIGO 6
   
  Este Memorando de Entendimento não
deverá ser interpretado de forma a prejudicar
os direitos e as obrigações das Partes que
resultam de outros acordos em vigor concluídos
por cada uma ou por ambas as Partes ou seus
Estados sob o direito internacional.

  ARTIGO 7
   
  Qualquer intercâmbio de informações
deverá ser submetida à legislação específica
dos Países Participantes.

  ARTIGO 8
   
  Qualquer divergência que eventualmente
surja com relação à interpretação ou
implementação deste Memorando de
Entendimento deverá ser resolvida por
consultas e negociação entre as Partes.

  ARTIGO 9
   
  1. Este Memorando de Entendimento terá
efeito na data da assinatura.
  2. Este Memorando de Entendimento
permanecerá válido por período de cinco anos
e será automaticamente renovado por igual
período, salvo se uma das Partes notificar à
outra a sua intenção de encerrá-lo antes da
data de encerramento.
  3. Este Memorando de Entendimento pode
ser completado ou modificado em acordo entre
as Partes. Tais modificações ao Memorando




136

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




de Entendimento serão anexos e considerados
como parte do Memorando.

  Assinado em Brasília, em 8 de maio de
2013, em duas versões em português, árabe e
inglês, sendo cada versão igualmente autêntica.
Em caso de divergência de interpretação,
prevalecerá a versão inglesa.

ATOSASSINADOS POR OCASIÃO DAVISITA
  DO PRIMEIRO-MINISTRO DAREPÚBLICA
DO HAITI, LAURENT LAMOTHE - BRASÍLIA,
                    21 DE MAIO DE 2013
                            21/05/2013
  1- Carta de intenções entre o governo da
República Federativa do Brasil e o governo da
República do Haiti
  2 - memorando de entendimento entre
o Ministério das Relações Exteriores da
República Federativa do Brasil e o Ministério
dos Negócios Estrangeiros e Cultos da
República do Haiti sobre cooperação em
formação de diplomatas
  3 - Cia de promoção de exportações do
Brasil [lagence de promotion des exportations
et des investissements du brésil] (apex-brasil)
et le centre de facilitation des investissements
de la Republique dHaïti (cfi)

  *****
   
  CARTA DE INTENÇÕES ENTRE O
GOVERNO DA REPÚBLICA FEDERATIVA
DO	BRASIL	E	O	GOVERNO	DA
REPÚBLICA DO HAITI

  I
   
  O Governo da República Federativa do
Brasil, representado pelo Ministério das
Relações Exteriores, e o Governo da República

do Haiti, representado pela Primatura (que
doravante passam a ser referidos como as
Partes), afirmam seu mútuo interesse em
fortalecer a cooperação humanitária para
recuperação das capacidades agrícolas
de pequenos agricultores haitianos, como
estratégia de transição da assistência alimentar
para a recuperação da resiliência na produção
alimentos, em conformidade com o Acordo
Básico de Cooperação Técnica e Científica
entre o Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo da República do Haiti,
firmado em 15 de outubro de 1982;

  II
   
  Osgovernosreconhecemosresultadospositivos
do projeto de cooperação humanitária entre Brasil e
Haiti, que permitiu o aumento da produção agrícola
e fortalecimento das capacidades de produção e
distribuição de sementes de qualidade em zonas
afetadas pelo terremoto em janeiro de 2010, por
meio do apoio da Organização das Nações Unidas
para Alimentação e Agricultura (FAO) à pequenos
agricultores.

  III
   
  Os governos consideram essencial continuar
atuando na rápida recuperação da capacidade
das famílias rurais em produzirem sementes
para mercados locais, como estratégia de
transição da fase de recuperação agrícola
pós-desastre socioambiental para posterior
enfrentamento de desafios estruturais para o
estabelecimento e plena operacionalização de
serviços de pesquisa e produção de sementes.
  A cooperação descrita nesta Carta de
Intenções será implementada por meio da
continuidade do projeto de assistência de
urgência para o aumento da produção agrícola
e fortalecimento das capacidades de produção
e distribuição de sementes.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	137




   A cooperação pode incluir:
  a) fortalecer serviços públicos haitianos
para apoio a pequenos produtores;
  b) trocas de informações, documentos
técnicos e políticos;
  c) intercâmbio de funcionários, especialistas
e estagiários entre Brasil e Haiti e terceiros
países em desenvolvimento;
  d) projetos de cooperação;
  e) outros meios semelhantes podem ser
acordados.

  IV
   
  As partes podem encorajar o envolvimento
de outras instituições e acordarão em conjunto
os termos da cooperação a ser desenvolvida,
assim como os dos respectivos ajustes,
projetos e atividades subsequentes.

  V
   
  Todas as atividades estão sujeitas à
disponibilidade de recursos.

  VI
   
  As	atividades	previstas	na	presente
Carta de Intenções estarão sujeitos às leis
e regulamentos em vigor na República
Federativa do Brasil e na República do Haiti.
  Quaisquer	dúvidas	relacionadas	com
a implementação da presente Carta serão
dirimidas por conversações diretas entre
as Partes e demais parceiros, podendo as
Partes manifestar sua intenção de denunciar
a presente Carta, por via diplomática, o que
não afetará as atividades em execução, salvo
quando houver manifestação em contrário.

  VII
   
  Ambos	os	Governos	assegurarão	a

coordenação da referida cooperação, podendo
estabelecer parceria com os organismos
especializados do Sistema das Nações Unidas,
bem como com outros parceiros nacionais e
internacionais capazes de fornecer o apoio
necessário à elaboração e à implementação da
cooperação.
  Esta Carta de Intenções foi preparada em
dois originais de igual conteúdo e forma, em
Português e em Francês, entrará em vigor na
data de sua assinatura e terá vigência de 2 (dois)
anos, sendo automaticamente renovável.
  Em testemunho do que, os Representantes
das Partes assinam, a seguir, a presente Carta
de Intenções:
  Brasília, 21 de maio de 2013.
   
  *****
   
  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE O MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES
EXTERIORES DA REPÚBLICA
FEDERATIVADOBRASILEOMINISTÉRIO
DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS E
CULTOS DA REPÚBLICA DO HAITI
SOBRE COOPERAÇÃO EM FORMAÇÃO
DE DIPLOMATAS

  O Ministério das Relações Exteriores da
República Federativa do Brasil
  e
  O Ministério dos Negócios Estrangeiros e
Culto da República do Haiti
  (doravante denominados Partes),
  Reconhecendo o espírito de cooperação
existente entre os respectivos países; e
  Desejando promover a cooperação na área
de formação de diplomatas,
  Chegaram ao seguinte entendimento:
  1. As Partes cooperarão em matéria de
intercâmbio de informação e experiências
acerca de seus respectivos programas de
estudo, de pesquisa, de seminários e demais




138

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




atividades acadêmicas de treinamento.
  2. As	Partes	promoverão	contato	e
intercâmbio de estudantes, de diplomatas, de
professores, de funcionários, de especialistas
e de pesquisadores.
  3. As Partes estimularão o estudo e
a pesquisa, bem como o intercâmbio de
publicações nacionais e internacionais em
áreas de interesse comum.
  4. As Partes intercambiarão informações e
visões relacionadas às tendências e avanços
internacionais em matéria de formação, de
estudo e de pesquisa em diplomacia, bem
como	ferramentas	relativas	à	educação
informatizada.
  5.As Partes poderão explorar possibilidades
de outras formas de cooperação nas áreas que
são objeto do presente Memorando.
  6. As Partes decidirão, por via diplomática,
as especificidades e as modalidades de
execução de cada projeto empreendido em
conjunto. Para tal propósito, será celebrado,
caso necessário, protocolo estabelecendo
os termos e condições dos intercâmbios
propostos.
  7. Este Memorando de Entendimento
entrará em vigor na data de sua assinatura
e permanecerá em vigor por período de três
anos, sendo automaticamente renovado por
período adicional de três anos, exceto se
denunciado por uma das Partes, mediante
notificação escrita à outra, noventa (90) dias
antes do término de sua vigência. A denúncia
deste Memorando não afetará projetos em
execução.
  8. O presente Memorando de Entendimento
poderá ser modificado em todo ou em parte,
por iniciativa de uma das Partes, e entrará em
vigor após acordo entre as duas Partes.
  9.	Qualquer	controvérsia	relativa	à
interpretação ou à aplicação dos dispositivos
deste Memorando será resolvida de forma
amigável pelas Partes por negociação direta,

por via diplomática.
  Feito em Brasília, em de maio de 2013,
em dois originais, nos idiomas português e
francês, ambos os textos sendo igualmente
autênticos.

      ATOS ASSINADOS POR OCASIÃO
    DA VISITA DA PRESIDENTA DILMA
    ROUSSEFF À REPÚBLICA FEDERAL
    DEMOCRÁTICA DA ETIÓPIA - ADIS
          ABEBA, 24 DE MAIO DE 2013
                            24/05/2013
                               
  1 - Memorando de entendimento sobre
cooperação na agricultura entre o Ministério
Da Agricultura, Pecuária E Abastecimento Da
República Federativa Do Brasil e o Ministério
Da Agricultura Da República Federal
Democrática Da Etiópia
  2 - Acordo entre o governo da República
Federativa Do Brasil e o governo da República
Democrática Federal Da Etiópia sobre
cooperação em ciência, tecnologia e inovação.
  3 - Acordo de cooperação educacional
entre o governo da República Federativa Do
Brasil e o governo da República Democrática
Federal Da Etiópia.
  4 - Acordo de serviços aéreos entre o
governo da República Federativa Do Brasil e
o governo da República Federal Democrática
Da Etiópia
  Memorando de entendimento sobre
cooperação na agricultura entre o Ministério
Da Agricultura, Pecuária E Abastecimento da
República Federativa Do Brasil e o Ministério
Da Agricultura Da República Federal
Democrática Da Etiópia
  O Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento da República Federativa
do Brasil e o Ministério da Agricultura da
República Federal Democrática da Etiópia,




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	139




denominados conjuntamente como Partes e
separadamente como a Parte,
  Desejando	fortalecer	as	relações	de
amizade existentes entre os dois países por
meio do desenvolvimento da cooperação no
domínio da agricultura;
  Reconhecendo a importância da agricultura
no desenvolvimento econômico nacional de
ambos os países;
  De acordo com as leis e os regulamentos
vigentes em seus respectivos países;
  Chegaram ao seguinte entendimento:
   
  ARTIGO I
   
  Objetivos e áreas de cooperação
  As Partes incentivarão o desenvolvimento
em	todos	os	campos	da	agricultura,
em particular, mas não se limitando a,
pecuária e saúde animal, biocombustíveis,
desenvolvimento	de	matérias-primas,
produtos	lácteos,	horticultura,	segurança
alimentar, gestão de agronegócio, gestão
sustentável da terra, genética e biotecnologia,
manejo da fertilidade do solo, processamento
e tecnologias de pós-colheita e máquinas
agrícolas, e ciência animal e vegetal, incluindo
controle de patógenos, quarentena, vigilância
de pragas, análise de risco de pragas,
cooperação no procedimento de inspeção para
o trânsito internacional de produtos animais e
vegetais e insumos agrícolas.

  ARTIGO II
   
  Formas de Cooperação
  1. As formas de cooperação no âmbito
deste Memorando de Entendimento incluirão:
  a) troca de material genético e tecnologia
de	melhoramento	genético,	de	acordo
com os regulamentos nacionais, incluindo
observação rigorosa dos protocolos sanitários
e fitossanitários e em consonância com as

obrigações relativas a tratados internacionais
e legislação relevante de ambas as Partes;
  b) intercâmbio e desenvolvimento da
ciência e tecnologia agrícola, incluindo
tecnologia no desenvolvimento de matérias-
primas;
  c) intercâmbio de especialistas,
profissionais, cientistas e estagiários e
realização de visitas de estudo, seminários e
outras ações de formação profissional;
  d) formulação conjunta de projetos que
envolvam assistência técnica;
  e) pesquisa, desenvolvimento e extensão
conjuntas em agricultura, incluindo
intercâmbio de informações científicas e
técnicas, documentação e publicações;
  f) colaboração no desenvolvimento
de instalações de pré e pós-colheita e
infraestrutura agrícola;
  g) organização dos treinamentos,
simpósios, seminários e conferências sobre
questões relacionadas à agricultura;
  h) qualquer outra forma de cooperação
mutuamente acordada entre as Partes
  2. As Partes também encorajarão
o envolvimento de outras agências
governamentais interessadas, bem como
das comunidades científicas, empresariais
e acadêmicas e o setor privado de ambos os
países.

  ARTIGO III
   
  Comissão Mista
  1. Para assegurar a implementação deste
Memorando de Entendimento, as Partes
estabelecerão uma Comissão Mista composta
por um número igual de representantes de
ambos os lados, conforme for acordado por
via diplomática.
  2. A Comissão Mista será responsável
pelo planejamento, pela implementação,
pelo acompanhamento e pela avaliação das




140

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




atividades no âmbito deste Memorando
de Entendimento, e reunir-se-á conforme
acordado por via diplomática.

  ARTIGO IV
   
  Aspectos Financeiros
  As	Partes	serão	responsáveis	pelas
despesas relacionadas às atividades sob este
Memorando de Entendimento, exceto quando
acordado de forma diferente, de acordo com
suas respectivas legislações e disponibilidades
financeiras.

  ARTIGO V
   
  Cláusulas finais
  1. Este Memorando de Entendimento terá
efeito na data de sua assinatura e permanecerá
válido por um período de cinco anos, renovável
automaticamente por iguais períodos, salvo
denúncia conforme previsto nos termos do
ARTIGO V, alínea 2, deste Memorando de
Entendimento.
  2. Qualquer das Partes poderá denunciar o
presente Memorando, a qualquer momento,
mediante notificação por via diplomática
com seis meses de antecedência. Nesse caso,
atividades em andamento no âmbito deste
Memorando não serão afetadas, salvo se as
Partes acordarem em contrário.
  Feito em Adis Abeba, em 24 de maio de
2013, em português e inglês, sendo ambos
os textos igualmente autênticos. Em caso
de divergência de interpretação, o texto em
inglês prevalecerá.

  ACORDO ENTRE O GOVERNO DA
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
E	O	GOVERNO	DA	REPÚBLICA
DEMOCRÁTICA FEDERAL DA ETIÓPIA
SOBRE COOPERAÇÃO EM CIÊNCIA,
TECNOLOGIA E INOVAÇÃO
   
O Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo da República Democrática
Federal da Etiópia (doravante referidos
conjuntamente como Partes e separadamente
como Parte):
  Ciente das relações amistosas existentes
entre os dois países e do desejo de fortalecê-
las ainda mais;
  Reconhecendo também a importância
da ciência, tecnologia e inovação para
o desenvolvimento sustentável de suas
economias nacionais;
  Considerando que o desenvolvimento das
relações tecnológicas e científicas entre os
dois países trará benefício mútuo;
  Desejosos de fortalecer a cooperação na
ciência, tecnologia e inovação entre os dois
países e ainda promover sua capacitação
tecnológica e científica;
  Acordaram o seguinte:
   
  ARTIGO I
   
  Objetivo
  O objetivo deste Acordo é encorajar e apoiar
a cooperação no campo da ciência, tecnologia
e inovação entre os dois países com base na
igualdade e no mútuo benefício, nos termos
das disposições deste Acordo e da legislação e
regulamentações existentes de cada país.

  ARTIGO II
   
  Modalidades de Cooperação
  As Partes encorajarão a cooperação
mediante os meios apropriados, incluindo:
  a) projetos conjuntos de pesquisas;
  b) intercâmbio de cientistas, especialistas,
pesquisadores e estudiosos;
  c) organização e participação conjunta em
reuniões científicas, conferências, simpósios,
oficinas, exposições, entre outros;
  d) intercâmbio de documentação

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	141




tecnológica e científica;
  e)	atividades	de	treinamento	e
compartilhamento	de	experiências	sobre
padronização,	controle	de	qualidade,
metrologia, certificação, acreditação, direitos
de propriedade intelectual, proteção contra
radiação,	astronomia,	ciência	espacial,
tecnologia e inovação e outras áreas da
ciência, tecnologia e inovação;
  f) outras formas de cooperação científica e
tecnológica conforme poderá ser mutuamente
acordado entre as Partes.

  ARTIGO III
   
  Parceiros de Cooperação
  As	Partes	encorajarão	e	apoiarão	a
cooperação	entre	órgãos	governamentais,
instituições de pesquisa, sociedades científicas,
estabelecimentos educacionais de nível superior,
outras organizações relacionadas à Ciência,
Tecnologia e Inovação e empresas (doravante
denominados Parceiros de Cooperação) em
conformidade com as disposições deste Acordo
e suas respectivas leis em vigor.

  ARTIGO IV
   
  Financiamento
  1. As atividades de cooperação que serão
executadas no escopo deste Acordo estarão
sujeitas à disponibilidade de fundos de uma
Parte ou das Partes.
  2. Os custos das atividades de cooperação
serão assumidos por cada uma das Partes,
conforme conjuntamente decidido entre elas.
  3. As atividades de cooperação estão
sujeitas às leis e aos regulamentos de cada
país.

  ARTIGO V
   
  Propriedade Intelectual
   
1. Em conformidade com as respectivas
legislações nacionais em vigor em ambos
os países, as Partes adotarão as medidas
adequadas para proteger os direitos de
propriedade intelectual resultantes da
implementação do presente Acordo.
  2. As condições para a aquisição,
manutenção e exploração comercial dos
direitos de propriedade intelectual sobre
possíveis produtos e/ou processos obtidos
sob o presente Acordo serão definidas em
projetos, contratos ou programas de trabalho
específicos.
  3. Os projetos, contratos ou programas de
trabalho específicos determinarão igualmente
as condições de confidencialidade de
informações cuja revelação e/ou divulgação
possam pôr em risco a aquisição, manutenção
e exploração comercial dos direitos de
propriedade intelectual sobre possíveis
produtos e/ou processos obtidos sob o presente
Acordo.
  4. Os projetos, contratos ou programas de
trabalho estabelecerão, se couber, as regras
e procedimentos concernentes à solução de
controvérsias em matéria de propriedade
intelectual sob o presente Acordo.

  ARTIGO VI
   
  Biodiversidade
  No caso de atividades bilaterais que
envolvam o uso de biodiversidade, as Partes
concordam em observar suas respectivas
legislações nacionais, bem como a Convenção
sobre Diversidade Biológica, conforme
apropriado.

  ARTIGO VII
   
  Autoridades Competentes
  1. As seguintes autoridades competentes
serão responsáveis pela aplicação deste




142

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




Acordo e outros assuntos relacionados ao
mesmo.
  a) No caso do Governo da República
Democrática Federal da Etiópia, o Ministério
da Ciência e Tecnologia e;
  b) No caso do Governo da República
Federativa do Brasil, o Ministério da Ciência,
Tecnologia e Inovação.
  2. Cada Parte terá o direito de nomear a
qualquer momento outro órgão apropriado no
lugar da autoridade designada neste ARTIGO.
  3. Cada Parte notificará a outra Parte
sobre qualquer alteração no órgão designado,
responsável pela implementação deste Acordo.

  ARTIGO VIII
   
  Implementação deste Acordo
   
  Com relação às atividades de cooperação
estabelecidas nos termos deste Acordo, cada
Parte tomará, em conformidade com suas
leis e regulamentações, todas as medidas
necessárias	para	assegurar	as	melhores
condições possíveis para sua implementação.

  ARTIGO IX
   
  Escopo do Acordo
  Este Acordo não afetará a validade ou
execução de qualquer obrigação nos termos
de	qualquer	outro	acordo	internacional
estabelecido por qualquer uma das Partes.

  ARTIGO X
   
  Solução de Conflitos
  Qualquer disputa que surja da interpretação
ou	implementação	deste	Acordo	será
solucionada amigavelmente por meio de
consultas ou negociações entre as Partes.

  ARTIGO XI
   
Emendas
  Este Acordo poderá ser emendado por
entendimento mútuo escrito entre as Partes
por via diplomática. Emendas entrarão em
vigor conforme disposto no

  ARTIGO XII.
   
  Entrada em Vigor, Duração e Denúncia
  Este Acordo entrará em vigor 60
(sessenta) dias após o recebimento da última
notificação por via diplomática de uma Parte
à outra informando sobre o cumprimento
de seus respectivos procedimentos internos
necessários à entrada em vigor. Este Acordo
permanecerá em vigor por período de tempo
indeterminado a menos que seja denunciado
por qualquer das Partes mediante notificação
escrita à outra Parte, com antecedência de 6
(seis) meses, por via diplomática.
  Feito em Adis Abeba, em 24 de maio de
2013, em dois originais, em português e inglês,
sendo os dois textos igualmente autênticos. No
caso de qualquer divergência de interpretação,
prevalecerá o texto em inglês.

  ACORDO DE COOPERAÇÃO
EDUCACIONAL ENTRE O GOVERNO
DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO
BRASIL E O GOVERNO DA REPÚBLICA
DEMOCRÁTICA FEDERAL DA ETIÓPIA
  O Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo da República Democrática
Federal da Etiópia (doravante denominados
Partes e separadamente Parte),
  Reconhecendo a importância da cooperação
entre ambos os países no âmbito educacional;
  Conscientes de que o acelerado
desenvolvimento científico e tecnológico
global exige nova abordagem para buscar a
excelência de seus recursos humanos; e
  Fortemente comprometidos a incrementar
a cooperação educacional e interuniversitária




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	143




entre ambos os países, reforçando a amizade
entre o Brasil e a Etiópia,
  Acordam o seguinte:
   
  ARTIGO I
   
  Objetivos
  O presente Acordo, sem prejuízo de
convênios	firmados	diretamente	entre
instituições de ensino e outras entidades
afins de ambos os países no setor público ou
privado, tem por objetivo:
  a)	o	fortalecimento	da	cooperação
educacional e interuniversitária;
  b) a formação de docentes e pesquisadores
e o melhoramento da mobilidade acadêmica;
  c)	o	intercâmbio	de	informações	e
experiências em educação; e
  d) o fortalecimento da cooperação entre
equipes de pesquisadores.

  ARTIGO II
   
  Cumprimento dos objetivos
  As	Partes	cumprirão	os	objetivos
estabelecidos no ARTIGO 1 promovendo
atividades de cooperação em diferentes níveis
e modalidades de ensino, por meio de:
  a) intercâmbio de alunos, professores,
pesquisadores, técnicos e especialistas para
a realização de cursos de graduação e pós-
graduação em instituições de ensino superior;
  b) intercâmbio de missões de ensino e
pesquisa;
  c) intercâmbio de alunos, professores e
pesquisadores, a curto ou longo prazo, para
desenvolver atividades acordadas previamente
entre instituições de ensino; e
  d) elaboração e execução conjunta de
projetos e pesquisas em áreas a serem
posteriormente definidas.

  ARTIGO II
   
Cooperação
  As Partes promoverão a cooperação no
campo do desenvolvimento do ensino e
da pesquisa, com vistas a contribuir para
seu entendimento mútuo, observando suas
respectivas legislações nacionais.

  ARTIGO IV
   
  Idioma e Cultura
  As Partes promoverão o ensino e a difusão
de suas cultura e língua no território da outra.

  ARTIGO V
   
  Reconhecimento e Revalidação
  O reconhecimento e/ou a revalidação,
por uma das Partes, de diplomas e títulos
acadêmicos outorgados por instituições de
ensino superior da outra estará sujeito à
legislação nacional correspondente.

  ARTIGO VI
   
  Ingresso
  O ingresso de alunos de uma Parte em
cursos de graduação e pós-graduação da outra
Parte será regido pelos mesmos processos
seletivos aplicados por esta última a seus
nacionais. Estudantes que se beneficiarem
de acordos ou programas específicos estarão
sujeitos às regras e procedimentos de seleção
estabelecidos por esses instrumentos.

  ARTIGO VII
   
  Bolsas e facilidades
  As Partes poderão, quando aplicável,
estabelecer sistemas de bolsas ou facilidades
que permitam a pesquisadores e estudantes
adquirirem aperfeiçoamento acadêmico e
profissional, nos termos da legislação de cada
País.




144

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  ARTIGO VIII
   
  Financiamento
  As Partes determinarão, por meio de
instrumentos adequados, as modalidades de
financiamento das atividades previstas no
presente Acordo, observada a legislação de
cada País.

  ARTIGO IX
   
  Emendas
  1. Este Acordo poderá ser emendado
mediante consentimento mútuo entre as
Partes, por troca de Notas diplomáticas.
  2. Emendas entrarão em vigor nos termos
do ARTIGO 11 deste Acordo.
  3. Qualquer emenda feita a este Acordo
nos termos do parágrafo anterior será parte
integrante do texto anterior.

  ARTIGO X
   
  Solução de Controvérsias
  Controvérsias relativas à interpretação ou à
implementação deste Acordo serão resolvidas
amigavelmente mediante negociações.

  ARTIGO XI
   
  Entrada em vigor, Duração e Denúncia
  1. Este Acordo entrará em vigor 30 (trinta)
dias após a data de recebimento da segunda
notificação por uma Parte sobre o cumprimento
dos procedimentos internos da outra.

  2. Este Acordo será válido por um
período de 5 (cinco) anos, sendo renovado
automaticamente, por períodos iguais e
sucessivos, salvo notificação em contrário de
uma das Partes. A denúncia deste Acordo tem
de ser notificada, por via diplomática, com
antecedência de mínima de 6 (seis) meses da

data de sua expiração.
  3. A denúncia deste Acordo não afetará
a conclusão de programas e projetos em
andamento, salvo se as Partes decidirem de
outra forma.
  Em fé do que, os abaixo-assinados
devidamente autorizados por seus respectivos
Governos assinaram este Acordo, em dois
originais, em português e inglês, sendo ambos
os textos igualmente autênticos e, em caso de
divergência, o texto em inglês prevalecerá.
  Feito em Adis Abeba, em 24 de maio de
2013.

  ACORDO DE SERVIÇOS AÉREOS
ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E O
GOVERNO DA REPÚBLICA FEDERAL
DEMOCRÁTICA DA ETIÓPIA
  O Governo da República Federativa
do Brasil e o Governo da República
Federal Democrática da Etiópia (doravante
denominados as Partes Contratantes),
  Sendo Partes Contratantes da Convenção
sobre Aviação Civil Internacional, aberta para
assinatura em Chicago no dia 7 de dezembro
de 1944;
  Desejando contribuir para o
desenvolvimento da aviação civil
internacional; e
  Desejando concluir um acordo com o
propósito de estabelecer e explorar serviços
aéreos entre seus respectivos territórios e
além,
  Acordam o seguinte:
   
  ARTIGO I
   
  Definições
  Para aplicação do presente Acordo, salvo
disposições em contrário, o termo:
  a) Autoridade Aeronáutica significa,
no caso da República Federativa do Brasil,




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	145




a autoridade de aviação civil, representada
pela Agência Nacional de Aviação Civil
(ANAC) e, no caso da República Federal
Democrática da Etiópia, o Ministério dos
Transportes, Autoridade de Aviação Civil
Etíope, ou, em ambos os casos, qualquer outra
autoridade ou pessoa autorizada a executar
as funções exercidas pelas autoridades acima
mencionadas;
  b) Acordo significa este Acordo, qualquer
anexo a ele, e quaisquer emendas decorrentes;
  c) Serviços Acordados significa serviços
aéreos regulares nas rotas especificadas neste
Acordo para o transporte de passageiros,
carga e mala postal, separadamente ou em
combinação;
  d) Capacidade significa a quantidade
de	serviços	fornecidos	sob	Acordo,
medida normalmente pelo número de vôos
(frequências) ou de assentos, ou toneladas
de carga oferecidos em um mercado (par
de cidades ou país a país) ou em uma rota,
durante um determinado período, tal como
diariamente, semanalmente, por temporada
ou anualmente;
  e) Convenção significa a Convenção
sobre Aviação Civil Internacional, aberta
para assinatura em Chicago no dia 7 de
dezembro de 1944, e inclui qualquer Anexo
adotado de acordo com o Artigo 90 daquela
Convenção e qualquer emenda aos Anexos
ou à Convenção, de acordo com os Artigos
90 e 94, na medida em que esses Anexos e
emendas tenham entrado em vigor para ambas
as Partes Contratantes;
  f) Empresa Aérea Designada significa
uma empresa aérea que tenha sido designada
e autorizada em conformidade com o Artigo
3 (Designação e Autorização) deste Acordo;
  g) Preço significa qualquer preço, tarifa
ou encargo para o transporte de passageiros,
bagagem e carga, excluindo mala postal, no
transporte aéreo, incluindo qualquer outro

modal de transporte em conexão com aquele,
cobrados pelas empresas aéreas, incluindo
seus agentes, e as condições segundo as quais
se aplicam estes preços, tarifas e encargos;
  h) Território, em relação a um Estado
tem o significado a ele atribuído no Artigo 2
da Convenção;
  i) Tarifa Aeronáutica significa o valor
cobrado às empresas aéreas, pelas autoridades
competentes, ou por estas autorizado a ser
cobrado, pelo uso do aeroporto, ou de suas
instalações e serviços, ou de serviços de
navegação aérea, ou de serviços de segurança
da aviação, incluindo as instalações e os
serviços relacionados, por aeronaves, suas
tripulações de vôo, passageiros e carga;
  j) Serviço aéreo, serviço aéreo
internacional, empresa aérea e escala para
fins não comerciais têm os significados a eles
atribuídos no Artigo 96 da Convenção;
  k) os termos Equipamentos de Terra,
Provisões de Bordo e Peças Sobressalentes
têm os significados a eles atribuídos no Anexo
9 (Facilitação) da Convenção; e
  l) quaisquer emendas a este Acordo formam
uma parte integral do Acordo.

  ARTIGO II
   
  Concessão de Direitos
  1. Cada Parte Contratante concede à outra
Parte Contratante os direitos especificados
neste Acordo, com a finalidade de operar
serviços aéreos internacionais nas rotas
especificadas no Quadro de Rotas acordado
conjuntamente pelas autoridades aeronáuticas
de ambas as Partes Contratantes.
  2. Sujeito às disposições deste Acordo, as
empresas aéreas designadas por cada uma das
Partes Contratantes gozarão dos seguintes
direitos:
  a) sobrevoar o território da outra Parte
Contratante sem pousar;




146

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  b) fazer escalas no território da outra Parte
Contratante, para fins não comerciais;
  c) fazer escalas nos pontos das rotas
especificadas no Quadro de Rotas acordado
conjuntamente pelas autoridades aeronáuticas
de ambas as Partes Contratantes, para
embarcar e desembarcar tráfego internacional
de passageiros, bagagem, carga ou mala postal
separadamente ou em combinação; e
  d) outros direitos especificados no presente
Acordo.
  3. As empresas aéreas de cada Parte
Contratante, outras que não as designadas com
base no Artigo 3 (Designação e Autorização)
deste Acordo também gozarão dos direitos
especificados nas alíneas a) e b) do parágrafo
2 deste Artigo.
  4. Nenhum dispositivo do parágrafo 2 será
considerado como concessão a uma empresa
aérea designada de uma Parte Contratante
do direito de embarcar, no território da outra
Parte Contratante, passageiros, bagagem,
carga e mala postal, mediante remuneração
e destinados a outro ponto no território dessa
outra Parte Contratante.
  5. Se, em consequência de conflito armado,
calamidades naturais, distúrbios políticos ou
manifestações de desordem, uma empresa
aérea designada de uma Parte Contratante
ficar impossibilitada de operar um serviço em
suas rotas previstas, a outra Parte Contratante
envidará seus melhores esforços para facilitar
a continuidade da operação de tais serviços por
meio de ajustes apropriados nas referidas rotas.

  ARTIGO III
   
  Designação e Autorização
  1. Cada Parte Contratante terá o direito de
designar por escrito à outra Parte Contratante,
pela via diplomática, uma ou mais empresas
aéreas para operar os serviços acordados e de
revogar ou alterar tal designação.
   
2. Ao receber tal designação e o pedido
de autorização de operação da empresa aérea
designada, na forma e no modo prescritos, cada
Parte Contratante concederá a autorização de
operação apropriada com a mínima demora de
trâmites, desde que:
  a) a empresa aérea designada seja
estabelecida legalmente no território da Parte
Contratante que a designa;
  b) a propriedade substancial e o efetivo
controle regulatório da empresa aérea
designada seja exercido e mantido pela Parte
Contratante que a designa;
  c) a Parte Contratante que designa a empresa
aérea cumpra as disposições estabelecidas no
Artigo 7 (Segurança Operacional) e no Artigo
8 (Segurança da Aviação);
  d) a empresa aérea designada esteja
qualificada para satisfazer outras condições
determinadas segundo as leis e regulamentos
normalmente aplicados à operação de serviços
de transporte aéreo internacional pela Parte
Contratante que recebe a designação;
  e) tenha sua sede, administração central e
escritório principal localizados fisicamente no
território da Parte Contratante;
  f) seja devidamente licenciada por uma
Parte Contratante, tal como definido no Anexo
6 (Operação de Aeronaves) da Convenção de
Chicago; e
  g) possua seguro adequado no que diz
respeito a passageiros, carga, mala postal,
bagagem e terceiros, em montante no
mínimo igual ao disposto nas convenções
internacionais em vigor.
  3. Ao receber a autorização de operação
constante do parágrafo 2, uma empresa aérea
designada pode, a qualquer tempo, começar
a operar os serviços acordados para os quais
tenha sido designada, desde que ela cumpra as
disposições aplicáveis deste Acordo.

  ARTIGO IV

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	147




   Negação, Revogação e Limitação de
Autorização
  1. As autoridades aeronáuticas de cada
Parte Contratante terão o direito de negar
as autorizações mencionadas no Artigo 3
(Designação e Autorização) deste Acordo
à empresa aérea designada pela outra Parte
Contratante e de revogar, suspender ou impor
condições a tais autorizações, temporária ou
permanentemente, nos casos em que:
  a) elas não estejam convencidas de que a
empresa aérea seja legalmente estabelecida no
território da Parte Contratante que a designa;
ou
  b) que a propriedade substancial e o
efetivo controle regulatório da empresa aérea
designada não seja exercido e mantido pela
Parte Contratante que a designa; ou
  c) a Parte Contratante que designa a empresa
aérea não cumpra as disposições estabelecidas
no Artigo 7 (Segurança Operacional) e no
Artigo 8 (Segurança da Aviação); ou
  d) a empresa aérea designada não cumpra
os requisitos estabelecidos nos parágrafos 2
(e), (f) e (g) do Artigo 3; ou
  e) a empresa aérea designada não esteja
qualificada para atender outras condições
determinadas segundo as leis e os regulamentos
normalmente aplicados à operação de serviços
de transporte aéreo internacional pela Parte
Contratante que recebe a designação.
  2. A menos que a imediata revogação,
suspensão	ou	imposição	das	condições
previstas no parágrafo 1 do presente Artigo
seja essencial para impedir novas infrações a
leis e regulamentos, ou às disposições deste
Acordo, esse direito somente será exercido
após a realização de consultas com a outra
Parte Contratante. Tal consulta ocorrerá antes
de expirar o prazo de 30 (trinta) dias a partir da
data da solicitação por uma Parte Contratante,
salvo entendimento diverso entre as Partes
Contratantes.
   
ARTIGO V
   
  Aplicação de Leis
  1. As leis e os regulamentos de uma
Parte Contratante relativos a entrada e saída
de seu território de aeronave engajada em
serviços aéreos internacionais, ou a operação
e navegação de tal aeronave enquanto em
seu território, serão aplicados à aeronave das
empresas aéreas da outra Parte Contratante.

  2. As leis e regulamentos de uma Parte
Contratante, relativos à entrada, permanência e
saída de seu território de passageiros, bagagem
de tripulantes e carga, incluindo mala postal,
tais como os relativos a imigração, alfândega,
moeda, saúde e quarentena serão aplicados
aos passageiros, tripulantes, bagagem, carga e
mala postal transportados por aeronaves das
empresas aéreas da outra Parte Contratante
enquanto permanecerem no referido território.
  3. Nenhuma Parte Contratante dará
preferência às suas próprias empresas aéreas
ou a qualquer outra empresa aérea em relação
às empresas aéreas da outra Parte Contratante
engajadas em transporte aéreo internacional
similar, na aplicação de seus regulamentos
de imigração, alfândega, quarentena e
regulamentos similares.
  4. Passageiros, bagagem, carga e mala
postal em trânsito direto serão sujeitos apenas
a um controle simplificado. Bagagem e carga
em trânsito direto serão isentas de taxas
alfandegárias e outras taxas similares.

  ARTIGO VI
   
  Reconhecimento de Certificados e Licenças
  1. Certificados de aeronavegabilidade
e de habilitação e licenças, emitidos ou
convalidados por uma Parte Contratante e
ainda em vigor, serão reconhecidos como
válidos pela outra Parte Contratante para o




148

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




objetivo de operar os serviços estabelecidos
neste Acordo, desde que os requisitos sob
os quais tais certificados ou licenças foram
emitidos	ou	convalidados	sejam	iguais
ou superiores aos requisitos mínimos que
sejam ou possam ser estabelecidos segundo
a	Convenção.	Cada	Parte	Contratante,
todavia, reserva-se o direito de recusar-se a
reconhecer, para o objetivo de sobrevôo ou
pouso em seu próprio território, certificados
de habilitação e licenças concedidas aos seus
próprios nacionais ou convalidados para eles
pela outra Parte Contratante ou por qualquer
outro Estado.
  2. Se os privilégios ou as condições
das licenças ou certificados mencionados
no	parágrafo	1	deste Artigo,	emitidos
pelas Autoridades Aeronáuticas de uma
Parte	Contratante	para	qualquer	pessoa
ou empresa(s) aérea(s) designada(s), ou
relativos a uma aeronave operando os
serviços acordados nas rotas especificadas,
permitirem uma diferença dos requisitos
mínimos	estabelecidos	pela	Convenção,
e que tal diferença tenha sido notificada à
Organização de Aviação Civil Internacional
(OACI), as Autoridades Aeronáuticas da outra
Parte Contratante poderão pedir, de acordo
com o Artigo 20 (Consultas) deste Acordo,
que se realizem consultas com as Autoridades
Aeronáuticas daquela Parte Contratante a
fim de esclarecer que a prática em questão é
aceitável.
  3. Caso não se chegue a um acordo
satisfatório, isto constituirá motivo para
a aplicação do disposto no Artigo 4 deste
Acordo.

  ARTIGO 7
   
  Segurança Operacional
  1. Cada Parte Contratante poderá solicitar
a qualquer momento a realização de consultas

sobre normas de segurança operacional em
quaisquer aspectos relacionados com as
instalações aeronáuticas, tripulações de vôo,
aeronaves ou sua operação adotadas pela
outra Parte Contratante. Tais consultas serão
realizadas dentro dos 30 (trinta) dias após a
apresentação da referida solicitação.
  2. Se, depois de realizadas tais consultas,
uma Parte Contratante chegar à conclusão de
que a outra Parte Contratante não mantém e
administra de maneira efetiva os requisitos de
segurança em tais áreas que sejam no mínimo
iguais às normas estabelecidas à época em
conformidade com a Convenção, a primeira
Parte Contratante notificará a outra Parte
Contratante de tais conclusões e das medidas
que se considerem necessárias para cumprir
aqueles padrões mínimos e aquela outra
Parte Contratante deverá tomar as medidas
corretivas para o caso. Caso a outra Parte
Contratante não tome as medidas apropriadas
dentro de um prazo de 30 (trinta) dias, ou
período maior que possa ser acordado, isso
dará motivo para a aplicação do disposto no
Artigo 4 (Negação, Revogação e Limitação de
Autorização) deste Acordo.
  3. Não obstante as obrigações mencionadas
no Artigo 33 da Convenção, fica também
acordado que qualquer aeronave operada pela
empresa ou empresas aéreas de uma Parte
Contratante em serviços de ou para o território
da outra Parte Contratante poderá, enquanto
no território da outra Parte Contratante, ser
objeto de uma inspeção pelos representantes
autorizados da outra Parte Contratante, a
bordo ou em torno da aeronave para verificar
a validade dos documentos da aeronave e da
tripulação e o estado aparente da aeronave e
de seu equipamento (neste Artigo denominada
inspeção de rampa), desde que isto não
cause demoras desnecessárias.
  4. Caso qualquer inspeção ou série de
inspeções de rampa der origem a:




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	149




   a) sérias preocupações de que uma aeronave
ou sua operação não cumpre os requisitos
mínimos estabelecidos na ocasião nos termos
da Convenção; ou
  b) sérias preocupações de que haja falha
de efetiva manutenção e administração dos
requisitos de segurança estabelecidos na
ocasião nos termos da Convenção, a Parte
Contratante que realiza a inspeção terá, para
os fins do Artigo 33 da Convenção, liberdade
para concluir que os requisitos segundo os
quais o certificado ou as licenças referentes
àquela aeronave ou à sua tripulação de voo
foram emitidos ou convalidados, ou que os
requisitos segundo os quais aquela aeronave
é operada, não são iguais ou superiores aos
padrões mínimos estabelecidos nos termos da
Convenção.
  5. No caso do acesso para realização de
uma inspeção de rampa de uma aeronave
operada pela empresa(s) aérea(s) de uma
Parte Contratante, conforme estabelecido
no parágrafo 3 deste Artigo, ser negado pelo
representante daquela empresa, a outra Parte
Contratante terá a liberdade de inferir que
existem sérias preocupações do tipo referido
no parágrafo 4 deste Artigo e de tirar as
conclusões nele referidas.
  6. Cada Parte Contratante reserva-se o
direito de suspender ou alterar a autorização
de funcionamento de uma empresa aérea da
outra Parte Contratante imediatamente caso
a primeira Parte Contratante conclua, seja
como resultado de uma inspeção de rampa
ou série de inspeções de rampa, a negação
de acesso para inspeção de rampa, consulta
ou de outra forma, que a ação imediata é
essencial para a segurança da operação de
uma empresa aérea.
  7. Qualquer ação tomada por uma Parte
Contratante conforme os parágrafos 2 ou 6
deste Artigo será descontinuada tão logo sua
motivação deixe de existir.
   
ARTIGO 8
   
  Segurança da Aviação
  1. Em conformidade com seus direitos e
obrigações segundo o Direito Internacional,
como Signatários ou Partes das seguintes
Convenções, as Partes Contratantes reafirmam
que sua obrigação mútua de proteger a
segurança da aviação civil contra atos de
interferência ilícita constitui parte integrante
do presente Acordo. Sem limitar a validade
geral de seus direitos e obrigações resultantes
do Direito Internacional, as Partes Contratantes
atuarão, em particular, segundo as disposições
da Convenção sobre Infrações e Certos Outros
Atos Praticados a Bordo de Aeronaves,
assinada em Tóquio em 14 de setembro de
1963, da Convenção para a Repressão ao
Apoderamento Ilícito de Aeronaves, assinada
na Haia em 16 de dezembro de 1970 e da
Convenção para a Repressão de Atos Ilícitos
contra a Segurança da Aviação Civil, assinada
em Montreal em 23 de setembro de 1971, e
seu Protocolo Suplementar para Repressão
de Atos Ilícitos de Violência em Aeroportos
Utilizados pela Aviação Civil Internacional,
assinado em Montreal em 24 de fevereiro
de 1988, da Convenção para a Marcação
de Explosivos Plásticos para o Propósito de
Detecção, assinada em Montreal em 1 de
março de 1991, bem como qualquer outra
convenção ou protocolo sobre segurança
da aviação civil, aos quais ambas as Partes
Contratantes venham a aderir.
  2. As Partes Contratantes fornecerão,
mediante solicitação, toda a assistência mútua
necessária para a prevenção contra atos de
apoderamento ilícito de aeronaves civis e
outros atos ilícitos contra a segurança dessas
aeronaves, seus passageiros e tripulações de
vôo, aeroportos e instalações de navegação
aérea, e qualquer outra ameaça à segurança da
aviação civil.




150

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  3. As Partes Contratantes agirão, em suas
relações mútuas, segundo as disposições
sobre segurança da aviação estabelecidas
pela OACI e designadas como Anexos
à Convenção; na medida em que tais
provisões de segurança sejam aplicáveis a
ambas as Partes Contratantes, exigirão que
operadores de aeronaves por elas registradas,
ou operadores de aeronaves legalmente
estabelecidos e que tenham seu escritório
principal em seu território e os operadores de
aeroportos situados em seu território ajam em
conformidade com as referidas disposições
sobre a segurança da aviação. Cada Parte
Contratante notificará a outra Parte Contratante
de qualquer diferença entre seus regulamentos
e métodos nacionais e as normas de segurança
da aviação dos Anexos. Qualquer das Partes
Contratantes poderá solicitar a qualquer
momento a imediata realização de consultas
com a outra Parte Contratante sobre tais
diferenças.
  4. Cada Parte Contratante concorda que a
tais operadores de aeronaves pode ser exigido
que observem as disposições sobre a segurança
da aviação mencionadas no parágrafo 3 deste
Artigo e exigidas pela outra Parte Contratante
para entrada, saída ou permanência no
território da outra Parte Contratante.
  5. Cada Parte Contratante assegurará
que medidas adequadas sejam efetivamente
aplicadas em seu território para proteger a
aeronave e para inspecionar passageiros,
tripulações de voo, bagagens de mão,
bagagens, carga e provisões de bordo, antes
e durante o embarque ou carregamento.
Cada Parte Contratante também considerará
de modo favorável qualquer solicitação da
outra Parte Contratante, com vistas a adotar
medidas especiais e razoáveis de segurança
para combater uma ameaça específica.
  6. Quando ocorrer um incidente, ou
ameaça de incidente de apoderamento ilícito

de aeronave civil, ou outros atos ilícitos
contra a segurança de tal aeronave, de seus
passageiros e tripulações de vôo, de aeroportos
ou instalações de navegação aérea, as Partes
Contratantes assistir-se-ão mutuamente,
facilitando as comunicações e outras medidas
apropriadas, destinadas a pôr termo, de forma
rápida e segura, a tal incidente ou ameaça.
  7. Cada Parte Contratante terá o direito,
dentro dos 60 (sessenta) dias seguintes
à notificação, de que suas autoridades
competentes efetuem uma avaliação no
território da outra Parte Contratante das
medidas de segurança sendo aplicadas ou
que planejam aplicar, pelos operadores de
aeronaves, com respeito aos vôos que chegam
procedentes do território da primeira Parte
Contratante ou que sigam para o mesmo.
Os entendimentos administrativos para a
realização de tais avaliações serão feitos entre
as autoridades competentes e implementados
sem demora a fim de se assegurar que as
avaliações se realizem de maneira expedita.
  8. Quando uma Parte Contratante tiver
motivos razoáveis para acreditar que a outra
Parte Contratante não cumpre as disposições
deste Artigo, a primeira Parte Contratante
poderá solicitar a realização de consultas. Tais
consultas começarão dentro dos 30 (trinta) dias
seguintes ao recebimento de tal solicitação de
qualquer das Partes Contratantes. No caso
de não se chegar a um acordo satisfatório
dentro dos 30 (trinta) dias a partir do começo
das consultas, isto constituirá motivo para
negar, revogar, suspender ou impor condições
sobre as autorizações da empresa aérea ou
empresas aéreas designadas pela outra Parte
Contratante. Quando justificada por uma
emergência ou para impedir que continue o
descumprimento das disposições deste Artigo,
a primeira Parte Contratante poderá adotar
medidas temporárias a qualquer momento.
  9. Cada Parte Contratante tomará tais

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	151




medidas, conforme julgue praticável, para
assegurar que uma aeronave sujeita a um ato
de apoderamento ilícito ou a outros atos de
interferência ilícita que tenha pousado em seu
território permaneça no solo, a menos que sua
partida se faça necessária em virtude do dever
maior de proteção à vida humana. Sempre
que possível, tais medidas serão tomadas com
base em consultas mútuas.

  ARTIGO IX
   
  Tarifas Aeronáuticas
  1. Nenhuma Parte Contratante cobrará ou
permitirá que sejam cobradas das empresas
aéreas designadas da outra Parte Contratante
tarifas aeronáuticas superiores às cobradas
às suas próprias empresas aéreas que operem
serviços aéreos internacionais semelhantes.
  2. Cada Parte Contratante encorajará
a realização de consultas sobre tarifas
aeronáuticas	entre	suas	autoridades
competentes e as empresas aéreas que utilizam
as instalações e os serviços proporcionados,
quando for factível por meio das organizações
representativas de tais empresas aéreas.
Propostas	de	modificação	das	tarifas
aeronáuticas devem ser comunicadas a tais
usuários com razoável antecedência, a fim
de permitir-lhes expressar seus pontos de
vista antes que as alterações sejam feitas.
Adicionalmente,	cada	Parte	Contratante
encorajará suas autoridades competentes e tais
usuários a trocarem informações apropriadas
relativas às tarifas aeronáuticas.

  ARTIGO X
   
  Direitos Alfandegários
  1. Cada Parte Contratante, com base na
reciprocidade, isentará uma empresa aérea
designada da outra Parte Contratante, no
maior grau possível em conformidade com

sua legislação nacional, de restrições sobre
importações, direitos alfandegários, impostos
indiretos, taxas de inspeção e outras taxas
e gravames nacionais que não se baseiem
no custo dos serviços proporcionados na
chegada, sobre aeronaves, combustíveis,
lubrificantes, suprimentos técnicos de
consumo, peças sobressalentes incluindo
motores, equipamento de uso normal dessas
aeronaves, provisões de bordo e outros itens,
tais como bilhetes, conhecimentos aéreos,
qualquer material impresso com o símbolo da
empresa aérea e material publicitário comum
distribuído gratuitamente pela empresa
aérea designada, destinados ou usados
exclusivamente na operação ou manutenção
das aeronaves da empresa aérea designada
da Parte Contratante que esteja operando os
serviços acordados.
  2. As isenções previstas neste Artigo serão
aplicadas aos produtos referidos no parágrafo
1:
  a) introduzidos no território de uma Parte
Contratante por ou sob a responsabilidade
da empresa aérea designada pela outra Parte
Contratante;
  b) mantidos a bordo das aeronaves da
empresa aérea designada de uma Parte
Contratante, na chegada ao ou na saída do
território da outra Parte Contratante; ou
  c) embarcados nas aeronaves da empresa
aérea designada de uma Parte Contratante
no território da outra Parte Contratante e
com o objetivo de serem usados na operação
dos serviços acordados, sejam ou não tais
produtos utilizados ou consumidos totalmente
dentro do território da Parte Contratante que
outorga a isenção, sob a condição de que sua
propriedade não seja transferida no território
de tal Parte Contratante.
  3. O equipamento de bordo de uso regular,
bem como os materiais e suprimentos
normalmente mantidos a bordo das aeronaves




152

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




de uma empresa aérea designada de qualquer
das Partes Contratantes somente poderão ser
descarregados no território da outra Parte
Contratante com a autorização das autoridades
alfandegárias de tal território. Nesse caso, tais
itens poderão ser colocados sob a supervisão
das mencionadas autoridades até que sejam
reexportados ou se lhes dê outro destino,
conforme os regulamentos alfandegários.
  4. Combustível e suprimentos de bens e
serviços comprados localmente serão regidos
pelas leis e regulamentos nacionais de cada
Parte Contratante.

  ARTIGO XI
   
  Impostos
  1. O capital representado pelas aeronaves
operadas nos serviços aéreos internacionais
por uma empresa aérea designada será
tributado unicamente no território da Parte
Contratante em que estão situados o escritório
principal e a administração da empresa aérea.
  2. Os lucros resultantes da operação das
aeronaves de uma empresa aérea designada
nos serviços aéreos internacionais, assim como
os bens e serviços que lhe sejam fornecidos,
serão tributados de acordo com a legislação
de cada Parte Contratante, devendo as duas
Partes Contratantes procurar concluir um
acordo especial para evitar a dupla tributação.

  ARTIGO XII
   
  Capacidade
  1. Cada Parte Contratante permitirá que
cada empresa aérea designada determine
a frequência e a capacidade dos serviços
de transporte aéreo internacional a serem
ofertadas, baseando-se em considerações
comerciais próprias do mercado.
  2. Nenhuma Parte Contratante limitará
unilateralmente o volume de tráfego, a

frequência ou a regularidade dos serviços,
ou o tipo ou tipos de aeronaves operadas
pelas empresas aéreas designadas da outra
Parte Contratante, exceto no que possa ser
requerido por razões alfandegárias, técnicas,
operacionais ou ambientais, sob condições
uniformes, conforme o Artigo 15 (Taxas
Aeroportuárias e Similares) da Convenção.

  ARTIGO XIII
   
  Preços
  1. Cada Parte Contratante permitirá que
os preços cobrados para o transporte aéreo
sejam estabelecidos pelas empresas aéreas
designadas, baseando-se em considerações
comerciais próprias do mercado.
  2. As autoridades aeronáuticas de cada
Parte Contratante poderão solicitar consultas
com as autoridades aeronáuticas da outra
Parte Contratante se considerarem que a
tarifa seja inconsistente com suas leis de
proteção ao consumidor. Se qualquer das
Partes Contratantes entender que qualquer
preço seja inconsistente com as considerações
estabelecidas neste Artigo, ela poderá solicitar
consultas e notificar a outra Parte Contratante
sobre as razões de sua insatisfação o mais breve
possível. As consultas assim requeridas serão
iniciadas em até 30 dias após o recebimento
da solicitação, e as Partes Contratantes
cooperarão para obter informações necessárias
para a resolução do problema.
  3. Cada Parte Contratante poderá requerer
a notificação ou registro, junto às suas
autoridades aeronáuticas, dos preços a serem
cobrados para ou a partir de seu território pela
empresa aérea da outra Parte Contratante.
A notificação ou o registro pelas empresas
aéreas de ambas as Partes Contratantes
poderão ser requeridos de acordo com as leis
e os regulamentos de cada Parte Contratante.
Nenhuma das Partes Contratantes requererá a




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	153




notificação ou o registro pela empresa aérea da
outra Parte Contratante dos preços cobrados
pelos serviços de vôos charter ao público,
exceto como possa ser requerido de forma não
discriminatória para finalidades meramente
informativas.
  4. Nenhuma Parte Contratante tomará
ação unilateral para evitar a inauguração ou
continuação de uma proposta de preço a ser
cobrado por:
  a)	uma	empresa	área	de	qualquer
Parte Contratante para o transporte aéreo
internacional entre os territórios das Partes
Contratantes;
  b) uma empresa aérea de uma Parte
Contratante	para	o	transporte	aéreo
internacional entre o território da outra Parte
Contratante e qualquer outro país, incluindo,
em ambos os casos, transporte baseado
em acordos entre empresas ou em serviços
próprios.
  5. Se as Partes Contratantes chegarem a um
acordo no que diz respeito a um preço para
o qual uma notificação de insatisfação tenha
sido apresentada, cada Parte Contratante
envidará seus melhores esforços para colocar
tal acordo em vigor. O preço entrará em
vigor sem prejuízo quanto ao estabelecido no
parágrafo 2 deste Artigo.
  6. No caso de mudança de preço, não haverá
solicitação de aprovação pelas autoridades
aeronáuticas das Partes Contratantes no
que diz respeito ao preço a ser cobrado pela
empresa aérea designada para o transporte de
passageiros, carga e mala postal.

  ARTIGO XIV
   
  Concorrência
  1. As Partes Contratantes informarão uma à
outra sobre suas leis, políticas e práticas sobre
a concorrência ou modificações das mesmas,
bem como quaisquer objetivos concretos a elas

relacionados, que poderiam afetar a operação
de serviços de transporte aéreo cobertos por
este Acordo e identificarão as autoridades
responsáveis por sua aplicação.
  2. O relacionamento entre as Partes
Contratantes será norteado pelo princípio da
não discriminação, referenciando-se a um
tratamento equânime e não discriminatório
às empresas aéreas das Partes Contratantes
no que diz respeito aos direitos e obrigações
relacionados neste Acordo, incluindo mas não
limitado a, aplicação de tarifas, segurança
operacional, utilização de infraestrutura,
aprovação de horários e ao exercício do direito
de tráfego entre as Partes Contratantes.
  3. As Partes Contratantes notificarão uma à
outra sempre que considerarem que pode haver
incompatibilidade entre a aplicação de suas
leis, políticas e práticas sobre a concorrência,
e as matérias relacionadas à aplicação deste
Acordo.
  4. Não obstante quaisquer outras
disposições em contrário, nada do disposto
neste Acordo irá:
  a) requerer ou favorecer a adoção de acordos
entre empresas, decisões de associações
de empresas ou práticas combinadas que
impeçam ou distorçam a concorrência;
  b) reforçar os efeitos de tais acordos,
decisões ou práticas combinadas; ou
  c) delegar a operadores econômicos
privados a responsabilidade da tomada
de medidas que impeçam, distorçam ou
restrinjam a concorrência.

  ARTIGO XV
   
  Conversão de Divisas e Remessa de
Receitas
  1. Cada Parte Contratante permitirá às
empresas aéreas da outra Parte Contratante
converter e remeter para o exterior, a pedido,
todas as receitas locais provenientes da




154

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




venda de serviços de transporte aéreo e de
atividades conexas diretamente vinculadas
ao transporte aéreo que excedam as somas
localmente	desembolsadas,	permitindo-se
sua rápida conversão e remessa, à taxa de
câmbio aplicável de acordo com as leis e os
regulamentos de cada Parte Contratante.
  2. A conversão e a remessa de tais receitas
serão permitidas em conformidade com as leis
e os regulamentos aplicáveis de cada Parte
Contratante, e não estarão sujeitas a quaisquer
encargos administrativos ou cambiais, exceto
aqueles normalmente cobrados pelos bancos
para a execução de tais conversão e remessa.
  3. O disposto neste Artigo não desobriga
as empresas aéreas de ambas as Partes
Contratantes do pagamento dos impostos,
taxas e contribuições a que estejam sujeitas.
  4. Caso exista um acordo especial entre
as Partes Contratantes para evitar a dupla
tributação, ou caso um acordo especial regule
a transferência de fundos entre as Partes
Contratantes, tais acordos prevalecerão.

  ARTIGO XVI
   
  Atividades Comerciais
  1. Cada Parte Contratante concederá às
empresas aéreas da outra Parte Contratante
o direito de vender e comercializar, em seu
território,	serviços	aéreos	internacionais,
diretamente ou por meio de agentes ou outros
intermediários à escolha da empresa aérea,
incluindo o direito de estabelecer seus próprios
escritórios, tanto como empresa operadora
como não operadora.
  2. Cada empresa aérea terá o direito de
vender serviços de transporte na moeda desse
território ou, sujeito às leis e aos regulamentos
nacionais, em moedas livremente conversíveis
de outros países, e qualquer pessoa poderá
adquirir tais serviços de transporte em moedas
aceitas por essa empresa aérea.
   
3. As empresas aéreas designadas de uma
Parte Contratante poderão, com base na
reciprocidade, trazer e manter no território da
outra Parte Contratante seus representantes
e o pessoal comercial, operacional e técnico
necessário à operação dos serviços acordados.
  4. Essas necessidades de pessoal podem,
a critério das empresas aéreas designadas de
uma Parte Contratante, ser satisfeitas com
pessoal próprio ou usando os serviços de
qualquer outra organização, companhia ou
empresa aérea que opere no território da outra
Parte Contratante, autorizadas a prestar esses
serviços para outras empresas aéreas.
  5. Os representantes e os auxiliares referidos
no parágrafo 3 deste Artigo terão, sujeitos
às leis e regulamentos em vigor da outra
Parte Contratante e de acordo com tais leis e
regulamentos, a concessão das autorizações
de emprego, dos vistos de visitantes ou de
outros documentos similares necessários.
  6. Ambas as Partes Contratantes facilitarão
e acelerarão as autorizações de emprego
necessárias ao pessoal que desempenhe certos
serviços temporários de acordo com as leis e
os regulamentos de cada Parte Contratante.

  ARTIGO XVII
   
  Estatísticas
  As Autoridades Aeronáuticas de cada
Parte Contratante proporcionarão ou farão
com que suas empresas aéreas designadas
proporcionem às Autoridades Aeronáuticas da
outra Parte Contratante, a pedido, estatísticas
periódicas ou eventuais, que possam ser
razoavelmente requeridas com a finalidade de
revisar a operação dos serviços acordados.

  ARTIGO XVIII
   
  Aprovação de Horários
  1. As empresas aéreas designadas de cada

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	155




Parte Contratante submeterão sua previsão de
horários de vôos à aprovação das Autoridades
Aeronáuticas da outra Parte Contratante,
pelo menos 30 (trinta) dias antes do início de
operação dos serviços acordados. O mesmo
procedimento será aplicado para qualquer
modificação dos horários.
  2. Para os vôos de reforço que a empresa
aérea designada de uma Parte Contratante
deseje	operar	nos	serviços	acordados,
fora do quadro de horários aprovado, essa
empresa aérea solicitará autorização prévia
das	Autoridades	Aeronáuticas	da	outra
Parte Contratante. Tais solicitações serão
submetidas pelo menos 15 (quinze) dias antes
da operação de tais vôos.

  ARTIGO XIX
   
  Proteção do Meio Ambiente
  AsPartesContratantesapoiamanecessidade
de proteger o meio ambiente fomentando o
desenvolvimento sustentável da aviação. Com
respeito às operações entre seus respectivos
territórios, as Partes Contratantes acordam
cumprir as normas e práticas recomendadas
pelo Anexo 16 (Proteção do Meio Ambiente)
da OACI (SARPs) e as políticas e orientações
da OACI vigentes sobre proteção do meio
ambiente.

  ARTIGO XX
   
  Consultas
  1. Com o objetivo de alcançar estreita
cooperação e concordância, as Autoridades
Aeronáuticas de ambas as Partes Contratantes
compartilharão, conforme o necessário, seus
pontos de vista a respeito de todos os assuntos
pertinentes à aplicação deste Acordo.
  2. Qualquer das Partes Contratantes pode,
a qualquer tempo, solicitar a realização de
consultas sobre qualquer problema relacionado

à implementação, interpretação, aplicação
ou emenda deste Acordo. Tais consultas,
que podem ser feitas entre as Autoridades
Aeronáuticas e mediante reuniões ou por
correspondência, serão iniciadas dentro de um
período de 60 (sessenta) dias a partir da data
do recebimento da solicitação por escrito pela
outra Parte Contratante, a menos que de outra
forma acordado pelas Partes Contratantes.
  3. Qualquer emenda ao presente Acordo,
acordada por meio de tais consultas, será
aprovada por cada Parte Contratante, de
acordo com seus procedimentos internos, e
entrará em vigor na data da troca de Notas
diplomáticas indicando tal aprovação.

  ARTIGO XXI
   
  Solução de Controvérsias
  1. No caso de qualquer controvérsia que
possa surgir entre as Partes Contratantes,
relativa à interpretação ou aplicação deste
Acordo, com exceção das que possam
surgir decorrentes dos Artigos 7 (Segurança
Operacional) e 8 (Segurança da Aviação),
as Autoridades Aeronáuticas das Partes
Contratantes buscarão, em primeiro
lugar, resolvê-las por meio de consultas e
negociações.
  2. Caso as Partes Contratantes não
cheguem a um acordo por meio de negociação,
a controvérsia será solucionada pela via
diplomática.
  3. Se as Partes Contratantes não chegarem
a uma solução pela via diplomática, elas
poderão acordar em submeter a controvérsia
à decisão de uma pessoa ou órgão, ou a
controvérsia poderá, a pedido de qualquer
das Partes Contratantes, ser submetida à
decisão de um tribunal de três árbitros, um
a ser nomeado por cada Parte Contratante e
o terceiro a ser designado pelos dois assim
nomeados. Cada uma das Partes Contratantes




156

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




nomeará um árbitro no prazo de 60 (sessenta)
dias a partir da data de recebimento por
qualquer das Partes Contratantes de uma
notificação da outra Parte Contratante, por
via diplomática, solicitando a arbitragem
da controvérsia, e o terceiro árbitro será
designado dentro de um prazo adicional
de 30 (trinta) dias. Se qualquer das Partes
Contratantes não nomear um árbitro dentro
do prazo especificado ou se o terceiro
árbitro	não	for	nomeado	no	período
especificado, o Presidente do Conselho da
Organização de Aviação Civil Internacional
poderá ser solicitado por qualquer das Partes
Contratantes a designar um árbitro ou árbitros
necessários. Caso o Presidente seja nacional
de uma das Partes Contratantes ou esteja de
outra forma impedido de desempenhar essa
função, seu substituto em exercício realizará
as necessárias nomeações. O terceiro árbitro
será nacional de um terceiro Estado e atuará
como presidente do tribunal arbitral.
  4. Cada Parte Contratante arcará com os
custos do árbitro que nomeou e ambas as
Partes Contratantes custearão equitativamente
quaisquer outras despesas envolvidas nas
atividades do tribunal, incluindo as despesas
com o presidente.
  5. O tribunal arbitral determinará seu
próprio procedimento.
  6. As Partes Contratantes comprometem-
se a cumprir qualquer decisão proferida nos
termos dos parágrafos 3 e 5 deste Artigo.
  7. Se e enquanto qualquer das Partes
Contratantes ou a empresa aérea designada de
qualquer das Partes Contratantes não cumprir
uma decisão nos termos dos parágrafos 3 e 5
deste Artigo, a outra Parte Contratante poderá
limitar, suspender ou revogar quaisquer
direitos ou privilégios que tenha concedido,
ao abrigo deste Acordo, à Parte Contratante
em falta ou à empresa aérea designada da
Parte Contratante em falta, conforme o caso.
   
ARTIGO XXII
   
  Emendas
  1. Caso qualquer das Partes Contratantes
considere desejável modificar qualquer
provisão deste Acordo, ela solicitará a
realização de consulta de acordo com as
provisões do Artigo 20 deste Acordo e a
consulta será confirmada por troca de Notas
diplomáticas.
  2. Caso a emenda seja relativa à provisão
do Acordo em vigor, a emenda será aprovada
por cada Parte Contratante em conformidade
com seus procedimentos internos.

  ARTIGO XXIII
   
  Acordos Multilaterais
  Se um acordo multilateral relativo a
transporte aéreo entrar em vigor em relação
a ambas as Partes Contratantes, este será
emendado para conformar-se às disposições
de tal acordo multilateral.

  ARTIGO XXIV
   
  Denúncia
  1. Qualquer das Partes Contratantes pode,
a qualquer tempo, notificar a outra Parte
Contratante por escrito, por via diplomática,
sua decisão de denunciar este Acordo. Tal
notificação será feita simultaneamente à
Organização de Aviação Civil Internacional
(OACI).
  2. O Acordo expirará à meia noite (no local
do recebimento da notificação por escrito)
após 12 (doze) meses da data de recebimento
da notificação pela outra Parte Contratante, a
menos que se retire tal notificação mediante
acordo mútuo, antes de expirado tal prazo.
  3. Se a outra Parte Contratante não
acusar recebimento, será considerado que a
notificação foi recebida 14 (quatorze) dias




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	157




depois de seu recebimento pela Organização
de Aviação Civil Internacional (OACI).

  ARTIGO XXV
   
  Registro na OACI
  Este Acordo, bem como qualquer emenda
ao mesmo, será registrado na OACI, depois
de assinado, pela Parte Contratante em
cujo território haja ocorrido a assinatura,
ou conforme o acertado entre as Partes
Contratantes.

  ARTIGO XXVI
   
  Entrada em Vigor
  Este Acordo entrará em vigor na data de
recebimento da segunda nota diplomática
indicando	que	todos	os	procedimentos
internos necessários foram completados pelas
Partes Contratantes.
  Em testemunho do que os abaixo assinados,
estando devidamente autorizados pelos seus
respectivos Governos, assinaram o presente
Acordo.
  Feito em Adis Abeba, em de maio de 2013,
em dois originais, em português e inglês,
sendo ambos os textos autênticos. Caso haja
qualquer divergência de interpretação dos
dois textos, prevalecerá o texto em inglês.

      ATOSASSINADOS POR OCASIÃO DA
   VISTADAPRESIDENTADAREPÚBLICAA
PORTUGAL  LISBOA, 10 DE JUNHO DE 2013
                            10/06/2013
                               
  1 - MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE O MINISTÉRIO DA CIÊNCIA,
TECNOLOGIA	E	INOVAÇÃO	DA
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
E O MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E
CIÊNCIA DA REPÚBLICA PORTUGUESA
   
2 - ACORDO ENTRE A ANDIFES
E O CRUP PARA EQUIVALÊNCIA,
RECONHECIMENTO E REVALIDAÇÃO
DE DIPLOMAS DE GRADUAÇÃO
NAS ÁREAS DE ARQUITETURA E
ENGENHARIAS

  MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE O MINISTÉRIO DA CIÊNCIA,
TECNOLOGIA E INOVAÇÃO DA
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
E O MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E
CIÊNCIA DA REPÚBLICA PORTUGUESA
  O Ministério da Educação e Ciência da
República Portuguesa e o Ministério da
Ciência, Tecnologia e Inovação da República
Federativa do Brasil, doravante designados
por Signatários,
  Decidem o seguinte:
  Cláusula Primeira  Do Objeto e dos
Compromissos dos Signatários
  Em decorrência da assinatura do presente
MEMORANDO, os Signatários assumem
o compromisso de promover e assistir o
desenvolvimento da cooperação científica e
tecnológica nas áreas das Ciências da Vida,
em particular da Biotecnologia.
  Cláusula Segunda  Dos Objetivos
  1. Constituem objetivos deste
MEMORANDO, além de outros que possam
servir à boa execução do objeto descrito na
Cláusula Primeira:
  a) Apoiar a instalação no Biocant Park de
empresas de capital e tecnologia brasileira que
pretendam operar no mercado europeu;
  b) Dinamizar a transferência de
biotecnologia entre os dois países;
  c) Elaborar um Programa Internacional de
Formação Avançada em Biotecnologia em
conjunto com as Universidades que participam
no Biocant nomeadamente, a Universidade de
Coimbra e/ou de Aveiro;
  d) Estabelecer a harmonização dos

   
   

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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




Programas e Projetos comuns de pesquisa.
  2. A criação do Centro de Pesquisa Luso-
Brasileiro em Biotecnologia no Biocant
Park, será objeto de esforços futuros entre os
Signatários.
  Cláusula Terceira  Das Modalidades de
Cooperação
  A cooperação entre os Signatários será
efetivada nos seguintes moldes:
  a)Intercâmbiodecientistas,técnicos,peritos
e estudantes no âmbito de desenvolvimento
de recursos humanos de acordo com as
disponibilidades dos Signatários;
  b)	Formulação	e	implementação	de
programas e projetos de pesquisa de interesse
comum;
  c) Procura conjunta de financiamentos para
projetos de pesquisa;
  d) Promoção da transferência de tecnologias
nas diversas áreas de interesse comum;
  e)	Partilha	equitativa	de	resultados
consequentes de pesquisa conjunta;
  f) Intercâmbio de informação científica e
tecnológica;
  g) Organização bilateral de seminários,
conferências e workshops em áreas de
interesse mútuo;
  h) Outras modalidades de cooperação
decididas entre os Signatários.
  Cláusula Quarta  Comissão Conjunta de
Colaboração Científico-tecnológica
  1. Para os propósitos de implementação
deste Memorando de Entendimento será
criada uma Comissão Conjunta para a
Colaboração	Científico-Tecnológica,
doravante denominada Comissão Conjunta,
composta por representantes designados pelos
Signatários.
  2. A Comissão Conjunta gerirá o Centro de
Pesquisa Luso-Brasileiro em Biotecnologia e
as suas responsabilidades serão as seguintes:
  a)	Identificação	e	promoção	da
implementação de projetos de pesquisa

sobre temas de interesse comum, com base
nas estratégias e programas prioritários de
desenvolvimento econômico e social;
  b) Procura por fundos de fontes
diversificadas e adequadas para financiamento
de programas e projetos comuns identificados;
  c) Criação das condições técnicas e
materiais favoráveis à implementação deste
MEMORANDO;
  d) Implementação de projetos e definição
de programas conjuntos que concorram para
os objetivos deste MEMORANDO;
  e) Promoção da troca de informação,
divulgação e transferência de tecnologia
decorrentes da presente colaboração;
  f)Avaliação do progresso da implementação
deste MEMORANDO e gestão de futuras
atividades de colaboração.
  3. A Comissão Conjunta irá determinar as
suas regras de atuação.
  Cláusula Quinta  Propriedade Intelectual
e Confidencialidade
  1. Em conformidade com as respectivas
legislações nacionais e os acordos
internacionais em vigor em ambos os países,
os Signatários adotarão as medidas adequadas
para proteger os direitos de propriedade
intelectual resultantes da implementação do
presente Memorando de Entendimento.
  2. As condições para a aquisição,
manutenção e exploração comercial dos
direitos de propriedade intelectual sobre
possíveis produtos e/ou processos obtidos
sob o presente Memorando de Entendimento
serão definidas em projetos ou programas de
trabalho específicos.
  3. Os projetos ou programas de trabalho
específicos determinarão igualmente as
condições de confidencialidade de informações
cuja revelação e/ou divulgação possam pôr em
risco a aquisição, manutenção e exploração
comercial dos direitos de propriedade
intelectual sobre possíveis produtos e/ou




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	159




processos obtidos sob o presente Memorando
de Entendimento.
  4. Os projetos ou programas de trabalho
estabelecerão,	se	couber,	as	regras	e
procedimentos concernentes à solução de
controvérsias em matéria de propriedade
intelectual sob o presente Memorando de
Entendimento.
  Cláusula Sexta  Dos Recursos Financeiros
  O presente MEMORANDO não envolve
qualquer transferência de recursos financeiros
entre os Signatários. Cada Signatário deverá
utilizar seus próprios recursos na consecução
do objeto enunciado na Cláusula Primeira,
bem como, através da Comissão Conjunta,
procurar fontes alternativas de financiamento,
incluindo no âmbito de programas bilaterais e
multilaterais de objetivos convergentes.
  Cláusula Sétima  Dos Recursos Humanos
  A	execução	do	objeto	do	presente
MEMORANDO não envolverá qualquer
alteração	na	vinculação	funcional	dos
respectivos	provedores	de	serviços,
funcionários	e	empregados	dos	órgãos
e entidades de origem, os quais serão
necessariamente	responsáveis	por	todos
os	encargos	de	natureza	trabalhista,
previdenciária, fiscal e securitária decorrentes
de quaisquer serviços resultantes do presente
MEMORANDO.
  Cláusula Oitava  Produção de Efeitos
  O presente MEMORANDO produzirá
efeitos por um período de 5 (cinco) anos, a
contar da data de assinatura, findo o qual será
automaticamente renovável por um período
igual, a menos que um dos Signatários termine
o presente MEMORANDO, informando por
escrito seis meses antes do final do período de
renovação.
  O término deste MEMORANDO não irá
afetar os projetos e programas que estiverem
em andamento, no âmbito do referido
Memorando de Entendimento.
   
Cláusula Nona  Solução de Controvérsias
  As controvérsias que possam surgir
referentes ao presente MEMORANDO serão
resolvidas amigavelmente, por meio de
consultas ou negociações entre os Signatários.
  Assim ajustadas, os Signatários firmam
o presente instrumento, em Português, na
presença das testemunhas.
  Lisboa, 10 de junho de 2013
   
  ACORDO ENTRE A ANDIFES E
O CRUP PARA EQUIVALÊNCIA,
RECONHECIMENTO E REVALIDAÇÃO
DE DIPLOMAS DE GRADUAÇÃO
NAS ÁREAS DE ARQUITETURA E
ENGENHARIAS
  A Associação Nacional dos Dirigentes
das Instituições Federais de Ensino Superior
(ANDIFES) e o Conselho de Reitores
das Universidades Portuguesas (CRUP),
reunidos em Lisboa, em 10 de junho de
2013, levando em conta as conversações
em curso entre os Governos do Brasil e de
Portugal, em particular entre os Ministros
da Educação e das Relações Exteriores do
Brasil e dos Negócios Estrangeiros e da
Educação e Ciência de Portugal, e à luz do
Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta
entre a República Portuguesa e a República
Federativa do Brasil, assinado em Porto
Seguro, em 22 de Abril de 2000, que prevê
a possibilidade do reconhecimento mútuo de
graus e títulos acadêmicos RESOLVEM, nesse
contexto, estabelecer este Acordo, com vista à
equivalência, reconhecimento e revalidação
dos graus e títulos acadêmicos nas áreas de
Arquitetura e das Engenharias em nível de
graduação, por intermédio das seguintes
instituições brasileiras: Universidade Federal
do Ceará - UFC, Universidade Federal do Pará-
UFPA, Universidade Federal do Rio Grande
do Norte-UFRN, Universidade Federal de
Alagoas-UFAL, Universidade Federal de




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




Pernambuco-UFPE, Universidade Federal de
Goiás-UFG, Universidade Federal do Mato
Grosso-UFMT,	Universidade	Federal	de
Minas Gerais-UFMG, Universidade Federal
do	Rio	de	Janeiro-UFRJ,	Universidade
Federal de São Carlos-UFSCar, Universidade
Federal	do	Paraná-UFPR,	Universidade
Federal do Rio Grande do Sul-UFRGS,
Universidade Técnica Federal do Paraná-
UTFPR, Universidade Federal de Uberlândia-
UFU e das seguintes instituições portuguesas:
Universidade	do	Algarve,	Universidade
de	Aveiro,	Universidade	dos	Açores,
Universidade da Beira Interior, Universidade
de	Coimbra,	Universidade	de	Évora,
Universidade Nova de Lisboa, Universidade
Técnica de Lisboa, Universidade de Lisboa,
Universidade do Minho, Universidade do
Porto,	Universidade	de	Trás-os-Montes
e Alto Douro, Universidade da Madeira,
Universidade Católica Portuguesa e ISCTE -
Instituto Universitário de Lisboa, nos termos
das cláusulas a seguir:
  Cláusula 1ª - Objeto
  1. Este Acordo visa a estabelecer os termos
e os princípios gerais que regerão a mútua
equivalência, reconhecimento e revalidação
dos diplomas nos cursos de Arquitetura e das
Engenharias.
  1. As Instituições envolvidas deverão
estabelecer	acordos	específicos	para
cursos correspondentes, conforme planilha
apresentada no anexo 1, e seguir os princípios
norteadores	explicitados	no	presente
documento.
  2. Os acordos específicos deverão abranger
os cursos constantes no anexo 1 bem
como as licenciaturas que os antecederam
na	organização	de	estudos	anterior	à
implementação do Processo de Bolonha.
  Cláusula 2ª - Áreas de formação
  1. Aos acordos específicos de equivalência,
reconhecimento e revalidação dos diplomas

nos cursos de Arquitetura e das Engenharias,
a que se refere o ponto 2 da cláusula anterior,
terão acesso os graduados de cada uma das
Universidades que preencham uma das
seguintes condições:
  1.1. No caso de detentores de Diplomas
de Instituições Portuguesas, o solicitante
graduado no sistema que antecede o Processo
de Bolonha deverá apresentar o grau de
Licenciado; os demandantes graduados no
sistema Pós-Bolonha deverão apresentar para
as Engenharias os graus correspondentes ao
primeiro e segundo ciclos ou o grau atribuído
na sequência da conclusão de um ciclo de
estudos de mestrado integrado, e para a
Arquitetura, o grau atribuído na sequência da
conclusão de um ciclo de estudos de mestrado
integrado.
  1.2. No caso de detentores de Diplomas de
Instituições Brasileiras, o solicitante deverá
apresentar o grau de Bacharel nas respectivas
Engenharias ou Bacharel em Arquitetura e
Urbanismo.
  Cláusula 3ª  Procedimentos
  1. A solicitação do processo será feita
mediante formulário, fornecido por cada
Instituição, dirigido à Universidade solicitada,
acompanhado pelos documentos conforme
exigências da mesma.
  1. Fica vedado ao solicitante encaminhar
processo para mais de uma instituição
simultaneamente.
  2. As Universidades envolvidas se
comprometem a disponibilizar à outra
parte as estruturas curriculares dos cursos
e os conteúdos programáticos de todas as
disciplinas cursadas, mantendo-os atualizados.
  Cláusula 4ª - Equivalência, reconhecimento
e revalidação
  1. As Universidades envolvidas criarão
Comissão(ões) Permanente(s) para Avaliação
e Julgamento dos Processos que versem
equivalência, reconhecimento e revalidação




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	161




dos diplomas dos Cursos de que trata este
Acordo
  1. As inscrições far-se-ão em conformidade
com as diretrizes estabelecidas em edital
específico, a ser expedido, pelo menos, uma
vez por ano. A equivalência, reconhecimento
e revalidação a que se refere o ponto anterior
deverá ser pronunciado no prazo máximo de
até 90 dias, contados a partir da data final das
inscrições.
  Cláusula 5ª - Reconhecimento do grau
  1.	Aos	solicitantes	das	Instituições
Portuguesas,	que	receberem	julgamento
favorável pela Comissão Permanente, será
outorgado o grau de bacharelado no respectivo
curso.
  1.	Aos	solicitantes	das	Instituições
Brasileiras,	que	receberem	julgamento
favorável pela Comissão Permanente, será
atribuída equivalência ao grau de Mestre no
respectivo curso.
  2.	O	reconhecimento	será	sempre
concedido, a menos que se demonstre,
fundamentadamente,	que	há	diferença
substancial entre os conhecimentos e as
aptidões	atestados	pelo	grau	ou	título
em	questão,	relativamente ao	grau	ou
título correspondente no país em que o
reconhecimento é requerido.
  Cláusula 6ª - Comissão Mista
  1. Para acompanhamento da aplicação
prática do presente Programa será criada uma
Comissão Mista, composta por representantes
dos Cursos de Arquitetura e das Engenharias
no Brasil e em Portugal.
  1. Cabe à Comissão Mista informar às
autoridades de ambos os Países sobre a
evolução do Acordo, podendo ainda formular
sugestões e propostas para a sua melhoria e
eventual alargamento do seu âmbito, bem
como para novos projetos.
  2. Cada Universidade, seja Instituição
Portuguesa ou Brasileira participante deste

Acordo, designará um Professor para
representá-la perante suas instâncias.
  Cláusula 7ª - Casos omissos
  Os casos omissos serão submetidos à
Comissão Mista que os resolverá, sendo a
solução ratificada por ambas as Universidades
outorgantes.
  Cláusula 8ª - Vigência
  O presente Acordo vigorará por um período
de três anos, automaticamente renovável por
iguais períodos.
  Lisboa, 10 de junho de 2013

   
   

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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013










       COMUNICADOS, NOTAS,
MENSAGENS E INFORMAÇÕES




    VISITA DO MINISTRO ANTONIO DE
  AGUIAR PATRIOTA À REPÚBLICA DA
       TURQUIA  ISTAMBUL E IZMIR,
             2 A 5 DE JANEIRO DE 2013
                            02/01/2013
                               
  O Ministro realizará visita de trabalho
à Turquia e participará da Conferência de
Embaixadores da Turquia, na companhia dos
Chanceleres da Turquia e da Suécia.
  O Ministro das Relações Exteriores,
Antonio de Aguiar Patriota, realizará visita
de trabalho à Turquia e participará, no dia 5,
em Izmir, da Conferência de Embaixadores
da Turquia, na companhia dos Ministros dos
Negócios Estrangeiros da Turquia, Ahmet
Davuto?lu, e da Suécia, Carl Bildt.
  Os três Ministros já se encontraram à
margem da 67ª Sessão da Assembleia Geral da
ONU, quando discutiram direitos humanos e
temas de paz e segurança internacional. Brasil,
Suécia e Turquia têm posições convergentes no
que diz respeito à defesa do multilateralismo e
à busca de soluções diplomáticas para tensões
internacionais.

 TRILATERAL SOLIDARITY FOR BUILDING
   PEACE  SOLIDARIEDADE TRILATERAL
           PARAACONSTRUÇÃO DAPAZ
                            05/01/2013
   
(Tradução não-oficial para o português)
  O Ministro das Relações Exteriores do
Brasil, Antonio de Aguiar Patriota, o Ministro
dos Negócios Estrangeiros da Suécia, Carl
Bildt, e o Ministro dos Negócios Estrangeiros
da Turquia, Ahmet Davuto?lu, encontraram-
se em Izmir, em 5 de janeiro de 2013.
  Representando três países que estão
comprometidos em desempenhar funções
crescentemente ativas em suas respectivas
regiões bem como globalmente, os Ministros
sublinharam seu desejo de aprofundar a
coordenação em uma gama de desafios que
atualmente se apresentam à comunidade
internacional.
  Nesse sentido, os Ministros observaram
que o cenário internacional é atualmente
caracterizado por um conjunto de mudanças-
chave e desafios que afetam a todos. Chamaram
atenção, em particular, aos desdobramentos
no Oriente Médio, incluindo o despertar árabe
e a questão da Palestina, à crise econômica
global com suas ramificações políticas, assim
como a outros temas globais como terrorismo,
erradicação da pobreza, mudança do clima,
liberdade no uso da internet e proliferação
nuclear.
  Concordando que todos esses temas
requerem atenção imediata e resposta
coletiva da comunidade internacional, os
Ministros reiteraram seu compromisso
com o multilateralismo e expressaram sua
determinação em fortalecer a diplomacia,




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	163




por meio de diálogo e cooperação genuína,
com vistas a promover desenvolvimento
sustentável, paz, segurança, democracia e
direitos humanos.
  Os Ministros, nesse contexto, observando
a força de suas respectivas democracias,
economias robustas, localizações geográficas,
engajamento	regional	e	alcance	global,
concordaram em agir em solidariedade pela
construção da paz e promoção de valores
comuns.	Reafirmaram	que	a	distância
geográfica entre seus países é diminuída pela
proximidade de suas ideias, pontos de vista e
aspirações.
  Para esse fim, os Ministros decidiram
manter consultas regulares pelas quais se
reunirão pessoalmente ou por meio de seus
representantes, a fim de trocar pontos de vista
e coordenar esforços para contribuir com o
progresso em temas nos quais o engajamento
coletivo poderá fazer a diferença.

         PARTICIPAÇÃO DO MINISTRO
ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA NA VII
  REUNIÃO MINISTERIAL DA ZOPACAS
                            11/01/2013
                                
  Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul
- Montevidéu, 14 a 16 de janeiro de 2013
  O Ministro das Relações Exteriores,
Embaixador Antonio de Aguiar Patriota,
participará da VII Reunião Ministerial da
Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul
(ZOPACAS), em Montevidéu, de 14 a 16 de
janeiro de 2013.
  A agenda da reunião inclui temas centrais
para a manutenção da paz e da cooperação
no Atlântico Sul, tais como o mapeamento e
exploração dos fundos marinhos; a cooperação
em meio ambiente; a cooperação aérea,
marítima e portuária; e temas de segurança.
   
A ZOPACAS foi criada pela Assembleia
Geral das Nações Unidas em 1986, por
iniciativa brasileira. Integram a iniciativa,
além do Brasil, os demais países banhados
pelo Atlântico Sul, tanto da América do Sul
(Argentina e Uruguai) quanto da África
(África do Sul, Angola, Benin, Cabo Verde,
Cameroun, Congo, Côte dIvoire, Gabão,
Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné Bissau, Guiné
Equatorial, Libéria, Namíbia, Nigéria,
República Democrática do Congo, São Tomé
e Príncipe, Senegal, Serra Leoa e Togo).
  A ZOPACAS tem por objetivo fomentar o
diálogo e a cooperação no âmbito da região
sul-atlântica, além de afirmar sua identidade
como zona de paz. O Brasil já sediou duas
reuniões em nível ministerial  em 1988, no
Rio de Janeiro, e em 1994, em Brasília.

     DECLARAÇÃO SOBRE A SITUAÇÃO
   NA GUINÉ-BISSAU APROVADA NA VII
   REUNIÃO MINISTERIAL DA ZONA DE
   PAZ E COOPERAÇÃO DO ATLÂNTICO
                       SUL (ZOPACAS)
                            15/01/2013
                               
  Declaração sobre a situação na Guiné-
Bissau aprovada na VII Reunião Ministerial
da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul
(ZOPACAS)

  (Versão em português será divulgada
oportunamente)

  Gathered in Montevideo on 15th and 16th
January 2013, the Heads of Delegation to the
Seventh Ministerial Meeting of the Member
States of the Zone of Peace and Cooperation
of the South Atlantic reviewed the situation
in Guinea-Bissau and, in line with the UNSC
press statement of 13th December 2012,




164

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




expressed serious concern at the persistent
political and institutional crisis affecting the
country.
   They regretted the severe socioeconomic
hardships endured by the citizens of Guinea-
Bissau and reiterated the need for the urgent
restoration of constitutional order, with
respect for political freedoms, human rights,
and for developing a comprehensive strategy
of stabilization of the country, including the
reform of its security and defense sectors.
  The	Heads	of	Delegation	expressed
appreciation for the sustainable efforts made
by the African Union, ECOWAS and the
CPLP and recall, in accordance with UNSC
Resolution 2048, the need for all relevant
players to actively and closely cooperate
and coordinate towards overcoming current
challenges.
  The Heads of Delegation also welcomed
the sending of the joint assessment mission by
the UN-AU-ECOWAS-CPLP-EU to Bissau
and expressed their confidence that its report
will be a significant step in the efforts of
international partners to help Guinea-Bissau
make substantial and timely progress in
returning to institutional order.
  The Heads of Delegation welcomed the
designation by the UN Secretary-General of
former Timorese President Ramos Horta as his
Special Representative in Guinea-Bissau and
expressed their full support for his mission.

  Montevidéu, 15 de janeiro de 2013
   
    DECLARAÇÃO SOBREASITUAÇÃO NA
   REPÚBLICADEMOCRÁTICADO CONGO
 APROVADANAVII REUNIÃO MINISTERIAL
     DAZONADE PAZ E COOPERAÇÃO DO
             ATLÂNTICO SUL (ZOPACAS)
                            15/01/2013
   
Declaração sobre a situação na República
Democrática do Congo aprovada na VII
Reunião Ministerial da Zona de Paz e
Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS)
  (Versão em português será divulgada
oportunamente)
    We, the Heads of Delegation of the
Members States of the Zone of Peace of
Cooperation of the South Atlantic, meeting on
15th and 16th January 2013, in Montevideo,
strongly welcome the commitment of the
Members of the Zone to fully observe and
promote the principles and objectives of the
Charter of the United Nations in favour of
peace and security;
    We reaffirm the fundamental role of
diplomacy with a view to preventing conflicts,
as well as to maintain and consolidate peace
and security in the world;
  We express our strong concern for this
situation affecting the Democratic Republic of
the Congo and strongly condemn the attacks
and violations by the M23 which have caused
and continue to cause thousands of victims
among the population to the East of the DRC;
  We reaffirm and express our solidarity
with the Democratic Republic of the Congo
and call upon the international community to
further intensify its efforts to cooperate with
the DRC in dealing effectively with the root
causes of threats to peace and security in the
Great Lakes Region;
  The Members of the Zone commend the
active steps taken by the United Nations
Organization Stabilization Mission in the
DRC to implement its mandate and encourage
its continuation. In this regard, they welcomed
the contribution by Member States of the Zone,
particularly Uruguay, in the UN peacekeeping
efforts in the DRC;
  While recognizing the close interrelation
between security and development in
achieving sustainable peace, we encourage




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	165




the efforts by the Government of the DRC
with a view to reorganizing its economy and
pursue efficiently the fight against poverty and
establish, with the support of its partners, the
foundations of its development.

  Montevidéu, 15 de janeiro de 2013
   
      VII ENCONTRO MINISTERIAL DA
        ZONA DE PAZ E COOPERAÇÃO
      DO ATLÂNTICO SUL - ZOPACAS -
      DECLARAÇÃO DE MONTEVIDÉU
                            16/01/2013
                               
  (Versão em português será divulgada
oportunamente)

  Preamble
  We, the Ministers of the Member States
of the Zone of Peace and Cooperation of the
South Atlantic, hereinafter referred to as the
Zone, meeting in Montevideo on the 15th and
16th of January 2013, on the occasion of the
Seventh Ministerial Meeting of the Zone;
  1. Recalling the United Nations General
Assembly Resolution 41/11 of October 1986,
in which the Atlantic Ocean, in the region
situated between Africa and South America,
was solemnly declared Zone of Peace and
Cooperation of the South Atlantic, as well
as the other relevant United Nations General
Assembly resolutions;
  2. Recalling also the Final Declaration and
Plan of Action adopted at the Sixth Ministerial
Meeting of Member States of the Zone held
in Luanda, Angola, on 18 and 19 June, 2007;
  3. Welcoming the conclusions of the
Brasilia Round Table held in 2010 with a view
to further refine the identification of areas for
enhanced cooperation among Member States
of the Zone;
   
4. Welcoming also the convening by
Uruguay of the Senior Officials Meeting of
the Zone of Peace and Cooperation of the
South Atlantic, on the margins of the 67th
United Nations General Assembly, on 28
September 2012, and expressing the view that
this initiative should be held annually, with a
view to intensifying dialogue and cooperation
among Members of the Zone on issues of
relevance to the Zone and to the international
agenda;
  5. Reaffirming the role of the Zone as a
forum for increased integration among its
Member States and reiterating the commitment
to further strengthen dialogue and cooperation
within the Zone and with organizations and
mechanisms integrated by Member States,
such as the African Union and Union of South
American Nations (UNASUR);
  6. Recalling, in this regard, the valuable
contribution made by the 1st Africa-South
America Summit held in Abuja on 26-30
November 2006, as well by the 2nd Africa-
South America Summit, held in Isla Margarita,
Venezuela, on 26-27 September 2009,
which recognized ZPCSA as an important
instrument for promoting peace and security
and encouraged continued dialogue and
cooperation within the Zone;
  7. Underlining the need to build a world
order based on a multipolarity of cooperation
and solidarity, and expressing our firm
commitment to contribute to the achievement
of this goal through cooperation in the Zone and
in our relations with other organizations and
mechanisms, for the benefit of international
peace and security;
  8. Reaffirming our commitment to
consolidating the South Atlantic as a
Zone of Peace and Cooperation, free from
nuclear weapons and other weapons of mass
destruction;
  Purposes and Principles

   
   

166

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  9. Affirm that our endeavors are guided
by the principles and purposes of the United
Nations Charter and by full respect for the
principles of International Law, including
the principles of sovereignty and sovereign
equality	of	states,	territorial	integrity,
settlement	of	international	disputes	by
peaceful means, and non-intervention in the
internal affairs of states;
  10. Reiterate that the South Atlantic must
remain a region committed to promoting peace,
security, cooperation, democracy, respect
for human rights, sustainable development,
economic prosperity, socioeconomic inclusion
and cultural integration and solidarity among
the Member States of the Zone;
  11. Stress the need to continue to preserve
the South Atlantic region free from the
scourge of war, the instability of conflict, drug
trafficking, piracy;
  12. Reiterate the commitment of the
Member States of the Zone to democracy
and political pluralism and to the promotion
of human rights and fundamental freedoms,
including the right to development, and in
this regard welcome the contribution made
by the United Nations Human Rights Council
and the Peacebuilding Commission, which
represented a concrete achievement on the
implementation of the 2005 World Summit;
  13. Agree that the Zone must be a forum
for the development of cooperation among
its Member States in areas such as science
and technology, education, capacity building,
coastal surveillance, environment, defense,
strengthening of national institutions, trade,
sports, tourism, economy, communications,
transport, culture and political dialogue,
recalling the strong potential the South Atlantic
presents for the socio-economic development
of the Member States of the Zone;
  14. Decide that the Zone must be revitalized
in order to promote increased dialogue,

cooperation initiatives and collaboration for
the direct benefit of all Members of the Zone,
and in this regard welcome the Luanda Action
Plan and the adoption of the Montevideo
Action Plan, based on the results of the
workshop held in Brasilia in December 2010,
as well as the concrete measures, annexed to
the Action Plan.
  15. Stress that the implementation of
the objectives of the Zone requires the
strengthening of capacities of its Member
States, including through the exchange of
best practices in the areas identified for the
revitalization of the Zone;
  Global Governance
  16 Welcome the ongoing efforts aimed at
reforming the United Nations in order to render
the Organization better equipped to deal with
the current challenges to international peace
and security. In this regard, call for an urgent
reform of the Security Council an essential
element of our overall effort to reform the
United Nations and express support for its
enlargement in order to make it more broadly
representative for the developing countries,
efficient and transparent and, thus, to further
enhance its effectiveness, its legitimacy and
the implementation of its decisions. Moreover,
consider the essential need of revitalization of
the General Assembly and the Economic and
Social Council.
  17. Recognize the importance of the
global financial architecture in maintaining
the stability and integrity of the global
monetary and financial system. Call for a
more representative international financial
architecture, with an increase in the voice and
representation of developing countries, which
are now significant contributors to global
recovery;
  18. Recall the fact that most of the
Members of the Zone have either ratified or
signed the Rome statute and recognize that the




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	167




former and current prosecutor of the ICC are
nationals of Member States of the Zone;
  19. Welcome the 10th anniversary of the
entry into force of the Rome Statute of the
International Criminal Court, recognize the
important contribution of the International
Criminal Court to the fight against impunity
for the most serious crimes of international
concern, express concern about some Security
Council practices regarding the referrals
already made to the Court, and stress the
importance of full and consistent cooperation
by all members of the international community
with the International Criminal Court.
  Disarmament
  20.	Reiterate	our	commitment	to
consolidating	the	South	Atlantic	as	a
Zone of Peace and Cooperation, free from
nuclear weapons and other weapons of mass
destruction;, and call upon other States to
recognize it as such;
  21. Affirm that the very existence of
weapons of mass destruction, in particular
nuclear weapons, continues to pose a grave
threat to mankind and to instigate tension and
mistrust among peoples;
  22. Consider that the advancement of
the multilateral disarmament agenda  in
particular the need to fulfill the nuclear
disarmament obligations under the NPT 
should be a matter of high priority for the
Member States of the Zone;
  23. Express our support for the conclusion
of a legally-binding comprehensive framework
of mutually reinforcing instruments, including
a Nuclear Weapons Convention, that lead
to effective, irreversible and transparent
nuclear disarmament with a view to achieve
the objective of the complete elimination
of all nuclear weapons. Such a framework
should include clearly defined benchmarks,
timelines, and be backed by a strong system
of verification;
   
24. Remain concerned about the danger
to humanity posed by the possibility that
nuclear weapons could be used, and recall
the expression of deep concern by the 2010
Review Conference of the Parties to the Treaty
on the Non-Proliferation of Nuclear Weapons
at the catastrophic humanitarian consequences
of any use of nuclear weapons;
  25. Note that nuclear disarmament and non-
proliferation are inextricably linked, requiring
continuous and irreversible progress on both
fronts;
  26. Highlight the importance of the Plan of
Action agreed at the 2010 Review Conference
of the Parties to the Treaty on the Non-
Proliferation of Nuclear Weapons (NPT), in
particular the steps by the Nuclear-Weapon-
States to fulfill their unequivocal undertaking
to accomplish the total elimination of their
nuclear arsenals;
  27. Recall the 1994 Declaration of the Zone
on the Denuclearization of the South Atlantic
adopted by the Third Ministerial meeting and
accordingly undertake all efforts to prohibit
and prevent in their respective territories
and jurisdictional waters, the testing, use,
manufacture, production, acquisition,
receipt, storage, installation, deployment and
possession of any nuclear weapon, as well as
to refrain from engaging in, encouraging or
authorizing, directly or indirectly, any of these
activities in the South Atlantic; In this sense,
call on the international community to adhere
to the status of the Zone;
  28. Note with satisfaction the 45th
anniversary of the Treaty for the Prohibition
of Nuclear Weapons in Latin America and the
Caribbean (Treaty of Tlatelolco) and that both
this Treaty and the African Nuclear-Weapon-
Free Zone Treaty (Treaty of Pelindaba)
are now in force and in this regard urge the
international community to fully observe the
denuclearized status of the Zone;




168

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  29. Also note with appreciation the 20th
anniversary	of	the	Brazilian-Argentine
Agency for Accounting and Control of
Nuclear Materials (ABACC), the only existing
bi-national organization of safeguards in the
world;
  30. Reaffirm the commitment to nuclear
disarmament, nuclear non-proliferation and
peaceful uses of nuclear energy, the three
pillars of the Nuclear Non-proliferation Treaty
and in this regard, reaffirm the inalienable
rights of the Member States of the Zone to
engage in research, production and use of
nuclear energy for peaceful purposes without
discrimination in conformity with articles I,
II, III and IV of the Nuclear Non-proliferation
Treaty;
  31. Express their continued support to
a successful convening of the Conference
on the Establishment of a Zone Free from
Nuclear Weapons and All Other Weapons of
Mass Destruction in the Middle East;
  32.	Stress	the	need	for	the	full
implementation	of	the	United	Nations
Programme of Action to Prevent, Combat and
Eradicate of the Illicit Trade in Small Arms
and Light Weapons in All its Aspects, and
support efforts to curb the illegal flow of arms
and ammunition, particularly within the Zone;
  33. Underline the need also to regulate the
legal trade in conventional arms, including
small arms and light weapons and ammunition,
and express their support for the Final United
Nations Conference on the Arms Trade Treaty,
to be held in March 2013;
  34. Urge States that have not done so to
sign, ratify and implement the Convention
on the Prohibition of the Use, Stockpiling,
Production and Transfer of Anti-personnel
Mines and on their Destruction and to
cooperate in the field of demining and on
issues relating to international cooperation
and assistance, including victim assistance;
   
35. Welcome the 15th anniversary of the
Chemical Weapons Convention and, while
calling on all States that have not yet done so
to join the CWC, express appreciation for the
fact that all members of the Zone are members
of the OPCW;
  36. Recalls the resolutions adopted by the
United Nations General Assembly related to a
nuclear-weapon-free southern hemisphere and
adjacent areas, and welcomes the continued
contribution that the Antarctic Treaty and the
treaties of Tlatelolco, Rarotonga, Bangkok
and Pelindaba are making towards freeing
the southern hemisphere and adjacent areas
covered by those treaties from nuclear
weapons;
  Peace and Security
  37. Reaffirm the importance of preventive
diplomacy, mediation, good offices,
peacemaking, peacekeeping and peacebuilding
for the maintenance of international peace and
security as well as their key role in avoiding
the escalation of disputes into conflicts and in
advancing conflict resolution.
  38. Reaffirm further the important role of
women in the prevention and resolution of
conflicts and in peacebuilding, and stress the
importance of their equal participation and full
involvement in all efforts for the maintenance
and promotion of peace and security, and
the need to increase their role in decision-
making with regards to conflict prevention
and resolution;
  39. Reaffirm also our commitment to
promote and protect the rights and welfare
of children in armed conflicts. Welcome the
significant advances and innovations that
have been achieved over the past several
years. Welcome in particular the adoption of
Security Council resolution 2068 (2012) of 16
September of 2012 and previous Resolutions
on this matter;
  40. Share a common view that the

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	169




international community must be rigorous
and constant in its efforts to value, pursue and
exhaust all peaceful and diplomatic means
available in dealing with situations of conflict,
in line with the principles and purposes of the
Charter of the United Nations;
  41. Recall the 2005 UN Summit Outcome
Document and the responsibility of each
Member State to protect its population from
genocide, war crimes, ethnic cleansing and
crimes against humanity, and recognize the
helpful contribution by Brazil through the
concept of the Responsibility while Protecting
as an important complement to the concept of
the Responsibility to Protect and express our
willingness to engage in further dialog on this
relevant issue;
  42. Stress that special attention must be
given to the interdependence between security
and development, as they are mutually
supportive and key in achieving sustainable
peace. Underline that many conflicts have
a strong socioeconomic component, which
normally aggravates other conflict drivers.
Acknowledge the need to ensure that UN
activities designed to help countries build
peace, promote human rights and the rule
of law, reduce poverty, and build strong
democratic States are appropriately and
effectively integrated;
  43. Welcome the positive developments
underway in African countries, in particular
in those Member States of the Zone in post-
conflict situations and invite the international
community, including the United Nations,
regional	and	sub-regional	organizations
and international financial institutions, to
complement and strengthen the peacebuilding
and development efforts being made by the
governments of these countries;
  44. Express our willingness to contribute to
the enhancement of the existing mechanisms
and capacities of prevention and peaceful

resolution of conflicts within the Zone, as
well as support peacebuilding efforts in the
increasing number of countries emerging from
conflict in Africa, in particular Disarmament,
Demobilization and Reintegration (DDR)
and Security Sector Reform (SSR), including
through the United Nations Peacebuilding
Commission and theAfrican Union Framework
for Reconstruction and Development;
  45. Express support for the leadership of
the African Union Peace and Security Council
in its efforts to prevent and resolve conflicts in
Africa according to Chapter VIII of the Charter,
bearing in mind the primary responsibility
of the United Nations Security Council for
the maintenance of international peace and
security in accordance with the United Nations
Charter. In this regard, commend the progress
made in the resolution of conflicts in Africa
and call upon the international community
to continue to complement efforts aimed at
achieving lasting and durable solutions to
remaining armed conflicts;
  46. Express deep concern over the negative
role of the illegal exploitation of natural
resources in fuelling conflicts and note with
satisfaction the ongoing efforts in Africa, in
particular by Member States of the Zone,
for the implementation of a legal framework
aimed at tackling this practice and to this
effect, call upon the international community
to support this effort.
  47. Stress the importance of United
Nations Peacekeeping Operations, to which
some Member States of the Zone are major
contributors, and in this regard, recognize the
potential for cooperation to strengthen the
capacity of the Member States of the Zone to
participate in peacekeeping operations;
  48. Reaffirm also the need to support
current peace processes and United Nations
peacekeeping operations currently deployed
in Member Sates of the Zone. In this




170

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




regard, reiterate the need to further explore
cooperative mechanisms and opportunities in
the field of peacekeeping operations;
  49. Stress the importance of international
support on issues such as capacity building,
logistics,	information	exchange	and
cooperation among national peacekeeping
training schools and between these and and
Regional Peacekeeping Training Centers,
among others;
  50.	Express	support	for	the	full
implementation of the zero tolerance policy
regarding cases of crimes committed by
personnel deployed in the United Nations
field missions, particularly in cases of sexual
exploitation and abuse affecting women
and children, and welcome efforts being
undertaken by Member States of the Zone to
address such violations;
  51. Recognize the importance of the role
of regional and sub-regional peacekeeping
operations, such as the current African Union,
Economic Community of West African States
(ECOWAS), and the CentralAfrican Economic
and	Monetary	Community	(CEMAC)
operations, as a complement to the role of the
United Nations in this area in accordance with
Chapter VIII of the United Nations Charter
and the primary responsibility of the United
Nations Security Council in the maintenance
of international peace and security, and stress
the need to further develop this role through
capacity building and cooperation among the
Member States of the Zone;
  52. Further welcome the adoption by the
Security Council of resolution 2033 (2012)
regarding	cooperation	and	coordination
between the United Nations and regional
organizations,	in	particular	the African
Union, commend the African Union for the
establishment of a Standby force and stress
the need for the full implementation of the
2005 World Summit Outcome regarding a

10-year Plan for capacity building with the
African Union;
  53. Express the determination of Member
States of the Zone to prevent and eliminate
terrorism, in accordance with international
law, including the purposes and principles of
the Charter of the United Nations and relevant
international conventions and protocols, in
particular human rights law, refugee law and
international humanitarian law;
  54. Reaffirm the necessity of bringing to a
speedy and unconditional end colonialism in
all its forms and manifestations;
  55. View with concern the continuation of
situations that adversely affect the sovereignty
and territorial integrity of some Member
States of the Zone;
  56. Support efforts by Member States of
the Zone in promoting the principle of settling
disputes by peaceful means and in finding
negotiated solutions to territorial disputes
affecting Member States of the Zone;
  57. Call for the resumption of negotiations
between the Governments of the Argentine
Republic and the United Kingdom of Great
Britain and Northern Ireland in accordance
with General Assembly resolution 2065 (XX)
and other relevant resolutions of the United
Nations General Assembly on the Question
of the Malvinas Islands (Falkland) with a
view to finding as soon as possible a peaceful,
just and durable solution to the sovereignty
dispute;
  58. Reaffirm GA resolution 31/49 which
requires both parties in the sovereignty
dispute over the Malvinas Islands, South
Georgias Islands and South Sandwich Islands
and the maritime surrounding areas, to refrain
from taking decisions that would imply
introducing unilateral modifications in the
situation while the islands are going through
the process recommended by the General
Assembly resolutions. In this context, view




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	171




with concern the development of illegitimate
hydrocarbon exploration activities in the area
under dispute, as well as the reinforcement of
the military presence by the United Kingdom
of Great Britain and Northern Ireland in the
area, in violation of UNGA Resolution 31/49.
  Defense
  59. Welcome the participation of Defense
Ministers in the Ministerial Meeting of the
Zone and the engagement of officials of
the Ministries of Defense in the process
towards this meeting, which allows for new
opportunities of cooperation in the field of
defense;
  60. Decide to strengthen cooperation for
peaceful purposes in the field of defense;
  61. Recognize that the members of the
Zone share a common interest in reinforcing
the South Atlantic as a Zone of Peace and
Cooperation, free from nuclear weapons and
other weapons of mass destruction;
  62. Welcome the initiatives related to
Defense envisaged in the Montevideo Plan
of Action and express their commitment to
further intensify cooperation in the framework
of the Zone;
  63. Acknowledge that initiatives aim at
further increasing confidence among Member
States of the Zone in defense-related issues
and at strengthening defense cooperation
partnerships, so that the Zone reinforces its
presence in the South Atlantic region;
  64. Acknowledge further that initiatives
should include mechanisms for efficient
exchange of information among competent
authorities and relevant institutions, military
exercises, official visits, exchanges and other
defense capacity-building programs among
Member States of the Zone.
  Development, including Economic and
Financial Issues
  65. Affirm our commitment to finalizing
the Doha Development Round of trade

negotiations based on the existing mandates,
which place development issues at the centre
of the agenda, and on progress made to date;
  66. Express serious concern at the lack of
progress in the Doha Development Round of
the World Trade Organization negotiations and
reiterate the call for the necessary flexibility
and political will in order to break the current
impasse in the negotiations, and for a balanced,
ambitious, comprehensive and development
oriented outcome of the Doha Development
Agenda multilateral trade negotiations;
  67. Affirm our willingness to promote
increased trade and investment relations within
the Zone and remain committed to an open and
non-discriminatory, rules-based multilateral
trade system, recognizing its positive impact
in addressing the international financial crisis,
as well as to growth and development;
  68. Express deep concern with the present
global economic and financial crisis. In this
context, emphasize that austerity policies
alone will not solve these problems. They
must be accompanied by substantive policies
designed to foster economic growth and
social inclusion, including fiscal stimulus to
investment;
  69. Recognize the continuing need
to promote global growth that produces
sustainable benefits for reducing poverty;
  70. Reaffirms that there is an urgent need
to create an environment at the national and
international levels that is conducive to the
attainment of full and productive employment
and decent work for all as a foundation
for sustainable development and that an
environment that supports investment, growth
and entrepreneurship is essential to the creation
of new job opportunities, and also reaffirms
that opportunities for men and women to
obtain productive work in conditions of
freedom, equity, security and human dignity
are essential to ensuring the eradication of




172

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




hunger and poverty, the improvement of
economic and social well-being for all, the
achievement of sustained economic growth
and sustainable development of all nations and
a fully inclusive and equitable globalization;
  71. Calls upon donors and international
financial institutions to support developing
countries, in line with their national priorities
and strategies, in achieving their (social
and economic) development by, inter alia,
providing debt relief, concessionary aid and
grants to support national efforts to enhance
fiscal space, in particular that of the poorer and
the least developed countries and should not
impose onerous conditionalities that restrict
the policy space of national Governments;
  72. Call for the abolition of unfair trade
practices, in particular in agriculture, and
express their desire for a more just and fair
global trading system for the benefit and
welfare of the peoples of the Zone;
  73. Acknowledge the potential for trade
within the Zone, recognize the need to improve
lines of communication and transportation,
and express their intention to foster economic
and commercial exchanges as well as the
role of the private sector and civil society,
and agree to actively support all efforts to
intensify business cooperation as well as other
activities geared towards increasing trade,
investment and improve capital flows among
Member States of the Zone;
  74. Emphasize the clear need to intensify
and	diversify	connectivity	between	the
countries of the Zone, in terms of air and
maritime transport and reiterate that synergies
have to be identified in order to strengthen
cooperation, taking into account that the
economic enablement of air and maritime
connections will demand long term efforts.
To this end, encourage the consideration of
additional initiatives, in order to make the
connectivity between the two shores of the

South Atlantic economically viable;
  75. Emphasize that Member-States could
benefit from the exchange of experiences
in the area of seaport efficiency. To this
end encourage Zone members to intensify
dialogue on such policies, to disseminate good
practices and to share experiences gained in
implementing projects to improve efficiency
in the management and competitiveness of
seaports.
  76. Stress the need for the United Nations
to play a fundamental role in the promotion
of international cooperation for development
and the coherence, coordination and
implementation of internationally agreed
development goals, including the Millennium
Development Goals, and actions agreed upon
by the international community;
  77. Agree on the need to attach priority
to the fight against hunger and poverty and
emphasize the need for the international
community to fulfill previously agreed funding
to the UN Development Agenda with special
focus on the Millennium Development Goals,
as well as to promote innovative sources of
additional funding on a sustainable basis to
enable the fulfillment of the internationally
agreed development goals;
  78. Express concern that, despite important
progresses achieved by individual countries,
Africa as a continent is not on track to
achieve the goals of the United Nations
Millennium Declaration by 2015, and in this
regard emphasize that concerted efforts and
continued support are required to fulfill the
commitments and to address the special needs
of Africa;
  79. Emphasize the need for the international
community to fully implement the global
partnership for sustainable development in
order to operationalize and implement, at
all levels, the commitments in the outcomes
of the major United Nations conferences




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	173




and summits, including the United Nations
Conference on Sustainable Development
(Rio+20);
  80. Underline the need for exchange
of	information	on	successful	national
experiences, lessons learnt as well as for
technology transfer and facilitated access to
scientific knowledge in order to foster south-
south cooperation in, among others, the areas
of Clean Fuels and Environmentally Friendly
Energy/Biofuel, Agricultural and Livestock
Production, Human Resource Development,
HIV and AIDS, Malaria and Tuberculosis,
Biotechnology,	Education,	Infrastructure
Development, Communication Technology,
Marine Scientific Research and Fisheries
Control and Surveillance;
  81. Acknowledge the cultural linkages
between Africa and South America. In this
sense, encourage the enhancement of cultural
cooperation bearing in mind the significance
of the African Diaspora in South American
countries. Encourage also greater exchanges
among their respective civil society including
among	non-governmental	organizations
related to youth, women, sports, among others.
  82. Emphasize the role of regional and
sub-regional	integration	in	improving
international competitiveness of national
economies	and	contributing	to	their
development and recognize the importance
of coordination with regional and sub-
regional organizations within the space of
the Zone, such as MERCOSUR, the Union
of South American Nations (UNASUR), the
Community of Latin American and Caribbean
States (CELAC), the African Union (AU), the
Economic Community of West African States
(ECOWAS), the Southern Africa Development
Community	(SADC),	the	Economic
Community	of	Central	African	States
(ECCAS) and the Central African Economic
and Monetary Community (CEMAC). In

this regard, express the importance of the
Preferential Trade Agreement between the
Common Market of the South (MERCOSUR)
and the Southern African Customs Union
(SACU), signed on 15 December, 2008 in
Costa de Sauipe, Brazil, and 3 April, 2009,
in Maseru, Lesotho, to enhance economic
cooperation and trade between both regions;
  Sustainable Development and Climate
Change
  83. Affirm our commitment to a more
just, equitable and prosperous future. In this
regard, welcome the outcome document The
Future We Want of the UN Conference on
Sustainable Development hosted by Brazil
in June 2012 in Rio de Janeiro (Rio + 20).
Rio+20 was an important milestone in the
promotion of sustainable development from
which many processes have been launched. In
this context, stress the importance of ensuring
further commitment to the ongoing work
on the outcomes of Rio+20 during the 67th
Session of the UN General Assembly;
  84. Remain convinced that consensual
decisions achieved through multilateralism
are the best foundation for progress in the
collective endeavors to achieve sustainable
development. In this context, we believe that
poverty eradication must be at the center of
the debate on the future we want.
  85. We recognize that the definition of
Sustainable Development Goals - SDGs - will
contribute to give focus and direction to our
collective efforts; In this regard we stress the
importance of a successful process towards
the establishment of Sustainable Development
Goals (SDGs), that follows up on the process
launched in Rio+20, and to that end we reaffirm
our commitment to collectively work in the
context of the open the intergovernmental
working group to be constituted under the
United Nations General Assembly, aiming at
the establishment of these goals;




174

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  86. Agree that Rio+20 helped raise
awareness about the crucial importance of
sustainable development throughout civil
society and particularly among the youth.
We are certain it will have a lasting impact
not only on future discussions on sustainable
development, but also in the way individuals,
businesses and Governments understand and
act on economic, social and environmental
issues. Now future generations have a basis
to push forward the construction of the
sustainable world we envisaged in Rio;
  87. Reaffirm that climate change is one
of the greatest challenges of our time to
which developing countries are particularly
vulnerable, reiterate our call for urgent
global action and cooperation for an effective
international response to fight against the
negative effects of climate change and stress
the importance of the full implementation
of commitments under the Kyoto Protocol -
United Nations Framework Convention on
Climate Change (UNFCCC), on the basis of
equity and in accordance with the principle of
common but differentiated responsibilities;
  88. Also stress the importance of enhanced
ambition by Annex I Parties to the UNFCCC
under the second commitment period of the
Kyoto Protocol, while emphasizing that
adaptation to climate change represents an
immediate and urgent priority for developing
countries;
  89. Stress that South-South Cooperation
is based on solidarity and could be a useful
tool to be used by Member States to face
the challenges of development and promote
economic and social progress. In this sense,
emphasize	the	wide	opportunities	for
cooperation between Member States in the
exchange and strengthening of technical
capacities in areas yet identified and prioritized,
such as the mapping and exploration of the
Area in the framework of the International

Seabed Authority, environmental cooperation,
cooperation in the area of air and maritime
transportation, port security, inter alia;
  90. Underline the importance of enhancing
scientific and technical cooperation in the
prioritized areas of interest and call for the
consideration of further proposals for joint
actions;
  Oceans and Marine Resources
  91. Welcome the commitments on
oceans and seas taken at the United Nations
Conference on Sustainable Development
(Rio+20), in June 2012, at Rio de Janeiro,
expressed in the outcome document of the
Conference, The Future We Want;
  92. Further welcome the 30th anniversary
of the opening for signature of the United
Nations Convention on the Law of the Sea
(UNCLOS), on 10 December 1982 at Montego
Bay, Jamaica, and recognize the contribution
of the Convention to the strengthening of
peace, security, cooperation and friendly
relations among all nations in conformity
with the principles of justice and equal rights
and to the promotion of the economic and
social advancement of all peoples of the
world, in accordance with the purposes and
principles of the United Nations as set forth in
the Charter of the United Nations, recognize
the importance of UNCLOS to advancing
sustainable development and welcomes its
nearly universal acceptance;
  93. Recall the conclusions of the Third
Preparatory Workshop on the Zone of Peace
and Cooperation of the South Atlantic held in
Buenos Aires in 2007, devoted to the issues of
sustainable use of marine genetic resources
of areas beyond national jurisdiction and
measures to combat illegal, unreported
and unregulated (IUU) fishing, as well as
their support to the conservation of marine
mammals and their wish to cooperate on the
non-lethal use of cetaceans. In this regard,




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	175




support, in the scope of the International
Whaling Commission (IWC), the proposal to
establish the South Atlantic Whale Sanctuary;
  94. Emphasize that the development of
a legal regime to govern Genetic Marine
Resources	of	areas	beyond	national
jurisdiction must be based on the relevant
principles contained in the United Nations
Convention on the Law of the Sea,, recall the
Outcome Document of Rio+20, especially its
paragraph 162, and reaffirm our commitment
to address, on an urgent basis and in the
framework of the Ad Hoc Working Group
established by the General Assembly, the
issue of the conservation and sustainable
use of marine biological diversity of areas
beyond national jurisdiction, including by
taking a decision on the development of an
implementing agreement under the United
Nations Convention on the Law of the Sea
(UNCLOS) and to continue to coordinate
positions on the basis of the relevant
paragraphs of the Ministerial Declarations
of the Group of 77 and China adopted on 23
September 2011 and on 28 September 2012 .
In this regard, also encourage full involvement
of the International Seabed Authority;
  95. Acknowledge that the sustainable and
equitable use of Genetic Marine Resources
presents an opportunity for cooperation
among the Member States of the Zone and
recall the need for access to technology and
enhanced international cooperation to achieve
the sustainable and equitable use of those
resources;
  96. Agree on the importance of continuing
to coordinate positions regarding genetic
marine resources of areas beyond national
jurisdiction, including on the legal regime
applicable to them, access and benefit sharing
derived from the exploration and exploitation
of those resources which shall be carried
out for the benefit of mankind as a whole,

irrespective of the geographical location of
States, in particular developing ones, in light
of the mandate of the Ad Hoc Open-ended
Informal Working Group established under
the General Assembly to study issues relating
to the conservation and sustainable use of
marine biological diversity beyond areas of
national jurisdiction;
  97. In that sense, welcome the conservation
measures that coastal States are adopting
regarding their continental shelf to address
the impact of bottom fishing on vulnerable
marine ecosystems, as well as their efforts to
ensure compliance with those measures;
  98. Further recall the 1996 Decision of the
Zone on IUU fishing, adopted by the Fourth
Ministerial Meeting, and express great concern
over the continuation of such practices in the
jurisdictional waters of Member States of the
Zone, and note that institutional capacities to
deter, prevent and combat IUU fishing, as well
as illegal spillage and dumping of toxic waste,
should be strengthened, including through
cooperation, assistance and research;
  99. Recall the role ship crews play in
protecting the maritime community in
observing and reporting suspicious activities
onboard their vessels and surrounding areas and
welcome the adoption and continuing review,
by the International Maritime Organization
and the International Labour Organization, of
guidelines on fair treatment of seafarers and
encourage all States, including States in the
Zone, to put in place mechanisms protecting
the human rights of seafarers;
  100. Stress that one of the principal means
to combat IUU fishing is responsible Flag
and Port State measures consistent with
international law;
  101. Recall that States, in the Future We
Want, recognized the need for transparency
and accountability in fisheries management by
regional fisheries management organizations.




176

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




Recognize the efforts already made by those
regional fisheries management organizations
that	have	undertaken	independent
performance reviews, and call upon all
regional fisheries management organizations
to regularly undertake such reviews and make
the results publicly available. We encourage
implementation	of	the	recommendations
of such reviews and recommend that the
comprehensiveness of those reviews be
strengthened over time, as necessary.
  102. Stress the need for all Member
States of the Zone to maintain effective Flag
State controls, including through the Vessel
Monitoring System (VMS) and to prevent and
combat the issuance of flags of convenience;
  103. Express serious concern over subsidies
to the fishing industry, particularly by
developed countries, as they contribute to IUU
fishing, fishing overcapacity, and overfishing
in the coastal waters of Member States of
the Zone, and recall that, in The Future we
want, States reaffirmed their commitment
in the Johannesburg Plan of Implementation
to eliminate subsidies that contribute to
illegal, unreported and unregulated fishing
and overcapacity, taking into account the
importance of this sector to developing
countries, and we reiterate our commitment
to	conclude	multilateral	disciplines	on
fisheries subsidies that will give effect to the
mandates of the World Trade Organization
Doha Development Agenda and the Hong
Kong Ministerial Declaration to strengthen
disciplines on subsidies in the fisheries sector,
including through the prohibition of certain
forms of fisheries subsidies that contribute
to overcapacity and overfishing, recognizing
that appropriate and effective special and
differential treatment for developing and least
developed countries should be an integral
part of World Trade Organization fisheries
subsidies negotiations.
   
104. Call on Member States of the Zone
to develop programs to help them benefit
from increasing revenues from their fisheries
resources in order to combat IUU fishing in
jurisdictional waters, in particular in African
Members States of the Zone;
  105. Reaffirm the importance of
implementing the 1993 Food and Agriculture
Organization (FAO) Agreement to Promote
Compliance with International Conservation
and Management Measures by Fishing Vessels
in the High Seas as well as other FAO Plans of
Action and call upon those Member States of
the Zone who have not yet done so to consider
becoming parties to the aforementioned FAO
Agreement;
  106. Emphasize the need to strengthen the
national institutions and the capacity through
cooperation and joint research for the effective
administration of fishing resources and the
combat of illegal, unreported and unregulated
fishing;
  107. Recall the 1994 Declaration of the
Zone on the Marine Environment adopted
by the Third Ministerial Meeting and the
1996 Decision on the same issue adopted by
Fourth Ministerial Meeting and underscore
that pollution and toxic residues are a problem
that should be dealt with, including through
cooperation among the Member States of the
Zone;
  International crime
  108. Express concern at the threat that
piracy and armed robbery at sea in the Gulf
of Guinea pose to the international navigation,
maritime security and economic development
of States in the region, recognize the leadership
role that the States in the Zone should play
in this regard and the need for a regional
coordination of efforts to counter activities of
piracy and armed robbery at sea.
  109. Concerned with the damage being
done to economic development efforts




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	177




and destruction of essential infrastructure,
urge support for multilateral efforts on the
development of international legislation to
track the origin and sale of stolen crude oil
thereof.
  110. Urge international partners to assist
States and organizations of the region for the
enhancement of their capabilities to counter
piracy and armed robbery at sea in the Gulf
of Guinea, including their capacity to conduct
regional patrols, to establish and maintain joint
coordination centres and joint information-
sharing	centres,	and	for	the	effective
implementation of the regional strategy, once
adopted, as mandated in the UNSC resolutions
2018 (2011) and 2039 (2012).
  111. Express their concern regarding
the illicit traffic of drugs and psychotropic
substances as well as transnational organized
crime and agree that high priority must be
given to combating these problems, as they
represent a threat to the public security and
development of Member States and to the
well being of their peoples;
  112. Recognize that transnational organized
crime, human trafficking, particularly of
women and children, money laundering,
corruption, piracy, drug trafficking, illicit
trade in small arms and light weapons are
interrelated, and emphasize the need for
comprehensive	and	integrated	strategies
within the Zone to effectively combat these
scourges, and in this regard further emphasize
that the implementation of national policies
and strategies must be complemented by
regional	and	international	agreements,
including among the Member States of the
Zone;
  113. Recall the 1996 Decision of the
Zone on Drug Trafficking adopted by the
Fourth Ministerial Meeting and stress the
need for cooperation among origin, transit
and destination countries in combating illicit

arms and drugs, as well as in reinforcing
border security and control, taking into
account the principle of common and shared
responsibility;
  114. Reiterate the commitment in deepening
cooperation and articulation of Member States
joint actions facing world drug problem;
  115. Stress the importance in advancing
towards that objective in the framework of an
integral approach, considering the reduction
of supply and demand in a balanced manner,
under the principle of common and shared
responsibility, the respect of human rights and
international law;
  116. Urge States that have not done so
to become parties to the United Nations
Convention against Transnational Organized
Crime and its three supplementary protocols.
  Final provisions
  117. Republic for their valuable work as
previous coordinators of the Zone from 1998
to 2007;
  118. Commend the Government of
Angola for its significant contribution to
the revitalization of the Zone, particularly
by generating the Luanda Initiative as a
roadmap for the preparatory process of the
Seventh Ministerial Meeting, comprising
workshops on issues of common interest held
in New York in March 2007, in Montevideo
in 2007, in Buenos Aires in May 2007, and in
Brasilia in December 2010;
  119. Express gratitude and appreciation to
the Government and the People of Express
gratitude to Brazil, Nigeria, South Africa
and the Argentine Uruguay for their warm
hospitality and generosity and the excellent
arrangements made for the holding of this
Meeting;
  120. Agree to hold its Ministerial Meeting
on a biennial basis;
  121. Also agree to establish a follow-up
mechanism under the joint leadership of the




178

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




current and former Chairs of the zones, as
well as the Chair of the subsequent Ministerial
Meeting;
  122. Further agree to convene annual
meetings of the Zone at the margins of the
General Debate of the United Nations General
Assembly (UNGA), to review progress
made and agree on further actions aimed
at promoting the objectives of the Zone,
including the annual submission of a UNGA
Resolutions on the initiative;
  123. Welcome with appreciation the offer
by the Government of Cape Verde to host the
Eight Ministerial Meeting of the Zone;
  124. Agree to adopt the annexed Plan
of Action and request the current Chair to
create the necessary conditions, including
institutional ones, for its implementation.
  Issued in Montevideo on January 16th 2013
   
      VII ENCONTRO MINISTERIAL DA
     ZONA DE PAZ E COOPERAÇÃO DO
ATLÂNTICO SUL - PLANO DE AÇÃO DE
                       MONTEVIDÉU
                            16/01/2013
                               
  (Versão em português será divulgada
oportunamente)

  We, the Ministers of the Zone of Peace and
Cooperation of the South Atlantic, hereinafter
referred to as the Zone, on the occasion
of its Seventh Ministerial Meeting, held in
Montevideo, Uruguay from 15 to 16 January
2013;
  Recalling the resolution 41/11 of the United
Nations General Assembly, that solemnly
declared the South Atlantic as a zone of peace
and cooperation, and called all States of the
zone to promote regional cooperation for social
and economic development, the protection of

the environment, the conservation of living
resources, as well as the peace and security of
the whole region;
  Having realized the need for follow-up on
the provisions of the Luanda Plan of Action,
adopted by the 6th Ministerial Meeting, held
in Luanda from 18 to 19 June 2007;
  Welcoming the conclusions and
recommendations of the Round Table, held in
Brasilia in December 6-7, 2010;
  Also welcoming the role of cooperation
agencies of Member States in organizing
national efforts aimed at enhancing
cooperation within the Zone;
  Highlighting South-South and triangular
cooperation as valuable tools to be used by the
Zone to address the challenges of development
and to promote economic and social progress;
  Having agreed to adopt the Montevideo
Plan of Action, commit ourselves to ensuring
its implementation as follows:
  I. Mapping and Exploration of the Seabed
  In order to encourage Member States of
the Zone to promote capacity building for
scientific research in evaluating the potential
of mineral resources in the seabed, as well as
the delimitation of continental shelf and the
assessment of its mineral resources, including
the identification of initiatives and programs
of cooperation within the Zone, agree to:
  1. Establishment of the outer limit of the
Continental Shelf. Exchange practices on the
application of Article 76 of UNCLOS, on the
establishment by a Coastal State of the outer
edge of the continental margin wherever the
margin extends beyond 200 nautical miles
from the baselines from which the breadth of
the territorial sea is measured;
  2. TheArea (seabed, ocean floors and subsoil
beyond the limits of national jurisdiction).
Intensify coordination at all levels within the
International Seabed Authority, with a view
to fully utilizing the opportunities it offers in




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	179




promoting the participation of scientists from
institutions in developing countries in marine
scientific research being undertaken in the
Area by international research organizations;
  2.1 Encourage the exchange of information
among Member States of the Zone on their
ongoing programs in this field, as well as on
their willingness to cooperate with their peers;
  II. Cooperation in the Environmental Area:
Protection and preservation of the marine
environment and marine living resources and
marine scientific
  Stressing the crucial role of healthy marine
ecosystems and sustainable fisheries for
food security and nutrition, as recalled in the
outcome document from the United Nations
Conference on Sustainable Development (Rio
de Janeiro, 20-22 June 2012) - The Future
We Want -, have agreed on the following
coordinated actions:
  1. Strengthen cooperative efforts to ensure
that measures taken with regard to the high
seas are compatible with the United Nations
Convention on the Law of the Sea.
  2. Study and address environmental factors
affecting	marine	ecosystems,	including
adverse impacts of climate change and ocean
acidification and coastal erosion;
  3. Cooperate towards the development of
capacity to participate in high-seas fisheries
through	the	exchange	of	experiences
and coordination in multilateral fora, as
appropriate;
  4. Strengthen cooperative efforts on marine
scientific research in accordance with Part
XIII of UNCLOS;
  5. Promote greater benefits for the countries
in the Zone from sustainable fisheries, through
the development of their own fisheries and
the improvement of market access for their
fisheries products;
  6. Cooperate with a view to enhance
capacities, particularly in the areas of science,

data collection and reporting, monitoring,
control and surveillance, port and flag State
control and fisheries conservation and
management;
  7. Exchange information on practices and
policies aimed at avoiding adverse impacts of
conservation and management measures on,
and ensuring access to fisheries by, subsistence,
small-scale and artisanal fisheries and women
fish workers, as well as indigenous peoples in
the context of the sustainable development of
the sector;
  8. Exchange practices with a view to
reducing by-catch and adopt management
measures in accordance with international law
for those species that are caught as by-catch
and then commercially traded;
  9. Enhance cooperation to deter and
eliminate IUU fishing, including in the
building of capacities to monitor, control and
survey fishing activities;
  10. Exchange best practices with respect
to the conservation and sustainable use of
marine biodiversity, taking into account that
marine protected areas in areas under national
jurisdiction constitute an important tool for
the sustainability of living marine resources;
  11. Enhance coordination within the
relevant processes under the United Nations
General Assembly on biodiversity in areas
beyond national jurisdiction, such as the Ad-
Hoc Working Group on marine biodiversity
of areas beyond national jurisdiction and
the regular process for global reporting
and assessment of the state of the marine
environment, including socio-economic
aspects, including by taking a decision on the
development of an implementing agreement
under the UN Convention on the Law of the
Sea;
  III. Cooperation in the area of air and
maritime transportation and Port security
  Also agree to:

   
   

180

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  1. Enhance and diversify connectivity
among Member States of the Zone, both in
terms of air and maritime transportation;
  2. Identify synergies for further cooperation;
  3. Identify measures to expand the scope of
the application of the freedoms of the air, with
a view to rendering connectivity between the
two shores of the South Atlantic financially
and economically viable;
  4. Exchange experiences on the need for
enhanced efficiency of ports, including the
identification of possible solutions to silting;
  IV. Cooperation on maritime safety and
security
  Also Agree to:
  1. Enhance cooperation among Member
States of the Zone on monitoring, control
and surveillance of vessels, with a view
to combating illicit activities, as well as
transnational organized crime at sea in
the South Atlantic, including through the
exchange of data and training in the operation
of the Long Range Identification and Tracking
of Ships.
  2. Enhance cooperation on search and
rescue capabilities.
  V. Cooperation in the area of Defense
  Also agree to:
  1. Increase interaction among their armed
forces;
  2. Exchange information on policy issues
(for example, White Papers on defense,
national strategies and doctrines);
  3. Consider ways and means to reinforce
their naval and airborne capacities;
  4. Promote joint military exercises in the
South Atlantic among Member States of the
Zone;
  5. Establish a Working Group on U.N.
peacekeeping operations to further explore
opportunities for cooperation among the
Member States of the Zone.
  VI.	Public	security	and	combating

transnational organized crime
  Also agree to:
  1. Cooperate in combating transnational
organized crime in the Zone, as well as
cybercrime, including exchange of experiences
and best practices against money laundering
and assets recovery;
  2. Promote cooperation among competent
authorities and relevant institutions at the
national level, including capacity building
activities;
  3. Promote police and judicial cooperation
among Member States of the Zone;
  4. Explore cooperation initiatives that could
enhance the capacity to prosecute suspects
and eliminate sources of financing for illicit
activities;
  5. Exchange experiences in the training of
personnel responsible for security and law and
order within the Zone;
  6. Promote joint investigations and
simultaneous operations among Member
States of the Zone in order to combat organized
crime;
  7. Take into account in these efforts the
framework provided by the United Nations
Convention on Transnational Organized
Crime which is a fundamental building block
for international cooperation in combating
transnational organized crime;
  8. Promote cooperation and coordination
of joint actions among Member States of
the Zone to address the global problem of
drugs, through a comprehensive approach that
addresses the reduction of both supply and
demand.
  VII. Other areas for cooperation and
capacity building
  Also agree to:
  1. Explore opportunities for cooperation
in trade and investment facilitation and to
consider the establishment of a Working
Group for this purpose;




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	181




   2.	Exchange	information	and	share
cooperation opportunities among relevant
institutions of Member States of the Zone,
including triangular cooperation efforts;
  3. Consider instruments for enhanced
educational cooperation, including cultural,
scientific and technological agreements, with
the aim of offering nationals from Member
States opportunities to study in other countries
within the Zone;
  4. Promote, when appropriate, information
exchange between the Zone and other
cooperation	mechanisms	in	the	region,
including	the	Africa-South	America
Cooperation Forum, taking into account
the possibility of extending or replicating
initiatives undertaken by the Zone to other
sub-regions in the two continents, and of
developing projects complementary to those
executed by Member States to the extent
possible and whenever appropriate, bearing
in mind the different complexities, needs,
mandates and membership of the different
cooperation fora.
  5. Promote additional technical cooperation
and capacity building initiatives in areas
of common interest, such as planning and
management in the coastal and marine zone, and
oceanography in the tropical Atlantic region;
  6. To promote seminars and/or meetings
to allow exchange of information and
cooperation in all the thematic areas included
in this Plan of Action, such as mapping and
delimitation	of	continental	shelves	and
seabeds, security and surveillance of maritime
traffic, search and rescue (SAR) operation at
sea, and peacekeeping operations, as well as
south-south cooperation, maritime resources
and environmental cooperation.
  7. Deepen dialogue among Member States
of the Zone through the Permanent Missions
to the United Nations in New York or other
relevant fora on issues of the international

peace and security agenda, including
peacebuilding;
  8. Ensure that the Zone has the adequate
mechanisms to implement and follow-up its
decisions.
  Adopted in Montevideo on 15th January 2013.
   
                  SITUAÇÃO NA SÍRIA
                            16/01/2013
                               
  O Governo brasileiro recebeu, com
indignação, a notícia do ataque perpetrado
na Universidade de Alepo, que vitimou
fatalmente ao menos oitenta civis desarmados,
inclusive estudantes.
  Ao condenar veementemente esse ataque, o
Brasil se associa às manifestações do Secretário-
Geral das Nações Unidas e da Diretora-Geral
da Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
  O Brasil estende sua solidariedade a todos
aqueles afetados por esse ato hediondo e
reafirma ser fundamental que haja um processo
independente de investigação, de modo a
identificar e responsabilizar os culpados.
  A violência na Síria compromete o futuro
do país. O Governo brasileiro conclama
o Secretário-Geral das Nações Unidas, o
Conselho de Segurança das Nações Unidas
e toda a comunidade internacional a redobrar
seus esforços diplomáticos com vistas a por
fim à violência na Síria por meio de uma
solução respaldada pelo sistema multilateral,
como preconizado no Comunicado do Grupo
de Ação sobre a Síria, emitido em 2012.

       CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO
         EMBAIXADOR DO BRASIL NO
                        AZERBAIJÃO
                            18/01/2013

                               
                               

182

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  O Governo brasileiro tem a satisfação de
informar que o Governo da República do
Azerbaijão concedeu agrément a Santiago Luis
Bento Fernández Alcázar como Embaixador
Extraordinário e Plenipotenciário do Brasil.
De acordo com a Constituição Federal, essa
designação ainda deverá ser submetida à
apreciação do Senado Federal. Brasil e
Azerbaijão mantêm relações diplomáticas
desde 1993.

           CONCESSÃO DEAGRÉMENT À
EMBAIXADORADO BRASIL NACOLÔMBIA
                            18/01/2013
                               
  O Governo brasileiro tem a satisfação de
informar que o Governo da República da
Colômbia concedeu agrément a Maria Elisa
de Bittencourt Berenguer como Embaixadora
Extraordinária e Plenipotenciária do Brasil.
De acordo com a Constituição Federal, essa
designação ainda deverá ser submetida à
apreciação do Senado Federal. Brasil e
Colômbia mantêm relações diplomáticas
desde 1826.

      VISITA AO BRASIL DO MINISTRO
         DE ASSUNTOS EXTERIORES E
     COOPERAÇÃO DA REPÚBLICA DA
        GUINÉ EQUATORIAL, AGAPITO
   MBA MOKUY - BRASÍLIA, 23 E 24 DE
                     JANEIRO DE 2013
                            22/01/2013
                               
  O	Ministro	de Assuntos	Exteriores
e Cooperação da República da Guiné
Equatorial, Agapito Mba Mokuy, realizará
visita a Brasília em 23 e 24 de janeiro de
2013. No dia 23, manterá encontro com o
Ministro das Relações Exteriores, Antonio

de Aguiar Patriota. No dia 24, participará
da III Reunião de Altos Funcionários Sul-
Americanos da Cúpula América do Sul-
África (ASA). A Guiné Equatorial sediará,
em 22 de fevereiro próximo, a III Cúpula
de Chefes de Estado e de Governo da ASA.
  Os dois Chanceleres examinarão temas
prioritários da agenda bilateral, com ênfase
em projetos de cooperação nas áreas de
agricultura familiar e defesa. Tratarão,
igualmente, dos preparativos para a
realização da III Cúpula da ASA.
  No campo econômico, os Ministros
avaliarão os esforços para intensificar
intercâmbio comercial e investimentos, em
particular na área de infraestrutura.
  As relações comerciais bilaterais
intensificaram-se de forma significativa
nos últimos anos. Importador do petróleo
guinéu-equatoriano, o Brasil mantém
déficits com aquele país, porém com
tendência decrescente em razão da evolução
das exportações brasileiras: entre 2002
e 2012, as vendas brasileiras à Guiné
Equatorial cresceram de US$ 3,5 milhões
para US$ 90,5 milhões.

       CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO
         EMBAIXADOR DO BRASIL NA
                            HUNGRIA
                            22/01/2013
                               
  O Governo brasileiro tem a satisfação
de informar que o Governo da Hungria
concedeu agrément a Valter Pecly Moreira
como Embaixador Extraordinário e
Plenipotenciário do Brasil. De acordo com
a Constituição Federal, essa designação
ainda deverá ser submetida à apreciação do
Senado Federal.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	183




 VI CÚPULA BRASILUNIÃO EUROPEIA
    - BRASÍLIA, 24 DE JANEIRO DE 2013
                            23/01/2013
                               
  Os	Presidentes	tratarão	da	situação
econômica e financeira internacional, do
processo do G-20 e de temas birregionais,
inclusive o andamento das negociações para
um Acordo de Associação MERCOSUL
União Europeia.
  Em 24 de janeiro será realizada, em
Brasília, a VI Cúpula BrasilUnião Europeia,
ocasião em que a Presidenta da República,
Dilma Rousseff, receberá o Presidente do
Conselho Europeu, Herman Van Rompuy,
e o Presidente da Comissão Europeia, José
Manuel Durão Barroso.
  Os	Presidentes	tratarão	da	situação
econômica e financeira internacional, do
processo do G-20 e de temas birregionais,
inclusive o andamento das negociações para
um Acordo de Associação MERCOSUL
União Europeia.
  Serão avaliados, também, os avanços
obtidos no âmbito da Parceria Estratégica
BrasilUnião Europeia, estabelecida em 2007.
Os Presidentes examinarão as iniciativas para
aprofundar a cooperação bilateral em áreas
como educação, ciência, tecnologia, inovação
e direitos humanos. Os países-membros da
União Europeia são importantes parceiros
para o Ciência sem Fronteiras  dos quase
18 mil bolsistas do programa, mais de 11 mil
estudam em instituições europeias.
  Os Presidentes do Brasil, do Conselho
Europeu e da Comissão Europeia trocarão
impressões sobre questões de paz e segurança
internacionais, como a situação no Oriente
Médio e no Norte da África, na África Ocidental
e sobre desarmamento e não-proliferação. A
agenda da reunião inclui, também, temas de
desenvolvimento sustentável, mudança do
clima e energia.
   
Tomada em conjunto, a União Europeia é
o principal parceiro comercial do Brasil, ao
passo que o Brasil é o nono maior parceiro
comercial do bloco. Em 2012, a corrente de
comércio bilateral atingiu US$ 96,6 bilhões.
Os países-membros da União Europeia
investiram cerca de US$ 36 bilhões no
País em 2011. O Brasil já é o quinto maior
investidor direto na União Europeia, com
estoque acumulado, em 2010, de cerca de
US$ 80 bilhões. À margem da Cúpula, será
realizado o VI Encontro Empresarial Brasil
União Europeia.

       CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO
 EMBAIXADOR DO BRASIL NA TUNÍSIA
                            23/01/2013
                               
  O Governo brasileiro tem a satisfação de
informar que o Governo da República da
Tunísia concedeu agrément a Julio Glinternick
Bitelli como Embaixador Extraordinário e
Plenipotenciário do Brasil. De acordo com a
Constituição Federal, essa designação ainda
deverá ser submetida à apreciação do Senado
Federal.

 DECLARAÇÃO CONJUNTA APROVADA
POR OCASIÃO DA VI CÚPULA BRASIL
   UNIÃO EUROPEIA - BRASÍLIA, 24 DE
                     JANEIRO DE 2013
                            24/01/2013
  A VI Cúpula Brasil-União Europeia foi
realizada em 24 de janeiro de 2013, em
Brasília. A República Federativa do Brasil
foi representada por sua Presidenta, Dilma
Rousseff, que se fez acompanhar do Ministro
das Relações Exteriores, Embaixador
Antonio de Aguiar Patriota, do Ministro da
Fazenda, Guido Mantega, do Ministro da




184

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




Educação, Aloizio Mercadante, do Ministro
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior, Fernando Pimentel, do Ministro
da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco
Antonio	Raupp,	da	Ministra	do	Meio
Ambiente, Izabella Teixeira, do Ministro-
Chefe da Secretaria de Aviação Civil, Wagner
Bittencourt, e do Vice-Ministro da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento, José Carlos Vaz. A
União Europeia (EU) foi representada pelo
Presidente do Conselho Europeu, Herman
Van Rompuy, e pelo Presidente da Comissão
Europeia, José Manuel Durão Barroso.
  A VI Cúpula Brasil-União Europeia foi
realizada em 24 de janeiro de 2013, em
Brasília. A República Federativa do Brasil
foi representada por sua Presidenta, Dilma
Rousseff, que se fez acompanhar do Ministro
das	Relações	Exteriores,	Embaixador
Antonio de Aguiar Patriota, do Ministro da
Fazenda, Guido Mantega, do Ministro da
Educação, Aloizio Mercadante, do Ministro
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior, Fernando Pimentel, do Ministro
da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco
Antonio	Raupp,	da	Ministra	do	Meio
Ambiente, Izabella Teixeira, do Ministro-
Chefe da Secretaria de Aviação Civil, Wagner
Bittencourt, e do Vice-Ministro da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento, José Carlos Vaz. A
União Europeia (EU) foi representada pelo
Presidente do Conselho Europeu, Herman
Van Rompuy, e pelo Presidente da Comissão
Europeia, José Manuel Durão Barroso.
  2. Os valores e princípios compartilhados,
nos quais se apoia a Parceria Estratégica
Brasil-EU, viram-se mais uma vez refletida
no firme compromisso dos líderes com os
princípios da democracia e do Estado de
Direito, o respeito aos direitos humanos e
liberdades fundamentais, a promoção do
desenvolvimento sustentável com inclusão
social e a defesa da paz e segurança

internacionais. As partes concordaram em
estreitar ainda mais o diálogo político bilateral,
de modo a promover a convergência de
pontos de vista sobre temas da agenda global
e favoreceram a aproximação de posições nos
foros internacionais. Reiteraram a importância
de um sistema multilateral forte e eficaz, no
qual o enfrentamento dos múltiplos desafios
mundiais esteja fundamentado no direito
internacional.
  3. Os líderes destacaram o constante
fortalecimento dos vínculos entre o Brasil
e a UE e saudaram o progresso da Parceria
Estratégica e os avanços na implementação
do Plano de Ação Conjunta 2012-2014.
Expressaram, ainda, satisfação com o
desenvolvimento dos Diálogos Setoriais
bilaterais, que envolvem iniciativas em mais
de 30 áreas distintas.
  4. Registraram, com satisfação, os
números expressivos dos fluxos de comércio
e de investimentos bilaterais. Nesse contexto,
congratularam-se pela manutenção da posição
da União Europeia como principal parceiro
comercial do Brasil e maior investidor no
País, bem como pela expansão continuada
dos investimentos brasileiros na UE,
transformando o Brasil no quinto maior
investidor no bloco. Os líderes ressaltaram,
de um lado, o crescente interesse de empresas
europeias em estabelecer ou ampliar presença
no Brasil  por meio, inclusive, de parcerias
público-privadas  e, de outro, a crescente
competitividade das empresas brasileiras no
mercado europeu.
  5. Destacaram a importância de reforçar
ainda mais os contatos entre as respectivas
comunidades de negócios, com vistas a
promover o comércio e os investimentos
bilaterais, assim como os intercâmbios em
inovação, pesquisa e desenvolvimento. Nesse
sentido, tomaram nota das recomendações do
VI Encontro Empresarial Brasil-EU, realizado




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	185




em Brasília, em 23 de janeiro de 2013, que
enfatizou a necessidade de apoiar micro,
pequenas e médias empresas.
  6. Ao intercambiarem impressões sobre
a situação de suas respectivas economias
e sobre os atuais desafios para a economia
mundial, saudaram o progresso substantivo
realizado pela zona do euro na implementação
da abrangente estratégia de resposta à
crise e as medidas anunciadas pela União
Europeia de aprofundamento da integração
econômica na região. Ademais, destacaram a
necessidade de esforços adicionais, por parte
de todos membros do G-20, na promoção do
crescimento e geração de empregos e para
a recuperação da demanda global, como
elementos essenciais para uma superação
duradoura da crise econômica internacional.
Com vistas a criar condições mais favoráveis
ao crescimento e à estabilidade da economia
global, concordaram com a necessidade de
prosseguir na reforma da arquitetura do sistema
financeiro internacional e de implementar a
agenda de regulação financeira internacional
de modo completo, consistente e duradouro.
  7. Os líderes reafirmaram seu compromisso
com a conclusão exitosa das negociações
da Rodada Doha da Organização Mundial
do Comércio. Como primeiro passo nesse
sentido, enfatizaram a importância de se
concluir de maneira exitosa a IX Conferência
Ministerial da OMC, em dezembro de 2013,
e concordaram com a necessidade de acelerar
as negociações em Genebra daquelas questões
que possam fazer parte de um acordo. Os líderes
coincidiram, também, quanto à importância
da Rodada e à adesão aos princípios contidos
na Agenda de Doha. Reafirmaram, ainda, seu
compromisso de resistir ao protecionismo e
abster-se de elevar barreiras ao comércio e
ao investimento, ou subsídios distorcivos ao
comércio.
  8. Os líderes saudaram a assinatura,

em junho de 2012, do Memorando de
Entendimento estabelecendo o diálogo em
agricultura e reconheceram a crescente
qualidade da cooperação nos campos sanitário
e fitossanitários e a necessidade de se atingir
resultados tangíveis e satisfatórios para ambos
os lados numa base previsível e científica
assegurando, ao mesmo tempo, a proteção dos
respectivos níveis de saúde humana, animal e
vegetal. Comprometeram-se a fortalecer as
relações nos campos sanitário e fitossanitário,
fazendo uso pleno dos instrumentos existentes,
como o Mecanismo de Consulta SPS.
  9. Os líderes expressaram satisfação com
os resultados da 18ª Conferência das Partes
da Convenção-Quadro das Nações Unidas
sobre Mudança do Clima e da 8ª Conferência
das Partes do Protocolo de Quioto, realizadas
em Doha, em novembro e dezembro de
2012. Reiteraram os compromissos de
ambas as partes para um ambicioso esforço
internacional, que respeite todos os princípios
da Convenção, com vistas a reduzir as
emissões de gases de efeito estufa. Os Líderes
reafirmaram o compromisso do Brasil e
da União Europeia para a negociação de
um protocolo, um outro instrumento legal
internacional, ou um resultado acordado
com força legal sob a Convenção, aplicável
a todas as Partes, a ser acordado em 2015 e
implementado a partir de 2020.
  10. Enfatizaram a redução significativa
e consistente das taxas de desflorestamento
do bioma Amazônico alcançada pelo Brasil.
Expressaram o apoio ao aprofundamento da
cooperação técnica Brasil-UE com vistas
a reproduzir e ampliar esses resultados em
outros biomas e outros países que estão
agora almejando o mesmo no contexto dos
objetivos da Convenção-Quadro das Nações
Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC)
e da Convenção das Nações Unidas sobre
Diversidade Biológica (CDB).




186

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  11.	Com	respeito	à	biodiversidade,
destacaram a importância de Brasil e UE
continuarem a trabalhar bilateralmente e
dentro da Convenção das Nações Unidas
sobre Diversidade Biológica (CDB), de
modo a implementar o Plano Estratégico
de	Biodiversidade	2011-2020,	assim
como alcançar as ambiciosas Metas Aichi,
acordadas em 2010, que incluem a entrada
em ação do Protocolo de Nagóia sobre
Acesso e Compartilhamento de Benefícios.
Sublinharam, ainda, a importância de uma
maior cooperação internacional para assegurar
uma implementação bem sucedida de todas
as decisões tomadas no décimo-primeiro
encontro da Conferência das Partes (COP
11) da Convenção das Nações Unidas sobre
Diversidade Biológica (CDB).
  12. Reafirmaram sua satisfação com
a realização da Conferência das Nações
Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável
(Rio+20), no Rio de Janeiro, de 20 a 22 de
junho de 2012, e ressaltaram a importância
da implementação de seu documento final,
O Futuro que Queremos. Reiteraram que a
erradicação da pobreza representa o principal
desafio global da atualidade e que, ao lado
da mudança nos padrões insustentáveis de
consumo e produção, bem como da proteção
e manutenção da base de recursos naturais do
desenvolvimento econômico e social, constitui
o principal objetivo do desenvolvimento
sustentável e condição indispensável para sua
consecução. Comprometeram-se a trabalhar
em conjunto no processo de definição dos
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável,
que deve ser coerente com e integrado à agenda
de desenvolvimento das Nações Unidas pós-
2015, contribuindo, assim, para alcançar o
desenvolvimento sustentável. Reafirmando
o papel da Assembleia Geral das Nações
Unidas, os líderes invocaram a importância
de uma estrutura institucional fortalecida

para o desenvolvimento sustentável,
incluindo o fortalecimento do ECOSOC e do
Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente (PNUMA), e assegurando o pronto
estabelecimento do Foro Político de Alto Nível
para o Desenvolvimento Sustentável. Olhando
para o futuro, os Líderes concordaram em
trabalhar em conjunto de maneira construtiva
na revisão dos Objetivos de Desenvolvimento
do Milênio e em uma estrutura institucional
nas Nações Unidas para o desenvolvimento
pós-2015.
  13. Em matéria de energia, os líderes
enfatizaram a necessidade de promover a
garantia ao acesso universal a todas as formas
de energia. Concordaram, ainda, em fortalecer
a cooperação no âmbito multilateral.
  14. Os líderes saudaram o papel da energia
renovável na expansão do acesso à energia,
promovendo o desenvolvimento local de
uma maneira sustentável e ajudando a reduzir
a pobreza. Nesse sentido, destacaram a
importância do Brasil e da UE nos esforços
globais para promover fontes renováveis de
energia. As energias renováveis, assim como
a eficiência energética e os modelos de baixo
consumo de energia para o desenvolvimento
sustentável, devem ser desenvolvidas por
cada parte de acordo com suas capacidades e
necessidades.
  15. Em relação à necessidade de reduzir
emissões de gases de efeito estufa no
setor de transporte, os líderes reiteraram a
importância dos biocombustíveis como uma
alternativa viável aos combustíveis fósseis.
Reconheceram o potencial da produção e do
uso sustentável de bioenergia para gerar renda
e emprego e aumentar o acesso a energias
limpas, assim como para o desenvolvimento
da produção agrícola. Os líderes concordaram
em impulsionar a cooperação para promover
a produção e o uso sustentáveis da bioenergia.
  16. Com respeito às emissões do setor

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	187




de aviação, Brasil e UE destacaram seu
engajamento na busca de soluções multilaterais
consensuais consistentes com os princípios e
cláusulas da UNFCCC e da Organização da
Aviação Civil Internacional (OACI). Ambos
os lados confirmaram seu apoio ativo e
contínuo ao atual processo do Grupo de Alto
Nível na OACI.
  17. Ambas as partes compartilharam
visões sobre a conveniência do intercâmbio
de boas práticas com respeito à segurança
das instalações da exploração de petróleo
offshore.
  18. Os líderes saudaram os resultados
do IV Encontro sob o Diálogo Regular em
Políticas de Energia entre o Brasil e a UE.
Chamaram a atenção, em particular, para as
possibilidades de expansão da cooperação
bilateral em pesquisa e desenvolvimento de
energias renováveis e iniciativas conjuntas
em eficiência energética, assim como para o
estabelecimento de um acordo de equivalência
reconhecendo a compatibilidade da legislação
brasileira com os requisitos sustentáveis
europeus para biocombustíveis.
  19. No que se refere a paz e segurança
internacionais,	os	líderes	discutiram	os
desenvolvimentos no Norte da África e no
Oriente Médio. Expressaram séria preocupação
com a atual situação na Síria, inclusive em
relação à situação particularmente grave da
população síria, e ressaltaram a necessidade
da cessação imediata de toda violência,
de forma a que possa ter início processo
político liderado pelos sírios, com o apoio da
comunidade internacional. Concordaram que a
situação atual na Síria pode ter consequências
negativas imprevisíveis para a estabilidade
do Oriente Médio e para a paz e segurança
internacionais. Sublinharam a importância de
que a comunidade internacional estenda apoio
firme e efetivo aos esforços do Representante
Especial Conjunto da ONU e da Liga Árabe,

Lakhdar Brahimi, no sentido de encontrar
solução política para a crise, baseada nos
princípios contidos no Comunicado de
Genebra do Grupo de Ação sobre a Síria, de 30
de junho de 2012. Enfatizaram a importância
da intensificação de esforços pelo Conselho
de Segurança das Nações Unidas. Também
recordaram o papel do Conselho de Direitos
Humanos das Nações Unidas, inclusive de
sua Comissão Internacional Independente de
Inquérito, no apoio à avaliação da situação
dos direitos humanos naquele país, bem como
do Alto Comissariado das Nações Unidas para
os Refugiados.
  20. Sobre o processo de paz no Oriente
Médio, os líderes enfatizaram que passos
claros e concretos devem ser tomados em prol
da paz. Em seguimento à elevação do status
da Palestina na ONU a Estado Observador
Não-Membro, sublinharam a renovada
urgência de que partes se engajem de forma
construtiva em esforços de paz substanciais
e estruturados, e na retomada de negociações
diretas e substanciais com vistas a atingir
a solução de dois Estados. O Brasil e a UE
reiteraram o objetivo compartilhado de uma
solução abrangente para o conflito, que
conduza a dois Estados vivendo lado a lado
em paz e segurança e reconhecimento mútuo.
  21. O Brasil e a UE opõem-se, com
veemência, aos planos israelenses de expansão
dos assentamentos na Cisjordânia, inclusive
em Jerusalém Oriental, e, em particular, os
planos para desenvolver a área E1. Reiteraram
que os assentamentos são ilegais perante o
direito internacional, prejudicam a solução de
dois Estados e constituem obstáculos para a
paz.
  22. Os Líderes apelaram às partes para
que adotem passos no sentido da construção
da confiança mútua necessária a facilitar
o progresso em direção a uma solução
negociada.




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  23. O Brasil e a UE reafirmaram sua
determinação e compromisso na busca de
solução negociada para a questão nuclear
iraniana,	que	restauraria	a	confiança
internacional na natureza pacífica do programa
nuclear iraniano. Os Líderes reiteraram a
necessidade de cooperação entre o Irã e a
AIEA, de modo a resolver questões pendentes.
Expressaram apoio ao prosseguimento do
diálogo entre o Irã e o E3+3, liderado pela Alta
Representante da UE, com base no Tratado
de Não Proliferação de Armas Nucleares
(TNP), na Junta de Governadores da Agência
Internacional de Energia Atômica (AIEA)
e nas resoluções pertinentes do Conselho
de Segurança da ONU e nos princípios de
gradualismo e reciprocidade.
  24. Os líderes expressaram profunda
preocupação com a situação no Mali e
condenaram nos termos mais veementes os atos
de violência conduzidos por forças rebeldes
armadas, incluindo grupos terroristas, contra
as forças do Governo malinês. Saudaram os
esforços da comunidade internacional para
prover assistência humanitária imediata à
população civil na zona de conflito. Ademais,
convocaram todos os lados a envidar todos
os esforços para proteger a população civil e
respeitar o Direito Humanitário Internacional,
assim	como	o	Direito	Internacional
dos	Direitos	Humanos.	Registraram	a
necessidade de que o Conselho de Segurança
da ONU monitore e acompanhe de perto
a implementação de sua Resolução 2085
(2012). Também observaram que progresso
político no processo de transição é necessário
para assegurar estabilidade de longo prazo no
Mali e conclamaram as autoridades malinesas
a apresentar, com urgência, mapa do caminho
para o reestabelecimento da democracia e da
constitucionalidade no país.
  25. Compartilharam séria preocupação em
relação à presente crise institucional e política

na Guiné Bissau e às graves dificuldades
socioeconômicas sofridas por seus cidadãos.
Registraram os recentes passos na direção da
inclusão política no processo de transição,
lamentaram o progresso insuficiente na
resolução do atual quadro e ressaltaram a
necessidade de maiores e urgentes esforços
para garantir o retorno da ordem constitucional
no país. Os líderes saudaram o envio da missão
conjunta de avaliação da ONU-UA-CEDEAO-
CPLP-UE a Bissau e manifestaram confiança
em que seu relatório será passo importante
nos esforços dos parceiros internacionais para
ajudar a Guiné Bissau a realizar progressos
substanciais e céleres no sentido de que sejam
realizadas eleições presidenciais e legislativas
livres, justas e transparentes e de que sejam
reformados seus setores de Defesa e de
Segurança.
  26. Os líderes reafirmaram a necessidade
de promover os direitos humanos em todas as
suas dimensões. Concordaram em intensificar
o diálogo bilateral e, nesse contexto, continuar
reforçando o diálogo com a sociedade civil.
  27. Saudaram o progresso na implementação
do compromisso mútuo de fortalecer ainda
mais a cooperação no âmbito do Conselho
de Direitos Humanos da ONU. Saudaram,
em particular, a organização conjunta de
evento paralelo à 20ª Sessão do CDH sobre o
tema Defensores dos Direitos Humanos das
Mulheres.
  28. No que concerne aos esforços atuais
para intensificar a promoção e a proteção
dos direitos humanos, concordaram quanto
à necessidade de defender e promover a
moratória da pena de morte em todos os
fóruns multilaterais relevantes e sublinharam
outras áreas de particular interesse, tais como:
direitos civis e políticos para todos, liberdade
de expressão, não discriminação e liberdade
de religião ou crença, combate ao racismo
e à xenofobia, direitos das mulheres e das




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	189




crianças, igualdade de gêneros, direitos dos
povos indígenas, comunidade de lésbicas,
gays, bissexuais e transexuais (LGBT),
defensores dos direitos humanos, acesso à
alimentação e à educação, e combate à tortura.
  29. Determinados a aumentar a cooperação
entre o Brasil e a União Europeia, os
líderes decidiram estabelecer formalmente
diálogo de alto nível sobre temas ligados à
paz e à segurança internacionais, inclusive
manutenção da paz e construção da paz. Esse
diálogo assumirá o formato de consultas anuais
entre altos funcionários a serem designados
pelas partes e será mantido em local e datas
mutuamente acordados.
  30. O Brasil e a UE reafirmaram seu
compromisso de trabalhar em conjunto para
apoiar e fortalecer os tratados e acordos
multilaterais de desarmamento e de não-
proliferação e de implementar plenamente
suas obrigações internacionais. Os Líderes
concordaram	em	prosseguir	o	diálogo
sobre desarmamento e não proliferação,
inclusive em temas como o processo de
revisão do Tratado de Não Proliferação de
Armas Nucleares (TNP), a Conferência de
Desarmamento (CD), a entrada em vigor do
Tratado de Proibição Completa de Testes
Nucleares (CTBT), a Agência Internacional
de Energia Atômica (AIEA) e o Tratado sobre
Comércio de Armas (ATT).
  31. Também concordaram em discutir
outros temas da agenda internacional, como o
processo do Código de Conduta Internacional
para as Atividades no Espaço Exterior.
  32.	Cientes	da	importância	de	um
tratamento abrangente do problema global
das drogas, no âmbito do princípio da
responsabilidade comum e compartilhada,
e levando em consideração as dimensões da
prevenção do uso de substâncias ilícitas, do
desenvolvimento social e da promoção e
proteção dos direitos humanos, sublinharam a

importância da primeira reunião do Diálogo
Setorial Brasil-UE sobre Drogas em Bruxelas
em 2013. O Brasil e a UE continuarão,
também, a intensificar o diálogo sobre temas
de segurança pública, incluindo as questões
de corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico
de drogas e tráfico de pessoas, nos âmbitos
multilateral e bilateral.
  33. Ambos os lados manifestaram interesse
no trabalho conjunto com vistas a fortalecer
a eficácia da cooperação internacional
para o desenvolvimento, e enfatizaram a
importância do Fórum de Cooperação para o
Desenvolvimento do ECOSOC e do Fórum de
Alto Nível sobre Eficácia da Ajuda em Busan,
Coreia do Sul (novembro e dezembro de
2011). Ambos os lados apoiarão a comunidade
internacional na promoção de parceria global
para o desenvolvimento.
  34. Com relação à cooperação humanitária,
reiteraram o compromisso do Brasil e da
UE de engajarem-se em ajuda humanitária,
particularmente por meio de agências
multilaterais.
  35. Sobre o Acordo de Associação
Birregional MERCOSUL-UE, os líderes
examinaram o curso das negociações desde
seu relançamento em maio de 2010, à luz do
compromisso mútuo com vistas a alcançar
resultado ambicioso, abrangente e equilibrado.
Saudaram o progresso alcançando na parte
normativa, coincidindo que o continuado
avanço do processo negociador requer, neste
momento, a discussão do acesso preferencial
aos respectivos mercados, incluindo troca de
ofertas de acesso a mercados. Nesse sentido,
apoiaram a realização de diálogo adicional
sobre as negociações entre o MERCOSUL
e a UE em 26 de janeiro de 2013, à margem
da Cúpula CELAC-UE, a realizar-se em
Santiago do Chile, com o objetivo de discutir
as diretrizes para a próxima etapa das
negociações.




190

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  36. Ainda na esfera birregional, os líderes
manifestaram seu apoio à realização exitosa da
I Cúpula CELAC-UE, em 26 e 27 de janeiro
de 2013, em Santiago do Chile. Concordaram
quanto	à	importância	de	promover	e
implementar as dimensões social e ambiental
dos investimentos birregionais e também
reconheceram a necessidade de intensificação
do diálogo entre a CELAC e a UE no atual
contexto de crise econômica.
  37.	Os	líderes	reafirmaram	seu
compromisso com a promoção do diálogo
bilateral em ciência, tecnologia e inovação
(CT&I) e saudaram a renovação, em agosto de
2012, do Acordo de Cooperação Científica e
Tecnológica entre o Brasil e a União Europeia
por mais cinco anos. Além disso, saudaram
a assinatura de Acordo de Cooperação
entre o Ministério da Ciência, Tecnologia
e Inovação (MCTI) e o Centro Conjunto de
Pesquisa (JRC) da Comissão Europeia para
atividades científicas e cooperativas em
campos de interesse comum, em seguimento
à Carta de Intenções assinada por ocasião da
V Cúpula Brasil-UE, em outubro de 2011.
Em particular, o Acordo de Cooperação
confirma o engajamento do MCTI e do JRC
em atividades de treinamento e de cooperação
no contexto do Programa de mobilidade
brasileiro	Ciência	sem	Fronteiras,	na
sequência de cooperação exitosa prévia na
área de prevenção e mitigação de desastres
relacionada à criação do CEMADEN (Centro
Nacional de Monitoramento e Alertas de
Desastres Naturais).
  38. Saudaram, ademais, os resultados
da V Reunião do Comitê Diretivo de
Cooperação Científica e Tecnológica (CDC)
(Brasília, 21 e 22 de novembro de 2011), que
contou com ampla participação de agências
governamentais e instituições de pesquisa
e desenvolvimento (P&D) brasileiras, bem
como da Comissão Europeia. Concordaram

que a VI Reunião do CDC em meados de 2013,
em Bruxelas, deverá constituir oportunidade
para intensificar e orientar, com enfoque mais
estratégico, a cooperação bilateral em CT&I, e
também identificar os instrumentos financeiros
mais adequados em ambos os lados. Será
conferida atenção, inter alia, à participação
do Brasil no programa Horizonte 2020 e
da UE e seus Estados-membros, no Programa
Ciência sem Fronteiras.
  39. Congratularam-se, também, pela
recente conclusão da tramitação legislativa
no Brasil do Acordo de Cooperação entre o
Brasil e a Comunidade Europeia de Energia
Atômica (EURATOM) no campo da pesquisa
da energia de fusão.
  40. Saudaram os resultados da V Reunião
do Diálogo Brasil-União Europeia sobre
Sociedade da Informação, realizada em
Bruxelas, em 21 e 22 de novembro de
2012. Ressaltaram, em particular, o avanço
da cooperação bilateral em pesquisa e
desenvolvimento e governança da internet,
bem como a troca de experiências em áreas
como regulação das telecomunicações
e desenvolvimento de banda larga.
Reafirmaram o interesse mútuo em aumentar
e aprofundar a cooperação no campo da
tecnologia da informação e da comunicação
com vistas a maximizar as oportunidades
trazidas, particularmente por intermédio do
fortalecimento do caráter aberto da internet
e da proteção da liberdade de expressão on
line.
  41. Os líderes revisaram a situação do
Acordo Abrangente sobre Transporte Aéreo e
confirmaram seu compromisso em assiná-lo
tão logo possível, em vista dos significativos
benefícios econômicos que gerará para ambas
as partes.
  42. Enfatizando a importância da educação
e da pesquisa como requisitos para um
desenvolvimento econômico sustentável e




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	191




justo, os Líderes saudaram o importante papel
que os Estados-membros da União Europeia e a
Comissão Europeia cumprem como parceiros
do Programa Ciência sem Fronteiras no
Brasil. Concordaram em consolidar a parceria
Brasil-UE	em	educação,	especialmente
por meio do fortalecimento e da expansão
das plataformas de mobilidade acadêmica.
Também manifestaram satisfação com as
ações tomadas no âmbito dos Programas
Erasmus Mundus e Marie Curie, da UE.
  43. Os Líderes notaram a importância de
continuar a envolver a sociedade civil no
diálogo bilateral. Saudaram os resultados
da VI Reunião da Mesa Redonda Brasil-
UE da Sociedade Civil, entre o Conselho
Brasileiro de Desenvolvimento Econômico
e Social (CDES) e o Comitê Econômico e
Social Europeu (CESE), mantida no Rio de
Janeiro em 19 de junho de 2012, à margem
da Conferência Rio+20, bem como da VII
Reunião, que teve lugar em Bruxelas, em 22 e
23 de janeiro de 2013.
  44. Saudaram, ademais, a decisão do
Tribunal Superior Eleitoral do Brasil (TSE)
e da Comissão Europeia de assinar a Carta
de Brasília, que estabelece ações futuras no
âmbito do projeto de cooperação trilateral
para apoio a processos eleitorais nos Países
Africanos de Língua Oficial Portuguesa
(PALOP) e no Timor Leste. Expressaram,
além disso, satisfação com a assinatura de
Memorando de Entendimento Administrativo
sobre Cooperação Técnica na Área de
Bem-Estar Animal entre o Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento do
Brasil (MAPA) e a Diretoria-Geral para Saúde
e Consumidores da Comissão Europeia,
assim como o financiamento adicional, pela
UE, de 5,5 milhões de euros para a nova fase
do Projeto de Apoio aos Diálogos Setoriais
Brasil-UE.
  45. Os Líderes enfatizaram a herança

cultural comum do Brasil e da UE e
reafirmaram seu compromisso com o
fortalecimento da cooperação cultural em
benefício de seus povos, no âmbito da
Declaração Conjunta sobre Cultura assinada
pelo Ministério da Cultura do Brasil (MinC)
e a Comissão Europeia em maio de 2009.
Manifestaram expectativa positiva no tocante
à continuidade das ações de cooperação ao
abrigo do Programa Conjunto sobre Cultura
2011-2014, assinado à margem da V Cúpula
Brasil-UE, em 2011.
  46. Finalmente, o Brasil e a UE saudaram
a entrada em vigor do acordo de isenção
de vistos de curta duração para portadores
de passaportes comuns, ocorrida em 1º de
outubro de 2012.

           VISITA DA PRESIDENTA DA
REPÚBLICA AO CHILE  SANTIAGO DO
        CHILE, 26 DE JANEIRO DE 2013
                            25/01/2013
                               
  A Presidenta Dilma Rousseff realizará visita
oficial a Santiago do Chile no próximo dia 26
de janeiro, ocasião em que manterá reunião com
seu homólogo chileno, Sebastián Piñera.
  Em encontro no Palácio de La Moneda, os
presidentes do Chile e do Brasil examinarão
temas das agendas bilateral, regional e
multilateral. Deverão ser assinados entre
ambos os países acordos no âmbito da
educação, da cooperação científica no
continente antártico e da cultura.
  As relações entre o Brasil e o Chile
se intensificaram na última década. O
intercâmbio comercial, que era de US$ 6,78
bilhões em 2006, atingiu US$ 9,98 bilhões em
2011, maior valor da série histórica. O Brasil
concentra o 2º maior estoque de investimentos
externos chilenos no mundo, com US$ 12
bilhões.




192

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




   I CÚPULA CELAC-UNIÃO EUROPEIA
      SANTIAGO DO CHILE, 26 E 27 DE
                     JANEIRO DE 2013
                            25/01/2013
                               
  A Presidenta Dilma Rousseff participará,
em Santiago, da I Cúpula CELAC  União
Europeia: Aliança para um desenvolvimento
sustentável: promovendo investimentos de
qualidade social e ambiental.
  A Presidenta Dilma Rousseff participará,
em Santiago, da I Cúpula da Comunidade
de Estados Latino-Americanos e Caribenhos
(CELAC)  União Europeia. Sob o tema
Aliançaparaumdesenvolvimentosustentável:
promovendo	investimentos	de	qualidade
social e ambiental, a Cúpula marcará uma
nova etapa do diálogo birregional, fortalecido
após a criação da CELAC, em 2011.
  A Cúpula adotará o Plano de Ação CELAC
 UE para o biênio 2013-2014. Paralelamente
à reunião de Chefes de Estado e de Governo
da CELAC e da União Europeia, estão
sendo realizados encontros de acadêmicos,
empresários e parlamentares de ambas as
regiões.
  O intercâmbio comercial entre os países
membros da CELAC e da UE, que era de US$
211,6 bilhões em 2007, atingiu US$ 278,1
bilhões em 2011  um crescimento de 31,5%.

       I CÚPULA DA COMUNIDADE DE
    ESTADOS LATINO-AMERICANOS E
 CARIBENHOS (CELAC) - SANTIAGO, 27
                          E 28/01/2013
                            27/01/2013
  Serão	examinados	os	procedimentos
institucionais para acelerar a integração
regional e aprovará um Plano de Ação para
2013. A reunião em Santiago marca ainda a

transferência da Presidência Pro Tempore do
Chile para Cuba.
  Será realizada, entre os dias 27 e 28 de
janeiro de 2013, em Santiago, a I Cúpula da
Comunidade de Estados Latino-Americanos e
Caribenhos (CELAC).
  As origens da CELAC remontam à
realização no Brasil, em 2008, da Cúpula da
América Latina e do Caribe sobre Integração
e Desenvolvimento (CALC), ocasião em que
os Chefes de Estado e de Governo de todos
os 33 países latino-americanos e caribenhos se
reuniram pela primeira vez. Em 2010, durante
a II Cúpula CALC, decidiu-se pela criação
da CELAC, que entrou em funcionamento
pleno com a aprovação de seu Estatuto de
Procedimentos, em 2011.
  A I Cúpula CELAC examinará os
procedimentos institucionais para acelerar
a integração regional e aprovará um Plano
de Ação para 2013. A reunião em Santiago
marcará ainda a transferência da Presidência
Pro Tempore do Chile para Cuba.
  A corrente de comércio entre o Brasil e os
países da América Latina e do Caribe cresceu
mais de 280% entre 2002, quando registrou
US$ 22,7 bilhões, e 2012, momento em que
atingiu US$ 87 bilhões. Se fosse um país, a
CELAC teria a terceira maior população do
globo, com 592 milhões de habitantes, e o
quarto PIB mundial, US$ 5,78 trilhões.

   I CÚPULA CELAC-UNIÃO EUROPEIA.
DECLARAÇÃO DE SANTIAGO E PLANO
        DE AÇÃO CELAC-UE 2013-2014
                            28/01/2013
                               
  (Versão em português será divulgada
oportunamente)

  SANTIAGO DECLARATION

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	193




   I. New CELAC-EU Dialogue
  1.We, the Heads of State and Government
of	the	Community	of	Latin American
and Caribbean States (CELAC) and the
European Union (EU), and the Presidents
of the European Council and the European
Commission, have convened in Santiago,
Chile, on 26 and 27 January 2013, to renew
and	deepen	our	Strategic	Partnership,
under the theme: Alliance for Sustainable
Development: Promoting Investments of
Social and Environmental Quality.
  2. For the first time, Latin America and the
Caribbean gather today for the bi-regional
dialogue at the highest level within the
framework of CELAC, the representative
mechanism of this region that shall promote
its interests and objectives on integration
and development. We welcome this regional
development, which demonstrates the political
will of CELAC Member States to move
forward together through the work carried out
by the CELAC troika.
  3. We recall previous EU-LAC Summits
that have served to strengthen the bi-regional
dialogue on issues of common interest and we
note CELACs will to uphold dialogue with
the EU, expressed in its decisions at its highest
levels. We are confident that this new approach
will result in an even more balanced, efficient,
constructive and symmetrical relation with
complementarity and solidarity between the
two regions. We reaffirm the importance of
relying on a socially constructive, inclusive and
diverse dialogue to achieve the commitments
outlined in this Declaration.
  II. Shared values and positions in the
international and multilateral arena
  4. We ratify the consensus reached in our
previous Summits which have reinforced our
positions in the international and multilateral
arena, and in this regard, we reaffirm our
commitment to multilateralism.
   
5. We reaffirm our commitment to all
the purposes and principles enshrined in
the Charter of the United Nations. We
reaffirm our decision to support all efforts
to uphold sovereign equality of all States, to
respect their territorial integrity and political
independence, to refrain in our international
relations from the threat or use of force in any
manner inconsistent with the purposes and
principles of the United Nations, to
  1uphold the resolution of disputes by
peaceful means and in conformity with the
principles of justice and international law.
  6. We firmly reject all coercive measures of
unilateral character with extraterritorial effect
that are contrary to international law and the
commonly accepted rules of free trade. We
agree that this type of practice poses a serious
threat to multilateralism. In this context,
and with reference to UNGA resolution A/
RES/67/4, we reaffirm our well-known
positions on the application of the extra-
territorial provisions of the Helms-Burton Act.
  7. We reaffirm our commitment to the
universality and indivisibility of human rights
as laid down in the Universal Declaration
of Human Rights. We reaffirm our resolve
to fulfil our obligations stemming from
international human rights covenants and
conventions which we have ratified, and
our commitment from declarations to which
we have subscribed, to continue improving
international cooperation as well as the
promotion and protection of human rights in
our countries. We underline the central role
of the United Nations and the contribution of
human rights bodies and organizations such
as the Human Rights Council and we commit
ourselves to continue collaborating in order to
strengthen them.
  8. We reiterate our strong condemnation of
terrorism in all its forms and manifestations,
committed by whomever, wherever and




194

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




for whatever purposes, and express our
determination to combat effectively terrorism
in all its forms and manifestations in accordance
with the Charter of the United Nations and
international	law,	including	international
human rights, refugee and humanitarian law.
  9. We reaffirm our commitment to fight
impunity, in particular for the most serious
crimes under international law, notably
those referred to in the Rome Statute of the
International Criminal Court (ICC). Their
prosecution should be ensured by taking
measures at the national or appropriate level
and by enhancing international cooperation.
We invite those countries which are not parties
to consider the possibility to ratify or accede,
as applicable, to the Rome Statute.
  10. We reaffirm our commitment to adopt
policies that promote trade and investment
between CELAC and EU countries, convinced
that this will contribute to ensuring sustainable
development and can foster economic growth
and the generation of employment, especially
youth employment, in both regions. These
policies should be based on cooperation and
complementarity, on solidarity and social
inclusion, on environmental responsibility
- taking into account the principle of
common but differentiated responsibilities
and respective capabilities -, on equity and
equal opportunities, on mutual benefits, and
considering, as appropriate, the different levels
of development and respective priorities of
CELAC and EU countries. In this regard, they
should aim at facilitating and deepening, as
appropriate, trade agreements, the integration
of productive chains, technology transfer,
and at promoting the participation of micro,
small and medium-sized enterprises as well
as local and indigenous actors in accordance
with national circumstances in bi-regional
trade. Reaffirming that trade and investment
promote economic growth, we recognise the

importance of stable and transparent regulatory
frameworks in both regions and of providing
legal certainty for economic operators. We
commit to maintain a supportive business
environment for investors, recognising
nonetheless the right of countries to regulate in
order to meet their national policy objectives
in accordance with their international
commitments and obligations. Likewise, it is
also vital that investors comply with national
and international law, in particular, inter
alia, on taxes, transparency, protection of the
environment, social security and labour.
   11. We reiterate our commitment to avoid
protectionism in all its forms. We remain
determined to favour an open and non-
discriminatory, rules-based multilateral trade
system and fully respect its disciplines, and
we recognise its contribution in promoting
the recovery from the economic crisis, and
in promoting growth and development in line
with the principle of special and differential
treatment for developing countries where
appropriate, as expressed in the 2010 Madrid
Summit. In this context, we agreed on the
importance of strengthening the multilateral
trading system by achieving an ambitious,
comprehensive and balanced conclusion of
the Doha Development Round.
  12. We also express our concern about the
present economic crisis and that recovery
remains very slow. In this regard, we reiterate
our commitment to continue working
together towards a new international financial
architecture, as agreed in the 2010 Madrid
Summit. This includes the reforms already
agreed. We also remain committed to the full,
timely and consistent implementation of the
international financial regulation agenda so
as to strengthen the resilience of the financial
system and reduce systemic risks which is
key for a comprehensive reform of the global
financial system.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	195




   13. We express our commitment to
achieve	sustainable	development	in	its
three dimensions: economic, social and
environmental,	in	an	integrated	and
balanced way. In this regard, we support all
initiatives which imply the strengthening of
cooperation, the transfer of knowledge and
the preservation and conservation of natural
and cultural heritage as well as the protection
of biodiversity. We also reaffirm the sovereign
right of States over their own natural resources
and their responsibility to preserve the
environment, in accordance with national and
international law and principles and in line
with the Declaration of the United Nations
Conference on Sustainable Development
(Rio+20), held in Rio de Janeiro, 20-22 June
2012.
  14. We welcome the outcome of Rio+20,
and the adoption of the document The
Future We Want as a further step towards
the achievement of sustainable development
in all its dimensions by all countries, while
underscoring that the eradication of poverty
is the greatest global challenge facing the
world today and an indispensable requirement
to achieve such development. Reaffirming
the role of the UN General Assembly, we
underscore the importance of a strengthened
institutional	framework	for	sustainable
development, including by strengthening
the ECOSOC and the UN Environment
Programme, and the prompt establishment of
the High Level Political Forum on Sustainable
Development. We agree to work together
in the achievement of the UN Development
Agenda beyond 2015 and to make efforts
toward the integration of the three dimensions
of sustainable development. In coherence
with and integrated in this Agenda, we
look forward to the implementation of the
Rio+20 mandate for the elaboration of a set
of Sustainable Development Goals (SDGs)

in the appropriate fora, the work coming
out of the Open Working Group on SDGs,
and the Intergovernmental Committee on a
Sustainable Development Financing Strategy.
We agree that the development of these goals
should not divert focus or effort from the
achievement of the Millennium Development
Goals.
  15. We reiterate our adherence to the United
Nations Framework Convention on Climate
Change (UNFCCC) and all its principles,
including CBDR-RC. We express our will to
adopt a protocol, another legal instrument or
an agreed outcome with legal force under the
UNFCCC by 2015 and for it to come into effect
and be implemented from 2020, applicable
to all parties and guided by the principles
of the UNFCCC, in line with the outcomes
of Cancun (2010), Durban (2011) and Doha
(2012), with a view to reducing greenhouse
gas emissions. In this regard, we welcome the
adoption and recognise the importance of the
implementation of the second commitment
period of the Kyoto Protocol and we encourage
increasing its level of ambition of reductions
of Green House Gas (GHG) emissions, in
accordance with the principles and provisions
of the UNFCCC and encourage Annex I
countries to the Convention that have not
done so to join the second commitment period
under the Kyoto Protocol.
  We welcome the Doha decision on a
concrete work plan of the Durban platform
and take note of the announcement of a high
level meeting on Climate Change in 2014. We
also stress the importance of addressing the
adaptation and mitigation needs of particularly
vulnerable developing countries, including the
small island developing states, as well as other
developing countries, through the provision
of more adequate and predictable financing,
as well as technology and capacity- building
support, in accordance with the UNFCCC.




196

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  16. We take note of the contributions of the
EUrocLIMA programme. The participants in
this programme welcome the extension into a
second phase, to which the Caribbean region
could be associated, in line with the recently
adopted EU-Caribbean Strategy.
  17. We agree that prioritising social
development,	health,	education,	and
promoting sustained and inclusive economic
growth, while ensuring an inclusive, fair and
equitable society and healthy conditions is
essential to achieve sustainable development.
In order to ensure peoples quality of life
and the environment in which they live, we
reiterate our commitment to work steadily
towards	eradicating	poverty,	fostering
equality, including gender equality, and social
inclusion, and to protect the most vulnerable
groups  including indigenous peoples and
their communities - by improving policies
and providing, among others, adequately
resourced	basic	health	services,	water
and sanitation, housing, education, public
transport and energy. We reiterate the right
of citizens to participate in the formulation,
implementation and monitoring of public
policies. We especially pledge to promote
social programmes for the protection of the
family, recognising its important role in
safeguarding cultural traditions and values.
  We also reiterate our commitment to
the current initiatives for the eradication
of hunger and poverty in line with the
Millennium Development Goals and to
enhancing food security and access to
adequate, safe and nutritious food for present
and future generations, in line with the Rio+20
declaration The Future We Want regarding
food security and nutrition and sustainable
agriculture.
  18.	The	universal	access	and	use
of	Information	and	Communication
Technologies (ICTs) play an essential role

regarding the importance of the participation
of citizens in the formulation, implementation
and monitoring of public policies. In this
regard, we call upon all States to remove
barriers and to bridge the digital divide, and
to promote and facilitate universal access to
ICTs. Furthermore, we recall resolution 20/8
The promotion, protection and enjoyment
of human rights on the Internet adopted by
consensus by the UN Human Rights Council.
  III. Progress in the bi-regional Strategic
Partnership process
  19. We recognise the progress achieved in
the implementation of our bi-regional Action
Plan and welcome its deepening through the
incorporation of new chapters on gender and
investment in the EU-CELAC Action Plan
2013  2014 adopted today here in Santiago.
We hereby agree to task our Senior Officials
when carrying out its review, to study possible
incorporation of additional chapters covering
areas of bi-regional interest, such as Higher
Education, Public Security, and Food Security
and Nutrition.
  20. In view of the contribution that
CELAC and the EU can make for peace in
the international arena, we agree to explore
together ways to foster cooperation for peace
and the peaceful settlement of disputes, as
well as the promotion of disarmament and
non-proliferation at the international level. In
this regard, we will cooperate for the success
of the 2015 NPT Review Conference.
  21. We express our support for the
conclusion of negotiations of a legally
binding Arms Trade Treaty, to be adopted on
the basis of resolution 67/234 of the UNGA
and fully consistent with the UN Charter,
while taking into account the inherent right
of all States to individual or collective self-
defence. Those negotiations will be concluded
through the convening of a final United
Nations Conference on the Arms Trade Treaty




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	197




from 18-28 March 2013. The Arms Trade
Treaty would contribute to preventing and
combating the illicit arms trade, and shall help
to reduce the human cost of a poorly regulated
international arms trade in conventional
weapons, including small arms, light weapons
and ammunition.
  22. We, CELAC and the EU, welcome the
progress achieved since the Madrid Summit
in the relations between individual CELAC
countries and sub-regions and the EU, in
particular as regards:
  -	The	signature	and	the	respective
ratification processes that will lead to the
imminent provisional application of the far-
reaching Free Trade Agreement between the
EU and Colombia and Peru;
  - The signature and respective ratification
processes that will lead to a provisional
application of the comprehensive EU-Central
America Association Agreement;
  - The support to the Central American
Regional	Security	Strategy	and	its
implementation;
  - The negotiation of the EU-Colombia and
Peru Cultural Cooperation Agreement;
  -	Continued	negotiations	for	the
establishment of an Association Agreement
between the EU and Mercosur;
  - The holding in November 2012 of a
meeting at the highest level between the
EU and Chile and the agreement in that
meeting to explore the options to modernise
the Association Agreement after 10 years of
Association;
  - The extension of the Strategic Partnership
Joint Executive Plan and the agreement to
explore the options for a comprehensive
update of the Economic Partnership, Political
Coordination and Cooperation Agreement
between the EU and Mexico.
  - The VI EU-Brazil Summit, held in Brasilia
on 24 January 2013, reflected the maturity of

the bilateral dialogue and the deepening of the
strategic partnership established in 2007.
  - The conclusion of negotiations on,
and adoption of, the Joint Caribbean-EU
Partnership Strategy and the establishment of
the Caribbean Investment Facility to support
investments in the Caribbean;
  -The conclusion of the national ratification
process of the Political Dialogue and
Cooperation CAN-EU Agreement and the
Joint Declaration approved in the XI meeting
of the High Level Specialized Dialogue on
Drugs CAN-EU, held in Quito on 30-31
October 2012.
  23. We take note of the pioneering role
played by the European and Latin American
Parliaments to support the bi-regional Strategic
Partnership, and also of the proposals of the
latest Euro-Latin American Parliamentary
Assembly (EuroLat).
  24. We also take note of the I CELAC-EU
Judicial Summit held in Santiago on 10 and 11
January 2013 with the aim of establishing a bi-
regional forum to discuss Shared Principles in
International Judicial Cooperation Matters,
enhancing dialogue and cooperation between
our countries judicial institutions.
  25. We recognise that our Strategic
Partnership is even more relevant in times
of financial and economic crisis and social
complexities when our peoples demand more
inclusive forms of participation to meet their
basic development needs and to achieve
sustainable development. We take note of the
conclusions of the preparatory CELAC-EU
fora, which provide valuable inputs to enhance
our Strategic Partnership, and we welcome the
Santiago Summit efforts to further facilitate
channels between governments and their
respective civil societies. We acknowledge the
importance of implementing Principle 10 of
the 1992 Rio Declaration at the Earth Summit,
and reiterate the importance of advancing




198

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




initiatives in this matter. We acknowledge
the meetings of the EU-CELAC Organised
Civil Society, Trade Unions and Civil Society
that took place in Santiago in 2012 for the
preparation of this Summit.
  26.	We	salute	the	establishment	in
Hamburg of the EU-LAC Foundation, which
in its transitional form as a foundation under
German law has started to serve as a useful tool
for strengthening our bi-regional partnership
and a means of triggering debate on common
strategies and actions as well as enhancing its
visibility. We also welcome the participation
of	ECLAC,	FUNGLODE,	Institut	des
Amériques and the Lombardy region as
strategic partners of the Foundation. We call
for the early conclusion of the negotiations
for an international constituent agreement to
upgrade the Foundation to an international
organisation of inter- governmental nature
subject to international public law.
  27. We recognise the need to strengthen
bi-regional cooperation and to improve the
coherenceandeffectivenessofourdevelopment
cooperation	policies,	including	the
achievement of the Millennium Development
Goals. We reiterate our commitment to pay
special attention to the vulnerabilities of least
developed countries, land-locked developing
countries and small island developing states.
In this regard, we recall the EUs commitment
to achieve its collective target of ODA/
GNI ratio of 0.7% by 2015, as stated in the
Monterrey Consensus and the Vienna and
Madrid Summit Declarations. We reaffirm
our commitment to continue cooperating with
middle income CELAC countries, taking into
account their different levels of development,
and to the dialogue to define and agree the
most appropriate form of cooperation for the
future.
   28. We stress the importance of triangular,
south-south	and	other	modalities	and

mechanisms of cooperation. We also stress
the importance of cooperation for capacity-
building and greater involvement of local
and indigenous communities as well as
corporations, higher education institutions and
research institutes for development initiatives
that support, among others, high quality
knowledge, entrepreneurship and innovation
in the pursuit of sustainable development.
Consistent with the agreements reached at this
Summit, we expect that the next cooperation
programming cycle (2014- 2020) will take
into account the priorities of CELAC States
and give preference to projects that address the
three dimensions of sustainable development.
We reaffirm the importance of regional
cooperation programs that support sustainable
development.
  29. We commend the advances in adopting
a Road Map for the implementation of the
Joint Initiative for Research and Innovation
to contribute to a new dynamism in building
the EU-CELAC Knowledge Area. We
welcome the common objectives and joint
activities identified by the relevant working
groups and encourage efforts for their prompt
implementation. In this context, we endorse
the commitment expressed by the November
2012 meeting of research and innovation
funding agencies of both regions to foster
joint mobilisation of different cooperation
instruments in flexible ways. We also recognise
the important contribution of higher education
programmes for academic cooperation and
international student, research and academic
staff mobility between our regions. We firmly
believe in the importance of investments in
the field of higher education, research and
innovation for promoting growth, employment
and sustainable development. In this context,
we take note of the I Academic Summit held
in Santiago on 22 and 23 January 2013.
Furthermore, we reiterate the importance




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	199




of improving direct regional broadband
interconnectivity, especially with a view to
facilitating academic and knowledge exchange
among research groups and institutions from
both regions.
  30. Recalling the commitments undertaken
by us at the Lima and Madrid Summits,
we support the continued strengthening of
the CELAC-EU Structured Dialogue on
Migration, including the identification of joint
actions on specific issues that aim to improve
bi- regional human mobility while ensuring
full respect and protection of the human
rights of migrant persons. Acknowledging
the changes in the migration flows between
our regions, we decide to study the migratory
routes between Latin America and the
Caribbean and the European Union and we
take note of the first Statistical Compendium
on CELAC-EU Migration as a valuable
source of information to formulate public
policies based on qualitative and quantitative
knowledge of bi-regional migration trends. In
this regard, we also take note of the recent EU
study on this matter. Furthermore, it is urgent to
address the growing population displacements
due to climate change and/or natural disasters
in	developing	countries,	particularly	in
Small Island Developing States and in States
with high mountain ecosystems as well as
other highly vulnerable States. We stress the
importance of integration and the fight against
racism, discrimination and xenophobia and
other related forms of intolerance.
  31. We are committed to work together
to better organise regular migration and to
address irregular migration. We are also
committed to prevent and fight the smuggling
of migrants and trafficking in human beings,
as well as to provide assistance to the victims.
  32. As regards social security systems in the
EU and CELAC, we express our willingness
to exchange experiences and best practices

and to explore possibilities for bi-regional
cooperation, including the establishment of
bilateral social security agreements between
individual CELAC countries and EU Member
States wishing to do so, respecting domestic
legislations and existing bilateral and/
or multilateral social security agreements
between CELAC-EU States, such as the
Ibero-American Social Security Convention.
  33. We ratify our unwavering resolve to
protect and foster the safety and health of
workers in both regions and commit to develop
a CELAC-EU Roadmap on Safety and Health
at Work, in line with the corresponding
principles embodied in the Conventions of the
International Labour Organization.
  34. We recognise that transnational
organised criminal activities may undermine
the legitimate economies and, in some cases,
threaten the stability and security of States,
weaken the rule of law, governance systems,
national economies and their development,
and human rights. In this regard, we vow
to continue implementing, as appropriate,
concrete actions, aimed at strengthening, inter
alia, law enforcement cooperation, mutual
legal assistance, trans-border intelligence
sharing, in order to dismantle criminal
organizations, all within the full respect of
human rights and international law.
  35. We agree to strengthen the CELAC-EU
Coordination and Cooperation Mechanism on
Drugs, and encourage the full implementation
of the Declaration issued at the XIV High Level
bi-regional Meeting. We are committed to a
continued dialogue and cooperation towards
establishing measurable goals to reduce the
impact of the world drug problem, including,
among others, strengthening of information
exchange mechanisms regarding supply and
demand reduction; continued dialogue and
measures related to alternative development,
including preventive alternative development




200

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




such as a global stamp for products stemming
from	alternative	development	programs
in accordance with WTO rules; strategies
to address prevention, early intervention,
treatment, rehabilitation, social reintegration
and the reduction of the negative health and
social consequences of drug abuse; capacity
building and other relevant cooperation in the
fields of law enforcement; and, as appropriate,
triangular and south-south cooperation. These
efforts must be based on a comprehensive
and balanced approach, to address both drug
demand and drug supply reduction, under the
principle of common and shared responsibility,
and respect for human rights and international
law.
  36. We welcome the convening, in early
2016, of a special session of the General
Assembly of the United Nations on the world
drug problem, as agreed in UNGA resolution
A/RES/67/193 to review the progress in the
implementation of the Political Declaration and
Plan of Action on International Cooperation
towards an Integrated and Balanced Strategy
to Counter the World Drug Problem, including
an assessment of the achievements and
challenges in countering the drug problem,
within the framework of the three international
drug control conventions and other relevant
United Nations instruments. In this regard,
we support possible responses for enhancing
the effectiveness of strategies and instruments
available for the international community to
face in an integral and balanced manner the
challenges and consequences posed by the
World Drug Problem under the principle
of common and shared responsibility. We
also commit to identify the most effective
strategies to combat the world drug problem
in all its dimensions. With this in mind,
initiatives and studies being developed in the
Latin American and the Caribbean region and
in the European Union, and the participation

of both regions in this process, may provide a
very valuable contribution to the regional and
global discussion on the World Drug Problem.
  37. We recognise that corruption may
undermine democratic institutions, affect
economic development and contribute to
governmental instability. We commit to
promote the fight against corruption, fraud
and non-ethical conducts, in particular bribery
of public officials in international business
transactions in our countries. At the same
time, we also recognise that the strengthening
of institutions contributes to the fight against
corruption. We also reaffirm our commitment
to the implementation of the United Nations
Convention against Corruption, to improve
cooperation mechanisms for asset recovery
and to promote adherence to Corporate Social
Responsibility principles.
  38. We welcome the creation of a bi-
regional dialogue on gender issues to be
launched by a dedicated high level meeting
and agree that the inclusion of this perspective
in the CELAC-EU partnership will strengthen
gender equality, democracy and foster fair
and egalitarian societies. We reaffirm the
need to increase womens empowerment by
strengthening their political participation and
leadership, economic autonomy and equal and
balanced participation in the labour force, and
we restate our strong commitment to eradicate
all forms of violence and discrimination
against women and gender-based killings
which are their most serious manifestation. We
support actions taken by States, international
organizations, and civil society to fight
this horrendous crime. We also express our
commitment to promote the recognition
of rural womens work and its important
contribution to sustainable development.
  IV. Alliance for Sustainable Development:
Promoting Investments of Social and
Environmental Quality




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	201




   39. We believe that the theme of this Summit
is a guide to achieving sustained economic
growth while protecting the environment
and promoting social equity and inclusion.
Investments, when they are aligned with the
law and take into account national development
strategies and policies, may play a key role in
nurturing development and in creating decent
and dignified work with social inclusion.
Investments should aim at providing positive
spill-over effects on other sectors, social and
environmental responsibility, and contribute
to the development of local communities and
indigenous peoples. Sustainable development
embodies the needs and complementarities
of both regions, and is a hallmark of our bi-
regional Strategic Partnership. Therefore, we
support productive investments that comply
fully with and integrate economic, social
and environmental dimensions of sustainable
development.
  40. We affirm that there are different
approaches,	visions,	models	and	tools
available to each country, in accordance with
its national circumstances and priorities, to
achieve sustainable development in its three
dimensions which is our overarching goal. In
this regard, we consider the green economy
in the context of sustainable development and
poverty eradication as one of the important
tools available for achieving sustainable
development, and that it could provide options
for policy-making but should not be a rigid set
of rules. We emphasize that it should contribute
to eradicating poverty, as well as sustained
economic growth, enhancing social inclusion,
improving	human	welfare	and	creating
opportunities for employment and decent
work for all, while maintaining the healthy
functioning of the Earth`s ecosystems1.
  1 The Plurinational State of Bolivia
formulates a reserve with respect to this
paragraph.
   
41. We acknowledge that achieving
sustainable development requires cooperation
to take advantage of the complementarities
of both regions. Hence, we endeavour to
promote increased and diversified bi-regional
investments of Social and Environmental
Quality in line with sustainable development
and with Corporate Social Responsibility,
providing stable conditions for the creation
of new enterprises. We support investments
that respect national and international law, are
productive, generate added value, promote
social inclusion, are environmentally sound
and in harmony with nature, stimulate
innovation, entrepreneurship, a greater
articulation with SMEs, technology transfer,
creation of better quality employment, human
capital formation and on-going training to
facilitate the transition to the labour market,
with particular attention to women, young
people, people with disabilities and other
vulnerable groups. Socially responsible
business practices including environmental
care create positive relations between
producers, workers and consumers, and for the
welfare of present and future generations, as
stated in the Rio + 20 Declaration The future
we want. We acknowledge and encourage
the active participation of the private sector in
Corporate Social Responsibility programmes.
Furthermore, we promote respect for
recognised international principles, good
practices and guidelines on Corporate Social
Responsibility, taking into account the special
needs of small and medium enterprises and
of developing countries, in particular for
capacity-building. To this end, we invite
Senior Officials to organize an EU-CELAC
Seminar.
  42. We recognise that planet Earth and its
ecosystems are our home and that Mother
Earth is a common expression in a number
of countries and regions and we note that




202

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




some countries recognise the rights of nature
in the context of the promotion of sustainable
development. We are convinced that in order
to achieve a just balance among the economic,
social and environmental needs of present and
future generations, it is necessary to promote
harmony with nature.
   43. We recognise that fundamental changes
in the way societies consume and produce are
indispensable for achieving global sustainable
development and underscore the importance
of strengthening scientific and technological
capacities to move towards more sustainable
patterns of consumption and production. In
this regard, we recall the adoption in Rio+20
of the 10-year Framework of Programmes
on Sustainable Consumption and Production
Patterns. Both regions will work together
to find common grounds for sustainable
development in areas such as national capacity
building, innovative solutions, transfer and
adaptation of state of the art environmentally
sound technologies in harmony with nature,
within the context of each countrys needs and
capabilities.
  44. We acknowledge the strategic role
of	energy	for	sustainable	development,
with an emphasis on energy exchanges,
increasing levels of energy supply, access,
with special regard to most vulnerable groups,
reliability, and quality. We support productive
investments that increase participation and
sustained growth of renewable energy sources
in national and regional energy grids, in
accordance with each countrys development
views and policies, needs, conditions and
resources, as well as investments that provide
technology transfer and improve energy
efficiency and energy savings.
  45. With the purpose of strengthening
the bi-regional Strategic Partnership and
recognising the duty of States to take all
appropriate measures to ensure the common

good of their societies, prioritising the
most vulnerable groups, we emphasise the
importance of working together to promote
investments that support sustainable and
sound use of natural resources, environmental
care, and economic and social development,
and to maintain a favourable investment
climate, with legal certainty and respect of
national and international law, taking into
account the principle of complementarity
based on common interests and similar
efforts developed at the multilateral level.
In this regard, we stress the importance of a
stable and transparent regulatory framework
that provides certainty to investors, while
recognising the sovereign right of States to
regulate. We encourage initiatives to outline
national, sub-regional or regional Action
Plans that favour micro, small and medium-
sized enterprises, taking into account their
central role in the economy and as a source
of innovation and jobs, Corporate Social
Responsibility and good practices in terms
of innovation and entrepreneurship, in line
with national law, policies and development
strategies. We welcome the CELAC-EU
Ministers of Economy Meeting of Puerto
Varas, Chile, and the Presidencys conclusions.
  46. We encourage strengthening the
Latin America Investment Facility, to
improve integration, energy and transport
infrastructures, energy efficiency, renewable
energy, sustainable communications networks,
and to promote sustainable development
through stronger social services and increased
support to SMEs. We support that the Facility
takes due account of the three dimensions of
sustainable development in its projects, and
we acknowledge its role as regards technology
and knowledge transfer. We also commend the
creation of the Caribbean Investment Facility
and encourage its speedy implementation.
  47. We agree to hold the next CELAC-EU

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	203




Summit in Brussels in 2015.
  48. We commend Chile for the organization
of this Summit, which enriched the bi- regional
agenda and was instrumental to achieve
substantial progress.
  CELAC-EU ACTION PLAN 2013-2014
  (Pontos	7	e	8,	complementares	ao
Comunicado Conjunto da Cúpula União
Europeia-Mercosul de 17 de maio de 2010 -
Nota 314/2010)
  7. Gender
  The main objective is to prioritise the gender
issue in the context of bi-regional relations and
underscore the political will in both regions to
guarantee gender equality and the protection,
exercise and promotion of womens rights,
including i) Political participation of women;
ii) Elimination of all forms of violence against
women and girls, including sexual violence;
and iii) Economic empowerment of women
and their participation in the world of work
and in all decision making processes.

  Work Programme:
  - Dialogue
  a. Create a bi-regional space for the
exchange of experiences and cooperation
on gender issues aimed at promoting gender
equality and womens empowerment in the
different fields of the CELAC-EU dialogue.
  *Cooperation activities and initiatives
  b. Promote the political and popular
participation of women in terms of equality.
  c. Promote actions to combat and eliminate
all forms of violence against women and girls,
through activities such as publishing gender
educational programmes and manuals and
standardizing protocols of investigation to
prosecute and punish the perpetrators, among
other actions.
  d. Continue close cooperation at the UN,
including for the forthcoming UN 57th
Commission of the Status of Women and in

the UN General Assembly.
  e. Promote the economic empowerment of
women and their participation in the economy
and paid labour markets, with social security
and conditions of fairness, as well as to
promote policies and laws to ensure equal pay
for equal work.
  f. Identify the state of play of the main
working topics in each region.
  g. Identify areas of exchange and
cooperation for the creation of synergies and
mutual learning to optimize existing practices
and lessons learned in the area of gender
mainstreaming in all public policies.
  h. Identify common areas to cooperate in
technical assistance, training and exchange of
experiences.
  * Expected results
  i. Establishment of an intergovernmental
bi-regional working group aimed at defining
shared objectives. The main working topics at
this first stage are:
  - Political participation of women.
  - Eliminate all forms of violence against
women and girls.
  - Economic empowerment of women and
their participation in the world of work.
  j. Bi-regional seminar for the exchange of
experiences on gender-based violence, to
  share best practices and the most effective
measures to prevent and combat it.
  k. Promote concrete measures for the
investigation of gender-based killing.
  l. Bi-regional seminar on Economic
empowerment of women and participation
in the world of work, for exchanging
experiences and best practices in the field of
education and training in ICT.
  m. Exchange of information, on a voluntary
basis, regarding the state of art on gender
policies, including equality and empowerment
of women by countries.
  n. Bi-regional seminar with State

   
   

204

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




representatives which may include experts
and womens organizations, to exchange
experiences on the achievements of peace,
conflict	resolution	and	participation	of
women in those processes, including the
implementation of relevant resolutions of
UN General Assembly in this regard, as well
as Resolution 1325. (Women - Peace and
Security).
  o. Agreed language, when possible, to be
used in common positions in international fora,
especially resolutions to be negotiated at the
UN General Assembly and the Commission
on the Status of Women.
  8. Investments and entrepreneurship for
sustainable development
  In line with the I CELACEU Santiago
Declaration, the main objectives in this area
are: i) to promote bi-regional investments of
social and environmental quality to achieve
sustained economic growth while promoting
social cohesion and inclusion and protecting
the environment. Such investments contribute,
among others, to increased trade flows, job
creation, technology transfer, stimulation
of innovation, fiscal revenues, support and
development of auxiliary industries; ii) to
promote entrepreneurship as a driving force
of economic and social development and;
iii) to facilitate the conditions that foster
entrepreneurship and innovation, remove
obstacles,	build	capacity	and	increase
competitiveness of micro, small and medium
enterprises (MSMEs) and new social actors of
the economy.

  Work Programme:
   *Dialogue
  a. Set up a dialogue at an appropriate level
to develop the main aspects of investments
and entrepreneurship between both regions
such as the CELAC-EU Ministers of Economy
Meeting, held in Puerto Varas, Chile.
   
- Cooperation activities and initiatives
  b. Encourage cooperation between
investment promotion agencies of each country
and the coordination of investment efforts to
share information on investment opportunities
in our countries and exchange effective public
policies in productive development.
  c. Promote open, stable, predictable
and transparent regulatory frameworks to
encourage investment and provide legal
certainty to investors and local stakeholders,
while recognizing the sovereign right of states
to regulate. Promote also compliance with
national and international law, in particular,
inter alia on taxes, transparency, the protection
of environment, social security and labour.
  d. Promote the implementation of the UN
Convention against Corruption and, within
this framework, consider participating in the
work of the International Anti-Corruption
Academy.
  e. Promote public policies facilitating
and expediting the creation and operation of
enterprises, as well as those improving their
conditions and access to financing, especially
in the case of MSMEs. In this regard, all
available financial instruments should be
mobilized, including but not limited to public
investment, investments facilities financed
by Official Development Aid (ODA), private
equity, venture capital,, micro-credits, risk
capital, business angels and guaranties.
  f. Strengthen the support of the financial
institutions and international organizations
in their evaluation processes of lending
to those investment projects which respect
internationally recognised social and
environmental criteria within the context of
sustainable development, taking into account,
where appropriate, the needs of the developing
countries.
  g. Promote entrepreneurship within higher,
technical and vocational education and




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	205




training systems in order to adapt the skills
and competences of students to the labour
market needs.
  h. Promote decent work inter alia
through the ILO programme for sustainable
enterprises.
  i. Include, when possible, the guidelines
and internationally recognized principles
of corporate social responsibility (CSR)
in the definition of policies and national
plans to promote good corporate behaviour,
such as encouraging the timely payment
to suppliers, particularly (MSME) by the
public and private sectors.
  j.	Promote	public	policies	which
encourage transparency on the part of
enterprises as regards social, environmental
and human rights matters.
  - Expected results
  k. Seminar of national promotion of
investment entities aimed at exchanging
experiences and promoting coordination of
investment efforts.
  l. Appointment in each country, as
appropriate, an official at the highest
possible	political	level	(Mr.	or	Ms.
MSMEs) to deal with the issues related
to MSMEs, exchanging best practices with
their counterparts from other countries.
  m. Holding, as appropriate, of a week for
the promotion of MSMEs in each country
simultaneously, an initiative that has already
been done successfully in countries of both
regions.
  n. Invite countries to consider submitting
a report of national action plans on CSR - if
applicable - at the next CELAC-EU Summit
of Heads of State and Government, in 2015.
  o.	Bi-regional	meeting	on	model
enterprises	applying	the	concept	of
corporate social responsibility as regards
social, environmental and human rights
matters.
   
REUNIÃO MINISTERIAL MERCOSUL-
     UNIÃO EUROPEIA. SANTIAGO DO
        CHILE, 26 DE JANEIRO DE 2013.
           COMUNICADO CONJUNTO.
                            28/01/2013
                               
  (Texto em português após a versão oficial,
em inglês)

  1. The Mercosur-European Union
Ministerial Meeting was held in Santiago,
Chile, on January 26, 2013. Mercosur was
represented by Mr. Luis Almagro, Minister of
External Relations of the Oriental Republic
of Uruguay and Pro Tempore President of
Mercosur; Mr. Eduardo Zuain, Vice Minister of
External Relations and Worship of Argentina;
Mr. Antonio de Aguiar Patriota, Minister of
External Relations of the Federative Republic
of Brazil; Mr. Elias Jaua of the Bolivarian
Republic of Venezuela. The European Union
was represented by Mr. Karel De Gucht,
Commissioner for Trade of the European
Commission.
   2. The Ministers highlighted the importance
of the economic, trade and cultural relations
between both regions, taking into account
the joint population of more than 780 million
people, a combined GDP of USD 20,8 trillion
and the birregional trade of around USD 130
billion per year.
  3. In this context, the Ministers focused
their discussions on their mandate to negotiate
an ambitious and balanced Birregional
Association Agreement.
  4. The Ministers reviewed the progress of
the nine technical meetings of the trade pillar
of the Agreement since the negotiating process
was relaunched. They recognized advances
in the negotiation while also acknowledging
that further work will be necessary in order to
ensure the balance of the future Agreement.




206

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




Ministers stressed the importance of a
constructive atmosphere to ensure progress in
the next stage of the negotiation.
  5. Recalling the full commitment expressed
by the Heads of State at the Mercosur-EU
Summit in 2010 to strive for a conclusion of
the negotiations without delay, the Ministers
decided that both regions should start their
respective internal preparatory work on the
substance and the conditions for the exchange
of offers which shall take place no later than
the last quarter of 2013.

  ***
   
  1. A Reunião Ministerial Mercosul  União
Europeia foi realizada em Santiago do Chile,
em 26 de janeiro de 2013. O Mercosul foi
representado pelo Senhor Luis Almagro,
Ministro das Relações Exteriores da República
Oriental do Uruguai e Presidente Pro Tempore
do Mercosul; pelo Senhor Eduardo Zuain,
Vice-Ministro das Relações Exteriores e Culto
da Argentina; pelo Senhor Antonio de Aguiar
Patriota, Ministro das Relações Exteriores da
República Federativa do Brasil; e pelo Senhor
Elias Jaua, da República Bolivariana da
Venezuela. A União Europeia foi representada
pelo Senhor Karel De Gucht, Comissário para
Comércio da Comissão Europeia.
   2. Os Ministros sublinharam a importância
das	relações	econômicas,	comerciais	e
culturais entre as duas regiões, levando-se
em conta a população conjunta de mais de
780 milhões de pessoas, um PIB combinado
de 20,8 trilhões de dólares e o comércio
birregional de cerca de 130 bilhões de dólares
por ano.
  3.	Nesse	contexto,	os	Ministros
concentraram suas discussões no seu mandato
de negociação de um Acordo de Associação
Birregional ambicioso e equilibrado.
  4. Os Ministros avaliaram o processo das

nove reuniões técnicas do pilar comercial do
Acordo desde o relançamento do processo
negociador. Constataram avanços nas
negociações, enquanto também reconheceram
que trabalhos adicionais serão necessários
para assegurar o equilíbrio no futuro Acordo.
Os Ministros destacaram a importância de
uma atmosfera construtiva para assegurar o
progresso na próxima etapa da negociação.
  5. Recordando o pleno compromisso
manifestado por seus Chefes de Estado na
Cúpula Mercosul - União Europeia, em
2010, de engajamento por uma conclusão
sem demora das negociações, os Ministros
decidiram que ambas as regiões devem iniciar
seus respectivos trabalhos preparatórios
internos sobre a substância e as condições
para o intercâmbio de ofertas, o qual deverá
ocorrer, no mais tardar, até o último trimestre
de 2013.

       I CÚPULA DE ESTADOS LATINO-
AMERICANOS E CARIBENHOS (CELAC)
        - DECLARAÇÃO DE SANTIAGO
                            28/01/2013
                               
  (Versão em português será divulgada
oportunamente)

  1. Las Jefas y Jefes de Estado y de Gobierno
de la Comunidad de Estados Latinoamericanos
y Caribeños (CELAC) conscientes del
significado histórico de esta primera Cumbre,
que agrupa a todos los países de América
Latina y el Caribe en una sola entidad regional,
nos reunimos en Santiago, Chile, los días 27
y 28 de enero de 2013, con el propósito de
avanzar en la unidad e integración política,
económica, social y cultural de nuestra región.
  2. Reafirmamos la Declaración de la
Cumbre de la Unidad de América Latina y el
Caribe, adoptada en la Riviera Maya, Cancún,




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	207




México, el 23 de febrero de 2010, que
reflejó los principios, valores y experiencias
desarrollados tanto en el marco de las Cumbres
de América Latina y el Caribe iniciadas en
diciembre de 2008 en Salvador de Bahía, como
en los 25 años del funcionamiento del Grupo
de Río. Consideramos que esos antecedentes y
acervos históricos nos permitieron identificar
los desafíos y asumir los retos compartidos
de la unidad e integración latinoamericana y
caribeña que abordamos en CELAC que como
resultado del proceso de convergencia entre la
Cumbre de América Latina y el Caribe sobre
Integración y Desarrollo (CALC) y el Grupo
de Río, decidió constituir la Comunidad
de Estados Latinoamericanos y Caribeños
(CELAC).
  3. Ratificamos la Declaración de Caracas
En el Bicentenario de la Lucha por la
Independencia hacia el camino de Nuestros
Libertadores,	adoptada	en	Caracas,
Venezuela, el 3 de diciembre de 2011, que
incorporó como parte integral el Plan deAcción
de Caracas y el Documento de Procedimientos
para el Funcionamiento Orgánico de CELAC.
  4. Reafirmamos la vigencia del Acervo
Histórico de la Comunidad de Estados
Latinoamericanos y Caribeños (CELAC),
integrado por las Declaraciones, Comunicados
Especiales y demás instrumentos de decisión
aprobados durante los procesos del Grupo de
Río y de la Cumbre de América Latina y el
Caribe sobre Integración y Desarrollo (CALC).
Al cumplirse los 180 años de la ocupación por
el Reino Unido de Gran Bretaña e Irlanda del
Norte de las Islas Malvinas, recordamos que
el respaldo regional al reclamo de la Argentina
ante dicha ocupación territorial se incluye en
este Acervo.
  5.	Destacamos	que	la	puesta	en
funcionamiento de la Comunidad de Estados
Latinoamericanos y Caribeños (CELAC)
constituye un hito en la historia de América

Latina y el Caribe al agrupar en forma
permanente a los 33 países de la región en
un mecanismo de diálogo y concertación,
que se va conformando como un foro y
actor político, para avanzar en el proceso
de integración política, económica, social y
cultural, logrando el necesario equilibrio entre
la unidad y la diversidad.
  6. Reafirmamos nuestra convicción de
que decisiones consensuales logradas en el
marco del multilateralismo constituyen el
fundamento de un orden internacional eficaz,
que pueda contribuir a la paz y la seguridad
mundial. Rechazamos, por lo tanto, medidas
unilaterales con efectos extraterritoriales que
sean contrarias al derecho internacional y que
puedan amenazar el multilateralismo.
  7. En esta Primera Cumbre de CELAC
rendimos un homenaje especial a los Jefes
de Estado que presidieron las trascendentes
Cumbres de nuestra región, en las que se
estructuraron las bases para el funcionamiento
de CELAC: al ex Presidente de la República
Federativa del Brasil, Luiz Inácio Lula da
Silva, que dio un decidido impulso a la
Cumbre de América Latina y el Caribe sobre
Integración y Desarrollo (CALC), Costa
de Sauípe, Bahía, 16 y 17 de diciembre de
2008; al ex Presidente de los Estados Unidos
Mexicanos, Felipe Calderón, que presidió la
Cumbre de la Unidad de América Latina y el
Caribe, Riviera Maya, 23 de febrero de 2010;
y al Presidente de la República Bolivariana de
Venezuela, Hugo Chávez Frías, que presidió
la Cumbre de Caracas constituida por la III
Cumbre CALC y XXII Cumbre Grupo de Río,
Caracas, 2 y 3 de diciembre de 2011, en las
que se puso en marcha la CELAC. Deseamos
expresarles nuestra gratitud por su apoyo a las
grandes iniciativas de nuestra región.
  Expresamos nuestra más profunda y
fraterna solidaridad con el pueblo venezolano
y su Presidente, Hugo Chávez Frías, a




208

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




quien deseamos la más pronta y completa
recuperación.
  Asimismo,	destacamos	y	recordamos
la labor del ex Presidente de la República
Dominicana, Dr. Leonel Fernández Reyna, en
su esfuerzo en favor de la integración, la paz
y en el activo rol que desempeñó durante su
Presidencia del Grupo de Río.
  8. Dejamos constancia del importante
acuerdo alcanzado durante el primer año de
funcionamiento de CELAC, de incorporar
al Estado que ejerce la Presidencia de
CARICOM como miembro pleno de su
Troika, en reconocimiento a que su visión
amplía y fortalece la pluralidad de nuestra
comunidad, así como en reconocimiento al
rol histórico que han desempeñado los países
del CARICOM en el desarrollo integral de la
región de América Latina y el Caribe.
  9. Consideramos que la unidad y la
integración de nuestra región debe ser
construida gradualmente, con respeto al
pluralismo y al derecho soberano de cada uno
de nuestros pueblos para escoger su forma de
organización política y económica. Reiteramos
que nuestra Comunidad se asienta en el respeto
irrestricto al Derecho Internacional, la solución
pacífica de controversias, la prohibición del
uso y de la amenaza del uso de la fuerza, el
respeto a la autodeterminación, a la soberanía,
la integridad territorial, la no injerencia en los
asuntos internos de cada país, la protección y
promoción de todos los derechos humanos, el
Estado de Derecho en los planos nacional e
internacional y la democracia. Asimismo, nos
comprometemos a trabajar conjuntamente en
aras de la prosperidad para todos, de forma
tal que se erradiquen la discriminación,
las desigualdades y la marginación, las
violaciones de los derechos humanos y las
transgresiones al Estado de Derecho.
  10. Reafirmamos que la democracia,
el desarrollo sostenible y el respeto de

todos los derechos humanos civiles y
políticos, económicos, sociales y culturales,
en su carácter universal, indivisible e
interdependiente, incluido el derecho al
desarrollo, están íntimamente relacionados y
se refuerzan mutuamente.
  11. Coincidimos en la importancia
de adoptar un conjunto de Indicadores
Económicos y Sociales que permitan evaluar
periódicamente el estado de la región,
particularmente en cuanto al progreso social.
Agradecemos el apoyo decidido de CEPAL a
esta formulación.
  12. Entendemos que CELAC estará
cimentada en el diálogo permanente,
sin superponerse o duplicarse con otras
experiencias o instituciones regionales y
subregionales, y estará fundada en el principio
de la complementariedad, y se orientará a
alcanzar los mejores resultados para lograr el
desarrollo solidario e inclusivo de los Estados
latinoamericanos y caribeños.
  13. Dentro del espíritu de fortalecimiento
de los mecanismos regionales y subregionales
de integración, saludamos los desarrollos
positivos registrados en ALADI, ALBA,
Alianza del Pacífico, MERCOSUR y SIECA,
así como la incorporación de varios Estados
miembros de CELAC a estas instancias
subregionales, con lo que se avanza en el
cumplimiento de los valores, propósitos y
principios de nuestra Comunidad.
  14. Nos comprometemos a que el clima
de paz que prevalece en América Latina y
el Caribe se afiance y en toda nuestra región
se consolide una Zona de Paz, en la cual las
diferencias entre las naciones se resuelvan
de forma pacífica por la vía del diálogo y
la negociación u otras formas de solución,
y en plena consonancia con el Derecho
Internacional.
  15. Reiteramos el apoyo al proceso de
diálogo que se lleva a cabo entre el Gobierno




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	209




de Colombia y las FARC, destinado a poner
fin a un conflicto interno que por más de
50 años ha afectado el desarrollo político,
social y económico de esa nación hermana y
hacemos votos por el éxito de la iniciativa que
conduzca a alcanzar un acuerdo en bien del
pueblo colombiano.
  16. Recibimos con beneplácito el resultado
de la VII Reunión Ministerial de la Zona de
Paz y Cooperación del Atlántico Sur, que
reunió en Montevideo a 24 países de América
y África del Sur el 15 de enero de 2013.
  17. Conscientes de la importancia de
colaborar con el desarrollo integral de la
República de Haití, ratificamos la resolución
adoptada en la I Reunión de Ministros de
Relaciones Exteriores de CELAC sobre
Cooperación Especial con la República de
Haití e invitamos a los Gobiernos a seguir
contribuyendo en la forma que mejor satisfaga
las necesidades específicas de la hermana
República en su proceso de búsqueda del
desarrollo con acciones concretas en la
aplicación del Plan de Desarrollo Estratégico
Nacional (NSDH) del Gobierno de Haití y
al desarrollo sostenible del país, siguiendo y
afianzando los principios de la Cooperación
Sur-Sur y Triangular.
  18. Tomamos nota que en este año
fundacional de CELAC se han llevado a
cabo importantes actividades internacionales,
especialmente la visita de la Troika Ministerial
a la India y a la República Popular China, las
reuniones de la Troika Ministerial ampliada
CELAC con los Ministros de Relaciones
Exteriores de la República de Corea, la
República Popular China, la Federación de
Rusia y el Consejo de Cooperación para los
Estados Árabes del Golfo, realizadas en Nueva
York con motivo del inicio del 67° Período de
Sesiones de la Asamblea General de Naciones
Unidas; y las reuniones de la Troika CELAC a
nivel de Coordinadores Nacionales con Altos

Representantes de Nueva Zelanda, Australia y
Noruega, celebradas en Santiago. Todas estas
reuniones han permitido establecer un diálogo
con países o grupos de países, fomentando una
interacción permanente con otros importantes
exponentes de la comunidad internacional,
lo que contribuirá al ejercicio más efectivo
de la función de CELAC de concertar las
posiciones internacionales de la región en los
temas de interés de todos sus integrantes, y al
logro de beneficios recíprocos en la ejecución
de la cooperación y de las relaciones políticas
y económicas con otras naciones.
  19. Señalamos la importancia de
perfeccionar la coordinación intra-CELAC en
su acercamiento con otras regiones y países
e instruimos a los Ministros de Relaciones
Exteriores a coordinar los esfuerzos para la
conformación de un Foro de Cooperación
CELAC-China y presentarnos un informe
sobre el tema en nuestra próxima Cumbre
ordinaria.
  20. Expresamos nuestra profunda
preocupación por la situación en Siria.
Mantenemos la esperanza de que se logre
un acuerdo pacífico y duradero, sin indebida
interferencia externa, a la grave crisis que
existe en ese país, incluida la emergencia
humanitaria causada por el alto número de
refugiados y de desplazados. Recalcamos la
necesidad de un alto al fuego que posibilite
el inicio de un proceso político incluyente,
liderado por los sirios, con el firme apoyo
de la comunidad internacional. Instamos al
Secretario General de la ONU, al Consejo de
Seguridad y a la comunidad internacional a
redoblar sus esfuerzos diplomáticos para poner
fin a la violencia en Siria. En ese contexto,
reiteramos el respaldo a las gestiones de la
Misión del Representante Especial Conjunto
de Naciones Unidas y de la Liga de Estados
Árabes para Siria, cuyo resultado pueda poner
fin a la violencia y se alcance una solución




210

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




que tenga como objetivo central el bienestar
del pueblo y la estabilidad de la República
Árabe Siria, con pleno respeto a la soberanía e
integridad, independencia, unidad e integridad
territorial de dicho país, y en consonancia con
los propósitos y principios de la Carta de las
Naciones Unidas.
  21. Destacamos el carácter latinoamericano
y caribeño de Puerto Rico y, al tomar nota de
las resoluciones sobre Puerto Rico adoptadas
por el Comité Especial de Descolonización
de las Naciones Unidas, consideramos que es
asunto de interés de CELAC.
  22. Felicitamos la celebración de la
I Cumbre de la Comunidad de Estados
Latinoamericanos y Caribeños (CELAC)
con la Unión Europea (UE), en Santiago de
Chile los días 26 y 27 de enero de 2013, así
como la documentación adoptada bajo el tema
Alianza para un Desarrollo Sustentable:
Promoviendo Inversiones de Calidad Social y
Ambiental.
  23.	Resaltamos	el	desarrollo	de	la
instancia CELAC destinada a fortalecer la
complementariedad y evitar la duplicidad entre
los mecanismos de integración de la región,
convencidos de que su interacción, fundada
en los principios de solidaridad y cooperación,
es esencial para la consolidación de la
Comunidad. Agradecemos la colaboración
decidida y permanente de los mecanismos
regionales, subregionales de integración y
las organizaciones internacionales en el año
fundacional.
  24.	Rechazamos	firmemente	las
evaluaciones,	listas	y	certificaciones
unilaterales e ilegítimas que hacen algunos
países desarrollados y que afectan a países
de la región, en particular las referidas a
terrorismo, narcotráfico, trata de personas y
otras de similar carácter.
  25. Enfatizamos la necesidad de intensificar
y diversificar la conectividad entre los países

de CELAC, en términos de transporte aéreo
y marítimo, y reiteramos que sinergias deben
ser identificadas con el fin de fortalecer
la cooperación. Para ese fin, alentamos la
consideración de iniciativas para mejorar la
conectividad entre el Caribe, Mesoamérica y
la América del Sur. Cabe a CELAC actuar en
complementación a los proyectos en curso.
  26. Destacamos los resultados y el plan
de trabajo de la Primera Reunión Ministerial
de Infraestructura. Reafirmamos que en la
integración física, así como en otras áreas,
el proyecto más amplio de integración
latinoamericana y caribeña se beneficia del
fortalecimiento de los programas regionales
y subregionales -como el COSIPLAN/
UNASUR, el Proyecto MESOAMÉRICA
y la CARICOM-. Cabe a CELAC actuar en
complementación a los proyectos en curso.
  27. Resaltamos el avance que ha
experimentado la región en la formulación
de esquemas que buscan expandir, promover
y regular los intercambios internacionales de
productos energéticos, con lo cual esperamos
poder conformar, gradualmente, un espacio
regional de la energía, combinando la
utilización de mecanismos de mercado y de
cooperación, impactando así positivamente
la calidad de vida de nuestros países.
Conjuntamente, reafirmamos la necesidad de
dar mayor impulso a la integración energética
regional; la importancia de contar con un
suministro energético socialmente inclusivo,
seguro, confiable, solidario, competitivo y
respetuoso del medio ambiente; y la decisión
de avanzar en la conformación de un régimen
que facilite el libre tránsito energético en
la región, respetando los marcos legales y
regulatorios de los países.
  28. Destacamos los esfuerzos llevados a
cabo por los Estados miembros, tanto a nivel
nacional como regional, para avanzar en el
abordaje y el enfrentamiento del problema




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	211




mundial de las drogas. Expresamos también
nuestra preocupación por la constante amenaza
que plantea, en todas sus dimensiones,
dicho problema al bienestar y desarrollo de
nuestros pueblos. Asimismo destacamos la
vital importancia que tienen los estudios y la
reflexión sobre los logros y limitaciones de
las políticas actuales para enfrentar dichos
problemas y la identificación de estrategias
más eficaces para encarar los desafíos que
representa dicho fenómeno para nuestros
países. Entretanto, llamamos a reforzar las
estrategias regionales y globales de seguridad
aplicadas por los Estados miembros.
  29. Respaldamos la celebración de una
sesión especial de la Asamblea General de las
Naciones Unidas sobre el Problema Mundial
de las Drogas, y basada en las convenciones
y otros instrumentos de las Naciones Unidas
pertinentes, con el objetivo de evaluar los
logros y las limitaciones de las políticas
actuales para enfrentar dicho problema, en
particular la violencia que genera el consumo,
el tráfico y la producción de drogas en todo
el mundo, así como para identificar las
acciones que permitan incrementar la eficacia
de esas estrategias e instrumentos con que
la comunidad internacional se enfrenta al
desafío que supone el problema mundial de
las drogas.
  30. Resaltamos la importancia que CELAC
haya puesto en ejecución la celebración
del Simposio Avances y Desafíos en la
Investigación Científica sobre Tratamientos,
Estrategias Farmacológicas y Vacunas, contra
la Adicción a las Drogas en el año fundacional
y nos comprometemos a que nuestros países,
de conformidad con su legislación interna,
asuman un rol activo para entregar apoyo
y fondos al trabajo de los investigadores de
los países miembros de CELAC y para que
se avance en la investigación científica de
vacunas, antídotos, remedios y tratamientos

que enfrenten la drogadicción.
  31. Hacemos un llamado para que los países
se adhieran al Protocolo para la Eliminación
del Comercio Ilícito de los Productos del
Tabaco, adoptado en la Quinta Sesión de
la Conferencia de las Partes del Convenio
Marco para el Control del Tabaco (COP5),
llevada a cabo en noviembre de 2012, en Seúl,
República de Corea.
  32. Reafirmamos nuestro compromiso con
la integración, solidaridad y cooperación,
mutuamente ventajosa, entre los miembros
de nuestra Comunidad, en particular con
aquellos países vulnerables y de menor
desarrollo relativo. Apoyamos también, las
iniciativas de cooperación entre CELAC y
grupos de países u otros países en desarrollo
mediante la cooperación Sur-Sur y Triangular,
complemento y no sustituta de la cooperación
Norte-Sur, para hacer frente a la crisis mundial
y promover el desarrollo sostenible de
nuestros países. En este contexto, afirmamos
la necesidad de que CELAC se dote de un
conjunto de principios y normas que garanticen
que la cooperación intra y extrarregional
redundará en beneficios tangibles para los
países de nuestra Comunidad y se lleve
adelante de conformidad con las estrategias,
planes y programas de desarrollo libremente
decididos por ellos.
  33. Celebramos la creación del Grupo
de Trabajo de Cooperación Internacional
de CELAC y deseamos que avance hacia la
construcción de una política de Cooperación
Sur-Sur y Triangular que refleje la identidad de
la región, contribuya a reducir las asimetrías
regionales, promueva el desarrollo sostenible
y se articule con las instancias de cooperación
ya existentes en la región.
  34. Hacemos un llamamiento a los donantes
tradicionales y a las instituciones financieras
internacionales para que colaboren con los
países en desarrollo, de acuerdo con sus




212

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




prioridades y estrategias nacionales, en aras
de lograr el desarrollo social y económico, por
medio de la provisión, entre otros elementos,
del alivio de la deuda, de la ayuda concesional
y de donaciones para apoyar los esfuerzos
nacionales de mejora del espacio fiscal, en
particular de los países menos desarrollados,
así como la revisión y redefinición de los
criterios de graduación de los países de
renta media en los esquemas de cooperación
internacional y para que no impongan
condiciones que restrinjan el margen de
maniobra de los gobiernos nacionales.
  35. Agradecemos la excelente disposición
de los integrantes del Foro de Ministros
y Ministras de Cultura de Latinoamérica
y Caribe, uno de los foros más antiguos
sobre materias culturales que incluye a
Latinoamérica y el Caribe, que acogió en la
reunión de su Comité Ejecutivo la celebración
de la I Reunión de Ministros de Cultura de
CELAC conjuntamente con el XIX Foro
de Ministros de Cultura de América Latina
y el Caribe, y saludamos el compromiso
de la República de Surinam de celebrar la I
Reunión CELAC de Ministros de Cultura en
Paramaribo, el 14 y 15 de marzo de 2013, en
cumplimiento a lo acordado en la Declaración
de Caracas.
  36.	Reiteramos	nuestro	apoyo	a	la
proclamación por las Naciones Unidas en
diciembre de 2012 del Decenio Internacional
de los Afrodescendientes. Saludamos, en
especial, la inclusión en su programa de la
creación de un foro permanente sobre los
afrodescendientes, así como la elaboración de
una Declaración Universal de los Derechos de
los Afrodescendientes, entre otras iniciativas
en curso.
  37.	Declaramos	la	necesidad	de
tomar medidas para recuperar y proteger
los	derechos	sobre	los	conocimientos
tradicionales de los pueblos indígenas y

comunidades locales y tribales que han sido
arbitrariamente registrados por personas y
empresas. Apoyamos la negociación que se
está llevando a cabo al respecto en los foros
multilaterales competentes.
  38. Saludamos la celebración de la I
Reunión sobre Migraciones de CELAC,
realizada el 20 y 21 de agosto de 2012 en
Comayagua, República de Honduras, y
resaltamos las recomendaciones emanadas
de dicho encuentro, que sienta las bases para
desarrollar en ese foro regional una estrategia
de CELAC sobre migraciones, que se sustente
en la perspectiva de las personas migrantes
como sujetos de derechos y que articule una
posición común de nuestra región de cara a
los procesos de diálogo con otros ámbitos
regionales y globales.
  Destacamos la elaboración del Primer
Compendio Estadístico sobre Migraciones
entre CELAC y la UE, que es un aporte
para la mejor comprensión de las corrientes
migratorias entre ambas regiones.
  39. Reiteramos nuestro compromiso de
promover la seguridad alimentaria y nutricional
de nuestras poblaciones. Reconocemos que
la causa principal del hambre es la pobreza
y que, para superarla, es necesario coordinar
acciones relacionadas con la inclusión
productiva de los pequeños agricultores
familiares, el comercio internacional y
el acceso a servicios públicos de salud y
educación, entre otros, a través del continuo
apoyo de diferentes organismos, mecanismos
y agencias regionales. Resaltamos el reciente
informe de la Organización de las Naciones
Unidas para la Alimentación y la Agricultura
(FAO), el cual afirma que los países de
América Latina y el Caribe fueron los que
más avanzaron en políticas de seguridad
alimentaria y nutricional, aunque todavía
49 millones de personas sufran hambre en
la región y tomamos nota con satisfacción




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	213




de las propuestas de cooperación de FAO y
CELAC. Reiteramos nuestro compromiso
de fortalecer los procesos de integración en
el ámbito alimentario y conjugar esfuerzos
en apoyo de la iniciativa América Latina
y Caribe Sin Hambre 2025. Asimismo,
expresamos	nuestro	apoyo	al	Desafío
Mundial Cero Hambre, propuesto en la
Conferencia de las Naciones Unidas sobre el
Desarrollo Sustentable (Río+20) que reconoce
la alimentación adecuada como un derecho
humano.
  40.	Subrayamos	la	necesidad	del
intercambio de información sobre experiencias
nacionales exitosas y lecciones aprendidas en
el área de ciencia, tecnología e innovación.
Reiteramos la importancia de la transferencia
de tecnología y la facilitación del acceso
a los conocimientos científicos, con el fin
de fomentar la cooperación intra-CELAC
y Sur-Sur con terceros países en temas de
interés regional como, entre otros, las áreas
de combustibles limpios y energía ecológica,
producción agrícola y ganadera, desarrollo
de recursos humanos, SIDA/VIH, malaria
y tuberculosis, biotecnología, educación,
desarrollo de infraestructura, tecnología de
la comunicación y la investigación científica
marina.
  41.	Reiteramos	que	CELAC	es	un
importante mecanismo para promover los
intereses de países en desarrollo en los
organismos multilaterales para reforzar nuestra
capacidad de reaccionar de manera coordinada
a los desafíos de un mundo en proceso
de profunda transformación económica y
política. Reiteramos nuestro compromiso de
fortalecer CELAC para promover y proyectar
los intereses y las preocupaciones de América
Latina y el Caribe sobre los principales
temas de la agenda internacional. Por lo
tanto, reafirmamos el compromiso de acercar
posiciones y coordinarnos, cuando sea posible,

en reuniones y conferencias internacionales de
alcance global. En ese sentido, destacamos la
labor que han desarrollado los Representantes
Permanentes de los Estados miembros de
CELAC ante la Organización de las Naciones
Unidas, que han acordado un mecanismo
interno de participación conjunta en los
debates de las distintas comisiones en las que
se ha presentado la posición consensuada de
CELAC. Por lo anterior, nos comprometemos
a afianzar la labor de concertación en las sedes
de las Naciones Unidas, incluso el fomento
de iniciativas conjuntas en asuntos de interés
para la región.
  42. Con el fin de promover la gobernanza
mundial, inclusiva y no discriminatoria,
y decididos a contribuir a un escenario
internacional de paz, seguridad y desarrollo,
renovamos el compromiso de nuestros países
con el multilateralismo y con una reforma
integral del sistema de Naciones Unidas y con
la democratización de las instancias decisorias
internacionales, en particular el Consejo de
Seguridad.
  43. Reiteramos el derecho de los países
en desarrollo de presentar candidatos para
puestos clave en el sistema internacional.
Reiteramos también que CELAC se encuentra
bien posicionada y ratificará a los candidatos
de consenso calificados para puestos clave en
organismos internacionales mundiales.
  44. Reconocemos el valor y contribución
a la paz y la seguridad internacionales del
Tratado para la Proscripción de las Armas
Nucleares en América Latina y el Caribe y
sus Protocolos (Tratado de Tlatelolco), el cual
estableció la primera zona más densamente
poblada libre de armas nucleares en el planeta.
En este sentido, reafirmamos la necesidad
de avanzar hacia el objetivo prioritario del
desarme nuclear y la no proliferación y alcanzar
y sostener un mundo libre de armas nucleares.
Hacemos un llamado a las potencias nucleares




214

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




a retirar sus reservas y sus declaraciones
interpretativas a los Protocolos del Tratado
y a respetar el carácter desnuclearizado de la
región latinoamericana y caribeña.
  45. Reafirmamos el Comunicado Especial
sobre la Eliminación Total de las Armas
Nucleares adoptado en la Cumbre de Caracas,
el 3 de diciembre de 2011. En ese contexto,
enfatizamos nuestro compromiso de participar
de manera activa y presentar una posición
común en el marco de la Reunión de Alto
Nivel de la Asamblea General de la ONU
sobre Desarme Nuclear, que tendrá lugar en
Nueva York, el 26 de septiembre de 2013.
  46. En ese sentido, hacemos un llamado
para que la Conferencia para el establecimiento
de una zona libre de armas nucleares y otras
armas de destrucción en masa en Medio
Oriente se celebre lo más pronto posible, de
conformidad con lo acordado por las Partes
del Tratado sobre la No Proliferación de las
Armas Nucleares en 1995, 2000 y 2010.
  47.	Reafirmamos	el	compromiso	de
nuestros Estados con el Tratado de No
Proliferación en sus tres pilares fundamentales:
el desarme nuclear, la no proliferación y los
usos pacíficos de la energía nuclear. En ese
contexto, consideramos que la existencia
de armas nucleares sigue representando una
grave amenaza a la humanidad. Manifestamos
nuestro firme apoyo a la conclusión de
instrumentos	legales	vinculantes	que
conlleven al desarme nuclear de manera
efectiva, irreversible y verificable con miras a
alcanzar el objetivo de la completa eliminación
de todas las armas nucleares dentro de plazos
bien	definidos.	Reafirmamos,	asimismo,
el derecho inalienable de los Estados a
desarrollar la investigación, la producción y
la utilización de la energía nuclear con fines
pacíficos sin discriminación y de conformidad
con los artículos I, II, III y IV del TNP.
  48. Subrayamos la necesidad de promover

la plena implementación del Programa de
Acción de las Naciones Unidas para Prevenir,
Combatir y Erradicar el Tráfico Ilícito de
Armas Pequeñas y Ligeras en Todos Sus
Aspectos y de apoyar los esfuerzos con miras
a restringir el flujo ilegal de esas armas y
sus municiones, particularmente en América
Latina y Caribe.
  49. Expresamos nuestro apoyo a la
conclusión de las negociaciones de un Tratado
sobre Comercio de Armas jurídicamente
vinculante, que sea adoptado sobre la base
de la Resolución 67/234 de la AGNU y
completamente consistente con la Carta de
las Naciones Unidas, tomando en cuenta a
la vez el derecho de los Estados de producir,
importar y poseer armas para su legítima
defensa y necesidades de seguridad. Dichas
negociaciones serán concluidas a través de la
convocatoria final de una Conferencia de las
Naciones Unidas sobre el Tratado de Comercio
de Armas del 18 al 28 de marzo de 2013.
Confiamos en que el Tratado sobre Comercio
de Armas contribuirá a prevenir y combatir
el tráfico ilícito de armas y ayudará a reducir
el costo humano del comercio internacional
de armas pobremente regulado en materia
de armas convencionales, incluyendo armas
pequeñas y ligeras y municiones.
  50. Destacamos igualmente la importancia
de avanzar en la más pronta eliminación de
las minas antipersonal de conformidad con los
compromisos contraídos por los Estados parte
de la Convención de Ottawa.
  51. Ratificamos el compromiso para
fortalecer la lucha contra la delincuencia
organizada transnacional de conformidad
con el derecho internacional. En tal sentido,
propiciamos la adopción de respuestas
estratégicas, dinámicas y holísticas para
combatir la delincuencia organizada
transnacional. En este marco, impulsamos
la articulación y una mayor coordinación de




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	215




los esfuerzos operativos y de cooperación
encaminados a promover el fortalecimiento
institucional relacionado con la prevención,
investigación y persecución criminal contra
la delincuencia organizada transnacional.
Consideramos asimismo, la aplicación de
mejores prácticas y explorar nuevas formas y
enfoques para luchar contra este flagelo.
  52. Expresamos profunda preocupación por
las amenazas y desafíos existentes, incluida
la actual crisis internacional de múltiples
interrelaciones que, aunque originada en los
países desarrollados, impacta negativamente
en los esfuerzos de nuestros países en pos
del crecimiento y el desarrollo económico y
social sostenible. Llamamos a la comunidad
internacional a tomar medidas urgentes para
enfrentar las fragilidades y desequilibrios
sistémicos y a continuar los esfuerzos por
reformar y fortalecer el sistema financiero
internacional, incluyendo, entre otras, la
regulación	de	los	mercados	financieros
y el cumplimiento de los compromisos
de cooperación y de reformas de las
instituciones financieras internacionales. Nos
comprometemos a trabajar conjuntamente
para enfrentar los desafíos de un escenario
internacional debilitado y a realizar esfuerzos
para impulsar ritmos de crecimiento sostenido,
dinámico y de largo plazo para la región,
que propicien una equidad e inclusión social
crecientes y la integración de la América
Latina y el Caribe.
  53. Hacemos presente que nuestros países
comparten	experiencias	y	características
económicas y financieras que nos proveen
una oportunidad para impulsar este espacio
de diálogo, para establecer acciones que nos
permitan prevenir y, en su caso, afrontar
coordinadamente los efectos de las crisis
externas, así como para fomentar el desarrollo
sostenible de la región.
  54. Considerando las consecuencias que

ha implicado la actual crisis económica y
financiera para el mundo, reafirmamos nuestro
compromiso con el logro de los objetivos
acordados internacionalmente, incluidos
los Objetivos de Desarrollo del Milenio y
con los Objetivos de Desarrollo Sostenible,
que están siendo definidos a partir de la
Conferencia Río+20. Asimismo, respaldamos
el mandato emanado de la Cumbre Mundial
sobre Desarrollo Sostenible (Río+20) para la
elaboración de un conjunto de Objetivos de
Desarrollo Sostenible y el establecimiento de
un Grupo de Trabajo Abierto para los ODS y
del Comité Intergubernamental de Expertos
sobre el Financiamiento para la Estrategia
del Desarrollo Sostenible, sin que ello desvíe
los esfuerzos para alcanzar los Objetivos
de Desarrollo del Milenio. En este sentido,
destacamos la relevancia de que los países
de América Latina y el Caribe desarrollen
un profundo proceso de reflexión sobre las
prioridades de la región en la agenda de
desarrollo post 2015 y hacer esfuerzos hacia
la integración de las tres dimensiones del
desarrollo sostenible.
  55. Destacamos la importancia de que
la Agenda de Desarrollo posterior al 2015
contemple objetivos voluntarios, universales,
claros, medibles y adaptables a las distintas
realidades nacionales, con vistas a la
erradicación de la pobreza y a la promoción del
desarrollo sostenible. Este nuevo marco debe
de ser incluyente, transparente, impulsar el
cumplimiento de los compromisos asumidos
por los países desarrollados en Ayuda Oficial
al Desarrollo y estimular la cooperación
triangular y Sur-Sur en temas transversales
con la participación de todos los sectores de
la sociedad.
  56. Reiteramos nuestro compromiso para
erradicar el hambre y la pobreza en la región
y, en ese sentido, ratificamos la Declaración
de la I Reunión de Ministros de América




216

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




Latina y el Caribe sobre Desarrollo Social
y Erradicación del Hambre y la Pobreza
adoptada en el marco de la CALC (marzo
de 2011) y los Comunicados Especiales
sobre Seguridad Alimentaria y Nutricional
y contra la Especulación Financiera y la
Excesiva Volatilidad de Precios de los
Alimentos, realizados en el marco de la
Cumbre Fundacional de CELAC, celebrada
en Caracas, en diciembre de 2011.
  57. Destacamos la realización de la
Conferencia	de	Naciones	Unidas	sobre
Desarrollo Sostenible (Rio+20) y reconocemos
la importancia de los resultados logrados en el
documento final El Futuro que Queremos.
Reafirmamos	nuestro	compromiso	a
favor del desarrollo sostenible y de la
promoción de un futuro económico, social
y ambientalmente sostenible para nuestro
planeta y para las generaciones presentes y
futuras. Reafirmamos el objetivo general del
desarrollo sostenible y de los principios de
Rio, especialmente el de responsabilidades
comunes pero diferenciadas, y el hecho de
que todos sus instrumentos, en el contexto
del desarrollo sostenible y la erradicación de
la pobreza, no deben constituir un medio de
discriminación arbitraria ni una restricción
encubierta del comercio internacional.
  58. Asimismo, en el marco de Rio+20,
acogemos con beneplácito el resultado de la
última sesión del Comité Intergubernamental
de Negociación (INC5), proceso presidido
por Uruguay, donde se alcanzó un acuerdo
globalmente vinculante sobre el Mercurio,
que	consigna	irrevocables	compromisos
respecto a la protección de la salud humana y
del medio ambiente.
  59. Tomamos nota de las decisiones
adoptadas en la XVIII Conferencia de
las Partes de la Convención Marco de las
Naciones Unidas sobre Cambio Climático
celebrada en Doha. Saludamos la adopción

formal del segundo período de compromisos
del Protocolo de Kioto. Hacemos presente
la ausencia de voluntad política por parte de
varias naciones desarrolladas que impidió el
logro de acuerdos sobre recursos financieros
nuevos, adicionales y predecibles y sobre
mecanismos para la transferencia efectiva
de tecnologías hacia los países en desarrollo.
Además, reconocemos el inicio de las
negociaciones del Grupo Ad-Hoc de Trabajo
sobre la Plataforma de Durban y, reafirmamos
nuestra voluntad de adoptar un protocolo, otro
instrumento legal o un documento acordado
con fuerza legal bajo la Convención Marco
de las Naciones Unidas sobre el Cambio
Climático (CCNUCC) antes de 2015, y que
tome efecto y sea implementado desde el
2020, aplicable a todas las partes y guiado por
los principios del CCNUCC, en conformidad
con los resultado de Cancún (2010), Durban
(2011) y Doha (2012), con miras a reducir las
emisiones de gases invernaderos.
  60. Valoramos las iniciativas para la
implementación regional del Principio 10
de la Declaración de Río 1992, referido
a los derechos de acceso a información,
participación y justicia ambiental, como una
contribución relevante para la participación
de la comunidad organizada comprometida
con el Desarrollo Sostenible.
  61. Reconociendo los principios de
complementariedad, cooperación, flexibilidad,
soberanía y de participación voluntaria que
inspiran la acción de CELAC, adoptamos en
toda su extensión la Declaración de Viña del
Mar derivada de la I Reunión de Ministras y
Ministros de Finanzas de CELAC del 14 de
diciembre de 2012.
  62. Estamos conscientes de la fragilidad
de la situación económica y financiera
internacional y los riesgos que ésta representa
para la continuidad de los logros obtenidos
por nuestros países en materia de inclusión




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	217




social, crecimiento con equidad, desarrollo
sostenible e integración de la región. Si bien
es importante reconocer que la crisis ha tenido
un menor efecto en América Latina y el Caribe
en relación al resto del mundo, trabajaremos
conjuntamente para enfrentar los desafíos
de un escenario internacional debilitado y
realizaremos esfuerzos para impulsar ritmos
de crecimiento sostenido, dinámico, inclusivo
y de largo plazo para la región.
  63. Reafirmamos la importancia de tener
una voz regional fuerte e influyente que permita
reflejar el creciente peso de las economías
emergentes en el desarrollo y la economía
mundial,	asegurando	una	representación
equitativa de todos los países miembros en las
instituciones financieras internacionales.
  64. Consideramos necesaria la importancia
de desarrollar herramientas que permitan
fortalecer el sistema financiero internacional,
lo cual debería contemplar una regulación más
estricta y efectiva de las grandes entidades
financieras y la adopción de medidas concretas
para lograr mejores prácticas internacionales en
flujos financieros internacionales. En línea con
esto, resulta de gran relevancia la reducción de
la dependencia excesiva de las evaluaciones de
las agencias calificadoras de riesgo crediticio
y la importancia de adoptar instrumentos que
posibiliten acuerdos razonables y definitivos
entre deudores y acreedores, y generar
estabilidad y predictibilidad en los procesos
de reestructuración de las deudas soberanas.
  65. Si bien son bienvenidas las medidas
que	permitan	estimular	las	economías
desarrolladas,	expresamos	nuestra
preocupación por la expansión monetaria en
estos países y sus efectos sobre la región,
en particular el relajamiento cuantitativo
implementado en estas economías, dada su
presión sobre el valor de nuestras monedas que
afecta la competitividad de la gran mayoría de
nuestros países. Instamos a estas economías a

considerar en su análisis y toma de decisiones
las consecuencias de sus acciones en los
países que aún transitan en el camino hacia el
desarrollo.
  66. Reconocemos la necesidad de impulsar
el comercio mundial mediante un acuerdo
ambicioso, integral y equilibrado de las
negociaciones de la Ronda de Doha de la
OMC conforme con sus mandatos, centrados
en el desarrollo. Enfatizamos la necesidad
de continuar con el proceso de reforma de
la agricultura acordado en la ronda Uruguay
y recogido en el mandato agrícola de Doha.
El avance en dicho proceso de reforma es
determinante para el necesario equilibrio de
las negociaciones comerciales multilaterales
centradas en el desarrollo. Por ello, instamos
a los miembros de la OMC a continuar
negociando en base a los mandatos.
  67. Expresamos nuestra preocupación
por la creciente proliferación de barreras
que distorsionan el comercio, entre ellas las
sanitarias y fitosanitarias, sin justificación
científica, que erosionan el acceso a los
mercados, especialmente los de exportaciones
de países en desarrollo y en particular de los
pequeños productores. Instamos al pleno
cumplimiento de los acuerdos de la OMC
en esta materia, en particular en lo referente
a aquellas barreras técnicas que obstruyen
la innovación tecnológica de la producción
agropecuaria, con su consiguiente impacto en
la seguridad alimentaria.
  68. Recomendamos al Grupo de Trabajo
creado por la I Reunión de Ministros y
Ministras de Economía y Finanzas de CELAC,
que realice un estudio sobre la viabilidad de
implementar una instancia de solución de
controversias latinoamericana y caribeña,
dedicada a dirimir las disputas en materias de
inversiones intra y extra comunitarias.
  69. Encomendamos a los Coordinadores
Nacionales aprobar en su Primera Reunión el




218

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




Plan de Acción de Santiago 2013.
  70. Agradecemos a la República de Cuba
por acoger la Presidencia Pro Tempore de
CELAC en el año 2013 y la celebración de la
II Cumbre CELAC, en el 2014.
  71. Agradecemos a la República de Costa
Rica por acoger la Presidencia Pro Tempore
de CELAC en el año 2014 y la celebración de
la III Cumbre de CELAC.
  72. Agradecemos a la República del
Ecuador por acoger la Presidencia Pro
Tempore de CELAC en el año 2015 y la
celebración de la IV Cumbre de CELAC.
  73. Las Jefas y Jefes de Estado y de Gobierno
de CELAC expresaron su agradecimiento
al Presidente de la República de Chile por
liderar el año fundacional de la Comunidad
de Estados Latinoamericanos y Caribeños y
su reconocimiento al pueblo y al Gobierno de
Chile por la organización de la I Cumbre de
CELAC en Santiago, los días 27 y 28 de enero
de 2013.
  Santiago, 28 de enero de 2013
   
   COMUNICADO ESPECIAL ADOTADO
         NA I CÚPULA CELAC SOBRE A
     TRAGÉDIA OCORRIDA EM SANTA
         MARIA, RIO GRANDE DO SUL
                            28/01/2013
  Os Chefes de Estado e de Governo da
Comunidade dos Estados Latino-Americanos
e Caribenhos (CELAC) expressam seus mais
profundos pesares ao Governo e ao povo do
Brasil pela triste tragédia na qual mais de
duzentos jovens perderam suas vidas e muitos
ficaram feridos, no incêndio que ocorreu em
Santa Maria, no estado do Rio Grande do Sul.
  Expressamos,	também,	nossas
condolências e solidariedade às famílias das
vítimas afetadas por essa grande tragédia.
  Santiago, 28 de janeiro de 2013
        
CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO
    EMBAIXADOR DO BRASIL EM SÃO
                 CRISTÓVÃO E NÉVIS
                            29/01/2013
                               
  O Governo brasileiro tem a satisfação de
informar que o Governo da Federação de
São Cristóvão e Névis concedeu agrément a
Douglas Wanderley de Vasconcellos como
Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário
do Brasil. De acordo com a Constituição
Federal, essa designação ainda deverá ser
submetida à apreciação do Senado Federal.
Brasil e São Cristóvão e Névis mantêm
relações diplomáticas desde 1985.

        CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO
 EMBAIXADOR DO BRASIL NA ARGÉLIA
                            30/01/2013
                               
  O Governo brasileiro tem a satisfação de
informar que o Governo da República Argelina
Democrática e Popular concedeu agrément a
Eduardo Botelho Barbosa como Embaixador
Extraordinário e Plenipotenciário do Brasil.
De acordo com a Constituição Federal, essa
designação ainda deverá ser submetida à
apreciação do Senado Federal. Brasil e Argélia
mantêm relações diplomáticas desde 1962.

PARTICIPAÇÃO DO MINISTROANTONIO DE
  AGUIAR PATRIOTANA49ª CONFERÊNCIA
           DE SEGURANÇADE MUNIQUE
   MUNIQUE, 1º A 3 DE FEVEREIRO DE
                                 2013
                            30/01/2013
                               
  O Ministro das Relações Exteriores,
Antonio de Aguiar Patriota, participará da 49ª




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	219




Conferência de Segurança de Munique, que
será realizada entre os dias 1º e 3 de fevereiro.
O Chanceler participará de painel dedicado
ao tema Potências Emergentes e Governança
Global.
  Criada	em	1962,	a	Conferência	de
Segurança de Munique se tornou um dos
principais	ambientes	de	reflexão	sobre
os desafios da agenda de paz e segurança
internacionais. A 49ª edição da Conferência
também contará com sessões dedicadas a
temas como a responsabilidade de proteger
e a questão nuclear iraniana. Será a primeira
vez que um Ministro brasileiro se pronunciará
nesse fórum.
  Em Munique, o Chanceler também manterá
encontros bilaterais com altas autoridades
da Alemanha, do Azerbaijão, do Canadá, da
Geórgia e da Ucrânia, bem como se reunirá
com o Enviado Especial das Nações Unidas e
da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi.

       APRESENTAÇÃO DO CANDIDATO
BRASILEIRO À DIREÇÃO-GERAL DA OMC,
  EMBAIXADOR ROBERTO AZEVÊDO, AO
            CONSELHO-GERAL DA OMC
                            31/01/2013
  Inicialmente, gostaria de agradecer à
Senhora Presidente e aos Membros por esta
oportunidade de estar aqui, uma vez mais, com
todos os presentes. É uma honra participar
como candidato no processo de seleção do
próximo Diretor-Geral.
  Todos me conhecem como Embaixador
do Brasil na OMC. Alguns me conheceram
quando	eu	era	Primeiro	Secretário	na
Missão do Brasil aqui, no fim dos anos 90,
e depois como Subsecretário para Assuntos
Econômicos	e	Comerciais,	Coordenador
do G-20 e negociador chefe do Brasil na
Rodada Doha. Cheguei a Genebra dois anos

após a criação da OMC; e, na verdade, daqui
nunca saí. Mesmo quando estive residente em
Brasília, passei grande parte daquele tempo
em Genebra, em negociações na OMC.
  Ao longo de todos esses anos, e em todos
esses casos, sempre que estava neste prédio,
estava como representante do meu país. Todos
me viram defendendo os interesses do Brasil.
  Esta é a primeira vez em que, neste edifício,
compartilharei minha visão pessoal sobre esta
Organização, minhas ideias sobre o sistema
multilateral de comércio, minha avaliação
sobre onde estamos hoje, e sobre o caminho
a seguir. Começo, portanto, com minha visão
sobre o comércio internacional.
  Eu acredito firmemente que o comércio é
um elemento integrante e indispensável para o
crescimento e o desenvolvimento de qualquer
economia. A capacidade de competir nos
mercados globais é um indicador confiável
da sustentabilidade de qualquer modelo
econômico. Por outro lado, o comércio não
pode constituir um objetivo em si. O comércio
internacional deve estar sempre a serviço da
melhoria das condições de vida das pessoas e
das famílias.
  Quanto à OMC, a minha opinião é que
um Diretor-Geral deve realmente acreditar
nos princípios que norteiam esta instituição.
O preâmbulo do Acordo de Marraqueche
afirma que os membros da OMC negociarão
acordos mutuamente vantajosos que reduzam
tarifas e outras barreiras ao comércio. Eu
acredito nisso. O preâmbulo também sustenta
que o nosso trabalho deve visar à melhoria
das condições de vida e à garantia do pleno
emprego. Eu também acredito nisso.
  Por fim, o preâmbulo enfatiza que é preciso
garantir que os países em desenvolvimento,
especialmente os menores, assegurarem
uma participação no comércio internacional
compatível com as suas necessidades. Vocês
sabem que eu acredito nisso.




220

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  Eu também acredito que o trabalho
desta organização reveste-se da sua maior
importância em tempos de incerteza, como os
de hoje. As disciplinas da OMC são a melhor
defesa que temos contra o protecionismo
e contra ações que agravam a situação das
economias mais pobres e vulneráveis?? O
que fazemos na OMC tem um impacto direto
sobre a qualidade de milhões de vidas em
todo o mundo. Mas, lembrem-se, o que não
fazemos também as afeta.
  Conhecemos muito bem os três pilares
desta Organização. O primeiro refere-se
ao monitoramento da implementação dos
Acordos existentes nos órgãos subsidiários
apropriados. Seu funcionamento é satisfatório,
ainda que possa ser aprimorado, especialmente
no tocante a procedimentos de notificação.
  O segundo pilar é mecanismo de solução
de controvérsias. E esta é uma área que eu
conheço profundamente. Fui participante
direto	a	também	atuei	como	membro
ou presidente de painéis. É, no entanto,
extremamente complexo e oneroso participar
nesse sistema. Devemos encontrar maneiras
de fazer com que o mecanismo de solução de
controvérsias funcione também para os países
mais pobres. A Organização pode ajudar com
ações internas, mas também facilitar soluções
em áreas como assistência e treinamento que
aconteçam fora deste prédio.
  O terceiro pilar é o que permite a evolução
do sistema, o desenvolvimento de novas regras
e acordos, geralmente por meio de rodadas
de negociações multilaterais. Este é o pilar
que mais me preocupa, pois se tem mantido
efetivamente paralisado desde que a OMC foi
criada em 1995. Estamos nos aproximando
de duas décadas de estagnação nas mesas de
negociação. O sistema deve ser atualizado ou
logo será incapaz de lidar com as demandas
do mundo transformado de hoje.
  Ouvimos muitos analistas expressarem

preocupação com a proliferação de
negociações de acordos regionais, áreas de
livre comércio ou entendimentos plurilaterais.
Quaisquer que sejam as razões que motivam
essas iniciativas, acredito firmemente que os
países que delas participam negociariam de
bom grado um acordo multilateral mais amplo
e mais ambicioso. O que devemos fazer é
garantir que o sistema multilateral de comércio
continue sendo a principal ferramenta para a
liberalização do comércio.
  É verdade que estamos agora tentando
alcançar, na reunião ministerial de Bali, alguns
resultados em áreas selecionadas da Rodada
Doha, incluindo as questões prioritárias de
desenvolvimento, facilitação do comércio
e alguns temas agrícolas. Este é um esforço
crucial, mas o sistema multilateral precisa de
mais do que isso para permanecer relevante e
com credibilidade.
  Então por que paramos de tentar resolver os
impasses? Eu sugeriria duas razões principais.
  Primeiro, os hiatos na negociação
permanecerão intransponíveis se continuarmos
a olhar para eles a partir da mesma perspectiva.
  Em segundo lugar, o processo negociador
tem sido carente de confiança. Um lado não
acredita que o outro lado quer realmente
encontrar uma solução, e vice-versa.
  Portanto, nessas circunstâncias, a pergunta
óbvia é: para onde vamos a partir daqui?
  Vejo pelo menos três áreas em que
precisamos trabalhar.
  Antes de mais nada, temos de tentar
alcançar uma negociação com resultados
positivos para Bali. Além de ganhos materiais
muito concretos, esse êxito aumentará nossa
confiança de que ainda podemos falar uns
com os outros e que podemos fazê-lo de uma
forma construtiva e produtiva.
  Em segundo lugar, todos nós precisamos
acreditar que quaisquer resultados de Bali não
serão o fim do caminho. Um processo pós-Bali




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	221




poderia incluir elementos da Rodada e outros
temas, mas, seja qual for o nosso caminho,
ele deve priorizar os assuntos de interesse dos
países mais pobres.
  Por fim, devemos retomar nossos esforços
para reanimar a Rodada - e isso deve acontecer
imediatamente depois de Bali. Todos sabemos
que a OMC é maior que a Rodada Doha, mas a
realidade é que o sistema continuará obstruído
até que encontremos uma forma de destravar
a Rodada. Penso que, para variar, deveríamos
parar de evitar os temas mais difíceis e
intratáveis. Acima de tudo, não podemos
jogar fora a agenda do desenvolvimento que
foi tão penosamente negociada para assegurar
que os Membros mais pobres e vulneráveis
desta	Organização	fossem	beneficiados.
Não podemos simplesmente virar a página e
esquecer esses Membros.
  A maioria de vocês, se não todos, deve
estar pensando agora como eu poderia
realmente acreditar que isso é factível à luz
do nosso desempenho nos últimos anos, em
especial diante dos efeitos duradouros da crise
financeira internacional de 2008. Na verdade,
acredito que estamos no momento certo por
uma série de razões.
  Para começar, a esta altura estamos todos
convencidos de que nenhum de nós mudará de
opinião - pelo menos não no futuro previsível
- sobre como enxergamos o que está sobre
a mesa na Rodada Doha. Precisamos lidar
com nossas diferenças, da forma como elas
existem.
  Além disso, as condições internacionais
nunca serão perfeitas para as negociações.
Quando a economia mundial está forte, alguns
argumentam que não há um incentivo real para
negociar. Quando o crescimento enfraquece,
a teoria é que os Membros estarão menos
dispostos a abrir seus mercados.
  Não podemos esperar até que todos os
astros	estejam	perfeitamente	alinhados

em uma negociação que envolve mais de
150 partes interessadas. Os países sempre
estarão em momentos distintos de seus ciclos
econômicos.
  Em resumo, devemos trabalhar com o que
temos e eu, honestamente, penso que isso é
possível. Tenho mantido diálogos reservados
com Embaixadores aqui em Genebra e com
Ministros de Comércio (em Davos, na semana
passada) e outros tomadores de decisão pelo
mundo. Estou convencido de que todos
desejam que a Rodada seja reanimada. E isso
não é pouco.
  Essa é uma das áreas em que estou certo de
que sou uma boa escolha se os Membros me
confiarem o papel de Diretor-Geral.
  Eu não tenho uma solução pronta para
destravar o impasse da Rodada. Mas muitas
das vezes em que ajudei a desbloquear uma
negociação eu também não tinha uma solução
pré-concebida.
  Quando um impasse se estabelece eu não
apenas escuto o que as delegações têm a diz,
mas também reflito sobre suas motivações,
sobre seu comportamento em situações
similares anteriores, sobre suas sensibilidades
e até sobre as características pessoais de seus
negociadores. A questão então é ser criativo
e ter a confiança dos outros negociadores,
que devem acreditar genuinamente que
uma solução viável e equilibrada está
sendo buscada. Frequentemente, de forma
muito sutil, é possível detectar uma zona de
convergência quando se conhece a história e
os detalhes da negociação. Nesse momento,
soluções que no início das tratativas não eram
visíveis podem mostrar-se vias promissoras e
representar uma opção satisfatória para todos.
  Nas nossas atuais circunstâncias, não
creio que tenhamos o tempo de treinar o
próximo Diretor-Geral para exercer o cargo.
Ao chegarmos ao mês de setembro, o novo
Diretor-Geral terá que assumir suas funções




222

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




em ritmo intenso e ser capaz de trabalhar com
todos vocês imediatamente.
  Minhas credenciais me fazem confiar
que posso ajudar os Membros. Nos últimos
16 anos, não apenas consolidei a bagagem
técnica que todo Diretor-Geral deve ter,
mas também desenvolvi rede de contatos
que vão dos negociadores no plano técnico
até os tomadores de decisão no mais alto
nível político. Em todos esses patamares,
sempre mantive diálogos francos, aberto e
construtivos, em total confiança, com vistas a
forjar consensos.
  Sempre usei minhas qualificações para
cumprir as instruções e alcançar os objetivos
estabelecidos pelo meu Governo no Brasil.
Acredito que elas serviram bem ao seu
propósito. Como Diretor-Geral, estarei a seu
serviço e trabalharei para alcançar as metas
que os Membros me designarem.
  Gostaria de referir-me agora ao fato de
que o Diretor-Geral é o administrador desta
Organização e que essa função também
envolve significativos desafios.
  O próximo Diretor-Geral deve manter e,
sempre que possível, melhorar o alto nível de
qualidade dos quadros do Secretariado, sempre
recompensando o mérito e a competência. Ao
mesmo tempo, não podemos ignorar o fato de
que esta é uma organização intergovernamental,
cujos Membros devem moldar sua estrutura e
sua cultura. Nesse contexto, representatividade
geográfica é um componente chave. Explorarei
formas de gradualmente tornar a composição do
Secretariado mais representativa do conjunto
dos Membros em termos tanto de nacionalidade
quanto de gênero, sempre tendo presentes os
princípios fundamentais da excelência e da
eficiência.
  Para o benefício de todos, inclusive do
próprio pessoal do Secretariado, o Diretor-
Geral deve insistir na transparência plena,
de forma que os Membros tenham acesso

irrestrito a qualquer informação que solicitem
sobre a gestão da Organização.
  A OMC deve apoiar o desenvolvimento de
recursos humanos e capacidade técnica dos
Membros que necessitem. A iniciativa Ajuda
para o Comércio deve ser fortalecida, em
particular no que se refere aos países de menor
desenvolvimento econômico relativo. Nesse
contexto, deveríamos empenhar todos os
esforços para aumentar as iniciativas cobertas
pela Enhanced Integrated Framework.
  Em conclusão, Senhora Presidente,
todos vocês me conhecem muito bem. Em
realidade, sinto-me orgulhoso de dizer que
esta candidatura não nasceu em minha
cabeça. Ela tampouco nasceu em Brasília.
Ela nasceu aqui, em Genebra, quando outros
negociadores concluíram que eu poderia
ajudar esta Organização como seu Diretor-
Geral e insistiram para que eu aceitasse
esse desafio. Sinto-me honrado por esse
encorajamento que se manifestou a partir de
todos os lados da mesa negociadora. Esse
fator foi determinante na decisão de Brasília
de lançar minha candidatura.
  Caso seja escolhido pelos Membros como
seu próximo Diretor-Geral, colocarei minha
experiência e minhas habilidades a serviço da
busca permanente por reconciliar o que parece
irreconciliável, com justiça, independência e
transparência, sem jamais esquecer que esta
é uma Organização impulsionada por seus
Membros, em que cada um, inclusive os menores,
deve somar-se à força que a impulsiona.

  Obrigado.
   
 VISITA DO MINISTRO DAS RELAÇÕES
      EXTERIORES AO REINO UNIDO -
 LONDRES, 4 E 5 DE FEVEREIRO DE 2013
                            02/02/2013

                               
                               

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	223




   O Ministro das Relações Exteriores,
Antonio	de	Aguiar	Patriota,	realizará
visita de trabalho ao Reino Unido entre 4
e 5 de fevereiro. Em Londres, se reunirá
com o Secretário de Estado dos Negócios
Estrangeiros e da Comunidade Britânica,
William Hague, e com a Secretária de Estado
para o Desenvolvimento Internacional, Justine
Greening. O Chanceler brasileiro também
proferirá palestra no Kings College.
  Dando continuidade ao Diálogo Estratégico
Brasil-Reino Unido, estabelecido em 2012, os
Ministros Patriota e Hague tratarão de questões
da agenda de paz e segurança internacionais,
desenvolvimento	sustentável,	segurança
alimentar e direitos humanos. Também serão
examinadas as perspectivas para intensificar
os fluxos de comércio e investimento bilaterais
e para aprofundar a cooperação em ciência,
tecnologia e inovação.
  O Reino Unido é o 12º principal destino das
exportações brasileiras. Entre 2008 e 2012,
as exportações do Brasil para o Reino Unido
registraram crescimento de aproximadamente
18%, atingindo US$ 4,46 bilhões. Em 2012,
a corrente de comércio bilateral atingiu US$
7,96 bilhões de dólares.

     REINO UNIDO SEDIA REUNIÃO DE
       DIÁLOGO ESTRATÉGICO COM O
                              BRASIL
                            04/02/2013
                               
  O Secretário do Exterior William Hague
recebeu hoje o Ministro das Relações
Exteriores do Brasil, Antonio de Aguiar
Patriota, para a segunda reunião do Mecanismo
de Diálogo Estratégico.

  (English version after the version in
Portuguese)
   
O Secretário do Exterior William Hague
recebeu hoje o Ministro das Relações
Exteriores do Brasil, Antonio de Aguiar
Patriota, para a segunda reunião do Mecanismo
de Diálogo Estratégico.
  Esta rodada de conversas realiza-se
anualmente e foi concebida com o intuito
de tratar de questões de política externa e de
segurança internacional, em reconhecimento
ao papel cada vez mais importante do Brasil
no mundo. A reunião deste ano ocorrerá em
Carlton Gardens, centro de Londres.
  Sobre os eventos do dia, William Hague
declarou:
  É uma alegria receber o Ministro Patriota
em Londres para a reunião do Diálogo
Estratégico Brasil - Reino Unido. O Brasil
e o Reino Unido cooperaram de forma
consistente ao longo de 2012 no âmbito dos
Jogos Olímpicos e minha expectativa é de
seguir avançando. Compartilhamos muitos
interesses e podemos trabalhar juntos em um
grande leque de temas. O encontro de hoje
atesta a importância que nós, no Reino Unido,
atribuímos a nossa relação com o Brasil.
Demonstra nosso desejo de trabalhar juntos
no Conselho de Segurança das Nações Unidas
em temas de política externa e abre muitas
outras frentes de cooperação futura. Trata-se
de um diálogo de enorme valia para reforçar
nosso trabalho conjunto.
  Na ocasião, o Ministro Patriota disse:
  Nesse encontro de hoje em Londres, damos
seguimento ao Diálogo Estratégico lançado
ano passado em Brasília, fundamentado nas
múltiplas e sólidas convergências que nos
unem. Compartilhamos muitos valores e
interesses, mas também acreditamos que a
complexidade dos desafios globais requer uma
diversidade de perspectivas e a participação de
diferentes atores com o objetivo de alcançar
soluções sustentáveis. A reunião de hoje
representa momento crucial e oportuno para




224

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




fortalecer nossa parceria em áreas como paz
e segurança, desenvolvimento sustentável,
segurança alimentar, direitos humanos e
ciência, tecnologia e inovação, bem como
em um relacionamento bilateral cada vez
mais dinâmico. É também uma excelente
oportunidade	para	compreender	nossos
pontos-de-vista específicos sobre temas da
agenda internacional.
  As conversas concentraram-se nos eventos
recentes no Oriente Médio e Norte da
África, incluindo o Irã e a busca por solução
negociada para questões relativas ao seu
programa nuclear; futuros desafios globais nas
dimensões econômica e do desenvolvimento;
crescimento	e	prosperidade;	direitos	e
valores humanos. Os Chanceleres também
intercambiaram	opiniões	sobre	Europa,
Atlântico Sul e a dinâmica regional na
América do Sul.
  Brasil e Reino Unido compartilham sua
preocupação com a ameaça que grupos
terroristas	operando	no	norte	do	Mali
representam para a estabilidade regional e a
segurança internacional. Apoiam, portanto, o
Governo do Mali e as ações adotadas sob os
auspícios das Nações Unidas e seu Conselho
de Segurança.
  Os dois Ministros concordaram com a
necessidade urgente de avanço, nos próximos
meses, no processo de paz do Oriente Médio.
Brasil e Reino Unido sublinham a necessidade
de empreender grandes esforços, em 2013,
com vistas a alcançar a solução negociada de
dois Estados, que é do interesse de israelenses,
palestinos e da região como um todo.
Instaram, também, a Autoridade Palestina e
o novo Governo israelense a se empenharem
seriamente em negociações sem precondições
e a evitarem medidas que dificultem o êxito
dessas negociações. Nesse contexto, exortam
Israel a cessar, imediatamente, a construção
de novos assentamentos, os quais são, além de

obstáculo para a paz, ilegais à luz do Direito
Internacional.
  No que se refere a questões de segurança
internacional, Brasil e Reino Unido acordaram
intensificar o diálogo sobre interesses comuns
em temas de desarmamento e não-proliferação,
no âmbito do processo negociador do Tratado
de Não-Proliferação em 2015. Os Chanceleres
decidiram que conversas sobre assuntos
político-militares deverão ser mantidas tão
logo possível, para aprofundar discussões em
torno de segurança cibernética, manutenção da
paz e outros assuntos correlatos. Confirmaram
o compromisso com o aumento do intercâmbio
de visitas bilaterais, a fim de aprofundar
o conhecimento mútuo das respectivas
abordagens em pontos-chave nesse âmbito.
  Os Ministros concordaram, igualmente,
com a importância de avançar nas discussões
sobre questões de política comercial e
manifestaram expectativa com a próxima
reunião do Comitê Conjunto de Assuntos
Econômico-Comerciais (JETCO), entre os
Ministros do Comércio dos dois países, a ter
lugar no Brasil ainda este ano. Destacaram,
também, a amplitude das relações nessa
área, incluindo o road show do setor de
infraestrutura de São Paulo, mesa-redonda
em inovação e a participação ativa do Reino
Unido no Programa Ciência sem Fronteiras.
Tal iniciativa demonstra os estreitos laços
entre Brasil e Reino Unido na área da
educação, com o envio, até o momento, de
1582 estudantes brasileiros ao Reino Unido.
Até 2014, espera-se que 10 mil estudantes
cheguem ao país por intermédio do Programa.
  Emmaisumadimensãodadinâmicabilateral
de engajamento e conhecimento mútuo, os
Chanceleres apoiaram o aprofundamento da
cooperação entre o Itamaraty e o Foreign
and Commonwealth Office. O Secretário
do Exterior britânico enalteceu a atuação do
FCO nas áreas de excelência diplomática e




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	225




gestão de crises, expondo sua influência na
formulação de políticas públicas.

 VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DOS
    NEGÓCIOS ESTRANGEIROS DO SRI
   LANKA, GAMINI LAKSHMAN PEIRIS
 BRASÍLIA, 7 A 9 DE FEVEREIRO DE 2013
                            06/02/2013
  O Ministro dos Negócios Estrangeiros
da República Democrática Socialista do Sri
Lanka, Gamini Lakshman Peiris, realizará
visita ao Brasil entre 7 e 9 de fevereiro
de 2013. No dia 8, em Brasília, manterá
encontro com o Ministro das Relações
Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota.
  Os	Chanceleres	avaliarão	o
desenvolvimento das relações bilaterais
e iniciativas para ampliação dos fluxos
de comércio e investimentos, bem como
para diversificação da pauta comercial.
Examinarão, também, as possibilidades de
fortalecimento da cooperação técnica em
áreas como saúde, gestão de florestas e
agricultura, além de cooperação educacional
e iniciativas para a promoção da língua
portuguesa no Sri Lanka.
  Serão,	igualmente,	tratados	temas
da	agenda	internacional,	bem	como
posições nos foros políticos e econômicos
multilaterais.
  O intercâmbio comercial entre o Brasil
e o Sri Lanka aumentou 276% entre 2008 e
2012, passando de US$ 44,6 milhões anuais
para US$ 168 milhões. As exportações
brasileiras aumentaram 452% no período, ao
passo que as importações cresceram 108%.
O Brasil vem mantendo superávit constante
com o Sri Lanka e a visita terá como um
de seus objetivos explorar possibilidades
de expansão e diversificação da pauta
comercial bilateral.
  
VISITA DO MINISTRO DAS RELAÇÕES
         EXTERIORES À VENEZUELA -
   CARACAS, 9 DE FEVEREIRO DE 2013
                            07/02/2013
                               
  Ministro Antonio de Aguiar Patriota e o
Ministro das Relações Exteriores venezuelano,
Elías José Jaua Milano, passarão em revista os
principais temas da agenda bilateral e regional,
com ênfase na incorporação da Venezuela ao
MERCOSUL.
  O Ministro das Relações Exteriores,
Antonio de Aguiar Patriota, realizará visita
à Venezuela no dia 9 de fevereiro, ocasião
em que manterá encontro de trabalho
com o Ministro das Relações Exteriores
venezuelano, Elías José Jaua Milano. Os
chanceleres passarão em revista os principais
temas da agenda bilateral e regional, com
ênfase na incorporação da Venezuela ao
MERCOSUL.
  A cooperação bilateral é importante
componente da relação entre o Brasil
e a Venezuela, incluindo projetos de
desenvolvimento social, tecnológico e de
integração produtiva. Há perspectivas de
ampliação da cooperação em áreas como
agricultura familiar, biotecnologia, TV
digital, sistemas bancários, segurança
pública, combate ao narcotráfico e ilícitos
internacionais.
  A Venezuela é um dos principais parceiros
comerciais do Brasil na América do Sul.
Em 2012, as exportações brasileiras para a
Venezuela cresceram 10% em relação ao ano
anterior, e o intercâmbio comercial alcançou o
recorde histórico de US$ 6,05 bilhões. A tarifa
média de importação aplicada pela Venezuela
é de 12,5%, valor inferior à média brasileira,
que corresponde a 13,7%. Desde 2003, o
comércio bilateral cresceu 585%. A economia
venezuelana cresceu 5,5% em 2012.




226

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




   TESTE NUCLEAR CONDUZIDO PELA
                   COREIA DO NORTE
                            13/02/2013
                               
   O Governo brasileiro tomou conhecimento
com preocupação do novo teste nuclear
conduzido	pela	República	Popular
Democrática da Coreia. O Governo brasileiro
conclama a RPDC a cumprir plenamente
as resoluções pertinentes do Conselho de
Segurança e contribuir ativamente para criar
as condições necessárias à retomada das
negociações relativas à paz e segurança na
Península Coreana.
  Intervenção do Ministro das Relações
Exteriores	no	Debate	do	Conselho	de
Segurança das Nações Unidas sobre Proteção
de Civis em Conflitos Armados
   Senhor Presidente,
  Felicito a República da Coréia por assumir
a presidência do Conselho de Segurança
durante o mês de fevereiro.
  Agradeço também a Vossa Excelência por
convocar este oportuno e importante debate
de alto nível sobre a proteção de civis em
conflitos armados.
  Gostaria de saudar Sua Excelência Louise
Mushikiwabo,	Ministra	dos	Negócios
Estrangeiros de Ruanda, e Sua Excelência
Elmar Mammadyarov, Ministro das Relações
Exteriores do Azerbaijão, e agradecer-lhes por
sua contribuição para este debate.
  Sou igualmente grato ao Secretário-Geral
Ban Ki-moon por seu briefing muito
informativo, bem como à Alta Comissária
Navi Pillay e ao Senhor Philip Spoerri, do
Comitê Internacional da Cruz Vermelha, por
suas observações.
  Senhor Presidente,
  Ao nos reunirmos para discutir este item
fundamental da agenda do Conselho de
Segurança, nosso ponto de partida deve ser o
reconhecimento de que a situação da proteção

de civis é abismal, tal como indicado pelo
Secretário-Geral em seu último relatório.
  Civis continuam a ser feridos, deslocados
e mortos em grande número e submetidos a
todo tipo de dificuldades em muitas partes do
mundo.
  É nossa responsabilidade coletiva, tanto
moral quanto política, enfrentar esta situação
e oferecer perspectivas de melhoria a civis
que estejam sob riscos reais ou potenciais.
  As dificuldades que nos têm impedido
de cumprir adequadamente as nossas
responsabilidades relativas à proteção de
civis não derivam de divergências sobre os
fundamentos éticos que estão na base desse
conceito.
  Elas resultam de divergências que nos
impedem de traduzir nossa ética comum em
políticas mutuamente acordadas que levarão a
resultados coerentes e eficazes.
  O uso da força para a proteção de civis
destaca-se como tema que divide opiniões,
compromete esforços voltados à solução
pacífica das controvérsias e nos distancia
do tratamento multifacetado dos temas
relacionados à proteção.
  No que se refere ao uso da força, o Brasil
compartilhou com o Conselho de Segurança
em 2011 um documento de reflexão sobre
responsabilidade ao proteger.
  Em nossa opinião, o recurso à ação militar
deve ser sempre uma medida excepcional,
tomada depois de esgotados todos os meios
pacíficos e apenas mediante a autorização
deste Conselho.
  Se a força for autorizada, deve ser
empregada de forma criteriosa, proporcional
e limitada aos objetivos estabelecidos pelo
Conselho. É preciso ter cuidado para não
agravar uma situação que coloca civis em risco
e gerar, involuntariamente, mais violência e
instabilidade.
  Além disso, o Conselho deve assegurar

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	227




aos membros da ONU que as ações militares
sejam monitoradas e que as resoluções sejam
interpretadas e implementadas de modo a
garantir o respeito à responsabilidade ao
proteger.
  Alguns acontecimentos no passado recente
nos fazem refletir sobre se a intervenção
militar direta ou o apoio a grupos armados
levaram a uma melhoria das condições para os
civis ou a uma situação de maior instabilidade
e violência.
  Entretanto, mesmo quando refletimos sobre
a experiência passada, podemos facilmente
chegar à conclusão de que a maneira mais
efetiva de proteger os civis é evitar conflitos
armados e, caso esses conflitos surjam,
demonstrar compromisso real com a sua
resolução por meios pacíficos.
  A Carta da ONU constitui a base para que
possamos associar a manutenção da paz e
segurança à promoção do desenvolvimento
sócio-econômico e institucional, bem como
ao respeito aos direitos humanos.
  Eu tive a oportunidade de destacar esse
aspecto no debate realizado sob a presidência
brasileira do CSNU, em fevereiro de 2011,
sobre a interdependência entre paz, segurança
e desenvolvimento.
  É possível argumentar que a promoção do
desenvolvimento sustentável, da erradicação
da pobreza e da segurança alimentar contribui
para a promoção da paz e segurança na medida
em que promove um ambiente mais estável
para os civis.
  É lamentável que o mundo gaste recursos
astronômicosnodesenvolvimentodearmasena
manutenção de elevados orçamentos militares,
ao mesmo tempo em que continuamos aquém
do cumprimento das metas de Assistência
Oficial	ao	Desenvolvimento,	conforme
acordado no Consenso de Monterrey de 2002.
  Esta situação preocupante foi descrita
pelo Secretário-Geral Ban Ki-moon em

um impactante artigo publicado em agosto
passado. Como disse o Secretário-Geral, o
mundo está sobre-armado e a paz está sub-
financiada.
  Se estamos seriamente comprometidos com
a proteção de civis - e se todos concordamos
que isso deve ser feito evitando-se, em
primeiro lugar, o surgimento de conflitos 
devemos buscar reverter essa tendência.
  A próxima Conferência sobre o Tratado do
Comércio de Armas nos oferece oportunidade
de dar um passo significativo e chegar a um
acordo sobre regras que ajudarão a poupar os
civis das consequências do fluxo desregulado
de armas.
  No campo do desarmamento e da não-
proliferação nuclear, é preciso haver progresso
consistente e equilibrado. Não podemos nos
dar ao luxo de deixar essa agenda sem uma
conclusão. Neste contexto, devo dizer que
o Governo brasileiro condena o novo teste
nuclear realizado pela República Democrática
e Popular da Coréia. Instamos o Governo
norte-coreano a cumprir integralmente todas
as resoluções do Conselho de Segurança sobre
o assunto.
  Na mesma linha de abordagem da proteção
de civis como forma de evitar conflitos,
este Conselho deve assumir plenamente sua
responsabilidade com relação à situação
daqueles que são vítimas diárias de conflitos
prolongados, como o conflito entre Israel e
Palestina.
  A proteção de civis deve ser implementada
de forma universal e não-seletiva.
  Os civis devem ser igualmente protegidos
contra ameaças de violência, sejam elas
em Homs ou em Gaza; em Khandahar ou
Timbuktu. Esforços multilaterais devem estar
de acordo com os Direitos Humanos e com o
Direito Internacional Humanitário, inclusive
no contexto da luta contra o terrorismo.
  Nesse particular, o Brasil saúda o anúncio

   
   

228

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




feito pelo Relator Especial da ONU sobre
Contra-terrorismo e Direitos Humanos a
respeito do lançamento de investigações
sobre o impacto, para os direitos humanos
de civis, do uso de drones e outros meios
de assassinatos seletivos com objetivos de
contra-terrorismo e contra-insurgência.
  Acolhemos com satisfação a crescente
participação de organizações regionais, como
a União Africana, em esforços de mediação e
resolução de conflitos, em coordenação com
outros esforços multilaterais e de acordo com
as disposições da Carta das Nações Unidas.
  Mas, ao mesmo tempo, devemos reconhecer
que a coordenação entre os níveis regional e
multilateral não tem sido sempre satisfatória
e que será necessário contar com melhores
meios de governança para lidar, de maneira
efetiva, com situações de instabilidade em que
civis são colocados em risco.
  A complexidade dos desafios requer que a
tomada e a implementação de decisões seja
feita de maneira mais inclusiva. Nesse quadro,
justificam-se algumas considerações sobre
a reforma, há muito devida, do Conselho de
Segurança.
  Um	Conselho	de	Segurança	mais
representativo e legítimo pode, e na minha
opinião irá, ajudar a adotar decisões e
estratégias para evitar conflitos e proteger um
maior número de civis.
  Negociar a fim de criar denominadores
comuns é a tarefa fundamental deste Conselho.
Neste particular, a diplomacia é essencial
e não deve ser equiparada, como se faz por
vezes, à falta de determinação.
  A frase não há solução militar está
sendo cada vez mais utilizada e pode refletir
o reconhecimento de que estamos entrando
em uma fase de maior abertura ao diálogo, à
negociação, à diplomacia - certamente uma
tendência que o Brasil favorece.
  O caso da Síria certamente vem à tona.

O Brasil concorda com aqueles que são da
opinião de que não há solução militar para a
crise síria e que este Conselho deverá firme
e inequivocamente apoiar os esforços do
Enviado Especial Conjunto Lakhdar Brahimi,
com base no Plano de Ação de Genebra - o
qual claramente se opõe à militarização.
   Senhor Presidente,
  Acredito que, após as experiências recentes
de uso da força para proteção de civis, a
comunidade internacional pode apreciar
melhor o valor da prevenção de conflitos e da
resolução pacífica de disputas, inclusive como
maneira de garantir a segurança daqueles que
se deseja proteger.
  Minha conclusão aponta para a importância
de estratégias que protejam civis em situações
de conflito por meio de esforços não-militares.
  Primeiro, vemos a necessidade de maior
conscientização sobre a importância de lidar
com a prevenção de conflitos por meios
pacíficos, inclusive por meio da promoção
do desenvolvimento sócio-econômico, de
esforços redobrados para o pleno cumprimento
dos compromissos de desarmamento e não-
proliferação, e por meio do enfrentamento de
desafios cruciais como o conflito entre Israel e
Palestina, entre outros.
  Em segundo lugar, em situações onde
conflitos eclodirem, vemos a urgência de
enfatizar a diplomacia e o diálogo como as
principais ferramentas para a sua resolução.
  Muito obrigado
   
       CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO
 EMBAIXADOR DO BRASIL EM ISRAEL
                            13/02/2013
                               
  O Governo brasileiro tem a satisfação
de informar que o Governo do Estado de
Israel concedeu agrément a Henrique da
Silveira Sardinha Pinto como Embaixador




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	229




Extraordinário e Plenipotenciário do Brasil.
De acordo com a Constituição Federal, essa
designação ainda deverá ser submetida à
apreciação do Senado Federal. Brasil e Israel
mantêm relações diplomáticas desde 1949.

      VISITA AO BRASIL DO MINISTRO
      DAS RELAÇÕES EXTERIORES DO
       SURINAME, WINSTON LACKIN -
  BRASÍLIA, 18 DE FEVEREIRO DE 2013
                            15/02/2013
  O Ministro das Relações Exteriores,
Antonio de Aguiar Patriota, receberá seu
homólogo do Suriname, Winston Lackin, em
Brasília, no dia 18 de fevereiro. No encontro,
os Chanceleres avaliarão relevantes projetos
conjuntos	de	cooperação	e	integração,
incluindo	iniciativas	em	áreas	como
educação, saúde e agricultura e a eventual
interconexão elétrica entre os dois países.
Serão tratados, ainda, temas regionais, como
a futura Presidência pro tempore surinamesa
da UNASUL e a realização da Cúpula Brasil-
CARICOM.
  Em	momento	de	fortalecimento	da
integração e da identidade sul-americana,
o Suriname tem-se voltado cada vez mais
para os seus vizinhos, aproximando-se do
MERCOSUL e abrindo novas oportunidades
para a integração regional. Bilateralmente,
as	relações	experimentam	momento	de
intensificação, do qual são exemplos a recente
abertura do Consulado do Suriname em
Belém e o estabelecimento de rota direta de
transporte marítimo entre os dois países.
  As relações comerciais entre Brasil e
Suriname evoluíram de forma significativa
nos últimos anos. Entre 2002 e 2012, o
intercâmbio entre os dois países aumentou em
480%, passando de US$ 10,7 milhões para
US$ 62,1 milhões.
  
VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DAS
  RELAÇÕES EXTERIORES E CULTO DA
   ARGENTINA, HÉCTOR TIMERMAN -
RIO DE JANEIRO, 19 DE FEVEREIRO DE 2013
                            18/02/2013
                               
  O Ministro das Relações Exteriores,
Antonio de Aguiar Patriota, receberá o
Ministro das Relações Exteriores e Culto da
República Argentina, Héctor Timerman, no
Rio de Janeiro, em 19 de fevereiro.
  A reunião ocorre no marco dos encontros
periódicos entre os Chanceleres dos dois
países, para examinar os temas da ampla
agenda de cooperação bilateral e tratar de
assuntos de interesse comum nas agendas
regional e global. Dos encontros bilaterais
de 2012 resultou novo mecanismo de
coordenação dos projetos prioritários de
cooperação bilateral, o Diálogo de Integração
Estratégica Brasil-Argentina, presidido pelos
Vice-Chanceleres.
  O intercâmbio bilateral passou de US$ 7,1
bilhões em 2002 para US$ 34,4 bilhões em
2012, a segunda melhor marca da história
(apesar da queda de cerca de 13% com relação
a 2011  ano de melhor resultado histórico,
da ordem de US$ 39,6 bilhões). O Brasil é
o principal parceiro comercial da Argentina,
e a Argentina é o terceiro parceiro comercial
individual do Brasil. O fluxo comercial
bilateral é composto em mais de 83% por bens
industrializados.

    III CÚPULA DE CHEFES DE ESTADO
    E DE GOVERNO AMÉRICA DO SUL-
                        ÁFRICA (ASA)
                            18/02/2013
                               
  Malabo, Guiné Equatorial, 22 de fevereiro de
2013 - América do Sul e África: mecanismos e




230

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




instrumentos para reforçar a Cooperação Sul-Sul.
  A III Cúpula América do Sul-África (ASA)
será realizada em Malabo, na Guiné Equatorial,
em 22 de fevereiro de 2013. A Presidenta
Dilma Rousseff chefiará a delegação brasileira
à Cúpula. A ASA, criada em 2006, abrange 66
países da América do Sul e da África, cerca
de um terço dos membros das Nações Unidas.
Brasil e Nigéria atuam como coordenadores
em suas respectivas regiões, que congregam
população de 1,4 bilhão de habitantes (estimativa
das Nações Unidas, 2011), e um PIB agregado
de US$ 6 trilhões (dados do FMI).
  O tema da Cúpula é América do Sul e
África: mecanismos e instrumentos para
reforçar a Cooperação Sul-Sul.
  Será organizado o Foro América do Sul-
África para o Desenvolvimento Econômico
e Comercial, que contará com a participação
de empresários, associações empresariais,
autoridades governamentais e instituições
internacionais voltadas para o financiamento
e	a	implementação	de	projetos	de
desenvolvimento.
  Com	o	fim	de	promover	o	maior
conhecimento recíproco, serão realizados,
à margem da Cúpula, Festival de Cinema
América do Sul-África, Exposição Fotográfica
Sul-Americana, Mostra de Livros de Literatura
Sul-americana e apresentações de grupos
musicais das duas regiões.
  O intercâmbio comercial entre os dois
continentes vem se incrementando de maneira
rápida, tendo passado de US$ 7,2 bilhões,
em 2002, para US$ 39,4 bilhões, em 2011
(crescimento de 447%).

              ELEIÇÕES NO EQUADOR
                            19/02/2013
                               
  O Ministro das Relações Exteriores,
Antonio de Aguiar Patriota, telefonou ao

Chanceler do Equador, Ricardo Patiño, para
congratular o Governo e o povo equatorianos
pelo transcurso das eleições presidenciais e
legislativas realizadas naquele país.
  O Ministro das Relações Exteriores,
Antonio de Aguiar Patriota, telefonou ao
Chanceler do Equador, Ricardo Patiño, para
congratular o Governo e o povo equatorianos
pelo transcurso das eleições presidenciais e
legislativas realizadas naquele país ontem,
17/2. O Ministro das Relações Exteriores,
ao reafirmar a disposição brasileira em
intensificar as relações Brasil-Equador,
formulou votos de pleno êxito para o novo
mandato do Presidente Rafael Correa e para
os trabalhos dos parlamentares eleitos.

           VI REUNIÃO DA COMISSÃO
   BRASILEIRO-RUSSA DE ALTO NÍVEL
     DE COOPERAÇÃO - DECLARAÇÃO
         CONJUNTA - BRASÍLIA, 20 DE
                  FEVEREIRO DE 2013
                            20/02/2013
                               
  1. O Excelentíssimo SenhorVice-Presidente
da República Federativa do Brasil, Michel
Temer, e o Excelentíssimo Senhor Presidente
do Governo da Federação da Rússia, Dmitry
A. Medvedev, reuniram-se em Brasília, em 20
de fevereiro de 2013, para copresidir a Sexta
Reunião da Comissão Brasileiro-Russa de
Alto Nível de Cooperação (CAN).
  2. Os Mandatários destacaram a importância
da Visita de Estado da Excelentíssima Senhora
Presidenta da República Federativa do Brasil,
Dilma Rousseff, a Moscou, em 13 e 14 de
dezembro de 2012, para o fortalecimento
da parceria estratégica entre República
Federativa do Brasil e a Federação da Rússia
e identificaram o Plano de Ação da Parceria
Estratégica: Próximos Passos, assinado na




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	231




ocasião, como o instrumento fundamental
para a efetiva implementação e ampliação de
projetos de cooperação de interesse mútuo.
  3.	Os	Mandatários	ressaltaram	a
importância	do	fluido	diálogo	político
no âmbito de sua Parceria Estratégica e
mostraram satisfação pelos resultados da
Reunião de Consultas Políticas, presidida
pela Excelentíssima Senhora Subsecretária-
Geral de Política I do Ministério das Relações
Exteriores da República Federativa do Brasil,
Embaixadora Vera Barrouin Machado, e
pelo Excelentíssimo Senhor Vice-Ministro
dos Negócios Estrangeiros da Federação da
Rússia, Embaixador Sergey A. Ryabkov, em
Brasília, em 19 de fevereiro de 2013. Na
oportunidade, foram analisados os grandes
temas da agenda internacional, tais como:
cooperação em fóruns multilaterais, BRICS,
G20 entre outros, assim como no âmbito
das Nações Unidas; reforma da ONU e
de seu Conselho de Segurança; o impacto
da crise econômico-financeira mundial na
política global; não-proliferação de armas
nucleares, desarmamento e controle de armas;
cooperação internacional no combate aos
novos desafios e ameaças; e Direitos Humanos.
Trataram, ainda, da atual situação do Oriente
Médio, Norte da África, região do Cáucaso,
da América Latina e Caribe, Comunidade
de Estados Independentes, MERCOSUL,
UNASUL, CELAC, OEA, União Aduaneira e
União Euro-Asiática.
  4.Ao analisar as perspectivas de cooperação
no âmbito da Organização Mundial do
Comércio, os Mandatários ressaltaram a
importânciadosistemamultilateraldecomércio
e declararam a necessidade de encontrar
soluções eficazes para a conclusão exitosa e
equilibrada da Rodada Doha. Nesse sentido,
a Parte brasileira destacou a relevância da
candidatura do Embaixador Roberto Azevêdo
para o cargo de Diretor-Geral da Organização

Mundial do Comércio, ressaltando sua
competência, representatividade, experiência
e habilidade em tratar da conjuntura
econômica contemporânea e dos desafios
atuais do sistema de comércio multilateral.
A parte russa acolheu com satisfação a
apresentação da candidatura do Embaixador
Roberto Azevêdo e afirmou que a mesma
será considerada levando em conta a parceria
estratégica entre os dois países.
  5. O Excelentíssimo Senhor Vice-
Presidente da República Federativa do Brasil,
Michel Temer, e o Excelentíssimo Senhor
Presidente de Governo da Federação da
Rússia, Dmitry Medvedev, determinaram a
realização da VIII Reunião da CIC, no segundo
semestre de 2013, em Brasília, e enfatizaram
a importância das reuniões dos Subgrupos
de Trabalho de Cooperação Econômica,
Comercial e Industrial, Energia, Espaço,
Ciência e Tecnologia, Financeiro, Cultura
e Esporte, Agropecuário e Técnico Militar,
em preparação à VI Reunião da Comissão
Brasileiro-Russa de Alto Nível.
  COOPERAÇÃO ECONÔMICA E
COMERCIAL
  6. Os Mandatários avaliaram o estado atual
do comércio bilateral e reconheceram que há
importante caminho a ser percorrido para que
as trocas entre os dois países alcancem o seu
pleno potencial. Nesse sentido, reiteraram a
disposição de identificar novas oportunidades
comerciais, de diversificar as pautas de
exportação e importação, a fim de ampliar a
parcela de bens de alto valor agregado, e de
incentivar a aproximação entre empresários
brasileiros e russos.
  7. Os Mandatários expressaram satisfação
pela realização do Foro Empresarial Brasil-
Rússia, realizado em Salvador, nos dias 18
e 19 de fevereiro de 2013, e reconheceram
a importância dos Conselhos Empresariais
Rússia-Brasil e Brasil-Rússia como plataforma




232

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




para promover e intensificar contatos entre as
comunidades empresariais dos dois países.
  8. Os Mandatários destacaram que as
pequenas e médias empresas são atores
relevantes para maior fluxo de comércio e de
investimentos entre os dois países expressaram
satisfação pela assinatura do Memorando
de Entendimento na Área de Empresas de
Pequeno e Médio Porte entre o Ministério
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior da República Federativa do Brasil e
o Ministério do Desenvolvimento Econômico
da Federação da Rússia.
  9. Tendo em vista a importância estratégica
da modernização dos parques industriais
de	ambos	os	países,	os	Mandatários
comprometeram-se a avançar nas negociações
de um Plano de Ação de Cooperação,
Econômica e Comercial Brasileiro-Russo para
o período 2013-2014, com base no Plano
de Ação da Parceria Estratégica: Próximos
Passos e no Memorando de Entendimento
entre os Ministérios das Relações Exteriores,
da Ciência, Tecnologia e Inovação e do
Desenvolvimento,	Indústria	e	Comércio
Exterior da República Federativa do Brasil e
o Ministério do Desenvolvimento Econômico
da Federação da Rússia para Cooperação na
Área de Modernização da Economia.
  10. Os Mandatários valorizaram o profícuo
diálogo já existente entre a Receita Federal do
Brasil e o Serviços Federal Alfandegário da
Federação da Rússia, com base no Acordo
entre Brasil e Rússia de Assistência Mútua
para a Prevenção, Investigação e Combate
às Infrações Aduaneiras, assinado em 2001,
e estimularam as partes a acelerar tratativas
em curso que visam a estabelecer maior
cooperação aduaneira entre os dois países.
  11.	Os	Mandatários	ressaltaram	a
importância da estreita cooperação técnica
entre o Banco Nacional de Desenvolvimento
e Comércio Exterior (BNDES) e o Banco de

Desenvolvimento e Atividade Econômica
Exterior da Rússia (Vneshekonombank),
com base no Memorando de Entendimento,
assinado em 2008, instrumento que permite
a concessão de linhas de crédito em moeda
local para financiamento de projetos de
investimentos e incentivo às operações de
exportação.
  12. Os Mandatários reforçaram seu
engajamento na criação do Novo Banco de
Desenvolvimento, sob a liderança dos BRICS,
com o objetivo de complementar a atuação
de instituições financeiras multinacionais e
regionais, proporcionar maior cooperação
entre os países dos BRICS e entre eles e países
em desenvolvimento.
  13. Os Mandatários expressaram satisfação
pelo trabalho do Subgrupo da Cooperação
Financeira e Interbancária, cuja segunda
reunião ocorreu no dia 18 de fevereiro de
2013, em Brasília, e que contribuiu para o
desenvolvimento da cooperação e do diálogo
entre as autoridades bancárias do Brasil e da
Rússia sobre diversos temas práticos, inclusive
pagamentos recíprocos em moeda nacional.
  14. Com o objetivo de estimular e ampliar a
realização de negócios entre os dois países, os
Mandatários saudaram o anúncio da abertura
de um escritório de negócios do Banco do
Brasil em Moscou.
  15. Tendo em vista a plena vigência do
Acordo para a Isenção de Vistos de Curta
Duração, os Mandatários reconheceram
a importância de voos entre o Brasil e a
Rússia, inclusive por via de terceiros países,
e determinaram a retomada das consultas
com vistas a pronta conclusão do Acordo de
Serviços Aéreos entre os dois países.
  COOPERAÇÃO EM EDUCAÇÃO,
CIÊNCIA E TECNOLOGIA
  16. Os Mandatários destacaram o papel
central que atribuem aos avanços em ciência,
tecnologia e inovação nos processos de




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	233




desenvolvimento nacional do Brasil e da
Rússia e coincidiram intensificar a cooperação
científico-tecnológica e de inovação com
o objetivo de estabelecer uma aliança
tecnológica entre os dois países.
  17. Os Mandatários congratularam-se pela
assinatura do Memorando de Entendimento
entre o Ministério da Educação da República
Federativa do Brasil e o Ministério de
Ciência, Tecnologia e Inovação da República
Federativa do Brasil e o Ministério da
Educação e Ciência da Federação da Rússia
para	Cooperação	na	Implementação	do
Programa Ciência sem Fronteiras (CsF),
que permitirá maior mobilidade, troca de
experiências e conhecimento mútuo entre as
comunidades acadêmicas dos dois países.
Os	Mandatários	determinaram	às	áreas
competentes a realização de consultas para
viabilizar implementação do Memorando de
Entendimento e para explorar novas propostas
com o objetivo de ampliar a cooperação
na esfera educacional, inclusive o envio de
pesquisadores russos ao Brasil e estímulo ao
setor privado com vistas a viabilizar estágios
profissionalizantes.
  18.	Os	Mandatários	reconheceram	a
importância do desenvolvimento de projetos
de nanotecnologia para a criação de produtos
e processos inovadores fundamentais para
a modernização dos parques industriais de
ambos os países. Nesse sentido, reiteraram a
importância de ampliar a cooperação no âmbito
das prioridades elencadas no Memorando de
Entendimento entre o Ministério da Ciência
e Tecnologia da República Federativa do
Brasil e o Ministério da Educação e Ciência
da Federação da Rússia sobre Cooperação
na Área de Nanotecnologia, assinado em 8
de outubro de 2010, e no Sistema Nacional
de Nanotecnologia da República Federativa
do Brasil (SisNANO), especialmente em
(i) desenvolvimento de instrumentos para

nanotecnologia; (ii) nanobiotecnologia
aplicada ao sistema de saúde; (iii) troca
de experiência entre empresas brasileiras
e russas sobre incorporação de processos
nanotecnológicos; (iv) avanços no
processo de regulação de produtos de base
nanotecnológica.
  19. Os Mandatários reiteram a intenção
de aprofundar a cooperação no campo
dos usos pacíficos da energia nuclear,
conforme estabelecido pelo Memorando de
Entendimento entre a Comissão Nacional
de Energia Nuclear (CNEN) e a Corporação
Estatal para a Energia Atômica da Rússia
(ROSATOM), de 21 de julho de 2009.
De maneira a definir áreas concretas de
cooperação, as Partes acordaram a realização,
durante o ano de 2013, de encontros de peritos
e de seminário técnico conjunto, com vistas
a analisar, entre outros, as possibilidades da
cooperação no empreendimento do Reator
Multipropósito Brasileiro, bem como em
futuros projetos brasileiros de geração
termonuclear.
  20. Os Mandatários destacaram a
promoção da inovação como objetivo
central das iniciativas bilaterais em ciência
e tecnologia e sublinharam a importância de
envolver no processo os parques tecnológicos,
incubadoras e pequenas e médias empresas.
Nesse sentido, determinaram a realização,
em 2013, de reunião entre representantes
de instituições brasileiras de promoção e
fomento à inovação e de parques tecnológicos
com seus congêneres russos, notadamente do
centro Skolkovo.
  COOPERAÇÃO EM AGROPECUÁRIA
  21. Os Mandatários destacaram a
importância do setor agropecuário na
pauta comercial bilateral, manifestaram
satisfação pelo bom diálogo existente na área
agrícola e reconheceram a necessidade de
intensificar a cooperação já existente, com




234

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




vistas a maior intercâmbio de experiências e
encaminhamento de soluções para eventuais
demandas entre as partes.
  22. Com o objetivo de dinamizar o
comércio de carnes entre os dois países, os
dois Mandatários determinaram que o serviços
veterinários dos dois países intensifiquem
contatos	com	vistas	a	habilitação	de
estabelecimentos brasileiros para exportação
de carnes bovinas e suínas à Federação da
Rússia.
  23. Os Mandatários saudaram a realização
da 2ª Reunião do Comitê Agrário Brasil-Rússia
realizado nos dias 19 e 20 de fevereiro, que
tratou de temas sanitários e fitossanitários nas
áreas vegetal e animal; cooperação bilateral
em organismos multilaterais; cooperação nas
áreas de pesquisa científica, tecnológica e
educativa; e política agrícola, desenvolvimento
rural e intercâmbio de experiências em
modelos produtivos integrados na indústria de
carnes.
  24.Aodestacarasperspectivasdaexportação
do trigo russo para o Brasil e tendo em vista
a importância da soja na pauta exportadora
brasileira à Rússia, os Mandatários saudaram
a assinatura do Acordo entre o Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento da
República Federativa do Brasil e o Ministério
da Agricultura da Federação da Rússia em
Relação aos Requerimentos Fitossanitários
para Trigo Proveniente da Federação da
Rússia para a República Federativa do Brasil
e determinaram a realização de negociações
para a pronta assinatura do Protocolo para
Exportação de Soja em Grãos e Farelo de Soja
do Brasil para a Federação da Rússia.
  COOPERAÇÃO EM DEFESA
  25.	Os	Mandatários	reafirmaram	o
compromisso de aprofundar a cooperação em
Defesa, dedicando particular prioridade à área
de desenvolvimento tecnológico, no marco
dos compromissos bilaterais. Registraram

satisfação pela visita de delegação do
Ministério da Defesa do Brasil, chefiada pelo
Excelentíssimo Senhor Chefe do Estado-
Maior Conjunto das Forças Armadas do Brasil,
General-de-Exército José Carlos de Nardi,
a Moscou, entre os dias 23 a 26 de janeiro,
e sublinharam a importância de desenvolver
cooperação de longo prazo, com transferência
tecnológica, mediante estabelecimento de
parcerias industriais e formação de pessoal.
Nesse sentido, os Mandatários saudaram a
assinatura de Declaração de Intenções entre o
Ministério da Defesa da República Federativa
do Brasil e o Serviço Federal de Cooperação
Técnico-Militar da Federação da Rússia
Relativa à Cooperação em Defesa Antiaérea.
  26. Os Mandatários recordaram a
importância da compra pelo Brasil de 12
helicópteros MI-35M. A Parte brasileira
reiterou a importância da abertura de centro
de manutenção e reposição de peças dos
helicópteros no Brasil.
  COOPERAÇÃO EM ENERGIA
  27. Os Mandatários saudaram o
estabelecimento de parceria entre empresas de
ambos os países para a exploração de petróleo
e gás natural na Bacia do Solimões. A Parte
brasileira reafirmou o grande potencial para
exploração no Brasil e estimulou a participação
de empresas russas na 11ª Rodada de Licitação
de Concessões para Exploração de Petróleo
e Gás, cujos blocos estão localizados em 17
Setores de 9 Bacias Sedimentares brasileiras:
Barreirinhas, Ceará, Espírito Santo, Foz
do Amazonas, Pará-Maranhão, Parnaíba,
Potiguar, Recôncavo e Sergipe-Alagoas.
  28. Os Mandatários saudaram o aumento
do volume do comércio entre os dois países
resultado da maior cooperação bilateral na área
energética. A Parte Russa destacou o interesse
de empresas russas em participar de diversos
projetos no setor energético, em particular
na construção das usinas hidroelétricas de




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	235




Sinop, de São Manoel e de Sobradinho, e em
promover o intercâmbio de experiências em
projetos de transmissão de energia.
  29.	Os	Mandatários	reafirmaram	o
significativo potencial para o estabelecimento
de	cooperação	técnica	com	vistas	a
implementação de atividades e projetos na área
de inovação, eficiência energética, redução do
consumo energético e fontes renováveis de
energia.
  COOPERAÇÃO NA ÁREA ESPACIAL
  30. Os Mandatários saudaram a inauguração
de estação de referência de correção diferencial
do sistema de localização GLONASS no
Brasil, no campus da Universidade de Brasília,
e a assinatura de contrato entre a Fundação
Universidade de Brasília e a Corporação de
Pesquisa Científica e Produção Sistemas de
Medição Precisa (OAO NPK SPP) para
instalação, uso e pesquisa da Estação Óptica
(EO), equipada com Estação de Medição
Unidirecional (OWS) MS GLONASS -
(Sazhen-TM-OWS) no território da República
Federativa	do	Brasil.	Os	Mandatários
manifestaram	disposição	em	explorar
possibilidades de ampliação da participação
brasileira no desenvolvimento e uso do
sistema de navegação GLONASS, tal como
estabelecido no programa de cooperação entre
a Agência Espacial Brasileira e a Roskosmos.
  31. Os Mandatários saudaram a assinatura
do Memorando de Entendimento entre a
JSC Tecnologias Russas da Navegação e
o Município de Goiânia sob a Interveniência
da Secretária Municipal de Desenvolvimento
Urbano	Sustentável,	que	estabelece
cooperação entre as duas instituições no
âmbito do Projeto Goiânia Sustentável e
prevê troca de peritos, desenvolvimento de
projetos de pesquisa e capacitação.
  COOPERAÇÃO	EM	CULTURA	E
ESPORTE
  32.	Os	Mandatários	congratularam-

se pela adoção do Plano de Ação com
vistas à Implementação do Memorando
de Entendimento entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo
da Federação da Rússia sobre Cooperação
em Matéria de Governança e Legados
Relativos à Organização de Jogos Olímpicos
e Paralímpicos e Copas do Mundo FIFA. As
Partes reafirmaram sua intenção de intensificar
o intercâmbio de visitas de representantes
dos respectivos órgãos da administração
pública, com o objetivo de promover trocas de
informações, de experiências e de boas práticas
nas áreas relativas à organização, preparação
e realização de grandes eventos esportivos,
incluindo a Universíade 2013, a ser realizada
em Kazan, a Copa das Confederações FIFA
2013, as Copas do Mundo FIFA de 2014 e
de 2018, os Jogos Olímpicos de Inverno de
2014, a serem realizados em Sochi, e os Jogos
Olímpicos de 2016, a serem realizados no Rio
de Janeiro.
  33. Os Mandatários destacaram o papel
fundamental da cultura como instrumento
de fortalecimento das relações de amizade
existentes entre os povos dos dois países e
reafirmaram o compromisso de realizar os
Dias da Cultura da Rússia no Brasil e os Dias
da Cultura do Brasil na Rússia, em 2014, e
determinaram a reunião de grupos técnicos
dos dois países para estabelecer o calendário e
demais aspectos organizacionais e financeiros
das atividades, no primeiro semestre de 2013.
  DIÁLOGO ENTRE REPRESENTANTES
DA SOCIEDADE CIVIL DO BRASIL E DA
RUSSIA
  34. Os Mandatários consideraram que o
diálogo entre representantes da sociedade
civil da Rússia e do Brasil é uma premissa
necessária para a compreensão mútua e para
o estabelecimento do espírito de cooperação,
que muito contribui para o reforço das relações
bilaterais.




236

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  VII REUNIÃO DA COMISSÃO RUSSO-
BRASILEIRA	DE	ALTO	NÍVEL	DE
COOPERAÇÃO
  35. Os Mandatários acordaram que a
VII Reunião da Comissão de Alto Nível de
Cooperação será realizada em Moscou, em
2014, em datas a serem acordadas por via
diplomática.
  MICHEL TEMER DMITRY MEDVEDEV
   
       CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO
         EMBAIXADOR DO BRASIL NO
                      CAZAQUISTÃO
                            20/02/2013
                               
  O Governo brasileiro tem a satisfação
de informar que o Governo do Cazaquistão
concedeu	agrément	a	Demétrio	Bueno
Carvalho como Embaixador Extraordinário
e Plenipotenciário do Brasil. De acordo
com a Constituição, essa designação ainda
deverá ser submetida à apreciação do Senado
Federal. Brasil e Cazaquistão mantêm relações
diplomáticas desde 1993.

III CÚPULA DE CHEFES DE ESTADO E DE
   GOVERNO AMÉRICA DO SUL-ÁFRICA
     (ASA) - DECLARAÇÃO DE MALABO
                            23/02/2013
                               
  [original em Inglês]
   
  Declaração de Malabo
  Nós, os Chefes de Estado e de Governo
da América do Sul e da África, reunidos na
Terceira Cúpula América do Sul  África
(ASA), em Malabo, Guiné Equatorial, no dia
23 de fevereiro de 2013;
  1. Expressando nossa gratidão a Sua
Excelência, o Sr. Teodoro Obiang Nguema
Mbasogo,	Presidente	da	República	da

Guiné Equatorial, ao Governo e ao povo da
Guiné Equatorial por sua calorosa acolhida
e generosa hospitalidade, bem como pela
excelente organização e afávelcondução dos
trabalhos desta Cúpula;
  2. Reafirmando nosso compromisso de
desenvolver estratégias e mecanismos para
fortalecer a cooperação Sul-Sul em benefício
dos povos da África e da América do Sul;
  3. Reconhecendo os laços históricos e
culturais existentes entre a África e a América
do Sul e a participação ativa das populações
de ascendência africana no desenvolvimento
da América do Sul, bem como o importante
papel que os países e povos da América
do Sul desempenharam nas heróicas lutas
pela independência política, pela dignidade
humana e pelo desenvolvimento econômico e
social, travadas pelos povos e países africanos;
  4. Saudando a celebração do 50º aniversário
da criação da Organização de Unidade
Africana (OUA), e apoiando a comemoração
deste importante marco da [União] Unidade
Africana;
  5. Relembrando a Declaração de Abuja,
adotada na I Cúpula África-América do Sul,
em 30 de Novembro de 2006, e a Declaração
de Nova Esparta, em Ilha de Margarita,
República Bolivariana da Venezuela, aprovada
na II Cúpula América do Sul-África, em 27
de setembro de 2009, bem como os esforços
envidados para implementar essas declarações
e consolidar a cooperação em diversas áreas
de interesse comum das duas regiões;
  6. Reconhecendo que a cooperação Sul-
Sul é um objetivo importante para ambas as
regiões, particularmente no que diz respeito
ao fortalecimento das relações comerciais
em todas as áreas de interesse comum e
com o intercâmbio de melhores práticas nas
áreas, inter alia, de saúde; meio ambiente,
biodiversidade, energia, transporte e aviação,
infraestrutura urbana e mudança do clima;




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	237




ciência e tecnologia; comércio, investimento
e indústria e turismo; educação e cultura;
agricultura e desenvolvimento rural; criação
de emprego; ações de promoção nos campos
da juventude e do gênero; paz e segurança
e enfatizando a necessidade de uma ação
conjunta nessas áreas;
  7. Conscientes de que, no esforço de
promover a paz e a segurança internacionais,
a cooperação entre as nossas duas regiões
deve ser baseada em compromisso com:
o multilateralismo; o respeito pelo direito
internacional,	pela	democracia,	pelos
direitos humanos e o direito humanitário; o
desarmamento; os livres fluxos migratórios; a
prevenção e o combate ao terrorismo; a luta
contra o tráfico ilícito de armas pequenas
e leves; a luta contra o tráfico de pessoas e
de drogas, assim como contra a lavagem de
dinheiro e a pirataria; a não-proliferação de
armas nucleares e outras armas de destruição
em massa; a evasão ilícita de capitais; a
realização do desenvolvimento sustentável
com justiça social e inclusão social; a
erradicação da fome e da pobreza; e a proteção
ambiental;
  8. Lembrando que as atuais tendências
e desenvolvimentos no mundo financeiro
têm um impacto direto e indireto sobre as
economias dos nossos países e regiões;
  9. Reconhecendo que a igualdade de gênero,
o empoderamento das mulheres e o apoio à
juventude são elementos-chave para alcançar
o desenvolvimento social e econômico, bem
como a justiça, e recordando os progressos
alcançados em nossos países graças à maior
utilização de dados desagregados por gênero
na análise, planejamento e gestão das políticas
econômicas e sociais voltadas para esses
objetivos;
  10. Comprometidos a envidar esforços
para erradicar todas as formas e manifestações
de violência contra as mulheres, meninas e

outros grupos vulneráveis e promover o pleno
exercício de seus direitos humanos;
  11. Decidindo compartilhar experiências e
promover cooperação estreita e genuína entre
nossas regiões com o apoio da União Africana
(UA) e da União das Nações Sul-Americanas
(Unasul), enquanto importantes pilares de
cooperação entre os nossos povos, cooperação
esta iniciada por meio da contribuição e
do papel desempenhado por essas duas
organizações nas reuniões preparatórias desta
Terceira Cúpula;
  12. Elogiando os esforços realizados até
o momento, pelo Grupo de Coordenação e
Acompanhamento da ASA para intensificar a
cooperação entre a América do Sul e a África,
bem como para promover o multilateralismo
eficaz em benefício mútuo dos Estados e
povos das duas regiões;
  13. Desejosos de estabelecer os mecanismos
necessários para ampliar a cooperação entre a
África e a América do Sul, no interesse dos
Estados e povos de nossas duas regiões;
  14. Relembrando a Declaração Final
emitida na Primeira Reunião de Trabalho do
Comitê Estratégico Presidencial, realizada em
6 de agosto de 2010, em Caracas, Venezuela,
e na Quarta Conferência Ministerial do
Fórum de Cooperação África-América do
Sul (ASACOF), realizada em Malabo, Guiné
Equatorial, em 25 de Novembro de 2011;
  DECLARAMOS QUE:
  Em apoio a esse firme compromisso, é
necessário reforçar as seguintes áreas de
cooperação:
  I. PAZ E SEGURANÇA
  15. Enfatizamos que o respeito pleno aos
objetivos e princípios da Carta das Nações
Unidas constitui condição sine qua non
para o fortalecimento da paz e da segurança
internacionais, e lembramos, igualmente, que
paz e desenvolvimento estão estreitamente
interligados, reforçam-se mutuamente e são




238

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




essenciais para alcançar o desenvolvimento
sustentável.
  16. Reiteramos que qualquer conflito ou
disputa que possa comprometer a estabilidade
regional ou global deve ser resolvido de forma
pacífica, em conformidade com a Carta das
Nações Unidas. Relembramos, igualmente, a
necessidade de adotar medidas apropriadas e
eficazes contra as ameaças à paz e à segurança
decorrentes da proliferação de armas químicas,
biológicas e nucleares, ou do tráfico ilícito de
armas, munições e explosivos, de acordo com
os dispositivos pertinentes das Nações Unidas.
  17. Reafirmamos nosso firme compromisso
de combater o terrorismo, a pirataria, o
tráfico de drogas e outras formas de crime
organizado, incluindo o pagamento de resgate
a grupos terroristas e ao crime organizado
internacional.
  18. Condenamos veementemente o aumento
do número de estupros e outras formas de
violência contra as mulheres, meninas e
outros grupos vulneráveis, incluindo os HIV
positivos. Empenhados em combater esses
crimes hediondos, concordamos em apoiar
todas as organizações de boa vontade que lutem
contra eles e instamos os Estados Membros
da ASA a implementar todas as resoluções
pertinentes das Nações Unidas, assim como
outros	instrumentos	internacionais	que
conduzam à erradicação da violência contra
as mulheres e à completa eliminação de novas
infecções pelo HIV.
  19. Expressamos apreço pela convocação
da Sétima Reunião Ministerial da Zona de Paz
e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS),
realizada no Uruguai, em 15 e 16 de Janeiro
de 2013. Saudamos, a esse repeito, a decisão
dos ministros da ZOPACAS de consolidar o
Atlântico Sul como uma zona livre de armas
nucleares e de armas de destruição em massa,
e o compromisso dos seus Estados-Membros
para com a promoção da paz e segurança, da

democracia, do desenvolvimento sustentável,
da prosperidade econômica, da inclusão social,
da integração cultural e da solidariedade.
  20. Reafirmamos nosso compromisso
para com a paz e a estabilidade em nossas
regiões e em todas as demais regiões do
mundo, reiterando nosso apoio às operações
de manutenção da paz no âmbito das Nações
Unidas, ressaltando, ao mesmo tempo, o
papel cada vez maior das nossas organizações
regionais na implementação dessas operações.
  II. ASSUNTOS POLÍTICOS,
DEMOCRACIA, GOVERNANÇA E
DIREITOS HUMANOS
  21. Apoiamos o enfoque global para a
solução da crise do Mali, tal como definido
pela União Africana e pelo Conselho de
Segurança das Nações Unidas. Saudamos
os esforços da comunidade internacional, da
União Africana, da CEDEAO e dos países
vizinhos com o objetivo de apoiar o povo do
Mali na restauração de sua unidade nacional
e integridade territorial, na construção de
instituições democráticas e no combate
aos flagelos irmanados do terrorismo
e do crime organizado. Ressaltamos a
importância do diálogo intra-malinense e
do apoio da comunidade internacional ao
desenvolvimento e à assistência humanitária
a esse país na construção de uma base sólida
para a estabilidade de longo prazo no Mali.
  22. Conclamamos, ainda, a comunidade
internacional a apoiar os esforços e iniciativas
africanos com o objetivo de consolidar o
processo de retorno à ordem constitucional na
Guiné-Bissau e em Madagascar, assim como
a normalização e estabilização na República
Centro-Africana, na República Democrática
do Congo, na Somália, no Sudão e no Sudão
do Sul.
  23. Expressamos nossa profunda
preocupação com a pilhagem dos recursos
marinhos da Guiné-Bissau, que tem




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	239




contribuído para a deterioração da situação
sócio-econômica e humanitária do seu povo.
Condenamos, nos termos mais firmes, os
mentores do crescente tráfico de drogas na
Guiné-Bissau. Apoiamos os esforços da União
Africana, da CEDEAO e da Comunidade dos
Países de Língua Portuguesa na promoção
do diálogo inclusivo e das condições para o
progresso sustentável com vistas à restauração
da ordem constitucional, por meio de um
processo eleitoral democrático que respeite as
liberdades políticas e os direitos humanos.
  24. Saudamos a aprovação pela Assembléia
Geral das Nações Unidas, da Resolução 67/19,
que reconheceu a Palestina como Estado
Observador Não-Membro das Nações Unidas.
Reafirmamos a necessidade de alcançar uma
paz justa, duradoura e abrangente no Oriente
Médio, com a criação de um Estado palestino
independente, soberano e viável, com base nas
linhas de 1967, com Jerusalém Oriental como
sua capital, convivendo, de maneira segura e
pacífica, lado a lado com o Estado de Israel.
Lamentamos, também, a falta de progresso
significativo nos esforços realizados pelo
Quarteto, e consideramos que o apoio de outros
atores poderia contribuir para a retomada
das	negociações	em	bases	prioritárias.
Lembramos, ainda, que a questão palestina
é um dos principais desafios na atual agenda
de paz e segurança internacional e, portanto,
esforços para resolvê-la devem constituir
objeto de comunicação regular ao Conselho
de Segurança. Reafirmamos a necessidade de
Israel interromper atividades de assentamento,
as quais são ilegais, contradizem as resoluções
e	tratados	internacionais	pertinentes	e
ameaçam a solução de dois Estados.[1]
  25. Expressamos profunda preocupação
com a atual situação na Síria, condenamos
toda violência, independentemente de sua
origem, e conclamamos todas as partes na
Síria, incluindo grupos armados, a cessarem

imediatamente toda violência e retaliações.
Instamos as autoridades sírias a permitir o
acesso seguro e livre à ajuda humanitária,
a fim de garantir o acesso às pessoas que
necessitem de assistência. Pedimos também
que se estabeleça um processo político
inclusivo, liderado pelos sírios, realizado em
ambiente desprovido de violência, medo,
intimidação ou extremismos, e destinado
a atender de modo efetivo as legítimas
aspirações e preocupações do povo sírio,
sem que se prejulguem seus resultados.
Reafirmamos o nosso firme compromisso
com a soberania, independência, unidade e
integridade territorial da República Árabe da
Síria, e sublinhamos a necessidade de resolver
pacificamente a atual crise política no país.
  26. Reconhecemos os legítimos direitos da
República Argentina na disputa de soberania
sobre as Ilhas Malvinas[2], Geórgias do Sul
e Sandwich do Sul e os espaços marítimos
circundantes, e instamos o Reino Unido da
Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte a retomar
as negociações com a República Argentina a
fim de encontrar, o mais rápido possível, uma
solução justa, pacífica e definitiva para os
dois, de acordo com as resoluções pertinentes
das Nações Unidas e outras organizações
regionais e internacionais.
  27. Clamamos pela implementação
da Resolução 67/4 da AGNU, de 13 de
Novembro de 2012, intitulada Necessidade
de pôr fim ao bloqueio econômico-comercial
e financeiro imposto pelos Estados Unidos
da América contra Cuba, o que permitirá a
Cuba usufruir suas legítimas perspectivas de
desenvolvimento sustentado.
  28. Reafirmamos que o arquipélago de
Chagos, incluindo Diego Garcia, usurpado
ilegalmente pela antiga potência colonial
do território da República de Maurício,
em violação ao direito internacional e às
resoluções da ONU 1514 (XV), de 14 de




240

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




Dezembro de 1960 e 2066 (XX), de 16 de
dezembro de 1965, é parte integrante do
território da República de Maurício. A esse
respeito, notamos com grande preocupação
que, apesar da firme oposição da República
de Maurício, o Reino Unido alegadamente
tenciona estabelecer uma área marinha
protegida ao redor do arquipélago de
Chagos, o que viola o direito internacional e
ainda impede o exercício, pela República de
Maurício, de sua soberania sobre o arquipélago
e o direito de retorno dos cidadãos do país
que foram removidos à força do arquipélago
pelo Reino Unido. Tomamos a decisão de
apoiar plenamente todas as medidas pacíficas
e legítimas, tanto as já tomadas, quanto as
que venham a ser adotadas pelo governo da
República de Maurício, para efetivamente
exercer sua soberania sobre o arquipélago
de Chagos e, a esse respeito, apelamos ao
Reino Unido para cessar rapidamente a sua
ocupação ilegal do arquipélago. Recordamos,
a propósito, as Resoluções/Decisões adotadas
pela União Africana no mais alto nível político,
incluindo a decisão Assembly/AU/Dec.331
(XV), de 27 de Julho de 2010, da Assembleia
da UA, e a Resolução Assembly/AU/Res.1
(XVI), aprovada pela 16ª Sessão Ordinária da
Assembleia da UA, realizada em Adis Abeba,
Etiópia, em 30 e 31 de janeiro de 2011.
  29. Reafirmamos que a ilha comorense de
Mayotte, que foi usurpada ilegalmente pelo
antigo poder colonial francês do território da
União das Comores, em violação do direito
internacional e das resoluções e decisões da
ONU e da OUA / UA, faz parte integral do
território do país. Nesse sentido, notamos que
esta ocupação da Ilha comorense de Mayotte
viola o direito internacional e impede o
exercício da soberania da União das Comores
sobre a totalidade do seu território. Tomamos
a decisão de apoiar plenamente todas as
medidas pacíficas e legítimas, tanto as já

tomadas, quanto as que venham a ser adotadas,
pelo Governo da União das Comores, para
efetivamente exercer sua soberania sobre
Mayotte e, para este fim, conclamamos a
França a cessar rapidamente a sua ocupação
ilegal da ilha.
  30. Reiteramos nosso compromisso com os
direitos dos povos à dignidade e às liberdades
fundamentais e nosso apoio à democracia.
Concordamos em apoiar os países de nossas
regiões em seus esforços para restaurar a
estabilidade política e consolidar o processo
democrático e a boa governança, a fim de
reativar suas economias, criar empregos para
a juventude, garantir um melhor equilíbrio e
assegurar um melhor equilíbrio, bem como
a inclusão social e o bem-estar social desses
povos.
  31. Reiteramos, ainda, a nossa forte
condenação a mudanças inconstitucionais de
governo.
  32. Reafirmamos nosso compromisso
com a democracia e a proteção e promoção
dos direitos humanos. Nossas duas regiões
manterão consultas regulares sobre questões
políticas de interesse mútuo ou global para
facilitar a adoção de posições coordenadas
suscetíveis de reforçar nossa influência no
sistema internacional.
  33. Reafirmamos, ademais, nosso
compromisso com os direitos humanos,
incluindo o direito ao desenvolvimento, e
reiteramos que esses direitos são universais,
indivisíveis e interdependentes, devendo ser
tratados de forma justa e equilibrada, como
direitos iguais, com a mesma importância.
Nossas duas regiões vão fortalecer suas
consultas com o objetivo de alcançar uma
posição comum sobre questões discutidas no
Conselho de Direitos Humanos das Nações
Unidas e em outros foros onde essas questões
são discutidas.
  34. Condenamos firmemente o racismo,

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	241




a discriminação racial, a xenofobia, assim
como a intolerância que os acompanham.
Comprometemo-nos a aprimorar a cooperação
entre nossas regiões e intercambiar boas
práticas na luta contra todas as formas de
intolerância,	em	conformidade	com	os
compromissos	assumidos	na	Declaração
e Plano de Ação, adotados por ocasião da
Conferência Mundial contra o Racismo,
realizada em Durban, África do Sul, em 2001.
  35. Louvamos a organização da Primeira
Cúpula da Diáspora Africana Global, de 23 a
25 de maio de 2012, em Joanesburgo, na África
do Sul. O evento foi um marco importante do
processo de organização da Diáspora Africana
e de sua crescente interação e junção de
esforços com a UA.
  36. Reconhecemos a importância do
esporte na criação de melhores condições
para o desenvolvimento social da juventude,
bem como na promoção da igualdade de
gênero e da inclusão social, e reafirmamos
seu impacto positivo nos esforços em nível
nacional,	regional	e	internacional	para
combater todas as formas de discriminação,
incluindo o racismo e a discriminação social.
Nesse contexto, concordamos em considerar
maneiras de promover maior cooperação na
área do esporte, como forma de criar mais
conhecimento, conscientização e de reforçar
os laços culturais entre os países de ambas as
regiões.
  37. Reafirmamos nosso firme compromisso
de combater o terrorismo, a pirataria, o tráfico
de drogas e outras formas de crime organizado,
incluindo o pagamento de resgate a grupos
terroristas.
  38. Reafirmamos o nosso compromisso
de enfrentar o problema mundial das drogas,
com base nos princípios de responsabilidades
comuns e compartilhadas, do multilateralismo
e de um tratamento abrangente, reconhecemos
o trabalho realizado pelo Conselho da

UNASUL sobre o Problema Mundial das
Drogas e salientamos a importância da
cooperação internacional no enfrentamento
da questão mundial das drogas, bem como
para promoção de programas de redução
da demanda e de modos alternativos de
desenvolvimento com inclusão social.
Apoiamos a celebração, no início de 2016, de
uma Sessão Especial da Assembléia Geral das
Nações Unidas sobre o Problema Mundial das
Drogas.
  39. Reafirmamos o princípio da
inviolabilidade das instalações diplomáticas
e consulares e da obrigação dos Estados
receptores de respeitar o que foi estabelecido
na Convenção de Viena sobre Relações
Diplomáticas, de 1961, e da Convenção de
Viena sobre Relações Consulares, de 1963.
Ademais, reafirmamos o que está estipulado
no Direito Internacional quanto ao fato de
que o direito interno não pode ser invocado
para evitar o cumprimento de obrigações
internacionais.
  III. COOPERAÇÃO EM FOROS
MULTILATERAIS
  40. Tomamos nota dos progressos
realizados por nossos Estados-Membros no
que tange aos Objetivos de Desenvolvimento
do Milênio (ODMs), incluindo os avanços
nas áreas de saúde, gênero, alfabetização e
segurança alimentar. Saudamos os progressos
alcançados pela Declaração de Paris, a
Agenda de Acra para a Ação e a Conferência
de Busan. Reiteramos que, para superar as
deficiências e atrasos em nossos esforços
para alcançar os ODMs, os nossos governos
devem manter respostas políticas firmes
voltadas para a diversificação econômica e a
transformação estrutural a fim de acelerar a
redução da pobreza, para a criação de vínculos
entre setores domésticos que favoreçam a
agregação de valor, combater o desemprego,
garantir a segurança alimentar e nutricional,




242

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




acelerar o progresso na redução da mortalidade
infantil e materna, promover a igualdade de
gênero e conferir à população amplo acesso
a melhores serviços básicos. Propomos
uma reflexão por parte da comunidade
internacional sobre os progressos realizados
na implementação dos ODMs e as novas
medidas de acompanhamentoapós 2015, para
os países que não atingiram esses Objetivos.
  41. Reconhecemos que a África e a América
do Sul possuem grandes trunfos no combate
aos efeitos nocivo da mudança do clima e na
promoção do desenvolvimento sustentável
e a erradicação da pobreza. Nesse sentido,
louvamos a África do Sul por ter sediado,
exitosamente, a COP 17/CMP 7, em Durban,
na África do Sul, de 28 de novembro a 9 de
dezembro de 2011. Na mesma linha, louvamos
o Brasil por ter sediado, exitosamente, a
Conferência da ONU sobre Desenvolvimento
Sustentável, a Rio +20, no Rio de Janeiro,
no Brasil, de 20 a 22 de junho de 2012, que
pode ser considerada um passo decisivo para a
concretização do desenvolvimento sustentável
em todos os países.
  42. Enfatizamos a necessidade de dar
prosseguimento à cooperação entre a África e a
América do Sul nas negociações internacionais
sobre mudança do clima e acordamos reforçar
a coordenação e a colaboração existentes entre
os dois continentes.
  43. Ressaltamos a importância das decisões
adotadas na Conferência do Rio, em particular
o lançamento de processo para definir Metas
de Desenvolvimento Sustentável, a criação
de um Fórum Político de Alto Nível sobre
Desenvolvimento Sustentável, o consenso
sobre as medidas para fortalecer o Programa
das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente
(PNUMA) e o trabalho de identificação de
opções para a consecução de uma estratégia
eficaz de financiamento do desenvolvimento
sustentável e em direção à criação de um

mecanismo de facilitação que promova o
desenvolvimento, a transferência e a difusão
de tecnologias limpas e ambientalmente
corretas.
  44. Tomamos nota da aprovação da
emenda ao Protocolo de Kyoto durante a
18 ª Conferência das Partes da Convenção-
Quadro das Nações Unidas sobre Mudança
do Clima, a COP-18, realizada em Doha,
no Catar, e enfatizamos a necessidade de
dar prosseguimento à cooperação entre a
África e a América do Sul nas negociações
internacionais sobre mudança do clima.
  45. Tomamos nota da iniciativa da Guiana
de combater a mudança do clima por meio
de uma inovadora e prática Estratégia de
Desenvolvimento de Baixo Carbono (LCDS),
que foi reconhecida internacionalmente
e particularmente, na Rio+20, como uma
iniciativa modelo, que pode oferecer ao
mundo exemplo prático de como uma ação
imediata pode estimular a criação de uma
economia de baixo desmatamento, de baixo
carbono e resistente às mudanças do clima.
  46. Saudamos os resultados de CBD/
COP-11, particularmente no tocante ao
aumento dos fluxos financeiros internacionais
para biodiversidade destinados a países em
desenvolvimento, e ressaltamos a importância
da cooperação Sul-Sul e triangular para a
realização dos objetivos do Plano Estratégico
para a Biodiversidade 2011-2020. A esse
respeito, reafirmamos a importância das ações
coletivas e o papel crucial desempenhado
pelos povos indígenas e comunidades
locais na conservação e uso sustentável da
biodiversidade.
  47. Saudamos a recente adoção da nova
Convenção de Minamata sobre o mercúrio,
passo fundamental no desenvolvimento do
direito ambiental internacional e na proteção
da saúde humana e do meio ambiente contra os
riscos do mercúrio. Ressaltamos a importância




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	243




do apoio financeiro, técnico, tecnológico e à
capacitação para a efetiva implementação da
Convenção de Minamata sobre o mercúrio.
  48.	Reafirmamos	nosso	compromisso
de aumentar a participação dos países em
desenvolvimento nos órgãos de tomada de
decisão das instituições multilaterais, de modo
a torná-los mais alinhados com a realidade
geopolítica atual.
  49. Tomamos nota de que a África mantém
posição comum sobre a reforma das Nações
Unidas,	como	estipulado	no	Consenso
de Ezulwini e na Declaração de Sirte, da
Assembleia da União Africana de Chefes
de Estado e de Governo, de Julho de 2005,
e reafirmamos o nosso compromisso com a
conclusão do processo global de reforma das
Nações Unidas.
  50. Saudamos os esforços em curso para
reformar as Nações Unidas a fim de tornar
a Organização mais preparada para lidar
com os desafios atuais à paz e à segurança
internacionais. Nesse contexto, clamamos
pela	reforma	urgente	do	Conselho	de
Segurança, como elemento essencial do nosso
esforço geral para reformar as Nações Unidas.
Manifestamos apoio a sua ampliação, de modo
a torná-lo mais representativo dos países em
desenvolvimento, eficiente e transparente e,
assim, aprimorar a sua eficácia, transparência,
legitimidade e efetividade.Pedimos, ainda,
a revitalização da Assembleia Geral e do
Conselho Econômico e Social.
  IV.	INVESTIMENTO,	COMÉRCIO,
INDÚSTRIA E TURISMO
  51. Saudamos as frutíferas consultas
realizadas por nossas regiões no contexto
das negociações comerciais no âmbito da
Organização Mundial do Comércio (OMC),
na Oitava Conferência Ministerial, realizada
em Genebra, de 15 a 17 de dezembro de 2011,
e os trabalhos da XIII Sessão da Conferência
das	Nações	Unidas	sobre	Comércio	e

Desenvolvimento (UNCTAD XIII) realizada
em Doha, Catar, de 21 a 26 de Abril de 2012.
Encorajamos nossas duas regiões a reforçar
ainda mais sua cooperação no campo do
comércio.
  52. Estamos convencidos de que uma
conclusão exitosa, ambiciosa, abrangente
e equilibrada das negociações comerciais
multilaterais no âmbito do mandato da Rodada
do Desenvolvimento de Doha contribuirá para
o crescimento econômico sustentável, devendo
ser inclusiva e orientada ao desenvolvimento.
A Conferência Ministerial da OMC em Bali,
em dezembro próximo, deve chegar a um
resultado equilibrado e que leve em conta o
papel central da agricultura para os países em
desenvolvimento.
  53. Cientes da relevância da Organização
Mundial do Comércio (OMC), e à luz do início
do processo de seleção de seu próximo Diretor-
Geral, consideramos que a qualidade de
nossos candidatos ao posto dá testemunho do
compromisso de nossas regiões aos propósitos
e princípios da OMC. Reconhecemos que o
processo de seleção deve levar em conta, além
dos méritos dos candidatos, que a posição
deve ser ocupada por um representante de
um país em desenvolvimento, de preferência
da ASA. Para esse fim, solicitamos a nossos
ministros que instruam nossos representantes
permanentes junto à OMC a que trabalhem
para promover a seleção de um candidato de
um país em desenvolvimento no processo de
seleção do próximo Diretor-Geral da OMC.
  54. Saudamos a decisão da União Africana
de endossar a candidatura do Embaixador
Rashad Farah, do Djibuti, para o cargo de
Diretor-Geral da UNESCO. Concordamos
que as duas regiões têm de trabalhar em prol a
sua candidatura.
  55. Comprometemo-nos a reforçar a
nossa cooperação em questões como o
desenvolvimento de mercados regionais e




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




infraestrutura, bem como a coordenação de
políticas para criar e fortalecer a capacidade
produtiva,	e	encorajamos	a	promoção
de	parcerias	público-privadas	viáveis,
o compartilhamento de informações e a
promoção de oportunidades de negócios.
  56.	Sublinhamos	o	papel	vital	do
investimento e reconhecemos a necessidade
de	financiamento	para	promover	o
desenvolvimento e o crescimento sustentáveis
e, nesse sentido, concordamos em promover
políticas favoráveis ao investimento, tanto
público quanto privado, e também em
realizar projetos de pesquisa para fomentar o
desenvolvimento de indústrias manufatureiras,
incluindo pequenas e médias empresas.
  57. Expressamos preocupação com a
recente escalada da crise da dívida soberana
na Zona do Euro, que está prolongando a crise
econômica global e pode afetar adversamente
as economias africanas e sul-americanas.
Assim,	reiteramos	o	apelo	aos	nossos
governos para que permaneçam vigilantes e
comprometidos a levar adiante ampla gama
de políticas e estratégias que nos permitam
superar a crise.
  58. Reiteramos que a reforma financeira
deve ter como propósito facilitar que os
investimentos sejam canalizados para os
objetivos de desenvolvimento e não para
atividades	especulativas. Apoiamos	uma
redução na dependência automática com
relação às Agências de Classificação de
Risco, um aumento de sua transparência e
responsabilização, assim como a concorrência
entre elas. Além disso, reconhecemos a
necessidade de enfrentar os paraísos fiscais,
que facilitam a evasão fiscal, a corrupção e
atividades criminosas, além de oferecer uma
base operacional para os fundos-abutre.
Por fim, ressaltamos a necessidade de impor
limites à ação desses fundos, a fim de evitar
que o seu comportamento coloque em risco a

estabilidade financeira internacional.
  59. Sublinhamos nosso compromisso com
reformas mais profundas nas instituições
financeiras internacionais, com vistas à
melhoria da participação dos países em
desenvolvimento nessas organizações, a
fim de melhor refletir nosso crescente peso
relativo na economia mundial, bem como os
nossos interesses e pontos de vista.
  60. Ressaltamos que, dada a importância da
agricultura para a economia de nossas regiões,
os efeitos adversos da mudança do clima
constituem motivo de preocupação e devem
ser considerados em todas as estratégias de
desenvolvimento local, nacional e continental.
O setor industrial das economias deve ser
fortalecido a fim de possibilitar a exportação
de produtos manufaturados de maior valor
agregado e de reduzir a dependência das
exportações de matérias-primas, além de
contribuir para o desenvolvimento sustentável.
  61. Reafirmamos a necessidade urgente de
articular políticas voltadas para a garantia da
segurança alimentar, incluindo o acesso aos
alimentos. Salientamos nosso compromisso
e firme determinação de elaborar estudos
conjuntos e intercâmbio de experiências no
campo da segurança alimentar, com o intuito
de erradicar a fome em nossas regiões. Nesse
contexto, rejeitamos as políticas distorcivas
adotadas pelos países desenvolvidos, devido
ao seu impacto negativo sobre a produção
agrícola, o investimento, e o exercício
do direito à alimentação nos países em
desenvolvimento.
  62. Reafirmamos, também, o direito
à alimentação como um direito humano
estabelecido, e, portanto, reconhecemos a
necessidade de promover debates que levem
a uma definição comum do conceito de
soberania alimentar para evitar repercussões
negativas que afetem o exercício do direito à
alimentação.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	245




   63.	Reafirmamos,	ainda,	nosso
compromisso com o sistema multilateral como
instrumento válido para ajudar a resolver a
questão da fome e da pobreza. A esse respeito,
instamos os países desenvolvidos a cumprir
seus compromissos de financiamento. Além
disso,	destacamosnosso	compromisso	de
reforçar a Comissão de Segurança Mundial
(CFS) como um fórum multilateral onde todos
os Estados possam discutir alternativas para
resolver a insegurança alimentar mundial.
  64.	Comprometemo-nos	a	elaborar
agenda produtiva focada na consecução
de um crescimento econômico inclusivo e
ambientalmente	sustentável	que	priorize
pequenos	e	médios	produtores	locais,
respeitando os seus métodos tradicionais.
Comprometemo-nos a realizar um esforço
conjunto em prol da produção, da produtividade
e da sustentabilidade agrícola, recorrendo,
entre outras medidas, ao investimento público
e privado, crédito, tecnologia adequada,
insumos, planejamento de uso da terra,
diversificação de culturas, comercialização,
uso racional dos recursos hídricos, bem como
o estabelecimento de sólidas cadeias agrícolas
de agregação de valor e investimento em
infraestrutura rural.
  65. Saudamos a decisão da Organização
das Nações Unidas para a Alimentação e
Agricultura (FAO) de designar Sua Excelência
Evo Morales, Presidente da Bolívia e a Sra.
Nadine Heredia, Primeira-dama do Peru,
como Embaixadores especiais da FAO para
o Ano Internacional da Quinoa, alimento
que desempenha papel relevante na busca
da segurança alimentar e nutricional e na
erradicação da pobreza e da fome. Saudamos
também a aprovação, por consenso, da
resolução A/RES/66/221, de 22 de dezembro
de 2011, que declara 2013 como o Ano
Internacional da Quinoa, uma iniciativa do
Estado Plurinacional da Bolívia, e convidamos

os países a apoiar a sua implementação
mediante seu compromisso de promover o
cultivo da quinoa para combater a fome, à luz
de suas propriedades nutricionais. Também
enfatizamos a importância da divulgação
de informações sobre as qualidades deste
nutriente, e apoiamos programas de pesquisa
e desenvolvimento.
  66. Felicitamos o IV Congresso Mundial
da Quinoa e o I Simpósio de grãos andinos,
a ser realizado em Ibarra, Equador, de 8 a 12
de julho de 2013, que reunirá especialistas,
cientistas, produtores e autoridades agrícolas,
a fim de discutir as mais relevantes questões
agrícolas e de uso desse produto.
  67. Reafirmamos a importância de,
no âmbito da Organização Mundial da
Propriedade Intelectual (OMPI), promover
e proteger os recursos genéticos, os
conhecimentos tradicionais e o folclore, assim
como a disseminação da tecnologia e o acesso
ao conhecimento e à educação, com base nas
legislações nacionais, em benefício de nossos
países.
  68. Reconhecemos a importância do
turismo para o desenvolvimento de nossos
povos por seu impacto transversal em
diferentes aspectos das nossas economias
nacionais, uma vez que o desenvolvimento
do turismo traz impactos não só aos diversos
setores da sociedade, mas também a sua
evolução nacional e internacional.
  V. CIÊNCIA, TECNOLOGIA E
TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E
COMUNICAÇÃO (TIC)
  69. Enfatizamos que, tendo em vista que
a ciência e a tecnologia são componentes
essenciais do processo de industrialização
de ambas as regiões, devemos desenvolver
e implementar iniciativas para fortalecer
nossas capacidades nessas áreas. Devemos,
tanto quanto possível, compartilhar as nossas
experiências na formulação e execução de




246

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




transferência de conhecimento científico e
tecnológico e nas diretrizes de políticas de
desenvolvimento, a fim de atingir nossos
objetivos de desenvolvimento.
  70. Apoiamos o fortalecimento das ações
conjuntas em matéria de comunicação para
estimular e promover o entendimento mútuo
e a amizade entre as duas regiões, fortalecer a
identidade cultural de seus povos e promover
o intercâmbio cultural entre eles.
  71. Encorajamos, ainda, o fortalecimento
da cooperação nas áreas de produção e de
intercâmbio de programas de áudio-visual,
rádio e televisão, bem como de uma biblioteca
digital, assim como dar início da construção
de um banco de dados relevante sobre todas
as questões de interesse para a África e a
América do Sul.
  VI. PROJETOS APROVADOS PARA
IMPLEMENTAÇÃO
  72. Louvamos os esforços empreendidos
e os resultados das consultas realizadas
em diferentes níveis para chegar a acordo
sobre um grande número de projetos (vinte
e sete), a serem implementados entre as
duas regiões. Eles abrangem várias áreas de
interesse comum, particularmente educação
e cultura, paz e segurança, desenvolvimento
institucional, governança e administração
pública, comércio, investimento e turismo,
infraestrutura, transportes e energia, ciência
e tecnologia, agricultura e meio ambiente,
questões sociais, saúde, esporte, gênero e
juventude.
  73. Incentivamos a execução de projetos
com	recursos	nacionais	e	regionais	já
existentes, bem como com o apoio dos bancos
de desenvolvimento e agências internacionais
relevantes, sem prejuízo de outras fontes de
financiamento.
  74.	Saudamos	as	várias	iniciativas
desenvolvidas	no	âmbito	do	Plano	de
implementação ASA 2010-2015, em particular

as três mesas redondas: Infra-estrutura,
Energia e Transporte, Oportunidades de
comércio e investimento entre América do Sul
e África e Agricultura e Cooperação Sul-
Sul . Saudamos também os eventos culturais
que aconteceram à margem da III Cúpula da
ASA (o festival de cinema, as exposições
de fotografia e as apresentações de grupos
artísticos). Louvamos os participantes e os
Grupos de Trabalho que organizaram esses
eventos.
  75. Tomamos nota, com apreço, do
lançamento da 2ª edição do Catálogo
Bibliográfico ASA: América do Sul e África;
um olhar próprio. Livros para conhecer os
dois continentes.
  76. Congratulamos o Grupo de Trabalho
sobre Ciência e Tecnologia e TICs pela
iniciativa de lançar o sítioweb ASA (www.
asasummit.org), que irá, simultaneamente,
aumentar o conhecimento público sobre a
ASA e facilitar muito a comunicação e o
intercâmbio entre os Membros.Aguardamos
com expectativa a circulação inicial dos
projetos aprovados pelo Grupo de Trabalho
sobre a ampliação e integração das redes de
pesquisa entre Membros da ASA e a criação
de um Programa sobre Segurança Alimentar
e Nutricional.
  77. Aprovamos as atualizações no Plano
de Implementação da ASA e concordamos
com que seja prorrogado até o período de
2013-2016 e que alguns dos projetos podem
ser implementados no âmbito das estruturas e
recursos já existentes.
  VII. GESTÃO DE PARCERIA
  1. Comitê Presidencial Estratégico e
Secretariado Permanente da ASA
  78.NotamosacriaçãodoComitêEstratégico
Presidencial e da Secretaria Permanente da
ASA, que visam revigorar nossa parceria para
a obtenção de resultados concretos. Notamos,
igualmente, que os regulamentos oferecem




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	247




clareza sobre o funcionamento do Comitê
Estratégico Presidencial e da Secretaria
Permanente da ASA, com relação ao seu
mandato e funções, entre outros pontos.
  79. Notamos, ademais, que a composição
do Comitê Estratégico Presidencial está por
ser decidida. A esse respeito, instruímos
nossos Altos Funcionários a resolverem essa
questão e relatarem seu desenvolvimento à
próxima reunião de Ministros da ASA.
  VIII.	MECANISMO	DE
ACOMPANHAMENTO
  80. Recordamos o estabelecimento do
Grupo de Coordenação África- América
do Sul, formado pelos dois coordenadores
regionais e os dois co-presidentes, bem como a
Comissão da União Africana e o Secretariado
da	União	das	Nações	Sul-Americanas.
Esse Grupo constitui o Mecanismo de
Acompanhamento e se encontra subordinado
aos Altos Funcionários dos dois lados.
Instamos os Estados-Membros a dar-lhe o
apoio necessário para o cumprimento do seu
mandato.
  81. Decidimos criar um Comitê ad hoc,
composto pelo país-sede da presente Cúpula,
e dos países-sede da anterior e da próxima
Cúpula,	bem	como	dos	coordenadores
regionais para a África e América do Sul,
os Presidentes da União Africana e da
UNASUL, a Comissão da União Africana
e a Secretaria da UNASUL, com vistas à
assegurar a implementação dos projetos
acordados nas Cúpulas da ASA, bem como
das atividades regulares do Mecanismo e seus
grupos de trabalho. O mandato do Comitê ad
hoc durará até a conclusão das discussões do
Grupo de Trabalho referido no parágrafo 6 da
Declaração Ministerial de Malabo, de 25 de
novembro de 2011.
  82. Ao tomarmos nota da criação da Mesa
Presidencial Estratégica da Cúpula ASA,
salientamos que a Cúpula ASA é o órgão

supremo da parceria África-América do Sul,
e que lhe cabe aprovar as ações principais a
serem empreendidas pela Mesa.
  83. Reiteramos que o Mecanismo de
Acompanhamento será responsável por
propor novas iniciativas, realizar ações no
âmbito de programas e projetos previamente
acordados, passar em revista o progresso da
sua implementação e disseminar informações
sobre acordos de cooperação.
  84. A fim de garantir a inplementação
efetiva da presente Declaração e do Plano de
Implementação, instamos, conforme decidido
anteriormente:
  I. Os Ministros a reunirem-se, pelo menos
uma vez por ano, para acompanhar e monitorar
a implementação das decisões;
  II. A convocação anual, ou quando
necessário, de reuniões bi-regionais de Altos
Funcionários para preparar atualizações sobre
implementação de iniciativas;
  III. O Grupo de Coordenação a se reunir para
o acompanhamento das decisões da Reunião
Ministerial e apresentar recomendações para
as reuniões de Cúpula;
  IV. A realização de reuniões regulares dos
vários Grupos de Trabalho, para garantir a
plena implementação dos projetos acordados;
  V. A realização, no período entre as
Cúpulas, de outras reuniões, na forma e no
nível a serem decididos pelos Governos das
duas regiões.
  85. Recordamos o Plano de Ação de Abuja,
que dispõe que a Cúpula ASA seja realizada a
cada dois (2) anos e decidimos pela alteração
do intervalo entre Cúpulas, que pasará a ser de
três (3) anos;
  86. Agradecemos e concordamos com a
oferta do Equador para sediar a Quarta Cúpula
América do Sul - África (ASA IV), em 2016.
  Feito em Malabo, em 22 de fevereiro de
2013.




248

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  [1] Reserva formulada pela República do
Sudão do Sul.
  [2] Reserva formulada pela República do
Cameroun

    MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
   ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA
            FEDERATIVA DO BRASIL E
          O GOVERNO DA REPÚBLICA
        FEDERAL DA NIGÉRIA PARA O
  ESTABELECIMENTO DE MECANISMO
          DE DIÁLOGO ESTRATÉGICO
                            23/02/2013
                               
  O Governo da República Federativa do
Brasil
  e
  O Governo da República Federal da Nigéria
  (doravante denominados conjuntamente
como as Partes e, no singular, como Parte),

  Reconhecendo o papel proeminente de
ambos os países em suas respectivas regiões,
bem como as responsabilidades por eles
assumidas como importantes atores no cenário
internacional;
  Conscientes	da	importância	do
relacionamento bilateral entre os dois países e
convencidos de que consultas entre as Partes
aumentarão o desenvolvimento de tais relações
e a cooperação em assuntos internacionais, de
modo consistente com os princípios da Carta
das Nações Unidas;
  Almejando a ampliação do relacionamento
entre os dois países por meio do diálogo
estratégico e da cooperação, com o intuito
de promover seus objetivos e interesses
compartilhados em âmbito bilateral, regional
e internacional;
  Determinados a desenvolver e fortalecer a
cooperação bilateral entre os dois países em

todas as áreas, com base nos princípios de
respeito e benefício mútuos e de igualdade;
  Dispostos a fortalecer os laços de amizade
e da vantajosa cooperação mútua existente
entre os governos dos dois países e seus povos,
  Chegaram ao seguinte entendimento:
  Seção 1
  Estabelecimento de um Mecanismo de
Diálogo Estratégico
  As Partes estabelecem Mecanismo de
Diálogo Estratégico (doravante denominado
Mecanismo) para servir de anteparo para o
diálogo descrito na Seção 2.
  Seção 2
  Propósito
  O Mecanismo encorajará diálogo bilateral
de alto nível para promover, aumentar e
explorar várias áreas nas quais os dois países
tenham objetivos e interesses comuns.
  Seção 3
  Escopo
  O Mecanismo terá, entre outros objetivos:
  i. Promover e aumentar a cooperação
abrangente nas áreas diplomática, politica,
  economica, científica e tecnológica,
além de intensificar o comércio bilateral e
investimentos entre os dois países;
  ii. Coordenar e atender áreas de interesse e
preocupação comuns e desenvolver estratégias
para resolver essas questões com a assistência
e coordenação de ambas as Partes;
  iii. Assistir, coordenar e acompanhar
a implementação de Acordos e outros
instrumentos legais concluídos ou a serem
concluídos entre as Partes;
  iv. Empenhar-se para criar condições
favoráveis para conduzir programas de
cooperação e projetos, conforme venha a
ser decidido por consenso mútuo, e ajudar
na resolução de quaisquer dificuldades
que possam surgir e que possam impedir o
processo de condução de tais programas e
projetos;




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	249




   v. Avaliar o desenvolvimento de cooperação
entre os dois países, bem como as iniciativas de
cada Parte que visem a expandir a cooperação
a novas áreas;
  vi. Encorajar e impulsionar temas regionais,
incluindo a promoção de paz e estabilidade na
África e promover cooperação no âmbito da
Cúpula América do Sul-África (ASA).
  vii. Encorajar temas internacionais relativos
à agenda da Organização das Nações Unidas e
de outras organizações internacionais e foros
multilaterais de interesse mútuo de ambos os
países, incluindo reforma e revitalização das
Nações Unidas, desarmamento, resolução de
conflitos, comércio e financiamento globais,
mudanças	climáticas,	desenvolvimento,
segurança	alimentar	e	diálogo	entre
civilizações, além da promoção de outros
assuntos prioritários de preocupação mútua
em foros internacionais.
  Seção 4
  Composição
  i. O Mecanismo será composto por
membros de ambas as Partes;
  ii.	Cada	Parte	deverá	determinar	a
composição de sua delegação para participar
no Mecanismo;
  iii. A presidência do Mecanismo será
exercida pelo Vice Presidente da República
Federativa do Brasil e pelo Vice Presidente da
República Federal da Nigéria;
  iv. Cada presidência convidará Ministros
para participar dos encontros do Mecanismo,
dependendo da agenda proposta para cada
encontro.
  Seção 5
  Programa de Trabalho
  1. O Mecanismo, em seu programa de
trabalho, focalizará nas seguintes áreas:
  a. Agricultura e segurança alimentar;
  b. Petróleo;
  c. Energia Elétrica;
  d. Biocombustíveis;
   
e. Comércio e Investimentos;
  f. Finanças;
  g. Aviação;
  h. Infraestrutura;
  i. Mineração;
  j. Cultura;
  k. Educação
  2. O Mecanismo pode, a qualquer momento,
variar, aumentar e indicar outras áreas não
mencionadas anteriormente.
  Seção 6
  Frequência e Localização
  1. O Mecanismo será convocado
anualmente e se realizará alternadamente na
República Federativa do Brasil e na República
Federal da Nigéria.
  2. As Partes determinarão a data e a agenda
do encontro por via diplomática.
  Seção 7
  Compromissos
  Este Memorando de Entendimento
constitui compromisso político, não sendo
vinculante. Nenhuma de suas disposições
têm por intuito afetar qualquer compromisso
bilateral ou multilateral das Partes.
  Seção 8
  Início
  As Partes pretendem iniciar as atividades
no âmbito deste Memorando de Entendimento
na data de sua assinatura.
  Seção 9
  Entrada em Vigor e Denúncia
  Este Memorando de Entendimento
entrará em vigor na data de sua assinatura e
permanecerá em vigor por um período de cinco
(5) anos, sendo automaticamente renovado
por igual período, a menos que uma das Partes
notifique a outra sua intenção de denunciar o
presente Memorando de Entendimento com
antecedência de noventa (90) dias.
  Seção 10
  Emendas
  Este Memorando de Entendimento poderá

   
   

250

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




ser emendado a qualquer momento, por
consentimento mútuo das partes, por via
diplomática.
  Qualquer	controvérsia	relativa	à
interpretação ou à implementação deste
Memorando de Entendimento será resolvida
pelas Partes por via diplomática.
  Assinado em Abuja, em 23 de fevereiro
de 2013, em dois exemplares originais, nos
idiomas português e inglês, sendo ambos os
textos igualmente autênticos.

   COMUNICADO CONJUNTO EMITIDO
          POR OCASIÃO DA VISITA DA
       PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF
         A ABUJA NOS DIAS 22 E 23 DE
                  FEVEREIRO DE 2013
                            23/02/2013
                               
  1. Convidada por Sua Excelência Doutor
Goodluck Ebele Jonathan, Presidente da
República Federal da Nigéria, Sua Excelência
Dilma Rousseff, Presidenta da República
Federativa do Brasil, realizou visita de Estado
à Nigéria, nos dias 22 e 23 de fevereiro de
2013.
  2. Durante a visita, os dois Presidentes
analisaram formas de promover e intensificar
as relações entre os dois países, além de
definirem as orientações estratégicas com
vistas a impulsionar ainda mais os laços de
amizade que os unem. Os dois Presidentes
também	debateram	algumas	importantes
questões	regionais	e	internacionais	e
compartilharam pontos de vista em comum.
  3. Os dois Presidentes elogiaram a criação
do Mecanismo para o Diálogo Estratégico
entre o Brasil e a Nigéria, estabelecido
por meio da assinatura de Memorando de
Entendimento, em cerimônia ocorrida ao final
das reuniões bilaterais. Eles orientaram seus

Vice-Presidentes a iniciarem imediatamente a
implementação do Memorando.
  4. Os líderes também expressaram
satisfação com o adensamento constante
do relacionamento e da cooperação entre o
Brasil e a Nigéria nos últimos 52 anos, desde
o estabelecimento das relações diplomáticas
em 1961. Manifestaram ainda o forte
compromisso em expandir a cooperação em
várias áreas e em promover o crescimento
da parceria bilateral, sempre respeitando os
princípios do mútuo benefício, respeito e
interesse mútuo.
  5. Os dois Presidentes notaram, com
satisfação, o grande número de trocas de
visitas de Chefes de Estado que têm ocorrido
desde 2005. Eles reconheceram que essas
visitas são um importante instrumento para
promover as relações bilaterais.
  6. Os dois Presidentes concordaram que a
troca de visita de altas autoridades dos países
deve ser intensificada. Nesse contexto e com
o intuito de dar continuidade aos resultados
da presente visita, instruíram que a 7 a.
Reunião da Comissão Mista Bilateral deve ser
realizada, em Abuja, o mais rápido possível.
  7. Os Chefes de Estado assinalaram
o importante papel de ambos os países
na manutenção da paz e da segurança
internacional nas suas respectivas regiões e
além delas, assim como expressaram a vontade
de trabalhar juntos para promover a paz, a
segurança internacional e o desenvolvimento
sustentável.
  8. Os dois Presidentes saudaram os
esforços em andamento visando à reforma
da Organização das Nações Unidas com
o objetivo de aumentar sua capacidade de
dar respostas adequadas aos atuais desafios
à manutenção da paz internacional. Nesse
sentido, ressaltaram a urgência em reformar
o Conselho de Segurança, com vistas a
democratizá-lo e a torná-lo mais condizente




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	251




com as mudanças ocorridas no cenário
internacional desde 1946.
  9. Os dois líderes ressaltaram as relações
de amizade e cooperação entre a África e a
América do Sul e expressaram sua satisfação
pelos resultados da recém-concluída III Cúpula
América do Sul-África (ASA), realizada
em Malabo. Manifestram ainda apreço pela
realização da VII Reunião Ministerial da
Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul
(ZOPACAS), em 15 e 16 de Janeiro de 2013.
  Cooperação política e na área de segurança
  10. Com o objetivo de reforçar a cooperação
nos setores de defesa e segurança, os dois
Chefes de Estado concordaram em fomentar a
troca de visitas de autoridades governamentais
dessas áreas.
  11. Ambos os líderes também concordaram
em promover a cooperação na área de
treinamento de militares, incentivando a
participação de oficiais brasileiros e nigerianos
em programas e instituições de treinamento
existentes nos dois países.
  12. Os dois líderes analisaram os conflitos
na Guiné-Bissau, no Mali e no Sahel. Os
Presidentes apoiaram a abordagem global
para a solução da crise do Mali, conforme
estabelecido pela CEDEAO, pela União
Africana e pelo Conselho de Segurança
da ONU. Eles elogiaram os esforços da
comunidade internacional, da União Africana,
da CEDEAO e dos países vizinhos com o
objetivo de apoiar o povo malinense a restaurar
sua unidade nacional e integridade territorial,
de construir instituições democráticas e de
combater o terrorismo e o crime organizado.
Os Chefes de Estado enfatizaram a importância
do diálogo intra-malinense, do envolvimento
da comunidade internacional e da assistência
humanitária para formação de uma base sólida
que possa garantir a estabilidade do Mali no
longo prazo.
  13. Os Presidentes manifestaram sérias

preocupações quanto à atual crise política
e institucional na Guiné-Bissau e quanto à
deterioração da situação socioeconômica e
humanitária da população daquele país. Eles
expressaram apoio aos esforços da União
Africana, da CEDEAO e da Comunidade de
Países de Língua Portuguesa na promoção de
diálogo inclusivo e na restauração da ordem
constitucional, por meio de um processo
eleitoral democrático que respeite a liberdade
política e os direitos humanos.
  Economia, Comércio e Investimentos
  14. Ambos os Presidentes saudaram as
tendências positivas do comércio bilateral e
se comprometeram a trabalhar em conjunto
para alcançar uma relação comercial mais
equilibrada, diversificada e mutuamente
benéfica. Eles elogiaram a realização do
Fórum Empresarial Brasil-Nigéria, organizado
à margem da visita presidencial, e exortaram
as comunidades empresariais dos dois países
a intensificarem seus esforços no sentido de
aumentar os contatos de negócios a fim de
promoverem o comércio e os investimentos.
  Sociedade, Cultura e Cooperação
  15.Osdoislíderesenfatizaramaimportância
de programas de intercâmbio cultural e
educacional para estreitar laços de amizade
entre a Nigéria e o Brasil. Instruíram seus
respectivos Ministros da Educação a trabalhar
pela efetiva implementação dos acordos
já existentes nessas áreas e pela assinatura
de novos acordos, a fim de promover uma
relevante cooperação educacional e cultural.
Expressaram satisfação com a escolha do
Brasil como tema principal do Festival Anual
da Herança Negra de Lagos, que será realizado
em outubro de 2013, e comprometeram-se a
promover o evento.
  16. Os Chefes de Estado afirmaram que
a ampliação dos contatos entre os povos
brasileiro e nigeriano constitui elemento-
chave para o desenvolvimento das relações




252

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




bilaterais. Reconheceram que a intensificação
desse tipo de contato fornecerá base mais
sólida para o fortalecimento da relação e para
o aprofundamento da compreensão mútua e
o estreitamento dos laços de amizade. Nesse
sentido, sublinharam a importância de que
o fluxo bilateral de acadêmicos, estudantes,
profissionais	de	comunicação	e	jovens
intercambistas seja maior.
  17.	Os	Presidentes	ressaltaram	o
compromisso de promover a cooperação
técnica	bilateral	em	diversas	áreas:
agricultura e segurança alimentar; energia,
incluindo energia elétrica, setor petrolífero
e	biocombustíveis;	desenvolvimento	de
infraestruturas, obras públicas e transporte
aéreo; defesa; educação; e cultura. No futuro,
outros setores poderão também ser incluídos
na agenda de cooperação.
  Apoio mútuo a candidaturas
  18.	Os	dois	presidentes	trocaram
informações sobre a candidatura nigeriana à
vaga de membro não permanente no Conselho
de Segurança das Nações Unidas no período
2014-2015. Trocaram também impressões
sobre a candidatura do Embaixador Roberto
Azêvedo para o cargo de Diretor-Geral da
Organização Mundial do Comércio (OMC).
Concordaram, em princípio, à luz do excelente
relacionamento	bilateral,	em	considerar
favoravelmente as duas candidaturas, bem
como outras candidaturas do Brasil e da
Nigéria.
  Energia
  19. Os dois Presidentes reconheceram a
importância da energia para os esforços de
desenvolvimento e industrialização de ambos
os países. Reiteraram seu compromisso de
colaborar nesse setor por meio de uma parceria
mutuamente	benéfica.	Comprometeram-
se a trabalhar em conjunto com vistas a
garantir a implementação do Memorando
de Entendimento sobre Cooperação na Área

de Energia, que, assinado em 2009, abrange
iniciativas nas áreas de geração, transmissão
e distribuição de energia elétrica, bem
como na produção e comercialização de
biocombustíveis.
  Agricultura
  20. Os dois Presidentes ressaltaram
a importância da agricultura para o
desenvolvimento e concordaram em
colaborar ativamente nas áreas de formação
e capacitação, assim como no intercâmbio de
tecnologias pertinentes.
  Aviação
  21. Os dois Presidentes assinalaram a
importância da implementação dos acordos
de serviços aéreos bilaterais e concordaram
que a existência de ligação aérea direta entre
o Brasil e a Nigéria impulsionará os contatos
entre os dois povos e incentivará o comércio
bilateral. Ressaltaram a necessidade de tomar
as medidas apropriadas para promover o
reestabelecimento de linha aérea direta entre
os dois países.
  Encerramento
  22. Ambos os Governos expressaram
satisfação com os resultados da visita da
Presidenta Dilma Rousseff, particularmente
em relação à criação do Mecanismo de
Diálogo Estratégico, que permitirá aprofundar
a parceria bilateral. A Presidenta Dilma
Rousseff agradeceu ao Presidente Jonathan,
ao Governo e ao povo da Nigéria pela calorosa
hospitalidade.

    FALECIMENTO DO PRESIDENTE DA
    VENEZUELA, HUGO CHÁVEZ - 5 DE
                      MARÇO DE 2013
                            06/03/2013
                               
  O Presidente Chávez será lembrado como
o líder venezuelano que maiores vínculos
teve com o Brasil e que maior contribuição




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	253




deu aos esforços de integração regional.
Sob sua presidência, a Venezuela tornou-se
parceiro estratégico do Brasil e sócio pleno do
MERCOSUL.
  O Ministro das Relações Exteriores,
Antonio de Aguiar Patriota, se associa ao
momento de dor do povo venezuelano e, muito
especialmente, dos familiares do Presidente
Hugo Chávez.
  A Venezuela, sob a liderança do Presidente
Chávez, viveu processo sem precedente
histórico de aproximação com o Brasil.
  O Presidente Chávez será lembrado como
o líder venezuelano que maiores vínculos
teve com o Brasil e que maior contribuição
deu aos esforços de integração regional.
Sob sua presidência, a Venezuela tornou-se
parceiro estratégico do Brasil e sócio pleno do
MERCOSUL.

        DECLARAÇÃO CONJUNTA POR
       OCASIÃO DA VISITA AO BRASIL
    DO PRIMEIRO-MINISTRO DA NOVA
  ZELÂNDIA, JOHN KEY - BRASÍLIA, 11
                  DE MARÇO DE 2013
                            11/03/2013
                                
  1. A convite da Presidenta da República
Federativa do Brasil, Sua Excelência Dilma
Rousseff, o Primeiro-Ministro da Nova
Zelândia, Sua Excelência John Key, realizou
visita bilateral ao Brasil no período de 9 a
12 março de 2013. A Presidenta Rousseff e o
Primeiro-Ministro Key mantiveram reunião
de cúpula em Brasília, quando abordaram
questões bilaterais, regionais e internacionais
de interesse mútuo.
  Agenda bilateral
  2. A Presidenta Dilma Rousseff acolheu
com satisfação a visita do Primeiro-Ministro,
a primeira de um chefe de governo desde

2001. O Primeiro-Ministro Key convidou a
presidente Dilma Rousseff para visitar a Nova
Zelândia.
  3. Os líderes saudaram o contínuo
fortalecimento dos laços entre Brasil e Nova
Zelândia, em áreas como investimento, diálogo
político, educação, ciência e tecnologia e
turismo, alcançado nos últimos 15 anos, desde
que as embaixadas foram estabelecidas em
suas respectivas capitais.
  4. A Presidenta Rousseff e o Primeiro-
Ministro Key reconheceram o importante
papel do diálogo político de alto nível
para a promoção da cooperação bilateral e
concordaram em intensificar o diálogo por
meio do aumento de encontros e visitas de
seus ministros e altos funcionários, a fim de
discutir questões centrais de interesse mútuo,
bem como ações conjuntas no âmbito de
instituições multilaterais.
  5. Os líderes reconheceram que existe
um potencial significativo para desenvolver
o relacionamento econômico bilateral,
particularmente no que concerne aos fluxos
bilaterais de investimentos e serviços.
Registraram o interesse comum no
fortalecimento de suas indústrias agrícolas,
com o objetivo de atender à crescente demanda
mundial por alimentos, e concordaram em
que há boas perspectivas de compartilhar
experiências e combater o protecionismo
comercial, especialmente em relação aos
produtos agrícolas. Os líderes saudaram as
discussões entre seus respectivos Ministérios
de Agricultura a respeito de um possível
projeto conjunto, no âmbito da Aliança para
Pesquisa Global.
  6. A Presidenta Dilma Rousseff saudou
os investimentos neozelandeses no setor de
laticínios no Brasil, bem como a tecnologia e
conhecimento que agregam ao setor, além da
criação de empregos. Os líderes concordaram
em estimular novas parcerias na agricultura,




254

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




que sejam seguras, produtivas e que gerem
benefícios de longo prazo para ambas as
partes.
  7. Os dois líderes destacaram o significativo
potencial	para	uma	maior	cooperação
entre o Brasil e Nova Zelândia em energia,
principalmente em energia renovável.
  8. A Presidenta Rousseff e o Primeiro-
Ministro Key ressaltaram o potencial que Nova
Zelândia e Brasil oferecem para as empresas
de seus países, como base estável e ambiente
favorável aos negócios para operações na
região da Ásia-Pacífico e da América do
Sul. Eles concordaram em incentivar as suas
comunidades empresariais a identificar novas
áreas para a expansão e diversificação do
comércio e dos fluxos de investimentos.
  9. Os líderes reconheceram que o comércio
bilateral de bens é relativamente modesto para
o tamanho das duas economias. Consideraram
que há bom potencial para aumentar o comércio
bilateral de bens de maior valor agregado em
nichos como tecnologia agrícola, alimentos e
bebidas, e produção especializada.
  10. Os líderes igualmente identificaram
o turismo como outra área importante para
o desenvolvimento dos laços bilaterais, e
saudaram o crescente número no fluxo bilateral
de turistas. Concordaram que a melhoria das
ligações aéreas entre Nova Zelândia e Brasil
é fundamental para o aumento significativo
desses fluxos. Eles saudaram a assinatura de
um novo Acordo bilateral de Serviços Aéreos,
que certamente contribuirá para a criação de
novas oportunidades no campo do turismo e
da educação e para a expansão dos fluxos de
comércio e investimento.
  11. A Presidenta Rousseff e o Primeiro-
Ministro Key saudaram a implementação atual
do Programa bilateral de Férias e Trabalho,
e enfatizaram o importante papel que a
iniciativa desempenha no aprofundamento do
conhecimento entre Nova Zelândia e Brasil.
   
12. O Primeiro-Ministro Key e a Presidenta
Rousseff concordaram em que a educação é
uma área-chave para o crescimento dos laços
bilaterais, e saudaram a presença significativa
de estudantes brasileiros na Nova Zelândia
nos últimos anos. Os líderes consideraram que
os contatos interpessoais são fundamentais
para o futuro da relação bilateral. Saudaram
a assinatura do Acordo de Cooperação
Científica, Tecnológica e Inovação, no
âmbito do Programa Ciência Sem Fronteiras,
que objetiva internacionalizar a educação
brasileira e viabilizar o envio de estudantes
brasileiros de graduação e pós-graduação para
universidades e instituições técnicas da Nova
Zelândia.
  13. Eles acordaram facilitar a
implementação do Acordo, particularmente
em aspectos relacionados à proficiência dos
alunos brasileiros em inglês e a questões de
emigração. Saudaram ainda a perspectiva
de que pesquisadores e estudantes da Nova
Zelândia participem do Programa Ciência
sem Fronteiras no futuro.
  14. Os líderes destacaram a importância de
fortalecer o intercâmbio cultural e promover
a compreensão mútua entre suas sociedades.
Saudaram as discussões entre produtores
audiovisuais neozelandeses e brasileiros
com vistas a examinar as possibilidades de
coproduções de cinema e televisão no futuro, e
a tradução para o idioma maori de publicação
editada pelo Governo brasileiro sobre culturas
indígenas brasileiras.
  15. O Primeiro-Ministro Key e a
Presidenta Rousseff concordaram em que há
grande potencial para o desenvolvimento de
cooperação esportiva entre Nova Zelândia e
Brasil, em preparação para a Copa do Mundo
da FIFA de 2014 e para as Olimpíadas e
Paralimpíadas de 2016 no Brasil, e enfatizaram
que os mega-eventos esportivos no Brasil são
oportunidades para aprofundar os vínculos




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	255




entre os dois países. Saudaram a presença
de técnicos da Nova Zelândia que trabalham
com a Confederação Brasileira de Rugby para
difundir o esporte no Brasil e concordaram
que os técnicos de futebol brasileiros também
podem fazer uma contribuição para maior
desenvolvimento do futebol na Nova Zelândia.
  Agenda regional e multilateral
  16. A Presidenta Rousseff e o Primeiro-
Ministro Key expressaram sua satisfação
com os resultados do Diálogo sobre Questões
Econômicas e Comerciais entre o Mercosul,
a Austrália e a Nova Zelândia, realizado em
Brasília em 31 de outubro de 2012. Ambos
reconheceram a importância do Diálogo para
o fortalecimento das relações comerciais e de
investimento entre suas respectivas regiões.
  17. O Primeiro-Ministro Key e a Presidenta
Rousseff	discutiram	os	acontecimentos
recentes na América Latina e no Mercosul,
inclusive a expansão do agrupamento sob
a Presidência brasileira. Também trocaram
impressões sobre os acontecimentos recentes
na região do Pacífico e sobre os esforços
da Nova Zelândia para promover a paz e a
democracia. O Primeiro-Ministro saudou a
maior presença do Brasil na região do Pacífico.
Eles saudaram igualmente as discussões
entre as respectivas agências de cooperação
internacional	sobre	possível	projeto	de
cooperação trilateral na América do Sul.
  18. Brasil e Nova Zelândia saudaram
as	conquistas	alcançadas	por	Timor-
Leste na última década, especialmente os
progressos na consolidação das instituições
e	no	fortalecimento	das	capacidades
dos recursos humanos. Os dois líderes
também expressaram sua satisfação com
o encerramento bem sucedido da Missão
Integrada das Nações Unidas em Timor-
Leste (UNMIT), cuja contribuição para a
estabilização e desenvolvimento de Timor-
Leste foi fundamental.
   
19. Com relação ao Oriente Médio,
Brasil e Nova Zelândia expressaram grande
preocupação com a atual situação na Síria.
Enfatizaram a responsabilidade primordial
do governo sírio de acabar com a violência.
Também concordaram com a necessidade
de cessação de toda a violência, para que
um processo político liderado pela Síria,
com o apoio da comunidade internacional,
possa ser iniciado. Sobre a questão palestina,
concordaram em que uma resolução rápida
e apropriada para o conflito é essencial para
garantir a paz, estabilidade e desenvolvimento
no Oriente Médio. Ao reafirmarem seu apoio
à solução dos dois-estados como a única
solução duradoura para o conflito, instaram os
dois lados a dar todos os passos necessários ao
engajamento em negociações efetivas.
  20. Brasil e Nova Zelândia concordaram
sobre a necessidade de uma solução
abrangente para a crise do Mali, tal como
requerida pelo Conselho de Segurança da
ONU e pela União Africana, em consonância
com os esforços empreendidos pelo povo do
Mali para restaurar sua unidade nacional e
integridade territorial, construir as instituições
democráticas e combater o duplo flagelo do
terrorismo e do crime organizado.
  21. Os dois líderes enfatizaram a
importância de aprofundar a cooperação
bilateral na área do desenvolvimento
sustentável. Registraram, com satisfação, dos
resultados da Conferência das Nações Unidas
sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio
+20), realizada no Rio de Janeiro, de 20 a 22
de junho de 2012, e destacaram a adoção do
documento final O Futuro que Queremos
como uma contribuição fundamental para
os esforços em favor do desenvolvimento
sustentável em todas as suas dimensões.
  22. A Presidenta Dilma Rousseff e
o Primeiro-Ministro Key discutiram os
interesses comuns da Nova Zelândia e do Brasil




256

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




no que concerne à Antártida e à conservação
de baleias, inclusive sua determinação em por
fim a toda a caça de baleias no Santuário de
Baleias do Oceano Austral e em garantir o
estabelecimento do Santuário de Baleias do
Atlântico Sul.
  23. O Primeiro-Ministro Key e a Presidenta
Dilma Rousseff concordaram em que, com
vistas a se tornarem mais aptos a responder aos
desafios do século 21, a ONU  e em particular
o seu Conselho de Segurança  precisam ser
reformados. Os líderes apoiam uma reforma
abrangente e urgente da ONU, inclusive
o aumento da representação dos países
em desenvolvimento, a fim de assegurar a
representatividade e legitimidade necessárias
para lidar de forma eficaz com os desafios
contemporâneos. Os líderes recordaram a
excelente parceria que Brasil e Nova Zelândia
já mantiveram no Conselho de Segurança
no passado e expressaram a esperança de
que ambos os países possam servir juntos
novamente no futuro. A Presidenta Rousseff
saudou a proposta do Primeiro-Ministro Key
de nomear um enviado especial ao Brasil
para dar início à cooperação aprofundada a
respeito dos temas enfrentados pelo Conselho
de Segurança.
  24.	A	Presidenta	Rousseff	e	o
Primeiro-Ministro	Key	reiteraram	seu
comprometimento com a Coalizão da Nova
Agenda e a firme resolução de ambos os
países de construir um mundo livre de armas
nucleares. Manifestaram apoio ao início
de negociações de um tratado relacionado
a materiais físseis para fins explosivos e à
realização de esforços adicionais para a
redução e eliminação definitiva de todos os
tipos de armas nucleares.

        ELEIÇÕES GERAIS NO QUÊNIA
                            11/03/2013
   
O Governo brasileiro felicita o Governo e
o povo quenianos pelas eleições legislativas
e presidenciais realizadas no último dia 4 de
março.
  As eleições gerais no Quênia revestem-se
de especial relevância por serem as primeiras
realizadas após a adoção da nova Constituição
do país em 2010.
  O Governo brasileiro congratula os
candidatos eleitos e formula votos de pleno
êxito no cumprimento de suas funções.
  O Governo brasileiro se associa ao
comunicado da Presidente da Comissão da
União Africana, Dr. Nkosazana Dlamini
Zuma, sobre as eleições quenianas, que
destacou o 50º Aniversário da Independência
do Quênia ao expressar a expectativa de
que o país continuará a seguir o caminho da
democracia e da paz.

     ISENÇÃO DE VISTOS DE TURISMO
             ENTRE BRASIL E MÉXICO
                            18/03/2013
                               
  Os Governos do Brasil e do México
decidiram retomar o Acordo para a Isenção
de Vistos de Curta Duração em Passaportes
Comuns, assinado em 23 de novembro de
2000.
  Os Governos do Brasil e do México
decidiram retomar o Acordo para a Isenção
de Vistos de Curta Duração em Passaportes
Comuns, assinado em 23 de novembro de
2000. O acordo permite o ingresso de cidadãos
de um país no território do outro país, sem
necessidade de visto, por períodos de até 90
dias, contados a partir da data de entrada,
renováveis, desde que a permanência total
não exceda 180 dias no período de um ano. A
aplicação do acordo havia sido suspensa em 8
de setembro de 2005, com efeitos a partir de
23 de outubro daquele ano.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	257




   A medida será implementada a partir de
data a ser definida e anunciada de comum
acordo entre as partes, no mais breve prazo
possível.
  O Governo brasileiro expressa a sua
satisfação com a medida, que estimulará
ainda mais as relações entre os dois países,
beneficiando diretamente os turistas e aqueles
que viajam a negócios.
  O Governo brasileiro saúda particularmente
a possibilidade de que cidadãos mexicanos
possam viajar ao Brasil, sem a necessidade
de obterem previamente o visto de entrada,
para assistir aos grandes eventos de 2013
(Copa das Confederações e Jornada Mundial
da Juventude), 2014 (Copa do Mundo) e 2016
(Olimpíadas e Paraolimpíadas).
  O comércio entre Brasil e México cresceu
244% de 2002 a 2012, quando totalizou US$
10 bilhões, 11,0% a mais que em 2011. Em
2012, o Brasil foi o 8º parceiro comercial do
México. O México, por sua vez, tornou-se, no
acumulado de janeiro a novembro de 2012, o
10º parceiro comercial do Brasil.

   SITUAÇÃO NA REPÚBLICA CENTRO-
                           AFRICANA
                            25/03/2013
                               
  O Governo brasileiro vê com preocupação
o rompimento da ordem constitucional na
República Centro-Africana, resultante da
ocupação da capital, Bangui, por forças de
oposição ao Governo do Presidente François
Bozizé.
  O Governo brasileiro se associa ao
comunicado de 25 de março do Conselho de
Paz e Segurança da União Africana, bem como
à declaração do Secretário-Geral das Nações
Unidas, Ban Ki-moon, ao conclamar as partes
à imediata interrupção das hostilidades e de
quaisquer atos de violência contra a população

civil, bem como à plena implementação dos
compromissos assumidos nos Acordos de
Libreville firmados em 11 de janeiro de 2013
sob os auspícios da Comunidade Econômica
dos Estados da África Central, de modo a
possibilitar, com a brevidade possível, o
restabelecimento da legalidade institucional
na República Centro-Africana.
  A Embaixada do Brasil junto ao Governo
centro-africano, sediada em Brazzaville,
República do Congo, tem mantido contato
com o reduzido número de cidadãos brasileiros
residentes na República Centro-Africana.

       V CÚPULA DO BRICS - DURBAN,
         27 DE MARÇO DE 2013 - BRICS
         E ÁFRICA: PARCERIA PARA O
 DESENVOLVIMENTO, INTEGRAÇÃO E
  INDUSTRIALIZAÇÃO - DECLARAÇÃO
                      DE E-THEKWINI
                            27/03/2013
                               
  BRICS e África: Parceria para
o Desenvolvimento, Integração e
Industrialização - Declaração de e-Thekwini
  1. Nós, os líderes da República Federativa
do Brasil, da Federação Russa, da República
da Índia, da República Popular da China e
da República da África do Sul, nos reunimos
em Durban, na África do Sul, em 27 de
Março de 2013, na V Cúpula do BRICS.
Nossas discussões se desenrolaram sobre o
tema abrangente BRICS e África: Parceria
para o Desenvolvimento, Integração e
Industrialização. A V Cúpula concluiu o
primeiro ciclo de Cúpulas BRICS e nela
reafirmamos o nosso compromisso com
a promoção do direito internacional, do
multilateralismo e do papel central das Nações
Unidas. Nossas discussões refletiram nossa
crescente solidariedade intra-BRICS, bem




258

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




como o nosso objetivo comum de contribuir
positivamente para a paz, a estabilidade, o
desenvolvimento e a cooperação globais.
Consideramos também o nosso papel no
sistema internacional como sendo baseado
em abordagem inclusiva de solidariedade
compartilhada e cooperação com todos os
povos e nações.
  2. Nós nos reunimos em um momento que
exige que consideremos questões de interesse
mútuo e de importância sistêmica, a fim de
compartilhar preocupações e desenvolver
soluções duradouras. Temos o objetivo de
desenvolver	progressivamente	o	BRICS
em mecanismo completo de coordenação
presente e de longo prazo, sobre ampla gama
de questões-chave da economia e da política
mundiais. A atual arquitetura de governança
global é regulada por instituições que foram
concebidas em circunstâncias em que o
panorama internacional em todos os seus
aspectos era caracterizado por desafios e
oportunidades muito diversos. À medida que
a economia global se transforma, estamos
comprometidos a explorar novos modelos e
enfoques com vistas ao desenvolvimento mais
equitativo e crescimento global inclusivo por
meio da ênfase em complementaridades e a
partir de nossas respectivas bases econômicas.
  3. Encontramo-nos abertos a incrementar
nosso engajamento e cooperação com os
países não membros do BRICS, e, em
particular, com as Economias Emergentes e
Países em Desenvolvimento, e organizações
internacionais e regionais relevantes, como
previsto na Declaração de Sanya. Realizaremos
um Retiro com líderes africanos depois desta
Cúpula, sob o tema Liberando o potencial da
África: Cooperação entre BRICS e África em
Infraestrutura. O Retiro é uma oportunidade
para os líderes do BRICS e líderes africanos
debaterem como reforçar a cooperação entre
os países do BRICS e o continente africano.
   
4. Reconhecendo a importância da
integração regional para o crescimento
sustentável, o desenvolvimento e a erradicação
da pobreza na África, reafirmamos nosso apoio
aos processos de integração do continente.
  5. No âmbito da Nova Parceria para
o Desenvolvimento de África (NEPAD),
apoiamos o processo de industrialização
dos países africanos mediante estímulo ao
investimento externo direto, ao intercâmbio de
conhecimento, à capacitação e à diversificação
das importações provenientes da África.
Nós reconhecemos que o desenvolvimento
da infraestrutura na África é importante e
levamos em conta os avanços alcançados
pela União Africana na identificação e no
tratamento dos desafios de infraestrutura do
continente por meio do desenvolvimento
do Programa para o Desenvolvimento de
Infraestruturas na África (PIDA), o Plano de
Ação da UA/NEPAD para a África (2010
2015), a Iniciativa Presidencial de Patrocínio
à Infraestrutura da NEPAD (PICI), bem
como os Planos Mestres de Desenvolvimento
Regional de Infraestruturas que identificaram
projetos prioritários de desenvolvimento de
infraestrutura fundamentais para promover
a integração regional e a industrialização.
Procuraremos estimular o investimento em
infraestrutura, com base no benefício mútuo,
para apoiar o desenvolvimento industrial,
a criação de emprego, o desenvolvimento
de competências, segurança alimentar e
nutricional, bem como a erradicação da
pobreza e o desenvolvimento sustentável
na África. Reafirmamos, portanto, nosso
apoio para o desenvolvimento sustentável da
infraestrutura na África.
  6. Notamos as ações políticas na Europa,
nos EUA e no Japão destinadas a reduzir
riscos extremos para a economia mundial.
Algumas dessas ações produzem efeitos
colaterais negativos sobre as demais




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	259




economias. Subsistem riscos significativos
e o desempenho da economia global ainda
se encontra aquém das nossas expectativas.
Como resultado, a incerteza sobre a força
e a durabilidade da recuperação e sobre a
orientação das medidas adotadas em algumas
das principais economias ainda é alta. Em
alguns países-chave, o desemprego permanece
anormalmente elevado, ao passo que altos
níveis de endividamento público e privado
inibem o crescimento. Nessas circunstâncias,
reafirmamos nosso firme compromisso de
apoiar o crescimento e promover a estabilidade
financeira.	Ressaltamos,	igualmente,	a
necessidade de que as medidas adequadas
sejam adotadas pelas economias avançadas no
sentido de reconstruir a confiança, promover
o crescimento e assegurar uma recuperação
robusta.
  7.	Bancos	centrais	em	economias
avançadas têm respondido com medidas de
política monetária não convencionais, que
aumentaram a liquidez global. Embora isso
possa ser consistente com mandatos de política
monetária doméstica, os principais Bancos
Centrais devem evitar as consequências
não intencionais de tais ações, na forma
de aumento da volatilidade dos fluxos de
capitais, do câmbio e dos preços dos produtos
de base, que podem ter efeitos negativos
sobre o crescimento de outras economias, em
particular dos países em desenvolvimento.
  8. Saudamos os objetivos centrais da
Presidência russa no G20 em 2013, em
particular os esforços para aumentar o
financiamento	do	investimento	e	para
assegurar	a	sustentabilidade	da	dívida
pública, com vistas a garantir o crescimento
robusto, sustentável, inclusivo e equilibrado
e a criação de emprego em todo o mundo.
Vamos também continuar a priorizar a agenda
de desenvolvimento do G20 como elemento
vital da estabilidade econômica global e

o crescimento sustentável e a criação de
emprego no longo prazo.
  9. Os países em desenvolvimento
enfrentam desafios para o desenvolvimento
da infraestrutura devido à insuficiência
de financiamentos de longo prazo e de
investimento externo direto, especialmente
do investimento em capital. Isso restringe
a demanda agregada global. A cooperação
do BRICS no sentido da utilização mais
produtiva dos recursos financeiros globais
pode contribuir positivamente para o
tratamento desse problema. Em março
de 2012, instruímos os nossos Ministros
das Finanças a analisar a factibilidade e a
viabilidade de se criar um Novo Banco de
Desenvolvimento para a mobilização de
recursos para projetos de infraestrutura e de
desenvolvimento sustentável nos BRICS e
em outras economias emergentes e países
em desenvolvimento, para complementar os
esforços já existentes de instituições financeiras
multilaterais e regionais para o crescimento
global e o desenvolvimento. Em vista do
relatório dos nossos Ministros das Finanças,
estamos satisfeitos com a constatação de
que o estabelecimento de o novo Banco de
Desenvolvimento é factível e viável. Nós
concordamos em estabelecer um Novo Banco
de Desenvolvimento. A contribuição inicial
ao Banco deverá ser substancial e suficiente
para que ele seja efetivo no financiamento à
infraestrutura.
  10. Em junho de 2012, em nossa reunião
em Los Cabos, encarregamos nossos
Ministros das Finanças e Presidentes dos
Bancos Centrais de explorar a construção de
uma rede de segurança financeira por meio
da criação de um Arranjo Contingente de
Reservas (ACR) entre os países do BRICS.
Concluíram que o estabelecimento de um
arranjo contingente de reservas autogerido
teria um efeito de precaução positivo,




260

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




ajudaria os países do BRICS a evitar pressões
de	liquidez	de	curto	prazo,	forneceria
apoio mútuo e reforçaria adicionalmente
a	estabilidade	financeira.	Contribuiria,
igualmente, para o fortalecimento da rede de
segurança financeira global e complementaria
os acordos internacionais existentes como
uma linha de defesa adicional. Entendemos
que o estabelecimento do Arranjo Contingente
de Reserva (ACR) com um tamanho inicial de
US$ 100 bilhões é factível e desejável, sujeito
aos marcos legais internos e as salvaguardas
pertinentes. Instruímos os nossos Ministros
das Finanças e Presidentes dos Bancos
Centrais a continuar a trabalhando para o seu
estabelecimento.
  11. Estamos gratos a nossos Ministros das
Finanças e Presidentes de Bancos Centrais
pelo trabalho empreendido com relação ao
Novo Banco de Desenvolvimento e ao Arranjo
Contingente de Reservas e os instruímos
a negociar e concluir os acordos que os
estabelecerão. Analisaremos os progressos
feitos nessas duas iniciativas em nosso
próximo encontro em setembro de 2013.
  12.	Saudamos	a	celebração,	entre
nossos Bancos de Exportação-Importação
(EXIM) e Bancos de Desenvolvimento, do
Acordo Multilateral sobre Cooperação e
co-financiamento para o Desenvolvimento
Sustentável e  dada a trajetória de
crescimento	acentuado	do	continente
Africano e as importantes necessidades de
financiamento de infraestrutura diretamente
derivadas dessa trajetória de crescimento  do
Acordo Multilateral sobre co-financiamento
de Infraestrutura para a África.
  13. Fazemos um chamamento pela reforma
das instituições financeiras internacionais
para torná-las mais representativas e para
refletir o peso crescente dos BRICS e outros
países em desenvolvimento. Continuamos
preocupados com o ritmo lento da reforma do

FMI. Vislumbramos a necessidade urgente de
implementar, conforme acordado, a reforma
de 2010 da Governança e das Quotas do Fundo
Monetário Internacional (FMI). Instamos
todos os membros a tomar todas as medidas
necessárias para alcançar um acordo sobre a
fórmula de quotas e para completar a próxima
revisão geral das quotas até janeiro de 2014.
A reforma do FMI deve fortalecer a voz e
representação de seus membros mais pobres,
incluindo a África Sub-saariana. Com espírito
aberto, todas as opções devem ser exploradas
para atingir esse objetivo. Nós apoiamos
a reforma e o aperfeiçoamento do sistema
monetário internacional, com um amplo
sistema de moeda de reserva internacional
proporcionando estabilidade e segurança.
Saudamos a discussão sobre o papel do
Direito Especial de Saque (DES) no sistema
monetário internacional existente, incluindo
a composição da cesta de moedas do Direito
Especial de Saque. Apoiamos o FMI no
sentido de tornar seu quadro de fiscalização
mais integrado e equilibrado. A seleção da
liderança das IFIs deve ser feita por meio de
processo aberto, transparente e baseado no
mérito, bem como verdadeiramente aberto
a candidatos de economias emergentes e de
países em desenvolvimento.
  14. Ressaltamos a importância de
garantir, aos países em desenvolvimento,
o acesso contínuo, adequado e previsível a
financiamentos de longo prazo, a partir de
fontes diversificadas. Gostaríamos de ver
um esforço global concentrado com vistas
ao financiamento de infraestrutura e ao
investimento, por meio da instrumentalização
de recursos adequados por parte dos Bancos
Multilaterais de Desenvolvimento (BMDs) e
dos Bancos de Desenvolvimento Regionais
(RDBs). Instamos todas as partes a trabalharem
em direção a uma ambiciosa chamada de
capital para a Associação Internacional de




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	261




Desenvolvimento (IDA), em sua 17a. edição.
  15. Reafirmamos nosso apoio a um sistema
comercial multilateral, aberto, transparente
e baseado em regras. Vamos prosseguir
com nossos esforços para a conclusão
exitosa da Rodada Doha, com base no
progresso alcançado e em consonância com
o seu mandato, respeitando os princípios de
transparência, inclusão e multilateralismo.
Estamos	empenhados	em	garantir	que
as novas propostas e enfoques para as
negociações da Rodada Doha reforcem os
princípios fundamentais e o mandato de
desenvolvimento da Rodada Doha. Esperamos
resultados significativos e marcantes, que
sejam equilibrados e tratem das principais
preocupações relativas ao desenvolvimento
por parte dos membros mais pobres e
vulneráveis da OMC, na IX Conferência
Ministerial da OMC, em Bali.
  16. Notamos que está em andamento o
processo para a seleção do novo Diretor-
Geral da OMC em 2013. Nós coincidimos
com a visão de que a OMC exige um novo
líder que demonstre compromisso com o
multilateralismo e com a melhoria da eficácia
da OMC, incluindo por meio do compromisso
de apoiar os esforços que conduzam a
uma conclusão tempestiva da Agenda de
Desenvolvimento de Doha. Consideramos que
o próximo Diretor-Geral da OMC deva ser um
representante de um país em desenvolvimento.
  17.	Reafirmamos	o	mandato	da
Conferência	das	Nações	Unidas	sobre
Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD)
como ponto focal do sistema das Nações
Unidas dedicado a analisar os temas inter-
relacionados de comércio, investimentos,
finanças e tecnologia a partir da perspectiva
do desenvolvimento. O mandato e a ação
da UNCTAD são únicos e necessários para
lidar com os desafios do desenvolvimento
e crescimento em uma economia global

crescentemente mais interdependente.
Reafirmamos também a importância de
reforçar a capacidade da UNCTAD de cumprir
seus programas de construção de consenso,
diálogo sobre políticas, pesquisa, cooperação
técnica e capacitação, de modo a estar mais
bem equipada para executar o seu mandato
sobre desenvolvimento.
  18. Reconhecemos o importante papel
que as empresas estatais desempenham na
economia e incentivamos nossas empresas
estatais a explorar formas de cooperação, a
trocar informações e melhores práticas.
  19. Reconhecemos o papel fundamental
desempenhado pelas Pequenas e Médias
Empresas (PMEs) nas economias dos nossos
países. As PMEs são importantes criadoras
de emprego e riqueza. A esse respeito, vamos
explorar oportunidades de cooperação no
campodasPMEsereconhecemosanecessidade
de promover o diálogo entre os respectivos
Ministérios e as agências responsáveis pelo
tema, em particular com vistas a promover
o intercâmbio e a cooperação internacional
e o incentivo à inovação, à pesquisa e ao
desenvolvimento.
  20. Reiteramos nosso firme compromisso
com as Nações Unidas como o principal fórum
multilateral encarregado de trazer esperança,
paz, ordem e desenvolvimento sustentável
para o mundo. As Nações Unidas contam
com participação universal e estão no centro
da governança mundial e do multilateralismo.
Nesse sentido, reafirmamos a necessidade de
uma reforma abrangente das Nações Unidas,
incluindo seu Conselho de Segurança, com
vistas a torná-lo mais representativo, eficaz, e
eficiente, de modo que se torne mais apto a
responder aos desafios globais. Nesse sentido,
China e Rússia reiteram a importância que
atribuem ao Brasil, à Índia e à África do
Sul nos assuntos internacionais e apoiam
sua aspiração de desempenhar papel mais




262

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




proeminente nas Nações Unidas.
  21.	Ressaltamos	nosso	compromisso
de trabalhar juntos nas Nações Unidas
para continuar a nossa cooperação e para
reforçar	abordagens	multilaterais	nas
relações internacionais com base no direito
internacional e ancoradas na Carta das Nações
Unidas.
  22.	Estamos	comprometidos	com	a
construção de um mundo harmonioso com
paz duradoura e prosperidade compartilhada
e reafirmamos que o século XXI deve ser
marcado pela paz, segurança, desenvolvimento
e cooperação. A meta abrangente e o forte
desejo compartilhado por paz, segurança,
desenvolvimento e cooperação foi o que
aproximou os países do BRICS.
  23. Saudamos o vigésimo aniversário da
Conferência Mundial sobre Direitos Humanos
e da Declaração de Viena e Plano de Ação e
concordamos em examinar possibilidades de
cooperação na área dos direitos humanos.
  24. Louvamos os esforços da comunidade
internacional e reconhecemos o papel central
da União Africana (UA) e seu Conselho de
Paz e Segurança na resolução de conflitos na
África. Instamos o Conselho de Segurança
das Nações Unidas (CSNU) a reforçar a
cooperação com a União Africana e seu
Conselho de Paz e Segurança, de acordo
com resoluções do CSNU a esse respeito.
Expressamos nossa profunda preocupação
com a instabilidade que se estende do Norte da
África, em particular no Sahel e no Golfo da
Guiné. Continuamos, também, preocupados
com relatos de deterioração das condições
humanitárias em alguns países.
  25. Saudamos a nomeação da nova
Presidente da Comissão da União Africana
como uma afirmação da liderança das
mulheres.
  26.	Expressamos	nossa	profunda
preocupação	com	a	deterioração	da

segurança e da situação humanitária na Síria
e condenamos o aumento das violações de
direitos humanos e do direito humanitário
internacional como resultado da continuidade
da violência. Acreditamos que o Comunicado
Conjunto do Grupo de Ação de Genebra
fornece uma base para uma resolução da
crise síria e reafirmamos nossa oposição a
qualquer militarização ulterior do conflito.
Um processo político liderado pelos sírios
e conducente a uma transição só poderá ser
alcançado por meio de um amplo diálogo
nacional que atenda às legítimas aspirações
de todos os setores da sociedade síria e ao
respeito pela independência, pela integridade
territorial e pela soberania da Síria, como
expresso no Comunicado Conjunto de
Genebra e resoluções pertinentes do CSNU.
Apoiamos os esforços do Representante
Especial Conjunto das Nações Unidas e
da Liga dos Estados Árabes. Em razão da
deterioração da situação humanitária na Síria,
instamos todas as partes a permitir e facilitar
o acesso imediato, seguro, completo e sem
restrições de organizações humanitárias a
todos que necessitem de assistência. Instamos
todas as partes a garantir a segurança dos
trabalhadores humanitários.
  27. Saudamos a admissão da Palestina
como Estado observador nas Nações
Unidas. Estamos preocupados com a falta
de progresso no processo de paz no Oriente
Médio e conclamamos a comunidade
internacional a ajudar Israel e Palestina a
trabalharem em direção a uma solução de dois
Estados, com um Estado palestino contíguo
e economicamente viável, existindo lado a
lado e em paz com Israel, dentro de fronteiras
internacionalmente reconhecidas, baseadas
naquelas existentes em 4 de junho de 1967,
com Jerusalém Oriental como sua capital.
Estamos profundamente preocupados com
a construção de assentamentos israelenses




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	263




nos Territórios Palestinos Ocupados, que
configura violação do direito internacional e
é prejudicial ao processo de paz. Ao recordar
a responsabilidade principal do Conselho de
Segurança das Nações Unidas na manutenção
da paz e da segurança internacionais, notamos
a importância de que o Quarteto reporte
regularmente ao Conselho sobre os seus
esforços, os quais devem contribuir para
progressos concretos.
  28. Acreditamos que não há alternativa a
uma solução negociada para a questão nuclear
iraniana. Reconhecemos o direito do Irã ao uso
pacífico da energia nuclear, consistente com
suas obrigações internacionais, e apoiamos a
resolução das questões envolvidas por meios
e diálogos políticos e diplomáticos, inclusive
entre a Agência Internacional de Energia
Atômica (AIEA) e o Irã, e de acordo com
os dispositivos das resoluções relevantes do
Conselho de Segurança das Nações Unidas
e consistente com as obrigações do Irã
decorrentes do Tratado de Não-Proliferação
de	Armas	Nucleares	(TNP).	Estamos
preocupados com as ameaças de ação militar,
bem como com as ameaças de sanções
unilaterais. Notamos as recentes conversações
realizadas em Almaty e esperamos que
todas as questões pendentes relacionadas ao
programa nuclear iraniano sejam resolvidas
por discussões e meios diplomáticos.
  29. O Afeganistão precisa de tempo,
assistência ao desenvolvimento e cooperação,
acesso preferencial a mercados mundiais,
investimento estrangeiro e de uma estratégia
clara	para	alcançar	paz	e	estabilidade
duradouras. Apoiamos o compromisso da
comunidade mundial com o Afeganistão,
anunciada na Conferência Internacional de
Bonn, em dezembro de 2011, de continuar
empenhada na década de transformação (2015-
2024). Afirmamos nosso compromisso em
apoiar a emergência do Afeganistão como um

Estado pacífico, estável e democrático, livre
de terrorismo e extremismo, e ressaltamos
a necessidade de cooperação regional e
internacional mais efetiva para a estabilização
do Afeganistão, inclusive por meio do combate
ao terrorismo. Estendemos nosso apoio aos
esforços voltados ao combate ao tráfico ilícito
de ópio proveniente do Afeganistão, no marco
do Pacto de Paris.
  30. Louvamos os esforços da União
Africana, da Comunidade Econômica dos
Estados da África do Oeste (CEDEAO) e do
Mali destinados a restabelecer a soberania e
a integridade territorial do Mali. Apoiamos
os esforços civis do Governo do Mali e de
seus parceiros da comunidade internacional
na implementação do programa de transição
que conduzirá às eleições presidenciais e
legislativas. Ressaltamos a importância
da inclusão política e do desenvolvimento
econômico e social para que o Mali alcance
paz sustentável e estabilidade. Expressamos
preocupação com os relatos de deterioração
das condições humanitárias no Mali e instamos
a comunidade internacional a continuar a
cooperar com o Mali e com os países vizinhos,
a fim de garantir assistência humanitária à
população civil afetada pelo conflito armado.
  31. Estamos profundamente preocupados
com a deterioração da situação atual na
República Centro-Africano (RCA) e
lamentamos a perda de vidas. Condenamos
fortemente os abusos e atos de violência
contra a população civil e instamos todas as
partes em conflito a cessarem imediatamente
as hostilidades e a retornarem às negociações.
Apelamos a todas as partes a que permitam
acesso seguro e livre da ajuda humanitária.
Estamos prontos a trabalhar com a
comunidade internacional para ajudar neste
esforço e facilitar o progresso em direção a
uma resolução pacífica do conflito. Brasil,
Rússia e China expressam sua solidariedade




264

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




para com os Governos sul-africano e indiano
pelas perdas que sofreram no República
Centro-Africano.
  32. Estamos profundamente preocupados
com a instabilidade em curso na República
Democrática do Congo (RDC). Saudamos a
assinatura, em Adis Abeba, em 24 de fevereiro
de 2013, do Marco para a Paz, Segurança e
Cooperação para a República Democrática do
Congo e Região. Apoiamos sua independência,
integridade territorial e soberania. Apoiamos
os esforços das Nações Unidas, da União
Africana e organizações sub-regionais para
propiciar paz, segurança e estabilidade àquele
país.
  33. Reiteramos nossa firme condenação
ao terrorismo em todas suas formas e
manifestações e enfatizamos que não há
justificativa possível para atos de terrorismo.
Acreditamos que as Nações Unidas detêm
papel central na coordenação de ações
internacionais contra o terrorismo no marco da
Carta das Nações Unidas e em conformidade
com os princípios e normas do direito
internacional. Nesse contexto, apoiamos a
implementação da Estratégia Global contra o
Terrorismo da Assembleia Geral das Nações
Unidas e estamos determinados a reforçar a
cooperação na luta contra essa ameaça global.
Reiteramos também nosso chamamento para
a conclusão, o mais rápido possível, das
negociações, na Assembleia Geral das Nações
Unidas, sobre a Convenção Abrangente sobre
Terrorismo Internacional e sua adoção por
todos os Estados-membros e concordamos em
trabalhar juntos para alcançar esse objetivo.
  34. Reconhecemos o papel fundamental e
positivo que a Internet desempenha em nível
mundial na promoção do desenvolvimento
econômico, social e cultural. Acreditamos
que é importante contribuir e participar de
um ciberespaço pacífico, seguro e aberto
e enfatizamos que a segurança no uso das

Tecnologias de Informação e Comunicação
(TICs), por meio de normas, padrões e
práticas universalmente aceitos é de extrema
importância.
  35. Parabenizamos o Brasil por sediar
a Conferência das Nações Unidas sobre
Desenvolvimento Sustentável (Rio +20), em
junho de 2012, e saudamos seu resultado,
conforme refletido no documento O Futuro
que Queremos, em particular a reafirmação
dos Princípios do Rio e o compromisso político
firmado no sentido do desenvolvimento
sustentável e da erradicação da pobreza, ao
mesmo tempo em que cria oportunidades
para os parceiros do BRICS se engajarem e
cooperarem no desenvolvimento das futuras
Metas de Desenvolvimento Sustentável.
  36. Parabenizamos a Índia pelo resultado
da XI Conferência das Partes da Convenção
sobre Diversidade Biológica (CBD COP11) e
pela VI Reunião das Partes do Protocolo de
Cartagena sobre Biossegurança (MOP6).
  37. Ao reconhecer que a mudança do
clima é um dos maiores desafios e ameaças
para alcançar o desenvolvimento sustentável,
conclamamos todas as partes a, com base nas
decisões adotadas na COP18/CMP8 em Doha,
alcançar uma conclusão exitosa, em 2015,
das negociações sobre o desenvolvimento de
um protocolo, um outro instrumento legal ou
um resultado acordado com força legal sob a
Convenção aplicável a todas as partes, guiado
por seus princípios e dispositivos.
  38. Acreditamos que os objetivos de
desenvolvimento internacionalmente
acordados, incluindo os Objetivos de
DesenvolvimentodoMilênio(ODMs),visamàs
necessidades dos países em desenvolvimento,
muitos dos quais continuam a enfrentar
desafios ao desenvolvimento, incluindo
pobreza e desigualdade generalizadas. Os
Países de Baixa Renda continuam a enfrentar
desafios que ameaçam o seu impressionante




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	265




crescimento dos últimos anos. A volatilidade
nos preços dos alimentos e de outros produtos
de base tornaram a segurança alimentar um
desafio e restringiram suas fontes de receita.
Os avanços na reconstrução de amortecedores
macroeconômicos têm sido relativamente
lentos, em parte devido às medidas adotadas
para mitigar o impacto social de choques
exógenos. Muitos Países de Baixa Renda
encontram-se em posição mais frágil para
lidar com choques exógenos, devido a
amortecedores	fiscais	mais	limitados	e
limitações no voluma da ajuda, o que afetará
a sua capacidade de sustentar avanços em
direção aos ODMs. Reiteramos que os países
individualmente, em especial na África e
outros países em desenvolvimento do Sul,
não podem alcançar os ODMs sozinhos e
que, portanto, a centralidade da Meta 8 das
Parcerias Globais para o Desenvolvimento
para alcançar os ODMs deve permanecer no
centro do discurso de desenvolvimento global
do sistema das Nações Unidas. Ademais, é
necessário honrar todos os compromissos
firmados	nos	documentos	resultantes
de	grandes	conferências	internacionais
anteriores.
  39. Reiteramos nosso compromisso de
trabalhar juntos para acelerar o progresso
com vistas ao alcance dos Objetivos de
Desenvolvimento do Milênio (ODMs) até
a data limite de 2015 e conclamamos outros
membros da comunidade internacional a
trabalhar em direção ao mesmo objetivo.
Nesse sentido, ressaltamos que a agenda de
desenvolvimento para além de 2015 deve
basear-se no marco dos ODMs, mantendo
o foco na erradicação da pobreza e no
desenvolvimento humano, ao mesmo tempo
em que enfrenta os desafios emergentes
do desenvolvimento e leva em conta as
circunstâncias nacionais individuais de países
em desenvolvimento. Nesse sentido, a questão

fundamental da mobilização de recursos para
implementação da assistência aos países
em desenvolvimento deve ser um objetivo
abrangente. É importante garantir que qualquer
discussão sobre a agenda de desenvolvimento
das Nações Unidas, incluindo a Agenda
de Desenvolvimento Pós-2015, seja um
processo inter-Governamental inclusivo
e transparente, embutido em um processo
amplo das Nações Unidas, que seja universal
e amplamente sedimentado.
  40. Saudamos a criação do Grupo de
Trabalho Aberto sobre os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODSs), em
conformidade com o documento final da
Rio+20, que reafirmou os Princípios do Rio
sobre Desenvolvimento Sustentável como
base para abordar desafios novos e emergentes.
Estamos totalmente comprometidos com o
processo inter-governamental coordenado para
a elaboração da agenda de desenvolvimento
das Nações Unidas.
  41. Notamos as seguintes reuniões
realizadas na implementação do Plano de
Ação de Delhi:
   Reunião de Ministros das Relações
Exteriores à margem da Assembleia Geral das
Nações Unidas (AGNU).
   Reunião de Altos Representantes
Responsáveis por Segurança Nacional, em
Nova Delhi.
   Reuniões dos Ministros das Finanças
e Presidentes dos Bancos Centrais em
Washington e Tóquio.
   Reunião de Ministros do Comércio em
Puerto Vallarta.
   Reuniões de Ministros de Saúde em Nova
Delhi e Genebra.
  42. Saudamos o estabelecimento do
Conselho de Think Tanks do BRICS e do
Conselho Empresarial do BRICS, e tomamos
nota das seguintes reuniões realizadas em
preparação para esta Cúpula:




266

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




   Quinto Fórum Acadêmico
   Quarto Foro Empresarial
   Terceiro Fórum Financeiro
  43. Saudamos os resultados da reunião
dos Ministros das Finanças e Presidentes dos
Bancos Centrais e endossamos o Comunicado
Conjunto da Terceira Reunião de Ministros de
Comércio do BRICS, realizada em preparação
a esta Cúpula.
  44. Estamos comprometidos a promover
uma parceria mais forte para o desenvolvimento
comum. Com esse fim, adotamos o Plano de
Ação de eThekwini.
  45. Estamos de acordo que os próximos
ciclos de Cúpulas sigam, em princípio, a
sequência Brasil, Rússia, Índia, China e África
do Sul.
  46. Brasil, Rússia, Índia e China estendem
seu caloroso agradecimento ao Governo e ao
povo da África do Sul por sediar a Quinta
Cúpula do BRICS em Durban.
  47. Rússia, Índia, China e África do Sul
agradecem ao Brasil pela oferta de sediar a
primeira Cúpula do segundo ciclo de Cúpulas
do BRICS, ou seja, a Sexta Cúpula do BRICS,
em 2014, e transmitem seu pleno apoio para o
evento.
  Plano de Ação de e-Thekwini:
  1. Reunião de Ministros das Relações
Exteriores do BRICS à margem da Assembleia
Geral das Nações Unidas (AGNU).
  2.	Reunião	de	Altos	Representantes
Responsáveis por Segurança Nacional dos
BRICS.
  3. Reunião intermediária de Sherpas e Sub-
Sherpas.
  4. Reuniões dos Ministros de Finanças e
Presidentes dos Bancos Centrais à margem
das reuniões do G20, do Banco Mundial/FMI,
bem como de reuniões específicas, quando
solicitadas.
  5. Reuniões de Ministros de Comércio dos
BRICS à margem de eventos multilaterais, ou

reuniões avulsas, quando solicitadas.
  6. Reunião de Ministros da Agricultura e
do Desenvolvimento Agrário dos BRICS,
precedida por reunião preparatória de peritos
sobre agro-produtos e questões de segurança
alimentar e de Reunião do Grupo de Trabalho
de Peritos em Agricultura.
  7. Reunião de Ministros da Saúde dos
BRICS e reuniões preparatórias.
  8. Reunião dos Funcionários dos BRICS
responsáveis por população, à margem de
eventos multilaterais relevantes.
  9. Reunião de Ministros de Ciência e
Tecnologia dos BRICS e reunião de Altos
Funcionários em Ciência e Tecnologia dos
BRICS.
  10. Reunião de Cooperativas dos BRICS.
  11. Reuniões de autoridades financeiras
e fiscais à margem das reuniões do Banco
Mundial/FMI, ou reuniões avulsas, quando
solicitadas.
  12. Reuniões do Grupo de Contato dos
BRICS sobre Temas Econômicos e Comerciais
(CGETI).
  13. Reunião das Cidades-Irmãs dos BRICS
e do Fórum de Cooperação em Governança
Local dos BRICS.
  14. Reunião do Fórum de Urbanização dos
BRICS.
  15. Reunião de autoridades em
Concorrência dos BRICS em 2013, em Nova
Délhi.
  16. 5ª Reunião de Chefes de Instituições
Nacionais de Estatísticas dos BRICS.
  17. Consultas entre Missões Permanentes
e/ou Embaixadas dos BRICS em Nova York,
Viena, Roma, Paris, Washington, Nairobi e
Genebra, quando solicitadas.
  18. Reunião consultiva de Altos
Funcionários dos BRICS à margem de
foros internacionais relevantes relacionados
a desenvolvimemnto sustentável, meio
ambiente e clima, quando solicitada.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	267




   Novas áreas de cooperação a serem
exploradas:
  - Fórum BRICS de Diplomacia Pública.
  -	Cooperação	BRICS	sobre	Anti-
Corrupção.
  - Empresas estatais/companhias estatais
dos BRICS.
  - Agências Nacionais Responsáveis por
pelo Controle de Drogas.
  - Secretariado virtual dos BRICS.
  - Diálogo BRICS sobre Políticas para a
Juventude.
  - Turismo.
  - Energia.
  - Esportes e Mega Eventos Esportivos.
   
   EXPLICAÇÃO DO VOTO BRASILEIRO NA
 RESOLUÇÃO QUEAPROVOUAABERTURA
 PARAASSINATURAS DO TRATADO SOBRE
                O COMÉRCIO DEARMAS
                            02/04/2013
  A Assembleia-Geral das Nações Unidas
aprovou resolução que abre o Tratado sobre
o Comércio de Armas para assinaturas, com
154 votos a favor (inclusive o Brasil), 23
abstenções e 3 contrários.
  Na ocasião, a Representante Permanente do
Brasil nas Nações Unidas realizou o seguinte
pronunciamento:
  O Brasil votou a favor da resolução
A/67/L.58 que solicita ao Secretário-geral a
abertura do texto do Tratado sobre o Comércio
de Armas, em sua versão de 28 de março, para
assinaturas.
  O Brasil deseja congratular o Embaixador
australiano Peter Woolcott por sua hábil
liderança na condução da Conferência final do
Tratado, realizada nas duas últimas semanas.
  Participamos	ativamente	do	processo
de	negociação	do	Tratado	desde	seus
primeiros momentos. Apoiamos a adoção

de um instrumento internacional legalmente
vinculante que regulamente as transferências
internacionais de armas convencionais, como
forma de reduzir a possibilidade de que
essas armas sejam desviadas para o mercado
ilícito, contribuindo para conflitos internos e
alimentando a violência armada.
  Reafirmamos nosso apoio ao texto final
discutido pela Conferência na semana
passada, ainda que alguns aspectos, em nossa
opinião, pudessem ter contribuído para um
Tratado ainda mais forte: a inclusão sem
ambiguidades das munições no escopo do
Tratado; a proibição clara de transferências de
armas para atores não estatais não autorizados;
e o requerimento de certificados de uso/
usuário final para todas as transferências de
armas convencionais.

          CONCESSÃO DEAGRÉMENTAO
 EMBAIXADOR DO BRASIL NAS BAHAMAS
                            03/04/2013
                               
  O Governo brasileiro tem a satisfação
de informar que o Governo da Comunidade
das Bahamas concedeu agrément a Carlos
Eduardo Sette Câmara da Fonseca Costa como
Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário
do Brasil. De acordo com a Constituição,
essa designação ainda deverá ser submetida
à apreciação do Senado Federal. Brasil e
Bahamas mantêm relações diplomáticas desde
1978.

       TEMPESTADES NA ARGENTINA
                            03/04/2013
                               
  O Governo brasileiro tomou conhecimento,
com grande pesar, dos efeitos das recentes
tempestades na Argentina, que causaram, até
o momento, a morte de mais de 40 pessoas e




268

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




graves perdas materiais.
  O Governo brasileiro solidariza-se com
as famílias das vítimas e manifesta suas mais
sinceras condolências ao Governo e ao povo
da Argentina.

                 TERREMOTO NO IRÃ
                            09/04/2013
                               
  O Governo brasileiro tomou conhecimento,
com grande pesar, das mortes e perdas
materiais provocadas pelo terremoto de 6,3
graus na escala Richter que atingiu no dia de
hoje a província de Bushehr, no sudoeste do
Irã.
  O Brasil transmite suas condolências e
solidariedade aos familiares das vítimas, ao
povo e ao Governo do Irã.

     ATENTADO CONTRA MISSÃO DAS
  NAÇÕES UNIDAS NO SUDÃO DO SUL
                            10/04/2013
                               
  O Governo brasileiro tomou conhecimento,
com consternação, do ataque ontem a comboio
de patrulha da Missão de Paz das Nações
Unidas no Sudão do Sul (UNMISS) na cidade
de Gumuruk, no estado de Jonglei, que causou
a morte de cinco militares indianos e de sete
civis.
  O Governo brasileiro se associa às palavras
do Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban
Ki-moon, bem como à declaração emitida
pelo Conselho de Segurança, na condenação
ao ataque e na manifestação de condolências
aos familiares das vítimas, ao Governo indiano
e aos integrantes das Forças de Paz da ONU.

                TERREMOTO NA ÁSIA
                            16/04/2013
   
O Governo brasileiro tomou conhecimento
com grande pesar das mortes e perdas
materiais provocadas pelo terremoto de 7,8
graus na escala Richter que atingiu no dia de
hoje o sudeste do Irã, com epicentro próximo
à fronteira com o Paquistão.
  O Brasil transmite suas condolências e
solidariedade aos familiares das vítimas,
ao povo e aos Governos do Irã e do
Paquistão.

            COMUNICADO CONJUNTO
                 MERCOSUL-GUIANA
                            17/04/2013
                               
  Em cumprimento a Decisão Ministerial
por ocasião da Cúpula do MERCOSUL em
Brasília, em dezembro de 2012, Delegação
do MERCOSUL, chefiada pela Presidência
Pro Tempore uruguaia, realizou visita a
Georgetown em 12 de abril de 2013, com
vistas a discutir caminhos para intensificar
a relação entre MERCOSUL e Guiana,
particularmente em relação aos passos para
a adesão do país como Estado Associado do
Bloco.
  A Delegação do MERCOSUL fez
apresentação sobre o arcabouço institucional,
as relações comerciais e os fluxos de comércio
do Bloco. As autoridades do MERCOSUL e
da Guiana analisaram questões relativas à
estrutura e ao funcionamento do Bloco, bem
como os requisitos, direitos e obrigações de
um Estado Associado.
  A Delegação do MERCOSUL
comprometeu-se a encaminhar à Guiana,
até 26 de abril, minuta de Acordo-Marco de
Associação ao Bloco, abordando matérias
políticas, econômicas, comerciais, culturais,
de desenvolvimento produtivo e de outras
áreas de cooperação.
  As partes concordaram em se empenhar

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	269




para concluir o Acordo-Marco de Associação
até a próxima Cúpula do MERCOSUL, em
Montevidéu, em junho de 2013.
  Georgetown, 12 de abril de 2013
   
            COMUNICADO CONJUNTO
             MERCOSUL  SURINAME
                            17/04/2013
                               
  Conforme a Decisão do Conselho do
Mercado Comum (CMC), por ocasião da
Cúpula do MERCOSUL em Brasília, em
Dezembro de 2012, no sentido de incentivar
e fortalecer a relação entre MERCOSUL e
Suriname, realizou-se em Paramaribo, em 10
de abril de 2013, visita do Alto-Representante
Geral e de Delegação do MERCOSUL, com
vistas a discutir os passos e diretrizes para a
adesão do Suriname na qualidade de Estado
Associado.
  A	Delegação	do	MERCOSUL
fez	apresentação	sobre	o	arcabouço
institucional,	as	relações	comerciais
e os fluxos de comércio do Bloco. As
autoridades do MERCOSUL e do Suriname
analisaram questões relativas à estrutura
e ao funcionamento do Bloco, bem como
os requisitos, direitos e obrigações de um
Estado Associado.
  A	Delegação	do	MERCOSUL
comprometeu-se a encaminhar ao Suriname,
até 26 de abril, minuta de Acordo-Marco de
Associação ao Bloco, abordando matérias
políticas, econômicas, comerciais, culturais,
de desenvolvimento produtivo e de outras
áreas de cooperação.
  As partes concordaram em se empenhar
nas negociações para concluir o Acordo-
Marco de Associação até a próxima Cúpula
do MERCOSUL, em Montevidéu, em junho
de 2013.
  Paramaribo, 10 de abril de 2013
       
ATENTADO CONTRA OPERAÇÃO
 HÍBRIDA DA UNIÃO AFRICANA E DAS
        NAÇÕES UNIDAS EM DARFUR
                            20/04/2013
                               
  O Governo brasileiro tomou conhecimento,
com consternação, de mais um ataque, em
19 de abril, a capacetes azuis, dessa vez
da Operação Híbrida da União Africana e
das Nações Unidas em Darfur (UNAMID),
causando a morte de um militar nigeriano.
  O Governo brasileiro se associa às palavras
do Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban
Ki-moon, na condenação ao ataque e na
manifestação de condolências aos familiares
das vítimas, ao Governo nigeriano e aos
integrantes das Forças de Paz da ONU.

              TERREMOTO NA CHINA
                            20/04/2013
                               
  O Governo brasileiro tomou conhecimento
com grande pesar das mortes e perdas
materiais provocadas pelo terremoto de 6,6
graus na escala Richter que atingiu no dia de
hoje a província de Sichuan, no sudoeste da
República Popular da China.
  O Brasil transmite suas condolências e
solidariedade aos familiares das vítimas, ao
povo e ao Governo da República Popular da
China.

   BRASILEIROS DETIDOS EM ORURO,
  BOLÍVIA: ATUAÇÃO DO ITAMARATY
                            22/04/2013
                               
  O Governo brasileiro, desde o momento em
que tomou conhecimento da prisão preventiva
de doze brasileiros em Oruro, Bolívia, vem-
lhes prestando assistência consular, com




270

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




sentido de urgência e prioridade.
  O Governo brasileiro, desde o momento em
que tomou conhecimento da prisão preventiva
de doze brasileiros em Oruro, Bolívia, vem-
lhes prestando assistência consular, com
sentido de urgência e prioridade.
  Por meio da Embaixada do Brasil em La
Paz, o Itamaraty tem-lhes dado todo apoio, com
empenho em assegurar o respeito aos direitos
dos brasileiros detidos, inclusive no que se
refere à garantia de condições minimamente
dignas de detenção e ao adequado seguimento
dos trâmites legais pertinentes. Além de
prestar-lhes assistência jurídica desde o
começo,	a	Embaixada	mantém	contato
continuado com as autoridades bolivianas
envolvidas	(Poder	Judiciário,	Ministério
Público,	Autoridades	Penitenciárias,
Chancelaria e outros Ministérios). Diplomatas
da Embaixada do Brasil em La Paz  inclusive
o Embaixador  vêm fazendo visitas regulares
aos detidos, algumas das quais em companhia
de parlamentares brasileiros. Por meio das
constantes visitas, os representantes brasileiros
puderam, igualmente, verificar a necessidade
de auxílios específicos (colchões, agasalhos,
alimentos, material de higiene, medicação)
e de encaminhamento de detentos com
problemas de saúde para assistência médica.
  A Embaixada do Brasil em La Paz não é
parte processual, nem tem competência legal
para intervir diretamente no inquérito penal
boliviano, que segue os trâmites previstos na
legislação local. Recorde-se que, de acordo
com o artigo 41 da Convenção de Viena
sobre Relações Diplomáticas, incorporada
ao	ordenamento	jurídico	brasileiro	por
meio do Decreto n.º 56.435, de 8 de junho
de 1965, o Brasil compromete-se a não se
imiscuir nos assuntos internos de outros
Estados. A atuação do Governo brasileiro
tem sido pautada, portanto, pela observância
dos compromissos internacionais acordados

pelo País, respeitando a soberania boliviana
e a atuação do Poder Judiciário local, sem
descuidar da prestação de toda a assistência
possível aos brasileiros detidos. No limite de
suas atribuições, a Embaixada tem realizado
todas as gestões cabíveis para assegurar o
encaminhamento satisfatório do caso.
  Gestões políticas do mais alto nível
vêm sendo realizadas junto ao Governo
boliviano. Em 22 de fevereiro  dois dias,
portanto, depois do incidente em Oruro , a
Presidenta Dilma Rousseff suscitou a questão
com o Presidente Evo Morales em Malabo,
Guiné Equatorial, onde estavam para a III
Cúpula ASA (América do Sul-África). Em
02 de março, o Ministro Antonio de Aguiar
Patriota enfatizou ao Presidente Morales e ao
Chanceler David Choquehuanca, em visita
a Cochabamba, a mais elevada importância
que o Brasil atribui ao adequado tratamento
dispensado aos brasileiros detidos em Oruro,
à plena observância das garantias do direito
de defesa, do devido processo legal e de
condições dignas de detenção. Outras altas
autoridades do Governo brasileiro também
vêm mantendo contato continuado com
autoridades bolivianas.
  O Governo brasileiro repudia referências
ao caso dos doze nacionais presos em Oruro
para fins que não sejam a solução definitiva
do próprio caso. Em Audiência no Senado
Federal, em 04 de abril, o Ministro das Relações
Exteriores afirmou que nenhum cidadão
brasileiro pode ser moeda de troca para coisa
alguma, em alusão à tentativa de vincular
a questão dos brasileiros detidos em Oruro
com outros temas da agenda bilateral com a
Bolívia. Ignorar as circunstâncias políticas,
diplomáticas e jurídicas que caracterizam a
situação desses brasileiros em nada contribui
para a solução rápida, eficiente e satisfatória
do caso. O Governo brasileiro reitera aos
familiares dos detidos que continuará a




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	271




prestar-lhes toda a assistência possível e a
velar pelo bom encaminhamento do caso.

        ATENTADO À EMBAIXADA DA
                 FRANÇA EM TRÍPOLI
                            23/04/2013
                               
  O Governo brasileiro tomou conhecimento,
com preocupação, do atentado realizado contra
a Embaixada da França em Trípoli no dia 23
de abril, que deixou dois policiais feridos.
  O Brasil repudia veementemente o ataque
e insta seus responsáveis ao diálogo pacífico,
respeitando o princípio da inviolabilidade das
representações diplomáticas e consulares.

 RETOMADA DO ACORDO DE ISENÇÃO
      DE VISTOS DE CURTA DURAÇÃO
         ENTRE O BRASIL E O MÉXICO
                            24/04/2013
                               
  Dando sequência à decisão conjunta de
retomar o acordo sobre isenção de vistos de curta
duração em passaportes comuns, anunciada pela
Nota 87, de 18 de março último, os Governos do
Brasil e do México estabeleceram que o acordo
voltará a ter vigência a partir de 00h00 do dia 16
de maio de 2013.
  Os brasileiros que, ao desembarcarem em
qualquer ponto no México, tenham problemas
no	momento	do	controle	migratório
devem solicitar autorização para contatar
o Consulado-Geral do Brasil na Cidade do
México da seguinte forma:
  - telefone fixo: 55-4160-3953 (chamadas a
partir da Cidade do México)
  - plantão: (04455) 3455-3991 (chamadas a
partir da Cidade do México)
  (0155) 3455-3991 (chamadas a partir de
qualquer outro local no México)
  (00xx52155) 3455-3991 (chamadas a partir

de qualquer lugar do Brasil)
  - e-mail: assistencia.cgmexico@itamaraty.
gov.br
  Recorda-se que a isenção de vistos de curta
duração não significa que outros requisitos
não possam ser apresentados ao viajante no
momento do controle migratório (por exemplo,
passagem de regresso, prova de meios de
subsistência, comprovante de hospedagem, etc.).
Recomenda-se aos viajantes brasileiros, no caso
de viagens ao México, que consultem as páginas
eletrônicas do Consulado-Geral do Brasil no
México (www.cgmexico.itamaraty.gov.br) e do
Serviço Exterior mexicano para conhecerem
as condições de ingresso naquele país e outras
informações úteis para a sua viagem.

             DESMORONAMENTO EM
                       BANGLADESH
                            24/04/2013
                               
  O Governo brasileiro tomou conhecimento
com grande pesar das dezenas de mortes e
perdas materiais provocadas, no dia de hoje,
por desmoronamento de edifício em Daca,
capital de Bangladesh.
  O Brasil transmite suas condolências e
solidariedade aos familiares das vítimas, ao povo e
ao Governo da República Popular de Bangladesh.

         CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO
 EMBAIXADOR DE ANTÍGUA E BARBUDA
                            24/04/2013
                               
  O Governo brasileiro tem a satisfação de
informar que decidiu conceder agrément
ao Senhor Brian Donald Challenger como
Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário,
não residente, de Antígua e Barbuda no Brasil.
Brasil e Antígua e Barbuda mantêm relações
diplomáticas desde 1982.




272

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




    PROCESSO DE APURAÇÃO ÉTICA NO
 CONSULADO-GERALDOBRASILEMSYDNEY
                            24/04/2013
                               
  Desde que recebeu, em janeiro e fevereiro
deste ano, denúncias de assédio moral no
Consulado-Geral do Brasil em Sydney, a
Comissão de Ética do Ministério das Relações
Exteriores vem cuidando do caso com atenção.
  Foi	designado	alto	funcionário
diplomático	para	realizar	missão	de
procedimento investigativo, entre 14 e 21 de
fevereiro, com o intuito de fazer, in loco,
análise prévia da situação.
  Com base nos seus resultados, foi
apresentado, em reunião da Comissão
de Ética deste Ministério, realizada em
16 de março, relatório formal, cujo teor
subsidiou o juízo de admissibilidade das
denúncias, com a consequente instauração
do Procedimento Preliminar nº 2/2013, em
2 de abril.
  Ante os indícios de existência de infrações
éticas	no	referido	Consulado-Geral,	a
Comissão de Ética do Itamaraty emitiu
portaria, em 10 de abril, por meio da qual o
referido processo investigativo foi convertido
no Processo de Apuração Ética (PAE) nº
2/2013.
  Em 12 de abril, o Presidente da Comissão
de Ética do Itamaraty, solicitou formalmente
à	Consultoria	Jurídica	deste	Ministério
parecer técnico sobre os aspectos processuais
necessários para a correta condução do
Processo de Apuração Ética em apreço, com
fulcro no art. 2º, inciso XIII, da Resolução
n° 10/2008 da Comissão de Ética Pública da
Presidência da República.
  Uma vez concluído e recebido o referido
parecer técnico, a Comissão de Ética deste
Ministério poderá dar seguimento correto
e legalmente amparado ao Processo de
Apuração Ética nº 2/2013.
             
ACORDO SOBRE SERVIÇOS
      AÉREOS ENTRE O GOVERNO DA
  REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
     E O GOVERNO DA REPÚBLICA DO
                           EQUADOR
                            03/05/2013
                               
  O Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo da República do Equador,
(doravante referidos individualmente como
Brasil e Equador respectivamente, e
coletivamente como Partes Contratantes);
  Sendo Partes da Convenção sobre Aviação
Civil Internacional, aberta para assinatura em
Chicago no dia 7 de dezembro de 1944;
  Desejando facilitar a expansão
das oportunidades de serviços aéreos
internacionais;
  Reconhecendo que os serviços aéreos
internacionais eficientes e competitivos
melhoram o comércio, o bem-estar dos
consumidores e o crescimento econômico;
  Desejando garantir o mais alto grau de
segurança operacional e aeroportuária nos
serviços aéreos internacionais e reafirmando
sua grande preocupação acerca dos atos ou
ameaças contra a segurança das aeronaves,
que põem em perigo a segurança das pessoas
ou bens, afetando adversamente a operação
dos serviços aéreos, e minando a confiança do
público na segurança da aviação civil;
  Acordaram o seguinte sobre o
estabelecimento e operação de serviços aéreos
entre seus respectivos territórios e além:
  ARTIGO 1
  Definições
  Para aplicação do presente Acordo, salvo
disposições em contrário, o termo:
  a) Autoridades Aeronáuticas significa,
no caso da República Federativa do Brasil,
a Autoridade de Aviação Civil, representada
pela Agência Nacional de Aviação Civil




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	273




(ANAC) e no caso do Equador, o Conselho
Nacional de Aviação Civil e/ou a Direção
Geral de Aviação Civil, como corresponda;
ou, em ambos os casos, seus sucessores ou
qualquer pessoa ou entidade que possa ser
autorizada a executar qualquer das funções
que podem ser exercidas na atualidade pelas
Autoridades anteriormente mencionadas, ou
funções similares;
  b) Acordo significa este Acordo, seus
Anexos, e qualquer emenda aos mesmos;
  c) Capacidade é o número de serviços
estabelecidos	por	este	Acordo,	medida
normalmente	pelo	número	de	voos
(frequências) ou de assentos, ou toneladas
de carga oferecidas em um mercado (par de
cidades ou país a país), ou em uma rota, em
conformidade com o que acordem as Partes
Contratantes.
  d) a Convenção significa a Convenção
sobre Aviação Civil Internacional, aberta para
assinatura em Chicago no dia 7 de dezembro
de 1944, e que inclui qualquer Anexo adotado
de acordo com o Artigo 90 dessa Convenção e
qualquer emenda aos Anexos ou à Convenção,
de acordo com os Artigos 90 e 94 da mesma, até
onde tais Anexos e emendas tenham entrado
em vigor para ambas as Partes Contratantes;
  e) OACI significa a Organização de
Aviação Civil Internacional, criada conforme
a Convenção;
  f) Empresa aérea designada significa
uma empresa aérea que tenha sido designada
e autorizada em conformidade com o Artigo
3 (Designação e Autorização) deste Acordo;
  g) Preço significa os preços e encargos
que deverão ser pagos para o transporte aéreo
de passageiros, bagagem e/ou carga, e as
condições segundo as quais se aplicam estes
preços, incluindo preços e condições para
agentes e outros serviços auxiliares, porém
excluindo a remuneração e condições para o
transporte de mala postal;
   
h) Território, em relação a um Estado,
tem o significado a ele atribuído no Artigo 2
da Convenção, incluindo seu espaço aéreo;
  i) Tarifa aeronáutica  significa o valor
cobrado às empresas aéreas pela autoridade
competente ou por esta autorizado a ser
cobrado, pela provisão de propriedades ou
instalações do aeroporto, ou de instalações de
navegação aérea ou instalações ou serviços
de segurança da aviação, incluindo serviços e
instalações relacionados para aeronaves, suas
tripulações, passageiros e carga;
  j) Serviço aéreo, serviço aéreo
internacional, empresa aérea e escala para
fins não comerciais têm o significado a eles
atribuídos no Artigo 96 da Convenção.
  ARTIGO 2
  Concessão de Direitos
  1. Cada Parte Contratante concede à outra
Parte Contratante os direitos especificados
neste Acordo, com a finalidade de explorar
serviços aéreos internacionais nas rotas
especificadas no Quadro de Rotas acordado
conjuntamente pelas autoridades aeronáuticas
de ambas as Partes Contratantes.
  2. Sujeito às disposições deste Acordo, as
empresas aéreas designadas por cada uma das
Partes Contratantes gozarão dos seguintes
direitos:
  a) sobrevoar o território da outra Parte
Contratante sem pousar;
  b) fazer escalas no território da outra Parte
Contratante para fins não comerciais;
  c) fazer escalas nos pontos das rotas
especificadas no Quadro de Rotas acordado
conjuntamente pelas autoridades aeronáuticas
de ambas as Partes Contratantes, para
embarcar e desembarcar tráfego internacional
de passageiros, carga e mala postal
separadamente ou em combinação; e
  d) os demais direitos especificados no
presente Acordo.
  3. As empresas aéreas de cada Parte

   
   

274

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




Contratante, outras que não as designadas com
base no Artigo 3 (Designação e Autorização)
deste Acordo, também gozarão dos direitos
especificados no parágrafo 2, letras a) e b),
deste Artigo.
  4.	Nada	neste	Acordo	deverá	ser
considerado como concessão às empresas
aéreas designadas de cada Parte Contratante
do direito de cabotagem.
  ARTIGO 3
  Designação e Autorização
  1. Cada Parte Contratante terá o direito de
designar por escrito à outra Parte Contratante,
uma ou mais empresas aéreas para operar
os serviços acordados conforme o presente
Acordo e de revogar ou alterar tal designação,
por via diplomática, em conformidade com a
legislação de cada país.
  2. Ao receber tal designação e o pedido
de autorização de operação da empresa aérea
designada, na forma e no modo prescritos, cada
Parte Contratante concederá a autorização de
operação apropriada com a mínima demora de
trâmites, desde que:
  a) a empresa aérea designada tenha seu
domicílio principal no território da Parte
Contratante que a designa;
  b) o efetivo controle regulatório da empresa
aérea designada seja exercido e mantido pela
Parte Contratante que a designa;
  c) a Parte Contratante que designa a empresa
aérea cumpra as disposições estabelecidas no
Artigo 7 (Segurança Operacional) e no Artigo
8 (Segurança da Aviação); e
  d) a empresa aérea designada esteja
qualificada para satisfazer as condições
determinadas segundo as leis e regulamentos
normalmente aplicados à operação de serviços
de transporte aéreo internacional pela Parte
Contratante que recebe a designação.
  3. Ao receber a autorização de operação
mencionada no parágrafo 2, uma empresa
aérea designada pode, a qualquer tempo,

começar a operar os serviços acordados para
os quais tenha sido designada, desde que
ela cumpra as disposições aplicáveis deste
Acordo.
  ARTIGO 4
  Negativa de Concessão, Revogação e
Limitação de Autorização
  1. As autoridades aeronáuticas de cada
Parte Contratante terão o direito de negar
as autorizações mencionadas no Artigo 3
(Designação e Autorização) deste Acordo a
uma empresa aérea designada pela outra Parte
Contratante e de revogar, suspender ou impor
condições a tais autorizações, temporária ou
permanentemente nos casos em que:
  a) elas não estejam convencidas de que a
empresa aérea designada tenha seu domicílio
principal no território da Parte Contratante
que a designa; ou
  b) o efetivo controle regulatório da empresa
aérea designada não seja exercido e mantido
pela Parte Contratante que designa a empresa
aérea; ou
  c) a Parte Contratante que designa a empresa
aérea não cumpra as disposições estabelecidas
no Artigo 7 (Segurança Operacional) e no
Artigo 8 (Segurança da Aviação); ou
  d) a empresa aérea designada não esteja
qualificada para atender outras condições
determinadas segundo as leis e regulamentos
normalmente aplicados à operação de serviços
de transporte aéreo internacional pela Parte
Contratante que recebe a designação.
  2. A menos que a imediata revogação,
suspensão ou imposição das condições
previstas no parágrafo 1 do presente Artigo
seja essencial para impedir novas infrações a
leis e regulamentos, ou às disposições deste
Acordo, esse direito somente será exercido
após a realização de consultas com a outra
Parte Contratante. Tais consultas deverão
ocorrer antes de expirar o prazo de 30 (trinta)
dias a partir da data da solicitação por uma




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	275




Parte Contratante, salvo entendimento diverso
entre as Partes Contratantes.
  3. Este Artigo não limita os direitos de
cada Parte Contratante para reter, revogar,
suspender, limitar ou impor condições sobre
as autorizações operacionais ou permissões
técnicas de uma linha aérea designada da
outra Parte Contratante, de acordo com o
Artigo 7 (Segurança Operacional) e Artigo 8
(Segurança da Aviação) deste Acordo.
  ARTIGO 5
  Aplicação de Leis
  1. As leis e regulamentos de uma Parte
Contratante relativos à entrada e saída de seu
território de aeronaves engajadas em serviços
aéreos internacionais, ou a operação e
navegação de tais aeronaves enquanto em seu
território, serão aplicados às aeronaves das
empresas aéreas da outra Parte Contratante.
  2. As leis e regulamentos de uma Parte
Contratante relativos à entrada, permanência
e saída de seu território, de passageiros,
tripulantes e carga, incluindo mala postal,
tais como os relativos à imigração, alfândega,
moeda, saúde e quarentena serão aplicados aos
passageiros, tripulantes, carga e mala postal
transportados por aeronaves das empresas
aéreas da outra Parte Contratante enquanto
permanecerem no referido território.
  3. Na aplicação dos regulamentos de
cada país, nenhuma Parte Contratante dará
preferência às suas próprias empresas aéreas
nem a nenhuma outra em relação às empresas
aéreas da outra Parte Contratante engajadas
em transporte aéreo internacional similar.
  ARTIGO 6
  Reconhecimento de Certificados e Licenças
  1. Certificados de aeronavegabilidade,
certificados de habilitação e licenças emitidos
ou convalidados por uma Parte Contratante
e ainda em vigor serão reconhecidos como
válidos pela outra Parte Contratante para o
objetivo de operar os serviços acordados,

desde que os requisitos sob os quais tais
certificados e licenças foram emitidos sejam
iguais ou superiores aos requisitos mínimos
estabelecidos segundo a Convenção.
  2. Se os privilégios ou as condições
das licenças ou certificados mencionados
no parágrafo 1 anterior, emitidos pelas
autoridades aeronáuticas de uma Parte
Contratante para uma pessoa ou empresa
aérea designada, ou relativos a uma aeronave
utilizada na operação dos serviços acordados,
permitirem uma diferença dos requisitos
mínimos estabelecidos pela Convenção,
e que tal diferença tenha sido notificada à
Organização de Aviação civil Internacional
(OACI), a outra Parte Contratante pode pedir
que se realizem consultas entre as autoridades
aeronáuticas a fim de esclarecer a prática em
questão.
  3. Cada Parte Contratante, todavia, reserva-
se o direito de recusar-se a reconhecer, para
o objetivo de sobrevoo ou pouso em seu
próprio território, as licenças concedidas
aos seus próprios nacionais pela outra Parte
Contratante.
  ARTIGO 7
  Segurança Operacional
  1. Cada Parte Contratante poderá solicitar
a qualquer momento a realização de consultas
sobre as normas de segurança operacional
aplicadas pela outra Parte Contratante nos
aspectos relacionados com as instalações
aeronáuticas, tripulações de voo, aeronaves e
operações de aeronaves. Tais consultas serão
realizadas dentro dos 30 (trinta) dias após a
apresentação da referida solicitação.
  2. Se, depois de realizadas tais consultas,
uma Parte Contratante chega à conclusão
de que a outra não mantém e administra de
maneira efetiva os requisitos de segurança,
nos aspectos mencionados no parágrafo
1, que tratam das normas de segurança
operacional que satisfaçam as normas em




276

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




vigor estabelecidas em conformidade com
a Convenção, a outra Parte Contratante será
informada de tais conclusões e das medidas
que se considerem necessárias para cumprir as
normas da OACI. A outra Parte Contratante
deverá, então, tomar as medidas corretivas
para o caso, dentro de um prazo acordado.
  3. De acordo com oArtigo 16 da Convenção,
fica também acordado que qualquer aeronave
operada por ou em nome de uma empresa
aérea de uma Parte Contratante, que preste
serviço para ou do território da outra Parte
Contratante poderá, quando se encontrar
no território desta última, ser objeto de uma
inspeção pelos representantes autorizados da
outra Parte Contratante, desde que isto não
cause demoras desnecessárias à operação
da aeronave. Não obstante as obrigações
mencionadas no Artigo 33 da Convenção,
o objetivo desta inspeção é verificar a
validade da documentação pertinente da
aeronave, as licenças de sua tripulação e se
o equipamento da aeronave e a condição da
mesma estão conformes com as normas em
vigor estabelecidas em conformidade com a
Convenção.
  4.	Quando	for	indispensável	adotar
medidas urgentes para garantir a segurança das
operações de uma empresa aérea, cada Parte
Contratante reserva-se o direito de suspender
ou modificar imediatamente a autorização de
operação de uma ou mais empresas aéreas da
outra Parte Contratante.
  5. Qualquer medida tomada por uma Parte
Contratante de acordo com o parágrafo 4
acima será suspensa assim que deixem de
existir os motivos que levaram à adoção de tal
medida.
  6. Com referência ao parágrafo 2 anterior,
se for constatado que uma Parte Contratante
continua a não cumprir as normas da OACI,
depois de transcorrido o prazo acordado,
o Secretário Geral da OACI será disto

notificado. O mesmo também será notificado
após a solução satisfatória de tal situação.
  ARTIGO 8
  Segurança da Aviação
  1. Conscientes dos seus direitos e
obrigações segundo o Direito Internacional,
as Partes Contratantes reafirmam que sua
obrigação mútua de proteger a segurança
da aviação civil contra atos de interferência
ilícita constitui parte integrante do presente
Acordo. Sem limitar a validade geral de seus
direitos e obrigações resultantes do Direito
Internacional, as Partes Contratantes atuarão,
em particular, segundo as disposições da
Convenção sobre Infrações e Certos Outros
Atos Praticados a Bordo de Aeronaves,
assinada em Tóquio em 14 de setembro de
1963, da Convenção para a Repressão ao
Apoderamento Ilícito de Aeronaves, assinada
em Haia em 16 de dezembro de 1970, e da
Convenção para a Repressão de Atos Ilícitos
contra a Segurança da Aviação Civil, assinada
em Montreal em 23 de setembro de 1971, e
seu Protocolo Suplementar para Repressão
de Atos Ilícitos de Violência em Aeroportos
Utilizados pela Aviação Civil Internacional,
assinado em Montreal em 24 de fevereiro
de 1988, da Convenção para a Marcação
de Explosivos Plásticos para o Propósito de
Detecção, assinada em Montreal em 1 de
março de 1991, bem como qualquer outra
convenção e protocolo sobre segurança da
aviação civil, aos quais ambas as Partes
Contratantes venham a aderir.
  2. As Partes Contratantes fornecerão,
mediante solicitação, toda a assistência mútua
necessária para a prevenção contra atos de
apoderamento ilícito de aeronaves civis e
outros atos ilícitos contra a segurança dessas
aeronaves, seus passageiros e tripulações de
voo, aeroportos e instalações de navegação
aérea, e qualquer outra ameaça à segurança da
aviação civil.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	277




   3. As Partes Contratantes agirão, em suas
relações mútuas, segundo as disposições
sobre segurança da aviação estabelecidas pela
Organização de Aviação Civil Internacional
e designadas como Anexos à Convenção,
até onde tais disposições sobre segurança
sejam aplicáveis às Partes Contratantes. Cada
Parte Contratante exigirá que as empresas
aéreas que tenha designado para operar os
serviços acordados nas rotas especificadas,
e os operadores de aeroportos situados em
seu território ajam em conformidade com as
referidas disposições sobre a segurança da
aviação. Cada Parte Contratante notificará a
outra Parte Contratante de toda diferença entre
seus regulamentos e métodos nacionais e as
normas de segurança da aviação dos Anexos.
Qualquer das Partes Contratantes poderá
solicitar a qualquer momento a imediata
realização de consultas com a outra Parte
Contratante sobre tais diferenças.
  4. Cada Parte Contratante concorda que
a suas empresas aéreas designadas pode ser
exigido que observem as disposições sobre
a segurança da aviação mencionadas no
parágrafo 3 deste Artigo e em conformidade
com as leis e regulamentos vigentes da
outra Parte Contratante para a entrada,
saída, ou permanência no território da outra
Parte Contratante. Cada Parte Contratante
assegurará que medidas adequadas sejam
efetivamente aplicadas em seu território
para proteger a aeronave e para inspecionar
passageiros, tripulações de voo, bagagens de
mão, bagagens, carga e provisões de bordo,
antes e durante o embarque e desembarque de
passageiros e carga. Cada Parte Contratante
também considerará de modo favorável
toda solicitação razoável da outra Parte
Contratante, com vistas a adotar medidas
especiais de segurança para combater uma
ameaça específica.
  5. Quando ocorrer um incidente, ou

ameaça de incidente de apoderamento ilícito
de aeronave civil, ou outro ato ilícito contra a
segurança de tal aeronave, de seus passageiros e
tripulações de voo, de aeroportos ou facilidades
de navegação aérea, as Partes Contratantes
assistir-se-ão mutuamente, facilitando as
comunicações e outras medidas apropriadas,
destinadas a pôr termo, de forma rápida e
segura, a tal incidente ou ameaça até onde seja
praticável de acordo com as circunstâncias.
Cada Parte Contratante terá o direito, dentro
dos 60 (sessenta) dias seguintes à notificação,
de que suas autoridades aeronáuticas efetuem
uma avaliação no território da outra Parte
Contratante das medidas de segurança sendo
aplicadas ou que planejam aplicar, pelos
operadores de aeronaves, com respeito aos
voos que chegam procedentes do território da
primeira Parte Contratante ou que sigam para
o mesmo. Os entendimentos administrativos
para a realização de tais avaliações serão
feitos de comum acordo entre as autoridades
aeronáuticas e implementados sem demora
a fim de assegurar-se que as avaliações se
realizem de maneira expedita. Todas as
avaliações estarão cobertas por um acordo
específico sobre a proteção da informação
entre as autoridades aeronáuticas de acordo
com a legislação de cada Parte.
  6. Quando uma Parte Contratante tiver
motivos razoáveis para acreditar que a outra
Parte Contratante não cumpre as disposições
deste Artigo, as autoridades aeronáuticas da
primeira Parte Contratante poderão solicitar
imediatamente a realização de consultas com
as autoridades aeronáuticas da outra Parte
Contratante. No caso de não se chegar a um
acordo satisfatório dentro dos 15 (quinze) dias
a partir da data de tal solicitação, isto constituirá
motivo para a aplicação do parágrafo 1 do
Artigo 4 (Negativa de Concessão, Revogação
e Limitação da Autorização) deste Acordo.
Quando justificada por uma emergência ou




278

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




para impedir que continue o descumprimento
das disposições deste Artigo, uma Parte
Contratante poderá adotar medidas temporárias
de acordo com o parágrafo 1 do Artigo 4 deste
Acordo antes que expirem os 15 (quinze)
dias. Qualquer ação tomada de acordo com tal
parágrafo deverá ser descontinuada quando a
outra Parte Contratante cumprir as disposições
de segurança deste Artigo.
  ARTIGO 9
  Tarifas Aeronáuticas
  1. Nenhuma das Partes Contratantes cobrará
ou permitirá que sejam cobradas das empresas
aéreas designadas da outra Parte Contratante
tarifas e demais encargos superiores aos
cobrados às suas próprias empresas aéreas que
operem serviços internacionais semelhantes.
  2. Cada Parte Contratante encorajará
a realização de consultas sobre tarifas
impostas aos usuários entre suas autoridades
competentes e as empresas aéreas que utilizam
as instalações e os serviços proporcionados,
quando for factível por meio das organizações
representativas de tais empresas aéreas.
Propostas de modificação das tarifas impostas
deverão ser comunicadas a tais usuários com
razoável antecedência, a fim de permitir-lhes
expressar seus pontos de vista antes que as
alterações sejam feitas. Adicionalmente, cada
Parte Contratante encorajará suas autoridades
competentes e tais usuários a trocarem
informações apropriadas relativas às tarifas
impostas aos usuários.
  ARTIGO 10
  Direitos	Alfandegários	e	Controle
Alfandegário
  Os aspectos tributários  conforme seja
aplicável  serão regulados conforme as
disposições da legislação tributária do Estado
de cada Parte Contratante e conforme o Artigo
24 da Convenção, sem prejuízo da aplicação
das disposições dos acordos tributários para
evitar a dupla tributação, que tenham sido ou

sejam firmados.
  ARTIGO 11
  Impostos
  Os lucros resultantes da operação das
aeronaves de uma empresa aérea designada
nos serviços aéreos internacionais, assim como
os bens e serviços que lhe sejam fornecidos,
serão tributados de acordo com a legislação de
cada Parte Contratante.
  ARTIGO 12
  Capacidade
  1. Cada Parte Contratante permitirá que
cada empresa aérea designada determine a
frequência e a capacidade dos serviços de
transporte aéreo internacional a ser ofertada,
baseando-se em considerações comerciais
próprias do mercado.
  2. As Partes Contratantes poderão limitar
unilateralmente o volume de tráfego, a
frequência ou a regularidade dos serviços, ou
o tipo ou tipos de aeronaves operadas pelas
empresas aéreas designadas da outra Parte
Contratante, exclusivamente quando isto
seja necessário por exigências de natureza
alfandegária, técnica, operacional ou razões
ambientais sob condições uniformes e não
discriminatórias, consistentes com o Artigo
15 da Convenção.
  ARTIGO 13
  Preços
  1. Cada Parte Contratante permitirá que
os preços sejam estabelecidos por cada uma
das empresas aéreas designadas, baseando-
se em considerações comerciais próprias do
mercado, sem estar sujeitos a aprovação.
  2. As autoridades aeronáuticas de cada
Parte Contratante podem solicitar consultas
com as autoridades da outra Parte Contratante
para discutir assuntos como, porém sem
limitar-se a, preços que possam considerar
discriminatórios, ou que não reflitam
condições de livre concorrência no mercado,
com a finalidade de proteger os interesses




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	279




dos usuários. As Partes Contratantes deverão
submeter-se à legislação vigente em matéria
de concorrência em seu território.
  3. Cada Parte Contratante pode requerer
notificação ou registro junto às autoridades,
pelas empresas aéreas designadas, dos preços
do transporte originados em seu território.
  ARTIGO 14
  Concorrência
  1. As Partes Contratantes deverão informar-
se mutuamente sobre suas leis, políticas e
práticas sobre a concorrência ou modificações
das mesmas, bem como quaisquer objetivos
concretos a elas relacionados, que poderiam
afetar a exploração de serviços de transporte
aéreo cobertos por este Acordo e deverão
identificar as autoridades responsáveis por sua
aplicação.
  2. As Partes Contratantes deverão notificar-
se mutuamente sempre que considerarem
que pode haver incompatibilidade entre a
aplicação de suas leis, políticas e práticas sobre
a concorrência e as matérias relacionadas à
aplicação deste Acordo.
  3.	Não	obstante	quaisquer	outras
disposições em contrário, nada do disposto
neste Acordo deverá (i) requerer ou favorecer
a adoção de acordos entre empresas aéreas,
decisões de associações de empresas aéreas
ou práticas combinadas que impeçam ou
distorçam a concorrência; (ii) reforçar os
efeitos de tais acordos, decisões ou práticas
combinadas; ou (iii) delegar a operadores
econômicos privados a responsabilidade da
tomada de medidas que impeçam, distorçam
ou restrinjam a concorrência.
  ARTIGO 15
  Conversão de Divisas e Transferência de
Fundos
  Os aspectos tributários e de transferência
de fundos  conforme seja aplicável  serão
regulados	conforme	as	disposições	da
legislação tributária do Estado de cada Parte

Contratante, sem prejuízo da aplicação das
disposições dos acordos tributários para
evitar a dupla tributação, que tenham sido ou
sejam firmados entre os Estados das Partes
Contratantes.
  ARTIGO 16
  Atividades Comerciais
  1. As empresas aéreas designadas de
qualquer das Partes Contratantes poderão
estabelecer escritórios no território da outra
Parte Contratante para a promoção e venda de
Transporte Aéreo.
  2. As empresas aéreas designadas de
qualquer das Partes Contratantes, em
conformidade com as leis e regulamentos da
outra Parte Contratante relativos ao ingresso,
residência e emprego, poderão enviar ao
território da outra Parte Contratante e nele
manter, o pessoal administrativo, técnico
operacional, de vendas e outro pessoal
especializado, para a prestação de serviços de
transporte aéreo, de acordo com a legislação
nacional.
  3. Cada empresa aérea designada poderá
encarregar-se de seus próprios serviços em
terra no território da outra Parte Contratante
(doravante Serviços Autônomos) ou, se
preferir, realizar uma seleção entre agentes
concorrentes para realizar estes serviços. Estes
serviços estarão sujeitos apenas a restrições
físicas decorrentes de considerações relativas
à segurança aeroportuária. Nos casos em que
tais considerações impeçam a realização de
Serviços Autônomos, os serviços em terra
deverão ser oferecidos a todas as empresas
aéreas numa base de não discriminação.
  4.Cadaempresaaéreadesignadadequalquer
das Partes Contratantes poderá dedicar-se à
venda do transporte aéreo no território da outra
Parte Contratante diretamente e, à sua escolha,
por meio de seus agentes. Cada empresa aérea
designada poderá vender este transporte, e
qualquer pessoa terá a liberdade de adquiri-




280

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




lo, na moeda de tal território ou em moedas
livremente conversíveis, em conformidade
com as disposições cambiais vigentes de cada
Parte Contratante.
  5. Ao operar ou manter os serviços
autorizados nas rotas acordadas, qualquer
empresa aérea designada por uma das
Partes Contratantes poderá celebrar acordos
comerciais tais como Código Compartilhado
e Bloqueio de Assentos com empresas
aéreas designadas de qualquer das Partes
Contratantes e/ou empresas aéreas de um
terceiro país sempre e quando:
  (i) a empresa aérea operadora possua os
direitos de tráfego correspondentes;
  (ii) a empresa aérea comercializadora
tenha sido designada por sua Autoridade
Aeronáutica e o Acordo Comercial receba a
autorização prévia da Autoridade Aeronáutica
da Parte Contratante que seja destino da
operação;
  (iii) os bilhetes de passagem aérea e
qualquer outro documento que informe
sobre as condições do transporte aéreo e/
ou os conhecimentos aéreos, demonstrem
claramente ao comprador ou usuário do
respectivo serviço, qual é a empresa aérea que
efetivamente operará cada trecho do serviço; e
  (iv)	as	empresas	aéreas	das	Partes
Contratantes participantes em acordos de
código compartilhado poderão exercer direitos
de tráfego de até sexta liberdade em qualquer
ou em todos os serviços em que utilizem seus
códigos.
  ARTIGO 17
  Estatísticas
  As autoridades aeronáuticas de cada
Parte Contratante proporcionarão ou farão
com que suas empresas aéreas designadas
proporcionem às autoridades aeronáuticas
da outra Parte Contratante, a pedido, as
estatísticas periódicas ou de outro tipo, que
possam ser razoavelmente requeridas.
   
ARTIGO 18
  Aprovação de Horários
  1. As empresas aéreas designadas de cada
Parte Contratante submeterão sua previsão de
horários de voos à aprovação das autoridades
aeronáuticas da outra Parte Contratante, pelo
menos 30 (trinta) dias antes do início de
operação dos serviços acordados. O mesmo
procedimento será aplicado para qualquer
modificação dos horários.
  2. Para os voos de reforço (especiais)
que a empresa aérea designada de uma
Parte Contratante deseje operar nos
serviços acordados, fora do quadro de
horários aprovado, essa empresa aérea
solicitará autorização prévia das autoridades
aeronáuticas da outra Parte Contratante. Tais
solicitações serão submetidas pelo menos 5
(cinco) dias úteis antes da operação de tais
voos.
  ARTIGO 19
  Contratos de Arrendamento
  1. Cada empresa aérea designada poderá,
nas operações de serviços autorizados pelo
Acordo, utilizar suas próprias aeronaves
ou aeronaves que tenham sido arrendadas,
fretadas ou intercambiadas, através de um
contrato celebrado entre as empresas aéreas,
observando-se as normas e regulamentos
de cada Parte Contratante e o Protocolo
relativo à emenda à Convenção, contrato
este que deverá ser submetido às autoridades
de ambas as Partes Contratantes, as quais
deverão também concluir um acordo
específico estabelecendo as condições de
transferência de responsabilidade sobre a
segurança operacional, na forma prevista pela
Organização de Aviação Civil Internacional.
  2. Cada Parte Contratante pode impedir
o uso de aeronaves arrendadas para serviços
aéreos sob este Acordo que não cumpram com
o Artigo 7 (Segurança Operacional) e o Artigo
8 (Segurança da Aviação) deste Acordo.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	281




   3. Sujeito à legislação de cada Parte
Contratante e sujeito ao parágrafo 2 deste
Artigo, as empresas aéreas designadas de cada
Parte Contratante podem usar aeronaves (ou
aeronave e tripulação de voo) arrendadas de
qualquer empresa, incluindo outras empresas
aéreas, sempre que isto não resulte em que a
empresa aérea arrendatária exerça direitos de
tráfego que não possua.
  ARTIGO 20
  Serviços Intermodais
  A cada empresa aérea designada das Partes
Contratantes será permitida a utilização
de modais de transporte de superfície,
conjuntamente	com	os	serviços	aéreos
internacionais de passageiros e carga, segundo
as leis e regulamentos das Partes Contratantes.
  ARTIGO 21
  Consultas
  Qualquer das Partes Contratantes pode,
a qualquer tempo, solicitar a realização
de	consultas	sobre	a	implementação,
interpretação,	aplicação,	emenda	ou
cumprimento deste Acordo. Tais consultas,
que podem ser feitas mediante reuniões ou
por correspondência entre as autoridades
aeronáuticas, serão iniciadas dentro de um
período de 60 (sessenta) dias a partir da data
do recebimento da solicitação por escrito
pela outra Parte Contratante, a menos que de
outra forma acordado por ambas as Partes
Contratantes.
  ARTIGO 22
  Solução de Controvérsias, Jurisdição e
Competência
  1. No caso de qualquer controvérsia que
possa surgir entre as Partes Contratantes,
relativa à interpretação ou aplicação deste
Acordo, as autoridades aeronáuticas buscarão,
em primeiro lugar, resolvê-las por meio de
consultas e negociações.
  2. Caso as Partes Contratantes não
cheguem a um acordo por meio de negociação,

a controvérsia será solucionada pela via
diplomática.
  ARTIGO 23
  Emendas
  1. Qualquer emenda aos anexos do Acordo
pode ser realizada através de acordo mútuo
das Partes Contratantes mediante reuniões
das autoridades aeronáuticas e mediante o
intercâmbio de notas diplomáticas.
  2. Qualquer emenda deste Acordo,
acordada entre as Partes Contratantes, entrará
em vigor em data a ser determinada por troca
de notas diplomáticas, indicando que todos
os procedimentos internos necessários foram
completados pelas Partes Contratantes.
  ARTIGO 24
  Acordos Multilaterais
  Se um acordo multilateral relativo ao
transporte aéreo entrar em vigor em relação
a ambas as Partes Contratantes, o presente
Acordo será emendado para conformar-se às
disposições de tal acordo multilateral.
  ARTIGO 25
  Registro na OACI
  Este Acordo, bem como qualquer emenda
ao mesmo, será registrado na OACI, depois
de assinado, pela Parte Contratante em
cujo território haja ocorrido a assinatura,
ou conforme o acertado entre as Partes
Contratantes.
  ARTIGO 26
  Denúncia
  Qualquer das Partes Contratantes pode,
a qualquer tempo, notificar a outra Parte
Contratante por escrito, por via diplomática,
sua decisão de denunciar este Acordo. Tal
notificação será feita simultaneamente à
Organização de Aviação Civil Internacional.
Este Acordo expirará 12 (doze) meses depois
da data de recebimento da notificação pela
outra Parte Contratante, a menos que se
retire tal notificação mediante mútuo acordo,
antes de concluído tal prazo. Se a outra Parte




282

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




Contratante não acusar recebimento, será
considerado que a notificação foi recebida 14
(quatorze) dias depois de seu recebimento pela
Organização de Aviação Civil Internacional.
  ARTIGO 27
  Entrada em Vigor
  Este Acordo entrará em vigor na data de
recebimento da segunda nota diplomática
confirmando que todos os procedimentos
internos necessários foram completados pelas
Partes Contratantes.
  Em testemunho do que os abaixo assinados,
estando devidamente autorizados pelos seus
respectivos Governos, assinaram o presente
Acordo.
  Feito em Quito, no dia 2 do mês de maio,
do ano de 2013, em duplicata, em Português
e Espanhol, sendo ambos os textos idênticos.

             DIA INTERNACIONAL DA
            LIBERDADE DE IMPRENSA
                            03/05/2013
                               
  O Itamaraty congratula os profissionais de
imprensa por sua contribuição fundamental
e indispensável para a liberdade, a justiça e
o exercício pleno da cidadania e do convívio
democrático.
  O Dia Internacional da Liberdade de
Imprensa foi criado em 1993 pela Assembleia
Geral das Nações Unidas. Mais que uma data
meramente comemorativa, trata-se de um
momento de reflexão sobre a importância da
imprensa para uma sociedade livre e um alerta
quanto aos perigos e ameaças a esse princípio
fundamental do Estado de Direito.
  A política externa brasileira pauta-se pela
promoção e proteção dos direitos humanos.
Não	pode	deixar,	portanto,	de	manter
intransigente defesa da livre expressão do
pensamento. Trata-se de uma conquista
histórica: a Declaração Universal dos Direitos

Humanos, adotada pela Assembleia Geral da
ONU em 1948, proclama que toda pessoa tem
direito à liberdade de opinião e expressão; este
direito inclui a liberdade de, sem interferência,
ter opiniões e de procurar, receber e transmitir
informações e ideias por quaisquer meios e
independentemente de fronteiras.
  Não podemos esquecer, entretanto, que
a violência contra os jornalistas é uma das
grandes ameaças à liberdade de imprensa.
São inaceitáveis a intimidação, a agressão, o
assassinato de profissionais de comunicação
ou as ameaças contra suas famílias em
qualquer parte do mundo.
  Neste dia Internacional da Liberdade
de Imprensa, o Itamaraty congratula os
profissionais de imprensa por sua contribuição
fundamental e indispensável para a liberdade,
a justiça e o exercício pleno da cidadania e do
convívio democrático.

     XII REUNIÃO DE MINISTROS DAS
  RELAÇÕES EXTERIORES DOS PAÍSES
       MEMBROS DA OTCA - EL COCA,
       EQUADOR, 3 DE MAIO DE 2013 -
           DECLARAÇÃO DE EL COCA
                            03/05/2013
                               
  Os Ministros das Relações Exteriores
e demais Chefes de Delegação dos oito
países membros (Bolívia, Brasil, Colômbia,
Equador, Guiana, Peru, Suriname e
Venezuela) da Organização do Tratado de
Cooperação Amazônica  OTCA  decidiram
adotar medidas com vistas à revitalização dos
trabalhos e projetos conjuntos no âmbito da
Organização. As seguintes decisões adotadas
constam da Declaração de El Coca,
aprovada em 3 de maio:
  - proporcionar um espaço de diálogo que
permita a reflexão, análise e debate sobre




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	283




o processo de discussão dos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável, que se realiza
no âmbito das Nações Unidas.
  - instruir a Secretaria Permanente da OTCA
a realizar seminário que proporcione o diálogo
sobre iniciativas relacionadas à promoção dos
Direitos da Natureza/Mãe Terra, para alcançar
o desenvolvimento sustentável.
  - formular proposta para a criação da Rede
de Centros de Pesquisas Amazônicos.
  - constituir o Observatório Regional
Amazônico como foro permanente dedicado
ao estudo da Amazônia, como um centro
de referência de informação regional em
biodiversidade, recursos e sociodiversidade
na região amazônica.
  - adotar as recomendações do Grupo de
Trabalho sobre desenvolvimento social na
região amazônica, com ênfase na inclusão
social, luta contra a pobreza e erradicação da
pobreza extrema, para desenvolver o tema
de inclusão social na Agenda Estratégica da
OTCA no decorrer de 2013.
  - convocar reunião sobre mudança do
clima, com especialistas dos países-membros;
realizar intercâmbio de experiências e gerar
debate.
  - conformar um Grupo de Trabalho
especializado, para desenvolver estratégia
comum de combate à mineração ilegal na
Amazônia e propor mecanismos de cooperação
necessários para efetivar dita estratégia.
  - encomendar que o Grupo de Trabalho
sobre Navegação Comercial retome suas
atividades e realize sua quinta reunião em
2013, visando a concluir as negociações do
Regulamento de Navegação Comercial nos
Rios Amazônicos.
  O Governo brasileiro, por intermédio do
BNDES, no âmbito do Fundo Amazônia,
aprovou o financiamento de US$ 12 milhões
do Projeto de Monitoramento da Cobertura
Florestal desenvolvido no âmbito da OTCA.

Trata-se de feito inédito, sendo o primeiro
projeto internacional do Fundo e a primeira vez
que o Fundo concede colaboração financeira
não reembolsável a uma Organização
Internacional.
  O Governo brasileiro concretizou a doação
de lote de terreno para a instalação da futura
sede da OTCA, em Brasília, cumprindo-se,
assim, o compromisso assumido quando o
Brasil decidiu sediar a Organização.

        CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO
 EMBAIXADOR DO BRASIL NA IRLANDA
                            03/05/2013
                               
  O Governo brasileiro tem a satisfação de
informar que o Governo da Irlanda concedeu
agrément a Afonso José Sena Cardoso como
Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário
do Brasil. De acordo com a Constituição,
essa designação ainda deverá ser submetida à
apreciação do Senado Federal. Brasil e Irlanda
mantêm relações diplomáticas desde 1975.

       CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO
 EMBAIXADOR DO BRASIL NA GUIANA
                            03/05/2013
                               
  O Governo brasileiro tem a satisfação
de informar que o Governo da República
Cooperativista da Guiana concedeu agrément
a Lineu Pupo de Paula como Embaixador
Extraordinário e Plenipotenciário do Brasil.
De acordo com a Constituição, essa designação
ainda deverá ser submetida à apreciação do
Senado Federal. Brasil e Guiana mantêm
relações diplomáticas desde 1968.
  XII Reunião de Ministros das Relações
Exteriores dos Países Membros da OTCA
- El Coca, Equador, 3 de maio de 2013 -
Declaração de El Coca  texto integral




284

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  03/05/2013
  Declaración de El Coca
  Al cumplirse los treinta y tres años de la
entrada en vigor del Tratado de Cooperación
Amazónica	(TCA),	quince	años	de	la
creación de la Organización del Tratado de
Cooperación Amazónica (OTCA) y once años
del establecimiento de la sede de su Secretaría
Permanente, los Ministros de Relaciones
Exteriores de los Países Miembros de la
Organización del Tratado de Cooperación
Amazónica, reunidos en su XII Reunión en la
ciudad de El Coca, República del Ecuador, el
día tres de mayo de dos mil trece:
  REAFIRMAN los principios, propósitos
y objetivos del Tratado de Cooperación
Amazónica;
  DESTACAN el aporte de la Organización
del Tratado de Cooperación Amazónica para
consolidar la importancia que para cada uno
de los Países Miembros tienen sus respectivas
poblaciones y regiones amazónicas como
parte integrante de sus territorios;
  REAFIRMAN la plena soberanía y los
derechos de los Países Miembros sobre sus
regiones amazónicas.
  EXPRESAN	su	compromiso	para
profundizar, ampliar y fortalecer el proceso
de	cooperación	regional	amazónico,
promoviendo el desarrollo armónico e integral
de sus respectivos territorios amazónicos
en ejercicio de sus derechos soberanos,
permitiendo alcanzar el objetivo de una
distribución equitativa de los beneficios de
dicho desarrollo;
  RECONOCEN que el desarrollo se debe
alcanzar mediante el equilibrio entre el uso
sostenible/sustentable de los recursos, su
protección y su conservación de manera que
promueva la transformación del modelo actual
en modelos de desarrollo económicamente
incluyentes, armoniosos y respetuosos de los
derechos de la naturaleza/Madre Tierra, sus

ecosistemas y los derechos de los pueblos,
como parte de un proceso integral orientado
al bienestar de las poblaciones locales y, en
particular, de los pueblos indígenas y otras
comunidades tribales, conforme con el
espíritu democrático y solidario de los Países
Miembros de la OTCA;
  EXPRESAN su voluntad de continuar
cooperando en materia ambiental, económica,
tecnológica, científica, social, en especial en
el área de salud y educación, y el comercial,
en el marco de lo establecido en el TCA, así
como reconocen la necesidad de incrementar
la cooperación para la investigación y el
aprovechamiento sostenible de los recursos
de la Amazonía, respetando los derechos
soberanos de los Países Miembros;
  DESTACAN el aporte y la contribución
de la cooperación sur-sur como instrumento
para la reducción de asimetrías y para una
apropiada acción regional coordinada, y
consideran que se debe promover y fortalecer
estas iniciativas, mediante la posible provisión
de recursos nuevos y adicionales y una efectiva
transferencia de tecnología y capacitación;
  REAFIRMAN la importancia de los retos
que el cambio climático plantea para la región
amazónica y la responsabilidad que deben
asumir los Estados Miembros de la Convención
Marco de las Naciones Unidas sobre Cambio
Climático, conforme sus responsabilidades
comunes pero diferenciadas y sus respectivas
capacidades;
  SUBRAYAN la especial atención que
merece la Amazonía, patrimonio natural de
los Países Miembros de la OTCA, desde el
punto de vista de sus poblaciones, ecosistemas
y de su biodiversidad, por lo cual reiteran
la necesidad de reducir la vulnerabilidad
económica, ambiental y social de la región,
fortaleciendo coordinadamente la capacidad
de respuesta de los Países Miembros para
hacer frente a estos desafíos;




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	285




   MANIFIESTAN su satisfacción por los
avances y logros alcanzados en el proceso de
relanzamiento de la Organización del Tratado
de Cooperación Amazónica, conforme los
mandatos de la Declaración sobre la OTCA de
los Jefes de Estado de noviembre de dos mil
nueve, así como de las decisiones adoptadas
en la Declaración de Lima de noviembre de
dos mil diez y del Compromiso de Manaos de
noviembre de dos mil once, y RENUEVAN su
más firme decisión de continuar fortaleciendo
institucional y financieramente la OTCA y su
Secretaría Permanente, proveyendo recursos
nuevos y adicionales para la plena ejecución
de los mandatos encomendados y de la Agenda
Estratégica de Cooperación Amazónica;
  Y,enelmarcodeloexpresado,RESUELVEN
adoptar la siguiente Declaración:
  1. Fortalecer la identidad amazónica de
los Países Miembros, en cumplimiento de
lo establecido en el Tratado de Cooperación
Amazónica,	instrumento	primordial	para
el desarrollo sostenible/sustentable de las
poblaciones de la Amazonía.
  2. Promover el fortalecimiento de las
acciones institucionales en la aplicación del
Tratado, con la activa participación de las
poblaciones amazónicas, en particular de
los pueblos indígenas y otras comunidades
tribales, a fin de fortalecer el uso sostenible de
los recursos naturales y la distribución justa y
equitativa de sus beneficios.
  3. Destacar la importante participación de
la OTCA en la Conferencia de las Naciones
Unidas sobre Desarrollo Sostenible Río + 20,
mediante la realización de un evento paralelo
y la presentación de las oportunidades de
cooperación	regional.	En	ese	contexto,
generar un espacio de diálogo que permita la
reflexión, análisis y debate sobre el proceso
de discusión de los Objetivos de Desarrollo
Sostenible (ODS) que se realiza en el seno de
las Naciones Unidas.
   
4. Coordinar políticas y estrategias
conjuntas para salvaguardar el territorio
amazónico con miras a atender los desafíos
que afectan al entorno ambiental y social de
la región amazónica, teniendo en cuenta el
respeto a la soberanía, el Derecho Internacional
y el ordenamiento jurídico interno.
  5. Fomentar la cooperación solidaria entre
los Países Miembros en los ámbitos científico
y tecnológico, de manera que ésta apoye las
acciones realizadas por los Gobiernos para
fortalecer sus respectivas capacidades en la
defensa integral de la megadiversidad biológica
de la Amazonía, así como para contrarrestar
las actividades ilícitas que afectan los recursos
humanos, culturales y naturales existentes en
la región, en seguimiento de los objetivos
planteados por las Reuniones Regionales de
Ciencia, Tecnología y Educación.
  6. Reconocer y respaldar las iniciativas
de mitigación y adaptación del cambio
climático que de manera voluntaria se
desarrollan en la región, de acuerdo con el
principio de responsabilidades comunes pero
diferenciadas. Tomar nota de los esfuerzos
del Ecuador en la promoción de la iniciativa
presentada ante la Convención Marco de
Naciones Unidas sobre Cambio Climático
para estimular la mitigación en los diversos
sectores de la economía y salvaguardar la
integridad ambiental.
  7. Reconocer que la armonía con la
naturaleza es necesaria para el desarrollo
sostenible. En este marco los Países Miembros
de la OTCA, en su firme compromiso para
conservar la biodiversidad y los ecosistemas,
deben procurar generar espacios de debate
y discusión abordando visiones holísticas e
integrales. En tal sentido, apoyan a los países
de la región en sus iniciativas en relación a la
promoción de los Derechos de la Naturaleza/
Madre Tierra, para alcanzar el desarrollo
sostenible. En tal virtud, instruyen a la SP/




286

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




OTCA la realización de un seminario que
permita el diálogo sobre esta temática que se
realizaría en el segundo semestre de dos mil
trece.
  8. Realizar una reunión de los Paises
Miembros de la OTCA en la ciudad de
Quito, los días 25 y 26 de junio de 2013, para
formular una propuesta de la creación de la
red de Centros de Investigación Amazónicos
a partir de un Documento Base preparado por
Ecuador.
  9.	Establecer	el	OBSERVATORIO
REGIONAL	AMAZONICO	como	el
foro permanente que reúne instituciones
y autoridades vinculadas al estudio de la
Amazonía, como un centro de referencia
de información regional en biodiversidad,
recursos naturales y socio-diversidad de
la región amazónica. Para viabilizar su
funcionamiento, contará con un Reglamento
que deberá ser considerado en una Reunión
de un Grupo de Trabajo Especial sobre el
Observatorio Regional que se celebrará
los días 25 y 26 de junio de 2013 en Quito,
Ecuador.
  10. Proteger y rescatar, en el marco
de la legislación nacional y el Derecho
Internacional, los conocimientos tradicionales
de los pueblos indígenas y otras comunidades
tribales amazónicas y garantizarles el derecho
colectivo a la participación equitativa en los
beneficios generados por tales conocimientos.
  11.	Cooperar	para	el	desarrollo	de
herramientas que permitan a los Países
Miembros fortalecer los derechos de los
pueblos indígenas sobre sus conocimientos
tradicionales	asociados	a	la	diversidad
biológica de la Amazonía. En ese sentido,
destacan la IV Reunión de Altas Autoridades
en Asuntos Indígenas de los Países Miembros
realizada	en	Paramaribo,	Surinam,	del
veinticuatro al veintiséis de abril de dos mil
doce y encomiendan al CCA preparar una

propuesta de Iniciativa Regional a la brevedad
posible.
  12. Estimular el proceso de coordinación
entre los Países Miembros con miras a
facilitar el proceso de coordinación entre la
Organización del Tratado de Cooperación
Amazónica, la Comunidad de Estados
Latinoamericanos y Caribeños, la Unión
de Naciones Suramericanas, la Comunidad
Andina, el MERCOSUR, el CARICOM con el
propósito de evitar la duplicación de esfuerzos
y fortalecer el proceso de integración regional
y suramericano.
  13. Expresar su beneplácito con los
resultados que se vienen alcanzado en el
Proyecto Manejo Integrado y Sostenible de
los Recursos Hídricos transfronterizos del
Río Amazonas considerando la variabilidad
climática y el cambio climático
  14. Priorizar políticas públicas de manejo
sostenible del bosque amazónico, así como de
promoción del acceso a tecnologías sostenibles
de manejo forestal y del establecimiento de
redes regionales de investigación y desarrollo
de la actividad forestal. En ese contexto,
destacar los avances del Programa Regional
de Monitoreo de la Deforestación en las
dos reuniones del Comité Directivo que se
realizaron en dos mil doce y dos mil trece.
  15. Destacar la aprobación del proyecto
de Monitoreo de la Cobertura Forestal por el
Gobierno del Brasil por intermedio del Banco
Nacional de Desarrollo Económico y Social
(BNDES) en el ámbito del Fondo Amazonía.
En este contexto ratificar su apoyo para que
en la brevedad posible se firme el contrato
de concesión de colaboración financiera no
reembolsable entre la SP/OTCA y el BNDES.
  16. Adoptar las recomendaciones de la
I Reunión del Grupo de Trabajo Ad Hoc
encargado de proponer y examinar iniciativas
en el área de desarrollo social en la región
amazónica, con énfasis en inclusión social,




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	287




lucha contra la pobreza y la erradicación de la
pobreza extrema, para desarrollar el tema de
inclusión social en la Agenda Estratégica de
la OTCA en el transcurso de 2013.
  17.	Instruir	al	CCA para	que,	en
coordinación con la Secretaría Permanente,
continúe apoyando al Grupo de Trabajo sobre
Inclusión Social en la Amazonía evitando la
duplicación de esfuerzos.
  18. Convocar a los Países Miembros de la
OTCA a una reunión de análisis y desarrollo
de diversos conceptos como el de soberanía
alimentaria y su relación con la seguridad
alimentaria y el derecho a la alimentación
como una actividad inicial para considerar la
temática productiva en el marco de la Agenda
Estratégica.
  19. La convocatoria de una reunión de
expertos de los países miembros para tratar
la temática del cambio climático, realizar
intercambio	de	experiencias	y	generar
debates. La reunión de expertos podrá, entre
otros temas, abordar y contribuir a conocer los
esfuerzos que cada país realiza, propiciando
oportunidades de actualización, información,
capacitación y de acercamiento con redes
importantes de financiamiento.
  20. Estimular procesos que permitan
promover la imagen de la Amazonía como
un geo-destino turístico a nivel mundial,
fortaleciendo la información regional en
la materia y promoviendo el ecoturismo
y	actividades	productivas	asociadas	en
consonancia con el desarrollo sostenible de
la Amazonía, incorporando al turismo de
base comunitaria ambientalmente sostenible/
sustentable	como	un	eje	transversal.
Consecuentemente, resaltan el resultado de la
III Reunión Regional de Turismo, realizada
en Georgetown, Guyana del doce al trece de
junio de dos mil doce.
  21. Continuar en 2014 con el proceso de
actualización del sistema de cuotas anuales,

que debe buscar de preferencia alcanzar
la meta final de actualización hasta el año
2018, adoptando cada país un cronograma y
porcentajes de actualización anual propios, de
acuerdo con sus estructuras presupuestales.
  22. Instruir al Consejo de Cooperación
Amazónica que elabore una estrategia
de financiamiento de largo plazo para
actividades de la Agenda Estratégica de
Cooperación Amazónica, de preferencia con
recursos provenientes de los propios países,
constituyendo para el efecto un Grupo de
Trabajo que se deberá reunir en el plazo
máximo de sesenta días, contados a partir de
la presente fecha y concluir sus trabajos a más
tardar en diciembre de 2013.
  23. Impulsar decididamente las medidas
necesarias para dotar efectivamente de
un mayor dinamismo a los procesos de
aprobación e implementación de proyectos
de cooperación regional. En ese contexto,
destacar los avances en los Programas y
Proyectos en implementación en las áreas de
monitoreo de la cobertura forestal, gestión
integrada de recursos hídricos, vigilancia en
salud ambiental, marco estratégico para la
protección de pueblos indígenas aislados y en
contacto inicial, criterios e indicadores para
la gestión sostenible del bosque amazónico,
permisos electrónicos para la preservación
de especies de flora y fauna y diversidad
biológica forestal, entre otros.
  24. Destacar la priorización del Perfil
de Proyecto para la Gestión, Monitoreo
y Control de Especies de Fauna y Flora
Silvestre Amenazadas por el Comercio, para
ser ejecutado con recursos de cooperación
financiera no reembolsable. Asimismo,
saludar el acuerdo alcanzado para la ejecución
de una nueva fase del Programa Regional
Amazonía en el período dos mil trece  dos
mil diecisiete.
  25. Reconocer los avances de los

   
   

288

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




Seminarios Nacionales ejecutados por los
Países Miembros y hacer un llamado para
la realización de los Seminarios Nacionales
pendientes a la brevedad posible. Establecer
que el Seminario Regional adopte la siguiente
estructura temática: i) La Amazonia hoy:
situación social, económica y ambiental; ii)
La Amazonia en el escenario internacional:
La Amazonia y la OTCA después de Rio+20;
iii) Participación de la sociedad local en el
desarrollo  alternativas de interacción con la
OTCA, y iv) OTCA como escenario para la
cooperación regional: avances y éxitos desde
la Amazonía.
  26. Promover la participación efectiva
de las poblaciones amazónicas en la OTCA
a través del diálogo y la interacción amplia,
democrática,	intercultural,	transparente,
pluralista, diversa e independiente con los
diversos actores de la Amazonía, estableciendo
canales efectivos de información y seguimiento
de las diferentes actividades de la OTCA.
Asimismo, generar mecanismos y espacios
innovadores que incentiven la discusión de
los diferentes temas garantizando que las
propuestas que hayan sido presentadas por las
poblaciones amazónicas, reciban una adecuada
consideración que surjan, entre otros, en el
marco de los Seminarios Regionales.
  27. Cooperar entre los Países Miembros
para combatir las enfermedades inmuno
prevenibles, las endémicas y las transmitidas
por vectores, mediante el establecimiento de
redes institucionales y académicas regionales,
y	de	mecanismos	de	comunicación	e
información. En ese contexto, saludar y acoger
los resultados de la II Reunión Regional de
Salud, realizada en Santa Cruz de la Sierra,
Bolivia, los días dieciocho y diecinueve de
julio de dos mil doce.
  28. Conformar un Grupo de Trabajo
especializado, para desarrollar la estrategia
común sobre minería ilegal en la Amazonía

y proponer mecanismos de cooperación
necesarios para hacer efectiva dicha estrategia,
tomando en consideración las orientaciones
de la Declaración sobre la Minería Ilegal
en la Cuenca Amazónica, adoptada por la II
Reunión de Ministros de Medio Ambiente de
la OTCA de marzo de dos mil doce.
  29. Destacar los avances que se viene
realizando para intercambiar experiencias
sobre cuestiones relacionadas a los
recursos genéticos de la biodiversidad y los
conocimientos tradicionales en ese sentido,
acoger las recomendaciones de la reunión
regional técnica sobre mecanismos de
protección de conocimientos tradicionales
asociados a la diversidad biológica, realizada
los días 22 y 23 de mayo de 2012, instruyendo
a la SP/OTCA que distribuya a la brevedad
posible a propuesta de plan de trabajo sobre
el particular.
  30. Reconocer el importante rol de las
acciones colectivas de los pueblos indígenas,
otras comunidades tribales y las comunidades
locales como franca contribución en la
conservación, protección y uso sustentable de
la biodiversidad.
  31. Expresar su firme rechazo a cualquier
pretensión de apropiación por terceros de los
nombres geográficos de los Países Parte de la
OTCA en general y del nombre de dominio
de primer nivel ¨.amazonia¨ o relacionados,
sin el debido consentimiento de los Países
amazónicos. Agradecer a la República
Federativa de Brasil y República del Perú
por las gestiones adelantadas en el seno del
Governamental Advisory Committee (GAC)
de la Internet Corporation for Assigned
Names and Numbers (ICANN), en la defensa
de los intereses regionales con relación a la
pretensión de registrar el nombre de dominio
de primer nivel ¨.amazon¨ y solicitarles que
continúen con las acciones correspondientes
en esa instancia, reafirmando el derecho




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	289




de los Países Miembros de la OTCA en
defensa de la soberanía y de los intereses y
derechos presentes y futuros de los pueblos
amazónicos y de su inclusión en la sociedad
de la información.
  32. En el marco de la RES XI MRE-
OTCA/07 del 22 de noviembre de 2011,
urgir la reactivación del grupo de trabajo
de navegación comercial, presidido por
la República Bolivariana de Venezuela y
encomendarle que retome sus actividades y
realice la quinta reunión en 2013 con miras
a concluir las negociaciones del Reglamento.
  33. Saludar el anuncio de la donación del
lote de terreno por el Gobierno del Brasil para
la instalación de la futura Sede de la OTCA,
cumpliéndose así el compromiso asumido
por ocasión de la firma del Acuerdo de
Sede. Reforzar la necesidad de canalizar los
esfuerzos para la construcción del edificio sede
y pensar alternativas para su financiamiento,
  34. El Gobierno de Suriname, ofreció
ser sede de la XIII Reunión de Ministros de
Relaciones Exteriores en dos mil catorce. El
Gobierno de Venezuela ofreció ser sede de
la XIV Reunión de Ministros de Relaciones
Exteriores en dos mil quince.
  Agradecer la cordial recepción y las
atenciones brindadas por el hermano pueblo
y Gobierno ecuatorianos, así como felicitar
el trabajo de la Secretaría Permanente para
el éxito de esta XII Reunión de Ministros de
Relaciones Exteriores de la OTCA.
  El Coca, Ecuador, tres de mayo de dos mil trece.
   
    COMUNICADO CONJUNTO EMITIDO
   POR OCASIÃO DA VISITA DE ESTADO
DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA ÁRABE
      DO EGITO, MOHAMED MORSI, AO
 BRASIL - BRASÍLIA, 8 DE MAIO DE 2013
                            08/05/2013
   
1. A Presidenta da República Federativa
do Brasil, Dilma Rousseff, e o Presidente da
República Árabe do Egito, Mohamed Morsi,
mantiveram encontro, no dia 8 de maio de
2013, em Brasília, por ocasião da Visita de
Estado do Presidente Morsi ao Brasil, para
avaliar as perspectivas do relacionamento
bilateral, bem como para discutir os grandes
temas da agenda internacional.
  2. Os dois Presidentes convieram que
a visita do Presidente Mohamed Morsi, a
primeira de um Chefe de Estado egípcio ao
Brasil, inaugura nova etapa no relacionamento
bilateral e abre oportunidades inéditas para
seu futuro.
  3. Os dois Presidentes notaram a
convergência de valores e interesses entre
o Brasil e o Egito, dois grandes países
em desenvolvimento voltados para o
desenvolvimento econômico com justiça
social, em um ambiente democrático, de paz
e solidariedade.
  4. Os dois Presidentes saudaram o atual
processo de fortalecimento das relações
bilaterais de cooperação iniciado em 2011,
com vistas a abranger iniciativas em áreas
fundamentais para seu desenvolvimento,
como a agricultura, a saúde, o meio ambiente
e as políticas sociais.
  5. A Presidenta Dilma Rousseff anunciou a
disposição do Governo brasileiro de continuar
a apoiar os esforços empreendidos pelo Egito,
neste momento crucial de sua história, em
prol do desenvolvimento social de seu povo.
Os dois Chefes de Estado comprometeram-
se a envidar esforços para compartilhar
conhecimentos e experiências na promoção
de programas sociais voltados ao combate à
fome e à pobreza. Ao sublinhar a importância
da segurança alimentar e da agricultura
familiar, a Presidenta Dilma Rousseff
manifestou a intenção do Governo brasileiro
de implementar com o Egito projeto nos




290

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




moldes do Programa PAA-Africa  Purchase
from Africans for Africa, desenvolvido
em parceria com a Organização das Nações
Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO)
e o Programa Mundial de Alimentos. Em
atendimento a demandas manifestadas pelo
Egito, afirmou, igualmente, que o Governo
brasileiro está pronto para intensificar a troca
e o compartilhamento de experiências na
promoção do desenvolvimento social.
  6.	Avaliaram	haver	também	amplo
espaço a ser explorado em outros campos da
cooperação ainda pouco desenvolvidos, como
ciência e tecnologia, meio ambiente, energias
renováveis, educação e cultura, entre outros.
A Presidenta Dilma Rousseff tomou nota com
satisfação do encontro que o Presidente Morsi
manteria, em São Paulo, com os representantes
da comunidade árabe.
  7. Os dois Chefes de Estado convergiram
sobre a necessidade premente de intensificar
a troca de missões setoriais, bem como de
reativar o mecanismo da Comissão Mista
Brasileiro-Egípcia	como	estratégias	para
elevar a cooperação a um patamar condizente
com o nível de desenvolvimento dos dois
países, estendendo-a a diversos domínios.
Reiteraram o propósito de ampliar e fortalecer
a cooperação mutuamente benéfica também
em áreas estratégicas como o domínio da
Ciência, Tecnologia & Inovação (CT&I) e o
domínio militar.
  8.	Os	dois	Presidentes	acolheram,
com satisfação, a assinatura de Acordos e
Memorandos de Entendimento entre o Brasil
e o Egito e têm expectativas de que aqueles
ainda em negociação serão logo concluídos.
Partilharam a opinião de que os novos
instrumentos legais refletem tanto o caráter
multifacetado do relacionamento bilateral
entre os dois países quanto uma crescente
convergência de interesses entre o Brasil e o
Egito.
   
Comércio e investimentos
  9. Reconheceram, com satisfação, o
dinamismo do crescimento do comércio
bilateral, que atingiu o volume recorde de US$
2,96 bilhões, por dois anos consecutivos, em
2011 e em 2012. O atual valor do intercâmbio
bilateral é seis vezes superior ao registrado em
2003. Concordaram também que o potencial
de crescimento do comércio bilateral está
longe de ser esgotado e que as relações
econômico-comerciais poderiam beneficiar-se
de maior conhecimento mútuo. Nesse sentido,
anunciaram a decisão de intensificar a troca
de missões empresariais e visitas ministeriais,
como meios de fomentar o comércio e os
investimentos, promover um comércio
balanceado e encorajar investimentos diretos
entre os dois países.
  10. Nesse contexto, a Presidenta Dilma
Rousseff registrou, com satisfação, a notícia
da participação do Presidente Morsi, no dia
seguinte, em evento reunindo empresários
brasileiros e egípcios em São Paulo. O
Presidente Morsi, por sua vez, acolheu, com
satisfação, a intenção do Governo brasileiro
de organizar missão empresarial ao Egito
proximamente.
  Mercosul-Egito
  11. As duas Partes recordaram a assinatura,
em agosto de 2010, do Acordo de Livre
Comércio entre o Mercosul e o Egito,
instrumento que deverá contribuir para o
crescimento sustentável do comércio bilateral,
assim como do intercâmbio econômico entre
os dois países. Ao notar, com satisfação, a
ratificação do Acordo por parte do Egito, o
lado brasileiro informou que o Acordo será
logo enviado ao Congresso Nacional.
  Diálogo Político
  12. No plano internacional, os dois
Presidentes destacaram os valores
compartilhados da democracia, dos
direitos humanos, da diversidade cultural,




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	291




do	multilateralismo,	da	promoção	do
desenvolvimento sustentável e da paz e da
segurança internacional.
  13. Reconheceram a importância crescente
da coordenação entre o Brasil e o Egito nos
foros multilaterais de forma condizente com
o papel importante que ambos os países
desempenham em suas respectivas regiões
e com suas responsabilidades como atores
relevantes na cena internacional. Concordaram
que o diálogo estratégico mantido entre
os dois países deverá ser intensificado e
ampliado para incluir novas áreas, com
vistas a promover objetivos e interesses
compartilhados no âmbito bilateral, bem
como a atuar conjuntamente no enfrentamento
dos grandes desafios de uma ordem global em
transformação.
  Reforma das Nações Unidas
  14. Os Presidentes concordaram que a
democracia deve pautar não somente a política
interna dos Estados, mas, também, as relações
entre os Estados no sistema internacional.
Convieram	que,	para	aperfeiçoar	a
representatividade, legitimidade e efetividade
da Organização no século XXI, seriam
indispensáveis reformas nas Nações Unidas,
sobretudo no seu Conselho de Segurança.
Os Presidentes afirmaram que a reforma do
Conselho de Segurança somente será completa
se contemplar a criação de novos assentos
permanentes e não permanentes, com maior
participação de países em desenvolvimento.
Os dois Mandatários afirmaram o objetivo
de intensificar esforços em prol da reforma
urgente do Conselho de Segurança.
  Proteção de civis em situação de conflito
  15.	Os	Presidentes	sublinharam	a
importância de esforços permanentes da
diplomacia e da mediação para a prevenção
dos conflitos e a proteção de civis sob ameaça
de violência. Compartilharam a opinião de
que a comunidade internacional deva ser

rigorosa em seus esforços para valorizar,
buscar e exaurir todos os meios pacíficos e
diplomáticos disponíveis para a solução das
controvérsias, de acordo com os princípios e
propósitos da Carta das Nações Unidas.
  Esforços de Paz no Oriente Médio
  16. Os dois Presidentes acolheram com
satisfação a admissão da Palestina como
Estado-Observador na ONU. Expressaram
preocupação com a falta de progresso
no Processo de Paz no Oriente Médio e
concordaram que a solução da questão
palestina é tema central para garantir a paz,
estabilidade e o desenvolvimento na região.
Instaram a pronta retomada de negociações
efetivas e sublinharam a importância de
assegurar um ambiente conducente à retomada
das negociações, assim como do engajamento
ativo da comunidade internacional para aceder
a uma solução definitiva para a questão.
Ao recordar a responsabilidade primária
do Conselho de Segurança da ONU na
manutenção da paz e segurança internacionais,
notaram que há uma necessidade de que o
Quarteto reavalie sua abordagem e método
de trabalho para desempenhar um papel
mais relevante, inclusive reportando-se
regularmente à comunidade internacional
por meio do Conselho de Segurança. Os dois
Mandatários reiteraram a necessidade da
retirada israelense dos Territórios Palestinos
Ocupados, assim como seu apoio a um
Estado palestino soberano, independente,
democrático, contíguo e economicamente
viável, nas fronteiras de 1967, tendo Jerusalém
Oriental como sua capital e vivendo ao lado
de Israel em paz e segurança. Reiteraram sua
condenação à construção de assentamentos
israelenses nos Territórios Palestinos
Ocupados, a qual constitui uma violação
do direito internacional e é prejudicial ao
processo de paz. O Brasil reiterou seu apreço
pela mediação egípcia de cessar-fogo entre




292

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




Israel e Hamas, em novembro de 2012, e
expressou seu apoio aos esforços egípcios
em favor da reconciliação intrapalestina e
da prevenção e solução regional do conflito.
Eles também instaram a retirada israelense de
todos os Territórios Árabes Ocupados.
  Situação na Síria
  17. Com relação à situação na Síria, as
duas Partes reiteraram seu apoio às legítimas
aspirações	do	povo	sírio,	condenando
inequivocamente todo ato de violência contra
civis e violações dos direitos humanos,
ressaltada a responsabilidade primária do
Governo sírio pela interrupção da violência.
Brasil e Egito sublinharam a necessidade da
cessação da violência como um componente
essencial de um processo político de transição
lideradopelossírios,comoapoiodacomunidade
internacional. Os dois Presidentes coincidiram
na percepção de que o Comunicado Final do
Grupo de Ação de Genebra proporciona base
consistente para a resolução da crise síria e
reafirmaram sua oposição a qualquer nova
militarização do conflito. Instaram todas as
partes a envidar sérios esforços com vistas
a negociar uma solução política baseada no
Comunicado de Genebra. Sublinharam o
impacto desestabilizador da crise nos países
vizinhos e enfatizaram a necessidade urgente
de maior apoio a países recebendo refugiados.
Expressaram, igualmente, seu pleno apoio ao
Representante Especial Conjunto da ONU e da
Liga Árabe, Lakhdar Brahimi, para encontrar
uma solução política para a crise. Em face
da deterioração da situação humanitária na
Síria, exortaram todas as partes envolvidas a
permitir e facilitar o acesso imediato, seguro,
completo e desimpedido de organizações
humanitárias a todos que tenham necessidade
de assistência.
  Desarmamento nuclear
  18.	Ao	observar	que	a	continuada
existência	de	armas	nucleares	constitui

ameaça à humanidade e à paz e à segurança
internacionais, o Brasil e o Egito reiteraram
seu comprometimento com a obtenção de um
mundo livre de todas as armas nucleares. Os
Chefes de Estado expressaram preocupação
quanto à persistente função dessas armas
em doutrinas militares e de segurança, assim
como quanto ao direcionamento de vastos
recursos à continuada modernização de
arsenais nucleares, os quais poderiam ser
mais bem empregados na cooperação para
o desenvolvimento socioeconômico e na
promoção da paz e da estabilidade.
  19. As duas Partes concordaram que
o presente ciclo de revisão do TNP, a ser
concluído em 2015, deva resultar em uma
aceleração da implementação das obrigações
de desarmamento nuclear, previstas no Artigo
VI do Tratado. Como parceiros na Coalizão
da Nova Agenda (NAC), Brasil e Egito
encontram-se comprometidos a redobrar seus
esforços de forma a lograr que os Estados
nuclearmente armados adotem os passos
necessários com vistas à completa eliminação
de todas as armas nucleares.
  20. Os Chefes de Estado lamentaram
o adiamento da Conferência de 2012 para
o Estabelecimento de uma Zona Livre de
Armas Nucleares e Todas as Outras Armas
de Destruição em Massa no Oriente Médio e
recordaram que a realização da Conferência
é um elemento essencial no presente ciclo de
revisão do TNP. Expressaram sua expectativa
de que a Conferência seja realizada assim que
possível e exortaram a participação de todos
os países da região na iniciativa.
  Questão Nuclear Iraniana
  21. Os Presidentes concordaram que
uma solução para a questão nuclear iraniana
somente pode ser alcançada por meio
da via diplomática. Manifestaram apoio
à continuação das conversas entre Irã e
P5+1, baseadas na reciprocidade e em uma




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	293




abordagem passo a passo e consistente com
o TNP, assim como à cooperação reforçada
entre Irã e a AIEA, com vistas a esclarecer
questões pendentes relativas ao programa
nuclear iraniano. Consideraram que uma
possível ação militar, além de representar
violação à Carta das Nações Unidas, poderia
trazer consequências imprevisíveis para a paz
e a segurança de toda a região. Reafirmaram,
ademais, o direito legítimo do Irã à pesquisa, ao
desenvolvimento e ao uso da energia nuclear
para fins pacíficos, em conformidade com seu
acordo de salvaguardas com a Agência e com
o TNP.
  Crise Financeira Internacional
  22. Os dois Mandatários ressaltaram a
melhoria das condições do mercado financeiro
na economia mundial, embora a recuperação
permaneça pouco expressiva e as taxas de
desemprego permaneçam altas, sobretudo em
economias avançadas. Trocaram impressões
sobreosdesafiosdacriseparaodesempenhodas
economias emergentes e em desenvolvimento.
Assinalaram, nesse contexto, a importância de
maior compatibilidade entre as estratégias de
combate à crise e a promoção do crescimento
e	da	geração	de	empregos,	evitando
transbordamentos	negativos	de	extensos
períodos de relaxamento da política monetária
nas economias avançadas.
  Reforma	das	Instituições	Financeiras
Internacionais
  23.	As	duas	partes	reiteraram	seu
comprometimento com o processo de reforma
das instituições financeiras internacionais,
as quais devem adaptar-se ao crescente
peso relativo dos países emergentes e em
desenvolvimento	na	economia	mundial.
Nesse contexto, ressaltaram a importância
da implementação urgente da reforma da
governança e do sistema de quotas do FMI,
acordada em 2010, bem como da continuidade
do avanço em direção a um acordo sobre nova

fórmula de quotas e à realização, em janeiro
de 2014, da XV Revisão Geral de Quotas.
  OMC
  24. O Presidente Morsi congratulou a
Presidenta Dilma Rousseff pelo resultado do
processo de seleção para Diretor-Geral da
Organização Mundial do Comércio (OMC). A
Presidenta Dilma Rousseff agradeceu o apoio
inestimável do Egito à vitória da candidatura
do Embaixador Roberto Azevêdo ao cargo de
Diretor-Geral da OMC. Cientes da relevância
da Organização Mundial do Comércio, os dois
Mandatários concordaram que a conclusão
exitosa, ambiciosa, abrangente e equilibrada
das negociações multilaterais no âmbito do
Mandato da Rodada Doha do Desenvolvimento
contribuirá para o crescimento econômico
sustentável e deverá ser inclusiva e orientada
ao desenvolvimento. A vindoura Conferência
Ministerial da OMC, em Bali, em dezembro,
deveria alcançar um resultado equilibrado,
que leve em consideração as necessidades e as
expectativas dos países em desenvolvimento,
assim como de todos os Membros da
Organização.
  Cooperação Inter-regional
  25. Os Presidentes ressaltaram a
importância do diálogo e da cooperação
Sul-Sul como meio de favorecer uma
ordem mundial mais justa, solidária e
inclusiva. Reiteraram seu compromisso
com o fortalecimento dos mecanismos de
cooperação inter-regional, com vistas a
promover a cooperação e a coordenação Sul-
Sul. Salientaram a importância de aperfeiçoar
sua coordenação bilateral em várias instâncias
Sul-Sul. Nesse contexto, o Presidente Morsi
expressou o interesse e o encorajamento do
Egito aos esforços do BRICS e do IBAS em
vários domínios. Ambos os Países reiteraram
seu comprometimento com o fortalecimento
dos mecanismos de cooperação entre o
continente sul-americano e os países árabes e




294

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




entre o continente sul-americano e continente
africano, por meio, respectivamente, das
Cúpulas América do Sul-Países Árabes
(ASPA) e América do Sul-África (ASA).
Notaram que tanto a III Cúpula ASPA (Lima,
1º e 2 de outubro de 2012) quanto a III Cúpula
ASA (Malabo, 22 de fevereiro de 2013) foram
altamente exitosas e concordaram em aumentar
seu engajamento para o fortalecimento de
ambos os Mecanismos.
  LEA
  26. Os Presidentes convergiram sobre
a importância do fortalecimento do marco
institucional para a cooperação entre o
Brasil e a Liga dos Estados Árabes (LEA).
Recordaram, nesse contexto, a abertura
da missão da LEA em Brasília e o desejo
brasileiro de obter representação especial junto
à Liga no Cairo. Brasil e Egito anunciaram
a decisão de trabalhar, em conjunto com
outras partes interessadas, para estabelecer as
condições jurídicas para que o Brasil obtenha
representação especial junto à LEA.
  27. Ao final do encontro, os dois Chefes
de Estado expressaram sua determinação
em	seguir	com	seus	esforços	para	o
aprofundamento das relações entre o Brasil e
o Egito e o pleno aproveitamento de seu vasto
potencial, tanto no nível bilateral quanto nos
níveis inter-regional e multilateral.

ELEIÇÃO DO CANDIDATO BRASILEIRO
À DIREÇÃO-GERAL DA ORGANIZAÇÃO
             MUNDIAL DO COMÉRCIO
                            08/05/2013
                               
  Em	reunião	informal	de	chefes	de
delegação realizada hoje, em Genebra, os
três facilitadores do processo de seleção do
Diretor-Geral da Organização Mundial do
Comércio (OMC) recomendaram o nome
do Embaixador Roberto Azevêdo como

o candidato capaz de obter a aprovação
consensual dos membros da OMC.
  A troika de facilitadores recomendou aos
membros que aprovem o nome do Embaixador
Roberto Azevêdo na reunião do Conselho
Geral da OMC, no próximo dia 14 de maio.
O Governo brasileiro felicita os membros
da troika, presidida pelo Embaixador Shahid
Bashir (Paquistão) e composta também pelos
Embaixadores Jonathan T. Fried (Canadá)
e Joakim Reiter (Suécia), pela lisura e
profissionalismo com que ajudaram a conduzir
o processo de seleção.
  O Brasil também estende cumprimentos
aos demais candidatos que concorreram
à Direção-Geral da OMC, Sr. Alan John
Kwadwo Kyerematen (Gana), Sra. Anabel
González (Costa Rica), Sra. Amina C.
Mohamed (Quênia), Sr. Ahmad Thougan
Hindawi (Jordânia), Sra. Mari Elka Pangestu
(Indonésia), Sr. Tim Groser (Nova Zelândia),
Sr. Herminio Blanco (México) e Sr. Taeho
Bark (República da Coreia).
  O resultado do processo de seleção do
próximo Diretor-Geral da OMC reflete uma
ordem internacional em transformação. O
Brasil é um dos membros fundadores da OMC
e recebe com grande satisfação a comunicação
da escolha do Embaixador Roberto Azevêdo
para o cargo de Diretor-Geral da Organização,
por acreditar que o diplomata brasileiro
reúne as qualidades necessárias para levar
a organização a cumprir seus objetivos e
fortalecer o multilateralismo.
  O Brasil agradece a todos os membros
da OMC, tanto àqueles que apoiaram a
candidatura do Embaixador Roberto Azevêdo
como àqueles que se associaram ao consenso.
A amplitude do apoio ao candidato brasileiro
demonstra que os membros da Organização
buscam um sistema multilateral de comércio
equilibrado, justo e que atenda aos interesses
de todos os membros.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	295




                    SITUAÇÃO NA SÍRIA
                            09/05/2013
                               
  O Governo brasileiro tomou conhecimento
com satisfação do anúncio da intenção
do Chanceler russo, Sergei Lavrov, e do
Secretário de Estado norte-americano, John
Kerry, de trabalharem juntos na obtenção de
uma resolução para o conflito na Síria.
  O Governo brasileiro apoia as declarações
do Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban
Ki-moon, e do Enviado Especial da ONU e da
Liga Árabe, Lakhdar Brahimi, que conclamam
os dois países a empreenderem esforços
para que as partes envolvidas no conflito
implementem o Comunicado de Genebra do
Grupo de Ação para a Síria, de 30 de junho
de 2012.
  O Comunicado de Genebra representa o
ponto de partida para o fim da violência na Síria,
por meio da negociação e do diálogo, em uma
transição dirigida pelos sírios, com respeito
à integridade territorial e à independência do
país. Esse processo de transição deve oferecer
uma perspectiva para o futuro compartilhada
por todo o povo sírio, a ser implementada
rapidamente sem aumento da violência e em
um ambiente de segurança. Entre as etapas
fundamentais para a transição, o Comunicado
elenca a formação de um Governo interino
com o apoio ou participação do atual Governo
e da oposição, e um Diálogo Nacional com a
participação ampla e desimpedida de todas as
partes. O Comunicado opõe-se à militarização
do conflito.
  Não há solução militar para o conflito
sírio. O Brasil continua a apoiar os esforços
da comunidade internacional na busca de uma
solução negociada que termine o ciclo de
violência, em benefício do povo sírio, ao qual
nos unem laços de amizade, preservando-se a
estabilidade regional.
         
CANDIDATURA BRASILEIRA À
     COMISSÃO INTERAMERICANA DE
                 DIREITOS HUMANOS
                            10/05/2013
                               
  O Governo brasileiro lançou a candidatura
de Paulo de Tarso Vannuchi a uma das três
vagas da Comissão Interamericana de Direitos
Humanos (CIDH), para o período 2014-
2017. As eleições ocorrerão durante a 43ª
Assembleia Geral da Organização dos Estados
Americanos (OEA), em Antígua, Guatemala,
de 03 a 06 de junho.
  A CIDH é composta por sete membros
eleitos pela Assembleia Geral da OEA para
um mandato de quatro anos, com direito a
uma reeleição. Seis países (Brasil, México,
Colômbia, EUA, Equador e Peru) disputam
as três vagas que serão abertas ao final deste
ano. Cada país vota em três candidatos nas
eleições.
  A candidatura de Paulo Vannuchi expressa
o compromisso do Brasil com o fortalecimento
do Sistema Interamericano de Direitos
Humanos
  Nos termos da Convenção Americana
sobre Direitos Humanos e do Estatuto
da Comissão Interamericana de Direitos
Humanos, os comissários são eleitos a título
pessoal e possuem independência e autonomia
no exercício de suas funções. Segundo os
mesmos instrumentos interamericanos, os
comissários não julgam casos de países dos
quais sejam nacionais.

          CONCESSÃO DEAGRÉMENTAO
EMBAIXADOR DO BRASIL NAVENEZUELA
                            10/05/2013
                               
  O Governo brasileiro tem a satisfação
de informar que o Governo da República




296

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




Bolivariana da Venezuela concedeu agrément
a Ruy Carlos Pereira como Embaixador
Extraordinário e Plenipotenciário do Brasil.
De acordo com a Constituição, essa designação
ainda deverá ser submetida à apreciação do
Senado Federal.

     REUNIÃO DE EMBAIXADORES DO
        BRASIL NA AMÉRICA DO SUL -
        BRASÍLIA, 10 DE MAIO DE 2013
                            10/05/2013
                               
  A reunião com Embaixadores na América
do Sul é valioso exercício de reflexão conjunta
sobre a inserção regional e global do Brasil. É,
igualmente, oportunidade para a avaliação das
prioridades da política externa brasileira em
cada um dos países da região, bem como na
UNASUL, no MERCOSUL e na ALADI.
  O Ministro das Relações Exteriores,
Antonio de Aguiar Patriota, participou hoje
da abertura de reunião de coordenação com
Embaixadores e demais Chefes de Missão
do Brasil na América do Sul  exercício de
regularidade semestral, instituído em 2011. O
encontro, cujas atividades se desenvolvem ao
longo do dia, é coordenado pelo Secretário-
Geral das Relações Exteriores, Embaixador
Eduardo dos Santos. Além dos Chefes de
Missão, dos Subsecretários-Gerais e dos
demais diplomatas responsáveis no Itamaraty
pela área de América do Sul, participam dos
debates o Professor Marco Aurélio Garcia e
membros de sua equipe da Assessoria Especial
da Presidência da República.
  No encontro, serão expostos os aspectos
mais importantes do trabalho de cada Posto
e examinadas as linhas de ação para o
aprimoramento da relação com os países
vizinhos e com os organismos regionais.
  A reunião com Embaixadores na América
do Sul é valioso exercício de reflexão conjunta

sobre a inserção regional e global do Brasil. É,
igualmente, oportunidade para a avaliação das
prioridades da política externa brasileira em
cada um dos países da região, bem como na
UNASUL, no MERCOSUL e na ALADI.
  A iniciativa de convocar a reunião
representa o reconhecimento de que a América
do Sul é prioridade constante da política
externa brasileira. É a partir da integração sul-
americana que se faz a projeção do Brasil no
plano internacional.

            ATENTADOS NA TURQUIA
                            12/05/2013
                               
  O Governo brasileiro condena com
veemência os atentados ocorridos ontem, dia
11 de maio, na cidade de Reyhanli, na Turquia,
que resultaram na morte de dezenas de pessoas
e deixaram grande número de feridos.
  O Governo brasileiro se associa às palavras
do Secretário-Geral das Nações Unidas,
Ban Ki-moon, na condenação ao ataque.
Ao manifestar seu pesar e solidariedade às
famílias das vítimas e ao Governo da Turquia,
o Brasil reitera sua condenação a todo e
qualquer ato de terrorismo.

 RESOLUÇÃO DA ASSEMBLEIA GERAL
       DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE A
   SITUAÇÃO NA SÍRIA - EXPLICAÇÃO
               DO VOTO BRASILEIRO
                            15/05/2013
  (aprovada com 107 votos favoráveis, 12
contrários e 59 abstenções)

  Senhor Presidente,
  A tragédia humana que marca a presente
situação na Síria é motivo de profunda
preocupação para o Brasil. Reiteramos nossa




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	297




condenação inequívoca de toda violência.
Todas as partes, e em particular o Governo
da Síria, devem cumprir sua obrigação de
respeitar os direitos humanos e o direito
humanitário. Uma vez mais, exortamos todas
as partes envolvidas a pôr fim, imediata e
incondicionalmente, a todas as formas de
violência e a colocar em marcha um processo
político inclusivo, conduzido pelos sírios,
visando a uma transição que atenda às
aspirações legítimas do povo sírio.
  O Brasil apoia várias das mensagens
principais da resolução. Em particular, quatro
aspectos. O Brasil reafirma a necessidade
de uma solução negociada para a crise,
em conformidade com as disposições do
Comunicado de Genebra do Grupo de Ação
para a Síria, que continua a ser uma base de
consenso para um plano abrangente e eficaz
para pôr fim ao conflito.
  Da mesma forma, apoiamos plenamente
as disposições referentes à condenação da
violência e às exigências para a cessação
das graves violações dos direitos humanos
e	do	direito	internacional	humanitário
cometidas por ambas as partes, bem como à
inadmissibilidade do uso de armas químicas.
Merece, igualmente, nosso apoio inequívoco o
Representante Especial Conjunto das Nações
Unidas e da Liga dos Estados Árabes para a
Síria, Lakhdar Brahimi.
  Senhor Presidente,
  No momento em que aqui nos reunimos,
formulam-se propostas encorajadoras para a
resolução pacífica e política da crise síria, que
merecem especial consideração dos Estados-
Membros e do Secretário-Geral.
  As Nações Unidas devem envidar esforços
para a tomada de decisões que contribuam
para a criação de um ambiente propício ao
entendimento entre todas as partes sírias. Não
está claro em que medida a presente Resolução
contribuirá para a criação de tal ambiente.
   
Senhor Presidente,
  No decorrer das negociações, o Brasil,
juntamente com outros países da nossa
região, contatou os autores do projeto, para
transmitir suas preocupações com vários de
seus aspectos. Infelizmente, o texto ainda
está aquém do que consideramos necessário
para uma mensagem da Assembleia Geral que
aspire a criar impacto local positivo.
  O fato de não se encontrar no texto uma
conclamação explícita para que não haja uma
escalada militar do conflito é injustificável.
A Assembleia Geral não pode se esquivar
de afirmar claramente que não pode haver
solução militar para a crise. A ausência de uma
declaração deste tipo enfraquece a confiança
no empenho da comunidade internacional para
pôr fim ao conflito por meios diplomáticos.
  A resolução poderia, igualmente, ter incluído
importantes averiguações e conclusões feitas
pela Comissão Internacional Independente de
Inquérito sobre a Síria. A Comissão tem, muitas
vezes, chamado a atenção para os efeitos
deletérios do regime de sanções contra o povo
sírio. Recomendou, ademais, que a comunidade
internacional contivesse a proliferação e o
fornecimento de armas e identificasse suas
fontes, tendo em conta as implicações regionais
e a respectiva responsabilidade na vizinhança e
em outras partes.
  Da mesma forma, não cabe à Assembleia
Geral, neste momento, mesmo que
indiretamente, conferir legitimidade ou decidir
quem deve ser o representante da oposição
síria, e muito menos do povo sírio. Este é um
assunto para os sírios decidirem.
  Ademais, o Brasil considera que o
propósito e as implicações das missões
confiadas ao Secretário-Geral, nos parágrafos
29 e 30, mereceriam maior esclarecimento.
Este é especialmente o caso se concordarmos
que uma próxima conferência internacional
provavelmente oferecerá um roteiro atualizado




298

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




para uma transição política.
  Se lido em conjunto com o parágrafo
26, o que pode implicar certo nível de
reconhecimento da Coalizão Nacional Síria
como legítimo representante do povo sírio,
o parágrafo 30 pode ser interpretado como
solicitação ao SG no sentido de adotar medidas
para iniciar um plano de transição  e alocar
recursos para esse fim - mesmo na ausência de
um consentimento de uma das partes para essa
transição. Isso pode complicar ainda mais a
situação, com implicações extensivas para a
imparcialidade da Organização e, portanto,
para sua legitimidade e credibilidade.
  É hora de criar melhores condições para
que as partes negociem  e destacar o que
nos une, em um esforço coletivo para garantir
um resultado positivo para uma possível
conferência que avance além da iniciativa do
Grupo de Ação de Genebra no ano passado.
Não vemos como a resolução sirva a esse
propósito.
  Senhor Presidente,
  O Brasil mantém-se comprometido com
uma resolução negociada do conflito, de
forma que se cesse o derramamento de sangue,
rejeite o extremismo, construa a estabilidade
na região e responda às aspirações legítimas
do povo sírio por liberdade, democracia e
justiça social.
  Obrigado.
   
          SEGUNDA CONFERÊNCIA DE
     ESTADOS-PARTE DA CONVENÇÃO
        AMERICANA SOBRE DIREITOS
        HUMANOS - DECLARAÇÃO DE
  COCHABAMBA - 14 DE MAIO DE 2013
                            15/05/2013
                               
  Con el propósito de continuar el proceso
de fortalecimiento del Sistema Interamericano

de Derechos Humanos, y con la convicción de
recuperarlo para nuestros pueblos desde los
Estados.
  LOS ESTADOS PARTE,
  CONSIDERAMOS la Resolución AG/
RES.1 (XLIV-E/13), de 22 de marzo de 2013:
  Resultado del Proceso de Reflexión
sobre el funcionamiento de la Comisión
Interamericana de Derechos Humanos para el
Fortalecimiento del Sistema Interamericano
de Derechos Humanos;
  REAFIRMAMOS también nuestro firme
compromiso por la promoción y protección
de los Derechos Humanos de los ciudadanos
y ciudadanas de nuestro continente, desde
una perspectiva integral, y con base en los
principios de indivisibilidad, irrenunciabilidad
y universalidad;
  RECONOCEMOS la conveniencia
de mejorar el Sistema Interamericano de
Derechos Humanos hacia formas cada vez
más equitativas, efectivas y transparentes de
funcionamiento;
  DESTACAMOS la relevancia de la
Conferencia de Estados Parte de la Convención
Americana sobre Derechos Humanos, como
espacio de diálogo permanente en este ámbito;
  DECIDIMOS:
  REAFIRMAR plenamente los acuerdos
alcanzados en la Declaración de Guayaquil,
en la Primera Conferencia de los Estados
Parte de la Convención Americana sobre
Derechos Humanos, celebrada en Guayaquil,
Ecuador, en el 11 de marzo de 2013; y para
ello acordamos tomar las siguientes acciones:
  1) Conformar la Comisión Especial de
Mínistros de Relaciones Exteriores, para
realizar visitas a los países que no forman parte
de la Convención Americana sobre Derechos
Humanos. La Comisión Especial estará
compuesta por los Ministros de Relaciones
Exteriores que representen a Sudamérica
(Uruguay), el Caribe (Haití), Centroamérica




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	299




(pendiente) y Norteamérica (pendiente). A su
vez, esta Comisión de Ministros organizara
un Foro de Estados Parte y Estados no Parte
con participación de la sociedad civil y otros
actores sociales, para afianzar y promover
la universalidad del Sistema. Los Ministros
informaran al respecto durante la Tercera
reunión de Estados Parte.
  2) Avanzar en la consideración de la
conveniencia de que la sede de la Comisión
Interamericana de Derechos Humanos (CIDH)
esté ubicada en un Estado Parte de la Convención
Americana	sobre	Derechos	Humanos,	a
través de la creación de um Grupo de Trabajo
abierto, encabezado por Uruguay y Ecuador
que identifique los desafíos presupuestarios,
reglamentarios y funcionales de dicho translado,
entre otros, así como los países más pequeños, y
presente un informe en la Tercera Conferencia
de Estados Parte de la Convención Americana
sobre Derechos Humanos.
  3) Proponer a la Asamblea General de
la OEA que encomiende a la Comisión
Interamericana	de	Derechos	Humanos,
incorporar en su Plan Estratégico, una Guia
de Promoción de los Derechos Humanos que
incluya eventos de difusión sobre prácticas
nacionales de todos los Estados.
  4) Solicitar al Secretario General de la
Organización de Estados Americanos (OEA)
que presente al Consejo Permanente el análisis,
detallado de las fuentes de financiamiento de
los costos de funcionamiento de los órganos
del Sistema Interamericano de Derechos
Humanos, en el más corto plazo
  5) Encargar a Ecuador y Bolivia las
coordinaciones necesarias con los Estados
Parte, para la organización de la Tercera
Conferencia de Estados Parte de la Convención
Americana sobre Derechos Humanos.
  OBS: Las delegaciones de México, Panamá
y Paraguay se reservan su posición sobre los
puntos contenidos en la presente Declaración

hasta que sean examinados por los órganos
competentes

         REUNIÃO DE COORDENAÇÃO
      REGIONAL SOBRE A MIGRAÇÃO
    DE CIDADÃOS HAITIANOS PARA A
                    AMÉRICA DO SUL
                            15/05/2013
                               
  Ao final da Reunião de Coordenação
Regional sobre a Migração de Cidadãos
Haitianos para a América do Sul, realizada
em Brasília nesta quarta-feira, 15 de maio,
acordou-se que o Governo brasileiro
divulgaria, em nome dos países participantes,
o seguinte Comunicado, aprovado por todas
as delegações presentes:
  COMUNICADO DE IMPRENSA
  Com vistas a examinar iniciativas e
projetos de cooperação regional para enfrentar
o tráfico de migrantes que se tem verificado
em razão da recente intensificação dos fluxos
migratórios de cidadãos haitianos e de outras
nacionalidades rumo à América do Sul e, em
particular, ao Brasil, reuniram-se em Brasília,
no dia 15 de maio do corrente, autoridades
de Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Haiti,
Peru e República Dominicana. Os trabalhos
foram presididos pelo Subsecretário-Geral
das Comunidades Brasileiras do Exterior do
Ministério das Relações Exteriores do Brasil,
Embaixador Sérgio Danese.
  As delegações assinalaram que, pelos
depoimentos colhidos junto a número
expressivo de migrantes, bem como pelas
informações em poder das autoridades policiais
e de inteligência dos países participantes, é
possível comprovar a atuação nessas correntes
migratórias de redes criminosas de traficantes
de migrantes. Esses criminosos, ao oferecer
aos cidadãos haitianos seus serviços ou




300

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




financiar-lhes o perigoso percurso até seu
pretendido destino, acabam por explorá-los
e submetê-los a riscos de todo tipo ao longo
desse trajeto, chegando por vezes a ameaçar
a preservação de sua própria integridade
física.
  Os	participantes	reconheceram	a
necessidade de tratar os migrantes haitianos
que pretendam dirigir-se à América do
Sul,	em	qualquer	circunstância,	com
espírito humanitário, com pleno respeito
a seus direitos humanos e a sua legítima
intenção de iniciar nova vida em outro país.
Assinalaram, a propósito, a importância
de que se revestem iniciativas voltadas a
ampliar as oportunidades formais para o
acolhimento, em condições regulares, de
migrantes haitianos. Sublinharam ser essa
a maneira mais adequada de assegurar
que todo cidadão haitiano interessado em
migrar para a América do Sul possa fazê-lo
em condições dignas.
  Destacaram, nesse sentido, a decisão do
Governo brasileiro de ampliar ainda mais
a possibilidade de concessão de vistos
permanentes	especiais	para	nacionais
haitianos, mediante a edição da Resolução
Normativa 102 do Conselho Nacional de
Imigração, no último dia 26 de abril, como
forma de valorizar a imigração legal e
segura e combater o tráfico de migrantes,
que apresenta elevados custos e riscos.
  As delegações convieram em apoiar
ou reforçar, em seus respectivos países,
campanha de esclarecimento aos potenciais
migrantes haitianos, a ser promovida pelos
governos brasileiro e haitiano, mediante
distribuição	de	folhetos	informativos
no Haiti e nos países de trânsito, além
da inserção de mensagens nos meios de
comunicação no Haiti, sobre os altos custos
e os grandes riscos da emigração irregular
e do recurso às redes de traficantes, bem

como sobre as vantagens da migração
regular amparada em visto. Concordaram
em estabelecer ou reforçar mecanismos
de intercâmbio de informações nas áreas
migratória, policial e de inteligência, com
vistas a monitorar as rotas empregadas
pelos traficantes, identificar suas lideranças
atuantes na região e os pontos de passagem
por eles utilizados e reforçar o controle
do fluxo de pessoas pelas fronteiras.
Acordaram, por fim, estabelecer ou retomar
iniciativas de cooperação bilateral ou
regional nas áreas de formação, treinamento
e aperfeiçoamento de pessoal nos setores
mencionados.
  As delegações decidiram reforçar
a cooperação, a fim de permitir que o
exercício de intercâmbio, cruzamento
e monitoramento de informações
entre os países participantes possa ter
prosseguimento, em base permanente.
  Brasília, 15 de maio de 2013
   
  ***
   
  Reunião de trabalho do Ministro de
Relações Exteriores da República Federativa
do Brasil, Antonio de Aguiar Patriota com
o Secretário de Relações Exteriores do
México, José Antonio Meade Kuribreña.

  Comunicado Conjunto
   
  Nesta data, o Secretário de Relações
Exteriores, José Antonio Meade Kuribreña,
realizou visita de trabalho a Brasília, onde
manteve encontro com o Ministro das
Relações Exteriores, Embaixador Antonio
Patriota.
  No encontro, reiteraram o interesse em
trabalhar conjuntamente em matéria de
cooperação energética. Continuar-se-á a
trabalhar para que a Pemex e a Petrobrás




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	301




ampliem seus sistemas de intercâmbio de
informações, experiências e centros de
treinamento.
  Concordaram em envidar esforços para a
concretização de projetos de cooperação no
setor agroindustrial.
  Os representantes mexicanos e brasileiros
acordaram que trabalharão para estreitar
relações em áreas de interesse comum, tais
como a paz e a segurança do hemisfério e
mundialmente, o combate à fome, a promoção
do desenvolvimento, a cooperação e o diálogo
internacionais.
  Um âmbito de particular relevância na
relação será o educativo e cultural. Ambas
as	partes	comprometeram-se	a	realizar
intercâmbios e visitas de alto nível, a fim de
aproximar os povos de ambos os países e
fomentar o entendimento mútuo.
  Por fim, os Chanceleres congratularam-
se pela reativação  em 16 de maio passado
 do Acordo de Supressão de Vistos de
Curta Duração para Passaportes Comuns,
o que facilitará o fluxo de viajantes entre os
dois países. Trata-se de um dos primeiros
resultados do bom relacionamento que existe
entre os governos dos Presidentes Rousseff e
Peña Nieto.
  Brasília, dezessete de maio de dois mil e
treze.

       CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO
         EMBAIXADOR DO BRASIL EM
                          BARBADOS
                            22/05/2013
                               
  O Governo brasileiro tem a satisfação
de informar que o Governo de Barbados
concedeu agrément a Luiz Gilberto Seixas de
Andrade como Embaixador Extraordinário e
Plenipotenciário do Brasil. De acordo com a
Constituição, essa designação ainda deverá

ser submetida à apreciação do Senado Federal.
Brasil e Barbados estabeleceram relações
diplomáticas em 1971.

       PARTICIPAÇÃO DA PRESIDENTA
     DILMA ROUSSEFF NO JUBILEU DE
    OURO DA UNIÃO AFRICANA - ADIS
          ABEBA, 25 DE MAIO DE 2013
                            23/05/2013
  A União Africana, criada em 25 de maio
de 1963, sob o nome original de Organização
da Unidade Africana, assumiu papel de
crescente importância na busca de soluções
africanas para questões do próprio continente,
assim como no processo de progressiva
democratização e fortalecimento institucional
da região.
  A Presidenta Dilma Rousseff participará,
em 25 de maio, como convidada especial,
em Adis Abeba, da comemoração do Jubileu
de Ouro da União Africana. A Presidenta da
República será recebida pelo atual Presidente
da organização, o Primeiro-Ministro da
Etiópia, Hailemariam Desalegn.
  A União Africana, criada em 25 de maio
de 1963, sob o nome original de Organização
da Unidade Africana, assumiu papel de
crescente importância na busca de soluções
africanas para questões do próprio continente,
assim como no processo de progressiva
democratização e fortalecimento institucional
da região. As relações do Brasil com a África
se expandiram substancialmente, na última
década, com a abertura ou reativação de 19
das 37 Embaixadas brasileiras no continente e
a instalação de 18 novas Embaixadas africanas
no Brasil. Brasília é a capital latino-americana
com o maior número de Embaixadas de países
africanos.
  O Brasil trabalha em conjunto com as
nações africanas em áreas como saúde,




302

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




agricultura, energia e infraestrutura, com
projetos de cooperação técnica em 40 países
do continente e a presença cada vez maior de
investimentos privados.
  O continente africano tem apresentado nos
últimos anos crescimento econômico acima
da média mundial, criando oportunidades para
o desenvolvimento sustentável de seus países.
  O intercâmbio comercial entre Brasil e
África cresceu cinco vezes nos últimos dez
anos, evoluindo de US$ 5 bilhões, em 2002,
para US$ 26,5 bilhões, em 2012.

    ATAQUES TERRORISTAS NO NÍGER
                            23/05/2013
                               
  O Governo brasileiro tomou conhecimento
com consternação da notícia dos atentados
a bomba nas cidades nigerinas de Agadez e
Arlit, os quais causaram a morte de pelo menos
20 pessoas na manhã desta quinta-feira.
  Ao manifestar seu pesar e solidariedade
às famílias das vítimas, o Brasil reitera seu
repúdio a todo ato de terrorismo e de violência.

   ABERTURA DO MERCADO JAPONÊS
         PARA SUÍNOS CATARINENSES
                            24/05/2013
                               
  O Governo brasileiro recebeu, com grande
satisfação, a decisão pela inclusão do estado
de Santa Catarina como região habilitada a
exportar carne suína in natura ao Japão,
concluindo, assim, o processo de abertura do
mercado japonês ao produto catarinense.
  A decisão das autoridades japonesas reitera
a conhecida qualidade e sanidade do produto
brasileiro, já reconhecida por outros parceiros
comerciais, e corrobora o bom relacionamento
que está sendo construído com o Japão em
matéria de sanidade animal.
   
Antes da decisão, o Brasil somente
exportava ao Japão derivados de carne suína
termoprocessados. A abertura do mercado
japonês de carne suína in natura ao produto
catarinense contribuirá para o fortalecimento
da cadeia produtiva do setor naquele estado,
gerando emprego e renda, em particular,
para os pequenos produtores, base da
suinocultura no Brasil. A medida também
constitui importante passo na ampliação e na
diversificação dos destinos de exportação para
o agronegócio brasileiro.
  O mercado japonês de carne suína e de seus
derivados é estimado em cerca de 1,8 milhão de
toneladas. Desse total, 46% foram abastecidos
com produtos importados. O Japão é o maior
importador mundial de carne suína, havendo
adquirido, em 2012, o equivalente a US$ 5,2
bilhões de fornecedores externos.

 III REUNIÃO DE CONSULTAS BRASIL-
 CHINA SOBRE TEMAS MIGRATÓRIOS
    E CONSULARES - BRASÍLIA, 22 DE
                       MAIO DE 2013
                            24/05/2013
                               
  No âmbito da Parceria Estratégica Brasil-
China, realizou-se em Brasília, em 22 de
maio, a III Reunião de Consultas sobre
Temas Migratórios e Consulares, com vistas
a examinar ampla agenda de temas nas áreas
migratória, de assistência consular e de
cooperação jurídica internacional.
  No âmbito da Parceria Estratégica Brasil-
China, realizou-se em Brasília, nesta quarta-
feira, 22 de maio, a III Reunião de Consultas
sobre Temas Migratórios e Consulares, com
vistas a examinar ampla agenda de temas nas
áreas migratória, de assistência consular e de
cooperação jurídica internacional. A delegação
brasileira foi presidida pelo Subsecretário-




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	303




Geral das Comunidades Brasileiras no Exterior
do	Ministério	das	Relações	Exteriores,
Embaixador Sérgio Danese, e composta por
representantes do Itamaraty, do Ministério
da Justiça, do Departamento de Polícia
Federal e da Secretaria da Receita Federal. A
delegação chinesa foi presidida pelo Diretor-
Geral de Assuntos Consulares do Ministério
dos Negócios Estrangeiros, Sr. Huang Ping,
e composta por funcionários da Chancelaria
chinesa, da Embaixada da China em Brasília
e dos Consulados da China em São Paulo e no
Rio de Janeiro.
  Em termos de facilitação do fluxo de
pessoas e na área migratória, as delegações
expressaram o desejo em estimular o fluxo
de pessoas que viajam entre os dois países
a	turismo	ou	negócios.	Concordaram,
nesse contexto, quanto ao interesse em
renegociar o Acordo para Flexibilização da
Concessão de Vistos para Empresários. O
lado brasileiro informou sobre a entrada em
vigor da Resolução Normativa 100/2013
do Conselho Nacional de Imigração, a qual
simplifica os procedimentos para obtenção
de vistos de trabalho para assistência técnica
e transferência de tecnologia por até 90
dias, o que deverá facilitar as atividades de
empresas internacionais com investimentos
no Brasil. Ficou acordado também que os
dois lados trabalhariam em conjunto com
vistas à divulgação, pelas Representações
Diplomáticas e Consulares do Brasil na China
e pelas autoridades chinesas competentes,
de informações sobre os requisitos para a
concessão de vistos de trabalho para o Brasil.
As delegações comprometeram-se, ainda, a
reforçar intercâmbio e cooperação em matéria
de inteligência para combater atividades
criminosas internacionais que atuam no tráfico
de pessoas e na adulteração de documentos.
  Na	área	de	cooperação	jurídica
internacional, as delegações expressaram

satisfação com o funcionamento dos
mecanismos de cooperação previstos no
Acordo sobre Assistência Mútua Judiciária
em Matéria Penal, assinado em 2004, e
decidiram reforçar ainda mais a cooperação
na área jurídica.
  Na área de assistência consular, os dois
lados concordaram em negociar um tratado
ou acordo abrangente de cooperação consular
para ampliar o apoio e o auxílio às respectivas
diásporas, bem como garantir a proteção dos
direitos de cidadãos e empresas de ambos os
países.
  Tendo em vista a crescente relevância dos
temas consulares e migratórios na agenda
bilateral, as delegações saudaram os resultados
alcançados ao final da III Reunião de
Consultas, que consideraram muito positivos,
e acordaram a conveniência da realização anual
de encontros entre as autoridades consulares
dos dois países. A IV Reunião de Consultas
será realizada em 2014, na China, em local e
data a serem oportunamente definidos.

    MANUTENÇÃO DO STATUS SANITÁRIO
 BRASILEIRO RELATIVO À ENCEFALOPATIA
               ESPONGIFORME BOVINA
                            28/05/2013
                               
  Em reunião da Assembleia Mundial de
Delegados da Organização Mundial de Saúde
Animal (OIE), confirmou-se a manutenção do
status sanitário brasileiro relativo ao Mal da
Vaca Louca como de risco insignificante.
  Em reunião plenária daAssembleia Mundial
de Delegados da Organização Mundial de
Saúde Animal (OIE), realizada hoje, em
Paris, confirmou-se a manutenção do status
sanitário brasileiro relativo à Encefalopatia
Espongiforme Bovina (EEB/BSE, usualmente
conhecida por Mal da Vaca Louca), como
de risco insignificante, o nível mais baixo




304

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




que pode ser atribuído a um país.
  A decisão dos delegados confirma parecer
técnico da Comissão Científica da OIE que,
em fevereiro último, concluiu que o caso
identificado no Estado do Paraná não redundou
em risco à saúde pública e animal do País e de
seus parceiros comerciais.
  Essa decisão deve-se, em grande medida,
aos esforços do Governo brasileiro para
fornecer todas as informações disponíveis
sobre o caso e prestar esclarecimentos, o
que foi feito em estreita coordenação entre
os Ministérios das Relações Exteriores e da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
  Foram realizadas gestões por meio da rede
de 139 Embaixadas do Brasil no exterior, de
debates em organismos internacionais como a
OMC e a própria OIE e do envio de missões
a países diversos, nos quais foram entregues
e discutidos relatórios técnicos sobre o caso.
  As ações brasileiras permitiram minimizar
o impacto comercial do caso de EEB: apenas
17 países e territórios anunciaram algum tipo
de restrição a produtos de origem bovina
brasileiros. Desses países, foram visitados
por autoridades técnicas brasileiras Arábia
Saudita, Catar, Egito, Irã, Japão, Jordânia,
Líbano e Turquia.
  O Governo brasileiro espera que, após
todos os esforços envidados para esclarecer a
situação, culminando nos pronunciamentos da
Comissão Científica e, agora, da Assembleia
Mundial da OIE, seja normalizado plenamente
o comércio de carne bovina com os parceiros
comerciais que impuseram restrições ao
produto brasileiro.

     PROCESSO DE PAZ NA COLÔMBIA
                            29/05/2013
                               
  O Governo brasileiro felicita o Governo da
Colômbia pelo avanço significativo alcançado

com as FARC sobre terras e desenvolvimento
rural.
  O Governo brasileiro felicita o Governo da
Colômbia pelo avanço significativo alcançado
com as FARC sobre terras e desenvolvimento
rural.
  O Governo brasileiro reitera sua confiança
no processo negociador e renova seus votos de
pleno êxito nos esforços das partes envolvidas.

       RESOLUÇÃO DO CONSELHO DE
    DIREITOS HUMANOS DAS NAÇÕES
 UNIDAS SOBRE A SITUAÇÃO NA SÍRIA
          - INTERVENÇÃO DO BRASIL
                            29/05/2013
  O Brasil acredita que o Conselho de
Direitos Humanos deve acompanhar de perto
a escalada da violência e tragédia humana na
Síria.

  (aprovada com 36 votos favoráveis, 1
contrário, 8 abstenções e dois membros
ausentes)

  Senhor Presidente,
  O Brasil acredita que o Conselho de
Direitos Humanos deve acompanhar de perto
a escalada da violência e tragédia humana na
Síria. Este Conselho não pode permanecer
em silêncio enquanto os civis estão sujeitos a
graves violações do direito internacional dos
direitos humanos e do direito internacional
humanitário.
  A ação imparcial e eficaz visando à
melhoria da condição local deve ser o objetivo
principal do nosso trabalho.
  Assim como a situação geral na Síria, a
violência no Al-Qusayr é uma questão de
grande preocupação para o Brasil. Tal como
declararam o Alto Comissário e tantas outras
delegações, o Brasil está consternado por




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	305




relatórios que sugerem que centenas de civis
tenham sido mortos ou feridos e milhares
podem estar encurralados em consequência
de bombardeios e ataques aéreos.
  Reiteramos	a	nossa	condenação
inequívoca de toda violência e conclamamos
todas as partes do conflito, e em particular o
Governo sírio, a cessar imediatamente todas
as formas de violações dos direitos humanos
e do direito humanitário.
  Reafirmamos,	ademais,	nossa
preocupação com os efeitos incapacitantes
que as sanções unilaterais têm sobre o povo
sírio, como indicado pelas conclusões da
Comissão Internacional Independente de
Inquérito sobre a Síria.
  Infelizmente, a situação no Al-Qusayr é
ainda outra consequência direta da crescente
militarização do conflito, o que agrava
ainda mais a situação, com consequências
inaceitáveis para a população civil.
  Destacamos, uma vez mais, que a
comunidade internacional deve seguir a
recomendação da Comissão de Inquérito
para conter a proliferação e fornecimento de
armas a todas as partes envolvidas. Nesse
contexto, qualquer decisão que possa levar
a um aumento da disponibilidade de armas
que exacerbem o conflito deve ser evitado.
  Neste momento é necessário o inequívoco
e firme apoio à iniciativa dos Estados Unidos
e Rússia em convocar uma conferência
internacional que amplie a iniciativa do
Grupo de Ação de Genebra apresentada no
ano passado.
  Devemos todos apoiar tais esforços, que,
nestas circunstâncias, oferecem a melhor, se
não a única, possibilidade de um processo
político inclusivo, dirigido pelos sírios,
visando a uma transição que atenda às
aspirações legítimas do povo sírio.
  Não há alternativa para um caminho
politicamente negociado que ponha fim

à tragédia síria e nossas ações devem
ser guiadas pelo imperativo de gerar um
ambiente político construtivo que contribua
para um resultado positivo da conferência
internacional planejada.
  Brasil está pronto a dar sua contribuição
para uma solução negociada que termine com
o sofrimento da população civil, promova
a reconciliação, a democracia e a justiça
social, e construa a paz e a estabilidade na
região.
  Obrigado.
   
        CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO
 EMBAIXADOR DO BRASIL NO CANADÁ
                            31/05/2013
                               
  O Governo brasileiro tem a satisfação
de informar que o Governo do Canadá
concedeu agrément a Pedro Fernando Brêtas
Bastos como Embaixador Extraordinário e
Plenipotenciário do Brasil. De acordo com a
Constituição, essa designação ainda deverá
ser submetida à apreciação do Senado Federal.
Brasil e Canadá mantêm relações diplomáticas
desde 1941.

       CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO
 EMBAIXADOR DO BRASIL EM CHIPRE
                            31/05/2013
                               
  O Governo brasileiro tem a satisfação de
informar que o Governo da República de
Chipre concedeu agrément a Appio Claudio
Muniz Acquarone Filho como Embaixador
Extraordinário e Plenipotenciário do
Brasil. De acordo com a Constituição, essa
designação ainda deverá ser submetida à
apreciação do Senado Federal. Brasil e
Chipre mantêm relações diplomáticas desde
1966.




306

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




        REELEIÇÃO DO EMBAIXADOR
     JOSÉ AUGUSTO LINDGREN ALVES
    COMO MEMBRO DO COMITÊ PARA
  A ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO
              RACIAL (CERD) DA ONU
                            03/06/2013
                               
  O	Governo	brasileiro	recebeu	com
satisfação a reeleição do Embaixador José
Augusto Lindgren Alves como membro do
Comitê para a Eliminação da Discriminação
Racial da ONU (CERD). Com 138 votos entre
as 174 delegações presentes, foi o candidato
mais votado dos 16 postulantes à eleição
realizada hoje, em Nova York.
  Autor de várias obras sobre Direitos
Humanos, o Embaixador José Augusto
Lindgren Alves é bacharel em Direito
e	diplomata	de	carreira	desde	1970.
Assumiu, entre outras funções, a Direção
do Departamento de Direitos Humanos
e Temas Sociais do Itamaraty, a Chefia
da Delegação Brasileira na Conferência
Regional Preparatória para a Conferência
Mundial de Direitos Humanos, em São José,
e a Coordenação da força tarefa negociadora
do Comitê de Redação da Conferência
Mundial sobre Direitos Humanos de Viena,
em 1993.
  Este mandato, que terá início em 20 de
janeiro de 2014 e durará quatro anos, será o
quarto consecutivo do Embaixador Lindgren
Alves no Comitê.
  O CERD  Comitê para a Eliminação
da Discriminação Racial foi criado em
1966, quando da assinatura da Convenção
pela Eliminação de Todas as Formas de
Discriminação Racial. O Brasil assinou o
tratado em 7 de março de 1966 e o ratificou
em 27 de março de 1968.
 
TRANSPORTE MARÍTIMO E MUDANÇA
   DO CLIMA: COOPERAÇÃO TÉCNICA
  E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA
   PARA INCREMENTO DA EFICIÊNCIA
             ENERGÉTICA DE NAVIOS
                            03/06/2013
                               
  A 65ª sessão do Comitê de Proteção do
Meio Ambiente Marinho (MEPC, conforme
sigla em inglês) da Organização Marítima
Internacional, aprovou resolução sobre
cooperação técnica e transferência de
tecnologia para o incremento da eficiência
energética de navios, atendendo a demanda
de países em desenvolvimento, com vistas
a permitir a implementação de padrões
internacionais obrigatórios de eficiência
energética estabelecidos pela IMO, em
julho de 2011. A Organização é a agência
especializada das Nações Unidas responsável
pelo tratamento internacional da segurança e
proteção marítima e da prevenção da poluição
marinha por navios.
  A resolução adotada inova por reconhecer o
princípio das responsabilidades comuns, porém
diferenciadas, consagrado na Convenção-
Quadro das Nações Unidas sobre Mudança
do Clima e seu Protocolo de Quioto, até então
considerado incompatível com o princípio
da não-discriminação, que tradicionalmente
orienta a dinâmica da navegação internacional.
Tal reconhecimento fortalece os interesses
de países em desenvolvimento e favorece a
coerência de ações para o combate à mudança
do clima no âmbito da IMO, em relação ao
regime internacional de mudança do clima.
  A aprovação do documento resolveu
impasse político que persiste na IMO desde a
introdução do tema da mudança do clima na
agenda da Organização, há cerca de dez anos,
e favorecerá a efetividade e a abrangência de
ações para redução de emissões do transporte




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	307




marítimo internacional. O Secretário-Geral
da IMO, Koji Sekimizu, considerou-a uma
decisão histórica da Organização.
  Além do seu valor político, a resolução
estabelece plataforma para cooperação técnica
e transferência de tecnologia, direcionada
especialmente a países em desenvolvimento,
o que poderá beneficiar o setor de transporte
marítimo brasileiro. O documento prevê,
entre outros processos, o lançamento do
Grupo de Trabalho de Especialistas Ad
Hoc sobre Transferência de Tecnologias para
navios, com o mandato de avaliar implicações
e impactos da aplicação de medidas de
eficiência energética já aprovadas pela IMO
e de identificar tecnologias necessárias para
a sua implementação, custos associados e
modalidades para transferência. O MEPC
acordou que manterá sob sua avaliação
periódica a implementação de ações para
a cooperação técnica e transferência de
tecnologia.

    XLIII ASSEMBLEIA-GERAL DA OEA
     - ANTIGUA, GUATEMALA, 4 A 6 DE
                      JUNHO DE 2013
                            03/06/2013
                               
  O Ministro das Relações Exteriores,
Antonio de Aguiar Patriota, chefiará a
delegação	brasileira	ao	XLIII	Período
Ordinário de Sessões da Assembleia-Geral
da Organização dos Estados Americanos
(AGOEA).
  O Ministro das Relações Exteriores,Antonio
de Aguiar Patriota, chefiará a delegação
brasileira ao XLIII Período Ordinário de
Sessões da Assembleia-Geral da Organização
dos Estados Americanos (AGOEA), a realizar-
se em Antigua, Guatemala, no período de 4 a
6 de junho.
  Será analisado, no encontro, além do tema

Política integral frente ao problema mundial
das drogas, o fortalecimento do Sistema
Interamericano de Direitos Humanos.

    BRASIL ASSINA TRATADO SOBRE O
               COMÉRCIO DE ARMAS
                            03/06/2013
                               
  Em cerimônia realizada hoje na sede das
Nações Unidas em Nova York, o Brasil 
juntamente com mais de 60 países  assinou o
Tratado sobre o Comércio de Armas.
  O Brasil participou ativamente do
processo de negociação desse tratado
desde seus primeiros momentos, apoiando
a adoção de um instrumento internacional
juridicamente vinculante que regulamentasse
as transferências internacionais de armas
convencionais, com o objetivo de reduzir
a possibilidade de que tais armas sejam
desviadas para o mercado ilícito  evitando,
portanto, que contribuam para conflitos
internos e alimentem a violência armada.
  Na solenidade de hoje, o Representante
Permanente do Brasil junto à Conferência do
Desarmamento, o Embaixador Antonio José
Vallim Guerreiro proferiu o seguinte discurso:

  (versão em português a ser divulgada
oportunamente)

  Madam High Representative,
  Brazil is pleased to take part in this Special
Event and to sign the Arms Trade Treaty on
the very day of its opening for signature.
  Today we celebrate the culmination of a
process that formally started seven years ago
when the idea of an Arms Trade Treaty was
first introduced on the agenda of the United
Nations. Even before that, Brazil was already
one of the pioneering countries to express
at the highest level its support for such a




308

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




multilateral initiative. My country actively
participated in the ATT process throughout its
different stages, always committed to the goal
of a legally binding instrument that would
regulate the legitimate trade of conventional
arms and provide effective tools to prevent
that these arms be diverted to the illicit market.
  By requiring States to implement legal
and administrative measures to enforce
national control over international transfers
of conventional arms and to improve their
decision-making process with regard to
authorizations of such transfers, the ATT
constitutes an important contribution for the
protection of civilian populations in conflict
situations, for the prevention of international
conflicts and for the reduction of urban armed
violence.
  For Brazil, the ATT represents therefore
a milestone in our quest for a more peaceful
and secure world. We would like to express
our deep appreciation to all States that have
participated in the treaty´s deliberations and
negotiations, to international civil society
organizations and representatives, for their
brave and wholehearted engagement in
promoting the instrument, as well as for
Ambassadors Roberto García-Moritán of
Argentina and Peter Woolcott of Australia for
the key roles they played during this seven-
year process. Each one was instrumental in
order to make this aspiration come true.
  In implementing theATTat the international,
regional and national levels, Brazil is fully
committed to ensure that balanced, objective
and non-discriminatory approaches prevail
as well as that international cooperation and
assistance hold a central role in every effort.
  We certainly do not believe that the ATT, as
it stands now, is a finished task. Brazil considers
that the Treaty could have been stronger and
more effective if it had comprised a clear
prohibition of arms transfers to unauthorized

non-State actors; if it had required end use/
end user certificates for all transfers; and
if ammunitions had been unequivocally
included in the Treatys scope. While we
believe there is room for future efforts at
improving the Treaty, we acknowledge that the
current text of the ATT helps fill an important
gap in International Law, and constitutes an
auspicious step towards the promotion of
international peace and security.
  The adoption of this Treaty and its opening
for signature also sends a clear message about
the effectiveness of multilateral disarmament
and arms control diplomacy, despite the
skepticism that seems to prevail in some
quarters about the virtues of negotiation and
compromise that are inherent to any exercise
of this nature. We have seen that, with patience
and resilience, the international community is
able to deliver multilateral concrete results on
important contemporary issues.
  Finally, Mr. President, Brazil reiterates the
importance of an ATT being truly universal, so
as to avoid loopholes and the perpetuation of
unregulated trade. To that end, we encourage
all delegations that are not represented here
today to consider signing the Treaty as soon
as possible.
  I thank you.
   
      ATAQUES A FORÇA DAS NAÇÕES
                             UNIDAS
                            06/06/2013
                               
  O Governo brasileiro tomou conhecimento
com preocupação de ataques armados em 6/6
na área de operações da Força das Nações
Unidas de Observação da Separação (UNDOF,
na sigla em inglês), que monitora acordo de
cessar-fogo e de separação de forças entre
Israel e a Síria. No episódio, foram feridos
dois capacetes azuis.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	309




   O Governo brasileiro tomou conhecimento
com preocupação de ataques armados em 6/6
na área de operações da Força das Nações
Unidas de Observação da Separação (UNDOF,
na sigla em inglês), que monitora acordo de
cessar-fogo e de separação de forças entre
Israel e a Síria. No episódio, foram feridos
dois capacetes azuis.
  O Brasil associa-se às declarações oficiais
do Secretário-Geral das Nações Unidas a
respeito do assunto. O episódio  que se soma
a outros incidentes e violações do direito
internacional na área de operações da UNDOF
 ilustra o crescente efeito desestabilizador do
conflito sírio na região. Evidencia também
o imperativo e a urgência de que todas as
partes do conflito, com o ativo e oportuno
envolvimento da comunidade internacional,
encontrem solução negociada para a crise. O
Governo brasileiro mantém sua posição de
que não há solução militar para o conflito e
que sua maior militarização apenas agravará
a situação e prolongará o sofrimento do povo
sírio.
  O Brasil também reitera seu firme apoio
ao Representante Especial Conjunto das
Nações Unidas e da Liga dos Estados Árabes
para a Síria, Lakhdar Brahimi, e à iniciativa
de realizar conferência internacional sobre a
situação síria, com base no Comunicado Final
do Grupo de Ação de Genebra, e continua
pronto a contribuir para seu pleno êxito.

        LIBERTAÇÃO DE SETE DOS DOZE
BRASILEIROS DETIDOS EM ORURO, BOLÍVIA
                            06/06/2013
                               
  O	Governo	brasileiro	recebeu	com
satisfação a decisão da Justiça boliviana de
suspender, por falta de provas, a detenção de
sete dos doze brasileiros em Oruro, Bolívia,
desde 20 de fevereiro de 2013.
   
O Governo brasileiro recebeu com
satisfação a decisão da Justiça boliviana de
suspender, por falta de provas, a detenção de
sete dos doze brasileiros em Oruro, Bolívia,
desde 20 de fevereiro de 2013.
  A Presidenta Dilma Rousseff, desde
o primeiro momento, manifestou, ao
Presidente Evo Morales, a preocupação
com a situação dos brasileiros detidos na
Bolívia. Por instrução da Senhora Presidenta
da República, os Ministros das Relações
Exteriores e da Justiça empenharam-se,
imediatamente, em múltiplas ações, para
garantir a dignidade dos brasileiros detidos
e o devido encaminhamento processual,
respeitando-se a soberania boliviana e a
independência da Justiça local. Ao longo
do processo, foram prestados pelo Governo
e outras instâncias competentes do Brasil
todos os esclarecimentos necessários para a
melhor compreensão das circunstâncias da
trágica ocorrência que vitimou um jovem
cidadão boliviano.
  A Embaixada do Brasil em La Paz está
providenciando o imediato transporte dos
sete brasileiros libertados de Oruro para a
capital boliviana, de onde devem retornar
ao Brasil com a brevidade possível.
  O Governo brasileiro reitera aos
familiares dos cinco brasileiros que
permanecem detidos em Oruro o empenho
em prestar-lhes toda a assistência possível
e em zelar pelo encaminhamento adequado
de seus casos.
  O Ministro das Relações Exteriores,
Antonio de Aguiar Patriota  no momento em
viagem a Antígua, Guatemala, por ocasião da
Assembleia Geral da Organização dos Estados
Americanos , manteve, nos últimos dois
dias, conversas com o Chanceler boliviano,
David Choquehuanca, a quem reiterou a
elevada importância que o Brasil atribui ao
bom encaminhamento do caso.




310

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




       ELEIÇÃO DE PAULO VANNUCHI À
       COMISSÃO INTERAMERICANA DE
                  DIREITOS HUMANOS
                            06/06/2013
                               
  O	Governo	brasileiro	acolheu	com
satisfação a eleição do Senhor Paulo de Tarso
Vannuchi à Comissão Interamericana de
Direitos Humanos para o período 2014-2017.
  O	Governo	brasileiro	acolheu	com
satisfação a eleição do Senhor Paulo de Tarso
Vannuchi à Comissão Interamericana de
Direitos Humanos para o período 2014-2017.
O Brasil também estende seus cumprimentos
aos dois outros candidatos eleitos, os Senhores
José de Jesús Orozco Henríquez, do México, e
James Cavallaro, dos Estados Unidos.
  A eleição ocorreu durante a 43ª Assembleia
Geral da Organização dos Estados Americanos
(OEA),	realizada	em Antígua,	Guatemala,
concluída hoje, 06 de junho de 2013. Foram
preenchidas três vagas na Comissão, para as quais
concorreram candidatos indicados por seis países.
  O Brasil agradece a todos os países
membros	da	Organização	dos	Estados
Americanos a confiança depositada no Senhor
Paulo Vannuchi. A eleição do candidato
brasileiro à CIDH fortalece o compromisso
do Brasil com o fortalecimento do Sistema
Interamericano de Direitos Humanos.

           OEAAPROVAA CONVENÇÃO
 INTERAMERICANA CONTRA O RACISMO,
   A DISCRIMINAÇÃO RACIAL E FORMAS
      CORRELATAS DE INTOLERÂNCIA E
      A CONVENÇÃO INTERAMERICANA
             CONTRA TODA FORMA DE
      DISCRIMINAÇÃO E INTOLERÂNCIA
                            07/06/2013
   
O governo brasileiro congratula-se com
a Organização dos Estados Americanos
(OEA) pela aprovação em 6/06, em Antígua
(Guatemala), da Convenção Interamericana
Contra o Racismo, a Discriminação Racial
e Formas Correlatas de Intolerância e da
Convenção Interamericana Contra Toda
Forma de Discriminação e Intolerância. Os
textos foram resultado de longa negociação,
iniciada em 2005, quando a Missão
Permanente do Brasil junto à OEA apresentou
à Assembleia Geral projeto de resolução
que criou o Grupo de Trabalho encarregado
de criar uma Convenção contra o racismo
e todas as formas de discriminação, em
resposta aos compromissos assumidos pelos
Estados da Região no processo preparatório
à III Conferência Mundial Contra o Racismo,
a Discriminação Racial, Xenofobia e
Intolerâncias Correlatas, realizada em Durban/
África do Sul em 2011. O Brasil assumiu
a presidência do GT por quatro vezes e
desempenhou papel de liderança no processo
de negociação.
  A Convenção Contra o Racismo, a
Discriminação Racial e Formas Correlatas
de Intolerância reafirmou e aprimorou os
parâmetros de proteção internacionalmente
consagrados, além de incluir formas
contemporâneas de racismo e suprir lacuna no
âmbito regional, pois até o momento inexistia
documento vinculante específico sobre o
tema da discriminação racial no âmbito da
Organização dos Estados Americanos.
  A Convenção Interamericana Contra Toda
Forma de Discriminação e Intolerância, uma
vez em vigor, será o primeiro documento
internacional juridicamente vinculante a
expressamente condenar a discriminação
baseada em orientação sexual, identidade e
expressão de gênero.
  A participação ativa do Brasil na
aprovação das Convenções é coerente com as




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	311




políticas desenvolvidas no país de combate
à discriminação e promoção da igualdade
racial no plano interno, como, por exemplo, a
adoção da política de cotas para as populações
historicamente marginalizadas. O governo
brasileiro reconhece igualmente como um
importante avanço para a afirmação dos
Direitos Humanos a garantia da população
vítima de violações devida a sua orientação
sexual,	religiosa,	cultural	ou	política,
assim como assegura a proteção de pessoas
vulnerabilizadas em razão de sua condição
social, deficiência ou estado de saúde física
ou mental, inclusive infectológico e condição
psíquica incapacitante.
  As	Convenções	estabeleceram	um
mecanismo de monitoramento. O Comitê
Interamericano para a Eliminação do Racismo,
Discriminação Racial e Todas as Formas
de Discriminação e Intolerância deverá
acompanhar a implementação de ambas as
convenções e entrará em vigor após a décima
ratificação de qualquer dos documentos.
  Entre as inovações apresentadas pelas
convenções, até então sem precedente no
direito internacional dos direitos humanos,
figura a possibilidade de os Estados que não
tiverem aceitado a competência da Corte
Interamericana de Direitos Humanos em
matéria contenciosa o façam especificamente
em matérias referentes à interpretação ou
aplicação das Convenções sobre Racismo e
sobre Discriminação e Intolerância.
  É	indispensável	que	as	nações
comprometidas na promoção de um mundo
mais pacífico e igualitário, estabeleçam
instrumentos legais para proteger direitos
e combater o racismo e a homofobia, assim
como assegurem a diversidade religiosa, de
gênero e cultural.
  Antonio de Aguiar Patriota
  Ministro de Estado das Relações Exteriores
  Luiza Bairros
   
Ministra de Estado Chefe da Secretaria de
Políticas de Promoção da Igualdade Racial
  Maria do Rosário Nunes
  Ministra de Estado Chefe da Secretaria
de Direitos Humanos da Presidência da
República

        CONCESSÃO DE AGRÉMENT À
        EMBAIXADORA DOS ESTADOS
                UNIDOS DA AMÉRICA
                            07/06/2013
                               
  O Governo brasileiro tem a satisfação
de informar que concedeu agrément à
Senhora Liliana Ayalde como Embaixadora
Extraordinária e Plenipotenciária dos Estados
Unidos da América no Brasil. Brasil e Estados
Unidos mantêm relações diplomáticas desde
1824.

       ESCOLHA DO BRASILEIRO JOSÉ
    SETTE PARA O POSTO DE DIRETOR
 EXECUTIVO DO COMITÊ CONSULTIVO
       INTERNACIONAL DO ALGODÃO
                            07/06/2013
  O Governo brasileiro recebeu com
satisfação a escolha do brasileiro José Sette
para o posto de Diretor Executivo do Comitê
Consultivo Internacional do Algodão (ICAC,
na sigla em inglês).
  O ICAC é organismo internacional de
referência para produtores e consumidores
de algodão, fundado em 1939, com sede em
Washington. O Comitê tem por finalidade
servir como fórum para o desenvolvimento
de políticas e soluções para o fortalecimento
da cadeia de valor do algodão; melhorar a
transparência do mercado e permitir que
as decisões econômicas sejam tomadas
com base em dados precisos e em tempo




312

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




oportuno; incentivar o desenvolvimento e
disseminação do conhecimento; e promover a
sustentabilidade da produção de algodão.
  José Sette foi selecionado entre vinte e seis
candidatos de diferentes nacionalidades.

   ASSISTÊNCIAA BRASILEIROS VÍTIMAS
 DE ACIDENTE NA CAPADÓCIA, TURQUIA
                            08/06/2013
                               
  O Governo brasileiro, desde o momento
em que teve conhecimento do acidente de
balão ocorrido na Capadócia, Turquia, em
20 de maio passado, vem prestando toda a
assistência possível aos brasileiros vitimados
pela queda.
  Ao tomar conhecimento do ocorrido, a
Embaixada do Brasil emAncara imediatamente
deslocou equipe de funcionários para aquela
região, distante cerca de 300 km da capital
turca. Na Capadócia, a equipe da Embaixada
visitou diariamente os feridos brasileiros,
que se encontravam distribuídos em diversos
hospitais das duas principais cidades da
região  Nevsehir e Kayseri, distantes 100
km uma da outra. O Embaixador do Brasil na
Turquia, Antonio Salgado, também deslocou-
se prontamente para a Capadócia, onde
permaneceu por dois dias, visitando as vítimas
brasileiras e seus familiares.
  No local, a equipe da Embaixada procurou
facilitar ao máximo os contatos entre pacientes,
familiares e equipes médico-hospitalares:
apoiou a interpretação entre os idiomas turco
e português; ofereceu assistência jurídica, no
âmbito da assistência consular; buscou obter
o maior número de dados sobre o estado das
vítimas, os procedimentos médicos a que
estavam sendo submetidas e as providências
legais e consulares cabíveis.
  Ao mesmo tempo, a Embaixada tomou
todas as providências necessárias para o

pronto repatriamento dos corpos das três
nacionais brasileiras que faleceram em razão
do acidente. Para tanto, manteve constante
contato com seus familiares, com autoridades
turcas e com a seguradora e a companhia
responsáveis pelo traslado dos corpos para
o Brasil, que se completou em primeiro de
junho corrente. A Embaixada segue apoiando
os familiares das vítimas fatais na recuperação
de seus pertences e na obtenção de documentos
relativos ao caso.
  A Embaixada manteve, ainda, intensa
coordenação com as autoridades turcas
envolvidas no atendimento a essa situação
de emergência, de modo a garantir o melhor
tratamento médico-hospitalar às vítimas.
É importante ressaltar que das gestões
feitas pela Embaixada junto às autoridades
locais obteve-se o compromisso de que as
companhias seguradoras das empresas de
balões envolvidas no acidente assumiriam a
responsabilidade pela cobertura, na Turquia,
dos custos relativos ao tratamento hospitalar
das vítimas.
  Sobre o caso específico da Sra. Maísa
Ildefonso Lima, a nacional brasileira em
apreço e seus familiares presentes na Turquia
receberam da Embaixada total apoio, assim
como o oferecido a todos os demais cidadãos
brasileiros vitimados pelo acidente. A título de
exemplo, o hospital onde se encontra internada
não autorizava, a princípio, o ingresso de seus
familiares na UTI para visitá-la. Avisada a
respeito, a equipe da Embaixada na Capadócia
deslocou-se imediatamente à cidade de
Kayseri, onde a paciente se encontrava, com a
finalidade de intervir e obter, como conseguiu,
autorização para que a família pudesse visitar
a Sra. Maísa Ildefonso Lima.
  A Embaixada desconhece que o hospital
onde se encontra internada a Sra. Maísa
Ildefonso Lima a esteja pressionando para
deixar o local e regressar ao Brasil, motivo pelo




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	313




qual não poderia ter atuado em seu benefício.
Seus familiares ou veículos de imprensa que
noticiaram seu caso em momento algum
entraram em contato com a Embaixada para
relatar a suposta situação. Alertada a respeito,
a Embaixada está buscando averiguar as
reais circunstâncias junto aos familiares da
Sra. Maísa Ildefonso Lima, bem como junto
à administração do hospital onde se encontra
internada.
  O Governo brasileiro vem mobilizando
todos os meios possíveis no atendimento aos
nacionais brasileiros envolvidos no acidente
e reitera a eles e a seus familiares que, por
meio da Embaixada do Brasil em Ancara,
continuará a prestar-lhes toda a assistência
possível e a velar pelo bom encaminhamento
do caso.

       VAZAMENTO DE PETRÓLEO NO
                           EQUADOR
                            09/06/2013
                               
    Em 1º de junho, ocorreu ruptura do
Oleoduto Trans-Equatoriano (SOTE) em razão
das constantes chuvas na região da província
de Sucumbíos, no Equador. As autoridades
equatorianas informaram à Embaixada do
Brasil em Quito que avaliam em 6.800 barris
a quantidade de petróleo vazada durante o
acidente. Após o vazamento, a mancha de
petróleo formada deslocou-se pelo rio Napo
em direção ao território peruano. A maior
parte do petróleo permanece, contudo, em
território equatoriano.
  O Governo equatoriano informou já ter
tomado todas as providências para a mitigação
do acidente. A Petroecuador divulgou nota
segundo a qual a empresa Clean Caribbean
& Americas, que atuou na recente limpeza
do Golfo do México, por ocasião do
acidente naquela região, está trabalhando,

em conjunto, na limpeza da área afetada. No
Peru, a Capitania dos Portos em Iquitos, em
coordenação com outros ministérios daquele
país, montou barreira de contenção na região
do Cabo Pantoja, no rio Napo, no sentido
de impedir o prosseguimento da mancha de
petróleo.
  O Brasil ofereceu auxílio ao Equador e ao
Peru para apoiar os trabalhos de contenção
e dispersão da mancha de petróleo nos dois
países. Nesse sentido, técnicos brasileiros
permanecem à disposição das autoridades de
ambos os países.
  O IBAMA, a Marinha do Brasil e a
ANP encontram-se de sobreaviso para a
eventualidade de que a mancha de óleo chegue
ao País.
  As embaixadas do Brasil em Quito e
Lima estão em contato permanente com as
autoridades daqueles países, a fim de manter
o Governo brasileiro informado sobre a
evolução dos acontecimentos no Equador e
no Peru.

 DECLARAÇÃO CONJUNTA POR OCASIÃO
     DA XI CIMEIRA BRASIL-PORTUGAL 
           LISBOA, 10 DE JUNHO DE 2013
                            10/06/2013
                               
  A Presidenta Dilma Rousseff realizou
visita oficial a Portugal, tendo-se reunido com
o Presidente Aníbal Cavaco Silva e com o
Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho.
  No dia 10 de junho de 2013, por ocasião
dos festejos do Dia de Portugal, de Camões
e das Comunidades Portuguesas, a Presidenta
da República Federativa do Brasil, Dilma
Rousseff, realizou visita oficial a Portugal,
tendo-se reunido com o Presidente da
República Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva e
com o Primeiro-Ministro de Portugal, Pedro
Passos Coelho.




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  2. A Presidenta Dilma Rousseff e o
Primeiro-Ministro	Pedro	Passos	Coelho
celebraram, na ocasião, a XI Cimeira Brasil-
Portugal. Participaram da Cimeira, pelo
lado brasileiro, os Ministros das Relações
Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota, da
Educação, Aloizio Mercadante, da Cultura,
Marta Suplicy, da Saúde, Alexandre Padilha,
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior, Fernando Pimentel, a Ministra-
Chefe da Secretaria de Comunicação Social
da Presidência da República, Helena Chagas,
e o Assessor-Chefe da Assessoria Especial
da	Presidência	da	República,	Professor
Marco Aurélio Garcia. Pelo lado português,
participaram os Ministros de Estado dos
Negócios	Estrangeiros,	Paulo	Sacadura
Portas, da Educação e Ciência, Nuno Crato,
e o Secretário de Estado da Cultura, Jorge
Barreto Xavier.
  3. Em ambiente de grande cordialidade, os
dois Chefes de Governo trocaram impressões
sobre os grandes temas da agenda internacional
e do relacionamento bilateral. Reconheceram
o	excelente	estado	do	relacionamento
bilateral, marcado por grandes oportunidades
de expansão do comércio e dos investimentos,
pelo aprofundamento dos laços humanos
entre brasileiros e portugueses e por novas
avenidas de cooperação em áreas como a alta
tecnologia e o conhecimento.
  COOPERAÇÃO ACADÊMICA
  4.	Os	dois	Chefes	de	Governo
congratularam-se pela assinatura do Acordo
entre a Associação Nacional de Dirigentes de
Instituições Federais de Ensino Superior do
Brasil (ANDIFES) e o Conselho de Reitores
das Universidades Portuguesas (CRUP) para a
Equivalência, Reconhecimento e Revalidação
de Diplomas de Graduação nas Áreas de
Arquitetura e Engenharias.
  5. Os dois Chefes de Governo salientaram
a presença, em Portugal, de cerca de 7

mil estudantes brasileiros, ao abrigo de
diversos programas de cooperação, como
um dos desenvolvimentos mais auspiciosos
do relacionamento bilateral, nos últimos
anos. O Primeiro-Ministro Passos Coelho
manifestou disponibilidade para continuar a
receber doutorandos brasileiros em centros de
excelência portugueses, vontade igualmente
partilhada pela Presidenta Dilma Rousseff.
  CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO
  6. A Presidenta Dilma Rousseff e o
Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho
analisaram a colaboração entre os dois países
em matéria de ciência, tecnologia e inovação e
reconheceram o grande dinamismo da agenda
bilateral em áreas técnicas de interesse mútuo.
  7. Destacaram, nesse sentido, a recente
assinatura do Memorando de Entendimento
para a Cooperação no âmbito do Laboratório
Ibérico Internacional de Nanotecnologia
(INL), entre o Ministério da Educação do
Brasil, o Ministério da Educação e Ciência
de Portugal e o Secretariado de Estado da
Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação de
Espanha.
  8. Também nesse contexto, os dois
mandatários manifestaram satisfação com a
assinatura de Memorando de Entendimento
para a Cooperação em Biotecnologia entre
o Ministério da Educação e Ciência (MEC)
de Portugal, e o Ministério da Ciência,
Tecnologia e Inovação (MCTI) do Brasil.
Manifestaram, nesse particular, especial apoio
às possibilidades de instalação de empresas de
capital e tecnologia brasileiros no Biocant Park,
bem como à criação conjunta de programas
de formação avançada em biotecnologia, em
cooperação com as Universidades de Coimbra
e de Aveiro.
  9. Valorizaram o Projeto de Cooperação
em matéria de Investigação/Pesquisa e
Desenvolvimento (I&D/P&D) que envolve
a ANA-Aeroportos de Portugal e diversas




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	315




Universidades	portuguesas	e	brasileiras,
e as possibilidades existentes de criação
de sinergias, nomeadamente por via da
candidatura conjunta a projetos de I&D nos
dois países e a nível europeu, em particular no
domínio dos aeroportos.
  10.	Constataram,	com	satisfação,	a
realização, no âmbito do Ano de Portugal
no Brasil e do Ano do Brasil em Portugal,
de eventos bilaterais nas áreas de inovação,
energia, biotecnologia e nanotecnologia.
  11. Atentos às dinâmicas decorrentes
do recente aprofundamento das relações
bilaterais nas áreas de ciência, tecnologia
e inovação, após 13 anos de vigência
do Tratado de Amizade, Cooperação e
Consulta (TACC) e de 27 anos do Acordo de
Cooperação Científica e Tecnológica, os dois
mandatários concordaram com a criação, no
âmbito da Comissão Permanente Bilateral, de
uma subcomissão específica para tratar dos
assuntos de ciência, tecnologia e inovação, e
com a realização, com a possível brevidade,
da reunião da I Comissão Mista de cooperação
científica e tecnológica.
  TEMAS ECONÔMICOS, FINANCEIROS
E COMERCIAIS
  12. Os dois mandatários registaram a
importância do comércio bilateral, que em
2012 atingiu a cifra de  2,047 bilhões.
Assinalaram que, embora historicamente
relevantes, as trocas comerciais entre os
dois países não deixaram, no último ano,
de sofrer o impacto do menor dinamismo
da economia mundial. Sublinharam, diante
disso, a conveniência de envidar esforços para
a retomada do crescimento do intercâmbio e
dos investimentos entre as duas economias.
  13. Os dois Chefes do Governo saudaram
os investimentos realizados entre os dois
países, com destaque para a inauguração,
em 21 de setembro de 2012, de duas
fábricas	da	EMBRAER,	em	Évora. A

iniciativa representa um importante marco
no relacionamento bilateral, por se tratar de
investimento de alta tecnologia, gerador de
empregos e de expressivo efeito multiplicador
para a economia. Salientaram, igualmente,
a qualidade dos investimentos portugueses
no Brasil e coincidiram em destacar as boas
condições para a intensificação do fluxo de
investimentos de lado a lado.
  14. Reiteraram o seu compromisso com as
diligências levadas a cabo no sentido da célere
agilização do Memorando de Entendimento
entre os Ministérios da Agricultura de ambos
os países para a promoção e cooperação
técnica no domínio dos produtos frutícolas,
assinado em 10 de abril de 2013.
  15. Congratularam-se, ainda, com a
efetiva implementação do Memorando de
Entendimento para a cooperação no domínio
do azeite, assinado em 21 de junho de
2012, comprometendo-se a assegurar a sua
continuidade.
  16. Manifestaram por fim a sua satisfação
com a colaboração técnica que tem havido no
sector do vinho, considerando fundamental o
seu aprofundamento, nos termos do Protocolo
de Cooperação Técnica e de Entendimento
Operacional entre os Ministério da Agricultura
do Brasil e o Instituto da Vinha e do Vinho do
Ministério da Agricultura português, assinado
em 16 de março de 1999.
  ENERGIA
  17. Os dois governantes tomaram nota,
com satisfação, do contínuo aprofundamento
das relações bilaterais na área da Energia,
definida como um dos temas prioritários para
a cooperação durante a X Cimeira Brasil-
Portugal. Sublinharam, nesse sentido, os
grandes investimentos portugueses no Brasil
nesse sector; as atividades da Petrobras
em Portugal, e o relevante intercâmbio de
experiências e tecnologias em matéria de
energias fósseis e renováveis e de eficiência




316

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




energética.
  18.	Ressaltaram	os	expressivos
investimentos	portugueses	em	energias
renováveis no Brasil, sobretudo na geração
e distribuição de energia hidroelétrica e
eólica. Tomaram nota, nesse sentido, dos
investimentos da Energias de Portugal (EDP),
por meio da subsidiária Energias do Brasil,
em importantes hidroelétricas, como Lajeado,
Peixe-Angical (Tocantins) e Santo António do
Jari (Amapá e Pará), além de parques eólicos
em Santa Catarina e Rio Grande do Sul;
bem como dos investimentos da Martifer em
parques eólicos nos Estados do Ceará e Rio
Grande do Norte.
  19. No contexto da agenda de cooperação
bilateral na área da energia, e em vista das
possibilidades	de	intercâmbio	científico
propostas pelo recente Seminário sobre
Tecnologias em Energia, no âmbito do Ano
do Brasil em Portugal, os dois mandatários
salientaram a importância de se assinar,
com a brevidade possível, o Memorando de
Entendimento nos domínios da energia e dos
recursos geológicos entre os dois países.
  TEMAS JURÍDICOS, CONSULARES E
DE CIRCULAÇÃO DE PESSOAS
  20. Os dois governantes salientaram
a importância da atuação conjunta das
autoridades policiais e judiciárias portuguesas
e brasileiras no combate à criminalidade
organizada transnacional e instruíram os
órgãos competentes a aprofundar a cooperação
bilateral entre os dois países neste domínio.
  21.	Os	dois	Chefes	do	Governo
congratularam-se pela inauguração, em 2011,
da primeira fase de implantação do Projeto-
Piloto RAPID de controlo biométrico de
passaportes, no Aeroporto de Brasília, que
permitiu já alcançar resultados muito positivos.
Reconheceram	os	avanços	significativos
que se estão a verificar na CPLP e na União
Europeia neste domínio e confirmaram,

igualmente, a importância de dar continuidade
ao desenvolvimento dessa iniciativa, no âmbito
da cooperação entre o Serviço de Estrangeiros
e Fronteiras de Portugal e o Departamento
de Polícia Federal do Brasil, nomeadamente
no que se refere à necessidade de avançar
nos estudos técnicos de compatibilização das
tecnologias e implantação dos equipamentos
nos principais aeroportos internacionais do
Brasil, ainda antes do início dos grandes
eventos desportivos de 2013, 2014 e 2016.
  22. Os dois governantes identificaram
interesses convergentes no domínio do
emprego, que poderão beneficiar-se de
medidas facilitadoras de uma maior e melhor
mobilidade profissional e da agilização dos
processos administrativos e burocráticos para
a obtenção de vistos de trabalho.
  23. Sublinharam, ainda, a importância da
rápida ratificação do Acordo de Cooperação
Consular entre os Estados membros da CPLP,
assinado em Lisboa, em Julho de 2008,
cuja entrada em vigor se traduzirá numa
significativa melhoria das condições de apoio
consular aos cidadãos dos Estados membros
que se encontrem em situações de emergência
e socorro em países terceiros.
  PROMOÇÃO DA LÍNGUA
PORTUGUESA
  23 bis. Reafirmaram o seu compromisso
com a promoção e a difusão da língua
portuguesa como veículo de cultura,
educação, informação e produção científica.
Os dois governantes congratulam-se pela
realização em Lisboa, em outubro próximo,
da II Conferência Internacional sobre o Futuro
da Língua Portuguesa no Sistema Mundial.
Trata-se de uma ocasião que consubstancia
o reconhecimento da relevância da I
Conferência, que teve lugar em Brasília, em
2010, da qual resultou o Plano de Ação de
Brasília, e que permite dar continuidade à
reflexão sobre as políticas concertadas sobre a




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	317




língua portuguesa em toda as suas dimensões,
designadamente, como língua de inovação e
ciência.
  24. Tendo em conta que o Acordo
Ortográfico da Língua Portuguesa (AOLP)
entrará definitivamente em vigor em Portugal
e no Brasil em maio e em dezembro de 2015,
respectivamente,	ambos	os	governantes
reiteraram a importância da plena aplicação
do AOLP em todos os países-membros da
Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
(CPLP) como forma de contribuir para o
reforço da internacionalização da língua
portuguesa. Os dois mandatários acolheram,
com satisfação, os entendimentos mantidos no
âmbito da CPLP com vista à elaboração dos
Vocabulários Ortográficos Nacionais (VONs)
e a ulterior elaboração, a partir destes, de um
Vocabulário Ortográfico Comum (VOC), que
consolidará, tanto o léxico comum como as
especificidades de cada país, contribuindo
desse modo para a implementação, entre outros
instrumentos,	de	corretores	ortográficos,
tradutores electrónicos e sintetizadores de voz,
bem como das bases terminológicas, técnicas
e científicas estipuladas pelo AOLP.
  TEMAS CULTURAIS
  25. O Primeiro-Ministro Pedro Passos
Coelho e a Presidenta Dilma Rousseff
felicitaram-se pela realização do Ano do
Brasil em Portugal e do Ano de Portugal
no Brasil, encerrados no dia 10 de junho de
2013, certos de que as iniciativas estreitaram
o relacionamento bilateral e alargaram o
conhecimento mútuo na contemporaneidade
por meio do profícuo intercâmbio efetuado.
  26. Os dois governantes reconheceram
a importância da celebração do Ano para
atualizar a opinião pública brasileira e
portuguesa e regozijaram-se com o interesse
mútuo pela diversidade e dinamismo da
produção cultural contemporânea nos dois
países, bem como pela divulgação de iniciativas

inovadoras registadas em numerosos sectores
da economia e da produção científica e
tecnológica do Brasil e de Portugal.
  27. Os dois Chefes de Governo reiteraram
sua intenção de promover o fortalecimento
do programa Ibermuseus e intensificar as
ações bilaterais na área museológica, no
marco do Programa de Ação entre o Instituto
dos Museus e da Conservação português e o
Instituto Brasileiro de Museus, firmado em
2010. Ratificaram, de resto, a sua intenção
de promover o intercâmbio de informações
e experiências entre a Direção-Geral do
Património Cultural de Portugal e o Instituto
do Património Histórico e Artístico Nacional
do Brasil, especialmente no que se refere ao
desenvolvimento das atividades do Centro
Lúcio Costa.
  COMÉRCIO INTERNACIONAL
  28. A Presidenta Dilma Rousseff agradeceu
o firme empenho português em promover,
no âmbito europeu, a candidatura brasileira
à Direção-Geral da OMC. Nesse contexto,
os dois Governantes celebraram a eleição
do Embaixador Roberto Azevêdo como
uma vitória de todos aqueles que acreditam
na importância do sistema multilateral de
comércio como ferramenta vigorosa para a
promoção do desenvolvimento e a elevação do
nível de bem-estar dos povos e manifestaram
a expectativa de que a sua gestão possa fazer
avançar as negociações que hoje se encontram
em impasse.
  29. Os dois mandatários sublinharam
os interesses e valores compartilhados por
ambas as regiões num Acordo de Associação
Interregional Mercosul-União Europeia,
ressaltando o potencial do projeto para
estreitar o diálogo político, intensificar a
cooperação e dinamizar o comércio entre os
dois blocos. Reafirmaram, nesse sentido, o
seu apoio às negociações birregionais, à luz
dos compromissos assumidos na Reunião




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




Ministerial	Mercosul-União	Europeia,
realizada em Santiago, Chile, em 26 de janeiro
de 2013, com vista à conclusão de um Acordo
ambicioso, abrangente e equilibrado.
  TEMAS	INTERNACIONAIS	E
MULTILATERAIS
  30. Os dois governantes reafirmaram
a	necessidade	de	avançar	na	reforma
das Nações Unidas, em particular de seu
Conselho de Segurança, de forma a torná-lo
mais representativo, transparente, legítimo e
eficaz. Concordaram, nesse sentido, em que os
próximos anos, até 2015, serão cruciais para
consolidar avanços no processo de reforma
da arquitetura de governança global. Os dois
mandatários reiteraram a sua visão comum
de um Conselho de Segurança ampliado
nas categorias de membros permanentes e
não-permanentes. Salientaram, ademais, a
necessidade de que a reforma do Conselho
contemple também a questão dos métodos
de trabalho do órgão. Nesse contexto, a
Presidenta Dilma Rousseff expressou o seu
agradecimento ao Primeiro-Ministro Pedro
Passos Coelho pelo sólido e constante apoio de
Portugal à candidatura do Brasil a um assento
permanente no Conselho de Segurança. Os
dois mandatários sublinharam a excelência da
cooperação entre o Brasil e Portugal quando
os dois países coincidiram, em 2011, como
membros não-permanentes do órgão.
  31. Os dois mandatários congratularam-
se pelo excelente relacionamento existente
entre o Brasil e Portugal em matéria de apoio
a candidaturas a organismos internacionais,
que se reflete num longo historial de apoios
concedidos às respetivas candidaturas. Neste
contexto Portugal agradeceu, em particular, o
apoio do Brasil à candidatura portuguesa ao
Conselho de Direitos Humanos para o mandato
2015-2017 e à candidatura portuguesa ao
Comité do Património Mundial da UNESCO
para o mandato de 2013-2017.
   
32. Um ano passado sobre a realização, no
Rio de Janeiro, da Conferência Rio+20, os
Chefes de Governo congratularam-se com o
sucesso da Conferência e com o documento
final acordado e manifestaram a sua intenção
de desenvolver esforços no sentido de uma
efetiva implementação dos compromissos
assumidos, no contexto dos diversos processos
em curso.
  33. Os dois Chefes de Governo acolheram
com satisfação a formação de um Governo
inclusivo na Guiné-Bissau, que surge no
seguimento da aprovação, em maio último,
do Pacto de Transição e Acordo Político e da
Agenda Política de Transição pela Assembléia
Nacional Popular daquele país. Formularam
votos de que este Executivo se concentre na
preparação de eleições gerais livres, justas
e transparentes até ao final do período de
transição, contribuindo para a restauração
da ordem constitucional e democrática na
Guiné-Bissau e para uma solução consensual
e sustentável para a instabilidade que tem
vindo a afetar o país. Sublinharam, ainda ,a
importância da subordinação dos militares
guineenses ao poder civil, da luta contra
a impunidade e do respeito pelos Direitos
Humanos. Assinalaram por fim a intenção de
reforçar a cooperação bilateral em matéria de
combate ao narcotráfico na África Ocidental,
e na Guiné-Bissau em particular, e de explorar
as melhores vias para articular esse esforço
com as iniciativas regionais e internacionais
no mesmo domínio.
  34. Os dois mandatários condenaram de
modo inequívoco toda a violência na Síria e
apelaram a que todas as partes do conflito,
em particular o governo sírio, cessem de
imediato todas as formas de violação e abuso
de direitos humanos e do direito internacional
humanitário. O Brasil e Portugal mantêm-se
comprometidos com uma resolução política
do conflito, contribuindo, também, para




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	319




a estabilidade na região. Nesse contexto,
sublinharam a sua preocupação face à crescente
militarização do conflito, destacaram os riscos
de proliferação de armas na região, salientando
a importância do não agravamento do conflito.
Declararam firme apoio à convocação de uma
conferência internacional tendo por base a
iniciativa do Grupo de Ação de Genebra em
2012. Reiteraram, por fim, o seu apoio ao
Representante Especial Conjunto das Nações
Unidas e da Liga dos Estados Árabes para a
Síria, Lakhdar Brahimi.
  35. Os dois Chefes de Governo reiteraram
o seu compromisso com o fortalecimento da
Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
e com a consecução de seus objetivos, em
especial a concertação político-diplomática,
a cooperação em todos os domínios e a
promoção e difusão da língua portuguesa.
  36.	Os	dois	mandatários	saudaram	a
dinamização do diálogo bilateral no âmbito das
Instituições Financeiras Internacionais. Convieram
no compromisso de uma maior concertação
de posições no seio destas Instituições, em
especial, no apoio ao crescimento económico
e desenvolvimento social dos Países de Língua
Oficial Portuguesa. Concordaram finalmente
com a necessidade de continuar a implementar
as reformas de quotas e de governança do
Fundo Monetário Internacional, em benefício da
legitimidade e a capacidade de intervenção do FMI
em crises financeiras internacionais.
  37. Os dois governantes reiteraram a
importância da rápida retoma do crescimento
económico na UE e, em particular, na Zona
Euro.APresidenta Dilma Rousseff congratulou
Portugal pelo retorno aos mercados e destacou
os programas do Governo português voltados
para a promoção do emprego e do crescimento
económico.
  38. Os dois Chefes de Governo convieram
em realizar a XII Cimeira Brasil-Portugal no
Brasil, em 2014.
        
CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO
 EMBAIXADOR DO BRASIL NA RÚSSIA
                            11/06/2013
                                
  O Governo brasileiro tem a satisfação de
informar que o Governo da Federação da Rússia
concedeu agrément a Antonio José Vallim
Guerreiro como Embaixador Extraordinário
e Plenipotenciário do Brasil. De acordo com
a Constituição, essa designação ainda deverá
ser submetida à apreciação do Senado Federal.
Brasil e Rússia mantêm relações diplomáticas
desde 1828.

       CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO
           EMBAIXADOR DA FRANÇA
                            12/06/2013
                               
  O Governo brasileiro tem a satisfação
de informar que concedeu agrément ao
Senhor Denis Pietton como Embaixador
Extraordinário e Plenipotenciário da
República Francesa no Brasil. Brasil e França
mantêm relações diplomáticas desde 1825.

     COMUNICADO DA COMUNIDADE
 DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA
 (CPLP) SOBRE A FORMAÇÃO DE NOVO
         GOVERNO NA GUINÉ-BISSAU
                            12/06/2013
  A Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa (CPLP) tomou conhecimento com
satisfação da formação e tomada de posse de
um Governo inclusivo na Guiné-Bissau, no
dia 7 de Junho de 2013.
  A CPLP está certa de que a nova dinâmica
no país reflete a vontade de todas as partes de
junto trabalharem com vista à normalização
da vida no país e ao pleno respeito aos direitos
humanos, incluindo a possibilidade de




320

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




regresso dos cidadãos no exílio, contribuindo
assim para o retorno da Guiné-Bissau ao
concerto das Nações.
  A CPLP encoraja o Governo a adotar
medidas que permitam a realização de eleições
livres, justas e transparentes, ainda no decurso
de 2013, com vista à reposição da ordem
constitucional e democrática no país irmão da
Guiné-Bissau, subvertida pelo golpe de estado
militar de 12 de Abril de 2012.
  A CPLP reafirma o seu compromisso de
continuar a apoiar e trabalhar em prol da
convergência dos esforços em curso para a
estabilização da Guiné-Bissau, em particular
os desenvolvidos pela União Africana, Nações
Unidas, Comunidade Económica dos Estados
da África Ocidental e União Europeia.
  A CPLP saúda a dedicação e o trabalho
realizados pelo Representante Especial do
Secretário-Geral da ONU para a Guiné-Bissau,
o ex-Presidente José Ramos-Horta, e pelo
Representante Especial da União Africana na
Guiné-Bissau, Embaixador Ovídio Pequeno.
  Lisboa, 12 de Junho de 2013
   
         ELEIÇÃO DO PRESIDENTE DA68ª
ASSEMBLEIAGERAL DAS NAÇÕES UNIDAS
                            14/06/2013
                               
  O Ministro das Relações Exteriores,
Antonio de Aguiar Patriota, enviou hoje carta
ao Primeiro-Ministro e Ministro de Negócios
Estrangeiros de Antígua e Barbuda, Winston
Baldwin Spencer, por ocasião da eleição
do Representante Permanente de Antígua e
Barbuda junto às Nações Unidas, Embaixador
John Ashe, para o cargo de Presidente da 68ª
Assembleia Geral das Nações Unidas.
  Segue abaixo o teor da correspondência:
  (tradução do original em inglês)
   
  A Sua Excelência, Senhor Winston Baldwin

Spencer
  Primeiro-Ministro de Antígua e Barbuda
  Tenho o prazer de calorosamente
congratulá-lo e a seu Governo pela eleição, por
aclamação, de Sua Excelência, o Embaixador
John Ashe, para o cargo de Presidente da 68ª
Assembleia Geral das Nações Unidas.
  O Embaixador John Ashe seguramente
pode contar com o pleno apoio do Brasil para
o exercício de suas responsabilidades como
Presidente da Assembleia Geral.
  Estou convencido de que possui as
habilidades e experiência necessárias para
guiar, com sucesso, os Estados-Membros das
Nações Unidas por entre os desafios da 68ª
Sessão, que incluirão a implementação das
decisões tomadas na Conferência Rio+20 e
a urgente reforma do Conselho de Segurança
das Nações Unidas. Nesse sentido, tomamos
nota, com satisfação, da prioridade que o
Embaixador John Ashe atribui à conclusão das
discussões acerca da reforma do ECOSOC e
do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
  Aceite, Excelência, os protestos da minha
mais elevada consideração.
  Antonio de Aguiar Patriota
  Ministro das Relações Exteriores
   
      DECLARAÇÃO DE ULUWATU - VI
      REUNIÃO DE CHANCELERES DO
   FÓRUM DE COOPERAÇÃO AMÉRICA
 LATINA - ÁSIA DO LESTE (FOCALAL) -
       BALI, 13 A 14 DE JUNHO DE 2013
                            14/06/2013
                               
  Foi realizada ontem e hoje, 13 e 14 de
junho, em Bali, na Indonésia, a VI Reunião
de Chanceleres do Fórum de Cooperação
América Latina  Ásia do Leste (FOCALAL).
Reunindo 36 países, o FOCALAL constitui
o mais representativo mecanismo de diálogo




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	321




político e de cooperação entre as duas regiões.
  O Brasil foi representado na reunião pela
Subsecretária Política II, Embaixadora Maria
Edileuza Fontenele Reis. Foram discutidas
medidas para dinamizar e atualizar a estrutura
do Fórum. Com vistas a discutir o estado
da cooperação, realizou-se o II Diálogo
Birregional sobre Cooperação Internacional
FOCALAL com a participação de diplomatas,
acadêmicos e técnicos de alto nível das
agências de cooperação.
  A seguinte declaração foi aprovada por
ocasião do encontro (versão em português
abaixo):
  DECLARAÇÃO ULUWATU
  SEXTA	REUNIÃO	FOCALAL	de
Ministros dos Negócios Estrangeiros (FMM
VI)
  Bali, 13-14 de junho 2013
  Nós,	os	Ministros	das	Relações
Exteriores dos países membros do Fórum
de Cooperação para América Latina e Ásia
do Leste (FOCALAL), reunimo-nos em
Bali, em 13 e 14 de Junho de 2013, na VI
FMM do FOCALAL, que foi co-presidida
pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros
da República da Indonésia, Coordenador
Regional do FOCALAL pela Ásia do Leste, e
pelo Vice-ministro dos Negócios Estrangeiros
da República da Colômbia, Coordenador
Regional do FOCALAL pela América Latina.
Depois de mantermos discussões substantivas,
adotamos essa Declaração de Uluwatu.
  FOCALAL e a arquitetura global
  1. Reconhecemos que desde a criação
do FOCALAL há 12 anos, o mundo sofreu
grandes mudanças. A globalização e a
interdependência caracterizam as relações
internacionais	contemporâneas.	Embora
tenham gerado novas oportunidades, estamos
também crescentemente enfrentando desafios
globais, que afetam todos os países e seus
povos e o desenvolvimento sustentável de

toda a humanidade, a serem abordados de
forma democrática e transparente.
  2. Notamos ainda que o nosso mundo
tambémtestemunhoumudanças na política
global e regional e na situação econômica.
Novos mercados e atores estão surgindo,
muitos dos quais são países membros do
FOCALAL. Hoje, os países emergentes em
desenvolvimento desempenham um papel
importante como o motor do crescimento
econômico e desenvolvimento global, para o
qual as economias do FOCALAL contribuem
com 33,43% do PIB mundial e 29,82% do
comércio global.
  3. Enfrentar desafios novos que
estão surgindo no mundo globalizado e
interdependente de hoje requer colaboração,
cooperação e coordenação eficientes entre as
nações e outros atores. Isso é particularmente
importante se quisermos garantir uma
globalização e um desenvolvimento justos e
inclusivos. Nesse contexto, reconhecemos
os esforços feitos em nível regional para
criar novas instituições financeiras como
fonte de desenvolvimento entre os países que
participam de sua dinâmica e para lidar com
as deficiências da atual arquitetura financeira
internacional.
  4. No contexto dessa evolução da
arquitetura mundial e regional, reconhecemos
que o FOCALAL pode desempenhar um
papel importante na facilitação e no reforço
inter-regional de cooperação e colaboração
entre a Ásia do Leste e a América Latina.
Trabalharemos, portanto, para revigorar a
nossa cooperação e colaboração, reduzindo
desigualdades e disparidades dentro dos
países membros e entre eles, bem como apoiar
a obtenção de crescimento e desenvolvimento
econômicos sustentáveis, inclusivos e
equitativos, incluindo a realização dos
Objetivos de Desenvolvimento do Milênio na
América Latina e nos países asiáticos.




322

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




  Promover a conectividade de FOCALAL
  5. Compartilhamos a visão comum de
que, a fim de promover uma crescente
interconectividade	das	duas	regiões,	o
aprofundamento e ampliação da cooperação
bi-regional	existente	desempenham	um
papel crucial. Várias questões de interesse
comum devem ser identificadas para serem
exploradas. Nessas condições, reafirmamos
nosso	compromisso	de	tomar	medidas
eficazes de cooperação, a fim de superar as
necessidades e dificuldades dos Estados com
economias vulneráveis, incluindo os países
em desenvolvimento sem litoral e os pequenos
Estados insulares em desenvolvimento.
  6. A fim de assegurar um desenvolvimento
justo e sustentável, encorajamos a cooperação
e o diálogo sobre políticas macroeconômicas
e	estratégias	de	desenvolvimento	entre
os países membros do FOCALAL. Neste
sentido, saudamos os resultados do Seminário
sobre Experiências de países do FOCALAL
na Transformação do Modelo de Crescimento
com vistas ao Desenvolvimento Sustentável,
realizado em Hanói, no Vietnã, de 5 a 8 de
junho de 2013.
  7. Com esse objetivo, sublinhamos a
importância da conectividade entre as duas
regiões para a redução das disparidades. Nesse
sentido, apoiamos esforços para explorar a
cooperação em transporte aéreo por meio da
promoção de vôos diretos e compartilhamento
de códigos entre as transportadoras aéreas
das duas regiões, bem como para aprimorar
a cooperação em transporte marítimo, a fim
de facilitar uma maior circulação de pessoas
e bens, de acordo com os regulamentos e leis
internacionais. Nós também encorajamos
a conectividade institucional entre as duas
regiões, incluindo a conectividade social
por intermédio do intercâmbio acadêmico
e jornalistico, e da mobilidade no setor
empresarial.
   
8. À vista do crescimento da população
global, a segurança alimentar e nutricional
tornou-se uma questão central. Por isso,
apoiamos os esforços internacionais e
regionais para garantir o fornecimento de
alimentos nutritivos, em quantidade suficiente
e a preços acessíveis, por meio do aumento da
cooperação internacional, de investimentos, da
promoção da pesquisa e do desenvolvimento
nos campos da agricultura sustentável, pesca e
desenvolvimento rural, e esforços concertados
para reduzir o desperdício de alimentos.
Temos que almejar reduzir o raquitismo para
todas as crianças menores de cinco anos,
reconhecendo que este é um investimento no
crescimento econômico e social futuro.
  9. Acreditamos que as Micro, Pequenas
e Médias Empresas (MPMEs) são a espinha
dorsal das economias do FOCALAL e a
maior fonte de emprego doméstico em todos
os setores da economia, tanto em áreas rurais
quanto urbanas. O setor de MPMEs também
fornece oportunidades para que as mulheres
e os jovens participem do desenvolvimento
econômico do país. Nós encorajamos os setores
público e privado a desenvolver programas
para as MPMEs que contribuam para o
desenvolvimento econômico e prosperidade
de nossas regiões. Nesse sentido, apoiamos
a iniciativa do Equador de desenvolver
um centro bi-regional de desenvolvimento
das MPMEs. Também tomamos nota da
importância de explorar possíveis sinergias
com outros foros regionais relevantes, com o
objetivo de compartilhar pontos de vista sobre
formas de permitir o desenvolvimento das
MPMEs.
  10. Reafirmamos nosso compromisso
com a promoção da cooperação na área de
educação, parte essencial do crescimento
econômico e do desenvolvimento. Como
esforço para alcançar maior articulação entre
as duas regiões, apoiamos a proposta do Brasil




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	323




de criar a Rede Universitária do FOCALAL,
para identificar potenciais áreas de cooperação
em ciência e tecnologia e melhorar a troca
de informações, conhecimento e experiência
em pesquisa e desenvolvimento. Acolhemos
a iniciativa japonesa do Concurso Latino-
Americano de Robôs do FOCALAL, para
o qual universidades de países membros
do	FOCALAL	demonstraram	interesse,
como	uma	importante	iniciativa	para
promover a ciência e tecnologia, bem como
a	cooperação	acadêmica.	Nós	também
acolhemos a proposta colombiana de Rede
de Convergência Científico-Tecnológica do
FOCALAL, que visa a promover a formação
de redes birregionais conjuntas e colaborativas
entre centros e gruposde pesquisa. Vamos
também explorar colaboração com foco no
empreendedorismo	de	base	tecnológica,
incluindo transferência de conhecimento;
gestão conjunta de conhecimento, como as
iniciativas relacionadas com formação e
projetos de pesquisa; mobilidade acadêmica
e empresarial, incluindo o intercâmbio de
professores e alunos, bem como associações
empresariais nas áreas de tecnologia e de
mão-de-obra intensiva.
  11. Reconhecemos que as catástrofes
naturais agravadas pelas mudanças do clima
continuam a afetar os recursos econômicos,
físicos, sociais e ambientais dos povos da
Ásia do Leste e da América Latina. Por isso,
sublinhamos a importância da redução do
risco de desastres e reafirmamos a necessidade
de fortalecer ainda mais a cooperação inter-
regional, expandindo a rede de apoio e
cooperação técnica e o compartilhamento
de	informações	e	conhecimentos	entre
os membros do FOCALAL e instituições
internacionais e regionais na área de redução,
preparação e gestão do risco de desastres. Tal
cooperação deve estar em consonância com os
principais acordos multilaterais.
   
12. Ressaltamos a importância de apoiar
as iniciativas regionais e nacionais existentes
entre os membros do FOCALAL para criar
resiliência, bem como a necessidade de
desenvolver a colaboração entre os centros
regionais para redução do risco de desastres,
a fim de responder de forma mais eficaz a
eventuais catástrofes futuras, especialmente
em suas consquências imediatas, com o
objetivo de maximizar os esforços para salvar
vidas. Nesse sentido, um estudo de viabilidade
sobre a possibilidade de desenvolver um
sistema de alerta bi-regional precoce é
percebido como significativo. Reiteramos a
nossa solidariedade para com o processo de
reconstrução de países seriamente afetados por
desastres naturais e reafirmamos nosso forte
compromisso de compartilhar as informações
entre os países do FOCALAL em tempo
hábil para que a recuperação do comércio e
do investimento nos países afetados possa ser
devidamente acelerada.
  13. Reafirmamos nosso compromisso de
aumentar os esforços para desenvolver a
cooperação no setor do turismo, tendo em conta
que o turismo gera empregos, estimulando o
movimento mais fácil de turistas, promovendo
o ecoturismo e aumentando o envolvimento
dos jovens. Todas estas medidas serão
tomadas em linha com a ética do turismo,
que funciona como um quadro de referência
fundamental para o turismo responsável e
sustentável, tendo como objetivo maximizar
os benefícios e minimizar seus impactos
potencialmente negativos sobre o ambiente, o
patrimônio cultural e as sociedades em todo
o mundo. A este respeito, prevê-se que no
futuro o FOCALAL possa desenvolver novas
pesquisas para ampliar o conhecimento sobre
a indústria do turismo e o desenvolvimento
dos recursos no setor.
  14. Reafirmamos nosso compromisso
de fortalecer a cooperação sócio-cultural e




324

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




promover uma maior interação interpessoal por
meio do aumento da educação, do intercâmbio
esportivo, acadêmico de parlamentares e
da sociedade civil. Nós reconhecemos as
possibilidades de maior colaboração entre
centros de excelência e think tanks em ambas
as regiões.
  15. Sublinhamos a importante contribuição
do setor privado no desenvolvimento do
comércio e investimento inter-regionais e
como ator importante no estímulo a um maior
crescimento. A esse respeito, vamos facilitar
uma maior conectividade empresarial e a
formaçao de redes de negócios, bem como
promover regularmente forosempresariais.
Também	iremos	facilitar	viagens	e
deslocamento para os nossos empresários, de
acordo com as legislações nacionais.
  16. Notando a importância do papel dos
meios de comunicação como portadores de
informação em tempo real, nós compartilhamos
o objetivo de promover maior conectividade
entre as nossas instituições de mídia através
de conexões de mídia e visitas de jornalistas, a
fim de aumentar a visibilidade do FOCALAL
dentro de cada um de seus países-membros e
contribuir para sua maior presença no mundo.
  17. Reconhecemos a importância de
reforçar	a	cooperação	internacional	no
combate ao crime organizado transnacional.
A esse	respeito,	reafirmamos	o	nosso
compromisso	de	envidar	esforços	para
desenvolver uma colaboração mais estreita
na prevenção e combate ao crime organizado
transnacional, incluindo o tráfico ilícito de
entorpecentes e de substâncias psicotrópicas,
à corrupção, ao contrabando de migrantes, ao
tráfico de pessoas, especialmente mulheres
e crianças, que provocam graves impactos
sobre os direitos humanos, o Estado de
Direito, a segurança e o desenvolvimento
econômico e social. Reconhecemos ainda
a importância da criação de um ciberespaço

seguro, inclusive por meio do aprimoramento
da cooperação internacional para combater
o crime cibernético. Com esse objetivo,
compartilhamos a importância da cooperação
no campo da segurança cibernética, que pode
incluir troca de informações, intercâmbio de
melhores práticas e a promoção da capacitação.
Nós reafirmamos nosso compromisso de
cooperarmos em foros regionais e multilaterais
para reforçar a luta contra o crime organizado
transnacional e o terrorismo, no âmbito da
Convenção das Nações Unidas contra o Crime
Organizado Transacional e seus protocolos
pertinentes e dos instrumentos internacionais
relevantes sobre contra-terrorismo.
  18. Nós reconhecemos o potencial da
Cooperação Sul-Sul e da Cooperação
Triangular (SSTC) como mecanismos que
permitem o intercâmbio e promoção das
competências e capacidades institucionais
dos países de ambas às regiões, com base
na solidariedade e guiados pelos princípios
de respeito à soberania nacional e livre de
quaisquer condicionalidades, para contribuir
para seu desenvolvimento social e econômico
e fortalecer os vínculos entre os governos e
os setores acadêmico, produtivo, empresarial
e outros setores relevantes da região. Nesse
sentido, apoiamos a iniciativa da Indonésia
para a construção de centros nacionais de
conhecimento no contexto da Cooperação
Sul-Sul e Triangular, que incluem o
fortalecimento institucional, o intercâmbio de
conhecimentos, a coordenação, a cooperação
bilateral e triangular, o engajamento contínuo,
bem como monitoramento e avaliação.
  19. Reafirmamos nosso compromisso de
apoiar o desenvolvimento de estratégias no
setor de energia, que inclui o desenvolvimento
de tecnologias limpas e energias renováveis,
bem como a expansão do acesso aos serviços
de energia para as populações de áreas remotas,
através da cooperação Sul-Sul, da cooperação




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	325




triangular, do incentivo à inovação e da maior
conscientização das populações a respeito da
energia sustentável. Nesse sentido, acolhemos
o resultado da II Cúpula sobre a Água da
Ásia  Pacífico, realizada em 19 e 20 de
maio de 2013, em Chiang Mai, na Tailândia,
e o XXII Congresso Mundial de Energia, a
ser organizado pelo Conselho Mundial de
Energia, em Daegu, na Coreia do Sul, de 13 a
17 de outubro de 2013.
  FOCALAL e os desafios globais
  20. Ressaltamos que o objetivo final do
desenvolvimento sustentável é erradicar a
pobreza em todas as suas formas. Acreditamos
que a realização desse objetivo exige que
promovamos	o	crescimento	econômico
sustentado e inclusivo, com equidade. Com
distribuição	equitativa,	esse	crescimento
vai reduzir a desigualdade e atender às
necessidades do presente sem comprometer
as necessidades das geraões futuras.
  21. Nós, portanto, reafirmamos nosso
compromisso de combater a pobreza, alcançar
todos os ODMs e trabalhar para um acordo
ambicioso e exequível da Agenda para o
Desenvolvimento pós-2015, que tem como
objetivo central a erradicação da pobreza, a
promoção do desenvolvimento sustentável e o
crescimento equitativo e inclusivo.
  22. Nesse contexto, saudamos o trabalho
que tem sido realizado pelo Painel de Alto
Nível da ONU de Personalidades Eminentes
para a Agenda de Desenvolvimento pós-
2015 e o relatório que foi apresentado ao
Secretário-Geral. Além disso, esperamos que
o relatório sirva como contribuição para o
processo intergovernamental inclusivo, aberto
e transparente, que visa chegar a acordo sobre
a Agenda de Desenvolvimento pós-2015.
  23. Reconhecemos a importância do
multilateralismo no sistema de comércio
global e o compromisso de alcançar um
sistema de comércio multilateral aberto,

baseado em regras, não-discriminatório e
equitativo, que contribua para o crescimento,
o desenvolvimento sustentável e a geração de
empregos em todos os setores. Nós reiteramos,
ainda, o nosso compromisso com a conclusão
da Agenda de Doha para o Desenvolvimento
relativa à negociação comercial multilateral,
que coloca a necessidade e o interesse de todos
os países em desenvolvimento, incluindo dos
países de menor desenvolvimento relativo,
no centro do seu Programa de Trabalho, e
fazemos um chamamento à vontade política
e à flexibilidade necessárias de todas as partes
para alcançar convergências e para quebrar o
impasse na negociação.
  24. Estamos prontos para trabalhar em
estreita colaboração com outros membros
da OMC para ter uma discussão frutífera e
abrangente, em direção à conclusão da Rodada
de negociações de Doha, em conformidade
com o seu mandato, por meio de um processo
transparente e inclusivo, com o objetivo de
manter e defender a integridade do sistema
de multilateral de comércio, que beneficia a
todos. Nesse contexto, nós expressamos nosso
compromisso em garantir o êxito da Reunião
Ministerial da OMC que será realizada em
Bali, em dezembro de 2013.
  25. Reafirmamos nosso compromisso com
o aumento do investimento inter-regional e,
neste sentido, acolhemos os esforços para
desenvolver mecanismos inovadores que
promovam e facilitem os fluxos de comércio
e investimento. Com o objetivo de melhorar
os fluxos de investimento e a criação de
associações estratégicas entre empresas de
ambas as regiões, é importante priorizar os
esforços de coordenação que têm como meta
os investimentos em cada um dos países
membros. Nesse sentido, apoiamos a proposta
daArgentina para o desenvolvimento do Banco
de Dados de Oportunidades de Investimentos
do FOCALAL para permitir que os países




326

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




membros possam anunciar, de modo eficiente,
ofertas de projetos de investimento buscando
investidores inter-regionais.
  26. Reiteramos nosso compromisso com
um crescimento econômico sustentável e
inclusivo, por meio do enfrentamento dos
desafios ambientais globais, reforçando a
resiliência e melhorando as capacidades de
preparação para desastres. Uniremos nossos
esforços e lutaremos para alcançar um clima
mais estável, uma atmosfera mais limpa,
florestas e oceanos saudáveis e produtivos,
sendo esses apenas alguns dos recursos
ambientais dos quais todos nos beneficiamos.
Reafirmamos	nossa	determinação	para
enfrentar a mudança do clima e continuar
a	participar	de	forma	construtiva	nas
negociações no âmbito da Convenção-Quadro
das Nações Unidas sobre Mudança do Clima
(UNFCCC) e do Protocolo de Kyoto, em
direção a um ambicioso regime pós-2020 para
mudança do clima.
  27.	Nós	compartilhamos	a	intenção
de alcançar cobertura universal de saúde,
de acordo com as políticas e capacidades
nacionais.	Reafirmamos	a	importância
da	cooperação	estreita	para	enfrentar
pandemias e doenças transmissíveis e não
transmissíveis. Nesse sentido, vamos explorar
as possibilidades de cooperação conjunta
no enfrentamento de pandemias e doenças
transmissíveis e não transmissíveis, bem como
na troca de experiências em promoção do
acesso ao sistema de saúde pública, incluindo
pesquisas conjuntas e desenvolvimento de
medicamentos e vacinas, compartilhamento de
melhores práticas e experiências e promoção
do intercâmbio de profissionais de saúde.
  28.	Reconhecemos	as	inestimáveis
contribuições econômicas, sociais e culturais
de todos os trabalhadores migrantes e dos
membros das suas famílias. Destacamos ainda
a necessidade de identificar vários meios para

maximizar os benefícios do desenvolvimento
e enfrentar os desafios que as migrações
representam para os países de origem, trânsito
e destino.
  29. Reafirmamos nossa forte crença no
multilateralismo com as Nações Unidas em
seu núcleo e com nosso comprometimento
em apoiar os princípios da Carta das Nações
Unidas. Reafirmamos, portanto, a necessidade
de uma reforma abrangente da ONU, incluindo
o Conselho de Segurança, para torná-la mais
efetiva, democrática, responsável, eficiente e
transparente.
  De Santiago de Bali e Além
  30. Desde sua criação, o FOCALAL
evoluiu de um fórum de diálogo para um
fórum de cooperação sólido e estável que
vincula as duas regiões. Reafirmamos nossos
compromissos conforme delineados em
Santiago, em março de 2001, em particular,
o de aumentar a compreensão mútua, a
confiança e a cooperação amigável entre
os países membros. Temos continuamente
enriquecido e desenvolvido formas e meios de
compartilhar experiências e melhores práticas,
bem como explorado áreas potenciais para
a cooperação inter-setorial, entre outras em
comércio, turismo e investimento, ciência e
tecnologia, desenvolvimento sustentável, bem
como o contato interpessoal.
  31. Saudamos as recomendações do Grupo
de Reflexão do FOCALAL, que tem como
objetivo avaliar a cooperação no âmbito do
FOCALAL e fornecer visões futuras sobre
como o FOCALAL pode contribuir para
enfrentar os desafios globais, e promover uma
cooperação forte mais estreita entre os países
membros. As recomendações do Grupo de
Reflexão demonstram o forte compromisso de
ambas as regiões em fortalecer e aprofundar
a parceria birregional do FOCALAL, com
base na abertura e na cooperação. Esta
parceria deve ser perseguida com o propósito




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	327




de contribuir para o que é bom não só para
a região, mas também para o mundo. Neste
contexto, saudamos a proposta da República
da Coreia de realizar um Seminário da
Secretaria Virtual do FOCALAL em Março
de 2014 para discutir medidas de seguimento
do relatório do Grupo de Reflexão.
  32. Notamos a necessidade de fortalecer
os processos e instituições do FOCALAL, a
fim de responder adequadamente aos desafios
e oportunidades globais, bem como aprimorar
a cooperação inter-regional. Nesse sentido,
concordamos em reorganizar os Grupos de
Trabalho existentes da seguinte forma: 1)
Grupo de Trabalho sobre Cooperação Sócio-
política	e	Desenvolvimento	Sustentável,
e (2) Grupo de Trabalho sobre Comércio,
Investimento, Turismo e MPMEs, (3) Grupo
de Trabalho sobre Cultura, Juventude e
Gênero, e Esportes, (4) Grupo de Trabalho
sobre Ciência e Tecnologia, Inovação e
Educação.
  33.	Observando	a	importância	do
monitoramento constante da evolução da
cooperação, sublinhamos a necessidade de
melhorar a comunicação entre membros do
FOCALAL e, portanto, a necessidade de
ter maior interação e de explorar reuniões
intersessionais em nível de Altos Funcionários
ou Altos Funcionários adjuntos, quando
necessário; fortalecer o papel do Grupo de
Coordenação, bem como a necessidade de
utilizar plenamente o Secretariado Virtual
do FOCALAL, patrocinado pela República
da Coreia para facilitar a comunicação on-
line dentro do Foro. Como reconhecemos
que a contínua comunicação e coordenação
são fundamentais para o fortalecimento
e expansão do FOCALAL, é imperativo
melhorar	a	utilização	do	Secretariado
Virtual do Foro. No mesmo sentido, a fim
de aumentar a visibilidade, vamos incentivar
os países membros a criar sítios nacionais,

ligados ao Secretariado Virtual, de modo a
permitir que o público em geral dos países
membros do FOCALAL possa acessar dados
e informações nacionais. Ao expressar apreço
pelas contribuições feitas pelo Secretariado
Virtual ao FOCALAL, renovamos o pedido
para que aos países membros cooperem de
modo contínuo e oportuno com o Secretariado
Virtual, inclusive por meio da atualização e o
aperfeiçoamento dos bancos de dados.
  34. Para melhorar o nosso mecanismo
de diálogo e fazer avançar a nossa parceria,
acreditamos na importância de envolver as
instituições inter-setoriais. Debates regulares
e oportunos entre os Pontos Focais estão
previstos como forma e meio de alcançar uma
cooperação eficaz, bem como de monitorar o
progresso em cada um dos grupos de trabalho.
  35. Notando a importância da
pesquisa, bem como o fortalecimento das
recomendações analíticas e de políticas do
FOCALAL, sublinhamos a importância de
uma cooperação estreita com as organizações
regionais, incluindo a APEC, ABAC, o BID,
BAD, ASEAN, Aliança do Pacífico, CELAC,
Unasul, OEA e think tanks da América Latina
e Ásia do Leste.
  36.Afimdeatingirplenamenteseusobjetivos
e metas, o FOCALAL precisa transformar-se
em uma plataforma mais eficaz e eficiente
de cooperação birregional. Neste contexto,
considera-se necessário avaliar projetos
nacionais finalizados e em andamento, com
vistas a reestruturar o mecanismo de trabalho
e estabelecer um instrumento confiável
para fornecer dados sobre vários aspectos
das relações do FOCALAL. É necessário
desenvolver mecanismos para assegurar que
os projetos nacionais tenham escopo mais
amplo de participação e transformem-se em
projetos birregionais no futuro.
  37. Para alcançar todos os objetivos
acima mencionados, reafirmamos, portanto,




328

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




a importância de fortalecer a cooperação
birregional, ampliar a rede de apoio e
cooperação técnica e compartilhar informações
e expertise entre os membros do FOCALAL e
instituições internacionais e regionais. Dessa
forma, encarregamos os Altos Funcionários
do FOCALAL de coordenar a implementação
e avaliação de todos os programas e atividades
acordados nessa reunião.
  Encerramento
  38. A próxima reunião de Ministros de
Relações Exteriores será realizada em 2015,
na Costa Rica, em data a ser decidida por
consenso.
  39. Expressamos nosso agradecimento
aos Coordenadores do FOCALAL que estão
deixando seus cargos, Indonésia e Colômbia,
e damos as boas-vindas aos próximos
Coordenadores, Tailândia pela Ásia do Leste
e Costa Rica pela América Latina.

       CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO
 EMBAIXADOR DO BRASIL NO KUAITE
                           020/06/2013
                              
  O Governo brasileiro tem a satisfação
de informar que o Governo do Estado do
Kuaite concedeu agrément a Antonio Carlos
do Nascimento Pedro como Embaixador
Extraordinário e Plenipotenciário do Brasil.
De acordo com a Constituição, essa designação
ainda deverá ser submetida à apreciação
do Senado Federal. Brasil e Kuaite mantêm
relações diplomáticas desde 1968.

                ENCHENTES NA ÍNDIA
                            21/06/2013
                               
  O Brasil manifesta seu pesar pelas perdas
humanas e materiais causadas pelas enchentes
e deslizamentos que atingem a região norte da

Índia.
  O Governo brasileiro transmite suas
condolências e solidariedade aos familiares
das vítimas, ao povo e ao Governo da Índia.

DEPREDAÇÃO DO PALÁCIO ITAMARATY
                            21/06/2013
                               
  O Ministério das Relações Exteriores
deplora os atos de violência e depredação
ocorridos no Palácio Itamaraty na noite de
ontem, 20 de junho. Atos de vandalismo não
refletem o caráter predominantemente pacífico
das manifestações.
  O Ministério das Relações Exteriores
deplora os atos de violência e depredação
ocorridos no Palácio Itamaraty na noite de
ontem, 20 de junho. Atos de vandalismo não
refletem o caráter predominantemente pacífico
das manifestações.
  Ao tomar conhecimento da tentativa de
invasão da sede do Itamaraty, o Ministro
das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar
Patriota, deslocou-se imediatamente para o
local, acompanhado do Secretário-Geral das
Relações Exteriores, Embaixador Eduardo dos
Santos, e do Subsecretário-Geral do Serviço
Exterior, Embaixador Denis Fontes de Souza
Pinto. Diante das circunstâncias e com o apoio
da Polícia Militar e dos Fuzileiros Navais, foi
possível evitar o agravamento da situação.
  No início da manhã de hoje, 21 de junho, a
Polícia Federal iniciou perícia nas instalações
do Palácio, para aferir a extensão dos danos
causados. O Secretário-Geral das Relações
Exteriores reunir-se-á com outros órgãos do
Governo e do Distrito Federal, para examinar
a adoção de medidas preventivas necessárias
ao reforço da segurança do Ministério das
Relações Exteriores.
  Inaugurado em 1970, o Palácio Itamaraty
é uma das obras mais conhecidas de Oscar




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	329




Niemeyer. Sua arquitetura, seus espaços e a
transparência de sua fachada representam
a abertura com que a diplomacia brasileira
busca o entendimento pelo diálogo.
  O Ministro Patriota participará, às 17
horas de hoje, 21 de junho, de ato de abraço
simbólico ao Palácio Itamaraty, mobilizado
espontaneamente	pelos	servidores	do
Ministério.
  O Ministério das Relações Exteriores
continua a saudar as reivindicações legítimas
dos manifestantes e conclama todos a
exercerem seu direito constitucional de forma
pacífica e sem violência.

       APRESENTAÇÃO DO MINISTRO
      ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA
     EM AUDIÊNCIA NA COMISSÃO DE
    RELAÇÕES EXTERIORES E DEFESA
     NACIONAL DO SENADO FEDERAL
       BRASÍLIA, 20 DE JUNHO DE 2013
                            21/06/2013
                               
  Vários analistas apontam para suposta
paralisia do MERCOSUL. Penso que a
realidade não corresponde a essa percepção.
Os resultados do MERCOSUL são positivos,
concretos e reais. Quanto ao comércio, por
exemplo, e apesar dos efeitos negativos
globais da grave crise econômica de 2008,
o desempenho do intercâmbio intrazona
é superior ao do comércio internacional.
Enquanto as trocas globais cresceram 13% no
período (de 16 para 18 trilhões de dólares),
a corrente de comércio entre os membros do
MERCOSUL cresceu mais de 20%, passando
de40para48bilhõesdedólares.Nospoucomais
de vinte anos de existência desde a assinatura
do Tratado de Assunção, em 1991, o valor do
comércio intraMERCOSUL cresceu mais de
nove vezes, enquanto a corrente comercial do

Bloco com o resto do mundo multiplicou-se
por oito. Em ambas as dimensões, intrazona e
com terceiros, as estatísticas não sustentam as
críticas aos positivos resultados comerciais do
MERCOSUL.
  Para o Brasil, o MERCOSUL constitui
importante instrumento para a expansão
das exportações, em especial de produtos
industrializados. Em 2012, depois de quatro
anos de crise internacional, o bloco ocupou
a quarta posição como destino de nossas
mercadorias, com 9% das exportações  após
União Europeia, China e Estados Unidos.
Quando se considera a composição da pauta
de exportações, destaca-se ainda mais a
relevância do MERCOSUL: cerca de 90% das
exportações brasileiras para o bloco são de
manufaturados. Para a União Europeia, para a
China e para os Estados Unidos, os percentuais
de manufaturados são de 36%, 5% e 50%,
respectivamente. A indústria brasileira, logo,
tem no MERCOSUL o seu mais importante
mercado externo. A indústria brasileira
reconhece isso, como demonstra o recente
estudo da FIESP Agenda de Integração
Externa, tornado público nesta semana. Na
indústria e nos serviços a ela relacionados
encontram-se, em geral, os empregos mais
qualificados e bem remunerados. Nesse
setor investe-se mais em ciência, tecnologia
e inovação. Estimula-se o dinamismo dos
centros urbanos, onde vive e trabalha a maioria
da população brasileira.
  Dado igualmente relevante, mas de pouca
difusão, é o de que graças aos acordos de
liberalização comercial assinados no âmbito
da ALADI (Associação Latino-Americana
de Integração), ao amparo do Tratado de
Montevidéu de 1980, pode-se afirmar que já
existe livre-comércio entre o Brasil e quase
todos os países da América do Sul. A redução
das tarifas alfandegárias a zero já se verifica,
no caso dos países do MERCOSUL, para




330

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




praticamente todos os produtos da Argentina,
98% do Uruguai, 93% do Paraguai, e será de
91,9% com a Venezuela em 2019. Também se
constata com relação a outros vizinhos: já é de
99% com o Chile e de 91% com a Bolívia. Com
esse país, alcançará 100% em 2019; no mesmo
ano, chegará a 94% com o Equador, 99,8%
com o Peru e 83,6% com a Colômbia. Desse
modo, haverá livre-comércio com quase todos
os países da América do Sul daqui a 2019,
existindo relativo espaço a ser conquistado
no comércio com a Colômbia. Assim, no
MERCOSUL de hoje, a exemplo do que se
verifica em projetos de integração em outras
latitudes, as perturbações remanescentes nas
condições de acesso a mercados devem-se
mais à administração conjuntural do comércio
exterior do que das condições estruturais
intrínsecas ao espaço econômico-comercial
comum já estabelecido com base na primazia
do livre-comércio.
  O MERCOSUL é também exemplo de
sucesso para além do terreno comercial,
tanto na área econômica propriamente dita
quanto no que diz respeito a iniciativas e
interesses das sociedades dos países membros
em seu conjunto. Na economia, crescem os
investimentos produtivos entre os países
membros e com os países associados. A
mídia repercute, frequentemente, iniciativas
empresariais nos mais variados setores de
atividade: produção de insumos industriais;
construção civil; manufatura de máquinas
e equipamentos; bens intermediários e de
consumo; distribuição e logística; comércio
atacadista e varejista. A amplitude e a
diversificação crescente dessas iniciativas
empresariais	atestam	maior	valor	que
a perspectiva do mercado ampliado do
bloco traz para as decisões de expansão, de
modernização, inclusive de integração das
unidades produtivas nos membros e também
nos países vizinhos, a exemplo do Chile e do

Peru.
  No que se refere à questão essencial da
redução e superação de assimetrias entre
os países membros, o MERCOSUL dispõe
do Fundo para Convergência Estrutural
(FOCEM). Trata-se do único mecanismo
regional de financiamento da América Latina
com recursos transferidos a fundo perdido,
sem pagamento de juros ou reembolso do
principal. Os projetos a serem aprovados
pelo Fundo têm de promover a convergência
estrutural, a competitividade, a coesão
social, em particular das economias menores
e regiões menos desenvolvidas, e apoiar o
funcionamento da estrutura institucional e o
fortalecimento do processo de integração. A
vocação solidária do FOCEM evidencia-se ao
serem comparadas as proporções dos aportes
previstos e os benefícios recebidos em termos
de distribuição de recursos. Dos 100 milhões
de dólares que alimentam a cada ano o total
do Fundo, 70%cabem ao Brasil; à Argentina,
27%; ao Uruguai, 2%; e ao Paraguai, 1%.
A distribuição dos financiamentos, por sua
vez, se faz no sentido inverso: o Paraguai
recebe 48%; o Uruguai, 32%; a Argentina,
10%; e o Brasil, 10%. Esses percentuais são
revistos regularmente e serão revistos com
o ingresso da Venezuela no MERCOSUL.
Desde que começou a funcionar em 2007,
foram aprovados 43 projetos do FOCEM, em
um total de 1,38 bilhão de dólares; 17 projetos
localizam-se no Paraguai, totalizando 624
milhões de dólares, e compreendem obras para
distribuição de energia elétrica, saneamento
urbano, rodovias, habitações para famílias de
baixa renda, entre outros.
  O MERCOSUL destaca-se, ainda, em
outra vertente tão ou mais relevante: o da
participação da sociedade civil no avanço do
processo de integração, em sua dimensão social
e cidadã. Desde 2006 ocorrem as Cúpulas
Sociais, em paralelo às reuniões de Cúpula




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	331




Presidenciais, a cada semestre. A 14ª Cúpula
Social, realizada em Brasília, em dezembro
passado, teve como temas principais a livre
circulação de pessoas e o reconhecimento de
diplomas escolares (inclusive universitários),
objetivos que constam do Plano de Ação do
Estatuto da Cidadania do MERCOSUL.
  No campo da livre circulação de pessoas,
estão vigentes, no MERCOSUL, os Acordos
de Residência, o Acordo de Seguridade
Social e o Estatuto da Cidadania. Os
Acordos sobre Residência se aplicam aos
cidadãos dos países membros, mas também
a alguns dos países associados, como Chile
e Peru. No caso do Equador, falta apenas o
final do processo de aprovação legislativa.
São acordos que permitem aos nacionais
brasileiros, argentinos, paraguaios, uruguaios,
chilenos, peruanos, e em breve, equatorianos,
estabelecer residência em qualquer dos países
signatários e neles gozar de direitos civis,
de deveres e responsabilidades trabalhistas e
previdenciárias, entre outros.
  O Acordo de Seguridade Social, firmado
em 2005, permite que os trabalhadores dos
países signatários incluam, no cálculo de suas
aposentadorias concedidas em um país, o
tempo em que trabalham em outro. Ao entrar
com pedido de aposentadoria em Montevidéu,
por exemplo, um profissional uruguaio que
tenha trabalhado também no Brasil pode
requerer a contagem do tempo de contribuição
que terá feito para o sistema de previdência
social brasileiro. O Acordo também permite
a concessão de outros auxílios, inclusive
aposentadoria por invalidez.
  O Plano de Ação do Estatuto da Cidadania
prevê a implementação e o aprofundamento,
até 2021, de iniciativas de impacto positivo
e direto na vida cotidiana das pessoas e das
famílias, entre as quais: livre circulação de
pessoas dentro do MERCOSUL; igualdade de
direitos e liberdades civis, sociais, culturais

e econômicas para os nacionais dos países
membros; e igualdade de condições para o
acesso a trabalho, saúde e educação.
  Todos esses avanços reais e concretos
na construção de um projeto de integração
profundo e multifuncional  inspirado,
também, em considerações de natureza política,
estratégica e de longo prazo, no comércio,
na economia, na cidadania, no conjunto dos
principais interesses das sociedades  têm não
só despertado atração no âmbito dos Estados
associados ao MERCOSUL, mas também têm
suscitado a aproximação dos demais países
da América do Sul, seja pela adesão formal
(caso da Venezuela, que aderiu em julho de
2012, e da Bolívia, que assinou Protocolo
de Adesão em dezembro de 2012), seja pela
manifestação de interesse (o Presidente Rafael
Correa, depois de sua reeleição, manifestou
que o Equador também tem interesse em
participar do MERCOSUL como membro
pleno, em um processo que deverá ter início
neste ano). Com os demais países da América
do Sul participando da rede de acordos de
livre-comércio antes mencionada, Guiana e
Suriname também formalizaram o interesse
em tornarem-se Estados Associados do
MERCOSUL.
  Com o ingresso da Venezuela, o
MERCOSUL passou a integrar área que se
estende da Terra do Fogo ao Caribe. Representa
mais de 80% do PIB regional a valores de
2012  3,3 trilhões de dólares, sobre 4 trilhões
de dólares para toda a América do Sul , 72%
do território, 70% da população, 58% dos
ingressos de investimento estrangeiro direto e
65% do comércio exterior.
  É muito difícil corroborar, portanto,
diante dos fatos e dados aqui mencionados,
a percepção (que por vezes surge na mídia
ou em fontes de pensamento e análise
sobre os cenários regional e internacional)
de que o MERCOSUL seria projeto de




332

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




integração antiquado ou desvantajoso
para o desenvolvimento de seus países
membros. Nem o argumento da falta de livre-
comércio resiste, como atestam os índices
aqui mencionados de abertura de mercado
intrazona e na América do Sul.
  Outro	argumento	frequentemente
apresentado é de que o bloco ainda não
conseguiu concluir acordos de livre-comércio
com grandes economias industrializadas e
que já negocia com a União Européia há
quase quinze anos, sem êxito. Em verdade, se
o MERCOSUL tivesse concordado com toda
a linha de demandas negociadoras da União
Européia, já teríamos chegado a um acordo.
Da mesma forma, se a União Européia
tivesse, em contrapartida, concordado com
todas as nossas ambições, também teríamos
conseguido chegar a acordo equilibrado,
amplo e mutuamente vantajoso. Até agora,
não foi possível chegar a tal ponto. Vale
lembrar, não obstante, que no contexto da
reunião da Parceria Estratégica Brasil  União
Européia, realizada em janeiro deste ano, aqui
em Brasília, conversou-se sobre a retomada
das	negociações.	Subsequentemente,	à
margem da Cúpula da Comunidade de
Estados Latino Americanos e Caribenhos,
realizada em Santiago, também em janeiro
deste ano, ocorreu encontro de negociadores
de MERCOSUL e União Européia, que
estabeleceram o fim de 2013 como prazo
para a circulação de ofertas melhoradas 
requisito fundamental para a conclusão do
processo negociador. Vejo que o processo está
ingressando em fase efetivamente conclusiva,
na medida em que também o setor privado
brasileiro tem demonstrado grande interesse
na sua conclusão, após consulta pública
realizada ao final de 2012. Com base nessa
manifestação, existe em curso processo de
preparação da nossa oferta melhorada, que
deverá estar pronta até setembro ou outubro

deste ano.
  Sem fazer qualquer interpretação ideológica
ou de outra natureza e apenas baseando-se
em fatos, pode-se afirmar que a conclusão
de acordos de livre-comércio não implica
necessariamente incremento das exportações
dos países signatários. Tal constatação pode
ser verificada nas estatísticas fornecidas pela
CEPAL. Exemplo interessante é o do acordo de
livre-comércio assinado entre Chile e Estados
Unidos. Apesar do acordo, as exportações
chilenas para o mercado norte-americano, nos
últimos cinco anos, cresceram menos do que
as vendas do MERCOSUL para os Estados
Unidos, com quem o bloco não tem acordo de
livre-comércio. O que aconteceu, na verdade,
foi significativo aumento das exportações
norte-americanas para o Chile. A conclusão
a que se chega, então, é que um acordo
de livre-comércio pode ser mutuamente
benéfico quando equilibrado. Dependendo
da circunstância, ele também pode acentuar
desequilíbrios, sobretudo no curto prazo. Tais
desequilíbrios poderão eventualmente até ser
mitigados no mais longo prazo.
  É inegável que o MERCOSUL constitui
a mais bem sucedida iniciativa de integração
profunda e abrangente já empreendida na
América do Sul. Nos seus mais de vinte anos
de avanços, desde o Tratado de Assunção,
conseguiu incorporar à expansão sustentada
do comércio intra e extrazona as dimensões
econômica, social e cidadã, conformando
projeto comum de prosperidade compartilhada
na região.
  A Aliança do Pacífico, integrada por Chile,
Colômbia, México e Peru  e proximamente,
de acordo com o anunciado, pela Costa Rica
, foi lançada em abril de 2011. Recordo-me
que desde minha primeira visita à Comissão
de Relações Exteriores e Defesa Nacional
do Senado Federal, em 2011, conversei
com os Senadores sobre o que na época se




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	333




chamava Arco do Pacífico, e do que aquilo
representava para os interesses brasileiros.
Seus principais compromissos e objetivos
estão escritos em Acordo-Quadro assinado
em dezembro de 2012, mas ainda não vigente,
porque não aprovado por todos os seus países-
membros. Não obstante a inexistência prática
do Acordo-Quadro, a Aliança já realizou várias
reuniões presidenciais. Entre os resultados
anunciados na última Cúpula, em Cali, no dia
23 de maio, sob a Presidência pro tempore da
Colômbia, foi destacada a decisão de reduzir
a zero, quando entrar em vigor o Acordo-
Quadro, os direitos de importação de 90%
do universo tarifário no comércio entre os
países-membros, e os 10% restantes deverão
vir a ser desgravados conforme resulte das
negociações, em curso, entre os quatro países.
  Os compromissos anunciados em Cali
no que diz respeito à eliminação de tarifas,
em verdade, representam pouco ou nada
em relação ao que já fizeram os países
da Aliança do Pacífico na qualidade de
membros da ALADI. De fato, já existem
acordos de livre-comércio entre todos os
países da Aliança do Pacífico, ao amparo do
Tratado de Montevidéu, de 1980. Conforme
os mais recentes estudos sobre comércio
preferencial (ou seja, realizado ao amparo de
reduções tarifárias) na região, elaborados pela
Secretaria-Geral da ALADI e pela CEPAL, o
grau de liberalização comercial entre os países
da Aliança superava os 90% já no ano de 2010.
O anúncio, portanto, de que se vai estabelecer
zona de comércio preferencial para 90% do
universo tarifário é um anúncio sobre algo que
já existe. A única exceção é o comércio Peru-
México, cujo índice de liberalização, apesar
de inferior, deverá aumentar em função de
acordo de livre-comércio assinado entre os
dois países em abril de 2011 (antes, portanto,
da criação da Aliança).
  Quanto ao acesso dos produtos brasileiros

aos mercados dos países-membros da Aliança
do Pacífico, os cronogramas de desgravação
dos acordos de livre-comércio firmados na
ALADI pelo MERCOSUL com o Chile, com
o Peru e com a Colômbia promoverão, até
2019, como eu comentava, a liberalização
abrangente do comércio regional. Vale repetir
que, segundo dados da ALADI, o grau de
liberalização do comércio bilateral com o
Brasil  medido pela proporção de itens
com 100% de preferência em benefício das
exportações brasileiras  será, no caso do
Chile, de 99,9%; com o Peru, de 99,8%; e com
a Colômbia, de 83,6%.
  Os Presidentes do Chile, da Colômbia,
do México e do Peru anunciaram em Cali
a desgravação tarifária total no comércio
de todos os produtos entre os quatro países.
Esse objetivo, na verdade, será alcançado
entre os quatro países, consoante os acordos
que já haviam sido firmados anteriormente,
na sua condição de membros da ALADI, e
não da Aliança. Mesmo assim, dependerá
da implementação de cronogramas de
desgravação para os remanescentes 10% do
universo tarifário.
  Há marcado contraste, portanto, com
a situação já existente de livre-comércio
intrazona no MERCOSUL, e de ampla
liberalização comercial no intercâmbio dos
seus países-membros com os vizinhos na
região, como acabo de apontar.
  Ainda no campo comercial, em Cali também
foi destacada a conclusão das negociações
sobre facilitação de comércio e cooperação
aduaneira. São assuntos que já ocupam, há
muitos anos, os países da própria Aliança e
os demais países da ALADI, e que também
ocupam os países do MERCOSUL. A decisão
de aprofundar ou de intensificar discussões
com vistas à harmonização de procedimentos
aduaneiros pode ser amplamente vantajosa
para o MERCOSUL e para o Brasil. Isso




334

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




facilitará o desenvolvimento do comércio
com os integrantes da Aliança do Pacífico.
  O Acordo-Quadro da Aliança tem outros
objetivos mais ambiciosos do que a mera
liberalização tarifária. Em seu artigo 3º, por
exemplo, prevê avançar progressivamente
até a livre circulação de bens, serviços,
capitais	e	pessoas.	O	mesmo	artigo
determina que os países integrantes da
Aliança deverão, por exemplo: liberalizar
o intercâmbio comercial de bens e serviços;
avançar rumo à livre circulação de capitais
e à promoção de investimentos; desenvolver
ações de facilitação de comércio; promover a
cooperação entre as autoridades migratórias e
consulares; e facilitar o movimento de pessoas
e o trânsito migratório nos seus territórios.
A	homogeneização	dos	procedimentos
comerciais e de investimentos apresenta
interesse, em si mesmo, para o MERCOSUL
e para o Brasil individualmente.
  Na Cúpula de Cali, há passos anunciados,
ainda sem resultados conclusivos  como
diretrizes	para	um	futuro	acordo	de
cooperação	entre	autoridades	sanitárias;
instâncias para facilitar o comercio de
cosméticos;	consideração	dos	avanços
nas negociações sobre serviços e capitais
(serviços profissionais; de telecomunicações;
financeiros; marítimos; ou de transporte
aéreo), para além dos dispositivos hoje
vigentes; início das atividades de projeto
para incrementar a competitividade de micro,
pequenas e médias empresas , que aguardam
discussões mais aprofundadas antes de se
transformarem em resultados concretos.
  O tema das interconexões físicas entre os
países da Aliança deverá demandar grandes
e onerosas estruturas para avançar. Há
descontinuidade geográfica entre Peru, Chile
e Colômbia e o México, o que faz esse bloco
não ter potencial de integração física, como,
por exemplo, a América do Sul. Ainda assim,

os integrantes da Aliança se comprometem,
até o próximo dia 30 de junho, a concluir
conjunto de negociações de ambição ampla,
não somente sobre a desgravação tarifária
total do universo de mercadorias em
prazos razoáveis (sem ter sido dado prazo
específico); mas também sobre regime de
origem para as mercadorias comercializadas;
medidas sanitárias e fitossanitárias; e alguns
dos outros temas que mencionei. Todos os
propósitos e tarefas anunciados em Cali têm o
potencial de contribuir para o aprofundamento
da integração entre esses países. Suas metas,
contudo, não se materializam da noite para o
dia e, possivelmente, não ocorrerão dentro do
escasso tempo previsto até esse prazo de 30
de junho.
  É pertinente, também, comparar o que foi
anunciado em Cali pela Aliança do Pacífico
em termos do estabelecimento de fundo de
cooperação entre os países-membros, que
alcançaria 1 milhão de dólares, e o FOCEM 
que, em cinco anos de operação, já financiou
43 projetos, ao custo de mais de 1 bilhão de
dólares.
  Passando-se ao tema da anunciada
concessão de bolsas de estudo para pós-
graduação, cada país da Aliança do Pacífico
está oferecendo aos demais 100 bolsas. Vale
lembrar que o Programa de Estudantes-
Convênio de Pós-Graduação brasileiro  o
PEC-PG, que oferece bolsas para nacionais
de países em desenvolvimento com os quais o
Brasil possui acordos de cooperação cultural
e educacional , ao longo dos últimos doze
anos, selecionou mais de 1.600 estudantes
estrangeiros, 75% dos quais das Américas.
Entre 2000 e 2012, foram contemplados
quase 450 estudantes da Colômbia, um dos
países que mais aproveita esse oferecimento
de bolsas de estudo no Brasil. Na edição de
2012 do PEC-PG, foram concedidas 226
bolsas, sendo que mais de 100 para estudantes




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	335




oriundos de países da Aliança do Pacífico.
  Esses exemplos, assim como as referências
anteriores sobre o MERCOSUL, ajudam a
colocar em perspectiva realista e a melhor
aquilatar o que representa, na prática, e para
além da retórica, a Aliança do Pacífico.
  Vale, igualmente, lembrar que três dos
quatro membros originais da Aliança do
Pacífico são países sul-americanos, membros
da UNASUL. O Peru exerce, nesse momento,
a Presidência pro tempore desse bloco. O
Chile, o Peru e a Colômbia, como se viu, já
mantêm acordos comerciais com os restantes
membros do MERCOSUL e vizinhos da
América do Sul que deverão entrar em vigor
plenamente até o fim desta década.
  A UNASUL é projeto especialmente
abrangente	e	ambicioso,	contemplando
objetivos e agendas de trabalho que, em vários
sentidos, vão muito além dos que pautam
qualquer outro exercício de integração em
curso na nossa região. Regida pelo Tratado
de Brasília, assinado em 2008 e em pleno
vigor desde 2011, a UNASUL conta, hoje,
com doze instâncias setoriais, que tratam,
dentre outros, de temas como defesa; combate
ao problema mundial das drogas e ao crime
organizado internacional; cooperação em
saúde, educação, ciência e tecnologia; direitos
humanos; acompanhamento eleitoral.
  Dimensão que se reveste de particular
significado na UNASUL é a da integração
física. AAmérica do Sul, quando olhamos para
o mapa, sobressai-se como um continente em si
mesmo. Por motivos históricos, que guardam
relação com os modelos de colonização que
prevaleceram na região durante os primeiros
séculos da nossa história moderna, ainda
é baixo o nível de integração entre nós em
matéria de transporte e de energia, o que é
incompatível com a idéia de um espaço sul-
americano de prosperidade compartilhada.
A UNASUL tem no tema da integração

física uma das suas atividades centrais  daí
a importância do Conselho de Integração e
Planejamento, o Cosiplan, criado em 2009 no
marco da organização.
  A agenda de projetos prioritários de
integração do Cosiplan, aprovada em 2011,
então sob a presidência brasileira do foro,
é a primeira compilação de projetos de
infraestrutura em que cada projeto implica,
necessariamente, a participação de dois ou
mais países da América do Sul. A agenda
inclui 544 projetos, que, somados, totalizam
130 bilhões de dólares em investimentos
na integração da infraestutura regional. A
título de exemplo, menciono alguns projetos
dos quais o Brasil participa diretamente: o
corredor ferroviário bioceânico Paranaguá-
Antofagasta, que envolve Brasil, Paraguai,
Argentina e Chile; a rodovia Boa Vista-
Georgetown, entre Brasil e Guiana; o corredor
ferroviário Montevidéu-Cacequi, que envolve
o Brasil e o Uruguai. Esses projetos impactam
diretamente na geração de comércio e de
investimentos, revelando esforço de integração
verdadeiramente amplo e profundo.
  A Constituição brasileira, em seu artigo 4°,
parágrafo único, indica que o Brasil perseguirá
a integração latino-americana como um de
seus objetivos em matéria de política externa.
Temos hoje à nossa disposição, para que todos
esses exercícios de integração sub-regional
convirjam, a Comunidade de Estados Latino
Americanos e do Caribe (CELAC), criada
em Caracas, em dezembro de 2011, e que
se reuniu, em nível de Chefes de Estado e
de Governo, este ano em Santiago no Chile,
quando a Presidência pro tempore foi passada
do Chile para Cuba.
  À guisa de conclusão, pode-se suscitar
reflexão mais abrangente sobre qual é o modelo
de integração para o qual devemos nos dirigir
no futuro, a partir dos êxitos inegáveis já
conquistados pelo MERCOSUL e por outros




336

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




exercícios sub-regionais  que não devem ser
vistos como ameaça, mas como oportunidade.
  Para o Brasil, uma iniciativa como a Aliança
do Pacífico ou qualquer outra que contribua
para a prosperidade, para o desenvolvimento
em nossa região, representa, antes de qualquer
coisa, uma oportunidade que precisa ser
devidamente entendida e aproveitada.
  Mantemos relações próximas com os países
da Aliança do Pacífico, de maneira muito
proveitosa em distintos campos, inclusive no
comércio e nos investimentos, e continuaremos
a trabalhar para aprofundar esses vínculos. À
medida que aqueles países tenham êxito em
seus objetivos, de crescimento econômico
e desenvolvimento social, isso só nos trará
vantagens.
  No plano político, não há mal entendido,
não há dificuldade de comunicação com o
grupo ou com os países individualmente. Até
mesmo quando o Brasil venceu a campanha
para Diretor-Geral da OMC, em que havia
um candidato do MERCOSUL, Embaixador
Roberto Azevêdo, que concorreu contra um
candidato mexicano  que, portanto, poderia
ser visto como um candidato da Aliança do
Pacífico , a vitória do candidato brasileiro
não causou mal-estar na relação bilateral
com o México. O melhor exemplo disso foi
o fato de o chanceler José Antonio Meade,
do México, ter realizado uma visita oficial
ao Brasil menos de duas semanas após a
divulgação do resultado dessa concorrência
para Diretor-Geral da OMC, em Genebra.
  A questão de fundo que se deve suscitar é a
seguinte: saber se convém ou não fazer a opção
por uma forma de inserção internacional e de
estruturação de modelo de desenvolvimento
econômico e social que leve à especialização
das economias nacionais em torno de alguns
poucos produtos, que tenderão a ser primários
ou de escasso valor agregado local e de
alguns poucos mercados que, em geral, estão

concentrados geograficamente, em detrimento
de uma estratégia que favoreça diversificação
produtiva e os destinos e origens de comércio,
a inclusão social mais ampla, com distribuição
de renda e em democracia. Essa é uma
questão que precisa ser debatida amplamente
na sociedade brasileira. A primeira opção,
a da especialização das economias de
concentração de mercados, parece ter duvidosa
sustentabilidade ao longo do tempo.
  Relatório recentemente divulgado pela
Cepal sobre investimentos estrangeiros diretos
na América Latina aponta no sentido de que
os investimentos estrangeiros em alguns
países da região não estão contribuindo, ao
contrário do que se pensava, para fomentar
novos setores ou estimular atividades de
maior conteúdo tecnológico, nem para gerar
empregos de melhor qualidade. De maneira
inversa, os investimentos têm reforçado
as estruturas produtivas prevalecentes em
detrimento da produção e dos empregos mais
qualificados da economia, que, em geral, se
localizam no setor industrial e nos serviços a
ele relacionados.
  Esse mesmo tipo de especialização tem sido
estimulado pelos acordos de livre-comércio
firmados pelos países da região com parceiros
do mundo desenvolvido. A edição de dezembro
de 2012 da revista CEPAL indica que, em que
pese a celebração de vários desses acordos,
a composição da pauta das exportações dos
seus signatários em nossa região  em geral,
com a expressiva participação de produtos
básicos  não sofreu mudanças significativas,
e tampouco se constatou incremento nas
exportações de maior valor agregado.
Pareceria, assim, que essa primeira opção da
especialização, da concentração em poucos
mercados, pode levar ao desmantelamento
da indústria na América do Sul. Esse modelo
não constituiria uma plataforma para sustentar
a integração regional no longo prazo. Seu




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	337




objetivo estratégico estaria mais voltado
para abrir mercados para a região para os
excedentes exportáveis, sobretudo de produtos
manufaturados provenientes da extrazona
e provenientes de economias altamente
desenvolvidas, para promover as exportações
regionais de bens primários, minerais ou não,
para seu consumo em outras partes do mundo,
essa seria a contrapartida.
  Nesse contexto, cabe atentar para a
similaridade dos pesos relativos, por um lado,
das atividades manufatureiras e, pelo outro,
do setor de bens primários na composição
atual do Produto Interno Bruto de alguns
países da região. A preferência deveria
inclinar-se, então, pela opção que favorece
uma inserção internacional e um modelo
de desenvolvimento econômico e social
que responda a uma estratégia em favor da
diversificação produtiva e do comércio com
inclusão social mais ampla, redistribuição de
renda e democracia.
  Isso não significa complacência nem falta
de rigor e empenho, inclusive político, no
tocante ao andamento, ao ritmo de avanço
e à consistência interna dos processos de
integração que adotam essa orientação. A
análise dos compromissos já assumidos
entre os países sul-americanos no campo
de liberalização comercial indica que já se
está chegando ao esgotamento da dimensão
puramente comercial da integração. Não por
falta de êxito. Pelo contrário, resta muito
pouco espaço para fazer avançar ainda mais
a área de livre-comércio regional, em grande
medida já estabelecida plenamente entre os
maiores mercados da região, com a relevante
participação de produtos manufaturados ou
semimanufaturados. Em outras palavras, o
comércio provavelmente não mais será o
vetor de sustentação do avanço da integração
sul-americana nos anos futuros.
  Manter a integração sul-americana em

movimento passará, dessa forma, a exigir,
crescentemente  em especial do Brasil, seu
principal motor, porque é a maior e a mais
diversificada unidade econômica e comercial
da região , ações e decisões para além do
comércio. Serão cada vez mais necessárias
iniciativas no plano propriamente econômico,
dos investimentos de infraestrutura ou
produtivos, dos financiamentos de médio e
longo prazos, dos sistemas de pagamento em
moeda locais, das garantias às exportações,
do aumento da produtividade, da inovação
científica e tecnológica para implementação
de políticas de integrações regionais
profundas, que visem ao fortalecimento da
dimensão regional das políticas públicas
de desenvolvimento econômico e social e
que abram caminho para que a iniciativa
privada contemple, de maneira efetiva
e crescentemente proveitosa e benéfica
para o Brasil, a dimensão regional como
espaço capaz de agregar valor aos seus
investimentos, à sua produção e às suas
vendas. O setor empresarial dos quatro países
integrantes da Aliança do Pacifico, no âmbito
de seu conselho empresarial, tem planejado
sua primeira macro-rodada de negócios,
anunciada na recente Cúpula presidencial,
em Cali. Cumpre lembrar que, por iniciativa
do Brasil, o MERCOSUL passou a organizar,
igualmente, encontros empresariais à margem
das Cúpulas. Essa prática, que foi inaugurada
em 2012, deverá continuar em 2013.
  Serão e talvez já o sejam também
indispensáveis medidas que, nos campos da
educação, do trabalho, da previdência social,
da saúde, fortaleçam e tornem duradouros os
efeitos positivos que os acordos de facilitação
de viagens e de residência entre os países
da região acarretam para vigência da livre
circulação das pessoas, para o benefício e
exercício mais amplos das suas cidadanias.
Muito já se avançou nesse terreno, em especial




338

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




para o turismo e os negócios, mas resta muito
ainda a fazer na construção de uma autêntica
cidadania regional.
  Concluindo, vale enfatizar um ponto que
parece fundamental nessa discussão: para
que a integração da região tenha futuro, é
preciso envolver as pessoas diretamente, fazer
o mesmo com o conjunto das sociedades, de
maneira a torná-las partícipes de um processo
de mudança de mentalidade, de transformação
profunda que ajude a enxergar o outro lado da
fronteira como um espaço de convivência, de
oportunidades maiores e melhores para todos.
Essa percepção crescente de comunidade, de
mais prosperidade compartilhada, de riqueza
e vigor na diversidade que caracteriza a
região, é que dará legitimidade e sustentação
perene em tempo histórico à integração. É a
chave para garantir a nossa presença e a nossa
contribuição de paz, democracia, justiça e
inclusão social e prosperidade no século XXI.

   REVISÃO DA POLÍTICA COMERCIAL
                  DO BRASIL NA OMC
                            26/06/2013
                               
  O objetivo da revisão é aumentar a
transparência e a compreensão mútua dos
Membros sobre as respectivas políticas
comerciais e contribuir para o debate do
público e dos Governos a respeito do alcance
e dos efeitos daquelas políticas.
  Encerrou-se hoje, 26 de junho, a sexta
revisão da política comercial do Brasil na
Organização Mundial do Comércio (OMC).
  A revisão da política comercial é um
exercício regular ao qual se submetem todos
os membros da OMC. A frequência com que
ocorrem as revisões depende da participação
de cada Membro no comércio mundial. No
caso do Brasil, as revisões ocorrem a cada
quatro anos.
   
O objetivo da revisão é aumentar a
transparência e a compreensão mútua dos
Membros sobre as respectivas políticas
comerciais e contribuir para o debate do
público e dos Governos a respeito do alcance
e dos efeitos daquelas políticas.
   A revisão abrange a elaboração de relatórios
pelo Secretariado da OMC e pelo Governo,
a apresentação de perguntas escritas e orais
e o debate ao longo de dois dias. O Brasil
recebeu cerca de 800 perguntas sobre os mais
variados temas: desempenho macroeconômico,
infraestrutura, defesa comercial, tributação,
licenciamento de importações. Esse número é
semelhante ao da revisão anterior, realizada em
2009. 43 delegações intervieram no debate oral.
  Nesta revisão, os Membros reconheceram o
potencial de desenvolvimento e o desempenho
econômico do Brasil, assim como suas
realizações nos últimos quatro anos. O Brasil
foi elogiado pela forma como enfrentou a
crise econômica global, em boa medida em
função de políticas macroeconômicas sólidas.
Congratularam o Brasil pelos avanços na
diversificação de seu comércio exterior.
Também foram elogiadas as melhorias nos
indicadores sociais, inclusive no alívio à
pobreza, a redução na desigualdade de renda e
no desemprego nesse período.
  Em seus comentários finais, o Presidente
da Sessão, Joakim Reiter, enumerou áreas da
políticacomercialbrasileiraemqueosmembros
vislumbram possibilidade de aperfeiçoamento,
como tarifas, outros encargos que afetem as
importações, procedimentos aduaneiros e
licenciamento de importações, mecanismos
de estímulo e programas de crédito, compras
governamentais, propriedade intelectual,
agricultura, investimentos e serviços.
  Concluding remarks by the Chairperson
   
   (Versão em português será disponibilizada
oportunamente)




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	339




   1. This sixth Trade Policy Review of
Brazil has provided an excellent opportunity
to improve our understanding of Brazil trade
and investment policies. I would like to thank
Ambassador Paulo Estivallet de Mesquita,
Director-General of the Economic Department
at the Brazilian Ministry of External Relations,
Minister-Counsellor Marcia Donner Abreu of
the Permanent Mission of Brazil to the WTO,
and the rest of the large Brazilian delegation,
for their constructive engagement throughout
this exercise. I would also like to thank
Ambassador CHOI, Permanent Representative
of the Republic of Korea to the WTO, for his
intervention as discussant. Brazils written
answers to the over 800 written questions
have been well appreciated by Members and
we look forward to Brazils replies to the
additional questions submitted today, no later
than one month after this meeting.
  2.	Overall,	as	mentioned	by	the
discussant, Members recognized Brazils
overall development potential and economic
performance, as well as its achievements
during the period under review. Brazil was
commended for having weathered the global
economic crisis well, largely due to sound
macroeconomic policies. Members also noted
that GDP growth averaged 3.6% over the
2007-2012 period, driven by strong domestic
demand	and	favourable	conditions	for
Brazilian exports. Brazil was congratulated
for the progress made in further diversification
of its trade. Members also strongly welcomed
the improvements made in social indicators,
including poverty alleviation, and reduction in
income inequality and unemployment during
the period under review. However, it was also
noted that GDP growth decelerated since mid-
2011, partly triggered by the appreciation of
the real and the global economic slowdown,
but also reflecting structural shortcomings
that affect Brazils competitiveness. These

include inadequate infrastructure, insufficient
access to credit, labour market rigidities, and
a complex tax system. Members expressed
their hope that Brazil would address these
challenges without resorting to trade
restrictive policies, in particular given the
large size of the Brazilian economy and its
impact on world trade. Members also observed
that competitiveness could be enhanced by
improving the business environment.
  3. Members welcomed Brazils active
participation in the multilateral trading
system and in the Doha Development
Agenda, including in agriculture, as a
coordinator of the G-20, and in development-
related issues. Brazil was commended for its
strong commitment to the finalisation of the
DDA, for its engagement in South-South
cooperation and for its initiatives in support
of LDCs. Brazil was also encouraged to
assume additional responsibilities in the WTO
commensurate with its prominent position
in the global economy. In this respect, some
Members invited Brazil to accede to the GPA,
to join the negotiations to expand the coverage
of the Information Technology Agreement,
and to ratify the Fifth Protocol to the GATS.
  4. It was noted that in order to address
the loss of competitiveness, especially in the
manufacturing sector, Brazil has expanded
credit programmes and adopted a number of
measures, including under thePlano Brasil
Maior. However, some of the measures taken,
such as temporarily increasing tariffs, using
preferential margins for goods and services
in government procurement, and applying
criteria to favour domestic production when
granting incentives or credits, might have
a restrictive impact on trade. In general,
Members prompted Brazil to refrain from the
use of this kind of measures and to make trade
policy implementation more transparent and
predictable.




340

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




   5. Members also noted that Brazil has
stepped up the use of contingency measures,
in particular antidumping, and urged the
Brazilian authorities to ensure accurate and
fair application of such measures, as well as
exercise restraint in the recourse to them as
they may stifle trade.
  6. The main  although admittedly non-
exhaustive  areas for possible improvement
brought up by Members during the review
include the following and let me stress here that
we have also taken due note of the comments
provided by Ambassador Paulo Estivallet de
Mesquita today, as well as Monday, which
address many of these points:
  1. Tariffs: Beyond encouraging a closing
of the substantial gap between bound and
applied rates, Members expressed concern
with respect to the tariff increase on 100 tariff
lines in October 2012 and the possibility that
a further increase on another 100 lines could
take place in 2013. Some Members enquired
about the possible effect of these increases on
Brazils prices and competitiveness as well
as on the level of imports. Brazil replied that
technical studies were conducted to analyse
the desirability of any tariff changes.
  2. Other charges affecting imports: It was
noted that the level and complexity of Brazils
tax system has a considerable impact on the
price of imported goods. Questions were raised
on Brazils plans to simplify internal taxation,
on national treatment of some tax reductions
or suspensions, and on plans to harmonize
state value-added tax rates. Brazil answered
that there are plans to simplify the taxation
system, beyond improvements already made,
but it is an effort for the long haul and that
there is no discrimination in the application of
tax reductions or suspensions.
   3. Customs and Import licensing: While
noting improvements made in customs and
trade facilitation, Members enquired about the

increased costs related to customs clearance
during the period of review. Brazil was also
requested to provide an explanation for the
wide use of non-automatic import licensing,
as well as information with respect to licensing
procedures, the agencies involved, and the
conditions attached to licensing. Brazil replied
that the list of items subject to licensing was
publicly available and that licensing was used
mostly for health, safety and environmental
reasons, or for products subject to tariff quotas
(TRQs) or trade remedy measures.
  4. Incentives schemes and credit
programmes: Members raised numerous
questions with respect to the different
incentives programmes available, in
particular the conditions attached, such as
local content and/or production process
criteria. Concerns were raised with respect
to some sector-specific schemes, such as in
automotives, telecommunications, chemicals,
and oil and gas sectors. Members also raised
questions with respect to the scope, benefits
and trade effects of different export incentive
programmes. Similarly, the conditions to
benefit from some credit and guarantee
programmes, especially those managed by the
BNDES, were the subject of a large number
of questions, including the criteria for local
content and production process conditions,
the use of non-automatic procedures in the
allocation of credits, and the determination
of interest rates. Some members enquired
about the WTO consistency of parts of
these programmes. In its replies, Brazil
stated that it does not consider that there
are any local content conditions and that
the application of its incentive programmes
is not discriminatory. With regard to credit
programmes, Brazil replied that it considers
that nothing in the WTO Agreements should
be read as prohibiting a Member to establish
conditions on production or on technology.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	341




   5.	Government	procurement:	While
improvements have been made, especially with
regard to transparency and risk management,
some Members expressed concern with the
recent introduction of domestic preferences
in the government procurement process,
and enquired about the reasons why the
requirement to use tendering procedures is
frequently waived. Brazil responded that the
introduction of preference margins does not
intend to be discriminatory or trade restrictive,
but to promote job and income generation in
the sectors selected.
  6. Intellectual property: A number of
Members posed several questions with respect
to other IPR issues, including geographical
indications, copyright protection, patents,
compulsory	licensing	and	enforcement.
Questions were asked in particular with
respect to procedures for patent applications
for	pharmaceutical	products	and	the
agencies involved. In particular, concerns
were expressed regarding prior consent
requirements by the health and sanitary
agency ANVISA. In response, Brazil noted
that ANVISAs examination focuses on the
three patentability criteria provided for in the
TRIPS Agreement.
  7.	Agriculture:	Members	noted	that
Brazils average protection for the sector was
low, however, they noted the possible trade-
distorting effect of some measures such as the
policy of guaranteed minimum prices, and
queried about the insufficient availability of
private credit to the sector. Brazil replied that
it considers its agricultural regime open, with
limited levels of protection. On rural credit,
Brazil noted that there are no barriers for its
provision by private banks, but rather a lack
of interest on their part.
  8. Investment and services: Members
remarked that the different services sectors
were relatively open to foreign investment,

providing the same legal treatment for
foreign and local capital and no restrictions
on remittances. They also commended Brazil
for the liberalization that had taken place
in some sectors. Brazil was encouraged to
reflect this in its WTO commitments and to
pursue further liberalization. Some Members
enquired about certain aspects of the new
reinsurance regulations, which seem to
restrict market access. Questions were also
raised with respect to the application of
certain charges on maritime import freight.
In the area of telecommunications, some
Members questioned the use of local content
provisions in the auction bids of radio waves.
Brazil replied that the radio spectrum is a
public resource, and its auctions take into
account economic and social development
considerations.
  7. In conclusion, Members generally
commended Brazil for its economic resilience
to the recent global economic crisis, while
recommending that it undertake further
structural reforms and maintain an open trade
and investment regime to secure sustainable
growth. Members welcomed Brazils
achievements in the social sphere, and
encouraged it to improve its competitiveness
and business environment to lock in those
achievements. In particular, Members invited
Brazil to avoid resorting to trade restricting
or distorting measures to promote domestic
production, as these measures would not
result in long-term growth and may impede
taking full advantage of Brazils participation
in the global economy.
  8. The numerous questions posed and
the participation of a large number of
delegations in this meeting reflect the
Members substantive interest in Brazils
trade and investment policies and practices.
Similarly, many Members underlined Brazils
leadership role in the WTO and encouraged it




342

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




to shape its trade policies and assume further
responsibilities in line with its position in the
global economy. In closing, I would like to
thank the Brazilian delegation, all the other
delegations, the discussant and the Secretariat
for this successful review.

 COMBATE À PIRATARIA E AOS ILÍCITOS
      MARÍTIMOS NO GOLFO DA GUINÉ
                            27/06/2013
                               
                               
  O Brasil participou, como observador, da
Cúpula de Chefes de Estado e de Governo
da Comunidade dos Estados da África
Ocidental (CEDEAO), da Comunidade dos
Estados da África Central (CEEAC) e do
Conselho do Golfo da Guiné (CGG), que
se encerrou ontem, 26 de junho, em Iaundê,
na República de Cameroun. O Governo
brasileiro foi representado pelo Embaixador
do Brasil em Iaundê, Nei Futuro Bitencourt,
e pelo Comandante de Operações Navais
da	Marinha	do	Brasil,	Almirante-de-
Esquadra Luiz Fernando Palmer. Também
participaram como países observadores a
Alemanha, a Bélgica, a China, os Estados
Unidos, a França, a Mauritânia e o Reino
Unido.
  Entre 2009 e 2012, registraram-se 197
ataques no mar contra navios mercantes no
Golfo da Guiné, região de origem de 70%
das exportações de petróleo da África. Tais
ações põem em risco a segurança do comércio
internacional e são motivo de preocupação,
notadamente em razão de possíveis vínculos
com grupos terroristas regionais africanos.
  Aprovaram-se na Cúpula de Iaundê dois
documentos que orientarão as ações de
combate a ilícitos no Golfo da Guiné nos
planos normativo e operacional, inclusive
no que toca à estruturação de órgãos e

capacidades nacionais de vigilância e de
combate aos ilícitos marítimos. Trata-se do
Código de Conduta e da Declaração Política
sobre a Segurança Marítima no Golfo da
Guiné. Acordou-se, também, Memorando de
Entendimento trilateral entre a CEDEAO,
a CEEAC, e o CGG. Decidiu-se, ainda,
estabelecer o Centro Interregional de
Coordenação na Luta contra a Pirataria no
Golfo da Guiné, com sede na capital do
Cameroun.
  Essas medidas permitirão aos países
africanos participantes da Cúpula de Iaundê
dar cumprimento às Resoluções 2018 (2011)
e 2039 (2012) do Conselho de Segurança
das Nações Unidas, o qual os encorajou
a desenvolver um plano regional para
o enfrentamento da questão dos ilícitos
ocorridos no mar.
  O Brasil tem interesse permanente na
estabilidade e segurança do Atlântico Sul. A
política de defesa brasileira para o Atlântico
Sul busca auxiliar os países africanos da
região a fortalecer seus meios nacionais, em
particular suas Marinhas e Guardas Costeiras,
para que possam exercer plenamente as
funções de patrulhamento e defesa de seus
territórios e águas jurisdicionais.
  A cooperação brasileira inclui, além da
oferta de vagas em suas escolas militares para
formação de oficiais e praças, a realização
de exercícios conjuntos militares, navais e
aéreos, inclusive com simulação de ações
antipirataria. Dois Navios-Patrulha Oceânicos
da Marinha do Brasil, o Amazonas e o Apa,
realizaram em 2012 e 2013, visitas a diversos
portos africanos, onde foram conduzidos
treinamentos antipirataria. Novas visitas, do
Navio-Patrulha Oceânico Araguari, estão
previstas para 2013. Entre outros exercícios
militares multinacionais realizados pelo Brasil
com parceiros africanos, estão o Atlasur, o
Atlantic Tidings e o IBSAMAR.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	343




   Em continuidade à cooperação prestada,
o Brasil patrocinará a participação de dois
militares de cada membro africano da
Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul
(ZOPACAS) no Seminário sobre Vigilância
Marítima que será realizado em Salvador em
outubro de 2013. O evento contribuirá para a
formação de oficiais e praças envolvidos em
atividades de vigilância marítima.
  A cooperação naval prestada pelo Brasil
a países africanos desenvolveu-se a partir
dos anos 1990, quando se iniciou o processo
 hoje concluído  de apoio da Marinha do
Brasil à criação da Marinha da Namíbia.

   TRATADO DE MARRAQUECHE PARA
        FACILITAR O ACESSO A OBRAS
  PUBLICADAS PARA PESSOAS CEGAS,
        COM DEFICIÊNCIA VISUAL OU
       OUTRAS DEFICIÊNCIAS PARA O
        ACESSO AO TEXTO IMPRESSO
                            28/06/2013
                               
  Foi assinado hoje, 28 de junho, o Tratado
de Marraqueche para Facilitar o Acesso a
Obras Publicadas para Pessoas Cegas, com
Deficiência Visual ou outras Deficiências
para o Acesso ao Texto Impresso. O tratado
foi concluído no âmbito da Conferência
da Organização Mundial da Propriedade
Intelectual (OMPI) realizada em Marraqueche,
entre os dias 17 e 28 de junho.
  O tratado visa a reparar a escassez de
publicação de obras adaptadas a pessoas
com deficiência visual, problema que lhes
impede o acesso à leitura, à educação, ao
desenvolvimento pessoal e ao trabalho em
igualdade de oportunidades. Atualmente,
menos de 1% das obras publicadas no mundo
é convertido em formatos acessíveis a esse
grupo.
   
Além de facilitar o acesso ao conhecimento
a seus beneficiários, o Tratado é considerado
marco histórico para o regime multilateral
de propriedade intelectual, por constituir o
primeiro acordo internacional sobre limitações
e exceções aos direitos de propriedade
intelectual.
  O acordo estabelece duas exceções aos
direitos autorais que permitirão a livre
produção e distribuição de obras em formato
acessível no território das Partes Contratantes
e o intercâmbio transfronteiriço desimpedido
desses formatos. Esses dispositivos facilitarão
o acesso ao conhecimento por pessoas com
deficiência visual e dificuldade de leitura de
textos impressos.
  O tratado partiu de iniciativa
copatrocinada por Brasil, Paraguai, Equador,
Argentina e México, apoiada pelo Grupo
de países da América Latina e do Caribe.
Os Estados Membros da OMPI buscaram,
ao longo de todo o processo negociador,
construir acordo que fomentasse a oferta de
livros para pessoas cegas, com deficiência
visual ou outras deficiências para o acesso
ao texto impresso, sem prejudicar a proteção
efetiva dos direitos autorais nem criar
impactos sistêmicos negativos ao regime
internacional.

       CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO
EMBAIXADOR DO BRASIL NA BOLÍVIA
                            28/06/2013
                               
  O Governo brasileiro tem a satisfação
de informar que o Governo do Estado
Plurinacional da Bolívia concedeu agrément
a Raymundo Santos Rocha Magno como
Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário
do Brasil. De acordo com a Constituição,
essa designação ainda deverá ser submetida à
apreciação do Senado Federal.




344

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




       CONCESSÃO DE AGRÉMENT AO
 EMBAIXADOR DO BRASIL NA SUÉCIA
                            28/06/2013
                               
  O Governo brasileiro tem a satisfação
de informar que o Governo do Reino da
Suécia concedeu agrément a Marcel Fortuna
Biato como Embaixador Extraordinário e
Plenipotenciário do Brasil. De acordo com a
Constituição, essa designação ainda deverá
ser submetida à apreciação do Senado Federal.










































Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	345


























































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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013










                             ARTIGOS
                                                
                                                
                           DEVER DE CANDIDATURA
(RUBENS RICUPERO, FOLHA DE S. PAULO, 18/03/2013)







  A escolha de Roberto Azevedo daria à OMC
credibilidade ética e competência imparcial
  Mais que aspiração, a candidatura do
embaixador Roberto Azevedo a diretor geral
da Organização Mundial de Comércio (OMC)
é dever incontornável. Nenhuma outra reúne
condições	comparáveis	de	credibilidade,
competência e viabilidade para encarnar o que
constitui moralmente e em termos de coerência
o problema maior da organização: como tornar
o sistema multilateral de comércio menos
desequilibrado e desfavorável à maioria dos
países em desenvolvimento?
  Várias razões concorrem para a paralisia
e desgaste atuais da OMC e de sua Rodada
Doha de negociações, que se arrastam há mais
de dez anos sem esperança de conclusão.
A crise econômica e seu destrutivo impacto
no emprego geram o sacro egoísmo do
nacionalismo	protecionista.	A	revolução
desestabilizadora provocada pela invasão
chinesa dos mercados convida a uma atitude
de esperar para ver.
  As disfunções do pesado sistema decisório
não ajudam a construir consenso.
  Antes,	porém,	que	esses	motivos
aparecessem	existia	já	um	problema
continuamente postergado desde os anos

1960: a reforma do sistema comercial no
sentido da correção dos desequilíbrios e
injustiças que afetam, em especial, os países
menos desenvolvidos.
  O conjunto dessas questões conforma o
que se denomina de agenda inacabada das
rodadas negociadoras do passado. Os dois
componentes principais da agenda são a
agricultura e a recusa de tratar os desiguais de
maneira diferenciada.
  Em cada impasse das negociações,
empurram-se esses desafios para futuro
indefinido. Em Tóquio, a prioridade invocada
foi o combate ao dumping. Na Rodada
Uruguai, sacrificou-se tudo aos temas
novos: serviços, propriedade intelectual,
investimentos.
  Desta vez, o pretexto é a necessidade de
facilitar o comércio, isto é, as importações.
Pode-se alegar que, no passado, não havia um
compromisso de resolver a agenda pendente.
Agora, contudo, essa agenda inacabada se
confunde com a própria agenda oficial da
Rodada Doha.
  Eu estava em Doha quando a rodada foi
lançada em 2001 e posso atestar o que é
amplamente conhecido: que os países menos
desenvolvidos só aceitaram negociar mediante




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	347




o compromisso explícito de que a agricultura
e os problemas do desenvolvimento seriam a
ênfase central do processo.
  Negar isso é renegar o compromisso,
confirmando que a promessa e o nome de
rodada do desenvolvimento não passavam
de estratagemas para enganar incautos.
  Enquanto isso, nem os apertos da crise
financeira	nem	a	imposição	de	cortes
(sobretudo sociais) foram capazes de levarem
os Estados Unidos, a Europa e o Japão
a reduzirem ou abandonarem os injustos
subsídios à agricultura.
  Ora, ninguém contribuiu tanto à condenação
jurídica dos subsídios americanos ao algodão
e europeus ao açúcar, marcos culminante da
afirmação do direito contra o arbítrio, como
Roberto Azevedo, então chefe do contencioso
do Itamaraty.
  Sua escolha daria à OMC a credibilidade
ética e a competência imparcial para redimir a
agenda inacabada e devolver à organização a
relevância que perdeu.




























348

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013










BRAZIL SHOULD TAKE A SHOT AT UNITED NATIONS REFORM
           (ROBERT MUGGAH, OPEN DEMOCRACY, 29/05/2013)

             
             
             
             
             
             
             
             
             

  The United States and others in NATO are
looking to Brazil to help shoulder the burden
in the world´s hot-spots, including Syria. Until
now, Brazil has refused, but is focusing too
obsessively on negotiations inside the United
Nations.
  Brazil is on the cusp of becoming a genuine
global power. The recent election of a Brazilian
diplomat, Roberto Carvalho de Azevêdo, to
lead the World Trade Organization illustrates
the shift of influence southward. The recent
decision by Brazil to cancel some $900
million worth of African debt is another sign
of Brazil´s expanding role. But with global
power status come global responsibilities.
It often requires taking sides and implies
political and military action to keep the peace.
When it comes to assuming such duties,
however, Brazil faces a dilemma.
  On the one hand, Brazil has traditionally
enjoyed close relations with the world´s
superpower, the United States. It was, after
all, the only South American country to
send troops to Europe during the Second
World War. On the other, Brazil is wary of
the interventionist impulses of America and
its allies. It is especially allergic to military
actions such as those led by NATO in Libya

in 2011.
  Today, the United States and others in
NATO are looking to Brazil to help shoulder
the burden in the world´s hot-spots, including
Syria. Until now, Brazilian authorities have
steadfastly refused such entreaties. Instead,
Brazil is intent on maintaining stability in its
own neighbourhood, which it feels extends far
into the South Atlantic.
  Brazils diplomats have almost always been
averse to intervention since short wars, they
believe, have a habit of casting long shadows.
They are determined to keep their backyard
from becoming militarized. This is hardly
surprising since Brazil has limited capacity to
project much hard power beyond its borders.
  A keen supporter of multilateralism, Brazil
feels the only legitimate body able to make
decisions to intervene militarily is the United
Nations. And it has made it plain that it feels it
deserves a seat at the high table. Brazil, along
with other rising powers, is convinced that
their membership to the Security Council will
make for a more just and representative world
order. Its proposal to promote responsibility
while protecting is an example of how it
hopes to promote more accountability within
the Council.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	349




   At the same time, Brasilia is worried that
the United Nations is rapidly losing credibility
and threatens to be the architect of its own
irrelevance. The longer that rising powers
are excluded from the Security Council as
permanent members, the weaker the body
will become. There is no sign that any of
the current five veto-wielding countries are
seriously interested in reform. The last time
they tinkered with the Council was in 1965,
resulting in a modest expansion in the number
of non-permanent members.
  Countries like Brazil, but also India, and
South Africa, are keen to transform the global
architecture. With billions of people moving
out of poverty and going online, they see the
promise of progress but also signs of instability.
But while there is general agreement about
why reform of the Security Council is
needed, there is rather less consensus over
how this change should come about, much
less who will benefit from the redistribution
of power. Instead, negotiators in the United
Nations are stalling, which suits the permanent
members just fine.
  Countries like Brazil certainly have the
credentials and experience to back their claim
to become a permanent fixture in the Security
Council. Now the most influential country in
Latin America, it boasts one of the worlds
largest economies and has been admitted to the
Security Council as a non-permanent member
no fewer than ten times since 1945. Brazil is
also a major contributor of troops to peace-
keeping operations, most recently in Haiti.
  None of this will mean anything, however,
if Brazil doesnt play its cards right. At
the moment, Brazil focuses obsessively on
negotiations inside the United Nations. Those
narrow politics are a thing of the past. Its
diplomats have to wake up to the necessity of
engaging think tanks, civil society and business
across the world in order to demonstrate that

it is a muscle-bound global power. Check
on Amazon  there are hundreds of books
published in recent years on India and China
but only a handful on the new, rising Brazil.
  Despite its obvious attractions, Brazil has
failed to capture the worlds imagination.
If it wants to make a successful bid for
Security Council reform, its foreign policy
establishment has to start engaging its own
think tanks and businesses at home, as well
as those in the United States and Europe. It is
only when the major powers feel the heat, as
United States ambassador Susan Rice recently
said, that changes are going to occur.
  The next three years will be decisive for
Brazil if it is to make a mark internationally
commensurate with its growing economic
influence. It will be hosting both the World
Cup and the Olympic Games over the next
three years. The country has a maturing
democracy and is also increasingly willing
and able to keep its distance from United
States foreign policy. But if it is to acquire
the status and recognition it feels it deserves,
its decision-makers need to get off the fence.
They must set out a transformative vision
for a new security architecture in the United
Nations and then go out and sell it.




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013










DIPLOMACIA E PROTEÇÃO DE CIVIS
     (O ESTADO DE S. PAULO, 20/2/2013)

      
      
      
      
      
      
      
      
      

  A proteção de civis desarmados em
situações de conflito é um desafio de ordem
moral e diplomática. Inocentes mortos, feridos
ou desabrigados não podem ser tratados como
meros efeitos colaterais. A questão exige
que a comunidade internacional assuma sua
responsabilidade	coletiva. A importância
crescente do tema levou a presidência de
turno sul-coreana do Conselho de Segurança
das Nações Unidas (CSNU) a realizar debate,
em nível ministerial, de que participei em 12
de fevereiro.
  Como ponto de partida devemos ter
presente que a prevenção de conflitos é
a melhor forma de garantir a proteção de
civis. Muito se fala sobre a inaceitabilidade
de situações em que governos deixam de
proteger suas próprias populações. Hoje existe
consenso internacional quanto à necessidade
de esforços coordenados para fazer frente a
tais circunstâncias.
  É necessário reconhecer, porém, que a
comunidade internacional tem sido omissa
em relação a questões fundamentais para a
proteção de populações civis, entre as quais
sobressaem as seguintes:
  A	promoção	do	desenvolvimento
sustentável,	com	ênfase	na	erradicação

da pobreza e na segurança alimentar,
contribui para promover a paz. A ausência
de oportunidades e de perspectivas é gênese
de conflitos, estimula os radicalismos e
enfraquece a crença nas instituições. É
lamentável o elevado nível das despesas
militares, enquanto não são atingidas as metas
de Assistência Oficial ao Desenvolvimento,
acordadas em Monterrey em 2002.
  Precisamos lutar para reduzir a
disponibilidade dos instrumentos de violência,
emparticularasarmasdedestruiçãoemmassa.É
imprescindível fazer avançar o desarmamento
e a não proliferação. A facilidade na obtenção
de armas convencionais, particularmente
pelo comércio ilícito, multiplica os danos
causados por conflitos. As consequências para
os civis do uso indiscriminado de novidades
tecnológicas no combate a insurgências ou ao
terrorismo, por sua vez, requerem um debate
aprofundado.
  Não podemos esquecer a responsabilidade
da comunidade internacional na paralisação do
processo de paz Israel-Palestina e o fracasso
do Quarteto em contribuir para um acordo.
Medidas unilaterais estão exacerbando tensões
na região. O CSNU deve atuar decisivamente
nessa questão. A vulnerabilidade da população




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	351




civil nos territórios ocupados representa uma
situação de alto risco, cuja periculosidade não
deve ser subestimada.
  A paralisia em questões de paz e segurança
internacional pode ser considerada o mais
preocupante exemplo da estagnação do sistema
de governança mundial. O CSNU, congelado
em configuração de poder anacrônica, é o foro
que debate e pode chegar a autorizar o uso da
força para a proteção de civis. Um CSNU mais
legítimo e representativo disporá de melhores
condições	para	implementar	medidas
preventivas e estratégias diplomáticas que
evitem a radicalização e solucionem conflitos.
  Reconhecemos que em alguns casos
a comunidade internacional não poderá
prevenir, por meios diplomáticos, conflitos
armados com violações massivas de direitos
humanos da população civil. Ainda assim,
devem-se esgotar todos os meios pacíficos
para minimizar o impacto sobre civis. O uso
da força sempre traz consigo o risco de mortes
e disseminação de violência e instabilidades.
As intervenções militares no Afeganistão e no
Iraque, por exemplo, causaram elevado número
de civis mortos (estimativas conservadoras
calculam aproximadamente 120 mil mortos
de setembro de 2001 a setembro de 2012),
além de refugiados e deslocados internos
(em torno de 1,6 milhão de pessoas somente
no Iraque). A África do Norte vive o efeito
desestabilizador de ações na Líbia. Essas
lições não podem ser ignoradas.
  Em situações excepcionais e extremas em
que o uso da força venha a ser autorizado pelo
Conselho de Segurança para proteger civis, é
necessário garantir que a intervenção militar
seja criteriosa, proporcional e estritamente
limitada aos objetivos estabelecidos pelas
Nações Unidas. Nesse contexto, devemos
velar 1) pela inserção da intervenção numa
estratégia diplomática de resolução de conflitos
- em outras palavras, a intervenção não pode

ser um fim em si mesmo; 2) pela geração
de um mínimo de violência e instabilidade,
evitando criar ainda mais danos para a
população civil; e 3) pela adoção e observância
de procedimentos claros de monitoramento e
avaliação pelo CSNU da maneira como suas
resoluções são interpretadas e aplicadas.
  Prevenção de conflitos e resolução pacífica
de disputas minimizam o sofrimento de civis.
Quando a intervenção militar é autorizada
e considerada potencialmente benéfica,
a responsabilidade de proteger deve ser
acompanhada da responsabilidade ao proteger.
Os esforços multilaterais de proteção de
civis devem estar ancorados no respeito aos
direitos humanos e no Direito Internacional
Humanitário, inclusive no contexto da luta
contra o terrorismo.
  Nota-se hoje uma crescente utilização
da frase não há solução militar para... A
presidenta Dilma Rousseff, em seu discurso
no Debate Geral da 67.a Assembleia-Geral da
ONU, declarou que não há solução militar
para a crise síria. É esta constatação que
torna tão urgente e necessária uma plataforma
diplomática para a Síria como a do Grupo de
Ação de Genebra de 2012. O presidente norte-
americano, Barack Obama, em seu discurso
de posse, em janeiro passado, afirmou que
segurança e paz duradouras não exigem
guerra perpétua.
  Passado o momento unipolar e iniciada a
formação de uma ordem multipolar, começa
a se firmar a convicção de que não há solução
militar para a grande maioria dos problemas
de paz e segurança do mundo contemporâneo.
Devemos encarar essa evolução como uma
nova abertura para o multilateralismo e um
papel mais relevante para a diplomacia.




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013










POR UM TRATADO SOBRE O COMÉRCIO DE ARMAS
                      (FOLHA DE S. PAULO, 18/03/2013)

                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          

  A	inexistência	de	mecanismos
internacionais que disciplinem o comércio
de armas convencionais é fator relevante
na intensificação de conflitos internos e da
violência em grandes cidades.
  Ao contrário do que ocorre com as
armas de destruição em massa --como
nucleares, químicas e bacteriológicas--, não
há, atualmente, acordo internacional que
discipline o comércio de armas convencionais.
  O Brasil, junto com ampla maioria dos
Estados membros das Nações Unidas, tem
trabalhado para que essa lacuna seja suprida.
Vamos contribuir para que a conferência final
das Nações Unidas para um Tratado sobre o
Comércio de Armas (ATT --do inglês, Arms
Trade Treaty), a realizar-se em Nova York,
a partir de 18 de março, produza resultados
concretos e significativos.
  Estamos envidando esforços para que,
ao final da conferência, seja adotado um
instrumento	que	estabeleça	parâmetros
internacionais comuns a ser respeitados nos
processos nacionais de autorização para a
exportação de armamentos. Não é algo trivial:
se adotado, esse instrumento representará um
importante avanço.
  A adoção do Tratado sobre o Comércio

de Armas não significa menor ênfase por
parte do Brasil no sentido de trabalhar no
contexto da ONU pela eliminação das armas
de destruição em massa, que representam
a maior ameaça à própria sobrevivência da
humanidade. A respeito dessas armas, o Brasil
defende que sejam cumpridos com sentido
de urgência os compromissos assumidos no
plano multilateral, que são essenciais para
alcançar o objetivo maior da paz.
  O significado principal do ATT está em
prever ferramentas para a prevenção e para
o combate ao tráfico de armas, que tem
contribuído para o surgimento de conflitos e
incrementado a violência armada em diversas
regiões do mundo.
  O Brasil defende que o tratado preveja
expressamente a proibição de transferência de
armas por Estados para atores não estatais.
  É também necessário que certificados
de usuário final sejam emitidos em todas
as transações, atestando que o armamento
não será reexportado sem prévia anuência do
exportador original.
  É importante entender que o ATT não
tem por objetivo restringir o comércio lícito
de armas. Trata-se de iniciativa que visa a
aumentar a responsabilidade dos Estados em




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	353




relação a essas transações, condicionando
as exportações de armas convencionais a
controles nacionais que obedeçam a padrões
mínimos --estabelecidos multilateralmente--,
sem criar restrições indevidas às transações.
  Por	restringir	o	acesso	ilegal	aos
instrumentos de violência, iniciativas como a
adoção de um Tratado sobre o Comércio de
Armas representam importantes avanços não
apenas na proteção das populações civis em
situações de conflito, mas também da agenda
de prevenção de conflitos internacionais.
Precisamos lutar por esse objetivo.
  A facilidade	na	obtenção	de	armas
convencionais pelo comércio ilícito multiplica
os danos causados por conflitos. E quem sofre
as consequências, na maioria das vezes, são
civis desarmados, particularmente grupos
vulneráveis como crianças e idosos.
  O Brasil confia em que seja possível
adotar, no âmbito das Nações Unidas, um
acordo equilibrado e não discriminatório. E
que, com isso, seja dado um passo auspicioso
em direção a uma ordem internacional mais
segura e pacífica.

























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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013






















  A adoção da Carta da ONU, em 1945,
representou um marco histórico na busca da
paz pela via da concertação multilateral. Com
o fim do conflito mundial que provocou mais
de 50 milhões de vítimas, os EUA e a URSS
emergiram como as duas maiores potências.
A Carta da ONU, negociada inicialmente
entre EUA, URSS e Reino Unido, ainda
durante a II Guerra Mundial, previa a criação
de um Conselho de Segurança (CSNU) com
5 membros permanentes, incluindo também
China e França.
  A ONU, que em sua concepção reunia 51
países, tem hoje 193 membros. O CSNU reúne,
contudo, os mesmos 5 membros permanentes.
Sua estrutura foi alterada apenas em 1965,
com o aumento de assentos não permanentes
de 6 para 10.
  Desde	1945,	o	mundo	passou	por
importantes	transformações.	Além	dos
conflitos entre Estados e da proliferação de
armas - em particular de destruição em massa
- novos desafios surgiram, como o terrorismo
e a ação de atores não estatais em conflitos
internos.	Enquanto	isso,	a	distribuição
mundial do poder econômico e da influência
política passa por acelerada reconfiguração,
com o surgimento de uma ordem multipolar.
             
HORA DE REFORMAR
               (O GLOBO, 28/4/2013)
                 
                 
                 
                 
                 
                 
                 
                 
                 
Ainda assim, o CSNU permanece congelado
e revela sérias limitações para lidar com os
problemas contemporâneos. Sua reforma é
urgente e imprescindível.
  Já existe uma maioria favorável a um novo
Conselho, com ampliação nas categorias de
membros permanentes e não permanentes. O
consenso será construído a partir da percepção
crescente de que o mundo será mais estável
e seguro com um sistema multilateral
fortalecido.
  Precisamos de um CSNU renovado, que
reflita a emergência de novos atores, em
particular no mundo em desenvolvimento,
capazes de contribuir para a superação dos
desafios da agenda internacional. No plano
econômico-financeiro, a nova multipolaridade
já resultou no processo de reforma de cotas no
FMI e no fortalecimento do G-20.
  O contraste com o campo da paz e da
segurança é evidente. Estão excluídas do
centro decisório, nessa matéria, regiões
inteiras do mundo, como a América Latina e a
África. Uma estrutura de governança que não
seja representativa gera frustração, dúvidas
e questionamentos quanto à legitimidade e,
portanto à eficácia, de seus atos.
  O maior risco que corremos é o de

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	355




esfacelamento da credibilidade do CSNU,
minando sua capacidade de lidar com as
graves ameaças à paz. Perderemos todos se as
novas crises internacionais acabarem tratadas
por coalizões de países à margem do órgão ou
sem respaldo no direito internacional.
  A reforma do CSNU não é apenas
inadiável. É, sobretudo, a forma de preservar
o sistema multilateral de paz e segurança,
uma conquista da comunidade internacional
que, apesar de suas falhas e deficiências,
salvou o mundo de um novo flagelo global.
Somente a ampliação do número de assentos
permanentes e não permanentes poderá sanar
o déficit de representatividade do CSNU e
adequá-lo à realidade do século XXI.




































356

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013










       GLOBALIZING THE SECURITY COUNCIL
(PROJECT SYNDICATE, EUA, 3 DE JUNHO DE 2013)











  BRASILIA  The 1945 United Nations
Charter represented a historic breakthrough
in the pursuit of peace on a multilateral basis.
At the end of a global war that claimed more
than 50 million lives, the United States and
the Soviet Union emerged as the worlds
two major powers. The UN Charter, initially
negotiated by the US, the Soviet Union, and
the United Kingdom during World War II,
established a Security Council containing five
permanent members, including France and the
Republic of China.
  At its inception, the UN brought together 51
countries; it now has 193 member states. But,
although the Security Council was enlarged
in 1965 by increasing the number of non-
permanent seats from six to ten, its permanent
members have not changed since 1945.
  The world has gone through extraordinary
transformations since then. In addition to
interstate conflict and the proliferation of
weapons  particularly weapons of mass
destruction  new challenges have emerged,
such as terrorism and the involvement of non-
state actors in internal conflicts. Meanwhile,
the global distribution of economic and
political power has undergone a radical
reconfiguration, setting the stage for the

emergence of a multipolar international order.
  In this environment, the Security Councils
frozen composition is imposing significant
limits on the international communitys
capacity to address global challenges.
Conflicts drag on without proper action from
the body created to resolve them. Thousands
of civilians die, are displaced, or are subjected
to appalling human-rights abuses, while the
Security Council proves unable or unwilling
to act. Reform of the Council is thus urgent
and indispensable.
  A majority of UN member states are in
favor of creating a new Council with an
expanded roster of both permanent and non-
permanent members. This majority reflects
a growing perception that the world would
be more stable and more secure with a
strengthened and updated multilateral system.
That means adding new voices to reflect the
world in which we now live. Only then will
the Security Council have the legitimacy to
act on todays manifold conflicts.
  A reformed Security Council would reflect
the emergence of new powers and their
readiness to contribute to the maintenance
of international peace and security. In the
financial and economic arena, this new




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	357




multipolarity has already led to quota reforms
at the International Monetary Fund and
resulted in the consolidation of the G-20 as
the premier venue for multilateral economic-
policy coordination.
  The contrast with matters of peace and
security is stark. Entire regions of the world,
such as Africa and Latin America, are excluded
from the nucleus of decision-making. A
governing body that is not representative fuels
uncertainty and frustration among those subject
to its decisions, undermining the legitimacy 
and thus the effectiveness  of its actions.
  The greatest risk that we run is erosion of
the Security Councils credibility, and, with
it, a diminishing capacity to confront grave
threats to peace. We all stand to lose if new
international crises end up being addressed by
coalitions of countries at the margins of the
Security Council and in a manner that flouts
international law.
  The lessons of the recent past are clear. In any
conflict, neighboring countries participation
and commitment are indispensable to the
achievement of peace. Only an expanded
Security Council can enable effective conflict
resolution worldwide.
  The	international	community	cannot
afford to postpone reform. It is our duty to
preserve the multilateral system of peace and
security  an achievement of the international
community that, despite its shortcomings, has
helped save the planet from another war on a
global scale.
  Only an increase in the number of
permanent and non-permanent seats can
remedy the representation deficit within the
Security Council and adapt it to the realities of
the twenty-first century. If new members and
regions are not offered a seat at the table, the
Council will face increasing irrelevance  and
the world, more than ever in need of effective
conflict resolution, will be far worse off.




358

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013










                              ENTREVISTAS
    PARA MUITAS QUESTÕES NÃO HÁ SOLUÇÃO MILITAR,
ENTREVISTA DO MINISTRO ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA
                                         A DEUTSCHE WELLE
                                                   (04/02/2013)

                                                            
                                                            
                                                            
                                                            

Em entrevista à DW, ministro das Relações
Exteriores defende a reforma no Conselho
de Segurança das Nações Unidas para
garantir que países emergentes tenham voz na
mediação de conflitos.

O ministro brasileiro das Relações Exteriores,
Antonio Patriota, participou no domingo
(02/03) da Conferência sobre Segurança em
Munique. Durante o encontro, a Deutsche
Welle conversou com Patriota sobre a mudança
das relações de poder no mundo, a posição
atual do Brasil e mudanças no Conselho de
Segurança das Nações Unidas.

Deutsche Welle: Por que o governo brasileiro
deseja obter uma cadeira como membro
permanente no Conselho de Segurança das
Nações Unidas? Qual é a sua posição sobre
esse assunto?

Antonio Patriota: O Brasil considera que,
em virtude das aceleradas transformações
pelas quais passa o mundo atualmente e que
se refletem numa redistribuição de poder
econômico e influência global, é necessário
atualizar os mecanismos de governança, e isso
já está acontecendo, por exemplo, no plano das

finanças e da economia, com o surgimento do
G20. Na área ambiental e do desenvolvimento
sustentável também estamos discutindo
maneiras de fortalecer a governança. Parece-
nos que é chegado o momento de abordarmos
com coragem a questão do Conselho de
Segurança, porque, caso contrário, existe
um risco de falência do sistema das Nações
Unidas na segurança coletiva.

Deutsche Welle: Quais são as contribuições
específicas do Brasil que fariam do país um
candidato a membro permanente no Conselho
de Segurança?

Antonio Patriota: Depois de um período, que
até veio a ser chamado de momento unipolar, no
qual os Estados Unidos desenvolveram certas
ações militares, como a intervenção no Iraque
em 2003, eu creio que hoje em dia  e essa
conferência de Munique reflete esse estado de
espírito , se está chegando à conclusão de que
para muitas questões internacionais não há
solução militar. É necessário dar maior ênfase
ao diálogo, à negociação e à diplomacia. E o
Brasil, nesse contexto, traz uma tradição de
capacidade de contribuir para que haja maior
confiança entre interlocutores que estão à




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	359




beira de um conflito.

Além disso, temos participado de operações
de paz da ONU na África, agora mais
recentemente no Haiti e também no Líbano
e consideramos que conhecemos o sistema
multilateral. Junto com o Japão, o Brasil é
o país que esteve sentado no Conselho de
Segurança como membro não permanente
no maior número de anos, praticamente 1/3
da existência do Conselho de Segurança.
Acreditamos que temos uma contribuição
boa a dar para que prevaleça a diplomacia no
respeito ao direito internacional.

Deutsche Welle: O senhor acredita que as
potências ocidentais estão perdendo a sua
influência global? Nesse sentindo, como
as	potências	emergentes	podem	ganhar
influência?

Antonio Patriota: Eu não creio que as
chamadas potências ocidentais vão deixar
de ter influência no futuro previsível. Os
Estados Unidos continuarão sendo uma força
econômica e militar de primeira grandeza, e a
Europa também.

Mas, ao mesmo tempo, creio que existe um
reconhecimento saudável de que Estados
Unidos e Europa sozinhos não são capazes
de determinar resultados em situações que
exigem coordenação internacional, sejam
elas na esfera econômica e financeira, sejam
elas na esfera da mudança do clima ou meio
ambiente, ou também, sejam na esfera da paz
e segurança internacionais.

Nesse sentido, é importante que outras
vozes sejam ouvidas. Eu pude comentar
aqui em Munique que me chamou a atenção
o fato de não haver nenhum debate sobre a
situação Israel-Palestina. Isso me parece um

equívoco, porque a situação do Oriente Médio
entre palestinos e israelenses está no centro
de muitos dos problemas com os quais a
comunidade internacional têm que se debater
hoje em dia. E o que nós vemos é a falência
dos esforços de mediação atuais, sejam eles
levados a cabo no chamado quarteto que reúne
Estados Unidos, Secretário Geral da ONU,
União Europeia e Federação Russa, ou seja no
fato de que o assunto não é sequer tratado pelo
Conselho de Segurança.

Assim, creio que seria bom, positivo e
saudável se outros países como o Brasil, a
Índia, a África do Sul, países que têm boas
relações tanto com Israel quanto com o mundo
árabe e a Palestina, pudessem participar de um
esforço diplomático coordenado.

Deutsche Welle: O Brasil mudou muito nos
últimos anos. Como essas mudanças internas
contribuem para mudar a imagem do país em
um contexto global?

Antonio Patriota: Nesses últimos dez
anos, o Brasil cresceu a taxas elevadas, e a
qualidade do crescimento foi interessante,
porque houve distribuição de renda e mais
de quarenta milhões de brasileiros puderam
migrar da extrema pobreza para a classe
média. Isso nos dá muita autoridade para
interagirmos, sobretudo, com outros países em
desenvolvimento que tenham interesse no tipo
de política que nós desenvolvemos de apoio
social, de desenvolvimento rural e também de
busca de maior justiça social.

Deutsche Welle: A sociedade brasileira é
considerada multicultural. Qual a importância
dessa questão para o Brasil e também para a
sua diplomacia?

Antonio Patriota: Você tem razão em




360

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013



sublinhar o aspecto multicultural da sociedade
brasileira. Ela foi constituída por três grupos
humanos: europeus, indígenas da América
do Sul e africanos que vieram para o Brasil,
sobretudo, através do fenômeno da escravidão,
que deixou uma marca, uma cicatriz na
sociedade brasileira que precisa ser superada
através de políticas especiais. Nesse ambiente,
que é um ambiente de comparativa tolerância
e convivência harmoniosa  não quero dizer
que seja uma sociedade perfeita, porque
nós identificamos que as pessoas de origem
africana, por exemplo, ainda estão menos
bem posicionadas em termos de salário e de
capacidade de influência política e econômica
, creio que temos alguma contribuição a dar
na questão do convívio entre etnias, religiões.
Também é uma sociedade muito tolerante e
que está, digamos, na vanguarda de outras
questões como a do homossexualismo.

E isso se reflete também em algumas
iniciativas diplomáticas. No ano passado,
por exemplo, eu organizei um seminário que
reuniu representantes da diáspora judaica
e da diáspora de origem árabe e palestina
num exercício de busca de convergência
e	de	aproximação,	para	promover
maior	compreensão	mútua,	com	vistas,
eventualmente, até mesmo para interagirmos
com a juventude palestina e israelense no
Oriente Médio. É uma contribuição modesta,
mas eu acho que reflete bem essa vocação
brasileira para o diálogo e para a harmonia
entre os diferentes grupos.












                                                Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	361

























































362

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013










A

África - 23, 24, 31, 32, 33, 34, 35, 37, 38, 39,
40, 45, 46, 47, 48, 55, 63, 66, 71, 72, 77, 164,
166, 170, 173, 174, 178, 184, 188, 225, 230,
231, 232, 237, 238, 243, 244, 247, 248, 250,
252, 258, 259, 261, 263, 264, 266, 291, 295,
302, 303, 319, 321, 343, 352, 355, 358, 360.

África do Sul - 72, 164, 178, 210, 242, 243,
258, 262, 267, 311, 350, 360.

Alemanha - 220, 343.

Algodão - 34, 312, 313, 348.

América do Sul - 23, 24, 29, 30, 31, 32, 34,
35, 37, 40, 45, 46, 47, 48, 57, 58, 59, 70, 72,
164, 183, 225, 226, 230, 231, 237, 238, 243,
247, 248, 250, 252, 255, 256, 271, 295, 297,
300, 301, 330, 331, 332, 333, 335, 336, 337,
361.

Angola - 21, 69, 164, 166, 178.

Argentina - 28, 29, 60, 69, 164, 206, 207,
208, 230, 240, 268, 269, 309, 326, 331, 336,
344.

Ásia - 35, 55, 63, 66, 255, 269, 321, 322, 324,
326, 328, 329.

ASPA - 45, 77, 295.

Assunção - 56, 71, 330, 333.
         
ÍNDICE REMISSIVO
         
B

Barão do Rio Branco - 27, 28, 30, 62, 65, 70.

Biocombustíveis - 140, 187, 188, 250, 253.

Bolívia - 67, 202, 246, 270, 271, 283, 289,
300, 310, 331, 332, 344.

BRICS - 66, 72, 77, 232, 233, 258, 259, 260,
261, 263, 265, 266, 267, 268, 294.

Buenos Aires - 30, 175, 178.


C

Caracas - 208, 213, 215, 217, 226, 238, 336.

CELAC - 55, 60, 66, 72, 174, 190, 191, 193,
194, 195, 197, 198, 199, 200, 201, 202, 203,
204, 205, 206, 207, 208, 209, 210, 211, 212,
213, 214, 217, 218, 219, 232, 328, 336.

Chile - 29, 85, 86, 87, 88, 89, 90, 91, 92, 93,
95, 190, 191, 192, 193, 194, 198, 203, 204,
205, 206, 207, 211, 219, 319, 331, 332, 333,
334, 335, 336.

China - 72, 176, 210, 258, 262, 264, 267, 270,
303, 304, 330, 343, 350, 355, 357.

Colômbia - 183, 198, 210, 283, 296, 300,
305, 322, 329, 331, 333, 334, 335, 336.

Cooperação Econômica - 66, 99, 232, 233.



         Coréia do Sul - 190, 326.
         
         
Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	363




CPLP - 24, 34, 47, 165, 189, 317, 318, 320,
321.

Cuba - 60, 193, 219, 240, 336.


D

Democracia - 22, 24, 25, 32, 34, 43, 44, 54,
55, 57, 59, 65, 66, 67, 71, 72, 74, 78, 164, 167,
185, 189, 201, 209, 238, 239, 241, 256, 257,
291, 292, 299, 306, 337, 338, 339, 349.

Desarmamento - 22, 25, 66, 184, 190, 225,
228, 229, 232, 238, 250, 293, 308, 351.

Desenvolvimento - 21, 22, 23, 24, 25, 30, 31,
32, 34, 35, 38, 39, 40, 45, 46, 48, 50, 54, 55,
57, 59, 60, 65, 66, 67, 71, 72, 73, 74, 77, 80,
81, 87, 89, 90, 91, 92, 93, 94, 95, 96, 97, 98,
99, 100, 104, 115, 116, 118, 119, 120, 121,
123, 125, 126, 131, 132, 133, 134, 135, 138,
140, 141, 143, 144, 145, 156, 158, 159, 164,
184, 185, 187, 188, 190, 191, 192, 193, 220,
221, 222, 223, 224, 225, 226, 228, 229, 231,
233, 234, 235, 236, 237, 238, 239, 240, 241,
242, 243, 244, 245, 246, 247, 248, 249, 250,
251, 252, 253, 255, 256, 257, 258, 259, 260,
261, 262, 263, 264, 265, 266, 267, 269, 270,
284, 290, 291, 292, 293, 294, 302, 303, 305,
307, 308, 312, 313, 315, 317, 318, 320, 322,
323, 324, 325, 326, 327, 328, 333, 335, 337,
338, 339, 344, 347, 348, 351, 355, 359, 360.

Desenvolvimento Sustentável - 21, 23, 24,
25, 46, 48, 50, 55, 57, 60, 65, 67, 73, 120, 126,
135, 141, 156, 164, 184, 185, 187, 193, 224,
225, 228, 238, 239, 243, 245, 251, 256, 259,

260, 261, 262, 265, 266, 284, 292, 303, 322,
323, 326, 327, 328, 351, 359.

Direitos Humanos - 22, 25, 41, 48, 57, 59,
62, 65, 66, 73, 74, 76, 163, 164, 184, 185, 188,
189, 190, 224, 225, 228, 229, 232, 238, 239,
240, 241, 252, 263, 283, 291, 293, 296, 298,
299, 301, 305, 306, 307, 308, 311, 312, 319,
320, 325, 336, 352.


E

Energia - 33, 37, 47, 80, 86, 120, 121, 184,
187, 188, 189, 190, 191, 211, 214, 215, 232,
234, 235, 236, 237, 247, 250, 253, 255, 264,
268, 291, 294, 303, 316, 317, 325, 326, 331,
336.

Equador - 67, 231, 246, 248, 273, 283, 284,
296, 300, 314, 323, 331, 332, 344.

Espanha - 315.

Estados Unidos - 28, 33, 60, 66, 70, 72, 73,
208, 240, 306, 311, 312, 330, 333, 343, 348,
359, 360.


F

FAO - 66, 74, 76, 137, 177, 213, 246, 291.

França - 241, 272, 289, 320, 343, 355.

Fronteiras - 28, 49, 67, 70, 80, 95, 96, 103,
184, 191, 192, 225, 234, 255, 263, 283, 292,
301, 317.





364

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




G

Genebra - 188, 220, 222, 223, 229, 244, 263,
266, 267, 293, 295, 296, 298, 299, 306, 310,
320, 337, 352.

Guiana - 67, 243, 269, 283, 284, 332, 336.

Guiné-Bissau - 24, 46, 164, 239, 240, 252,
319, 320, 321.


H

Haiti -.60, 137, 138, 210, 299, 300, 301, 350,
360.


I

IBAS - 66, 72, 77, 294.

Índia -.72, 210, 258, 262, 265, 267, 269, 329,
350, 360.

Investimentos - 23, 24, 34, 38, 47, 66, 67, 73,
98, 183, 185, 191, 192, 193, 226, 233, 245,
249, 250, 252, 254, 255, 262, 291, 303, 304,
315, 316, 317, 323, 326, 331, 335, 336, 337,
338, 339, 347.

Israel - 43, 44, 73, 188, 225, 228, 229, 230,
240, 263, 292, 293, 309, 310, 351, 360, 361.

Irã - 189, 225, 264, 269, 293, 294, 305.


J

Japão - 46, 66, 259, 303, 305, 348, 360.

Jogos Olímpicos - 96, 98, 99, 224, 236.


L

La Paz - 208, 209, 214, 271, 310.

Líbano - 305, 360.

Lima - 45, 200, 286, 295, 314.


M

Malvinas - 60, 171, 208, 240.

Mercosul - 47, 55, 66, 67, 72, 184, 190, 204,
207, 226, 230, 232, 254, 256, 269, 270, 291,
297, 318, 319, 330, 331, 332, 333, 334, 335,
336, 337, 338.

México - 198, 208, 257, 258, 272, 295, 296,
300, 301, 311, 314, 333, 334, 335, 337, 344.

Moçambique - 33, 34, 69.

Montevidéu - 21, 25, 34, 56, 164, 165, 166,
179, 270, 330, 332, 334, 336.


N

Nações Unidas - 22, 38, 41, 46, 47, 57, 58,
60, 65, 67, 68, 73, 135, 137, 138, 164, 182,
186, 187, 188, 220, 224, 225, 227, 229, 231,
232, 238, 239, 240, 241, 242, 243, 244, 246,
249, 250, 251, 253, 256, 258, 262, 263, 264,
265, 266, 267, 268, 269, 270, 283, 284, 291,
292, 294, 296, 297, 298, 305, 307, 308, 309,
310, 319, 320, 321, 325, 327, 343, 351, 352,





Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	365




353, 354, 359.

Negócios Estrangeiros - 137, 138, 160, 163,
224, 226, 227, 232, 304, 315, 321, 322.


O

OMC - 46, 74, 75, 76, 77, 186, 218, 220, 221,
222, 223, 244, 253, 262, 294, 295, 305, 318,
326, 337, 339, 347, 348.

Oriente Médio - 55, 66, 163, 184, 188, 225,
232, 240, 256, 263, 292, 360, 361.


P

Palestina - 73, 163, 188, 225, 228, 229, 240,
256, 263, 292, 351, 360, 361.

Paraguai - 72, 331, 336, 344.

Paz - 21, 22, 23, 24, 25, 29, 30, 34, 35, 40,
48, 50, 55, 60, 65, 66, 67, 71, 73, 74, 76, 163,
164, 165, 166, 179, 184, 185, 188, 190, 210,
220, 224, 225, 227, 228, 238, 239, 240, 244,
247, 250, 251, 252, 256, 257, 258, 259, 262,
263, 264, 265, 269, 270, 290, 292, 293, 294,
302, 305, 306, 339, 344, 351, 352, 353, 355,
356, 360.

Peru - 45, 198, 246, 283, 289, 296, 300, 314,
331, 332, 333, 334, 335, 336.

Propriedade Intelectual - 81, 103, 142, 159,
160, 246, 339, 344, 347.

Quito - 198, 283, 287, 314.


R

RIO+20 - 31, 35, 37, 39, 42, 60, .67, 73, 135,
174, 175, 176, 187, 192, 196, 197, 203, 214,
216, 217, 243, 266, 289, 319, 321.


S

Santiago - 60, 71, 85, 88, 90, 92, 95, 183, 190,
191, 192, 193, 194, 197, 198, 199, 205, 206,
207, 210, 211, 219, 319, 327, 333, 336.

Secretário-Geral - 27, 30, 49, 51, 53, 56, 58,
59, 60, 61, 69, 182, 227, 228, 258, 268, 269,
270, 296, 297, 298, 308, 310, 321, 326, 329.

Segurança Alimentar - 21, 22, 23, 24, 38, 46,
66, 77, 80, 123, 133, 140, 224, 225, 228, 242,
245, 246, 247, 250, 253, 259, 266, 267, 290,
323, 351.

Síria - 73, 182, 188, 210, 211, 220, 229, 240,
256, 263, 293, 296, 297, 298, 299, 305, 306,
309, 310, 319, 320, 352.

Suriname - 67, 69, 230, 270, 283, 290, 332.


T

Terrorismo - 60, 163, 211, 228, 229, 238,
239, 242, 252, 256, 264, 265, 297, 303, 325,
351, 352, 355.

Timor Leste - 69, 192, 256.

Q



366


                                     Turquia - 163, 297, 305, 313.
                                        
                                        
Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1º semestre de 2013




U

Unasul - 34, 35, 55, 58, 66, 72, 230, 232, 238,
242, 248, 297, 328, 336.

Unesco - 94, 182, 244, 319.

União Européia - 72, 79, 81, 184, 185, 186,
190, 191, 192, 193, 204, 207, 317, 318, 319,
321, 330, 333, 360.

Uruguai - 164, 207, 239, 331, 336, 347.


V

Venezuela - 31, 53, 67, 72, 166, 206, 207,
208, 226, 237, 238, 253, 254, 283, 290, 296,
297, 331, 332.
































Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 112, 1° semestre de 2013	367


















Capa e Projeto Gráfico
       Karina Barreira
      Vivian Fernandes
      
         Diagramação
       Karina Barreira
        
             Formato
           20 x 26 cm
           
             Mancha
        15,5 x 21,5 cm
        
            Tipologia
    Times New Roman
    
   Número de páginas
                 368
                 

                 
                 
                 
                 
                 
                 
                 
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