




Resenha
                  número 110, 1° semestre de 2012

                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          
                          

MINISTéRIO DAS RELAçõES EXTERIORES

                      RESENHA DE POLÍTICA EXTERIOR DO BRASIL
                      Número 110, 1° semestre de 2012 - Ano 37, ISSN 01012428
                     
                     
   © 2012 Todos os direitos reservados. A reprodução ou tradução de qualquer parte desta publicação será permitida
   com a prévia permissão do Editor.
   
   A Resenha de Política Exterior do Brasil é uma publicação semestral do Ministério das Relações Exteriores, organizada e editada
   pela Coordenação-Geral de Documentação Diplomática (CDO) do Departamento de Comunicações e Documentação (DCD).
   
   Ministro de Estado das Relações Exteriores
   Embaixador Antonio de Aguiar Patriota
   
   Secretário-Geral das Relações Exteriores
   Embaixador Ruy Nunes Pinto Nogueira
   
   Subsecretário-Geral do Serviço Exterior
   Embaixador Denis Fontes de Souza Pinto
   
   Diretor do Departamento de Comunicações e Documentação
   Ministro João Pedro Corrêa Costa
   
   Coordenação-Geral de Documentação Diplomática
   Conselheiro Pedro Frederico de Figueiredo Garcia
   Secretária Gilsandra da Luz Moscardo de Souza
   Secretário Frederico Oliveira de Araújo
   
   
   Resenha de Política Exterior do Brasil / Ministério das Relações Exteriores, Departamento de Comunicações
e Documentação : Coordenação-Geral de Documentação Diplomática.  Ano 1, n. 1 (jun. 1974)-.  Brasília :
Ministério das Relações Exteriores, 1974 -	.

        202p.
       
         ISSN 01012428
         Semestral.
        
        1.Brasil  Relações Exteriores  Periódico. I.Brasil. Ministério das Relações Exteriores.
        
                                                                 CDU 327(81)(05)
                                                                     
                                                                     
               Departamento de Comunicações e Documentação


                                                                 SUMáRIO
                                                                 
                                                                 
DISCURSOS	21

DISCURSO DA PRESIDENTA DA REPúBLICA, DILMA ROUSSEFF,
DURANTE O FóRUM SOCIAL MUNDIAL  DIáLOGOS ENTRE

SOCIEDADE CIVIL E GOVERNO
(PORTO ALEGRE, 26/01/2012)
27/01/2012

DISCURSO DA PRESIDENTA DA REPúBLICA, DILMA ROUSSEFF,
DURANTE CERIMôNIA DE APRESENTAçãO DO CONTINGENTE
BRASILEIRO DA MISSãO DAS NAçõES UNIDAS PARA A
ESTABILIZAçãO DO HAITI
(PORTO PRíNCIPE-HAITI, 01/02/12)
01/02/2012

MENSAGEM DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF POR OCASIãO DO
CENTENáRIO, EM 10 DE FEVEREIRO, DAMORTE DO BARãO DO RIO BRANCO
(BRASíLIA, 10/02/2012)
10/02/2012

DISCURSO DA PRESIDENTA DA REPúBLICA, DILMA ROUSSEFF, NA
CERIMôNIA DE FORMATURA DA TURMA DE 2010-2012 DO INSTITUTO
RIO BRANCO
(BRASíLIA, 20/04/2012)
20/04/2012

PALAVRAS POR OCASIãO DA SESSãO SOLENE DE ABERTURA DO
ANO DO CENTENáRIO DE MORTE DO BARãO DO RIO BRANCO
(BRASíLIA, 10/02/2012)
10/02/2012

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LANçAMENTO DO PLANO DE RELAçõES INTERNACIONAIS DO
GOVERNO DO ESTADO DE SãO PAULO  DISCURSO DO MINISTRO DE
ESTADO, EMBAIXADOR ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA
(SãO PAULO, 02/04/2012)
04/04/2012

PRONUNCIAMENTO EM SESSãO SOLENE DA ASSEMBLEIA
LEGISLATIVA DO ESTADO DE SãO PAULO ALUSIVA AO CENTENáRIO
DE MORTE DO BARãO DO RIO BRANCO
(SãO PAULO, 02/04/2012)
05/04/2012

DISCURSO DO MINISTRO ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA NA
CERIMôNIA DE ABERTURA DA PRIMEIRA CONFERêNCIA DE ALTO
NíVEL DA PARCERIA PARA UM GOVERNO ABERTO -
(BRASíLIA, 17/04/2012)
17/04/2012

DISCURSO NA CERIMôNIA DO DIA DO DIPLOMATA  FORMATURA DA
TURMA DE ALUNOS DO INSTITUTO RIO BRANCO
(BRASíLIA, 20/04/2012)
20/04/2012

PRONUNCIAMENTO DO MINISTRO ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA
NA 319ª REUNIãO DO CONSELHO DE PAZ E DE SEGURANçA DA UNIãO
AFRICANA, SEGMENTO SOBRE A SITUAçãO NA GUINé-BISSAU
(ADIS ABEBA, 24/04/2012)
24/04/2012

REMARKS AT THE FIFTEENTH MEETING OF THE CARIBBEAN
COUNCIL FOR FOREIGN AND COMMUNITY RELATIONS (COFCOR)
(PARAMARIBO, 04/05/2012)
04/05/2012



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PRONUNCIAMENTO DO MINISTRO DAS RELAçõES EXTERIORES,
ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA, SOBRE A SITUAçãO NO PARAGUAI
(RIO DE JANEIRO, 21/06/2012)



61

21/06/2012

ATOS INTERNACIONAIS EM VIGOR	63

COMUNICADOS, NOTAS,


SITUAçãO NA GUINé-BISSAU
04/01/2012	71



FALECIMENTO DO PRESIDENTE DA REPúBLICA DA GUINé-BISSAU,
MALAM BACAI SANHá


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09/01/2012

VISITA A CUBA DO MINISTRO DAS RELAçõES EXTERIORES,
ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA  HAVANA, 16 E 17 DE JANEIRO DE 2012



VISITA AO BRASIL DO SECRETáRIO DE ESTADO DE NEGóCIOS

ESTRANGEIROS DO REINO UNIDO, WILLIAM HAGUE  BRASíLIA E
RIO DE JANEIRO, 18 E 19 DE JANEIRO DE 2012
16/01/2012

COMUNICADO CONJUNTO POR OCASIãO DO ENCONTRO
ENTRE O MINISTRO DAS RELAçõES EXTERIORES, ANTONIO DE
AGUIAR PATRIOTA, E O SECRETáRIO DE ESTADO DE NEGóCIOS
ESTRANGEIROS DO REINO UNIDO, WILLIAM HAGUE
18/01/2012

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VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS
DA UCRÂNIA, KOSTYANTYN GRYSHCHENKO  BRASíLIA, 20 DE
JANEIRO DE 2012
18/01/2012

ONU ESCOLHE BRASILEIRO PARA O CARGO DE SECRETáRIO-
EXECUTIVO DA CONVENçãO SOBRE DIVERSIDADE BIOLóGICA (CDB)
20/01/2012

PARTICIPAçãO DO MINISTRO ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA NO
FóRUM ECONôMICO MUNDIAL  DAVOS, 25 A 29 DE JANEIRO DE 2012


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76




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24/01/2012

CONCESSãO DE VISTO à SENHORA YOANI SáNCHEZ
25/01/2012	77



VISITA OFICIAL DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF A CUBA 
HAVANA, 30 E 31 DE JANEIRO DE 2012
27/01/2012

DECLARAçãO FINAL DO ENCONTRO MINISTERIAL íNDIA-BRASIL-
áFRICA DO SUL (IBAS) à MARGEM DO FóRUM ECONôMICO
MUNDIAL


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77

28/01/2012

VISITA OFICIAL DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF AO HAITI, PORTO
PRíNCIPE, 1º DE FEVEREIRO DE 2012





ATOS ASSINADOS POR OCASIãO DA VISITA OFICIAL DA PRESIDENTA
DILMA ROUSSEFF A CUBA - HAVANA, 30 E 31 DE JANEIRO DE 2012
31/01/2012

80

VISITA AO BRASIL DA ALTA REPRESENTANTE PARA RELAçõES
EXTERIORES E POLíTICA DE SEGURANçA DA UNIãO EUROPEIA,
CATHERINE ASHTON
03/02/2012

VISITA AO BRASIL DA MINISTRA DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS
DA GUIANA, CAROLYN RODRIGUES-BIRKETT  BRASíLIA, 6 E 7 DE
FEVEREIRO DE 2012
07/02/2012

VISITA AO BRASIL DO SECRETáRIO DE RELAçõES EXTERIORES DE
HONDURAS, ARTURO CORRALES ALVAREZ - BRASíLIA, 6 A 10 DE
FEVEREIRO DE 2012
07/02/2012

II REUNIãO DA COMISSãO SINO-BRASILEIRA DE ALTO NíVEL DE
CONCERTAçãO E COOPERAçãO  COSBAN


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08/02/2012

REUNIãO BRASILMéXICO SOBRE O ACE55



CENTENáRIO DA MORTE DO BARãO DO RIO BRANCO
10/02/2012	83

VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DAS RELAçõES EXTERIORES DA

ALEMANHA, GUIDO WESTERWELLE  BRASíLIA, SãO PAULO E RIO
DE JANEIRO, 13 A 16 DE FEVEREIRO DE 2012
10/02/2012

VISITA AO BRASIL DO PRIMEIRO-MINISTRO DA FINLÂNDIA, JYRKI
KATAINEN - BRASíLIA, RIO DE JANEIRO E SãO PAULO, 12 A 16 DE
FEVEREIRO DE 2012
13/02/2012

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84

PRONUNCIAMENTO DA EMBAIXADORA DO BRASIL JUNTO àS
NAçõES UNIDAS, EM SESSãO DA ASSEMBLEIA-GERAL DA ONU DE
13 DE FEVEREIRO DE 2012, SOBRE A SITUAçãO NA SíRIA
14/02/2012

COMUNICADO CONJUNTO BRASIL-FINLÂNDIA - BRASíLIA, 14 DE
FEVEREIRO DE 2012
14/02/2012

PARTICIPAçãO DO MINISTRO DAS RELAçõES EXTERIORES,
ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA, EM DEBATE SOBRE
RESPONSABILIDADE AO PROTEGER NA ONU  NOVA YORK, 21 DE
FEVEREIRO DE 2012
14/02/2012

PRONUNCIAMENTO DO MINISTRO ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA
EM DEBATE SOBRE RESPONSABILIDADE AO PROTEGER NA ONU
21/02/2012

VISITA à TURQUIA DO MINISTRO DAS RELAçõES EXTERIORES,
ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA  ISTAMBUL, 24 E 25 DE FEVEREIRO
DE 2012
23/02/2012

MENSAGEM DE SOLIDARIEDADE DO MINISTRO ANTONIO DE
AGUIAR PATRIOTA AO CHANCELER ARGENTINO, HéCTOR
TIMERMAN


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23/02/2012

ENCHENTES NA BOLíVIA
24/02/2012	92



APOIO PRESTADO AOS BRASILEIROS EVACUADOS DA ESTAçãO
COMANDANTE FERRAZ
28/02/2012


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VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DAS RELAçõES EXTERIORES DO
PERU, RAFAEL RONCAGLIOLO  BRASíLIA, 1º DE MARçO DE 2012
01/03/2012

SUSPENSãO DO PROCESSO DE COMPRA DE AERONAVES DA
EMBRAER PELA FORçA AéREA DOS ESTADOS UNIDOS
01/03/2012

VISITA DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF à ALEMANHA -
HANNOVER, 4 A 6 DE MARçO DE 2012


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02/03/2012

EXPLOSãO EM BRAZZAVILLE, REPúBLICA DO CONGO
05/03/2012	93

SEMINáRIO CONVENçãO 169 DA OIT: EXPERIêNCIAS E
PERSPECTIVAS  BRASíLIA, 8 E 9 DE MARçO DE 2012



VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DAS RELAçõES EXTERIORES E

CULTO DA ARGENTINA, HéCTOR TIMERMAN - SãO PAULO, 13 DE
MARçO DE 2012
09/03/2012

VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS
DOS EMIRADOS áRABES UNIDOS, XEQUE ABDALLAH BIN ZAYED AL
NAHYAN
15/03/2012

PARTICIPAçãO DO MINISTRO DAS RELAçõES EXTERIORES,
ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA, EM REUNIãO DO CONSELHO DE
MINISTROS DAS RELAçõES EXTERIORES DA UNIãO DE NAçõES
SUL-AMERICANAS  ASSUNçãO, 17 DE MARçO DE 2012
16/03/2012

94





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ELEMENTOS ACORDADOS ENTRE OS GOVERNOS DO BRASIL E
DO MéXICO SOBRE PROTOCOLO MODIFICATIVO DO APêNDICE
BILATERAL DO ACE55 - CIDADE DO MéXICO, 15 DE MARçO DE 2012
16/03/2012

DECLARAçãO DO CONSELHO DE MINISTRAS E MINISTROS DE
RELAçõES EXTERIORES DA UNIãO DE NAçõES SUL-AMERICANAS
(UNASUL)  ASSUNçãO, 17 DE MARçO DE 2012
17/03/2012

VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DAS RELAçõES EXTERIORES DA
BOLíVIA, DAVID CHOQUEHUANCA - BRASíLIA, 19 DE MARçO DE 2012


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19/03/2012

ATENTADO EM TOULOUSE
19/03/2012	99

MORTE DE CIDADãO BRASILEIRO NA AUSTRáLIA
20/03/2012	99

ELEIçõES NA GUINé-BISSAU - 18 DE MARçO DE 2012





FALECIMENTO DO PAPA DE ALEXANDRIA E PATRIARCA DA SANTA Sé
DE SãO MARCOS, SHENOUDA III
21/03/2012

II CúPULA SOBRE SEGURANçA NUCLEAR - SEUL, 26 E 27 DE MARçO
DE 2012
21/03/2012

VISITA AO BRASIL DO PRESIDENTE DA REPúBLICA DO BENIN, BONI
YAYI  BRASíLIA, 22 A 24 DE MARçO DE 2012
22/03/2012

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SUBLEVAçãO MILITAR NO MALI





SEMINáRIO DA ORGANIZAçãO MUNDIAL DO COMéRCIO SOBRE TAXAS DE
CÂMBIO E COMéRCIO INTERNACIONAL - GENEBRA, 27 E 28 DE MARçO DE
2012
22/03/2012

VISITA DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF à íNDIA  NOVA DELHI, 30 E 31
DE MARçO DE 2012
27/03/2012


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101



IV CúPULA DO BRICS - NOVA DELHI, 28 E 29 DE MARçO DE 2012
27/03/2012	102

QUARTA CúPULA DOS BRICS - NOVA DELHI, 29 DE MARçO DE

2012 PARCERIA DOS BRICS PARA A ESTABILIDADE, SEGURANçA E
PROSPERIDADE - DECLARAçãO DE NOVA DELHI
29/03/2012

COMUNICADO CONJUNTO BRASIL-íNDIA SOBRE A VISITA DE
ESTADO DA PRESIDENTA DA REPúBLICA FEDERATIVA DO BRASIL à
íNDIA - NOVA DELHI, 30 DE MARçO DE 2012
30/03/2012

ATOS ASSINADOS POR OCASIãO DA VISITA OFICIAL DA PRESIDENTA
DILMA ROUSSEFF à íNDIA - NOVA DELHI, 30 DE MARçO DE 2012


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02/04/2012

ELEIçõES PARLAMENTARES EM MYANMAR



SITUAçãO NO MALI



VISITA DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF AOS ESTADOS UNIDOS -
WASHINGTON E BOSTON, 9 E 10 DE ABRIL DE 2012
05/04/2012

COMUNICADO CONJUNTO DO PRESIDENTE BARACK OBAMA E DA
PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF - WASHINGTON, 9 DE ABRIL DE 2012
09/04/2012

ATOS ASSINADOS POR OCASIãO DA VISITA DA PRESIDENTA DILMA
ROUSSEFF AOS ESTADOS UNIDOS DA AMéRICA - WASHINGTON, 9 DE
ABRIL DE 2012
09/04/2012

FALECIMENTO DO PRESIDENTE DA REPúBLICA DO MALáUI, BINGU
WA MUTHARIKA
10/04/2012

VI CúPULA DAS AMéRICAS - CARTAGENA DAS íNDIAS, 14 E 15 DE
ABRIL DE 2012
12/04/2012

VISITA DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF à COLôMBIA -
CARTAGENA DAS íNDIAS, 15 DE ABRIL DE 2012

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12/04/2012

SITUAçãO NA GUINé-BISSAU





VISITA AO BRASIL DO SECRETáRIO DE ESTADO DO REINO UNIDO PARA O
DESENVOLVIMENTO INTERNACIONAL, ANDREW MITCHELL
13/04/2012

VISITA AO BRASIL DA SECRETáRIA DE ESTADO DOS ESTADOS
UNIDOS DA AMéRICA, HILLARY CLINTON  BRASíLIA, 16 E 17 DE
ABRIL DE 2012
13/04/2012

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PRIMEIRA CONFERêNCIA ANUAL DE ALTO NíVEL DA PARCERIA PARA
UM GOVERNO ABERTO - BRASíLIA, 17 E 18 DE ABRIL DE 2012


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13/04/2012

SITUAçãO NA GUINé-BISSAU





VISITA AO BRASIL DO PRIMEIRO-MINISTRO DA GEóRGIA, NIKA
GILAURI  BRASíLIA E SãO PAULO, 13 A 19 DE ABRIL DE 2012
14/04/2012

RESOLUçãO DA CPLP SOBRE A SITUAçãO NA GUINé-BISSAU
14/04/2012

VISITA AO BRASIL DO PRIMEIRO-MINISTRO DE MOçAMBIQUE, AIRES
BONIFáCIO BAPTISTA ALI  13 A 18 DE ABRIL DE 2012
16/04/2012

VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DAS RELAçõES EXTERIORES DA
REPúBLICA DO CHILE, ALFREDO MORENO
17/04/2012

VISITA AO BRASIL DO PRESIDENTE DO URUGUAI, JOSé MUJICA - BRASíLIA,
19 DE ABRIL DE 2012
18/04/2012

DIáLOGO DE PARCERIA GLOBAL BRASIL-EUA - BRASíLIA, 16 DE
ABRIL DE 2012 - COMUNICADO CONJUNTO


129



130



131




132




132




132

18/04/2012

VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS DA
Sérvia, vuk Jeremi? - BraSília, 20 e 21 de aBril de 2012



VISITA DO MINISTRO ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA à ETIóPIA 
ADIS ABEBA, 23 E 24 DE ABRIL DE 2012
22/04/2012

VISITA DO MINISTRO ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA à TUNíSIA -
TúNIS, 24 E 25 DE ABRIL DE 2012

136




136

24/04/2012

APOIO A REFUGIADOS NA MAURITÂNIA
25/04/2012	136



VISITA DO MINISTRO ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA à
MAURITÂNIA  NOUAKCHOTT, 25 E 26 DE ABRIL DE 2012
26/04/2012

VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DAS RELAçõES EXTERIORES,
COMéRCIO E INTEGRAçãO DO EQUADOR, RICARDO PATIñO 
BRASíLIA, 30 DE ABRIL DE 2012


136




137

30/04/2012

VISITA DO MINISTRO ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA A
WASHINGTON  2 DE MAIO DE 2012





VISITA DO MINISTRO ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA AO SURINAME
- PARAMARIBO, 4 E 5 DE MAIO DE 2012
03/05/2012

DECLARAçãO DE CARTAGENA - REUNIãO DE MINISTROS DE
DEFESA, JUSTIçA, INTERIOR E RELAçõES EXTERIORES DA UNASUL
07/05/2012

VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DAS RELAçõES EXTERIORES E
CULTO DA REPúBLICA ARGENTINA, HéCTOR TIMERMAN - BRASíLIA,
15 DE MAIO DE 2012
14/05/2012

138




138





139

VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DE ASSUNTOS EXTERIORES E
COOPERAçãO DA ESPANHA, JOSé MANUEL GARCíA-MARGALLO -
BRASíLIA, SãO PAULO E RIO DE JANEIRO, 16 A 19 DE MAIO DE 2012


139

15/05/2012

ATENTADO EM BOGOTá



FORMAçãO DO NOVO GOVERNO DO HAITI
16/05/2012	140



VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS DA
HUNGRIA, JáNOS MARTONYI


140

17/05/2012

ATENTADO NO IêMEN



VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS E

COMéRCIO DA REPúBLICA DA COREIA (COREIA DO SUL), KIM SUNG-
HWAN
25/05/2012

VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS
DOS PAíSES BAIXOS, URI ROSENTHAL
28/05/2012

VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS DA
NAMíBIA, UTONI NUJOMA
29/05/2012

VISITA AO BRASIL DO REI DA ESPANHA, JUAN CARLOS I  BRASíLIA,
4 DE JUNHO DE 2012
01/06/2012

141




141




142




142

SESSãO ESPECIAL DO CONSELHO DE DIREITOS HUMANOS DA
ONU SOBRE A SITUAçãO NA SíRIA  PRONUNCIAMENTO DA
EMBAIXADORA DO BRASIL, MARIA NAZARETH FARANI AZEVêDO -
GENEBRA, 1º DE JUNHO DE 2012
01/06/2012

VISITA AO BRASIL DO CHANCELER DA REPúBLICA BOLIVARIANA
DA VENEZUELA, NICOLáS MADURO MOROS  RIO DE JANEIRO, 2 DE
JUNHO DE 2012




142





143

01/06/2012

ACIDENTE AéREO NA NIGéRIA



FUNDO IBAS  PROJETO AGRíCOLA NO LAOS





COMUNICADO CONJUNTO - REUNIãO TéCNICA BRASIL-ESPANHA
SOBRE TEMAS CONSULARES E MIGRATóRIOS
05/06/2012

ELEIçãO DE ROBERTO FIGUEIREDO CALDAS PARA A CORTE
INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS


144




145

05/06/2012

CONCESSãO DE ASILO





REUNIãO EXTRAORDINáRIA DO CONSELHO DE MINISTROS DAS
RELAçõES EXTERIORES DA UNASUL - BOGOTá, 11 DE JUNHO DE 2012

145

08/06/2012

SITUAçãO NA SíRIA

ATENTADO CONTRA MEMBROS DA OPERAçãO DAS NAçõES UNIDAS
EM CôTE DIVOIRE (COSTA DO MARFIM)  UNOCI
10/06/2012

PARTICIPAçãO DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF NA VII CúPULA
DO G20 - LOS CABOS, 18 E 19 DE JUNHO DE 2012
14/06/2012

FALECIMENTO DO PRíNCIPE HERDEIRO DO REINO DA ARáBIA
SAUDITA
16/06/2012

COMUNICADO CONJUNTO ENTRE BRASIL E TURQUIA  RIO DE
JANEIRO, 21 DE JUNHO DE 2012
21/06/2012

COMUNICADO CONJUNTO ENTRE BRASIL E AUSTRáLIA  RIO DE
JANEIRO, 21 DE JUNHO DE 2012


147




147




147




148




150

21/06/2012

COMUNICADO CONJUNTO ENTRE BRASIL E CHINA  RIO DE
JANEIRO, 21 DE JUNHO DE 2012



ATOS ASSINADOS POR OCASIãO DA REUNIãO DA PRESIDENTA DA
REPúBLICA, DILMA ROUSSEFF, COM O PRIMEIRO-MINISTRO DA

REPúBLICA POPULAR DA CHINA, WEN JIABAO  RIO DE JANEIRO, 21
DE JUNHO DE 2012

158

21/06/2012


ARTIGOS	161



BRASIL E HAITI: PARCERIA PARA O DESENVOLVIMENTO



BRICS MEMBERS BRAZIL AND INDIA ARE STRATEGIC PARTNERS

FOR A NEW WORLD VISION ARTIGO DE AUTORIA DA PRESIDENTA
DILMA ROUSSEFF PUBLICADO NO JORNAL INDIANO THE


163

ECONOMIC TIMES (29/03/2012)

ECONOMIA VERDE, SEM POBREZA
(O GLOBO, 20/04/2012)	167



DIREITOS HUMANOS: O BRASIL EM EXAME

169

(O GLOBO, 23/05/2012)

RIO+20: PROTECTING THE ENVIRONMENT IS NOT ENOUGH



ENTREVISTAS	173

GOVERNING BRAZIL

ENTREVISTA CONCEDIDA à PUBLICAçãO BRAZIL CONFIDENTIAL

173

(06/01/2012 A 18/01/2012)

ENTREVISTA AO BOLETIM EM QUESTãO



NUESTRA INFLUENCIA ES CRECIENTE Y TENEMOS CAPACIDAD

PARA EJERCERLA EN TODOS LOS GRANDES TEMAS
ENTREVISTA CONCEDIDA AO JORNAL EL MERCúRIO
(CHILE, 29/01/2012)

A SHINING EXAMPLE
ENTREVISTA CONCEDIDA à PUBLICAçãO THE CAPITAL
(ETIóPIA, 09/05/2012)

177





183

MANTEMOS RELAçõES CORRETAS COM O IRã
ENTREVISTA CONCEDIDA AO ZERO HORA
(13/05/2012)

SíRIA TEM ARMA DE DESTRUIçãO EM MASSA, AFIRMA PATRIOTA
ENTREVISTA CONCEDIDA AO JORNAL FOLHA DE S. PAULO
(18/05/2012)

BRASILIA DéFEND LE DIALOGUE AVEC DAMAS EN VUE DUNE
TRANSITION POLITIQUE
ENTREVISTA CONCEDIDA AO JORNAL LE MONDE


187




191





195

(30/05/2012)

ÍNDICE REMISSIVO	199










                                  DISCURSOS
                                                        
DISCURSO DA PRESIDENTA DA REPúBLICA, DILMA ROUSSEFF,
                       DURANTE O FóRUM SOCIAL MUNDIAL 
             DIáLOGOS ENTRE SOCIEDADE CIVIL E GOVERNO
                                    (PORTO ALEGRE, 26/01/2012)
                                                       27/01/2012

                                                                 
                                                                 

  Quero saudar muito especialmente todos
os participantes do Fórum Social Mundial e
deste fórum temático,
  Saudar o Governador Tarso Genro,
  O Prefeito Fortunati,
  Os Ministros que me acompanham,
  As lideranças políticas,
  Os representantes dos movimentos sociais
que hoje se reúnem neste Fórum,
  Companheiras e companheiros,
  é uma grande alegria poder voltar a Porto
Alegre para participar de mais uma reunião do
Fórum Social Mundial. Aqui estive em 2001.
Participei, naquela ocasião, do primeiro encontro
do Fórum, quando eu ainda era Secretária de
Energia do Governador Olívio Dutra, a quem
saúdo agora, meu companheiro e meu amigo.
  Desde então, esta cidade transformou-se em
referência para todos aqueles que buscavam
criar uma alternativa ao desequilíbrio da
situação econômica e política global. Aqui, se
afirmou a ideia de que outro mundo é possível.
Aqui estavam, como hoje aqui estão, os que
não sucumbiram ao pensamento único, nem
acreditaram no fim da história.
  Mas muita coisa ocorreu nesses últimos
11 anos. A crise, que estava latente na
economia internacional, transformou-se em

crise real a partir de 2008 e não parou de
agravar-se. Nesses últimos 11 anos surgiram
também coisas muito positivas. Na América
Latina, foram sendo construídas respostas
progressistas e democráticas aos desequilíbrios
internacionais. Na maioria dos países da
região, dentre eles o meu país  o Brasil ,
estão em curso importantes transformações
econômicas, sociais e políticas.
  Nossos países crescem, enquanto outras
partes do mundo vivem a estagnação,
a recessão e, muitas vezes, um grande
desemprego. Nossos países reduzem a pobreza
e a desigualdade social, e, como eu disse,
em outras regiões, aumenta a desigualdade,
aumenta a exclusão e direitos são perdidos.
  Nossos países, hoje, não sacrificam sua
soberania frente às pressões de potências,
grupos financeiros ou agências de
classificação de risco, mas, sobretudo, nossos
países avançam fortalecendo a democracia.
Na América do Sul, como diz aquela canção
da Revolução dos Cravos, da Revolução
Portuguesa: O povo é quem mais ordena.

  Companheiras e companheiros,
   
  é muito importante que este encontro do

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	21




Fórum Social Mundial ocorra poucos meses
antes da Conferência das Nações Unidas sobre
Desenvolvimento Sustentável  a Rio+20. A
crise financeira e as incertezas que pairam
sobre o futuro da economia mundial dão uma
significação especial à rio+20.
  Em grande parte do mundo desenvolvido,
busca-se enfrentar a crise com medidas fiscais
regressivas, que têm consequências sociais e
ambientais nefastas e trazem consigo perigosas
ameaças, como eu disse: o desemprego, a
xenofobia, o autoritarismo, a paralisia no
enfrentamento do aquecimento global, além
de ameaças à paz mundial.
  Há poucos meses, estive em Cannes,
na reunião do G-20, que nos propunham
novo mundo, novas ideias. A despeito dos
avanços que eventualmente logramos naquele
encontro, confesso que não fiquei satisfeita
com os resultados. Não é fácil produzir
novas ideias e alternativas quando estamos
dominados por preconceitos políticos e
ideológicos. Conhecemos bem essa história.
  Nos anos 80 e 90, confrontados com
profundos desequilíbrios macroeconômicos,
foram	preconceitos	políticos,	foram
preconceitos ideológicos que impingiram aos
países daAmérica Latina o modelo conservador
que levou nosso país à estagnação, à perda de
espaço democrático e soberano, aprofundando
a pobreza, o desemprego e a exclusão social.
Hoje, essas receitas fracassadas estão sendo
propostas novamente na Europa.
  A Rio+20, que terá a participação de chefes
de Estado e de Governo, mas também de
expressivos setores da sociedade civil, deve
ser um momento importante de um processo
de renovação de ideias, diferentemente das
Conferências das Partes, as chamadas COP.
Centrado na importante questão ambiental
e nos problemas da mudança do clima, o
encontro do Rio vai enfrentar uma questão mais
ampla e mais decisiva: estará no centro dos

debates um novo modelo de desenvolvimento,
contemplando três dimensões  a econômica,
a social e a ambiental.
  Queremos que a palavra desenvolvimento
apareça, de agora em diante, sempre associada
à expressão sustentável. Ao lado dos
objetivos de desenvolvimento do milênio, é
necessário estabelecer também os objetivos do
desenvolvimento sustentável. Esses objetivos,
que abrangem compromissos e metas para
todos os países do mundo, têm, no seu centro,
o combate à pobreza e à desigualdade e a
sustentabilidade ambiental.
  Assumimos aqui, como sempre
assumimos, ao longo do governo Lula e do
meu governo, que é possível crescer e incluir,
proteger e conservar. O que estará em debate
na Rio+20 é um modelo de desenvolvimento
capaz de articular o crescimento e a geração
de emprego; a erradicação da pobreza e a
redução das desigualdades; a participação
social e ampliação de direitos, a educação e
a inovação tecnológica; o uso sustentável e a
preservação dos recursos ambientais.
  Em Copenhague, há quase três anos, nosso
governo assumiu novas responsabilidades nas
questões relacionadas à mudança do clima.
Apresentamos lá, em Copenhague, para o
mundo, e aqui, no Brasil, como compromisso
voluntário do nosso governo, a significativa
redução de emissões de gás de efeito estufa.
Lamentavelmente, alguns outros países
relutaram  e até hoje relutam  em anunciar seus
esforços para a redução das emissões. Somos
o país que, de acordo com as Nações Unidas,
mais tem feito pela redução das emissões de
gás de efeito estufa em todo o planeta. Esses
compromissos são parte integrante da grande
transformação que está em curso em nosso país
nos últimos nove anos.
  No meu governo, quando falamos de
desenvolvimento sustentável, eu quero dizer
aqui, de forma clara, no que estamos falando:




22

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




para	nós,	desenvolvimento	sustentável
significa crescimento acelerado de nossa
economia para poder distribuir riqueza;
significa criação de empregos formais e
expansão da renda dos trabalhadores; significa
distribuição de renda para pôr fim à miséria e
reduzir a pobreza, com políticas públicas que
provoquem melhoria da educação, da saúde,
da segurança pública e de todos os serviços
públicos fornecidos pelo Estado brasileiro;
crescimento regional equilibrado da renda,
que corrija os desequilíbrios entre as regiões
do país, que corrija a condenação de uma parte
deste país ao baixo desenvolvimento, como
foi o caso do Norte e do Nordeste; criação de
um amplo mercado de bens de consumo de
massas, que passe a dar sustentação interna
ao nosso desenvolvimento; significa também
que o Brasil está se transformando, e nós o
faremos se transformar, cada dia mais, do
ponto de vista socioeconômico, em um país
de classes médias; significa desenvolvimento
que tenha na sustentabilidade ambiental uma
condição imprescindível.
  Nossas escolhas, em matéria de energia,
de segurança alimentar, de infraestrutura
logística, de inovação tecnológica, levam em
conta o uso sustentável de nossos recursos
ambientais.
  Além disso, o desenvolvimento sustentável
significa aprofundamento dos mecanismos
de participação social e o fortalecimento da
nossa democracia; significa incentivo e defesa
dos nossos valores, da nossa cultura, da nossa
diversidade cultural; finalmente, significa uma
inserção soberana e competitiva no mundo.

  Companheiras e companheiros,
   
  O grande nó que o presidente Lula
começou a desatar, a partir de 2003, era o da
exclusão e o da desigualdade social. Estamos
ganhando essa batalha, como nos mostram

os 40 milhões de brasileiros e brasileiras que
deixaram a miséria e ascenderam às classes
médias. E nossos esforços para erradicar
essa chaga social, nos próximos anos, será a
determinação de fazer cumprir o programa
Brasil sem Miséria.
  O lugar que o Brasil ocupa hoje no mundo
não é consequência de nenhum milagre
econômico, como acontecia no passado. é
resultado do esforço do povo brasileiro e de
seu governo, que souberam optar por um
novo caminho. O Brasil, hoje, é um outro
país. Ninguém, ninguém, nenhum grupo pode
nos tirar isso. Nós somos, hoje, um país mais
forte, mais desenvolvido e mais respeitado.
Um país que convive harmonicamente com
seus vizinhos da América do Sul e da América
Latina e do Caribe, e que quer construir
com eles um polo de desenvolvimento e de
democracia no mundo.
  Da mesma forma, abrimos novas relações
com os nossos irmãos africanos, com o
Mundo árabe, dando uma especial atenção
à Palestina, que esperamos possa constituir-
se, brevemente, como Estado livre, Estado
pacífico e democrático e com sua soberania
garantida.
  Nos países chamados BRICS, nós
lutamos por uma nova ordem econômica e
política mundial multipolar, mais justa, mais
democrática. Em todos os fóruns globais,
somos partidários do multilateralismo, do
desarmamento e das soluções negociadas para
todas as ameaças à paz mundial.

  Companheiras e companheiros,
   
  A tarefa que nos impõe este Fórum, assim
como a Rio+20 e outros eventos que virão, é
o de desencadear o movimento de renovação
de ideais e de novos processos, absolutamente
necessários para enfrentar os dias difíceis em
que hoje vive ampla parte da humanidade.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	23




   Estudos recentes da OCDE, que congrega
os países desenvolvidos, revelam um processo
crescente de concentração de renda e aumento
da desigualdade nos países desenvolvidos e
mesmo em alguns emergentes. A contrapartida
disso tudo é, e está sendo hoje, a explosão
do desemprego e a expansão da pobreza nos
países pelo mundo afora.
  Esses dois fenômenos  desemprego e
desigualdade social  são particularmente
cruéis quando se trata de nações ricas, que
conquistaram direitos e agora os perdem.
E são também cruéis porque atingem,
prioritariamente, os jovens, as mulheres e
os imigrantes. A dissonância entre a voz dos
mercados e a voz das ruas parece aumentar,
cada vez mais, nos países desenvolvidos,
colocando em risco não apenas conquistas
sociais, mas a própria democracia.
  O mundo do pós-neoliberalismo não pode
ser o mundo de pós-democracia, como bem
apontou, recentemente, um filósofo alemão.
A indignação de jovens, de mulheres, de
militantes, que ocupam as ruas de dezenas de
cidades do mundo, é um sintoma importante
que não pode ser desconsiderado.
  Nesse contexto, as mulheres desse mundo
afora têm tido um protagonismo crescente e
determinante para as mudanças. Como afirmei
na abertura da Assembleia Geral da ONU,
tenho certeza de que nós, mulheres, faremos
tudo para garantir que o século XXI seja o
século das mulheres.
  As organizações da sociedade civil e
os governos progressistas, cada um na sua
dimensão, podem fazer desses primeiros anos
do novo milênio o anúncio de uma nova era.
Para isso, é decisivo o fortalecimento dos
laços de solidariedade e da cooperação Sul-
Sul que unem os nossos povos.
  Os grandes movimentos da humanidade
são feitos de ação, mas também, de esperança.
Foi a esperança que moveu a minha geração,

décadas atrás. Hoje, quando olho para o
caminho percorrido e para os objetivos
alcançados, só posso dizer a vocês: valeu a
pena, companheiros e companheiras.
  é essa esperança, é essa esperança que
nos une e nos mobiliza para a Rio+20. é
essa esperança que deve sempre nos guiar na
busca de um novo modo de vida, inclusivo e
sustentável.
  Sabendo que o papel da sociedade civil
será determinante para o êxito da Rio+20,
conto com a mobilização, com o engajamento
e a presença de vocês no Rio de Janeiro. Eu
tenho certeza: um outro mundo é possível.
  Até o Rio de Janeiro.

   
   

24

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012










DISCURSO DA PRESIDENTA DA REPúBLICA, DILMA ROUSSEFF,
DURANTE CERIMôNIA DE APRESENTAçãO DO CONTINGENTE
                 BRASILEIRO DA MISSãO DAS NAçõES UNIDAS
                             PARA A ESTABILIZAçãO DO HAITI
                              (PORTO PRÍNCIPE-HAITI, 01/02/12)
                                                       01/02/2012

                                                                 
                                                                 
                                                                 

  Senhoras	e	senhores	Ministros	de
Estado que me acompanham nesta viagem:
Antonio Patriota, das Relações Exteriores;
Celso	Amorim,	da	Defesa;	Alexandre
Padilha, da Saúde; Fernando Pimentel, do
Desenvolvimento,	Indústria	e	Comércio
[Exterior]; José Elito Carvalho Siqueira, do
Gabinete de Segurança Institucional e Maria
do Rosário, Ministra Secretária dos Direitos
Humanos.
  Senhor Jaques Wagner, Governador do
Estado da Bahia,
  General Enzo Martins Peri, Comandante
do Exército brasileiro,
  General José Carlos de Nardi, Chefe do
Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas
do Brasil,
  General Luiz Eduardo Ramos Pereira,
Comandante das Nações Unidas para a
Estabilização do Haiti,
  Senhores oficiais-generais,
  Coronel	Luciano	Mendes	Nolasco,
Comandante	do	Contingente	Brasileiro
da Minustah, por intermédio de quem
cumprimento os militares do contingente
brasileiro da Minustah,
  Senhoras e senhores jornalistas, fotógrafos
e cinegrafistas,
   
Senhoras e senhores,
   
  é com grande satisfação que me dirijo
ao contingente brasileiro da Minustah e aos
trabalhadores haitianos aqui, nesta base. Nas
pessoas dos comandantes dos dois batalhões,
saúdo todas as mulheres e homens das
nossas Forças Armadas que prestam serviço
inestimável à estabilidade e à segurança deste
país irmão, o Haiti.
  Estou certa de que o trabalho do atual
contingente se beneficia muito da dedicação,
da coragem e do patriotismo dos milhares de
militares que os antecederam. O Brasil é grato
a todos eles e lembra, com pesar, com orgulho
e com especial apreço dos militares e civis
que perderam suas vidas no Haiti, inclusive
no trágico terremoto de 2010. A eles, nossas
homenagens.
  Nossa presença da minustah reflete o
histórico compromisso de amizade que une os
dois países  o Brasil e o Haiti  e busca dar
um novo significado às operações de paz da
ONU. Nossa atuação mostra que a segurança
coletiva tem de combinar-se com a justiça
social, o desenvolvimento e o respeito à
soberania nacional dos países.
  Como vocês sabem, o Brasil acredita

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	25




firmementenorecursoaodiálogo,àdiplomacia,
como instrumento principal de manutenção da
paz e promoção da estabilidade. Insistimos em
que uma visão mais ampla e integrada sobre
a origem dos conflitos contemporâneos deve
ganhar prioridade cada vez maior na agenda
das Nações Unidas.
  Mesmo quando lidamos com situações
extremas, que grande preocupação suscita
o seio da comunidade internacional, a ação
coletiva dos Estados deve pautar-se sempre
pela responsabilidade ao proteger.
  Esse é um conceito que, no meu discurso na
Assembleia das Nações Unidas, defendi, em
setembro de 2011, e que busca garantir uma
perspectiva humana realmente em primeiro
plano, as pessoas em primeiro plano. No Haiti,
como em outras partes do mundo  na áfrica,
na ásia e no Oriente Médio -, no passado e
no presente, o Brasil procura formar parcerias
solidárias e encontrar fórmulas simétricas e
mutuamente respeitosas de cooperação.
  Os trabalhos da nossa Engenharia do
Exército e das Forças Armadas, crucial para
a ação pacificadora, ilustram a dimensão
ampliada da presença e da atuação militar
brasileira no quadro da Minustah. O esforço
humanitário de nossas mulheres e homens de
farda na montagem de hospital de campanha
e na ajuda emergencial, durante o pós-
terremoto, também se enquadra nessa visão.
  O governo haitiano pode contar com a
colaboração sempre solidária do Brasil, papel
ao qual temos dedicado nossos melhores
esforços e que conta com o apoio do Poder
Executivo,	do	Congresso	Nacional,	da
sociedade brasileira e, sobretudo, de toda
a nossa pátria. Trata-se de exercício de
solidariedade, que todos os membros da
comunidade internacional também devem
continuar a demonstrar, com estreita e
respeitosa parceria com o governo e a
sociedade nacional do Haiti.
   
Para tanto, precisamos perseverar em nosso
apoio à reconstrução, ao desenvolvimento
socioeconômico e ao fortalecimento do
estado haitiano, mas cabe ao Haiti definir as
prioridades de seu povo e a melhor maneira
de canalizar a ajuda internacional. Isso é
indispensável para garantir que o trabalho da
Minustah se sustente e possa gerar o ambiente
de segurança necessário à futura substituição
das forças da ONU por instituições solidamente
constituídas no próprio país.
  Nesse processo, o Haiti, certamente,
encontrará a via da consolidação democrática
e do desenvolvimento social e econômico.
Vamos continuar a trabalhar para que assim
seja. Eu, todo o governo e, tenho certeza, as
tropas aqui presentes, somos otimistas.
  Felicito a todas e a todos os integrantes do
nosso contingente na Minustah, que são, sem
dúvida, uma razão de orgulho para o Brasil
e otimismo quanto ao futuro do Haiti. Meus
agradecimentos a todos aqui presentes!




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012









                          MENSAGEM DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF
                 POR OCASIãO DO CENTENáRIO, EM 10 DE FEVEREIRO,
                                  DA MORTE DO BARãO DO RIO BRANCO
                                                    (BRASÍLIA, 10/02/2012)
                                                                 10/02/2012
                                                                             
                                                                             
                                                                             
                                                                             
  Ao se completarem, hoje, cem anos da
morte de José Maria da Silva Paranhos, o
Barão de Rio Branco, a melhor maneira de
homenageá-lo é recordar seu legado para o
País.
  Rio	Branco,	com	pragmatismo	e
sensibilidade política, desenhou as fronteiras
do Brasil pela via da negociação e da
arbitragem. Sua obra é a confirmação da
vocação pacífica do Brasil e da nossa crença
na força do Direito e da persuasão.
  Uma vez estabelecidas nossas fronteiras, e
já como Chanceler, Rio Branco pôde lançar
as bases de uma política externa baseada no
diálogo e na cooperação. No plano regional,
esboçou iniciativas de aproximação com a
América do Sul. Em escala global, soube
reagir de forma construtiva às transformações
internacionais em curso, sempre buscando
ampliar nossos espaços de autonomia.
  No momento em que aprofundamos a
integração regional e consolidamos uma
diplomacia de alcance global, a memória de
Rio Branco nos inspira a olhar para o futuro
com crescente confiança.






                                                Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	27

























































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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012










   DISCURSO DA PRESIDENTA DA REPúBLICA, DILMA ROUSSEFF, NA
CERIMôNIA DE FORMATURA DA TURMA DE 2010-2012 DO INSTITUTO
                                                         RIO BRANCO
                                                 (BRASÍLIA, 20/04/2012)
                                                             20/04/2012

                                                                        
                                                                        
                                                                        
                                                                        

  Eu queria iniciar cumprimentando, e
quebrando o protocolo  porque o Itamaraty
também tem de quebrar o protocolo -,
cumprimentando a turma dos formandos,
porque essa turma é o presente e é o futuro
do Brasil. Então, começo por cumprimentar a
todos.
  Cumprimentar também o Embaixador
Antonio	Patriota,	Ministro	de	Estado
das Relações Exteriores, e aproveito e
cumprimento o decano dos diplomatas, o
Antonio Patriota pai.
  Queria cumprimentar as senhoras e os
senhores Chefes de Missão Diplomática aqui
presentes,
  O Embaixador Ruy Nogueira, Secretário-
Geral das Relações Exteriores,
  Queria dirigir um cumprimento muito
especial ao Samuel Pinheiro Guimarães,
paraninfo da turma Milena Oliveira de
Medeiros,
  E também a uma pessoa que deu grandes
contribuições para o nosso país, no que se
refere a uma visão de Brasil e de presença do
Brasil no mundo, de forma bastante inovadora,
e que sempre lutou pelo desenvolvimento
deste país.
  Queria cumprimentar a senhora Raimunda

Carneiro, mãe da secretária Milena Oliveira
de Medeiros, que dá nome à turma 2011-
2012 [2010-2012], e dizer a ela que nós
temos na Milena um exemplo deste novo
Brasil que está surgindo. E a mim comove
imensamente que essa turma tenha escolhido
a Milena. Porque a Milena representa este
Brasil de oportunidades, este Brasil que, de
fato, poderia ter na Milena uma Ministra, uma
grande diplomata e uma Presidenta.
  Queria também cumprimentar aqui o
senhor Embaixador Georges Lamazière,
Diretor do Instituto Rio Branco,
  A Secretária Maria Eugênia Zabotto
Pulino, oradora da Turma de 2010-2012,
que evidenciou algo que nós temos muito
orgulho. Primeiro, a boa formação, a clareza
na elaboração de suas ideias, e também
mostrou a força do que este nosso Brasil,
que está surgindo, é capaz de desempenhar e,
portanto, é capaz de ajudar a essas mudanças
tão necessárias no país.
  Queria cumprimentar os senhores e as
senhoras embaixadores aqui presentes,
  As senhoras e senhores familiares.
  Dirigir um especial cumprimento aos pais
e às mães por terem este orgulho de verem
seus filhos aqui se formando.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	29




   Queria	também	cumprimentar	os
senhores jornalistas, os senhores fotógrafos e
cinegrafistas.
  Senhoras e senhores,
  A minha palavra inicial é de apreço, como
eu disse, às alunas e aos alunos que concluem
sua formação no Instituto Rio Branco e passam
a integrar, formalmente, o corpo diplomático
brasileiro. Eu quero dirigir uma saudação a
cada um deles, pela responsabilidade, pelo
papel que eles vão desempenhar daqui para
frente para o nosso país. Associo-me mais uma
vez à perda e ao pesar que nós todos temos pela
perda da Milena Oliveira de Medeiros, morta
no cumprimento das suas responsabilidades.
  Queridas formandas e queridos formandos,
  O lugar que um país ocupa no mundo
está muito ligado e está prioritariamente
vinculado ao papel que esse país ocupa em
relação ao seu povo. enfim, está vinculado às
mudanças internas que ele é capaz de realizar
ou que ele realizou. E o Brasil não foge a
essa regra. A importância que nós temos
decorre de todas nossas ações que, de uma
forma ou de outra, são reconhecidas nesse
mundo absolutamente interconectado, por
redes sociais, por jornais, enfim, por todos
sistemas de comunicação modernos. E as
transformações recentes na nossa economia,
a afirmação da nossa sociedade, através do
processo de desenvolvimento que distribuiu
renda, que abriu oportunidades para o nosso
povo, dá uma dimensão a um país firmemente
comprometido com a questão da democracia,
firmemente comprometido com os direitos
humanos, firmemente comprometido com a
igualdade e os princípios da distribuição de
renda e da melhoria de vida do povo.
  Essa visão que transforma hoje o Brasil
numa grande nação, numa nação  e aí
eu vou divergir um pouco do Samuel 
eu acredito que nós temos uma imensa
capacidade de nos relacionarmos, não só na

América Latina, mas na áfrica, na ásia, na
Europa, inclusive na América do Norte. E
creio que esse posicionamento do Brasil é
um reconhecimento por duas coisas. Num
mundo crescentemente desigual, num mundo
em que todo o desenvolvimento, todo o
crescimento tem levado não a uma diminuição
das diferenças, não a uma diminuição das
diferenças sociais, nem territoriais, mas numa
ampliação, num mundo em que, por exemplo,
1% controla 40% por cento da riqueza, e isso
tende a se ampliar, num mundo em que a
saída da crise tem levado à perda de direitos,
à precarização do trabalho e a imensas chagas
sociais, o Brasil corre em trilha completa e
totalmente diferente.
  Primeiro, nesse mundo, nós provamos
que no Brasil e não era só no Brasil, algo que
era de uma certa forma uma visão distorcida
e muito especializada para países em
desenvolvimento, que não era possível crescer
e distribuir renda. Nós rompemos com isso.
O grande respeito que nós temos é porque
nós não governamos sem olhar o nosso povo.
Um país que deixa seu povo à margem do
seu desenvolvimento e do seu crescimento,
não é respeitado por ninguém. Nós temos a
nossa capacidade de produzir respeito, porque
produzimos antes melhorias econômicas e
sociais. Estabilizamos a economia brasileira.
Não somos mais dependentes do Fundo
Monetário. Temos mais de US$ 360 bilhões
em reserva. Controlamos a inflação, mas,
sobretudo, tiramos 40 milhões e os elevamos,
de situações de miséria, e os elevamos à
classe média. Além disso, temos hoje uma
política muito clara de continuar o trabalho
e prosseguir no rumo de incluir na sociedade
brasileira os 16 milhões que ainda vivem à
margem, em situação de extrema miséria.
  Tudo isso mostra que não somos só
um país que valoriza o desenvolvimento
econômico  valorizamos sim, até porque




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




precisamos dele. Precisamos crescer mais
rápido para poder distribuir renda, mas,
sobretudo, porque melhoramos a vida do
nosso povo e transformamos um povo, que
era marginalizado e não podia participar dos
benefícios do desenvolvimento econômico.
Transformamos esse povo em consumidor, em
trabalhador, em pequeno empresário e demos
a ele oportunidades, através de programas
estratégicos, como é o programa de educação,
que permitiu que mais jovens tivessem acesso
à educação profissional. e garantimos a
internalização no nosso país de universidades
através do ProUni, que é o acesso do estudante
mais pobre a escolas privadas universitárias.
Ampliamos as universidades públicas. E
mais, hoje percebemos, cada vez mais, que o
grande motor para mudar é ciência, tecnologia
e inovação.
  Nós temos que fazer as duas atividades. As
duas tarefas muito diferentes, mas, por isso,
que mostram a complexidade do nosso país.
Ao tempo que nós combatemos a miséria, nós
temos de ser capazes a responder aos desafios
do Século XXI: ciência, tecnologia e inovação.
  Nós temos, hoje, um bônus que se chama,
um bônus ligado à nossa distribuição etária, à
nossa matriz de idades, vamos dizer assim. O
fato de que durante, até em torno de 2030, nós
seremos um país que todos os trabalhadores,
todos os empresários, enfim, todas as pessoas
ativas, o número delas ultrapassará aqueles que
dependem socialmente como as crianças, os
jovens em idade de não trabalho e, sobretudo,
os idosos. esse bônus demográfico do país, ele
permitirá que o país se desenvolva, e mais do
que isso, se nós formos capazes de capacitar
a nossa força de trabalho, se nós formos
capazes de dar educação de qualidade a todos,
de transformar este país, de fato, numa grande
potência.
  Nós somos, hoje, e isso é algo extremamente
volátil, nós somos a sexta potência. Depende

da taxa de câmbio, tem uma variável taxa
de câmbio. Mas não é isso que importa. O
que importa é que nós sejamos, do ponto
de vista do nosso país, do ponto de vista da
nossa população, de fato, a sexta economia
em matéria de renda per capita e de acesso à
educação e aos serviços públicos de qualidade.
  é esse país que nós estamos projetando
internacionalmente, é esse país que tem o pré-
sal, é esse país que é uma potência alimentar,
é esse país que não vai deixar a sua indústria,
que é uma indústria razoavelmente complexa,
ser sucateada por nenhum processo de
desvalorização de moedas e nem por guerras
comerciais, que usam métodos não muito, eu
diria assim, não muito éticos.
  Esse país tem uma imensa capacidade de
projeção internacional, porque esse país se
encontrou internamente. Isso é extremamente
importante. é só por isso que nós, hoje, temos
extrema capacidade de projeção internacional.
Deve-se a nós mesmos. Não se deve a nenhuma
simpatia ou nenhuma preferência. Deve-se à
força do próprio país. Por isso, eu acredito que
é muito importante perceber as relações entre
política interna e política externa no Brasil.
O que nós defendemos lá fora é o que nós
fazemos aqui dentro. E isso é crucial.
  Ao mesmo tempo, vivemos num mundo
em transformação, num mundo multipolar,
um mundo que está mudando, que mudou.
Primeiro de uma situação bipolar para uma
situação de quase hegemonia unipolar,
mas que hoje, percebe-se claramente a
multipolarização que existe. Neste mundo, o
Brasil tem um papel especial, extremamente
complexo. Não é um papel simples que nós
podemos fazer uma lista e falar: primeiro isso,
segundo aquilo, terceiro aquilo. Não é assim,
é simultâneo. Simultaneamente, nós temos de
ter uma presença fortíssima na América Latina
e uma presença que transforma as fronteiras
da América Latina e as responsabilidades




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	31




do Brasil em relação à América Latina na
responsabilidade do país com maior PIB, com
maior poder econômico e, ao mesmo tempo,
um país que tem de mostrar que uma outra
política, de relacionamento internacional é
possível. Uma outra política não imperialista,
não de subordinação do país menor, não de
aproveitamento da força e da imposição de
modelos.
  Nós temos de mostrar, aqui na América
Latina, que é possível uma relação econômica
mais equilibrada. Uma relação econômica de
integraçãodecadeiasprodutivasequeospaíses,
diferenciadamente, ganhem, reconhecendo
o papel de cada país nesse cenário, sabendo,
inclusive, que há diferenças. Sabendo que há
relações diferenciadas também desses países
com o mundo.
  é importantíssimo que, simultaneamente,
saibamos que os BRICS são estratégicos
para o Brasil. Nós, os BRICS, somos quase
hoje responsáveis por 56%, se não me falha
a memória, da taxa de expansão da economia
internacional. Os BRICS são diferentes.
Brasil, Rússia, índia, China e áfrica do Sul,
somos completamente diferentes, mas somos
representantes	de	continentes	diversos.
Implica num reconhecimento da presença do
Brasil em um fórum em que países bastantes
significativos e com presença internacional
ocupam na cena. Significa que o Brasil tem
um diálogo especial e uma relação com, tanto
dentro dos BRICS, quanto dentro dos IBAS,
que é índia, Brasil e áfrica do Sul, nós temos
um fórum no qual o Brasil não é só ouvido, o
Brasil é protagonista.
  Acredito que a relação com os países da
ásia é estratégica para o Brasil. é estratégica,
porque o Brasil é um grande fornecedor e será
sempre um grande fornecedor de commodities,
mas será, e eu asseguro a vocês, um grande
fornecedor também de manufaturas.
  Nós temos de equacionar três amarras do

país e construir o caminho, o chamado quarto
caminho. As três amarras são: taxa de juro,
taxa de câmbio e impostos altos. E o caminho
é a educação de qualidade.
  Nós temos, porque somos mais
homogêneos, uma grande de possibilidade de
presença no mundo. Além disso, nós temos de
manter os nossos relacionamentos com a União
Europeia e com os Estados Unidos. Nós não
só temos, como devemos e podemos. E, hoje,
temos também um fórum muito importante
que é o G-20, no qual essas discussões podem,
em alguns momentos parecer que não saem
do lugar, mas elas constituem um espaço
completamente diferente do G-8, do G-7 ou
do G-9, que várias vezes ocorria no passado. é
inimaginável que nós não estejamos sentados
na mesa, na negociação. Hoje, é inimaginável.
  O Brasil também tem uma característica
que nós temos de preservar, de respeitar
nós mesmos. O fato de nós sermos um país
com uma tradição muito forte de paz, de
democracia. Agora, no passado não foi, mas
agora, nós construímos o nosso processo
democrático.
  Temos de respeitar os direitos humanos.
Esse processo é um valor. é um valor por
que? é um valor, porque o nosso povo é
um povo que tem espaço de manifestação, a
nossa imprensa tem liberdade e nós estamos
acostumados com a diferença.
  Nós não nos assustamos quando alguém
tem uma posição diversa, nós não deixamos
de convidá-lo para comparecer às reuniões.
Nós não achamos que nós temos de nos reunir
só com as pessoas que pensam igual a nós. é
essa característica profunda do Brasil que nos
torna um país respeitado em todas as áreas,
porque somos um país capaz de diálogo. E
isso é um valor que nós temos, um grande
valor que nós temos.
  Eu queria dizer que todo esse cenário
mais complexo vai exigir dos diplomatas




32

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




brasileiros duas características. Vocês têm, de
fato, de ser generalistas, mas não se iludam.
Vocês tem de ser também especialistas. é
impossível debater, no plano internacional,
se você não souber do que você está falando.
Se isso é exigido para um presidente, quanto
mais do diplomata, que é fundamental para
o presidente ter as informações necessárias.
Então, eu digo para vocês o seguinte: não tem
só generalista, não.
  Eu perguntei há pouco para o Patriota:
Patriota,	quantos	engenheiros?.	Sabe
por que eu perguntei quantos engenheiros?
Porque nós vamos discutir ciência, tecnologia
e inovação. Eu quero saber quem é melhor
em biotecnologia. Eu quero saber como é que
eu faço a ponte. Isso é fundamental. A gente
não precisa, eu perguntei para o Patriota, mas
quero dizer a vocês que a gente não precisa
ser formado em engenheiro para entender
de algumas coisas. Mas é importante que o
Itamaraty tenha engenheiros. é importante.
é importante que o Itamaraty tenha físicos.
é importante. é importante que o Itamaraty
tenha matemáticos. é importante. Porque nós
vamos entrar no Século XXI a partir de toda
uma situação em que nós já estamos, mas
será mais exigida daqui para frente. Esse é o
século do conhecimento. Esse é, sobretudo,
o século do conhecimento. é o século da
capacidade de se dominar certas tecnologias
e é o século da capacidade nossa de inventar,
de criar. é o século, também, que permitirá
que aqueles países que tenham na sua força
de trabalho, no seu povo, a sua maior riqueza,
seja o país que estará mais bem condicionado
internacionalmente. Apesar de nós termos
tudo aquilo, petróleo, indústria, nós temos de
apostar na qualidade do ensino da população
brasileira. Isso é o estratégico e isso vale para
o Itamaraty também. E eu acredito que nós
temos um caminho de muitas transformações
que nós temos que entender rapidamente e

estar prontos para atuar.
  essa flexibilidade também é característica
do Brasil. Eu acho que é essa combinação
de criatividade com imensa capacidade, ser
flexível, de entender rapidamente, de conviver
com a diferença que distingue esse país. E
torna ele imbatível.
  Queria dizer a vocês que para mim foi
muito emocionante o fato de vocês escolherem
a Milena e não o Barão [do Rio Branco]. Eu
acho o Barão uma das personagens mais
importantes desse país, porque o Barão foi
responsável pelo mapa do país, pela definição
do nosso território sem guerra. O Barão foi,
talvez, um dos mais hábeis diplomatas que
o mundo já viu. Nós sabemos, todos nós, da
importância dele, mas eu acho que o ato de
escolha não é um ato em detrimento do Barão,
é um ato de afirmação das oportunidades que
esse país tem de dar para as pessoas.
  A Milena Oliveira de Medeiros, e aqui eu
encerro dizendo, que esse país, ele tem que
ter muitas mulheres. E que eu espero que nós
todos aqui, presidentes, diplomatas, alunos,
enfim, todos nós aqui presentes sejamos
capazes de permitir que esse país tenha muitas
Milenas.
  Muito obrigada.
  .

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	33


























































34

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012










PALAVRAS POR OCASIãO DA SESSãO SOLENE DE ABERTURA DO
  ANO DO CENTENáRIO DE MORTE DO BARãO DO RIO BRANCO
                                            (BRASÍLIA, 10/02/2012)
                                                         10/02/2012

                                                                   
                                                                   
                                                                   
                                                                   
                                                                   
                                                                   

  Quero estender minhas boas-vindas a todos
os colegas e amigos que se associam a nós para
recordar o legado do Barão do Rio Branco.
  é uma honra contar com a presença de
familiares de Rio Branco, assim como de ex-
Chanceleres, ex-Secretários-Gerais do Itamaraty
e ex-Diretores do Instituto Rio Branco.
  Também muito estimulante é ver, na platéia,
tantos jovens diplomatas. Vocês, que são o futuro
da instituição a que por vezes nos referimos
como a Casa de Rio Branco, constituem parte
essencial das celebrações do centenário de José
Maria da Silva Paranhos Júnior, às quais tenho o
prazer de dar início hoje.
  Cumprimento	o	Embaixador	Manoel
Gomes Pereira, que, sob a orientação do
nosso Secretário-Geral, o Embaixador Ruy
Nogueira, vem coordenando, com dedicação
e profissionalismo, os esforços de organização
dessas celebrações - esforços coletivos,
que envolvem vários órgãos do Executivo,
representantes do Legislativo e entidades
como a Academia Brasileira de Letras e o
instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
Agradeço a todos o empenho.
  Hácemanosfalecia,emseugabinetedetrabalho
no Itamaraty do Rio de Janeiro, o Barão do Rio
Branco. Uma morte que, como é freqüentemente

lembrado, adiou o carnaval carioca - o que, como
nós brasileiros sabemos avaliar, dá bem a
medida do reconhecimento e do prestígio que
Rio Branco logrou obter em vida.
  Passado um século, o Brasil e o mundo
atravessaram - e seguem atravessando -
transformações profundas.
  Depois de períodos de regimes autoritários,
de descontrole macroeconômico e de
agravamento de iniqüidades sociais, somos
hoje - apesar dos desafios que persistem em
diferentes campos - uma democracia madura,
uma economia estável e uma sociedade cada
vez mais inclusiva.
  Após duas Guerras Mundiais e um longo
período de bipolaridade, vivemos, neste início
de século XXI, um sistema internacional
de intensa efervescência geopolítica. Em
meio a Primaveras Árabes e a dificuldades
econômicas de impacto global, ganha força
um processo de desconcentração de poder
que parece apontar para alguma forma de
multipolaridade.
  Um turbilhão de acontecimentos nos separa,
nos planos interno e externo, do momento em
que Rio Branco foi Chanceler. Em 1912, só
para que se tenha uma idéia, eram pouco mais
de 50 os Estados independentes.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	35




   E, no entanto, a obra e o exemplo do Barão
permanecem como referência necessária para
o Itamaraty e para o Brasil.
  é essa atualidade que nos reúne hoje.
  Não pretendo estender-me sobre as várias
facetas de Paranhos Júnior. Muito já se disse
sobre o diplomata, o estudioso da História e da
Geografia do Brasil, o jornalista, o deputado.
a figura do Barão será abordada, hoje, pelo
Embaixador Luiz Felipe de Seixas Corrêa,
com sua conhecida erudição. Faço apenas uns
breves comentários.
  O tempo não apaga o significado estratégico
e decisivo da configuração pacífica de nossas
fronteiras. Nem a capacidade de compreender
as redefinições em curso no cenário mundial e
a elas reagir de forma eficaz.
  Rio Branco, superadas as pendências
fronteiriças, esboçou as bases para uma
agenda de cooperação sul-americana e para
uma ação diplomática voltada à conquista de
espaços de crescente autonomia e de alcance
global para o Brasil.
  Tampouco	passou	despercebido,	a
biógrafos e outros observadores, o Barão
boêmio. Ou o Barão que revelava valores e
mesmo preconceitos típicos do século XIX,
no qual cresceu e se formou.
  Senhoras e Senhores,
  aspecto de especial significado, na trajetória
de Rio Branco, é sua índole de estadista capaz
de colocar-se além de interesses setoriais e
localizados.
  Seu compromisso era com o Brasil.
  Monarquista, Rio Branco foi Chanceler
da República. Na República, esteve à frente
do Itamaraty durante os mandatos de quatro
Presidentes consecutivos.
  alguns analistas poderão identificar, aí,
uma aptidão incomum para ajustar-se às
cambiantes circunstâncias políticas. Mas a
própria biografia de rio Branco permite uma
interpretação distinta.
   
A sobrevivência política do Barão parece
tributária, acima de tudo, de uma dedicação
inabalável ao Brasil.
  A atenção aos detalhes que o caracterizou
no trato das questões diplomáticas, em
particular as de limites; a coragem de,
em busca de entendimentos equilibrados,
propor concessões justas; a preocupação
em influenciar a opinião pública, por meio
da imprensa, em favor do que considerava
serem os melhores interesses do País - tudo
isso reflete enormes qualidades intelectuais e
rara capacidade de ação na defesa do Brasil,
na promoção dos seus direitos e na construção
de um entorno de cooperação; tudo isso revela
um estadista na mais pura acepção da palavra.
  Assim, é também o Rio Branco homem
de Estado que proponho celebrarmos neste
centenário.
  O Rio Branco que, em discurso às vésperas
de sua posse no itamaraty, afirmou:
  Não venho servir a um partido político;
venho servir ao nosso Brasil, que todos
desejamos ver unido, íntegro, forte e
respeitado.
  Senhoras e Senhores,
  Rio Branco está também associado ao
Instituto que leva seu nome e, de forma mais
ampla, ao recrutamento de novos diplomatas
e à formação do quadro de profissionais do
Itamaraty ao longo de suas carreiras.
  Foi o responsável por introduzir novos
padrões de profissionalismo em nossa
Chancelaria, preparando-a para os desafios
das primeiras décadas do século XX.
  Permito-me, assim, concluir com o
pensamento voltado para a importância
que continuamos a atribuir à capacitação
profissional e ao aperfeiçoamento de nossa
instituição pela via da meritocracia.
  Para um país com 226 Postos no
exterior - entre os quais 138 Embaixadas - e
relações diplomáticas com 193 Estados, o




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




dimensionamento de nossos recursos humanos
e seu preparo para responder aos desafios
contemporâneos têm de ser necessariamente
distintos daqueles de 1912.
  Mas em certo sentido podemos nos situar
no mesmo espírito que inspirou Rio Branco:
precisamos ser cada vez mais sul-americanos
e cada vez mais sintonizados com o momento
vivido	pelo	conjunto	da	comunidade
das nações. Como às vezes afirmo, mais
ancorados em nossa região e, ao mesmo
tempo, mais multipolares. Com tudo o que
isso implica em termos de conhecimento das
realidades econômicas, políticas e culturais de
nossa vizinhança e de um cenário global em
aceleradas transformações.
  Conversei recentemente com o Diretor do
Instituto Rio Branco, Embaixador George
lamazière, sobre como refletir no programa
de nossa Academia Diplomática esse duplo
objetivo. Trata-se de tarefa que, adaptada às
circunstâncias de um Brasil mais próspero,
justo e democrático, não deixa de inscrever-
se em uma tradição passível de ser ligada ao
trabalho e à visão de mundo do Barão.
  Rio Branco conhecia como poucos o
entorno	sul-americano	e	nunca	deixou
de abrir-se ao mundo. Agiu sempre com
pragmatismo, ajustando o instrumento de ação
à especificidade de cada situação com que
se defrontava, sem limitar-se por conceitos
rígidos ou por especulações infundadas. é
esse o Patrono a cuja memória novamente
rendemos homenagem.
  Cem anos após sua morte, o Brasil tem
o direito de se orgulhar das conquistas
alcançadas.
  isso não significa, naturalmente, que não
tenhamos, pela frente, importantes desafios,
seja no plano doméstico, seja no internacional.
  Mas avançamos a passos largos no
projeto de integração regional em suas várias
vertentes, que incluem o Mercosul, a Unasul

e a Celac. Desenvolvemos intensas relações
bilaterais com todos os países da região
e mundo afora. Criamos novas instâncias
de coordenação que nos permitem atuar
e oferecer uma contribuição em todos os
cenários mundiais. Temos uma mensagem a
difundir sobre desenvolvimento sustentável,
eqüidade, democracia, defesa dos direitos
humanos, cooperação e paz.
  Sob a liderança da Presidenta Dilma
Rousseff, podemos estar certos de que o
pragmatismo, o profissionalismo e o apego
aos interesses nacionais que orientaram
Rio Branco e até hoje nos unem seguirão
possibilitando conquistas de novos espaços
com coerência, criatividade e - como diz a
Presidenta da República em sua mensagem
alusiva ao centenário do Barão - com crescente
confiança.
  Muito obrigado.

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	37


























































38

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012










  LANçAMENTO DO PLANO DE RELAçõES INTERNACIONAIS DO
GOVERNO DO ESTADO DE SãO PAULO  DISCURSO DO MINISTRO
      DE ESTADO, EMBAIXADOR ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA
                                           (SãO PAULO, 02/04/2012)
                                                          04/04/2012

                                                                    
                                                                    
                                                                    
                                                                    

  Quero,inicialmente,agradeceraoGovernador
Geraldo Alckmin o convite para participar do
lançamento do Plano de Relações Internacionais
do Estado de São Paulo 2011-2014.
  Pela sua formação histórica, pelo porte
de sua economia e pelo elevado grau de
internacionalização do significativo número
de suas empresas e instituições, o Estado
de São Paulo tem antiga, sólida e crescente
vocação internacional.
  Sua capital é uma cidade cosmopolita, que
a cada momento nos faz evocar seu passado
forjado pela imigração de todos os quadrantes
do mundo e seu presente de intensa interação
internacional.
  Sua indústria, sua agricultura e seu setor
de serviços estão diretamente conectados com
os mercados internacionais e com os centros
mundiais de tecnologia e de finanças.
  São Paulo é tanto porta de entrada do País
quanto de saída de brasileiros para o mundo.
O número de conexões áreas diretas a partir
de sua capital revela-se cada vez maior,
cobrindo não apenas o entorno regional, mas
crescentemente pontos extra-continentais.
  Os	próximos	anos	ensejarão	maior
exposição internacional de São Paulo e do
Brasil, com a realização dos megaeventos

esportivos. Mais proximamente, teremos
a Rio+20, que não deixará de também ter
impacto sobre São Paulo.
  A candidatura de São Paulo a sede da
exposição universal de 2020 traz desafio
particular para os setores envolvidos com
a área externa dos governos estadual e
municipal.
  O Itamaraty, que está presente em São
Paulo por meio do nosso Escritório de
representação, chefiado pelo embaixador
Affonso Massot, não poderia deixar de
apresentar-se como parceiro de primeira hora
da iniciativa pioneira de São Paulo de lançar
plano consolidado para orientar e fortalecer
sua atuação na área externa.
  Quero registrar o reconhecimento do
trabalho que, sob orientação do Governador
Alckmin, realizou a Assessoria Especial para
Assuntos Internacionais do Governo, na pessoa
do Assessor-Chefe, Rodrigo Tavares. Foi um
trabalho desenvolvido em interação com o
Itamaraty e com atenção às competências e
responsabilidades da União e do Estado de
São Paulo sob nossa Carta Magna.
  é sempre oportuno recordar que a ação
externa de Estados e Municípios se situa sob
a égide da Constituição Federal, que, em seu




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	39




artigo 21, prevê a competência da União de
manter relações com Estados estrangeiros e
participar de organizações internacionais.
  Ao institucionalizar suas áreas de atuação
externa na forma de Assessorias Especiais ou
mesmo Secretarias de Governo, os Estados
e Municípios não poderão prescindir da
necessária parceria com o Governo Federal,
condição	indispensável	para	uma	ação
internacional do Brasil capaz de manter-se
coesa, coerente e eficiente.
  No mundo exterior, a ação internacional dos
Estados e Municípios brasileiros será sempre
vista como parte integrante e inseparável da
ação externa do Brasil.
  Nessa linha, o Plano de São Paulo concilia
adequadamente a contribuição que os entes
federados, em sua atuação externa, podem
prestar à projeção e à defesa dos interesses do
Brasil nos planos regional e global.
  Senhoras e Senhores,
  Desde	o	primeiro	momento	de	seu
Governo, a Presidenta dilma rousseff definiu
as prioridades e diretrizes que vêm orientando
a política externa brasileira, indicando que a
política externa deveria ser  como de fato é 
parte do projeto nacional de desenvolvimento.
  O Brasil de hoje é um país ao mesmo tempo
mais próspero e menos injusto. Conciliamos
crescimento econômico, progresso social e
consciência ambiental.
  O Brasil sediará, em junho, a Conferência
das Nações Unidas sobre Desenvolvimento
Sustentável, no Rio de Janeiro. A Rio+20
será oportunidade para reafirmarmos que o
manejo sustentável dos recursos naturais, a
promoção do desenvolvimento econômico
e a erradicação da pobreza são objetivos
plenamente compatíveis entre si.
  Nosso país se distingue por sua vocação
pacífica.
  Nossa voz é cada vez mais ouvida e
demandada.
   
O Brasil tem uma presença diplomática
que se aproxima do que pode ser a verdadeira
universalidade. Mantemos relações
diplomáticas com todos os Estados membros
das Nações Unidas. Temos hoje 226 postos no
exterior, dos quais 8 em processo de instalação.
São 138 Embaixadas, 13 Missões junto a
organismos internacionais, 3 Escritórios e 72
Repartições Consulares.
  A articulação da presença internacional do
Brasil envolve, de um lado, o fortalecimento
de iniciativas de integração regional e, de
outro, uma atuação firme na projeção global
do país.
  A América do Sul tem condições de ser,
para o mundo, um exemplo de cooperação e
de boa vizinhança.
  O contínuo avanço no MERCOSUL como
bloco de integração e dinamismo econômico,
a entrada em vigor do Tratado Constitutivo
da uNaSul, ratificado pelo Brasil em 2011,
e a criação da Comunidade de Estados da
América Latina e do Caribe (CELAC) nos dão
um quadro institucional que poderá responder
às demandas por cooperação em diferentes
geometrias, com uma boa divisão de trabalho
entre as diversas instâncias.
  O desafio, agora, será o de extrair o máximo
de resultados das novas estruturas, o que será
importante em uma conjuntura internacional
que vem sendo favorável à América Latina e
Caribe, tanto na economia como na política.
  Mantemos relações de forma
crescentemente intensa com todos os pólos da
configuração multipolar em gestação. Tanto os
pólos consolidados (EUA, Europa, Japão)
como os novos pólos (BRICS).
 a reconfiguração do poder mundial, que
evoluiu para uma geometria crescentemente
multipolar, coloca em questão a legitimidade
de instituições criadas em outros contextos.
O tema da governança global adquire, assim,
especial relevância e atualidade  e a Reunião




40

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




de Cúpula do BRICS, na semana passada,
em Nova Délhi, da qual participou a Senhora
Presidenta da república, confirmou uma vez
mais essa percepção.
  Não há dúvida de que o G-20 é mais
representativo do mundo contemporâneo do que
o G-8 e, como tal, consolida-se como instância
necessária, cuja legitimidade se vê respaldada
precisamente pelo maior peso relativo dos
países emergentes. Em outras áreas, persistem
anacronismos,	como	na	composição	do
Conselho de Segurança da ONU.
  Desde o início do ano passado, os ventos da
democracia e da abertura começaram a soprar
pelo Oriente Médio e pelo norte da áfrica de
forma nunca antes vista.
  A experiência do uso da força militar, em
nome das Nações Unidas, na Líbia, provocou
reações e debates que deixaram entrever
a existência de diferenças importantes de
atitude sobre como lidar com situações que
exigem a proteção de civis e sobre qual a
melhor forma de promover a democracia e os
direitos humanos no plano internacional.
  O mundo enfrenta desafios difíceis em
situações como a da Síria, país tão próximo do
Brasil  e de São Paulo  por laços humanos
e históricos, e que esperamos possa em breve,
com a ajuda da comunidade internacional,
encontrar seu caminho de paz e democracia,
dentro de respeito aos direitos humanos.
  A harmonia entre as comunidades judaica
e de origem árabe em São Paulo nos impele a
crer na possibilidade de paz entre israelenses
e palestinos, mas é preciso buscar fórmulas
inovadoras. Os mecanismos existentes, como
o Quarteto, não têm produzido resultados.
  No plano econômico, tornou-se ainda mais
evidente que os países emergentes  e muito
especialmente os BRICS  passaram a ser os
principais motores da economia internacional
e atores centrais para a superação da crise.
  Nesse quadro, o Brasil tem desempenhado

papel construtivo, contribuindo para reduzir
desequilíbrios globais. Mantivemos uma
elevada demanda por importações, o que
ajudou a mitigar os efeitos recessivos nos
nossos parceiros comerciais. Em 2012, os
países emergentes já serão responsáveis, pela
primeira vez, por metade das importações
mundiais.
  Com essas credenciais, o Brasil  e
a Presidenta Dilma Rousseff tem estado
pessoalmente muito atenta a esse tema
tem expressado seu ponto de vista sobre o
encaminhamento da atual crise financeira
internacional, apontando a necessidade de que
o Brasil responda a medidas tomadas por países
desenvolvidos e que afetam negativamente
nossos interesses, como é o caso das iniciativas
de afrouxamento quantitativo, que
provocam a desvalorização artificial de outras
moedas e, consequentemente, prejudicam a
competitividade das nossas exportações.
  Senhoras e Senhores,
  Em vários aspectos de suas relações
exteriores, o Brasil se beneficiará de maior
atenção dos entes federativos à esfera
internacional e da articulação deles com o
Governo Federal.
  O Itamaraty há muito reconheceu a nova
realidade da diplomacia federativa e tem
trabalhado intensamente, em coordenação
com Estados e Municípios, para explorar com
eles sinergias na promoção dos interesses do
Brasil.
  Em 1996 foi criada uma unidade, ligada
ao Gabinete do Chanceler, para tratar da
diplomacia federativa  uma iniciativa pioneira
no Governo Federal  e hoje essa atividade
divide com a área parlamentar a atenção da
Assessoria Especial de Assuntos Federativos
e Parlamentares, ponto focal no Itamaraty
para a coordenação da nossa diplomacia com
Estados e Municípios engajados em ações
externas.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	41




   Nessa tarefa, o Itamaraty conta, igualmente,
com nove escritórios de representação em
nove capitais do Brasil: além de São Paulo,
Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife,
Salvador, Manaus, Curitiba, Florianópolis e
Porto Alegre.
  Muitas outras unidades do Itamaraty  como
o Departamento de Promoção Comercial, a
Agência Brasileira de Cooperação, o próprio
Cerimonial e os departamentos geográficos
e temáticos, além da nossa extensa rede
diplomática e consulno  também vêm
consolidando esse mesmo papel em relação
aos Estados e Municípios. Essas unidades
ajudam na organização de missões ao
exterior, no recebimento de missões e
autoridades estrangeiras em todo o Brasil e no
desenvolvimento de iniciativas e programas
voltados ao aproveitamento das numerosas
oportunidades de parceria que o mundo abre
hoje ao nosso País.
  Dessa	forma,	o	Plano	de	Relações
Internacionais de São Paulo nasce com a
garantia de que os órgãos encarregados da sua
implementação aqui no Estado de São Paulo
terão no Itamaraty um apoio fundamentado
no respeito à ordem Constitucional, com
vistas à formulação e execução de programas
e projetos de ação internacional.
  Quero desejar ao Governador Alckmin, sua
equipe e a São Paulo êxito na implementação
deste Plano. Que ele contribua para reforçar o
papel do Estado de São Paulo na continuada
ampliação da presença internacional do Brasil
e da projeção mundial dos interesses de nosso
País para o benefício de todos os brasileiros.
  Muito obrigado.

   
   
   
   
   
   
   
   
   

42

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012










PRONUNCIAMENTO EM SESSãO SOLENE DA ASSEMBLEIA
    LEGISLATIVA DO ESTADO DE SãO PAULO ALUSIVA AO
    CENTENáRIO DE MORTE DO BARãO DO RIO BRANCO
                                    (SãO PAULO, 02/04/2012)
                                                  05/04/2012

                                                           
                                                           
                                                           
                                                           

  é uma honra poder dirigir-me a Vossas
Excelências desta tribuna.
  Minhas	primeiras	palavras	são	para
cumprimentar	a	Assembléia	Legislativa
do Estado de São Paulo pela iniciativa, tão
oportuna, de realizar esta sessão solene em
memória do centenário da morte de José
Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do
Rio Branco.
  Agradeço especialmente ao Deputado
Itamar Borges, autor da moção que propôs a
realização desta sessão.
  Já há muitos anos, o Ministério das
Relações Exteriores incorporou a seu trabalho
a dimensão que denominamos diplomacia
federativa. Procuramos ter presente, em
nossos esforços diários, o engajamento com
as diversas unidades da Federação, em suas
vertentes executiva e legislativa.
  Nesse sentido, participei, na tarde de hoje,
da cerimônia de lançamento do plano de
relações internacionais do Governo Estado de
São Paulo.
  Minha participação nesta sessão solene se
inscreve no mesmo espírito de cooperação e
parceria.
  Senhor Presidente, Senhoras e Senhores,
  é significativo, para mim, como diplomata

de carreira e como Ministro das Relações
Exteriores, que a primeira visita que tenho o
prazer de realizar a esta Casa seja em momento
alusivo ao patrono de nossa diplomacia.
  Quero valer-me desta oportunidade para
recordar, com os Senhores, um pouco da obra
e do legado de Rio Branco, da importância
que teve  e continua a ter  para o Brasil.
  Não é por acaso que o nome de Rio Branco
está associado àquilo que normalmente se
considera como sua maior realização: a
solução, por meios pacíficos e dentro do
respeito aos direitos legítimos do Brasil, das
questões de fronteira que nosso País ainda
tinha pendentes no final do século XiX e
início do século XX.
  Antes mesmo de ser designado Chanceler,
Rio Branco defendeu a causa brasileira em
dois casos especialmente relevantes, ambos
submetidos à arbitragem de autoridades
estrangeiras: a chamada questão de Palmas,
na qual se definiram os limites ainda pendentes
entre Brasil e Argentina no trecho da fronteira
de Santa Catarina, e a questão da fronteira
entre o Amapá e a Guiana Francesa.
  Como se sabe, o primeiro caso foi resolvido
por laudo arbitral do Presidente Grover
Cleveland, dos EUA; o segundo teve como




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	43




árbitro o Governo suíço.
  Nos dois casos, fator crucial para a
prevalência das teses brasileiras foi o profundo
conhecimento de Rio Branco dos elementos
de geografia e história que fundamentavam
os direitos do Brasil. Desde jovem, Paranhos
tivera paixão pelos mapas, pelos documentos
históricos, e isso em uma época na qual mapas
e documentos não eram tão acessíveis como
são hoje.
  Depois de assumir o Ministério das Relações
Exteriores, no Governo de Rodrigues Alves 
paulista de Guaratinguetá , Rio Branco teve
que enfrentar o que foi, naquele momento, a
tarefa mais difícil para a diplomacia brasileira:
a de encaminhar e solucionar a questão do Acre.
  Também nesse caso a erudição histórica e
geográfica, aliada ao talento diplomático do
Barão, foi essencial.
  é fácil lembrar essas realizações. Mais
difícil, talvez, é avaliar seu significado.
  De tão plenamente incorporado a nossa
identidade nacional, o legado diplomático de
Rio Branco, que contribuiu para o desenho do
Brasil essencialmente como o conhecemos
hoje, poderia chegar a passar despercebido,
sobretudo para as gerações mais recentes.
  E, no entanto, o estabelecimento das
fronteiras é etapa fundamental para que um
país possa se inserir na sua região e no mundo
de forma mais afirmativa e confiante, pela
cooperação e em favor da paz.
  Rio Branco deixou-nos outro legado, talvez
menos tangível, que foi um estilo de atuação.
  Deixou-nos um exemplo de dedicação
ao trabalho bem feito, bem planejado. Um
verdadeiro exemplo de profissionalismo, que
vem sendo transmitido através das gerações.
  Decisivos para suas vitórias diplomáticas
foram, invariavelmente, o estudo minucioso
das circunstâncias específicas dos casos sobre
o quais se debruçou, o exame detido das
questões de Direito envolvidas em cada um

deles. Muito esforço, noites varadas na defesa
do direito do Brasil.
  Associou a atenção ao detalhe a uma
percepção particularmente arguta da dinâmica
internacional.
  Assim é que, neste início de século XXI,
rio Branco se afirma, para além de seus
demais atributos, como inspiração para os
homens e mulheres que, nos setores público
e privado, constroem o Brasil mais próspero e
mais justo que todos almejamos.
  Uma vez superadas as pendências
fronteiriças, Rio Branco pôde voltar-se para
a concepção de iniciativas de aproximação e
associação com os vizinhos sul-americanos.
  Esboçou o pacto Argentina-Brasil-Chile,
que muitos consideram uma espécie de
antecedente longínquo do MERCOSUL.
Entendeu que a um Brasil forte interessava
uma América do Sul coesa.
  No plano global, soube apreender,
como Chanceler, as mudanças no cenário
internacional daquele início de século XX e
a elas responder de forma construtiva e com
critério.
  Diante da constatação de que o principal
eixo de poder se deslocava da Europa para
o Novo Mundo, em direção a Washington,
reorientou nossas prioridades e reagiu de
forma que contribuiu para fortalecer, dentro
do espaço de possibilidades então vigente, a
autonomia do Brasil.
  Nesse, como em outros temas, Rio Branco
revelou-se um pragmático, no melhor sentido
da palavra.
  Monarquista, não se furtou a colocar
seus talentos a serviço da recém-proclamada
República brasileira, pondo o Brasil acima de
lealdades setoriais.
  Condicionado, é certo, pelos paradigmas
e premissas próprios do século XIX, em que
nasceu e foi educado, não se deixou prender a
dogmatismos nem a automatismos.




44

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




  Em alguma medida, é sobre as realizações
do Chanceler que articulou a ênfase sul-
americana com uma política voltada para o
conjunto do sistema internacional, e que agiu
sempre a serviço do que entendia serem os
melhores interesses do Brasil, que procuramos,
há cem anos, conceber e implementar nossa
política externa.
  Os tempos mudaram muito desde que Rio
Branco chefiou o itamaraty. O mundo mudou
e o Brasil mudou.
  Mas suas opções básicas  a América do Sul
e a interação com as dinâmicas de tendência
global , estas guardam atualidade.
  Guarda atualidade sua atitude de procurar
catalisar movimentos de cooperação na
região e, ao mesmo tempo, de compreender
adequadamente as transformações em curso
no cenário global e a elas reagir de modo a
melhor posicionar o Brasil.
  Em exercício especulativo, creio que Rio
Branco veria com bons olhos a União das
Nações Sul-Americanas, a UNASUL, assim
como o empenho brasileiro em foros como o
IBAS e os BRICS.
  Rio Branco entenderia como, a nossa
maneira, e um século depois, continuamos a
privilegiar o entorno sul-americano e a buscar
oportunidades abertas por um mundo em
processo de aceleradas transformações.
  é por isso que afirmei, na cerimônia em que
lançamos, no Itamaraty, o ano de celebrações
alusivas ao centenário do Barão, que, em certo
sentido, podemos nos situar no mesmo espírito
que o inspirou: precisamos ser cada vez mais
sul-americanos e cada vez mais sintonizados
com o momento vivido pelo conjunto da
comunidade das nações.
  Mais ancorados em nossa região e mais
multipolares.
  Com tudo o que isso implica em termos
de conhecimento das realidades econômicas,
políticas e culturais de nossa vizinhança e de

um cenário global cambiante.
  Com tudo o que isso implica, também,
para as crescentes responsabilidades que
assumimos no plano internacional.
  Tornamo-nos a sexta maior economia do
mundo. Avançamos em matéria de justiça
social. Aprendemos que boas políticas de
distribuição de renda, além de um imperativo
ético, são também boa política econômica.
Progredimos rumo a uma consciência
ambiental cada vez mais arraigada.
  Sem subestimar as dificuldades que
persistem, nos projetamos no mundo, em
muitos casos, pela força do exemplo.
  O desafio que hoje enfrentamos, sob a firme
liderança da Presidenta Dilma Rousseff, é o de
saber valer-nos das oportunidades que essas
circunstâncias nos oferecem para promover
nossos valores e interesses e, ao mesmo tempo,
aportar nossa contribuição para um sistema
internacional em que prevaleça a cooperação.
Um sistema internacional com mecanismos de
governança mais representativos e, portanto,
mais legítimos e eficazes.
  Senhor Presidente, Senhoras e Senhores,
  Política externa, como sabemos, não se
faz no vazio, mas a partir das possibilidades
abertas pelo sistema internacional e também
das condições objetivas internas do país que
representamos.
  Um ponto que merece ser lembrado é que a
jovem República brasileira, no tempo do Barão
Chanceler, era um país de meios modestos,
com o que seria um PIB per capita inferior ao
de vários vizinhos na América Latina.
  O êxito do Barão, quando temos presente
essa perspectiva, torna-se ainda mais
admirável.
  é esse estadista extraordinariamente eficaz
que recordamos hoje.
  E é apropriado que o façamos nesta Casa,
que reúne os representantes do povo do Estado
de São Paulo.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	45




   Porque Rio Branco, embora nascido no
Rio de Janeiro, teve o seu lado paulista e
paulistano. E, embora diplomata, teve também
sua experiência parlamentar.
  São Paulo teve especial importância na
trajetória de Rio Branco.
  Foi na já então respeitada Faculdade de
Direito do Largo do São Francisco  cujo
Diretor, Professor Antonio Magalhães Gomes
Filho, nos honra com sua presença  que o
jovem Juca Paranhos cursou a maior parte de
sua graduação.
  Digo a maior parte porque seu pai, o
Visconde do Rio Branco, acabou decidindo
enviá-lo a Recife para concluir seus estudos.
  Comenta-se que o Visconde, com o cuidado
de pai, considerava  já naquela época!  que
São Paulo oferecia excessivas distrações
para o jovem Juca, distrações que poderiam
perturbar sua rotina de estudante.
  E o velho Visconde, ainda que talvez
excessivamente zeloso, tinha lá suas razões.
  Juca	Paranhos,	como	tantos	outros
estudantes em São Paulo, se instalou numa
república de jovens.
  E foi em São Paulo que começou a construir
para si uma reputação que o acompanharia, de
algum modo, até o fim da vida: a de amante da
boa mesa, dos bailes, dos saraus.
  Ao graduar-se em Recife, José Maria
da Silva Paranhos Junior decidiu lançar-se
candidato a deputado pela então Província do
Mato Grosso.
  Eleito, cumpre reconhecer, demonstrou
pouco interesse e mesmo certa resistência a
dedicar-se ao dia-a-dia do debate parlamentar.
  Mas não se intimidou. Foi ao encontro
de sua vocação. Continuou a aprofundar
seus conhecimentos de história e geografia.
Licenciou-se para acompanhar o pai nas
negociações que se seguiram à Guerra do
Paraguai. E o que aprendeu nas tratativas na
Bacia do Prata contribuiria para o desempenho,

mais adiante, de suas complexas missões
diplomáticas.
  Senhor Presidente, Senhoras e Senhores,
  Se ressalto aqui a dimensão humana de Rio
Branco, é para afastá-lo da mitificação que
tantas vezes tem pesado sobre seu nome ao
longo dos últimos cem anos.
  A monumentalização de Rio Branco,
até certo ponto compreensível, acaba,
paradoxalmente, por turvar a compreensão do
seu real significado para o Brasil.
  O exemplo e a obra do Barão são
suficientemente eloqüentes.
  Está aí um personagem cuja memória, para
permanecer relevante, prescinde de qualquer
tentativa de idealização.
  Mais do que patrono da diplomacia
brasileira, um homem público que serviu, de
maneira exemplar, ao Estado brasileiro, para
além de interesses localizados.
  Reitero, assim, a satisfação com que participo
desta sessão alusiva ao centenário do Chanceler
que se referia a São Paulo como o lugar em que
passara alguns dos melhores anos de sua vida, e à
Faculdade de Direito do Largo do São Francisco
como sua Alma Mater.
  Sinto-me privilegiado de poder unir-me
aos Senhores nesta bela homenagem.
  Muito obrigado.

   
   

46

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012










DISCURSO DO MINISTRO ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA NA
 CERIMôNIA DE ABERTURA DA PRIMEIRA CONFERêNCIA DE
    ALTO NÍVEL DA PARCERIA PARA UM GOVERNO ABERTO -
                                         (BRASÍLIA, 17/04/2012)
                                                      17/04/2012

                                                               
                                                               
                                                               
                                                               

  é uma grata satisfação dirigir-me à Primeira
Conferência de Alto Nível da Parceria para um
Governo Aberto para, em nome do Ministério
das Relações Exteriores, dar as boas-vindas a
mais de 50 delegações de países amigos aqui
presentes, representantes da sociedade civil, da
academia, da imprensa e da iniciativa privada.
  Na presença da Presidenta Dilma Rousseff, que
dentro em breve se dirigirá aos senhores e às senhoras,
é motivo de orgulho para a diplomacia brasileira
participar, em conjunto com a Controladoria-
Geral da União, aqui representada pelo Ministro
Jorge Hage, da organização deste evento.
  Em poucos meses, a Parceria para um
Governo	Aberto	(OGP)	vem	crescendo,
tomando forma e atraindo amplo interesse junto
à comunidade internacional.
 a	participação	na	OGP	confirma	o
compromisso do Brasil com a prevalência dos
valores democráticos e dos direitos humanos e
com a construção de modelos de governança
com transparência, prestação de conta dos atos
de governo, acesso à informação.
  O Brasil participa ativamente de diversas
iniciativas internacionais na matéria  entre
outras, como Parte da Convenção das Nações
Unidas contra a Corrupção e no Grupo de
Trabalho Anti-Corrupção no âmbito do G-20.
   
O trabalho de construção da Parceria para um
Governo Aberto é o resultado de uma interação
produtiva e inovadora entre governos  e destaco,
em particular, os membros do Conselho Diretor
 áfrica do Sul, Estados Unidos, Filipinas,
Indonésia, México, Noruega e Reino Unido, além
do Brasil ,organizações não-governamentais, que
têm acompanhado e contribuído substantivamente
para levar adiante a iniciativa. Esse é o espírito
que buscamos desde a concepção da iniciativa:
aproveitaradiversidade,compartilharexperiências,
intercambiar idéias.
  O alto nível de representação dos Governos a
esta reunião demonstra o comprometimento de
cada um dos membros  dos antigos e dos novos
 com os objetivos dessa Parceria.
  estou certo de que ao final desses dois
dias de reuniões, sairemos enriquecidos pelo
intercâmbio livre de idéias proporcionado por
essa Conferência.
  Ao reiterar as boas-vindas aos participantes
aqui presentes, desejo expressar minha convicção
de que nossos trabalhos venham a proporcionar
contribuição importante para a consolidação do
Governo Aberto no Brasil e no mundo e para o
fortalecimento dos laços de cooperação entre os
países aqui representados.
  Muito obrigado..

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	47


























































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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012










              DISCURSO NA CERIMôNIA DO DIA DO DIPLOMATA 
FORMATURA DA TURMA DE ALUNOS DO INSTITUTO RIO BRANCO
                                              (BRASÍLIA, 20/04/2012)
                                                          20/04/2012

                                                                     
                                                                     
                                                                     
                                                                     
                                                                     
                                                                     

  é uma honra contarmos com a presença da
Senhora Presidenta da República no Itamaraty
no Dia do Diplomata.
  Hoje é o dia da formatura dos nossos novos
colegas, todos já plenamente integrados e
desempenhando funções nas diferentes áreas
do Itamaraty.
  Estamos lidando com as realidades de um
mundo novo e de um Brasil novo.
  Está em curso um processo de redistribuição
do poder nas relações internacionais. E o Brasil
atual  o Brasil da democracia e dos direitos
humanos, o Brasil do crescimento econômico,
da inclusão social e da consciência ambiental
 é ator de crescente influência nesse processo.
  Desde o início de 2011, temos envidado
esforços em favor de uma política externa que
reflita as diretrizes e linhas de ação definidas
pela	Senhora	Presidenta	da	República.
Diretrizes e linhas de ação que colocam a
política externa a serviço do desenvolvimento
nacional em que estamos todos engajados.
  Tem sido intensa, como Vossa Excelência
sabe melhor que ninguém, a agenda de
visitas a outros países e a participação em
eventos multilaterais. Da mesma forma, têm
sido numerosas as autoridades estrangeiras
recebidas em Brasília, que é hoje uma das

capitais do mundo com maior atividade
diplomática.
  Na cerimônia de hoje, não caberia passar
em revista tudo que foi feito nestes últimos
16 meses. Gostaria, sim, de assinalar algumas
ênfases e idéias que vão traçando o perfil
da atuação externa do Brasil na Presidência
Dilma Rousseff.
  Começaria por mencionar a prioridade
atribuída a ciência, tecnologia e inovação,
com vistas a contribuir para a ascensão do
Brasil a um novo estágio de desenvolvimento,
fundado em uma economia mais flexível
e competitiva. esta ênfase reflete-se, por
exemplo, no temário de várias das visitas
realizadas e na cooperação educacional
impulsionada pelo Ciência sem Fronteiras.
Nossas Embaixadas e Consulados estão
mobilizados na identificação de oportunidades
no exterior para estudantes e pesquisadores
brasileiros.
  Outra ênfase diz respeito ao contato com o
setor privado e o conjunto da sociedade civil. A
agenda internacional de Vossa Excelência tem-
se caracterizado por uma interlocução estreita
e sistemática com representantes de empresas
brasileiras que, em número crescente, dirigem
seu olhar e seus investimentos para outros




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	49




países. Assim foi em Hannover, Washington
e Havana.
  Há pouco mais de um mês, na viagem
presidencial a Hannover, um empresário
brasileiro da área de tecnologia da informação
comentou	que	traços	distintivos	da
competitividade brasileira são a criatividade e
a imaginação. Precisamos aprender a melhor
aproveitá-las.
  é possível dizer que uma certa criatividade
tem	estado	presente	em	contribuições
conceituais do Brasil para importantes debates
internacionais.	Em	alguns	casos	temos
conseguido algo que, sabidamente, não é
trivial: incluir novos temas na agenda global.
  Nas Nações Unidas, em setembro do
ano passado, Vossa Excelência lançou o
conceito de responsabilidade ao proteger,
como complemento necessário da chamada
responsabilidade	de	proteger.	Trata-se
de maneira inovadora de dirigir a atenção
para aspectos obscurecidos em muitas das
discussões sobre o uso da força para a proteção
de civis, deixando clara a responsabilidade de
quem protege: em hipótese alguma poderá
causar mais destruição e instabilidade do que
pretende evitar.
  Também na esfera das relações comerciais
e financeiras introduzimos idéias inovadoras.
Em linha com as manifestações públicas de
Vossa Excelência, o Brasil ajudou a trazer para
a OMC a questão dos efeitos do câmbio sobre
o comércio. Após vencermos resistências de
todo tipo, conseguimos abrir caminho para o
tratamento de tema que passa a ser amplamente
reconhecido como atual e relevante.
  essa confluência de ênfases e idéias está
no cerne do esforço para a preparação da
Conferência Rio+20. O caminho percorrido
pelo Brasil na conformação de um novo modelo
de desenvolvimento com inclusão social e
consciência ambiental; a prioridade atribuída,
também na ação externa, a ciência, tecnologia

e inovação; a incorporação crescente, ao nosso
trabalho, da perspectiva do setor privado e da
sociedade civil; nossa capacidade criativa nos
posicionam como anfitrião capaz de fazer da
Rio+20 momento histórico na consolidação
de um novo paradigma de desenvolvimento.
  Senhora Presidenta, caros formandos,
  O Brasil quer ajudar a construir uma ordem
internacional mais justa e conducente ao
progresso econômico e social.
  Como observou a oradora da turma, a
transformação do sistema internacional não
é um movimento natural, pelo qual se possa
esperar passivamente. Há que se trabalhar por
uma transformação que leve ao surgimento de
um sistema internacional mais cooperativo,
melhor capacitado para promover o
desenvolvimento e a paz.
  Estamos especialmente bem posicionados
para esse objetivo.
  Temos relações diplomáticas com todos os
países das Nações Unidas.
  Estamos ampliando os quadros do serviço
exterior, tanto na carreira de diplomata como
na de oficial de chancelaria.
  Contamos com uma rede de representações
diplomáticas e consulares que figura entre as
maiores do mundo.
  A partir dessa base institucional, que
procuraremos sempre fortalecer, o Itamaraty
empenha-se em contribuir para a inserção
internacional de um Brasil que articula dois
imperativos: o aprofundamento da integração
sul-americana, nossa prioridade, e a ampliação
de nossa presença em escala global.
  No primeiro caso, além da atenção
diferenciada à relação bilateral com cada
vizinho, nos valemos de processos dinâmicos
e abrangentes de integração, como o
MERCOSUL, a UNASUL a CELAC.
  No segundo caso, trata-se de reforçar
parcerias com o mundo desenvolvido e em
desenvolvimento: isso envolve não somente




50

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




um olhar especial sobre a áfrica, nosso vizinho
atlântico, como a consolidação das relações
bilaterais com os pólos da ordem internacional
que se desenha, sejam potências estabelecidas,
sejam emergentes, e a interlocução com o
IBAS e o BRICS.
  Costumo	dizer	que	os	diplomatas
brasileiros precisam ser mais sul-americanos
e mais multipolares. Precisam ser mais
multilíngües. Precisam da visão de conjunto
e, simultaneamente, de conhecimento técnico.
  Quero registrar meu reconhecimento ao
Embaixador Georges Lamazière, que tem
introduzido	alterações	curriculares	para
modernizar nossa formação profissional.
  Assegurar a vitalidade desse espírito de
aperfeiçoamento de nosso profissionalismo
é a melhor homenagem que podemos prestar
ao legado do Barão do Rio Branco, cujo
centenário de morte lembramos este ano.
  Senhoras e Senhores,
  Felicito os formandos pela escolha de seu
paraninfo.
  O Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães
é um talentoso diplomata, um respeitado
intelectual, um incansável professor. Como
Secretário-Geral, teve uma gestão marcada
pelo empenho no fortalecimento institucional
do Itamaraty. Continuo a inspirar-me no seu
exemplo e na sua visão de um Brasil próspero,
justo, democrático e soberano.
  Felicito a turma, também, pela justa
homenagem que fazem a Milena Oliveira
de	Medeiros,	jovem	diplomata	cujo
desaparecimento prematuro foi profundamente
sentido por todos nesta Casa.
  Ao	cumprimentar	seus	familiares,
quero dizer que a Secretária Milena deixou
lembranças indeléveis em todos que pudemos
privar de seu convívio. Não me esquecerei
de nosso encontro em Malabo, na Guiné
Equatorial, durante a reunião ministerial da
ASA, quando pude descobrir uma jovem

talentosa e determinada, e conversar sobre sua
carreira e sua paixão pela música.
  Caros formandos,
  vocês escolheram uma profissão que,
abraçada com entusiasmo e espírito público,
oferece oportunidades de realização pessoal e
profissional praticamente ilimitadas.
  A preservação e ampliação do patrimônio
da diplomacia brasileira agora é também
tarefa de Vocês.
  Muito obrigado.

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	51


























































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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012










  PRONUNCIAMENTO DO MINISTRO ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA
NA 319ª REUNIãO DO CONSELHO DE PAZ E DE SEGURANçA DA UNIãO
       AFRICANA, SEGMENTO SOBRE A SITUAçãO NA GUINé-BISSAU
                                               (ADIS ABEBA, 24/04/2012)
                                                              24/04/2012

                                                                         
                                                                         
                                                                         
                                                                         

  (original em inglês)
  We favor dialogue and diplomacy and we
favor the best possible coordination between
regional peace efforts and the multilateral
system embodied in the United Nations. In
fact, as a country that is deeply involved in
an integration effort in its own region, Brazil
looks with respect and draws inspiration from
what the African Union has accomplished
on the eve of its 50th Anniversary on the
institutional front, and you are all aware that
we have a South American Community of
Nations that has been coordinating with Africa
through the ASA Summits and I consider
that we need to enhance this coordination.
From my perspective, there is much to be
learned from the African experience and
we will continue working together in this
spirit. Let me particularly thank the United
Nations Representative for Guinea-Bissau,
mr. mutaboba, for his briefing, as well as the
Minister for Côte dIvoire, on behalf of the
President of ECOWAS, President Ouattara,
and the Commissioner for ECOWAS, for
providing a framework for these discussions.
  Brazil has condemned in the most vigorous
terms the military coup and the interruption
of the presidential elections in Guinea-

Bissau. We have associated ourselves to
the communiqué from the Community of
Portuguese Speaking Countries, CPLP, has
adopted on the 14th of April, but we could
have equally associated ourselves with the
communiqué which was issued by the African
Union very swiftly, so may I say in passing,
on 17th of April, which suspended with
immediate effect the participation of Guinea-
Bissau in all activities of the African Union
and expressed its readiness to hasten the
attainment of the objective of restoration of
constitutional order in that country. We also
thank Angola for its valuable contribution to
the efforts towards the stabilization of Guinea-
Bissau and the reform of the defense and
security sector. Perhaps most importantly, the
Security Council, on the 21st of April issued
an extremely firm Presidential Statement,
which not only rejects the unconstitutional
establishment of a transitional national council
by the military leadership in Guinea-Bissau,
but also welcomes and supports the active
engagement and measures taken by the African
Union, the Economic Community of West
African States, ECOWAS, the Community
of Portuguese Speaking Countries, CPLP,
and encourages the coordination of these




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	53




efforts for the immediate restoration of
constitutional order. I believe that this is an
extremely important manifestation because,
as we look to the future, it provides a basis for
an inclusive coordination process, involving
all these actors, a process which we believe
should work towards a political and military
stabilization effort under United Nations
auspices.
  I believe that we have here an opportunity
for history not to repeat itself  and I am
quoting	here	the	Commissioner	from
ECOWAS  because in the past, although the
problems associated with Guinea-Bissau are
relatively small scale compared with many
other challenges, including some that will be
addressed here today by this Council in Mali
and in Sudan, we are dealing with a country
with one and a half million inhabitants
with relatively small military forces and
a coordinated effort by the international
community involving all major stakeholders,
could go a long way to convey a message
of effectiveness in dealing with peace and
security challenges. By contrast, failure in
Guinea-Bissau I think would convey a very
regrettable sense of impotence in the face
of an even comparatively minor peace and
security challenge.
  It is very much in this spirit that Brazil
participates in this meeting today and
expresses	its	readiness	and	willingness
to continue working alongside countries
members of the African Union under United
Nations auspices to produce a coordination
process that will lead to a stabilization effort, a
mission of stabilization in Guinea-Bissau that
will not only allow for the electoral process to
conclude in accordance with Guinea-Bissaus
Constitution, but would hopefully create a
road map for long term stabilization in Guinea-
Bissau through military and political action.
  I look forward to continue this dialogue

with all of you here, in South America, in New
York and at other venues and I am certain that,
given the spirit which i have identified here
today, we will be able to succeed. Thank you
very much.
  (versão em português)
  Privilegiamos o diálogo e a diplomacia e
privilegiamos a melhor forma de coordenação
possível entre os esforços regionais pela
paz e o sistema multilateral, personificado
nas Nações Unidas. Nesse sentido, o Brasil,
país profundamente comprometido com os
esforços de integração do seu entorno, vê
com respeito e como fonte de inspiração
tudo o que já alcançou a União Africana,
na véspera de seu 50º aniversário, no plano
institucional, e como todos sabem temos uma
Comunidade de Nações Sul-Americanas que
tem se coordenado com a áfrica por meio
das Cúpulas ASA, e considero que podemos
incrementar esta coordenação. A meu ver, há
muito a se aprender da experiência africana,
e continuaremos a trabalhar juntos nesse
espírito. Gostaria de fazer um agradecimento
especial ao Representante das Nações Unidas
para a Guiné-Bissau, Sr. Mutaboba, por seu
briefing, bem como ao ministro da Côte
dIvoire, representando o Presidente da
CEDEAO, Presidente Ouattara, e o Comissário
da CEDEAO, por fornecer as balizas para os
presentes debates.
    O Brasil condenou veementemente o
golpe militar e a interrupção das eleições
presidenciais na Guiné-Bissau. Associamo-
nos ao comunicado que a Comunidade de
Países de Língua Portuguesa  CPLP adotou
em 14 de abril, mas da mesma maneira
poderíamos ter-nos associado ao comunicado
emitido pela União Africana prontamente, se
me permitem o comentário, em 17 de Abril,
que suspendeu, com efeitos imediatos, a
participação da Guiné-Bissau de todas as
atividades da União Africana e expressou sua




54

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




prontidão para acelerar a busca do objetivo
de restaurar a ordem constitucional naquele
país. Agradecemos também a Angola por sua
valiosa contribuição aos esforços em prol da
estabilização da Guiné-Bissau e da reforma do
setor de defesa e de segurança.
  Talvez mais importante tenha sido a
vigorosa Declaração Presidencial emitida
pelo Conselho de Segurança, em 21 de abril,
que não apenas rejeita o estabelecimento
inconstitucional de um conselho nacional
provisório	pelas	lideranças	militares
na Guiné-Bissau, mas também saúda e
apóia a participação ativa e as medidas
adotadas pela União Africana, Comunidade
Econômica dos Estados da áfrica Oriental 
CEDEAO, Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa, CPLP, e apóia a coordenação
desses esforços para a restauração imediata
da ordem constitucional. Acredito que se trata
de manifestação de grande importância, pois,
à medida que olhamos para o futuro, ela nos
fornece uma base para um processo inclusivo
de coordenação, englobando todos esses
atores, processo esse que, acreditamos, deve
voltar-se para um esforço de estabilização
militar e política sob os auspícios das Nações
Unidas.
  Acredito que temos aqui uma oportunidade
de evitar que a história se repita  e aqui cito o
Comissário da CEDEAO , pois, no passado,
apesar de os problemas associados à Guiné-
Bissau serem relativamente de pequena monta
se comparados a muitos outros desafios,
incluindo alguns de que se tratará hoje neste
Conselho, a respeito do Mali e do Sudão,
estamos lidando com um país de um milhão
e meio de habitantes com forças militares
relativamente	pequenas	e	um	esforço
coordenado da comunidade internacional
envolvendo todos os principais interessados,
o que poderia ter grandes implicações ao
enviar uma mensagem de eficácia no trato de

desafios à paz e à segurança. em contraste,
um fracasso na Guiné-Bissau transmitiria uma
sensação desapontadora de impotência em
face de um desafio comparativamente inferior
à paz e à segurança.
  é neste espírito que o Brasil toma parte
nesta reunião hoje, expressando sua prontidão
e disposição em continuar trabalhando junto
com os países-membros da União Africana,
sob os auspícios das Nações Unidas, com
vistas a construir um processo de coordenação
que leve a um esforço de estabilização, uma
missão de estabilização na Guiné-Bissau
que permita não só a conclusão do processo
eleitoral de acordo com a Constituição da
Guiné-Bissau, como também a elaboração de
um caminho para estabilização a longo prazo
da Guiné-Bissau por intermédio de ações
políticas e militares.
  Espero poder continuar este diálogo com
todos vocês aqui, na América do Sul, em
Nova York e em outros fóruns e tenho certeza
de que, com base no espírito que identifiquei
aqui hoje, teremos êxito. Muito obrigado.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	55


























































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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012










     REMARKS AT THE FIFTEENTH MEETING OF THE CARIBBEAN
COUNCIL FOR FOREIGN AND COMMUNITY RELATIONS (COFCOR)
                                          (PARAMARIBO, 04/05/2012)
                                                          04/05/2012

                                                                     
                                                                     
                                                                     
                                                                     
                                                                     
                                                                     

  (original em inglês)
  Let me begin by thanking you all for the
privilege of taking part in this meeting today.
  I bring you a renewed message of my
Governments	commitment	to	long-term
partnership with the Caribbean region.
  On February 2011, I had the honor to
participate as a special guest at the 22nd
Inter-Sessional Meeting of the Heads of
Government of CARICOM, in Grenada.
  Since then, more than a year has gone by,
and I welcome this opportunity to meet again
with CARICOM.
  We have maintained high levels in trade
between Brazil and CARICOM, with an
overall total of over US$ 4.5 billion in 2011.
  encouraged though we are by figures such
as this, we recognize the imbalanced nature
of our current trade relationship. Brazil has
committed to finding ways to mitigate this
circumstance. A study was carried out in 2011
on Opportunities for CARICOM Exports to
the Brazilian Market. An English version of
the study, which identifies Caribbean products
with a potential to expand exports to Brazil,
will soon be released.
  In the same spirit, we have been working
to improve air connections between the

Caribbean and Brazil. There is already a direct
flight between São Paulo and Barbados, which
continues to have a very positive impact on
tourism and on overall commercial  as well
as human  relations within the region. Air
connections are crucial for effective regional
integration.
  Since the flight to Barbados was introduced,
nearly two years ago, new possibilities and
demands have appeared. We have invited
the Inter-American Development Bank and
CARICOM to send a team of experts to Brazil
to devise a legal framework that will allow for
open skies between Brazil and CARICOM
countries.
  Ladies and gentlemen, dear friends,
  Despite the strong economic turbulence in
the world economy, we have also been able to
move forward in our cooperation initiatives.
  While we in Brazil have been compelled
to make difficult budgetary decisions, the core
of what we can share with the Caribbean has
been preserved.
  The experience we can pass on through
technical cooperation initiatives is sure to
contribute to the tackling of several important
issues in the region.
  In the past 12 months, Brazil and

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	57




CARICOM have deepened their cooperation,
mainly in the agricultural sector.
  in this period, ten specific actions have been
implemented in personnel training involving
all countries of the Caribbean Community,
always under the coordination and funding
of the Brazilian Cooperation Agency, known
as ABC (its acronym in Portuguese). 88
experts from every one of the 14 CARICOM
countries have benefited from this effort, with
an important multiplying effect.
  In the context of our continued cooperation,
I wish to thank the representative of Trinidad
and Tobago for his Governments disposition
to host, on behalf of CARICOM, a model-
farm to be implemented by EMBRAPA  the
Brazilian Agricultural Research Corporation
, with the financial support of the Brazilian
Cooperation Agency. Soon, a team of
EMBRAPA experts will head to Port of Spain
on a mission to take stock of conditions and
evaluate costs so as to plan future action.
  Ladies and gentlemen,
  Brazil believes in applying internationally
the same set of values we uphold in our
own national experience. We have built a
democratic society that is structurally mindful
of human rights. We work to promote growth
in our economy without leaving behind those
who are in a less favorable situation. On
the contrary, we have learned, in practice,
that social inclusion, besides being a moral
imperative, is also sound economic policy, in
so far as it creates powerful domestic markets.
  While focusing on our own remaining
internal challenges  which we do not
underestimate , we are also highly concerned
with the issue of food security worldwide.
  This is why we placed much effort in
electing Dr. José Graziano da Silva to the
position of Director General of the United
Nations Food and Agriculture Organization 
and I thank all of you, once again, for your

valuable support. We need a FAO that is fully
apt to promote food security and to mobilize
the most adequate resources to combat hunger
in the world.
  At the same time, Brazil has been
developing policies and practices to face
the food security challenge  policies and
practices we are ready to continue to share in
the form of international cooperation.
  We have learned from experience that
improving and promoting small scale farming
is key.
  As a result of our Family Agriculture
policies, as we call them, today 80% of what
Brazilians eat come from small scale farms.
  This achievement was made possible in
a decade. We have implemented a program
in which the Government seeks to stimulate
the so-called weak linkages of the food-
producing sector.
  The realization that such progress is
actually viable is particularly relevant when
many nations, including Caribbean ones, are
highly dependant on food imports.
  The good news is that Brazilian programs in
this area are compatible with Caribbean reality.
They have been conceived to strengthen food
security from a small-scale approach, as they
are based on the idea of promoting production
in municipal communities, integrating all
partners in sustainable cycles that involve
small farms, local schools, hospitals and the
private sector in the community area, such as
hotels.
  Through technical cooperation in these
fields, our aim is to help Governments increase
food production and enhance food security.
  To fulfill this objective, Brazil is ready to
offer CARICOM countries know-how and
its best practices in areas such as genetic
treatment on a variety of species, cultivation
methods, irrigation and yielding technology
as well as training in farming equipment,




58

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




animal husbandry and their sub-products,
among others.
  Furthermore, there are also important
social policies directed to form and organize
cooperatives in a way that small farmers may
add value to their production without bulky
investments or high-end technology.
  The	Brazilian	Ministry	of	Social
Development, as well as that of Agrarian
Development, will be ready to provide, over
the next months, specific courses in Brazil
for CARICOM representatives in order to
share with you, whenever there is interest, our
policies and the experience we have acquired
in this critical area.
  More broadly, we will be offering in
Brazil, starting august 27th, a five-day course
for foreign Government officials in the area of
public social policies.
  I	have	in	my	delegation	today	a
representative of the Ministry of Social
Development who will be more than happy
to try and address questions you may wish
to raise about these and other cooperation
possibilities.
  Dear colleagues,
  Our political dialogue has also become
more systematic and more diversified over the
past years.
  The opening of Brazilian embassies in
every Caribbean capital has played a key
role in this process. The Brazilian diplomatic
missions in all 14 member countries of
the Community have allowed us to enrich
our mutual understanding and to ensure
straightforward communication between our
Governments.
  On this note, I take the opportunity to
acknowledge the opening of the Jamaican
Embassy in Brasília and, at the same time, I
wish to encourage other CARICOM members,
who have not yet done so, to move in the same
direction.
   
I have instructed my team to carry out
frequent visits to the Caribbean region in order
to meet with local governments and societies,
and I myself plan to visit other Caribbean
countries later this year.
  We are determined to continue to build
upon the framework established in April
2010, at the First Brazil-CARICOM Summit,
in Brasília. We are following the roadmap
established at that pivotal meeting.
  There remain outstanding tasks ahead of
us. For instance, we still need to turn into
reality the political consultation mechanism
established in the Brasilia Declaration.
Likewise, as I have discussed with some
of you on previous occasions, we need to
organize a ministerial meeting in preparation
for the Second Brazil-CARICOM Summit,
which could take place some time in 2013.
  Yet much has already been done over the
last two years.
  Mutual discovery of our common heritage
was one of the main objectives of the
Declaration stemming from the 2010 Summit.
The Declaration of Brasília recommended the
conduct of studies on slavery and its impact on
the formation of our cultures, so as to assign
the proper value to the African roots of our
shared history.
  It was in the intent of meeting this mandate
that the Brazilian Government held a series of
lectures on the subject, as a part of the Ibero-
American Meeting of the Afro-descendent
Peoples held last November in Salvador, in the
State of Bahia. The lectures were given by the
same 15 scholars (one from each CARICOM
country and one Brazilian) that contributed
with essays to the book The African Heritage
in Brazil and the Caribbean, which we took
the initiative of publishing in 2011, also as a
follow-up to the Brasília Declaration.
  The bonds that unite us are plenty, and they
also include common challenges in a fast-




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	59




changing international arena.
  Common challenges are better dealt with
in a coordinated fashion.
  That is why we attach such high value to
meetings like this one. That is also why we
are truly enthusiastic about the potential of
the recently-established Community of Latin
America and Caribbean States  CELAC.
  Distinguished colleagues,
  Before concluding, allow me to refer to the
United Nations Conference on Sustainable
Development, which we will be hosting in
Rio de Janeiro this coming June.
  On behalf of President Dilma Rousseff, I
would like to reiterate the invitation for your
Heads of Government, and yourselves, to
attend the Rio+20 Summit.
  The summit, twenty years after the first
historic conference in Rio de Janeiro in 1992,
and ten years after the 2002 Johannesburg
summit, is a crucial opportunity to advance
the commitments of the world community
regarding some of the major challenges of the
21st century.
  The 1992 Conference in Rio was a point of
arrival. Rio+20 will be the point of departure
for the establishment of a new paradigm of
development  one that can prove sustainable
in its social, economic and environmental
dimensions.
  This is a major defining issue of our time,
affecting all of us and generations to come.
  No decision about a new paradigm of
development will be viable without a truly
representative participation of the international
community at large.
  We count on the decisive contribution of
your Governments to ensure the success of
that UN common effort. It will also be the
success of each one of our societies.
  Thank you very much.

   
   
   
   

60

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012










   PRONUNCIAMENTO DO MINISTRO DAS RELAçõES EXTERIORES,
ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA, SOBRE A SITUAçãO NO PARAGUAI
                                         (RIO DE JANEIRO, 21/06/2012)
                                                             21/06/2012

                                                                        
                                                                        
                                                                        
                                                                        
                                                                        
                                                                        

  Tenho uma breve declaração a fazer. Acaba
de ocorrer, no gabinete da Presidenta Dilma
Rousseff, uma reunião dos Presidentes da
União das Nações Sul-Americanas (Unasul)
presentes aqui à Rio+20. Quase todos estavam
presentes. Aqueles que não estavam presentes
foram representados pelos seus chanceleres
ou embaixadores. A reunião permitiu uma
análise dos acontecimentos no Paraguai em
função do enfrentamento havido em 15 de
junho entre agentes policiais e camponeses e,
em particular, dos desdobramentos políticos
que se seguiram ao episódio.
  Diante da iniciativa dos partidos políticos
de promoverem julgamento do Presidente da
República, Fernando Lugo, os Presidentes
da Unasul decidiram o envio de uma missão
de chanceleres que partirá hoje, às 19h, do
Rio de Janeiro para Assunção. Eu integrarei
essa missão. Ela será integrada também pelo
Secretário-Geral da Unasul, o venezuelano
Alí Rodríguez, que acaba de assumir a
Secretaria-Geral da Unasul. Essa missão se
desloca a Assunção no espírito do protocolo
adicional do Tratado Constitutivo da Unasul
sobre compromisso com a democracia.
  Os Presidentes expressaram sua convicção
de que se deve preservar a estabilidade e

o pleno respeito à ordem democrática do
Paraguai, observado o pleno cumprimento
dos dispositivos constitucionais e assegurado
o direito de defesa e o devido processo. Os
Presidentes consideram que os países da
Unasul conquistaram com muito esforço
a democracia e, nesse sentido, nós todos
devemos ser defensores extremados da
integridade democrática da América do Sul.
Muito obrigado.
  .

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	61


























































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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012










ATOS INTERNACIONAIS EM VIGOR






Ajuste Complementar ao Acordo Geral de
Cooperação entre a República Federativa do
Brasil e a República de Moçambique para a
Implementação do Projeto ``Apoio Técnico
aos Programas de Nutrição e Segurança
Alimentar de Moçambique ``

Ajuste	Complementar	ao	Acordo	de
Cooperação Técnica, Científica e Tecnológica
entre o Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo da República de Cuba para
a Implementação do Projeto Transferência
de Metodologia para o Controle Genético de
Pragas Emergentes e da Qualidade Nutritiva
e Funcional no Tomate e no Pimentão  Fase
III

Ajuste	Complementar	ao	Acordo	de
Cooperação Técnica, Científica e Tecnológica
entre o Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo da República de Cuba
para a Implementação do Projeto Limites
Permissíveis de Metais Pesados na Agricultura
Cubana: Transferência	e Adequação	da
Legislação Brasileira  Fase II

Ajuste	Complementar	ao	Acordo	de
Cooperação Técnica, Científica e Tecnológica
entre o Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo da República de Cuba para
a Implementação do Projeto Fortalecimento
Institucional do Centro de Tecnologia e
Qualidade do Ministério da Sideromecânica

de Cuba  Fase III: Capacitação em
Implementação Assistida, Ensaios de
Suficiência e Calibração de instrumentos de
Metrologia Industrial

Ajuste Complementar ao Acordo de
Cooperação Técnica, Científica e Tecnológica
entre o Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo da República de Cuba para
a Implementação do Projeto Intercâmbio
de Experiências e Desenvolvimento de
Capacidades Técnicas em Controle Biológico
de Pragas Agrícolas entre Brasil e Cuba 
Fase II

Memorando de Entendimento entre o
Ministério do Desenvolvimento, Industria e
Comercio do Governo da República Federativa
do Brasil e o Ministério do Comercio Externo
e do Investimento Estrangeiro da República
de Cuba

Ajuste Complementar ao Acordo de
Cooperação Científica, Técnica e Tecnológica
entre o Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo da República de Cuba para
a Implementação do Projeto Apoio Técnico
para a Expansão e Consolidação da Rede
Cubana de Bancos de Leite Humano

Ajuste Complementar ao Acordo de
Cooperação Científica, Técnica e Tecnológica
entre o Governo da República Federativa do




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	63




Brasil e o Governo da República de Cuba para
a Implementação do Projeto Fortalecimento
da Odontologia no Brasil e em Cuba - Fase 3

Ajuste	Complementar	ao	Acordo	de
Cooperação Científica, Técnica e Tecnológica
entre o Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo da República de Cuba para
a Implementação do Projeto Fortalecimento
da Organização da Pesquisa Clínica sobre
Câncer

Ajuste	Complementar	ao	Acordo	de
Cooperação Científica, Técnica e Tecnológica
entre o Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo da República de Cuba para
a Implementação do Projeto Estabelecimento
de Substâncias de Referência para o Controle
da Qualidade dos Medicamentos

Ajuste	Complementar	ao	Acordo	de
Cooperação Técnica, Científica e Tecnológica
entre o Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo da República de Cuba para
a Implementação do Projeto Implementação
Física do Banco de Dados Geológicos da
República de Cuba

Ajuste	Complementar	ao	Acordo	de
Cooperação Técnica, Científica e Tecnológica
entre o Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo da República de El Salvador
para a Implementação do projeto Elaboração
de Política Pública de Comercialização
Agrícola para a Agricultura Familiar de El
Salvador

Ajuste	Complementar	ao	Acordo	de
Cooperação Técnica, Científica e Tecnológica
entre o Governo da República Federativa
do Brasil e o Governo da República de El
Salvador para a Implementação do projeto
Apoio ao Sistema de Inovação no Setor

Agropecuário de El Salvador

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo da
República Dominicana para a Implementação
do Projeto Transferência da Metodologia
adotada pelo Brasil para Diminuição do
Número de Armas de Fogo e Munição à
Disposição da População Civil

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo da
República Dominicana para a Implementação
do Projeto Captação Técnica em Comando
de Incidentes, Busca e Resgate em Estruturas
Colapsadas e Atendimento Pré Hospitalar

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo da
República Dominicana para a Implementação
do Projeto Capacitação em Processamento
de Frutas: Desidratação e Obtenção de Sucos

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo da
República Dominicana para a Implementação
do Projeto Apoio à Implementação do
Programa de Redução da Morbimortalidade
Materno-Infantil na República Dominicana

Memorando de Entendimento entre o
Governo da República Federativa do Brasil
e o Governo da República Francesa em
Matéria de Cooperação de Saúde na Zona
Transfronteiriça Brasil-Guiana Francesa

Memorando de Entendimento entre o
Ministério das Relações Exteriores da
República Federativa do Brasil e o Ministério




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




dos Negócios Estrangeiros da República da
União de Myanmar para o Estabelecimento
de Mecanismo de Consultas Políticas

Memorando de Entendimento entre o Governo
da República Federativa do Brasil e o Banco
Interamericano de Desenvolvimento para a
Promoção da Cooperação Técnica Trilateral
em Países da América Latina e Caribe

Memorando	de	Entendimento	entre	o
Ministério	das	Relações	Exteriores	da
República Federativa do Brasil e o Ministério
dos Negócios Estrangeiros e Cooperação
Internacional do Reino do Camboja para
o	Estabelecimento	de	Mecanismo	para
Consultas Bilaterais

Acordo entre o Governo da República
Federativa do Brasil e o Governo da República
Democrática Popular do Laos sobre Isenção
de Visto em Favor de Nacionais Portadores
de Passaportes diplomáticos, Oficiais ou de
Serviço

Memorando de Entendimento sobre Consultas
Políticas entre o Ministério das Relações
Exteriores da República Federativa do Brasil
e o Ministério dos Negócios Estrangeiros da
República Democrática Popular do Laos

Memorando de entendimento entre o Governo
da República Federativa do Brasil e a
Organização Internacional do Café

Emenda ao Ajuste Complementar ao Acordo
Básico	sobre	Privilégios,	Imunidades	e
Relações Institucionais entre a República
Federativa do Brasil e o IICA para o
Desenvolvimento da Agricultura Irrigada no
Brasil sob Cenários Sustentáveis

Memorando	de	Entendimento	entre	o

Ministério das Relações Exteriores da
República Federativa do Brasil e o Ministério
dos Negócios Estrangeiros dos Emirados
árabes Unidos sobre Consultas Políticas

Programa Executivo do Acordo entre
a República Federativa do Brasil e a
Organização da Comissão Econômica para a
América Latina e o Caribe, de 27 de julho de
1984, para Implementar Ações de Cooperação
na área de Políticas Públicas

Programa Executivo entre a República
Federativa do Brasil e a Organização das
Nações Unidas para a Alimentação e a
Agricultura, Fundamentado no Acordo Básico
de Assistência Técnica entre a República
Federativa do Brasil e a Organização das
Nações Unidas, suas Agências Especializadas
e a Agência Internacional de Energia Nuclear
para implementar Iniciativas de Cooperação
Técnica Triangular nos Campos da Segurança
Alimentar e Nutricional e de Redução
da Pobreza, em Benefício de Países em
Desenvolvimento.

Memorando de Entendimento sobre
Cooperação Técnica entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo
da República da índia

Declaração de Intenções para a Promoção
da Igualdade de Gênero e a Promoção dos
Direitos da Mulher e da Criança

Memorando de Entendimento entre o Governo
da República Federativa do Brasil e o Governo
da República da índia em Cooperação na área
de Biotecnologia

Memorando de Entendimento sobre
Cooperação Técnica entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	65




da República da índia

Programa Executivo de Intercâmbios Culturais
entre o Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo da República da índia para
o Período 2012-2014

Acordo entre a República Federativa do
Brasil e a Organização das Nações Unidas
para Realização da Conferência das Nações
Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável,
no Rio De Janeiro, Brasil, de 13 a 22 de junho
de 2012

Emenda ao Ajuste Complementar ao Acordo
Básico	sobre	Privilégios,	Imunidades	e
Relações Institucionais entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Instituto
Interamericano	de	Cooperação	para	a
Agricultura, para a Inclusão Social Mediante a
Popularização e Utilização de Conhecimentos
Científicos e Tecnológicos

Carta	de	Intenções	entre	a	República
Federativa do Brasil e os Estados Unidos
da América para reconhecimento mútuo da
cachaça e dos Tennessee/Bourbon whiskeys.

Memorando de Entendimento entre o Governo
da República Federativa do Brasil e o Governo
dos Estados Unidos da América para apoiar a
Cooperação Estadual e Local

Memorando de Entendimento entre o Governo
da República Federativa do Brasil e o Governo
dos Estados Unidos da América sobre a
Implementação de Atividades de Cooperação
Técnica em Terceiros Países para a Melhoria
da Segurança Alimentar

Memorando de Entendimento sobre a Parceria
em Aviação entre o Governo da República
Federativa do Brasil e o Governo dos Estados

Unidos da América

Carta de Intenções entre o Ministério
das Relações Exteriores da República
Federativa do Brasil e o Departamento para
o Desenvolvimento Internacional do Governo
do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do
Norte para Apoiar a Segurança Alimentar e
Nutricional em Países de Baixa Renda

Emenda ao Ajuste Complementar ao Acordo
Básico sobre Privilégios, Imunidades e
Relações Institucionais entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o IICA para
o Desenvolvimento da Agricultura Irrigada no
Brasil sob Cenários Sustentáveis

Memorando de Entendimento entre o Instituto
do Rio Branco do Ministério das Relações
Exteriores da República Federativa do Brasil
e a Academia Diplomática do Ministério
de Assuntos Estrangeiros e Europeus da
República da Croácia sobre Cooperação
Mútua sobre o Treinamento de Diplomatas

Memorando de Entendimento entre o Governo
da República Federativa do Brasil e o Governo
da Geórgia sobre Cooperação Econômica

Memorando de Entendimento sobre o
Estabelecimento de uma Comissão Mista
Permanente para Cooperação entre o Governo
da República Federativa do Brasil e o Governo
da República Federal Democrática da Etiópia

Memorando de Entendimento sobre o
Estabelecimento de um Mecanismo de
Consultas Políticas entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo
da República Federal Democrática da Etiópia

Protocolo de Intenções entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo




66

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




da	República	Federal	Democrática	da
Etiópia para Cooperação Técnica na área de
Agricultura

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Científica e Técnica entre o
Governo da República Federativa do Brasil
e o Governo da República de Honduras
para Implementação do Projeto ``Apoio
ao Fortalecimento e Desenvolvimento do
Sistema Nacional de Sangue e Hemoderivados
de Honduras ``

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica e Científica entre o
Governo da República Federativa do Brasil e
o Governo da República de Honduras para a
Implementação do Projeto Gestão Integrada
de Recursos Hídricos em Honduras

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica e Científica entre o
Governo da República Federativa do Brasil e
o Governo da República de Honduras para a
Implementação do Projeto Capacitação para
a Produção de Frutas Tropicais

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica e Científica entre o
Governo da República Federativa do Brasil
e o Governo da República de Honduras para
a Implementação do Projeto Programa de
Educação Alimentar e Nutricional Cozinha
Brasil  Honduras

Memorando de Entendimento entre o Governo
da República Federativa do Brasil e o Governo
da República Islâmica da Mauritânia para a
Criação de Comissão Mista

Memorando	de	Entendimento	entre	o
Ministério	das	Relações	Exteriores	da
República Federativa do Brasil e a Agência

de Planejamento e Coordenação da Nova
Parceria para o Desenvolvimento da áfrica

Memorando de Entendimento entre o Governo
da República Federativa do Brasil e o Governo
da República do Suriname sobre Cooperação
Técnica em Agricultura, Pecuária e Pesca

Acordo Complementar ao Acordo Básico de
Cooperação Científica e Tecnológica entre o
Governo da República Federativa do Brasil
e o Governo da República do Suriname
para a execução do projeto Zoneamento
Agroecológico no Suriname

Acordo Entre O Governo Da República
Federativa Do Brasil E O Programa Das
Nações Unidas Para O Meio Ambiente
(PNUMA)

Programa Executivo relativo ao Acordo
entre a República Federativa do Brasil e a
Organização das Nações Unidas, Visando
à Implementação de Iniciativa Relativa ao
Impacto do Desenvolvimento Econômico
e as Conseqüências sobre os Processos de
Urbanização em Países Emergentes

Memorando de Entendimento entre o
Instituto Rio Branco do Ministério das
Relações Exteriores da República Federativa
do Brasil e o Instituto Húngaro de Relações
Internacionais sobre Cooperação Mútua para
o Treinamento de Diplomatas

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo
da República do Paraguai para Implementação
do Projeto Fortalecimento Institucional da
Divisão Nacional de Vigilância Sanitária do
Ministério da Saúde Pública e Bem Estar
Social da República do Paraguai




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	67




Memorando de Entendimento entre o Instituto
Rio Branco do Ministério das Relações
Exteriores da República Federativa do Brasil
e a Academia Diplomática Nacional da Coréia
do Ministério dos Negócios Estrangeiros
e Comércio da República da Coréia sobre
Cooperação Mútua para o Treinamento de
Diplomatas

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo da
República da Colômbia para a Implementação
do Projeto Pesquisa e Desenvolvimento para
a Fabricação e o Controle da Qualidade de
Produtos Biológicos na Colômbia

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo da
República da Colômbia para a Implementação
do Projeto Intercâmbio de Experiências com
o propósito de Universalizar, de Maneira
Sustentável, o Acesso das Populações de Baixa
Renda ao Sistema Financeiro da Colômbia e
do Brasil

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica e Científica entre o
Governo da República Federativa do Brasil e o
Governo dos Estados Unidos Mexicanos para
a Implementação do Projeto Intercâmbio de
Experiências de Gestão de Perímetros Públicos
de Irrigação entre o Brasil e o México

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica e Científica entre o
Governo da República Federativa do Brasil e o
Governo dos Estados Unidos Mexicanos para a
Implementação do Projeto Fortalecimento da
Vigilância em Saúde Ambiental Relacionada
a Desastres e População Exposta  Fase II

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica e Científica entre o
Governo da República Federativa do Brasil
e o Governo dos Estados Unidos Mexicanos
para a Implementação do Projeto Aplicação
das Práticas Integrativas e Complementares
em Áreas específicas de Saúde

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica e Científica entre o
Governo da República Federativa do Brasil e o
Governo dos Estados Unidos Mexicanos para
a Implementação do Projeto Fortalecimento
da eficácia de linhagens de Bradyrhizobium
Japonicum em Soja Cultivada no Semiárido

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica e Científica entre o
Governo da República Federativa do Brasil
e o Governo dos Estados Unidos Mexicanos
para a Implementação do Projeto Uso de
Biofertilizantes e Práticas de Conservação
para a Produção Agrícola Sustentável e
Proteção do Meio Ambiente

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica e Científica entre o
Governo da República Federativa do Brasil e o
Governo dos Estados Unidos Mexicanos para
a Implementação do Projeto Capacitação de
Técnicos do Instituto Nacional de Pesquisas
Florestais, Agrícolas e Pecuárias (INIFAP)
em Melhoramento, Manejo e Sanidade de
Bovinos e Suínos para Produção de Carne

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica e Científica entre o
Governo da República Federativa do Brasil e o
Governo dos Estados Unidos Mexicanos para
a Implementação do Projeto Capacitação de
Técnicos do Instituto Nacional de Pesquisas
Florestais, Agrícolas e Pecuárias (INIFAP) em
Melhoramento Genético, Manejo Agronômico




68

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




e Sanidade da Cana-de-Açúcar

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica e Científica entre o
Governo da República Federativa do Brasil e o
Governo dos Estados Unidos Mexicanos para
a Implementação do Projeto Capacitação de
Técnicos do Instituto Nacional de Pesquisas
Florestais, Agrícolas e Pecuárias (INIFAP)
em	Melhoramento	Genético	e	Manejo
Agronômico de Soja

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica e Científica entre o
Governo da República Federativa do Brasil e o
Governo dos Estados Unidos Mexicanos para
a Implementação do Projeto Intercâmbio de
experiências para a Formação Profissional e
Técnica nas áreas de Pesca e Agricultura

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica e Científica entre o
Governo da República Federativa do Brasil
e o Governo dos Estados Unidos Mexicanos
para a Implementação do Projeto Apoio
Técnico para Expansão e Consolidação da
Rede de Bancos de Leite Humano no México

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica e Científica entre o
Governo da República Federativa do Brasil e o
Governo dos Estados Unidos Mexicanos para
a Implementação do Projeto Capacitação de
Pesquisadores no Melhoramento Genético de
Jatropha Curcas L.

Ajuste	Complementar	ao	Acordo	de
Cooperação Científica, Técnica e Tecnológica
entre o Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo da República de Cuba
para implementação do Projeto Apoio à
Modernização Tecnológica do Sistema de
Tribunais Populares da República de Cuba

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo da
República Dominicana para a Implementação
do Projeto Apoio Técnico para a Criação
da Rede de Bancos de Leite Humano da
República Dominicana.

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo da
República Dominicana para a Implementação
do Projeto Apoio ao Aprimoramento do
Sistema de Avaliação da Educação Básica na
República Dominicana.

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo da
República Dominicana para a Implementação
do Projeto Capacitação em Biotécnicas
Reprodutivas e Melhoramento Genético para
o Desenvolvimento da Bovinocultura Leiteira
Dominicana

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica entre o Governo
da República Federativa do Brasil e o
Governo da República Dominicana para
a Implementação do Projeto Formação,
Pesquisa e Fortalecimento Institucional em
Políticas Públicas para o Desenvolvimento
Econômico e Social.

Memorando de Entendimento entre o
Governo da República Federativa do Brasil
e o Programa das Nações Unidas para os
Assentamentos Humanos, (Onu-Habitat) para
o Estabelecimento das Bases para a Promoção
de Cooperação Técnica Triangular Sul-Sul.

Ajuste Complementar ao Acordo Básico
de Cooperação Técnica entre o Governo




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	69




da República Federativa do Brasil e o
Governo da República de El Salvador para
a Implementação do Projeto Programa de
Educação Alimentar e Nutricional Cozinha
Brasil  El Salvador

Memorando	de	Entendimento	entre	o
Governo da República Federativa do Brasil
e o Governo da República Popular da China
sobre o Estabelecimento Recíproco de Centros
Culturais

Plano Decenal de Cooperação entre o Governo
da República Federativa do Brasil e o Governo
da República Popular da China

Carta de Intenções entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Programa
das Nações Unidas para o Desenvolvimento
(PNUD) Relativa ao Estabelecimento no
Brasil do Centro Rio+, Centro Mundial para o
Desenvolvimento Sustentável

Ajuste Complementar, por Troca de Notas, ao
Acordo Básico de Cooperação Técnica entre
o Governo da República Federativa do Brasil
e o Governo do Japão, assinado em Brasilia,
em 22 de setembro de 1970, entre os dois
Governos.





















70

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012










       COMUNICADOS, NOTAS,
MENSAGENS E INFORMAçõES




         SITUAçãO NA GUINé-BISSAU
                            04/01/2012
                               
  O Governo brasileiro acompanhou com
preocupação os acontecimentos ocorridos na
Guiné-Bissau, em 26 de dezembro de 2011, que
provocaram a morte de duas pessoas.
  Como país amigo e na qualidade de Presidente
da Configuração da Comissão de Construção da
Paz (CCP) para a Guiné-Bissau das Nações Unidas,
o Brasil tem se coordenado com as autoridades da
Guiné-Bissau para promover reformas internas
naquele país e colaborar para a superação de seus
desafios político-institucionais.
  O Governo brasileiro associa-se à União
Africana em sua manifestação de apoio à
Guiné-Bissau e de engajamento permanente em
acompanhar os esforços que visem a consolidar
a paz e a estabilidade, além de promover o
desenvolvimento sustentável na Guiné-Bissau.
  O Governo brasileiro seguirá acompanhando
os desdobramentos da situação na Guiné- Bissau,
em coordenação com os demais membros da
Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, e
tendo presente a ação da Comunidade Econômica
dos Estados da áfrica Ocidental (CEDEAO).

     FALECIMENTO DO PRESIDENTE DA
REPúBLICA DA GUINé-BISSAU, MALAM
                       BACAI SANHá
                            09/01/2012
   
O Governo brasileiro recebeu com profundo
pesar a notícia do falecimento, nesta manhã,
do Presidente da República da Guiné-Bissau,
Malam Bacai Sanhá.
  Neste momento de dor e de perda, o Governo
brasileiro apresenta suas sinceras condolências
à família do Presidente e ao Governo e povo
bissau-guineenses e reitera sua solidariedade e
disposição em dar continuidade aos esforços de
cooperação em prol da consolidação da paz na
Guiné-Bissau.

     VISITA A CUBA DO MINISTRO DAS
RELAçõES EXTERIORES, ANTONIO DE
  AGUIAR PATRIOTA  HAVANA, 16 E 17
                 DE JANEIRO DE 2012
                            13/01/2012
  O Ministro Antonio de Aguiar Patriota
realizará visita a Cuba nos dias 16 e 17 de janeiro,
para reunião de trabalho com o Chanceler Bruno
Rodríguez.
  No contexto da preparação da planejada
visita da Presidenta Dilma Rousseff, o Ministro
Patriota examinará temas do relacionamento
bilateral, incluindo o reforço da cooperação
técnica e científica, em áreas como saúde e
agricultura, e a integração regional. No plano
econômico, examinará a participação do Brasil
em importantes projetos para a economia
cubana, com ênfase no projeto de construção do
porto de Mariel.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	71




   No quinquênio 2006-2010 o intercâmbio
comercial entre Brasil e Cuba registrou
crescimento de 30%, passando de US$ 376
milhões para US$ 488 milhões. O desempenho
positivo se repetiu em 2011, com trocas no valor
de US$ 570 milhões no período de janeiro a
novembro.

   VISITA AO BRASIL DO SECRETáRIO
            DE ESTADO DE NEGóCIOS
    ESTRANGEIROS DO REINO UNIDO,
WILLIAM HAGUE  BRASíLIA E RIO DE
 JANEIRO, 18 E 19 DE JANEIRO DE 2012
                            16/01/2012
                               
  O Secretário de Estado dos Negócios
Estrangeiros do Reino Unido e da Comunidade
Britânica, William Hague, realizará visita ao
Brasil nos dias 18 e 19 de janeiro.
  Em Brasília, será recebido pelo Ministro das
Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota,
e pelo Ministro da Defesa, Celso Amorim. No
Rio de Janeiro, o Ministro britânico manterá
encontro com o Governador Sérgio Cabral e
com o Comandante da Marinha, Almirante-de-
Esquadra Julio Soares Moura Neto.
  A reunião entre os dois Ministros marcará
o início do diálogo estratégico entre Brasil e
Reino Unido em áreas como Desarmamento
e Não-Proliferação, Conselho de Segurança
das Nações Unidas, Oriente Médioe Norte da
áfrica, Direitos Humanos, Erradicação da Fome
e da Pobreza e Desenvolvimento Sustentável.
Os Ministros Patriota e Hague tratarão, ainda,
das perspectivas de intensificação das parcerias
em áreas como energia, educação, tecnologia
e inovação. Há potencial para expandir a
cooperação bilateral no âmbito do programa
Ciência sem Fronteiras, por meio, inclusive, do
fortalecimento da participação do setor privado.
Também se tratará da cooperação bilateral para a

organização de megaeventos esportivos.
  Os Chanceleres examinarão assuntos de
interesse global, a exemplo da Conferência
das Nações Unidas para o Desenvolvimento
Sustentável (rio+20), da crise financeira
internacional e da reforma das instituições de
governança política e econômica.
  O intercâmbio comercial entre os dois países
totalizou US$ 8,57 bilhões em 2011, o que
representa aumento de 10,21% em relação ao valor
atingido em 2010. No ano passado, as exportações
brasileiras com destino ao Reino Unido registraram
aumento de 12,4%, alcançando o valor de US$
5,2 bilhões. Nos últimos dez anos, o estoque de
investimentos britânicos no Brasil cresceu em
US$ 8,4 bilhões, fazendo do Reino Unido o 6º
maior investidor no País.

       COMUNICADO CONJUNTO POR
      OCASIãO DO ENCONTRO ENTRE
          O MINISTRO DAS RELAçõES
   EXTERIORES, ANTONIO DE AGUIAR
          PATRIOTA, E O SECRETáRIO
            DE ESTADO DE NEGóCIOS
    ESTRANGEIROS DO REINO UNIDO,
                    WILLIAM HAGUE
                            18/01/2012
                               
  Em 18 de janeiro de 2012, o Ministro das
Relações Exteriores do Brasil, Antonio de
Aguiar Patriota, recebeu o Secretário de Estado
dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido
e da Comunidade Britânica, William Hague,
para dar início ao Diálogo Estratégico Brasil-
Reino Unido, mecanismo inovador voltado
para o exame de temas de política externa e
discussões bilaterais, refletindo a nova dinâmica
do relacionamento entre os dois países. A
Parte brasileira saudou a crescente presença
diplomática do Reino Unido no Brasil, inclusive




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




por meio da inauguração, em novembro de 2011,
de novo Consulado-Geral em Recife.
  Durante o Diálogo Estratégico, os dois
governos examinaram ampla variedade de
temas e mapearam áreas de cooperação para os
próximos quatro anos, bem como a vasta gama de
mecanismos bilaterais de que dispõem o Brasil
e o Reino Unido com vistas a concretizar essa
cooperação. Os dois lados comprometeram-se
a desenvolver relacionamento fortalecido sobre
temas de política externa.

  Conselho de Segurança da ONU
   
  Brasil e reino unido apoiam firmemente a
expansão do Conselho de Segurança da ONU
nas categorias de membros permanentes e não-
permanentes. O Secretário do Exterior britânico,
William Hague, reiterou o apoio ao Brasil
como membro permanente de um Conselho de
Segurança reformado.

  Oriente Médio e Norte da áfrica
   
  Os dois Chanceleres expressaram apoio a
reivindicações legítimas por mais participação
política, maiores oportunidades econômicas,
dignidade e justiça social na região. Ambos os
países condenaram o uso da violência contra
populações civis e manifestantes desarmados.
Expressaram sua esperança de que os governos
responderão às demandas populares por reformas
políticas e socioeconômicas mediante processos
políticos que sejam liderados pelos próprios
países, inclusivos, transparentes e pacíficos,
voltados a atender efetivamente às legítimas
aspirações e preocupações das sociedades, com
pleno respeito aos direitos humanos. Brasil
e Reino Unido sublinharam a importância
dos esforços da comunidade internacional,
inclusive das Nações Unidas, da Liga árabe
e outros organismos regionais, no sentido de
ajudar no enfrentamento dos desafios atuais em

conformidade plena com o direito internacional.
  Os dois Chanceleres manifestaram
profunda preocupação com a situação atual na
Síria e pediram o fim imediato da violência.
Enfatizaram a necessidade de pleno respeito
aos direitos humanos e de compromisso firme
com o diálogo. Sublinharam que um processo
político pacífico é essencial para resolver a atual
crise. Ambos os países apoiaram os importantes
esforços da Liga dos Estados árabes na busca
de um fim para a crise.
  Os dois Ministros sublinharam a necessidade
de solução justa e duradoura para o conflito
israelo-palestino. Brasil e Reino Unido
continuarão a trabalhar ativamente para ajudar a
transformar essa ambição em realidade: a criação
de um Estado Palestino soberano, independente,
democrático, contíguo e economicamente viável,
dentro das fronteiras de 1967, convivendo lado a
lado com Israel em paz e segurança.

  Desarmamento e Não-Proliferação
   
  Brasil e Reino Unido salientaram a
importância da promoção do desarmamento
nuclear, da não-proliferação de armas nucleares
e do direito ao uso pacífico da energia nuclear.
Os dois Chanceleres concordaram em explorar
maneiras de trabalhar conjuntamente para
prosseguir na construção de confiança entre os
Estados nuclearmente armados e os Estados não-
nuclearmente armados, como passo essencial
para o progresso em matéria de desarmamento
multilateral, colaborando para alcançar
resultados positivos no Comitê Preparatório do
TNP 2012. Brasil e Reino Unido continuarão
a trabalhar juntos em agendas fundamentais,
incluindo a Cúpula sobre Segurança Nuclear, em
março próximo, em Seul. Os dois Chanceleres
sublinharam a importância da Conferência de
2012 sobre o estabelecimento de um Oriente
Médio livre de armas nucleares e de todas as
outras armas de destruição em massa.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	73




   Ajuda para o Desenvolvimento Global
   
  Brasil e Reino Unido reiteraram seu
compromisso comum com a erradicação da
fome e da pobreza globais e com a promoção
do crescimento inclusivo. Ambos os países
expressaram	reconhecimento	das	sólidas
conquistas do Brasil na redução da fome
da pobreza. Os dois Chanceleres também
reafirmaram seu compromisso com a melhoria
da segurança alimentar, inclusive por meio
de troca de conhecimentos e experiências e
de cooperação mais estreita. Ambos os lados
reiteraram a importância da cooperação Sul-
Sul e trilateral com países de baixa renda
para	compartilhar	experiências. Avaliaram
positivamente o resultado do Fórum de Alto
Nível de Busan e manifestaram interesse em
prosseguir com o trabalho conjunto em matéria
de implementação, como parte da nova Parceria
Global. O Brasil e o Reino Unido enfatizaram
a importância do progresso em áreas como
comércio, investimento e mudança do clima, na
erradicação da pobreza no mundo.

  Direitos Humanos
   
  Brasil e Reino Unido acreditam que a
promoção e a proteção de todos os direitos
humanos e liberdades fundamentais, como parte
dos valores democráticos de nossos dois países,
devem continuar a ser elemento essencial do
nosso diálogo de política externa nos próximos
anos.

  Defesa e Segurança
   
  Os dois ministros reafirmaram as ambições
estabelecidas no Tratado Brasil-Reino Unido
de Cooperação em Matéria de Defesa, assinado
em 2010, que prevê cooperação mais estreita
entre os dois países no que tange aos desafios na
matéria. Ademais, reconhecendo que atividades

criminosas transnacionais afetam de forma
negativa a segurança e a prosperidade do Brasil e
do Reino Unido, os dois Ministros concordaram,
à luz do Memorando de Entendimento sobre
Segurança e Crime, consoante seus respectivos
ordenamentos constitucionais e legislações
nacionais, incrementar a cooperação bilateral
em matéria de segurança, inclusive nos campos
do narcotráfico, da segurança cibernética,
da segurança na fronteira e da segurança em
grandes eventos.

  Conferência das Nações Unidas sobre
Desenvolvimento Sustentável (Rio +20)

  O Brasil e o Reino Unido comprometeram-
se a trabalhar em conjunto para que seja bem
sucedida a Conferência das Nações Unidas
sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio +20),
a ser realizada no Rio de Janeiro em junho
deste ano. Os Ministros concordaram sobre a
importância de garantir representação no mais
alto nível possível e salientaram a conveniência
trazida pelas novas datas da Conferência.
  Mudança do Clima, Meio Ambiente e
Desenvolvimento Sustentável
  Os Ministros saudaram a cooperação
eficaz entre nossas delegações por ocasião da
conferência sobre biodiversidade de Nagoya,
em 2010, e da reunião de Durban sobre mudança
do clima em 2011, e manifestaram interesse em
prosseguir a parceria exitosa no período que
antecederá a Conferência sobre Biodiversidade
de Hyderabad e a Conferência sobre Mudança
Climática de Doha, ambas em 2012.

  Parceria para o Governo Aberto
   
  Com o Reino Unido juntando-se ao Brasil co-
presidência da Parceria a partir de abril, os dois
países trabalharão em conjunto para garantir
o sucesso da Reunião Ministerial de Brasília,
em abril deste ano, ao mesmo tempo em que




74

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




procederão à entrega de seus próprios planos de
ação PGA como demonstração dos benefícios
do governo aberto.

  Comércio
   
  Brasil e Reino Unido continuarão a
promover o aumento do comércio bilateral
e dos investimentos entre os dois países e
reafirmaram seu compromisso em evitar
o protecionismo. Brasil e Reino Unido
apoiam fortemente um Acordo de Associação
equilibrado e ambicioso entre o Mercosul
e a UE. Os dois Chanceleres saudaram
a contribuição positiva das reuniões da
Comissão Mista de Economia e Comércio e
aguardam com expectativa a primeira reunião
do Fórum bilateral de CeOs no final deste ano.

  Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação
   
  Reconhecendo a ambição e a visão do
programa Ciência sem Fronteiras, promovido
pela Presidenta da República do Brasil, Dilma
Rousseff, o Reino Unido comprometeu-se a
acolher até 10.000 estudantes e pesquisadores
brasileiros em 77 instituições do Reino Unido
até 2014.
  Após o estabelecimento de Grupo de
Trabalho por ocasião da Mesa Redonda
Brasil-Reino	Unido	sobre	Parcerias	na
Educação Superior, em junho de 2011, os dois
países concordaram que até 2.500 estudantes
brasileiros realizarão estudos de graduação e
de pós-graduação em universidades britânicas
em 2012, com bolsas concedidas pelo Governo
brasileiro.
  Essa parceria irá fortalecer a cooperação
acadêmica entre os dois países e constituirá
contribuição valiosa para o desenvolvimento
científico e econômico brasileiro. espera-se que
pesquisadores e estudantes britânicos também
venham ao Brasil no âmbito do Ciência sem

Fronteiras.
  O Brasil saudou o recente anúncio de
substancial investimento privado britânico
em pesquisa e desenvolvimento no setor de
petróleo e gás, que deverá conduzir a processos
de inovação em áreas relevantes da ciência e
da pesquisa. Brasil e Reino Unido também
concordaram em promover mais atividades
conjuntas em inovação e em pesquisa e
desenvolvimento no âmbito de setores-chave
da economia e do conhecimento, tais como
biotecnologia, ciências da vida e indústrias
criativas.

  Esporte
   
  Brasil e Reino Unido têm a honra de sediar
os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2012 e
de 2016. Os dois Chanceleres reconheceram a
forte cooperação já em curso, como resultado
dos acordos bilaterais assinados em 2009 e
2010. Essa cooperação deverá continuar por
meio de programa coordenado, centrado em
planejamento, sustentabilidade, segurança,
acessibilidade e legado social.

  Cultura
   
  Os dois Chanceleres sublinharam a
importância da cultura na relação bilateral.
Reconheceram as oportunidades únicas
apresentadas pelo fato de serem sedes dos Jogos
Olímpicos e Paraolímpicos  Londres em 2012
e Rio de Janeiro em 2016  e o interesse mútuo
em estabelecer novas e duradouras parcerias
entre o Brasil e o Reino Unido no campo da
cultura. Referiram-se positivamente aos eventos
da Olimpíada Cultural de 2012, no Reino
Unido, inclusive à Casa Brasil, em Londres, e
à UKBrasil, que terá lugar em todo o País entre
setembro de 2012 e março de 2013, mostrando
o melhor do Reino Unido em cultura, educação,
ciência e negócios.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	75




       VISITA AO BRASIL DO MINISTRO
       DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS
          DA UCRÂNIA, KOSTYANTYN
    GRYSHCHENKO  BRASíLIA, 20 DE
                     JANEIRO DE 2012
                            18/01/2012
                               
  O Ministro dos Negócios Estrangeiros da
Ucrânia, Kostyantyn Gryshchenko, realizará
visita ao Brasil no dia 20 de janeiro, quando será
recebido pelo Ministro das Relações Exteriores,
Antonio de Aguiar Patriota. Realizando-se
menos de três meses após a visita do Presidente
da Ucrânia, Viktor Yanukovych, o encontro entre
os Chanceleres demonstra o fortalecimento da
parceria estratégica entre os dois países.
  Os Ministros examinarão o aprofundamento
das parcerias em temas como cooperação
aeroespacial, defesa, energia e saúde. Os
Ministros tratarão, igualmente, de assuntos de
interesse global, como a Conferência das Nações
Unidas para o Desenvolvimento Sustentável
(Rio+20) e a reforma das instituições de
governança política e econômica.
  No ano de 2011, o fluxo de comércio bilateral
superou US$ 1 bilhão, valor quatro vezes
maior ao registrado em 2003, e as exportações
brasileiras atingiram US$ 425 milhões, o que
representa aumento de 44,4% em relação a 2010.

   ONU ESCOLHE BRASILEIRO PARA O
  CARGO DE SECRETáRIO-EXECUTIVO
DA CONVENçãO SOBRE DIVERSIDADE
                    BIOLóGICA (CDB)
                            20/01/2012
  O brasileiro Bráulio Ferreira de Souza Dias
foi escolhido pelo Secretário Geral das Nações
Unidas, Ban-ki-moon, para ser o próximo
Secretário-Executivo	da	Convenção	sobre
Diversidade Biológica (CDB), com mandato de

4 anos.
  Bráulio Dias é Secretário de Biodiversidade
e Florestas do Ministério do Meio Ambiente
(MMA), Doutor em Zoologia pela Universidade
de Edinburgo e Professor-Adjunto de
ecologia (licenciado) da Universidade de
Brasília. Antes de ocupar sua atual função, foi
Diretor do Departamento de Conservação da
Biodiversidade do MMA.
  A Convenção sobre Diversidade Biológica,
assinada por ocasião da Rio-92, tem três
objetivos principais: a conservação da
diversidade biológica, o uso sustentável de seus
componentes e a partilha justa e equitativa dos
benefícios derivados da utilização de recursos
genéticos.
  Os trabalhos da CDB estarão voltados
à implementação dos programas, planos e
estratégias da Convenção, adotados na X
Conferência das Partes (COP) de outubro de
2010, bem como de seus três Protocolos: a) o
Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança; b) o
Protocolo Suplementar (ao de Biossegurança) de
Nagoia-Kuala Lumpur sobre Responsabilidade
e Reparação, e c) o Protocolo de Nagoia sobre
Acesso a Recursos Genéticos e Repartição Justa
e Equitativa dos Benefícios Derivados de Sua
Utilização.

         PARTICIPAçãO DO MINISTRO
   ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA NO
      FóRUM ECONôMICO MUNDIAL 
   DAVOS, 25 A 29 DE JANEIRO DE 2012
                            24/01/2012
  Neste ano, o Fórum tem como tema A
Grande Transformação: Estabelecendo novos
Modelos.
  O Ministro Antonio de Aguiar Patriota
participará, de 25 a 29 de janeiro de 2012, em
Davos (Suíça), da Reunião Anual do Fórum
Econômico Mundial. Neste ano, o Fórum




76

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




tem como tema A Grande Transformação:
Estabelecendo novos Modelos. Criado em
1971, o encontro reúne líderes, empresários e
acadêmicos de todo o mundo em discussões sobre
os principais assuntos da agenda internacional.
  O Ministro Patriota participará de sessões
sobre a Conferência das Nações Unidas sobre
Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que
tratarão da concepção de um modelo sustentável
de crescimento para o século XXI. No dia 26
de janeiro, tomará parte em debate promovido
pela Associated Press intitulado As instituições
democráticas do século XX são adequadas para
o século XXI?. Participará, também, de sessões
dedicadas à América Latina e ao Brasil.
 à margem do Fórum Econômico Mundial,
o Ministro Patriota manterá encontros com o
Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-
moon, o Presidente do Comitê Internacional
da Cruz Vermelha, Jakob Kellenberger, e os
Diretores-Executivos do Fundo de População
das Nações Unidas  UNFPA, Babatunde
Osotimehin, e da Human Rights Watch, Kenneth
Roth. O Ministro também se reunirá com os
Chanceleres do Paquistão, Hina Rabbani Khar,
do Peru, Rafael Roncagliogo, e da Suíça, Didier
Burkhalter, e com autoridades do México e da
União Europeia.

   CONCESSãO DE VISTO à SENHORA
                    YOANI SáNCHEZ
                            25/01/2012
                               
  A Senhora Yoani Sánchez, de nacionalidade
cubana, recebeu convite do cineasta Cláudio
Galvão da Silva para comparecer à exibição
de estréia do documentário Conexão Cuba-
Honduras, em Jequié  Bahia, prevista para o
dia 10 de fevereiro próximo.
  Em 20 de janeiro, a Senhora Sánchez
solicitou, junto à Embaixada do Brasil em
Havana, visto de turista para viajar ao Brasil. O

Ministério das Relações Exteriores informa que
a Embaixada já concedeu o visto.

      VISITA OFICIAL DA PRESIDENTA
 DILMA ROUSSEFF A CUBA  HAVANA,
           30 E 31 DE JANEIRO DE 2012
                            27/01/2012
                               
  A Presidenta Dilma Rousseff realizará visita
oficial a Cuba nos dias 30 e 31 de janeiro, ocasião
em que manterá encontro de trabalho com o
Presidente do Conselho de Estado, Raúl Castro
Ruz. Trata-se de sua primeira visita a Cuba e à
região caribenha na condição de Chefe de Estado.
  A visita constituirá oportunidade para
aprofundar o crescente diálogo e cooperação no
relacionamento bilateral, com ênfase na agenda
econômica, que experimentou crescimento
importante e grande diversificação nos últimos
anos. O comércio bilateral entre Brasil e Cuba
registrou valor recorde em 2011, totalizando
US$ 642 milhões (31% a mais que 2010).
  A visita contribuirá para aprofundar a
cooperação bilateral nas áreas técnica, científica
e tecnológica, sobretudo nas áreas de agricultura,
segurança alimentar, saúde e produção de
medicamentos.
  No âmbito das relações Brasil-Cuba, destaca-
se o apoio à ampliação do Porto de Mariel,
executado por empresa brasileira. Trata-se de
projeto estratégico para o aumento do intercâmbio
comercial de Cuba. Cerca de 80% do montante
necessário à ampliação conta com financiamento
brasileiro, no valor total de US$ 683 milhões.

  DECLARAçãO FINAL DO ENCONTRO
  MINISTERIAL íNDIA-BRASIL-áFRICA
 DO SUL (IBAS) à MARGEM DO FóRUM
               ECONôMICO MUNDIAL
                            28/01/2012

                               
                               

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	77




   Final	Declaration	of	the	India-Brazil-
South Africa (IBSA) Trade Ministers Meeting
Ministers Anand Sharma of India, Antonio
Patriota of Brazil and Rob Davies of South
Africa, had a meeting of the IBSA (India-
Brazil-South Africa) Trade Ministers forum
on the sidelines of the 42nd meeting of the
World Economic Forum, on January 27, 2012
in davos, to review the current global financial
and economic situation. They recalled the fifth
Summit of the Heads of State and Government
of the IBSA Dialogue Forum that took place in
Pretoria in October 2011 which underscored the
importance attached by the three countries to
coordination on global issues.
  2. The Ministers expressed concern at the
weak and unsteady economic situation in many
countries and regions, which poses a serious
challenge for the economic policy and growth
prospects of developing and low income
countries. In this context, they emphasized that
greater policy coordination is needed to ensure
strong, sustainable and balanced growth of the
global economy. They recognized that Brazil,
India and South Africa are doing their part to
promote growth while maintaining economic
stability and successfully fostering social
development. They reaffirmed their commitment
to continue their efforts in this direction.
  3. The Ministers underlined the importance
of resisting protectionist tendencies in the
current global economic scenario, including
competitive devaluation and regulatory measures
that conceal their real protectionist ends. They
underscored the importance that developing
countries use WTO consistent measures to
achieve their legitimate objectives of growth,
development and stability. They also noted that
distortions caused by high levels of protection in
the form of tariffs and subsidies in agriculture in
developed countries continue to undermine the
development prospects of developing countries,
especially the least developed among them.
   
4. The Ministers expressed deep
disappointment at the current impasse in the
Doha DevelopmentAgenda (DDA) negotiations.
They reiterated the need to conclude the Doha
Round as soon as possible, building on the
significant progress already achieved and on
the careful balance of concessions negotiated
since the launching of the Round in 2001. The
iBSa ministers reaffirmed their commitment
to continue working on the Doha Development
Agenda, especially with a view to facilitate
more immediate outcomes that deliver on the
development dimension of the mandate agreed
upon in Doha in 2001. These early outcomes
would be building blocks towards meeting the
common objective of concluding the Single
Undertaking. The Ministers emphasized
that plurilateral initiatives go against the
fundamental principles of transparency,
inclusiveness, and multilateralism. These
initiatives weaken the resolve of WTO
Members to overcome the substantive gaps
that exist among them and also fail to address
the development deficit inherited from previous
negotiating Rounds.
  5. The Ministers also underscored their
faith in South-South cooperation, which is a
partnership among equals that must be guided
by respect for equality, national sovereignty
and ownership. Recognizing that South-South
cooperation helps developing countries to
confront common challenges, the Ministers
stressed the importance of such initiatives being
implemented through the IBSA Trust Fund.
  (versão não-oficial em português)
  Em 27 de janeiro de 2012, em Davos, os
Ministros Ananda Sharma, da índia, Antonio
Patriota, do Brasil, e Rob Davies, da áfrica
do Sul, mantiveram encontro do Fórum de
Ministros de Comércio do IBAS (índia-Brasil-
áfrica do Sul) à margem da 42ª reunião do
Fórum Econômico Mundial, para examinar a
situação econômica e financeira global. eles




78

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




relembraram a V Reunião de Cúpula de Chefes
de Estado e de Governo do Fórum de Diálogo
do IBAS, realizada em Pretória em outubro
de 2011, na qual se destacou a importância
atribuída pelos três países à coordenação em
assuntos globais.
  2. Os ministros expressaram preocupação
com a debilidade e a incerteza da situação
econômica em muitos países e regiões, o que
representa um sério desafio para as políticas
econômicas e as perspectivas de crescimento de
países em desenvolvimento e com renda baixa.
Em tal contexto, enfatizaram que uma maior
coordenação entre as políticas econômicas é
necessária para garantir um crescimento forte,
sustentado e eqüilibrado da economia global.
Reconheceram a contribuição do Brasil, da índia
e da áfrica do Sul na promoção do crescimento,
ao mesmo tempo em que mantêm a estabilidade
econômica e em que incentivam, de forma
exitosa, o desenvolvimento social. reafirmaram
seu compromisso com a continuidade dos
esforços nessa direção.
  3. Os Ministros sublinharam a importância
de resistir a tendências protecionistas no
atual cenário econômico global, inclusive a
desvalorizações competitivas e a medidas
regulatórias que ocultam seu real objetivo
protecionista. Ressaltaram a importância de
que países em desenvolvimento usem medidas
consistentes com as regras da OMC para
atingir seus objetivos legítimos de crescimento,
desenvolvimento	e	estabilidade.	Notaram
igualmente que distorções causadas por altos
níveis de proteção, sob a forma de tarifas e
subsídios agrícolas, em países desenvolvidos,
continuam a prejudicar a perspectiva de
crescimento dos países em desenvolvimento,
sobretudo daqueles menos desenvolvidos.
  4. Os Ministros expressaram profundo
desapontamento com o impasse atual nas
negociações da Agenda de Desenvolvimento
de Doha (ADD). Reiteraram a necessidade de

concluir a Rodada Doha o mais brevemente
possível, aproveitando o significativo progresso
já atingido e o cuidadoso equilíbrio de concessões
negociadas desde o lançamento da Rodada
em 2001. Os ministros do iBaS reafirmaram
seu compromisso em continuar trabalhando
na Agenda de Desenvolvimento de Doha,
especialmente com vistas a facilitar resultados
mais imediatos que atendem a dimensão do
desenvolvimentodomandatoacordadoemDoha,
em 2001. Esses primeiros resultados seriam a
base para a concretização do objetivo comum de
concluir o Compromisso único. Os Ministros
enfatizaram que iniciativas plurilaterais
vão contra os princípios fundamentais da
transparência, inclusão e multilateralismo. Tais
iniciativas enfraquecem o engajamento dos
membros da OMC em superar as substantivas
lacunas existentes entre eles, além de não lidarem
com o déficit de desenvolvimento herdado de
rodadas negociadoras prévias.
  5. Os ministros reafirmaram igualmente sua
fé na cooperação Sul-Sul, que é uma parceria
entre iguais que deve ser guiada pelo respeito
pela igualdade, pela soberania nacional e pela
propriedade. Ao reconhecer que a cooperação
Sul-Sul ajuda os países em desenvolvimento
a confrontar desafios comuns, os ministros
ressaltaram a importância de que tais iniciativas
sejam implementadas pelo Fundo IBAS.

      VISITA OFICIAL DA PRESIDENTA
   DILMA ROUSSEFF AO HAITI, PORTO
   PRíNCIPE, 1º DE FEVEREIRO DE 2012
                            31/01/2012
                               
  A Presidenta Dilma Rousseff realizará visita
oficial ao Haiti, no dia 1º de fevereiro, ocasião
em que manterá encontro de trabalho com o
Presidente Michel Martelly e visitará o Batalhão
brasileiro da Missão das Nações Unidas de
Estabilização do Haiti (MINUSTAH).




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	79




   Durante	o	encontro,	os	Presidentes
examinarão a agenda bilateral, com ênfase nos
aspectos relativos ao processo de reconstrução
e desenvolvimento econômico e social do Haiti.
  A migração haitiana para o Brasil também
fará parte da agenda. Nessa matéria, o Governo
brasileiro adotou, no último dia 12 de janeiro,
nova modalidade de visto permanente exclusiva
para nacionais haitianos.
  Ao	visitar	o	Batalhão	brasileiro	da
MINUSTAH, a Presidenta Dilma Rousseff terá
a oportunidade de manifestar de público seu
apreço pela dedicação e pelo profissionalismo
dos militares e policiais brasileiros que integram
a Missão das Nações Unidas.
  O Brasil lidera o componente militar da
MINUSTAH desde sua criação, em 2004, além
de ser o maior contribuinte de tropas da Missão,
hoje com 2.193 efetivos, de um total de cerca de
11,6 mil.

   ATOS ASSINADOS POR OCASIãO DA
      VISITA OFICIAL DA PRESIDENTA
  DILMA ROUSSEFF A CUBA - HAVANA,
           30 E 31 DE JANEIRO DE 2012
                            31/01/2012
  1-	DECLARAçãO	CONJUNTA
DO	MINISTéRIO	DA	SAúDE	DA
REPúBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
E DO MINISTéRIO DA SAúDE PúBLICA
DA	REPúBLICA	DE	CUBA	SOBRE
DESENVOLVIMENTO TECNOLóGICO E
INOVAçãO EM SAúDE
  2- MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE	O	MINISTéRIO	DO
DESENVOLVIMENTO,	INDúSTRIA	E
COMéRCIO EXTERIOR DA REPúBLICA
FEDERATIVA	DO	BRASIL	E	O
MINISTéRIO DO COMéRCIO EXTERNO
E DO INVESTIMENTO ESTRANGEIRO DA
REPúBLICA DE CUBA
   
3- ACORDO SOBRE SERVIçOS AéREOS
ENTRE O GOVERNO DA REPúBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO
DA REPúBLICA DE CUBA
  4- AJUSTE COMPLEMENTAR AO
ACORDO DE COOPERAçãO CIENTíFICA,
TéCNICA E TECNOLóGICA ENTRE O
GOVERNO DA REPúBLICA FEDERATIVA
DO BRASIL E
  O GOVERNO DA REPúBLICA DE CUBA
PARA A IMPLEMENTAçãO DO PROJETO
TRANSFERENCIA DE METODOLOGIA
PARA O CONTROLE GENéTICO DE
PRAGASEMERGENTESEDAQUALIDADE
NUTRITIVA E FUNCIONAL NO TOMATE E
NO PIMENTãO  FASE III
  5- AJUSTE COMPLEMENTAR AO
ACORDO DE COOPERAçãO CIENTíFICA,
TéCNICA E TECNOLóGICA ENTRE O
GOVERNO DA REPúBLICA FEDERATIVA
DO BRASIL E
  O GOVERNO DA REPúBLICA DE CUBA
PARA A IMPLEMENTAçãO DO PROJETO
FORTALECIMENTO DA ODONTOLOGIA
NO BRASIL E EM CUBA - FASE III
  6- AJUSTE COMPLEMENTAR AO
ACORDO DE COOPERAçãO CIENTíFICA,
TéCNICA E TECNOLóGICA ENTRE O
GOVERNO DA REPúBLICA FEDERATIVA
DO BRASILE O GOVERNO DAREPúBLICA
DE CUBA PARA A IMPLEMENTAçãO DO
PROJETO LIMITES PERMISSíVEIS DE
METAIS PESADOS NA AGRICULTURA
CUBANA: TRANSFERêNCIA    E
ADEQUAçãO   DA LEGISLAçãO
BRASILEIRA - FASE II
  7- AJUSTE COMPLEMENTAR AO
ACORDO DE COOPERAçãO CIENTíFICA,
TéCNICA E TECNOLóGICA ENTRE O
GOVERNO DA REPúBLICA FEDERATIVA
DO BRASILE O GOVERNO DAREPúBLICA
DE CUBA PARA A IMPLEMENTAçãO
DO PROJETO FORTALECIMENTO DA




80

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




ORGANIZAçãO DA PESQUISA CLíNICA
SOBRE CÂNCER
  8-	AJUSTE	COMPLEMENTAR	AO
ACORDO DE COOPERAçãO CIENTíFICA,
TéCNICA E TECNOLóGICA ENTRE O
GOVERNO DA REPúBLICA FEDERATIVA
DO BRASILE O GOVERNO DAREPúBLICA
DE CUBA PARA A IMPLEMENTAçãO
DO	PROJETO	INTERCÂMBIO	DE
EXPERIêNCIAS E DESENVOLVIMENTO
DE	CAPACIDADES	TéCNICAS	EM
CONTROLE BIOLóGICO DE PRAGAS
AGRíCOLAS ENTRE BRASIL E CUBA 
FASE II
  9-	AJUSTE	COMPLEMENTAR
AO	ACORDO	DE	COOPERAçãO
CIENTíFICA, TéCNICA E TECNOLóGICA
ENTRE O GOVERNO DA REPúBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO
DA REPúBLICA DE CUBA PARA A
IMPLEMENTAçãO	DO	PROJETO
FORTALECIMENTO INSTITUCIONAL DO
CENTRO DE TECNOLOGIA E QUALIDADE
DO	MINISTéRIO	DA	INDúSTRIA
SIDEROMECÂNICA DE CUBA  FASE III:
CAPACITAçãO EM IMPLEMENTAçãO
ASSISTIDA, ENSAIOS DE SUFICIêNCIA
E CALIBRAçãO DE INSTRUMENTOS DE
METROLOGIA INDUSTRIAL
  10-	AJUSTE	COMPLEMENTAR	AO
ACORDO DE COOPERAçãO CIENTíFICA,
TéCNICA E TECNOLóGICA ENTRE O
GOVERNO DA REPúBLICA FEDERATIVA
DO BRASILE O GOVERNO DAREPúBLICA
DE CUBA PARA A IMPLEMENTAçãO
DO PROJETO APOIO TéCNICO PARA
A EXPANSãO E CONSOLIDAçãO DA
REDE CUBANA DE BANCOS DE LEITE
HUMANO
  11-	AJUSTE	COMPLEMENTAR	AO
ACORDO DE COOPERAçãO CIENTíFICA,
TéCNICA E TECNOLóGICA ENTRE O
GOVERNO DA REPúBLICA FEDERATIVA

DO BRASILE O GOVERNO DAREPúBLICA
DE CUBA PARA A IMPLEMENTAçãO DO
PROJETO IMPLEMENTAçãO FíSICA DO
BANCO DE DADOS GEOLóGICOS DA
REPúBLICA DE CUBA
  12- AJUSTE COMPLEMENTAR AO
ACORDO DE COOPERAçãO CIENTíFICA,
TéCNICA E TECNOLóGICA ENTRE O
GOVERNO DA REPúBLICA FEDERATIVA
DO BRASILE O GOVERNO DAREPúBLICA
DE CUBA PARA A IMPLEMENTAçãO
DO PROJETO ESTABELECIMENTO DE
SUBSTÂNCIAS DE REFERêNCIA PARA
O CONTROLE DA QUALIDADE DOS
MEDICAMENTOS

           VISITA AO BRASIL DA ALTA
    REPRESENTANTE PARA RELAçõES
          EXTERIORES E POLíTICA DE
   SEGURANçA DA UNIãO EUROPEIA,
                 CATHERINE ASHTON
                            03/02/2012
                               
  A Alta Representante para Relações
Exteriores e Política de Segurança da União
Europeia, Catherine Ashton, realizará visita
ao Brasil nos dias 6 e 7 de fevereiro. Será sua
primeira visita ao País desde que assumiu o
cargo. Em Brasília, no dia 6, será recebida pelo
Ministro das Relações Exteriores, Antonio de
Aguiar Patriota.
  No âmbito da Parceria Estratégica Brasil-
União Europeia, os Ministros avaliarão os
resultados da V Cúpula e lançarão os preparativos
para a VI Cúpula, a ser realizada em 2012, no
Brasil. Os Ministros examinarão as negociações
para um Acordo de Associação entre o Mercosul
e a União Europeia e tratarão, também, das
perspectivas da intensificação das parcerias
para mobilidade acadêmica e para a cooperação
trilateral em prol de países em desenvolvimento.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	81




   Serão igualmente tratados assuntos de
interesse global, como a situação financeira
internacional, a Conferência das Nações Unidas
para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), a
mudança do clima, direitos humanos, o processo
de paz no Oriente Médio e a reforma das
instituições de governança política e econômica.
  No dia 7, os Ministros participarão de
seminário organizado pela Fundação Alexandre
de Gusmão (FUNAG) dedicado ao tema O
Brasil e a União Europeia no atual contexto
mundial.
  Em 2011, a União Europeia manteve-se
como principal parceiro comercial do Brasil.
O volume de comércio bilateral atingiu o valor
recorde de US$ 99,3 bilhões, o que representa
aumento de 20,7% em relação a 2010. Os
investimentos dos países do bloco no Brasil
são de aproximadamente US$ 180 bilhões,
correspondendo a quase a metade do estoque de
investimentos estrangeiros no País. O Brasil é o
sexto maior investidor na União Europeia, com
estoque acumulado de cerca de US$ 80 bilhões.

      VISITA AO BRASIL DA MINISTRA
   DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS DA
      GUIANA, CAROLYN RODRIGUES-
         BIRKETT  BRASíLIA, 6 E 7 DE
                  FEVEREIRO DE 2012
                            07/02/2012
                               
  A Chanceler da Guiana, Carolyn Rodrigues-
Birkett, realiza visita à Brasília nos dias 6 e 7
de fevereiro próximo, e será recebida pelo
Ministro das Relações Exteriores, Antonio
de Aguiar Patriota, no dia 7. Na ocasião, os
Ministros passarão em revista os principais
temas da relação bilateral, assim como temas
da pauta regional e multilateral, com ênfase em
projetos de infra-estrutura e cooperação técnica
e fronteiriça.
   
Entre 2002 e 2011, a corrente de comércio
entre Brasil e Guiana passou de US$ 8,78
milhões para US$ 35,6 milhões. Entre 2010
e 2011, o intercâmbio comercial registrou
aumento de 26%.

   VISITA AO BRASIL DO SECRETáRIO
       DE RELAçõES EXTERIORES DE
      HONDURAS, ARTURO CORRALES
       ALVAREZ - BRASíLIA, 6 A 10 DE
                  FEVEREIRO DE 2012
                            07/02/2012
                               
  O Secretário de Relações Exteriores de
Honduras, Arturo Corrales Alvarez, realiza
visita oficial ao Brasil de 6 a 10 de fevereiro, à
frente de delegação que conta com a participação
de mais seis Ministros de Estado e comitiva
empresarial. Trata-se da primeira visita do
Chanceler hondurenho ao Brasil.
  O Ministro das Relações Exteriores, Antonio
de Aguiar Patriota, receberá o Chanceler Arturo
Corrales Alvarez no dia 9 de fevereiro. Na
ocasião, passarão em revista a agenda bilateral e
conversarão, igualmente, sobre temas regionais
e multilaterais, como a CELAC, as relações
entre o MERCOSUL e o Sistema de Integração
Centro-Americano e sobre a Conferência
das Nações Unidas sobre Desenvolvimento
Sustentável (Rio+20).
  em 2011, o fluxo de comércio entre Brasil e
Honduras totalizou US$ 105 milhões, apresentando
um crescimento de 30% sobre 2010.

            II REUNIãO DA COMISSãO
           SINO-BRASILEIRA DE ALTO
           NíVEL DE CONCERTAçãO E
             COOPERAçãO  COSBAN
                            08/02/2012

                               
                               

82

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




  A COSBAN é o mecanismo permanente de
mais alto nível entre os Governos do Brasil e da
China.
  Será realizada em Brasília, no próximo
dia 13 de fevereiro, a II Reunião da Comissão
Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e
Cooperação (COSBAN). A delegação brasileira
será chefiada pelo vice-Presidente da república,
Michel Temer, e a delegação chinesa, pelo Vice-
Primeiro Ministro, Wang Qishan.
  No contexto da II Reunião da COSBAN,
o Vice-Primeiro Ministro Wang Qishan será
recebido em audiência pela Senhora Presidenta
da República e participará de reunião de trabalho
com o Senhor Vice-Presidente da República, da
qual participarão os titulares das partes afetas à
agenda da COSBAN. O Vice-Ministro Wang
Qishan participará, ainda, de encontro com
empresários brasileiros.
  A COSBAN é o mecanismo permanente de
mais alto nível entre os Governos do Brasil e da
China. Integram sua estrutura onze Subcomissões,
responsáveis pelos campos político; econômico-
comercial; econômico-financeiro; de inspeção e
quarentena; de agricultura; de energia e mineração;
de ciência, tecnologia e inovação; espacial; de
indústria e tecnologia da informação; cultural, e
educacional.
  Desde 2009, a China é o maior parceiro
comercial do Brasil e principal fonte de novos
investimentos no País. Em 2011, o comércio
bilateral alcançou US$ 77,1 bilhões, com
exportações de US$ 44,3 bilhões e importações
de US$ 32,8 bilhões. O superávit comercial
brasileiro com a China (US$ 11,5 bilhões)
equivale a 38% do superávit global do País.
  do Palácio do Planalto estão isentos desse
processo de credenciamento.

           REUNIãO BRASILMéXICO
                     SOBRE O ACE55
                            10/02/2012
   
Em seguimento à conversa telefônica entre
a Presidenta Dilma Rousseff e o Presidente
Felipe Calderón, realizou-se em Brasília, entre
os dias 7 e 9 de fevereiro, reunião de consulta
entre o Brasil e o México sobre o Acordo de
Complementação Econômica nº 55 (ACE55).
  A reunião contribuiu para o esclarecimento
de pontos relevantes a respeito da evolução e
das perspectivas do relacionamento comercial
bilateral no setor automotivo.
  Ambos os países estão empenhados em
buscar solução satisfatória que atenda aos
interesses das duas partes.
  Está prevista a realização de diálogo contínuo
em nível técnico e de novo encontro nos dias 28
e 29 de fevereiro, na Cidade do México, para
avançar nas negociações.

          CENTENáRIO DA MORTE DO
             BARãO DO RIO BRANCO
                            10/02/2012
                               
  O Ministério das Relações Exteriores
recorda hoje, 10 de fevereiro de 2012, o
centenário da morte de José Maria da Silva
Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco.
  José Maria da Silva Paranhos Júnior nasceu
em 1845. Iniciou sua carreira no Serviço
Exterior em 1876, como Cônsul em Liverpool.
Em duas ocasiões na década de 1890, foi
designado Ministro Plenipotenciário em missão
especial para defender os interesses brasileiros
em disputas fronteiriças relacionadas ao sul
do Brasil e ao atual estado do Amapá, obtendo
vitórias nos dois casos. Esteve à frente da Missão
do Brasil em Berlim de 1901 a 1902.
  Serviu como Ministro das Relações
Exteriores de 1902 a 1912, durante o mandato
de quatro Presidentes: Rodrigues Alves, Afonso
Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca.
Como Chanceler, consolidou, de forma pacífica,
as fronteiras do Brasil. Considerado o patrono




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	83




da diplomacia brasileira, deixou legado de
pragmatismo e opção pela solução pacífica de
controvérsias.
  As comemorações do centenário da morte do
Barão do Rio Branco iniciam-se com a Exposição
Rio Branco  100 Anos de Memória, aberta à
visitação no Palácio Itamaraty, em Brasília.

       VISITA AO BRASIL DO MINISTRO
       DAS RELAçõES EXTERIORES DA
    ALEMANHA, GUIDO WESTERWELLE
       BRASíLIA, SãO PAULO E RIO DE
JANEIRO, 13 A 16 DE FEVEREIRO DE 2012
                            10/02/2012
                               
  O Ministro das Relações Exteriores da
Alemanha, Guido Westerwelle, realizará visita ao
Brasil entre os dias 13 e 16 de fevereiro de 2012.
  Em Brasília, será recebido pelo Ministro
das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar
Patriota, e pelo Ministro da Educação, Aloizio
Mercadante. Em São Paulo, o Ministro
Westerwelle será recebido pelo Ministro da
Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antônio
Raupp e pelo Governador Geraldo Alckmin.
No Rio de Janeiro, manterá encontro com o
Governador Sérgio Cabral Filho.
  Em seguimento ao encontro entre a Presidenta
Dilma Rousseff e o Presidente Christian Wulff,
realizado em Brasília, em maio de 2011, os
Ministros Patriota e Westerwelle examinarão o
aprofundamento da Parceria Estratégica Brasil-
Alemanha.	Temas	como	desenvolvimento
sustentável, energia, infraestrutura, educação,
ciência, tecnologia e inovação são centrais
na cooperação bilateral. Dez mil estudantes
brasileiros serão recebidos em universidades
alemãs até 2014, no âmbito do programa
Ciência sem Fronteias. O Brasil será o país-
tema da Feira Internacional de Tecnologias da
Informação e das Comunicações (CeBIT), a ser

realizada em Hannover, entre 6 e 10 de março.
  Os Ministros tratarão, também, da visita da
Presidenta Dilma Rousseff à Alemanha, em
março próximo.
  Serão igualmente examinados assuntos de
interesse global, como a situação financeira
internacional, a Conferência das Nações Unidas
para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20),
a reforma das instituições de governança política
e econômica. Juntamente com índia e Japão,
Brasil e Alemanha compõem o G-4, grupo
empenhado na reforma das Nações Unidas.
  A Alemanha é o principal parceiro comercial
do Brasil na Europa  e o quarto parceiro
comercial brasileiro no mundo. Em 2011, o
volume de comércio bilateral atingiu o valor
recorde de US$ 24,25 bilhões, o que representa
aumento de 17,2% em relação a 2010. No
ano passado, as exportações brasileiras para a
Alemanha registraram crescimento de 11,1%
em relação ao período anterior, superando
US$ 9 bilhões. Os dois países têm interesse
em incrementar a cooperação entre pequenas
e médias empresas, com vistas a fortalecer a
pesquisa aplicada à indústria. Mais de 1.200
empresas alemãs estão instaladas no Brasil.
Estima-se que a contribuição destas empresas
para a formação do PIB brasileiro esteja em
torno de 8% a 10%.

     VISITA AO BRASIL DO PRIMEIRO-
      MINISTRO DA FINLÂNDIA, JYRKI
        KATAINEN - BRASíLIA, RIO DE
     JANEIRO E SãO PAULO, 12 A 16 DE
                  FEVEREIRO DE 2012
                            13/02/2012
                               
  O Primeiro-Ministro da Finlândia, Jyrki
Katainen, realiza visita ao Brasil entre os dias 12
e 16 de fevereiro. Acompanhado pelo Ministro
de Assuntos Europeus e Comércio Exterior,




84

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




Alexander Stubb, e por expressiva delegação
empresarial, cumprirá agenda em Brasília, Rio
de Janeiro e São Paulo.
  Em Brasília, no dia 13, o Primeiro-Ministro
Jyrki Katainen será recebido pelo Ministro
da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco
Antonio Raupp. No dia 14, o Primeiro-Ministro
Jyrki Katainen será recebido pela Presidenta
Dilma Rousseff e se reunirá com o Ministro
das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar
Patriota. Brasil e Finlândia examinarão as
perspectivas para intensificar a cooperação
em educação, ciência, tecnologia, inovação,
energia e turismo. Há interesse em estimular a
cooperação acadêmica entre os dois países, por
meio do programa Ciência sem Fronteiras.
  Serão tratadas, ainda, as perspectivas para
a Conferência das Nações Unidas para o
Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) e o tema
da mediação como instrumento para prevenção
de conflitos internacionais.
  Há	significativo	potencial	para
aprofundamento nas relações comerciais entre
Brasil e Finlândia. Em 2011, comércio bilateral
alcançou o valor recorde de US$ 1,47 bilhão.
Nesse mesmo ano, as exportações brasileiras
atingiram US$ 742,4 milhões, o que representa
crescimento de 55,73% em relação a 2010.
  O Primeiro-Ministro Jyrki Katainen também
se encontrará com o Governador do Estado de
São Paulo, Geraldo Alckmin, com o Presidente
do Banco Central, Alexandre Tombini, e com o
Presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

               PRONUNCIAMENTO DA
    EMBAIXADORA DO BRASIL JUNTO
  àS NAçõES UNIDAS, EM SESSãO DA
      ASSEMBLEIA-GERAL DA ONU DE
   13 DE FEVEREIRO DE 2012, SOBRE A
                  SITUAçãO NA SíRIA
                            14/02/2012
   
Mr. President,
  Thank you for convening this meeting. I also
thank Madam Pillay for her presentation.
  The Brazilian Government is deeply troubled
by the rapidly deteriorating situation in Syria.
  The level of violence we now see in Syria is
extremely serious. Recent episodes in Homs and
other cities are particularly disturbing.
  We reiterate our repudiation of the violence
and human rights violations in Syria and our full
support for the work of the High Commissioner
for Human Rights and the Commission of Inquiry
established by the Human Rights Council.
  We renew our call on the Syrian authorities
to abide by their international obligations under
human rights and humanitarian law and their
own commitments to the Arab League in that
regard.
  Mr. President,
  The solution to the Syrian conflict requires
a political, nationally-owned process. The
Government must do more and faster to establish
the necessary conditions for negotiations to start.
Political repression must cease immediately.
Reforms must allow for real and timely
change capable of promoting more democratic
governance. The opposition has to contribute
through constructive engagement, as soon as
the appropriate conditions are established. The
future of Syria is obviously in the hands of the
Syrians, but the international community can
and should help.
  The uN should send a clear and unified
message of condemnation of human rights
violations, while supporting the Arab Leagues
efforts and the centrality of a Syrian-led political
process. Our collective and individual action
must be guided by the need to end violence,
promote stability and help the parties find a
path out of the current political impasse. The
international community should not spare
diplomatic efforts at this juncture, and seek a
consensus platform. Brazil is ready to play its




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	85




part.
  The engagement of the Arab League will
continue to be crucial. We strongly support
greater involvement of the United Nations in
cooperation with the Arab League. We share the
same goals.
  This hour requires true cooperation among us
and a firm determination above all to avoid even
greater bloodshed. We owe it to the people of the
country and their neighbors.
  I thank you, Mr. President.
  (versão não-oficial em português)
  Senhor Presidente,
  Obrigada por convocar esta reunião. Também
agradeço a Senhora Pillay por sua apresentação.
  O Governo Brasileiro está profundamente
preocupado com a rápida deterioração da
situação na Síria.
  O nível de violência que vemos agora na Síria
é extremamente grave. Episódios recentes em
Homs e em outras cidades são particularmente
perturbadores.
  Reiteramos o nosso repúdio à violência e
às violações de direitos humanos na Síria e o
nosso total apoio ao trabalho da Alta Comissária
para os Direitos Humanos e da Comissão
de Investigação instituída pelo Conselho de
Direitos Humanos.
  Renovamos o nosso chamado às autoridades
sírias a agirem de acordo com suas obrigações
internacionais à luz dos direitos humanos e
do direito humanitário e dos seus próprios
compromissos com a Liga árabe a esse respeito.
  Senhor Presidente,
 a solução para o conflito sírio requer um
processopolítico,conduzidopelosprópriossírios.
O Governo deve fazer mais e agir mais depressa
para estabelecer as condições necessárias para o
início as negociações. A repressão política deve
cessar de imediato. As reformas devem permitir
mudanças reais e tempestivas, capazes de
promover uma governança mais democrática.
A oposição deve contribuir por meio de um

engajamento construtivo, assim que condições
apropriadas sejam estabelecidas. O futuro da
Síria está obviamente na mão dos sírios, mas a
comunidade internacional pode e deve ajudar.
  A ONU deve mandar uma mensagem clara e
uníssona de condenação às violações de direitos
humanos, ao mesmo tempo em que apoia os
esforços da Liga árabe e a situação central
do processo político liderado pelos sírios. As
nossas ações coletivas e individuais devem ser
guiadas pela necessidade de por fim à violência,
promover a estabilidade e ajudar as partes a
encontrar uma saída para o atual impasse político.
Nessa conjuntura, a comunidade internacional
não deve poupar esforços diplomáticos e precisa
buscar uma plataforma de consenso. O Brasil
está pronto para dar a sua contribuição.
  O engajamento da Liga árabe continuará
sendo decisivo. apoiamos firmemente um
maior envolvimento das Nações Unidas, em
cooperação com a Liga árabe. Compartilhamos
os mesmos objetivos.
  Este momento exige uma verdadeira
cooperação entre nós e uma firme determinação,
sobretudo para evitar ainda maior derramamento
de sangue. Devemos isso ao povo sírio e aos
seus vizinhos.
  Muito obrigada, Senhor Presidente.
   
    COMUNICADO CONJUNTO BRASIL-
         FINLÂNDIA - BRASíLIA, 14 DE
                  FEVEREIRO DE 2012
                            14/02/2012
                               
  Em 14 de fevereiro de 2012, a Senhora
Presidenta da República, Dilma Rousseff,
recebeu o Primeiro-Ministro da Finlândia,
Jyrki Katainen. Os Chefes de Governo
saudaram a intensificação dos laços bilaterais
entre os dois países e mapearam áreas de
cooperação para os próximos anos. Os dois
lados comprometeram-se a desenvolver




86

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




relacionamento fortalecido sobre temas de
política externa.

  Diálogo político regular
   
  Reconhecendo o desejo de ambos os
Governos de garantir diálogo fluido que
lhes permita desenvolver relações bilaterais
privilegiadas e identificar possibilidades de mais
estreita cooperação e de ações conjuntas no
cenário internacional, os dois lados manifestaram
interesse em aumentar o nível e a frequência das
consultas políticas bilaterais, que se deverão
realizar em bases anuais.

  Comércio
   
  Brasil e Finlândia continuarão a promover a
intensificação do comércio e dos investimentos
bilaterais e apoiam fortemente a conclusão de um
Acordo de Associação equilibrado e ambicioso
entre o MERCOSUL e a União Europeia.
ambos os países reafirmaram seu compromisso
em evitar o protecionismo e avançar na Rodada
Doha.

  Ciência, tecnologia, inovação e educação
   
  Reconhecendo a ambição e a visão do
programa Ciência sem Fronteiras, promovido
pelo Governo do Brasil, o Governo da Finlândia
expressou seu firme compromisso em aprimorar
o desenvolvimento de programa de mobilidade
para estudantes e pesquisadores de forma a
permitir acolhimento de número significativo
de estudantes e pesquisadores brasileiros em
instituições de ensino avançado e de pesquisa na
Finlândia.
  Representantes	da	Coordenação	de
Aperfeiçoamento	de	Pessoal	de	Nível
Superior (CAPES) e do Conselho Nacional
de desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq) deverão assinar, em Helsinque, em

março próximo, acordo que permitirá a execução
do Programa Ciência sem Fronteiras com a
Finlândia.
  Essa parceria irá fortalecer a cooperação
acadêmica entre os dois países e constituirá
contribuição valiosa para o desenvolvimento
científico e econômico brasileiro. espera-se que
pesquisadores e estudantes finlandeses também
venham ao Brasil no âmbito do Programa
Ciência sem Fronteiras.
  Os dois lados concordaram em incluir o setor
empresarial na parceria educacional, como forma
de investir na qualificação de funcionários.
  Os dois lados destacaram o potencial de
cooperação bilateral em ciência, tecnologia
e inovação, a partir da cooperação entre a
Academia da Finlândia (AKA) e instituições
brasileiras de fomento à pesquisa, notadamente
o CNPq e a Fundação de Amparo à Pesquisa do
Estado de São Paulo (FAPESP).
  Os dois países saudaram ainda a realização,
nos dias 25 a 27 de janeiro passado, no Recife, da
primeira Cúpula Internacional Brasil-Finlândia
de Inovação Tecnológica, com a participação de
diversas instituições acadêmicas e de pesquisa
e desenvolvimento dos dois países, durante a
qual foram discutidas propostas de cooperação
bilateral envolvendo universidades, indústria e
os Governos da Finlândia e do Brasil.

  Cooperação em meio ambiente
   
  Com vistas a intensificar a cooperação
em meio ambiente, Brasil e Finlândia estão
negociando Memorando de Entendimento em
Cooperação Ambiental.

  Turismo
   
  Os dois lados concordaram em intensificar
a cooperação na área de turismo, explorando
o potencial turístico do Brasil no âmbito dos
grandes eventos esportivos vindouros, como




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	87




a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas e
Paralimpíadas de 2016, bem como o potencial
turístico da Finlândia como destino associado a
atividades de inverno.

  Defesa
   
  Brasil e Finlândia manifestaram interesse em
explorar as possibilidades de cooperação em
matéria de defesa, tanto no que tange à pesquisa
e ao desenvolvimento de produtos, assim como
no tocante ao intercâmbio de pessoal para troca
de experiências.

  Conselho de Segurança da ONU
   
  Brasil e Finlândia coincidiram na necessidade
de promover a atualização das instâncias de
governança global a fim de refletir as realidades
políticas	e	econômicas	do	século	XXI.
Destacaram a importância do fortalecimento
do multilateralismo e da necessidade urgente
de proceder à reforma das Nações Unidas, em
particular de seu Conselho de Segurança, a
fim de torná-lo mais representativo, legítimo e
eficaz. Brasil e Finlândia apoiam firmemente a
expansão do Conselho de Segurança da ONU
nas categorias de membros permanentes e não
permanentes. A Presidenta Dilma Rousseff
reiterou o apoio do Brasil à candidatura da
Finlândia a assento não-permanente do Conselho
de Segurança no biênio 2013-2014. O Primeiro-
Ministro da Finlândia, Jyrki Katainen, reiterou
o apoio da Finlândia ao Brasil como membro
permanente de um Conselho de Segurança
reformado.

  Conferência das Nações Unidas sobre
Desenvolvimento Sustentável (Rio+20)

  Brasil e Finlândia comprometeram-se a
trabalhar em conjunto para o êxito da Conferência
das Nações Unidas sobre Desenvolvimento

Sustentável (Rio+20), que será realizada no
Rio de Janeiro, nos dias 20, 21 e 22 de junho
de 2012, e reiteraram a importância de buscar
garantir representação no mais alto nível.

    PARTICIPAçãO DO MINISTRO DAS
    RELAçõES EXTERIORES, ANTONIO
    DE AGUIAR PATRIOTA, EM DEBATE
       SOBRE RESPONSABILIDADE AO
  PROTEGER NA ONU  NOVA YORK, 21
               DE FEVEREIRO DE 2012
                            14/02/2012
                               
  O Ministro Antonio de Aguiar Patriota
participará, no próximo dia 21 de fevereiro,
de debate organizado pelo Brasil na sede da
ONU sobre a responsabilidade ao proteger.
  A responsabilidade ao proteger foi lançada
pela Presidenta Dilma Rousseff em seu discurso
na 66ª Assembléia-Geral da ONU, em setembro
último. Subsequentemente, o Brasil circulou,
em debate do Conselho de Segurança da ONU,
documento conceitual sobre o tema, que pode
ser consultado, nas seis línguas oficiais das
Nações Unidas, no seguinte endereço internet:
http://www.un.org/ga/search/view_doc.
asp?symbol=A/66/551.
  O conceito de responsabilidade ao
proteger baseia-se nos seguintes princípios
fundamentais: a valorização da prevenção e dos
meios pacíficos de solução de controvérsias;
a necessidade de exaurir todos os meios não-
violentos para a proteção de civis; a obrigação
de que qualquer ação militar seja sempre
autorizada pelo Conselho de Segurança, limitada
em seus elementos operacional e temporal; e a
necessidade de monitoramento e avaliação da
implementação das resoluções que autorizem
intervenções.
  O debate reflete o grande interesse suscitado
pelo tema desde o seu lançamento e reunirá




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




representantes de Estados-Membros da ONU,
organizações não-governamentais, acadêmicos
e funcionários internacionais.

    PRONUNCIAMENTO DO MINISTRO
   ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA EM
  DEBATE SOBRE RESPONSABILIDADE
               AO PROTEGER NA ONU
                            21/02/2012
  Minhas calorosas boas-vindas a todos para
esta reunião em que, creio, estamos todos -
países, organizações e indivíduos - genuinamente
comprometidos tanto com o multilateralismo
quanto com a proteção de civis. Tenho o prazer
de convidá-los a este debate informal sobre a
Responsabilidade ao Proteger.
  Como se sabe, trata-se de uma idéia
mencionada pela primeira vez pela Presidenta
Dilma Rousseff em seu discurso de abertura
da Assembléia Geral da ONU no último mês
de setembro. Em novembro, o Brasil circulou
uma nota conceitual que discute a noção de que
a comunidade internacional, quando exerce sua
responsabilidade de proteger, deve demonstrar
um alto nível de responsabilidade ao proteger.
Ao longo dos últimos meses temos notado um
apoio significativo a este debate. Creio termos
hoje uma oportunidade de intercambiar de
maneira franca e frutífera ideias sobre as várias
dimensões desta questão.
  As mudanças políticas de nosso tempo
representam	um	desafio	à	comunidade
internacional. A relação entre a manutenção da
paz e da segurança internacionais e a proteção de
civis evoluiu significativamente desde a criação
das Nações Unidas em 1945. Novos marcos
conceituais foram desenvolvidos para lidar com
os desafios que enfrentamos.
  O trabalho sobre a proteção de civis tem
avançado consideravelmente desde os anos
1990, quando as discussões sobre essa questão

começaram a receber mais atenção. O sofrimento
de civis inocentes e a necessidade de evitar a
impunidade dos autores dos crimes mais graves
levaram a comunidade internacional a criar o
Tribunal Penal Internacional.
  Em seu sexagésimo aniversário, a
Organização das Nações Unidas adotou o
conceito da responsabilidade de proteger.
Este conceito estabeleceu a responsabilidade
dos Estados de protegerem suas populações em
casos de genocídio, crimes de guerra, limpeza
étnica e crimes contra a humanidade. Decidiu-se
também que a comunidade internacional deveria
encorajar e ajudar os Estados a exercerem essa
responsabilidade. Além disso, estabeleceu-se a
responsabilidade da comunidade internacional
de agir coletivamente, por intermédio da ONU,
caso as autoridades nacionais deixassem de
proteger suas populações.
  O reconhecimento de que existe uma
responsabilidade de proteger foi um marco.
Ressalte-se que o mesmo Documento Final da
Cúpula Mundial de 2005 que estabeleceu uma
fórmula de consenso acerca do conceito da
responsabilidade de proteger também afirmou
claramente que essa responsabilidade deve ser
exercida, em primeiro lugar, por meio do uso
de meios diplomáticos, humanitários e outros
meios pacíficos, e que apenas nos casos em
que os meios pacíficos se revelam inadequados
deveriam ser cogitadas medidas coercitivas.
  Ao longo desse processo, é essencial
distinguir entre responsabilidade coletiva -
que pode ser plenamente exercida através de
medidas não-coercitivas - e segurança coletiva -
que envolve uma avaliação política caso-a-caso
por parte do Conselho de Segurança.
  Antes de se empenhar em uma ação militar,
espera-se que a comunidade internacional
realize uma análise abrangente e criteriosa de
todas as consequências que daí podem decorrer.
O uso da força sempre traz consigo o risco de
causar mortes involuntárias e de disseminar




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	89




violência e instabilidade. O fato de que ela seja
utilizada com o objetivo de proteger civis não
faz das vítimas colaterais ou da desestabilização
involuntária eventos menos trágicos.
  é por isso que, em nossa opinião, é necessário
dar um passo conceitual adicional para lidar com
a responsabilidade de proteger, e eu gostaria
de aproveitar esta oportunidade para propor
uma nova perspectiva sobre esta questão, uma
perspectiva que acreditamos tornou-se essencial
na busca de nosso objetivo comum.
  APresidenta Dilma Rousseff, em seu discurso
na Assembléia Geral em setembro passado, se
referiu a um fato preocupante: o mundo de hoje
sofre as dolorosas conseqüências de intervenções
militares que agravaram os conflitos existentes,
permitiram ao terrorismo penetrar em lugares
onde não existia, deram origem a novos ciclos
de violência e aumentaram a vulnerabilidade das
populações civis.
  Na ocasião ela acrescentou: muito se tem
dito sobre a responsabilidade de proteger,
mas muito pouco sobre a responsabilidade ao
proteger.
  Como a Organização das Nações Unidas
pode autorizar o uso da força, ela tem a obrigação
de conscientizar-nos dos perigos envolvidos em
sua utilização e de criar mecanismos que possam
fornecer uma avaliação objetiva e detalhada de
tais perigos, bem como formas e meios de evitar
danos aos civis.
  Nosso ponto de partida em comum deve
basear-se no princípio de primum non nocere
que os médicos conhecem muito bem. Em
primeiro lugar, não causar danos - esse deve ser
o lema daqueles que são obrigados a proteger
os civis. Também seria lamentável, em última
análise inaceitável, se uma missão estabelecida
sob mandato das Nações Unidas com o objetivo
de proteger civis causasse maiores danos do que
aqueles que justificaram sua própria criação.
  Temos de almejar um maior nível de
responsabilidade. Uma vítima civil já é uma

vítima em demasia.
  Acreditoqueosconceitosdaresponsabilidade
de proteger e da responsabilidade ao proteger
devem evoluir juntos, com base em um conjunto
acordado de princípios fundamentais, parâmetros
e procedimentos, dos quais menciono alguns:
  - prevenção é sempre a melhor política. é
a ênfase na diplomacia preventiva que reduz o
risco de conflito armado e os custos humanos
a ele associados. Nesse sentido, saudamos a
iniciativa do Secretário-Geral Ban Ki-moon
de estabelecer o ano de 2012 como o ano da
prevenção, que conta com o total apoio do
Brasil. Outras iniciativas, como Amigos
da Mediação, podem ser vistas como parte
do espírito de promoção do exercício da
responsabilidade coletiva na busca da paz, por
meio da diplomacia, do diálogo, da negociação,
da prevenção;
  - a comunidade internacional deve ser rigorosa
em seus esforços para exaurir todos os meios
pacíficos disponíveis nos casos de proteção de
civis sob ameaça de violência, em consonância
com os princípios e propósitos da Carta das
Nações Unidas e conforme incorporado no
Documento Final da Cúpula Mundial de 2005;
  - o uso da força deve produzir o mínimo
possível de violência e de instabilidade. Sob
nenhuma circunstância podem-se gerar mais
danos do que se autorizou evitar;
  - no caso de o uso da força ser contemplado, a
ação deve ser criteriosa, proporcional e limitada
aos objetivos estabelecidos pelo Conselho de
Segurança;
  - são necessários procedimentos aprimorados
no Conselho para monitoramento e avaliação da
maneira como as resoluções são interpretadas e
aplicadas, para assegurar a responsabilidade ao
proteger.
  O estabelecimento desses procedimentos
não deve ser entendido como meio de impedir,
ou atrasar indevidamente, a autorização de
ações militares nas situações estabelecidas pelo




90

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




Documento Final da Cúpula Mundial de 2005.
A iniciativa do Brasil deve ser vista como um
convite a um debate coletivo sobre a forma de
garantir, quando o uso da força for cogitado como
alternativa justificável e estiver devidamente
autorizado pelo Conselho de Segurança, que seu
emprego seja responsável e legítimo. Por essa
razão, faz-se necessário assegurar a prestação de
contas daqueles autorizados a fazer uso da força.
  O Brasil iniciou uma série de discussões
com países de todas as regiões, bem como com
organizações não-governamentais e especialistas
sobre o assunto. Queremos contribuir para um
debate crucial para a comunidade internacional
sobre a manutenção da paz e da segurança
internacionais e a proteção de civis. Em recentes
eventos sobre a responsabilidade de proteger,
tivemos a oportunidade de ampliar esse diálogo.
O Brasil aprecia o fato de o Secretário-Geral
da ONU dar as boas-vindas à iniciativa da
responsabilidade ao proteger.
  O evento de hoje é uma oportunidade para o
aprofundamento e a ampliação dessa discussão.
  Deixe-me	brevemente	descrever	o
planejamento do debate informal de hoje.
Estamos honrados em ter o professor Edward
Luck como co-presidente do evento. O
Assessor	Especial	do	Secretário-Geral
sobre a responsabilidade de proteger é um
interlocutor-chave.	Prezamos	enormemente
sua contribuição, em consulta com os Estados-
Membros, para o desenvolvimento conceitual,
político e operacional da responsabilidade de
proteger. Suas idéias serão muito bem-vindas
hoje.
  A discussão	estará	então	aberta	aos
participantes. Convidamos todos os Estados-
Membros, bem como ONGs e especialistas que
trabalharam nesse tema. Gostaria de encorajar
os oradores a serem concisos e a limitarem suas
declarações a três minutos, para que possamos
nos beneficiar da mais ampla participação.
  Concluiremos o debate de hoje com as

observações dos co-presidentes.
  Dou a palavra ao Professor Edward Luck.
   
 VISITA à TURQUIA DO MINISTRO DAS
RELAçõES EXTERIORES, ANTONIO DE
  AGUIAR PATRIOTA  ISTAMBUL, 24 E
            25 DE FEVEREIRO DE 2012
                            23/02/2012
  O Ministro Antonio de Aguiar Patriota
realizará visita a Istambul nos dias 24 e 25 de
fevereiro.
  O Chanceler brasileiro participará da
Conferência Contribuindo para a Paz Pela
Mediação, com a presença dos Chanceleres
da Turquia e da Finlândia e do Presidente da
Assembléia-Geral da ONU, e manterá reunião
de trabalho com seu homólogo turco, Ahmet
Davutoglu.
  O Ministro Patriota também reunirá os
Embaixadores brasileiros acreditados junto aos
países do Oriente Médio e Norte da áfrica,
para avaliação dos recentes desenvolvimentos
naquela região, com vistas a subsidiar o
planejamento da ação diplomática brasileira, em
suas vertentes bilateral, regional e multilateral,
nos planos político e econômico-comercial.

     MENSAGEM DE SOLIDARIEDADE
           DO MINISTRO ANTONIO DE
   AGUIAR PATRIOTA AO CHANCELER
     ARGENTINO, HéCTOR TIMERMAN
                            23/02/2012
  O Ministro das Relações Exteriores,
Antonio de Aguiar Patriota, em telefonema
realizado hoje, 23 de fevereiro, ao seu
homólogo argentino, Héctor Timerman,
transmitiu a solidariedade e o pesar do Brasil
pelo acidente de trem ocorrido ontem, 22 de
fevereiro, em Buenos Aires, que causou a




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	91




morte de dezenas de pessoas.
  Os dois Chanceleres acordaram, também,
realizar reunião bilateral na primeira quinzena
de março.

             ENCHENTES NA BOLíVIA
                            24/02/2012
                               
  O Governo brasileiro manifesta seu pesar e
transmite ao Governo e ao povo da Bolívia sua
solidariedade pelas perdas humanas e materiais
causadas pelas fortes chuvas que têm afetado o
país nos últimos dias, desabrigando mais de sete
mil pessoas. As chuvas também têm atingido
partes do Brasil, em particular o Acre.
  O Brasil tem cooperado com a Bolívia para
prestar assistência humanitária às vítimas,
tanto abrigando deslocados em acampamentos
temporários em cidades de fronteira como
apoiando ações de alívio emergencial e de
redução dos danos ocasionados pelas inundações.

  APOIO PRESTADO AOS BRASILEIROS
            EVACUADOS DA ESTAçãO
              COMANDANTE FERRAZ
                            28/02/2012
                               
  O Ministro das Relações Exteriores, Antonio
de Aguiar Patriota, telefonou ontem para o seu
homólogo chileno, Alfredo Moreno, para reiterar
os agradecimentos da Presidenta Dilma Rousseff
e do Governo brasileiro pelo apoio prestado pelo
Governo do Chile aos brasileiros evacuados em
razão do incêndio na base Comandante Ferraz.
Os Ministros também examinaram possíveis
datas para a visita da Presidenta da República
ao Chile.
  O Embaixador do Brasil no Chile, Frederico
Cezar de Araujo, embarcou ontem em vôo da
ForçaAérea Brasileira que partiu de PuntaArenas
para recolher os corpos do suboficial Carlos

Alberto Vieira Figueiredo e o sargento Roberto
Lopes dos Santos na estação chilena Eduardo
Frei. O Embaixador renovou pessoalmente
ao comandante da base os agradecimentos da
Presidenta Dilma Rousseff por todo o apoio
prestado pelo Governo do Chile aos brasileiros
atingidos pelo acidente.
  O Brasil também manifesta seu
reconhecimento pelo inestimável apoio prestado
pelos Governos da Argentina, Polônia, Reino
Unido e Uruguai, por meio de suas bases no
continente antártico, no socorro aos brasileiros.
  A Embaixada do Brasil em Santiago tem
atuado, em estreita coordenação com o Ministério
da Defesa, no auxílio aos brasileiros atingidos
pelo acidente. Uma equipe de funcionários
encontra-se desde sábado em Punta Arenas,
onde presta apoio aos 45 evacuados.

 VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DAS
    RELAçõES EXTERIORES DO PERU,
RAFAEL RONCAGLIOLO  BRASíLIA, 1º
                  DE MARçO DE 2012
                            01/03/2012
  O Ministro das Relações Exteriores do
Peru, Rafael Roncagliolo, realizará visita
ao Brasil no dia 1º de março. O Chanceler
peruano será recebido pela Presidenta da
República e manterá reunião de trabalho com
o Ministro Antonio de Aguiar Patriota.

        SUSPENSãO DO PROCESSO DE
          COMPRA DE AERONAVES DA
   EMBRAER PELA FORçA AéREA DOS
                    ESTADOS UNIDOS
                            01/03/2012
  O Governo brasileiro recebeu com surpresa
a notícia da suspensão do processo licitatório de
compra de aviões A-29 Super Tucano pela Força




92

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




Aérea dos Estados Unidos, em especial pela
forma e pelo momento em que se deu. Considera
que esse desdobramento não contribui para
o aprofundamento das relações entre os dois
países em matéria de defesa.
  O Governo brasileiro continuará a manter
diálogo com as autoridades norte-americanas
sobre o assunto.

        VISITA DA PRESIDENTA DILMA
            ROUSSEFF à ALEMANHA -
  HANNOVER, 4 A 6 DE MARçO DE 2012
                            02/03/2012
                               
  A Presidenta Dilma Rousseff realizará
visita a Hannover entre os dias 4 e 6 de março,
quando participará da inauguração da Feira
Internacional de Tecnologia de Informação,
Telecomunicações,	Software	e	Serviços
(CeBIT) e se reunirá com a Chanceler Federal
da Alemanha, Angela Merkel. Acompanhará
a visita delegação empresarial composta por
cerca de 200 pessoas.
  O Brasil será país-tema da edição de 2012
da CeBIT, da qual participarão mais de 4200
expositores de 70 países e que, estima-se, será
visitada por cerca de 350 mil pessoas. A atenção
conferida ao Brasil na feira criará oportunidades
de negócios para empresas produtoras de
tecnologias de informação e comunicação. O
Brasil é o sexto maior mercado consumidor
dessas tecnologias no mundo.
  A visita da Presidenta da República à
alemanha	contribuirá	para	intensificar
o	relacionamento	econômico	bilateral,
fortalecendo o componente de inovação
e estimulando novas formas de parceria,
especialmente entre pequenas e médias
empresas. A Alemanha é o quarto principal
parceiro comercial do Brasil. O volume de
comércio entre os dois países superou US$ 24
bilhões em 2011, o que corresponde a aumento

de 17,6% em relação ao ano anterior.
  A Alemanha é um dos principais parceiros
do programa Ciência sem Fronteiras, que
concretiza o potencial existente na convergência
das vertentes econômica e científico-tecnológica
das relações bilaterais. Até 2014, mais de dez mil
bolsistas brasileiros estudarão em instituições
alemãs.
  A Presidenta Dilma Rousseff e a Chanceler
Federal Angela Merkel examinarão o
aprofundamento da Parceria Estratégica Brasil-
Alemanha, estabelecida em 2002. Além de
educação, ciência, tecnologia e inovação, temas
como desenvolvimento sustentável, energia
e infraestrutura são centrais na cooperação
bilateral.
  Serão igualmente tratados assuntos de
interesse global, como a Conferência das
Nações Unidas para o Desenvolvimento
Sustentável (Rio+20), a atuação do G-20 diante
da situação financeira internacional e a reforma
das instituições políticas e econômicas de
governança global.

        EXPLOSãO EM BRAZZAVILLE,
               REPúBLICA DO CONGO
                            05/03/2012
                               
  O Governo brasileiro manifesta sua
solidariedade ao Governo e ao povo da
República do Congo pelas perdas humanas
e materiais resultantes da explosão acidental
de depósito de armamentos em Mpila,
Brazzaville, ocorrida na manhã de 4 de
março.
  A Embaixada do Brasil em Brazzaville,
cujas instalações também foram atingidas
pela explosão, vem mantendo contato com
a comunidade brasileira no país e com
as autoridades locais, não havendo, até o
momento, registro de brasileiros mortos ou
feridos no trágico incidente.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	93




  SEMINáRIO CONVENçãO 169 DA OIT:
     EXPERIêNCIAS E PERSPECTIVAS 
    BRASíLIA, 8 E 9 DE MARçO DE 2012
                            07/03/2012
                               
  Será realizado em Brasília, nos dias 8 e 9
de março, o Seminário Convenção 169 da
OIT: experiências e perspectivas. Promovido
pelo Ministério das Relações Exteriores e pela
Secretaria-Geral da Presidência da República,
com o apoio do Ministério do Trabalho e
Emprego, do Ministério do Desenvolvimento
Agrário, da Secretaria de Políticas de Promoção
da Igualdade Racial, da Fundação Nacional
do índio, da Fundação Cultural Palmares e do
Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária, o evento será aberto pelo Ministro
Gilberto Carvalho, pela Ministra da Igualdade
Racial, Luiza Bairros, e pelo Ministro Antonio
de Aguiar Patriota.
  ratificada pelo Brasil em 2002 e vigente
desde julho de 2003, a Convenção nº 169 da
Organização Internacional do Trabalho é o
primeiro instrumento internacional que trata
especificamente dos direitos dos povos indígenas
e tribais. Em seus artigos, prevê um mecanismo
de consulta prévia, pelo qual os países signatários
se comprometem a ouvir as comunidades
indígenas ou tribais sempre que forem previstas
medidas legislativas ou administrativas que as
afetem diretamente. O Seminário Convenção
169 da OIT: experiências e perspectivas
discutirá propostas de regulamentação do
mecanismo de consulta prévia previsto naquela
Convenção.
  O Seminário contará com a participação de
aproximadamente 160 lideranças indígenas,
quilombolas e de comunidades tradicionais,
além de acadêmicos e autoridades.
  O programa do evento se encontra disponível
no site http://www.secretariageral.gov.br/art_
social/convencao169.
  
VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DAS
  RELAçõES EXTERIORES E CULTO DA
   ARGENTINA, HéCTOR TIMERMAN -
    SãO PAULO, 13 DE MARçO DE 2012
                            09/03/2012
                               
  O Ministro das Relações Exteriores e Culto
da Argentina, Héctor Timerman, realiza visita de
trabalho ao Brasil no dia 13 de março.
  O Ministro das Relações Exteriores, Antonio
de Aguiar Patriota, receberá o Chanceler
argentino em São Paulo. Os Ministros passarão
em revista os principais temas da agenda
bilateral, com ênfase em projetos de cooperação
em áreas estratégicas, como ciência e tecnologia,
integração energética e de cadeias produtivas
e abordarão questões de interesse global e
regional.
  O Brasil é o principal parceiro comercial da
Argentina. Em 2011, o intercâmbio bilateral
cresceu 20,2% com relação ao ano anterior,
atingindo a cifra de US$ 39,6 bilhões, seu mais
alto nível histórico. Produtos manufaturados
respondem por mais de 80% desse intercâmbio.

      VISITA AO BRASIL DO MINISTRO
  DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS DOS
  EMIRADOS áRABES UNIDOS, XEQUE
   ABDALLAH BIN ZAYED AL NAHYAN
                            15/03/2012
  O Ministro dos Negócios Estrangeiros dos
Emirados árabes Unidos, Xeque Abdallah Bin
Zayed al Nahyan, realizará visita ao Brasil, no
dia 16 de março. Será sua terceira visita ao País
como Chanceler dos Emirados árabes Unidos
desde que assumiu suas funções, em 2006.
  Em Brasília, será recebido pelo Ministro
das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar
Patriota, e pelos Ministros do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior, Fernando




94

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




Pimentel, e das Minas e Energia, Edison Lobão.
Durante o encontro no Itamaraty, será assinado
memorando de entendimento com o objetivo de
criar mecanismo de consultas periódicas sobre
temas bilaterais, regionais e internacionais de
interesse comum.
  Entre 2005 e 2011, o intercâmbio comercial
brasileiro com os Emirados árabes Unidos
saltou de US$ 805 milhões para US$ 2,64
bilhões. Os Emirados são o segundo parceiro
comercial mais importante do Brasil no Oriente
Médio, em termos de corrente de comércio.

    PARTICIPAçãO DO MINISTRO DAS
    RELAçõES EXTERIORES, ANTONIO
  DE AGUIAR PATRIOTA, EM REUNIãO
    DO CONSELHO DE MINISTROS DAS
   RELAçõES EXTERIORES DA UNIãO
      DE NAçõES SUL-AMERICANAS 
    ASSUNçãO, 17 DE MARçO DE 2012
                            16/03/2012
                               
  O Ministro Antonio de Aguiar Patriota
participará em Assunção, no dia 17 de março,
de Reunião Ordinária do Conselho de Ministros
das Relações Exteriores da União de Nações
Sul-Americanas (UNASUL).
  A Reunião discutirá temas de organização
administrativa e fortalecimento institucional. Os
Chanceleres deverão avaliar os resultados dos
Conselhos Ministeriais e Grupos de Trabalho
da UNASUL, entre os quais o Conselho Sul-
Americano de Infraestrutura e Planejamento
(COSIPLAN), o Conselho de Defesa e o
estabelecimento do Instituto Sul-Americano de
Governo em Saúde (ISAGS). Também serão
abordados mecanismos de diálogo político
da UNASUL com países extra-bloco e outros
organismos multilaterais.
  O intercâmbio comercial entre os Estados
Membros da UNASUL quadruplicou na última

década, elevando-se de US$ 19 bilhões para US$
76 bilhões. Em 2011, o Brasil exportou para a
América do Sul um total de US$ 45 bilhões, e
importou US$ 31 bilhões.

    ELEMENTOS ACORDADOS ENTRE OS
    GOVERNOS DO BRASIL E DO MéXICO
  SOBRE PROTOCOLO MODIFICATIVO DO
 APêNDICE BILATERALDOACE55 - CIDADE
      DO MéXICO, 15 DE MARçO DE 2012
                            16/03/2012
                               
  (versão não-oficial em português)
  Com respeito à revisão do Acordo de
Complementação Econômica nº 55, os Ministros
do Comércio e das Relações Exteriores do Brasil
e do México acordaram os seguintes pontos:
  1) As exportações de veículos leves de
cada um dos países serão isentas de tarifa de
importação até o limite de US$1,45 bilhão no
primeiro ano de implementação da revisão
acordada; US$1,56 bilhão no segundo ano; e
US$1,64 bilhão no terceiro ano, como segue:
  De 19 de março de 2012 a 18 de março de
2013: US$ 1,45 bilhão;
  De 19 de março de 2013 a 18 de março de
2014: US$ 1,56 bilhão;
  De 19 de março de 2014 a 18 de março de
2015: US$ 1,64 bilhão.
  2) Para o cálculo do conteúdo regional dos
veículos leves, os dois países utilizarão o método
aplicável ao México no ACE55. Acordou-se
elevar esse conteúdo regional de 30% para 35%
ao longo do primeiro ano de implementação da
revisão acordada, no prazo mais curto possível.
até o final do terceiro ano subsequente ao
primeiro ano anteriormente mencionado, o
conteúdo regional deverá alcançar 40%. Antes
do decurso do quarto ano, examinar-se-á a
possibilidade de aumentar o conteúdo regional
a 45%. Em resumo:




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	95




   Até 19 de março de 2013, aplicar-se-á 35%
de conteúdo regional;
  Até 19 de março de 2016, aplicar-se-á 40%
de conteúdo regional;
  Entre 19 de março de 2015 e 18 de março
de 2016, os países estudarão a possibilidade de
elevar o conteúdo regional ao patamar de 45%.
  3) No que se refere a veículos pesados,
serão realizadas consultas para alcançar acesso
recíproco e a homologação de normas técnicas
e ambientais.
  O Brasil e o México acordaram que o
estipulado no item 1) terá um período de
vigência de 3 anos. Uma vez transcorrido o
referido prazo, os dispositivos estabelecidos no
ACE55 continuarão a ser aplicados.

        DECLARAçãO DO CONSELHO
       DE MINISTRAS E MINISTROS DE
RELAçõES EXTERIORES DA UNIãO DE
 NAçõES SUL-AMERICANAS (UNASUL)
    ASSUNçãO, 17 DE MARçO DE 2012
                            17/03/2012
                               
  Las Ministras y los Ministros de Relaciones
Exteriores de los países miembros de la Unión de
Naciones Suramericanas (UNASUR), reunidos
en Asunción, República del Paraguay, el 17 de
marzo de 2012.
  Convencidosqueparalograrlaplenayefectiva
integración política, económica, social, cultural,
energética, ambiental y de infraestructura de la
región es fundamental la consolidación de la
nueva arquitectura regional, utilizando como
principal herramienta los esfuerzos y adelantos
realizados por los Consejos Sectoriales y
Grupos de Trabajo de uNaSur a fin de dar
cumplimiento a sus mandatos específicos y sus
Planes de Trabajo.
  1. Destacaron la importancia de haber
aprobado el presupuesto de UNASUR para

el año 2011-2012 y el Presupuesto Anual de
Funcionamiento de la Secretaría General y
las Iniciativas Comunes de UNASUR 2013,
así como el Mecanismo de Distribución de
Cuotas, que permitirá por primera vez contar
con fondos comunes para la consolidación
de la institucionalidad de UNASUR y la
implementación de iniciativas concretas que
fortalezcan el proyecto de integración regional.
Asimismo, resolvieron establecer un Comité
Técnico para asesorar al Consejo de Delegados
en materia presupuestaria.
  2. Instruyeron al Consejo de Delegadas
y Delegados a culminar la redacción del
Reglamento General de UNASUR antes de la
VI Reunión Ordinaria del Consejo de Jefas y
Jefes de Estado y de Gobierno de UNASUR que
se celebrará en la ciudad de Lima, Perú el 30 de
noviembre de 2012.
  3. Recibieron el informe del Embajador
Rodolfo Mattarollo, Representante Especial de
la Secretaría Técnica UNASUR  Haití, sobre
las actividades desarrolladas, proyectadas y en
curso de ejecución, entre otras, la ampliación del
proyecto Pro Huerta de Seguridad Alimentaria,
la prevención del cólera y otras enfermedades
transmisibles, la reparación de hospitales, la
construcción de viviendas, el mantenimiento de
cantinas escolares, la reforma de los Códigos
Penal y de instrucción Criminal, la ratificación
de Tratados Internacionales de Derechos
Humanos, en el marco del refuerzo del Estado
de derecho.
  Coincidieron en la importancia de la labor
desarrollada en temas prioritarios para el
Gobierno y Pueblo haitianos, aprobaron los
nuevos programas y acordaron continuar con
los proyectos hasta su finalización, para lo cual
decidieron prorrogar el mandato de la Oficina
Técnica UNASUR  Haití hasta el 31 de
diciembre de 2012. El Canciller de la República
del Paraguay, en ejercicio de la Presidencia Pro
Tempore de UNASUR, anunció su próxima




96

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




visita a Haití e invitó a los demás Cancilleres a
acompañarlo.
  asimismo, reflexionaran sobre la modalidad
de la Cooperación UNASUR  Haití, en la etapa
que se iniciará a partir de ese momento.
  4. Encomendaron al Consejo de Delegadas y
delegados la elaboración de una propuesta a fin
de reglamentar el relacionamiento con terceros;
y de los demás Estados de América Latina y
el Caribe que soliciten su participación como
Estados Asociados.
  ? manifestaron su compromiso con el éxito
de la Conferencia de las Naciones Unidas
sobre el Desarrollo Sostenible (Río +20), que
se realizará en la ciudad de Río de Janeiro en
junio de 2012, y reiteraron la importancia de un
enfoque integrado, inclusivo de los tres pilares
del desarrollo sostenible y de una participación
política de Alto Nivel.
  ? destacaron la importancia de la próxima
realización de la III Cumbre ASPA, a llevarse
a cabo en la ciudad de Lima, Perú después del
inicio de los Debates en la Asamblea General de
las Naciones Unidas, en Nueva York. Asimismo,
resaltaron el significado de la mencionada
Cumbre a favor de la cooperación con otras
regiones en el marco de un foro de concertación
y coordinación política de importancia para la
proyección externa de UNASUR. En tal sentido,
hicieron hincapié en la necesidad de llegar a ese
importante encuentro con posiciones sólidas y
concertadas entre los países suramericanos.
  ? Pusieron de relieve la realización y
participación en la III Cumbre de Jefas y Jefes
de Estado y de Gobierno de América del Sur-
áfrica (ASA), a efectuarse en el presente año
en la ciudad de Malabo, Guinea Ecuatorial, en
el marco del fortalecimiento de este foro de
cooperación que profundiza el diálogo sur-sur,
en el compromiso de avanzar en la adopción de
estrategias y medidas concretas que se traduzcan
en beneficios económicos, políticos y sociales
para ambas regiones.
   
? Convocaron a los pueblos de uNaSur
a participar en la discusión de la Seguridad
Alimentaria con Soberanía, tema central de la
XLII Asamblea General de la OEA a realizarse
en Cochabamba, Bolivia en junio del presente
año. En este marco, instruyen al Consejo
Suramericano de Desarrollo Social incorporar
en su agenda de trabajo acciones comunes sobre
el tema.
  5. Saludaron la decisión del Perú de establecer
en Lima el Centro de Estudios de Promoción de
la Democracia y Transparencia Electoral, el que
estará abierto a la participación de los Estados
Miembros para el desarrollo de sus actividades
académicas, de investigación y asesoramiento
para el fortalecimiento de la Democracia en
beneficio de toda la ciudadanía.
  6. Tomaran nota de la propuesta de la
República del Ecuador relativa a la creación de
una coordinación de Derechos Humanos en el
ámbito de UNASUR, sobre la cual los Estados
Miembros acordaron establecer un Grupo de
Trabajo para estudiar una propuesta sobre
el tratamiento y promoción de los Derechos
Humanos en UNASUR, que tendría su primera
reunión en la ciudad de Quito, Ecuador en el
mes de mayo.
  7. Instruyeron al Consejo de Delegadas y
Delegados a evaluar y presentar un informe
sobre la posibilidad de dividir el Consejo
Suramericano de Educación, Cultura, Ciencia,
Tecnología e Innovación en tres Consejos
Ministeriales.
  8. Alentaron al Consejo Suramericano
de Desarrollo Social, a concluir las bases y
lineamientos del Plan Estratégico Social de
UNASUR, que busca desarrollar un conjunto
de acciones para asegurar la integralidad y
complementariedad de las políticas sociales del
Consejo.
  Apoyaron también la iniciativa del Gobierno
del Perú de realizar en el mes de agosto la
Reunión de Alto Nivel con la participación




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	97




de funcionarios y reconocidos expertos de
organismos regionales vinculados a políticas
sociales y de desarrollo humano.
  9. Resaltaron, en el marco de las Medidas
de Fomento de la Confianza y Seguridad, el
valor estratégico de los avances del Consejo
de Defensa Suramericano en su Plan de
Acción 2012, especialmente en sus esfuerzos
de coordinación y cooperación en materia de
intercambio y publicación de información en
gastos de defensa, ejercicios combinados y
estructura de las fuerzas armadas.
  10. Apoyaron la realización de la Reunión
de Ministras y Ministros de Defensa, Interior,
Justicia y Relaciones Exteriores, que se llevará a
cabo en la ciudad de Cartagena de Indias los días
3 y 4 de mayo de 2012, en la que se analizarán las
amenazas del crimen transnacional organizado
y otras nuevas amenazas a la seguridad de la
región.
  11. Tomaran nota de los resultados de la XII
Reunión del Grupo de Expertos en Energía de
UNASUR, realizada en la ciudad de Asunción,
los días 14 al 16 de marzo de 2012.
  Sugirieron	al	Consejo	Energético
Suramericano convocar a una reunión, en
el segundo trimestre de 2012, a fin de dar
cumplimiento al mandato establecido en las
Declaraciones de los Cardales y de Georgetown,
en los cuales queda manifiesta la importancia
de la elaboración y aprobación del Tratado
Energético Suramericano.
  12. Destacaron la decisión de los Ministros
de Comunicaciones de crear la Red de
Conectividad Suramericana para la Integración,
que permitirá democratizar el acceso a Internet,
fortalecer la soberanía de las comunicaciones en
Suramérica, disminuir los costos y mejorar la
conectividad.
  13. ratificaron la decisión unánime de
enfrentar conjuntamente los desafíos de la crisis
económica y financiera mundial y mantener
la necesidad de preservar a las economías de

la región en la ruta del crecimiento sostenido,
con equidad y justicia social y así avanzar en la
integración económica para el desarrollo de una
Nueva Arquitectura Financiera Regional.
  Solicitaron al Consejo Suramericano de
Economía y Finanzas a que culminen las tareas
que permitan la implementación de mecanismos
efectivos de coordinación orientados a mantener
los actuales niveles de crecimiento económico y
disminuir la vulnerabilidad externa de la región
como lo determinaron las Jefas y Jefes de Estado
y de Gobierno en julio de 2011.
  14. Solicitaron al Consejo Suramericano de
Salud la pronta aprobación del Presupuesto del
Instituto Suramericano de Gobierno en Salud
(ISAGS), que se constituye en el referente de
estudios, debate e investigación de las políticas
para el desarrollo de líderes y recursos humanos
estratégicos en salud, dirigido a fomentar en la
región la gobernanza y conducción articulada de
las políticas en este sector tan importante para
las naciones suramericanas.
  Con el objetivo de tener una sólida presencia
de UNASUR en la OPS e impulsar reformas de
dicha organización, exhortaron a los Estados
Miembros a coordinar posiciones para buscar
un consenso en torno a una candidatura única
para la Dirección General de la Organización
Panamericana da la Salud (OPS), cuya elección
se realizará en septiembre de 2012 y deberá
inscribirse hasta finales de marzo en curso.
  15. Decidieron impulsar el funcionamiento
del Mecanismo de Consultas Regulares de
Autoridades Judiciales, Policiales, Financieras,
Aduaneras y de órganos de Combate a las
Drogas de los Países Suramericanos, creado en
noviembre de 2011, en el ámbito del Consejo
Suramericano sobre el Problema Mundial de las
Drogas.
  Instaron al Consejo Suramericano sobre el
Problema Mundial de las Drogas, a desarrollar
acciones en la Reducción de la Demanda, la
Reducción de la Oferta, las Medidas de Control,




98

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




el Lavado de Activos, el Fortalecimiento
Institucional y Armonización Legislativa, y el
Desarrollo Alternativo, Integral y Sostenible,
incluido el preventivo.
  16. Agradecieron a la República del Paraguay
por la cálida acogida al constituirse en sede de la
Reunión del Consejo de Ministras y Ministros
de Relaciones Exteriores.
  FIRMADO en la ciudad de Asunción,
República del Paraguay, el 17 de marzo de 2012.

 VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DAS
 RELAçõES EXTERIORES DA BOLíVIA,
  DAVID CHOQUEHUANCA - BRASíLIA,
                19 DE MARçO DE 2012
                            19/03/2012
  O Ministro das Relações Exteriores da
Bolívia, David Choquehuanca, realizará visita
ao Brasil no dia 19 de março, quando será
recebido pelo Ministro Antonio de Aguiar
Patriota. Na ocasião, os Chanceleres passarão em
revista os principais temas da agenda bilateral,
com ênfase em integração energética e física,
projetos de infraestrutura e cooperação técnica.
Serão igualmente tratados assuntos de interesse
regional, como a UNASUL, e multilateral, como
a Conferência Rio+20.
  O Brasil é o principal parceiro comercial
da Bolívia. Em 2011, o intercâmbio comercial
atingiu US$ 4,4 bilhões, o que representou
aumento de 30% em relação a 2010.

            ATENTADO EM TOULOUSE
                            19/03/2012
                               
  O Governo brasileiro manifesta veemente
repúdio ao ato de violência cometido hoje
na cidade de Toulouse, vitimando crianças e
funcionários de escola judaica.
  Ao manifestar seu pesar e solidariedade às

famílias das vítimas, o Governo brasileiro reitera
sua condenação a atos de violência praticados
sob quaisquer pretextos.

 MORTE DE CIDADãO BRASILEIRO NA
                         AUSTRáLIA
                            20/03/2012
                               
  O Governo brasileiro deplora a notícia da
morte de cidadão brasileiro em circunstâncias
ainda não esclarecidas durante operação policial
em Sydney, na Austrália.
  O Consulado-Geral do Brasil em Sydney
e a Embaixada do Brasil em Camberra foram
instruídos a prestar toda a solidariedade e
apoio à família da vítima, bem como a solicitar
os devidos esclarecimentos às autoridades
australianas a respeito do ocorrido.
  O Ministério das Relações Exteriores
manifesta suas condolências à família do
brasileiro morto e reafirma sua confiança de
que as autoridades australianas conduzirão as
investigações com o rigor necessário.

   ELEIçõES NA GUINé-BISSAU - 18 DE
                      MARçO DE 2012
                            20/03/2012
                               
  O Governo brasileiro felicita o povo e o
Governo da Guiné-Bissau pela realização, no
último dia 18 de março, do primeiro turno das
eleições presidenciais.
  O Brasil prestou apoio à Comissão Nacional
de Eleições da Guiné-Bissau, por meio de missão
técnica do Tribunal Superior Eleitoral. Enviou
também contribuição financeira, por intermédio
da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
(CPLP), para a organização do pleito, bem como
destacou representante para integrar a Missão de
Observação Eleitoral da CPLP.
  O Governo brasileiro reitera sua disposição

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	99




em seguir cooperando em benefício da
estabilidade e da consolidação da paz na Guiné-
Bissau.

           FALECIMENTO DO PAPA DE
ALEXANDRIA E PATRIARCA DA SANTA
   Sé DE SãO MARCOS, SHENOUDA III
                            21/03/2012
                               
  O Governo brasileiro recebeu com grande
pesar a notícia do falecimento do Papa de
Alexandria e Patriarca da Santa Sé de São
Marcos, Shenouda III, líder espiritual copta, no
último dia 17 de março.
  em seus 40 anos de pontificado, o Papa
Shenouda III envidou esforços em prol da
tolerância, da paz e do diálogo entre as religiões.
O Governo brasileiro expressa suas condolências
a toda a comunidade copta no Egito e no mundo.

       II CúPULA SOBRE SEGURANçA
  NUCLEAR - SEUL, 26 E 27 DE MARçO
                             DE 2012
                            21/03/2012
                               
  A II Cúpula sobre Segurança Física
Nuclear será realizada em Seul, na Coreia do
Sul, nos dias 26 e 27 de março corrente. Serão
examinados os compromissos assumidos na
I Cúpula, ocorrida em Washington, em 2010,
por iniciativa do Presidente dos Estados
Unidos da América, Barack Obama. O Brasil
será representado na Cúpula de Seul pelo
Senhor Vice-Presidente da República, Michel
Temer.
  O Brasil apoiou a iniciativa do Presidente
Obama, por concordar com a necessidade de
que a operação das instalações nucleares e o
manejo do material nuclear sejam realizados
da forma mais segura possível, de acordo com
os parâmetros acordados no âmbito da Agência

Internacional de Energia Atômica (AIEA).
  O Brasil entende que a segurança física
nuclear deve visar à criação de um ambiente
global seguro que venha a facilitar e fortalecer
a promoção dos usos pacíficos e legítimos
da energia nuclear. Entende que a segurança
física nuclear, em sua acepção mais ampla,
está estritamente relacionada à promoção do
desarmamento e não-proliferação nucleares.

VISITA AO BRASIL DO PRESIDENTE DA
   REPúBLICA DO BENIN, BONI YAYI 
  BRASíLIA, 22 A 24 DE MARçO DE 2012
                            22/03/2012
                               
  O Presidente da República do Benin, Boni
Yayi, realizará visita ao Brasil entre os dias 22 e
24 de março de 2012.
  No dia 23 de março, a Presidenta Dilma
Rousseff receberá o Presidente Boni Yayi, para
tratar dos principais temas da agenda bilateral,
com destaque para investimentos nos setores de
energia e infraestrutura.
  As relações entre os dois países têm-
se intensificado desde a inauguração das
Embaixadas residentes em Cotonou, em 2006,
e em Brasília, em 2007. Em 2011, o comércio
bilateral ultrapassou US$ 139 milhões, o que
representa aumento de 225% em relação a 2006.
  O Benin é um dos integrantes do Cotton-4,
projeto de cooperação técnica que visa ao
fortalecimento da cadeia produtiva do algodão
por meio do compartilhamento de tecnologias
desenvolvidas no Brasil. Os dois países
também cooperam em áreas como tratamento
de anemia falciforme, educação profissional
e cooperativismo, inclusão social por meio
do futebol e gestão do patrimônio material e
imaterial.
  Em janeiro de 2012, Boni Yayi foi eleito
Presidente de turno da Assembleia da União
Africana, organização regional composta por




100

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




cinquenta e quatro países do continente e da qual
o Brasil é membro observador.

      SUBLEVAçãO MILITAR NO MALI
                            22/03/2012
                               
  O Governo brasileiro acompanha com
preocupação os acontecimentos em curso
no Mali, que levaram à ruptura da ordem
constitucional naquele país.
  O	Ministro	das	Relações	Exteriores,
Antonio de Aguiar Patriota, em contato com o
Embaixador do Brasil em Bamako, Jorge José
Frantz Ramos, assegurou-se de que os cerca de
30 cidadãos brasileiros que se encontram no
país estão em segurança e mantêm permanente
contato com a Embaixada.
  O Governo brasileiro apoia os esforços da
União Africana no sentido de buscar o pronto
restabelecimento	da	ordem	constitucional
e da democracia, conclamando as partes à
moderação, ao diálogo pacífico e ao repúdio ao
uso da força.

       SEMINáRIO DA ORGANIZAçãO
      MUNDIAL DO COMéRCIO SOBRE
      TAXAS DE CÂMBIO E COMéRCIO
  INTERNACIONAL - GENEBRA, 27 E 28
                  DE MARçO DE 2012
                            22/03/2012
                               
  A Organização Mundial do Comércio (OMC)
sediará seminário internacional sobre taxas de
câmbio e comércio internacional, nos dias 27 e
28 de março corrente, em Genebra.
  O evento resulta de iniciativa do Governo
brasileiro, que apresentou, em 2011, programa
de trabalho sobre a relação entre taxas de câmbio
e comércio internacional no Grupo de Trabalho
sobre Comércio, Dívida e Finanças da OMC.
   
O seminário contará com quatro módulos,
nos quais serão tratadas as perspectivas do setor
privado, de representantes governamentais, de
organizações internacionais e da comunidade
acadêmica.

        VISITA DA PRESIDENTA DILMA
ROUSSEFF à íNDIA  NOVA DELHI, 30 E
                31 DE MARçO DE 2012
                            27/03/2012
                               
  A Presidenta Dilma Rousseff realizará visita
à índia nos dias 30 e 31 de março de 2012, em
seguimento a sua participação na IV Cúpula do
BRICS.
  Em Nova Delhi, a Presidenta Dilma Rousseff
se reunirá com a Presidenta Pratibha Patil e com
o Primeiro Ministro Manmohan Singh, com
vistas a examinar os principais temas da agenda
bilateral, em especial nas áreas de ciência e
tecnologia, educação, defesa, cultura, meio
ambiente e políticas sociais.
  A visita ocorre em momento de
aprofundamento do relacionamento estratégico
entre os dois países. Além da dimensão bilateral,
Brasil e índia mantêm estreita coordenação nas
Nações Unidas e na Organização Mundial do
Comércio  de que é exemplo a participação
dos dois países no G-4 e no G-20  e também
integram os grupamentos IBAS (juntamente
com a áfrica do Sul) e BRICS (ao lado de
China, Rússia e áfrica do Sul), contribuindo
para o aperfeiçoamento da nova arquitetura do
sistema internacional.
  A Presidenta participará, também, da
Conferência Empresarial Brasil  índia: Nova
Fronteira para Oportunidades de Negócios,
organizado pelo Ministério das Relações
Exteriores, Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior, Apex-Brasil,
Confederação Nacional das Indústrias e Câmara
de Comércio Brasil-índia, com o apoio das




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	101




principais confederações empresariais indianas
(FICCI, CII e ASSOCHAM).
  O intercâmbio comercial entre o Brasil e a
índia aumentou quase dez vezes nos últimos
nove anos. As trocas evoluíram de US$ 1 bilhão
em 2003 para US$ 9,28 bilhões em 2011  e ainda
apresentam amplo potencial de crescimento,
dado o tamanho e o dinamismo das economias
dos dois países. O volume do comércio bilateral
cresceu 20% em comparação com 2010. A índia
passou ocupar a 11ª colocação entre os principais
parceiros comerciais do Brasil.

  IV CúPULA DO BRICS - NOVA DELHI,
            28 E 29 DE MARçO DE 2012
                            27/03/2012
                               
  A Presidenta Dilma Rousseff participará,
em Nova Delhi, da IV Cúpula do BRICS,
dias 28 e 29 de março, juntamente com o
Primeiro-Ministro da índia, Manmohan Singh;
o Presidente da áfrica do Sul, Jacob Zuma; o
Presidente da China, Hu Jintao, e o Presidente
da Rússia, Dmitri Medvedev.
  A Cúpula, intitulada Parceria do BRICS para
Estabilidade Global, Segurança e Prosperidade,
debaterá o crescimento econômico, a paz e a
segurança internacionais, o desenvolvimento
sustentável, os desafios à urbanização e à
biodiversidade, bem como o aperfeiçoamento
dos mecanismos de governança global, com o
objetivo de adequá-los à nova realidade política
e econômica e de ampliar a representatividade e
a legitimidade das atuais instituições.
  O encontro favorecerá o debate sobre
mecanismo de financiamento a projetos de
infra-estrutura, não apenas em países do grupo,
mas também em outros países emergentes e
em desenvolvimento, com a possibilidade de
designação de mecanismo para estudar a criação
de um Banco Sul-Sul, liderado pelo BRICS.
  No dia 28 de março, os Ministros do

Comércio e de Relações Exteriores examinarão
o estado global da economia e as oportunidades
de comércio e investimento intra-BRICS, além
das negociações da Rodada Doha da OMC.
em seguimento ao acordo firmado em 2011,
deverá ser assinado novo acordo-quadro entre
os bancos de desenvolvimento do BRICS para
facilitar a implementação das trocas comerciais
em moedas locais. Será lançado o Relatório
BRICS: um Estudo do Brasil, Rússia, índia,
China e áfrica do Sul com foco nas Sinergias e
Complementariedades.
  O comércio intra-BRICS alcançou US$ 212
bilhões, em 2010, e a estimativa é de que tenha
superado US$ 250 bilhões em 2011. A título de
comparação, em 2002, o volume de comércio
entre os membros do agrupamento montava
apenas a cerca de US$ 27 bilhões. Há estimativas
de que possa chegar a mais de US$ 500 bilhões
até 2015. Já o comércio Brasil-BRICS passou de
US$ 10 bilhões em 2003 para US$ 96 bilhões
em 2011.
  Em 2012, o FMI estima que o BRICS
contribuirá com 56% do crescimento do PIB
mundial. O BRICS ocupa cerca de 26% da área
terrestre do planeta, abriga 41% da população
mundial e detém 46% de força de trabalho
global.

        QUARTA CúPULA DOS BRICS -
        NOVA DELHI, 29 DE MARçO DE
      2012 PARCERIA DOS BRICS PARA
      A ESTABILIDADE, SEGURANçA E
   PROSPERIDADE - DECLARAçãO DE
                         NOVA DELHI
                            29/03/2012
                               
  1. Nós, os líderes da República Federativa
do Brasil, da Federação da Rússia, da
República da índia, da República Popular
da China e da República da áfrica do Sul,




102

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




reunimo-nos em Nova Delhi, na índia, em
29 de março de 2012, para a quarta Cúpula
do BRICS. Nossas discussões, sob o tema
BRICS Parceria para a Estabilidade Global,
Segurança e Prosperidade, foram conduzidas
em atmosfera calorosa e de cordialidade, e
inspiradas pela vontade comum de reforçar
nossa	parceria	para	o	desenvolvimento
comum e de desenvolver nossa cooperação, na
base da abertura, solidariedade, cooperação,
compreensão e confiança mútuas.
  2. Nós nos reunimos sob o pano de fundo
de desenvolvimentos e mudanças de grande
importância global e regional - uma recuperação
vacilante da economia global tornada mais
complexa devido à situação na zona do euro;
preocupações	quanto	ao	desenvolvimento
sustentável e à mudança do clima, que assumem
maior relevância à medida que nos aproximamos
da Conferência das Nações Unidas sobre
Desenvolvimento Sustentável (Rio +20) e da
Conferência das Partes da Convenção sobre
Diversidade Biológica, que serão sediados no
Brasil e na índia, respectivamente, ao longo
deste ano; a próxima Cúpula do G-20 no México
e a recém realizada 8ª Conferência Ministerial
da Organização Mundial do Comércio (OMC),
em Genebra; e o cenário político em curso
no Oriente Médio e no Norte da áfrica, que
vemos com preocupação crescente. Nossas
deliberações de hoje refletem nosso consenso
no sentido de mantermos nosso engajamento
com a comunidade mundial no momento em
que fazemos face, de forma responsável e
construtiva, a esses desafios ao bem-estar e à
estabilidade globais.
  3. O BRICS é uma plataforma para o diálogo
e a cooperação entre países que representam
43% da população do mundo, para a promoção
da paz, segurança e desenvolvimento em um
mundo multipolar, interdependente e cada
vez mais complexo e globalizado. Por sermos
provenientes de ásia, áfrica, Europa e América

Latina, a dimensão transcontinental de nossa
interação ganha em valor e significado.
  4. Nós vislumbramos um futuro marcado pela
paz mundial, progresso econômico e social e de
atitude realista e esclarecida. Estamos prontos
a trabalhar em conjunto com outros países
desenvolvidos e em desenvolvimento, com
base em normas universalmente reconhecidas
do direito internacional e decisões multilaterais,
para lidar com os desafios e as oportunidades
do mundo atual. A representação ampliada de
países emergentes e em desenvolvimento nas
instituições de governança global aumentará a
sua eficácia na consecução desse objetivo.
  5. Estamos preocupados com a atual situação
econômica internacional. Enquanto os BRICS
se recuperaram da crise internacional de
modo relativamente rápido, as perspectivas de
crescimento em todo o mundo têm sido afetadas
pela instabilidade dos mercados, especialmente
na zona do euro. A acumulação de dívidas
soberanas e preocupações quanto ao ajuste
fiscal de médio e longo prazos em economias
avançadas estão criando um ambiente de
incertezas quanto ao crescimento global.
Ademais, a excessiva liquidez decorrente de
agressivas políticas adotadas por bancos centrais
para estabilizar suas economias têm se espraiado
para as economias emergentes, provocando
excessiva volatilidade nos fluxos de capital e nos
preços de commodities. A prioridade imediata é
restaurar a confiança dos mercados e retomar
o crescimento econômico. Trabalharemos com
a comunidade internacional para assegurar a
coordenação ampla de políticas com vistas a
manter estabilidade macroeconômica visando à
recuperação saudável da economia.
  6. Nós acreditamos ser crucial para
as economias avançadas adotar políticas
macroeconômicas e fiscais responsáveis, que
evitem acumulação excessiva de liquidez
internacional e que empreendam reformas
estruturais para estimular o crescimento que gera




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	103




empregos. Chamamos a atenção para o risco de
volumosos e voláteis fluxos transfronteiriços de
capital que enfrentam economias emergentes.
Instamos por mais ampla reforma com maior
supervisão financeira internacional, com o
fortalecimento de políticas de coordenação
e regulação e de cooperação, bem como a
promoção de sólidos desenvolvimentos dos
mercados	financeiros	globais	e	sistemas
bancários.
  7. Nesse contexto, acreditamos que o
papel central do G-20 como principal foro
para a cooperação econômica internacional é
de facilitar a ampla coordenação de políticas
macroeconômicas, de forma a permitir a
recuperação	econômica	internacional	e
assegurar a estabilidade financeira, inclusive
por intermédio de uma arquitetura monetária
e financeira internacional mais aperfeiçoada.
Aproximamo-nos da próxima Cúpula do G-20
no México com o compromisso de trabalhar
juntamente com a Presidência do Grupo, com
todos os seus membros e com a comunidade
internacional para alcançar resultados positivos
e consistentes com o arcabouço de políticas
nacionais, para assegurar o crescimento forte,
sustentável e equilibrado.
  8.	Reconhecemos	a	importância	da
arquitetura financeira global para a manutenção
da estabilidade e da integridade do sistema
monetário e financeiro internacional. em
consequência, demandamos uma arquitetura
financeira	mais	representativa,	com	a
ampliação da voz e da representação de países
em desenvolvimento e o estabelecimento de
um sistema monetário internacional justo e
aprimorado, que possa atender o interesse de
todos os países e apoiar o desenvolvimento de
economias emergentes e em desenvolvimento.
Essas economias têm apresentado um expressivo
crescimento, contribuindo de forma significativa
para a recuperação da economia global.
  9. Preocupa-nos, contudo, o ritmo lento das

reformas das cotas e da governança do FMI.
Torna-se urgente a necessidade de implementar,
antes da Reunião Anual do FMI/Banco Mundial
de 2012, a Reforma de Governança e de Cota
acordada em 2010, assim como uma revisão
abrangente da fórmula de cota de forma a
melhor refletir os pesos econômicos e ampliar a
voz e a representação dos mercados emergentes
e países em desenvolvimento até janeiro
de 2013, seguida de finalização da próxima
revisão geral de cotas até janeiro de 2014. Esse
processo dinâmico de reforma é necessário para
assegurar a legitimidade e eficácia do Fundo.
Enfatizamos que os esforço em andamento para
aumentar a capacidade de empréstimo do FMI
somente serão exitosos se houver confiança
de que todos os membros da instituição estão
verdadeiramente empenhados em fielmente
implementar a Reforma de 2010. Trabalharemos
junto com a comunidade internacional para
garantir que suficientes recursos poderão ser
mobilizados para o FMI em tempo hábil,
enquanto o Fundo continua sua transição para
aperfeiçoar sua governança e sua legitimidade.
Reiteramos nosso apoio a medidas voltadas para
a proteção de voz e representatividade dos países
mais pobres do FMI.
  10. Conclamamos o FMI a tornar sua estrutura
de supervisão mais integrada e equilibrada,
observando que as propostas do FMI para uma
nova decisão integrada sobre supervisão sejam
consideradas antes da reunião do FMI em abril.
  11. No presente ambiente econômico
internacional, nós reconhecemos que há
uma necessidade premente de se ampliar a
disponibilidade de recursos para financiamento
do desenvolvimento de economias emergentes
e em desenvolvimento. Conclamamos, portanto,
o Banco Mundial a atribuir crescente prioridade
à mobilização de recursos e ao atendimento
das necessidades de financiamento ao
desenvolvimento, bem como à redução de custos
de empréstimos e à adoção de mecanismos




104

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




inovadores de empréstimo.
  12. Acolhemos positivamente as candidaturas
do mundo em desenvolvimento para o cargo
de Presidente do Banco Mundial. Reiteramos
que as Direções do FMI e do Banco Mundial
devem ser escolhidas com base em um processo
aberto e baseado no mérito. Adicionalmente,
a nova liderança do Banco Mundial deve se
comprometer a transformar o Banco em uma
instituição multilateral que verdadeiramente
reflita a visão de todos seus membros, incluindo
a estrutura da governança de forma a refletir a
atual realidade política e econômica. Ademais, a
naturezadoBancodeveevoluirdeumainstituição
que atua essencialmente como intermediária
da cooperação Norte-Sul para uma instituição
que promova parcerias igualitárias com todos
os países, de forma a incorporar a temática
do desenvolvimento e superar a ultrapassada
dicotomia entre doadores-receptores.
  13.	Consideramos	a	possibilidade	de
estabelecimento	de	um	novo	Banco	de
Desenvolvimento voltado para a mobilização
de recursos para projetos de infra-estrutura e
de desenvolvimento sustentável em países do
BRICS e em outras economias emergentes
e países em desenvolvimento, com vistas a
suplementar os esforços correntes de instituições
financeiras	multilaterais	e	regionais	de
promoção do crescimento e do desenvolvimento
internacionais. Instruímos nossos Ministros
de Finanças a examinar a viabilidade e
possibilidade de implementação dessa iniciativa
e a estabelecer um grupo de trabalho conjunto
para realizar os estudos necessários e reportá-los
na próxima Cúpula.
  14. O Brasil, a índia, a China e a áfrica do Sul
aguardam com expectativa a Presidência russa
do G-20 em 2013 e oferecem sua cooperação.
  15. O Brasil, a índia, a China e a áfrica do
Sul congratulam a Federação da Rússia por sua
acessão à OMC. Esse fato torna a OMC mais
representativa e fortalece o sistema multilateral

de comércio baseado em regras. Nós nos
comprometemos a trabalhar juntos para proteger
esse sistema, e conclamamos outros países
a resistir a todas as formas de protecionismo
comercial e restrições disfarçadas ao comércio.
  16. Continuaremos nossos esforços para
uma conclusão bem sucedida da Rodada Doha,
com base no progresso já alcançado e mantendo
seu mandato original. Para tanto, exploraremos
resultados em áreas específicas onde progressos
sejam possíveis, preservando, ao mesmo tempo,
a centralidade do desenvolvimento e mantendo
o arcabouço geral do empreendimento
único (single undertaking). Não apoiamos
iniciativas plurilaterais contrárias aos princípios
fundamentais da transparência, da inclusão
e do multilateralismo. Acreditamos que tais
iniciativas não apenas desviam os membros da
busca de um resultado coletivo, mas também
deixam de resolver o déficit de desenvolvimento
herdado de rodadas anteriores. Uma vez
concluído o processo de ratificação, a rússia
tenciona participar de forma ativa e construtiva da
Rodada Doha visando um resultado equilibrado
da Rodada que auxiliará no fortalecimento e
desenvolvimento do sistema multilateral de
comércio.
  17. Considerando que a UNCTAD é o
ponto focal do sistema das Nações Unidas
para o tratamento dos temas de comércio e
desenvolvimento, tencionamos investir no
aprimoramento de suas atividades tradicionais
de construção de consensos, cooperação técnica
e pesquisa em temas de desenvolvimento
econômico e comércio. Reiteramos nosso
desejo de contribuir ativamente para o sucesso
da UNCTAD XIII, em abril de 2012.
  18. Concordamos em mobilizar nossas
sinergias e em trabalhar juntos para intensificar
os fluxos de comércio e investimento entre
nossos países, de modo a fazer avançar nossos
respectivos objetivos de desenvolvimento
industrial e de geração de emprego. Acolhemos




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	105




positivamente os resultados da segunda reunião
de Ministros do Comércio dos países do BRICS
realizada em Nova Delhi, em 28 de março de
2012. Apoiamos a realização de consultas
regulares entre nossos Ministros de Comércio
e examinamos a adoção de medidas adequadas
para facilitar a progressiva consolidação de
nossos laços comerciais e econômicos. Também
com satisfação, acolhemos a conclusão, entre
nossos bancos de desenvolvimento/eximbanks,
do Acordo-Quadro para Extensão de Facilitação
de Crédito em Moeda Local no âmbito do
Mecanismo	Interbancário	de	Cooperação
do BRICS e do Acordo para Facilitação de
Confirmação de Cartas multilaterais de Crédito.
Estamos certos de que esses acordos servirão
como instrumentos úteis para estimular o
comércio intra-BRICS nos próximos anos.
  19. Reconhecemos a importância vital que
a estabilidade, a paz e a segurança do Oriente
Médio e do Norte da áfrica têm para todos
nós, para a comunidade internacional e, acima
de tudo, para esses próprios países e seus
cidadãos, cujas vidas têm sido afetadas pela
turbulência que eclodiu na região. Desejamos
ver esses países vivendo em paz, recuperando a
estabilidade e prosperidade, como respeitáveis
membros da comunidade internacional.
  20. Concordamos que esse período de
transformação em curso no Oriente Médio e no
Norte da áfrica não deve ser usado como pretexto
para o adiamento de resoluções de conflitos
duradouros, mas sim que sirva como incentivo
para solucioná-los, em particular o conflito árabe-
israelense. A resolução desse e de outros temas
regionais de longa duração melhoria, de forma
geral, a situação no Oriente Médio e no Norte da
áfrica. Assim, reiteramos nosso compromisso
de uma solução abrangente, justa e duradoura
para o conflito árabe-israelense que esteja
baseada no arcabouço legal internacionalmente
reconhecido, incluindo as resoluções relevantes
das Nações Unidas, os princípios de Madri e

a Iniciativa árabe para a Paz. Encorajamos
o Quarteto a intensificar seus esforços, e
requeremos maior envolvimento do Conselho
de Segurança das Nações Unidas na busca da
resolução desse conflito. Também sublinhamos
a importância de negociações diretas entre as
partes para se alcançar soluções definitivas.
Conclamamos palestinos e israelenses a adotar
medidas construtivas, restabelecer a confiança
mútua e criar as condições favoráveis à retomada
das negociações, evitando medidas unilaterais,
em particular atividades de assentamento nos
Territórios Palestinos Ocupados.
  21. Manifestamos nossa profunda
preocupação com a atual situação na Síria e
apelamos pelo fim imediato de toda violência
e violações de direitos humanos naquele país.
O interesse de todos seria mais bem atendido
mediante o tratamento da crise por meios
pacíficos que encorajem amplos diálogos
nacionais refletindo as legítimas aspirações de
todos os setores da sociedade síria e o respeito
à independência, à integridade territorial e à
soberania da Síria. Nosso objetivo é facilitar
um processo político inclusivo conduzido
pelos sírios, e acolhemos positivamente os
esforços das Nações Unidas e da Liga árabe
nesse sentido. Incentivamos o governo sírio e
todos os setores da sociedade síria a demonstrar
disposição política para iniciar tal processo, o
único capaz de criar um novo ambiente para a
paz. Acolhemos positivamente a nomeação do
Sr kofi annan como enviado especial para a
crise da Síria, bem como o progresso em curso
na busca de uma solução política para a crise.
  22. A situação relativa ao Irã não pode
permitir escalada rumo ao conflito, com
consequências desastrosas que não interessam
a ninguém. O Irã tem um papel crucial a
desempenhar no desenvolvimento pacífico
e na prosperidade de sua região, de grande
relevância política e econômica, e esperamos
que faça sua parte como membro responsável




106

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




da comunidade internacional. Preocupa-nos
a situação que envolve a questão nuclear
iraniana. Reconhecemos o direito do Irã ao uso
pacífico da energia nuclear, consistente com
suas obrigações internacionais, e apoiamos a
resolução das questões envolvidas mediante
diálogo e meios políticos e diplomáticos entre as
partes, inclusive entre a AIEA e o Irã, e de acordo
com as resoluções relevantes do Conselho de
Segurança.
  23. O Afeganistão necessita de tempo,
assistência ao desenvolvimento e cooperação,
acesso preferencial a mercados internacionais,
investimentos estrangeiros e clara estratégia
nacional com vistas à obtenção da paz duradoura
e estabilidade. Apoiamos o compromisso da
comunidade internacional com o Afeganistão,
anunciado na Conferência Internacional de
Bonn, em dezembro de 2011, no sentido de
manter o engajamento durante a década de
transformação de 2015 a 2024. afirmamos
nosso compromisso em apoiar a emergência
do afeganistão como um estado pacífico,
estável e democrático, livre do terrorismo e do
extremismo, e sublinhamos a necessidade de
cooperação regional e internacional mais eficaz
para a estabilização do Afeganistão, inclusive no
que diz respeito ao combate ao terrorismo.
  24. Estendemos nosso apoio aos esforços
no sentido de combater o tráfico ilícito de ópio
originário do Afeganistão no âmbito do Pacto de
Paris.
  25. reiteramos não existir justificativa de
qualquer ordem para atos de terrorismo em
todas formas de manifestação. reafirmamos
nossa determinação de reforçar a cooperação no
enfrentamento dessa ameaça, e acreditamos que
as Nações Unidas desempenham papel central
na coordenação de ações internacionais contra
o terrorismo, no marco da Carta das Nações
Unidas e em consonância com os princípios e
normas do direito internacional. Sublinhamos
a necessidade de uma próxima conclusão

do projeto da Convenção Abrangente sobre
Terrorismo Internacional durante a Assembléia
Geral das Nações Unidas, e sua adoção por
todos os estados-membros de forma a propiciar
uma abrangente estrutura legal para enfrentar
esse flagelo internacional.
  26. Manifestamos nosso forte compromisso
comadiplomaciamultilateral,comaOrganização
das Nações Unidas desempenhando papel
central no trato dos desafios e ameaças globais.
Nesse sentido, reafirmamos a necessidade
de uma reforma abrangente das Nações
Unidas, incluindo seu Conselho de Segurança,
para assegurar maior eficácia, eficiência e
representativa, de modo a que possa melhor
enfrentar os desafios globais da atualidade.
China e Rússia reiteram a importância que
atribuem a Brasil, índia e áfrica do Sul nos
assuntos internacionais e apóiam sua aspiração
de desempenhar papel mais protagônico nas
Nações Unidas.
  27. Recordamos nossa coordenação no
Conselho de Segurança durante o ano de 2011
e sublinhamos nosso compromisso de atuar
conjuntamente nas Nações Unidas, de continuar
nossa cooperação e de reforçar o tratamento
multilateral de temas relativos à paz e à segurança
internacionais nos próximos anos.
  28. A aceleração do crescimento e
desenvolvimento sustentável, em conjunto com
segurança alimentar e energética, encontram-
se entre os desafios mais importantes da
atualidade e são centrais para o tratamento do
desenvolvimento econômico, erradicação da
pobreza, combate à fome e desnutrição em
muitos países em desenvolvimento. Faz-se
premente a criação de empregos necessários à
melhoria dos níveis de vida. O desenvolvimento
sustentável é também um elemento-chave
de nossa agenda para a recuperação global e
investimentos para estimular o crescimento
futuro. Temos essa responsabilidade para com
nossas futuras gerações.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	107




   29. Congratulamos a áfrica do Sul pelo
êxito como sede da 17ª Convenção-Quadro
das Nações Unidas sobre Mudança do Clima
e da 7ª Conferência das Partes na qualidade
de reunião das Partes do Protocolo de Quioto
(COP17/CMP17), em dezembro de 2011.
acolhemos positivamente os significativos
resultados da Conferência e estamos dispostos a
trabalhar com a comunidade internacional para a
implementação dessas decisões, de acordo com
os princípios de equidade e responsabilidades
comuns porém diferenciadas e respectivas
capacidades.
  30. Estamos inteiramente comprometidos
a fazer nossa parte na luta internacional para
enfrentamento	das	questões	de	mudança
do clima e contribuiremos para os esforços
internacionais no tratamento da temática de
mudança do clima por meio de crescimento
sustentável e inclusivo e não limitativo ao
desenvolvimento. Sublinhamos que os países
desenvolvidos que são Parte da Conferência das
Nações Unidas sobre Mudança do Clima devem
prover ampliado apoio financeiro, tecnológico e
capacitação para a preparação e implementação,
por parte dos países em desenvolvimento, de
ações nacionalmente apropriadas de mitigação.
  31. Estamos certos de que a Conferência
das Nações Unidas sobre Desenvolvimento
Sustentável (Ri0+20) oferece oportunidade
única para que a comunidade internacional
renove seu compromisso político de alto-nível
de apoiar a ampla estrutura de desenvolvimento
sustentável,	abrangendo	crescimento	e
desenvolvimento	econômico	sustentável,
progresso social e proteção ambiental, de acordo
com os princípios e provisões da Declaração do
Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento,
incluindo o princípio de responsabilidades
comuns porém diferenciadas, a Agenda 21 e o
Plano de Implementação de Joannesburgo.
  32. Consideramos que o desenvolvimento
sustentável deve ser o principal paradigma

em questões ambientais, assim como para
estratégias econômicas e sociais. Reconhecemos
a relevância e foco dos principais temas da
Conferência, especialmente a Economia Verde
no contexto do Desenvolvimento Sustentável
e da Erradicação da Pobreza assim como a
Estrutura Institucional para o Desenvolvimento
Sustentável.
  33. A China, a Rússia, a índia e a áfrica
do Sul esperam trabalhar com o Brasil, sede
dessa importante Conferência, em junho, para
um resultado exitoso e prático do encontro.
O Brasil, a Rússia, a China e a áfrica do Sul
também empenham seu apoio à índia, que
sediará a 11ª reunião da Conferência entre as
Partes para a Convenção sobre Diversidade
Biológica, em outubro de 2012, e esperam
um resultado positivo. Continuaremos nossos
esforços para a implementação da Convenção
e seus Protocolos, com especial atenção ao
Protocolo de Nagóia sobre o Acesso a Recursos
Genéticos e Repartição Justa e Equitativa de
Benefícios Derivados de sua Utilização, ao Plano
Estratégico para a Biodiversidade 2011-2020 e à
Estratégia para a Mobilização de Recursos.
  34. afirmamos que o conceito de economia
verde, ainda a ser definido na rio+20, deve
ser entendido no contexto mais abrangente
de desenvolvimento sustentável e erradicação
da pobreza, como um meio para se alcançar
essas prioridades de maior hierarquia e não um
fim em si mesmo. deve-se dar às autoridades
nacionais flexibilidade e espaço político para
que façam suas próprias escolhas com amplo
leque de opções, e definam caminhos rumo
ao desenvolvimento sustentável, baseado no
estágio de desenvolvimento do país, estratégias
nacionais, circunstâncias e prioridades.
Resistimos a introdução de barreiras de
comércio e investimento, independentemente de
seu formato, vinculada ao desenvolvimento da
economia verde.
  35. Os Objetivos de Desenvolvimento

   
   

108

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




do Milênio (ODM) permanecem um marco
fundamental na agenda de desenvolvimento. De
forma a capacitar os países em desenvolvimento
a obter os máximos resultados no alcance dos
Objetivos de Desenvolvimento do Milênio no
prazo acordado de 2015, devemos assegurar
que o crescimento desses países não será
afetado.	Qualquer	desaceleração	aportará
sérias consequências para a economia mundial.
Alcançar os ODMs é fundamental para
assegurar o crescimento inclusivo, equitativo e
sustentável, e requererá continuado foco nesses
objetivos mesmo depois de 2015, requerendo
ampliados esforços de financiamento.
  36. Atribuímos a mais alta importância
ao crescimento econômico que apóie o
desenvolvimento e a estabilidade na áfrica, dado
que muitos desses países ainda não realizaram
completamente	seu	potencial	econômico.
Levaremos adiante nossa cooperação em apoio
aos esforços de aceleração da diversificação
e modernização de suas economias. Isso se
fará por meio do desenvolvimento de infra-
estrutura, intercâmbio de conhecimento e apoio
à ampliação do acesso à tecnologia, aumento
da capacitação com investimento em capital
humano, inclusive no contexto da Nova Parceria
para o Desenvolvimento da áfrica (NEPAD).
  37.	Expressamos	nosso	compromisso
com o alívio da crise humanitária que ainda
afeta milhões de pessoas no Chifre da áfrica
e apoiamos os esforços internacionais nesse
sentido.
  38. A excessiva volatilidade nos preços
dos produtos de base, particularmente de
alimentos e energia, coloca riscos adicionais
para a recuperação da economia mundial. A
regulamentação	aprimorada	dos	mercados
derivados de produtos de base é essencial
para	evitar	impactos	desestabilizadores
sobre o suprimento de alimentos e energia.
Consideramos que a capacidade ampliada de
produção de energia e o fortalecimento do

diálogo produtor-consumidor são importantes
iniciativas que contribuirão para diminuir essa
volatilidade de preços.
  39. A energia baseada em combustíveis
fósseis continuará a dominar as matrizes
energéticas em futuro previsível. Expandiremos
as fontes de energia limpa e renovável e o uso de
tecnologias alternativas eficientes para atender
a demanda crescente de nossas economias e
nossos povos, e também para responder às
preocupações relativas ao clima. Nesse contexto,
enfatizamos que a cooperação internacional
no desenvolvimento de energia nuclear segura
para fins pacíficos deve continuar sob condições
de estreita observância dos padrões relevantes
de segurança e requisitos relativos a desenho,
construção e operação de plantas de energia
nuclear. Sublinhamos o papel essencial da
AIEA nos esforços conjuntos da comunidade
internacional no sentido de ampliar os padrões de
segurança nuclear, com o objetivo de aumentar
a confiança pública na energia nuclear como
uma fonte de energia limpa, economicamente
acessível e segura, vital para atender à demanda
mundial de energia.
  40. Tomamos nota dos substantivos esforços
realizados para aprofundar a cooperação
intra-BRICS em inúmeros setores. Estamos
convencidos de que há um grande estoque
de conhecimento, know-how, capacidades e
boas práticas disponível em nossos países
que podemos compartilhar e a partir do qual
podemos construir uma significativa cooperação
para o benefício de nossos povos. Com esse
objetivo, endossamos o Plano de Ação para o
próximo ano.
  41. Apreciamos os resultados do Segundo
Encontro dos Ministros de Agricultura e de
Desenvolvimento Agrário do BRICS, realizado
em Chengdu, China, em outubro de 2011.
Instruímos nossos Ministros a levar esse processo
adiante com foco particular no potencial de
cooperação entre os BRICS para contribuir




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	109




efetivamente para a segurança alimentar e a
nutrição mundiais por meio da produção agrícola
aprimorada e da produtividade, transparência em
mercados, reduzindo a excessiva volatilidade nos
preços dos produtos de base, de forma a elevar a
qualidade de vida dos povos, particularmente do
mundo em desenvolvimento.
  42. A maioria dos países do BRICS faz
face a numerosos desafios similares no campo
da saúde pública, incluindo o acesso universal
aos serviços de saúde, o acesso a tecnologias
de saúde, inclusive medicamentos, os custos
crescentes e o aumento nos gastos com
doenças transmissíveis e não transmissíveis.
Recomendamos que os encontros de Ministros
de Saúde do BRICS, cujo primeiro realizou-
se em Pequim, em julho de 2011, sejam de
agora em diante institucionalizados de forma
a enfrentar esses desafios comuns da maneira
mais eficaz em termos de custos, mais equitativa
e sustentável.
  43. Tomamos nota do encontro de Altos
Funcionários em Ciência e Tecnologia em
Dalian, China, em setembro de 2011, e,
em particular, da crescente capacidade de
pesquisa e desenvolvimento e inovação em
nossos países. Incentivamos esse processo
tanto em áreas prioritárias como alimentos,
produtos farmacêuticos, saúde e energia,
quanto em pesquisa básica nos campos inter-
disciplinares emergentes de nanotecnologia,
biotecnologia, ciência de materiais avançados
etc. incentivamos o fluxo de conhecimentos
entre nossas instituições por meio de projetos
conjuntos, seminários e intercâmbio de jovens
cientistas.
  44. Os desafios da rápida urbanização,
enfrentados por todas as sociedades em
desenvolvimento, inclusive as nossas próprias,
são de natureza multidimensional e cobrem uma
diversidade de temas interligados. Instruímos
nossas respectivas autoridades a coordenar
esforços e aprender com as melhores práticas

e tecnologias disponíveis, de modo a trazer
benefícios para nossas sociedades. Constatamos,
com satisfação, a realização do primeiro
encontro de Cidades Irmãs no âmbito do BRICS,
em Sanya, em dezembro de 2011, e levaremos
adiante esse processo com a realização de um
Fórum de Urbanização e Infraestrutura Urbana
conjuntamente com a realização do Segundo
Encontro de Cidades Irmãs no âmbito do BRICS
e do Fórum de Cooperação de Governos Locais.
  45. Dadas nossas crescentes necessidades
de fontes de energia renovável e de energia
eficiente e de tecnologias favoráveis ao meio
ambiente, assim como nossas potencialidades
complementares nessas áreas, concordamos
em intercambiar conhecimento, know-how,
tecnologia e melhores práticas nesses setores.
  46. Temos satisfação em lançar o primeiro
Relatório do BRICS, coordenado pela índia, com
foco especial nas sinergias e complementaridades
de nossas economias. Acolhemos com satisfação
os resultados da cooperação entre os Institutos
Nacionais de Estatística do BRICS e tomamos
nota que a edição atualizada da Publicação
Estatística do BRICS, lançada hoje, serve como
uma útil referência sobre os países do BRICS.
  47. Expressamos nossa satisfação com a
realização do III Fórum Empresarial do BRICS
e do II Fórum Financeiro e reconhecemos seu
papel para estimular relações comerciais entre
nossos países. Nesse contexto, acolhemos
com satisfação o estabelecimento da BRICS
Exchange Alliance, uma iniciativa de bolsas de
valores relacionadas com o BRICS.
  48. Incentivamos os canais de comunicação,
troca e contatos diretos entre as pessoas,
inclusive nas áreas de juventude, educação,
cultura, turismo e esporte.
  49. O Brasil, a Rússia, a China e a áfrica
do Sul estendem seu caloroso apreço e seus
sinceros agradecimentos ao Governo e ao povo
da índia por sediar a IV Cúpula do BRICS em
Nova Delhi.




110

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




  50. O Brasil, a Rússia, a índia e a China
agradecem a áfrica do Sul pelo oferecimento
de sediar a V Cúpula do BRICS em 2013 e
oferecem seu pleno apoio.

  Plano de Ação de Nova Delhi
   
  1- Encontros de Ministros de Relações
Exteriores à margem da AGNU.
  2 - Encontros de Ministros de Finanças e
Governadores de Bancos Centrais à margem das
reuniões do G20/outras reuniões multilaterais
(FMI/BIRD).
  3  encontros de autoridades financeiras e
fiscais à margem de eventos multilaterais ou,
quando requeridos, encontros específicos.
  4  Encontros de Ministros de Comércio à
margem de eventos multilaterais, ou, quando
requeridos, encontros específicos.
  5- Terceiro Encontro de Ministros de
Agricultura do BRICS, precedido de reunião
preparatória de especialistas em produtos
agrícolas e segurança alimentar e do segundo
encontro do Grupo de Trabalho de Especialistas
em Agricultura.
  6  Encontro de Altos Representantes
responsáveis por segurança nacional.
  7  Segundo Encontro do BRICS de Altos
Funcionários em C&T.
  8  Primeiro Encontro do Fórum de
Urbanização do BRICS e o segundo encontro de
Cidades Irmãs no âmbito do BRICS e o Fórum
de Cooperação de Governos Locais em 2012 na
índia.
  9  Segundo Encontro dos Ministros de
Saúde do BRICS.
  10  Encontro intermediário de Sub-Sherpas
e Sherpas.
  11 - Encontro intermediário do GCTEC
(Grupo de Contato para Temas Econômicos e
Comerciais).
  12  Terceiro Encontro de Autoridades de
Concorrência do BRICS em 2013.
   
13  Encontro de Especialistas sobre o novo
Banco de Desenvolvimento.
  14  encontro de autoridades financeiras para
acompanhamento dos resultados do Relatório
do BRICS.
  15  Consultas entre as Missões Permanentes
dos países do BRICS em Nova York, Viena e
Genebra, quando requeridas.
  16  Encontros de consultas entre Altos
Funcionários do BRICS à margem dos foros
internacionais relevantes relacionados a
meio ambiente e mudança do clima, quando
requeridos.
  17  Novas áreas de cooperação a serem
exploradas:
  (i) Cooperação multilateral em energia no
âmbito do BRICS.
  (ii) Avaliação acadêmica geral sobre a futura
estratégia de longo termo para o BRICS.
  (iii) Diálogo do BRICS sobre Políticas para
a Juventude.
  (iv) Cooperação sobre temas relacionados à
População.

    COMUNICADO CONJUNTO BRASIL-
    íNDIA SOBRE A VISITA DE ESTADO
       DA PRESIDENTA DA REPúBLICA
     FEDERATIVA DO BRASIL à íNDIA -
   NOVA DELHI, 30 DE MARçO DE 2012
                            30/03/2012
                               
  Sua Excelência, a Senhora Dilma
Rousseff, Presidenta da República Federativa
do Brasil, realizou Visita de Estado à índia
entre 27 e 31 de março de 2012, a convite do
Primeiro-Ministro da índia, Sua Excelência
Dr. Manmohan Singh. A Presidenta do Brasil
e o Primeiro-Ministro da índia encontraram-
se para passar em revista temas das agendas
bilateral, regional e internacional de interesse
comum.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	111




   2. Durante a visita, a Presidenta do Brasil
encontrou-se com a Presidenta da índia, Sua
Excelência Sra. Pratibha Devisingh Patil. Após
a cerimônia de recepção em Nova Delhi, a
Presidenta do Brasil visitou Rajghat para prestar
homenagem à memória de Mahatma Gandhi.
A Presidenta da índia ofereceu banquete em
homenagem à dignitária visitante. A Presidenta
da Aliança Progressista Unida, Sra. Sonia
Gandhi e a Líder da Oposição, Sra. Sushma
Swaraj avistaram-se com a Presidenta do Brasil.
A Universidade de Delhi outorgou o título de
Doutora Honoris Causa à Presidenta do Brasil
durante a visita.
  3. Os seguintes atos bilaterais foram assinados
durante a Visita de Estado:
  - Programa de Intercâmbios Culturais para o
Período 2012-2014;
  - Memorando de Entendimento sobre
Cooperação em Educação, ao amparo do
Programa brasileiro Ciencia sem Fronteiras;
  - Programa de Cooperação em Ciência,
Tecnologia e Inovação 2012-2014;
  - Memorando de Entendimento sobre
Cooperação no campo da Biotecnologia;
  - Memorando de Entendimento sobre
Cooperação Técnica;
  - Memorando de Entendimento entre o
Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade
e Tecnologia (INMETRO) e o National
accreditation Board for certification Bodies
(NABCB), sobre reconhecimento mútuo de
órgãos de certificação.
  - Declaração de Intenções sobre a promoção
da igualidade de gênero e a proteção dos direitos
da mulher.

  Parceria Estratégica
   
  4. Os dois Chefes de Governo reconheceram
a importância da visita bilateral da Presidenta do
Brasil e ressaltaram que a Parceria Estratégica
Brasil-índia, estabelecida em 2006, alcançou

patamar mais elevado, de natureza privilegiada.
Reconheceram que as relações bilaterais entre
Brasil e índia são baseadas em sólidos laços
de amizade, os quais se apóiam nos valores
compartilhados de democracia, Estado de
Direito e comunhão de interesses. O encontro
entre os dois Líderes transcorreu em atmosfera
de cordialidade e amizade. Ambos registraram,
com satisfação, que a abrangência do
relacionamento se expandiu e foi intensificada a
freqüência das atividades conjuntas entre os dois
países e reiteraram o compromisso de elevar
a cooperação bilateral a um nível mais alto.
Também reafirmaram que pretendem trabalhar
conjuntamente pelo aprimoramento de sua
parceria multifacetada.
  5. Ambos os Líderes expressaram satisfação
com a cooperação e a parceria mutuamente
benéficas em todos os níveis entre o Brasil
e a índia, que abrangem as áreas política,
econômica e comercial, investimentos, defesa,
energia, agricultura, ciência e tecnologia,
espaço, educação e cultura. Recordaram que
a cooperação Sul-Sul promove uma visão
compartilhada da ordem internacional em
evolução, o que possibilita cooperação e
coordenação mais estreita em todos os foros
multilaterais. Destacaram que a atual cooperação
por meio do G-4, G-20, IBAS, BRICS e BASIC
representa outra importante dimensão de suas
relações.
  6. Os dois Líderes cumprimentaram os
Ministros das Relações Exteriores de seus países
pelo excelente trabalho realizado em todas as
áreas da Parceria Estratégica durante a V Reunião
da Comissão Mista Ministerial Brasil-índia, em
Nova Delhi, em dezembro de 2011. Avaliaram
os resultados da Reunião da Comissão Mista
Ministerial e recomendaram que a VI Reunião
tenha lugar em 2012.Os Co-Presidentes da
Comissão Mista Ministerial foram instruídos
a promover a revisão da implementação das
decisões tomadas durante a Visita de Estado.




112

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012





  Diálogo Econômico e Financeiro
   
  7.	Ambos	os	Líderes	saudaram	o
estabelecimento, em 2011, do mecanismo de
Diálogo Econômico e Financeiro. Considerando
as	rápidas	transformações	dos	mercados
financeiros globais, tal mecanismo assume
especial relevância para que os dois países,
como grandes economias e membros do G-20,
possam intercambiar opiniões sobre questões
macro e microeconômicas e financeiras. Os dois
Líderes demonstraram grande preocupação com
a crise econômica e financeira internacional e
realçaram a importância de manter coordenação
frequente no âmbito do G-20.

  Comércio e Investimentos
   
  8. Os dois Líderes demonstraram satisfação
com o crescimento constante do comércio e dos
investimentos entre Brasil e índia. Registraram
que o comércio bilateral já alcançou a
marca recorde de US$9,3 bilhões em 2011 e
concordaram em estabelecer a meta de US$15
bilhões para o intercâmbio comercial até 2015.
Os dois países trabalharão para identificar e
implementar as ações destinadas a remover
os diversos entraves ao comércio para atingir
esse	objetivo.	Reconheceram	que	existe
significativo potencial ainda inexplorado para
expansão das trocas comerciais, considerando
a dimensão das duas economias e também o
volume total do comércio exterior em ambos
os países. Nesse contexto, também tomaram
nota das recomendações das reuniões da V
Comissão Mista Ministerial, do Mecanismo
de Monitoramento de Comércio (MMC) e
da Conferência de Negócios Brasil-índia:
uma Nova Fronteira para Oportunidades de
Negócios. Ao se dirigir à platéia de empresários
brasileiros e indianos presentes à Conferência,
a Presidenta do Brasil fez uma apresentação a

respeito das relações econômicas bilaterais e das
perspectivas futuras de fortalecimento dos laços
econômico-comerciais entre os dois países.
  9. Os dois Chefes de Governo destacaram a
importância do Fórum Brasil-índia de CEOs para
a promoção do comércio e dos investimentos
bilaterais e recomendaram a convocação da
próxima reunião do referido Forum tão logo
possível. Ambas as partes reconheceram que a
diversificação da pauta comercial, a participação
recíproca em feiras comerciais organizadas
pelos dois países e o compartilhamento de
informações sobre as respectivas políticas
de investimento em setores específicos, por
meio de seminários e simpósios, ajudariam a
fortalecer ainda mais os vínculos de comércio e
de investimentos. Ambos os Líderes instaram as
respectivas autoridades responsáveis a discutir
e encontrar soluções para barreiras tarifárias e
não-tarifárias, casos de antidumping e de direitos
compensatórios, por meio de consultas mútuas.
O lado indiano convidou o Brasil a participar
na 20ª Feira Internacional de Engenharia e
Tecnologia (FIET), que terá lugar em Nova
Delhi em 2013 como principal participante.
  10.APresidentadoBrasileoPrimeiroMinistro
da índia discutiram oportunidades de expansão
futura do comércio bilateral e expressaram sua
satisfação com a implementação do Acordo
de Preferências Comerciais índia-Mercosul.
Também reafirmaram seu compromisso de
analisar alternativas possíveis para expandir
a abrangência do Acordo e aprofundar as
preferências concedidas por ambas as partes.

  Agricultura
   
  11. Ao reconhecer o enorme potencial
nos setores de agricultura e processamento
de alimentos, os dois Líderes manifestaram
interesse em intensificar a cooperação para
parcerias mutuamente proveitosas. Ambos
exortaram as autoridades competentes e




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	113




suas equipes técnicas a tomar as medidas
necessárias para ampliar a cooperação nesses
setores, no contexto da segurança alimentar de
ambos os países no futuro próximo. Ademais,
destacaram o desejo mútuo de aprofundar a
cooperação em pesquisa agrícola entre o Indian
Council of Agricultural Research (ICAR) e a
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(EMBRAPA), e receberam com satisfação
relatório das áreas identificadas para pesquisa
em intercâmbio de germoplasma, agroenergia
(biocombustível), etanol de cana de açúcar,
cultivo e processamento de soja para biodiesel
e reprodução animal, programas que terão
inicio em 2012. Demonstraram apreço pela
simplificação da certificação para importação
de embriões bovinos da índia para o Brasil.
O exitoso intercâmbio de material genético
bovino é um exemplo de como ambos os países
podem auxiliar um ao outro no melhoramento
da qualidade de sua cooperação na área de
reprodução animal. Reiteraram o interesse em
cooperar para o estabelecimento de Cadeias
Frigoríficas e Centrais de abastecimento
para frutas, vegetais e outros perecíveis, com
instalações de ponta na índia. A esse respeito,
reconheceram a importância de convocar o
Grupo de Trabalho Conjunto em Agricultura
para discutir propostas específicas e fazer
avançar a cooperação bilateral em Agricultura.
  Turismo, Serviços Aéreos e Esportes
  12. Ambos os Líderes reconheceram o vasto
potencial turístico de seus países e reiteraram seu
interesse em colaborar em prol de uma parceria
mutuamente benéfica no setor do Turismo.
Concordaram em facilitar o rápido movimento
de turistas de um país ao outro. Em vista dos
Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro e
da Copa do Mundo de Futebol em 2014, no
Brasil, ambos os Líderes expressaram interesse
em explorar a possibilidade de investimentos,
em joint venture, nos setores de hotelaria e
turismo. Instaram os dois lados a operacionalizar

o Acordo Bilateral de Serviços Aéreos entre
Brasil e índia, assinado em março de 2011,
de modo a facilitar e estimular a interação
comercial, turística e o intercâmbio entre os
povos dos dois países. Ademais, destacaram seu
interesse em promover a cooperação nas áreas
de Esportes e Intercâmbio de Juventude.

  Defesa
   
  13. A Presidenta do Brasil e o Primeiro
Ministro da índia demonstraram satisfação
com a cooperação em curso na área de defesa.
Recordaram a bem-sucedida visita do Ministro
da Defesa do Brasil, Senhor Celso Amorim,
à índia, em fevereiro de 2012. Também
registraram com satisfação as visitas recíprocas
de oficiais de alto nível e o intercâmbio de
pessoal da área de defesa. Reiteraram o desejo
de colaborar conjuntamente em treinamento,
bem como na troca de informação em matéria
de operações de manutenção da paz e outras
áreas de interesse mútuo. Concordaram em
trabalhar em propostas específicas para o
desenvolvimento conjunto de projetos no
setor de defesa, em particular com relação a
engenharia e construção de navios. Também
acordaram explorar possibilidades de
cooperação em áreas como espaço, propulsão
nuclear, defesa cibernética e sistemas de
defesa, entre outras. Expressaram satisfação
com o bem-sucedido vôo inaugural da
Airborne Early Warning and Control System
indiana acoplada à aeronave brasileira da
EMBRAER, um excelente exemplo de sua
parceria colaborativa em curso no campo de
Pesquisa e Desenvolvimento. Os dois Líderes
reconheceram que o Comitê Conjunto de
Defesa é um mecanismo de grande relevância
para a discussão dessas questões e para o
avanço da cooperação bilateral em defesa.
  14. Tomaram nota do progresso alcançado na
consecução dos objetivos contidos no Acordo




114

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




sobre Cooperação em Defesa Brasil-índia,
assinado em 2003, e reafirmaram o interesse
mútuo em estabelecer cooperação adicional no
setor de defesa. Ambos concordaram com o fato
de que há escopo para promover a cooperação
técnico-militar por meio de pesquisa científica
conjunta e de atividades de desenvolvimento
tecnológico em armamentos e equipamento
militar; intercâmbio de experiências, tecnologias
e informações relacionadas ao desenvolvimento,
produção e teste de armamentos e equipamentos
militares; e outras iniciativas semelhantes.

  Ciência e Tecnologia
   
  15. Os dois Líderes expressaram sua
satisfação com a realização da I Reunião da
Comissão Mista Brasil-índia sobre Cooperação
Científica e Tecnológica, em 22 e 23 de março
de 2012, em Nova Delhi. A Comissão Mista é
mecanismo de relevância para o intercâmbio
de experiências e programas e para o
estabelecimento de novas parcerias científicas
e corporativas, nos campos de biocombustíveis
de segunda geração e energias renováveis;
nanotecnologia; biotecnologia; tecnologia da
informação e de comunicações; inovação;
cooperação no setor aeroespacial; e ciências do
mar. Ambos saudaram o estabelecimento de um
Programa de Cooperação Bilateral em Ciência,
Tecnologia e Inovação para o biênio 2012-
2014, com mecanismos de implementação,
assim como com a assinatura de Memorando
de	Entendimento	sobre	Cooperação	em
Biotecnologia, com ênfase em iniciativas nas
áreas de saúde (especialmente câncer e terapia
de células-tronco); agricultura; biocombustíveis
e bioenergia; nanotecnologia; taxonomia; e
vacinas, entre outros.
  16. Ambos os Líderes enfatizaram o potencial
para cooperação bilateral na área de Tecnologia
da Informação e Comunicações, com base nas
complementaridades e no desenvolvimento

tecnológico de seus países. Notaram com
satisfação o diálogo convergente acerca de
Sociedade da Informação, especialmente com
relação à cooperação trilateral no Foro IBAS.
Também reafirmaram seu compromisso com os
princípios estabelecidos pela Agenda de Túnis,
durante a Cúpula Mundial sobre a Sociedade da
Informação (WSIS), destacando a importância
da democratização dos foros que discutem essa
questão e da participação efetiva dos países
em desenvolvimento no regime de governança
global da internet, como um meio de solucionar
os efeitos do hiato digital.

  Espaço
   
  17. Os Líderes manifestaram o desejo de
fortalecer a cooperação em pesquisa espacial
em áreas tais como sensoriamento remoto,
compartilhamento de dados e previsão do
tempo. Nesse sentido, expressaram seu interesse
no intercâmbio regular de especialistas. O
Brasil reiterou o desejo de receber imagens do
satélite indiano Resourcesat-2, dada a exitosa
cooperação no recebimento de dados do
Resourcesat-1 na Estação Terrestre de Cuiabá.
Com relação ao Projeto do Satélite IBAS, os dois
líderes manifestaram seu grande interesse em
trabalhar juntos para o êxito da Reunião Técnica
progrmada para realizar-se em Bangalore ainda
em 2012.

  Meio Ambiente
   
  18. Ambos os Líderes demonstraram
interesse em promover a cooperação no campo
de conhecimentos tradicionais, áreas protegidas
e gerenciamento de recursos aquáticos.
Expressaram satisfação pelo fortalecimento
da cooperação em Meio Ambiente, em áreas
que incluem o manejo científico de florestas,
mudança do clima, gerenciamento de resíduos e
reutilização de efluentes tratados.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	115




   Energia
   
  19. Ambos os Líderes expressaram satisfação
com o progresso da cooperação bilateral na
área de energia para uma parceria mutuamente
benéfica.	reconhecerem	o	potencial	das
oportunidades	desse	setor	e	encorajaram
empresas públicas e privadas a participarem da
exploração e produção de gás e
  petróleo no Brasil. Solicitaram às autoridades
pertinentes	celeridade	na	organização	da
próxima reunião do Grupo de Trabalho em
Hidrocarbonetos, para que se dê continuidade
às discussões nessa área e também para trocar
informações em matéria de biocombustíveis,
geração de energia elétrica, energia solar e eólica,
privatização e distribuição de eletricidade.
Reconhecendo a importância das fontes de
energias novas e renováveis como instrumento
de fortalecimento da segurança energética
nacional,	promoção	do	desenvolvimento
sustentável, incremento tecnológico e superação
da pobreza com inclusão social, acordaram
criar mecanismo permanente de intercâmbio de
informações técnicas para tratar dessas questões.
Ademais, reiteraram o interesse em cooperar na
área de energia nuclear para usos civis.

  Saúde
   
  20. Ambas as partes reconheceram a
importância de manter coordenação ativa no
que concerne à questão de medicamentos
abaixo	do	padrão/espúrios/falsamente
rotulados/falsificados/contrafeitos, no âmbito
da Organização Mundial da Saúde (OMS) e
às questões relativas à propriedade intelectual
no caso dos medicamentos genéricos. Também
concordaram em cooperar e trocar experiências
em outras áreas prioritárias da Saúde, tais como
determinantes sociais da saúde, prevenção,
diagnóstico	e	tratamento	de	HIV/AIDS,
cuidados	elementares	de	saúde,	doenças

não-transmissíveis, medicina tradicional e,
ainda, doenças negligenciadas, com foco na
Hanseníase.

  Educação
   
  21. A Presidenta da República Federativa
do Brasil, Senhora Dilma Rousseff, apresentou
ao Primeiro-Ministro Manmohan Singh o
Programa Ciência sem Fronteiras, de sua
iniciativa. O Primeiro-Ministro demostrou
espcial interesse sobre o programa, sobretudo no
que concerne às áreas de tecnologia e ciências
básicas. Reconhecendo o potencial da índia em
algumas áreas específicas, concordaram em dar
início a um programa de intercâmbio de alunos
entre as instituições de excelência de ambos
os países. Registraram, ainda, o progresso
alcançado pelo Grupo de Trabalho Conjunto
em Educação e decidiram que os intercâmbios
poderiam ter início em diferentes níveis nos
dois países ainda em 2012. Ambos os Líderes
expressaram satisfação com a assinatura do
Memorando de Entendimento em Educação,
no âmbito do programa brasileiro Ciência sem
Fronteira, para recepção de estudantes bolsistas
brasileiros na índia. O Brasil saudou a criação de
uma Cadeira sobre a índia na Fundação Getúlio
Vargas (FGV), no Rio de Janeiro.

  Cultura
   
  22. A Presidenta do Brazil e o Primeiro-
ministro da índia reafirmaram o papel
fundamental da cultura para o fortalecimento
dos laços de amizade entre os povos da India e
do Brasil. Nesse sentido, decidiram estimular
relações mais próximas entre artistas, produtores
e instituições culturais de ambos os países.
Expressaram satisfação com a assinatura do
Programa de Intercâmbio Cultural para o
Período 2012-2014 e destacaram que este dará
novo ímpeto aos laços culturais já existentes.




116

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




Saudaram os intercâmbios culturais mais
freqüentes, entre eles o bem-sucedido Festival
Cultural indiano realizado em quatro cidades
do Brasil em 2011; os Festivais de Cinema
organizados em diferentes cidades e a abertura
do Centro Cultural Indiano em São Paulo em
2011, assim como o anúncio do programa de
residência para artistas visuais brasileiros em
Nova Delhi e Mumbai em 2012. Concordaram,
igualmente, em estreitar a cooperação na
área audiovisual e em explorar oportunidades
mutuamente benéficas nessa área para a
produção de filmes.

  Regional e Multilateral
   
  23. Os dois Chefes de Governo discutiram
amplagamadeassuntosregionaiseinternacionais
de interesse mútuo e trocaram informações
e pontos de vista sobre desenvolvimento
nas regiões sul-asiática e latino-americana.
reafirmaram o compromisso com as metas de
Desenvolvimento do Milênio para o combate
à fome e à pobreza. Concordaram, ainda, em
dar continuidade à coordenação em assuntos de
interesse mútuo da agenda internacional.
  24. A Presidenta e o Primeiro-Ministro
congratulam-se pela frutífera cooperação ao
longo dos nove anos de existência do Fórum
IBAS. A continuidade dos trabalhos do IBAS em
todas as suas vertentes segue sendo prioridade
de suas políticas externas. A última Cúpula do
IBAS, em outubro de 2011, marcou um momento
singular da existência do Forum, quando os três
países integravam simultaneamente o Conselho
de Segurança das Nações Unidas. Ressaltaram
que a cooperação dos países do IBAS no CSNU,
em 2011, enriqueceu os debates na agenda
do Conselho e contribuiu para aumentar sua
legitimidade e efetividade.
  25. A Presidenta do Brasil parabenizou o
Primeiro Ministro Singh pela organização da
IV Cúpula do BRICS, bem como dos eventos

que culminaram com o encontro dos Chefes de
Estado. Brasil e índia manifestam sua satisfação
com o crescente dinamismo do agrupamento
BRICS e com os importantes consensos
alcançados na IV Cúpula. Com grande satisfação
constatam que o escopo da cooperação intra-
BRICS se amplia constantemente, e que os cinco
países convergem sobre importantes temas da
agenda internacional.
  26. Os dois Chefes de Governo salientaram a
importância da atuação conjunta dos dois países
no âmbito do G20 e de outros foros econômicos
internacionais. à luz da atual situação da
economia global, que apresenta crescimento
desigual, moderado e ainda sujeito a riscos, os
esforços de Brasil e India para combinar políticas
financeiras e monetárias, com crescimento
inclusivo e geração de emprego, tornam-se
cada vez mais relevantes. Também ressaltaram
a importância da pronta implementação das
reformas acordadas na estrutura de governança
das instituições financeiras internacionais.
Tais reformas devem levar em consideração a
crescente influência das economias dos países.
  27. Os líderes reafirmaram o compromisso
com a reforma das Nações Unidas,
particularmente a do Conselho de Segurança,
por meio da sua expansão nas categorias de
membros permanentes e não-permanentes,
com aumento da representação de países
em desenvolvimento em ambas, de forma a
aumentar sua representatividade e legitimidade,
e para que possa melhor responder aos desafios
contemporâneos enfrentados pela comunidade
internacional. Os Líderes reiteraram o apoio
mútuo à aspiração de seus países por assento
permanente em um CSNU reformado.
  28. Os Líderes clamaram pelo aprimoramento
dos procedimentos do Conselho de Segurança de
forma a monitorar e avaliar a maneira pela qual
as resoluções são interpretadas e implementadas.
Nesse sentido, apóiam a ideia de que o conceito
de Responsabilidade ao Proteger (RwP) deve




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	117




ser discutido de forma aprofundada nas Nações
Unidas.
  29. A respeito do Oriente Médio e Norte da
áfrica, os dois Chefes de Governo expressaram
seu apoio ao movimento em prol de maior
democracia, crescimento econômico inclusivo,
dignidade humana e justiça social na região.
  30.	Ambos	expressaram	profunda
preocupação com a deterioração da situação
na Síria e demandaram a cessação imediata da
violência, a qual condenam veementemente.
Salientaram que um processo político pacífico e
liderado pelos sírios é essencial para a resolução
da crise atual. Também saudaram a designação
do ex-Secretário-Geral das Nações Unidas,
kofi annan, como enviado especial Conjunto
da ONU e da Liga árabe para a Crise Síria e
apoiaram seus osforços para encontrar uma
solução pacífica.
  31. Ambos os Líderes sublinharam a
necessidade	urgente	de	solução	justa	e
duradoura para o conflito israelo-Palestino.
Brasil e índia reiteraram seu apoio a um Estado
Palestino soberano, independente, democrático
e economicamente viável, tendo Jerusalém
Oriental como sua capital, dentro das fronteiras
de 1967, convivendo em paz e segurança com
Israel. Considerando que a questão da Palestina
é possivelmente o desafio mais complexo
na agenda internacional de paz e segurança,
consideraram ser necessário maior envolvimento
do Conselho na busca por uma solução para o
conflito.
  32. A Presidenta do Brasil e o Primeiro-
Ministro	da	índia	consideram	que	o
desenvolvimento sustentável é o principal
paradigma para o crescimento econômico
inclusivo, a igualdade social e a conservação
ambiental, em cumprimento aos Princípios do
Rio a esse respeito. Salientaram que a economia
verde deve contribuir para que sejam alcançadas
as metas de erradicação da pobreza, segurança
alimentar e crescimento sustentável, inclusivo,

igualitário e gerador de empregos. Os Líderes
destacaram a coordenação de seus países, no
grupo BASIC, a respeito de negociações sobre
mudanças no clima, que teve papel importante
em 2011 para os resultados positivos da
Conferência das Partes (COP 17) da Convenção-
Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do
Clima, em Durban, em 2011.
  33. ambos os líderes reafirmaram seu apoio
mútuonoquedizrespeitoaosimportanteseventos
da agenda ambiental que terão lugar na índia e
no Brasil em 2012: a 11ª Conferência das Partes
(COP-11) da Convenção sobre Diversidade
Biológica, que terá lugar em outubro de 2012, em
Hyderabad, India; e a Conferência das Nações
Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável
(Rio+20). Nesse contexto, destacaram que a
Conferência Rio+20 representa oportunidade
única para a comunidade internacional garantir
comprometimento político renovado em relação
ao desenvolvimento sustentável. A Presidenta
Dilma Rousseff reiterou o convite para que o
Primeiro-Ministro Manmohan Singh participe
da Rio+20, que ocorrerá entre 20 e 22 de junho
de 2012, no Rio de Janeiro.
  34. A Presidenta da República Federativa
do Brasil agradeceu ao Primeiro-Ministro da
República da índia pela calorosa hospitalidade
estendida a ela e a sua delegação. Convidou o
Primeiro-Ministro Manmohan Singh a visitar o
Brasil em data mutuamente conveniente a ser
acordada pelos canais diplomáticos.
  Nova Delhi, 30 de março de 2012.
   
   ATOS ASSINADOS POR OCASIãO DA
      VISITA OFICIAL DA PRESIDENTA
     DILMA ROUSSEFF à íNDIA - NOVA
         DELHI, 30 DE MARçO DE 2012
                            02/04/2012
  1- PROGRAMA DE COOPERAçãO
CIENTíFICA E TECNOLóGICA ENTRE O




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




MINISTéRIO DA CIêNCIA E TECNOLOGIA
DAREPúBLICADAíNDIAE O MINISTéRIO
DA CIêNCIA, TECNOLOGIA E INOVAçãO
DA REPúBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
(2012-14)
  2- MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
SOBRE COOPERAçãO TéCNICA ENTRE O
GOVERNO DA REPúBLICA FEDERATIVA
DO BRASILE O GOVERNO DAREPúBLICA
DA íNDIA
  3- MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE	A	COORDENAçãO	GERAL
DE	ACREDITAçãO	DO	INSTITUTO
NACIONAL	DE	METROLOGIA,
QUALIDADE E TECNOLOGIA  CGCRE/
INMETROEONATIONALACCREDITATION
BOARD FOR CERTIFICATION BODIES 
NABCB
  4- MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE O GOVERNO DA REPúBLICA
FEDERATIVADOBRASILEOGOVERNODA
REPúBLICA DA íNDIA EM COOPERAçãO
NA áREA DE BIOTECNOLOGIA
  5- MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE O MINISTéRIO DAEDUCAçãO DA
REPúBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, O
MINISTéRIO DA CIêNCIA, TECNOLOGIA
E	INOVAçãO	DA	REPúBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E O MINISTéRIO
DE DESENVOLVIMENTO DE RECURSOS
HUMANOS DA REPúBLICA DA íNDIA NO
ÂMBITO DO PROGRAMA BRASILEIRO
CIêNCIA SEM FRONTEIRAS, RELATIVO
à	RECEPçãO	DE	ESTUDANTES
BOLSISTAS BRASILEIROS NA íNDIA
  6	-	PROGRAMA	EXECUTIVO	DE
INTERCÂMBIOS CULTURAIS ENTRE O
GOVERNO DA REPúBLICA FEDERATIVA
DO BRASILE O GOVERNO DAREPúBLICA
DA íNDIA PARA O PERíODO 2012-2014
  7 - DECLARAçãO DE INTENçõES
PARA A PROMOçãO DA IGUALDADE DE
GêNERO E A PROMOçãO DOS DIREITOS

DA MULHER E DA CRIANçA

      ELEIçõES PARLAMENTARES EM
                          MYANMAR
                            05/04/2012
                               
  O Governo brasileiro tomou conhecimento, com
satisfação, da realização das eleições parlamentares
realizadas em 1º de abril último, em Myanmar,
transcorridas em ambiente de normalidade.
  Ao saudar o Governo de Myanmar por esse
importante passo em seu processo de transição
democrática, o Governo brasileiro reitera sua
disposição de contribuir para os esforços de
conciliação nacional e de desenvolvimento de
Myanmar.

                  SITUAçãO NO MALI
                            05/04/2012
                               
  O Governo brasileiro segue acompanhando
com preocupação a situação no Mali desde o
último dia 22 de março, quando uma sublevação
militar levou à ruptura da ordem constitucional
naquele país.
  O Governo brasileiro apoia os esforços da
Comunidade Econômica dos Estados da áfrica
Ocidental (CEDEAO) no sentido de fomentar
diálogo pacífico que possibilite o retorno do mali
à normalidade institucional  dentre os quais,
a designação do Presidente de Burkina Faso,
Blaise Compaoré, para atuar como mediador da
organização junto às partes do conflito.

        VISITA DA PRESIDENTA DILMA
    ROUSSEFF AOS ESTADOS UNIDOS -
    WASHINGTON E BOSTON, 9 E 10 DE
                       ABRIL DE 2012
                            05/04/2012

                               
                               

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	119




   A visita da Presidenta Dilma Rousseff aos
Estados Unidos, dias 9 e 10 de abril, permitirá
aprofundar a parceria Brasil-EUA, além de
avançar o diálogo bilateral mantido desde a
visita do Presidente Barack Obama ao Brasil,
em março de 2011.
  Figuram com proeminência na agenda
do encontro temas relacionados a comércio,
investimentos, ciência e tecnologia, inovação,
cooperação educacional e energia, além de
assuntos da agenda regional e global.
  Em Washington, dia 9, a Presidenta Dilma
Rousseff se reunirá com o Presidente Barack
Obama, participará do Fórum Brasil-EUA de
Altos Empresários (CEO Forum) e fará o
encerramento	do	Seminário	Brasil-EUA:
Parceria para o Século XXI. O Seminário reunirá
representação expressiva das comunidades
empresarial, acadêmica e governamental dos
dois países.
  Dia	10	de	abril,	em	Cambridge
(Massachusetts),	a	Presidenta	visitará	o
Massachusetts Institute of Technology (MIT),
ocasião em que manterá encontros com
a comunidade acadêmica e científica, e a
Universidade de Harvard, onde terá encontro
com bolsistas brasileiros selecionados pelo
programa Ciência sem Fronteiras. Em Boston,
a Presidenta se encontrará com Governador de
Massachusetts, Deval Patrick.
  Brasil e EUA possuem vinte e quatro
mecanismos bilaterais de diálogo, coordenação
e consulta em nível ministerial, três dos quais
considerados prioritários: o Diálogo de Parceria
Global (MRE/Departamento de Estado); o
Diálogo Econômico e Financeiro (Fazenda/
Tesouro) e o Diálogo Estratégico sobre Energia
(MME/Departamento de Energia).
  Os Estados Unidos foram o 2º principal
parceiro comercial brasileiro em 2011, após
a China. Entre 2007 e 2011, o intercâmbio
comercial brasileiro com o país cresceu 37%,
passando de US$ 44 bilhões para US$ 60 bilhões.

A participação dos Estados Unidos no comércio
exterior brasileiro foi de 12,4%, em 2011. Em
janeiro e fevereiro de 2012, o intercâmbio
comercial com o Brasil aumentou em 20% em
relação ao mesmo período de 2011, evoluindo
de US$ 7,9 bilhões para US$ 9,5 bilhões. As
exportações brasileiras cresceram em 38% e as
importações, em 6%, no mesmo período.
  Em 2011, o Brasil foi a 6ª maior fonte de
visitantes para os EUA (após Canadá, México,
Japão, Reino Unido e Alemanha) e os EUA a
segunda maior fonte de visitantes para Brasil
(atrás apenas da Argentina).

        COMUNICADO CONJUNTO DO
   PRESIDENTE BARACK OBAMA E DA
      PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF -
    WASHINGTON, 9 DE ABRIL DE 2012
                            09/04/2012
  A convite do Presidente Barack Obama, a
Presidenta dilma rousseff realizou visita oficial
aos Estados Unidos em 9 de abril de 2012 para
tratar do estado do relacionamento entre os dois
países em amplo leque de assuntos de natureza
bilateral, regional e multilateral. Os dois líderes
manifestaram sua satisfação com a parceria
construtiva e equilibrada, baseada nos valores
comuns e confiança mútua que existem entre
os dois países, as duas maiores democracias e
economias das Américas.
  Para a formação de uma Parceria Estados
Unidos-Brasil para o século XXI, os líderes
passaram em revista o progresso dos principais
diálogos elevados ao nível presidencial em
março de 2011  o Diálogo Econômico e
Financeiro, o Diálogo de Parceria Global e o
Diálogo Estratégico de Energia. Com vistas a
contribuir para a Parceria do Século XXI, os
Presidentes determinaram a criação de novo
Diálogo de Cooperação em Defesa entre seus
Ministros da Defesa, que também se reportará




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




regularmente aos Presidentes. Saudaram o
trabalho e reconheceram a importância de outras
numerosas interações e consultas entre seus
governos para aprimorar a cooperação bilateral.
  Coincidiram	sobre	a	importância	das
contribuições da sociedade civil e do setor
privado para criar as bases para a Parceria Estados
Unidos-Brasil. Os Presidentes participaram do
Fórum de Altos Executivos, sublinhando o papel
importante que o setor privado desempenha
no relacionamento comercial, e saudaram as
atividades da conferência Parceria Estados
Unidos-Brasil para o Século XXI, realizada
em 9 de abril de 2012, em Washington, centrada
em comércio e investimento, energia, inovação,
competitividade e educação.
  Os líderes enfatizaram que parcerias entre
governos estaduais e locais contribuem para
promover a amizade e o entendimento entre seus
países e para a promoção de objetivos nacionais
compartilhados. Saudaram a assinatura do
Memorando de Entendimento para Apoiar
Cooperação Estadual e Local, estimulando
entidades subnacionais a unir esforços para
alcançar objetivos em áreas de interesse comum
que complementem o fortalecimento das
relações bilaterais Estados Unidos-Brasil, tais
como comércio e investimento, oportunidade
econômica, ciência, tecnologia e inovação,
inclusão social, sustentabilidade ambiental e a
preparação para a Copa do Mundo da FIFA de
2014, os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de
2016 e outros megaeventos.
  Os	líderes	destacaram	as	importantes
tratativas que têm ocorrido no marco do Diálogo
Econômico e Financeiro (DEF). Os Presidentes
manifestaram sua satisfação com a ampliação do
foco do DEF para infraestrutura e investimentos
nos dois países e saudaram a criação do diálogo
sobre investimento no âmbito do Acordo
de Comércio e Cooperação Econômica. Os
líderes ressaltaram igualmente a importância
do Diálogo Comercial e do Diálogo de Parceria

Econômica entre os dois países. O Presidente
Obama anunciou a visita ao Brasil do Conselho
Presidencial de Exportações em setembro de
2012 e a Presidenta Rousseff salientou que
serão organizadas missões setoriais comerciais
de alto nível para os Estados Unidos, em áreas
como serviços de alimentação, tecnologia de
informação, saúde e maquinaria.
  A Presidenta Rousseff sublinhou a
importância do investimento em infraestrutura
 inclusive tendo em vista a próxima Copa do
Mundo da FIFA de 2014 e dos Jogos Olímpicos
e Paraolímpicos de 2016  assim como no setor
de energia, em particular o desenvolvimento de
tecnologia e capacidade produtiva no Brasil.
  Saudaram o crescimento da relação em
comércio e investimentos entre Estados Unidos
e Brasil, ilustrada pelo recorde de US$ 74 bilhões
de fluxo de comércio em 2011. enfatizaram,
ainda, a importância dos benefícios mútuos
de estimular o aumento do comércio e dos
investimentos. Reiteraram seu compromisso
com o sistema multilateral de comércio e
com o trabalho conjunto para garantir que a
Organização Mundial do Comércio contribua
para o crescimento econômico global e
para a criação de empregos. Os Presidentes
reafirmaram o compromisso de ambos os
países em promover o comércio de serviços e
bens manufaturados e reforçar a cooperação em
política e pesquisa agrícolas, medidas sanitárias
e fitossanitárias com base científica, assim
como em se empenhar, nos foros bilaterais e
multilaterais, para a remoção de barreiras ao
comércio de produtos agrícolas.
  Realçaram a educação como uma prioridade
estratégica de importância crescente para
fortalecer e apoiar todos os aspectos da parceria
EUA-Brasil, particularmente em ciência,
tecnologia, inovação e competitividade.
Reconhecendo as vantagens econômicas,
para ambos os países, de incrementar os
contatos entre norte-americanos e brasileiros,




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	121




os Presidentes saudaram o dinamismo e o
apoio obtidos pelas iniciativas de intercâmbio
100.000 nas Américas, norte-americana, e
Ciência sem Fronteiras, brasileira. Exaltaram
o início das atividades do primeiro grupo de
estudantes e pesquisadores participantes do
programa Ciência sem Fronteiras, e esperam
receber milhares de outros estudantes em ambos
os países.
  OsPresidentessaudaramoapoiodoVIIFórum
de Altos Executivos às iniciativas 100.000 nas
Américas e Ciência sem Fronteiras, assim
como suas recomendações conjuntas e seu
compromisso com um maior engajamento para
fortalecer o ambiente de negócios, aumentar o
comércio e os investimentos bilaterais, melhorar
a infraestrutura, reforçar o empoderamento
econômico das mulheres, encorajar a cooperação
em energia e aviação e acompanhar o progresso
em direção àqueles objetivos.
  No contexto do Diálogo Econômico e
Financeiro, os Presidentes discutiram uma
maior colaboração no âmbito das instituições
financeiras internacionais e, com a perspectiva
da Cúpula do G-20 no México, para a redução
dos desequilíbrios globais, para a promoção
da estabilidade e inclusão financeiras, e para
a criação de condições para um crescimento
robusto, sustentado e equilibrado. Ressaltaram
a necessidade de aprofundar a reforma das
instituições financeiras internacionais, as quais
precisam refletir as novas realidades econômicas
e, nesse sentido, sublinharam a importância de
trabalharem conjuntamente nas reformas das
cotas e da governança do Fundo Monetário
Internacional.
  Saudaram a consolidação do G-20 como o
mais alto foro para a coordenação de políticas
econômicas internacionais e reafirmaram o papel
do G-20 na promoção de medidas de incentivo
ao crescimento inclusivo, à criação de empregos
e à superação dos desequilíbrios globais.
Recomendaram que os altos representantes dos

dois países no G-20 continuem a manter consultas
bilaterais regulares. Notaram a persistência das
incertezas na economia internacional, ao mesmo
tempo em que ressaltaram os importantes passos
recentemente adotados pelos formuladores de
políticas na Europa. Saudaram os continuados
sinais de recuperação econômica nos Estados
Unidos. Os líderes também ressaltaram a
oportunidade para cooperação mais estreita nos
bancos de desenvolvimento multilaterais.
  Os Presidentes notaram a convergência de
posições a respeito da aplicação do Regime
de Comércio de Emissões (ETS) da União
Européia sobre o transporte aéreo internacional.
Enfatizaram ainda que questões relacionadas às
emissões da aviação civil internacional devem
ser resolvidas multilateralmente.
  Os Presidentes sublinharam a importância
da próxima Conferência das Nações Unidas
sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20),
no Brasil, como oportunidade para promover
o desenvolvimento sustentável por meio da
inovação e do amplo engajamento das partes
interessadas. Enfatizaram a importância de
ampla participação no Segmento de Alto Nível
da Conferência, de 20 a 22 de junho de 2012. Em
apoio a esta cooperação ampliada, reconheceram
progressos na mobilização de investimentos em
infraestrutura inteligente e sustentável no Rio de
Janeiro e na Filadélfia, no âmbito da iniciativa
Conjunta EUA-Brasil em Sustentabilidade
Urbana.
  Os líderes elogiaram o fortalecimento
do diálogo Estados Unidos-Brasil em
desenvolvimento sustentável e saudaram a
adoção de um Memorando de Entendimento
entre a Agência de Proteção Ambiental e o
Ministério do Meio Ambiente, com foco em
avaliação de impacto ambiental, análise de
risco, inclusão social e justiça ambiental. Os
líderes também elogiaram a assinatura de um
Memorando de Entendimento sobre Moradias
Sustentáveis e Desenvolvimento Urbano para




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




estimular esforços cooperativos e aprofundar
o intercâmbio de aprendizagem no campo da
habitação sustentável e desenvolvimento urbano
em apoio à Parceria das Américas em Clima e
Energia (EPCA).
  Saudaram os resultados da 17ª Conferência
das Partes da Convenção-Quadro das Nações
Unidas sobre Mudança Climática realizada em
Durban, em dezembro de 2011, que alcançou um
resultado abrangente e equilibrado. Sublinharam
ainda a importância do sistema multilateral no
tratamento da mudança do clima por meio da
implementação eficaz dos resultados de durban.
  Os líderes elogiaram a assinatura do
Memorando de Entendimento sobre a Parceria
em Aviação, bem como o progresso feito em
direção à facilitação de um maior fluxo turístico
e de viajantes entre seus países ao mesmo tempo
em que é mantida e melhorada a segurança
em suas fronteiras. Notaram que a Parceria
Estados Unidos-Brasil em Aviação promoverá
cooperação	bilateral	em	infraestrutura,
transporte aéreo e tráfego aéreo, o que contribuirá
para	o	crescimento,	competitividade	e
desenvolvimento socioeconômico em ambos os
países. Essa cooperação pode incluir áreas como
intercâmbio de melhores práticas, pesquisa e
desenvolvimento, inovação, novas tecnologias,
sustentabilidade, treinamento, logística, cadeias
produtivas e outros tópicos.
  Os Presidentes revisaram a implementação
de medidas para facilitar o fluxo de turistas e
executivosentreosdoispaíses.Comprometeram-
se a trabalhar em estreita colaboração para
atender aos requisitos do Programa de Dispensa
de Vistos dos Estados Unidos e da legislação
brasileira aplicável, de maneira a possibilitar que
cidadãos dos EUA e do Brasil viajem entre os
dois países sem necessitar de visto. Discutiram
o programa-piloto Global Entry e elogiaram
os esforços de ambos os Governos para facilitar
viagens, para o benefício de seus respectivos
cidadãos. O Presidente Obama recordou sua

instrução de que seja acelerada em 40% neste ano
a capacidade dos Estados Unidos de processar
vistos no Brasil, bem como o recente anúncio
do Departamento de Estado de sua intenção de
abrir novos consulados em Belo Horizonte e
Porto Alegre.
  Expressaram sua satisfação com o avanço
de um projeto-piloto de Green-Lane em
transporte aéreo de cargas, destinado à adoção
de um amplo programa de reconhecimento
mútuo de operadores econômicos autorizados,
para facilitar o comércio entre os dois países.
  Os Presidentes saudaram a adoção do Plano
de Ação Estados Unidos-Brasil em Cooperação
em Ciência e Tecnologia, que reflete o resultado
da reunião de março de 2012 da Comissão Mista
em Ciência e Tecnologia (CMCT) e ressaltaram
a criação de um grupo de trabalho em inovação
para explorar o papel da inovação na promoção
da competitividade e criação de empregos.
A CMCT também abordou a cooperação em
ciências do mar, tecnologia e observação,
prevenção e mitigação de desastres, ciência
básica, padrões de medidas, inclusive para
biocombustíveis avançados, e a importância do
acesso aos dados do Sistema de Observação da
Terra. Também saudaram as discussões sobre
saúde, biomedicina e ciências da vida, mulheres
na ciência e nanotecnologia, durante a III CMCT.
  Os líderes ressaltaram a importância da
cooperação espacial bilateral e instruíram as
agências apropriadas a examinar a viabilidade
de desenvolver projetos espaciais conjuntos.
Tomaram nota da recente reunião em Brasília
do Diálogo de Segurança Espacial.
  Ressaltaram a crescente importância de
assuntos relacionados à Internet e às tecnologias
de informação e comunicação (TICs), bem
como a necessidade de aprofundar discussões e
aumentar a cooperação entre os Estados Unidos
e o Brasil em assuntos tão vitais para suas
economias e sociedades. Notaram com apreço a
duradoura colaboração nessas áreas e saudaram




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	123




o estabelecimento de novo mecanismo para
consultas em temas como governança da
Internet, políticas para Internet/TICs e segurança
cibernética.
  Os Presidentes conversaram detidamente
sobre temas globais e saudaram o continuado
progresso do Diálogo de Parceria Global
(DPG). Saudaram os avanços em cooperação
educacional, científica e trilateral no âmbito do
DPG. Os líderes assinalaram seu compromisso
de promover democracia, respeito aos direitos
humanos, conscientização cultural e inclusão
socioeconômica no mundo.
  Os Presidentes concordaram que, da mesma
forma que outras organizações internacionais
precisaram mudar para se tornarem mais aptas
a responder aos desafios do Século XXi, o
Conselho de Segurança das Nações Unidas
(CSNU) também precisa ser reformado, e
expressaram seu apoio a uma expansão limitada
do Conselho de Segurança que aprimore
suas efetividade e eficiência, bem como sua
representatividade.	O	Presidente	Obama
reafirmou seu apreço à aspiração do Brasil de
tornar-se membro permanente do Conselho de
Segurança e reconheceu as responsabilidades
globais assumidas pelo Brasil. Os dois líderes
concordaram em manter consulta e cooperação
contínuas entre os dois países com vistas a
alcançar a visão delineada na Carta das Nações
unidas de um mundo mais pacífico e seguro.
  Ao	trocar	impressões	sobre	recentes
desafios na África e no Oriente médio, os
Presidentes ressaltaram a importância de
esforços cooperativos para produzir resolução
de conflitos que seja sustentável e contribua
para a paz e a estabilidade. Manifestaram seu
compromisso de apoiar, com urgência, soluções
multilaterais abrangentes e duradouras para as
prementes questões e crises globais atuais.
  Os líderes reafirmaram seu compromisso
com a transparência e a prestação de contas dos
Governos e com o engajamento dos cidadãos

como elementos-chave para o fortalecimento
da democracia, dos direitos humanos e da boa
governança, bem como para a prevenção da
corrupção. Celebraram o lançamento conjunto
da Parceria sobre Governo Aberto (PGA),
em Nova York, no último mês de setembro,
saudaram a estreita colaboração dos dois países
como co-presidentes da Parceria e discutiram a
próxima reunião da PGA em Brasília, durante
a qual mais de quarenta novos países deverão
lançar seus Planos de Ação Nacionais com
novos compromissos concretos para combater
a corrupção, promover a transparência e
desenvolver novas tecnologias para empoderar
seus cidadãos.
  O Presidente Obama felicitou a Presidenta
Rousseff pela promulgação da Lei de Liberdade
da Informação no Brasil e por seu papel de
liderança regional e global, no engajamento da
sociedadecivilenaatraçãodegrupodiversificado
de países para a segunda reunião de alto nível da
PGA. A Presidenta Rousseff também felicitou o
Presidente Obama pela implementação do plano
de ação dos EUA na PGA, incluindo o recente
lançamento do Ethics.gov e da nova iniciativa
Green Button, que garante aos consumidores
acesso sobre seus próprios dados de consumo de
energia.
  Os líderes também revisaram e notaram
os progressos alcançados em sua cooperação
trilateral para o desenvolvimento na América
Latina, no Caribe e na áfrica, em temas como
segurança alimentar, energia, agricultura, saúde,
trabalho decente e cooperação humanitária. Os
líderes recordaram o trabalho em colaboração já
desenvolvido e determinaram maiores esforços
na área de cooperação trilateral em segurança
alimentar. Saudaram a assinatura de acordo
sobre atividades de cooperação técnica para
aprimorar a segurança alimentar em terceiros
países.
  Encorajaram maior cooperação trilateral em
segurança e saudaram o recente lançamento




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




do projeto-piloto de sistema de monitoramento
integrado para a redução do cultivo de coca na
Bolívia.
  Os Presidentes elogiaram a cooperação
promovida pelo Plano de Ação Conjunta
para a Promoção da Igualdade étnico-Racial
e Promoção da Igualdade Racial nas áreas
de saúde, justiça ambiental, acesso à Justiça,
educação e empreendedorismo na área de
megaeventos esportivos. Notaram que, à medida
que suas economias crescem, é importante que os
benefícios alcancem todos os setores, incluindo
crianças e idosos e grupos historicamente
vulneráveis como mulheres, afrodescendentes,
povos indígenas, deficientes físicos e pessoas
LGBT. Também saudaram a colaboração
adicional sobre o tema LGBT nos fóruns
multilaterais de direitos humanos. Ressaltaram
o progresso na cooperação bilateral para a
igualdade de gêneros e o avanço na condição
da mulher, incluindo os esforços voltados para
maior participação política e econômica das
mulheres na área de ciência e tecnologia, bem
como a priorização da prevenção e combate à
violência baseada em gênero, em nível global.
  Os Presidentes reafirmaram o compromisso
de ambos os países com a conclusão de um
instrumento internacional efetivo na Organização
Mundial da Propriedade Intelectual que assegure
que os direitos autorais não sejam uma barreira
ao acesso igualitário à informação, à cultura e à
educação para pessoas com deficiência visual e
pessoas com deficiência para leitura.
  Expressaram	sua	satisfação	com	o
resultado propiciado pelo diálogo a propósito
da Convenção da Haia sobre Aspectos Civis
do Seqüestro Internacional de Crianças na
implementação desse instrumento nos Estados
Unidos e no Brasil.
  Os líderes expressaram seu apoio ao tema
da próxima Cúpula das Américas, Conectando
as Américas: Parceiros para a Prosperidade, a
qual tem como foco o papel da integração física,

cooperação regional, pobreza e desigualdades,
segurança cidadã, desastres e acesso a
tecnologias como meios para alcançar níveis
superiores de desenvolvimento e superar os
desafios das américas.
  Os Chefes de Estado discutiram a
importância de progresso econômico
continuado e estabilidade política no Haiti,
incluindo a formação de um novo governo e a
realização tempestiva de eleições. Sublinharam
os resultados alcançados pela Missão das
Nações Unidas para Estabilização no Haiti e
encorajaram o governo do Haiti a trabalhar para
o fortalecimento da governança e do estado de
direito. Encorajaram também o Haiti a continuar
a buscar o desenvolvimento da Polícia Nacional
Haitiana. Com vistas a promover novas parcerias
público-privadas para o setor energético do
Haiti, os líderes comprometeram-se a trabalhar
com o governo do Haiti no desenvolvimento
e implementação de um plano nacional de
energia, incluindo seus planos de modernização
dos serviços elétricos e de desenvolvimento
de novas fontes renováveis de energia, como
a Hidrelétrica Artibonite 4C, para garantir
suprimento de energia para o desenvolvimento
futuro do Haiti.
  Os Presidentes tomaram nota do lançamento
do Diálogo Estratégico em Energia (DEE)
com significativa colaboração entre os órgãos
responsáveis dos dois países. Sublinharam a
cooperação crescente em petróleo e gás natural,
biocombustíveis, energia renovável e eficiência
energética, ciência e energia limpa. Ao ressaltar
a importância do desenvolvimento destes
recursos-chave para a segurança energética
global, os líderes instruíram seus governos
a buscar maiores oportunidades de trabalho
com parceiros do setor de maneira a contribuir
para estabilizar os mercados de petróleo e gás,
aumentando o acesso à energia, aprofundando
e promovendo o desenvolvimento e uso de
tecnologias de energia limpa, renovável e de




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	125




baixo uso de carbono.
  Os líderes tomaram nota da importância de
uma colaboração mais ampla em matéria de
exploração de petróleo e gás; em particular da
produção segura, limpa e eficiente das reservas
de petróleo e gás de seus países. Enfatizaram seu
compromisso em proporcionar oportunidades
para incentivar empresas a investir em produção
e a compartilhar tecnologias e experiências para
desenvolver capacidades no setor de petróleo
e gás. Realçaram a importância de que seus
governos e indústrias compartilhem informações
sobre	melhores	práticas,	inclusive	sobre
desenvolvimento de gás não-convencional e
por meio da colaboração técnica em andamento
sobre operações de petróleo e gás em águas
profundas.
  Os líderes se comprometeram a continuar
a avançar na colaboração de seus países em
pesquisa, desenvolvimento e sustentabilidade
de	tecnologia	de	bioenergia;	incluindo
biocombustíveis para aviação e cooperação
em terceiros países, como a promoção de
capacidades na áfrica Ocidental no âmbito da
Parceria Global de Bioenergia. Exaltaram os
esforços conjuntos que resultaram na conclusão
da primeira fase dos estudos de viabilidade para
produção de bioenergia em terceiros países no
âmbito do Memorando de Entendimento para
Avançar a Cooperação em Biocombustíveis.
  Os Presidentes realçaram a importância de
sua cooperação regional em energia renovável
por meio da identificação de potenciais recursos
financeiros de organizações multilaterais. em
relação a eficiência energética, comprometeram-
se a apoiar esforços regionais para aumentar a
cooperação no setor de energia e incrementar
a colaboração sob os auspícios da Parceria em
Energia e Clima das Américas.
  Como parte dos diálogos presidenciais, os
líderes determinaram o estabelecimento de um
Diálogo de Cooperação em Defesa (DCD) e
anunciaram sua primeira reunião para o dia 24

de abril, no Brasil. Tomaram nota da importância
de um diálogo aprimorado para permitir uma
cooperação bilateral em defesa mais próxima
entre os dois países, baseada no respeito mútuo
e na confiança. Observaram também que o
DCD servirá como um foro para o intercâmbio
de visões e para identificar oportunidades de
colaboração em assuntos de defesa no mundo.
  Reiteraram a forte determinação dos dois
países em apoiar esforços internacionais para o
desarmamento e a não-proliferação, com vistas
a alcançar a paz e a segurança em mundo sem
armas nucleares. A esse respeito, expressaram
apoio ao ciclo de revisão do Tratado de Não-
Proliferação Nuclear (TNP) e aos objetivos
identificados no Plano de ação adotado pela
VIII Conferência de Revisão do TNP, que inclui
a entrada em vigor do Tratado Abrangente para
o Proibição Completa de Testes Nucleares
(CTBT), o início de negociações de um tratado
para proibir a produção de materiais físseis para
armas nucleares ou outros propósitos explosivos,
e iniciativas correlatas. decidiram intensificar
a cooperação bilateral e multilateral na área de
proteção física e segurança nuclear, bem como
no uso de energia nuclear para fins pacíficos.

      ATOS ASSINADOS POR OCASIãO
    DA VISITA DA PRESIDENTA DILMA
  ROUSSEFF AOS ESTADOS UNIDOS DA
 AMéRICA - WASHINGTON, 9 DE ABRIL
                             DE 2012
                            09/04/2012
                               
  1 - MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
SOBRE A PARCERIA EM AVIAçãO
ENTRE O GOVERNO DA REPúBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO
DOS ESTADOS UNIDOS DA AMéRICA
  2 - MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE O GOVERNO DA REPúBLICA




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO
DOS ESTADOS UNIDOS DA AMéRICA
PARA	APOIAR	A	COOPERAçãO
ESTADUAL E LOCAL
  3 - MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE O GOVERNO DA REPúBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO
DOS ESTADOS UNIDOS DA AMéRICA
SOBRE	A	IMPLEMENTAçãO	DE
ATIVIDADES	DE	COOPERAçãO
TéCNICA EM TERCEIROS PAíSES PARA A
MELHORIADASEGURANçAALIMENTAR
  4	-	REUNIãO	DA	COMISSãO
MISTA	BRASIL-ESTADOS	UNIDOS
SOBRE COOPERAçãO CIENTíFICA E
TECNOLóGICA (12-13 DE MARçO DE
2012)
  5 - MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE O MINISTéRIO DAS CIDADES
DA	REPúBLICA	FEDERATIVA	DO
BRASIL	E	O	DEPARTAMENTO	DE
HABITAçãO	E	DESENVOLVIMENTO
URBANO DOS ESTADOS UNIDOS DA
AMéRICA NOS CAMPOS DA HABITAçãO
E DO DESENVOLVIMENTO URBANO
SUSTENTáVEIS
  6	-	RECONHECIMENTO	MúTUO
DA	CACHAçA	COMO	PRODUTO
TIPICAMENTE BRASILEIRO E DO UíSQUE
BOURBON/TENNESSEE COMO PRODUTO
TIPICAMENTE ESTADOUNIDENSE

    FALECIMENTO DO PRESIDENTE DA
   REPúBLICA DO MALáUI, BINGU WA
                         MUTHARIKA
                            10/04/2012
                               
  O	Governo	brasileiro	apresenta	suas
sinceras condolências ao Governo e ao povo da
República do Maláui pelo falecimento, em 5 de
abril último, do Presidente Bingu wa Mutharika.
  O Brasil saúda a observância do processo de

sucessão previsto na Constituição do Maláui, que
levou a Vice-Presidente Joyce Banda a assumir
a Presidência, no último sábado, tornando-se a
primeira mulher a liderar aquele país.

          VI CúPULA DAS AMéRICAS -
   CARTAGENA DAS íNDIAS, 14 E 15 DE
                       ABRIL DE 2012
                            12/04/2012
                               
  A Presidenta Dilma Rousseff participará, em
14 e 15 de abril, da VI Cúpula das Américas, em
Cartagena das índias, Colômbia. A Cúpula terá
como tema Conectando as Américas: Sócios
para a Prosperidade, com ênfase em pobreza
e desigualdade; gestão e redução de risco de
desastres; acesso e utilização de tecnologias;
segurança cidadã e delinquência organizada
transnacional; e integração física regional.
  Na manhã do dia 14 de abril, a Presidenta
participará, junto aos Presidentes da Colômbia,
JuanManuelSantos,edosEstadosUnidos,Barack
Obama, do painel Comércio e Investimentos, no
âmbito da Cúpula Empresarial das Américas,
evento que precederá a Cúpula das Américas.

        VISITA DA PRESIDENTA DILMA
ROUSSEFF à COLôMBIA - CARTAGENA
     DAS íNDIAS, 15 DE ABRIL DE 2012
                            12/04/2012
                               
  A Presidenta Dilma Rousseff manterá
encontro com o Presidente da Colômbia, Juan
Manuel Santos, em Cartagena das índias, no dia
15 de abril, após o encerramento da VI Cúpula
das Américas.
  Os Presidentes examinarão formas de
estimular o comércio e o investimento entre os
dois países e de aprofundar a cooperação em
áreas como bioenergia, defesa, saúde, cultura,
educação, ciência e tecnologia. Tratarão,




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	127




também, de temas da agenda regional e global.
  Na sequência do encontro presidencial, o
Brasil será o país homenageado na Feira do
Livro de Bogotá de 2012, com a participação
da Ministra da Cultura, Ana de Hollanda, na
abertura da Feira no dia 16.
  Os estudantes colombianos são os maiores
receptores das bolsas oferecidas pelo Brasil no
marco dos Programas do Convênio de Graduação
e de Pós-Graduação (PEC-G e PEC-PG).
  Em 2011, a corrente de comércio aumentou
17%, em relação ao ano anterior, totalizando
US$3,9 bilhões. No mesmo período, as
exportações brasileiras cresceram 17,36%, e as
importações, 28,7%. O estoque de investimentos
brasileiros na Colômbia é estimado, hoje, em
US$ 2,5 bilhões.

         SITUAçãO NA GUINé-BISSAU
                            12/04/2012
                               
  O Governo brasileiro acompanha, com grave
preocupação, os incidentes violentos ocorridos
hoje na capital da Guiné-Bissau.
  O Brasil se fará representar em reunião
emergencial convocada pela Comunidade dos
Países de Língua Portuguesa (CPLP), que será
realizada amanhã, em Lisboa.
  A Representante Permanente do Brasil junto
às Nações Unidas está em coordenação com os
Embaixadores dos países da CPLP, em Nova
York, com vistas a solicitar o exame da situação
em Bissau pelo Conselho de Segurança da ONU.

   VISITA AO BRASIL DO SECRETáRIO
         DE ESTADO DO REINO UNIDO
          PARA O DESENVOLVIMENTO
INTERNACIONAL, ANDREW MITCHELL
                            13/04/2012
  O Ministro das Relações Exteriores, Antonio

deAguiar Patriota, recebeu ontem o Secretário de
Estado do Reino Unido para o Desenvolvimento
Internacional, Andrew Mitchell, ocasião em
que assinaram carta de intenções para apoiar a
segurança alimentar e nutricional em países de
baixa renda.
  O documento tem por objetivo estabelecer
parcerias entre Brasil e Reino Unido para
projetos de cooperação humanitária internacional
de caráter sustentável, que envolverão o
intercâmbio de experiências e tecnologias 
a exemplo da prática brasileira nas áreas de
segurança alimentar, de segurança nutricional
e de compras locais de alimentos em países em
desenvolvimento.
  O primeiro projeto que será beneficiado por
essa parceria é o Programa de Aquisição Local
de Alimentos desenvolvido pelo Itamaraty, em
conjunto com a Organização das Nações Unidas
para Alimentação e Agricultura (FAO) e com o
Programa Mundial de Alimentos (PMA) e que
atualmente opera em cinco países africanos -
Etiópia, Maláui, Moçambique, Níger e Senegal.

    VISITA AO BRASIL DA SECRETáRIA
    DE ESTADO DOS ESTADOS UNIDOS
    DA AMéRICA, HILLARY CLINTON 
   BRASíLIA, 16 E 17 DE ABRIL DE 2012
                            13/04/2012
  A Secretária de Estado dos Estados Unidos
da América, Hillary Clinton, realizará visita ao
Brasil entre os dias 16 e 17 de abril.
  No dia 16, será recebida pelo Ministro das
Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota,
no contexto da 3ª Reunião do Diálogo de Parceria
Global (DPG) Brasil-Estados Unidos. Criado
em 2010, o DPG envolve encontros anuais para
conferir direcionamento político à coordenação
bilateral em diversas áreas, a exemplo de
educação, ciência e tecnologia, inclusão social e
direitos humanos.




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




  Também serão examinados temas de interesse
global, como a Conferência das Nações Unidas
para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20),
questões de paz e segurança internacionais e a
reforma de instituições multilaterais.
  Os Estados Unidos são o 2º principal
parceiro comercial do Brasil. em 2011, o fluxo
de comércio entre os dois países atingiu US$
60 bilhões, o que representa aumento de 37%
em relação ao registrado em 2007. O Brasil é a
sexta maior fonte de visitantes para os Estados
Unidos. Os Estados Unidos são a segunda maior
origem de visitantes para o Brasil.

  PRIMEIRA CONFERêNCIA ANUAL DE
  ALTO NíVEL DA PARCERIA PARA UM
GOVERNO ABERTO - BRASíLIA, 17 E 18
                    DE ABRIL DE 2012
                            13/04/2012
  A Primeira Conferência Anual de Alto Nível
da Parceria para um Governo Aberto (Open
Government Partnership) será realizada nos
dias 17 e 18 de abril, em Brasília. O evento,
copresidido pelos Governos do Brasil e dos
Estados Unidos, será aberto pela Presidenta
Dilma Rousseff. Também participarão da
abertura o Primeiro-Ministro da Geórgia,
Nikoloz Gilauri, o Presidente da Tanzânia,
Jakaya Kikwete, o Vice Primeiro-Ministro da
Líbia, Omar Abdelkarim, a Secretária de Estado
dos Estados Unidos, Hillary Clinton, o Ministro
das Relações Exteriores da Estônia, Urmas Paet,
o Ministro das Relações Exteriores da Letônia,
Edgars Rinkevics, e o Ministro das Relações
Exteriores da Libéria, Augustine Ngafuan.
  Criada formalmente à margem da 66ª
Assembleia Geral das Nações Unidas, em
setembro de 2011, quando os Governos dos
países fundadores adotaram a Declaração para
um Governo Aberto, a Parceria é um fórum
de participação voluntária que reúne governos

e entidades da sociedade civil e tem como
principal objetivo fortalecer políticas nacionais
de transparência e combate à corrupção,
valendo-se do intercâmbio de experiências entre
seus participantes.
  Na Primeira Conferência Anual de Alto
Nível, está prevista a adesão formal à iniciativa
de 42 novos países.

         SITUAçãO NA GUINé-BISSAU
                            14/04/2012
                               
  OGovernobrasileirocondenaveementemente
o golpe militar na Guiné-Bissau e a interrupção
do processo eleitoral naquele país.
  O Brasil exorta as lideranças das Forças Armadas
a garantir a integridade e a segurança das autoridades
civis que se encontram sob sua custódia, que devem
ser libertadas imediata e incondicionalmente; a evitar
quaisquer atos de violência; e a restabelecer a
ordem constitucional no país.
  O Governo brasileiro seguirá acompanhando
atentamente o desenvolvimento da situação na
Guiné-Bissau, no âmbito das Nações Unidas, em
estreita coordenação com os demais membros da
Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
(CPLP), que se reunirão neste sábado, em
Lisboa, para examinar a situação naquele país.
  O Brasil apoia o envolvimento e os
esforços dos grupos regionais, como a CPLP, a
Comunidade Econômica dos Estados da áfrica
Ocidental e a União Africana, e endossa a
declaração presidencial divulgada pelo Conselho
de Segurança das Nações Unidas.

     VISITA AO BRASIL DO PRIMEIRO-
        MINISTRO DA GEóRGIA, NIKA
 GILAURI  BRASíLIA E SãO PAULO, 13
                A 19 DE ABRIL DE 2012
                            14/04/2012

                               
                               

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	129




   O Primeiro-Ministro da Geórgia, Nika
Gilauri, realiza visita ao Brasil entre os dias 13
e 19 de abril. Trata-se da primeira visita de um
Chefe de Governo georgiano ao País.
  Em Brasília, o Primeiro-Ministro da Geórgia
será recebido pelo Vice-Presidente da República,
Michel Temer, e pelo Ministro das Relações
Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota, bem
como participará da 1ª ConferênciaAnual deAlto
Nível da Parceria para um Governo Aberto. Em
São Paulo, manterá encontro com o Governador
Geraldo Alckmin e visitará empresas brasileiras.
  O Ministro Patriota e o Primeiro-Ministro
Gilauri examinarão o aprofundamento das
parcerias em áreas como cooperação econômica
e técnica. Também serão tratados temas de
interesse global, como as perspectivas para
a Conferência das Nações Unidas para o
Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) e a
reforma de instituições multilaterais.
  As relações entre Brasil e Geórgia têm
se intensificado desde a inauguração das
Embaixadas residentes em Brasília, em 2010, e
em Tbilisi, em 2011. No ano passado, o volume
de comércio entre os dois países atingiu US$
211 milhões, o que representa aumento de 82%
em relação a 2010.

       RESOLUçãO DA CPLP SOBRE A
         SITUAçãO NA GUINé-BISSAU
                            14/04/2012
                               
  O Conselho de Ministros da Comunidade dos
Países de Língua Portuguesa (CPLP), reunido em
Lisboa, no dia 14 de Abril de 2012, na sua VIII
Reunião Extraordinária, para analisar a situação
na República da Guiné-Bissau, na sequência do
golpe militar de 12 de Abril de 2012;
  Recordando que o primado da paz, da
democracia, do Estado de Direito, dos direitos
humanos e da justiça social são princípios
fundadores da CPLP;
   
Tendo tomado conhecimento, com
consternação, do golpe militar perpetrado na
Guiné-Bissau, em flagrante violação daqueles
princípios fundamentais;
  Tendo em consideração a circunstância
agravante do golpe militar ter ocorrido na
véspera do início da campanha eleitoral para
a 2ª volta que levaria à escolha do Presidente
da República, num processo eleitoral cuja
transparência foi reconhecida pelas instâncias
nacionais e internacionais;
  Tendo ouvido a exposição detalhada
e informada do Ministro dos Negócios
Estrangeiros, Cooperação Internacional e das
Comunidades da República da Guiné-Bissau
sobre a situação no país;
  DECIDE:
  1. Condenar, com veemência, todas as
ações de subversão ocorridas na Guiné-Bissau,
exigindo a imediata reposição da ordem
constitucional, da legalidade democrática e a
conclusão do processo eleitoral;
  2. Instar todos os implicados a cessarem
de imediato os atos violentos e ilegais, que
são objeto de condenação por parte de toda a
comunidade internacional;
  3. Exigir o estrito respeito e a preservação da
integridade física de todos os titulares de cargos
públicos e demais cidadãos que se encontram
sob custódia dos militares sublevados, assim
como a sua libertação imediata e incondicional,
sublinhando que qualquer ato de violência será
considerado intolerável e acarretará graves
consequências para os seus perpetradores,
implicando a responsabilização dos envolvidos,
no plano do direito penal internacional;
  4. afirmar, perante o povo guineense e
a comunidade internacional que as únicas
autoridades reconhecidas pela CPLP na Guiné-
Bissau são as que resultam do exercício do
voto popular, da legalidade institucional e
dos imperativos da Constituição, repudiando
quaisquer atos de entidades que possam vir a ser




130

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




anunciadas na sequência do golpe militar;
  5. Apoiar o importante papel desempenhado
pela MISSANG, no quadro do acordo celebrado,
em prol da estabilização, pacificação e reforma
do setor de defesa e segurança da Guiné-
Bissau, reconhecido pela sociedade civil e pelas
autoridades legítimas guineenses, bem como
pela comunidade internacional;
  6. Manter uma estreita articulação com os
Estados da Sub-Região da áfrica Ocidental e
com os seus parceiros regionais e internacionais,
nomeadamente a Organização das Nações
Unidas, União Africana, CEDEAO e União
Europeia, com vista ao estabelecimento de
uma parceria efetiva que possa contribuir para
a pacificação e a estabilização duradoura da
Guiné-Bissau;
  7. Tomar a iniciativa de, no quadro das Nações
Unidas, em articulação com a CEDEAO, a União
Africana e a União Europeia, tendo em conta a
experiência da MISSANG no terreno, constituir
uma força de interposição para a Guiné-Bissau,
com mandato definido pelo Conselho de
Segurança das Nações Unidas, visando:
  a. A defesa da paz e da segurança;
  b. A garantia da ordem constitucional;
  c. A proteção das instituições, das autoridades
legítimas e das populações;
  d. A conclusão do processo eleitoral;
  e. A concretização da reforma do setor de
defesa e segurança.
  8. Advertir todos os implicados na alteração
da ordem constitucional na Guiné-Bissau, civis
e militares, de que a persistência na ilegalidade
conduzirá a que os Estados membros da
CPLP proponham a aplicação de sanções
individualizadas por parte das organizações
internacionais	e	regionais	pertinentes,
nomeadamente:
  a. proibição de viagens;
  b. congelamento de ativos;
  c. responsabilização criminal.
  9. reafirmar a necessidade imperiosa de

concretizar a reforma do sector de defesa e
segurança da Guiné-Bissau, enquanto condição
para o estabelecimento da paz e estabilidade
duradoura no País;
  10. Reiterar que somente o pleno respeito
pela ordem constitucional, pelo Estado de
Direito, pelas autoridades democraticamente
constituídas e pelo processo eleitoral em curso,
garantirá que o povo guineense  a principal
vítima da presente situação  alcance a paz e o
desenvolvimento;
  11. Aprovar um plano de ação imediata
visando a concretização das decisões enunciadas
na presente resolução.

     VISITA AO BRASIL DO PRIMEIRO-
   MINISTRO DE MOçAMBIQUE, AIRES
 BONIFáCIO BAPTISTA ALI  13 A 18 DE
                       ABRIL DE 2012
                            16/04/2012
  O Primeiro-Ministro de Moçambique, Aires
Bonifácio Baptista Ali, realizará visita ao Brasil
no período de 13 a 18 de abril. Em Brasília, o
Senhor Baptista Ali será recebido pelo Vice-
Presidente Michel Temer, no dia 17, e manterá
encontros com os Ministros de Minas e Energia
e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior. No Rio de Janeiro, reunir-se-á com o
Presidente do BNDES. Haverá, ainda, encontros
com representantes de empresas brasileiras que
atuam em Moçambique.
  Durante sua estada em Brasília, participará
do lançamento da pedra fundamental da nova
Embaixada de Moçambique na capital.
  O relacionamento econômico bilateral
tem crescido, impulsionado pela presença de
empresas brasileiras no país. A cooperação
brasileira para Moçambique conta com projetos
nas áreas de saúde, educação, agricultura,
segurança alimentar e energia.
  Em 2011, o intercâmbio comercial entre Brasil

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	131




e Moçambique foi de US$ 85,3 milhões, o que
representa crescimento de 101,2% em relação
ao ano anterior. As exportações brasileiras de
produtos manufaturados representam 56,5% do
total.
  O Brasil reconheceu a independência de
Moçambique no dia de sua proclamação, em 25
de junho de 1975, e estabeleceu Embaixada em
Maputo em 1976. A Embaixada de Moçambique
em Brasília foi aberta em 1998.

      VISITA AO BRASIL DO MINISTRO
      DAS RELAçõES EXTERIORES DA
      REPúBLICA DO CHILE, ALFREDO
                            MORENO
                            17/04/2012
  O Ministro das Relações Exteriores da República
do Chile, Alfredo Moreno, realizará visita a Brasília,
no dia 18 de abril, para encontro de trabalho com o
MinistroAntonio deAguiar Patriota.
  Na ocasião, será realizada a III Reunião da
Comissão Bilateral Brasil-Chile, para revisar
temas da agenda bilateral, com ênfase em
cooperação antártica e nas áreas de energia,
integração física, ciência e tecnologia, comércio
e investimentos.
  Os Chanceleres tratarão, ainda, da cooperação
no âmbito da UNASUL e da CELAC, bem
como da participação de ambos os países na
MINUSTAH.
  A corrente de comércio, em 2011, foi da
ordem de US$ 10 bilhões, mantendo tradicional
equilíbrio  o Brasil exportou US$ 5,4 bilhões e
importou US$ 4,5 bilhões.

VISITA AO BRASIL DO PRESIDENTE DO
URUGUAI, JOSé MUJICA - BRASíLIA, 19
                    DE ABRIL DE 2012
                            18/04/2012
   
O Presidente da República Oriental do
Uruguai, José Mujica, virá ao Brasil no dia 19 de
abril para encontro de trabalho com a Presidenta
Dilma Rousseff.
  Os mandatários examinarão setores
prioritários da cooperação bilateral, dentre eles
integração física e energética, ciência, tecnologia
e inovação, biotecnologia e TV Digital. Tratarão,
também, de integração regional.
  Em 2011, o Uruguai completou nove anos
consecutivos de crescimento. O desemprego
chegou a 6% em fevereiro de 2012, um dos
mais baixos índices da série histórica, e a
pobreza extrema vem sendo reduzida de forma
pronunciada no país  de cerca de 5% em 2004
para 1% em 2011.
  O Brasil consolidou-se nos últimos anos
como o principal parceiro comercial do Uruguai.
Em 2011, o comércio bilateral chegou a mais de
US$ 3,9 bilhões, o que representou um aumento
26,4% em relação ao ano anterior.

      DIáLOGO DE PARCERIA GLOBAL
 BRASIL-EUA - BRASíLIA, 16 DE ABRIL
   DE 2012 - COMUNICADO CONJUNTO
                            18/04/2012
                               
  O Ministro das Relações Exteriores
Antonio de Aguiar Patriota e a Secretária
de Estado Hillary Clinton conduziram o III
Diálogo de Parceria Global (DPG) no dia
16 de abril, para passar em revista o estado
da relação bilateral, à luz da exitosa visita
da Presidenta Dilma Rousseff aos Estados
Unidos, em 9 e 10 de abril, e para realçar o
considerável progresso no desenvolvimento
da cooperação conjunta desde o II DPG,
realizado em junho de 2011. Os Participantes
também notaram com satisfação o importante
papel do DPG na formação da Parceria Brasil-
EUA para o Século XXI. Concordaram que o
DPG é mecanismo cada vez mais importante




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




para fazer avançar a cooperação bilateral e
promover interesses compartilhados ao redor
do mundo. O Ministro Patriota e a Secretária
Clinton também revisaram os progressos de
diversos outros diálogos bilaterais, incluindo
o Diálogo de Parceria Econômica, em
outubro de 2011; a reunião do Comitê Gestor
Brasil-EUA para Avançar a Cooperação em
Biocombustíveis, em fevereiro de 2012; as
reuniões do Grupo de Trabalho Bilateral
sobre a Convenção da Haia de 1980 sobre
Aspectos Civis do Sequestro Internacional de
Crianças, em agosto de 2011 e em março de
2012; o Diálogo Político-Militar, em fevereiro
de 2012; a reunião da Comissão Conjunta em
Ciência e Tecnologia, em março de 2012;
o Diálogo sobre Desarmamento e Não-
Proliferação, em março de 2012; e o Diálogo
sobre Segurança Espacial, em abril de 2012.
  Ressaltaram	que	diversas	iniciativas
impulsionadas no II DPG foram implementadas
por ocasião da visita da Presidenta Rousseff
a Washington, tais como a assinatura do
Memorando de Entendimento sobre Parceria em
Aviação e do Memorando de Entendimento para
Implementação de Atividades de Cooperação
Técnica para Aprimorar a Segurança Alimentar
em Terceiros Países, bem como o anúncio
de iniciativas concretas para promover o
incremento do fluxo de bens e pessoas entre os
dois países. Os Participantes sublinharam que
a colaboração acadêmica e de pesquisa é uma
prioridade entre os dois países, e que o objetivo
da iniciativa dos EUA 100 mil Unidos Pelas
Américas complementa o programa brasileiro
Ciência sem Fronteiras (CsF). Celebraram a
implementação exitosa do Plano de Ação em
Educação, com centenas de estudantes já tendo
sido enviados aos Estados Unidos no âmbito
do CsF. Os participantes também saudaram a
assinatura de um Memorando de Entendimento
sobre Cooperação Descentralizada durante a
Visita Presidencial.
   
O III DPG foi precedido por discussões de
alto nível em temas bilaterais e internacionais.
Grupos de Trabalho reuniram-se para discutir
sobre áfrica; América Latina; assuntos
econômico-comerciais; ciência, tecnologia,
inovação e meio ambiente; comunicação via
Internet e assuntos cibernéticos; e educação e
cultura. Os participantes do DPG discutiram,
ademais, assuntos relacionados à inclusão social.
  Expressaram satisfação com a cooperação
ampliada no âmbito da Comissão Conjunta
em Ciência e Tecnologia e saudaram a
criação de um grupo de trabalho em inovação.
Também notaram o compromisso mútuo para o
aprofundamento da cooperação e da colaboração
em um leque de assuntos, incluindo oceanos,
espaço, biotecnologia, saúde, nanotecnologia e
prevenção e mitigação de desastres. Repassaram
o anúncio pela Secretária Clinton de sua intenção
de enviar ao Brasil uma Delegação de Inovação,
constituída de empreendedores, representantes
de universidades e funcionários governamentais
de alto nível.
  Saudaram, igualmente, a criação de novo
mecanismo de diálogo sobre a Internet e os
temas ligados a tecnologias de informação e
comunicação (TICs), tais como governança da
Internet, política pública para Internet, segurança
cibernética, bem como políticas de TICs e
telecomunicações. Os Participantes acordaram
manter uma primeira discussão interministerial
abrangente, na segunda metade de 2012, para
tratar do assunto prioritário de governança da
Internet e cooperação em outros assuntos de
políticas para Internet, com planos de manter
outras discussões ao longo do ano.
  Sublinharam a educação e a inovação como
fatores-chave para promover a inclusão social,
a competitividade e o crescimento econômico.
Apoiaram os esforços para incluir as faculdades
comunitárias norte-americanas e alunos da Rede
Federal de educação Profissional e Tecnológica
brasileira nos programas Ciências sem




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	133




Fronteiras e 100 mil Unidos Pelas Américas.
Saudaram, igualmente, a assinatura de um
Memorando de Entendimento entre a Coordenação
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(CAPES) e a Associação de Faculdades e
Universidades Historicamente Negras dos Estados
Unidos (HBCU) no âmbito do Plano de Ação
Conjunto para a Eliminação da Discriminação
étnico-Racial e Promoção da Igualdade.
  Os	Participantes	concordaram	em
aprofundar o diálogo que associa educação,
pesquisa científica e inovação por meio de
bolsas	Fulbright-Ciência	sem	Fronteiras
para pesquisadores sêniores e catedrátricos.
Concordaram, igualmente, em intensificar o
diálogo com órgãos dos EUA que realizam
pesquisas científicas, como a Fundação Nacional
de Ciências (NSF) e os Institutos Nacionais
de Saúde (NIH), bem como com empresas e
associações do setor privado, a fim de explorar
maneiras como elas poderiam incrementar seu
apoio aos programas Ciência sem Fronteiras e
100 mil Unidos Pelas Américas.
  Os Participantes enfatizaram a importância
dos benefícios mútuos de estimular maiores
investimento e comércio. Nesse contexto,
saudaram a criação de diálogo em investimento
durante a Visita Presidencial. Comprometeram-
se,	igualmente,	a	trabalhar	em	estreita
colaboração para satisfazer as exigências do
Programa de Dispensa de Vistos dos Estados
Unidos e da legislação brasileira aplicável, de
maneira a possibilitar que cidadãos brasileiros
e norte-americanos viagem entre os dois países
sem necessitar de visto.
  Os Participantes tomaram nota de que
o fortalecimento de intercâmbios culturais
é prioridade comum para Brasil e Estados
Unidos. Acordaram em facilitar colaborações
e intercâmbios na área musical entre os dois
países. As atividades poderiam ser sediadas em
Nova Orleans, Louisiana, e Salvador, Bahia 
cidades que são emblemáticas das ricas tradições

musicais dos dois países  e promover shows de
grupos musicais brasileiros e estadunidenses,
oficinas de trabalho, programas destinados
a jovens, e mídia social. Outra prioridade da
parceria será explorar as possibilidades de
apresentação de grupos musicais brasileiros
e norte-americanos em terceiros países,
possivelmente no Haiti e Moçambique.
  Anunciaram a intenção de buscar maior
diálogo e cooperação sobre segurança e luta
contra o crime organizado transnacional, e
manifestaram o desejo de trocar experiências
e intensificar a colaboração no assunto. Para
alcançar esse objetivo, saudaram a próxima
visita do Secretário-Adjunto para Aplicação
da Lei e Narcóticos em Nível Internacional,
William Brownfield, ao Brasil para encontrar-se
com seus homólogos.
  Os Participantes do III DPG apoiaram o
diálogo intensificado em discussões regionais
para incluir intercâmbios sobre o Oriente Médio,
África,américa latina e Ásia Oriental e Pacífico.
Reconhecendo a importância de diálogo regular
sobre interesses compartilhados nessas regiões,
os Participantes comprometeram-se a realizar
discussões no decorrer de 2012.
  Os Participantes, reconhecendo valores e
objetivos compartilhados, concordaram na
importância de manter um diálogo aberto sobre
a áfrica para expandir a exitosa cooperação
trilateral existente e trocar opiniões sobre
desenvolvimentos políticos, com vistas a
identificar contribuições comuns para alcançar
a paz, a estabilidade e o desenvolvimento
econômico sustentável na região. Os
Participantes também identificaram novas áreas
para cooperação trilateral nos setores de energia
e agricultura.
  Os Participantes saudaram o começo de
parceria trilateral com o governo do Haiti para
melhorar práticas e tecnologias agrícolas. Os
Participantes concordaram em cooperar na
Iniciativa Financiamento Doméstico para o




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




Desenvolvimento(DF4D),articuladacomórgãos
públicos especializados do Brasil para promover
uma gestão fiscal eficaz e transparência em
terceiros países, inclusive na áfrica. Ademais,
os Participantes concordaram em expandir a
cooperação trilateral em tecnologia agrícola em
terceiros países, com ênfase especial na América
Central e na áfrica lusófona, bem como em
trabalhar em prol de um instrumento que venha
a refletir sua concordância em promover a
cooperação em matéria de regulamentação e
sensibilização pública, entre outros. Notando as
atividades em andamento na áfrica e no Haiti,
os Participantes manifestaram seu interesse em
expandir a cooperação trilateral conjunta na
América Central e no Caribe, assim como em
outras partes do mundo.
  Os Participantes reafirmaram a intenção
de ambos os países de continuar a cooperar
com o Haiti com vistas a promover seu
desenvolvimento econômico e social. Para
estimular novas parcerias público-privadas no
setor energético do Haiti, comprometeram-se a
trabalhar com o governo do Haiti no desenho
e implementação de seu plano nacional de
energia, incluindo seus planos de modernizar
sua infraestrutura de energia elétrica e valer-se
de fontes de energia renováveis, como a usina
hidrelétrica de Artibonite 4C, para prover de
energia o desenvolvimento futuro do Haiti. Os
Participantes reiteraram seu compromisso com
a segurança do Haiti e concordaram em buscar
parcerias para capacitar a Polícia Nacional do
Haiti.
  Os Participantes fizeram um balanço do
progresso alcançado no âmbito do Memorando
de Entendimento sobre o Avanço da Condição
da Mulher no âmbito do Plano de Ação Conjunto
para Eliminação da Discriminação étnico-
Racial e Promoção da Igualdade ao longo do
último ano, inclusive um novo foco na maneira
que nossos governos e setores privados irão
colaborar para criar oportunidades econômicas

e treinamento profissional para grupos étnicos
historicamente marginalizados e vulneráveis,
mulheres e jovens na preparação para a Copa do
Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.
Manifestaram, igualmente, seu compromisso
conjunto de buscar novos modos de promover
colaboração adicional em assuntos LGBT em
foros multilaterais de direitos humanos.
  Os Participantes trocaram opiniões sobre a
recente Cúpula das Américas, que teve lugar em
Cartagena, Colômbia. Ressaltaram a importante
contribuição dos processos regionais e sub-
regionais em andamento para o desenvolvimento
econômico e social das Américas.
  O Chanceler Patriota e a Secretária Clinton
também enfatizaram a importância da próxima
Conferência das Nações Unidas sobre
Desenvolvimento Sustentável (Rio +20) no
Brasil como uma oportunidade para promover
o desenvolvimento sustentável por meio da
inovação e amplo engajamento das partes
interessadas.

      VISITA AO BRASIL DO MINISTRO
   DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS DA
 Sérvia, vuk Jeremi? - BraSília, 20
                E 21 DE ABRIL DE 2012
                            19/04/2012
  O Ministro de Negócios Estrangeiros da
Sérvia, vuk Jeremi?, realizará visita ao Brasil
nos dias 20 e 21 de abril. Em sua quinta visita ao
País desde 2008, será recebido pelo Ministro das
Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota,
e pelo Ministro da Defesa, Celso Amorim.
  Os ministros Patriota e Jeremi? examinarão o
aprofundamento da cooperação em áreas como
infraestrutura e energia. Tratarão, também, de
temas de interesse global, como a Conferência
das Nações Unidas para o Desenvolvimento
Sustentável (Rio+20), questões de paz e
segurança internacionais, sobretudo aquelas




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	135




relacionadas aos Bálcãs, e a reforma de
instituições multilaterais.
  em 2011, o fluxo comercial superou uS$ 46
milhões, o que representa aumento de 71% em
relação ao registrado no ano anterior.

    VISITA DO MINISTRO ANTONIO DE
  AGUIAR PATRIOTA à ETIóPIA  ADIS
     ABEBA, 23 E 24 DE ABRIL DE 2012
                            22/04/2012
                               
  O Ministro Antonio de Aguiar Patriota
visitará a Etiópia, em 23 e 24 de abril, onde será
recebido pelo Primeiro-Ministro Meles Zenawi e
manterá reunião de trabalho com o Ministro dos
Negócios Estrangeiros, Hailemariam Desalegn.
  O Ministro deverá, ainda, participar de
Reunião Ministerial do Conselho de Paz e
Segurança da União Africana sobre a situação
na Guiné-Bissau e no Mali, bem como sobre o
processo de paz entre o Sudão e o Sudão do Sul.
 a visita reflete o estreitamento das relações
bilaterais, desde a abertura da Embaixada do
Brasil em Adis Abeba, em 2005, e a abertura da
Embaixada da Etiópia em Brasília, em 2011. Em
2011, o comércio entre Brasil e Etiópia foi de
US$ 34,28 milhões.
  Segundo país mais populoso da áfrica e 10ª
economia do continente, a etiópia figura entre os
países cujas economias mais crescem na região.
Por abrigar a sede da União Africana (UA) e da
Comissão Econômica das Nações Unidas para
a áfrica (ECA), Adis Abeba projeta-se como
importante pólo diplomático, desempenhando
relevante papel nos processos de paz no continente.

    VISITA DO MINISTRO ANTONIO DE
 AGUIAR PATRIOTA à TUNíSIA - TúNIS,
             24 E 25 DE ABRIL DE 2012
                            24/04/2012
   
O Ministro das Relações Exteriores, Antonio
de Aguiar Patriota, visitará a Tunísia em 24 e
25 de abril, atendendo a convite do Ministro
dos Negócios estrangeiros tunisiano, rafik
Abdessalem. Manterá encontro de trabalho com
o Chanceler Abdessalem e será recebido pelo
Presidente Moncef Marzouki e pelo Presidente
da Assembléia Nacional Constituinte, Mustapha
Ben Jaafar.
  As manifestações populares na Tunísia, em
dezembro de 2010, puseram em marcha pioneiro
processo de transição democrática no mundo
árabe. a visita constituirá ocasião para reafirmar
o apoio do Brasil ao processo de transição no
país e impulsionará a cooperação bilateral.
  O Brasil representa cerca de 50% do
comércio da Tunísia com a América do Sul.
Entre 2007 e 2011, o intercâmbio comercial
entre os dois países cresceu 66%, passando de
US$ 290 milhões para quase US$ 481 milhões.
Em 2011, foram exportados à Tunísia US$ 376
milhões em mercadorias, e importados bens no
valor de US$ 104 milhões.

            APOIO A REFUGIADOS NA
                        MAURITÂNIA
                            25/04/2012
                               
  O Governo brasileiro comunicou ao
Alto Comissariado das Nações Unidas para
Refugiados (ACNUR), em Genebra, sua
decisão de contribuir com US$ 300 mil para
apoiar as ações da organização na Mauritânia,
em benefício dos refugiados malienses. Desde
fevereiro último, cerca de 60 mil cidadãos do
Mali buscaram refúgio em território mauritano.
A contribuição brasileira cobrirá parte dos custos
de aquisição e instalação de novas barracas para
abrigo de refugiados

    VISITA DO MINISTRO ANTONIO DE

     
     
     

136

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




  AGUIAR PATRIOTA à MAURITÂNIA 
   NOUAKCHOTT, 25 E 26 DE ABRIL DE
                                 2012
                            26/04/2012
                               
  O Ministro Antonio de Aguiar Patriota visita
a Mauritânia em 25 e 26 de abril. Trata-se da
primeira visita de um Ministro das Relações
Exteriores brasileiro ao país.
  Avisita será oportunidade para a consolidação
do processo de aproximação iniciado com a
decisão recíproca, em 2007, de abertura de
Embaixadas residentes. A Embaixada mauritana
em Brasília funciona desde 2008, enquanto que o
governo brasileiro inaugurou sua representação
em Nouakchott em 2010.
  O Ministro Patriota foi recebido dia 25
pelo Presidente da República Islâmica da
Mauritânia, Mohamed Abdel Aziz e manterá
reunião de trabalho com o Chanceler Hamadi
Ould Hamadi e outras autoridades locais para
examinar possibilidades de investimento e de
desenvolvimento das relações comerciais, bem
como de cooperação técnica, humanitária e
militar.
  Durante a visita serão assinados acordos
bilaterais	sobre	cooperação	na	área	de
aquicultura e formação em agricultura, além de
acordo que cria comissão mista bilateral e outros
que facilitam as relações diplomáticas bilaterais.
  Desde 2003, o crescimento do comércio
bilateral foi de 400%. O Brasil já é o quinto
principal	exportador	para	a	Mauritânia,
destacando-se produtos como açúcar, trigo e
pneus. O principal eixo rodoviário do país  a
rota da esperança, que tem 1.100 km e liga
Nouakchott à cidade de Néma  foi construída
por empresa brasileira.

 VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DAS
RELAçõES EXTERIORES, COMéRCIO E

INTEGRAçãO DO EQUADOR, RICARDO
   PATIñO  BRASíLIA, 30 DE ABRIL DE
                                 2012
                            30/04/2012
                               
  O Ministro das Relações Exteriores,
Comércio e Integração da República do
Equador, Ricardo Patiño, visitará Brasília, no
dia 30 de abril, para encontro de trabalho com
o Ministro das Relações Exteriores, Antonio de
Aguiar Patriota.
  Na ocasião, será realizada reunião do
Mecanismo de Consultas Bilaterais Brasil-
Equador, para examinar temas da agenda
bilateral, com ênfase em cooperação nas áreas
de ciência, tecnologia e inovação, educação,
cultura e investimentos.
  Serão tratados, igualmente, a integração
regional, com destaque para a consolidação
das instituições da UNASUL  cuja Secretaria
Geral está sediada em Quito  e da CELAC, o
aprofundamento do relacionamento do Equador
com o MERCOSUL e a Conferência Rio+20.
  Entre 2004 e 2011, o intercâmbio comercial
entre Brasil e Equador praticamente dobrou,
passando de US$ 575 milhões para pouco mais
de US$ 1 bilhão.

    VISITA DO MINISTRO ANTONIO DE
 AGUIAR PATRIOTA A WASHINGTON  2
                    DE MAIO DE 2012
                            02/05/2012
                               
  O Ministro Patriota participará, como
convidado especial, em Washington, em 2 de
maio, do Foro Global do American Jewish
Committee, que reunirá representantes de
50 comunidades judaicas de todo o mundo,
inclusive do Brasil. Na ocasião, participará do
painel Bric by bric: building a New World
Order.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	137




   O Ministro Patriota manterá ainda encontro
com o Presidente da American Task-Force on
Palestine, Ziad Asali, e com o Diretor Nacional
da Sociedade Islâmica da América do Norte,
Sayyid M. Syeed.

    VISITA DO MINISTRO ANTONIO DE
    AGUIAR PATRIOTA AO SURINAME -
  PARAMARIBO, 4 E 5 DE MAIO DE 2012
                            03/05/2012
                               
  O Ministro Antonio de Aguiar Patriota se
encontra em visita ao Suriname, onde participa
como convidado especial da 15ª Reunião do
Conselho de Relações Exteriores e Comunitárias
da	Comunidade	do	Caribe	(COFCOR-
CARICOM).
  A presença do Ministro na reunião do
COFCOR-CARICOM, no dia 4, reforça o
compromisso mútuo de estreitamento de laços
entre o Brasil e os países do Caribe  cujo marco
importante foi a realização, em abril de 2010,
da I Cúpula Brasil-CARICOM. A participação
do Brasil enfatizará a cooperação nas áreas
de segurança alimentar, agricultura familiar e
desenvolvimento social.
  Constituída em 1973, a Comunidade do
Caribe possui 15 países-membros. Em 2011, a
corrente de comércio entre o Brasil e os países da
CARICOM apresentou o valor recorde de US$
4,54 bilhões. Entre 2003 e 2011, o intercâmbio
com a Comunidade aumentou 447%.
  No dia 5, o Ministro Patriota manterá
reunião de trabalho com o Chanceler Winston
Lackin. Os dois ministros examinarão a agenda
bilateral, com ênfase na cooperação em energia,
agricultura e políticas sociais. Serão realizadas,
no contexto da visita, missões a Paramaribo
da Agência Brasileira de Cooperação (ABC),
da Caixa Econômica Federal, do Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), da
Embrapa, da Eletrobras e do Ministério do

Desenvolvimento Social (MDS). O Ministro
Patriota será recebido, ainda, pelo Presidente do
Suriname, Desiré Bouterse.
  As relações comerciais entre Brasil e
Suriname evoluíram de forma considerável nos
últimos anos. Entre 2002 e 2011, o intercâmbio
entre os dois países aumentou em 687%,
passando de US$ 10,7 milhões para US$ 73,6
milhões.

      DECLARAçãO DE CARTAGENA -
 REUNIãO DE MINISTROS DE DEFESA,
      JUSTIçA, INTERIOR E RELAçõES
             EXTERIORES DA UNASUL
                            07/05/2012
  Os Ministros das Relações Exteriores, da
Defesa, da Justiça, do Interior e Segurança dos
Estados membros da UNASUL reunidos na
cidade de Cartagena D.T.C., em 3 e 4 de maio de
2012, e com a participação da Secretaria Geral
da UNASUL:
  reafirmando que o irrestrito respeito
à soberania, integridade e inviolabilidade
territorial dos Estados, a não intervenção nos
assuntos internos e a autodeterminação dos
povos e o pleno respeito aos Direitos Humanos
são elementos essenciais para consolidação da
visão e a integração regional, segundo o Tratado
Constitutivo da UNASUL;
  Considerando a importância de fortalecer a
América do Sul como uma zona de paz graças
ao diálogo e ao entendimento em assuntos
da defesa, segurança e cooperação regional
multilateral;
  Levando em conta o direito soberano que
possui cada estado para identificar suas próprias
prioridades nacionais de segurança e definir suas
ações em face delas e segundo seu ordenamento
jurídico, respeitando o direito internacional;
  Recordando a Convenção das Nações
Unidas contra a Delinquência Organizada




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




Transnacional	do	ano	2000	e	demais
instrumentos internacionais na matéria, os quais
visam promover a cooperação para prevenir e
combater com maior eficiência a delinquência
Organizada Transnacional;
  Recordando que as condições da Segurança
Cidadã melhoram mediante o pleno respeito à
Dignidade, os Direitos Humanos e as Liberdades
Fundamentais das pessoas, assim como a
necessidade de promover o desenvolvimento
econômico e social, a inclusão social, a educação
e a luta contra a pobreza, as doenças e a fome;
  Decidem:
  1. Fortalecer as ações de cooperação contra
a Delinquência Organizada Transnacional em
todas as suas manifestações e as novas formas
da criminalidade, assim como os desafios em
matéria de Segurança Cidadã;
  2. Apresentar como recomendação ao
Conselho de Chefas e Chefes de Estado da
UNASUL, por meio do Conselho de Ministras
e Ministros das Relações Exteriores, a criação
de um Conselho com o intuito de fortalecer a
cooperação em matéria de Segurança Cidadã,
de Justiça e a coordenação de ações contra
a Delinquência Organizada Transnacional,
procurando evitar a duplicação de funções com
outras instâncias existentes na UNASUL.
  3. Recomendar a criação de um Grupo de
Trabalho que elabore, com o apoio da Secretaria
Geral da UNASUL, o Estatuto e o Plano de
Ação do referido Conselho.
  O Grupo avaliará a possível coordenação
ou a integração deste novo Conselho com o
Conselho Sul-americano sobre o Problema
Mundial das Drogas (CSPMD). A avaliação, o
Estatuto e o Plano de Ação serão submetidos
por meio do Conselho de Ministras e Ministros
das Relações Exteriores da UNASUL, para a
aprovação definitiva pelo Conselho de Chefas e
Chefes de Estado e de Governo.
  Agradecem ao Governo da Colômbia a
atenção e a organização desta reunião.
  
VISITA AO BRASIL DO MINISTRO DAS
  RELAçõES EXTERIORES E CULTO DA
     REPúBLICA ARGENTINA, HéCTOR
   TIMERMAN - BRASíLIA, 15 DE MAIO
                             DE 2012
                            14/05/2012
                               
  O Ministro das Relações Exteriores, Antonio
de Aguiar Patriota, manterá reunião de trabalho
com o Chanceler da RepúblicaArgentina, Héctor
Timerman, no dia 15 de maio, em Brasília, no
contexto de encontros periódicos entre altas
autoridades dos dois países. Passarão em revista
os principais temas da agenda bilateral, com
ênfase na integração econômico-comercial, e
tratarão de questões regionais e globais.
  O Brasil é o principal parceiro comercial da
Argentina. Em 2011, o intercâmbio bilateral
cresceu 20,2% com relação ao ano anterior,
alcançando o montante de US$ 39,6 bilhões, seu
mais alto nível histórico.

      VISITA AO BRASIL DO MINISTRO
         DE ASSUNTOS EXTERIORES E
     COOPERAçãO DA ESPANHA, JOSé
       MANUEL GARCíA-MARGALLO -
       BRASíLIA, SãO PAULO E RIO DE
    JANEIRO, 16 A 19 DE MAIO DE 2012
                            15/05/2012
                               
  O Ministro de Assuntos Exteriores e
Cooperação da Espanha, José Manuel
García-Margallo, realizará visita ao Brasil
entre os dias 16 e 19 de maio. Em Brasília,
será recebido pelo Ministro das Relações
Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota.
  Os Chanceleres examinarão os principais
temas da agenda bilateral, como os fluxos
de investimento e comércio, parcerias em
educação, ciência, tecnologia e inovação,




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	139




questões consulares e cooperação trilateral em
benefício de países latinoamericanos, caribenhos
e africanos.
  Os	Ministros	examinarão,	igualmente,
assuntos de interesse global, a exemplo do
cenário econômico e financeiro internacional,
da reforma das instituições de governança
global, da Conferência das Nações Unidas para
o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) e da
situação no Oriente Médio e no norte da áfrica.
  Com estoque de investimentos no Brasil
superior a US$ 85 bilhões, a Espanha é o segundo
maior investidor estrangeiro no País. Em 2011,
o volume de comércio entre os dois países
registrou US$ 7,97 bilhões, o que representa
aumento de 20% em relação ao ano anterior.

              ATENTADO EM BOGOTá
                            16/05/2012
                               
  O	Governo	brasileiro	recebeu	com
consternação a notícia do atentado a bomba em
ônibus em Bogotá ocorrido ontem, 15 de maio,
que, segundo fontes oficiais da Colômbia, causou
ao menos 2 vítimas fatais e deixou 25 feridos,
dentre os quais o ex-ministro colombiano do
Interior e da Justiça, Fernando Londoño.
  Ao expressar sua solidariedade às famílias
das vítimas, bem como ao Governo e ao povo
colombianos, o Governo brasileiro reitera sua
mais enérgica condenação a todo e qualquer ato
de terrorismo.

  FORMAçãO DO NOVO GOVERNO DO
                               HAITI
                            16/05/2012
                               
  O Governo brasileiro saúda a conclusão
do processo de formação do novo Governo
do Presidente Michel Martelly, no Haiti, e
expressa confiança em que o aval concedido

pelo Parlamento haitiano ao Gabinete e à
Direção de Política Geral apresentados pelo
recém-confirmado Primeiro ministro, laurent
lamothe, permitirá a intensificação dos esforços
voltados para o desenvolvimento do país.

      VISITA AO BRASIL DO MINISTRO
   DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS DA
         HUNGRIA, JáNOS MARTONYI
                            17/05/2012
                               
  O Ministro dos Negócios Estrangeiros da
Hungria, János Martonyi, realiza visita ao Brasil
de 15 a 18 de maio. Após passagem pelo Rio de
Janeiro e São Paulo, será recebido, amanhã, em
Brasília, pelo Ministro das Relações Exteriores,
Antonio de Aguiar Patriota.
  Os Chanceleres examinarão o
aprofundamento das relações comerciais e da
cooperação técnica e científica entre os dois
países, bem como a possibilidade de inclusão de
universidades húngaras no programa Ciência
sem Fronteiras. O Foro Mundial de Ciências,
realizado a cada dois anos em Budapeste, terá
o Rio de Janeiro como sede de sua próxima
edição, em novembro de 2013.
  Os Ministros tratarão, também, de temas
multilaterais como a Conferência das Nações
Unidas para o Desenvolvimento Sustentável
(Rio+20) e governança internacional.
  em 2011, o fluxo comercial entre Brasil e
Hungria foi de US$ 417,2 milhões, representando
um crescimento de mais de 90% em cinco anos.

                ATENTADO NO IêMEN
                            23/05/2012
                               
  O Governo brasileiro recebeu, com grande
consternação, a notícia do atentado a bomba
contra militares iemenitas ocorrido em Sana,
em 21 de maio, que causou mais de 90 mortes




140

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




e deixou centenas de feridos.
  O ataque foi perpetrado dois dias antes da
realização da conferência internacional Amigos
do Iêmen, que ocorre hoje, em Riade, Arábia
Saudita. O Brasil participa da conferência e
acredita se tratar de importante oportunidade
para incentivar a cooperação internacional com
o Iêmen.
  Ao expressar sua solidariedade às famílias
das vítimas, bem como ao Governo e ao povo
iemenitas, o Governo brasileiro reitera seu
repúdio a todo e qualquer ato de terrorismo.


      VISITA AO BRASIL DO MINISTRO
     DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS E
COMéRCIO DA REPúBLICA DA COREIA
   (COREIA DO SUL), KIM SUNG-HWAN
                            25/05/2012
  O Ministro dos Negócios Estrangeiros e
Comércio da República da Coreia (Coreia do
Sul), Kim Sung-hwan, realiza visita ao Brasil
de 26 a 28 de maio. Em Brasília, será recebido
pelo Ministro das Relações Exteriores, Antonio
de Aguiar Patriota, no dia 28.
  Os Chanceleres examinarão os principais
temas da agenda bilateral, como cooperação
em ciência, tecnologia e inovação, comércio
e investimentos e cooperação educacional.
Os Ministros tratarão, também, de temas
multilaterais, em particular a Conferência
das Nações Unidas para o Desenvolvimento
Sustentável (Rio+20).
  Por	ocasião	da	visita,	será	assinado
Memorando	de	Entendimento	relativo	à
cooperação em capacitação de diplomatas entre
o Instituto Rio Branco e a academia diplomática
sul-coreana	(Korea	National	Diplomatic
Academy).
  A Coreia do Sul foi o sétimo parceiro
comercial do Brasil no mundo em 2011, quando

o fluxo de comércio bilateral totalizou uS$
14,8 bilhões, registrando um aumento de mais
de 274% em cinco anos. Com aporte de US$
1,08 bilhão em 2011, a Coreia do Sul é também
importante investidor no Brasil com presença
nos setores petrolífero, eletro-eletrônico e de
transportes.

      VISITA AO BRASIL DO MINISTRO
  DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS DOS
     PAíSES BAIXOS, URI ROSENTHAL
                            28/05/2012
                               
  O Ministro de Negócios Estrangeiros dos
Países Baixos, Uri Rosenthal, realiza visita ao
Brasil entre os dias 28 e 29 de maio. Em Brasília,
será recebido pelo Ministro das Relações
Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota, e pelo
Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação,
Marco Antonio Raupp.
  No dia 29, os Ministros Patriota e Rosenthal
abrirão a conferência Abordagens para a
Segurança Internacional: as experiências do
Brasil e dos Países Baixos, organizada pelo
Centro Brasileiro de Relações Internacionais
(CEBRI) e pelo Instituto Clingendael.
  Os Chanceleres tratarão do aprofundamento
das parcerias bilaterais em áreas como
educação, ciência, tecnologia e inovação. Serão
examinadas, também, oportunidades para a
expansão dos fluxos de comércio e investimento
entre os dois países. Os Ministros tratarão,
igualmente, de assuntos de interesse global, em
particular da Conferência das Nações Unidas
para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).
  Os Países Baixos são o sexto parceiro
comercial do Brasil e o quarto principal
destino das exportações brasileiras. Em 2011, o
comércio bilateral registrou US$ 15,9 bilhões,
o que representa aumento de 32,6% em relação
ao ano anterior. Os investimentos neerlandeses
no Brasil estão concentrados nos setores de




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	141




agronegócio, construção naval, logística e
infraestrutura portuárias.

      VISITA AO BRASIL DO MINISTRO
   DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS DA
            NAMíBIA, UTONI NUJOMA
                            29/05/2012
                               
  O Ministro dos Negócios Estrangeiros da
Namíbia, Utoni Nujoma, realizará visita ao
Brasil, no dia 30 de maio. Em Brasília, será
recebido pelo Ministro das Relações Exteriores,
Antonio de Aguiar Patriota, e pelos Ministros
da Defesa, Celso Amorim, do Desenvolvimento
Agrário, Gilberto Vargas, e da Pesca e
Aquicultura, Marcelo Crivella.
  No encontro de trabalho, os Chanceleres
abordarão temas relacionados às áreas de
defesa, educação, agricultura, comércio e
investimentos. Os Ministros tratarão, também,
de temas regionais e multilaterais, como o
dinamismo econômico e o contexto político no
Continente Africano, a revitalização da Zona de
Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS)
e a Conferência das Nações Unidas para o
Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).
  O intercâmbio comercial bilateral foi de US$
25,6 milhões em 2011, registrando crescimento
de 30% em relação ao ano anterior. No acumulado
até abril de 2012, o comércio bilateral manteve
tendência de crescimento, totalizando US$ 8,3
milhões, aumento de cerca de 62% em relação
ao montante alcançado no mesmo período do
ano anterior.

         VISITA AO BRASIL DO REI DA
ESPANHA, JUAN CARLOS I  BRASíLIA,
                  4 DE JUNHO DE 2012
                            01/06/2012
                               
  O Rei da Espanha, Juan Carlos I, realizará

visita ao Brasil no dia 4 de junho e será recebido
pela Presidenta da República, Dilma Rousseff.
  O Rei da Espanha estará acompanhado
por delegação empresarial e, durante a visita,
serão examinadas oportunidades de intensificar
o relacionamento econômico entre os dois
países. A Espanha é o segundo maior investidor
estrangeiro no Brasil, com estoque de capital
superior a US$ 85 bilhões. Em 2011, o comércio
bilateral registrou US$ 7,97 bilhões  o que
representa aumento de 20% em relação ao ano
anterior.

     SESSãO ESPECIAL DO CONSELHO
          DE DIREITOS HUMANOS DA
          ONU SOBRE A SITUAçãO NA
       SíRIA  PRONUNCIAMENTO DA
   EMBAIXADORA DO BRASIL, MARIA
       NAZARETH FARANI AZEVêDO -
       GENEBRA, 1º DE JUNHO DE 2012
                            01/06/2012
                               
  Senhora Presidente,
  O Brasil associou-se à convocação desta
reunião para que o Conselho de Direitos
Humanos trate, com senso de urgência, dos
acontecimentos na Síria que provocaram
indignação em todo o mundo.
  Na última segunda-feira, expressamos
nosso total apoio à Declaração à Imprensa do
Presidente do Conselho de Segurança, que
condenou nos termos mais fortes possíveis os
assassinatos, confirmados por observadores das
Nações Unidas, de dezenas de homens, mulheres
e crianças e ferimentos de centenas na aldeia de
El-Houleh, perto de Homs.
  O Brasil reafirma seu apoio ao plano de
seis pontos do enviado especial kofi annan
e salienta, em particular, a necessidade de um
fim imediato do combate e efetiva cessação de
todas as formas de violência. Nesse sentido,




142

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




é imperativo que o Governo sírio coopere
plenamente com a Missão de Supervisão das
Nações unidas na Síria (uNSmiS) e ponha fim
imediato ao movimento de tropas em direção às
áreas urbanas.
  Não há solução militar para a atual crise na
Síria, e o Governo sírio é o principal responsável
por criar as condições necessárias para que o
plano de seis pontos possa prosperar.
  Estamos extremamente preocupados com os
relatos que descrevem a atual situação na Síria
como de pré-guerra civil, conforme assinalado
por Jean-marie Guehenno em seu briefing ao
Conselho de Segurança no início desta semana.
  Em conformidade com o nosso apoio a todas
as resoluções anteriores sobre abusos de direitos
humanos na Síria adotadas por este Conselho,
pela Assembléia Geral da ONU e pela Unesco, o
Brasil insta a Comissão de Inquérito a investigar
as mortes e estabelecer responsabilidades por
esses crimes.
  Reiteramos nossa profunda solidariedade e
condolências às famílias das vítimas.
  Os próximos dias serão cruciais para que
os esforços da ONU na Síria cumpram seus
objetivos de acordo com seu mandato. O Brasil
renova o seu apoio total à UNSMIS e ao Enviado
especial kofi annan.
  Obrigada.
   
    VISITA AO BRASIL DO CHANCELER
     DA REPúBLICA BOLIVARIANA DA
      VENEZUELA, NICOLáS MADURO
       MOROS  RIO DE JANEIRO, 2 DE
                      JUNHO DE 2012
                            01/06/2012
                               
  O Ministro das Relações Exteriores,
Antonio de Aguiar Patriota, manterá encontro
com seu homólogo venezuelano, Nicolás
Maduro Moros, no Rio de Janeiro, em 2 de

junho.
  No encontro, os Chanceleres tratarão de
temas da agenda entre os dois países, como a
cooperação em habitação, agricultura e saúde;
infraestrutura; comércio; e investimentos.
Os Ministros também conversarão sobre os
processos de integração regional e de iniciativas
como o Banco do Sul e o Conselho Sul-
Americano de Infraestrutura e Planejamento
(COSIPLAN). No plano multilateral, tratarão,
ainda, de temas como o relacionamento com
a áfrica e com países árabes e a Conferência
das Nações Unidas para o Desenvolvimento
Sustentável (Rio+20).
  A Venezuela é um dos principais parceiros
comerciais do Brasil na América do Sul e tem
o quarto maior PIB sul-americano. Desde 2003,
o comércio bilateral quintuplicou, alcançando
US$ 5,86 bilhões em 2011.

        ACIDENTE AéREO NA NIGéRIA
                            04/06/2012
                               
  O Governo brasileiro tomou conhecimento,
com grande pesar, do acidente aéreo ocorrido
em Lagos, que vitimou ao menos 153 pessoas.
  O Governo brasileiro transmite sua
solidariedade e suas condolências aos familiares
das vítimas, bem como ao povo e ao Governo
nigerianos.

FUNDO IBAS  PROJETO AGRíCOLA NO
                               LAOS
                            05/06/2012
                               
  Lançou-se, hoje, em Paksane, Laos, projeto
de irrigação agrícola do Fundo IBAS, intitulado
Apoio à agricultura irrigada integrada em 2
Distritos Bolikhamxay. Com orçamento de
US$ 1,323 milhão, o projeto tem por objetivo
o aprimoramento da agricultura irrigada,




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	143




prejudicada pelos tufões Haima e Nockten
(agosto e setembro de 2011), a melhoria da
segurança alimentar, a redução da pobreza e a
promoção da participação local na gestão dos
recursos hídricos.
  Alémdessainiciativa,oFundoconcluiuprojetos
em Cabo Verde, Guiné Bissau, Haiti e Palestina.
Executa, atualmente, projetos nos seguintes países:
Burundi, Cabo Verde, Camboja, Guiné-Bissau,
Palestina, Serra Leoa e Vietnã. Criado em 2004,
o Fundo objetiva, com base nas capacidades
disponíveis nos países do IBAS e em suas
experiências nacionais exitosas, apoiar projetos
autossustentáveis e reproduzíveis, atendendo
particularmente a demandas de países de Menor
Desenvolvimento Relativo (MDRs) ou saídos de
conflitos. O Fundo busca, ainda, contribuir para a
consecução das Metas do Milênio.
  Pelo reconhecimento do êxito de suas
iniciativas, o Fundo IBAS recebeu, em 2006, o
Prêmio Parceria Sul-Sul para Aliança Sul-Sul,
concedido pelo PNUD, e, em 2010, o Prêmio
Millennium Development Goals Awards,
outorgado pelo Millennium Development
Goals Awards Committee, ONG voltada à
promoção das Metas do Milênio.

 COMUNICADO CONJUNTO - REUNIãO
    TéCNICA BRASIL-ESPANHA SOBRE
TEMAS CONSULARES E MIGRATóRIOS
                            05/06/2012
                               
  No dia 4 de junho, em Madri, reuniram-se
delegações do Brasil e da Espanha, presididas
pelos Diretores dos Departamentos Consulares
e compostas por altos funcionários diplomáticos
e por autoridades policiais dos dois países.
  O principal tema da reunião foi a facilitação
recíproca de entrada nos dois países por visitantes
nacionais dos respectivos países.
  O encontro começou com o deslocamento
de ambas as delegações ao Aeroporto de

Barajas, onde visitaram o local designado para
os inadmitidos, presenciaram a fiscalização
imigratória para viajantes oriundos de países
que não integram a União Europeia e visitaram
a sala na qual são realizadas entrevistas com
viajantes que ingressam na Espanha.
  Após intensa sessão de trabalho, na qual
foram analisadas as legislações, normas e
práticas de ambos os países, as delegações
acordaram o seguinte:
  1. Foi definida lista detalhada e exaustiva dos
requisitos mútuos para o traspasso de fronteiras
e essa lista será incluída nas páginas eletrônicas
das Embaixadas e Consulados de ambos os
países, de modo a fornecer informação clara aos
viajantes. Nesse sentido, acordou-se que esses
requisitos serão atualizados diante de possíveis
modificações que possam ocorrer.
  2. A delegação espanhola informou que,
conforme o novo regime simplificado para a
carta-convite, será necessário que do documento
conste apenas a identidade da pessoa que
convida, a identidade da pessoa convidada e
o local da hospedagem. Acordou-se que essa
informação, assim como modelo do documento,
também será publicada nas páginas eletrônicas
das respectivas Embaixadas e Consulados.
  3. Acordou-se que brasileiros que viajam
à Espanha tendo como destino outro Estado
Schengen deverão registrar o lugar ao qual
se dirigem e a identidade da pessoa que os
hospedará, quando não comprovarem outro
modo de hospedagem, juntamente com os demais
requisitos de entrada no espaço Schengen.
  4. Ambas as partes acordaram um novo
procedimento de comunicação por linha direta
entre as autoridades consulares e de fronteira
nos aeroportos de ambos os países, bem como
entre as Divisões de Assistência Consular de
seus Ministérios das Relações Exteriores para
consulta e assistência em casos de inadmissão
na fronteira.
  acordou-se, também, mecanismo específico

   
   

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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




para a assistência consular dos nacionais que se
encontrarem nas salas e zonas designadas para
inadmitidos nos aeroportos de ambos os países
enquanto aguardam por seu voo de regresso.
  Acordou-se, igualmente, que será prestada
toda a ajuda possível aos nacionais da outra
parte enquanto permanecerem nessa situação.
  Com a finalidade de facilitar o acima
acordado, foram designados como pontos focais
os Diretores dos Departamentos Consulares de
ambos os Ministérios das Relações Exteriores,
os Cônsules-Gerais do Brasil e da Espanha, o
Coordenador-Geral da Polícia de Imigração do
Brasil e o Comissário-Geral de Estrangeiros e
Fronteiras da Espanha, e os Chefes da Polícia de
Imigração dos respectivos aeroportos.
  Paratanto,cadadelegaçãodisponibilizouàoutraos
dados de contato dos pontos focais designados.
  5. Ambas as partes concordaram que os
viajantes que se encontrem em zona designada
para inadmitidos receberão sua bagagem pessoal
após solicitação às autoridades competentes em
cada aeroporto, quando sua permanência na
referida zona for superior a 24 horas ou em casos
de extrema necessidade, desde que não existam
situações de força maior que o impeçam.
  6. Por fim, ambas as partes acordaram
que serão elaborados folhetos informativos
destinados aos viajantes cuja entrada no outro
país não tenha sido permitida.
  As delegações registraram o excelente ambiente
de cooperação e pelos importantes avanços obtidos
na reunião, bem como pela disposição para a
cooperação mútua nessa matéria.
  Madri, 4 de junho de 2012
   
   ELEIçãO DE ROBERTO FIGUEIREDO
              CALDAS PARA A CORTE
      INTERAMERICANA DE DIREITOS
                           HUMANOS
                            05/06/2012
   
O Governo brasileiro recebeu com satisfação
a eleição do Dr. Roberto Caldas ao cargo de juiz
da Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Com 19 votos, foi o candidato mais votado
em votação ocorrida hoje, na XLII Sessão da
Assembleia Geral da OEA, em Cochabamba, na
Bolívia.
  O Dr. Roberto Caldas é bacharel em Direito
pela Universidade de Brasília. Atua como
advogado nas áreas de direitos humanos,
constitucional, trabalhista, administrativo,
ambiental, do consumidor, eleitoral e
internacional. é, também, membro da Comissão
de ética Pública da Presidência da República
desde 2006 e, desde 2010, membro da Comissão
Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo
(CONATRAE) da Secretaria de Direitos
Humanos da Presidência da República, onde
também atuou entre 2003 e 2007.

               CONCESSãO DE ASILO
                            08/06/2012
                               
  O Governo brasileiro decidiu conceder asilo
ao nacional boliviano Roger Pinto Molina, à luz
das normas e da prática do Direito Internacional
Latino-Americano e com base no artigo 4.º,
inciso X, da Constituição Federal.

      REUNIãO EXTRAORDINáRIA DO
       CONSELHO DE MINISTROS DAS
 RELAçõES EXTERIORES DA UNASUL -
       BOGOTá, 11 DE JUNHO DE 2012
                            08/06/2012
  O Ministro Antonio de Aguiar Patriota
participará, no dia 11 de junho, em Bogotá,
de Reunião Extraordinária do Conselho de
Ministros das Relações Exteriores da União de
Nações Sul-Americanas (UNASUL).
  A reunião marcará o término do mandato

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	145




de María Emma Mejía como Secretária-Geral
da UNASUL e a transmissão do cargo para
Alí Rodríguez Araque, que iniciará mandato
de um ano. A gestão da colombiana María
Emma Mejía contribuiu de modo importante
para a consolidação institucional da UNASUL,
esforço que deve permanecer no Secretariado
do venezuelano Alí Rodríguez. Instalou-se, por
exemplo, a sede provisória do Secretariado em
Quito e aprovou-se orçamento comum do Bloco,
dotando-o de estrutura operacional enxuta e de
baixo custo. O Governo brasileiro expressa sua
satisfação ante a excelente coordenação entre a
atual titular e seu substituto.
  Os Chanceleres examinarão temas como o
Regulamento Geral da UNASUL e a criação de
Conselho Eleitoral e de Conselho de Segurança
Cidadã, Justiça e Coordenação de Ações contra
o Crime Organizado Transnacional.
  A	UNASUL	conta	atualmente	com
Conselhos Ministeriais que dinamizam as
relações entre os países da região, tais como
o Conselho de Infraestrutura e Planejamento
(COSIPLAN), o Conselho de Defesa (CDS) e o
Conselho Energético. Conta, ainda, com órgãos
setoriais plenamente operativos, como o Centro
de Estudos Estratégicos em Defesa (CEED),
em Buenos Aires, o Instituto Sul-Americano de
Governo em Saúde (ISAGS), no Rio de Janeiro,
e a Secretaria Técnica UNASUL-Haiti.

                  SITUAçãO NA SíRIA
                            08/06/2012
                               
  O Governo brasileiro vê com crescente
preocupação a escalada da violência na Síria. O
Brasil repudiou de maneira veemente os atos de
agressão contra dezenas de mulheres, homens e
crianças em Houla, nos termos da declaração da
Presidência do Conselho de Segurança da ONU,
e considera extremamente graves as alegações de
continuada violência contra a população civil síria.
   
Em conformidade com o apoio brasileiro às
resoluções anteriores do Conselho de Direitos
Humanos da ONU, o Governo brasileiro co-
patrocinou a convocação de sessão especial,
em 1º. de junho último, que aprovou resolução
sobre a deterioração da situação de direitos
humanos na Síria e sobre os assassinatos em
Houla. O Ministro Antonio de Aguiar Patriota
transmitiu pessoalmente ao coordenador da
Comissão Internacional de Inquérito para a
Síria, Paulo Sérgio Pinheiro, apoio à condução
de processo independente de investigação dos
crimes ocorridos em território sírio, de modo a
identificar e responsabilizar os culpados.
  Em contato telefônico em 5 de junho último,
o Enviado Especial Conjunto das Nações Unidas
e da liga Árabe para a crise síria, kofi annan, e o
Ministro Antonio de Aguiar Patriota coincidiram
sobre a necessidade de intensificação de
mobilização diplomática internacional que vise
a evitar a deflagração de um conflito civil, assim
como a encontrar solução negociada para a Síria,
plenamente respaldada pelo sistema multilateral.
  No debate informal da Assembleia Geral
de ontem, 7 de junho, o Governo brasileiro
condenou, por meio de sua Representante
Permanente junto às Nações Unidas, Maria
Luiza Ribeiro Viotti, o uso da força contra a
população desarmada e instou o Governo sírio,
principal responsável pela integridade de seus
cidadãos, a honrar seu compromisso com o
Plano Annan e criar as condições necessárias
para que esse esforço internacional de mediação
possa prosperar.
  O Governo brasileiro insta o Governo sírio
a cooperar com a Missão de Supervisão das
Nações Unidas na Síria (UNSMIS), integrada
por observadores brasileiros, permitindo-lhe
acesso irrestrito aos locais conflagrados por
conflitos, conforme mandato do Conselho de
Segurança da ONU, por meio das Resoluções
2042 e 2043.




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




    ATENTADO CONTRA MEMBROS DA
 OPERAçãO DAS NAçõES UNIDAS EM
CôTE DIVOIRE (COSTA DO MARFIM) 
                              UNOCI
                            10/06/2012
                               
  O Governo brasileiro deplora o atentado
perpetrado contra membros da Operação das
Nações Unidas em Côte dIvoire (Costa do
marfim)  uNOCi, que deixou saldo de 7
mortos entre o contingente militar do Níger. O
Governo brasileiro transmite sua solidariedade e
seu pesar às famílias das vítimas e ao Governo
nigerense.
  Sob o amparo legal das Resoluções 1528
(2004), 1609 (2005) e 1739 (2007) do Conselho
de Segurança das Nações Unidas, a UNOCI foi
estabelecida com a finalidade de assegurar a paz
e a segurança da região. Atos de violência contra
membros da UNOCI constituem	inaceitável
violação do direito internacional.
  O Governo brasileiro reitera seu repúdio a
todas as formas de violência, praticadas sob
qualquer pretexto.

       PARTICIPAçãO DA PRESIDENTA
 DILMA ROUSSEFF NA VII CúPULA DO
   G20 - LOS CABOS, 18 E 19 DE JUNHO
                             DE 2012
                            14/06/2012
  A Presidenta da República, Dilma Rousseff,
participará da VII Cúpula do Grupo dos 20
(G20) em Los Cabos, México, de 18 a 19 de
junho de 2012.
  Os Chefes de Estado e de Governo do G20 se
reunirão em três sessões de trabalho, nas quais
serão discutidos os seguintes temas: economia
global e Marco para o Crescimento Forte,
Equilibrado e Sustentável; fortalecimento da
arquitetura financeira internacional e promoção

da inclusão financeira; comércio internacional
e criação de empregos; desenvolvimento,
crescimento verde inclusivo, infraestrutura e
segurança alimentar.
  O G20 foi estabelecido em 1999, como
consequência das crises de balanço de
pagamentos ocorridas ao longo da década
de 90. A partir de 2008, em reconhecimento
da necessidade de cooperação ampliada para
superar a crise nos países desenvolvidos, passou
a reunir-se em nível de Chefes de Estado e
Governo. São membros do G20: áfrica do
Sul; Alemanha; Arábia Saudita; Argentina;
Austrália; Brasil; Canadá; China; Coreia do Sul;
Estados Unidos; França; índia; Indonésia; Itália;
Japão; México; Reino Unido; Rússia; Turquia;
União Europeia. Esses países representam,
aproximadamente, 85% do comércio mundial,
90% do produto interno bruto e 2/3 da população
do planeta.
  Para a VII Cúpula do G20, comparecerão,
como convidados da presidência mexicana,
os seguintes países: Benin (país que preside
a União Africana -UA); Camboja (país que
preside a Associação dos Países do Sudeste
Asiático -ASEAN); Etiópia (país que preside
a Nova Parceria para o Desenvolvimento da
áfrica -NEPAD); Chile (país que preside a
Comunidade dos Estados da América Latina e
do Caribe - CELAC); Colômbia e Espanha.

          FALECIMENTO DO PRíNCIPE
     HERDEIRO DO REINO DA ARáBIA
                            SAUDITA
                            16/06/2012
                               
  O Governo brasileiro recebeu com pesar
a notícia do falecimento do Príncipe Nayef
bin Abdulaziz Al Saud, Ministro do Interior e
herdeiro do trono da Arábia Saudita.
   O Brasil apresenta suas sinceras condolências
ao Rei Abdullah bin Abdulaziz al Saud, à família




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	147




do Príncipe Nayef Bin Adbulaziz, e ao Governo
e povo da Arábia Saudita.

     COMUNICADO CONJUNTO ENTRE
 BRASIL E TURQUIA  RIO DE JANEIRO,
                 21 DE JUNHO DE 2012
                            21/06/2012
                               
  A reunião entre a Presidenta Dilma Rousseff
e o Primeiro-ministro recep Tayyip erdo?an,
realizada em 21 de junho de 2012, à margem
da Conferência das Nações Unidas sobre
Desenvolvimento Sustentável (Rio +20), que
teve lugar no Rio de Janeiro, no período de 20
a 22 de Junho de 2012, é indicação clara da
importância atribuída por Brasil e Turquia ao
fortalecimento das relações bilaterais.
  Os dois países, que superaram o obstáculo da
distância geográfica por meio do estabelecimento
e da manutenção de relações estreitas, valorizam
a importância de atuarem em conjunto para
enfrentar os desafios da ordem global em
transformação. Ambos os países reconhecem
que as bases atuais do multilateralismo
oferecem amplas oportunidades para que atores
emergentes como Brasil e Turquia desempenhem
papel-chave no oferecimento de soluções para
complexas questões internacionais.
  Brasil e Turquia continuam a moldar
seus vínculos bilaterais e sua cooperação
internacional com base no respeito mútuo aos
valores universais, incluindo a paz, a segurança,
a estabilidade, a democracia, o Estado de Direito,
a boa governança e a promoção dos direitos
humanos.
  Neste	contexto,	os	dois	mandatários
examinaram o estado das relações bilaterais, que
testemunharam desenvolvimento substancial
nos últimos anos. Saudaram a continuidade dos
contatos de alto nível e os processos de consulta
política, realizados como resultado de forte
vontade política de ambos os lados.
   
Os mandatários sublinharam,
especificamente, a importância da reunião da
Comissão de Cooperação de Alto Nível entre
Chanceleres, bem como dos mecanismos de
consulta política em nível de Subsecretário/
Secretário-Geral das duas Chancelarias,
ambos realizados anualmente. Os dois países
concordaram, ademais, em manter consultas
regulares entre as áreas responsáveis pelo
planejamento de políticas.
  Congratularam-se com o avanço das relações
econômicas e com o crescimento do volume de
comércio bilateral, que, segundo dados turcos,
alcançou quase 3 bilhões de dólares em 2011,
em meio à crise da financeira internacional.
Reiteraram sua determinação de atingir a meta
de 10 bilhões de dólares no comércio bilateral.
Destacaram a importância da entrada em vigor do
Acordo para Evitar a Dupla Tributação e Prevenir
a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos sobre
a Renda, assinado em dezembro de 2010, com
vistas à promoção de investimentos recíprocos.
Concordaram, também, em realizar no Brasil,
em 2012, a Terceira Reunião da Comissão Mista
Econômica.
  No domínio da defesa, os dois mandatários
saudaram os resultados positivos da visita oficial
efetuada ao Brasil pelo ministro da Defesa
Nacional da Turquia, ?smet Y?lmaz, em maio de
2012, a convite do Ministro da Defesa do Brasil,
Celso Amorim. Na ocasião, empresas públicas e
privadas do setor de defesa mantiveram reuniões
produtivas. A esse respeito, os mandatários
sublinharam o fortalecimento da cooperação
entre as indústrias de defesa dos dois países e
destacaram a importância de se dar continuidade
a tal processo.
  Os dois mandatários destacaram, também,
seu interesse em explorar oportunidades
para desenvolver a cooperação no campo
aeroespacial.
  Enfatizaram a necessidade de continuar a
fortalecer a cooperação no domínio da energia.




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




Realçaram a importância de se criar, em 2012,
um Subcomitê de Energia.
  Os	mandatários	também	expressaram
satisfação com estreitamento dos laços culturais
entre Brasil e Turquia. Apreciaram a decisão do
Governo turco de abrir Escritório de Turismo
e Promoção junto ao Consulado-Geral em São
Paulo. Destacaram o impacto positivo dos vôos
diretos entre São Paulo e Istambul na promoção
e no aumento das atividades culturais e turísticas.
  Examinaram	detidamente	a	estreita
colaboração entre os dois países nos foros
multilaterais. Destacaram a importância da
sinergia criada a partir da ação conjunta voltada
para o entendimento e enfrentamento das
complexas dinâmicas do sistema internacional.
  Os mandatários saudaram o êxito da
Conferência	Rio+20,	fazendo	referência
especial à expressiva participação de alto
nível. Consideraram a Conferência esforço
fundamental na consecução do desenvolvimento
sustentável e salientaram a necessidade da
implementação dos objetivos acordados.
  Ao saudar os papéis cada vez mais
importantes desempenhados por Brasil e Turquia
como doadores e atores dinâmicos nos esforços
de desenvolvimento global, os mandatários
concordaram em intensificar a cooperação e a
coordenação entre os dois países no tocante à
arquiteturainternacionalparaodesenvolvimento,
em particular na área da Cooperação Sul-
Sul. Nesse sentido, comprometeram-se com
o engajamento de Brasil e Turquia, de forma
sustentada, em esforços conjuntos em todas
as plataformas internacionais pertinentes para
a promoção de soluções duradouras para os
problemas e desafios enfrentados pelos países
em desenvolvimento, especialmente aqueles de
menor desenvolvimento relativo.
  Os	mandatários	expressaram	satisfação
com o nível existente de cooperação entre
Brasil e Turquia no âmbito das organizações
internacionais, particularmente nas Nações

Unidas, que têm papel central no estabelecimento
e na manutenção da paz global, estabilidade e
prosperidade. Concordaram sobre a necessidade
e urgência de uma abrangente reforma do
Conselho de Segurança das Nações Unidas com
vistas a torná-lo mais representativo, legítimo
e apto a enfrentar de forma eficaz os desafios
de nosso tempo. O Brasil reiterou seu apoio à
candidatura turca a assento não-permanente no
CSNU no biênio 2015-2016.
  Os mandatários sublinharam a importância do
G-20 e suas políticas econômicas internacionais
num momento em que a crise econômica atinge
a maior parte dos países. Concordaram sobre a
necessidade de se manter consulta mais intensa
entre os dois países com relação às questões do
G-20.
  Enfatizaram a importância das relações entre
MERCOSUL e Turquia. O Primeiro-Ministro
erdo?an reiterou o forte interesse da Turquia na
retomada das negociações entre o MERCOSUL
e a Turquia de Acordo de Livre Comércio, assim
como na realização da primeira reunião do
Mecanismo de Diálogo Político e Cooperação e
solicitou o apoio do Brasil a esse respeito.
  A Presidenta Dilma Rousseff agradeceu
o apoio da Turquia à postulação do Brasil à
condição de observador na Organização de
Cooperação Islâmica (OIC).
  Os dois Mandatários manifestaram pleno
apoio às legítimas aspirações das populações
do Oriente Médio e do Norte da áfrica por
democracia, direitos humanos, Estado de
Direito, dignidade e justiça social. Sublinharam
a necessidade de que os movimentos populares
conduzam tais demandas de modo pacífico e o
imperativo de que os governos respondam da
mesma maneira. Condenaram o uso da força e
da violência contra populações que tentam fazer
ouvir suas justas e legítimas reivindicações por
meios pacíficos. reafirmaram, também, seu
pleno apoio ao estabelecimento de um Estado
palestino independente, dentro das fronteiras de




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	149




04 de junho de 1967, com Jerusalém Oriental
como sua capital.
  Passando	em	revista	os	últimos
acontecimentos na Síria, os dois mandatários
expressaram profunda preocupação com a
continuação da violência contra civis, que,
concordaram, deve acabar de forma imediata
e incondicional. Expressaram total apoio aos
esforços do Enviado Especial das Nações
unidas e da liga Árabe, kofi annan, e apelaram
para a implementação completa e imediata do
plano de seis pontos, em conformidade com
as Resoluções 2042 e 2043 do Conselho de
Segurança das Nações Unidas. Sublinharam
a importância de iniciar sem demora processo
político inclusivo, conduzido pelos próprios
sírios e que contemple de forma democrática e
efetiva as legítimas aspirações do povo sírio.
  Os dois mandatários destacaram, também,
a importância de outras áreas de cooperação
conjunta, incluindo a Aliança das Civilizações,
a Conferência de Mediação de Istambul e a
Iniciativa de Parceria para um Governo Aberto.
  Reconheceram o interesse recíproco no
aprofundamento das relações com os países
africanos. Nesse sentido, decidiram realizar
consultas regulares entre as Chancelarias, com
vistas à troca de experiências com relação à
áfrica.
  A Presidenta Dilma Rousseff e o Primeiro-
ministro erdo?an coincidiram na necessidade
de atuar em conjunto e buscar soluções
pacíficas comuns para problemas regionais com
ramificações globais.
  A este respeito, os mandatários concordaram
com o fortalecimento dos mecanismos de
cooperação	existentes,	bem	como,	caso
necessário,	com	o	desenvolvimento	de
novos instrumentos, havendo encorajado a
implementação do Plano de Ação para a Parceria
Estratégica, como seu mapa do caminho.
  Os mandatários concluíram que a parceria
duradoura entre Brasil e Turquia, países que

compartilham uma cultura de paz e um mesmo
conjunto de valores universais, é capaz de
continuar a contribuir, de forma efetiva, para a
paz e a estabilidade internacionais.
  Ambos mandatários exploraram a
possibilidade de cooperação no campo do
desenvolvimento e renovação urbana. A esse
respeito, o Ministro do Desenvolvimento
Urbano e Meio Ambiente da Turquia, Erdogan
Bayraktar, visitará o Brasil no segundo semestre
de 2012.

     COMUNICADO CONJUNTO ENTRE
        BRASIL E AUSTRáLIA  RIO DE
       JANEIRO, 21 DE JUNHO DE 2012
                            21/06/2012
                               
  Sua Excelência a Senhora Julia Gillard,
Primeira-Ministra da Austrália, realizou visita
oficial ao Brasil no período de 20 a 22 de junho de
2012, a convite de Sua Excelência a Presidenta
Dilma Rousseff e participou da Conferência
Rio+20. As duas Líderes mantiveram diálogo
a respeito de questões bilaterais, regionais e
internacionais de interesse mútuo.
  Considerando o progresso alcançado nos
últimos anos no fortalecimento das relações
bilaterais, e com vistas a dar expressão ao
aprofundamento dos laços e crescimento
do papel desempenhado pelos dois países
no mundo, a Presidenta Dilma Rousseff e a
Primeira-Ministra Julia Gillard concordaram
em elevar as relações entre Brasil e Austrália ao
nível de parceria estratégica.
  As duas Líderes acordaram o seguinte
Comunicado:

  Agenda Bilateral
   
  1. As Líderes expressaram sua determinação
de fortalecer o diálogo bilateral entre Brasil e
Austrália e ampliar a cooperação bilateral, com




150

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




base nos valores compartilhados de democracia,
direitos	humanos,	diversidade	cultural,
liberalização do comércio, multilateralismo,
proteção do meio-ambiente, defesa da paz e
da segurança internacionais e promoção do
desenvolvimento com justiça social.
  2. As duas Líderes expressaram satisfação
comacrescentecooperaçãobilateralmutuamente
benéfica no contexto da Parceria reforçada,
acordada em setembro de 2010. Realçaram os
resultados da implementação do Plano de Ação
sobre relações políticas, sociais e econômicas,
em áreas como comércio, investimento, energia,
agricultura, ciência e tecnologia, educação,
questões jurídicas, esportes e cultura.
  3. Ambas saudaram a programada assinatura
do Acordo de Cooperação em Ciência,
Tecnologia e Inovação, o qual apoiará e
fortalecerá a colaboração entre as instituições de
pesquisa e as indústrias de ambos os países.
  4. As duas Líderes concordaram em dar
início a programa de colocação de estudantes
e acadêmicos em instituições de excelência
de ambos os países, no contexto do Programa
Brasileiro Ciências sem Fronteiras. Saudaram a
assinatura dos Memorandos de Entendimento,
entre o Grupo dos Oito e a Agência de
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nível Superior (CAPES), e entre o
Australian Technology Network of Universities
(ATN) e a CAPES e o Conselho Nacional de
desenvolvimento Científico e Tecnológico
CNPq. Esses instrumentos promoverão a
cooperação bilateral entre instituições de
excelência de ambos os países em pesquisa e
pós-graduação, assim como o intercâmbio de
cientistas, estudantes e professores.
  5. A Presidenta Dilma Rousseff e a Primeira-
Ministra Julia Gillard também saudaram o
progresso alcançado na área de cooperação
jurídica e expressaram sua satisfação com a
próxima assinatura do Acordo de Cooperação
em Matéria Penal.
   
6. Ambas as Líderes reconheceram o
importante papel desempenhado por cidadãos
brasileiros na Austrália e por cidadãos
australianos no Brasil. Decidiram aprimorar a
cooperação bilateral em assuntos consulares.
  7. Expressaram ainda sua satisfação com
a parceria entre o Brasil e a Austrália para o
desenvolvimento de projetos de cooperação
trilateral e saudaram o progresso alcançado na
implementação de projetos para a construção
de cisternas de água limpa no Haiti. Saudaram
igualmente o trabalho conduzido pela Agência
Brasileira de Cooperação e pela AusAID, com
vistas a identificar outras áreas para cooperação
trilateral em países da áfrica e no Timor Leste.
  8. A Presidenta Dilma Rousseff e a Primeira-
Ministra Julia Gillard registraram com
satisfação os crescentes vínculos de comércio
e investimento entre o Brasil e a Austrália.
Sublinharam o importante papel da sociedade
civil e do setor empresarial para promover o
aumento dos fluxos de comércio e investimento.
  9. Ambas enfatizaram o progresso alcançado
no campo da energia e identificaram potencial
de cooperação e investimento, em áreas como
energia renovável, biocombustíveis, petróleo e
gás e mineração.
  10. As duas Líderes registraram com
satisfação o aumento nos fluxos de investimento
bilateral no setor de agronegócio e reiteraram
o interesse na promoção de missões técnicas
e empresariais recíprocas com o objetivo
de aprimorar a cooperação, o comércio e o
investimento no agronegócio.
  11. A Presidenta Dilma Rousseff recebeu
com satisfação o anúncio da Primeira Ministra
Julia Gillard de que a Austrália implementará
programa específico de atividades culturais no
Brasil em 2016.
  12. as líderes confiam em que a entrada em
vigor do Acordo de Serviços Aéreos propiciará
as condições apropriadas para a consolidação
das linhas de transporte aéreo entre o Brasil e a




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	151




Austrália.

  Agenda Multilateral
   
  13. As duas líderes expressaram satisfação
com os resultados da Conferência das Nações
Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável
- Rio+20. A Primeira-Ministra Julia Gillard
parabenizou a Presidenta Dilma Rousseff pela
bem-sucedida organização da Conferência e de
diversos outros eventos que tiveram lugar no
Rio de Janeiro na ocasião. Também congratulou
a Presidenta Dilma Rousseff por sua atuação
como Presidente da Conferência. A Presidenta
Dilma Rousseff reconheceu a importância da
contribuição da Primeira-Ministra Julia Gillard
para os resultados da Conferência. As duas
líderes se mostraram confiantes de que ambos
os países continuarão a fortalecer a cooperação
e o diálogo em questões ambientais e de
desenvolvimento sustentável, inclusive em suas
dimensões social, econômica e ambiental.
  14. Destacaram que Brasil e Austrália têm
crescentes interesses comuns em um mundo que
está sendo redesenhado pela globalização e por
novos padrões de crescimento econômico. Esse
mundo em modificação demanda diferentes
redes de parcerias internacionais. Uma relação
mais ampla e profunda entre o Brasil e a
Austrália representa o reconhecimento dessas
profundas mudanças.
  15. O ritmo acelerado da globalização
aproxima ainda mais os interesses dos dois
países. a distância geográfica tem menos
influência do que os valores e interesses que
ambos compartilham.
  16. A Austrália e o Brasil compartilham
o compromisso histórico com as instituições
multilaterais, desde a condição de membros-
fundadores das Nações Unidas até a condição
atual de membros do G-20. Ambos vêem essas
instituições como vitais para reunir países
desenvolvidos e emergentes e para ajudar a

garantir a prosperidade e a segurança em um
mundo em transformação.
  17. Ambas as Líderes discutiram a situação
econômica atual e concordaram com a
importância das medidas fiscais e monetárias
que estão sendo implementadas nacionalmente
e em outros foros para assegurar a estabilidade
global. reafirmaram a vontade de aprofundar
a cooperação nos temas no âmbito do G-20
e enfatizaram a importância de rápida
implementação das reformas de governança já
acordadas e de se chegar a um acordo sobre a
revisão das quotas do FMI.
  18. as líderes reafirmaram a importância
da reforma das Nações Unidas para melhor
refletir a complexa agenda internacional da
atualidade. reafirmaram o compromisso de
contribuir para a reforma das Nações Unidas,
incluindo a reforma do Conselho de Segurança.
Reiteraram a importância de aumentar o número
de membros permanentes e não-permanentes
do CSNU e de aprimorar os métodos de
trabalho do Conselho, de forma a torná-lo mais
representativo e com maior capacidade de
resposta aos desafios políticos e econômicos
do mundo atual. A Presidenta Dilma Rousseff
agradeceu a reiteração do apoio da Austrália
ao Brasil como membro permanente em um
Conselho de Segurança ampliado. O Brasil
enfatizou a constante contribuição da Austrália
para a paz e a segurança internacionais na esfera
das Nações Unidas e, neste contexto, reconheceu
as credenciais da Austrália para assento não-
permanente no Conselho de Segurança para o
período 2013-2014.
  19. ambas também destacaram o firme
compromisso com a resolução de conflitos por
meios pacíficos e sublinharam a importância de
esforços permanentes da diplomacia preventiva
e da mediação. Compartilharam a opinião
de que a comunidade internacional deve ser
rigorosa em seus esforços para valorizar, buscar
e exaurir todos os meios pacíficos e diplomáticos




152

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




disponíveis para proteger populações sob ameaça
de violência, de acordo com os princípios e
propósitos da Carta das Nações Unidas, como
refletidos na declaração da Cúpula mundial de
2005. A Austrália saúda os esforços do Brasil de
aprofundar as discussões e aprimorar conceitos
relacionados a esse tema.
  20. as líderes reiteraram a firme intenção
de ambos os países em apoiar os esforços
internacionais com vistas ao desarmamento
nuclear, com o objetivo de alcançar a paz e
a segurança em um mundo livre de armas
nucleares. Nesse sentido, ambas expressaram
seu apoio ao ciclo de revisão do Tratado de
Não-Proliferação	Nuclear	(TNP).	Deram
alta prioridade aos objetivos identificados no
Plano de Ação adotado na VIII Conferência
de Revisão do TNP, que inclui a entrada em
vigor do Tratado de Interdição Total de Testes
Nucleares (Comprehensive Nuclear-Test-Ban
Treaty, CTBT), o início das negociações sobre
tratado relativo a materiais físseis com objetivos
explosivos e à adoção de esforços adicionais
para a redução e posterior eliminação de todos
os tipos de armas nucleares.
  21. as duas líderes reafirmaram seu
compromisso compartilhado com a democracia
e a promoção da cidadania internacional. Esses
valores conformam a visão de mundo de Brasil e
Austrália, tanto no que respeita ao cumprimento
das Metas de Desenvolvimento do Milênio
e a proteção do meio-ambiente, quanto a suas
contribuições conjuntas à manutenção da paz
internacional. Esses valores comuns estão
na base do empenho dos dois países em atuar
internacionalmente em prol dos benefícios
mútuos e dos povos das nações mais necessitadas.
  22. Ambas reconheceram que o Brasil e
a Austrália também têm muito em comum
em suas estruturas econômicas, pois os dois
países estão entre os maiores exportadores de
produtos agrícolas, minério e energia. Como
seus mercados são globais por natureza, é de

mútuo interesse compartilhar conhecimento em
preocupações compartilhadas, como segurança
alimentar e de recursos naturais e cooperação
em ciência e tecnologia. A cooperação bilateral
contribuirá para o crescimento econômico
sustentável em ambos os Países e, também, para
a segurança nas áreas de alimentos, recursos
naturais e energia.
  23. A Presidenta Dilma Rousseff e a Primeira-
Ministra Julia Gillard compartilharam a opinião
de que o comércio internacional tem um papel
central na promoção do crescimento e do
desenvolvimento. Nesse sentido, reafirmaram
o compromisso com o sistema multilateral de
comércio e o papel da Organização Mundial do
Comércio (OmC) em sua defesa. reafirmaram
seu compromisso com a busca de uma conclusão
exitosa da Rodada Doha do Desenvolvimento
no mais breve prazo.
  24. O compromisso do Brasil com a integração
regional da América do Sul e o compromisso
da austrália com a região da Ásia-Pacífico
também foram abordados. Ambas as Líderes
concordaram em trabalhar conjuntamente
para promover um diálogo regular entre o
MERCOSUL, a Austrália e a Nova Zelândia,
conforme acordado em Dezembro de 2010 em
Foz do Iguaçu.

  Parceria Estratégica - Reuniões de Alto Nível
   
  25. Reconhecendo a importância do
diálogo político de alto nível na promoção da
cooperação bilateral, as Lideres concordaram
em intensificar os contatos entre as duas nações,
comprometendo-se a promover encontros
regulares de líderes para discutir questões centrais
de mútuo interesse e ações compartilhadas em
instituições multilaterais.
  26. Ambas incentivaram o intercâmbio
de visitas de nível Ministerial e de outros
funcionários de alto nível dos Estados, para
discussões mais aprofundadas em áreas e




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	153




mútuo interesse, conforme estabelecido neste
Comunicado e no Memorando de Entendimento
sobre o estabelecimento de uma Parceria
Reforçada. Instruíram, igualmente, funcionários
de ambos os Governos a organizarem tão logo
possível a reunião do Grupo de Promoção
e Facilitação do Investimento e Comércio
bilaterais.

  áreas Prioritárias de Diálogo e Cooperação
   
  27. Funcionários de ambos os Estados
foram instruídos a dar seguimento ao trabalho
conjunto, no âmbito do Plano de Ação
estabelecido pelo Memorando de Entendimento
sobre o estabelecimento de uma Parceria
Reforçada, com o objetivo de aumentar o
nível de comprometimento e de cooperação
entre o Brasil e a Austrália em áreas tais como
comércio e investimento, mudança do clima e
meio-ambiente, agricultura, mineração e energia
(incluindo biocombustíveis), educação, cultura e
outras formas de contato entre os povos dos dois
países. Sublinharam, igualmente, a importância
do mecanismo bilateral de consultas políticas
entre as duas Chancelarias para promover as
relações bilaterais e intercambiar opiniões sobre
questões regionais e internacionais.
  28.As duas Líderes enfatizaram a importância
que atribuem ao desenvolvimento de diálogo
ainda mais profundo nas seguintes áreas:
  * Economia Global: Como membros do G-20,
os dois países reconhecem que a prosperidade
depende da estreita cooperação entre as maiores
economias	desenvolvidas	e	emergentes.
Concordam que o G-20 se estabeleceu como
principal foro para a cooperação econômica
internacional, com papel central na busca de
respostas à crise econômica internacional e aos
desafios de longo prazo, inclusive as reformas
nos sistemas financeiros e monetários globais.
Concordaram	em	trabalhar	conjuntamente
para apoiar respostas eficazes aos desafios

econômicos internacionais, estabelecendo o
caminho para a recuperação durável e sustentável
da economia global e para a prosperidade global
de longo prazo.
  * Segurança internacional: Brasil e Austrália
compartilham forte tradição no sentido de
apoiarem medidas internacionais eficazes para
enfrentar desafios à segurança global, incluindo
proliferação nuclear e terrorismo. As duas
Líderes acordaram que, em face dos crescentes
interesses globais em comum, altos funcionários
das áreas de política externa e defesa do Brasil e
daAustrália deverão se encontrar proximamente,
para iniciar diálogos regulares.
  * Comércio e Investimento: As Líderes
reiteraram seu firme compromisso com o
sistema multilateral de comércio e, como
membros do G-20, seu apoio ao comércio livre
e eficaz para minimizar medidas que distorcem
o comércio. Como membros do Grupo de
Cairns, concordaram em fortalecer ainda mais
os esforços de coordenação no sentido de fazer
progredir a reforma multilateral do comércio
agrícola, buscando um sistema de comércio
justo e definido pelo mercado. Concordaram em
aprofundar os laços de comércio e investimento
bilaterais, inclusive por meio por meio das
Câmaras de comércio de ambos os países.
  * Recursos naturais e energia: Ambas
registraram que as duas nações estão entre
as maiores detentoras mundiais de recursos
naturais e energia. Concordaram que os dois
Governos aprofundarão o diálogo e, quando
pertinente, a cooperação efetiva em questões de
mútuo interesse, tais como segurança energética
e volatilidade dos preços de mercado, energia
renovável e biocombustíveis. Registraram
exemplos concretos de ação em futuro
próximo, dentre as quais a visita por delegação
parlamentar do Brasil à Austrália Ocidental para
estudar questões relativas a mineração e terras
indígenas.
  * Educação: Concordaram que as instituições

   
   

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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




e os mais altos órgãos dos respectivos sistemas
universitários e de ensino técnico deverão
aprofundar a cooperação. Registraram que
ambos	os	países	desenvolveram	amplos
programas de bolsas de estudo por meio do
AustralianAwards, do GovernoAustraliano, e do
Programa Ciências Sem Fronteiras, do Governo
brasileiro. Tais programas darão incentivo
e apoio a laços mais efetivos entre os dois
países e promoverão maior entendimento entre
futuros líderes governamentais e de áreas como
educação e indústria, bem como aprofundarão o
conhecimento mútuo das respectivas regiões.
  * Ciência e Tecnologia: Brasil e Austrália
compartilham diversas condições ambientais
e estruturas econômicas, tais como grandes
indústrias agrícolas exportadoras. Tais indústrias
serão beneficiárias do acordo em Ciência e
Tecnologia a ser proximamente concluído pelos
dois países. As duas Líderes concordaram em
aumentar a cooperação em produção agrícola e
em fazer avançar a cooperação pragmática entre
organizações científicas, tais como CSirO e
ACIAR na Austrália e EMBRAPA no Brasil.
  * Cooperação em Desenvolvimento: Como
Brasil e austrália possuem significativos
programas	de	cooperação	internacional,
concordaram em intensificar a cooperação entre
agências de desenvolvimento, inclusive no
contexto da agenda de desenvolvimento do G-20.
Com base no Memorando de Entendimento sobre
Cooperação para o Desenvolvimento, assinado
em dezembro de 2010, as agências de ambos os
países compartilharão seus conhecimentos no
gerenciamento e governança de programas de
ajuda.
  * Meio Ambiente e Desenvolvimento
Sustentável: reconhecendo a alta prioridade que
deve ser atribuída à agenda do desenvolvimento
sustentável, as duas Chefes de Governo
decidiram estabelecer diálogo regular sobre
desenvolvimento sustentável e meio ambiente,
incluindo	mudança	do	clima,	florestas,

biodiversidade e governança ambiental. As
duas líderes reiteraram sua firme intenção de
dar continuidade a seus esforços, nos âmbitos
bilateral e multilateral, em favor de políticas de
sustentabilidade.
  * Desastres Naturais: Como líderes de
países vastos e expostos e eventos climáticos
extremos, especialmente nos trópicos, e como
líderes em ajuda humanitária a países menos
desenvolvidos, concordaram em implementar o
Memorando de Entendimento para cooperação
em resiliência a desastres, que promoverá o
intercâmbio de conhecimentos entre as duas
nações e garantirá que suas comunidades e
Governos se encontrem em melhores condições
de enfrentar e se recuperar de desastres naturais,
tanto no âmbito doméstico quanto internacional.

     COMUNICADO CONJUNTO ENTRE
 BRASIL E CHINA  RIO DE JANEIRO, 21
                   DE JUNHO DE 2012
                            21/06/2012
                               
  A Presidenta da República Federativa
do Brasil, Dilma Rousseff, reuniu-se com o
Primeiro-Ministro do Conselho de Estado da
República Popular da China, Wen Jiabao, no
Rio de Janeiro, em 21 de junho de 2012, durante
sua visita oficial ao Brasil.
  2. O Primeiro-Ministro Wen Jiabao
congratulou o Brasil pelo êxito da Conferência
Rio+20. A Presidenta Dilma Rousseff agradeceu
o apoio da China na preparação e realização da
Conferência. Os dois mandatários reiteraram o
firme propósito de continuar a somar esforços
no plano bilateral, no âmbito do BASIC (Brasil,
áfrica do Sul, índia e China), e de outros fóruns
multilaterais, para reforçar a cooperação em
favor de políticas de sustentabilidade.
  3.Emclimaamistoso,osdoislíderesavaliaram
detidamente as relações bilaterais e trocaram
opiniões sobre temas regionais e internacionais




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	155




de interesse comum, sobre os quais obtiveram
consensos	importantes.	Reconheceram	o
aprofundamento da confiança política mútua
e o dinamismo do relacionamento entre os
dois países, em sua vertente bilateral e em sua
crescente projeção multilateral, com perspectiva
de longo prazo. Reiteraram o compromisso de
promover salto qualitativo das relações sino-
brasileiras, por meio da intensificação do diálogo
político e da ampliação da agenda de cooperação
bilateral. Registraram também os entendimentos
na área de defesa, o intercâmbio sobre políticas
sociais, as consultas bilaterais sobre direitos
humanos, e o intercâmbio parlamentar.
  4. A Presidenta Dilma Rousseff e o Primeiro-
Ministro Wen Jiabao anunciaram a elevação
do relacionamento sino-brasileiro ao patamar
de Parceria Estratégica Global. Assinalaram
que essa decisão atesta o reconhecimento da
crescente influência estratégica e global dos
dois países, cuja cooperação será cada vez mais
abrangente, numa conjuntura internacional
marcada por mudanças profundas. Decidiram
estabelecer Diálogo Estratégico Global a ser
efetuado por pelo menos uma reunião anual em
nível de Chancelares.
  5. As Partes destacaram os resultados muito
positivos da II Reunião da Comissão Sino-
Brasileira de Alto Nível de Concertação e
Cooperação (COSBAN), realizada em Brasília,
em 13 de fevereiro passado, e os avanços
propiciados pelas atividades de suas onze
Subcomissões e Grupos de Trabalho.
  6. A Presidenta Dilma Rousseff e o Primeiro-
Ministro Wen Jiabao saudaram a assinatura,
durante a visita, do Plano Decenal de Cooperação
(2012-2021), que vem somar-se ao Plano de
Ação Conjunta Brasil-China, na promoção de
avanços substanciais na cooperação pragmática
bilateral e no fortalecimento do conteúdo
estratégico das relações sino-brasileiras. O
Plano Decenal orientará ações de cooperação,
nos próximos dez anos, nas áreas de ciência e

tecnologia e inovação e cooperação espacial;
energia, mineração, infra-estrutura e transportes;
investimentos, parcerias industriais e cooperação
financeira; cooperação econômico-comercial;
cooperação cultural e educacional e intercâmbio
entre sociedades civis.
  7. Os dois mandatários assinalaram a ênfase
atribuída pelo Plano Decenal à cooperação em
ciência e tecnologia e inovação, fundamental
para promover o bem-estar de seus povos e
a adequada inserção internacional de ambos
os países na economia do conhecimento no
século XXI. Avaliaram positivamente as novas
iniciativas conjuntas nas áreas de ciência,
tecnologia e inovação, notadamente nos
segmentos de nanociência e nanotecnologia;
meteorologia; biotecnologia e tecnologias
agrícolas; meio ambiente, mudança do clima,
energias limpas e renováveis e economia
verde; tecnologias de bambu; tecnologias
da informação e das comunicações (TIC); e
promoção do diálogo entre parques tecnológicos,
com vistas a associações entre pequenas e
médias empresas de base tecnológica de ambos
os países. Saudaram a assinatura dos Acordos
sobre a instalação do Centro Conjunto Brasil-
China de Satélites Meteorológicos e do Centro
Brasil-China de Biotecnologia, que poderão
contemplar atividades de pesquisa conjunta
em áreas como informação meteorológica,
alerta sobre desastres naturais, biomedicina,
bioinformática e biomateriais.
  8. A Presidenta Dilma Rousseff e o Primeiro-
ministro Wen Jiabao confirmaram a decisão
de envidar esforços conjuntos com vistas ao
lançamento dos Satélites Sino-Brasileiros de
Recursos Terrestres CBERS-03, em 2012, e
CBERS-04, em 2014, e concordaram quanto ao
interesse em estimular o trabalho conjunto para
a distribuição internacional dos dados daqueles
satélites. Acordaram aprofundar as discussões
com vistas a agilizar a elaboração do Plano
Decenal de Cooperação Espacial.




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




  9. Os dois mandatários congratularam-se
pela capacidade revelada por Brasil e China de
utilizar de forma equilibrada políticas fiscais
e monetárias de crescimento e de melhoria
das condições de vida de seus povos, em um
momento em que a economia mundial passa
por severas dificuldades. reconheceram os
benefícios mútuos advindos da decisão de ir
além da complementaridade em suas trocas
comerciais e da ampliação e diversificação
significativa dos fluxos bilaterais de comércio
e investimentos. Sublinharam a importância
de que os fluxos bilaterais de investimentos
contribuam para a agregação de valor nas
cadeias produtivas do país receptor. Reiteraram
o compromisso de resolver questões comerciais
por meio de consultas e diálogo conduzidos
de forma amistosa pelos canais institucionais
estabelecidos e condenaram o recurso a medidas
de protecionismo comercial.
  10. A Presidenta Dilma Rousseff e o
Primeiro-Ministro Wen Jiabao anunciaram que
a joint venture Harbin Embraer Aircraft Industry
(HEAI) iniciará brevemente as operações
para a produção de jatos executivos na China.
Expressaram a expectativa de conclusão, em
breve, de negociações quanto à joint venture
entre a empresa brasileira Marcopolo e a
empresa chinesa SG Automotive Group.
  11. Os dois líderes ressaltaram a importância
do intercâmbio humanístico no aprofundamento
da amizade sino-brasileira. Destacaram, nesse
sentido, a promissora parceria no âmbito do
Programa Ciência Sem Fronteiras, que deverá
possibilitar que estudantes e pesquisadores
brasileiros sejam enviados à China. A parte
chinesa oferecerá, anualmente, 200 bolsas de
estudo do Governo chinês e isentará mensalidade
e taxa de matrícula neste âmbito. Registraram,
ainda, as iniciativas em favor do aprofundamento
do conhecimento mútuo e aproximação entre
as sociedades brasileira e chinesa, por meio do
ensino do mandarim em universidades brasileiras

e do português na China; do estímulo ao turismo;
do estabelecimento de centros culturais nos dois
países; e da cooperação no campo dos esportes.
Saudaram, nesse contexto, a organização em
2013, no Brasil, do mês da China no Brasil e do
mês do Brasil na China.
  12. Os dois mandatários reafirmaram a
importância que atribuem ao Foro BRICS
(Brasil, Rússia, índia, China e áfrica do Sul),
que se consolida como ator cada vez mais
relevante no cenário internacional.
  13. Ao avaliarem a presente conjuntura
econômica internacional, expressaram
preocupação com as dificuldades na situação
econômica mundial. Tanto a China como o
Brasil têm interesse em manter a tendência
de crescimento de suas economias, para que
contribuam mais ao crescimento forte, sustentado
e equilibrado da economia mundial. As duas
partes concordam que os países emissores das
principais moedas de reserva devem levar em
conta a influência de suas políticas tanto sobre
a economia doméstica como sobre a mundial.
Nesse sentido, reafirmaram a disposição de
aprofundar a discussão sobre a economia
internacional no âmbito do BRICS e do G-20,
com vistas à adoção de ações coordenadas, para
superar a atual conjuntura adversa. Enfatizaram a
importância, nesse contexto, da implementação
tempestiva das reformas de quota acordadas
em 2010, bem como do avanço na reforma da
governança e do quadro de vigilância do FMI.
  14. Os dois líderes anunciaram a decisão de
estabelecer um mecanismo bilateral de swap
agreement entre os dois Bancos Centrais, no
valor máximo de R$60 bilhões/CNY190 bilhões,
e instruíram os Bancos Centrais a implementar
rapidamente o entendimento alcançado.
  15. Os dois líderes reiteraram avaliação de
que as atuais instâncias de governança global
precisam ser reformadas, a fim de responder
adequadamente às demandas da nova ordem
internacional. Nesse sentido, Brasil e China




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	157




apóiam uma reforma abrangente da ONU,
incluindo o aumento da representação dos países
em desenvolvimento no Conselho de Segurança,
como uma prioridade, de forma a torná-lo mais
eficiente e apto a responder aos desafios globais
atuais. A parte chinesa saudou a contribuição
prestada pelo Brasil ao encaminhamento de
temas relevantes da agenda internacional e
compreende e apóia a aspiração brasileira de
vir a desempenhar papel mais proeminente nas
Nações Unidas.
  16. A Presidenta Dilma Rousseff e o
Primeiro-Ministro Wen Jiabao sublinharam
o papel central das Nações Unidas na busca
de solução pacífica para conflitos na África
e no Oriente Médio. No tocante à questão
israelo-palestino, enfatizaram a importância
de retomada urgente das negociações entre as
partes. Instaram a comunidade internacional a
redobrar seus esforços em apoio ao diálogo e
à superação das dificuldades para retomada de
negociações. Os mandatários coincidiram quanto
à importância de que o Quarteto mantenha o
Conselho de Segurança e, por seu intermédio,
a comunidade internacional informada sobre
o andamento de seus esforços. Com relação à
Síria, manifestaram grave preocupação com a
situação no país e reiteraram apelo à cessação
imediata da violência e ao início de diálogo
político que permita solução pacífica para a
crise. reafirmaram seu firme apoio à efetiva
implementação dos seis pontos do plano do
Enviado Especial Conjunto das Nações Unidas
e da liga dos estados Árabes, kofi annan, com
vistas à imediata cessação da violência e das
violações dos direitos humanos, à garantia de
acesso à ajuda humanitária e à instauração de
um processo político inclusivo que, por meio
do diálogo e da negociação, leve à superação da
atual crise e atenda às legítimas aspirações do
povo sírio. Reiteraram ainda seu compromisso
com a soberania e a integridade territorial da
Síria. Acolheram com satisfação a retomada das

conversações entre o Irã e o P5+1 com vistas
a uma solução negociada da questão nuclear
iraniana e encorajaram as partes a continuarem
empenhadas na construção gradual da confiança.
Exortaram também o Irã e a AIEA a aprofundar
o diálogo e a cooperação. reafirmaram, ainda,
o direito do Irã ao uso da energia nuclear para
fins pacíficos, nos termos do Tratado de Não-
Proliferação de Armas Nucleares.
  17. Durante a visita, além do Plano Decenal
de Cooperação, foram assinados atos bilaterais
nas áreas econômico-comercial, financeira, de
cooperação aduaneira, agricultura, ciência e
tecnologia, cultural, intercâmbio educacional,
entre outros.
  18. A Parte chinesa agradeceu a calorosa e
amistosa acolhida pela Parte brasileira durante
a visita do Primeiro-Ministro Wen Jiabao à
República Federativa do Brasil.

      ATOS ASSINADOS POR OCASIãO
     DA REUNIãO DA PRESIDENTA DA
REPúBLICA, DILMA ROUSSEFF, COM O
  PRIMEIRO-MINISTRO DA REPúBLICA
   POPULAR DA CHINA, WEN JIABAO 
RIO DE JANEIRO, 21 DE JUNHO DE 2012
                            21/06/2012
                               
  1 - PLANO DECENAL DE COOPERAçãO
ENTRE O GOVERNO DA REPúBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO
DA REPúBLICA POPULAR DA CHINA;
    2 - ACORDO DE ASSISTêNCIA
MúTUA ADMINISTRATIVA EM MATéRIA
ADUANEIRA, ENTRE A RECEITA
FEDERAL E A ADUANA DA CHINA;
  3 - MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
PARA O ESTABELECIMENTO DE
CENTROS CULTURAIS DO BRASIL NA
CHINA E DA CHINA NO BRASIL;
  4 - MEMORANDO DE ENTENDIMENTO

   
   

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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012



ENTRE	MINISTéRIO	DE	CIêNCIA,
TECNOLOGIA	E	INOVAçãO	DO
BRASIL E O MINISTéRIO DE CIêNCIA
E TECNOLOGIA DA CHINA SOBRE A
CRIAçãO DE CENTRO CONJUNTO PARA
SATéLITES METEOROLóGICOS;
  5 - PLANO ESTRATéGICO PARA O
FORTALECIMENTO DA COOPERAçãO
AGRíCOLA	ENTRE	O	MINISTéRIO
DA	AGRICULTURA,	PECUáRIA	E
ABASTECIMENTO	DA	REPúBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL E O MINISTéRIO
DA AGRICULTURA DA CHINA;
  6 - MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE O MINISTéRIO DA CIêNCIA,
TECNOLOGIA	E	INOVAçãO	DO
BRASIL E O MINISTéRIO DA CIêNCIA
E TECNOLOGIA DA CHINA PARA A
CRIAçãO DO CENTRO BRASIL-CHINA
DE BIOTECNOLOGIA;
  7 - MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
ENTRE O MINISTéRIO DA EDUCAçãO
DO BRASIL, O MINISTéRIO DA CIêNCIA,
TECNOLOGIA E INOVAçãO DO BRASIL
E O MINISTéRIO DA EDUCAçãO DA
CHINA PARA A IMPLEMENTAçãO DO
PROGRAMA CIêNCIA SEM FRONTEIRAS
NA CHINA;
  8 - RELATóRIO DAS DIVERGêNCIAS
ESTATíSTICAS	DO	COMéRCIO
BILATERAL DE MERCADORIAS;
  9	-	ACORDO	DE	SERVIçOS
ADMINISTRATIVOS ENTRE A CAPES E O
CHINA SCOLARSHIP COUNCIL (CSC).













                                                Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	159

























































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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012










                                  ARTIGOS
                                                        
                                                        
BRASIL E HAITI: PARCERIA PARA O DESENVOLVIMENTO
                            (FOLHA DE S. PAULO, 15/01/2012)

                                 
                                 
                                 
                                 
                                 

  Neste mês de janeiro, o mundo recorda
um momento de dor: o terremoto que vitimou
mais de 300 mil pessoas no Haiti, em 2010.
Entre elas, estavam os brasileiros Zilda
Arns, Luis Carlos da Costa e 18 militares.
O Brasil, já comprometido com a causa do
desenvolvimento haitiano, aprofundou seu
apoio à reconstrução do país.
  O Brasil lidera a missão de paz da ONU,
colaborando para a manutenção da segurança
e estabilização do Haiti. Além da promoção
do diálogo político e o fortalecimento
institucional do Estado haitiano, a missão
passou a trabalhar, com a ajuda do Brasil, pelo
desenvolvimento econômico e social do país.
  No plano bilateral, temos cooperado nas
áreas agrícola, de saúde e de infraestrutura,
entre outras. Destacam-se a implementação
de unidades de saúde, o fortalecimento da
segurança alimentar do povo haitiano e o
projeto de construção de uma usina hidrelétrica
na região de Artibonite.
  A viagem da Presidenta da República,
prevista para o início de fevereiro, reflete o
contínuo engajamento do Brasil com o povo
haitiano, assim como o espírito de solidariedade
que tem guiado as ações brasileiras. Os
resultados resultados são positivos, apesar do

grande desafio de reconstrução.
  Esse espírito nos leva a tratar da questão
migratória com sensibilidade humanitária
e solidária. Preocupa que cidadãos
haitianos sejam vítimas de intermediários
inescrupulosos, que sejam objeto de extorsão,
de violência e de abusos.
  Tornou-se necessário, assim, implementar
medidas de ordenação do fluxo migratório de
haitianos para o Brasil, de modo a garantir o
respeito à dignidade e aos direitos humanos
dos migrantes.
  O Conselho Nacional de Imigração
(CNIg) adotou uma resolução que permitirá
a concessão de até 1.200 vistos de trabalho
por ano, além dos concedidos normalmente.
Por instrução da Presidenta da República, os
mais de 4.000 haitianos que já ingressaram
em território nacional terão sua situação
regularizada. O governo brasileiro está
comprometido em oferecer condições aos
migrantes haitianos para que eles possam se
estabelecer no país de forma digna.
  é importante salientar que as novas
medidas contam com o apoio do governo
haitiano e das instâncias relevantes das Nações
Unidas em temas migratórios. Erra quem vê
na nova medida uma restrição à entrada de




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	161




haitianos no Brasil. Pelo contrário, trata-se
de uma abertura, em caráter excepcional, que
estabeleceu condições especiais de ingresso
no Brasil, para além da liberdade de ingresso
já permitida.
  Essa	manifestação	adicional	de
solidariedade é bem recebida por todos
aqueles, inclusive as autoridades haitianas,
que se insurgem contra o tráfico de imigrantes.
  O	Brasil	está	cooperando	com	as
autoridades	dos	países	vizinhos	no
aprimoramento do controle e da fiscalização
das fronteiras, com o objetivo de repreender
as redes de intermediários. Nesse contexto,
acolhemos com satisfação a decisão peruana
de exigir visto aos haitianos que ingressem em
seu território.
  O governo brasileiro responde, assim,
ao	desafio	de	estabelecer	mecanismos
de	regularização	migratória,	em	defesa
dos direitos humanos, com espírito de
solidariedade	fraterna,	em	repúdio	à
exploração de imigrantes vulneráveis.
  Dois anos depois do terremoto, há sinais
animadores no Haiti. A democracia ganha
raízes sólidas, com a transferência de poder
entre governos eleitos em 2011. A epidemia
de cólera está sob controle. O crescimento
econômico é significativo.
  O Brasil vê com otimismo o futuro do
nosso país irmão do Caribe, ao qual nos unem
laços de fraternidade e a crença em um destino
comum e próspero para a América Latina e o
Caribe.

  JOSé EDUARDO CARDOZO, 52, é
MINISTRO DA JUSTIçA.
  ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA, 57, é
MINISTRO DAS RELAçõES EXTERIORES.









162

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012










               BRICS MEMBERS BRAZIL AND INDIA ARE STRATEGIC
                              PARTNERS FOR A NEW WORLD VISION
ARTIGO DE AUTORIA DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF PUBLICADO
           NO JORNAL INDIANO THE ECONOMIC TIMES (29/03/2012)

             
             
             
             
             
             

  As BRICS countries meet in New Delhi
today, it is with great satisfaction - and high
expectations - that i visit india for the first time
as President of Brazil. Geographically distant
from each other, our countries share unique
experiences. Both of them are multicultural,
multi-ethnic, multi-religious and democratic
nations. But that is not all. The gigantic internal
process of social ascension that led tens of
millions of families into the consumer market,
by creating opportunities for all, has made
India and Brazil examples for the world. In
a time when economic crisis, unemployment
and recession are on the agenda, Brazil and
India stand out as growth models.
  This is the framework in which i had
the satisfaction to accept Prime Minister
Manmohan Singhs invitation to pay a
state visit to India, after the BRICS summit
meeting. It will be a privilege to represent
Brazil as a guest of the government of India
and to pay my tribute to Mahatma Gandhi, the
symbol of a revolutionary vision in asserting
national identity.
  This visit will allow our countries to
consolidate a substantive bilateral agenda
and to strengthen similar foreign policy
principles, including the staunch defence of

the interests of our poorest populations, the
promotion of sustainable economic growth
and an independent international position that
is coherent with the new world order.
  These are reasons why Brazil and
India strongly converge for the reform of
international organisations, whether it is
expansion of the UN Security Council and the
creation of a new responsibility model within
the IMF, or the establishment of new high-
level forums, such as G20, IBSA, BASIC
and BRICS, whose fourth summit meeting is
taking place in New Delhi.
  This current meeting of the leaders of
Brazil, Russia, India, China and South
Africa is an undeniable demonstration of
how geographically distant countries, with
different social and economic challenges, can
become partners and generate a convergence
that changes the axis of international politics.
BRICS contain roughly a third of the worlds
population and a fifth of its GdP. Our
economies and markets can strongly benefit
from one another. Trade among BRICS rose
from $27 billion in 2002 to $212 billion in
2010. This year it may reach $250 billion.
BRICS will be responsible for 56% of world
growth in 2012. In this forum, Brazil and




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	163




India have been sharing their points of view
and expanding their partnerships.
  Brazil and India have had diplomatic
relations since 1948, but only in the 21st
century has our integration truly begun. In this
period, our countries have signed more than
30 bilateral agreements, in fields ranging from
science to trade. Indian-Brazilian trade rose
from under $500 million in 1999 to $9.3 billion
in 2011 - an increase of almost 2,000%. This
makes India our 12th largest trade partner - a
relevant position that, however, is obviously
not reflective of our economies dynamism.
There still is much to be done.
  Recently, Embrapa (Brazilian Agricultural
Research Corporation) and the Indian Council
of Agricultural Research have sealed a
partnership for the exchange of experience in
the strategic sectors of food production and
biotechnology research. Knowing Embrapas
successful work in seedling selection and
expansion of production in regions with
climate and soil similar to Indias, i am
positive this partnership will bear fruit for
both countries.
  In the defence area, a pioneer project
integrating our technologies is currently
underway: the installation of Indian airborne
radars onto Brazilian Embraer-145 airplanes.
The maiden flight of the first aircraft will take
place in less than one month. In the health
sector, we have been carrying out joint projects,
through the Indo-Brazilian Science Council,
in areas such as parasitology (leishmaniasis
and malaria), microbiology (tuberculosis) and
virology ( HIV/AIDS).
  Among the great examples India has
given the world recently, the quality leap in
education and scientific research, especially
in information technology, has drawn much
attention. For this reason, this official visit
will be a great opportunity for Brazil to sign an
agreement with India under my governments

programme Science without Borders, which
will make it possible for Brazilian teachers
and students to study in Indian universities.
Likewise, the doors of our teaching institutions
will remain open for Indian academics. It is
also our goal to increase the flow of tourists,
so that more Indians and Brazilians can have
the opportunity to enjoy each others natural
beauty, unique cuisines and the joy of our
peoples.
  During this visit, we intend to foster our
converging interests in other areas, such as
environmental issues. The Convention on
Biological Diversity, to be held in India, and
the United Nations Conference on Sustainable
Development Rio+20, to be held in Brazil, are
rare opportunities for our countries to show
their commitment to sustainable economic
development, which protects the environment
and expedites the social inclusion of the
poorest.
  Brazil and India are two emerging, dynamic
economies committed to the challenge of
combining sustainable economic growth with
income distribution and social inclusion. Our
countries have come a long way in the recent
past. The fact that our association has become
so much more intense in the same period is by
no means just a happy coincidence. Although
physically distant, Brazil and India are
strategic partners for a new world vision. One
that is inclusive, sovereign and democratic.
  Recently, Embrapa (Brazilian Agricultural
Research Corporation) and the Indian Council
of Agricultural Research have sealed a
partnership for the exchange of experience in
the strategic sectors of food production and
biotechnology research. Knowing Embrapas
successful work in seedling selection and
expansion of production in regions with
climate and soil similar to Indias, i am
positive this partnership will bear fruit for
both countries.




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




  In the defence area, a pioneer project
integrating our technologies is currently
underway: the installation of Indian airborne
radars onto Brazilian Embraer-145 airplanes.
The maiden flight of the first aircraft will take
place in less than one month. In the health
sector, we have been carrying out joint projects,
through the Indo-Brazilian Science Council,
in areas such as parasitology (leishmaniasis
and malaria), microbiology (tuberculosis) and
virology ( HIV/AIDS).
  Among the great examples India has
given the world recently, the quality leap in
education and scientific research, especially
in information technology, has drawn much
attention. For this reason, this official visit
will be a great opportunity for Brazil to sign an
agreement with India under my governments
programme Science without Borders, which
will make it possible for Brazilian teachers
and students to study in Indian universities.
Likewise, the doors of our teaching institutions
will remain open for Indian academics. It is
also our goal to increase the flow of tourists,
so that more Indians and Brazilians can have
the opportunity to enjoy each others natural
beauty, unique cuisines and the joy of our
peoples.
  During this visit, we intend to foster our
converging interests in other areas, such as
environmental issues. The Convention on
Biological Diversity, to be held in India, and
the United Nations Conference on Sustainable
Development Rio+20, to be held in Brazil, are
rare opportunities for our countries to show
their commitment to sustainable economic
development, which protects the environment
and expedites the social inclusion of the
poorest.
  Brazil and India are two emerging, dynamic
economies committed to the challenge of
combining sustainable economic growth with
income distribution and social inclusion. Our

countries have come a long way in the recent
past. The fact that our association has become
so much more intense in the same period is by
no means just a happy coincidence. Although
physically distant, Brazil and India are
strategic partners for a new world vision. One
that is inclusive, sovereign and democratic.

  THE WRITER IS THE PRESIDENT OF
BRAZIL.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	165


























































166

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012






















  Em junho, o Brasil sediará a Conferência
das Nações Unidas sobre Desenvolvimento
Sustentável, conhecida como Rio+20.
  O momento é oportuno: são claros os
sinais de que os modelos de desenvolvimento
vigentes devem ser reformulados. Países, sem
distinção de grau de riqueza, enfrentam graves
crises econômico-financeiras, a desigualdade
social, a fome, o desemprego, a perda da
biodiversidade e a mudança do clima. Essas
múltiplas crises apontam a atualidade e
urgência da implementação de modelos
de desenvolvimento sustentável, ou seja,
de projetos nacionais que contemplem, de
forma equilibrada e integrada, o crescimento
econômico, a inclusão social e a proteção
ambiental.
  A Rio+20 é a oportunidade para que esse
debate ocorra no mais alto nível. A Conferência
será fundamentalmente diferente de sua
antecessora, a Rio-92. A Cúpula realizada
há 20 anos representou a finalização de
longos processos de negociação, culminando
na assinatura de importantes documentos e
convenções. A Rio+20, por sua vez, olha para
o futuro, construindo uma nova agenda para
o desenvolvimento sustentável. Se a Rio-92
representou um ponto de chegada, a Rio+20

ECONOMIA VERDE, SEM POBREZA
                (O GLOBO, 20/04/2012)
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
   pode ser vista como um ponto de partida.
     Uma das prioridades do Brasil na Rio+20
   é a discussão da erradicação da pobreza
   e do fortalecimento de fluxos financeiros
   e tecnológicos para a implementação
   dos compromissos de desenvolvimento
   sustentável, que exigem significativos
   recursos públicos, privados e políticos.
     A agenda da Rio+20 se organiza em torno de
   dois grandes temas. O primeiro é a economia
   verde no contexto do desenvolvimento
   sustentável e da erradicação da pobreza. Sobre
   esse tema, vem-se observando acordo geral
   entre os países sobre alguns aspectos: não
   existe um modelo único de economia verde;
   e não se pode considerar a economia verde
   sem relacioná-la à erradicação da pobreza - ou
   seja, a objetivos de inclusão social.
     Cada país formulará sua própria concepção
   de economia verde, de acordo com sua
   realidade nacional, os recursos de que
   dispõe e seus desafios de desenvolvimento.
   No Brasil, por exemplo, estará baseada no
   amplo uso de energias renováveis, no efetivo
   combate ao desmatamento, na elevação dos
   níveis de renda de milhões de brasileiros. A
   adoção de padrões únicos de economia verde
   a todos os países poderia gerar distorções,

   
   

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	167




tais como a criação de barreiras comerciais, o
que aprofundaria disparidades entre os países,
agravando problemas sociais, sobretudo nos
países em desenvolvimento.
  O segundo tema é a governança para o
desenvolvimento	sustentável.	Em	outras
palavras, trata-se de adequar as estruturas
do sistema ONU de forma a fortalecer o
multilateralismo, reduzir o déficit democrático
e proporcionar maior integração entre as
dimensões social, econômica e ambiental do
desenvolvimento sustentável.
  ARio+20poderáprestarcontribuiçãodecisiva
ao enfrentamento do aquecimento global, pois o
desenvolvimento sustentável é a melhor resposta
aos desafios associados à mudança do clima. O
Brasil teve papel-chave na recente Conferência
de Durban, contribuindo, por meio de sua
liderança e propostas, para resultados positivos.
Graças a Durban, estão dadas as condições para
um intercâmbio construtivo sobre aquecimento
global na Rio+20, com impacto potencialmente
relevante em favor do fortalecimento do regime
internacional. Isso, claro, sem pretender duplicar
as negociações intergovernamentais, cujo espaço
legítimo é a Convenção Quadro de Mudança do
Clima das Nações Unidas.
  O mundo olha para o Brasil, anfitrião
da Rio+20, com expectativa de liderança.
Dispomos de credenciais sólidas para isso,
como nação que se encontra na vanguarda das
energias limpas e renováveis e também das
políticas de crescimento econômico inclusivo.
O Brasil demonstra que é possível crescer e
incluir, proteger e conservar.
  Como disse em janeiro a Presidenta Dilma
Rousseff, no Fórum Social Mundial em Porto
Alegre, queremos que, a partir da Rio+20, a
palavra desenvolvimento apareça sempre
associada ao adjetivo sustentável.
  ANTONIO	DE AGUIAR	PATRIOTA,
MINISTRO DAS RELAçõES EXTERIORES.





168

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012










DIREITOS HUMANOS: O BRASIL EM EXAME
                         (O GLOBO, 23/05/2012)

                              
                              
                              
                              
                              
                              
                              
                              
                              

  No próximo dia 25, o Brasil participará
voluntariamente,	pela	segunda	vez,	do
Mecanismo de Revisão Periódica Universal
do Conselho de Direitos Humanos da ONU. O
governo brasileiro apresentará suas políticas e
ações em matéria de direitos humanos.
  A	Revisão	Periódica	conta	com	a
participação dos governos, da sociedade civil
e do sistema de Direitos Humanos da ONU.
Mais que mero exercício de crítica, a Revisão
Periódica	representa	uma	oportunidade
de cooperação e troca de experiências,
permitindo aos países não apenas identificar
desafios e propor recomendações ao país sob
análise, mas também elogiar iniciativas que
considerem inovadoras e bem-sucedidas e
solicitar seu compartilhamento.
  O Brasil foi um dos principais apoiadores
do estabelecimento de um mecanismo de
avaliação universal de promoção e proteção
dos	direitos	humanos.	Este	mecanismo
representa passo fundamental para superar
a seletividade e a politização da defesa dos
direitos humanos no plano internacional por
oposição a exercícios unilaterais que carecem
de necessária legitimidade.
  Como disse a Presidenta Dilma Rousseff, no
discurso de abertura da 66ª Assembleia Geral

da ONU, há violações em todos os países,
sem exceção. Reconheçamos esta realidade
e aceitemos, todos, as críticas. Devemos nos
beneficiar delas e criticar, sem meias-palavras,
os casos flagrantes de violação, onde quer que
ocorram.
  Em 2011, concluiu-se a primeira revisão
de todos os 193 países-membros da ONU.
Esse primeiro ciclo permitiu a avaliação
de conjunto significativo de experiências e
demonstrou que todos os países enfrentam,
em diferentes graus e em diferentes áreas,
desafios em direitos humanos.
  No caso brasileiro, foi reconhecida a
objetividade da autoavaliação da situação dos
direitos humanos no país e o valor de nossos
programas e políticas. As 15 recomendações
dirigidas ao país foram incorporadas ao 3º
Programa Nacional de Direitos Humanos.
  é com o mesmo espírito de transparência
e de cooperação que, nesse segundo ciclo
de revisão, vamos apresentar o trabalho
desenvolvido nos últimos quatro anos pelo
país, bem como as insuficiências que requerem
esforços adicionais. Trata-se de momento
alvissareiro, em que o Brasil inaugurou uma
Comissão da Verdade e uma moderna Lei de
Acesso à Informação.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	169




   O	relatório	apresentado	pelo	Brasil,
disponível na página eletrônica da Secretaria
de Direitos Humanos, foi o resultado de amplo
processo de consulta aos três poderes do Estado
brasileiro para identificar as dificuldades
e os avanços registrados no país. Contou,
também, com a participação de organizações
da sociedade civil, de pesquisadores, de
conselhos de representação paritária, assim
como de órgãos públicos de todas as regiões
do país, bem como com audiência pública no
Senado Federal. Essas contribuições foram
essenciais para a elaboração da versão final
do relatório.
  O mesmo esforço de ampla participação e
reflexão doméstica será observado na análise
das recomendações dirigidas ao Brasil, após a
conclusão da Revisão Periódica.
  O novo ciclo de revisões se realiza no
contexto de fortalecimento do mecanismo da
Revisão Periódica. Ilustra como a promoção
e a proteção dos direitos humanos constituem
obrigação inadiável e inesgotável. Nesse novo
ciclo, o Brasil dará a máxima transparência
à sua revisão, para aprofundar as iniciativas
em curso no país e permitir a adoção de
novos compromissos que contribuam para a
superação dos desafios que ainda enfrentamos.

  MARIA	DO	ROSáRIO	NUNES	é
MINISTRA-CHEFE DA SECRETARIA DE
DIREITOS HUMANOS DA PRESIDêNCIA
DA REPúBLICA. ANTONIO DE AGUIAR
PATRIOTA é MINISTRO DAS RELAçõES
EXTERIORES.














170

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012










RIO+20: PROTECTING THE ENVIRONMENT IS NOT ENOUGH
                                  (THE GUARDIAN - 20/06/2012)

                                         
                                         
                                         
                                         
                                         
                                         
                                         
                                         
                                         

  A	three-dimensional	approach	to
development is now needed  one that
combines social, economic and environmental
concerns
  Rio+20 is a landmark for the future. As
more than 190 countries gather in Rio, we
are witnessing a historic moment. The recent
global crisis has shown that old-fashioned
views about development are misleading. It is
now time to rethink the very foundations of
how we consider development, wellbeing and
wealth.
  Over the past four decades, the world has
increasingly realised that our natural resources
are under serious pressure. A growing
awareness of the need to ensure sustainability
has led a whole new generation to consider
the requirements of sustainable development
in its decisions to produce or consume. This is
no small achievement. Rio 92 was a major step
forward. Important legal texts on key issues
were adopted. These conventions ensured
important progress that we must maintain and
build on.
  We now face a complex challenge.
Protecting the environment is not enough.
We need to encourage public and private
decision-makers to incorporate environmental

and social concerns into economic planning
and growth strategies. This will require a
new thinking from policymakers, experts,
business people, project managers and many
other public and private actors in order to
plan and implement sustainable development
initiatives.
  From now on, a three-dimensional
approach to development is crucial, one that
combines social, economic and environmental
concerns. Rio+20 is endeavouring to become
the launch pad for this new development
model. This is why one of the main topics
of Rio+20 is building consensus around the
need for sustainable development goals.
They will offer a blueprint for international
co-operation on sustainable development
for years to come. Future strategies, be it for
governments, entrepreneurs or civil society,
must offer a balanced and integrated approach
encompassing the three pillars of sustainable
development.
  In order to achieve this result, Brazil
decided to adopt new methods. Innovative
tools for multilateral meetings were
introduced, bringing national governments
and global civil society together. The
Dialogues for Sustainable Development, a




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	171




Brazilian initiative enthusiastically embraced
by the UN, opened straightforward means of
communication between interested groups
and civil society on key aspects of decision-
making. Through an online platform, more
than 1 million votes were cast, expressing
views on 10 issues related to the conference.
Topics ranged from energy and water to
sustainable cities and food security. During
four days in Rio, sharing the venue of the
summit,	experts,	businessmen,	activists
and journalists engaged in live debates and
streamlined the proposals that will be handed
to the heads of state and government. The
Rio dialogues were so successful that the
UN is now considering turning this initiative
into a standard practice for future summits.
  Another key objective of Rio+20 is the
strengthening of the UN framework for
sustainable development, with a view to
greater efficiency and consistency across
issues.
  Rio+20 has launched an important debate
on green economy in the context of sustainable
development and poverty eradication, based
on the understanding that there is no one-
size-fits-all solution. a green economy only
makes sense for developing countries if it is
accompanied by a significant improvement
in the living standards of the population, with
special attention to the most vulnerable.
  Rio+20 involves an assessment of the past
20 years and a look into the next few decades.
We are confident that this message will echo
through the years, fostering new initiatives
which can lead to a more sustainable future
for all.

  ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA,
BRAZILS	MINISTER	OF	FOREIGN
AFFAIRS.






172

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012










                                    ENTREVISTAS
                                               GOVERNING BRAZIL
ENTREVISTA CONCEDIDA à PUBLICAçãO BRAZIL CONFIDENTIAL
                                                (06/01/2012 A 18/01/2012)

                                                         
                                                         
                                                         
                                                         
                                                         

Brazils Foreign Minister says the country
has adopted a multi-polar but co-operative
approach to world affairs.

Like her predecessor Luis Inácio Lula da Silva,
President Dilma Rousseff has been quick to
stress the importance of Brazils relationships
with the emerging nations of Asia, Latin
America, Africa and the Middle East. She
made her first foreign trip to argentina,
and followed that up by meeting Chinese
leaders in Beijing. The president toured
Africa in October, underlining the continents
importance for Brazilian diplomats.

There has also been something of a southwards
move in Brazils trade and investment relations.
European and US demand may be depressed,
but Brazils exports to China and other Asian
partners continue to grow. It would be easy
to assume that all this is indicative of a more
profound shift in foreign policy, with Brazil
playing a pivotal role in the new alliances of
southern nations. The unconventional world
map hanging in antônio Patriotas office in the
itamaraty Palace in Brasília seems to confirm
that view. On it, Africa, Latin America, and Asia
sit above the subordinate northern continents.

But Ms Rousseffs foreign minister does
not share this perspective, arguing that his
country has simply adopted a more diversified
approach that is in line with new international
economic realities. mr Patriota flatly denies
that there has been any dilution of the US
relationship. In fact, when I was ambassador
[to the US under Lula] we enhanced our
relationship. We had record trade figures in
2008, right before the economic crisis hit the
Us, increasing visits by ministers, governors,
new mechanisms such as the joint programme
of action on combating racial discrimination.

Nor were ties with Europe weakened, he
argues. We became strategic partners with
the European Union and if anything, Lula
enjoyed warm, close dialogue, unprecedented
familiarity with leaders in the developed
world; [in particular there were regular]
phone calls and meetings and frequent contact
between him and Gordon Brown.

Instead, Mr Patriota says, Brazil has simply
put greater emphasis on its dealings with
other parts of the world. Latin America has
been one priority. There has, he says, been
great importance attached to South American




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	173




integration, underlined by the creation in 2008
of the South American community of nations,
unasur. For the first time we started looking
seriously at infrastructure projects, closer trade
relations, mechanisms to diffuse tensions.

Taking care to distinguish it from Latin
America (which includes Mexico and Central
America),	Mr	Patriota	describes	South
America a very strong regional anchor
with certain very unique characteristics
when you look at the world, extraordinary
mineral wealth, potentially an agricultural
powerhouse, self-sufficient in food production
and water, democratic governments, [and] a
zone of peace.

Another has been the amount of attention
given to smaller and poorer countries, an
aspect of policy which Mr. Patriota labels
the innovative aspects of universalisation.
Brazil has opened a large number of embassies
in Africa; it now has stronger diplomatic
representation on the continent than the UK.

In many cases that representation has helped
Brazilian business, although Mr Patriota
stresses that commercial links have been
accompanied by genuine concern for the
dissemination of modern governance and
policies that have worked in Brazil.

Brazil has also eyed the potential of other
poorer countries. When the Lula government
started, there were several countries in Africa
and Central asia and South Pacific  Nepal,
Bhutan, Vanuatu, Central African Republic,
Comoros Islands  with which we didnt have
even diplomatic relations. now we do.

Brazil has also eyed the potential of other
poorer countries. When the Lula government
started, there were several countries in Africa

and Central asia and South Pacific  Nepal,
Bhutan, Vanuatu, Central African Republic,
Comoros Islands  with which we didnt have
even diplomatic relations. Now we do.

New coalitions have been created, such as
IBSA, joining India, Brazil, South Africa,
three large multi-ethnic democracies from
the south or the forums that link Brazil with
Africa and the Arab World. This caught the
attention because it was original... but it was
not to the detriment to relations with the north.

I remember in Washington the head of the
Inter-American Development Bank (IADB)
for example telling other countries, listen, you
should do what Brazils doing, diversify your
partners, says Mr Patriota.

Mr Patriota describes this policy as a kind of
cooperative multi-polarity, cooperative in the
sense that it is clearly different from the rather
more conflictive anti-american version of this
same approach described in the local media.

The Brazilian press [initially] tried to depict
this foreign policy as oriented toward the south
in an ideological way, but what the actual
movement of foreign policy demonstrated
was an ability to place Brazil ahead of the
curve, because it led to diversification of
partnerships.

Those criticisms, though, have begun to die
down, he says. At some point along the road,
and especially the crisis in 2008 contributed
indirectly to this, you started hearing less
and less criticism because it became obvious
that this was a very pragmatic policy. If
ideology were mixed into it, I think it was
just the ideology of interacting with the entire
international community and creating an
international system that works.




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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012










ENTREVISTA AO BOLETIM EM QUESTãO
                     (SECOM/PR, 23/01/2012)

                         
                         
                         
                         
                         
                         
                         
                         
                         

A Rio+20 deve ser o início de um período
de ação, em que os atores sociais serão cada
vez mais importantes para a promoção
concreta do desenvolvimento sustentável

Em entrevista ao Em Questão, o Ministro
das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar
Patriota,	destacou	a	importância	da
participação da sociedade para a realização
da Rio+20.

Em Questão: O que está em jogo na Rio+20?

Antonio Patriota: A Rio+20 representa um
chamado à responsabilidade coletiva diante dos
desafios impostos à comunidade internacional
nas esferas ambiental, econômica e social.
O Brasil entende que devem ser alcançados
progressos reais em quatro direções: 1) a
incorporação definitiva da erradicação da
pobreza como elemento indispensável à
concretização do desenvolvimento sustentável,
acentuando sua dimensão humana; 2) a plena
consideração do conceito de desenvolvimento
sustentável na tomada de decisão dos atores
dos pilares econômico, social e ambiental,
com vistas à geração de sinergia, coordenação
e integração entre estas três dimensões; 3)

o fortalecimento do multilateralismo e a
adequação das estruturas das Nações Unidas
e das demais instituições internacionais ao
desafio do desenvolvimento sustentável; e 4)
refletir, na estrutura de governança global, o
reordenamento internacional em curso, com
devida atenção ao papel dos emergentes.

Em Questão: A realização de um evento
com tamanha importância traz que tipo de
expectativas ao governo brasileiro?

Antonio Patriota: O governo do Brasil
espera atingir resultados positivos nas esferas
internacional, nacional e da sociedade civil.
Na esfera multilateral, o objetivo é estabelecer
rumos concretos para o longo prazo, em que
se apontariam direções para o crescimento
mundial no contexto do desenvolvimento
sustentável. Na dimensão nacional, pretende-
se estimular o debate interno necessário para
que o País exerça liderança na implementação e
na criação de soluções sobre desenvolvimento
sustentável nos próximos anos. O governo
brasileiro entende que o aumento da
participação da sociedade civil é um dos
elementos indispensáveis para a promoção de
avanços rumo ao desenvolvimento sustentável.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	175




Nesse sentido, da mesma forma que a Rio-92
foi um marco para a conscientização acerca
da importância da sustentabilidade, a Rio+20
deve ser o início de um período de ação, em
que os atores sociais serão cada vez mais
importantes para a promoção concreta do
desenvolvimento sustentável.

Em Questão: Que posição esperar dos países
desenvolvidos?

Antonio Patriota: Os países desenvolvidos
têm imensa dívida com relação ao mundo em
desenvolvimento na área de desenvolvimento
sustentável.	Na	Rio+20,	devemos	nos
concentrar em assegurar que os Estados mais
desenvolvidos cumpram os compromissos
assumidos no passado. Uma questão-chave
para os países mais pobres: Na Rio+10 (Cúpula
de Johanesburgo), os países desenvolvidos
comprometeram-se a transferir uma média
de 0,7% de seu PIB para ajudar as nações
pobres a atingirem as metas acordadas, mas
os níveis de apoio desde então não atingiram
esse patamar e ainda sofreram uma queda nos
últimos anos.

Em	Questão:	Como	o	Brasil	vem
participando dos debates internacionais sobre
o desenvolvimento sustentável?

Antonio Patriota: O Brasil se situa no centro
dos debates internacionais sobre o tema desde,
pelo menos, 1971. Na ocasião, foi uma das
primeiras vozes que trouxeram às discussões
ambientais suas dimensões indissociáveis
do desenvolvimento econômico e social. O
Brasil posteriormente trabalhou intensamente
para que um dos principais resultados
da Conferência Rio-92 fosse a aceitação
universal do conceito de desenvolvimento
sustentável	e	da	inter-relação	entre	o
social, o econômico e o ambiental. Temos

demonstrado, portanto, capacidade de
liderança na consolidação e no fortalecimento
do conceito de desenvolvimento sustentável.
Além disso, podemos ser considerados o
país-síntese do desenvolvimento sustentável
nas últimas décadas. O Brasil foi das poucas
nações, senão a única, capaz de crescer
economicamente, combater a pobreza e
diminuir as desigualdades sociais, reduzir
desmatamentos e manter a matriz energética
limpa simultaneamente. Caberá ao País,
agora, defender esse duplo legado - o
histórico papel protagônico nas discussões
multilaterais e o exemplo de políticas internas
que têm gerado resultados positivos. Na
Rio+20, defenderemos que não há receita
única para o desenvolvimento sustentável,
mas sim diversos caminhos, a partir das
realidades específicas de cada país ou região.
Reforçaremos a convicção de que o estímulo
ao desenvolvimento sustentável nunca foi
tão importante. Se ele já era consenso há 20
anos, tornou-se indispensável em um contexto
de crescente aquecimento global, que exige
respostas urgentes, em escala global e com
sentido de responsabilidade coletiva de longo
prazo.




176

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012










NUESTRA INFLUENCIA ES CRECIENTE Y TENEMOS CAPACIDAD PARA
                        EJERCERLA EN TODOS LOS GRANDES TEMAS
                  ENTREVISTA CONCEDIDA AO JORNAL EL MERCúRIO
                                                      (CHILE, 29/01/2012)

                                                                
                                                                
                                                                
                                                                
                                                                
                                                                

ElencargadodeladiplomaciadeBrasilanaliza
el nuevo estatus mundial de su país, destaca la
alianza con Chile y asegura que la región sigue
siendo su prioridad: Sudamérica es nuestro
escenario privilegiado de cooperación.

Tamara Avetikian Bosaans, Enviada Especial

Que Brasil es una potencia de nivel mundial,
ya nadie lo cuestiona. Que Brasil busca
la integración regional y ejercer ahí su
liderazgo, no es una sorpresa. Que Brasil ha
tenido diferencias con las grandes potencias,
por ejemplo en los temas de Irán o Libia, es
indudable. Pero que el Mercosur esté en crisis
y que Brasil ha perdido fe en esa instancia es
algo que el canciller brasileño Antonio Patriota
niega terminantemente. Que Brasil haya dejado
de ser el estrecho aliado histórico de Chile es
otra cosa que el diplomático desmiente. La
familia sudamericana la consideramos nuestra
familia y es nuestro escenario privilegiado de
cooperación, afirma.

En una larga entrevista en su espectacular
oficina vidriada estilo Niemeyer, en itamaraty,
la sede de la cancillería en Brasilia, Patriota
hace un profundo análisis sobre la política

exterior de Brasil, y envía un mensaje de
amistad a los chilenos. Estoy siempre en
contacto con mi colega Moreno, tengo una
buena amistad, y apreciamos mucho el papel
de Chile en Haití. Tenemos una relación
muy cercana en lo económico. Chile es el
segundo socio comercial en América Latina,
lo que no es poca cosa si uno toma en cuenta
que la economía chilena es el 11% de la de
Brasil, con casi US$ 10 mil millones de
comercio bilateral, bastante equilibrado. Y
somos el segundo destino de las inversiones
chilenas.

EL MERCúRIO: A pesar de eso, hay
sectores en Chile que piensan que Brasil, con
el rol global que está jugando, ha dejado a un
lado esa alianza tan estrecha que hubo en el
pasado. ¿Qué dice a eso?

Antonio Patriota: Mi opinión sincera es
que en la diplomacia, cuando la relación
se establece en un marco de cooperación
activa, con contactos entre distintos niveles
de gobierno, entre la sociedad, en el sector
privado, no hace falta tanta inversión política
como se necesita cuando se está abriendo una
nueva frontera diplomática.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	177




El mensaje que me gustaría transmitir es que
todos los países de Sudamérica son prioritarios
para Brasil. La familia sudamericana la
consideramos nuestra familia y es nuestro
escenario privilegiado de cooperación. Hoy
tenemos la oportunidad histórica de garantizar
para Sudamérica un espacio de democracia
y de paz. En el mundo en desarrollo en
particular, no hay otra región con democracia,
crecimiento, progreso social, paz y ausencia
de armas de destrucción.

Patriota destaca que los bloques como
Mercosur,	Unasur	y	Celac	son	muy
importantes para Brasil, y que al mismo
tiempo éstos son espacios de cooperación
donde trabajan juntos países con gobiernos
de distintas orientaciones, como Venezuela,
Chile y Cuba. Hay un gran aprecio por la
forma muy pragmática, constructiva, con que
Chile asumió este papel, dice.

Para el canciller, la integración debe estar por
encima de diferencias ideológicas. Hubo
un momento de Unasur en el que surgieron
tensiones entre los países de centroizquierda
y los de centroderecha o los más cercanos a
EE.UU. En esa reunión, en Argentina, en 2010,
lo que se escuchó fue una manifestación, un
deseo de integración por encima de todo. Y
en ese encuentro, tanto el Presidente Chávez
como Piñera defendieron la misma línea de
pensamiento.

EL MERCúRIO: ¿Considera usted que
Mercosur está en crisis?

Antonio Patriota: No estoy de acuerdo en
absoluto. Mercosur es una gran historia de
éxito, y hoy se beneficia de una convergencia
política muy importante. Los cuatro dirigentes
emanan del mismo tipo de trayectoria política,
de lucha por los derechos de los menos

favorecidos, de los sectores más pobres de las
sociedades. Mujica es un símbolo de la lucha
contra la dictadura en Uruguay. Lo mismo
Dilma Rousseff, y el Presidente Lugo a su
manera, y la Presidenta Kirchner también.
En términos comerciales, la multiplicación
es impresionante: en veinte años pasamos
de cuatro a más de cuarenta mil millones de
dólares en comercio.

EL MERCúRIO: Pero hay dificultades...

Antonio Patriota: Son las dificultades de
la prosperidad, las dificultades del éxito. Si
uno no se acerca al vecino, tendrá menos
dificultades. las hay entre Canadá y ee.uu.,
entre los miembros de la Unión Europea. Es
normal cuando la relación se vuelve intensa.
Hasta un matrimonio feliz tiene dificultades.
Se debe tener negociaciones permanentes, y
así debe ser, porque si hay negociación, quiere
decir que no hay una dominación de una parte
sobre la otra.

EL MERCúRIO: ¿Ve competencia entre
mercosur y la alianza del Pacífico?

Antonio Patriota: Son ejercicios distintos
de búsqueda de inserción internacional. Para
nosotros, lo fundamental es el compromiso
de Chile con Unasur. Cuando el corredor
bioceánico esté plenamente en operación,
Chile será un excelente puente hacia Asia
Pacífico para los países del atlántico.

Liderazgo mundial

Antonio Patriota: Brasil llegó este año a ser
la sexta economía mundial, sobrepasando
a Gran Bretaña. Las cifras de superación
de la pobreza dan cuenta que 28 millones
dejaron esa condición en los últimos años y
que 39,5 millones entraron a la clase media.




178

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




Las empresas brasileñas salieron al mundo
y empresarios extranjeros corren con sus
inversiones al país. Con una presencia mayor
en el entorno internacional, Brasil se siente
destinado a sumarse al grupo de los países
influyentes.

EL MERCúRIO: El papel de Brasil en el
mundo parece que hubiera llegado sin aviso,
que de repente se dio cuenta de que podía
jugar un papel importante.

Antonio Patriota: esa es una simplificación.
Lo que pasa es que Brasil siempre tuvo
circunstancias objetivas que uno podía decir
que le llevaría a participar de los organismos
de decisión global con alguna capacidad de
influir sobre las decisiones, en función de su
territorio, el quinto más grande del mundo,
de la población que está entre las cinco más
grandes, la sexta economía, pero eso es más
reciente.

Creo que lo que ha dado a Brasil algo más
en términos de influencia en los últimos
años es que hemos hecho las tareas para la
casa. Estamos creciendo con disminución de
desigualdad; creamos empleo, tenemos una de
las tasas de desempleo más bajas del mundo;
hemos desarrollado la agricultura en el plano
tecnológico, y todo eso en un ambiente
democrático, de paz y cooperación con todos
los vecinos.

Podemos ser un actor de paz y cooperación.
Si caminamos a un mundo más multipolar,
Brasil puede ser un líder en la búsqueda de
la multipolaridad de la cooperación. Porque
no hay garantías de que la multipolaridad
será positiva. Puede haber multipolaridad con
competencia, con rivalidad, con quiebre, con
bloques. Nos interesa el sistema internacional
de la cooperación.

EL MERCúRIO: Sin embargo, esa
influencia ha sido difícil de ejercer. Como en
el caso de Irán, cuando Brasil intentó mediar
junto a Turquía.

Antonio Patriota: Fernando Pessoa escribió:
Todo vale la pena cuando el alma no es
pequeña. Esa iniciativa no era una solución,
sino una medida de creación de confianzas.
Creíamos que contábamos con el pleno apoyo
de las potencias principales. El acuerdo
de Teherán seguía puntos y parámetros
que habían sido objeto de manifestaciones
por escrito del Presidente estadounidense
hacia Brasil y Turquía. Sin embargo, en el
momento, circunstancias políticas distintas y
evaluaciones que no eran las nuestras llevaron
a otra política. Bueno, yo creo que valió la
pena, porque la motivación era auténticamente
la de disminuir tensiones por la vía del diálogo
y examinar las alternativas, que demostraron
que no eran mejores. Después de las sanciones,
estamos peor de lo que estábamos en mayo de
2010.

El canciller destaca que Brasil seguirá
trabajando con independencia, pero
también con realismo: Nuestra influencia
es creciente, y creo que tenemos capacidad
para influir en todos los grandes temas
internacionales: en cuestiones financieras;
comerciales; discusiones del medio ambiente,
y desarrollo sustentable.

ELMERCúRIO: influir con independencia,
¿ésa será la marca de Brasil?

Antonio Patriota: Sí, con independencia, pero
en función de valores que son compartidos,
como la paz.

EL MERCúRIO: ¿Sería ésa la razón de
por qué, por ejemplo, Brasil se abstuvo en la




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	179




resolución de ONU que aprobó la intervención
en Libia?

El desarrollo de los acontecimientos nos
dio la razón. Hoy hay pruebas de que no era
exclusivamente una misión para proteger
civiles lo que se tenía en mente al proponer
la resolución 1973; era otro tipo de agenda.

EL MERCúRIO: ¿Un cambio de régimen?

Antonio Patriota: Eso puede ser discutido,
pero hagámoslo de forma transparente. Brasil
fue a la guerra contra el régimen nazi, en la II
Guerra Mundial. (El uso de la fuerza) no se
excluye de antemano.

Lo que no es positivo para la multipolaridad
de la cooperación que pretendemos entre
los miembros del Consejo de Seguridad es
defender una iniciativa militar en un país
bajo el argumento de la protección de civiles
cuando lo que se tiene en mente es un cambio
de régimen. Eso debilita la autoridad del
Consejo.

EL	MERCúRIO:	Con	esa	postura,
¿aceptarán a Brasil como miembro permanente
en el Consejo?

Antonio Patriota: Yo creo que es una postura
de gran respetabilidad. ésa es la ventaja de
aquellos países de la región, los que estamos
en Haití, por ejemplo, que buscan la paz por
medios pacíficos. No hay que sucumbir a la
ideología que sostiene que la paz se garantiza
por medios militares. Hay que luchar contra
esa	ideología.	La	imprevisibilidad	que
conlleva una intervención militar es enorme;
puede muchas veces obtener el resultado
contrario del objetivo.

El caso de Cuba

Antonio Patriota: El caso de CubaLa
especificidad cubana tiene que ver con las
consecuencias de la Guerra Fría, la situación
del embargo norteamericano que crea
condiciones que son distintas de las de otros
países de la región.

Democracia y DD.HH.

Antonio Patriota: Yo no voy a decir lo que tiene
que hacer Chile (en materia de democracia y
derechos humanos), pero seguimos con mucho
interés las manifestaciones estudiantiles.

La abstención en Libia

Antonio Patriota: Si uno ingresa (a un país)
con una intervención para defender civiles y
causa la muerte de civiles, destruye hospitales
e infraestructura, si entra con una agenda no
declarada, nosotros no queremos ser parte de
esa intervención.

EL MERCúRIO: La Presidenta Rousseff
va a Cuba. ¿Mencionará el tema de la
democracia y el cumplimiento de la cláusula
democrática iberoamericana y de Celac?

Antonio Patriota: Con Cuba hay una
relación cercana en el plano político, y en
el plano económico cada vez más. Estamos
involucrados con empresas privadas brasileñas
pero con aportes del Banco de Desarrollo,
con proyectos de infraestructuras ambiciosos,
como el del puerto de Mariel. Hay gran interés
de las empresas brasileñas en seguir allá, entre
otras cosas porque hay una mano de obra de
excelente calidad (...) Hay que tomar en cuenta
que la situación cubana es consecuencia de la
Guerra Fría.

EL MERCúRIO: Pero esa situación ya
está normalizada hace tiempo.




180

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




Antonio Patriota: Todos los países de
América y el Caribe tienen relaciones.
Trabajamos mucho con Cuba en Haití. Fueron
médicos cubanos los que controlaron la
epidemia de cólera. Lo importante es que Cuba
pueda participar de mecanismos regionales de
concertación y haya un reconocimiento de la
especificidad cubana en la región...

EL	MERCúRIO:	¿Cuál	es	esa
especificidad cubana?

esa especificidad cubana tiene que ver
con las consecuencias de la Guerra Fría,
la situación del embargo norteamericano
que crea condiciones que son distintas de
las de otros países. Y el hecho de que Cuba
asuma la coordinación de Celac a partir de
2013, creo que es simbólico e interesante,
porque demuestra que evolucionó mucho en
la reintegración plena al diálogo con toda
la región. Además, Cuba adoptó la cláusula
democrática de Celac.

EL MERCúRIO: ¿Quiere decir que va a
ser democrática de aquí al 2013?

EL MERCúRIO: ¿Retirará las tropas
Brasil?

Antonio Patriota: Tenemos que coordinarnos
con los demás. Escuchar a ONU y a los
haitianos, pero lo normal es que sí. Hubo dos
sucesiones democráticas en Haití, los que eran
gobierno hoy son oposición. La preocupación
por la inestabilidad ya no es tanta. Hay relativa
estabilidad (...) Para mí, es una señal de que el
trabajo de la misión ha tenido éxito.

EL MERCúRIO: ¿Pero hay un plazo?

Antonio Patriota: Hasta el fin del gobierno
de Martelly, que son cinco años... y ya pasó
medio.

Antonio Patriota estudió Filosofía en La
Universidad de Ginebra Diplomático desde
1979, fue embajador en Washington (2007-
2009) y representante en la misión permanente
de Brasil en la ONU. Fue Viceministro de
Exteriores hasta 2010.



Antonio Patriota: En materia de derechos
humanos y de democracia se aplica un poco
lo que dijo la Presidenta Rousseff ante la
ONU: Todos tenemos progresos que hacer.
Yo no voy a decir lo que tiene que hacer
Chile, pero seguimos con mucho interés las
manifestaciones	estudiantiles.	En	Brasil
tenemos conciencia de los retos que tenemos.

Patriota también se refiere a la misión en
Haití , defendiendo la reducción de efectivos
gradualmente,	en	coordinación	con	el
gobierno haitiano, porque hay que tomar en
cuenta su percepción de la necesidad de apoyo
internacional.



                                                Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	181











                                    A SHINING EXAMPLE
ENTREVISTA CONCEDIDA à PUBLICAçãO THE CAPITAL
                                       (ETIóPIA, 09/05/2012)

                                              
                                              
                                              
                                              
                                              
                                              
                                              

Brazils 26 states and 200 million people
make it the fourth largest country in the
world. Recently the country overtook the UK
to become the worlds sixth largest economy
with a GDP of USD 2.5 trillion and a per
capita GDP of USD 12,917.

Capitals Elias Gebreselassie talked to
Ambassador Antonio Patriota , Brazils
Foreign Minister. In 2011 he took over from
the previous FM Celso Amorim following the
swearing in of Brazils first female president
Dilma Vana Rousseff who took over from the
popular Luiz Inacio Lula Da Silva.

Capital: Please tell us about your mission
here in Addis Ababa?

Antonio Patriota: i came to addis ababa, first
of all to have bilateral contact with the Ethiopian
government. I was very honored to be received
by Foreign Minister Hailemariam Desalegn and
then by Prime Minister Meles Zenawi, followed
by a meeting with the Peace and Security
Council of the African Union (PSCAU). At the
AU meeting I held talks with Commissioner
Ramtane Lamamra who deals with peace and
security in the African Union Secretariat.

Capital: Brazil is one of the BRICS members
countries (Brazil, Russia, India, China, South
Africa). What role does Brazil play in this
group?

Antonio Patriota: We are very engaged
integrating South America, which is a region
thats experiencing high economic growth,
reducing inequality, and bringing democracy
to all countries. In addition to that Brazil has
been developing what we call global outreach
where we look at established powers like
the United States, and emerging powers as
partners. BRICS is a special coordination
mechanism; financial and economic issues,
science and technology and political issues
are very important to us. However, let me add
that we place a high importance on Africa;
we are one of the countries with the largest
number of embassies in Africa worldwide.
Africa is experiencing several success stories
in terms of economic growth and Ethiopia
is a very good example of stability, both in
social progress and economic potential. This
is a country of great possibilities; so as we
engage globally with the BRICS we wish to
pay special attention to Africa also, not only
South Africa which is a BRICS member but




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	183




all the leaders in the continent and certainly
Ethiopia is in a leadership position right now.

Capital: How far along is the idea of a BRICS
bank for developing countries?

Antonio Patriota: We began considering this
at the last BRICS summit in New Delhi, India
where my president Dilma Roussef attended.
We supported the idea of a BRICS bank,
because it would provide resources for the
developing world. Also, again I think Africa
should be a focus, were still in the initial
stages of the studies for the establishment
of the bank. But at the political level there
have been expressions of support and we will
continue to be engaged in the efforts to see
this materialize in the nearest possible future.

Capital: The former Colombian Finance
Minister Jose Antonio Ocampo unsuccessfully
ran for the World Bank presidency. As is
often the case, the position was taken by an
American, based on longstanding agreements
between Europe and America. What is your
view on this issue?

Antonio Patriota: We feel that the time for
oligarchic approaches to the distribution of
positions internationally is over. And we
believe that the heads of the IMF and WB
should be chosen on the basis of merit and the
curriculum and not nationality. If you look at
the economic situation for 2012 more than 50
percent of the worlds growth will be insured
by the BRICS countries and the emerging
nations of the world. So theres no reason
why Europe and the United States should
monopolize positions in the IMF and WB
which is why we subsequently supported the
Nigerian candidate Ngozi Onkonjo- Iweala to
make a systemic point. But we also believe
the new World Bank President is a very

capable leader and we intend to work very
constructively with him. I personally have met
with him and I admire his works as a public
health specialist in places like Haiti, Peru; so
we wish him all the success in his tenure as
World Bank President.

Capital: What is Brazil doing to increase its
role in these financial institutions like the imF
and the WB, while also furthering the interests
of developing countries in these institutions?

Antonio Patriota: When we look at
furthering development with partners in
Africa and elsewhere, we dont necessarily go
through the World Bank or the International
Monetary Fund. Of course they have their
own role to play especially in the World Bank
because it is a major source of support. But
many Brazilian companies are increasingly
involved in activities worldwide, here in
Africa its no different, in the spirit of not
only looking at profits but of contributing to
the social progress of the nations where they
have a presence. So in the mining area, the
infrastructure development area, there are
companies working in several countries like
Angola, Mozambique and the West African
region. We also hope to be a part of Ethiopias
efforts to increase energy output. Brazil and
Ethiopia are countries that place a high value
on Hydro Electric Power, also theres the
Lamu project that will involve Kenya, South
Sudan and Ethiopia which are expected to also
involve Brazilian companies. I also spoke to
the Chief executive Officer of the ethiopian
Airlines Tewolde Gebremariam, there are
plans to fly directly to Brazil. This will greatly
increase the possibilities for government,
business, academics or other citizens to engage
in cooperation with this part of the world. In
addition to that the Brazilian government
has a cooperation agency, we work on many




184

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




fronts, agriculture is one and here in Ethiopia
the conditions are similar to those in Brazil, so
theres a lot that we can accomplish through
maybe helping Ethiopia develop bio-fuels
through sugar cane plantations. These are all
avenues that we would like to explore, as well
as education as mentioned by Prime Minister
Meles. I will go back to Brazil and try to see
how we can enhance educational cooperation.

Capital: Brazil has a long history of ties
with the African continent both socially
and economically. What steps is it taking to
enhance and develop them?

Antonio Patriota: We have forty embassies
in Africa and a presence in the African Union
and Arab League. We feel enthusiastic about
the South America-Africa summit which is a
forum that meets at regular intervals. So you
can be reassured that in our future diplomatic
efforts, Africa will feature prominently. Brazil
could not be imagined or conceived without
recognizing the strong African contribution
to our national identity, and we wish to place
a high value on our relations with countries
in Africa, and in particular with some of the
leaders in Africa. Addis Ababa being the
diplomatic capital of Africa is a place where
more and more Brazilians will be visiting.

the post world war II and not the contemporary
world. So we hope to be able to work with
African nations very closely in order to render
the Security Council representative with
permanent members from the developing
world, Latin America, Africa, south Asia as
well as other new permanent members Japan
and Germany who are partners and allies in
this agenda. But this is not sufficient, we also
need to make the council more transparent,
accountable, less prone to adapt coercive
action and more ready to exhaust possibilities
offered by diplomacy, negotiations, and
dialogue.

Capital: Brazil currently is the sixth largest
economy in the world. What lessons can it
give to other developing countries

Antonio Patriota: Our reliance on our
domestic market made it possible for us,
not only to overcome difficulties of the
international economic crisis; but also to lift
40 million Brazilians out of poverty allowing
them to enter the middle class, where they
started to consume. Thats one of the main
reasons apart from our resources in energy
and our ability to trade with the whole world
that made us reach this level.



Capital: For a two year period -2010-11-
Brazil was a non-permanent member of the
United Nations Security Council (UNSC).
What steps is it proposing to make the UNSC
more accountable to the whole international
community?

Antonio Patriota: Were very active at the
United Nations in trying to correct what we
call the democratic deficit. in no place is
this more obvious than the Security Council,
because the composition reflects the world of


                                                Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	185


























































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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012










MANTEMOS RELAçõES CORRETAS COM O IRã
     ENTREVISTA CONCEDIDA AO ZERO HORA
                                        (13/05/2012)

                                               
                                               
                                               
                                               
                                               
                                               
                                               

Entrevista com o Ministro Antonio de
Aguiar Patriota

Carolina Bahia e Klécio Santos

Cai a tarde sobre Brasília e o Chanceler
Antonio Patriota acaba de retornar de uma
reunião na Casa Civil onde foram discutidas
questões de logística da conferência ambiental
Rio+20.

O ministro pede desculpas pelo atraso, mas
esbanja tranquilidade ao longo da entrevista
concedida a ZH na última sexta-feira, em seu
gabinete no Itamaraty. Sobre a mesa, esboços
de rostos femininos feitos com esmero pelo
próprio Chanceler, fitas coloridas do Senhor
do Bomfim e uma xícara de chá de hortelã que
permanece intocada.

Patriota demonstra desconforto apenas com
questões envolvendo as relações comerciais
com aArgentina, porque entende que no campo
da diplomacia não pode haver turbulências.
Mantém a mesma postura ao ser indagado se
está nervoso com a eleição na Venezuela.

 diplomatas não ficam nervosos  sentencia.

a firmeza da resposta mostra um apego
ferrenho às tradições do Itamaraty, fato que
Patriota reafirma ao mostrar com orgulho
a foto do Barão de Rio Branco, patrono da
diplomacia brasileira. Formado em Filosofia
em Genebra, o Chanceler é um homem das
artes. Toca piano à noite e lê vários livros ao
mesmo tempo, embora agora esteja devorando
um manuscrito inédito do livro Power Inc, do
amigo jornalista David Rothkopf, editor da
revista americana Foreign Policy, dedicada à
análise das relações internacionais.

Aos 58 anos, ex-embaixador em Washington,
o Ministro das Relações Exteriores do governo
Dilma Rousseff ainda encontra tempo para se
exercitar, pelo menos três vezes por semana.

No último aniversário, dia 27 de abril, ganhou
uma bicicleta dos auxiliares e costuma pedalar
às margens do Lago Paranoá.

Uma vez a cada três meses, descansa das
negociações internacionais no conforto de
uma casa tropical em Imbassaí, no litoral
norte da Bahia.

Zero Hora: Como o governo reagiu à decisão




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	187




da presidente Cristina Kirchner de nacionalizar
a petrolífera espanhola YFP?

Antonio Patriota: Foi uma decisão soberana
da Argentina. Esse é um momento em
que Brasil e Argentina são liderados por
duas mulheres que se situam num espectro
político convergente. A Argentina passou
por crises sérias, começou a se recuperar,
teve preocupações com a desindustrialização
e, agora, procura uma fórmula que garanta
crescimento social. Há uma afinidade entre os
dois governos e entre as duas chancelarias. O
diálogo é muito amistoso.

Zero Hora: Os brasileiros cobram uma reação
às barreiras comerciais argentinas. Por que o
Brasil não toma medidas de retaliação?

Antonio Patriota: Quem mora na fronteira,
como no Rio Grande do Sul, vive muito
intensamente os problemas de comércio.
São situações que nos preocupam, mas que
estão relacionadas à prosperidade. Temos
um comércio maior do que a Argentina, um
superávit importante e não há porque não
procurarmos um entendimento. Não nos
furtaremos a falar dos entraves comerciais,
mas essa conversa não deve ser feita pela
imprensa. Queremos evitar que questões
comerciais contaminem o relacionamento.

Zero Hora: Como o senhor vê o futuro do
Mercosul se o bloco comercial mais próspero,
que era a Zona do Euro, vive essa crise
profunda?

Antonio Patriota: Estamos aprendendo com
acertos e desacertos. O exercício da integração
europeia é bem mais antigo, tem 50 anos 
o do Mercosul tem 20. Agora, quando você
olha as cifras do crescimento do comércio
no Mercosul, elas são muito eloquentes.

Cresceram 10 vezes desde a criação do bloco
e hoje alcançam quase US$ 50 bilhões. Não há
retrocesso no Mercosul. Ele é uma conquista
histórica extraordinária. O Mercosul ajudou a
consolidar a democracia, a avançar em áreas
como as salvaguardas nucleares. Hoje em dia,
falamos em cooperação espacial.

Zero Hora: O governo Lula tinha uma boa
relação com o presidente Nicolas Sarkozy,
mas as afinidades são maiores com François
Hollande. Para o Brasil, quais as vantagens do
novo governo da França?

Antonio Patriota: A França é uma
parceira estratégica. No governo Lula,
houve aproximação, inclusive em projetos
de Defesa, como a construção do nosso
submarino nuclear. Acho que agora haverá
uma mudança. Na própria mensagem enviada
pela Presidenta Dilma ao presidente Hollande
há uma afinidade, por exemplo, na ênfase
atribuída à retomada do crescimento como
combate à crise econômica. Pode haver
convergência no G-20 também. Acho que
teremos continuidade na aproximação e uma
esperança de explorarmos novas áreas.

Zero Hora: Falando em eleição, Ministro,
como o governo analisa a disputa na Venezuela
e a luta de Hugo Chávez contra o câncer?

Antonio Patriota: A América do Sul se
distingue por ser uma região onde a democracia
cria raízes, há crescimento econômico,
progresso social e paz. Torcemos pela pronta
recuperação do presidente Chávez e por um
pleito que sobretudo reflita a preferência do
eleitorado venezuelano.

Zero Hora: Como vocês estão acompanhando
as eleições nos EUA? A reeleição de Barack
Obama seria boa para o Brasil?




188

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




Antonio Patriota: Quem decide a eleição é o
povo do país. Os EUA são a maior economia
do mundo, a maior potência, é um parceiro
importantíssimo para o Brasil. Em termos
de importações, passou a ser o primeiro e,
em termos de mercado para as exportações
brasileiras, é o segundo. Então, temos
grande interesse no que se passa nos EUA de
maneira geral e no processo eleitoral. é algo
a ser decidido pelo eleitorado americano e
continuaremos acompanhando.

Zero Hora: Lula atuava como principal
articulador da América Latina com os EUA.
No governo Dilma, a posição está um pouco
mais recatada?

Antonio Patriota: Engraçado que se diga
isso. às vezes, o que eu leio na imprensa é
um pouco diferente. Não creio que o Brasil
seja um interlocutor que fale em nome da
America Latina com os EUA. Sempre haverá
uma relação muito intensa entre os dois países
e essa relação se intensificou no governo
Lula. Eu era embaixador em Washington e
posso atestar que foram criados inúmeros
novos mecanismos, o comércio cresceu,
atingiu níveis históricos, mas isso continua
acontecendo. Temos agora o desejo de facilitar
os vistos.

avançar na direção de uma relação migratória
cooperativa.

Zero Hora: O Brasil se distanciou do Irã ou a
ideia é defender o diálogo em torno da questão
nuclear?

Antonio Patriota: Mantemos relações
diplomáticas corretas com o Irã. Está
prevalecendo o diálogo. Eu conversei com a
secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton,
e ela se referiu a uma base para um processo
que pode levar a avanços. é uma linguagem
diferente da linguagem que ela usava até
bem pouco tempo atrás. Há uma expectativa
de que a próxima reunião em Bagdá, dia 23
de maio, possa avançar mais. Começamos a
identificar vozes até mesmo dentro dos eua,
lembrando que o acordo de Teerã, promovido
por Brasil e Turquia, foi um marco importante
e talvez uma oportunidade desperdiçada.
Se tivéssemos avançado no acordo naquela
época, talvez estivéssemos agora em uma
etapa subsequente. Seja como for, o que nós
temos deixado claro é a inaceitabilidade de
um recurso unilateral à força para lidar com
alegações de uma natureza militar para o
programa nuclear iraniano.



Zero Hora: O governo do Brasil decidiu
adotar a reciprocidade no tratamento dos
turistas espanhóis. Como está essa relação?

Antonio	Patriota:	Estou	recebendo	o
Chanceler da Espanha quarta-feira. Espero que
não tenhamos mais episódios de tratamento
de brasileiros que não seja em consonância
com aquilo que esperaríamos de uma nação
amiga, com a qual temos uma relação bilateral
importante. Tenho confiança de que essa seja
a disposição do Chanceler e que comecemos a


                                                Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	189


























































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Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012










SÍRIA TEM ARMA DE DESTRUIçãO EM MASSA, AFIRMA PATRIOTA
       ENTREVISTA CONCEDIDA AO JORNAL FOLHA DE S. PAULO
                                                           (18/05/2012)

                                                                      
                                                                      
                                                                      
                                                                      
                                                                      
                                                                      
                                                                      

O Ministro das Relações Exteriores, Antonio
Patriota, 58, justificou a posição brasileira
de diálogo com a ditadura síria dizendo que
o regime de Bashar Assad possui armas de
destruição em massa. O conflito no país já
matou mais de 10 mil pessoas desde março de
2011, segundo estimativas da ONU.

Algum tipo de diálogo com Assad é
fundamental. Assad tem armas de destruição
em massa na Síria. Então, como é que você
faz...?, disse Patriota em sabatina feita pela
Folha em parceria com o UOL, ontem, em
São Paulo.

Sempre houve fortes suspeitas de que a Síria
tenha armas químicas e biológicas, mas é a
primeira vez que isso é dito explicitamente.

A sabatina, no Teatro Folha, teve mediação
do editor de Mundo, Fábio Zanini, e contou
ainda com Eliane Cantanhêde, colunista da
Folha, Claudia Antunes, repórter especial, e
Irineu Machado, gerente de notícias do UOL.

O ministro ainda criticou o modo como o
Conselho de Segurança da ONU lida com o
conflito entre israel e palestinos, falou sobre a

possibilidade de a economia da China superar
a dos EUA e previu mudanças na dinâmica
do G20 com François Hollande na Presidência
francesa.

Leia os principais trechos.

Síria

A disposição para um diálogo [com o regime
Assad] não deve ser caracterizada como
elogio; é o mínimo que se espera. O Brasil
mesmo já tinha se pronunciado com firmeza
no Conselho de Direitos Humanos [da ONU]
sobre violações cometidas pelo governo.

é uma questão de realismo: é necessário
verificar que [o regime] detém as rédeas
das Forças Armadas. (...) Assad tem armas
de destruição em massa na Síria. Existem
suspeitas sérias de que [sejam] biológicas.
então tem que ver com quem é que ficam
essas armas. Você imagine, numa revolução
inteiramente caótica na Síria, o potencial
desestabilizador que isso pode ter.

China




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	191




O Plano Quinquenal chinês põe muita ênfase
no mercado doméstico; nos últimos anos, o
crescimento era muito voltado para fora. Isso
envolverá mudanças na economia. Por outro
lado, as previsões de que dispomos é de que
poderá crescer o comércio nos dois sentidos,
com a persistência de superavit para o Brasil.

Há um deficit de conhecimento da China
no Brasil. Uma coisa interessante é que, até
no auge da bipolaridade, a União Soviética
nunca esteve a ponto de superar os EUA
economicamente. Neste século, a perspectiva
de que a China ultrapasse os EUA no tamanho
do PIB é uma realidade.

Israel e palestinos

é um motivo de frustração o fato de que
esse tema não é abordado com seriedade no
Conselho de Segurança. Talvez seja o principal
problema de segurança internacional. Houve
a aceitação tácita de que seria terceirizado
para o quarteto (secretário-geral da ONU,
União Europeia, EUA e Rússia), que não está
produzindo resultado nenhum.

Não queremos só criticar o quarteto, também
queremos mostrar que a gente é capaz de dar o
exemplo. E o maior exemplo que me ocorre é
o das comunidades judaica e de origem árabe
no Brasil.

Armênia e Turquia

[Sobre a acusação, pelos armênios, de
genocídio cometido pela Turquia:] Nós temos
relações muito boas com a Armênia e também
com a Turquia. A situação que envolve
Turquia e Armênia é complexa, uma questão
histórica. é importante nós mantermos esse
relacionamento com os armênios e com os
turcos.

Europa

A Europa é um parceiro estratégico, e sua
situação econômica nos preocupa. De vez em
quando a teoria econômica esbarra na realidade
política. A Grécia, de certa maneira, está se
insurgindo contra a ideologia dominante até
agora, da austeridade.

[François] Hollande tem o potencial de alterar
um pouco a dinâmica no G20 [grupo das 20
maiores economias globais]. A Grécia não
tem opções muito boas diante de si. Mas,
ao mesmo tempo, a Europa é uma região
extraordinária na capacidade de se reinventar.

Eleição nos EUA

A relação Brasil/EUA já atingiu uma altura
de cruzeiro, que se sustentará qualquer que
seja a decisão do eleitorado americano neste
ano.

Mundo multipolar

Logo que acabou a Guerra Fria, houve um
período que se poderia descrever como
momento unipolar [dos EUA].Não creio
que isso seja possível hoje. Já estamos num
mundo em que os EUA aceitam a ideia de
que precisam cooperar com outros países para
determinar cursos de ação. Isso é saudável,
positivo.

Conselho de Segurança

O Brasil já desempenha um papel importante.
A questão da ampliação é difícil. A China, por
razões históricas, resiste à reforma com novos
membros permanentes. Mas deixa claro que
não são as postulações de países como o Brasil
que criam dificuldades.




192

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




Venezuela

Tenho	conversado	com	as	autoridades
venezuelanas [sobre a saúde de Hugo
Chávez]. A previsão é que a institucionalidade
será cumprida, seja qual for o cenário. Mas,
obviamente, nós desejamos ao presidente
Chávez a recuperação mais rápida possível.

Cuba

A avaliação [de que a situação dos direitos
humanos em Cuba não é emergencial]
não é individual do Brasil -é do sistema
multilateral que lida com direitos humanos.
Qualquer problema de direitos humanos em
qualquer país é uma preocupação, e todos têm
progressos a fazer.

Há quem pense que há situações que
preocupam e sem tratamento adequado,
como a prisão de Guantánamo [dos EUA]. é
muito importante mostrarmos equilíbrio sem
nos deixarmos levar pela politização e pela
seletividade.

Outro aspecto é que há muito movimento em
Cuba. O país está procurando um caminho
de atualização econômica e flexibilização de
regras. Quando identificamos essa disposição
na sociedade, o importante é nos colocarmos
a favor.

Haiti

A	contrapartida	[dos	países	ricos	na
recuperação do Haiti após o terremoto de
2010] poderia ser maior. Mas, ao mesmo
tempo, não quero minimizar os esforços
internacionais.

Expropriação da YPF pela Argentina

O Chanceler da Espanha [José Manuel
García-Margallo] deu uma resposta muito
boa: é uma decisão de política econômica
soberana. Os espanhóis estão preocupados
com a negociação de compensação. O Brasil
não teme nada.

Lei de Acesso à Informação

é um desafio [conciliar a necessidade de
sigilo diplomático e a transparência]. Daqui
para a frente, teremos que desenvolver uma
disciplina muito grande. Como classificar
documentos? Quando o diplomata escreve
uma mensagem, ele tem que pensar na pessoa
que terá acesso àquele documento daqui a 5,
15, 25 anos.

Rio+20

Temor e fracasso não são palavras que
costumo utilizar. Além disso, a conferência
não é ambiental; é sobre desenvolvimento
sustentável. Eu não creio que a ausência de
um ou outro país vá determinar o seu êxito,
até porque entendo que alguns países estão
enfrentando situações domésticas muito
complexas.

Belo Monte e ambiente

O questionamento de Belo Monte pela
Comissão Interamericana de Direitos
Humanos foi eivado de erros. Acho que
o Brasil é um exemplo da procura de um
consenso que reconcilie desenvolvimento e
consciência ambiental.

Polêmica com espanhóis

Foi decisão do governo [ampliação das
exigências para espanhóis entrarem no Brasil].
Não chamo de retaliação, mas de medida




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	193




recíproca. As medidas são menos rígidas que
as do lado espanhol.

Brasileiro na Indonésia

Já foram escritas cartas ao presidente da
Indonésia pedindo clemência. A mãe [de
rodrigo	Gularte,	acusado	de	tráfico	e
condenado à morte no país] pode ter certeza
de que tudo que pode ser feito será feito.



Frases

  Nós temos que examinar quais são
  as	alternativas. A oposição	é	muito
  desorganizada. Ainda não estamos numa
  situação satisfatória [com o plano de seis
  pontos da ONU, que inclui cessar-fogo na
  Síria], porque a violência continua. Mas nós
  continuamos considerando que o diálogo é
  fundamental
   
  aNTONiO PaTriOTa - sobre o conflito na
  Síria
   
  O Acordo de Teerã [em que Brasil e
  Turquia tentaram negociar com o Irã] não foi
  derrotado. Permanece um marco importante.
  Acredito que as ideias veiculadas pelo
  P5+1 [as cinco potências do Conselho de
  Segurança da ONU mais a Alemanha] e
  pelo Irã não são muito diferentes daquelas
   
  ANTONIO PATRIOTA - sobre o programa
  nuclear iraniano
   
Repercussão

Helges Bandeira, 27, advogado:

Ele cobriu diversos temas e esclareceu uma

série de posições. São coisas que a gente
costuma ler no jornal, mas é sempre melhor
ter a opinião direta do ministro.

Priscilla Negreiros, 25, cientista política:

A argumentação do ministro é boa. A Eliane
Cantanhêde também forçou boas respostas.
A sabatina sanou curiosidades sobre os
principais temas internacionais.

Rafaela Herman, 17, estudante de relações
internacionais:

Gostei bastante, ele foi objetivo nas
respostas. A melhor parte foi sobre o Conselho
de Segurança da ONU, que é o assunto que
me interessa mais.




194

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012










     BRASILIA DéFEND LE DIALOGUE AVEC DAMAS
            EN VUE DUNE TRANSITION POLITIQUE
ENTREVISTA CONCEDIDA AO JORNAL LE MONDE
                                          (30/05/2012)

                                                  
                                                  
                                                  
                                                  
                                                  
                                                  

Par Propos recueillis par Nicolas Bourcier
(Brasilia, envoyé spécial)

Philosophe de formation, francophile et
ancien ambassadeur du Brésil à Washington
pendant le deuxième mandat du président
Luiz Inacio Lula da Silva, Antonio Patriota,
58 ans, est le ministre des relations extérieures
du gouvernement de Dilma Rousseff.

Depuis mars, le Brésil manifeste une intense
activité diplomatique. La présidente Dilma
Rousseff a rencontré la chancelière Angela
Merkel puis le président américain Barack
Obama, il y a eu le sommet des BRICS à New
Delhi et celui des Amériques à Carthagène, en
Colombie. Quel rôle jouez-vous sur la scène
internationale ?

Nous vivons un monde en transition, en proie
à un mouvement très accéléré. La diplomatie
brésilienne a des atouts extraordinaires pour
mener une politique dintégration régionale
approfondieainsiquunepolitiquecuménique
ayant un regard global sur le monde. Notre
agenda international est essentiellement basé
sur la paix et le développement. Nous navons
pas darme de destruction massive [ADM] et

navons pas lintention de nous en procurer,
notre Constitution nous linterdit. De fait, le
Brésil est peut-être idéalement placé pour
jouer un rôle de pont entre les pays et les
différentes régions. Nous sommes un pays
sans ennemi, nous avons des relations avec
les 193 membres des Nations unies, même
avec lEtat palestinien qui nen fait pas encore
partie.

Cette ambition passe-t-elle par un siège
permanent au Conseil de sécurité de lONU ?

Dans ce monde multipolaire, il me semble
quil faut donner une attention spéciale aux
questions des gouvernances globales. Le
Conseil reflète lordre de limmédiat après-
guerre. Or, pour que le fonctionnement de ce
système reste satisfaisant, nous insistons sur la
réforme de lONU. Ce système doit souvrir à
des acteurs qui peuvent contribuer à garantir
que cette nouvelle multipolarité soit celle de
la coopération entre les différents pôles et non
pas celle de la compétition, du manque de
communication ou de la tension.

Dans le cas syrien, vous maintenez depuis le
début des événements une position en faveur




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	195




du dialogue avec le régime de Bachar Al-
Assad. Que vous inspire le massacre commis
le 25 mai à Houla ?

Le Brésil sassocie intégralement à la
déclaration faite par le président du Conseil
de sécurité [le 27 mai] qui condamne ces
attaques. Nous réaffirmons notre soutien
à la proposition en six points de lEnvoyé
spécial conjoint des Nations unies et de la
ligue arabe, kofi annan, en particulier le
deuxième point qui fait appel à la cessation
immédiate des combats et à un arrêt effectif
de toutes les formes de violence. Selon
la proposition Annan, il est impératif
que le gouvernement syrien mette fin
aux mouvements de troupes en direction
dagglomérations et cesse dutiliser des
armes lourdes contre elles. Cela permettra
le déclenchement dun processus politique
ouvert, dirigé par les Syriens, capable
de stabiliser le pays et de répondre aux
aspirations et préoccupations légitimes de
la population.

Vous avez évoqué encore récemment la
présence darmes de destruction massive en
Syrie comme une sorte de justification à votre
politique. Quen est-il ?

Ce nest pas un argument que jutilise pour
justifier notre position. la presse et même le
directeur de lorganisation pour linterdiction
des armes chimiques ont déclaré quil y avait
des soupçons élevés au sujet de la présence
darmes chimiques. Il faut en tenir compte.
Nous jouissons désormais dun consensus au
sein du Conseil de sécurité. Ce nétait pas le
cas lannée dernière.

Au Conseil de 2010 à 2011, nous avons
travaillé de manière très soutenue pour
rapprocher les positions, lidée dun envoyé

spécial à été adoptée. Il sagit dailleurs dune
idée que nous avions proposée en septembre.
La présomption est que lon va désormais
travailler pour quil y ait une diminution de
la violence et que celle-ci donne lieu à des
conditions de stabilité minimales afin quun
dialogue et une transition politique aient lieu.

Est-ce un préalable?

Cest implicite. Des contacts avec les autorités
sur place seront nécessaires. Lorsque jai
soulevé la question des ADM, cétait sous
forme de question : imaginez le scénario qui
pourrait avoir lieu dans la région si de telles
armes existent bel et bien. Une des premières
choses à faire est dévaluer les risques
quentraîne la stratégie que lon défend.

Sil y a un risque de déstabilisation élevé ou si la
situation peut savérer encore plus dangereuse
pour la population, il faut chercher dautres
solutions. Et les issues possibles en Syrie ne
sont pas simples. Le meilleur pari repose, en
ce moment, sur le processus en marche, ayant
reçu lappui de tous les membres du Conseil.

Avant sa venue à Brasilia, en février, Catherine
Ashton, la haute représentante de lUnion
européenne aux affaires étrangères, avait tenu
des propos assez durs, vous demandant de
choisir entre Assad et le peuple syrien...

Nous choisissons toujours la diplomatie et
la paix, les solutions qui entraînent le moins
dinstabilité et le moins de danger pour les
civils. Cest pourquoi nous avons lancé un
débat au Conseil sur la responsabilité en
protégeant (responsability while protecting)
lors dune action de protection. Même lorsque
le Conseil autorise une intervention soi-disant
pour protéger les civils, lhistoire nest pas
finie. il faut que laction menée sous ce mandat




196

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




soit responsable et se tienne aux paramètres
de la résolution du Conseil.

Vous pensez à lintervention en Libye?

Je pense à la crédibilité du Conseil de sécurité.
Parce que si lon ne respecte pas le mandat
du Conseil, cela peut créer une situation où
chacun fait ce quil veut. Ce nest pas pour
cela que les Nations unies ont été créées.

Dans le cas iranien, faut-il tenter une nouvelle
médiation entre Brasilia et Ankara, comme en
2010, pour amener lIran à discuter sur son
programme nucléaire?

Daprès les éléments que jai pu recueillir
dun côté comme de lautre ces dernières
semaines, il y a le sentiment quun processus
pourrait être en train de sétablir qui mènerait
à une réduction des tensions sur des bases
qui ne seraient pas radicalement différentes
de celles de laccord de Téhéran [mai 2010]
proposé par le Brésil et la Turquie. Mais je
dois préciser que les éléments de cet accord
avaient déjà auparavant été proposés par
lAgence internationale de lénergie atomique.
Cest un peu sur des bases semblables que la
discussion a lieu aujourdhui.

Le président Ahmadinejad nest pas venu au
Brésil lors de son voyage dans la région en
janvier. Avez-vous pris vos distances avec le
régime de Téhéran?

Nous avons des relations correctes avec
lIran. Je me suis réuni en septembre 2011,
en marge de la réunion de lONU, avec mon
homologue iranien [Ali-Akbar Salehi]. Je
viens de le rencontrer à nouveau à Tunis. Les
contacts se poursuivent. Cest une relation qui
suit son chemin. Dailleurs, M. Ahmadinejad
devrait être présent au sommet Rio+20. Il

est membre des Nations unies, soumis certes
à des sanctions, mais dautres dirigeants
soumis comme lui à des sanctions du Conseil
participent à des débats et conférences de
lONU.

au sujet du conflit israélo-palestinien, vous
avez eu des mots très durs envers le Quartet.
Que faut-il faire, selon vous ?

Ce qui nest pas justifiable, cest labsence de
progrès sur ce dossier qui devrait concentrer
lattention de la communauté internationale.
Or, il nest pas discuté de façon sérieuse et
systématique au sein du Conseil. Cest le
Quartet qui sen occupe. Mais ces dernières
années, il na pas produit de résultats concrets.
Jai transmis mes réflexions au secrétaire
général de lONU, qui nest pas totalement en
désaccord. Il y a une frustration généralisée.

Le groupe qui réunit lIBAS [Inde, Brésil,
Afrique du Sud] a incorporé dans sa
dernière déclaration lidée que le Quartet
devait se rapporter au Conseil de façon plus
systématique pour quon puisse en discuter.
Cest une suggestion de procédure mais qui
au moins a lintention de mettre laccent
sur limportance dune considération plus
multilatérale du sujet.

Soulevez-vous cette question avec les Etats-
Unis ?

De façon directe. Une relation mûre entre pays
doit permettre un dialogue franc et ouvert sur
les préoccupations de chacun. Le Brésil a la
caractéristique de défendre la paix et posséder
lavantage de navoir aucun agenda parallèle.
Alors oui, jai parlé dIsraël-Palestine, de
Cuba... Il y a de nombreux sujets où nous
sommes aussi sur la même longueur dondes,
comme sur Haïti par exemple.




Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	197




On assiste à une amélioration de vos
rapports avec Washington. Peut-on parler de
rapprochement ?

Cest une évolution permanente. Mais ce que
vous dites nest pas faux. Il est vrai quil y a
une évolution positive, bénigne, et favorable
dans la relation, continuelle, à pas continus.
Aujourdhui, la présidente Dilma Rousseff
attribue beaucoup dimportance aux relations
avec les Etats-Unis. Cest notre deuxième
partenaire commercial quand même !

Déjà sous le deuxième mandat du président
lula, on pouvait identifier une augmentation
des relations commerciales. De nouveaux
mécanismes se sont créés pour discuter, par
exemple, du combat contre la discrimination
raciale dans nos deux pays. Nous avons
désormais des réunions régulières avec nos
ministres de la défense respectifs.

Vous vous montrez inquiets sur la crise
européenne.

Nous avons connu dans le passé des crises
qui ressemblent à celles que vit actuellement
lEurope, mais sans les atouts dont jouit votre
continent. Nous croyons beaucoup à votre
capacité à rebondir. Et nous aussi, nous avons
ce débat entre discipline fiscale et croissance
économique.	La	présidente	a	toujours
avancé des arguments mettant laccent sur
la deuxième formule. Dune certaine façon,
cela créé un peu une affinité spéciale avec le
président français.

Mais pour être juste envers le gouvernement
du président Sarkozy, nos relations se sont
beaucoup développées ces dernières années.
La France appuie une réforme du Conseil
de sécurité où le Brésil et dautres pays
émergeants seraient membres permanents.

Nous avons un partenariat stratégique avec
la France, nous construisons des sous-marins
nucléaires avec la France...

Et bientôt lachat davions Rafale ?

Sur cela, je ne détiens pas la dernière parole.
Le sujet est sur la table de la présidente. Mais
ce que lon peut dire est que nous avons
une base très solide pour mener plus loin ce
partenariat. Cest dans cet esprit que jai appelé
Laurent Fabius le jour de sa nomination. Nous
lattendons à Rio+20.




198

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012










A

Africa do Sul - 32, 47, 77, 78, 79, 101, 102,
105, 107, 108, 110, 111, 147, 155, 157.

Alemanha - 84, 93, 120, 147, 194.

Algodão - 100.

Argentina - 43, 44, 92, 94, 120, 139, 147,
173, 178, 187, 188, 193.


B

BASIC - 112, 118, 155, 163.

Biocombustíveis - 115, 116, 123, 125, 126,
133, 151, 154.

Bolívia - 92, 97, 99, 125, 145.

Burkina Faso - 119.

Burundi - 144.


C

Cabo Verde - 144.

CELAC - 37, 40, 50, 60, 82, 132, 137, 147,
178, 180, 181.

Chile - 44, 92, 132, 147, 177, 178, 180, 181.

China - 32, 70, 83, 101, 102, 105, 107, 108,
         
ÍNDICE REMISSIVO
         
159, 163, 173, 183, 191, 192.

Conselho de segurança - 41, 55, 72, 73, 88,
89, 90, 91, 106, 107, 117, 124, 128, 129, 131,
142, 143, 146, 147, 149, 150, 152, 158, 191,
192, 194.

Cooperação Econômica - 66, 104, 121, 130,
154.

Coréia do Sul - 100, 141, 147.

COSBAN - 82, 83, 156.

CPLP - 53, 54, 55, 99, 128, 129, 130, 131.

Cruz Vermelha - 77.


D

Democracia - 21, 23, 24, 30, 32, 35, 37, 41,
49, 61, 97, 101, 112, 118, 124, 130, 148, 149,
151, 153, 162, 178, 180, 181, 188.

Desenvolvimento Sustentavel - 22, 23, 37,
40, 66, 70, 71, 72, 74, 76, 77, 82, 84, 85, 88,
93, 102, 103, 105, 107, 108, 116, 118, 122,
129, 130, 135, 140, 141, 142, 143, 148, 149,
152, 155, 167, 168, 175, 176, 193.

Direitos Humanos - 25, 30, 32, 37, 41, 47,
49, 72, 73, 74, 82, 86, 106, 124, 125, 128, 130,
135, 138, 139, 142, 143, 145, 146, 148, 149,
151, 156, 158, 161, 162, 169, 170, 191, 193.

109, 110, 111, 120, 147, 155, 156, 157, 158,



                                                Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	199




E

Energia - 21, 23, 65, 72, 73, 76, 83, 84, 85, 93,
95, 98, 100, 107, 109, 110, 111, 112, 116, 120,
121, 122, 123, 124, 125, 126, 131, 132, 134,
135, 138, 148, 149, 151, 153, 154, 156, 158.

Equador - 137.

Espanha - 139, 140, 142, 144, 145, 147, 189,
193.

EUA - 40, 43, 120, 121, 122, 123, 124, 132,
133, 134, 188, 189, 191, 192, 193.


F

FOCALAL - 57, 58, 64, 85, 97, 101.

Foro Ibas - 115.

França - 147, 188.


G

Genebra - 101, 103, 111, 136, 142, 187.

Guiana - 43, 64, 82.

Guine-Bissau - 54, 55, 71, 99, 100, 128, 129,
130, 131, 136, 144.


H

Haiti - 25, 26, 79, 80, 96, 97, 125, 134, 135,
140, 144, 146, 151, 161, 162, 177, 180, 181,
184, 193, 197.

Honduras - 67, 77, 82.

I

India - 32, 65, 66, 77, 78, 79, 84, 101, 102,
103, 105, 107, 108, 110, 111, 112, 113, 114,
115, 116, 117, 118, 119, 147, 155, 157, 163,
164, 165, 174, 183, 184.

Investimentos - 49, 72, 75, 82, 83, 87, 100,
107, 112, 113, 114, 120, 121, 122, 127, 128,
132, 137, 140, 141, 142, 143, 148, 156, 157.

Israel - 73, 118, 191, 192.

Italia - 147.


J

Jogos Olímpicos - 75, 114, 121, 135.


L

Líbia - 41, 129, 177, 180.

Londres - 75.

Lima - 96, 97.


M

Mali - 54, 55, 101, 119, 136.

Mercosul - 37, 40, 44, 50, 75, 81, 82, 87, 113,
137, 149, 153, 188.

México - 47, 68, 69, 77, 83, 95, 96, 103, 104,
120, 122, 147, 174.

Moçambique - 63, 128, 131, 132, 134.





200

Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1º semestre de 2012




N

Nações Unidas - 22, 25, 26, 40, 41, 47, 50,
54, 55, 65, 66, 67, 69, 70, 71, 72, 73, 74, 76,
77, 79, 80, 82, 84, 85, 86, 88, 89, 90, 93, 101,
103, 105, 106, 107, 108, 117, 118, 122.

Negócios Estrangeiros - 65, 68, 72, 76, 82,
94, 130, 135, 136, 140, 141, 142.

Nigéria - 143.

O

OIT - 94.

OMC - 50, 79, 101, 102, 103, 105, 153.


P

Palestina - 23, 118, 144.

Paquistão - 77.

Paraguai - 46, 61, 67.

Paz - 22, 23, 25, 26, 32, 37, 41, 44, 50, 53, 54,
55, 71, 73, 82, 89, 90, 91, 100, 102, 103, 106,
107, 114, 118, 124, 126, 129, 130, 131, 134,

76, 77, 82, 84, 85, 88, .93, 99, 108, 118, 122,
129, 130, 135, 137, 140, 141, 142, 143, 149,
150, 152, 155, 164, 165, 167, 168, 171, 172,
175, 176, 187, 193, 197, 198.


S

Segurança Alimentar - 23, 63, 65, 66, 74, 77,
107, 110, 111, 114, 118, 124, 127, 128, 131,
133, 138, 144, 147, 153, 161.

Serra Leoa - 144.

Suriname - 67, 138.


T

Turquia - 91, 147, 148, 149, 150, 179, 189,
192, 194.


U

Unasul - 37, 40, 45, 50, 61, 95, 96, 99, 132,
137, 138, 139, 145, 146.

135, 136, 138, 142, 147, 148, 149, 150, 151,
152, 153, 161, 178, 179, 180, 188.

Peru - 77, 92, 96, 97, 184.

Programa Nuclear - 189, 194.

Propriedade Intelectual - 116, 125.


R

RIO+20 - 22, 23, 24, 39, 40, 50, 60, 61, 72,



                                                Resenha de Política Exterior do Brasil. Número 110, 1° semestre de 2012	201









 Capa e Projeto Gráfico
        Karina Barreira
      Vivian Fernandes
      
         Diagramação
        Karina Barreira
        
             Formato
           20 x 26 cm
            
              Mancha
        15,5 x 21,5 cm
         
             Tipologia
     Times New Roman
     
                Papel
    Supremo 250 g/m2,
plastificação fosca (capa)
      e 75g/m2 (miolo)
       
    Número de páginas
                 202
              Tiragem
                 500
                  

                  
                  
                  
                  
                  
                  
                  
                  
                  
                  
                  
                  
                  
                  
                  
Endereço para correspondência

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Diplomática (CDO)
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